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RADIOATIVIDADE
A radioatividade é a propriedade que alguns núcleos atômicos têm de emitir
partículas ou radiação eletromagnética.
A radioatividade é uma propriedade que alguns núcleos atômicos possuem de
emitir partículas ou radiação eletromagnética para adquirirem maior estabilidade.
As radiações emitidas por núcleos atômicos são classificadas como ionizantes,
sendo as mais conhecidas as partículas alfa, beta e a radiação gama.
Por meio das descobertas do cientista francês Henri Becquerel, a radioatividade
começou a ser estudada no final do século XIX. De lá para cá, ela começou a
ser aplicada em diversos campos de interesse, como a medicina, a agricultura e
a indústria de alimentos. Muitos elementos da Tabela Periódica possuem
isótopos radioativos, e todos os elementos após o urânio são radioativos.
O que é radioatividade?
A radioatividade é a propriedade que alguns núcleos atômicos têm de emitir
partículas ou radiação eletromagnética, seja de forma espontânea ou não.
Os átomos que apresentam tal propriedade são chamados de radioativos. Essa
atividade é benéfica para o núcleo atômico, uma vez que a perda de partículas
ou energia garante maior estabilidade. A falta de estabilidade é consequência da
presença de um maior número de prótons ou nêutrons no núcleo.
Tipos de radiação
No nosso cotidiano, existem dois tipos de radiações: ionizantes ou não
ionizantes. As radiações não ionizantes não são nocivas a nós, sendo de baixa
energia. À nossa volta temos diversos exemplos, como a luz, o calor e as ondas
de rádio.
Já as radiações ionizantes são originadas do núcleo dos átomos, sendo de maior
energia e capazes de retirar elétrons dos átomos, dando origem aos íons. Elas
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podem ser de origem natural, como os raios cósmicos, de elementos
radioativos provenientes da crosta terrestre — que acabam se espalhando pelo
solo, água e até mesmo em nosso corpo — ou de origem sintética, sendo
produzidas pelo ser humano, como o caso dos raios X.
Entre as radiações ionizantes (ou nucleares), também podem ser destacados
dois tipos: partículas, as quais possuem massa e carga elétrica, e ondas
eletromagnéticas, que não possuem massa e se propagam na velocidade de
300.000 km.s-1 (a velocidade da luz). A seguir, elencam-se as três principais
radiações ionizantes:
• Partícula alfa (α): é uma partícula positiva, feita de dois prótons e dois
nêutrons, tal qual a espécie He2+ (ou núcleos de 4He).
• Partícula beta (β): é uma partícula negativa, mais especificamente um
elétron, ou seja, com massa desprezível. A partícula beta surge da
conversão do nêutron em próton.
• Nêutrons (n): são partículas sem carga, mas que percorrem grandes
distâncias, com grande poder de penetração. Apesar de não ionizarem
diretamente os átomos, são capazes de transferir energia para partículas
carregadas, as quais podem produzir ionizações.
• Radiação gama (γ): mesmo após emitir partículas, o núcleo radioativo
ainda possui um excesso de energia que precisa ser aliviado. Ele faz isso
por meio da emissão de ondas eletromagnéticas, mais especificamente a
radiação gama.
Esquema ilustrativo com o poder de penetração das radiações ionizantes .
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As cargas das radiações podem ser mais bem percebidas ao colocá-
las interagindo com um campo elétrico, conforme a imagem mostra a seguir.
Interação das radiações com o campo elétrico. A partícula alfa, de maior massa, tem um desvio menor
que a partícula beta.
Leis da radioatividade
As leis da radioatividade são também conhecidas como leis de Soddy e Fajans.
Elas são sobre o decaimento radioativo dos núcleos atômicos. O decaimento é
um processo de desintegração parcial do núcleo atômico, sendo esta, segundo
Ernest Rutherford, a razão para a radioatividade.
• 1ª lei de Soddy e Fajans: o decaimento alfa
Quando um núcleo atômico decai e emite uma partícula alfa, ocorre uma reação
nuclear em que a espécie gerada (núcleo filho) possui duas unidades a menos
de número atômico e quatro unidades a menos de número de massa.
• 2ª lei de Soddy e Fajans: o decaimento beta
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Quando um núcleo atômico decai e emite uma partícula beta, ocorre
uma reação nuclear em que a espécie gerada possui uma unidade a mais de
número atômico e mantém a sua massa.
Perceba que em ambos os casos ocorreu a mudança do elemento químico (já
que se alterou o número atômico). Quando isso acontece, dizemos que ocorreu
uma transmutação nuclear.
Elementos radioativos
Os elementos radioativos são instáveis. Há algumas percepções sobre padrões
na estabilidade nuclear. Por exemplo, percebe-se que elementos com número
par de prótons e nêutrons são mais estáveis do que os demais com combinações
diferentes.
Contudo, conforme se avança na Tabela Periódica, a quantidade de nêutrons
aumenta em uma proporção maior que a de prótons, visto que essas partículas
nucleares são essenciais para diminuir a repulsão eletrônica entre os prótons,
dotados de cargas de mesma natureza, e assim manter o núcleo atômico íntegro.
Como os nêutrons são eletricamente neutros, não aumentam a repulsão
eletrostática. Mesmo assim, chega-se em um ponto em que o núcleo é
suficientemente grande para não ser estável, e, por isso, é possível ver
que todos os elementos com número atômico acima de 92 são radioativos, os
chamados elementos transurânicos (em referência ao urânio, elemento químico
de número atômico 92).
Abaixo do urânio, é possível que os elementos possuam isótopos radioativos
também. Nesses casos, são isótopos com a relação de número de nêutrons e
prótons maior ou menor do que o isótopo estável. É o caso do isótopo 14 do
carbono, que possui dois nêutrons a mais que o isótopo estável conhecido, o
carbono-12.
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Amostra de nitrato de urânio. O urânio é um elemento radioativo.
Aplicações da radioatividade
Sem dúvida alguma, a principal forma de aplicação da radioatividade está na
medicina. Elementos radioativos (ou radioisótopos) são muito importantes para
a obtenção de diagnósticos, como no caso dos exames de raios-X e de
tomografia computadorizada.
Ainda na medicina, utilizam-se radioisótopos no tratamento de doenças,
principalmente o câncer. Tal tratamento é conhecido como radioterapia, que
consiste na destruição de células de tumor cancerígenas pelo uso de fontes de
radiação ionizante.
Mulher recebendo tratamento radioterápico.
As reações nucleares, mais especificamente a de fissão, são importantíssimas
para a produção de energia elétrica, em instalações conhecidas como usinas
nucleares.
No meio ambiente, elementos radioativos podem ser empregados para mapear
poluentes no ar, na água ou no solo.
Já na indústria de alimentos, os radioisótopos podem ser empregados na
irradiação de alimentos, eliminando bactérias, fungos e outros agentes nocivos
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para nossa saúde. Em frutas e legumes, a radioatividade é capaz de
diminuir a ação do hormônio do amadurecimento, aumentando assim o tempo
para que sejam consumidos.
A utilização de radioisótopos para esterilização também é feita em
medicamentos hospitalares, médicos e odontológicos.
Lixo radioativo
Usina nuclear em Antuérpia, Bélgica.
Os materiais radioativos que são produzidos em diversas instalações nucleares,
laboratórios e hospitais não podem ser dispostos de qualquer jeito na natureza,
justamente por conta da radiação emitida por eles. Geralmente sem utilidade
alguma, são conhecidos como rejeito (ou lixo) radioativo.
Assim sendo, antes de serem devolvidos à natureza, devem ser tratados, de
modo que seu índice de radiação seja menor ou igual ao do meio ambiente, sem
apresentar riscos de toxicidade química.
Rejeitos cuja meia-vida (tempo necessário para uma amostra ter sua atividade
radioativa reduzida pela metade) é curta são armazenados em locais
apropriados até que sua atividade se equipare à do meio ambiente, sendo assim
liberados. No caso de rejeitos de usinas nucleares, em alguns casos os rejeitos
ainda podem ter interesse econômico, sendo então comercializados e
direcionados para outras atividades.
Na pior das hipóteses, quando os rejeitos não possuem justificativa técnica ou
econômica para uso, eles são quimicamente tratados e então direcionados para
depósitos específicos de rejeitos radioativos.
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Rejeitos radioativos isolados e estocados.
Como foi descoberta a radioatividade?
A história da radioatividade se iniciou no final do século XIX, mais
especificamente em 1896, com o cientista francês Henri Becquerel. Ao guardar
uma amostra de óxido de urânio em uma gaveta que continha placas
fotográficas, Becquerel percebeu que o composto de urânio havia escurecido as
placas, mesmo elas estando cobertas por um material opaco.
Surpreso, Becquerel acreditava que o óxido de urânio estaria emitindo raios
penetrantes e associou tal fenômeno aos raios X, descobertos poucas semanas
antes por Wilhelm Röentgen. O comportamento do óxido de urânio foi mais bem
descrito pela polonesa e doutoranda Marie Sklodowska Curie. Foi Curie quem
cunhou o termo radioatividade e concluiu que estava associado ao elemento
urânio, independentemente do composto em que se encontrava. Posteriormente,
junto ao seu marido, Pierre Curie, concluiu que outros elementos também
apresentavam tais comportamentos, como o tório, o rádio e o polônio, (tendo
sido os dois últimos descobertos por ela).
O casal Pierre e Marie Curie.
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Antes das descobertas do casal Curie, havia muita dificuldade em
saber a origem da radioatividade. Porém, em 1898, o neozelandês Ernest
Rutherford ajudou bastante, ao conseguir identificar três tipos de radiação: alfa,
beta e gama.