16/02/2012
Twitter: @profricardoalex
DIREITO TRIBUTÁRIO – RICARDO ALEXANDRE
Receitas Públicas Originárias (de direito privado)
Derivadas (de direito público)
- Os tributos são as principais fontes de receita; mas não são os únicos.
Finalidades da Tributação
Fiscal – arrecadar receitas públicas
Extrafiscal – notadamente para intervir no mercado
Parafiscal – o Estado quer que o tributo arrecade para uma 3ª pessoa. Não necessariamente tem que
haver delegação de cobrança. Ex: INSS (era o INSS quem arrecadava, contudo, a competência voltou
para a União) – questão ESAF –.
- não há exclusividade de finalidade fiscal ou extrafiscal do tributo. Sempre há um pouco de cada, com a
prevalência de um.
Definição: Art. 3º, CTN - Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela
se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade
administrativa plenamente vinculada.
Obs.: em moeda (não pode ser serviço, produtos, bens, etc.) – LC nº 104/01 – acresceu ao art. 156 do
CTN, o inciso XI (dação em pagamento de bem imóvel) – única exceção – exclusivamente bem imóvel.
Considerou-se que houve somente uma reinterpretação do art. 3º. Não houve derrogação. Somente se
aplicou neste caso.
“ou cujo valor nela se possa exprimir” – para impedir que o tributo seja indexado a índices.
1ª Característica do Tributo: prestação em moeda.
2ª Característica do Tributo: obrigação compulsória.
Obs.: a obrigação tributária não exige manifestação de vontade. É lei.
3ª Característica do Tributo: instituída em lei – diretamente da lei.
“non taxtation without representation” – não há tributo sem representação
Lei – em regra é uma lei ordinária; em alguns casos Lei Complementar.
4 exceções
- Imposto Extraordinário de Guerra (148, I, CF)
- Empréstimos Compulsórios (153, VII, CF)
- Impostos Residuais (154, I, CF)
- Contribuições Residuais (195, § 4º, CF)
4ª Característica do Tributo: Não constitui sanção por ato ilícito
- O dinheiro arrecadado com o crime pode ser tributado. A subsunção é arrecadar, e não o tipo criminal.
“pecunia non olex” – o dinheiro não tem cheiro
5ª Característica do Tributo: Cobrança vinculada
- O STJ decidiu que não se aplica o CTN ao FGTS. Usou o art. 9º da Lei 4.320/64 para definir o FGTS e
dizer que não é tributo.
- Com a finalidade de se evitar a aplicação do prazo prescricional do CTN (5 anos).
SUMULA 353 do STJ. “As disposições do Código Tributário Nacional não se aplicam às contribuições
para o FGTS.”
17/02/2012
24/02/2012
TAXA DE PREVENÇÃO E EXTINÇÃO DE INCÊNDIO
Para prevenção de incêndio até poderia se cobrar uma taxa, em razão do exercício do
Poder de Polícia. Entretanto, para extinção de incêndio, não há como se ver a
divisibilidade.
Súmula 274 do STF – É inconstitucional a taxa de serviço contra fogo, cobrada pelo
Estado de Pernambuco. (revogada pela súmula 549 do STF)
Súmula 549 do STF – Taxa de Bombeiros – Constitucionalidade: A taxa de bombeiros
do Estado de Pernambuco é constitucional, revogada a Súmula 274.
Vários julgados decidindo que é Constitucional (que é referível – especificidade – e
divisível).
- RMS 24.382/08 – STF
- RE 473.611-MG – STF
TAXA DE COLETA DOMICILIAR DE LIXO
Somente há a divisibilidade quando se coleta no imóvel da pessoa. Taxa pela limpeza
dos logradouros públicos e bueiros é inconstitucional, pois não há a divisibilidade do
serviço.
Súmula Vinculante nº 19 do STF: A taxa cobrada exclusivamente em razão dos serviços
públicos de coleta, remoção e tratamento ou destinação de lixo ou resíduos provenientes
de imóveis, não viola o artigo 145, II, da Constituição Federal.
VALOR DA TAXA – BASE DE CÁLCULO: o ideal é que se cobre o valor exato
gasto para prestar o serviço. (obs.: as custas judiciárias são cobradas sobre o valor da
causa, desde que haja um limite).
Taxa de Coleta de Lixo da cidade de São Carlos/SP
Custo do Serviço R$ = R$ por m² x m² da área
Somatória das áreas
- Art. 145, § 2º, CF – a taxa não pode ter a base de cálculo igual a de imposto.
§ 2º - As taxas não poderão ter base de cálculo própria de impostos.
Questionou-se a forma de cálculo da taxa pelo Município de São Carlos/SP
STF assim decidiu:
1º - É razoável presumir que o imóvel maior produz mais lixo.
2º - O que o STF proíbe é que se utilize exatamente a base de cálculo do imposto (não
só igual, mas, também, própria de imposto). Pode-se utilizar 1 ou mais elementos da
base de cálculo de determinado imposto para calcular o valor da taxa.
3º - A taxa cobrada de acordo com o tamanho do imóvel privilegia o mais pobre.
Fundação Carlos Chagas defende que não é possível graduar o valor da taxa de
acordo com a capacidade econômica do contribuinte, uma vez que não há previsão
Constitucional. As demais bancas defendem que pode se aplicar o Princípio da
Capacidade Econômica, ou Capacidade Contributiva.
Para o cálculo de imposto, se é possível realizar a graduação de acordo com o Princípio
da Capacidade Econômica, deve-se fazê-la. Alguns impostos suportam a graduação (ex:
IRPF) e outros não (ex: ICMS).
CTN, art. 177, Parágrafo único – as taxas também não podem ser calculadas sobre o
patrimônio líquido da empresa, e nem ter como base de cálculo, aquela própria de
imposto.
Parágrafo único. A taxa não pode ter base de cálculo ou fato gerador idênticos aos que
correspondam a imposto nem ser calculada em função do capital das empresas.
CVM criou uma taxa calculada em cima do Patrimônio Líquido, para fiscalizar a
empresa. O STF disse que a taxa não estava sendo calculada sobre o Patrimônio
Líquido; a taxa era fixa de acordo com uma faixa de valor.
50 a 100 = X
100 a 200 = 2X
Taxas Cartoriais pela prestação de serviços – A lei se São Paulo criou uma taxa nos
termos da CVM (faixas de valor), para registrar imóveis de acordo com o valor deste.
Ocorre que não há como se falar que imóveis mais caros são mais custosos para se
registrar.
No entanto, o STF decidiu que, tanto a taxa da CVM quanto a taxa de São Paulo eram
Constitucionais, sob o fundamento do Princípio da Capacidade Contributiva.
COMPETÊNCIA PARA COBRANÇA DE IMPOSTOS E TAXA
A competência para a cobrança de impostos foi definida pela CF/88.
A competência para a cobrança de taxa é daquele órgão que presta o serviço ou
exerce o poder de polícia.
Competência residual para criação de taxa – Não há previsão Constitucional –. A
competência residual para prestar serviços aos cidadãos é dos Estados; logo, a
competência também é dos Estados. (nos mesmos termos das contribuições de
melhoria).
Contribuição de Melhoria
- A Contribuição de melhoria tem que ser cobrada quando efetivamente valorize o
imóvel, e não apenas quando melhora o bem de uso público.
- Pode-se cobrar contribuição de melhoria quando se calça uma rua; entretanto, o
recapeamento não pode ser cobrado, porque é um serviço de manutenção.
- Fato Gerador da Contribuição de Melhoria: valorização imobiliária em decorrência de
obra pública.
Limites Para Cobrança:
1º - Individual (concepção inglesa) – o máximo que se pode
cobrar é o que o imóvel valorizou.
2º - Total (concepção alemã) – o máximo que se pode
cobrar é o que o Estado gastou com a obra.
- A cobrança em maior constitui enriquecimento ilícito.
- Zona de Influência: área que é influenciada na valorização do imóvel, em diferentes
graus de valorização.
- Base de Cálculo: é o valor do imóvel após a valorização pela obra, menos o valor do
imóvel antes da obra, respeitando-se os limites acima postos, quais sejam, o individual e
o total.
- Competência é comum (União, Estados e Municípios), definida de acordo com a
competência para realização da obra. A competência residual, conforme visto, é
pertencente aos Estados.
02/03/2012
Empréstimos Compulsórios
* É um imposto restituível
Art. 148, CF
Art. 148. A União, mediante lei complementar, poderá instituir
empréstimos compulsórios:
I - para atender a despesas extraordinárias, decorrentes de
calamidade pública, de guerra externa ou sua iminência;
II - no caso de investimento público de caráter urgente e de
relevante interesse nacional, observado o disposto no art. 150, III,
"b".
Parágrafo único. A aplicação dos recursos provenientes de
empréstimo compulsório será vinculada à despesa que
fundamentou sua instituição.
- Somente a União pode implementar.
- Somente por Lei complementar.
* O bloqueio da poupança pelo Collor não foi confisco.
Dois situações que autorizam o empréstimo compulsório:
I – Guerra / Calamidade Pública – possui uma urgência muito grande.
II – Investimento Urgente e Relevante – possui uma urgência menor.
* Terá que respeitar tanto a anterioridade quanto a noventena.
OBSERVAÇÃO
- à Lei
Sentidos de Vinculada - se depende da atividade estatal
- utilização (art. 148, Parágrafo único, CF/88)
- A receita fica vinculada ao motivo de criação do empréstimo compulsório. A CF não
determina qual o fato gerador. O fato gerador é indicado no momento de criação do
empréstimo compulsório.
- O valor tem que ser devolvido (em dinheiro). É preciso criar o prazo para se devolver.
Contribuições Especiais
- Contribuições Sociais
CF (art. 149) - CIDE – Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico
- Contribuições Corporativas (interesse de classes)
Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições
sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das
categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua
atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146,
III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º,
relativamente às contribuições a que alude o dispositivo.
§ 1º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão
instituir contribuição, cobrada de seus servidores, para o custeio,
em benefício destes, de sistemas de previdência e assistência
social.
§ 1º Os Estados, o Distrito Federal e os Municípios instituirão
contribuição, cobrada de seus servidores, para o custeio, em
benefício destes, do regime previdenciário de que trata o art. 40,
cuja alíquota não será inferior à da contribuição dos servidores
titulares de cargos efetivos da União.
§ 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio
econômico de que trata o caput deste artigo:
I - não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação;
II - poderão incidir sobre a importação de petróleo e seus
derivados, gás natural e seus derivados e álcool combustível;
II - incidirão também sobre a importação de produtos estrangeiros
ou serviços;
III - poderão ter alíquotas:
a) ad valorem, tendo por base o faturamento, a receita bruta ou o
valor da operação e, no caso de importação, o valor aduaneiro;
b) específica, tendo por base a unidade de medida adotada.
§ 3º A pessoa natural destinatária das operações de importação
poderá ser equiparada a pessoa jurídica, na forma da lei.
§ 4º A lei definirá as hipóteses em que as contribuições incidirão
uma única vez.
* Somente podem ser criadas pela União. A única exceção é a contribuição para
financiar a previdência dos servidores públicos (União, Estados, DF e Municípios).
* É preciso respeitar o piso Federal para cobrar a previdência. O STF declarou que esse
piso é Constitucional, sob o fundamento de se manter o equilíbrio atuarial. Para se evitar
a contribuição política.
* Não há teto. O máximo é o princípio do não confisco.
IMPORTANTE: a contribuição somente pode ser cobrada para financiar a previdência.
Para a assistência social e saúde não pode mais. (não usar o termo seguridade, possui
um caráter tríplice – previdência, assistência e saúde –).
- Para a Seguridade Social (respeita-se, apenas, a noventena)
Contribuições Sociais - Residuais
- Gerais
Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade,
de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos
provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito
Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais:
(...)
§ 4º - A lei poderá instituir outras fontes destinadas a garantir a
manutenção ou expansão da seguridade social, obedecido o
disposto no art. 154, I.
(...)
Art. 154. A União poderá instituir:
I - mediante lei complementar, impostos não previstos no artigo
anterior, desde que sejam não-cumulativos e não tenham fato
gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados nesta
Constituição;
(...)
PERGUNTA: Qual a espécie de lei pode criar contribuições sociais? Se estiver na CF, é
Lei ordinária; Se não estiver na CF, é Lei Complementar.
* O STF decidiu que as contribuições residuais são de outro grupo e só podem ser
criadas por LC.
Art. 177, § 4º, CF/88
Art. 177. Constituem monopólio da União:
I - a pesquisa e a lavra das jazidas de petróleo e gás natural e
outros hidrocarbonetos fluidos;
II - a refinação do petróleo nacional ou estrangeiro;
III - a importação e exportação dos produtos e derivados básicos
resultantes das atividades previstas nos incisos anteriores;
IV - o transporte marítimo do petróleo bruto de origem nacional ou
de derivados básicos de petróleo produzidos no País, bem assim o
transporte, por meio de conduto, de petróleo bruto, seus derivados
e gás natural de qualquer origem;
V - a pesquisa, a lavra, o enriquecimento, o reprocessamento, a
industrialização e o comércio de minérios e minerais nucleares e
seus derivados, com exceção dos radioisótopos cuja produção,
comercialização e utilização poderão ser autorizadas sob regime
de permissão, conforme as alíneas b e c do inciso XXIII do caput
do art. 21 desta Constituição Federal.
§ 1º A União poderá contratar com empresas estatais ou privadas
a realização das atividades previstas nos incisos I a IV deste artigo
observadas as condições estabelecidas em lei.
§ 2º A lei a que se refere o § 1º disporá sobre:
I - a garantia do fornecimento dos derivados de petróleo em todo o
território nacional;
II - as condições de contratação;
III - a estrutura e atribuições do órgão regulador do monopólio da
União;
§ 3º A lei disporá sobre o transporte e a utilização de materiais
radioativos no território nacional.
§ 4º A lei que instituir contribuição de intervenção no domínio
econômico relativa às atividades de importação ou
comercialização de petróleo e seus derivados, gás natural e seus
derivados e álcool combustível deverá atender aos seguintes
requisitos:
I - a alíquota da contribuição poderá ser:
a) diferenciada por produto ou uso;
b)reduzida e restabelecida por ato do Poder Executivo, não se lhe
aplicando o disposto no art. 150,III, b;
II - os recursos arrecadados serão destinados:
a) ao pagamento de subsídios a preços ou transporte de álcool
combustível, gás natural e seus derivados e derivados de petróleo;
b) ao financiamento de projetos ambientais relacionados com a
indústria do petróleo e do gás;
c) ao financiamento de programas de infra-estrutura de
transportes.
* Para os Estados e Municípios, a única finalidade disponível é melhorar a infra-
estrutura de transporte.
* Projetos ambientais somente para petróleo e gás. Projeto ambiental para o álcool não
foi colocado, uma vez que o Brasil vende o exterior uma imagem de “combustível
limpo” desse combustível.
Contribuições Corporativas
- Contribuição sindical (art. 8º, IV, CF)
Art. 8º É livre a associação profissional ou sindical, observado o
seguinte:
(...)
IV - a assembléia geral fixará a contribuição que, em se tratando
de categoria profissional, será descontada em folha, para custeio
do sistema confederativo da representação sindical respectiva,
independentemente da contribuição prevista em lei;
- Existem duas contribuições sindicais:
1) Fixada pela Assembléia Geral
2) Fixada pela lei (paga anualmente, compulsoriamente, sendo sindicalizado ou não).
OBSERVAÇÕES:
* Contribuição para a OAB não é contribuição corporativa. A OAB é considerado um
ente sui generis.
* CREA (e demais conselhos em geral) é contribuição corporativa (tributo).
CF (art. 149-A) - Contribuição para o serviço de iluminação pública
Art. 149-A Os Municípios e o Distrito Federal poderão instituir
contribuição, na forma das respectivas leis, para o custeio do
serviço de iluminação pública, observado o disposto no art. 150, I
e III.
Parágrafo único. É facultada a cobrança da contribuição a que se
refere o caput, na fatura de consumo de energia elétrica.
09/03/2012
Taxa de Iluminação Pública
Chegou ao Supremo uma ADI questionando a Taxa de Iluminação Pública da cidade de São José/SC.
Belo Horizonte/MG participou como amicus curiae. Alegava-se que era taxa ou imposto, e, portanto, era
inconstitucional.
O STF disse que não é taxa, porque não corresponde a uma contraprestação individualizada.
O STF disse que não é imposto, porque a arrecadação é vinculada a determinada riqueza.
O STF disse que a taxa de iluminação é um tributo sui generis.
O que foi autorizado foi uma contribuição de Iluminação Pública. A Taxa de Iluminação Pública continua
sendo inconstitucional.
LIMITAÇÕES CONSTITUCIONAIS AO PODER DE TRIBUTAR
(PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS TRIBUTÁRIOS)
Aparecem principalmente nos arts. 150 a 152, CF – Existem outras limitações, enunciadas pelo próprio
art. 150 –.
ADI 939 do STF – IPMF (CPMF) – Emenda Constitucional nº 3/93
Não precisava respeitar o princípio da anterioridade.
A AGU, defendendo a constitucionalidade da lei, alegou que não se estava retirando o princípio da
anterioridade de nenhum imposto. O que estava sendo feito era a criação de um tributo novo, e o
legislador constituinte derivado poderia “modelar” este tributo, criar exceções. O STF entendeu que, ao
se criar várias exceções à regra, a regra tende a ser abolida. Assim, como a CF veda a emenda da
Constituição que tende a abolir direitos e garantias fundamentais, decidiu-se que era inconstitucional.
Outra questão foi a ofensa à imunidade recíproca (defesa do pacto federativo – cláusula pétrea –). O
STF disse que aceitar que a União tribute os Estados e os Municípios, é aceira que se tire dinheiro destes
entes federados; e tirar dinheiro dos entes federados é tirar autonomia.
Art. 150, CF
I – Legalidade: é vedado aos entes federados exigir ou majorar tributos sem lei que os estabeleça.
Repetiu-se o mesmo raciocínio do art. 5º, II, CF.
- Paralelismo das formas – Para se extinguir um instituto é necessário que seja feito pelo mesmo instituto
que o instituiu. Assim, se é a lei que institui um tributo, somente outra lei pode extinguir. Se só a lei
aumenta, só a lei pode diminuir. (art. 97, CTN)
Majorar/Reduzir Criar Tributos
Tributos - Lei (ou Extinguir)
Têm Exceções: II, IE, IOF e IPI Sem exceções (Lei ou ato com força de lei)
podem ter suas alíquotas alteradas
pelo poder Executivo
- Art. 153, § 1º, CF
- Art. 97, II, CTN (estudar)
- IMPORTANTE: Quanto à base de cálculo não foi recepcionado pela Constituição.
(excluir base de cálculo dos arts. 21, 26, 39, 57 e 65, todos do CTN)
- Duas exceções à regra que só a lei aumenta e diminui alíquotas, suspeitas, colocadas por emenda:
* CIDE sobre combustíveis
* ICMS sobre combustíveis (é um convênio que vai instituir as alíquotas do ICMS sobre combustíveis).
O Judiciário tem aceitado.
- Art. 177, § 4º
- O congresso pode, por meio de Lei delegada, atribuir competência ao Executivo para criar imposto.
Mister o cumprimento das normas do art. 68, CF.
- Caso no Ceará - STF diz que não é possível Lei Delegada em Branco.
- Contribuição para o SAT (Seguro Acidente de Trabalho). O seguro deve ser maior do que o prêmio a ser
pago. A empresa deve pagar o SAT proporcionalmente ao risco de acidente de trabalho do empregado.
Criou-se uma lei na qual as empresas deveriam contribuir com 1, 2 ou 3%, de acordo com o risco de
acidentes. O Poder Executivo iria editar um Decreto definindo qual seria a classe de risco das empresas.
Contudo, o Poder Executivo não poderia instituir tributo por Decreto; portanto, era inconstitucional. O
STF decidiu que é constitucional, porque o Poder Executivo poderia dizer qual era o grau de risco, uma
vez que possuía mais dados de acidentes.
15/03/2012
(...) Continuação – Limitações Constitucionais ao Poder de Tributar
Art. 150, CF
I – Legalidade
II – Isonomia
PRINCÍPIO ISONOMIA
II - instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação
equivalente, proibida qualquer distinção em razão de ocupação profissional ou função
por eles exercida, independentemente da denominação jurídica dos rendimentos, títulos
ou direitos;
Cada pessoa paga de acordo com sua capacidade contributiva.
Tempos atrás, para se isentar do pagamento de imposto de renda, parlamentares,
militares e juízes recebiam seus “rendimentos” sob a forma de ajuda de custo, que,
sobre a qual, não incidia o tributo. Atualmente não é possível, pois o inciso II do art.
150, CF, proíbe a distinção em razão de ocupação profissional ou função exercida.
Pode haver diferenciação, contudo, tem que ter uma razoabilidade. Essa razoabilidade,
normalmente, envolve a capacidade contributiva.
PRINCÍPIO DA NÃO SURPRESA
III - cobrar tributos:
a) em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da vigência da lei que os
houver instituído ou aumentado;
b) no mesmo exercício financeiro em que haja sido publicada a lei que os instituiu ou
aumentou;
c) antes de decorridos noventa dias da data em que haja sido publicada a lei que os
instituiu ou aumentou, observado o disposto na alínea b;
É um sub-princípio da segurança jurídica. Normalmente a segurança jurídica protege
situações acontecidas no passado, desde que se preencham os requisitos legais.
A proteção no Direito Tributário não é apenas do passado, mas, também, do futuro
próximo. (Princípio da Anterioridade – art. 150, III, b, CF/88). Entretanto, para driblar
esse princípio, o governo edita leis no final do ano (geralmente dezembro) para se
cobrar o tributo já no ano vindouro (próximo exercício financeiro).
Princípio da Noventena (art. 150, III, c, CF/88) – foi instituído para prevenir o abuso do
Princípio da Anterioridade.
Os dois Princípios atuam em conjunto; contudo, sempre um é mais importante do que o
outro.
Questão terminológica: duas correntes:
1ª – O princípio da noventena já existia, contudo, para as contribuições para a
seguridade social (art. 195, § 6º, CF/88) – Alguns chamavam de anterioridade
nonagesimal, e outros, de anterioridade mitigada.
CF/88, art. 195, § 6º - anterioridade nonagesimal para as contribuições para a
seguridade social; posteriormente, acresceu-se a alínea “c”, ao inciso III, do art. 150, da
CF/88.
Ricardo Alexandre e outros juristas entendem que o princípio da anterioridade
nonagesimal foi estendido para os demais tributos; contudo, outros juristas sustentam
que, na verdade, foi criado um novo princípio.
Anterioridade nonagesimal e noventena é o mesmo princípio.
Somente se aplica o princípio da anterioridade para aumentar um tributo.
RESUMINDO: O prazo de 90 dias que se aplicava somente para as contribuições para a
seguridade social, foi estendida para os demais tributos.
DECISÃO DO STF acerca do aumento da alíquota do IPI para automóveis. O governo
Federal fundamentou que não necessitava aguardar 90 dias para começar a vigi o
aumento do IPI, uma vez que a CF, no art. 150, III, “c”, fala que a noventena tem que
ser obedecida quando o tributo é majorado por Lei, e o referido aumento ocorreu
mediante Decreto. Ademais, fundamentou que no caso do aumento do IPI, buscava-se
um efeito extra-fiscal do tributo, para controle do mercado. Contudo, o STF entendeu
que o princípio da noventena deveria ser aplicado neste caso, uma vez que um ato
legislativo inferior (Decreto), não poderia ter mais força do que um ato normativo
superior (Lei) – pirâmide de Kelsen –.
Irretroatividade tem relação com vigência, enquanto Anterioridade e Noventena têm
relação com produção de efeitos (eficácia).
Anterioridade não é regra de vigência, é regra de produção de efeitos.
Exceções à Anterioridade
II, IE, IOF e IPI, IEG e EC (Guerra ou Calamidade), Contribuições para a Seguridade
Social (COFINS), *ICMS sobre combustíveis e *CIDE sobre combustíveis
Exceções à Noventena
II, IE, IOF, IR, IEG, EC (Guerra ou Calamidade), bases de cálculo de IPTU e IPVA
IPI – obedece à noventena
IR – obedece à anterioridade
Assim, continua sendo possível que se aumente o IR em 31/12 (somente pode ser
aumentado por lei).
O IPI não possui mais a extra-fiscalidade como caráter principal. Isso porque é o 2º
imposto que mais arrecada no país (só perde para o IR). E ainda, porque o IPI é, quase
sempre, a maior fonte de receitas dos municípios. Portanto, tecnicamente é correto que
se respeite ao princípio da noventena.
IPTU e IPVA são tributos fiscais, com funções arrecadatórias. Foi excluído o princípio
da anterioridade desses impostos, no que tange à base de cálculo, para permitir-se que
os entes arrecadadores reajustassem a base de cálculo até o dia 31/12, o que permite-se
majorar o valor já no dia 01/01..........
PRINCÍPIO DO NÃO CONFISCO
O tributo não pode ter efeito confiscatório.
A carga tributária não pode ser exagerada.
O princípio do não confisco também se aplica à taxa (não há previsão constitucional).
O STF somente considera o tributo confiscatório quando este é notoriamente exagerado.
O STF disse que a acumulação de alíquota de 27,5% de imposto de renda e de 25% de
contribuição social é confiscatória.
Importante: Na ótica do STF o princípio do não confisco deve ser analisada não só com
o tributo separadamente, mas com a totalidade da carga tributária gerada pelo mesmo
ente arrecadante.
Confisco pode só como punição.
16/03/2012
PRINCÍPIO DA LIBERDADE DE TRÁFIGO
Art. 5º, XV, CF
XV - é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz, podendo
qualquer pessoa, nos termos da lei, nele entrar, permanecer ou dele sair com
seus bens;
Art. 150, V, CF
Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é
vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios:
(...)
V - estabelecer limitações ao tráfego de pessoas ou bens, por meio de tributos
interestaduais ou intermunicipais, ressalvada a cobrança de pedágio pela
utilização de vias conservadas pelo Poder Público;
- Pedágio é um tributo ou não?
O pedágio é tributo quando o Poder Público cobra pela utilização das vias públicas que
ele próprio conserva (requisitos do próprio inciso V).
No caso brasileiro o valor cobrado quase sempre por particulares que conservam a via;
neste caso, o que chamam de pedágio é preço público.
Chegou-se a criar uma jurisprudência de que somente poderia cobrar o pedágio quando
havia uma via alternativa.
Fundação Carlos Chagas: Qual a natureza jurídica do pedágio? A resposta correta é
preço público.
Nas demais bancas mister cuidado. O CESPE colocou como correto que a natureza
jurídica do pedágio é tributo da espécie taxa, baseando-se em uma antiga jurisprudência
do STF.
Em suma: o pedágio pode ser preço, quando delegado por particular; pode ser taxa,
quando cobrado pela própria administração pública.
IMUNIDADES
Isenção está na lei; imunidade está na Constituição.
Institutos que Desoneram a Tributação (impedem que a tributação seja feita)
I – A não incidência - Constitucionalmente imunizada (ex: IPVA para veículos da
União)
- Puras e simples – “tout cout” (quando não precisa de norma
constitucional impedindo que haja a incidência – ex: IPVA para bicicleta).
II – A isenção
III – A alíquota zero
A imunidade opera no desenho; a imunidade opera no exercício.
Na isenção o tributo incide; contudo o pagamento é dispensado. A isenção é a dispensa
legal de cobrança do tributo.
Alíquota zero ocorre, geralmente, com os tributos extra-fiscais.
O inciso VI, do art. 150, trás imunidade a impostos.
Existem imunidades de outras espécies tributárias.
- Art. 195, § 7º, CF
Imunidade Recíproca (União, Estado, DF e União)
O § 2º Estende as imunidades às autarquias e às fundações instituídas e mantidas pelo
Poder Público; contudo, a imunidade não possui a mesma amplitude da dos entes
federados. Limitam-se ao patrimônio, à renda e aos serviços, vinculados a suas
finalidades essenciais ou às delas decorrentes.
VI - instituir impostos sobre:
a) patrimônio, renda ou serviços, uns dos outros;
b) templos de qualquer culto;
c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas
fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de
educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da
lei;
d) livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão.
Imunidades das autarquias e das fundações instituídas e mantidas pelo Poder
Público
§ 2º - A vedação do inciso VI, "a", é extensiva às autarquias e às fundações
instituídas e mantidas pelo Poder Público, no que se refere ao patrimônio, à
renda e aos serviços, vinculados a suas finalidades essenciais ou às delas
decorrentes.
Imunidades das alíneas “b” e “c”
§ 4º - As vedações expressas no inciso VI, alíneas "b" e "c", compreendem
somente o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com as finalidades
essenciais das entidades nelas mencionadas.
STF entendeu que as Empresas Públicas e Sociedades de Economia Mista que prestam
serviços essenciais de prestação exclusiva e obrigatória do Estado, gozam da
imunidade do art. 150, VI, CF, com relação ao patrimônio, à renda e aos serviços,
relacionados com as finalidades essenciais.
§ 3º - As vedações do inciso VI, "a", e do parágrafo anterior não se aplicam ao
patrimônio, à renda e aos serviços, relacionados com exploração de atividades
econômicas regidas pelas normas aplicáveis a empreendimentos privados, ou em
que haja contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usuário, nem
exonera o promitente comprador da obrigação de pagar imposto relativamente ao
bem imóvel.
.......
Imunidades Religiosas
O que é imune é a instituição religiosa, a despeito de constar “templo”. É imune todo o
patrimônio da instituição religiosa.
- Mister que o bem seja uma extensão da religião.
- Não pode visar lucro
23/03/2012
Imunidade de Instituições
- Partidos Políticos e suas Fundações
- Entidades Sindicais dos Trabalhadores (patronal não tem imunidade)
- Institutos de Assistência Social e Educações, sem fins lucrativos, atendidos os
requisitos da lei
- Art. 195, § 7º, CF
§ 7º - São isentas de contribuição para a seguridade social as
entidades beneficentes de assistência social que atendam às
exigências estabelecidas em lei.
- Art. 150, VI, “c”
c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive
suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das
instituições de educação e de assistência social, sem fins
lucrativos, atendidos os requisitos da lei;
- Entidades de assistência social e Educação são imunes a impostos.
- A assistência social é imune, também, além de impostos, a contribuição de seguridade
social. Entidades de Educação não são imunes a contribuição de seguridade social.
- As citadas entidades somente têm imunidade quando preenchem os requisitos da lei
(neste caso é Lei Complementar, por força do art. 146, II, CF)
Art. 146. Cabe à lei complementar:
(...)
II - regular as limitações constitucionais ao poder de tributar;
(...)
A Lei Complementar que regulam as imunidades é o CTN (que foi recepcionado pela
CF/88 como tal), especificamente o art. 14.
Art. 14. O disposto na alínea c do inciso IV do artigo 9º é
subordinado à observância dos seguintes requisitos pelas
entidades nele referidas:
I – não distribuírem qualquer parcela de seu patrimônio ou de suas
rendas, a qualquer título;
II - aplicarem integralmente, no País, os seus recursos na
manutenção dos seus objetivos institucionais;
III - manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros
revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão.
§ 1º Na falta de cumprimento do disposto neste artigo, ou no § 1º
do artigo 9º, a autoridade competente pode suspender a aplicação
do benefício.
§ 2º Os serviços a que se refere a alínea c do inciso IV do artigo 9º
são exclusivamente, os diretamente relacionados com os objetivos
institucionais das entidades de que trata este artigo, previstos nos
respectivos estatutos ou atos constitutivos.
I – não pode visar lucro (não pode repartir as suas receitas a qualquer título).
II – têm que aplicar seus recursos no país e na manutenção dos seus objetivos
institucionais.
III – a instituição é obrigada a registrar todas as suas receitas e despesas. (apenas para
fiscalizar o cumprimento dos dois primeiros requisitos).
Na prática, existem mais dois requisitos:
Art. 9º, § 1º
§ 1º O disposto no inciso IV não exclui a atribuição, por lei, às
entidades nele referidas, da condição de responsáveis pelos
tributos que lhes caiba reter na fonte, e não as dispensa da prática
de atos, previstos em lei, assecuratórios do cumprimento de
obrigações tributárias por terceiros.
É obrigada a reter na fonte os tributos que lhe caiba (por exemplo, imposto de renda os
empregados), bem como, praticar os atos que garantam a fiscalização das obrigações
tributárias a ser praticadas por terceiros.
- Súmula 724, STF
STF Súmula nº 724 - 26/11/2003 - DJ de 9/12/2003, p. 1; DJ de
10/12/2003, p. 1; DJ de 11/12/2003, p. 1.
Rendimentos de Aluguéis - Imunidade do IPTU - Condição -
Propriedade dos Partidos Políticos, Entidades Sindicais e
Instituições de Educação e de Assistência Social
Ainda quando alugado a terceiros, permanece imune ao IPTU o
imóvel pertencente a qualquer das entidades referidas pelo art.
150, VI, c, da Constituição, desde que o valor dos aluguéis seja
aplicado nas atividades essenciais de tais entidades.
- Súmula 730, STF
STF Súmula nº 730 - 26/11/2003 - DJ de 9/12/2003, p. 2; DJ de
10/12/2003, p. 2; DJ de 11/12/2003, p. 2.
Imunidade Tributária - Instituições de Assistência Social sem Fins
Lucrativos - Entidades Fechadas de Previdência Social Privada -
Contribuição dos Beneficiários
A imunidade tributária conferida a instituições de assistência
social sem fins lucrativos pelo art. 150, VI, c, da Constituição,
somente alcança as entidades fechadas de previdência social
privada se não houver contribuição dos beneficiários.
Previdência Privada - Fechada (somente para um grupo de pessoas específico)
- Aberta (qualquer pessoa pode participar)
As Previdências Privadas Fechadas buscaram o judiciário, alegando que cumprem todos
os requisitos legais para serem imunes a impostos.
O executivo não concordava com isso, pois as imunidades visam apenas as entidades de
assistência social.
Seguridade Social - Previdência Social
- Saúde
- Assistência Social
O STF decidiu a incidência da imunidade analisando o sistema de financiamento. Se
tiver caráter contributivo é previdência. Se não tiver contribuição, tem caráter de
assistência social e é imune.
Exemplo de Previdência Privada Fechada que teve direito à imunidade
Comshell – não havia contribuição do empregado; somente do empregador.
RESUMO: Não se imuniza o gênero Seguridade Social. Somente se imuniza a
assistência social.
O Banco do Brasil criou o Previ 1 e o Previ 2, pois, no que tange ao Previ 1, já havia
arrecadado valores suficientes para garantir a aposentadoria dos contribuintes. O previ 2
(empregados novos) continuaram contribuindo. Mesmo assim a Previ 1 não ficou
imune, uma vez que mantinha o caráter contributivo.
Imunidade Cultural
- Imunidade dos livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão.
- As imunidades anteriormente analisadas o eram em razão do sujeito (imunidade
subjetiva).
- A imunidade ora analisada o é em razão do objeto (imunidade objetiva).
- Busca baratear o acesso à informação, à cultura, etc.
- Discutiu-se se revistas pornográficas seriam imunes, considerando, por alguns, que
isso não era cultural. Contudo, o judiciário entendeu que era imune, uma vez que a CF
não excetuou essa hipótese.
- Discutiu-se, também, a possibilidade de se tributar os jornais na parte que existiam
propaganda. O STF decidiu que não poderia tributar, uma vez que as propagandas não
desvirtuariam o caráter cultural dos jornais; ademais, as propagandas é que garantiam o
financiamento das informações.
- Discutiu-se, outrossim, acerca das listas telefônicas. Contudo, o STF também decidiu
que não pode tributar.
- Discute-se, da mesma forma, a tributação dos livros eletrônicos, uma vez que não
eram feitos de papel.
- Alguns votos do STF davam a entender que os livros eletrônicos não eram imunes.
Esse posicionamento decorreu da idéia de que, na assembléia constituinte de 88, tentou-
se deixar a lei mais ampla, de forma a abranger outras formas de comunicação; contudo,
essa idéia não foi aceita.
- O STF decidiu que os softwares cuja produção é de longa escala, que possui caráter
econômico, não possuía imunidade. Somente o software sob encomenda é imune.
- Quanto aos livros eletrônicos, Dias Toffoli, do STF decidiu que a imunidade é do
papel para a produção do livro (cola, tinta, etc., não é). Assim, o livro eletrônico não era
imune.
- Em prova, livro eletrônico não é imune.
- Há 01 decisão de turma do STF que decidiu serem imunes todos os insumos para
produção do livro. Contudo, não é o que prevalece.
Art. 150, § 5º, CF/88 – Princípio da Transparência Tributária
§ 5º - A lei determinará medidas para que os consumidores sejam
esclarecidos acerca dos impostos que incidam sobre mercadorias e
serviços.
A idéia é que a pessoa tenha ciência da carga tributária a que está sujeita.
- ICMS e ISS são obrigatórias as medidas para esclarecimento aos consumidores acerca
da incidência dos mesmos.
Art. 150, § 6º, CF/88 – Benefícios Fiscais
§ 6.º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo,
concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a
impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido
mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule
exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o
correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto
no art. 155, § 2.º, XII, g.
- Qualquer benefício fiscal deve ser instituído por lei específica (a lei não pode tratar de
outros assuntos); em tese, somente o povo pode dispensar a cobrança de tributo.
- O apontamento do art. 155, § 2º, XII, g diz respeito ao combate à guerra fiscal. Para a
concessão de isenção de ICMS, o Estado não pode conceder sozinho. Mister elaborar
um projeto e encaminhar ao CONFAZ (Ministério da Fazenda), os secretários (dos
Estados) votam e celebram um convênio. Somente poderá conceder a isenção se obter a
concordância de todos os Estados. O governador do Estado pode, ainda, não aprovar o
convênio.
- A isenção se dará por meio de decreto. É exceção à regra, que exige lei.
- O STF flexibilizou a regra da exigência de lei específica (basta que a lei tenha
pertinência temática com aquela matéria, bem como, notória ciência dos representantes
do povo acerca da matéria votada).
- LC 24 de 1975. (analisar)
30/03/2012
- Art. 151 – destinatários: vedações específicas para a União.
Art. 151. É vedado à União:
I - instituir tributo que não seja uniforme em todo o território
nacional ou que implique distinção ou preferência em relação a
Estado, ao Distrito Federal ou a Município, em detrimento de
outro, admitida a concessão de incentivos fiscais destinados a
promover o equilíbrio do desenvolvimento sócio-econômico entre
as diferentes regiões do País;
II - tributar a renda das obrigações da dívida pública dos Estados,
do Distrito Federal e dos Municípios, bem como a remuneração e
os proventos dos respectivos agentes públicos, em níveis superiores
aos que fixar para suas obrigações e para seus agentes;
III - instituir isenções de tributos da competência dos Estados, do
Distrito Federal ou dos Municípios.
Art. 152. É vedado aos Estados, ao Distrito Federal e aos
Municípios estabelecer diferença tributária entre bens e serviços,
de qualquer natureza, em razão de sua procedência ou destino.
I) Princípio da Uniformidade Geográfica da Tributação – a União não pode se utilizar
do seu poder de tributar para criar vantagens específicas para um ou alguns entes.
O princípio é aplicado, por analogia, também para os Estados, que não podem criar
regras de tributação diferentes para as cidades.
Exceção: Princípio da Uniformidade de Desenvolvimento do País. A união pode tributar
diferentemente, nas regiões menos desenvolvidas, para atrair desenvolvimento a estas
regiões. (ex: diminuir o IPI para certa região menos desenvolvida). Diminuição da
desigualdade de desenvolvimento.
II) Uniformidade da Tributação da Renda
III) Vedação às Isenções Heterônomas (Heterotópica) / ente diferente – as isenções em
tese poderiam ser autônomas ou heterônomas. Em geral são autônomas. Quem pode dar
a isenção é o ente competente para instituir o tributo.
Exceções:
1) ICMS nas exportações (art. 155, § 2º, XII, alínea “e”)
Quando a CF foi promulgada, o Art. 150, § 2º, X, “e”, previa a imunidade no ICMS
nos produtos industrializados. Os produtos primários ou semi-industrializados incidiam
ICMS, salvo se tivesse lei dando isenção; e a isenção poderia se dar por lei Federal
(LC). – isenção heterônoma –. Houve uma emenda à CF, passando a dar imunidade a
todos os produtos.
Após a EC essa passou a dizer o seguinte: Não existe ICMS para exportação de
qualquer produto; e a lei poderá isentar outros produtos. Ou seja, ainda existem regras
de isenção do ICMS nas importações; contudo, não há mais nenhuma vedação
2) Art. 156, § 3º, II
Art. 156. Compete aos Municípios instituir impostos sobre:
(...)
§ 3º Em relação ao imposto previsto no inciso III do caput deste
artigo, cabe à lei complementar:
(...)
II - excluir da sua incidência exportações de serviços para o
exterior.
- Isenção de ISS para exportação de serviços (ex: programação de um software)
- O Tratado Internacional pode exonerar tributos, inclusive Estaduais e Municipais.
STF
Quando a União firma TCI, ela não age como ente federado, mas como sujeito de
Direito Internacional. Busca o que é melhor para a nação. Nesta situação seria possível a
União conceder incentivos fiscais de competência dos Estados ou Municípios, sem que
isso fosse considerado uma afronta ao princípio.
GATT – Acordo Geral de Tarifas Aduaneiras – Tratado Multilateral
Objetivo: produto importado similar a um produto nacional, se este último possuir
incentivos fiscais, o produto importado gozará dos mesmos incentivos. (Não importa se
o incentivo é Federal, Estadual ou Municipal).
Art. 4º, Parágrafo único, CF/88
Integração dos países latino-americanos
Parágrafo único. A República Federativa do Brasil buscará a
integração econômica, política, social e cultural dos povos da
América Latina, visando à formação de uma comunidade latino-
americana de nações.
ALALC – Associação Latino Americano de Livre Comércio
Súmula 20 do STJ
STJ Súmula nº 20 - 04/12/1990 - DJ 07.12.1990
Mercadoria Importada - GATT - ICM - Similar Nacional
A mercadoria importada de país signatário do GATT é isenta do
ICM, quando contemplado com esse favor o similar nacional.
Súmula 71 do STJ (não é mais aplicável)
STJ Súmula nº 71 - 15/12/1992 - DJ 04.02.1993
Importação de Bacalhau - GATT - ICM
O bacalhau importado de país signatário do GATT é isento do
ICM.
Súmula 575 do STF
STF Súmula nº 575 - 15/12/1976 - DJ de 3/1/1977, p. 4; DJ de
4/1/1977, p. 36; DJ de 5/1/1977, p. 60.
Mercadoria Importada do GATT ou ALALC - Isenção do
Imposto Sobre Circulação de Mercadorias Concedida a Similar
Nacional
A mercadoria importada de país signatário do GATT, ou membro
da ALALC, estende-se a isenção do imposto sobre circulação de
mercadorias concedida a similar nacional.
Art. 152, CF
Art. 152. É vedado aos Estados, ao Distrito Federal e aos
Municípios estabelecer diferença tributária entre bens e serviços,
de qualquer natureza, em razão de sua procedência ou destino.
- A doutrina nomina de “Não Discriminação”. Não se pode tributar
discriminatoriamente em razão da procedência ou do destino. A União pode tributar
diferente em razão da procedência ou do destino (é o que permite ao Brasil, por
exemplo, participar do MERCOSUL); somente os Estados, o DF e os Municípios não
podem.
- Quando o Senado fixa a alíquota do imposto, poderá haver a diferenciação que não
haverá ofensa à norma do art. 152, CF.
- Mercadoria que não ingressou regularmente no Brasil, aplica-se a pena de perdimento;
mercadorias que ingressaram regularmente, aplica-se o GATT.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Memorizar os arts. 96 a 208, CTN
- Esses dispositivos possuem status de Lei Complementar
- Integra a legislação tributária, a norma geral e abstrata (e não a individual e concreta –
ex: auto de infração).
- Deve-se dar à palavra lei um sentido mais amplo, para integrar todas as normas gerais
e abstratas à legislação tributária.
- Art. 96, CTN
Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os
tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas
complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e
relações jurídicas a eles pertinentes.
13/04/2012
Legislação Tributária (CTN, 96)
- Leis (interpretação mais ampla: inclui todas as normas que tem uma força igual ou
superior à lei, que versa sobre Direito Tributário) – Emendas Constitucionais, Lei
Complementar, Lei Ordinária, Lei Delegada, Medida Provisória, Resoluções, Decreto
Legislativo, outras espécies normativas que nem existem mais no ordenamento jurídico
brasileiro, mas que foram recepcionadas pela CF/88 (art. 97)
- Tratados e Convenções Internacionais (art. 98)
- Decretos (art. 99)
- Normas Complementares (art. 100)
. Há limitação no poder de Emendar a Constituição (art. 64, § 4º, CF) – no que tange o
Direito Tributário (Forma Federativa e Direitos e Garantias Fundamentais).
LC
- Art. 146, CF
* Busca dar uma maior estabilidade às matérias
* Dirimir conflitos de competência (reservada à LC)
Ex: Cabe ao município decidir se a área é urbana ou rural (plano diretor); isso
influenciaria na determinação da competência acerca do IPTU (Municipal) ou ITR
(União).
* Cabe à LC dispor sobre normas gerais de Direito Tributário (inciso III).
LO
É o normal.
LD
Somente para alguns casos específicos.
MP
- Art. 62, § 2º, CF (só vale para impostos)
* O legislador deveria ter colocado para tributos em geral; contudo, colocou-se só para
impostos.
* a noventena conta da data de edição da MP; a anterioridade conta a partir da
conversão da MP em lei (só pode começar a vigi a partir do ano seguinte). Para as
demais espécies de tributo, começa-se a contar a partir da data de edição da MP.
* Cinco impostos que são exceções à regra:
- Quatro impostos que não obedecem a anterioridade: II, IE, IPI e IOF
- Imposto Extraordinário
Resoluções
- No Direito Tributário, resoluções do Senado possuem grande importância. É resolução
do Senado que fixa alíquotas de impostos Estaduais (ex: alíquota do IPVA). Como cada
Estado da Federação possui 3 senadores, concretiza-se uma equidade entre aqueles.
Decreto Legislativo
- No Direito Tributário, aquele que tem grande importância é aquele que firma
Convenções e Tratados Internacionais.
Duas questões que não precisam estar em lei:
- A 1º se extrai do art. 97, II
* só pode majorar tributo mediante lei (alíquota e base de cálculo).
. Em caso de aumento da base de cálculo do IPTU, o máximo que se pode aumentar sem
lei é a inflação. Em caso de, apenas atualização da base de cálculo de acordo com o
valor de mercado, pode aumentar-se (ou diminuir-se) por decreto. Aumento real, apenas
por lei.
. Fixação de prazo para pagamento do tributo pode ser por normas infra-legais.
- A 2ª se extrai do art. 98 (Tratados Internacionais)
- De acordo com a norma que cuida dos Tratados Internacionais, existem regras que
definem quando este entrará em vigor. O momento é quando o presidente promulga por
meio de um decreto executivo.
. Presidente: negociação e assinatura
. Congresso Nacional: aprovação por decreto legislativo
. Presidente: promulgação
Dois problemas acerca dos Tratados:
1º) não revoga a legislação anterior (aplica-se entre as partes em razão da
especialidade).
20/04/2012
2º) Serão observados pela legislação que lhes sobrevenha.
* Um tratado pode ser revogado por lei posterior; também, uma lei pode ser revogada
por um tratado.
* STJ – existem tratados que são chamados de tratados-lei; e outros tratados que são
chamados de tratados-contrato.
- Tratados - Lei
- Contrato
- A lei pode ser revogada por lei.
- Um contrato, geralmente, é tido como ato jurídico perfeito, e não pode ser revogado
por lei.
- Ainda não há prevalência na jurisprudência, mas o que tem prevalecido é que uma lei
não pode revogar um tratado-contrato.
IMPORTANTE: segundo o CTN uma lei posterior não pode revogar um tratado (art.
98, CTN).
Decreto
Art. 99, CTN
- Decreto será sempre regulamentar; sempre estará abaixo da lei.
- O alcance, o conteúdo do decreto não pode superar o alcance, o conteúdo da lei.
Normas Complementares
Art. 100, CTN
- abrange todas as normas que estejam abaixo dos decretos, que possuem a função de
esmiuçar o decreto.
I – atos administrativos normativos
* atos editados por uma autoridade para esmiuçar o decreto.
II – decisões administrativas normativas
* as decisões que não possuem abstração e generalidade, não integram a legislação
tributária. (a decisão de um caso particular – individual e concreta – não integra a
legislação tributária).
* (grifar) (...) a que a lei atribua eficácia normativa.
III – práticas administrativas
* Pequeno espaço para os costumes. Regra geral tem que estar na lei. (ex: costume de
funcionamento de um órgão)
* Parágrafo único do art. 100
* O costume não revoga uma lei; a própria lei diz que se aplica o costume.
* Exclui-se apenas juros, multa, etc.; entretanto, o próprio tributo continua sendo
devido.
IV – convênios
* os convênios integram a legislação tributária (como lei complementar) entre os entes
celebrantes.
VIGÊNCIA E APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA
- As normas gerais sobre a vigência (LINDB) das leis são aplicadas para a legislação
tributária; observadas as peculiaridades.
- Vigência - Espacial: âmbito territorial em que a norma vai vigorar para os seus
destinatários. A regra é a territorialidade (terá vigência no território do
ente que a expedir). O CTN trás exceções (art. 101): quando houver
previsão em convênio (ex: convênio celebrado entre dois estados, em
que se estabelece a aplicação da lei de um deles); quando houver
previsão em normas gerais. Arts. 119 e 120, CTN (o caso da criação de
outro ente federado (ex: Pará e Carajás) – o ente criado continua
utilizando da legislação do outro, até que entre em vigor a sua própria
legislação).
- Temporal: é o período durante o qual a lei obriga o seu destinatário. O
normal é que a lei diga quando ela entrará em vigor. Se não disser, a lei
entra em vigor no território nacional, 45 dias após a sua publicação, e 90
dias quando tiver vigência no exterior (LINDB). Exceções (arts. 103 e
104, CTN): O art. 103 cria exceções em relação às normas
complementares (supra analisadas). O artigo cria normas especiais (que
prevalecem sobre as gerais). Os atos normativos entram em vigor, se não
houver disposição de lei em contrário, na data da publicação. A decisão
dos órgãos coletivos e individuais, que tenha eficácia normativa entra em
vigor, quanto ao efeito individual e concreto, tem vigência imediata;
quanto ao efeito geral e abstrato, tem vigência 30 dias a partir da sua
publicação, salvo disposição de lei em contrário. – grifar quanto aos seus
efeitos normativos –. Os costumes, se já são costumes, já estão em vigor.
Assim, não há data para entrar em vigor. Os convênios, salvo disposição
de lei em contrário, na data em que estiver prevista (se não houver regra
especial aplica-se a regra geral – LINDB). O art. 104 cria regras de
vigência sobre imposto sobre patrimônio ou renda (IPTU, ITR, IPVA e IR
– alguns autores colocam, ainda, ITCD e ITBI; contudo, esses impostos,
tecnicamente, não são sobre patrimônio ou renda, e sim, sobre a
transferência). Entra em vigor no 1º dia do exercício seguinte, quando
houver revogado isenção (o STF já decidiu que revogação de isenção não
respeita o princípio da anterioridade). O legislador limitou para impostos
sobre patrimônio ou renda, porque esses têm fatos geradores anuais, e se
desse isenção após a ocorrência do fato gerador, somente poderia entrar
em vigor no outro ano.
27/04/2012
Art. 105 do CTN
* Princípio da irretroatividade da lei tributária. – vai além da irretroatividade do art.
150, III, a, CF – impede que se aplique a legislação tributária para qualquer que seja o
seu efeito.
- A norma constitucional não trás exceções ao princípio da irretroatividade da legislação
tributária. A regra da irretroatividade da lei tributária só se aplica aos artigos do art. 150
a 153-A, CF. A lei tributária só se aplica para fatos geradores futuros ou presentes. As
exceções quanto à aplicação para fatos geradores futuros ou presentes não se tratam
para a cobrança de tributos que ainda não existiam.
* Casos em que a lei se aplica ao passado:
Primeiro
Art. 106, incisos I e II, CTN
I – quando for expressamente interpretativa. Não cria uma nova regra de conduta, mas
apenas para interpretar a norma anterior.
LC 118/2005
- Art. 4º
* Diz que a parte da lei que seja interpretativa retroage.
- A lei normativa é aquela que trás uma nova regra de conduta; a que não trás uma nova
regra de conduta é uma norma interpretativa.
- REGRA BÁSICA: Norma interpretava pode retroagir.
- A norma retroativa não pode aplicar penalidade.
Segundo
- A lei tributária penal retroage para beneficiar o infrator.
. Direito tributário-penal – a norma é essencialmente tributária
. Direito penal-tributário – a norma é essencialmente penal
- A lei tributário-penal sofre influências do direito penal – a lei benéfica retroage para
atingir o infrator.
IMPORTANTE:
1. A norma retroage somente para casos de infração (ex: multa). Para fins de cobrança
de tributo, aplica-se a lei contemporânea ao fato gerador.
2. A norma para casos de infração somente retroage se não houver coisa julgada
(retroage até o fim do processo; até antes, por exemplo, da praça para vender bens). Art.
106, inciso II, CTN.
Art. 108, CTN
* Na falta de disposição expressa da lei, não se aplica os métodos da LINDB. Aplica-se
a regra específica contida no mencionado artigo (aplicação sucessiva). A razão dessa
norma é que o Direito Tributário é muito legalista; o ideal é que tudo estivesse na lei;
contudo, como não é possível, determina-se o procedimento para colmatar a lacuna, em
um mínimo de espaço de interpretação. Ainda, nos parágrafos, restringe-se a utilização
do primeiro e do último método (analogia e equidade).
Arts. 109 e 110, CTN
* Devem ser interpretadas em conjunto.
* Uma define os aspectos privados (e limita a interpretação dos institutos tributários);
Outra define os aspectos tributários (e limita a interpretação dos institutos privados,
quando forem utilizados pelas leis previstas no art. 110).
- Interpretação a contrario sensu – de uma vedação para certos casos consegue-se tirar
autorizações para outros
INTENÇÃO DOS ARTS. 109 E 110 - Serve para se interpretar uma norma de direito
tributário com vários institutos da área privada.
Art. 111, CTN
* O art. diz que algumas regras tributárias devem ser interpretadas de forma literal. Na
verdade, o legislador quis dizer que a interpretação das normas tributárias não pode ser
feita por analogia, de forma a ampliar a sua intenção. (pode haver interpretação
sistemática, teleológica, etc.; o que não pode é interpretar por analogia ampliando a
intenção da norma)
* As normas de exceção devem ser interpretadas de forma restritiva, literal.
- suspensão e exclusão do crédito (são exceções)
- outorga de isenção (são exceções)
- dispensa de cumprimento de obrigações acessórias (são exceções)
Art. 112
* Outra influência do direito penal no direito tributário (em matéria de infrações).
* Trás a regra do indubio pro reo – em matéria de infrações, na dúvida, deve se adotar a
solução mais favorável àquela pessoa que está sendo acusada.
04/05/2012
Fato, no sentido terminológico, é algo que aconteceu no mundo concreto.
A lei tributária usa a expressão “Fato Gerador” em dois sentidos:
FG - em concreto – fato gerador em sentido estrito.
- em abstrato – é o que está previsto em lei abstratamente (hipótese de incidência).
Fato Gerador = Hipótese de Incidência
Fato da Vida # Hipótese de Incidência
Ocorrido o FG ----------- nasce a obrigação tributária
Obrigação Tributária
- Aspecto Causal
- Aspecto Temporal (é fundamental saber a data correta da ocorrência do fato gerador,
para se identificar a legislação a ser aplicada).
- Aspecto Subjetivo (sujeito)
- Aspecto Objetivo (objeto)
- Espacial
Art. 113, CTN
- A obrigação tributária pode ser principal ou acessória (diferente do direito civil, no
direito tributário, principal e acessória, são vistos pelo conteúdo).
. Obrigação de dar é tida como obrigação principal (pagar, seja tributo, seja multa –
obrigação tributária).
. Obrigação de fazer ou não fazer é tida como obrigação acessória. Obrigação
Instrumental. (entregar IR, emitir NF, não rasurar escritura, etc.).
A multa é considerada uma obrigação tributária, para propiciar ao Estado, em regra,
cobrá-la nos mesmos moldes do tributo (no mesmo regime jurídico, no mesmo ato, no
mesmo lançamento, etc.). Exceção – processo de falência.
O vínculo entre o principal e o acessório, diferente do direito civil, que é umbilical,
no direito tributário, é mais tênue.
A obrigação acessória tem um caráter instrumental. Não possui uma finalidade em si
mesma; visa uma finalidade maior (que é a obrigação principal).
Art. 113, § 3º
- O descumprimento de uma obrigação acessória pode dar ensejo a uma obrigação
principal.
. A doutrina critica essa norma. Seria melhor se o CTN houvesse dito que o
descumprimento de uma obrigação acessória é fato gerador de uma obrigação principal.
Contudo, adotar, em concurso, que o descumprimento de uma obrigação acessória pode
dar ensejo a uma obrigação principal.
Art. 114
Obrigação principal é a situação prevista em lei (grifar lei)
Art. 115
Obrigação acessória é qualquer situação prevista na legislação (grifar legislação)
. Vale lembrar que legislação tributária é muito ampla; ou seja, pode estar até em
decreto. Vários autores dizem que isso é inconstitucional, pois deveria estar prevista em
lei, e não, em mera legislação. Na prática brasileira, existem várias obrigações
acessórias previstas em ato que não a lei.
. Muitos autores defendem que é legítima a instituição de obrigações acessórias por
meio de decreto, uma vez que este serve para dizer como a lei deve ser cumprida. E esta
tese é a que tem prevalecido.
Aspecto Temporal
Art. 116, CTN
O fato gerador da obrigação tributária pode ser definido como uma situação de fato ou
uma situação jurídica.
- Situação jurídica é aquela prevista em lei com conseqüências jurídicas.
- Situação de fato é aquela que não possui conseqüências jurídicas.
. O legislador, ao definir o fato gerador, ou pode escolher uma situação jurídica, já
prevista em lei, ou pode escolher uma situação de fato, que até então não possui
qualquer conseqüência jurídica.
. Quando o fato gerador se der com base em uma situação jurídica, o fiscal terá que
analisar o que está previsto no direito aplicável. Quando o fato gerador se der com base
em uma situação de fato, o fiscal terá que verificar se estão presentes as circunstâncias
materiais que normalmente são próprias daquela situação.
- Situação de fato --- circunstâncias materiais
FG esse cruzamento está errado
- Situação jurídica --- direito aplicável
Art. 117, CTN
Situações - Condicionadas
- Não Condicionadas
. Condição - Suspensiva (o negócio está perfeito e acabado quando houver a
implementação da condição)
- Resolutória (o negócio já está perfeito e acabado, contudo, ocorrendo a
condição resolutória, o negócio é resolvido)
Art. 116, Parágrafo único, CTN
* Norma geral anti-lesão fiscal
- Fuga ao Pagamento do Tributo
. Elisão Fiscal (é um comportamento lícito)
. Evasão Fiscal (é um comportamento ilícito)
Elisão é planejamento fiscal. O momento da realização é, em regra, anterior ao FG.
(ex. de exceção à regra: elisão no momento da entrega da declaração do IR – ou o
contribuinte entrega a declaração completa ou simplificada).
Evasão é a fuga ilegal. A evasão não é planejada, ela é escondida. Normalmente
ocorre, em regra, em momento posterior ao FG. (ex: notas fraudulentas no ICMS. O ato
ilícito é anterior ao FG – saída da mercadoria –).
- Elisão Ineficaz – quando há uma dissimulação de um negócio jurídico, para fugir da
tributação, o fiscal poderá desconsiderar (não é desconstituir, que significa desmanchar)
essa dissimulação e aplicar os atos previstos em lei. – Parágrafo único do art. 116 –
* A doutrina tem chamado essa prática, também, de Elusão.
11/05/2012
Pólo Ativo e Passivo da Obrigação Tributária
Sujeito Ativo: é a pessoa de direito público titular da competência para exigir o seu
cumprimento.
Sujeito Passivo: é a pessoa obrigada a pagar o tributo ou a punição pecuniária
Sujeito Ativo
* O ente público pode delegar a competência para exigir o cumprimento (promover os
atos de cobrança).
* É indelegável a competência para instituir um tributo.
- Capacidade Tributária Ativa - Criar (indelegável)
- Arrecadar (delegável)*
- Fiscalizar (delegável)*
- Executar (delegável)*
* essas funções são delegáveis
- Pelo CTN (art. 7º) somente pode ser delegada para uma pessoa de direito público.
- O STJ tem uma súmula (396) que diz que confederação nacional de agricultura
(pessoa de direito privado) tem capacidade ativa para cobrar contribuição sindical
rural (tradicionalmente pelo mesmo ente público competente para cobrar o ITR – esse
ente era o INCRA). Contudo, a decisão que gerou a súmula, percebe-se que o que
estava sendo discutido era outro assunto (competência para cobrar ITR). Ocorre que,
na ocasião não havia nenhum ente competente para cobrar a contribuição sindical
rural. Assim, para solucionar o problema, transferiu-se a cobrança do ITR e da
contribuição sindical rural. PS: o STJ não autorizou a delegação para cobrar tributos
para pessoa jurídica de direito privado.
REGRA: SÓ A PESSOA DE DIREITO PÚBLICO PODE EXERCER A FUNÇÃO DE
COBRAR TRIBUTOS. SOBRETUDO PORQUE NO EXERCÍCIO DE COBRAR
TRIBUTO EXIGE PODERES TÍPICOS DE ESTADO (DE IMPÉRIO).
- Quando há desmembramento de estado, salvo disposição de lei em contrário, o ente
que se desmembrou se subroga no direito do ente antigo (que perdeu o território), para
cobrar créditos tributários pertinentes a este último.
Sujeito Passivo
* O sujeito passivo é aquela pessoa que deve recolher o tributo.
* O sujeito passivo pode ser o contribuinte ou responsável.
- Sujeito Passivo - Contribuinte
- Responsável
* O Estado não dispõe de mecanismos suficientes para cobrar o tributo, sempre,
diretamente do contribuinte. Assim, o Estado ele pessoas responsáveis para arrecadar
o tributo.
Ex: IR recolhido, pela empregadora, diretamente da folha de pagamento do contribuinte.
Contribuinte é o empregado; Responsável é a empregadora.
* Se a pessoa possui relação pessoal e direta com o fato gerador, ela é contribuinte.
* Se a pessoa não possui relação pessoal e direta com o fato gerador, ela é
responsável.
* A mera passagem de mercadoria no território brasileiro não é fato gerador de
Imposto de Importador.
Art. 121, Parágrafo único, CTN
(classificação de contribuinte/responsável)
* A classificação só é válida para obrigações principais; para obrigações acessórias
figura sempre o contribuinte.
Art. 123, CTN
* A convenção entre particulares, não afeta a definição de sujeito passivo.
(Ex: convenção entre locador e locatário quanto à obrigação de pagar o IPTU – salvo
disposição legal em contrário, a obrigação é do proprietário).
SOLIDARIEDADE TRIBUTÁRIA
- Quando há mais de um credor, e todos têm o direito de exigir o cumprimento da
obrigação, tem-se solidariedade ativa. Contudo, no Direito Tributário somente pode
existir um sujeito ativo; assim, não haverá solidariedade ativa.
* Ou figura o ente que criou o tributo como sujeito ativo, ou figura o ente que recebeu a
delegação.
- Quando há mais de um devedor e todos têm o dever de recolher o tributo, tem-se
solidariedade passiva.
Art. 124, CTN
- Solidariedade Natural (inciso I)
- Solidariedade Legal (inciso II)
* O inciso I trás uma hipótese em que há um interesse comum entre pessoas que incide
no fato gerador do tributo.
(ex: 3 proprietários de um imóvel, responsáveis solidariamente ao pagamento do IPTU)
* Há solidariedade quando mais uma pessoa pratica o mesmo fato gerador.
Art. 125, CTN
* Os efeitos da solidariedade:
- O pagamento de um aproveita a todos os demais.
- A concessão de isenção ou remissão favorece aos demais, salvo quando for concedido
em caráter pessoal.
(ex: benefício concedido em razão de caráter geral – rendimento de poupança;
benefício concedido em razão de caráter pessoal – compra de um carro por deficiente
físico)
Art. 125, II, CTN
(ex: se o benefício for concedido somente a um dos contribuintes solidários, havendo
responsabilidade por cota, exclui-se essa cota e permanece a responsabilidade do
saldo)
- A interrupção do prazo em prescrição favorece aos demais.
* o mesmo raciocínio vale para o caso de suspensão do prazo prescricional.
Art. 126, CTN
- É irrelevante se o ato é válido ou inválido para a ocorrência do fato gerador.
(ex: a obtenção de renda por meio ilícito incide IR da mesma forma)
- Independe para a responsabilidade contributiva passiva, o fato de a pessoa jurídica
estar regularmente constituída.
Art. 127, CTN
- Domicílio Fiscal
* Na falta de eleição do domicílio fiscal:
. O domicílio pode ser recusado quando dificultar ou impedir a fiscalização do tributo.
Assim, é preciso fundamentar o domicílio fiscal.
. A eleição do domicílio vincula o Fisco. Se o Fisco quiser notificar o contribuinte em
local diverso daquele eleito, deverá comprovar a incoerência do domicílio.
. Se não houver domicílio eleito o domicílio, este será a residência habitual ou o local
aonde se exerce a atividade.
. Se não for aplicável nenhuma das regras, vale o local dos bens ou o local dos atos que
deram origem à obrigação.
. Pessoas jurídicas de direito público, em qualquer repartição pública do ente público no
território nacional.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA
Arts. 128 a 138, CTN
- Essa parte do CTN é a que gera mais dúvidas (no código, grifar a modalidade e
responsabilidade)
18/05/2012
Classificação Doutrinária
Responsabilidade tributária pode se dá por duas formas:
- Por substituição: uma pessoa substitui a outra quanto à responsabilidade tributária (ex:
Imposto de Renda).
- Por transferência: a responsabilidade é transferida para uma terceira pessoa (ex:
sucessão causa morte).
* Essa classificação toma como base o momento que essa obrigação é repassada.
- Responsabilidade tributária por substituição:
Para frente = progressiva = subseqüente
* Na substituição para frente acontece a antecipação
* Cadeia capilarizada (várias empresas)
Bar
ICMS 1, 2 e 3 Distribuidora Bar
AMBEV Distribuidora Bar
Distribuidora
ICMS 1 ICMS 2 ICMS 3
O ICMS é recolhido no começo.
Visa simplificar a fiscalização.
Questionou-se se poderia recolher o ICMS antes da mercadoria sair do
estabelecimento.
O STJ entendeu que não se cobra o tributo de forma antecipada; só se exige o
recolhimento antecipado.
O STF entendeu que o quê acontece é o recolhimento cautelar; não é cobrança
antecipada.
Se tudo ocorrer normalmente, o tributo recolhido cautelarmente servirá como tributo
pago; se não ocorrer normalmente, o tributo deverá ser devolvido (restituído ao
substituído).
O cálculo é realizado por presunção da cadeia e do preço que a mercadoria será
vendida.
Em caso de divergência de valor faz-se reajuste? Os Estados se reunirão e decidiram
que não se faz reajuste (ficaram 4 Estados de fora – São Paulo, Paraná, Pernambuco...).
O STF entendeu que as leis estaduais que diziam que não precisava fazer reajuste.
Os Estados divergentes, então, moveram uma ADI para declarar a
inconstitucionalidade de suas leis, pleiteando efeito modulado para ter que fazer o
reajuste dos tributos já gerados. A decisão ainda está pendente perante o STF.
Art. 150, § 7º, CF
Para trás = regressiva = antecedente
* Na substituição tributária para trás o tributo vai ser recolhido de maneira diferida.
ICMS 1 ICMS 2 + 1
Empresa A Parmalat Consumidor
O ICMS é recolhido no final
- O CTN Classifica em responsabilidade
. Responsabilidade por sucessão
Arts. 129 a 133, CTN
A regra é igual para bens móveis e imóveis. Quem comprou um bem, móvel ou
imóvel, em que há pendência de um tributo, passa a ser devedor desse tributo.
Contudo há exceções:
Art. 130, CTN
grifar: bens imóveis, tais bens, contribuição de melhoria – isso para destacar que o
art. só trata de bens imóveis; portanto, a exceção prevista no final do art. só vale para
bens imóveis.
Art. 130, Parágrafo único, CTN
arrematação em ata pública... a pendência de tributo não é repassada ao adquirente.
Também só vale para imóveis.
Art. 131, CTN
refere-se a adquirente de bem móvel. A norma do art. 131 não tem exceções (não se
aplica as exceções do art. 130) – Há apenas uma decisão de turma do STJ aplicando a
exceção.
. Responsabilidade de terceiros
Arts. 134 a 135, CTN
- Causa Morte
Há um erro quando fala de cônjuge meeiro. Na verdade o cônjuge é dono da meação
até mesmo durante o casamento. Assim, o cônjuge não vai ser responsável pela sua
parte da meação; ele já é contribuinte. Em concurso, adotar como o código coloca.
O STJ tem entendimento de que a multa proveniente de pena, não repassa ao cônjuge,
em atenção ao princípio da pessoalidade da pena (juros, correção monetária, multa de
mora – repassam).
Art. 132, CTN
A sucessão empresarial gera sucessão tributária.
A transformação da PJ Ltda para PJ S/A gera sucessão tributária.
A+B = C (fusão)
A+B = A (incorporação)
A Ltda = A S/A (transformação)
Art. 132, Parágrafo único, CTN
Se há a sucessão do empresário, mas, continua-se a mesma empresa, ocorre,
outrossim, a sucessão tributária.
Art. 133, CTN
A responsabilidade pode ser integral ou subsidiária.
24/05/2012
Art. 133, § 2º, CTN
Art. 134, CTN
Requisitos para responsabilização de terceiros:
Impossibilidade de exigência ao contribuinte
. Inicialmente tem-se que cobrar do contribuinte. O terceiro responde de forma
subsidiária (há um erro técnico do CTN, que diz que a responsabilidade é solidária). –
se indicar “segundo o código”, seguir a literalidade da norma –.
Ação ou omissão imputável ao terceiro
. Mister haver um erro do terceiro
* Atenção ao último inciso do art. 134, CTN
. Somente pode responsabilizar o sócio gerente, administrador, quando este fez algo de
errado.
. O mero inadimplemento tributário, não justifica, por si só, se voltar o
redirecionamento da cobrança do crédito tributário para o sócio gerente.
. Presume-se dissolvida irregularmente aquela empresa que deixar de funcionar no seu
endereço regularmente, podendo ser redirecionada a cobrança do crédito tributário
para o sócio gerente.
Súmulas 430 e 435 do STJ
. Se o sócio gerente pratica um ato de forma não permitida pelo contrato social, aquele
responde pelo crédito tributário.
Súmula 392
. A modificação da certidão de dívida ativa para corrigir erro é permitida; é proibido,
entretanto, mudar o responsável pelo pagamento do débito tributário.
. De acordo com o CTN, a lei pode criar novos casos de responsabilidade dos sócios
pelos créditos tributários.
Lei do Simples: possui 1 caso em que o sócio é responsável pelos créditos tributários
– o sócio pode dar baixa na empresa na junta comercial sem apresentar CND.
Contudo, se der baixa sem apresentar a CND, o sócio responde. (PS: não cai em prova)
. Responsabilidade por infrações
Arts. 136 a 138, CTN
Art. 137, CTN
. Dolo específico de prejudicar a empresa. Uma pessoa física responde pessoalmente,
com multa, por uma infração praticada intencionalmente para prejudicar uma pessoa
jurídica.
. Se a pessoa praticou um crime ou contravenção, ela será responsabilidade
pessoalmente (tributariamente), salvo se estiver cumprindo ordem da empresa, ou se
agiu no estrito cumprimento de seu emprego.
. Outros (vide artigo)
* tanto o art. 137 quanto o 135 fala de responsabilidade pessoal. Contudo, o 135 é
responsabilidade do terceiro; e o 137 fala de responsabilidade por infrações.
Art. 136, CTN
- A responsabilidade pelo ilícito tributário é objetiva; independe da intenção do agente.
- Entretanto, é possível que a lei, apesar de manter a responsabilidade como objetiva,
comprovando-se o dolo, aumenta-se a multa.
- Disposição de lei em contrário pode tornar a responsabilidade subjetiva (pode
depender da intenção do agente).
Art. 138, CTN
- Denúncia Espontânea de Infrações
- Incentivos que a lei dá para aquelas pessoas que estão cometendo um ilícito, volte para
a legalidade.
- O infrator não terá nenhuma pena.
- Não se considera espontânea aquela denúncia realizada após qualquer ato para
apuração de uma infração.
* Existem 4 decisões importantes acerca de denúncia espontânea
Primeira
- A denúncia espontânea só exclui a possibilidade de multa se for acompanhada do
pagamento (salvo se for o caso de restituição; neste caso, abaterá no valor a ser
restituído).
25/05/2012
Segunda
- Só se aplica a denúncia espontânea para as obrigações tributárias principais. Não se
aplica o benefício da denúncia espontânea o descumprimento de obrigações meramente
formais (obrigações espontâneas).
Terceira
- Existem 2 tipos de multas:
Multa de Mora (0,33% ao dia; máximo de 20%)
Multa de Ofício por irregularidade mais grave (75%)
- A multa de mora não é excluída com a denúncia espontânea. Exclui-se, apenas, a
multa punitiva (multa de ofício).
- No judiciário, o contribuinte fica isento de qualquer multa, tanto de mora quanto de
ofício, pois a lei não faz diferenciação entre as espécies de multa.
Quarta (mais importante)
Súmula 360 do STJ
CRÉDITO TRIBUTÁRIO
- Acontece um fato gerador; surge uma obrigação tributária.
Art. 142, CTN (definição de lançamento)
* Compete privativamente à autoridade fiscal: apesar de estar escrito privativamente, o
caráter é de exclusividade. Não se pode delegar nem se pode avocar.
* Nem mesmo o judiciário pode alterar o lançamento fiscal; pode até anular, mas não
alterar.
* O lançamento tem natureza constitutiva do crédito tributário. Esse posicionamento
contestado pela doutrina, sob a alegação que possui natureza meramente declaratória – o
crédito tributário já existe; ele é apenas declarado. Contudo, o CTN diz que compete à
autoridade administrativa constituir o crédito tributário para lançamento.
* De acordo com o CTN, o lançamento é declaratório, também, mas da obrigação
tributária.
. Na prova dizer que a natureza jurídica do lançamento é constitutiva.
* Síntese: Lançamento constitui crédito e declara a obrigação.
* Procedimento tendente a fazer...
. É um ato ou procedimento? Há divergência:
O CTN diz que é procedimento e não ato, como dito por alguns autores.
* Sendo o caso propor a aplicação da penalidade cabível.
. A maioria da doutrina diz que há um erro do código, pois o próprio auditor fiscal, que
é quem faz o lançamento, deve aplicar a penalidade cabível. (em prova, na literalidade,
aplicar o que está no código).
* Parágrafo único, art. 142, CTN – responsabilidade funcional.
- O momento em que acontece o fato gerador é a data base para irradiar as bases de
cálculo do tributo (taxa de câmbio)
Art. 144, CTN – Aplica-se a legislação aplicável na data do fato gerador.
. Aplica-se a Legislação Material da data do fato gerador. A Legislação Processual
(formal) é a legislação vigente na data do fato gerador (atual).
Art. 144, § 1º, CTN
- Aplicação da legislação procedimental (formal).
. Criar novos critérios ou procedimentos de fiscalização
. Ampliado os poderes da autoridade administrativa
. Outorgado ao crédito tributário maiores garantias e privilégios, exceto...
art. 145, CTN
- Casos de alteração de lançamentos já notificados:
I) Impugnação do sujeito passivo
* essa alteração pode ser para majorar ou minorar o tributo ou pena (cabe o
reformatio in pejus). Em processo administrativo, vale o princípio da verdade material.
II) Recurso de Ofício
* Quando o órgão de 1ª instância derruba a autuação de fiscalização e é um valor
superior ao limite de alçada.
III) Iniciativa de ofício da autoridade administrativa (art. 149, CTN)
* Quando a administração pretende corrigir um lançamento realizado.
- Há uma quarta hipótese de alteração, que é o Recurso Voluntário. Contudo, como não
foi citado no CTN, normalmente cita-se apenas as três hipóteses acima.
- Não pode haver alterações se já houver transpassado o tempo para fazê-lo
(decadência).
Art. 146, CTN
- Proibir que se faça revisão de lançamento em virtude de erro de direito (ex: mudança
de critérios para definir se um imóvel é residencial ou comercial; somente pode ser
utilizado os novos critérios para os novos lançamentos).
MODALIDADES DE LANÇAMENTO
- Lançamento de Ofício ou Direto
* Não há a participação do particular. (ex: IPTU, IPVA)
- Lançamento Por Declaração ou Misto – Art. 147, CTC –.
* Há um misto de participação; o sujeito passivo faz uma parte e o ativo faz outra. Não
é pelo fato de existir uma declaração, que o lançamento é por declaração. O que
importa é verificar quem calcula o tributo. (Ex: Imposto de Importação Sobre Bagagem
Acompanhada). Grifar a expressão “de fato”.
- Lançamento Por Homologação ou “Autolançamento” – art. 150, CTN –.
* O particular faz quase tudo, a não ser homologar. (Ex: O IR é lançamento por
homologação, pois é o próprio particular quem calcula).
Todo e qualquer tributo pode ser lançado de ofício, desde que haja erro ou omissão
do contribuinte.
15/06/2012
Lançamento por homologação
Art. 150, CTN
§ 4º
...considera-se homologado (homologação tácita).
Lançamento por arbitramento
Art. 148, CTN
* Utiliza-se uma técnica para fixar o preço de uma mercadoria para fazer um
lançamento por arbitramento.
HIPÓTESES DE SUSPENSÃO, EXCLUSÃO E EXTINÇÃO DO CRÉDITO
Art. 139, CTN
- Rol exaustivo
Art. 141, CTN
Art. 141. O crédito tributário regularmente constituído somente se
modifica ou extingue, ou tem sua exigibilidade suspensa ou
excluída, nos casos previstos nesta Lei, fora dos quais não podem
ser dispensadas, sob pena de responsabilidade funcional na forma
da lei, a sua efetivação ou as respectivas garantias.
Art. 151, CTN
Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário:
I - moratória;
II - o depósito do seu montante integral;
III - as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras
do processo tributário administrativo;
IV - a concessão de medida liminar em mandado de segurança.
V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em
outras espécies de ação judicial;
VI – o parcelamento.
* O CTN somente disciplina a moratória e o parcelamento
* Os incisos de II a V presume-se um litígio.
Inciso II
. Mister depositar, em dinheiro, o valor integral do que está sendo exigido.
. Não confundir com o depósito recursal, que foi julgado inconstitucional pelo STF. O
arrolamento de bens também foi julgado inconstitucional pelo STF – Súmula
Vinculante nº 21 –.
Inciso III
. Cada ente federativo cria a sua própria lei para disciplinar as reclamações e recursos
administrativos tributários; os entes federativos possuem grande discricionariedade
para criar a sua própria lei, contudo, tem que dar a suspensão.
Inciso IV
. O juiz não pode, por meio de liminar, impedir o fiscal de lançar o tributo, pois gera
um perigo de dano irreversível para o fisco, já que o fiscal possui um prazo
decadencial para lançar o tributo.
. Não pode uma liminar ser condicionada ao depósito do montante legal do tributo,
uma vez que a própria lei já concede a suspensão com o depósito.
I - Moratória
. É uma dilação do prazo, concedida por lei, normalmente em uma hipótese especial. É
um prazo maior para que a pessoa pague o tributo.
Art. 152, I e II, CTN
- A moratória pode ser concedida em caráter geral ou individual:
I – em caráter geral: é quando não depende de nenhuma característica do indivíduo (ex:
isenção dos rendimentos da caderneta de poupança)
a) autônoma: decorre da autonomia do ente público.
b) heterônoma: permite-se que a União conceda moratória de tributo alheio. (em
nenhum momento a União valeu dessa prerrogativa, por isso nunca foi questionada a
constitucionalidade da norma – na prova colocar como válido).
II – em caráter individual.
- A moratória não tem juros ou multa, pois se está pagando dentro do prazo
(posicionamento do Prof. Ricardo Alexandre, adotado pelo STJ).
Art. 155, CTN
Art. 155. A concessão da moratória em caráter individual não gera
direito adquirido e será revogado de ofício, sempre que se apure
que o beneficiado não satisfazia ou deixou de satisfazer as
condições ou não cumprira ou deixou de cumprir os requisitos
para a concessão do favor, cobrando-se o crédito acrescido de
juros de mora:
I - com imposição da penalidade cabível, nos casos de dolo ou
simulação do beneficiado, ou de terceiro em benefício daquele;
II - sem imposição de penalidade, nos demais casos.
Parágrafo único. No caso do inciso I deste artigo, o tempo
decorrido entre a concessão da moratória e sua revogação não se
computa para efeito da prescrição do direito à cobrança do
crédito; no caso do inciso II deste artigo, a revogação só pode
ocorrer antes de prescrito o referido direito.
Obs.: é aplicável à moratória, ao parcelamento, à remissão, à isenção e à anistia.
29/06/2012
Art. 156, CTN
* Uma lei específica vai dispor sobre o parcelamento (uma lei específica de cada ente da
federação).
LC 118/2005
* Adaptou o CTN à nova lei de falência. A lei inseriu novos §§ ao art. 156 do CTN.
EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO
- O prazo que o fisco tem para fazer o lançamento é decadencial.
- O prazo que o fisco tem para promover a execução fiscal é prescricional.
* Primeiramente corre o prazo decadencial; após o lançamento COMEÇA o prazo
prescricional.
Art. 156, inciso V, CTN
* Tanto a prescrição quanto a decadência extinguem o crédito tributário. E quem pagou
erroneamente tem direito a restituição.
Termo Inicial do Prazo decadencial
I) Regra Geral – art. 173, I, CTN (lançamento de ofício e por declaração)
O termo inicial não é o dia do fato gerador, mas do primeiro dia do exercício seguinte
àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
II) Regra da Antecipação da Contagem – Art. 173, Parágrafo único, CTN
Se antes de chegar no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento
poderia ter sido efetuado, o fisco iniciar a constituição do crédito tributário pela
notificação, ao sujeito passivo, o prazo prescricional começa a contar dessa data.
III) Anulação de Lançamento por VÍCIO FORMAL – Art. 173, II, CTN
* É o vício que não tem correlação com o conteúdo.
Se a anulação for por vício formal o prazo zera. (absurdo!)
* Se a anulação decorrer de vício material, não reabre o prazo.
IV) Conjunto de regras aplicáveis ao lançamento por homologação.
Art. 150, § 4º, CTN
* Na homologação tácita conta-se o prazo a partir do FG e não do pagamento.
a) Há pagamento – Art. 150, § 4º, CTN
b) Não há pagamento; não há declaração – Art. 173, I, CTN
* aplicável, também, quando há dolo, fraude ou simulação.
c) não há pagamento; há declaração –
* Crédito Tributário Constituído
* Não cabe denúncia espontânea (Súmula 360 do STJ)
* Inscrição na Dívida Ativa, sem direito de defesa
* Autoriza a negativa de CND (Certidão Negativa de Débito) e CPEN (Certidão
Positiva Com Efeitos de Negativa)
PRESCRIÇÃO
- Conta-se a prescrição a partir da constituição definitiva do crédito. A constituição
definitiva ocorre após o prazo para impugnação e pagamento.
Casos de interrupção da prescrição
Art. 174, Parágrafo único, CTN
- Grifar juiz, judicial, judicial e extrajudicial para ver que é diferente.
Parcelamento – basta o pedido para interromper a prescrição; não precisa ser
deferido, pois há uma confissão de dívida.