IVANI CARDONE
ADVOGADA
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EXMO (A). SR (A). DR (A). MM(A). JUIZ (A) DE DIREITO DA 2ª. VARA DO TRABALHO DE MOGI
DAS CRUZES.
SEGUNDA RECLAMADA
Processo nº 1000675-41.2025.5.02.0372
THIAGO CERQUEIRA SANTOS VIEIRA- ME (T C S BARTENDERS),
pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ/MF sob nº. 47.317.020/0001-54, com
endereço na Travessa Joaquim Monteiro, 52, Centro, Mogi das Cruzes, CEP: 08730-100, por
sua advogada infra-assinada, nos autos da RECLAMAÇÃO TRABALHISTA em epígrafe que lhe
move FABIANA FRANCO SANTOS FERREIRA, vem, respeitosamente, à presença de vossa
Excelência, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, com fulcro no artigo
1.035, §5º, do Código de Processo Civil, apresentar contestação, pelos motivos de fato e de
direito a seguir expostos:
PRELIMINARMENTE
1) DA SUSPENSÃO DO PROCESSO EM DECORRÊNCIA DA MATÉRIA RELACIONADA AO
TEMA 1.389 DA REPERCUSSÃO GERAL – ARE 1532603
Diante da repercussão geral da matéria reconhecida No Recurso
Extraordinário com Agravo (ARE) 1532603, (Tema 1389), que envolve não apenas a validade
desses contratos, mas também a competência da Justiça do Trabalho para julgar casos de
suposta fraude e a definição sobre quem deve arcar com o ônus da prova: o trabalhador ou
o contratante, o Ministro Gilmar Mendes determinou a suspensão nacional da tramitação de
todos os processos que tratem das questões relacionadas ao Tema em comento, até
julgamento definitivo do recurso extraordinário, o que desde já se requer.
Isso se faz necessário na medida em que a decisão de mérito que
vier a ser proferida pelo STF deverá ser observada por todos os tribunais do país ao julgarem
casos semelhantes, estando em discussão:
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1) a competência da Justiça do Trabalho para julgar as causas em que se discute a
fraude no contrato civil de prestação de serviços;
2) a licitude da contratação de trabalhador autônomo ou pessoa jurídica para a
prestação de serviços, à luz do entendimento firmado pelo STF no julgamento da ADPF 324,
que reconheceu a validade constitucional de diferentes formas de divisão do trabalho e a
liberdade de organização produtiva dos cidadãos; e
3) a questão referente ao ônus da prova relacionado à alegação de fraude na
contratação civil, averiguando se essa responsabilidade recai sobre o autor da reclamação
trabalhista ou sobre a empresa contratante.
O principal fundamento é de que o descumprimento sistemático da
orientação do Supremo Tribunal Federal pela Justiça do Trabalho tem contribuído para um
cenário de grande insegurança jurídica, resultando na multiplicação de demandas que
chegam ao STF, transformando-o, na prática, em instância revisora de decisões trabalhistas.
Por isso, o ministro Gilmar Mendes entendeu necessária e adequada a
aplicação do disposto no art. 1.035, § 5º, do CPC, ao caso dos autos, para suspender o
processamento de todas as ações que tramitem no território nacional e versem sobre os
assuntos discutidos nestes autos, como forma de impedir a multiplicação de decisões
divergentes sobre a matéria, privilegiando o princípio da segurança jurídica e desafogando o
STF, permitindo que este cumpra seu papel constitucional e aborde outras questões
relevantes para a sociedade.
Dessa forma, tendo a Reclamante trabalhado como autônoma no período
de 12/04/24 a 10 de julho de 2024, requer a 2ª Reclamada a suspensão da tramitação dos
autos por se tratar das questões relacionadas ao Tema 1.389 da repercussão geral, até
julgamento definitivo do recurso extraordinário.
2) INAPLICABILIDADE DA CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO - ENQUADRAMENTO
SINDICAL
A Reclamante, para dar supedâneo aos seus pedidos, trouxe aos autos
Convenção Coletiva de Trabalho que não representa a categoria do Segundo Reclamado
Thiago.
Muito embora tenha prestado serviços de forma autônoma,
necessário se faz esclarecer e impugnar a aplicabilidade da CCT, caso, na absurda hipótese, a
segunda Reclamada seja considerada empregadora da Reclamante no período de 12 de abril
de 2024 a 14 de julho de 2024.
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Com efeito, o Segundo Reclamado pertence ao SIEMACO - SINDICATO
DOS EMPREGADOS EM EMPRESAS DE ASSEIO E CONSERVAÇÃO, LIMPEZA URBANA, ÁREAS
VERDES E TRABALHADORES EM TURISMO E HOSPITALIDADE (CCT anexa).
Os pedidos da Autora têm por supedâneo CCT, cujo sindicato
não representa a categoria econômica do Segundo Reclamado Thiago.
Estabelece a Súmula 374 do TST:
“Não se aplicam ao contrato de trabalho de empregado pertencente a categorias
diferenciadas as convenções coletivas firmadas por sindicato que não representa a categoria
econômica do empregador.”
Tendo em vista que o Segundo Reclamado não está obrigado a
cumprir convenção coletiva firmada por sindicato representante de empresas que não
representam a sua atividade preponderante, requer que todos os pedidos com base na CCT
juntada pela Reclamante sejam julgados improcedentes.
3 - DO PEDIDO DE JUSTIÇA GRATUITA
O Reclamado não possui condições de arcar com as despesas
processuais da presente demanda sem o prejuízo de seu sustento e da continuidade da
empresa, conforme declaração de hipossuficiência anexa e documentos juntados.
Não é demais ressaltar que o Segundo Reclamado é microempresa
(documentos anexos), sendo que a pessoa física se confunde com a pessoa jurídica, razão
pela qual faz o requerimento de assistência judiciária gratuita, juntando, para tanto, a
declaração de hipossuficiência.
Estabelece o artigo 98, caput do Código de Processo Civil podem ser
beneficiários da justiça gratuita qualquer pessoa natural ou jurídica, brasileira ou
estrangeira, com insuficiência de recursos para arcar com as despesas do processo.
A Súmula 481 do STJ também ratifica tal entendimento aduzindo
que faz jus ao benefício da justiça gratuita a pessoa jurídica com ou sem fins lucrativos que
demonstrar sua impossibilidade de arcar com os encargos processuais.
Como antes dito, tendo em vista a unicidade entre a pessoa jurídica e
a pessoa física ora Reclamado, foi juntada a declaração de hipossuficiência que, nos termos
da Lei, é presumidamente verdadeira.
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Diante da situação (basta o exame do saldo bancário) que se
apresenta arcar com as custas processuais será um ônus que, com certeza, atrapalhará todos
os esforços que estão sendo envidados para tornar possível a existência da empresa e a
consequente geração de empregos.
Por este motivo, requer, preliminarmente, que lhe sejam
concedidos os benefícios da JUSTIÇA GRATUITA, com fulcro no artigo 2°, parágrafo único da
Lei n° 1.060/50, eis que o próprio Reclamado, em declaração, postula tal benefício.
Importante ressaltar que a jurisprudência predominante já se
posicionou no sentido de que, além do empregador pessoa física, o empresário individual e a
micro ou pequena empresa podem ser beneficiários da gratuidade da justiça, sendo tal
posicionamento compatível com o art. 5º, LXXIV, da CF, de sorte que tal benefício pode
também ser estendido ao sócio que responde pelo adimplemento da dívida, bastando a
declaração prevista no item I da Súmula nº 463 do TST. Veja-se:
AGRAVO DE PETIÇÃO DO EXECUTADO. BENEFÍCIO DA JUSTIÇA GRATUITA. Além do
empregador pessoa física, o empresário individual e a micro ou pequena empresa podem ser
beneficiários da gratuidade da justiça, sendo tal posicionamento compatível com o art. 5º,
LXXIV, da CF . Tal benefício pode também ser estendido ao sócio que responde pelo
adimplemento da dívida, bastando a declaração prevista no item I da Súmula nº 463 do TST.
Agravo de petição desprovido, porquanto não juntada a declaração de pobreza. (TRT-4 - AP:
0020734-06.2018 .5.04.0001, Data de Julgamento: 07/03/2024, Seção Especializada em
Execução)
JUSTIÇA GRATUITA. RECLAMADA. EMPRESARIO INDIVIDUAL. Tratando-se a reclamada de
empresário individual, é imperativo considerar que, nesta modalidade de constituição, o
patrimônio da "empresa" e do empresário são comuns, respondendo o titular,
ilimitadamente, pelas obrigações pertinentes à atividade econômica exercida . Portanto, a
mera declaração de miserabilidade, nos termos do art. 99, § 3º do CPC, é suficiente para
concessão do benefício da Justiça Gratuita. EXECUÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO DA
PERSONALIDADE JURÍDICA . EMPRESÁRIO INDIVIDUAL. DESNECESSIDADE. Em se tratando de
empresa individual (não EIRELI), não é necessária a desconsideração da personalidade
jurídica para que a penhora recaia sobre o bem do seu titular (agravante), porquanto o
patrimônio da empresa e do empresário individual se confundem, respondendo os bens de
ambos pelas dívidas. Agravo de petição conhecido e não provido . (TRT-16 - AP:
00160162520225160022, Relator.: JOSE EVANDRO DE SOUZA, 1ª Turma - Gab. Des. José
Evandro de Souza)
JUSTIÇA GRATUITA. MICROEMPREENDEDOR INDIVIDUAL. Aplica-se ao microempreendedor
individual a presunção de veracidade sobre a declaração de hipossuficiência para fins de
concessão dos benefícios da justiça gratuita. (TRT-2 - RORSum: 1000866-85 .2021.5.02.0062,
Relator.: ELIANE APARECIDA DA SILVA PEDROSO, 3ª Turma)
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Saliente-se ainda que, além da declaração de hipossuficiência,
junta o Reclamado documentação que comprova sua tese, razão pela qual, requer mais uma
vez, os benefícios da assistência judiciária gratuita.
4- DAS PROVAS
Assim, a fim de ver satisfeito os princípios da verdade real e da
eventualidade, e, ainda, respeitando o princípio do contraditório e da ampla defesa,
requer o ora Reclamado a Vossa Excelência, a fim de poder exercer plenamente seu direito
de defesa:
a) Seja a Reclamante intimada a juntar aos autos os extratos bancários das contas que
utiliza e/ou seja oficiado o SISBAJUD para que envie a esse [Link]ízo os extratos bancários
da Reclamante no período de 12 de abril de 2024 a 14 de julho de 2024 tendo em vista
que, tendo trabalhado para outras empresas, a Reclamante não juntou aos autos os
extratos bancários que comprovariam a prestação de serviços autônomo e
concomitante com outras empresas.
b) DA EXPEDIÇÃO DE OFÍCIOS AO SUSI SUSHI, situado na Rua Júlio Prestes, 217 -
Centro, Mogi das Cruzes - SP, 08780-110 e Rua Otto Unger, 110 - Centro, Mogi das
Cruzes - SP, 08780-090, a fim de que informe a esse [Link]ízo o tipo de contrato havido
com a Reclamante, desde quando a reclamante presta serviços, quais dias e horários
foram trabalhados durante o período de 12/04/24 a 14/07/24 e, se ainda, continua
trabalhando, forma e valor recebido.
c) EXPEDIÇÃO DE OFÍCIOS PARA GEOLOCALIZAÇÃO UTILIZANDO O CELULAR +5511
94128-7149. Diante da situação apresentada e, assim, sob a impossibilidade de realizar
a prova sem auxilio do Judiciário, requer a reclamada, determinação e deferimento, sob
pena de cerceamento de defesa para o número fornecido pela reclamante 011 94128-
7149 para expedição de ofício às companhias de telefonia (TIM, VIVO e CLARO) para que
seja apresentado a localização e o horário do reclamante durante de 12/04/24 a
14/07/24 para que seja comprovado os locais, horários e dias onde a reclamante
esteve, principalmente Susi Sushi e outros.
d) EXPEDIÇÃO DE OFÍCIOS PARA EMPRESA MOGIPASSE - [Link] NO
CPF 276.226.688-26 DA RECLAMANTE. Diante da situação apresentada e, assim, sob a
impossibilidade de realizar a prova sem o auxílio do Judiciário, para se comprovar o
trajeto realizado pela reclamante à 2ª. reclamada, comprovando assim a prestação de
serviços de forma periódica.
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Assim, tendo em vista a necessidade de recorrer ao Judiciário
para a obtenção de provas que a Reclamada, por si, não consegue obter, requer o
deferimento dos pedidos acima, sob pena de nulidade processual e cerceamento de defesa,
bem como seja a audiência suspensa até que os documentos sejam carreados aos autos, a
fim de darem supedâneo à defesa a ser apresentada.
DOS FATOS
O Segundo Reclamado foi contratado pelo Primeiro Reclamado
Clube Med para prestar serviços fornecendo mão-de-obra para serviços de auxiliar de
cozinha.
Em razão disso, a Reclamante foi contratada pelo Segundo
Reclamado como autônoma, tendo prestado serviços para a primeira Reclamada e,
também, no mesmo período, para as empresas Susi Sushi, situada na Rua Júlio Prestes,
217 - Centro, Mogi das Cruzes - SP, 08780-110 e Rua Otto Unger, 110 - Centro, Mogi das
Cruzes - SP, 08780-090, conforme ela mesmo confessa em áudio enviado para o
Reclamado (anexo).
Prestou serviços para o Segundo Reclamado Thiago como
autônoma no período declinado na exordial – 12 de abril de 2024 a 14 de julho de 2024 e
não como consta na inicial. E, como já informado, ao contrário do que alega, não prestava
serviços “exclusivamente” aos Reclamados.
Trabalhava como autônoma para Susi Sushi e outros – sem ter
o Segundo Reclamado como intermediário.
Foi contratada para exercer a função de auxiliar de cozinha nas
dependências do Primeiro Reclamado e trabalhava por diárias, como freelancer, recebendo
de R$ 110,00 a R$ 150,00 por dia trabalhado, dependendo do horário praticado.
Nesse período de três meses que prestou serviços ao
Reclamado, ou seja, cento e vinte dias, conforme restará provado, trabalhou apenas VINTE
DIAS, a saber:
MÊS DIAS VALOR DA HORÁRIO
TRABALHADOS DIÁRIA
ABRIL - 2024 12/04/2024 R$ 150,00 18 às 03h
14/04/2024 R$ 120,00 14 às 23 h
15/04/2024 R$ 120,00 18 às 3 h
17/04/2024 R$ 120,00 14 às 23 h
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19/04/2024 R$ 110,00 08 às 17 h
20/04/2024 R$ 120,00 14 às 23 h
22/04/2024 R$ 110,00 08 às 17 h
Total R$ 850,00
7 dias
trabalhados
MAIO 2024 09/05/2024 R$ 150,00 07 às 16h
10/05/2024 R$ 110,00 10 às 19h
12/05/2024 R$ 110,00 08 às 17h
15/05/2024 R$ 110,00 07 às 16h
17/05/2024 R$ 120,00 08 às 17h
18/05/2024 R$ 150,00 14 às 23h
21/05/2024 R$ 150,00 10 às 19h
Total R$ 900,00
7 dias
trabalhados
JUNHO 2024 16/06/2024 R$ 110,00 07 ÀS 16 h
21/06/2024 R$ 120,00 14 às 23 h
22/06/2024 R$ 120,00 14 às 23 h
Total R$ 350,00
3 dias
trabalhados
JULHO 08/07/2024 150,00 10 às 19h
10/07/2024 120,00 14 às 23h
14/07/2024 110,00 07 às 16 h
Total R$ 380,00
3 dias
trabalhados
Nesse período, o Segundo Reclamado era quem remunerava,
efetuava as escalas de trabalho, fornecia EPIs, sem qualquer ingerência do Primeiro
Reclamado Club Med que pagou para o contratado (Segundo Reclamado) por essa prestação
de serviços.
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Dessa forma, inexistiram os requisitos da relação de emprego entre
as partes por ausência de não eventualidade (habitualidade), subordinação e pessoalidade.
O Reclamado salienta que, quando as ausências ocorriam, por não se
tratar de relação típica de emprego, nenhum valor era descontado ou havia qualquer
punição, de sorte que a autora apenas deixava de ser remunerada pelo dia não trabalhado,
sem que houvesse qualquer penalidade por isso.
Dessa forma, ausente o requisito da habitualidade.
Importante destacar também que a autora indicou colegas caso
houvesse demanda extraordinária e a necessidade de contratação de prestadores de
serviços eventuais, o que demonstra ausência de pessoalidade.
Nessa senda, em relação à pessoalidade, a autora poderia ser
substituída por outra pessoa, inclusive indicada por ela.
Assim, a prestação de serviços pela reclamante era realizada de forma
eventual e de acordo com a sua disponibilidade. Quando não podia comparecer era
substituída por outro profissional, restando caracterizada a sua liberdade na prestação dos
serviços, o que demonstra a ausência da subordinação jurídica necessária à formalização do
pacto laboral pleiteado.
Dessa forma, no presente caso, evidente que a autora laborou como
prestadora de serviços de forma eventual e autônoma, sem habitualidade, pessoalidade e
subordinação, cabendo a ela o ônus de comprovar os requisitos da relação de emprego,
ônus do qual não se desvencilhou.
DA COMPOSIÇÃO SALARIAL
Mais uma vez equivoca-se a Reclamante. Requer a Reclamada
que seja aplicado, no que couber, o piso salarial da categoria em 2024 que era de R$
1.590,00 por mês.
Ocorre que a Reclamante não recebia por mês e SIM POR DIA
TRABALHADO.
A Reclamante recebia a diária de R$ 110,00 (diária – dia) a R$
120,00 (diária noite), inclusos R$ 10,00 para o transporte. Os pagamentos eram feitos
semanalmente.
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O valor da diária supera e muito o piso salarial da categoria que,
para 2024, era de R$ 52,12 ao dia - CCT anexa.
Portanto, a diária paga pela Reclamada, era quase três vezes
maior que o piso, englobaria o pagamento do 13º. Salário, férias proporcionais e os DSR’s,
nada mais tendo a reclamar a esses títulos.
Assim, impugna o valor informado pela Reclamante a título de
média salarial, posto que, de acordo com os comprovantes de depósitos efetuados pela
Reclamada em favor da Reclamante, ela recebia, em média não mais que R$ 600,00 ao mês.
Desse modo, em réplica caberá a Reclamante juntar os
extratos bancários de sua conta corrente do período de visando demonstrar o inverso.
Caso contrário requer em caso de condenação ao período de 12 de abril de 2024 a 14 de
julho de 2024 a limitação do valor para cálculo das verbas o importe de não mais que
R$ 600,00 ao mês.
Não é demais lembrar e reforçar que a Reclamante trabalhou,
em média, SEIS dias por mês, devendo eventual condenação a pagamento do que quer que
seja, ser proporcional ao número de dias trabalhados – é o que se requer.
A Reclamante falta com a verdade ao afirmar que atuou em
diversas funções cumulativas e que, também, foi submetida a condições degradantes de
trabalho.
Além disso, disse ter sofrido assédio moral por parte de seus
supervisores e que teria sido humilhada e ameaçada de dispensa.
No período em que prestou serviços para a Segunda Reclamada a
Reclamante não fez qualquer reclamo.
Aduz a Reclamante, ainda, que em decorrência do último vínculo
contratual adquiriu doença ocupacional por LER/DOR. O último vínculo se deu com o
Primeiro Reclamado Club Med e compreendeu o período de 14/02/2025 a 11/04/2025 e a
Reclamante foi contratada por prazo determinado.
Quando isso ocorreu, a Reclamante já havia se desligado do Segundo
Reclamado Thiago há mais de nove meses e, portanto, este, não pode ser responsabilizado,
caso se comprove a doença ocupacional.
Além disso, a Reclamante nunca fez queixa da doença que informa na
inicial e, ao preencher a ficha cadastral do Reclamado, informou, inclusive, não consumir
qualquer tipo de remédio.
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DA UNICIDADE DO VÍNCULO EMPREGATÍCIO
Pretende a Reclamante ver declarada a unicidade contratual do
período em que prestou serviços para o ora Reclamado e aqueles em que trabalhou por
prazo determinado com o Primeiro Reclamado Club Med.
Esse pedido não pode prosperar antes a natureza distinta dos
contratos havidos.
No período em que trabalhou para o Reclamado Thiago o fez na
qualidade de autônoma. Além disso, desligou-se do Reclamado Thiago em julho de 2024 e
somente firmou contrato com o Primeiro Reclamado em setembro de 2024...
Até julho de 2024, o Segundo Reclamado era o responsável pelas
escalas e pagamentos para a Reclamante, sem qualquer ingerência do Primeiro Reclamado.
Feitos esses esclarecimentos, não há que se falar em unicidade
contratual, sendo improcedente tal pedido.
DO DESCABIMENTO DA DECLARAÇÃO DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA ENTRE OS
RECLAMADOS
Resta claro que o Reclamado Club Med, no período de foi 12
de abril de 2024 a 14 de julho de 2024 apenas e tão somente tomador dos serviços do
Segundo-Reclamado Thiago que prestou serviços.
Estabelecia o Enunciado 331, IV do Colendo TST: “O
inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do empregador, implica na
responsabilidade subsidiária do tomador dos serviços, quanto àquelas obrigações, inclusive
quanto aos órgãos da administração direta, das autarquias, das fundações, das empresas
públicas e das sociedades de economia mista, desde que hajam participado da relação
processual e constem também do título executivo judicial.”
A Lei n.º 13.429/2017 colocou um fim na discussão e
estabeleceu a responsabilidade subsidiaria das empresas tomadoras de serviços. O art. 5º-
A, § 5º, da Lei 6.019/1974, acrescentado pela Lei 13.429/2017, estabelece a
responsabilidade subsidiária das ora Reclamadas.
Fica claro o instituto da terceirização neste caso.
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Como bem leciona Maurício Godinho Delgado, Curso de Direito
do Trabalho. São Paulo: LTr, 2006. p. 453:
“...Se o Direito - enquanto fenômeno sociocultural - aspira à efetividade; e se os direitos
trabalhistas prevalecem sobre os patrimoniais civis e comerciais, não pode o ramo jus laboral
negar efetividade aos direitos que regulamenta, em vista de cenários e teias engenhosos
produzidos no mercado econômico e laborativo. Nesse plano, a responsabilidade subsidiária
surge como a adequada medida e mecanismo para viabilização da efetividade dos direitos
laborais provocados pela dinâmica interempresarial. Ao contratar obra ou serviço, básicos à
sua dinâmica negocial, a empresa detona e leva à reprodução relações laborais no âmbito
da outra empresa contratada, tendo, em decorrência, responsabilidade subsidiária em
face dos direitos trabalhistas dali advindos...”
Sendo os Reclamados tomadora de serviço e prestadora de serviços,
há, na absurda hipótese, de ser aplicado a Lei 13.429/2017, segundo a qual o
inadimplemento das obrigações trabalhistas, por parte do empregador, implica na
responsabilidade subsidiária do tomador dos serviços.
Além disso, a terceirização não é fraudulenta – o que, inclusive é
admitido pelo próprio Reclamante que não requereu o reconhecimento do vínculo
empregatício com o segundo-Reclamado.
Ou seja – de fato a terceirização típica existiu e, se assim foi, impõe-
se a aplicação do art. 5º-A, § 5º, da Lei 6.019/1974, acrescentado pela Lei 13.429/2017
Não é demais trazer à colação o entendimento da I. Des. Relatora
Odette Silveira Moraes em acórdão recentemente proferido (28/08/14):
“Responsabilidade subsidiária.
Registre-se, inicialmente, que não houve o reconhecimento da ocorrência de vínculo de
emprego diretamente com a recorrente, não merecendo análise as considerações iniciais do
apelo a esse respeito. Por outro lado, consoante constou do r. julgado de origem, restou
comprovado pela prova de audiência que o reclamante prestou serviços para a terceira
reclamada, ora recorrente, sendo certo que esta não logrou infirmar referida prova, ficando
afastada, portanto, a tese de que o recorrido não teria prestados serviços em seu favor pelo
período reconhecido em sentença.
Assim, em que pese na terceirização de serviços a empresa prestadora poder designar
quaisquer os seus empregados para trabalhar no estabelecimento da contratante, é certo
que, no caso dos autos, tem-se por comprovado que o reclamante prestou seus serviços
pessoalmente nas dependências da recorrente.
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Logo, apesar de todo o esforço e fundamentos alinhados pela terceira reclamada, é aplicável
à hipótese o entendimento consubstanciado através da Súmula nº 331, inciso V do C. TST.
Isto porque, embora lícita a contratação da prestadora de serviço, o C. TST tem reconhecido
a responsabilidade subsidiária da empresa tomadora de serviços, em hipóteses de
terceirização, por aplicação analógica do artigo 455 da CLT, caso a empresa interposta se
mostrar inidônea econômica e financeiramente, tendo em vista a culpa in vigilando e in
eligendo, consoante jurisprudência cristalizada, através da Súmula nº 331, inciso IV do C.
TST.
Ocorre que, conforme o princípio da proteção ao trabalhador e a teoria do risco explicam, há
uma preocupação em não deixar ao desabrigo o obreiro, pontificando uma responsabilidade
indireta daquele que, embora não seja o empregador direto, tenha se beneficiado da
atividade do trabalhador contratado pelo tomador de serviços.
A subsidiariedade encontra fundamento nos princípios gerais de direito, cuja aplicação na
área trabalhista é admitida pelo artigo 8º da CLT, que também autoriza o julgador
trabalhista a se socorrer da jurisprudência, ao enfrentar as questões que lhe são endereçadas
pelas partes.
De se ressaltar, ainda, que a subsidiariedade decorre de construção jurídica que, partindo dos
artigos 186, 927 e 942, parágrafo único do diploma civil, procura mitigar o instituto da
solidariedade, permitindo a aplicação da responsabilidade subsidiária do tomador de
serviços pelos direitos dos empregados da prestadora que a serviram, não havendo que se
falar em afronta ao princípio contido no artigo 5º, caput e inciso II da Constituição Federal.
Assim, a verificação da idoneidade da empresa prestadora de serviços, por ocasião da
contratação, não exime a responsabilidade da empresa tomadora em adotar as providências
necessárias e no sentido de verificar, durante a vigência do contrato, se aquela cumpre com
suas obrigações trabalhistas. Daí decorre a culpa da recorrente, que foi omissa quanto à
verificação da satisfação dos créditos trabalhistas que, embora devidos pela empresa
contratada, eram decorrentes dos serviços prestados pelo obreiro em benefício da empresa
tomadora, ora recorrente.
Irrelevante é o fato de ter sido regular a contratação de serviços, pois, na qualidade de
contratante da empresa fornecedora de mão-de-obra, está a recorrente legitimada a
responder e subsidiariamente, pelo pagamento dos créditos dos empregados envolvidos na
prestação dos serviços contratados.
A responsabilidade subsidiária da empresa tomadora de serviços não resulta de possível
ilegalidade a relação estabelecida com a prestadora, mas sim, da proteção ao valor social do
trabalho prestado em benefício daquela e, por decorrência, da função social do contrato
(artigo 421 do Código Civil), em razão da qual este não pode resultar em perda dos direitos
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IVANI CARDONE
ADVOGADA
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trabalhistas. MANTENHO (TRT/SP Nº 0000199-35.2013.5.02.0018 - RECURSO ORDINÁRIO DA
18ª VARA DO TRABALHO/SÃO PAULO – Rel. Des .ODETTE SILVEIRA MORAES).
Portanto, improcede o pedido da Reclamante de responsabilização de
forma solidária dos Reclamados. Caso não seja esse o entendimento de Vossa Excelência, o
que se admite como forma de argumentação, requer que as ora Reclamadas sejam
responsabilizadas de forma subsidiária e proporcional ao período trabalhado para o
Segundo Reclamado , limitado ao período pleiteado na inicial – qual seja – 12 de abril de
2024 a 14 de julho de 2024.
DAS VERBAS RESCISÓRIAS
Improcede, tendo em vista que a Reclamante manteve com o
Segundo Reclamado Thiago prestação de serviço autônomo no período de 12 de abril de
2024 a 14 de julho de 2024, sendo improcedente tal pedido.
Não fosse isso, impugna todos os valores elencados como
devidos posto que fora da realidade, em razão da prestação de serviço autônomo, a
quantidade de dias trabalhados, a paga diária acima do valor estipulado como piso salarial.
DO ADICIONAL NOTURNO
Improcede tal pedido diante do trabalho autônomo.
Além disso, a paga diária, já incluía esse benefício. Não é
demais repetir que a Reclamante não recebia por mês e SIM POR DIA TRABALHADO.
A Reclamante recebia a diária de R$ 110,00 a R$ 120,00 e R$ 10,00
para o transporte, a depender do horário praticado. Os pagamentos eram feitos
semanalmente.
É de se esclarecer que o valor da diária supera e muito o piso salarial
da categoria que, para 2024, era de R$ 52,12 ao dia.
DA DEMISSÃO
A Autora não foi demitida. Simplesmente parou de prestar seus
serviços autônomos.
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IVANI CARDONE
ADVOGADA
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Convocada, não mais respondeu aceitando ou recusando a
prestação de serviços.
DOS DSR´S E ADICIONAL NOTURNO
Improcede tais pedidos posto que tais títulos faziam parte da
composição da composição da paga diária.
DO FGTS + 40%
Improcede pelos motivos antes expostos.
A Reclamante não era empregada. Prestava serviços como autônoma,
freelance, não só para o Reclamado Thiago, como também para outras empresas.
DA INDENIZAÇÃO DO SEGURO DESEMPREGO
A Reclamante não requereu o vínculo empregatício com o ora
Reclamado, tendo em vista ter prestado serviço de forma autônoma.
E, ainda que existisse vínculo de emprego, o que se admite como
forma de argumentação, não faria jus ao seguro desemprego, tendo em vista o período da
prestação de serviços - 12 de abril de 2024 a 14 de julho de 2024 – três meses.
DA JORNADA DE TRABALHO
Não condiz com a realidade a jornada declinada na inicial. Com efeito,
na qualidade de autônoma, não tinha jornada preestabelecida.
O Reclamado oferecia à Reclamante determinada escala de trabalho.
Caso não pudesse comparecer ou não quisesse, bastaria avisar ao Reclamado.
A Reclamante prestou serviços nos seguintes dias e horários:
ABRIL - 2024 12/04/2024 18 às 03h
14/04/2024 14 às 23 h
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IVANI CARDONE
ADVOGADA
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15/04/2024 18 às 3 h
17/04/2024 14 às 23 h
19/04/2024 08 às 17 h
20/04/2024 14 às 23 h
22/04/2024 08 às 17 h
MAIO 2024 09/05/2024 07 às 16h
10/05/2024 10 às 19h
12/05/2024 08 às 17h
15/05/2024 07 às 16h
17/05/2024 08 às 17h
18/05/2024 14 às 23h
21/05/2024 10 às 19h
JUNHO 2024 16/06/2024 07 ÀS 16 h
21/06/2024 14 às 23 h
22/06/2024 14 às 23 h
JULHO 08/07/2024 10 às 19h
10/07/2024 14 às 23h
14/07/2024 07 às 16 h
As jornadas das diárias eram de oito horas, com uma hora de intervalo
para refeição e repouso, jamais ultrapassando as 44 semanais.
Aclare-se que a Reclamante sempre cumpriu o intervalo para refeição
e repouso até porque, nas dependências do Primeiro Reclamado, existe refeitório com
acesso aos empregados e prestadores de serviços 24 horas, sendo livre o acesso para
alimentação e descanso.
Assim, improcede o pedido de horas extras e respectivas integrações,
seja em razão da prestação de serviços autônomos, seja porque a Reclamante jamais
ultrapassou as 44 horas semanais.
DAS DIFERENÇAS DE ADICIONAL NOTURNO
Improcede, tendo em vista que a paga da diária para a Reclamante, na
condição de autônoma, era maior quando do trabalho noturno. Assim, não há que se falar
em pagamento de eventuais diferenças.
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IVANI CARDONE
ADVOGADA
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DO ACÚMULO DE FUNÇÃO
Improcede tal pedido.
Isso porque, tudo quanto a Reclamante elenca, é inerente ao
cargo de auxiliar de cozinha.
A função de um auxiliar de cozinha é auxiliar na preparação de
alimentos, limpeza e organização da cozinha, e manutenção da higiene e segurança. Isso
inclui tarefas como lavar utensílios, organizar ingredientes, preparar alimentos e limpar a
cozinha após o serviço. O auxiliar de cozinha também pode ajudar na montagem de pratos e
no serviço de copeiragem.
DA INCAPACIDADE TEMPORÁRIA – DOENÇA OCUPACIONAL E DISPENSA IRREGULAR
Improcede tal pedido em relação ao Reclamado Thiago – seja
porque a Reclamante prestou serviços de forma autônoma, seja porque a Reclamante
declara na inicial que a doença decorreu e se estabeleceu durante o vínculo empregatício
com o Primeiro Reclamado.
Dessa forma, comprovada a existência de doença profissional,
não há razão para que o Reclamado Thiago seja responsabilizado, seja de que forma for.
A Reclamante deixou de prestar serviços para o Segundo
Reclamado em julho de 2024, nove meses antes de a Reclamante apresentar a doença que
relata.
DO PEDIDO DE ESTABILIDADE PROVISÓRIA EM RAZÃO DE DOENÇA OCUPACIONAL
Improcede em relação ao Segundo Reclamado, posto que não
há nexo causal entre o surgimento da doença e o período da prestação de serviços.
DO DIREITO À ESTABILIDADE PROVISÓRIA DECORRENTE DE DOENÇA OCUPACIONAL-
INDENIZAÇÃO SUBSTITUTIVA
Improcede em relação ao Segundo Reclamado pelos motivos
antes expostos.
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IVANI CARDONE
ADVOGADA
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DO ADICIONAL DE INSALUBRIDADE
Pleiteia a Reclamante adicional de insalubridade sob a alegação
de que a Reclamante trabalhava em “condições precárias e inseguras”, sem o devido uso dos
EPI’s – o que não condiz com a realidade.
Não condiz com a realidade a declaração da Reclamante.
A Reclamante se ativava como auxiliar de cozinha.
Os produtos que foram fornecidos para a Reclamante, quando
fazia limpeza, são aqueles normalmente utilizados pelas donas de casa – não são produtos
químicos agressivos ou de alta corrosão – ao contrário.
Ao que se sabe a Primeira Reclamada sempre forneceu os EPI’s
necessários à essa atividade – uniforme, botas e luvas – uma vez que, em ambiente de
hotelaria, repita-se, não se utilizam produtos que possam causar danos a saúde de quem
quer que seja.
Ademais, tendo a Reclamante laborado de forma esporádica e eventual
no período em que prestou serviços para o segundo Reclamado, o adicional não é devido .
Dessa forma, improcede o pedido de adicional de insalubridade
em relação ao Segundo Reclamado, bem como os seus reflexos em aviso prévio, férias +1/3,
13º. Salário e verbas rescisórias.
DA ENTREGA DO PPP
Improcede pelos mesmos motivos antes alegados.
DO DESCONTO INDEVIDO DE UNIFORME E CRACHÁ
Improcede em razão do equivocado enquadramento sindical.
Não fosse isso, no período em que a Reclamante prestou
serviços para o Segundo Reclamado Thiago jamais a Reclamante teve que pagar pelo
uniforme e crachá, sendo improcedente tal pedido.
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IVANI CARDONE
ADVOGADA
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DA AJUDA DE CUSTO PARA A LAVAGEM DO UNIFORME.
Improcede pelos motivos antes expostos e em razão do
equivocado enquadramento sindical.
DA MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DA CCT.
Improcede em razão do equivocado enquadramento sindical.
DOS DANOS MORAIS
Equivoca-se à Reclamante ao dizer que sofreu física e
psicologicamente, atribuindo essa “dor” à falta de recolhimento de FGTS e INSS.
Não é demais repetir que a Reclamante prestou serviços como
autônoma, freelancer. Não foi obrigada ou coagida para isso. Prestava serviços dessa forma,
também, para outras empresas.
Não bastasse, se sentiu oralmente ofendida por não ter sido
registrada quando realizava prestação e serviço autônomo!
Os danos morais não podem nem devem ser banalizados! Que
dano de ordem moral se afigurou?!
Tudo quanto a Reclamante evoca não gera dano moral.
Aborrecimentos ou frustações não são indenizáveis.
Inclusive o STJ já vaticinou que somente os casos de
“aborrecimento extremamente significativo” a indenização é admissível (STJ, 3ª T., Resp.
158.535, Rel. Min. Carlos Alberto Menezes, julg. 04.04.2000, publ. DJ 09.10.2000).
O dano moral, à luz da Constituição Federal, é a agressão à
dignidade humana capaz de romper o equilíbrio psicológico do indivíduo. O dano moral só é
devido quando cabalmente demonstrado ter o empregado sofrido humilhações, prejuízos,
sofrimentos morais e prejuízos outros decorrentes de atitude arbitrária do empregador.
Portanto, o simples fato de a Reclamante não manter vínculo
empregatício, está longe de ser causador de dano moral, afinal não há qualquer ofensa ao
íntimo ou à personalidade do trabalhador, até porque, sempre prestou serviços autônomos.
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IVANI CARDONE
ADVOGADA
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Como bem lecionou o a Juíza Relatora Maria Cristina Xavier
Ramos Di Lascio no acórdão proferido no Recurso Ordinário TRT-SP Nº 1001662-
10.2023.5.02.0029 - 8ª TURMA – 15/05/25:
“O dano moral é aquele que atinge os direitos da personalidade, sem valor econômico,
caracterizando-se na relação de emprego, por abusos cometidos pelo ofensor com
repercussão na vida privada, na intimidade, na honra ou na imagem do ofendido.
São pressupostos caracterizadores à responsabilização civil da empresa a comprovação da
existência de dano, nexo causal e dolo ou culpa do agente. Nesse sentido o disposto no
inciso XXVIII, do artigo 7º da Constituição Federal c/c o artigo 186 do Código Civil de 2002.
Nesse sentido, entendo que o inadimplemento das verbas da rescisão contratual, mesmo
trazendo aborrecimento e irresignação ao trabalhador, não desencadeia a reparação por
danos morais, eis que indispensável a prova de violação aos direitos da personalidade o que
não se perfez no presente feito. Tanto que não há prova de que, pelo inadimplemento das
parcelas da quitação teve seu nome negativado junto aos serviços de proteção ao crédito ou
que tenha sido ofendido em sua intimidade e sua honra.
Esse é o entendimento majoritário da jurisprudência do TST:
"RECURSO DE REVISTA. ACÓRDÃO PUBLICADO NA VIGÊNCIA DA LEI Nº 13.467/2017. DANO
MORAL - ATRASO NO PAGAMENTO DE VERBAS RESCISÓRIAS - INDEVIDO. Cinge-se a
controvérsia em definir se a conduta do empregador quanto ao inadimplemento das verbas
rescisórias, por si só, gera ou não a ofensa de ordem moral, capaz de ensejar a indenização
civil. Nos termos do artigo 186 do Código Civil, para a existência do dever de reparar o dano
causado, alguns pressupostos devem estar presentes, sem os quais o próprio instituto da
responsabilidade não pode subsistir, quais sejam, o dano experimentado pelo ofendido, a
ação ou a omissão do causador, o nexo de causalidade e a culpa ou o dolo. Portanto, há de
ser provado o dolo ou culpa do empregador, cabendo ao Judiciário se posicionar se o dano
dele decorrente se enquadra ou não como dano moral. Assim, o mero não pagamento das
verbas rescisórias não dá azo à indenização por danos morais, se do ato ilícito não decorreu
nenhuma situação vexatória ou de constrangimento pessoal, notadamente porque já há na
legislação penalidade específica para tal circunstância, conforme previsão no art. 477 da CLT.
Recurso de revista conhecido e provido" (RR-0010235-39.2023.5.15.0111, 2ª Turma,
Relatora Ministra Liana Chaib, DEJT 06/03/2025).
"RECURSO DE REVISTA. LEIS NºS 13.015/2014 E 13.467/2017. INDENIZAÇÃO POR DANOS
MORAIS. INADIMPLEMENTO DAS VERBAS RESCISÓRIAS. TRANSCENDÊNCIA POLÍTICA
RECONHECIDA. A jurisprudência desta Corte é no sentido de que o atraso/inadimplemento
de parcelas rescisórias não viola, em regra, os direitos de personalidade do trabalhador,
constituindo ato ilícito que causa apenas danos na esfera material/patrimonial do autor - a
não ser que haja efetiva demonstração de constrangimento ou sofrimento decorrentes da
moral do empregador. Recurso de revista de que se conhece e a que se dá provimento " (RR-
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IVANI CARDONE
ADVOGADA
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20851-69.2021.5.04.0234, 3ª Turma, Relator Ministro Alberto Bastos Balazeiro, DEJT
21/02/2025).
Destarte, por não comprovado o dano moral alegado, mantenho
inalterada a r. sentença hostilizada por seus próprios e jurídicos fundamentos...”
Improcede, desse modo, o pedido de danos morais em relação
ao segundo Reclamado.
Quanto às ofensas e humilhações que alega ter sofrido, todas
se deram no período em que laborou para o Primeiro Reclamado, nove meses após cessar a
prestação de serviços com o ora Reclamado, razão pela qual improcede o pedido quanto a
este.
DA MULTA DO ARTIGO 477 8 8º DA CLT
Improcede, tendo em vista a prestação de serviços autônomo.
DA MULTA DO ARTIGO 467 DA CLT
Improcede tal pedido tendo em vista que as verbas que estão
sendo discutidas são absolutamente controversas.
Impugna por completo verbas mencionadas às fls. 31 e
seguintes, “01” a “32” (rol de pedidos).
Sobre o período de 12 de abril de 2024 a 14 de julho de 2024
houve prestação de serviços na qualidade de autônomo sem vínculo. Assim, impugna por
completo direitos trabalhistas requeridos na inicial.
Sobre o período posterior, a Reclamante não prestou serviços
para o segundo Reclamado.
DEDUÇÕES DE VALORES JÁ PAGOS – PRINCÍPIO DA EVENTUALIDADE
Na hipótese de uma inesperada condenação, o que se admite
em razão do Princípio da Eventualidade, se requer com fulcro no art. 767 da CLT que seja
autorizada a dedução/retenção dos valores já pagos ao reclamante. Requer que os valores a
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ADVOGADA
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serem deduzidos/retidos sejam devidamente corrigidos, bem como se requer que a r.
sentença defina os critérios a serem adotados, a fim de se evitar o enriquecimento sem
causa.
HONORÁRIOS DE SUCUMBÊNCIA
A Lei 13.467/2017, a partir de sua vigência, alterou
substancialmente a regra até então vigente, instituindo no âmbito do Direito Processual do
Trabalho os honorários advocatícios de sucumbência, de maneira que a parte que sucumbir
no objeto da lide será condenada ao respectivo pagamento.
Consoante restou cabalmente demonstrado acima, a parte
Reclamante não faz jus a quaisquer dos títulos ora postulados, sendo totalmente
sucumbente, razão pela qual se requer seja condenada ao pagamento dos honorários
advocatícios, no percentual de 15% (quinze por cento), considerando todo o labor executado
pelo patrono da reclamada e os demais requisitos previstos no § 2º do artigo 791-A do
Diploma Consolidado.
Na remota hipótese de ser deferido algum título à parte
Reclamante, o que se admite apenas para efeito de argumentação, requer-se que seja fixada
a sucumbência recíproca na forma do § 3º do mencionado artigo 791-A da Consolidação das
Leis do Trabalho, subtraindo dos créditos da parte reclamante o valor relativo à verba
honorária devida aos patronos da reclamada ou, ainda, caso os créditos não sejam
suficientes ao pagamento de tal verba, que seja oficiado ao mencionado Setor de
Distribuição, visando aos efeitos perseguidos no parágrafo anterior.
Por fim, na improvável hipótese de não serem pagos os valores
devidos ou identificados créditos da parte Reclamante em outros processos, desde já a
segunda Reclamada se resguarda ao direito de executar os valores devidos tão logo sejam
identificados créditos em favor da parte reclamante, conforme permite o já referido § 4º do
artigo 791-A da CLT.
IMPUGNAÇÃO DE VALORES
Restam impugnados todos os números e cifras lançados na
inicial, máxime porque não foi observada a correta remuneração da obreira, os descontos
legais, a dedução dos valores pagos pela Reclamada sob os mesmos títulos e os dias
efetivamente trabalhados, sendo que acaso alguma verba venha a ser deferida, requer seja
apurada em regular liquidação de sentença, considerando-se, principalmente, a evolução
salarial que restar comprovada nos autos e a realidade da prestação laboral.
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IVANI CARDONE
ADVOGADA
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IMPUGNAÇÃO DOS DOCUMENTOS JUNTADOS NA INICIAL
Restam impugnados todos os documentos juntados com a
inicial que não se encontrem traduzidos, que não contenham expressamente o nome ou
indicativo de que pertençam a Reclamante, aqueles que não contenham chancela da
Reclamada, não estiverem assinados ou sem o indicativo de quem os preencheu, não
servindo de prova em favor das teses da Autora e, principalmente, aqueles que foram
produzidos de forma unilateral, eis que não permitem que a Reclamada e esse Meritíssimo
Juiz verifiquem a veracidade de seu conteúdo.
Por derradeiro, impugnam-se os documentos face às razões já
tecidas nesta peça contestatória.
DOCUMENTOS JUNTADOS PELAS RECLAMADAS
A Reclamada traz aos autos a documentação necessária para a
comprovação do quanto aduzido nesta defesa, sendo certo que a autenticidade destes,
inclusive da procuração/substabelecimento e atos constitutivos da empresa, se encartados
aos autos de forma simples, é declarada pelos subscritores da presente, sob suas
responsabilidades pessoais, nos termos do artigo 830, da Consolidação das Leis do Trabalho.
PROVAS A SEREM PRODUZIDAS
Na preservação de seus interesses, a contestante requer a
produção de todas as provas em direito admitidas, especialmente pelo depoimento pessoal
da reclamante (Súmula 74 do Colendo Tribunal Superior do Trabalho), inquirição de
testemunhas, inclusive por carta precatória, juntada de documentos, realização de perícias,
vistorias e o que mais for necessário para o deslinde da controvérsia e a expedição dos
ofícios requeridos na defesa.
DEDUÇÕES FISCAIS E PREVIDENCIÁRIAS, CORREÇÃO MONETÁRIA, JUROS, COMPENSAÇÃO
E ABATIMENTO.
Na improvável hipótese de alguma verba vir a ser deferida na
presente ação, o que se admite apenas como argumento, requer-se a dedução dos valores
correspondentes aos recolhimentos fiscais e previdenciários conforme Súmula nº 368 do
Colendo Tribunal Superior do Trabalho, sendo que, com relação ao imposto de renda, requer
sejam observados os artigos 12-A da Lei nº 7713/88 c/c art. 46 da Lei nº 8541/91, inclusive
no tange a aplicação das tabelas progressivas.
Os juros incidem desde o ajuizamento da ação, nos termos do
artigo 883 da Consolidação das Leis do Trabalho, não sendo tributáveis, conforme disposto
no artigo 404 do Código Civil e Orientação Jurisprudencial nº 400, da SBDI 1, do Colendo
Tribunal Superior do Trabalho.
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ADVOGADA
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Quanto à incidência da correção monetária, requer seja
tomado por base o mês subsequente ao do fato gerador (que no presente caso é o mês
seguinte ao efetivo mês trabalhado), conforme entendimento da Súmula nº 381 do Colendo
Tribunal Superior do Trabalho, exceto quando se tratar de condenação em pleito
indenizatório, eis que nesta condição a correção monetária deve ser contada a partir da data
da decisão de arbitramento ou de alteração do valor, nos termos da Súmula nº 439 da
mesma Corte.
Ainda com relação à correção monetária, nos exatos termos
dos artigos 879, § 7º, da CLT; 39 da Lei nº 8.177/91 e 15 da Lei nº 10.192/01, bem como da
Orientação Jurisprudencial nº 300 da SBDI 1, do Colendo Tribunal Superior do Trabalho, é a
TR o fator de correção oficial para os débitos trabalhistas de qualquer natureza e que requer
seja utilizado em caso de condenação, tendo em vista que não existe previsão legal para a
utilização de qualquer outro fator.
Nem se alegue que a decisão do Egrégio Supremo Tribunal
Federal nos autos da Reclamação 22.012 produziu efeitos em relação às regras acima
mencionadas, já que, conforme restou claramente decidido nos autos daquela ação
constitucional, não há qualquer identidade material entre a atualização dos débitos
trabalhistas e o que foi efetivamente decidido nas ADI’s 4.357/DF e 4.425/DF apontadas
como paradigma.
Isso significa dizer que a decisão tomada pelo C. TST, quando
julgou inconstitucional o art. 39 da Lei nº 8.177/91, nos autos da Arguição de
Inconstitucionalidade Incidental nº 479-60.2011.05.04.0231, o fez de maneira equivocada,
na medida em que a decisão se fundamentou precisamente nos referidos precedentes do
STF, cuja inaplicabilidade aos débitos trabalhistas agora foi expressamente afirmada.
Significa, ainda, em suma, que os dispositivos legais que
fundamentam a aplicação da TR na Justiça do Trabalho não foram objeto de apreciação pela
Corte Suprema nas mencionadas ADI’s, estando em plena vigência.
Requer a Reclamada, por derradeiro, a compensação de todos
os valores que foram pagos sob verbas distintas e o abatimento de todos os valores quitados
sob o mesmo título, nos termos do artigo 767 da Consolidação das Leis do Trabalho.
Outrossim, declara a Reclamada a autenticidade dos
documentos encartados aos autos de forma simples, como autoriza o artigo 830 da
Consolidação das Leis do Trabalho.
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ADVOGADA
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CONCLUSÃO
Dessa forma, demonstrada a fragilidade da tese apresentada na
peça exordial, seja decretada a IMPROCEDÊNCIA dos pedidos veiculados na exordial, eis que
desprovidos de embasamentos fático e jurídico para a obtenção da tutela jurisdicional.
Requer provar o alegado por todos os meios de prova em
direito admitidos, sem a exclusão de nenhum deles, em especial pelo depoimento pessoal da
Reclamante, sob pena de confissão.
OUTRAS CONSIDERAÇÕES
Descabe a juntada de documentos em audiência inaugural pela
Reclamada para fazer a prova da Reclamante, pois tal requerimento contraria a teoria geral
da prova.
Impugna a Reclamada os valores, critérios e datas na peça
vestibular por não condizerem com a realidade, além de estarem destituídos de qualquer
demonstração contábil.
Requer por fim a Reclamada que toda e qualquer intimação
e/ou notificação efetuadas em nome da subscritora IVANI CARDONE – OAB/SP 80.911, sob
pena de nulidade.
Termos em que,
P.E. deferimento,
São Paulo, 09 de junho de 2025.
IVANI CARDONE – OAB/SP 80.911
IVANI CARDONE
OAB/SP 80.911
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