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Drones na Agricultura: Uso e Práticas no Brasil

Direitos autorais
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ISSN 2176-2937

Documentos 474
Londrina, PR / Maio, 2025

Uso de drones agrícolas no


Brasil: da pesquisa à prática

Soja
Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
Embrapa Soja
Ministério da Agricultura e Pecuária

ISSN 2176-2937

Documentos 474
Maio, 2025

Uso de drones agrícolas no


Brasil: da pesquisa à prática

Rafael Moreira Soares


Eugênio Passos Schröder

Embrapa Soja
Londrina, PR
2025
Embrapa Soja Edição executiva
Rod. Carlos João Strass, s/n Vanessa Fuzinatto Dall´Agnol
Acesso Orlando Amaral, Distrito da Warta
CEP 86065-981 Revisão de texto
Caixa Postal 4006 Regina Maria Villas Bôas de Campos Leite
Londrina, PR Normalização
Fone: (43) 3371 6000 Valéria de Fátima Cardoso
[Link]/soja
Projeto gráfico
[Link]/fale-conosco/sac Leandro Sousa Fazio

Comitê Local de Publicações da Embrapa Soja Diagramação


Marisa Yuri Horikawa
Presidente
Roberta Aparecida Carnevalli Foto da capa
Secretária-executiva Rafael Moreira Soares
Regina Maria Villas Bôas de Campos Leite
Membros
Clara Beatriz Hoffmann-Campo, Claudine Dinali
Santos Seixas, Claudio Guilherme Portela
de Carvalho, Fernando Augusto Henning,
Leandro Eugênio Cardamone Diniz, Liliane
Márcia Mertz-Henning, Maria Cristina Neves de
Oliveira e Norman Neumaier
Publicação digital: PDF

Todos os direitos reservados


A reprodução não autorizada desta publicação, no todo ou em parte,
constitui violação dos direitos autorais (Lei nº 9.610).
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
Embrapa Soja

Soares, Rafael Moreira


Uso de drones agrícolas no Brasil: da pesquisa à prática / Rafael Moreira Soares,
Eugênio Passos Schröder – Londrina : Embrapa Soja, 2025.

83 p. – (Documentos / Embrapa Soja, ISSN 2176-2937 ; n. 474)

1. Drone. 2. VANT. 3. UAS. I. Schröder, Eugênio Passos. II. Título. III. Série.

CDD (21. ed.) 623.7469

Valéria de Fátima Cardoso (CRB 9/1188) © Embrapa 2025


Autores

Rafael Moreira Soares


Engenheiro-agrônomo, doutor em Proteção de Plantas, pesquisador
da Embrapa Soja, Londrina, PR
Eugênio Passos Schröder
Engenheiro-agrônomo, doutor em Fitossanidade, diretor da Schroder
Consultoria Agro, Florianópolis, SC.
Apresentação
A agricultura do Brasil vem se destacando no cenário mundial
pela produção eficiente e sustentável em diversas culturas agríco-
las. Muito desse sucesso se deve às tecnologias desenvolvidas ou
adaptadas às condições brasileiras, adotadas de forma rápida, po-
rém consciente, pelas diversas cadeias produtivas existentes. O uso
de drones agrícolas para pulverização é um exemplo de tecnologia
rapidamente incorporada no país, apresentando benefícios que justi-
ficam seu crescimento, mas que ainda carece de muitas informações
técnicas para ser corretamente utilizada nas diversas situações da
diversificada agricultura brasileira, inclusive na cultura da soja.
Dessa forma, esta publicação apresenta um apanhado abrangen-
te — embora não pretenda esgotar o assunto — sobre os aspectos
que envolvem a pulverização com drones agrícolas. Aborda os as-
pectos regulatórios, o uso da tecnologia por prestadores de serviço
e agricultores, analisa resultados de pesquisas nacionais e interna-
cionais, e descreve exemplos práticos de sua aplicação em diversas
culturas relevantes.
Desde 2019, a Embrapa Soja, sob a liderança do pesquisador
Rafael Moreira Soares, vem conduzindo pesquisas sobre a pulveriza-
ção de produtos fitossanitários com drones na cultura da soja. Nesse
período, contou com diversos parceiros em seus projetos, entre eles
a Schroder Consultoria Agro, representada por seu diretor Eugênio
Passos Schröder. Ambos compartilham a autoria desta publicação,
em um esforço conjunto para contribuir com a evolução dessa nova
tecnologia, que já é uma realidade no campo.

Roberta Aparecida Carnevalli


Chefe-adjunta de Pesquisa e Desenvolvimento
Embrapa Soja
Sumário
Introdução - Aspectos gerais no uso de drones agrícolas.9
Legislação - leis, normativas e procedimentos legais
relacionados a drones..........................................................14
Anatel..................................................................................15
Anac....................................................................................17
Decea.................................................................................18
Mapa...................................................................................20
Equipamentos, infraestrutura e análise econômica do
uso de drones agrícolas.......................................................25
Montando uma empresa de prestação de serviços............25
Utilização direta pelo agricultor...........................................28
Resultados de pesquisa na avaliação experimental da
pulverização com drones.....................................................31
O efeito “downwash”...........................................................33
Taxa de aplicação...............................................................38
Tamanho de gotas, altura e velocidade de voo e a
faixa de deposição..............................................................45
Uso de drones agrícolas por cultura...................................51
Arroz...................................................................................52
Banana...............................................................................53
Cana-de-açúcar..................................................................54
Milho...................................................................................55
Pastagens...........................................................................56
Silvicultura..........................................................................56
Soja.....................................................................................58
Considerações finais............................................................61
Agradecimento......................................................................62
Referências............................................................................64
Anexo 1..................................................................................73
Anexo 2..................................................................................79
Anexo 3..................................................................................81
Foto: Rafael Moreira Soares
Uso de drones agrícolas no Brasil: da pesquisa à prática 9

Introdução - Aspectos gerais


no uso de drones agrícolas
Segundo o Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea),
vinculado ao Ministério da Defesa brasileiro, os Sistemas de Aerona-
ves Não Tripuladas (UAS - abreviado do inglês Unmanned Aircraft
Systems) são um novo componente da aviação mundial, para qual
operadores, indústria e diversas organizações internacionais estão
estudando e trabalhando a fim de compreender, definir e promover
sua completa integração ao Espaço Aéreo. De acordo com a Organi-
zação de Aviação Civil Internacional (OACI), aeronaves não tripuladas
abrangem diversos tipos de equipamento, como balões livres não tri-
pulados, aeromodelos e aeronaves remotamente pilotadas de alta
tecnologia.
Entre as aeronaves não tripuladas, estão os aparelhos popular-
mente conhecidos como drones, também chamados de veículos
aéreos não tripulados (Vant) ou aeronaves remotamente pilotadas
(ARP ou RPA, do inglês remotely piloted aircraft), que é o termo mais
adotado nos regulamentos oficiais brasileiros. Em um desses regula-
mentos, estabelece-se a diferença básica entre ARPs e aeromodelos,
sendo estes últimos utilizados unicamente para recreação, enquanto
os primeiros são utilizados para fins não recreativos, tais como os
usos comercial, corporativo e experimental. Nesta publicação, adota-
remos o termo drone como padrão.
O uso de drones na agricultura está cada vez mais presente,
tanto em quantidade como em diversidade de aplicações (Figura 1).
Os modelos mais comuns são os multirrotores e os de asa fixa, com
motorização elétrica por baterias. Eles são classificados de acordo
com o seu peso e altura máxima de voo permitida, possuindo inúme-
ros tipos de hardware, software, câmeras e sensores, que permitem
a execução de diversos processos, como por exemplo, mapeamento
georreferenciado, monitoramento, produção de imagens e, no caso
dos drones agrícolas, a aplicação de produtos líquidos e sólidos de
forma automatizada.
10 Documentos 474

Figura 1. Drones agrícolas: mercado, empresas e aplicações.


Fonte: adaptado de Drone Industry Insights (2024).

A presente publicação tem o objetivo de detalhar o uso dos drones


agrícolas na pulverização. No entanto, o emprego de drones de ima-
geamento, que geram, entre outras coisas, ortofotos, ortomosaicos,
imagens multiespectrais, modelos digitais de superfície e de terreno,
está intimamente ligado a uma aplicação precisa e eficiente dos dro-
nes na pulverização. Esses drones são geralmente de menor porte,
multirrotores ou monorrotores de asa fixa, e tem seu uso consolidado
há mais tempo em atividades profissionais do que os drones agríco-
las. Contudo, os detalhes técnicos sobre drones de imageamento não
serão abordados neste documento.
Os drones agrícolas possuem características próprias no seu pro-
cesso de pulverização, diferenciando-se tanto dos pulverizadores ter-
restres quanto dos aviões agrícolas, representando uma tecnologia
intermediária entre esses sistemas. Por isso, é essencial uma análise
criteriosa antes de sua adoção, garantindo que a tecnologia agregue
Uso de drones agrícolas no Brasil: da pesquisa à prática 11

benefícios à atividade agrícola. Algumas vantagens inerentes da pul-


verização com drone dispensam comprovação por pesquisas, embo-
ra a mensuração de algumas dessas vantagens possa trazer infor-
mações valiosas sobre o uso da tecnologia. Entre essas vantagens,
destacam-se:
• Remoção do aplicador da área a ser pulverizada, diminuindo
riscos à saúde deste.
• Independência das condições de tráfego do solo.
• Ausência de compactação do solo.
• Baixo consumo de água.
• Rastreabilidade (registro de dados e do mapa de aplicação).
• Não causa amassamento da cultura.
A questão do amassamento, causado pelas rodas dos pulveri-
zadores terrestres, é uma vantagem frequentemente apontada pelos
usuários da aplicação aérea com drones e aviões, uma vez que exis-
tem diversos estudos que comprovam perdas de 2 a 7% na cultura da
soja (Costa, 2017) e de 4,8 % na cultura do arroz irrigado (Schroder
et al., 2023).
Alguns dos principais fatores a serem considerados na utilização
de drones agrícolas, em especial para iniciar um negócio de presta-
ção de serviço com pulverização, mas também para o agricultor que
pretende adquirir o equipamento, são:
• Legislação: conhecer as regulamentações nacionais, estadu-
ais e municipais para operação de drones, incluindo obriga-
ções específicas relacionadas a pulverização de agrotóxicos.
• Equipamentos: selecionar o tipo de drone, tecnologia embar-
cada, capacidade de carga e demais especificações técnicas
importantes às necessidades da pulverização, de acordo com
as pretensões de uso.
• Capacitação técnica: realizar treinamento específico para
operação dos drones e aplicação correta de agrotóxicos.
• Investimento financeiro: realizar um planejamento financeiro
detalhado, considerando os custos de aquisição dos equipa-
mentos, softwares de gerenciamento, seguros, manutenção
(regulares e emergenciais), mão-de-obra entre outros. Para o
12 Documentos 474

agricultor, avaliar se o drone complementará ou substituirá as


tecnologias de pulverização já utilizadas.
• Identificação do mercado: analisar o mercado potencial, in-
cluindo características predominantes das áreas a serem
atendidas, a demanda por cultura, a concorrência e as ten-
dências em geral da tecnologia.
• Parcerias estratégicas: estabelecer colaborações com em-
presas ou organizações relacionadas ao setor agrícola, como
produtores rurais, cooperativas, associações de agricultores,
fabricantes de drones, entre outros.
Nos próximos itens, alguns desses fatores serão explorados com
detalhes, complementados com os resultados de pesquisa que bus-
cam desenvolver a aplicação com drones agrícolas no Brasil e no
mundo. Obviamente, não se pretende esgotar o assunto, visto que,
em 2025, essa tecnologia ainda está em plena evolução, seja nos
aspectos tecnológicos, legislativos, agronômicos ou mercadológicos.
Uso de drones agrícolas no Brasil: da pesquisa à prática 13

Foto: Rafael Moreira Soares


14 Documentos 474

Legislação – leis, normativas


e procedimentos legais
relacionados a drones
Para utilizar um drone no Brasil de forma legal, é necessário se-
guir as normativas de diversas agências reguladoras que, de acordo
com sua área de atuação, fiscalizam e regulamentam as atividades
envolvendo drones, visando garantir a máxima segurança no uso da
tecnologia.
O responsável pela operação de pulverização pode ser penaliza-
do na esfera civil, caso haja danos, e na esfera penal, se confirmado
crime. As penalidades podem recair sobre o profissional, quando hou-
ver recomendação equivocada, displicente ou indevida. Além disso,
estão previstas sanções ao usuário ou ao prestador de serviço que
descumprirem a receita agronômica ou com recomendações dos fa-
bricantes, bem como ao empregador que não fornecer os equipamen-
tos de proteção individual (EPIs).
A seguir, descreve-se os aspectos legais, normativas e proce-
dimentos impostos pelas principais agências reguladoras, que se
relacionam direta ou indiretamente com o uso de drones agrícolas.
A Figura 2 mostra um resumo dessas agências e das principais nor-
mativas atualmente vigentes.

No site do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agríco-


la (Sindag), está disponível o Checklist Drone Legal (Sindag, 2025),
que resume os requisitos essenciais para que os produtores rurais
ou empresas prestadoras de serviços de pulverização aérea estejam
regularizados e em conformidade com a legislação.
Uso de drones agrícolas no Brasil: da pesquisa à prática 15

Figura 2. Esquema de agências reguladoras e suas leis normativas e proce-


dimentos a serem seguidos, para a utilização de drones agrícolas.

Anatel
Os drones são equipamentos que transmitem radiofrequência,
e por isso precisam ser homologados pela Agência Nacional de
Telecomunicações (Anatel), órgão do Governo Federal responsável
por regulamentar toda a infraestrutura de telecomunicações no Brasil.
A agência busca assegurar um padrão mínimo de qualidade e confor-
midade com as normas vigentes.
Operar um drone não homologado pode levar à apreensão da ae-
ronave, inclusive com risco de perda definitiva do equipamento. A ho-
mologação visa garantir que os equipamentos operem em frequências
que não causem interferências em outros serviços já estabelecidos,
como o controle de tráfego aéreo e as redes de comunicação (tele-
fonia, internet, TV). Além disso, o processo assegura características
construtivas que promovem a segurança dos usuários, minimizando
16 Documentos 474

riscos como: choques elétricos; exposição a campos eletromagnéti-


cos acima dos limites recomendados; vazamento de materiais tóxi-
cos; explosões, entre outros.
Os drones que tiveram um processo de importação oficial e foram
comprados em lojas autorizadas, já tem o processo de homologação
realizado pelas empresas junto à Anatel, dispensando a preocupação
do usuário. No entanto, caso o aparelho seja comprado em lojas no
exterior, a homologação será necessária. Obviamente, drones de fa-
bricação nacional também precisam ser homologados.
Em fevereiro de 2024, a Anatel implementou um novo procedimen-
to para a certificação de drones, adaptando-se ao crescimento expo-
nencial da demanda. Dentre as principais mudanças destacam-se:
• A simplificação do processo de certificação para drones con-
siderados de baixo risco técnico:
• Os dispositivos mais complexos deverão passar por uma ava-
liação mais detalhada.
• Critérios técnicos mais claros em relação a frequência e a
potência de transmissão.
• Disponibilização de uma lista de drones previamente analisa-
dos, que podem ser homologados por Declaração de Confor-
midade, e uma lista de drones em não conformidade.
O processo de certificação está descrito no “Manual De Orien-
tações - Homologação de Drones para Uso Próprio”, disponibilizado
no site da Anatel na internet (Brasil, 2024a), e contém as orientações
sobre todos os procedimentos necessários para homologação de dro-
nes para uso próprio via Sistema Eletrônico de Informação (SEI).
Uso de drones agrícolas no Brasil: da pesquisa à prática 17

Anac
A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), vinculada ao Gover-
no Federal, é responsável por regular e fiscalizar as atividades da
aviação civil, bem como a infraestrutura aeronáutica e aeroportuária
no país. Em 2017, a Anac regulamentou o uso de drones, também
denominados de aeronaves remotamente pilotadas (ARP ou RPA),
em todo o país. O Regulamento Brasileiro de Aviação Civil Especial
(RBAC-E) nº 94/2017 (Brasil, 2017) apresenta as normas que visam
tornar as operações com esses tipos de equipamentos mais viáveis
e seguras.
Algumas diretrizes do regulamento seguem padrões definidos por
outras autoridades internacionais de aviação civil, como a Federal
Aviation Administration (FAA), dos Estados Unidos; Civil Aviation Sa-
fety Authority (CASA), da Austrália; e European Aviation Safety Agen-
cy (EASA), da União Europeia. Esse regulamento complementou as
normas relacionadas às operações de drones, já estabelecidas pelo
Decea e pela Anatel. Segundo o regulamento, os drones estão dividi-
dos em três categorias:
• Classe 1: drone com peso máximo de decolagem maior que
150 kg;
• Classe 2: drone com peso máximo de decolagem maior que
25 kg e menor ou igual a 150 kg;
• Classe 3: drone com peso máximo de decolagem menor ou
igual a 25 kg.
Vale ressaltar que drones com peso máximo de decolagem de
até 250 g (incluindo-se o peso do equipamento, de sua bateria e de
eventual carga) não precisam ser cadastrados junto à ANAC.
Devido a evolução da tecnologia, com aumento na capacidade
de carga e de tipos de utilização dos drones, em março de 2023, a
Anac inseriu no RBAC-E nº 94 a resolução nº 710, estabelecendo
que: “Os RPAs durante a aplicação de agrotóxicos e afins, adjuvantes,
fertilizantes, inoculantes, corretivos e sementes sobre áreas desabi-
tadas são classificados para fins deste regulamento como Classe 3,
independentemente do peso máximo de decolagem da RPA, desde
18 Documentos 474

que operando VLOS ou EVLOS e até 400 pés AGL” (Brasil, 2023a).
Essa mudança simplificou as exigências regulatórias para drones de
Classe 2, impulsionando sobremaneira o uso de modelos com maior
capacidade de carga e eficiência operacional, algo que o mercado
aguardava por muito tempo.
A Anac disponibiliza o Sistema de Aeronaves Não Tripuladas
(Sisant), uma plataforma on-line (Brasil, 2022) para o cadastro obri-
gatório de aeromodelos e drones, com peso máximo de decolagem
superior a 250 g. O sistema é de uso gratuito e possui caráter decla-
ratório, ou seja, parte do princípio da boa-fé dos usuários no forneci-
mento das informações.
É importante destacar que o uso indevido do Sisant pode acarre-
tar sanções administrativas pela Anac e até mesmo responsabilidade
penal (conforme art. 299 do Código Penal). Além do cadastro, a pla-
taforma também permite realizar a transferência de equipamentos di-
retamente no sistema, cadastrar drones para uso avançado (BVLOS;
acima de 400 pés) e emitir Certificado de Aeronavegabilidade Espe-
cial de RPA (CAER).

Decea
O Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) é respon-
sável por planejar, gerenciar e controlar as atividades relacionadas
ao controle do espaço aéreo brasileiro, à proteção ao voo, ao servi-
ço de busca e salvamento e às telecomunicações do Comando da
Aeronáutica. Desta forma, é preciso solicitar autorização desse ór-
gão para voos em áreas restritas, por exemplo. Na internet, o Portal
DRONE UAS, do Decea, reúne a legislação vigente e as informações
necessárias para que pilotos e operadores de aeronaves não tripula-
das possam realizar operações seguras e em conformidade com as
normas brasileiras.
O Decea disponibiliza a plataforma Sistema para Solicitação de
Acesso ao Espaço Aéreo Brasileiro por Aeronaves Não Tripuladas
(Sarpas) (Brasil, 2025), por meio da qual os usuários devem solicitar
Uso de drones agrícolas no Brasil: da pesquisa à prática 19

as autorizações de voos. O sistema possui integração com o Sisant,


da Anac, sendo necessário o cadastro nesse para a solicitação de
voos no Sarpas. Em conformidade com a Instrução do Comando da
Aeronáutica (ICA) 100-40, sobre Aeronaves Não Tripuladas e o Aces-
so ao Espaço Aéreo Brasileiro, as áreas solicitadas para operação de
drones dentro da linha de visada (VLOS), abaixo de 400 pés e fora
das Zonas de Restrição de Voo (FRZ), são aprovadas automatica-
mente em até 30 minutos. Para as demais solicitações, será neces-
sária a análise manual de um controlador de tráfego aéreo, a fim de
avaliar os riscos e possíveis interferências com a aviação tripulada.
O sistema começou a operar em 2017 e, no ano de 2024, registrou
cerca de 409 mil solicitações de voo (Figura 3).

409.437

391.567
Número de registros

310.660

242.919

172.129
139.220

76.484
95 19.721

2016 2017 2018 2019 2020 2021 2022 2023 2024

Figura 3. Registros da solicitação de voos na plataforma Sistema para Soli-


citação de Acesso ao Espaço Aéreo Brasileiro por Aeronaves Não Tripuladas
(Sarpas).
Fonte: adaptado de Brasil (2025).
20 Documentos 474

Mapa
O Decreto-Lei 917, de 7 de outubro de 1969 (Brasil, 1969), regu-
lamentado pelo Decreto 86.765, de 22 de dezembro de 1981 (Brasil,
1981), estabelece as diretrizes para o emprego da Aviação Agrícola
no país. Em seu artigo primeiro, atribui ao Ministério da Agricultura e
Pecuária (Mapa) a competência para propor políticas relacionadas a
atividade, incluindo sua coordenação, orientação, supervisão e fisca-
lização, ressalvadas as competências concorrentes de outros entes
da federação. Esta legislação aplica-se tanto à aviação agrícola tripu-
lada (aviões e helicópteros) quanto à remotamente tripulada (drones).
De forma complementar às regulamentações das agências an-
teriormente descritas, o Mapa publicou a Portaria nº 298, de 22 de
setembro de 2021 (Brasil, 2021), que estabelece regras específicas
para operação de aeronaves remotamente pilotadas (RPA) destina-
das à aplicação de: agrotóxicos e afins, adjuvantes, fertilizantes, ino-
culantes, corretivos e sementes.
Com isso, a partir de 1º de outubro de 2021, para a aplicação em
lavouras com drones agrícolas, os operadores de empresas de aplica-
ção ou o produtor rural usuário devem ter registro no Mapa, por meio
da plataforma do Sistema Integrado de Produtos e Estabelecimentos
Agropecuários (Sipeagro). Além disso, para o trabalho em campo, é
exigido que o aplicador seja maior de 18 anos e tenha Curso para
Aplicação Aeroagrícola Remota (CAAR), ministrado por entidade ou
empresa de ensino autorizada pelo MAPA, com uma grade curricular
mínima de aulas estipulado pela entidade (Tabela 1). As instituições
de ensino e pesquisa, de nível técnico e superior, públicas e privadas,
que utilizarem drones para aplicações com fins educacionais e cien-
tíficos ficam dispensadas do cumprimento das exigências da Portaria,
devendo observar as normas e legislações específicas aplicáveis ao
tipo de operação.
Uma importante determinação da Portaria 298 (Brasil, 2021) é
a proibição da aplicação aérea de agrotóxicos e afins, adjuvantes,
Uso de drones agrícolas no Brasil: da pesquisa à prática 21

fertilizantes, inoculantes, corretivos e sementes com drone em áreas


situadas a uma distância mínima de vinte metros de povoações, cida-
des, vilas, bairros, moradias isoladas, agrupamentos de animais, de
mananciais de captação de água para abastecimento de população,
inclusive reservas legais e áreas de preservação permanente. No
caso de aviação agrícola tripulada, esta distância varia entre 250 e
500 metros. Portanto, os drones agrícolas podem realizar aplicações
aéreas em locais onde anteriormente só seria possível utilizar equi-
pamentos terrestres.
Outras importantes determinações da Portaria são: obrigatorie-
dade do receituário agronômico para aplicação de agrotóxicos; todo
produto registrado para aplicação aérea pode ser usado com drone;
e obrigatoriedade de monitorar e registrar as condições ambientais no
início, durante e ao final das aplicações.
22 Documentos 474

Tabela 1. Conteúdo da grade curricular mínima do Curso para Aplicação Ae-


roagrícola Remota (CAAR).

Módulo Carga Horária (h)


Módulo 1 4h
Características básicas das ARPs
O mercado de ARP no Brasil
Usos de ARP na agricultura
Legislação sobre ARP no Brasil
Legislação sobre agrotóxicos no Brasil
Conceitos de boas práticas agrícolas
Módulo 2 16h
Pragas, doenças e plantas daninhas
Agrotóxicos
Toxicologia e uso de EPI
Ecotoxicologia e contaminação ambiental
Tecnologia de aplicação
Teoria da Gota e Deriva
Preparo de calda, carregamento, tríplice lavagem, descontaminação
Fatores meteorológicos que influenciam nas aplicações
Módulo 3 4h
Componentes de uma ARP de aplicação
Planejamento operacional e segurança
Calibração da ARP para aplicação
Prova 4h
Carga horária total (módulos 1, 2, 3 e prova) 28h
Fonte: Brasil (2021).
Uso de drones agrícolas no Brasil: da pesquisa à prática 23

Além da portaria do Mapa, é de suma importância seguir as de-


terminações da Lei 14.785 (Nova Lei de Agrotóxicos), de 27 de de-
zembro de 2023 (Brasil, 2023b), que passou a regular de forma es-
pecífica o tema dos agrotóxicos no Brasil, revogando integralmente
a Lei 7.802, de 11 de julho de 1989 (Brasil, 1989). A nova lei dispõe
sobre a pesquisa, experimentação, produção, embalagem, rotulagem,
transporte, armazenamento, comercialização, utilização, importação,
exportação, o destino final dos resíduos e embalagens, o registro, a
classificação, o controle, a inspeção e a fiscalização de agrotóxicos e
produtos de controle ambiental.
Outra lei que tem conexão com a atividade de aplicação de agro-
tóxicos é a Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605, de 12 fevereiro de
1998) (Brasil, 1998), que dispõe sobre as sanções penais e adminis-
trativas derivadas de condutas e atividades lesivas ao meio ambien-
te. Também a Norma Regulamentadora 31 (NR 31), do Ministério do
Trabalho e Emprego (Brasil, 2024b), deve ser observada. Ela tem por
objetivo estabelecer os preceitos a serem observados na organiza-
ção e no ambiente de trabalho rural, de forma a tornar compatível
o planejamento e o desenvolvimento das atividades do setor com a
prevenção de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho rural, e
se aplica a quaisquer atividades da agricultura, pecuária, silvicultura,
exploração florestal e aquicultura.
Nas esferas estadual e municipal, também pode haver normativas
próprias, a serem fiscalizadas pelos respectivos órgãos estaduais e
municipais de defesa agropecuária, que acrescentem restrições ain-
da maiores que as exigências já feitas em âmbito nacional. Exemplos
de normativas estaduais que definem limitações mais rigorosas que
a Portaria 298 são os incrementos das distâncias mínimas a serem
mantidas nas aplicações com drones para 50 metros no Estado do
Paraná (Paraná, 2023) e 90 metros no Estado do Mato Grosso (Mato
Grosso, 2023).
24
Documentos 474

Foto: Rafael Moreira Soares


Uso de drones agrícolas no Brasil: da pesquisa à prática 25

Equipamentos, infraestrutura
e análise econômica do uso
de drones agrícolas
A Portaria 298 do Mapa define como operador de drone:
• Pessoas físicas ou jurídicas.
• Agricultores individuais ou empresas rurais.
• Cooperativas e consórcios de produtores.
• Empresas prestadoras de serviços especializadas.
• Órgãos governamentais.
O operador pode ser o proprietário ou o arrendatário do drone,
com que pretende efetuar operações aeroagrícolas com aplicação de
agrotóxicos e afins, adjuvantes, fertilizantes, inoculantes, corretivos e
sementes.
Todos devem possuir registro no Mapa, via o Sistema Integrado
de Produtos e Estabelecimentos Agropecuários - Sipeagro.
As duas principais categorias de operadores de drones são:
operadores privados, que são agricultores que possuem drones para
uso exclusivo em suas fazendas; e empresas prestadoras de serviço,
que atendem diversos agricultores.

Montando uma empresa de prestação de


serviços
O investimento necessário para uma empresa que deseja iniciar
a prestação de serviços de pulverização agrícola com drones pode
variar significativamente, dependendo de vários fatores, como: o tipo
de drone a ser utilizado; a quantidade de drones (escala da empre-
sa); a capacidade de carga da aeronave; a tecnologia embarcada; a
estrutura de apoio; a equipe de trabalho; e o capital de giro para a
operação da empresa.
26 Documentos 474

Portanto, o primeiro passo é pensar como empresário, enxergan-


do o drone como um “negócio”, algo que demanda investimento, es-
trutura e conhecimento da legislação específica. Existem característi-
cas de mercado diferenciadas e isso precisa ser entendido.
Vale ressaltar que todos os valores em cifras citados a seguir fo-
ram baseados em informações tomadas até meados do ano de 2025
e podem se tornar desatualizados com o passar do tempo, tanto de-
vido a índices econômicos (inflação, juros, cotação do dólar), como
pela evolução do mercado no setor.
A experiência de algumas consultorias especializadas indica que
o investimento necessário para montar um negócio de drones para
pulverização pode ser repartido em três partes praticamente iguais:
a primeira delas é o valor que será investido no drone; a segunda
engloba investimentos em equipamentos e acessórios, veículo para
atendimento e, eventualmente, um reboque para colocar atrás do ve-
ículo para transportar os equipamentos necessários; a terceira abran-
ge a estrutura do escritório administrativo e o capital de giro. Resumi-
damente, em um cálculo aproximado, o investimento total equivale a
cerca de três vezes o valor do drone que se pretende comprar (Schro-
der; Burkert, 2023).
Para ilustrar, um drone de pulverização agrícola pode custar entre
R$ 100 mil a R$ 300 mil, variando conforme especificações e ca-
racterísticas do equipamento. Além disso, é preciso incluir gastos
com a aquisição de gerador de energia para carregar as baterias,
baterias sobressalentes, sistemas de pré-mistura e carregamento de
calda, softwares de gerenciamento de operações, equipamentos de
segurança, contratação e treinamento de pessoal, manutenção dos
equipamentos, veículos de transporte, entre outros. Por isso, é im-
portante que a empresa faça um planejamento detalhado de suas
necessidades e uma análise financeira cuidadosa para determinar o
investimento necessário para iniciar a prestação de serviços de pul-
verização agrícola com drones.
O custo para contratar uma aplicação de agrotóxicos com drones
agrícolas varia significativamente, influenciado principalmente pelo
relevo, vegetação da área, complexidade da operação, tecnologia e
Uso de drones agrícolas no Brasil: da pesquisa à prática 27

os equipamentos utilizados, distância do local de operação e tipo de


produto a ser aplicado. Em geral, os preços oscilam entre R$ 100,00
a R$ 400,00 por hectare. Essa amplitude reflete fatores como dificul-
dade de acesso ou exigências técnicas específicas. Alguns prestado-
res cobram por hora de voo; outros, por serviço completo, incluindo
preparo da solução.
Embora o custo da aplicação com drones agrícolas possa ser su-
perior a aplicação com equipamentos convencionais, há vantagens
como: não amassamento da cultura, maior precisão, menor estrutura
fixa, menor tempo de aplicação e menor risco de contaminação do
operador. Com a evolução e popularização da tecnologia, os valores
tendem a diminuir, mas é fundamental assegurar o cumprimento das
normas legais e das recomendações das bulas dos produtos.
Um segmento ainda mais carente no setor é o de oficinas espe-
cializadas em reparo e manutenção de drones agrícolas. A escas-
sez de profissionais qualificados contrasta com a demanda crescen-
te. Em um setor jovem, onde a maioria dos equipamentos possuem
menos de 3 anos, imagina-se que, à medida que os equipamentos
vão envelhecendo, mais reparos e manutenções serão necessários
e o alto custo de manutenção pode ser um dos desafios financeiros
enfrentados pelos prestadores de serviço. Nesse sentido, já existem
empresas prestando cursos para ensinar como devem ser feitos re-
paros e manutenções de drones agrícolas.
Outro desafio relevante é o fluxo de caixa irregular, pois a deman-
da se concentra na safra, dificultando a manutenção da equipe e ge-
rando ociosidade dos equipamentos na entressafra. Uma alternativa
é diversificar os serviços, atendendo diferentes culturas e incluindo
aplicação de produtos sólidos, como fertilizantes e sementes.
28 Documentos 474

Utilização direta pelo agricultor


Como qualquer tecnologia nova introduzida no campo, os drones
agrícolas também exigem um período de adaptação, divulgação e
comprovação de eficácia antes de serem amplamente aceitos pelos
agricultores. No entanto, a rápida evolução técnica e a expansão do
seu uso aceleraram a demanda por informações que auxiliem na de-
cisão de adotá-los como pulverizadores. Inicialmente, a contratação
de prestadores de serviços parece ser a alternativa mais prudente,
tanto tecnicamente como economicamente. Contudo, a medida que
se conhece melhor a tecnologia e com a tendência esperada de dimi-
nuição do custo dos equipamentos, quando algo deixa de ser novida-
de e passa a ser produzido por mais empresas, com mais modelos e
em maior escala, a aquisição e o uso direto pelo agricultor passam a
ser mais viáveis.
Devido ao seu porte reduzido em comparação a equipamentos
terrestres e aeronaves, drones são inicialmente associados a aplica-
ção em pequenas áreas, em culturas de maior valor agregado, subs-
tituindo principalmente o uso do pulverizador costal, que é um equi-
pamento com baixa eficiência, com baixa precisão e com alto risco de
contaminação do aplicador. Mas quando se analisa as possibilidades
de uso, mesmo a cultura da soja, lavoura mais plantada no Brasil,
pode ser atendida pelos drones. Uma pesquisa mostra que em 2017
existiam no país cerca de 236 mil propriedades produtoras de soja,
sendo que 172 mil eram propriedades com área colhida de soja abai-
xo de 50 ha e, na sua maioria, com produção altamente tecnificada
(Moraes et al., 2024). Todas essas propriedades seriam potenciais
candidatas a utilizar o drone agrícola. Além disso, já se tem relatos de
propriedades acima de 1000 ha que passaram a utilizar o drone como
principal ferramenta de pulverização.
A partir de 2022, com o lançamento de modelos com tanques de
40 litros ou mais, tornou-se possível pulverizar mais de 100 hectares
por dia com um único drone, ampliando sua atratividade para agricul-
tores que demandam maior autonomia.
Uso de drones agrícolas no Brasil: da pesquisa à prática 29

Embora dependa do tipo e do porte da propriedade agrícola, o


investimento na estrutura de apoio para o uso do drone por parte do
agricultor tende a ser menor que a do prestador de serviço. Ele prova-
velmente já terá um veículo para transportar o drone, um funcionário
ou familiar para auxiliar, um misturador de calda do pulverizador ter-
restre para adaptar no uso com o drone, entre outras facilidades de
se estar trabalhando dentro da própria propriedade.
Uma informação que pode ser útil ao agricultor é a comparação
entre o drone e outros equipamentos, na eficiência de controle das
pragas alvo da pulverização. A seguir, são descritos alguns trabalhos
que fazem essa comparação. De forma geral, embora algumas pes-
quisas mostrem uma maior variabilidade de deposição de calda e
um maior risco de deriva do drone em comparação ao pulverizador
terrestre, quando são seguidas as boas práticas recomendadas nas
aplicações e escolhidos os parâmetros técnicos adequados, o drone
tem no mínimo se equiparado ao controle de pragas e as produtivida-
des obtidas quando se utilizam pulverizadores tratorizados e costais.
Portanto, prudência, busca de informações e testes são importan-
tes para o agricultor tomar a decisão sobre adquirir ou não um drone
agrícola. O que não é aconselhável é ficar indiferente a uma tecnolo-
gia que tem se mostrado disrruptiva no setor e que, se está crescendo
em adoção, sinaliza que vem trazendo benefícios a seus usuários.
30
Documentos 474

Foto: Rafael Moreira Soares


Uso de drones agrícolas no Brasil: da pesquisa à prática 31

Resultados de pesquisa na
avaliação experimental da
pulverização com drones
Ainda mais recente do que o uso de drones agrícolas na pulveri-
zação, é a obtenção e divulgação de resultados de pesquisas cien-
tíficas com o uso dessa tecnologia. A partir do início do uso de dro-
nes multirrotores pulverizadores no Brasil, a tecnologia se espalhou
rapidamente nos últimos anos, principalmente através de empresas
prestadoras de serviço de pulverização. Com isso, boa parte do co-
nhecimento inicialmente adquirido sobre a eficiência da tecnologia
teve origem de observações do uso na prática. Isso ressalta o impor-
tante papel dos pioneiros na utilização de drones agrícolas, que acre-
ditaram e arriscaram em investir numa tecnologia até recentemente
desconhecida, que não dispunha de parâmetros técnicos obtidos nas
diferentes e peculiares situações agrícolas brasileiras. As observa-
ções de resultados sem a adoção de metodologia científica têm sua
importância no uso e no avanço da tecnologia, inclusive podendo ser-
virem de norteadoras para a realização de pesquisas científicas. Mas
é a partir de trabalhos com metodologia científica adequada que se
ganha confiança na tecnologia, pois com eles detectamos de forma
mais isenta e precisa os problemas, as virtudes, as necessidades de
aperfeiçoamento. Além disso, o registro escrito das informações e
sua publicação, característica inerente de quem faz pesquisa, permite
o maior acesso e compartilhamento da informação.
Um levantamento bibliométrico na base Scopus identificou 153
artigos sobre “uso de aeronaves remotamente pilotadas na pulveri-
zação agrícola”, durante o período de 2013 a 2023. Os cinco princi-
pais países que publicaram artigos científicos nos últimos anos foram
China, Estados Unidos, Brasil, Índia e Alemanha. A análise também
revelou que a pesquisa e a produção de artigos se tornaram mais vi-
síveis e difundidas a partir de 2019. A China contribuiu com 77% dos
artigos encontrados (121) e os Estados Unidos com 10% (16). No
32 Documentos 474

Brasil, foram encontrados nove artigos, mostrando que ainda temos


muito que avançar e explorar nessa temática (Ribeiro et al., 2024).
Cabe salientar que a maior parte dos trabalhos científicos com drones
realizados no Brasil tem sido publicada em anais de eventos científi-
cos, não estando, portanto, na base de dados Scopus.
A seguir são descritos e analisados resultados de pesquisas dis-
poníveis na literatura, onde diversas temáticas e metodologias foram
testadas, objetivando aumentar os conhecimentos sobre a pulveriza-
ção com drones. Entre os diversos fatores que podem ser pesquisa-
dos, destacam-se a taxa de aplicação de calda, a velocidade e a altu-
ra de trabalho, a faixa de pulverização, a deposição e uniformidade de
gotas, a deriva, a mistura de produtos e o controle do alvo biológico.
Muitos estudos precisam ser feitos e esse é um trabalho incessante,
pois os equipamentos estão em plena evolução e a diversidade de
culturas, de produtos e de alvos envolvidos aumenta cada vez mais.
Um exemplo de mudança na tecnologia é a tendência da adoção
de bicos rotativos nos principais modelos de drones utilizados no mer-
cado, em substituição as tradicionais pontas hidráulicas. O bico rota-
tivo, ou atomizador, consiste numa ponta com disco giratório de alta
velocidade que divide o líquido em gotas e oferece a opção de contro-
lar o tamanho de gotas geradas, o que pode aumentar a uniformida-
de do espectro das gotas em comparação a pontas hidráulicas, pois
elimina as gotas muito finas que causam deriva (Oliveira et al., 2010).
A uniformidade de gotas gerada pelo bico rotativo é dependente da
taxa de aplicação utilizada e a maioria dos bicos rotativos consegue
operar desde gotas finas até gotas ultra grossas (Silva et al., 2022).
No entanto, diversos estudos têm mostrado a complexidade asso-
ciada com os fatores que afetam a distribuição da pulverização com
drones multirrotores, dificultando a obtenção de uniformidade dessa
distribuição no campo. Como a massa do drone (e, portanto, o empu-
xo necessário pela rotação das hélices) reduzirá durante uma opera-
ção de pulverização, à medida que a calda é dispensada, a largura da
faixa de pulverização e a distribuição do fluxo mudarão. Manter uma
taxa de aplicação desejada não é, portanto, mais tão simples quanto
apenas manter uma velocidade uniforme (Coombes et al., 2022).
Uso de drones agrícolas no Brasil: da pesquisa à prática 33

O efeito “downwash”
O efeito “downwash” é a ação do vento das hélices do drone
sobre a calda liberada pelos bicos, constituindo-se num dos fatores
mais importantes que afetam a pulverização com drone. O fluxo de ar
do “downwash” também interage com a cobertura da cultura e forma
um vórtice cônico que movimenta a superfície do cultivo (Figura 4).
O tamanho e a intensidade do vórtice afetam diretamente o resultado
da operação de pulverização, sendo que quanto mais forte o vórtice
maior a deposição e a cobertura por área, e melhor a uniformidade de
deposição (Guo et al., 2019).
Uma análise do efeito “downwash” mostra um claro sistema de
vórtice de ponta de asa e um vórtice central, que emanam das lâmi-
nas rotativas (Figura 5). Na sequência, ocorre o efeito do vórtice de
esteira com ângulo de 540 graus e os vórtices de ponta de asa gradu-
almente se tornam instáveis, desintegrando-se e deixando sua forma
inicial. A esteira continua na direção axial e espirala para baixo do pla-
no do rotor e os vórtices de ponta de asa desintegrados espalham-se
radialmente ao longo do limite de contração (Wen et al., 2019).
Lan et al. (2021), buscaram entender o mecanismo do “downwash”
em voos entre 1,5 e 2,5 m de altura, concluindo que com o aumento
da altura a deposição de gotas tende a diminuir, mas ao mesmo tem-
po ocorre deposição mais uniforme. No entanto, a altura máxima de
2,5 m testada nesse ensaio, está abaixo das alturas mais utilizadas
atualmente no Brasil, geralmente acima de 3,0 m. O parâmetro altura
será melhor analisado adiante.
Foto: Rafael Moreira Soares. 34 Documentos 474

Figura 4. Drone agrícola mostrando efeito “downwash”, com formação


de vórtice cônico e movimentação da superfície da cultura.
Uso de drones agrícolas no Brasil: da pesquisa à prática 35

Figura 5. Representação computacional do efeito “downwash”.


Fonte: adaptado de Wen et al. (2019).

O fluxo de ar descendente gerado pelos rotores do drone ajuda a


aumentar a penetrabilidade das gotículas no dossel para melhorar a
distribuição de pesticidas, favorecendo maior deposição na camada
superior e na camada inferior do que na pulverização tradicional, bem
como as taxas de cobertura de gotículas no dossel e a uniformidade
de distribuição (Chen et al., 2021). Um experimento na cultura da
soja, mostrou que o depósito de ingrediente ativo de inseticida com
a pulverização de 10 L/ha com drone (ponta XR 11001, velocidade
de voo de 14,4 km/h e altura de voo de 2 m) foi equivalente às apli-
cações com pulverizadores tratorizado e costal, nos estratos superior
e médio das plantas, mas no estrato inferior o depósito com drone
foi superior aos demais tratamentos, sendo cerca de 1,9 x maior que
do pulverizador tratorizado com taxa de aplicação de 80 L/ha (ponta
JFC 80015 e velocidade de 9 km/h) (Figura 6) (Oliveira et al., 2021).
De forma semelhante, Soares et al. (2023a) estudaram a cobertura
e o depósito de fungicida pulverizado com drone em três diferentes
36 Documentos 474

alturas do dossel da soja, em comparação aos pulverizadores tratori-


zado de arrasto e costal pressurizado por CO2. A cobertura de gotas
e a deposição de corante foram menores na pulverização com drone,
em relação aos demais pulverizadores, no entanto, a deposição de
ingrediente ativo do fungicida foi igual entre as tecnologias no dos-
sel superior e médio, e superior para o drone no baixeiro (Figura 7).
Os autores ainda ressaltam que, independentemente do equipamen-
to utilizado, as aplicações realizadas apresentaram grande variabili-
dade na distribuição da calda.
Tang et al. (2017) mediram o movimento e a deposição de gotí-
culas influenciadas pelo “downwash”, em diferentes velocidades de
rotação de um multirrotor de oito hélices com pontas hidráulicas côni-
cas, usando um velocímetro de imagem de partículas de alta veloci-
dade (PIV). Concluíram que a velocidade do fluxo de ar não só pode
alterar a zona de deposição das gotículas, mas também influenciar
sua distribuição, sendo que o aumento da velocidade pode melhorar
a uniformidade de deposição das gotículas.
Outro trabalho teve como objetivo avaliar a eficiência de herbici-
das pós-emergentes aplicados com drone com bico rotativo, em com-
paração com a aplicação terrestre (pulverizadores costais com bico
rotativo e com bico hidráulico), no controle de plantas daninhas em
área de produção de eucalipto. Todas as pulverizações utilizaram o
volume de 15 L/ha. O pulverizador costal com bicos hidráulicos pro-
moveu maior cobertura e deposição em comparação aos outros equi-
pamentos. A aplicação com drone teve maior cobertura e deposição
que o pulverizador costal com bicos rotativos, devido à ação do efeito
“downwash”. A pulverização com drones demonstrou eficiência similar
à aplicação com pulverizador com bicos hidráulicos no controle de
plantas daninhas (Angonese et al., 2022).
Uso de drones agrícolas no Brasil: da pesquisa à prática 37

Figura 6. Depósito de calda em folhas de três alturas da planta de soja pul-


verizada com diferentes tecnologias de aplicação. Comparação de médias
entre colunas da mesma cor pelo teste de Tukey (p ≤ 0,05)
Fonte: adaptado de Oliveira et al. (2021).

0,060 Alto Médio Baixo


a

a
0,050

a
0,040
MG/FOLÍOLO

0,030
a a
a a
0,020
a a
a
0,010
b b

0,000
Drone (5 L/ha) Drone (10 L/ha) CO2 (150 L/ha) Tratorizado (150
L/ha)
Figura 7. Deposição de ingrediente ativo do fungicida em três diferentes al-
turas do dossel de plantas de soja, pulverizadas com diferentes tecnologias
de aplicação. Comparação de médias entre colunas da mesma cor pelo teste
de Tukey (p ≤ 0,05).
Fonte: Soares et al. (2023a).
38 Documentos 474

Taxa de aplicação
A taxa de aplicação, ou volume de calda, utilizada na pulveriza-
ção de produtos fitossanitários é um parâmetro muito importante, que
pode variar em função de diversos fatores. O volume de calda utiliza-
do com os drones tem sido, majoritariamente, o baixo volume (5 a 30
L/ha); mas também têm sido utilizados o ultrabaixo volume (<5 L/ha)
e o médio volume (30 a 50 L/ha). No entanto, além dos fatores técni-
cos que devem orientar a escolha do volume (como tipos de produto,
a cultura, o alvo e o clima), o fator econômico (já que tempo é dinhei-
ro) tem influenciado nessa escolha, pois a baixa capacidade de carga
dos drones tem levado a priorização de uso dos menores volumes
possíveis para aumentar a autonomia das aeronaves, algumas vezes
em detrimento das recomendações técnicas.
Em consonância com isso, Silva (2022) cita que uma das caracte-
rísticas da aplicação com drone é o uso de taxas reduzidas de aplica-
ção, possibilitando o aumento da autonomia e capacidade operacio-
nal do equipamento, mas que também requer maiores cuidados com
as aplicações, principalmente em relação a cobertura das plantas
para atingir o alvo.
Um trabalho de caracterização da pulverização com drone tes-
tando as taxas de 10, 15, 20, 25 e 30 L/ha, mostrou que o coeficiente
de variação da distribuição de gotas tende a diminuir com o aumento
da taxa de aplicação, o que é desejável. As avaliações também mos-
traram que a pulverização de inseticidas e herbicidas tiveram parâ-
metros adequados de eficiência a partir de 20 L/ha, enquanto para
fungicidas foram melhores com 25 L/ha (Önler et al., 2023).
Zhang et al. (2020) pesquisaram o efeito da variação da taxa de
aplicação de calda na deposição de gotas na cultura da cana-de-açú-
car, concluindo que os parâmetros ótimos de aplicação foram 15 L/
ha de taxa de aplicação, 3 m de altura de voo e 4 m/s (14,4 km/h) de
velocidade de trabalho, podendo-se usar esses valores como referên-
cia para a cultura.
Assim como na cana-de-açúcar, o uso de drones na cultura do mi-
lho pode trazer vantagens e facilidades extras devido ao crescimento
Uso de drones agrícolas no Brasil: da pesquisa à prática 39

vigoroso característico da cultura, que dificulta os controles fitossa-


nitários, especialmente a partir dos estádios intermediários e finais.
Com o objetivo de avaliar o controle da lagarta-do-cartucho (Spodop-
tera frugiperda) em milho, Shan et al. (2022) pulverizaram inseticida
em quatro taxas de aplicação (7,5, 15, 22,5 e 30 L/ha). Foi utilizado
um drone com pontas hidráulicas Teejet® XR11001 e XR 110015,
voando a 2,0 m de altura e faixa de deposição de 5 m. Os resultados
apontaram que a cobertura e densidade de gotas aumentaram
linearmente em função do aumento da taxa de aplicação, mas todos
os tratamentos apresentaram coeficiente de variação (CV) acima de
60%, indicando baixa uniformidade e a necessidade de ajustes nos
parâmetros de aplicação. Mesmo assim, a eficácia de controle dos
melhores tratamentos foi considerada satisfatória, já que aos 14 dias
após a aplicação variou de 59,4% a 85,4%, sendo o menor controle
com a taxa de 7,5 L/ha e os maiores com as taxas de 22,5 L/ha e 30
L/ha, que não se diferenciaram em si.
Em pulverizações visando o controle do pulgão do trigo e do míl-
dio, o uso de drone com taxas de 17 L/ha e 28 L/ha, teve deposição
e eficiência de controle comparáveis a obtida com pulverizador costal
(225 L/ha), mas o drone com taxa de 9 L/ha teve deposição e eficiên-
cia de controle inferior ao costal (Wang et al., 2019). Já Bassetto Filho
et al. (2021), avaliaram o controle químico de percevejos na cultura
da soja, comparando a aplicação de inseticidas com taxa de 10 L/
ha com drone, 200 L/ha com pulverizador costal e 36 e 80 L/ha com
pulverizador tratorizado, concluindo que a pulverização com drone
apresentou desempenho equivalente a pulverização com os pulveri-
zadores tratorizado e costal (Figura 8).
Em experimento com aplicação de dois fungicidas em soja, rela-
ta-se que a taxa de aplicação de 5 L/ha resultou em maior desfolha
(Figura 9) e menores índices de vegetação NDRE (Normalized Diffe-
rence Red Edge) da soja do que a taxa de 10 L/ha, sendo que fato-
res como condições de temperatura e de umidade próximas do limite
crítico no momento das pulverizações e a alta severidade da ferru-
gem-asiática, podem ter influenciado na ocorrência dessa diferença.
No entanto, não houve diferença significativa entre as produtividades
40 Documentos 474

desses tratamentos e todos mostraram produtividades superiores a


testemunha sem aplicação. Os autores ainda comentam que, de for-
ma geral, visualizou-se desuniformidade na desfolha provocada pela
ferrugem-asiática nas parcelas, o que indica distribuição desunifor-
me da calda (Soares et al., 2023b). A propósito do uso de índices
de vegetação como o NDRE (Normalized Difference Red Edge) e
o NDVI (Normalized Difference Vegetation Index), estes podem ser
úteis para a avaliação da eficiência de controle de tratamentos fitos-
sanitários, principalmente para pragas que causam desfolha ou me-
nor crescimento das plantas. A Figura 10 mostra uma imagem, obti-
da através de drone com câmera multiespectral embarcada, de uma
área com semeadura de soja, dividida em uma parcela com duas
aplicações de fungicida feitas com drone (taxa de aplicação de 10 L/
ha, altura de voo de 3 m e velocidade de 16,2 km/h) e outra parce-
la sem aplicação. Observa-se que a aplicação dos índices NDVI e
NDRE permite ver com detalhes a ação da desfolha causada pela
ferrugem-asiática, mostrando e quantificando o efeito da aplicação do
fungicida em relação a área sem aplicação.

Figura 8. Densidade de percevejos em soja pulverizada com diferentes tec-


nologias de aplicação, em diferentes dias após a pulverização (DAP). Compa-
ração de médias entre colunas da mesma cor pelo teste de Tukey (p ≤ 0,05).
Fonte: adaptado de Basseto Filho et al. (2021).
Uso de drones agrícolas no Brasil: da pesquisa à prática 41

Figura 9. Parcelas com plantas de soja pulverizadas com drone, com duas
taxas de aplicação e dois fungicidas.
Fonte: adaptado de Soares et al. (2023b).
42 Documentos 474

Figura 10. Parcelas com e sem aplicação de fungicida com drone, fotogra-
fadas com câmera multiespectral e com aplicação de índices NDVI e NDRE.
Foto: Julio Cezar Franchini.

Também em soja, um estudo testou a eficiência de drones agrí-


colas como veículo de pulverização de fungicidas para o controle
químico da ferrugem-asiática. Os ensaios foram realizados durante
duas safras, com o drone pulverizando 5 e 10 L/ha, comparando com
pulverizadores tratorizado de arrasto e costal pressurizado por CO2 a
150 L/ha. As avaliações estimaram a severidade da ferrugem, calcu-
lando-se a área abaixo da curva de progresso da doença, a desfolha,
a massa de mil grãos e a produtividade. Os resultados mostraram que
não houve diferença entre o drone, nas duas taxas de aplicação, e
os pulverizadores terrestres, sendo que todos foram superiores a tes-
temunha para o controle da doença, mas apenas o tratamento com
o tratorizado teve produtividade superior a testemunha. Os autores
salientam que as severidades da ferrugem ficaram abaixo de 30% na
testemunha nas duas safras, sendo consideradas epidemias leves
para essa doença (Soares et al., 2025).
Uso de drones agrícolas no Brasil: da pesquisa à prática 43

Com o objetivo de determinar o volume de pulverização ótimo


para dessecar plantas de cobertura do solo usando o herbicida sistê-
mico glifosato aplicado por drone, Carneiro et al. (2024) testaram as
taxas de 5, 10, 15, 20 e 25 L/ha. As variáveis ​​de pulverização foram
avaliadas usando papel sensível à água e incluíram porcentagem de
área coberta, volume de pulverização recuperado, densidade de im-
pacto de gotas, coeficiente de variação para diâmetro de gotas e am-
plitude relativa. A eficácia do herbicida e a biomassa seca de plantas
de cobertura também foram avaliadas. O aumento da taxa de aplica-
ção melhorou a área coberta, o volume recuperado, a densidade de
impacto das gotas e a variação do espectro de diâmetro das gotas,
mas não teve efeito na homogeneidade do espectro de gotas, no con-
trole de aveia preta, do nabo e do trigo-sarraceno. Assim, os volumes
de pulverização variando de 5,0 a 25 L/ha forneceram porcentagens
de dessecação satisfatórias de plantas de cobertura do solo, indepen-
dentemente da espécie ou localização.
Silva et al. (2023a) avaliaram a faixa de aplicação de um drone
em taxas de aplicação de 5,0, 6,5, 8,5 e 10 L/ha, altura de voo de 3
m, velocidade de 5 m/s, utilizando gotas grossas (DMV = 369 µm)
com pontas de pulverização CVI 110015 e buscando faixa de 6 m de
largura. Os resultados mostraram que o coeficiente de variação (CV)
da faixa de aplicação em todas as taxas avaliadas foi superior a 20%,
limite no qual acima indica desuniformidade. O melhor resultado foi
obtido com a taxa de 10 L/ha, onde para CV abaixo de 20% a faixa de
aplicação seria de 4 m de largura.
Com o objetivo de avaliar a eficiência da deposição de gotas de
fungicida pulverizado em cultivo de café (Coffea arabica) e o controle
das doenças ferrugem da folha e cercosporiose, Vitória et al. (2023)
utilizaram um drone agrícola, voando a 2,5 m acima da copa das plan-
tas, nas taxas de aplicação de 5, 10 e 15 L/ha, em comparação a um
pulverizador terrestre pneumático na taxa de 400 L/ha. Os resultados
mostraram que a cobertura, densidade e deposição de gotas signifi-
cativamente aumentam a medida que a taxa de aplicação aumenta,
mas considerando o controle das doenças as taxas de aplicação de
10 e 15 L/ha não se diferenciaram da taxa de 400 L/ha, mas a taxa de
44 Documentos 474

5 L/ha proporcionou controle inferior para a ferrugem da folha. Neste


contexto, o uso do drone se mostrou eficiente para o controle das
doenças estudadas e, ao levar em conta também a autonomia opera-
cional, a taxa de aplicação de 10 L/ha seria a recomendada.
A partir das informações apresentadas, verifica-se que as aplica-
ções com drones podem ser eficientes com diversas taxas de aplica-
ção dentro do espectro do baixo volume. No entanto, existem relatos
de problemas de deposição e de eficiência dos produtos em variadas
situações de pulverização, com resultados mostrando haver uma ten-
dência de quanto maior for a taxa de aplicação, menores os riscos de
problemas na qualidade de aplicação. Mesmo assim, as taxas maio-
res necessárias normalmente não têm passado de 25 L/ha. O mais
importante, como comentado no início, é ter um equilíbrio entre os
fatores técnicos e econômicos que permeiam a escolha da taxa de
aplicação, para se ter um controle adequado, mas com rentabilidade
econômica.
Uso de drones agrícolas no Brasil: da pesquisa à prática 45

Tamanho de gotas, altura e velocidade de voo


e a faixa de deposição
A altura e a velocidade de voo são dois parâmetros muito rele-
vantes na eficiência das aplicações com drones influenciando, entre
outros fatores, a faixa de deposição dos produtos na lavoura. A faixa
de deposição, apesar dos diversos parâmetros possíveis de serem
estipulados nos sistemas operacionais automatizados dos drones,
não tem como ser pré-determinada no sistema, podendo-se apenas
determinar a largura entre faixas de deslocamento do drone. Des-
ta forma caso não seja adequadamente dimensionada a partir das
características da aplicação a ser executada, a faixa de deposição
pode se constituir num gargalo de qualidade na aplicação por drones.
Outros fatores que influenciam a faixa de deposição são o tamanho
de gota e as características físicas da calda.
Assim como a taxa de aplicação, a faixa de deposição influen-
cia na autonomia dos drones, pois faixas mais estreitas resultam em
maior número de passadas, reduzindo a autonomia. Portanto o apli-
cador pode buscar utilizar faixas mais largas, mas dentro de limites
que não comprometam a uniformidade da deposição.
A faixa de deposição efetiva das gotas pulverizadas, ou seja, a
faixa onde se deposita produto suficiente para se ter o efeito dese-
jado, é menor que a faixa de deposição total, pois a deposição de
produto é maior no centro da faixa e vai reduzindo à medida que se
aproxima das extremidades (Carvalho; Cunha, 2019). Por isso, a rota
de operação do drone no campo deve consistir em sucessivas pas-
sadas paralelas, com sobreposição das extremidades da faixa, para
compensar a menor deposição de produto nessas. A largura da rota
de operação pode ser estipulada no sistema do drone, mas ela deve-
rá ser escolhida em função de um conhecimento/teste prévio da faixa
de deposição, que será em função das características da calda, da
velocidade de trabalho, da altura de voo, do tipo de bico e do tamanho
da gota. Existem diversos métodos para determinar a largura da faixa
de deposição efetiva, sendo que o princípio básico consiste em uti-
lizar fileiras de coletores de gotas, posicionados perpendicularmente
46 Documentos 474

ao sentido de voo do drone. Como coletores, podem ser utilizados


cartões hidrossensíveis, lâminas de vidro, faixas de papel (bobina) ou
outros alvos artificiais, associados a colocação de traçador colorido
na calda. Existe também o método de Inspeção de Faixa de Deposi-
ção (IFD), que usa um espectrofotômetro de fio em um sistema eletrô-
nico de análise automatizada (Carvalho; Cunha, 2019).
Devido à altura de voo dos drones, as gotas lançadas estão sujei-
tas a ação do vento criado pelas hélices, ao efeito da velocidade hori-
zontal de deslocamento e a força do vento natural. Wen et al. (2019),
através de uma simulação computacional, analisaram a qualidade da
distribuição de gotas testando velocidades de deslocamento entre 1,0
e 7,0 m/s e alturas de voo de 1,0, 1,5 e 2,0 m. Os resultados mostra-
ram que quanto maior a altura e a velocidade, maiores as chances
de arrastamento das gotas, deposição irregular e deriva, devido a
maior exposição a ação do vórtice das hélices e a efeitos de condi-
ções climáticas adversas. Concluíram que a velocidade de 2,0 m/s e
a altura de 1,0 m seriam ideais para obter uma pulverização de maior
qualidade.
Carvalho et al. (2023) realizaram um estudo da faixa de deposi-
ção de um drone hexarrotor (DJI T30) em diferentes volumes de calda
(8 e 12 L/ha), velocidades (21 e 25,2 km/h) e alturas de voo (3 e 4 m).
Os resultados mostraram que o aumento no volume de calda de 8 L/
ha para 12 L/ha resultou em aumento na largura de faixa, devido ao
aumento da pressão, o que reduz o tamanho das gotas. O aumento
na altura de voo de 3 m para 4 m resultou em maior largura de faixa
na aplicação, aumentando a faixa de deposição de 8 m para 9 m (com
8 L/ha) e de 8,5 m para 10 m (com 12 L/ha). As velocidades de voo
avaliadas não influenciaram na largura de faixa. Da mesma forma,
Cunha e Silva (2021) observaram que não houve diferença entre as
velocidades de voo de 15 km/h e 22 km/h, em relação a cobertura, a
densidade e o espectro de gotas, em pulverização na cultura da soja
com drone com pontas XR11001 e taxa de aplicação de 10 L/ha.
No entanto, um estudo em pessegueiro constatou efeito da veloci-
dade de voo em parâmetros de aplicação com um drone quadrirrotor
(Li et al., 2022). Foram testadas velocidades de 3,6, 7,2 e 10,8 km/h,
Uso de drones agrícolas no Brasil: da pesquisa à prática 47

em pulverização de inseticida e fungicida, e avaliados o tamanho das


gotas, a taxa de cobertura no dossel, as perdas no solo e a deriva.
Verificou-se aumento no tamanho da gota a medida que aumentou
a velocidade de voo. Aumentar a velocidade proporcionou maior co-
bertura e penetração no dossel das plantas, mas também causou
deposição de pesticida mais desuniforme, redução da taxa de cober-
tura efetiva e da taxa de densidade efetiva. A maior perda no solo foi
observada na velocidade de 3,6 km/h e a deriva aérea de campo foi
maior a 10,8 km/h.
O tamanho de gotas influencia a faixa de deposição, pois quanto
mais finas forem as gotas, mais sujeitas estão ao vento produzido
pelas hélices do drone, aumentando a largura da faixa. De forma con-
trária, quanto mais grossas as gotas, mais pesadas serão e haverá
tendência de estreitar a faixa de deposição.
Com o objetivo de avaliar a influência das configurações de voo
sobre a deposição e uniformidade de distribuição de calda pulveriza-
dos na cultura da soja com drone, Schaidhauer et al. (2022) avaliaram
as velocidades de voo de 3 m/s e 4 m/s e os tamanhos de gota de
165, 285 e 550 µm, utilizando taxa de aplicação de 15 L/ha. Concluí-
ram que a alteração do tamanho de gota e da velocidade de voo não
apresentaram incremento de deposição no estrato inferior do dossel.
O aumento da velocidade de 3 m/s para 4 m/s, com gotas de 165 μm
diminuiu a deposição na camada acima do dossel e aumentou a uni-
formidade da distribuição. Também constataram que a uniformidade
de distribuição foi baixa, com coeficientes de variação de 27 % a 121
%, demostrando elevada variabilidade na distribuição de calda com o
drone utilizado.
Silva et al. (2023b) avaliaram a influência de três alturas de voo (4,
5 e 6 m) e de três classes de gotas (fina, média e grossa) de um drone
DJI T40 com bico rotativo. Foram utilizadas a taxa de aplicação de 10
L/ha e velocidade de voo de 28 km/h. O aumento da altura de voo de
4 m para 5 m resultou em acréscimo na largura de faixa de deposição
para todas as configurações avaliadas, com o coeficiente de variação
dentro do limite recomendado de até 20%. No entanto, o aumento da
altura de voo de 5 m para 6 m não resultou em aumento na largura
48 Documentos 474

de faixa. Em relação as gotas, quanto menor o tamanho maior foi a


faixa de deposição.
As características do sistema de pulverização e da faixa de depo-
sição de sete diferentes drones agrícolas (DJI Agras MG1-P, DJI Agras
MG1-S, DJI Agras T16, XAG P20, 2 ARPAC e Skydrones Pelicano)
foram avaliadas por Carvalho et al. (2022). Após a coleta de dados,
foram gerados valores de altura de voo e de tamanho de gotas, para
se ter uma aplicação com deposição uniforme. A largura de faixa de
deposição média obtida para aplicações com gotas grossas e muito
grossas foi de 4,3 m, para gotas médias 5,1 m e para gotas finas e
muito finas 5,2 m, sendo que os maiores coeficientes de variação da
deposição foram obtidos para aplicações com gotas grossas e muito
grossas, de 16,7%, seguido do obtido para gotas médias, 16% e finas
e muito finas, 14,4%. Os autores ressaltam que os valores médios de
faixa de deposição obtidos não devem ser adotados para qualquer
modelo de drone disponível no mercado, pois isso depende, além da
altura de voo e da classe das gotas, do tipo de dispositivo gerador
de gotas e características do drone, como aerodinâmica, tamanho,
potência, entre outros parâmetros. O ideal é que cada equipamento
tenha uma análise da faixa de deposição em função das característi-
cas e configurações utilizadas.
Um estudo analisou o efeito da altura de voo e dos genótipos
de café conilon (Coffea canephora) na deposição e distribuição da
calda no dossel da planta, utilizando um drone modelo JT-5 da marca
Joyance, taxa de aplicação de 10 L/ha, alturas de voo de 2, 3 e 4 m
em relação ao dossel do café e três genótipos. A interação entre as
variáveis ​​de altura de voo e alcance do dossel foi significativa para as
variáveis ​​densidade de gotas e cobertura. O melhor desempenho da
pulverização foi na altura de 3 m. Com 4 m, observou-se uma dimi-
nuição nas variáveis, e isso pode ser explicado por uma possível de-
riva causada pela intensidade e direção do vento em maiores alturas.
A cobertura nas folhas também foi influenciada pelo genótipo de café,
devido aos diferentes tipos de formato do dossel (Vitória et al., 2022).
Pelos estudos aqui analisados e através de informações obtidas
junto a prestadores de serviços em atividade, tem-se a percepção
Uso de drones agrícolas no Brasil: da pesquisa à prática 49

que as velocidades de voo mais usuais para os drones agrícolas mul-


tirrotores tem ficado entre 4 m/s e 7 m/s, a altura de voo em relação
a copa das culturas tem ficado entre 3 e 6 metros e as faixas de apli-
cação entre 6 e 10 metros. O tamanho da gota utilizada tem variado
bastante, ainda mais com a possibilidade de alguns bicos rotativos
de drones poderem produzir gotas entre 60 e 400 µm. Nesse caso,
é recomendável utilizar os preceitos já conhecidos na tecnologia de
aplicação para escolher o tamanho da gota, que consideram prin-
cipalmente o tipo de produto (fungicida, herbicida, inseticida, entre
outros) e as condições climáticas, associando, no caso da aplicação
com drone, à faixa de aplicação almejada.
Foto: Rafael Moreira Soares
Uso de drones agrícolas no Brasil: da pesquisa à prática 51

Uso de drones agrícolas por cultura


Com o passar do tempo e o avanço da tecnologia, um número
maior de culturas vem utilizando o drone agrícola como ferramenta
de pulverização e de distribuição de sólidos.
Uma pesquisa realizada pelo Sindag, divulgada no ano de 20251,
relata a porcentagem de adoção do uso de drone agrícola por cul-
tura entre 40 empresas prestadoras de serviço entrevistadas em 12
estados brasileiros, registrando o uso da tecnologia em 29 culturas
(Figura 11).

Figura 11. Porcentagem de uso de drones agrícolas por cultura no Brasil


entre 40 empresas prestadoras de serviço1.

A seguir, são descritos informações e exemplos sobre o uso de


drones agrícolas em algumas das culturas onde a tecnologia mais
vem sendo utilizada no Brasil.

1
Informação extraída da palestra intitulada “O mercado de drones na aviação agrícola
- oportunidades e desafios”, proferida por Cláudio Júnior Oliveira Gomes, no evento
online “Academia Brasileira de Drones Agrícolas”, promovido pelo Sindag - Sindicato
Nacional das Empresas de Aviação Agrícola, no dia 12 de março de 2025.
52 Documentos 474

Arroz
A cultura do arroz irrigado no sul do Brasil foi uma das pioneiras
em adotar o uso de drones agrícolas. Como a irrigação é realizada
por inundação, torna-se inviável o trânsito de pulverizadores terres-
tres convencionais. Aviões agrícolas são a ferramenta mais utilizada
na cultura do arroz irrigado nos três estados do Sul e no Tocantins.
Porém, existem muitas lavouras próximas a cidades e povoações, ou
áreas com obstáculos como redes elétricas e árvores, que limitam o
uso dos aviões. Por estes motivos, a adoção dos drones agrícolas
permitiu uma significativa melhora na uniformidade de controle das
plantas daninhas e doenças do arroz, resultando em maiores tetos
produtivos.
Na cultura do arroz irrigado os drones agrícolas são empregados
no início do ciclo para realizar duas a três pulverizações de herbici-
das dessecantes, além de pré e pós-emergentes seletivos. A partir da
floração do arroz, duas a três pulverizações de fungicidas são execu-
tadas, muitas vezes com associação de inseticidas.
A semeadura aérea de arroz pré-germinado com drones agríco-
las tem sido realizada em lavouras de pequena extensão. Adubações
com fertilizantes sólidos, notadamente ureia e cloreto de potássio,
também são realizadas na cultura, mostrando vantagens promissoras
para a tecnologia.
No estado de Santa Catarina, por exemplo, as lavouras têm di-
mensões menores, existem poucas empresas de aviação agrícola,
forçando o uso de pequenos pulverizadores autopropelidos (chupa-
-cabra), mesmo sabendo-se que a perda de produtividades devido
ao amassamento da cultura situa-se na faixa de 5% (Schroder et al.,
2023). Além disso, as lavouras de arroz estão principalmente na re-
gião litorânea do Estado, onde a mão de obra é escassa e cara, o
índice de arrendamento das áreas de arroz é alto (demandando dos
produtores uma intensa movimentação de máquinas) e o uso de
maquinário pesado não é adequado para o tipo de solo da região,
prejudicando sua estrutura. Nesse contexto, o uso de drone para a
Uso de drones agrícolas no Brasil: da pesquisa à prática 53

cultura no Estado tem crescido rapidamente, principalmente para os


tratamentos fitossanitários, mas também na semeadura e adubação.
Ao longo do ciclo do arroz irrigado no sul do Brasil são realizadas
de cinco a sete aplicações com drones agrícolas, incluindo-se as pul-
verizações e as dispersões de sólidos.

Banana
No setor de fruticultura no Brasil o uso de drones agrícolas ini-
ciou pela cultura da banana. Esta já utilizava aplicações com aviões
agrícolas, mas com limitações devido ser frequente o cultivo em lo-
cais com topografia muito acidentada, presença de moradias dentro
dos bananais, proximidades com cidades e povoações e ausência de
pistas de pouso próximas a alguns plantios. Restava o uso de pulve-
rizadores terrestres com canhões atomizadores, que também podem
sofrer limitações pelos terrenos acidentados e são menos eficientes
que o avião, ou o uso de pulverizadores costais, que apresentam bai-
xíssima eficiência e alto risco de contaminação do aplicador. Dessa
forma, os drones apresentaram-se como uma excelente opção para
a cultura.
Os drones agrícolas possuem fácil manobrabilidade, não precisam
de pista de pouso, legalmente podem aplicar próximo a moradias (20
metros na maioria dos estados) e geram menos deriva que os aviões,
o que resultou na rápida adoção pelos agricultores e empresas de
prestação de serviço de pulverização.
Fungicidas associados a óleo mineral são pulverizados por via
aérea frequentemente, ao longo do ano, resultando entre três a dez
aplicações na maioria dos bananais. Aplicações aéreas são muito
vantajosas na bananicultura, pois as gotas são pulverizadas sobre a
cultura, protegendo as folhas mais jovens situadas no topo das plan-
tas. As duas principais doenças foliares da cultura, a sigatoka amare-
la (Mycosphaerella musicola) e a sigatoka negra (M. fijiensis), iniciam
a infecção nas plantas pelas folhas jovens. Por outro lado, aplicações
terrestres são muito morosas, mostram dificuldade para recobrir as
54 Documentos 474

plantas alvo com os produtos, resultando em controle deficiente e


oneroso. O uso de drones nos bananais é uma novidade que vem
promovendo mais renda ao produtor rural, mais saúde ao trabalhador
e ganhos na produção, como mostra uma experiência com produ-
tores desenvolvida pelo escritório da Emater-DF iniciada no ano de
2021 onde, após um ano de adoção, os agricultores relatam aumento
de produtividade da cultura em cerca de 20% devido ao uso de drone
para os tratamentos fitossanitários, em substituição ao pulverizador
costal (Costa, 2022).
Outras frutíferas onde os drones estão sendo adotados para apli-
cações de fungicidas e inseticidas são as culturas da laranja e do café.

Cana-de-açúcar
A cultura da cana-de-açúcar utiliza drones para imageamento e
monitoramento dos talhões há muito tempo. Com a chegada dos dro-
nes agrícolas ao mercado, o setor incorporou prontamente a nova
tecnologia, principalmente para o controle biológico de pragas.
A prática até então usual de distribuição manual das vespas de
Cotesia (Cotesia flavipes) para controle da broca-da-cana (Diatraea
saccharalis) passou a ser realizada através da dispersão de cápsulas
que são lançadas por drones sobre o canavial, com grande uniformi-
dade e rapidez.
Pulverizações com drones agrícolas em cana-de-açúcar são rea-
lizadas para aplicar maturadores, especialmente onde existem obstá-
culos perigosos ao voo, complementando as aplicações feitas por avi-
ões agrícolas. Existe relato de uma empresa do setor sucroalcooleiro
que no ano de 2024, após realizar experimento que mostrou ganhos
de eficiência com o uso de drones em comparação ao avião na apli-
cação de maturadores, usou drones em mais de 50 mil hectares de
cana-de-açúcar, nas suas áreas localizadas no interior do estado de
São Paulo. Apesar dos resultados positivos, a empresa relatou como
maior gargalo a falta de prestadores de serviço, tanto em quantidade
Uso de drones agrícolas no Brasil: da pesquisa à prática 55

como em qualidade do serviço prestado para atender a uma deman-


da com essa proporção2.
Outra prática que cresce nos canaviais é a aplicação localizada
de herbicidas no final do ciclo, antecedendo a colheita, através do
processo conhecido por “catação”. Plantas daninhas de folhas lar-
gas como mucuna, corda-de-viola e mamona surgem tardiamente,
quando a cana já está alta, impossibilitando outro método de controle.
As reboleiras das invasoras são mapeadas por drones de imagea-
mento, cujas imagens são processadas gerando mapas de prescri-
ção, que indicam onde os drones devem pulverizar. A prática traz sig-
nificativa economia de herbicidas e possibilita maior facilidade para
colheita da cana.

Milho
Na cultura do milho, a adoção dos drones agrícolas é realizada
principalmente para aplicação de fungicidas e inseticidas. A partir do
momento que a altura das plantas compromete a aplicação terrestre
devido ao amassamento da cultura, como no caso das aplicações
pós-pendoamento, as aplicações com drones são consideradas
rápidas, não causam amassamento e independem da condição de
umidade do solo.
Em muitos casos as aplicações são realizadas em focos de
pragas, e não em área total, resultando em economia ao produtor.
Em geral, duas a três aplicações de produtos químicos e biológicos
são efetuadas a cada safra. Considerando-se a prática de duas sa-
fras agrícolas, é frequente a utilização de uma média de cinco aplica-
ções com drones por ano.
Assim como para as demais culturas, a atualização das bulas dos
produtos para o uso com drones é imprescindível para que o agricul-
tor utilize os produtos da forma correta.

2
Informação extraída da palestra intitulada “Aplicação com drones em cana-de-açú-
car”, proferida por José Carlos Monteiro, no Congresso Brasileiro de Agricultura de
Precisão e Digital - ConBAP2024, em Ribeirão Preto, SP, no dia 27 de novembro de
2024.
56 Documentos 474

Pastagens
Um segmento que passou a adotar o emprego de drones agríco-
las são os pecuaristas que possuem pastagens para alimentação do
gado.
Semeadura aérea de pastagens com drones têm sido efetuadas
com espécies como braquiária, azevém e leguminosas, tanto para
aumento da quantidade de forragem de pastagens já estabelecidas,
quanto para a implantação de novas áreas após a colheita de lavou-
ras de grãos. A sobressemeadura consiste em semear a pastagem
antes da colheita de grãos como milho, soja ou arroz. Desta forma,
por ocasião da colheita dos grãos a pastagem já está estabelecida,
possibilitando antecipar o pastejo em cerca de 30 dias. Com o drone,
a sobressemeadura é realizada sem riscos de danos a cultura que
está para ser colhida, de forma rápida e prática.
Aplicações de herbicidas para manejo de plantas daninhas de di-
fícil controle, que reduzem de forma expressiva a disponibilidade de
forragem para a alimentação animal, também são realizadas através
de drones agrícolas, com grande uniformidade de controle e rapidez
operacional.
O setor de pecuária, principalmente em pequenas e médias pro-
priedades rurais, por vezes não dispõe de modernas máquinas para
semeadura de pastagem e pulverização de herbicidas. Nestes casos,
a contratação de serviço de empresas de drones ou a própria aqui-
sição do drone (que possui um custo menor que uma plantadeira e
um pulverizador terrestre) por parte do pecuarista, pode proporcionar
bons resultados e com baixo custo.

Silvicultura
A silvicultura é de grande importância para o agro brasileiro, prin-
cipalmente com extensas áreas cultivadas com eucalipto para a pro-
dução de celulose. A cada sete anos, as árvores são colhidas e, al-
guns meses após, os talhões recebem novo plantio.
Uso de drones agrícolas no Brasil: da pesquisa à prática 57

Após o novo plantio, é essencial que as plantas daninhas sejam


controladas pelo período de cinco a seis meses, tempo necessário
para que as jovens mudas de eucalipto se desenvolvam, resultando
em futuros maciços florestais uniformes.
Aplicações de herbicidas em áreas recém-colhidas são bastante
complexas, pois restos de colheita, como galhos e partes de troncos,
comprometem o trânsito de pulverizadores tratorizados. Por este mo-
tivo, o uso de pulverizadores costais ainda é uma prática existente.
Talhões com relevo acidentado e dimensões expressivas exigem
equipes de 15 a 20 trabalhadores com pulverizadores costais, adotan-
do taxas de aplicação ao redor de 400 litros por hectare. Tal fato resul-
ta em baixo rendimento operacional, pouca uniformidade no controle
nas plantas daninhas, inclusive exigindo retrabalhos, e elevado custo
das operações devido a logística com os funcionários. Em média, um
trabalhador com pulverizador costal aplica apenas um hectare por dia.
O rendimento operacional de um drone pequeno, com tanque de
10 litros de capacidade, equivale a 15 trabalhadores com equipamen-
tos costais. Drones de maior capacidade, com 30 a 40 litros de carga,
substituem 30 trabalhadores por apenas um piloto e um auxiliar, tra-
zendo redução de custos e de passivo trabalhista para o contratante.
As aplicações de herbicidas pré-emergentes após o plantio do
eucalipto, por vezes associados com herbicidas pós-emergentes se-
letivos, possibilitam manter a cultura livre da competição das plantas
daninhas por até seis meses, desde que a uniformidade de pulveriza-
ção seja mantida em todo o talhão, o que ocorre quando se utilizam
drones agrícolas.
Segundo as empresas florestais, o uso de drones agrícolas tem
como principais vantagens a melhor uniformidade de controle das
plantas daninhas e a significativa redução do tempo de aplicação,
permitindo um melhor planejamento do manejo silvicultural, além da
redução de custos que podem superar a cifra de 50%, pois proporcio-
na redução de retrabalhos, economia de herbicidas e maior facilidade
de gestão em função dos relatórios emitidos pelos drones.
Outra prática necessária na silvicultura e também viável de ser
feita com os drones são as aplicações de iscas formicidas, pois as
58 Documentos 474

formigas são a principal praga do eucalipto. Elevada uniformidade


de distribuição, rapidez muito superior aos métodos terrestres e
significativa redução de custos são apontados como justificativas
para a adoção desta prática. Ainda há necessidade de que algumas
formulações comerciais de iscas formicidas recebam a recomendação
em bula para aplicação aérea, visando viabilizar a dispersão por dro-
nes no setor florestal.

Soja
A soja é a cultura mais plantada no Brasil, e o uso de drones agrí-
colas nas diversas etapas de desenvolvimento é muito frequente em
todas as regiões do país.
As produtividades de soja são obtidas com o uso de drones devi-
do ao controle eficiente dos problemas fitossanitários e ao não amas-
samento da cultura que ocorre quando das aplicações terrestres.
Herbicidas são aplicados na dessecação pré e pós-semeadura,
além de produtos seletivos em pré e pós-emergência da cultura. Apli-
cações de herbicidas para controle de plantas daninhas escapes, que
ocorrem em reboleiras, são uma prática muito adotada em todas as
regiões produtoras.
Aplicações de fungicidas e inseticidas em soja com drones são
cada vez mais frequentes. O efeito downwash resulta em superiorida-
de na penetração de gotas em todo o dossel foliar.
Os resultados de pesquisa com uso de drone na soja têm mos-
trado que os parâmetros técnicos de aplicação (como taxa de apli-
cação, tamanho de gota e altura de voo) podem variar de acordo
com os objetivos. Por exemplo, taxas de aplicação iguais ou menores
que 10 L/ha podem ser utilizadas para pulverização de inseticidas,
alguns agentes biológicos, herbicidas sistêmicos e fungicidas quando
há baixa severidade de doenças como a ferrugem-asiática. Mas em
condições favoráveis para alta severidade da doença e também no
caso de herbicidas de contato, taxas de aplicação maiores que 10 L/
ha trazem maior segurança de controle, devido a maior deposição
Uso de drones agrícolas no Brasil: da pesquisa à prática 59

de calda e diminuição do risco de perdas por condições climáticas


adversas (Soares et al., 2023a, 2023b).
Em média, são realizadas de cinco a sete aplicações de agroquí-
micos e produtos biológicos durante o ciclo da soja. Com essa quan-
tidade de aplicações, são frequentes situações de impossibilidade de
entrar com pulverizadores terrestres devido a solo encharcado, o que
pode comprometer a realização da pulverização no momento ideal.
Com drone, não existe essa limitação.
Foto: Rafael Moreira Soares
Uso de drones agrícolas no Brasil: da pesquisa à prática 61

Considerações finais
Conforme descrito nesta obra, o uso legal, seguro e eficiente de
drones agrícolas para pulverização de defensivos agrícolas demanda
uma série de procedimentos e conhecimentos, constituindo-se numa
atividade altamente técnica, mas que vem de encontro com as ten-
dências de modernização do setor, como a agricultura digital e a agri-
cultura de baixo carbono. Ao mesmo tempo que já é uma realidade no
campo, é uma tecnologia que ainda está em plena e rápida evolução,
tanto em relação aos equipamentos como em relação aos procedi-
mentos agronômicos e regulatórios. Portanto, é comum que existam
muitas dúvidas, carência de informações, sucessos e fracassos na
adoção da tecnologia; mas com certeza ela veio para ficar.
A análise dos trabalhos de pesquisa feita aqui, esclarece mui-
tos aspectos da pulverização com drones, aponta pontos positivos
e negativos, mas mostra que novos estudos serão sempre necessá-
rios, assim como acontece com a pulverização terrestre e com avi-
ões. A deposição de produtos fitossanitários pulverizados nas plantas
normalmente é irregular nos estratos da cultura, constituindo-se em
um desafio para se obter um controle adequado dos alvos biológi-
cos. Os melhores resultados normalmente são obtidos com uma boa
penetração das gotas de pulverização no interior do dossel, objetivo
mais fácil de ser alcançado com gotas finas e muito finas, entretanto,
essas gotas estão sujeitas a um maior risco de deriva e evaporação,
influenciando negativamente a qualidade da aplicação. A aplicação
com drones utilizando gotas grossas é menos influenciada pelas
condições meteorológicas do que quando utilizado a classe de gotas
média e fina, mas pode trazer problemas de qualidade da aplicação
pela menor penetração ou o estreitamento de faixa de deposição. Di-
versos estudos apontam a ocorrência de alta variabilidade na depo-
sição de produtos com drones, embora isso não seja uma exclusivi-
dade destes, podendo ocorrer com pulverizadores terrestres e aviões.
No entanto, é um alerta para que cuidados maiores sejam tomados,
62 Documentos 474

buscando evitar problemas e erros que, caso aconteçam, sejam iden-


tificados e corrigidos.
Neste contexto, independente da tecnologia de aplicação utiliza-
da, mas em especial nas aplicações com baixo e ultrabaixo volume
com drone, é importante utilizar os diversos ajustes e tecnologias
disponíveis para garantir a qualidade adequada da pulverização, tais
como: análise do espectro de gotas e da sobreposição de faixas, es-
colha da ponta de pulverização, adição de óleos adjuvantes, adição
dos produtos na ordem adequada para formação da calda, taxa de
aplicação, altura e velocidade de voo adequadas, horário de aplica-
ção de acordo com as condições climáticas mais favoráveis, entre
outros aspectos.
A evolução da tecnologia, com lançamentos de aeronaves com
diferentes portes e novas tecnologias embarcadas, irá influenciar as
características e a qualidade das aplicações. Com isso, é essencial
a constante realização de testes e a busca de informações para se
manter atualizado à medida que o setor avança, ou melhor, decola!

Agradecimento
Agradecimento ao CNPq pelo apoio através de Bolsa de De-
senvolvimento Tecnológico e Extensão Inovadora (Processo:
304222/2021-6)
Uso de drones agrícolas no Brasil: da pesquisa à prática 63

Foto: Rafael Moreira Soares


64 Documentos 474

Referências
ANGONESE, P.; SCHAIDHAUER, W.; SULZBACH, E.; TURRA, G.
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BASSETTO FILHO, J. J.; ESTABELE, D. L.; OLIVEIRA, T. L. de;


GOMES, L. R. O.; PINHO, C. A.; MATULAITIS, A. K. Y.; ADEGAS, F.
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[Link]. Acesso em: 29 abr. 2025.

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[Link].
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BRASIL. Lei 14.785, de 27 de dezembro de 2023. Dispõe sobre a pesquisa,


a experimentação, a produção, a embalagem, a rotulagem, o transporte,
o armazenamento, a comercialização, a utilização, a importação, a
exportação, o destino final dos resíduos e das embalagens, o registro, a
classificação, o controle, a inspeção e a fiscalização de agrotóxicos, de
produtos de controle ambiental, de seus produtos técnicos e afins. Diário
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o armazenamento, a comercialização, a propaganda comercial, a
utilização, a importação, a exportação, o destino final dos resíduos
e embalagens, o registro, a classificação, o controle, a inspeção e a
fiscalização, de agrotóxicos, seus componentes, e afins, e dá outras
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Uso de drones agrícolas no Brasil: da pesquisa à prática 73

Anexo 1

CHECKLIST 1 - Lista de verificação ao fazer


aplicações de produtos fitossanitários com drones
agrícolas.

Pré-aplicação
• Certifique-se de que o piloto e/ou responsável técnico pela ope-
ração seja profissionalmente treinado, autorizado e qualificado para
pilotar a aeronave e para fazer a aplicação de acordo com os regula-
mentos locais.
• Cumpra todos os requisitos exigidos pelos regulamentos regio-
nais, se houverem.
• Confirme se a(s) operação(ões) cumpre(m) totalmente com as
condições e limitações de qualquer certificado(s) de operação da sua
autoridade de aviação e outros regulamentos aplicáveis. Conforme
necessário, registre o alerta apropriado para informar outros aviado-
res sobre sua missão planejada.
• Utilize os produtos apropriados, autorizados para aplicação com
drone, na dose e taxa de aplicação recomendada para o alvo a ser
controlado, com clima adequado, seguindo as recomendações técni-
cas, com base no estágio da cultura e do inseto/doença/erva daninha.
• Leia e siga as instruções/direções da bula para uso eficaz e se-
guro dos produtos selecionados, incluindo zonas de amortecimento
necessárias, precauções, impacto potencial em organismos não-alvo
como polinizadores e habitats de polinizadores, restrições e equipa-
mentos de proteção individual (EPI) necessários. Cumpra todas as re-
comendações de EPI exigidas por regulamentos regionais, se houver.
• Se misturar vários produtos, realize um teste de compatibilidade
antes de misturar, pois misturas de baixo volume de água usadas
na aplicação com drone podem ampliar quaisquer incompatibilidades
74 Documentos 474

entre produtos. Verifique a compatibilidade de todos os componentes


da mistura do tanque e observe quaisquer requisitos para procedi-
mentos de dosagem e mistura, sistemas de agitação, etc. Se misturar
em pequenas quantidades, certifique-se de usar o equipamento de
dosagem apropriado (cilindro de medição, seringa, etc.). Certifique-se
também de que o tanque do drone esteja limpo para evitar contami-
nação cruzada.
• Certifique-se de que o equipamento esteja devidamente calibra-
do. A frequência mínima de calibração deve ser no início da tempora-
da, antes de iniciar um novo trabalho que exija uma configuração de
equipamento diferente (diferente safra, praga, produto, etc.) e quan-
do alterações ou reparos no equipamento forem feitos (alterações na
configuração da lança, bico/atomizadores substituídos, nova bomba,
etc.).
• Siga a lista de verificação pré-voo do fabricante, incluindo sinal
de GPS, satélite, internet ou download de um mapa de trabalho antes
de pulverizar e verifique a integridade estrutural e de comunicação do
veículo. Além disso, consulte as recomendações do fabricante para
quaisquer outros parâmetros de segurança necessários para outros
equipamentos, como proteção auricular para geradores barulhentos
e precauções de segurança no torno. Além disso, certifique-se de en-
tender a capacidade da sua equipe e os requisitos regulatórios locais
de quanto controle manual versus modo assistido por satélite deve
ser utilizado.
• Monitore as condições climáticas esperadas e durante a apli-
cação, evite pulverizar se a velocidade do vento estiver abaixo de
3 km/h ou acima de 15 km/h (de preferência medida no ponto de
liberação), ou conforme o rótulo determinar, se houver inversões de
temperatura na superfície local ou se a chuva estiver se aproximando.
Não pulverize se a velocidade do vento exceder os parâmetros de
voo para o drone ou para risco em áreas sensíveis e não-alvo. Altas
temperaturas e/ou baixa umidade podem exigir aumentos em taxas
de aplicação, aumentos no tamanho da gota ou uso de adjuvante
para reduzir a evaporação.
Uso de drones agrícolas no Brasil: da pesquisa à prática 75

• Garanta a sanidade mental de toda a tripulação, permissão(ões)


legal(ais) adequada(s) para voar e que equipamentos para primeiros
socorros e emergências (por exemplo, curativos, desinfetantes, extin-
tor de incêndio) estejam disponíveis.
• Realizar “briefing” da tripulação:
• Revisar e confirmar a compreensão dos procedimentos de
emergência.
• Revisar funções e responsabilidades para proteger a área
de aplicação/lidar com não participantes.
• Revisar planos para documentar a aplicação e registros
de voo.
• Revisar procedimentos de gerenciamento e eficiência de
bateria.
• Usar coletes de voo de material de alta visibilidade, sugerir
exibir o nome da empresa e algo como “piloto de drone,
por favor, não perturbe” nas costas, também usar qualquer
outro EPI necessário.
• Revisar os procedimentos de mistura, carregamento e
prontidão de produtos químicos, incluindo seguir todas as
instruções da bula.
• Mapeie claramente os obstáculos no controle remoto ou usando
o software do drone antes do voo para evitar quedas de drones.
• Para áreas sensíveis, como escolas, aeroportos, edifícios altos,
multidões densas, animais, canteiros de obras, etc., siga todos os
requisitos/recomendações do rótulo em termos de evitar áreas/amor-
tecedores/espectadores sensíveis para reduzir o potencial de exposi-
ção humana e ambiental. Não voe acima das pessoas.
• Defina a trajetória de voo, altura de voo, direção de voo, tama-
nho da gota e volume de pulverização do drone usando a largura da
faixa visada, a geometria do campo, direção do vento, obstáculos,
áreas sensíveis, amortecedores, etc. Evite um padrão de voo em zi-
gue-zague, pois ele pode causar aplicação excessiva em cada ponto
de virada.
• Teste e verifique a deposição fazendo uma passagem com o dro-
ne no padrão de voo desejado e todas as configurações selecionadas
76 Documentos 474

e verifique se a cobertura e a deposição são uniformes e fornecerão


o resultado desejado. Usar corante na água com fita de recibo ou
papéis sensíveis à água é uma etapa opcional que ajudará a visuali-
zar a deposição. Faça isso no mínimo uma vez por configuração de
calibração.
• Carregue as baterias, verifique o desempenho do gerador e da
bomba, o nível de combustível e as condições do reboque de mis-
tura, se estiver usando um. Certifique-se de que, se houver algum
manuseio de produtos químicos ou manuseio de equipamentos que
tenham resíduos potenciais de químicos, como as baterias, use luvas
e que as mãos enluvadas não toquem nos resíduos de transferência
para novas superfícies (como as telas do controlador do drone). Isso
depende do fluxo de trabalho ideal para a operação e pode ser rea-
lizado acordando e removendo as luvas no momento certo ou tendo
pessoas diferentes realizando essas tarefas.
• Verifique o espaço aéreo e certifique-se de ter autorização para
voar e cumprir com qualquer relatório necessário às autoridades
locais.

Durante e após a aplicação


• Siga as instruções de uso da bula do produto e o EPI adequado
a ser usado para os procedimentos iniciais e subsequentes de mis-
tura e carregamento. Se possível, prepare a mistura de pulverização
em um tanque em uma área delimitada e demarcada, longe de áreas
sensíveis, animais, pessoas, etc. Se a mistura for feita no local, ga-
ranta o uso de equipamentos de segurança ambiental de precaução,
como bandejas de derramamento.
• Ao recarregar produtos químicos, certifique-se antes de se apro-
ximar do drone de que o rotor esteja inativo, verifique o nível de carga
da bateria e troque as baterias se necessário (tenha várias baterias
recarregadas disponíveis, se possível). Troque a bateria antes de
recarregar o líquido, para evitar respingos na parte de conexão de
energia do drone.
Uso de drones agrícolas no Brasil: da pesquisa à prática 77

• Durante a pulverização, o operador e os observadores (aqueles


que auxiliam o piloto) devem manter a linha de visada com o drone.
Em alguns terrenos de campo (por exemplo, colinas, declives, etc.),
isso pode exigir que eles se desloquem ao longo da lateral do campo
ou subam em local mais elevado (elevação natural ou plataforma).
Evitar ficar a favor do vento do drone, mas no caso de isso não ser
possível, o EPI adequado deve ser usado nessas situações.
• Durante uma aplicação, monitore a pulverização para qualquer
mau funcionamento ou problemas no equipamento (perda de potên-
cia, falha do rotor, bico/atomizador entupido, vazamento etc.), também
rastreie a direção do vento e a mudança de velocidade para reduzir
o movimento fora do alvo, monitore a temperatura e a umidade do ar
para evitar inversões e pare a aeronave (e sistemas de pulverização)
imediatamente se um problema for detectado.
• Fazer pausas conforme necessário e evitar fadiga durante as
operações é importante.
• Limpeza e manutenção: descarte o líquido restante no tanque
de pulverização e equipamento em um local longe de valas e fontes
de água para evitar contaminar águas superficiais ou subterrâneas e
de acordo com o rótulo do produto fitossanitário ou regulamentações
locais (por exemplo, pulverizando em uma área de cultivo). Quando
a operação de pulverização for concluída no dia, o equipamento de
aplicação deve ser limpo e os resíduos removidos interna e externa-
mente, novamente seguindo a bula, incluindo o uso de EPI adequa-
do. O sistema de pulverização deve ser lavado e encharcado com
um agente de limpeza adequado (água e detergente para sprays à
base de água ou solvente adequado para sprays à base de óleo).
Siga quaisquer instruções adicionais fornecidas pelo seu fabricante
ou fornecedor de drone, como monitorar a integridade dos tanques
de plástico, especialmente se usar solventes.
• Após a limpeza, verifique todos os equipamentos para quaisquer
possíveis reparos ou necessidades de manutenção necessárias an-
tes da próxima aplicação.
78 Documentos 474

Manutenção de registros
• Cumpra todos os requisitos exigidos pelos regulamentos regio-
nais, se houver, em relação à manutenção de registros por usuários
profissionais de produtos fitossanitários.
• Antes de deixar o local da aplicação, todos os registros de ativi-
dade de voo e aplicação do produto devem ser preenchidos e entre-
gues ao proprietário do campo tratado e às autoridades competentes,
se assim for exigido pelos regulamentos regionais. A manutenção de
registros é um dos meios mais importantes de rastrear informações
sobre a aplicação.
• Os registros de voo devem incluir data e hora de cada voo, piloto
no comando, bem como uso e consumo da bateria para cada voo.
• As aplicações do produto devem incluir no mínimo o seguinte:
• nome da empresa;
• data, hora, local e duração da aplicação;
• tipo de cultura, estádio de desenvolvimento da cultura, ob-
jetivo da aplicação;
• nome do aplicador e número da licença;
• nome(s) do(s) assistente(s) e função(ões);
• condições ambientais (temperatura, velocidade do vento,
direção do vento, umidade relativa, tipo de solo e umidade,
nível de nuvens e uso do solo ao redor) e a altura/locali-
zação/equipamento usado para coletar essas informações;
• equipamento de drone usado, incluindo modelo, configu-
ração, tipos de bico/atomizador, entre outras informações;
• parâmetros operacionais (por exemplo: altura de voo, ve-
locidade de trabalho, tamanho da gota, ângulos de pulve-
rização, taxa de rotação para tipos de atomizador rotativo,
taxa de aplicação);
• produto usado;
• volume total aplicado;
• produto total aplicado;
• mapa de voo da área pulverizada.
Fonte: adaptado de UAPASTF (2024).
Uso de drones agrícolas no Brasil: da pesquisa à prática 79

Anexo 2 Anexo 2
CHECKLIST 2 – Planilha.
Obs.: alguns itens são específicos para alguns tipos de drones.
Data da operação: ___________________ Horário: _________________
Protocolo voo SARPAS: _______________ Código do piloto: ___________________

VERIFICAÇÃO PRÉ-VOO
Instruções para a equipe
Operação de celulares no modo NÃO PERTURBAR
Verificar o espaço aéreo
Confirmar o método de comunicação (controle/celular, RCN)
Confirmar o método de posicionamento (RTK, GPS)
Discutir o plano de voo e objetivos, funções e responsabilidades
Observar as condições: geografia, clima, estado mental do pessoal
Observar os perigos: pessoas, objetos, animais, limitações visuais, etc.
Condições climáticas: _______________________________________________
Outras notas: _____________________________________________________
VERIFICAÇÃO DA BATERIA

Bateria de voo: carga mínima de 90%


Bateria do controle remoto: carga mínima de 75%
Controle/smartphone/tablet: carga mínima de 75% (se aplicável)
Antena RTK: carga mínima de 80% (se aplicável)
Gerador: combustível suficiente para a operação e o nível de óleo do motor adequado.
CONFIGURAÇÃO BASE RTK (SE APLICÁVEL) E CONTROLE REMOTO

Encontre um local que forneça uma linha de visão aberta entre RTK, drone e controle.
Escolha um local limpo e plano com espaço aberto acima. Não deve haver obstáculos
acima do ângulo de elevação de 15° para rastreamento e observação contínuos dos
satélites e sinal de satélite de alta qualidade.
Configure o tripé com segurança com o nível de bolha centralizado.
Conecte a haste de extensão RTK e a antena e ligue.
NÃO MOVA A ESTAÇÃO BASE RTK!
Abra o aplicativo no controle.
Abra os dispositivos.
Selecione o dispositivo RTK.
Clique em Definir Datum, selecione o Tipo de Datum desejado.
Confirme se o RTK está FIXO e ativo.
Defina a estação base RTK (drone e controle remoto)
MECÂNICO

As baterias não apresentam luzes de erro e não há danos físicos ou inchaço.


A bateria em operação está bem presa ao drone.
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O GPS e as antenas de voo estão conectados e livres de defeitos


Os atomizadores giratórios não apresentam defeito, obstrução ou barulho anormal.
A folga de aperto das hélices (calço do motor) é aceitável.
As hélices estão limpas e em boas condições de uso.
As hélices estão na posição rotacional correta: braço direito – CCW e esquerdo – CW.
Os protetores de hélice foram retirados.
Trem de pouso seguro, sem rachaduras ou danos.
Certifique-se de que o sensor de prevenção de obstáculos, o sensor de terreno e a
lente da câmera estejam limpos.
O sistema de pulverização / Atomizadores calibrado e testado.
Realizado o teste de motor para garantir que esteja funcionamento normalmente:
Diferença de rotação entre motores < 50 rpm; Corrente (A) < 2A; Temperatura < 90ºC.
LINHA DE VOO

Reconfirme o isolamento da área de pouso/decolagem (30 m), verifique a presença de


pessoas não anuentes à operação.
LIMPE A LINHA DE VOO e garanta uma distância segura de pelo menos 10 m de
operadores e obstáculos.
Coloque a aeronave em uma superfície nivelada com a cauda voltada para o operador,
numa distância segura de pelo menos 10 m de operadores, espectadores e obstáculos
Certifique-se de que o controle esteja emparelhado com a aeronave e pronto para
operar manualmente durante uma emergência.
Certifique-se de que o tanque de pulverização esteja totalmente inserido, cheio e que o
cabo do sensor de nível esteja conectado.
Certifique-se de que todos os dispositivos estejam online sem erros.
CONFIRME TODOS OS SISTEMAS PRONTOS

Confirme o tipo de operação (manual ou automatizada).


GARANTA DE QUE TODOS OS SISTEMAS FUNCIONEM - Notifique os não
participantes para permanecerem atrás da linha de voo.
Operação manual: segure ambos os gatilhos do controle por 3s para iniciar a
decolagem.
Operação automatizada: clique em “Iniciar operação” e siga as instruções para a
decolagem.
Garanta o manuseio e comportamento adequados da aeronave.
Conduza a missão de voo desejada.
OPERAÇÕES PÓS-VOO - O PILOTO EM COMANDO DEVE PERMANECER NA
POSSE DO CONTROLE REMOTO/APLICATIVO

Pouso manual (caso perceba necessidade, como desvio de rota, risco inesperado, etc).
Pouso automático: monitore o pouso e esteja preparado para intervir com o controle, se
necessário; deixe a aeronave pousar e os rotores pararem completamente.
Desligue a bateria de voo e remova
Fazer o processo de limpeza das bombas, mangueiras e atomizadores com água e
detergente neutro sempre no final do dia deixando todos os sistemas sem resto de
defensivos.
Uso de drones agrícolas no Brasil: da pesquisa à prática 81

Anexo 3

Delta T
O Delta T é uma medida que leva em conta os efeitos combina-
dos da temperatura e da umidade relativa, indicando se as condições
climáticas são adequadas para a pulverização, a fim de maximizar o
desempenho dos produtos aplicados.
O cálculo do Delta T requer um sensor que meça a temperatura
do ar e a umidade relativa, ou pode ser obtida a partir da diferença
entre as temperaturas de termômetros de bulbo seco e bulbo úmido.
O Gráfico 1 indica as recomendações para a aplicação segundo o
Delta T. Comumente indica-se pulverizar quando o Delta T está entre
2 e 8. Um valor de Delta T acima de 8 está associado a tempera-
turas mais altas e umidade relativa mais baixa, se inferior a 2 está
relacionado com valores elevados de umidade relativa. Para uma
pulverização mais eficaz combine o Delta T com mais parâmetros
meteorológicos, como por exemplo, velocidade e direção do vento,
evitando condições de vento acima de 10 km/h (com rajadas acima
de 15 km/h) ou demasiado calmas, abaixo de 3 km/h.
82 Documentos 474
Uso de drones agrícolas no Brasil: da pesquisa à prática 83

DELTA T DEMASIADO BAIXO


- A sobrevivência das gotas será muito longa, levando ao aumento
do potencial de deriva - evite pulverizar com umidade relativa > 95%.
- A pulverização pode escorrer da folha por causa do orvalho ou
do nevoeiro.
- Evitar a pulverização durante condições de vento calmo, devido
a possibilidade de camada de inversão térmica, que aumenta risco
de deriva.

DELTA T DEMASIADO ALTO


- Evitar valores superiores a 10.
- Impacto potencial na sobrevivência das gotas e na taxa de eva-
poração: as gotas de pulverização evaporarão no ar ou da superfície
da planta antes que esta tenha tempo de entrar no tecido vegetal.
- Situações de estresse, desfavoráveis para a absorção dos pro-
dutos pela planta.

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