0% acharam este documento útil (0 voto)
3 visualizações16 páginas

Drama Familiar em "Sem Saída"

Todos estão presos a verdades que só serão reveladas na hora

Enviado por

artstudssids
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
3 visualizações16 páginas

Drama Familiar em "Sem Saída"

Todos estão presos a verdades que só serão reveladas na hora

Enviado por

artstudssids
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

“SEM SAÍDA”

Um roteiro de:
BIANCA
HANNAH LAFAYETTE
LALI CAVALCANTI
LÉO TELES
REBEKA BORBA
THIAGO ABREU
THYEGO SANTOS
“SEM SAÍDA”

FADE IN.

1 – INT – SALA FECHADA – DIA

Oito pessoas estão deitadas, imóveis e desorientadas. BRUNA


é a primeira a se mexer. Seus dedos tremem levemente. Ela
abre os olhos com esforço, ofegante. EDUARDO se vira de lado,
grunhindo. LUCAS franze o rosto, leva a mão à testa. MARTA
acorda com um leve soluço, mas não se move. RENATA abre os
olhos lentamente e ao perceber que está em um local
desconhecido, levanta-se abruptamente e ofegante em busca de
BRUNA. Todos os demais vão despertando e se levantando aos
poucos, sem entender. Seus olhares se cruzam. A desconfiança
nasce no mesmo instante. Bruna caminha até a porta e tenta
abri-la. Trancada. Olha pela janelinha, mas não vê nada. Se
afasta. Eduardo, ainda deitado, olha ao redor, tenso.

EDUARDO
Que porra é essa?

Uma voz surge de um alto-falante.

VOZ (V.O.)
Vocês mentem uns para os outros há tempo
demais. A porta abrirá quando a verdade
for dita.

2
EDUARDO
(rindo nervoso)
Não pô, pera aí. É sério isso? Versão
familiar de Jogos Mortais?

Silêncio. Todos se olham. A tensão se instala. Bruna olha


para a porta, vê alguém do outro lado olhando pela janelinha;
corre rapidamente para pedir ajuda, mas não obtém sucesso.

BRUNA
Tem alguém ali...Ei, abre a porta! Por
favor, nos ajude! O que está
acontecendo? Não, não vai embora! Ei,
abre logo!

Carolina vai em direção a Bruna, tentando acalmá-la.

CAROLINA
Calma... Bru, você tá tomando aqueles
remédios de novo?

BRUNA
Não começa com isso de novo! Eu não sou
louca, caramba! Eu vi alguém ali!

CAROLINA
Eu sei. Olha, vamos sair daqui logo, tá?
É só uma brincadeirinha de mau gosto.

O silêncio instala-se novamente. Ninguém tem coragem de


começar a falar. A voz novamente anuncia.

3
VOZ (V.O.)
A verdade continua trancada com vocês.
Só ela pode abrir a porta.

Todos ficam com semblante de angústia. Momento depois, Renata


encara Bruna e quebra o silêncio.

RENATA
Vai, fala o que você sempre quis dizer!
E não precisa me olhar com cara feia, eu
sei que você me odeia, só que nunca teve
coragem de dizer.

Bruna com olhos fixos em Renata, engole seco.

BRUNA
Odeio... Odeio mesmo! Porque você sempre
tentou controlar minha vida como se eu
fosse uma extensão da sua! Mas a verdade
é que você odeia sua própria vida!

RENATA
Você não sabe de porra nenhuma, Bruna.
Não sabe o que é criar uma filha sozinha.
Eu tive que engolir o mundo pra manter
essa merda de casa de pé, enquanto você
escrevia poesia no caderno e se cortava
no banheiro.

Renata se arrepende ao terminar a frase e tenta tocá-la.


Bruna se esquiva.

4
BRUNA
Nossa, não sabia que você era tão
desprezível assim. Eu fazia essa merda
justamente porque ninguém ouvia quando
eu pedia ajuda! Nem mesmo você!

Eduardo, nervoso, bate a mão no chão. Em tom sarcástico,


fala encarando a todos, especialmente seus pais, Marta e
Antônio:

EDUARDO
Porra! Vocês querem a verdade? Tá bom.
Eu voltei a beber. Eu tentei me
recuperar, ser uma pessoa normal, mas
percebi que encarar toda essa merda
sóbrio era pior. E antes que alguém fale:
sim, eu sou um merda, o filho fodido.
Mas fui feito por essa família!

LUCAS ri baixo.

LUCAS
Você foi feito pelo uísque, isso sim.
Você é um sem futuro. Agora eu me virei
sozinho. Nunca precisei de vocês e nunca
vou precisar.

Carolina encara Lucas.

CAROLINA
Claro. Cresceu mentindo, né? Até hoje
vive de mentira. Ganha as coisas na base
da manipulação.

5
LUCAS
Olha aí! A artista frustrada que sumiu
porque ninguém aguentava mais o teu
jeito de sofridinha.

Carolina respira fundo, engole seco. Eleva o tom.

CAROLINA
Você é um merda! Eu sumi porque o
desgraçado do tio Cláudio enfiava a mão
debaixo da minha blusa quando ninguém
olhava. Eu tinha nove anos!

Todos permanecem em silêncio. Carolina continua, enquanto


desmorona.

CAROLINA
Nove! E ninguém fez nada. Nem mesmo você,
mãe.

Marta olha para Carolina com os olhos marejados. Gagueja.

MARTA
Eu... eu achei que era invenção sua. Que
você estava... exagerando. Eu não sabia
o que fazer. Me perdoa, filha.

Carolina faz menção de falar, mas desiste. Engole seco.


Encara seus pais, Marta e Antônio, com desprezo. Silêncio.
MARCUS suspira.

6
MARCUS
Nossa, que teatrinho, hein? Eu nunca me
senti parte realmente dessa família...
Vocês são podres demais. E olha você, o
patriarca que nem sequer consegue
colocar ordem na própria família.

Antônio olha para Marcus com desprezo, mas o ignora. Marcus


tenta provocar.

MARCUS
Por que não fala do seu segredo também,
senhor Antônio? Você sempre me odiou, me
excluiu por eu ser gay. Engraçado como
você sempre me olhou com desprezo,
pai... Mas se esqueceu das suas visitas
ao Igor, né?

Antônio, nervoso, olha para Marcus. Todos ficam com semblante


confuso. Marta questiona Antônio:

MARTA
Como assim, Antônio? Quem é esse rapaz?

Antônio permanece em silêncio enquanto olha pra baixo. Marta


questiona Marcus.

MARTA
De Quem você está falando? Fala
Marcus...

Antônio interrompe Marta.

7
ANTÔNIO
Nada, esse idiota está inventando merda!
Pra tentar desunir ainda mais a nossa
família.

MARCUS
Oxe, e é? Igor era... Ele era um grande
amigo meu. Mas acho que ele era muito
mais íntimo de você, né, pai?

Antônio encara Marcus.

ANTÔNIO
Chega, Marcus! Chega dessa merda! Isso
foi tudo ideia sua, né? Planejou tudo
isso!

Marcus abaixa a cabeça e ri.

MARCUS
Sabe, pai... Gostaria muito de ter
planejado isso tudo, mas infelizmente
alguém chegou antes de mim.

Lucas sorri levemente. Renata o encara.

RENATA
Vai rir até quando, Lucas? Tá se
divertindo com toda essa merda, né?

LUCAS
Ah, Renatinha. Me desculpe.

8
RENATA
Você sempre foi um merda arrogante. Eu
lembro quando você fugia da escola e me
fazia mentir pra nossa mãe, e eu toda
besta, certinha, cobrindo suas merdas.

LUCAS
Até hoje você mente! Vive fingindo que
tem tudo sob controle.

Renata nervosa despeja sobre os irmãos, Lucas, Eduardo,


Carolina e Marcus, sentimentos guardados e presos na
garganta.

RENATA
Eu tinha que ter tudo sob controle!
Porque vocês quatro viviam no caos!

Lucas sarcástico.
LUCAS
Ô coitadinha! E cadê teu marido, hein?
Sumiu de tanto que você mandava nele?

Renata fala no impulso. Fecha os olhos.

RENATA
Ele sumiu porque descobriu que a Bruna
não era filha dele.

Silêncio. Todos olham para Renata. Bruna fica em choque.

9
BRUNA
É o que? Que merda é essa? Quem é meu
pai?

Renata fica em silêncio, engole seco. Fecha os olhos e


respira fundo.

RENATA
Lucas sabe.

Todos confusos olham para Lucas, que finalmente perde a


imagem de sarcástico.

LUCAS
Oxe, é o que? Por que eu? Tu tá viajando.

Renata abaixa a cabeça, coloca a mão no rosto. Nervosa.

RENATA
Você me usou. Eu era uma garota inocente,
carente, e você... você era meu irmão
mais velho, cara.

O silêncio é absoluto. Lucas tenta falar, mas não sai som.


Todos ficam sem reação. Marta cobre a boca com as mãos.

ANTÔNIO
Como você pôde fazer isso com sua própria
irmã? Seu doente! Desgraçado!

10
LUCAS
Não foi assim! Ela queria! Ela nunca
disse não! Era tudo confuso naquela
casa, ninguém dava atenção pra ninguém!

BRUNA
Que nojo... por que você nunca me contou?

RENATA
Porque você é a única coisa boa que saiu
disso tudo. E eu tive medo de estragar
isso.

Bruna se afasta, sem conseguir olhar para ninguém.

BRUNA
Eu sou filha de um... Incesto. Isso é
nojento... eu nem sei quem eu sou mais.
Como eu vivo com isso agora?

Renata tenta se aproximar. Bruna recua.

BRUNA
Sai de perto de mim! Eu nunca senti tanto
nojo de você como tô sentindo agora. E
você, é o que, afinal? Meu pai? Meu tio?
Um monstro desgraçado?! Nojento!

Bruna tenta abrir a porta. Não consegue.

11
BRUNA
Que inferno! Eu só quero sair daqui. O
que mais vocês querem? Porra! Já falamos
tudo!

Marta fecha os olhos, tentando reunir forças para falar.


Todos olham para ela.

MARTA
Eu sabia... Eu ouvi Renata chorar
naquela noite e depois vi Lucas saindo
do quarto dela. Eu... fechei a porta.
Fiz de conta que era só mais uma briga.

CAROLINA
Mais uma vez você fechando os olhos pras
merdas que aconteciam naquela casa...
Que nojo de você!

Todos permanecem em silêncio, impactados. Bruna olha para


cada um.

BRUNA
Que merda, se isso aqui é uma armadilha,
funcionou. Tô presa nesse inferno desde
sempre com vocês. Só sei sentir nojo de
tudo, de todos!

EDUARDO
Que se foda! Essa família é um pesadelo,
uma prisão. Ninguém aqui presta.

12
O silêncio se faz presente novamente. Antônio respira fundo,
sua voz sai trêmula.

ANTÔNIO
Meu Deus, isso é tudo minha culpa. Eu
não sei como amar. Meu pai nunca me
ensinou. Ele nunca nem sequer me
abraçou. Então eu... nunca aprendi a
amar. eu só repeti o que vivi.

Todos ouvem em silêncio.

ANTÔNIO
Vocês não mereciam isso, mas foi o que
eu fui capaz de oferecer. Me desculpem.

Silêncio. Bruna caminha em direção à Antônio e o abraça. Ele


hesita, mas logo retribui. A porta se destranca. Todos se
olham tensos. Ninguém se move.

BRUNA
Eu tô com tanto nojo que nem sei mais o
que falar. Tudo que eu mais queria era
ter uma família normal! Viver como
pessoas e não como animais. Mas depois
disso tudo, eu só quero distância!

Bruna é a primeira a sair. Os outros se olham com nojo e


desprezo. Em seguida, a acompanham.

2 – EXT – CORREDOR – NOITE

Todos passam por um corredor escuro. Avistam uma porta que


julgam ser a saída. Bruna, aliviada, vai em direção a porta.

13
BRUNA
Merda, tá trancada!

Bruna observa através de uma pequena janela na porta. Fica


imóvel e incrédula ao ver o que tem do outro lado da porta.
Era ela e sua família naquela mesma sala que acabaram de
sair. Ouve-se uma voz abafada do outro lado da porta.

BRUNA (O.S)
Ei, abre a porta! Por favor, nos ajude!
O que está acontecendo? Não, não vai
embora! Ei, abre logo!

Bruna sussurra, confusa tentando entender o que está


acontecendo.
BRUNA
(sussurrando)
A gente nunca vai sair daqui, né? Porque
o que prende a gente não é a porta... É
tudo que a gente carrega.

A câmera foca em Bruna com semblante confuso e assustado,


enquanto se afasta da porta. Corte seco.

3 – INT – SALA FECHADA – DIA

Todos estão no chão novamente. Bruna acorda devagar. Tudo


parece igual, mas algo em seu rosto mudou. Ela está ciente
do que está prestes a acontecer. Ela olha para os outros,
que ainda estão desacordados. Seus olhos passam por cada um.

14
BRUNA
(sussurrando)
De novo não...

Bruna se levanta e fica no centro da sala pensativa. Os


outros vão despertando. Eles acordam mais lentamente, menos
lúcidos, com expressões apáticas.

EDUARDO
Que porra é essa?

Bruna chama a atenção de todos. Ela está mais inquieta,


ansiosa.
BRUNA
Gente, olhem pra mim! Vocês lembram, não
lembram? As merdas que acabaram de
acontecer! A gente já passou por isso.
Parece um castigo. Ou um teste. Tortura.
Ilusão, não sei. Que merda! Isso é
loucura!

A câmera passeia por todos, que estão com olhares diferentes;


mortos direcionados à Bruna. Ninguém responde.

BRUNA
(sussurrando)
Acho que se a gente repetir tudo como
antes, vamos voltar aqui de novo. Que
inferno... Eu não sei o que eles querem
de nós. Tem que ter um jeito de sair
daqui.

Silêncio. Bruna olha para cada um.

15
BRUNA
Por que vocês não falam nada? Vamos
acabar com essa merda logo!

Ninguém responde. Bruna resolve sentar-se. Todos permanecem


imóveis, porém olhando cada passo que ela dá. Bruna abaixa
a cabeça, parece pensar em algo. De repente, seus familiares
começam a falar de forma misturada, caminham lentamente em
sua direção. Bruna levanta em direção a porta. Bate e grita.
Tenta fugir.

VOZES (V.O.)
Você finge. Você falha. Você não é nada.
Você é covarde. Você foge. Você é doente.
Você merece. Você merece. Você merece...

Bruna, nervosa, senta-se lentamente em frente a porta,


tampando os ouvidos. Fecha os olhos e grita. As vozes param.
Ela olha em volta, todos somem. Olhando para a câmera, Bruna
suspira e agora apresenta um olhar cansado; morto.

BRUNA
A porta nunca vai abrir, né? Nunca foi
esse o problema...

Silêncio. A câmera vai se afastando.

FADE OUT.

16

Você também pode gostar