A gestão escolar pública e os
desafios da educação contemporânea:
uma pesquisa de campo
Ramilson Amaro Nunes
Graduando em Administração Pública na Universidade Federal
do Piauí – UFPI.
E-mail: raminunes1@[Link]
Fernando Ygor Oliveira Silva
Mestrando em Administração Pública na Universidade Federal
do Piauí – UFPI.
E-mail: fernando@[Link]
Revista Eletrônica do Ministério Público do Estado do Piauí
Ano 03 - Edição 01 - Jan/Jun 2023
Revista Eletrônica do Ministério Público do Estado do Piauí
Ano 03 - Edição 01 - Jan/Jun 2023 12
A GESTÃO ESCOLAR PÚBLICA E OS DESAFIOS DA EDUCAÇÃO
CONTEMPORÂNEA: uma pesquisa de campo
Ramilson Amaro Nunes1
Fernando Ygor Oliveira Silva2
RESUMO
O trabalho aborda a temática da gestão escolar nos processos educativos contemporâneos e
parte da seguinte questão-problema: Como os gestores de duas escolas públicas de Teresina
têm enfrentado os desafios da educação contemporânea? A proposta de estudo tem como
objetivo geral investigar a gestão escolar de duas unidades escolares vinculadas à rede
municipal de Teresina frente aos desafios da educação contemporânea e, especificamente,
identificar os desafios que os gestores escolares têm enfrentado na contemporaneidade;
caracterizar a prática administrativa de gestores atuantes em contexto escolar e compreender
a postura dos gestores escolares frente aos desafios encontrados. A pesquisa foi realizada com
dois gestores de escolas públicas de Teresina e adotou como metodologia um estudo de
campo mediado pela aplicação de questionário. A base teórica foi fundamentada nas
produções de CURY (1988), DOURADO (2006), LUCK (2005), LIBANEO (2001), dentre
outros.
Palavras-chave: gestão escolar; educação; questionário.
INTRODUÇÃO
A educação é uma das principais bases da sociedade e esta demanda um caráter de
responsabilidade por todos os atores que estão envolvidos com tarefas relacionadas ao
processo ensino e aprendizagem em si, mas também com a gestão escolar, que serão
responsáveis em assegurar a excelência do ensino ofertado.
Partindo deste pressuposto, este trabalho aborda a temática gestão escolar nos
processos educativos contemporâneos e parte da seguinte questão-problema: Como os
gestores de duas escolas públicas de Teresina-PI têm enfrentado os desafios da educação
contemporânea?
O objetivo geral da pesquisa consiste em investigar a gestão escolar de duas unidades
escolares vinculadas à rede municipal de Teresina-PI frente aos desafios da educação
contemporânea e, especificamente, identificar os desafios que os gestores escolares têm
enfrentado na contemporaneidade, caracterizar a prática administrativa de gestores atuantes
em contexto escolar e compreender a postura dos gestores escolares frente aos desafios
encontrados.
A metodologia adotada será baseada em uma pesquisa de campo do tipo descritiva de
1
Graduando em Administração Pública na Universidade Federal do Piauí – UFPI.
E-mail: raminunes1@[Link]
2
Mestrando em Administração Pública na Universidade Federal do Piauí – UFPI.
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abordagem qualitativa, onde o sujeito da pesquisa serão dois gestores de escola públicas no
município de Teresina-PI.
A escolha desta temática justifica-se pela necessidade de compreender os principais
desafios enfrentados pelos gestores escolares para o desenvolvimento da qualidade do ensino
nas instituições de ensino.
A pesquisa científica resulta de estudos realizados pelo pesquisador, devendo assim,
esta obedecer a padrões que já são previamente estabelecidos. Neste processo, o percurso
metodológico tem objetivo mediar a produção dos dados da investigação.
Na busca por bons resultados de uma pesquisa, o percurso metodológico é de suma
importância, pois é este que vai nortear o caminho a ser percorrido pelos pesquisadores.
Entendemos que é preciso se ter um bom planejamento para desenvolver uma pesquisa, haja
vista que este dará as orientações sobre a construção do conhecimento a ser estudado e
organizar a forma de produção de dados.
Segundo Lakatos e Marconi (2003) “quaisquer que seja o método utilizado em uma
pesquisa, deve-se haver levantamentos de variadas formas e fontes, para se obter informações
suficientes para bons resultados”. Assim, optamos em desenvolver uma pesquisa de natureza
qualitativa, que segundo Gressler(2004) “é utilizada quando se busca descrever a
complexidade de determinado problema, não envolvendo manipulação de variáveis e estudos
experimentais”. Dessa forma, para melhor compreender o objeto estudado, optamos em
desenvolver uma pesquisa de campo por entendermos que coaduna com a proposta de
pesquisa qualitativa.
Para chegar ao resultado da pesquisa os dados serão coletados e agrupados em
categorias, sistematizadas a partir das questões elencadas advindas dos objetivos do estudo.
Para tanto, a mesma será realizada com dois gestores de escola públicas no município de
Teresina-PI a partir da aplicação de um questionário.
APRESENTANDO UM PANORAMA DA GESTÃO ESCOLAR
O conceito de Gestão sofreu alterações ao longo dos anos, mas tem sempre o mesmo
sentido, ou seja, um meio de organização de instituições ou pessoas por meio do
planejamento, monitoramento e avaliação. A palavra gestão tem sua origem no verbo latino
gero, gessi, gestum, gerere, que significa levar sobre si, carregar, chamar sobre si, executar,
exercer e gerar. Seu sentido etimológico tem com raiz a palavra ger, significando fazer brotar,
germinar ou fazer nascer. (CURY, 2002)
Quanto à dimensão de gestão escolar, Luck (2005) a define como um processo de
mobilização da competência e da energia de pessoas coletivamente organizadas para que, por
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sua participação ativa e competente, promovam a realização, o mais plenamente possível, dos
objetivos de sua unidade de trabalho. Seu objetivo é, portanto, o crescimento, estabelecido
pela instituição através do esforço humano organizado em busca de ações mais eficientes, e o
desenvolvimento pleno.
Neste processo, o gestor escolar é o sujeito responsável por atuar na organização da
escola, assumindo a missão de elaborar propostas pedagógicas para a escola em que atua, com
base na democracia e na participação da comunidade, garantindo a manutenção da qualidade
do ensino. Além disso, o sistema de gestão escolar deve valorizar a atuação de educadores
com a responsabilidade de formar cidadãos críticos sobre a realidade, que tenham opinião e
integridade.
Com a promulgação da Constituição Brasileira Federal de 1988, o processo de
redemocratização no Brasil provocou grande influência na educação. Os manifestos
ocasionaram também as eleições para diretores escolares em vários estados do país. A Carta
Magna chegou a definir a gestão democrática do ensino público, na forma da lei como um de
seus princípios no art. 206, inciso VI. (BRASIL, 1988).
Entende-se por gestão democrática uma gestão participativa, onde haja um bom
funcionamento educacional em que o gestor ocupe-se de buscar dentro dos regimentos e da
coletividade meio para a sustentabilidade de sua gerência. Sabe-se que o gestor democrático
dentro de suas atribuições tem o papel de contribuir no processo educacional, na
administração, no trabalho docente e na organização da escola e seus espaços. Segundo
Libâneo (2001):
“Sendo assim, as escolas podem traçar seu próprio caminho envolvendo
professores, alunos, funcionários, pais e comunidade próxima que, se
tornam co-responsáveis pelo êxito da instituição. É assim que a organização
da escola se transforma em instância educador, a espaço de trabalho coletivo
e aprendizagem. (2001, p.115)”
Nessa ótica, a gestão escolar vai além da esfera administrativa, mas envolve a
participação de diferentes atores, além de articular a aspectos financeiros, pedagógicos e
administrativos com vistas a promover uma educação de qualidade.
Numa instituição de ensino, de acordo com Dourado (2006) ,todos têm realidades e
necessidades diferentes umas das outras. Cada esfera terá uma visão diferente acerca do
processo educacional e o gestor necessita lidar com profissionais que atuam dentro do
ambiente escolar, sejam estes funcionários administrativos, como também professores e
alunos e ainda lidam com os responsáveis pelos alunos.
A escola é um lugar de formação de competências para a participação na vida social,
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e, por meio dela, interage com a sociedade, trazendo as opiniões dos responsáveis, professores
e alunos para sentirem-se tomadores de decisões, para o melhor funcionamento da escola.
Como postulou Freire (1996), “é na coerência entre o que se faz e o que se diz que nos
encontramos”. Isto significa que algumas mudanças requerem reflexões e ações conjuntas
para não se perpetuarem por caminhos desencontrados.
Uma das características da gestão participativa é a possibilidade de envolver a
comunidade escolar nos processos de administração dos recursos financeiros e na construção
de projetos educacionais e esta deve ser exercida por meio de ações que promovam,
articulam e envolvam pessoas na gestão, além de desenvolver práticas de deliberações
coletivas que integram os sistemas de ensino.(FERNANDES, 2001).
Dessa maneira, uma gestão escolar participativa tem como características básicas,
formas democráticas na escolha do seu dirigente escolar, conselhos escolares deliberativos e
reuniões de pais, que representam formas significativas de participação. De acordo com
Paixão e Guimarães (2014),
“Entende-se que, se o objetivo é a gestão democrática, não se pode pensar
que somente nas questões pedagógicas deve-se ter participação da
comunidade escolar. Há de se ter participação da comunidade também nas
questões administrativas, inclusive no tocante a como e porque aplicar as
verbas em certas aquisições para a escola.”
Participar implica compartilhar poder, vale dizer e compartilhar responsabilidades por
decisões tomadas conjunto como coletividade e o enfrentamento dos desafios para promoção
de avanços, no sentido da melhoria contínua e transformações necessárias. De acordo com
Luck (2008):
“O processo educacional se assenta sobre o relacionamento de pessoas,
orientado por uma concepção de ação conjunta e interativa”. Portanto, um
dos desafios da gestão participativa é a descentralização das decisões e
partilha de decisões, afim de que as dificuldades cotidianas sejam
enfrentadas por um processo conjunto e compartilhado.”
Quanto aos desafios postos ao gestor escolar, afirma Cury (2002) que estes nascem
da necessidade de se estabelecer novas relações no chão da escola e da perspectiva de
democratização desta como fruto da desconstrução de desigualdades, de discriminação e de
posturas autoritárias.
Dourado (2007), afirma que numa gestão participativa, a visão do gestor volta-se para
um processo de ensino em que é preciso o professor rever seu próprio modo de aprender e de
construir sua experiência. Assim, cabe a ele democratizar seu ensino de forma significativa
dando ao seu alunado flexibilidade para desenvolver várias capacidades.
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Assim, é importante que o educador que atua na escola dentro de uma gestão
democrática procure sempre estar disposto a enfrentar os desafios que surgem dentro da
instituição de ensino e busque superá-los para que assim a realidade dos educandos seja
transformada e o processo ensino-aprendizagem seja efetivado. Ter consciência do processo
de aprendizagem é um direito dos alunos nas escolas, seja ela da educação básica ou não.
Gestor é aquele que gerencia a instituição na qual pertence não importando qual o
setor que trabalha. Nos locais de trabalhos, identificamos um leque de funções que podem ser
por ele desenvolvidas, necessitando para tanto que tenha um perfil formado com as seguintes
características: gerenciador, administrador, coordenador, organizador, comunicador,
facilitador e mediador.
O gestor deve ser, sobretudo, um educador, e não um especialista, uma espécie de
político que saiba delegar funções, principalmente as burocráticas, para poder dedicar-se mais
ao social, educacional, humano, e especificamente, administrativo, no sentido legítimo do
termo. O bom gestor acredita no trabalho que está realizando com sua equipe, promove boa
capacitação aos funcionários e tentar alcançar bons resultados.
Sabe-se que a gestão educacional está inter-relacionada com a direção de escola e para
consolida-la com suas competências a gestão democrática traz uma abordagem especifica em
dois campos dimensionais de grande importância, que são: a dimensão pedagógica e a
dimensão educacional.
No que diz respeito ao campo da dimensão pedagógica, o foco está em se estabelecer
as diretrizes do ensino e todo o conteúdo da grade curricular, constituindo-se na área
considerada a mais importante da gestão escolar, pois está diretamente interligada com a
atividade principal da escola que é, promover o ensino aprendizagem de qualidade para os
alunos e contribuir com sua formação educacional bem como em cidadãos no espaço ao qual
estão inseridos.
Assim, a preocupação em mediar um ensino de qualidade é parte da preocupação da
dimensão pedagógica. Além disso, também afirma que é responsabilidade desta dimensão
acompanhar o desenvolvimento educacional dos alunos e a formação dos docentes, preparar e
aplicar treinamentos para aperfeiçoar o modelo de ensino, reconhecer o trabalho dos
professores e possibilitar em atender a qualidade de suas aulas.
Diante desta explanação, vale ressaltar que para Luck (2009) a gestão educacional é
um processo que gerencia todo o sistema de ensino escolar e o gestor democrático dentro de
suas atribuições deve sempre buscar estar abertos às críticas, ideais e opiniões. Ainda
disso, para Libâneo (2005) o gestor democrático “como dirigente, cabe-lhe ter uma visão de
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conjunto e uma atuação que apreenda a escola em seus aspectos pedagógicos, administrativos,
financeiros e culturais”.
A gestão pedagógica em sua totalidade, segundo Luck (2009, p.96), “trata-se da
organização, coordenação, liderança e avaliação de todos os processos e ações diretamente
voltados para a promoção da aprendizagem dos alunos e sua formação”. Sua estrutura e
funcionamento terão um desempenho adequado, porém, depende de sua gestão,
principalmente na parte administrativa e financeira. Cabe ao gestor contribuir para que o
trabalho administrativo esteja interligado com o trabalho pedagógico. Para abordar o conceito
da gestão administrativa, buscou-se subsidio na concepção de Luck (2009):
“A administração da escola, envolvendo recursos físicos, materiais,
financeiros e humanos, foi o foco da ação do diretor no tempo da escola
conservadora, elitista e orientada pelo paradigma Positivismo, que via os
processos educacionais fragmentados e atuava sobre eles, um de cada vez e
como um valor em si mesmo, para garantir a qualidade do ensino. Segundo
essa concepção para digmática limitada ,o diretor escolar dedicava a maior parte
do seu tempo buscando garantir esses recursos para a escola, na expectativa
de que os processos educacionais fluíssem naturalmente.”
Diante disto, sabe-se que as políticas educacionais direcionam as ações dos gestores
escolares para o atendimento de certo propósitos, que são alcançados quando aquelas são
colocadas em prática. As políticas educacionais dentro da perspectiva administrativa apontam
também para a preocupação em relação ao desenvolvimento do aluno, mas a preocupação
com a razão aluno-professor, custo-aluno e taxas de aprovação-reprovação, são, por exemplo,
critérios importantes dentro dos conceitos administrativos.
A avaliação e controle do desempenho escolar visa um olhar mais detalhado da gestão
administrativa, pois são mensurados pelos atos e ações do gestor. Neste sentido, sabe-se que
a autonomia da administração escolar esta pautada na informação, tendo em vista que a forma
administrativa deve ser transparente e compartilhada como os demais membros da instituição
de ensino.
ANÁLISE E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS
Neste trabalho, a análise tem como base três categorias sendo assim denominadas:
desafios contemporâneos da gestão escolar; caracterização da gestão escolar, e por fim, a
prática de enfrentamento aos desafios da gestão. Para chegar ao resultado da pesquisa aqui
apresentado, analisamos os dados do estudo através das respostas coletadas com a utilização
de um questionário contendo perguntas abertas e fechadas que foi direcionada a duas gestoras
atuantes em duas escolas públicas distintas. Para fins de sigilo as mesmas estão identificados
neste estudo pela sigla (G) seguido dos números.
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DESAFIOS CONTEMPORÂNEOS DA GESTÃO ESCOLAR
Ao iniciar os questionamentos da pesquisa com foco no primeiro eixo temático,
questionamos às gestoras a respeito dos desafios que elas têm enfrentado na
contemporaneidade, no qual obtivemos a seguinte resposta:
São muitos os desafios, destacarei o ensino remoto no período da pandemia
e a volta ao ensino presencial, com alunos desacostumados da rotina de
estudo e da rotina escolar. (G1)
Motivação dos alunos após pandemia, número de funcionários
insuficiente, ausência da família no comprometimento da aprendizagem
dos alunos.(G2)
É interessante observar que tanto G1, quanto G2 destacam o ensino remoto como um
dos desafios que possuem na prática da gestão escolar. Isso se dá em virtude da adequação em
que a educação escolar brasileira precisou abraçar em virtude das medidas de distanciamento
social adotadas como instrumento preventivo de avanço da pandemia causada pela Covid-19.
Atrelado a este desafio, G1 ainda destaca os percalços oriundos do retorno das aulas
no formato presencial que iniciaram no primeiro semestre de 2022. Ou seja, a readequação
em que a escola precisou fazer para dar continuidade ao processo educativo presencial após
um período em que os alunos passaram a assistir aulas de forma remota.
Na continuidade de sua resposta, G1 justifica que o desafio de retomar as aulas de
forma presencial derivam da quebra de rotina dos próprios alunos no tocante à realização das
aulas. Isto porque, no formato remoto, ou seja, com a utililização de recursos tecnológicos, os
estudantes estavam habituados a realizar as atividades escolares em suas próprias casas, e em
algumas situações no horário que mais lhe era conveniente.
Ao destacar o “número de funcionários insuficiente, ausência da família no
comprometimento da aprendizagem dos alunos” como elementos desafiadores da gestão
escolar, G2 destaca dois novos elementos a serem enfrentados em sua prática.
Ao ressaltar o papel do gestor escolar, afirma Luck (2005):
Um diretor de escola é um gestor da dinâmica social, um mobilizado e
orquestrador de atores, um articulador da diversidade para dar-lhe
unidade e consistência, na construção do ambiente educacional e
promoção segurada formação de seus alunos. Para tanto, em seu trabalho,
presta atenção a cada evento,circunstância e ato, considerando-os
globalmente, de modo interativo e dinâmico.
O desafio posto impõe ao gestor uma atuação com um novo formato de organização e
gestão dos processos educativos que possam readequar gradativamente o processo não só
educativo, já que o novo conceito de gestão ultrapassa a administração e envolve “uma
mudança de paradigma, isto é de uma visão de mundo e óptica com que se perceber em
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relação à realidade” (LUCK, 2000).
CARACTERIZANDO A GESTÃO ESCOLAR
Quando indagados quanto à caracterização dos gestores pesquisados, as narrativas
revelaram os seguintes dados:
Acredito que nossa gestão é democrática, pois tem dado vez e voz a todos os
atores da educação. Temos procurado planejar e executar ações a partir da
participação de todos. (G1).
Democrática e participativa, pois não conseguimos resultados peculiares a
uma equipe sem ter a efetiva participação desta. (G2).
A participação dos profissionais da educação na gestão escolar é fundamental para a
construção de uma gestão verdadeiramente democrática e que proporcione o sucesso da
aprendizagem do aluno. Ainda analisando o tipo de gestão desenvolvida pelos gestores, a
respostas dadas a respeito dos aspectos marcantes de cada atuação foram as seguintes:
O diálogo é a porta de entrada para um trabalho mais prazeroso e eficiente,
por isso temos procurado discutir todos os pontos que dizem respeito ao
processo educacional, buscando sempre a contribuição de todos. (G1).
Comunicação franca e aberta com os professores e funcionários e alunos na
conquista de confiança dos mesmos. (G2).
É possível perceber que o diálogo aparece em destaque na fala dos dois gestores como
marcas de cada gestão escolar, confirmando a prática de uma gestão democrática identificada
em outros discursos por eles proferidos. Esta é vista como abertura para um trabalho mais
eficiente e prazeroso, assim como para a conquista de confiança e a partilha de decisões.
Cury (2002) afirma que a gestão democrática é um novo modelo de administrar a
realidade, revelando-se pela comunicação, pelo diálogo e pelo envolvimento coletivo. O
exercício de pensar a gestão escolar numa perspectiva democrática e participativa remete os
sujeitos da escola no seu envolvimento na prática educativa que inclui toda a escola. Partindo
desse pressuposto a gestão escolar tem a função de integrar os setores da escola e esta na
comunidade como um todo, onde todos terão vez e voz para contribuir com sua opinião,
sugestões e críticas para a melhoria do processo de ensinar e de aprender.
POSTURA DOS GESTORES FRENTE AOS DESAFIOS
Quanto às ações que os gestores têm desenvolvido para enfrentar os desafios
contemporâneos, a pesquisa demonstrou os seguintes:
Busca de parceria com outros setores da educação e execução de projetos
educativos que favoreçam o envolvimento direto de todos os colaboradores
da escola. (G1).
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Temos procurado nos aproximar mais dos colaboradores da escola através
do diálogo e da empatia e também da família pra que haja um ambiente mais
agradável para se trabalhar e ainda oportunizar novas vivências de
aprendizagens fora da sala de aula. (G2).
De acordo com as respostas transcritas do questionário, dentre as ações desenvolvidas
pelos três participantes da pesquisa frente aos desafios encontrados na gestão escolar estão:
busca de parceria com diferentes esferas em busca de recursos, assim como tentativas de
aproximação entre a escola e a família dos estudantes e práticas pedagógicas diferenciadas.
As narrativas apontam uma das competências inerentes à gestão escolar, que segundo Luck
(2009):
Promove e mantém na escola a integração, coerência e consistência entre
todas as dimensões e ações do trabalho educacional, com foco na realização
do papel social da escola e qualidade das ações educacionais voltadas para
seu principal objetivo: a aprendizagem e formação dos alunos.
Segundo Cury (2002), gestão implica transparência, impessoalidade, autonomia e
participação, liderança e trabalho coletivo, representatividade e competência. Portanto, as
ações desenvolvidas pelos gestores analisados quanto às estratégias adotadas como
enfrentamento dos desafios contemporâneos correspondem com práticas coerentes defendidas
na literatura.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Realizar pesquisa científica sobre gestão escolar possibilita a construção de um
panorama que por muitos é desconhecida. As configurações com que vem se desenhando ao
longo dos anos demonstram transformações que estão estreitamente relacionadas com a
dinâmica que envolve toda a sociedade.
Estes pontos foram evidenciados no estudo que realizamos, que teve como objetivo
central investigar a gestão escolar de duas unidades escolares vinculadas à rede municipal de
Teresina-PI frente aos desafios da educação contemporânea, considerando para isso os
desafios que os gestores escolares têm enfrentado na contemporaneidade, as características de
cada prática gestora, bem como compreender a postura dos gestores escolares frente aos
desafios encontrados.
O presente estudo procurou demonstrar aspectos que caracterizam a gestão escolar
desenvolvida em duas escolas da rede pública do município de Teresina-PI, e é resultado de
uma pesquisa de campo que contou com a participação de duas gestoras escolares.
Compreendemos que o gestor escolar tem papel muito importante no centro das
organizações escolares, pois ele deve ser considerado como o mediador de todas as ações
efetuadas pelos componentes da escola. A instituição escolar não deve ser vista como uma
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instituição isolada, mas que precisa estabelecer relações com toda a sociedade, e para tanto, o
gestor enquanto representante da instituição, necessita de conhecimentos administrativos e
pedagógicos que promovam esta integração.
Ao longo desse estudo analisamos os desafios contemporâneos enfrentados pelas
participantes da pesquisa, dentre os quais foi possível identificar, prioritariamente, a falta de
recursos, a desmotivação dos alunos e o distanciamento da família. No entanto, no intuito de
enfrentar os desafios encontrados, os diretores revelam adotar a gestão numa dimensão
democrática, orientando a escola para a participação e a transparência nas ações. Nesse
modelo de gestão escolar, cada integrante tem direito à livre expressão de suas posições,
independente do nível hierárquico em que se encontra.
Compreendemos que para haver novas relações entre escola e comunidade, é preciso
ser promovida a efetivação da democratização na gestão escolar, repensando a teoria e a
prática e suprindo os controles formais. Assim, os resultados advindos de uma gestão que
conta com a participação da comunidade no controle social das escolas e a qualidade de
ensino, culminarão com um processo ensino e aprendizagem realmente significativos.
A gestão democrática contemporânea vem com a finalidade de estabelecer cada vez
mais novos vínculos internos na escola e vínculos com a comunidade externa, e o gestor deve
influenciar diretamente o profissional da educação, estando em contato com os docentes,
estimulando a criatividade e o confronto das ideias conquistadas a partir da valorização do
trabalho em equipe.
O estudo ainda revelou que os sujeitos da pesquisa defendem uma educação
integralizada ao organizem espaços para o diálogo que tenha como pauta ideias e problemas
pedagógicos do cotidiano escolar, assim como inovações no ensino e a captura de recursos
que supram a lacuna deixada pelas instâncias superiores.
Em suma, o presente trabalho nos proporcionou um aprofundamento maior quanto à
atuação de gestores escolares da rede pública de ensino, nos permitindo aproximar
conhecimento teórico com o trabalhado da gestão nas escolas atual. A partir da realização do
trabalho ficou mais amplo o conhecimento sobre a democratização da gestão, o que ela
desenvolve na escola relativo ao conhecimento coletivo e uma educação integralizada,
assim como as contribuições de cada gestor para com os objetivos educacionais.
O trabalho demonstra uma teoria sobre um modelo de gestão contemporânea e coloca
uma confrontação a partir de uma pesquisa sobre o que atualmente está sendo praticado nas
escolas. Consideramos esta temática como um passo inicial para estudos voltados para a
gestão escolar, bem como a sinalização de um leque de objetos de estudo vindouros, tais
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como os desafios do processo inclusivo e o dilema da ausência de alunos nas escolas
públicas.
REFERÊNCIAS
BRASIL, Constituição da República Federativa do Brasil. DA EDUCAÇÃO, DA
CULTURA E DO DESPORTO. Cap. III, Seção I, art. 205 e 206, 1988.
CURY, Carlos Roberto Jamil. Gestão democrática da educação: exigências e desafios.
Disponível em:[Link] em 22 agosto de 2022.
DOURADO, Luiz Fernandes. Gestão da Educação Escolar. Brasília: Centro de Educação a
Distancia, 2006.
FREIRE, Paulo. Pedagogia da Autonomia. Saberes necessários à prática educativa. São
Paulo: Paz e Terra, 1996.
GRESSLER, Lori Alice. Introdução à pesquisa: projeto e relatório. São Paulo, 2004
LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Fundamentos de metodologia
científica. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2003.
LIBÂNEO, José Carlos. Democratização da escola pública: pedagogia crítico-social dos
conteúdos. São Paulo: Loyola, 1985.
. Organização e gestão da escola: teoria e prática. Editora Alternativa:
Goiânia, 2001.
LÜCK, Heloísa; FREITAS, Kátia Siqueira; GIRLING, Robert & KEITH, Sherry. A escola
participativa: o trabalho do gestor escolar. Petrópolis: Vozes, 2005.
. Dimensões de gestão escolar e suas competências. Curitiba: Editora
Positivo, 2009.
PAIXÃO, G. A. M.; GUIMARÃES-IOSIF, R. M. A gestão democrática e o desafio de gerir
juntos os recursos da escola. IV Congresso Ibero-Americano de Política e Administração
da Educação/ VII Congresso Luso Brasileirode Política e Administração da Educação.
Porto, Portugal, 2014. Disponível em:
[Link]
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SOUZA, Valdivino Alves de. VII Congresso Luso Brasileiro de Política e Administração
da Educação. Porto, Portugal, 2014. Disponível em:
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ttp://[Link]/IBERO_AMERICANO_IV/GT1/GT1_Comunicacao/GleiceAlineMira
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SOUZA, Valdivino Alves de. Gestão Escolar. Disponível em:
[Link] Acesso em: 15 de
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Ano 03 - Edição 01 - Jan/Jun 2023 23
out. de 2022.
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UNIVERSIDADE FEDERAL DO PAMPA
CAMPUS SANTANA DO LIVRAMENTO
ESPECIALIZAÇÃO EM GESTÃO PÚBLICA MUNICIPIAL
Gestão Democrática Escolar, Administrativa e Financeira – um estudo em
uma escola pública estadual no município de Cacequi - RS
TRABALHO DE CONCLUSÃO DE CURSO
Letícia da Graça Mossi Costa
Artigo apresentado à Universidade Federal do
Pampa (UNIPAMPA), como requisito parcial para
obtenção do grau de especialista em Gestão
Pública Municipal
Orientador: Ms. Gustavo Segabinazzi Saldanha
Santana do Livramento, RS
2018
Letícia da Graça Mossi Costa
Gestão Democrática Escolar, Administrativa e Financeira – um estudo em
uma escola pública estadual no município de Cacequi - RS
Artigo apresentado à Universidade Federal do Pampa
(UNIPAMPA), como requisito parcial para obtenção
do grau de especialista em Gestão Pública Municipal
Orientador: Ms. Gustavo Segabinazzi Saldanha
SANTANA DO LIVRAMENTO
2018
Gestão Democrática Escolar, Administrativa e Financeira – um estudo em uma
escola pública estadual no município de Cacequi - RS
Autora: Letícia da Graça Mossi Costa
Orientador: Prof. Gustavo Segabinazzi Saldanha
RESUMO
O presente trabalho tem como objetivo identificar a concepção de gestão no âmbito de uma escola
pública estadual, considerando a relação teórico/prática entre gestão escolar, administrativa e
financeira. Especificamente busca-se conceituar gestão escolar no contexto do atual sistema
educacional; analisar a origem e a destinação dos recursos financeiros repassados às escolas
públicas estaduais; verificar como a escola em estudo administra esses recursos, bem como é
realizado o processo de execução dos mesmos numa perspectiva de gestão democrática e verificar
as questões relevantes levantadas pelos questionamentos. Os mesmos foram delineados partindo de
algumas questões consideradas relevantes: os recursos financeiros públicos são suficientes para
atender as necessidades da escola? Como os mesmos são distribuídos? Os membros participantes
da comunidade escolar têm conhecimento da forma como esses recursos são utilizados? Quais os
instrumentos que auxiliam na tomada de decisões quanto à aplicação dos recursos financeiros na
escola? Foi utilizado como metodologia, um estudo bibliográfico, numa abordagem qualitativa,
descritiva, exploratória e estudo de caso, buscando em diferentes fontes uma fundamentação teórica
coerente com a os objetivos propostos. Como resultado os apontamentos teóricos mostram a
responsabilidade ao destinar as verbas recebidas pela escola, pois a lei é rígida quanto às
demonstrações financeira a serem apresentadas e comprovadas perante os órgãos responsáveis.
Finaliza-se o trabalho apontando que a escola não pode contrariar o que está previsto em lei, no
entanto, pode avançar e construir possibilidades e, nessa construção, as pessoas são fundamentais e
darão ou não sentido à gestão. No bojo da gestão financeira da escola pública estadual pode-se
afirmar que são esses recursos que, com sérias limitações, mantém a escola.
Palavras- Chave: Gestão Democrática; Administrativa: Financeira; Escolar.
ABSTRACT
The present work aims to identify the management conception within a state public school,
considering the theoretical / practical relationship between school, administrative and financial
management. Specifically, we seek to conceptualize school management in the context of the current
educational system; analyze the origin and destination of the financial resources passed on to state
public schools; to verify how the school under study administers these resources, as well as the
process of executing them in a democratic management perspective and verify the relevant issues
raised by the questions. These were outlined based on some issues considered relevant: are public
financial resources sufficient to meet the needs of the school? How are they distributed? Are
participating members of the school community aware of how these resources are used? What are the
instruments that help in making decisions regarding the application of financial resources in school? It
was used as methodology, a bibliographic study, in a qualitative, descriptive, exploratory and case
study approach, seeking in different sources a theoretical foundation coherent with the proposed
objectives. As a result, theoretical notes show the responsibility in allocating the funds received by the
school, since the law is rigid regarding the financial statements to be presented and proven before the
responsible bodies. It ends the work pointing out that the school can not oppose what is provided by
law, however, can advance and build possibilities and, in this construction, people are fundamental
and will give management meaning or not. In the bulge of the financial management of the state public
school it can be affirmed that these resources, with serious limitations, maintain the school.
Keywords: Democratic Management; Administrative: Financial; School
3
1. INTRODUÇÃO
Este trabalho de pesquisa tem como tema: Gestão Democrática Escolar,
Administrativa e Financeira – um estudo em uma escola pública estadual no
município de Cacequi – RS. Para seu desenvolvimento, parte-se de questões
relevantes para a compreensão da administração escolar no seu aspecto financeiro.
Na busca por respostas, observa-se que, embora as concepções de
descentralização, democratização da gestão escolar e da autonomia da escola
sejam partes integrantes na busca da qualidade da educação, ainda é possível
encontrar certos sistemas que buscam o desenvolvimento da democratização da
gestão escolar, sem pensar na autonomia do estabelecimento de ensino e sem
descentralizar o poder para a mesma (BRASIL, 2000).
Isso implica em que esses sistemas ainda buscam desenvolver nas escolas
os conceitos de democratização e autonomia de modo centralizado, ou seja, as
mudanças propostas para as mesmas não estão sendo absorvidas e praticadas.
Nesse sentido, as respostas para os questionamentos, de modo geral, centram-se
no verdadeiro conceito de gestão democrática e participativa, onde o gestor se
coloca lado a lado com seus pares para assim, alcançar os objetivos administrativos
e financeiros da escola, de modo transparente e coerente com a legislação,
percebendo que tem o desafio de democratizar saberes e práticas na busca do
envolvimento de todos para que cada um assuma seu papel em prol de uma escola
mais participativa.
Nesse sentido, Libâneo (2001, p.80) aponta que,
O conceito de participação se fundamenta no de autonomia que significa a
capacidade das pessoas e dos grupos de livre determinação de si próprios,
isto é, de conduzirem sua própria vida. Como a autonomia opõe-se às
formas de autoritárias de tomada de decisões, sua realização concreta nas
instituições é a participação.
Com essas considerações e repensando as questões que problematizaram a
escolha do tema, foi delineado o objetivo geral de: identificar a concepção de gestão
no âmbito de uma escola pública estadual, considerando a relação teórico/prática
entre gestão escolar, administrativa e financeira. O estudo será desenvolvido na
Escola Estadual de Ensino Fundamental Marechal Hermes da Fonseca, do
Município de Cacequi - RS.
Especificamente busca-se: conceituar gestão escolar no contexto do atual
sistema educacional; analisar a origem e a destinação dos recursos financeiros
repassados às escolas públicas estaduais; verificar como a escola em estudo
administra esses recursos, bem como é realizado o processo de execução dos
mesmos numa perspectiva de gestão democrática.
Diante do exposto, o presente estudo e justifica pela necessidade de
conhecimento e compreensão acerca das complexas abrangências em que atua o
gestor escolar, enfatizando a administração financeira no contexto do processo de
democratização e busca pela qualidade educacional, observando que esses
aspectos não se restringem a competência dos gestores, professores, pais,
funcionários, alunos, pois o sucesso também está relacionado à ação do Estado
quanto ao investimento destinado ao desenvolvimento do processo educacional.
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O estudo é relevante na medida em que se verifica a importância de refletir
sobre a gestão democrática da escola pública e sobre a forma de acesso às
informações financeiras, incentivando a participação de todos os seus segmentos no
sentido de obter informações sobre os recursos financeiros e sua aplicação pela
escola. Observa-se que no Estado do RS o repasse de recursos diretamente para as
escolas estaduais se caracteriza como uma desconcentração, e não parceria, como
se observa em outros estados do Brasil.
Para uma melhor estrutura, o referencial teórico será dividido em tópicos e
subtópicos considerados relevantes para o estudo, sendo fundamentado em
diversos trabalhos e artigos publicados e validados, além de livros e revistas (online
ou não), seguidos do estudo e análise da documentação referente à administração
financeira da Escola Estadual de Ensino Fundamental Marechal Hermes da
Fonseca, do município de Cacequi – RS, foco do estudo desta pesquisa.
Nas Considerações Finais serão expostos os resultados obtidos na
concretização dos objetivos específicos e considerações importantes acerca da
realização da pesquisa e o alcance ou não do seu objetivo geral.
2. REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 GESTÃO ESCOLAR
A gestão escolar é diferente da administração escolar, pois esta trata dos
recursos materiais e financeiros disponíveis para garantir a qualidade do ensino,
enquanto que a gestão escolar tem como finalidade, dar significado aos recursos
atribuídos e à forma como serão utilizado no processo da educação. Segundo
Bordignon e Gracindo (2001, p. 147), a gestão da educação é o processo político
administrativo contextualizado, por meio do qual a prática social da educação é
organizada, orientada e viabilizada.
De acordo com Dourado (2006, p. 23) nas escolas e nos cursos de formação,
abordam-se conceitos como: gestão da educação, gestão da escola, gestão
educacional, gestão de sistemas e administração escolar.
Ao ter conhecimento desses conceitos, compreende-se melhor a escola e a
sua função social, destacando suas especificidades no momento em que se
diferencia a gestão escolar da administração no sentido geral.
Atualmente, discute-se muito sobre a gestão democrática escolar. Nesse
sentido, Maia e Bogoni (2008) apontam que para realizar uma gestão democrática é
preciso o envolvimento de todos, pois quanto maior o número de participantes na
vida escolar, maior é a probabilidade de se estabelecer relações mais flexíveis e
menos autoritárias entre seus pares. Os mesmos autores enfatizam que:
Quando pais e professores estão presentes nas discussões dos aspectos
educacionais, estabelecem-se situações de aprendizagem de mão dupla:
ora a escola estende sua função pedagógica para fora, ora a comunidade
influencia os destinos da escola. As famílias começam a perceber melhor o
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que seria um bom atendimento escolar, a escola aprende a ouvir sugestões
e aceitar influências (MAIA; BOGONI, 2008, p. 23).
Compreende-se assim, a importância da participação de todos nas
discussões, em condições de igualdade e com liberdade para expor opiniões, sem
interesses pessoais nas tomadas de decisões, pois isso impede o autoritarismo no
espaço escolar. Salienta-se que a gestão de uma escola não é composta por
somente um gestor, todos seus envolvidos são, direta ou indiretamente, autores e
coautores e, principalmente, gestores da educação.
Nesse contexto, Lück (2000, p. 16) considera que:
O conceito de gestão escolar ultrapassa o de administração escolar, por
abranger uma série de concepções não abarcadas por este outro, podendo-
se citar a democratização do processo de construção social da escola e
realização de seu trabalho, mediante a organização de seu projeto político-
pedagógico, o compartilhamento do poder realizado pela tomada de
decisões de forma coletiva, a compreensão da questão dinâmica e conflitiva
e contraditória das relações interpessoais da organização, o entendimento
dessa organização como uma entidade viva e dinâmica, demandando uma
atuação especial de liderança e articulação, a compreensão de que a
mudança de processos educacionais envolve mudanças nas relações
sociais praticadas na escola e nos sistemas de ensino.
Com essas considerações, é possível constatar que a gestão escolar possui
inúmeras atribuições; não se limita somente ao campo administrativo da escola, mas
é responsável também pelo fazer pedagógico, por todas as atividades desenvolvidas
na escola. Atualmente, as escolas vêm passando por um grande processo de
mudança, que exigem uma adequação aos novos padrões da sociedade atual, por
meio da inovação e da prática da gestão participativa, ou seja, uma gestão
democrática.
Portanto, é preciso compreender a escola através de práticas e ações que a
organizam, tendo como objetivo formar sujeitos participativos, crítico e criativos por
meio de uma gestão democrática, buscando em cada segmento, apoio para as
tomadas de decisões necessárias ao seu bom funcionamento, focando-se numa
aprendizagem significativa para o aluno e dentro da sua realidade.
2.1.1 Desafios do Gestor Escolar
A gestão da escola se traduz no dia a dia como ato político, o que implica na
tomada de posição dos pais, professores, funcionários, alunos e de toda a
comunidade escolar. O gestor, considerado democrático, busca o sucesso do
trabalho educacional, porém vê-se diante de mudanças, carências, individualismo e
falta de parceria com a as famílias, que impedem uma atuação eficaz, sendo esses
aspectos, desafios que precisam ser enfrentados na coletividade.
Observa-se que o gestor, além de ter a responsabilidade de estreitar as
relações com a sociedade, ainda tem como desafio comprometer o sistema de
ensino do qual a escola faz parte, buscando por melhorias na educação e,
consequentemente, no ensino aprendizagem dos alunos, nas condições de trabalho
dos profissionais e da vida da comunidade, pois, segundo Lück (2004):
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É do diretor da escola a responsabilidade máxima quanto à consecução
eficaz da política educacional do sistema e desenvolvimento plenos dos
objetivos educacionais, organizando, dinamizando e coordenando todos os
esforços nesse sentido e controlando todos os recursos para tal (LÜCK,
2004, p. 34).
Entende-se assim, que o gestor precisa ter consciência de que ele é um
articulador de ideias, instigando o grupo de trabalho a ter liberdade para dar opiniões
sobre as decisões. É o mediador de decisões, assim como o professor é o mediador
do aprendizado do aluno, isso significa que o gestor também é um mediador nas
ações que envolvem atividades no contexto educacional.
Porém, entre os desafios que o gestor enfrenta em articular ações para a
efetiva participação no contexto escolar e nas decisões que deve tomar, refere-se à
formação dos educandos para o exercício da cidadania, não com uma visão política
e social, nem para a individualidade e consumismo no contexto da sociedade atual,
mas para o conhecimento de que a escola é um espaço democrático, onde se
processam conhecimentos e habilidades para a formação humana em todos os seus
aspectos.
Dentro desse contexto, cabe ao gestor à responsabilidade por toda a
dinâmica da ação educativa, bem como repensar o processo de ensino e
aprendizagem dos educandos, envolver e comprometer pais, alunos e professores,
para que todos possam participar da tomada de decisões, coletivamente e contribuir
para a qualidade do ensino. Consideram-se esses aspectos como sendo os maiores
desafios que o gestor escolar enfrenta na busca de verdadeira democracia escolar.
Ressalta-se assim, a importância do papel do gestor para a construção de
novos destinos, entendida como a mobilização das pessoas inseridas neste contexto
de forma articulada e coletiva, posicionando-se efetivamente na escola com o
compromisso coletivo para a transformação da realidade.
2.2 GESTÃO ADMINISTRATIVA E FINANCEIRA NA ESCOLA
A escola não é apenas como um espaço de transmissão do conhecimento,
mas também um local de interação durante o processo de ensino e aprendizagem,
unindo não somente o corpo docente e alunos, como também todos os demais
envolvidos, direta ou indiretamente nesse processo. Além da ação conjunta,
envolvendo todos os segmentos da escola, destacam-se os avanços tecnológicos
como fator importante na conquista de melhorias na qualidade da educação atual.
Mesmo com as diversas mudanças que vem ocorrendo na sociedade e no
contexto educacional, grande número de professores, funcionários e a maior parte
dos integrantes do Conselho Escolar e Círculo de Pais e Mestres, não têm
conhecimento dos recursos recebidos pela escola. Acredita-se que isso ocorre
porque muitos gestores não divulgam para a comunidade ou porque as pessoas não
têm interesse em saber ou não querem se envolver.
É preciso pensar que o trabalho dentro da escola envolve muita gente com
objetivos específicos e, para que a instituição caminhe para o todo, é necessário que
as contas estejam em dia. Nesse sentido, a parte financeira impacta em tudo, sendo
fundamental que os custos e quantias que a escola recebe, estejam
cuidadosamente organizadas e aqui, entra a gestão financeira escolar.
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Nesse contexto, Schuch (2007, p. 8) aponta que “Os recursos públicos
repassados às escolas trazem na sua concepção a exigência de que o
planejamento, acompanhamento e controle do uso dos recursos sejam realizados
com a participação da comunidade escolar, dando visibilidade à gestão financeira”.
Se assim ocorre e a comunidade estando informada sobre os acontecimentos da
gestão financeira poderá sentir-se mais comprometida com a escola, somando-se à
direção numa gestão compartilhada.
Tosos os procedimentos administrativos que envolvem o planejamento das
atividades referentes às finanças da escola, bem como a análise e controle de tudo
aquilo que se relaciona a ela, são aspectos importantes para uma gestão eficaz e de
qualidade.
Dentro desse contexto, o gestor escolar precisa ter conhecimentos básicos
de gerenciamento em recursos humanos, financeiros, materiais, além dos aspectos
que envolvem o pedagógico da escola, o que leva a uma reflexão sobre o papel dos
segmentos que auxiliam na efetivação dos objetivos educacionais atuais.
Nesse sentido, Daft (2010) pontua que a administrar é atingir metas de modo
eficiente e eficaz por meio do planejamento, organização, liderança e controle dos
recursos organizacionais. Entende-se que gestão é o ato de gerir, ou seja, realizar
ações que conduzam à realização dos objetivos e metas propostas. Dentro do
contexto administrativo, compreende-se que a gestão administrativa escolar está
relacionada à parte física e institucional. A parte física é o prédio e os
equipamentos/materiais que a escola possui e a parte institucional são os direitos e
deveres, as atividades da secretaria e a legislação escolar.
Assim, a forma com que o gestor lidera sua escola é que determina as
características da gestão praticada. É preciso ter consciência de que, além de ser
responsável pela organização do ambiente de trabalho, o gestor também precisa ser
o agente de mudança, ou seja, motivar a equipe para o desenvolvimento da
capacidade de renovação de cada um.
Por isso, é essencial que o gestor ultrapasse a dicotomia entre a teoria e a
prática, que repense sua metodologia administrativa sempre, procurando sempre
promover a participação de todos os segmentos, superando assim, o autoritarismo e
a burocracia, ampliando o seu conceito de liderança compartilhada, pois assim tem a
possibilidade de formar sujeitos críticos e capazes de interpretar e entender seu
papel perante a sociedade em que ele está inserido.
2.3 CARACTERIZAÇÃO DO LOCAL DE PESQUISA
Este trabalho foi realizado na Escola Estadual de Ensino Fundamental
Marechal Hermes da Fonseca, situada no município de Cacequi - RS, localizada na
Rua Assis Brasil, nº 19, no bairro centro e tem como Mantenedora o Estado do Rio
Grande do Sul. Encontra-se sob a coordenação da 8ª Coordenadoria Regional de
Educação, com sede na cidade de Santa Maria. (REGIMENTO DA ESCOLA). A
Escola tem como abrangência social sua comunidade escolar, objetivando a sua
integração junto á comunidade em geral.
A Escola tem como Filosofia: “[...] permitir a participação de toda a
comunidade escolar, atuando de forma aberta e democrática e procurando formar
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indivíduos críticos, dinâmicos e capazes, a fim de que possam construir seu próprio
conhecimento dentro dos valores éticos, morais, de justiça e fraternidade para
atuarem numa sociedade em constante mudança”. Sua organização curricular está
de acordo com o PPP, atendendo as etapas do Ensino Regular – Ensino
Fundamental de Nove Anos – Anos Iniciais – 1º ao 5º Ano, adota o regime Seriado
Anual.
A Escola recebe e trabalha também com alunos que apresentem
necessidades educativas especiais, nas diferentes áreas, sendo esses incluídos em
sala de aula regular recebendo atenção pedagógica necessária para o
desenvolvimento social, afetivo e cognitivo dentro de sua própria capacidade,
valorizando suas habilidades.
As turmas são distribuídas nos turnos manhã e tarde. Possui uma Sala de
Recursos – AEE - para o atendimento de alunos com dificuldades de aprendizagem
e Necessidades Educacionais Especiais, equipada com materiais multifuncionais.
Sua clientela apresenta diferentes níveis sociais e culturais, alunos oriundos do
campo, sendo essas diferenças motivação para a realização de um trabalho em
conjunto escola- aluno- família (PPP, 2018).
Diante de todo esse fazer pedagógico diferenciado e comprometido com o ato
de educar, o índice de evasão e repetência é mínimo, já que procura sanar e
superar os obstáculos durante o período letivo e diretamente com o aluno e sua
família. A escola oferece aos professores e funcionários, formação continuada na
própria escola, através de reuniões e sessões de estudos.
Através de uma concepção progressista, globalizada e sociointeracionista,
utilizando a interdisciplinaridade, a escola trabalha por meio de projetos, com temas
relevantes e de interesse dos educandos, e busca uma interação crescente entre o
professor e o aluno, visando o desenvolvimento total do ser.
A escola procura meios diversificados de comunicarem-se internamente e
com a comunidade escolar, utilizando-se de bilhetes, reuniões, encontros,
convocações, palestras, atividades variadas para os pais, homenagens,
confraternizações, conselho de classe participativo, pois acredita que dessa forma
mantém laços estreitos com todos os envolvidos no processo educativo.
Esses mecanismos têm a participação de todas as áreas da escola no
planejamento e na administração, na democratização da informação do âmbito da
própria escola e para a comunidade, na definição de valores, socioculturais que
fundamentam e direcionam o trabalho escolar, no conhecimento da realidade, na
participação e na avaliação de pais e alunos no ambiente escolar.
A Escola parte da premissa de que as experiências escolares abrangem
todos os aspectos do ambiente escolar, tanto aqueles que compõem a parte
explícita do currículo, como os que contribuem de forma implícita para a aquisição
dos conhecimentos socialmente relevantes.
O respeito às crianças, bem como aos seus tempos mentais,
socioemocionais, culturais e identitários, é o que orienta a ação educativa na Escola,
visando possibilitar aos estudantes uma formação que corresponda às idades e
consequentes especificidades de cada percurso, de modo a que tenha e faça
sentido (PPP, 2018).
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2.3.1 Características Gerais da Escola
A escola possui uma área de 2.905,57m2. Com relação à parte física, a
mesma conta com a seguinte estrutura: 1 quadra poli esportiva coberta; 1 área
coberta; 1 cozinha com refeitório em anexo armários para armazenamento da
merenda; 1 pátio; 2 pracinhas de brinquedos; 6 salas de aula; 1 banheiro para
professores e funcionários; 1 sala para direção; vice- direção, coordenação e
orientação pedagógica; 1 sala de vídeo; 1 banheiro feminino; 1 banheiro masculino;
1 banheiro com acessibilidade; 1 biblioteca e sala de leitura; 1 sala de atendimento
Escolar Especializado; 1 sala para secretaria; 1 antessala; 1 sala arquivo morto; 1
sala de almoxarifado; 1 laboratório de informática (PPP, 2018).
A escola encontra-se equipada com materiais tecnológicos como: televisão,
DVD, data show, aparelhos de som, mesa de sonoplastia, computadores,
impressoras e copiadora, além de materiais suficientes para o bom desenvolvimento
didático pedagógico, administrativo e infraestrutura.
Conta com o apoio do Conselho Escolar, CPM, Conselho Tutelar e
Comunidade, para por em prática os projetos e ações a serem desenvolvidas na
Escola. O Conselho Escolar é um respaldo imprescindível para o administrador
escolar, que busca um trabalho conjunto, isento de outras condicionantes que não
seja o bom funcionamento da escola e dos seus serviços.
A metodologia da escola contempla o trabalho em áreas do conhecimento de
forma interdisciplinar, buscando promover o desenvolvimento integral do educando,
onde é fornecido pelos educadores, o espaço e as condições para desenvolver o
conhecimento de si mesmo, em seus diferentes aspectos. Valorizando a cultura
Afro-brasileira e indígena conforme legislação vigente e as diferenças físicas, sociais
e culturais das pessoas que formam nosso país (PPP, 2018).
A avaliação se dá a partir de uma proposta que respeite o saber elaborado
pelo aluno, desencadeando reflexões sobre tal saber, encontrando diferentes
soluções às questões apresentadas pelo professor. O aluno aprende porque tem
oportunidade de revelar e discutir suas ideias.
A Escola adota a Progressão Continuada, prevendo a não retenção dos
alunos do 1º ao 3º ano, somente no 3º ano, poderá haver retenção se houver
necessidade (PPP, 2018). Aos alunos do 4º e 5º anos, que não obtiverem
rendimento necessário durante o ano letivo serão oferecidos estudos de
recuperação paralela no decorrer do respectivo ano. A escola trabalha com
projetos, sendo eles na área da informática, laboratório de aprendizagem, leitura,
arte e cultura.
Nesse sentido, o principal objetivo da escola é desenvolver um processo de
planejamento conjunto para que haja o compromisso de todos os envolvidos com o
ato educativo, construindo uma escola voltada para a valorização do aluno como um
todo, desenvolvendo seu potencial como agente da transformação social.
Verifica-se que o PPP da escola encontra-se atualizado e coerente com o
papel que a mesma desempenha dentro da sociedade, pois busca desenvolver um
trabalho transparente, mantendo relações com os diversos setores da comunidade
geral com o intuito de trazê-la para seu espaço e assim, contar com parcerias para
que trabalho se efetive de maneira participativa e democrática.
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2.4 VERBAS FEDERAIS E ESTADUAIS OFERTADAS À ESCOLA
A autonomia escolar se dá pela atuação co-participativa do gestor escolar e
das Instâncias Colegiadas quanto à administração dos recursos recebidos do
Governo Federal e Estadual. O gestor é responsável pela autonomia quanto à
aplicação desses recursos destinados à preservação, manutenção e aquisição de
materiais, conforme as necessidades da escola.
Essa autonomia está baseada no respeito aos princípios legais, que regulam
e normatizam a destinação e aplicação dos recursos. As verbas que constituem os
recursos financeiros, recebidos pela escola são advindas de segmentos
diversificados, a saber: Verbas Federais, Programas do Governo Federal - PDDE,
PDE/ESCOLA, Escola Aberta, Mais Educação.
Todos esses programas requerem do gestor e da comunidade escolar
atitude consciente e participativa. É necessário conhecer bem, acompanhar de perto
o andamento de cada setor para poder solucionar obstáculos ou deficiências
existentes.
Observa-se que o sistema administrativo ao qual a escola está subordinada
junto à Secretária de Estado da Educação é lento nas avaliações de processos para
reformas ou ampliações dos prédios escolares.
2.4.1 Elaboração do Plano de Aplicação Financeira
O plano de Aplicação Financeira é elaborado em reunião com o Conselho
Escolar, direção e demais pais que queiram participar. O mesmo serve para levantar
as necessidades da escola, priorizando as mais emergenciais, tentando gerir dentro
dos recursos disponibilizados pelo governo.
Este plano servirá para quatro meses, sendo trimestral, todo o plano deverá
constar em ata que será posta, em forma de xerox, na prestação de contas e na
conclusão da mesma, a qual será entregue em PDF e escaneada para a
Coordenadoria Regente da Escola e enviado para o CAGE (Contadoria e Auditoria-
Geral do Estado).
2.4.2 Destinos da verba da Autonomia Financeira e verbas Federais
[Link] Autonomia Financeira
A prestação de contas da Autonomia se divide em Manutenção e Permanente
para verbas estaduais. A primeira serve para a manutenção e desenvolvimento
normal das escolas sendo todo e qualquer processo realizado dentro da lei n°
8.666/1993, conhecida como a lei das licitações. Entende-se como Material de
Consumo todo o material que ao longo do tempo é utilizado e seu uso tem duração
limitada por desgaste e uso rápido.
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Dentro da Manutenção podem ser adquiridos os seguintes materiais: de
higiene e limpeza; de Expediente e didático; para reparo no prédio; de cantina;
pagamento de diárias e viagens; ressarcimento de alimentação e de passagens;
serviços de terceiros e de conservação. Os serviços de reparo ou conserto na
estrutura do prédio devem ser realizados por empresas qualificadas e necessitam
estar com a documentação em dia.
Uma das subdivisões da Verba da Autonomia Financeira é o Material
Permanente que são as despesas decorrentes da aquisição de material que serão
usados a longo tempo, por isso o nome Permanente. São exemplos destes
materiais: armários; máquinas fotográficas; CPUs; monitores; ventiladores e ar
condicionado; geladeira e freezer, etc.
Na modalidade Permanente, todo o material adquirido deve ser tombado
como patrimônio público, terá que identifica a qual órgão pertence. No caso deste
material se estragar pelo uso indevido, inadequado ou por tempo de uso deverá ser
encaminhado um ofício com o pedido de baixa por sucata, só assim a escola poderá
se desfazer deste bem.
Por se tratar de verbas do governo, as empresas precisam passar pela
tomada de preços ou processo licitatório, sendo necessário e fundamental que a
documentação para isso, esteja atualizada e de conformidade com a legislação,
para assim, não serem impedidas de participar.
Os mesmo parâmetros de prestação de contas utilizada na Verba da
Autonomia são usados em Nota Fiscal Gaúcha, um programa estadual que beneficia
Entidades de acordo com os números de adeptos inscritos com o número do CPF e
a cada compra gera bônus que será revertido em valor para esta Entidade
beneficiada. Uma das regras para usar o valor recebido é sempre priorizar o aluno,
ou seja, usar em seu benefício, como por exemplo, na compra de folhas de ofício e
tonners.
Ressalta-se que todo o valor que a escola arrecadar com festas realizadas
dentro do seu espaço, deve ser prestada contas e lançadas em receitas próprias,
ficando a cargo da equipe diretiva e do Conselho Escolar destinar onde a mesma
será empenhada, seja na manutenção ou permanente. Na maioria das vezes as
escolas não declaram este valor arrecadado, pois usam em pequenas reformas ou
aquisição de pequenos produtos de empresas não legalizadas formalmente, mas
que prestam serviços baratos, rápidos sem burocracia.
[Link] Verbas Federais
O MEC é o órgão responsável por colocar em curso as políticas educacionais
do governo federal, porque compete à União a coordenação da política nacional de
Educação, articulando os diferentes níveis e sistemas, conforme previsto na
legislação. No entanto, a maior parte dos recursos federais para a Educação é
direcionada para sua própria rede de atendimento, sobremaneira no que tange ao
ensino superior, porque, no que diz respeito à educação básica, a participação do
governo federal é irrisória.
Segundo dados do Censo Escolar de 2011 (BRASIL, 2012b), a oferta federal
para educação infantil (0,04%), ensino fundamental (0,08%) e ensino médio (1,37%)
não chegou sequer a 2% do total de matrículas das diferentes redes de ensino do
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país. Na educação básica, considerando suas modalidades, apenas as matrículas
na educação profissional foram mais significativas, alcançando 9,8% em 2011.
O governo federal conta com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da
Educação - FNDE, autarquia vinculada ao MEC, que atua no financiamento das
ações voltadas, principalmente, para o ensino público obrigatório ofertado por
estados e municípios.
O FNDE tem importante papel nas políticas federais para a Educação, pois
tem como objetivo viabilizar o que a Constituição Federal define, em seu artigo 211,
como exercício da função supletiva e redistributiva da União em relação às demais
esferas governamentais, com o objetivo de garantir a equalização de oportunidades
educacionais e o padrão mínimo de qualidade do ensino (CRUZ, 2012). Isso implica
na materializa-se nos diferentes programas do governo federal para a Educação.
Nesse sentido, após a escola estar devidamente inscrita nos programas
federais e ser contemplada com a verba, o CPM reúne-se com a Direção para em
reunião realizarem o Plano de Aplicação. Diferente das Verbas Estaduais onde
apenas o Diretor assina e controla as contas em bancos, as Verbas Federais são
administradas por duas pessoas, sendo o Diretor e o Presidente do CPM quem
assinam os cheques, já o tesoureiro tem a responsabilidade de controlar os gastos
junto com o conselho fiscal.
Ressalta-se que o Programa Dinheiro Direto na Escola (PDDE) é um repasse
de recursos financeiros diretamente às escolas de ensino fundamental, os quais se
destinam a atender despesas com material de consumo e material permanente. O
dinheiro é disponibilizado em conta bancária da “unidade executora” da escola.
Trata-se de uma parceira entre Estado e Sociedade Civil, uma vez que existe a
exigência da unidade executora para gerir esses recursos. Nas escolas estaduais o
Circulo de Pais e Mestres é que exerce essa função, face constituírem-se em órgãos
com personalidade jurídica própria.
Neste ano o Governo Federal lançou o cartão PDDE, onde após reunião com
a equipe diretiva da escola e CPM realizaram alteração no Estatuto do CPM devido
à implantação do referido cartão de crédito que antes nunca fora usado. O cartão
ficará no nome do presidente da associação e ele terá toda a responsabilidade
perante seu uso ou extravio.
Segundo o Governo Federal isso dará um maior controle de gastos e locais
onde foram usados o cartão, o que as escolas em sua maioria não concordam, pois
nem sempre o Presidente do CPM é membro do quadro de professores e
funcionários da escola e isto, pode gerar certa insegurança.
Verifica-se que os recursos provenientes do repasse do governo estadual são
geridos pela direção da escola em conjunto com o Conselho Escolar, ao passo que
os recursos do PDDE são geridos em conjunto com o Círculo de Pais e Mestres
(CPM).
[Link] Merenda Escolarizada – FNDE – verba semestral enviada pelo MEC
Esta é uma verba enviada para as escolas em cima do número de alunos
informado no Censo do ano interior. A escola recebe o valor de R$ 0,36 por aluno. O
cálculo para saber qual valor a escola irá receber é o seguinte: 0,36 valor por aluno x
168 alunos x 20 dias = R$ 1.209,60. Portanto, esse será o valor repassado por mês
para a aquisição da merenda escolar.
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Este repasse tende a ser alterado todo ano, pois varia conforme o número de
alunos matriculados até 25/05 de cada ano. O montante será multiplicado por 5
repasses, ou seja, dois “semestres” com 5 repasses, sendo, R$ 1.209,60 x 5=
6.048,00 este será o valor em que a licitação da merenda escolar será executada.
A 8ª coordenadoria repassa para as escolas o cardápio com a alimentação
saudável a ser oferecido aos alunos e fica claro que o valor repassado para as
escolas é totalmente fora da realidade dos preços dos mercados locais que
participam da licitação, bem como a limitação de na oferta do necessário para
cumprir com esse cardápio. Muito dos elementos que constitui o cardápio da
merenda é adquirida dos produtores da Agricultura Familiar do Município através
das verbas destinadas a mesma.
Para complicar o processo de prestação de contas da merenda escolar, a
mesma passa por três processos: Carta Convite; Chamada pública e prestação de
contas. Todo o processo realizado será lançado no Portal FPE, onde todas as notas
serão lançadas com valor total e unitário, para comprovar que os produtos foram
realmente comprados e assim, controlar os gastos e investimentos realizados no
processo da merenda e também para controlar os estoques dos mercados.
3. METODOLOGIA
A presente pesquisa caracterizou-se como sendo um estudo de caso sobre
Gestão Democrática Escolar, Administrativa e Financeira – um estudo em uma
escola pública estadual no município de Cacequi – RS. Segundo Yin (2005), um
estudo de caso é uma investigação empírica que analisa determinada situação
dentro do contexto atual, visa entender fenômenos da vida real com profundidade
principalmente quando este fenômeno e o contexto não são conhecidos com
clareza.
O estudo possui aspecto qualitativo e descritivo, sendo que a pesquisa
qualitativa segundo Vilelas (2009, p.105) é uma forma de estudo que se centra no
modo como as pessoas interpretam e dão sentido às suas experiências e ao mundo
em que elas vivem, é uma forma de abordagem que interpreta a realidade social.
De acordo com Gil (2002) a pesquisa descritiva tem por finalidade descrever
as características de determinado problema, sendo uma das mais utilizadas nas
pesquisas sociais, bem como este estudo, que possui o foco a atuação prática.
O estudo teve como foco a realidade da Escola Estadual Marechal Hermes
da Fonseca, do município de Cacequi, onde o pesquisador vai analisar o estudo das
prestações de contas que ocorrem dentro da mesma.
A coleta de dados realizou-se a partir da análise documental. Marconi e
Lakatos (2012) estabelecem que uma pesquisa documental seja a análise de um
conjunto de informação onde se filtra o que for necessário para atender os objetivos.
Os documentos utilizados foram partiram de uma revisão na documentação
que faz parte da Prestação de contas da Escola, com o objetivo de tomar
conhecimento de como as verbas recebidas são utilizadas e comprovadas. Também
foram utilizadas as experiências profissionais do autor desta pesquisa, aliando os
conhecimentos adquiridos no decorrer do curso de formação.
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A partir destes dados foi realizada uma análise das informações do conteúdo
contido no referencial bibliográfico, na legislação e documentos, visando desta forma
alcançar os objetivos da pesquisa. O método análise de conteúdo refere-se como
sendo um conjunto de técnicas com o objetivo de identificar semelhanças dos
fenômenos e interpretação dos achados (DIEHL e TATIM, 2004).
4 ANÁLISE E RESULTADOS
A análise de dados foi realizada com base nos documentos que fazem parte
da Prestação de Contas referentes aos recursos recebidos pela EEEF Marechal
Hermes da Fonseca, do município de Cacequi quanto ao cumprimento da legislação
vigente.
Foram analisados o 2º Quadrimestres de 2017 e 2018, observando que: no
ano de 2017, havia um saldo anterior no valor de R$ 4.452,05 para manutenção e
R$ 7.853,93 para material permanente. O valor recebido foi de R$ 6.294,48
(manutenção) e R$ 2.697,60 (material permanente) totalizando um valor de R$
21.298,06. As despesas com manutenção foi de R$ 6.494,83 e com material
permanente, R$ 3.238,00, totalizando uma despesa de R$ 9.732,83, ficando um
saldo de R$ 11.565,23.
Neste ano de 2018, o saldo anterior foi de R$ 1.975,69. Assim, para o 2º
Quadrimestre, a dotação para manutenção foi de R$ 8.270,17 e a escola teve como
despesa o valor de R$ 8.180,00. A dotação para material permanente foi de
8.883,43, tendo uma despesa de R$ 6.800,00. O total de despesas da escola foi de
R$ 14.980,00. Essas considerações mostram que os gastos realizados pela escola
no 2º Quadrimestre de 2017 foram menores do que em 2018.
Os documentos que norteiam o processo de elaboração dos Planos de
Aplicação, o qual passa pelo Conselho Escolar e CPM, e Demonstrativos são
desenvolvidos por meio de planilhas onde são detalhados os recursos recebidos e
as despesas realizadas pela escola, obedecendo aos prazos estipulados para o
cumprimento entrega da Prestação de Contas a fim de que a mesma seja aprovada
pelo órgão competente.
Observou-se que é de suma importância que toda a comunidade escolar
tenha conhecimento sobre os recursos que são repassados a ela, tendo em vista
que há um número expressivo de participantes diretos da educação pública que não
conhecem e não têm possibilidade de discutir a gestão financeira de seus
estabelecimentos de ensino, além da discussão da sua execução por meio de
gestão democrática. Nesse sentido, a EEEF Marechal Hermes da Fonseca busca
sempre cumprir com a legislação, trabalhando com eficácia e transparência,
evitando assim, a ocorrência de falhas no cumprimento da lei.
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O objetivo de identificar a concepção de gestão no âmbito de uma escola
pública estadual, considerando a relação teórico/prática entre gestão escolar,
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administrativa e financeira foi delineado com o intuito conhecer e de levar este
conhecimento para todos que buscam compreender como as escolas utilizam os
recursos financeiros oferecidos pelo governo federal e estadual através de
programas em prol da educação.
O desafio do gestor escolar é além de gerir a escola de forma a atender as
novas necessidades que a atual ordenação social traz para a mesma:
desestruturação familiar, violência, sexualidade, preocupação ambiental, respeito às
diversidades, inclusão social e cidadania, é saber controlar o pouco que é repassado
pelos governos estaduais e federais, em gerir essas finanças. Para isso o
planejamento é o primeiro passo e vai ajudar a prever os gastos e surpresas
desagradáveis.
Ressalta-se que nas escolas estaduais existem normas para a aplicação dos
recursos públicos, bem como para aqueles oriundos da captação própria, contudo
cada escola possui a sua maneira muito singular de geri-los.
Compreende-se assim, que a gestão da escola, no seu dia a dia, é um ato
político, uma vez que as decisões não são tomadas de forma individualizada, mas
considera as opiniões e sugestões dos seus segmentos e comunidade, em especial
dos órgãos de apoio ao modo de aplicar as verbas recebidas, dentro da legalidade.
Nesse sentido, o Conselho Escolar é uma instância colegiada formada por
todos os segmentos que representam a comunidade escolar (pais, alunos,
professores, funcionários, sociedade civil e direção) sendo, portanto, o acesso que a
comunidade tem para atuar na gestão, particularmente na tomada de decisões
quanto ao aspecto financeiro juntamente com o CPM.
O Diretor tem a responsabilidade de prestar contas dos gastos e
investimentos perante sua mantenedora e ao Cadin, o que não o impede de montar
uma equipe qualificada em ajudar na administração.
Embora, atualmente, o governo trabalhe com corte de pessoal e
investimentos na educação, em uma escola pequena com alunos do primeiro ao
quinto ano, se requer também investimentos no quadro dos recursos humanos, não
apenas para cuidar as crianças quando estão fora da sala de aula em seu período
de recreação, mas sim para desenvolver outras atividades, na direção, sejam elas
de ordem, administrativas, pedagógicas, financeiras ou outro problema que surgir.
Observou-se que, para a escola vivenciar sua autonomia financeira, faz-se
necessária a destinação de recursos que atendam às necessidades da escola, a fim
de que ela não se envolva com questões que extrapolam seu objetivo maior, que é a
educação, gastando seu tempo na busca de recursos para sua manutenção.
A escola não pode contrariar o que está previsto em lei, no entanto, pode
avançar e construir possibilidades e, nessa construção, as pessoas são
fundamentais e darão ou não sentido à gestão. No bojo da gestão financeira da
escola pública estadual pode-se afirmar que são esses recursos que, com sérias
limitações, mantém a escola.
Conclui-se que a política de repasses de recursos – comumente chamada de
autonomia financeira – na rede estadual de ensino do RS, trouxe avanços para a
gestão da escola, mas possui limitações, contudo, o grande desafio é o seu
aperfeiçoamento.
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