I - Considerações Iniciais:
I.1. Direito penal processual brasileiro possui: presunção de culpabilidade, legislação com características autoritárias,
prevalecendo a segurança pública em detrimento da liberdade;
Sistema procedimental:
•
-
Sistema Inquisitório: um único órgão (juiz) acusa e julga.
• Sistema Acusatório: separação dos orgaos de acusação e julgamento (sistema adotado no Brasil)
• Sistema Misto: o juiz de instrução investiga, após isso, outro juiz acusa.
III. Princípios Fundamentais do Processo Penal: não existe exceção para juiz natural
III.1. Juiz Natural: proibição de tribunal de exceção. Há a necessidade de um órgão previamente constituído para o
processamento de crimes, antes do seu cometimento.
III.2. Direito ao silêncio e não autoincriminação (Art. 5º, LXIII CF): Direito a não falar, bem como de não produzir provas
contra si mesmo.
III.3. Contraditório: Garantia de participação, em simetria, paridade e intensidade entre as partes envolvidas no processo.
Sua não observância gera nulidade absoluta;
III.4. Ampla Defesa: (Art. 5º, LV da CF/88): Possibilidade de utilizar todos os meios juridicamente permitidos para a defesa.
III. 5. Estado de Inocência: Ninguém será considerado culpado, nem tratado como tal, antes do trânsito em julgado da
sentença: Implica em:
• Todos os fatos debatidos em juízo que incriminem o réu, devem ser provados pela acusação, mesmo os defensivos (exs:
exclusão de ilicitude e de culpabilidade, etc.);
• Todas as medidas restritivas de liberdade anteriores à sentença final condenatória, devem ser transitória e terminar o mais
rápido possível, devendo ser sempre fundamentada;
III. 6. Proibição de revisão pro societate: Uma sentença favorável ao réu não pode, em grau de recurso ou revisão criminal,
ser agravada pelo órgão ad quem, nas seguintes situações:
• Réu condenado em primeiro grau a três anos de reclusão, por exemplo. Só a defesa apela, o Tribunal não pode
aumentar essa sanção ou agravá-la;
• Havendo sentença absolutória transitada em julgado: mesmo havendo erro, vício, incompetência absoluta, etc: não é
possível revisão criminal pro societate. Exceção: Falsa certidão de óbito apresentada pelo réu (STF: HC 84525/MG e HC
104998/SP), pois o erro não decorreu do Estado e sim foi produzido pelo réu;
III. 7. Inadmissibilidade de provas ilícitas: Art. 5º Inciso LVI da Constituição Federal de 1988, e Lei n.11.690, de 9/6/2008,
que deu nova redação ao art. 157 do CPP; comprovação do
dano efetivo
• São também inadmissíveis as provas derivadas das ilícitas, salvo quando não evidenciado o nexo de causalidade
entre umas e outras, ou quando as derivadas puderem ser obtidas por uma fonte independente (aquela que por si só,
seguindo os trâmites da investigação ou instrução, seria capaz de conduzir ao fato objeto da prova.
recebe
resposta da audiência de
Inquérito Policial - Art. 4º ao 23
IPL >
-
justiça MP Juiz instrução e
1. – Inquérito Policial: oferece acusação
indicios de autoria e denuncia julgamento
• Fase pré-processual materialidade
• Procedimento Investigatório – obter indícios e provas;
• De cunho administrativo
• Polícias: civil, militar, federal;
• Inquérito X TCO: Art. 69 da Lei 9.099/95;
art 17 do cpp, autoridade policial nao poderá mandar arquivar autos de inquérito
2. Características:
a) Presidido Pelo Delegado de Polícia (art. 144, parg 4º da CF e 2º, parg 1º da Lei 12.830/13);
b) Polícia Federal (art 144, parg 1º);
c) MP - Em 14 de maio de 2015, o STF reconheceu a possibilidade do MP instaurar e presidir investigações penais (PIC);
d) Caráter Inquisitivo: Não vigora (contraditório, ampla defesa) – Lei 13.245 de 12/01/2016 –
e) Não é obrigatório, pois, há outras formas de investigação
art. 7o da Lei nº 8.906, de 4 de julho de 1994 (Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil), passa a vigorar com as seguintes
alterações:
XIV - examinar, em qualquer instituição responsável por conduzir investigação, mesmo sem procuração, autos de flagrante e
de investigações de qualquer natureza, findos ou em andamento, ainda que conclusos à autoridade, podendo copiar peças e
tomar apontamentos, em meio físico ou digital;
XXI - assistir a seus clientes investigados durante a apuração de infrações, sob pena de nulidade absoluta do respectivo
interrogatório ou depoimento e, subsequentemente, de todos os elementos investigatórios e probatórios dele decorrentes ou
derivados, direta ou indiretamente, podendo, inclusive, no curso da respectiva apuração:
§ 10. Nos autos sujeitos a sigilo, deve o advogado apresentar procuração para o exercício dos direitos de que trata o inciso
XIV.
§ 11. No caso previsto no inciso XIV, a autoridade competente poderá delimitar o acesso do advogado aos elementos de
prova relacionados a diligências em andamento e ainda não documentados nos autos, quando houver risco de
comprometimento da eficiência, da eficácia ou da finalidade das diligências.
A Vítima No IPL:
- Requerer a Instauracao do IPL (art 5º, II – indeferimento – recurso para o chefe de polícia – art 5º, parg 2º);
·
- Requerer diligências (art. 14 CPP): será realizada ou não a juízo da autoridade. Caso negativo: juiz ou promotor;
•Inquérito como fonte única de elementos informativos: Impossível – ao menos uma em juízo (pois não vigoram os
princípios do contraditório/ampla defesa, etc). ressalvadas as provas cautelares, não repetíveis e antecipadas – Art. 155 CPP,
redação Lei no. 11.690/2008;
•Dispensável: A ação penal pode ter por base outras pecas de informação; (art. 28 do CPP – MP pode requerer ao juiz o
arquivamento do inquérito ou das peças de informação);
Formas de Instauração do inquérito policial:
• De ofício (art. 5º, I do CPP – por portaria); ato que independe de iniciativa o pedido da parte interessada.
B) requisição do juiz ou do MP (art. 5º, II – 1ª Parte);
C) Requerimento do ofendido;
D) auto de prisão em flagrante;
E) Representação do ofendido (crimes de ação penal pub condicionada (art. 5º, parg 4º CPP
•Notícia anônima = Diligências preliminares ( sigilo )
•Prefeito municipal (foro privilegiad oart. 29, X da CF (somente o PGJ poderá requisitar a instauração de IPL.
CARACTERÍSTICAS DO IP
• Sigiloso
• Escrito
• Indisponível
• Discricionário
Oficial
• Oficial
• Inquisitivo
• Dispensável
• Oficioso
CLASSIFICAÇÃO DA NOTITIA CRIMINIS
a) Notitia criminis de cognição imediata (ou espontânea): A autoridade policial toma conhecimento do fato delituoso por meio
de suas atividades rotineiras.
Exemplo: Autoridade policial toma conhecimento da prática de um crime por meio da imprensa;
b) Notitia criminis de cognição mediata (ou provocada): A autoridade policial toma conhecimento da infração penal por meio de
um documento escrito.
Exemplo: Requisição de Ministro de Justiça.
c) Notitia criminis de cognição coercitiva: A autoridade policial toma conhecimento da infração penal por meio de apresentação
de alguém preso em flagrante.
d) Notitia criminis inqualificada: É o conhecimento da infração penal por meio de uma denúncia anônima.
Delatio Criminis
Delatio criminis postulatória: É a própria representação do ofendido nas ações penais condicionadas à representação
Delatio criminis simples: É a chamada notícia de qualquer do povo
art. 5°, § 3°, do CPP: Qualquer pessoa do povo que tiver conhecimento da existência de infração penal em que caiba ação
pública poderá, verbalmente ou por escrito, comunicá-la à autoridade policial, e esta, verificada a procedência das
informações, mandará instaurar inquérito.
Ação Penal - Art. 24 do cpp
Ação Penal Publica:
• incondicionada: Titularidade do MP para presta denuncia, independente da vontade da vitima, cabe prescrição.
• condicionada: Titularidade do MP para denunciar, dependendo da vontade da vitima, cabe decadência.
Ação Penal Privada: Titularidade do ofendido, perante queixa-crime, cabe decadência.
contagem de prazo material: para Instituto jurídico de natureza material, inclui seu primeiro dia da contagem exclui-se o
último dia, para propositura da ação penal, sobre pena de decadência do Direito.
Contagem de prazo processual: para instituto jurídico de natureza processual, haverá um consideração o primeiro dia útil
subsequente e incluirá o último dia.
Contagem institucional de natureza jurídica híbrida: o que for mais benéfico ao réu.
cabe apenas decadência
Art 311 do cpp - prisão preventiva
Prazos para Conclusão:
•Indiciado solto: 30 dias (art. 10, caput). Podendo ser prorrogado. o Pedido vai ao juiz que manda ouvir o MP. Pedido pode
ser repetido, quantas vezes sejam necessárias. Novo Prazo será fixado pelo juiz;
•Indiciado Preso: (Lei 13.964/19 – pacote anticrime): 15 dias prorrogáveis por mais 15, a critério do juiz de garantias –
art.3º, §2º.
•Prisão temporária: Lei 7.960/89 – Só cabe na fase do inquérito – prazo máximo de duração: 5 dias, prorrogáveis por
mais 5 (crimes comuns) e 30 dias prorrogáveis por mais 30 (crimes hediondos e assemelhados). Aqui o inquérito pode
seguir por mais tempo, apenas a prisão é que deve encerrar em 5 ou 30.
•Prazos em Leis especiais; Toxicos (lei 11.343/06) – art. 51, caput – 30 dias preso e 90 dias solto (para conclusão do
inquérito. Esse prazos podem ser duplicados pelo juiz a pedido do delegado, ouvido o MP. Crimes de competência da justiça
federal (art. 66, Lei no. 5.010/66): 15 dias prorrogáveis por mais 15.
Arquivamento e desarquivamento
• art.18 do CPP: “Depois de ordenado o arquivamento do inquérito pela autoridade judiciária, por falta de base para a
denúncia, a autoridade policial poderá proceder a novas pesquisas, se de outras provas tiver notícias“.
• Sumula 524 STF - “ Arquivado o inquérito policial, por despacho do juiz, a requerimento do promotor de justiça, não pode
a ação penal ser iniciada, sem novas provas“.
Alterações da Lei 13.964/19 – Pacote Anticrime
- Antes de 2019: art.28 CPP – “Se o órgão do Mp, ao invés de apresentar denúncia, requerer o arquivamento do inquérito
policial ou de quaisquer peças de informação, o juiz, no caso de considerar improcedentes as razões invocadas, fará remessa
do inquérito ou peças de informação, ao procurador-geral, e este oferecerá a denúncia, designará outro órgão do Mppara
oferece-la, ou insistirá no pedido de arquivamento, ao qual só então estará o juiz obrigado a atender”.