Funções de varias variáveis
São aquelas que depende de duas ou mais variáveis independentes. Elas são
fundamentais em diversas áreas da matemática e suas aplicações, incluindo cálculos,
optimização e modelagem matemática. Para entender melhor essas funções, e
importante considerar alguns conceitos chave.
Definição de Função de várias variáveis
Uma função de várias variáveis é uma relação matemática que associa um conjunto de
entradas (ou variáveis independente). Em termos mais formais, uma função f de n
variáveis reais é uma regra que atribui a cada ponto f (x1,x2,...xn) em um subconjunto de
espaço R n um numero real f (x1,x2,...xn)
Uma função de várias variáveis pode ser expressa como:
f (x1,x2,...xn)
Onde x1,x2,...xn são variáveis independentes. Por exemplo uma função que depende de
duas variáveis pode ser escrita com f(x,y), onde x e y podem representar qualquer
quantidade real.
A função pode ser representada como
f : R n→ R
Onde n é o numero de variáveis.
Por exemplo, para uma função de duas variáveis f(x,y), a anotação indica que f recebe
um par ordenado (x,y), como entrada e produz um valor real como saída.
Exemplo:
1. Função linear.
f ( x , y )=2 x+3 y
Esta função associada a cada par f(x,y) um valor real obtido pela combinação real de
variáveis.
2. Função quadrática
2 2
g ( x , y )=x + y
A saída é a soma dos quadrados das variáveis.
3. Função exponencial
h ( x , y ) =e xy
Essa função associa a cada par de entrada um valor exponencial baseado no produto das
duas variáveis.
Domínio e Imagem
O domínio de uma função de variáveis é o conjunto de todos os pares (ou trios, etc.)
possíveis que podem ser inseridos na função. Por exemplo no caso da função
2 2
f ( x , y )=x + y , o domínio pode ser todo o plano R 2.
A imagem é o conjunto de todos os valores que a função pode assumir ao longo do seu
domínio. No exemplo anterior como a soma dos quadrados é sempre não negativa, a
imagem da função será todos os números reais não negativos.
As funções de varias variáveis são fundamentais em diversas áreas da matemática e suas
aplicações incluem optimização , maximização ou minimização de funções em varias
dimensões.
Limites e continuidades em várias variáveis
O limite de uma função f ( x , y ) quando ( x , y ) se aproxima de um ponto ( a , b ) é definido
como:
lim f ( x , y )=L
( x , y ) → ( a , b)
Isso significa que para qualquer sequencia que se aproxime de ( a , b ), o valor da função
f ( x , y ) deve se aproximar do numero L. Para que o limite exista, o valor da função
devem convergir para o mesmo numero independentemente do caminho tomado para
chegar a ( a , b ).
Cálculo do limite
Para calcular limites em várias variáveis, pode se usar diferentes abordagens:
Substituição Direita: se a função é continua em ( a , b ), Substituímos
directamente os valores.
Caminhos diferentes: Avaliar o limite ao longo de diferentes caminhos (por
exemplo, y=kx onde k é uma constante).
Polar coordenastes: Em alguns casos converter para coordenadas polares
pode simplificar a análise.
Por exemplo, considere a função:
2
x y
( )
f x, y = 2 2
x +y
Para encontrar limite quando ( x , y ) → ( a , b ) :
1. Usando substituição direita resulta em indeterminação.
2. Testando em diferentes caminhos:
Ao longo do eixo x ( y=0 ) :
f ( x , 0 )=0
Ao longo do eixo y ( x=0 ):
f ( 0 , y ) =0
Ao longo da linha ( y=x ) :
3
t t
f ( t ,t )= 2
= → 0.
2t 2
Assim todos os caminhos levam ao mesmo resultado:
lim f ( x , y )=0
( x , y ) → ( 0 , 0)
Continuidades em varias variáveis
Uma função f ( x , y )é continua em um ponto ( a , b )se:
1. O limite existe:
L= lim f (x , y)
( x , y ) → ( a ,b )
2. A função esta definida no ponto:
f ( a , b )=L
3. O valor da função ponto coincide com o limite.
Portanto para ser contínua em um ponto específico e também nas vizinhanças desse
ponto.
Por exemplo a função acima é continua em todo o lugar excepto na origem onde não
esta definida.
Exemplo:
Considere a função:
{
2 2
f (a , b)= 1 se x 2 + y 2 >1
0 se x + y ≤ 1
Aqui podemos ver que não existe continuidade na origem porque o limite ao redor derla
não converge para 0.
Derivadas parciais
As derivadas parciais são uma extensão de conceitos de derivadas para funções de
várias variáveis. Quando li damos com uma função que depende de mais de uma
variável, queremos entender como a função muda em relação a cada uma dessas
variáveis individualmente.
Seja f (x , y ) uma função de duas variáveis. A derivada parcial de f em relação a x,
∂f
denotada por , é definida como:
∂x
∂f f ( x+ h , y )−f (x , y )
=lim
∂ x h →0 h
Isso significa que estamos considerando a variação da função f ao alterar apenas a
variável x, mantendo y constante.
Da mesma forma, a derivada parcial em relação a y, é dada por:
∂f f ( x +h , y )−f (x , y )
=lim
∂ y h→0 k
Observando como o f varia quando alteramos apenas o y.
Interpretação Geométrica
Geometricamente as derivadas parciais representam as inclinações da superfície
definida pela função em relação aos eixos das variáveis.
∂f
Por exemplo a derivada parcial de indica a inclinação da superfície na direcção do
∂x
eixo x.
∂f
A derivada parcial de Mostra como a superfície se inclina na direcção do eixo y.
∂y
Cálculos de Derivadas Parciais
Para calcularmos as derivadas parciais seguimos algumas regras, semelhantes as
derivadas comuns.
As constantes são consideradas como zero, ao calcular as derivas parciais.
Usamos as regras do produto e da soma.
E também usamos a regra de cadeia, se uma variável depende da outra (por exemplo em
funções compostas).
Exemplo: Considere a função f ( x , y )=x 2 y +3 y 2 , calcule as derivadas em relação a x e
em relação a y .
∂f 2
=2 xy +3 y
∂x
∂f 2
=x +6 xy
∂y
Optimização com funções de várias variáveis
A optimização envolve encontrar os valores máximos ou mínimos de uma função, e
quando li damos com múltiplas variáveis, o processo se torna um pouco mais complexo,
mas extremamente interessante.
Optimização com funções de várias variáveis consiste em encontrar o ponto onde a
função atinge seu valor máximo ou mínimo dentro de um determinado domínio.
Exercícios
1. Calcule o valor da função de três variáveis f ( x , y , z )=x 2 y+ 3 zy −x+ 3 no ponto
(0,1,0).x
No ponto (0,1,0), agente tem x=0 , y=1 e 0=0. Então é só substituir isso na função.
f ( x , y , z )=0 2 ∙ 1+ 3∙ 0 ∙ 1−0+3
f ( x , y , z )=3
2. Determine os pontos críticos da função g ( x , y )=x 3−3 xy + y 3 como pontos de
máximo local e mínimo local ou ponto de sela.
Encontramos as derivadas parciais da primeira ordem:
∂g 2
=3 x −3 y
∂x
∂g 2
=−3 x +3 y
∂y
Igualamos as derivadas parciais a zero.
2 2 2 2
3 x −3 y=0 ⟹ x = y−3 x +3 y =0 ⟹ y =x
Substituindo y=x 2 na segunda equação:
4 4 3
x =x x −x =0 x( x −1)=0
Solução: x=0 e x=1.
Se x=0 , então y=02=0. Ponto critico : (0,0)
Se x=1, então y=12 =1. Ponto critico : (1,1)
Calculamos a derivadas parciais de segunda ordem.
2
∂ g
2
=6 x
∂ x
2
∂ g
2
=6 y
∂ y
2
∂ g
=−3
∂ x∂ y
Calculamos o Hesiano (H)
( )( )
2 2 2
∂ g∂ g ∂ g
H ( x , y )= 2 2
− =( 6 x )( 6 y )−¿
∂ x∂ y ∂x∂y
Para o ponto (0,0): H( 0 , 0 ) =36 ( 0 ) ( 0 )−9=−9. Como H( 0 , 0 ) <0 , O ponto ( 0 , 0 ) é
o ponto de sela.
2
∂ g
Para o ponto (1,1): H( 1 ,1 )=36 ( 1 ) (1 )−9=27 . Como H( 1 ,1 )> 0 e 2
=6>0 , o ponto
∂ x
( 1 ,1 ) é um ponto de mínimo local.