Universidade Zambeze
Faculdade de ciências e tecnologia
Engenharia civil
2 ano pós˗ laboral
Geologia aplicada
Tema׃Caraterização e classificação dos solos
Estudantes׃
Amalia Berta
Gasten Cardoso
Guiven Mathe
Mauricio Mutomujua
Docente׃Domingos Mogento
Beira setembro 2025
Indice
Introdução...................................................................................................................................................3
Objectivos....................................................................................................................................................4
Solo..............................................................................................................................................................5
Tipos de solo................................................................................................................................................5
Função do solo............................................................................................................................................6
Importância do solo.....................................................................................................................................6
Caracterização e classificação do solo.........................................................................................................7
Composição do solo....................................................................................................................................8
Perfil do solo................................................................................................................................................9
Classificacao do perfil do solo...................................................................................................................10
Importância do perfil do solo....................................................................................................................11
Fatores de formação dos solos..................................................................................................................11
Processos pedogenéticos..........................................................................................................................13
Intemperismo............................................................................................................................................15
Conclusão..................................................................................................................................................16
Referencias bibliograficas..........................................................................................................................17
Introdução
O solo é um recurso natural fundamental para a vida no planeta, pois constitui a base para o
desenvolvimento da agricultura, da silvicultura, da pecuária e de várias atividades humanas
ligadas
à produção de alimentos e matérias-primas. Além de servir de suporte físico para construções e
obras de engenharia, o solo também desempenha funções ambientais, como a filtragem da água,
a regulação do clima e o abrigo de organismos vivos. A sua formação resulta da interação de
fatores como o clima, os organismos, a rocha-mãe, o relevo e o tempo, dando origem a diferentes
tipos de solos, com características físicas, químicas e biológicas próprias. Assim, compreender a
caracterização e a classificação dos solos é essencial para o uso sustentável desse recurso,
garantindo uma exploração equilibrada que assegure a produtividade e preserve o meio
ambiente.
Objectivos
Objetivos Gerais
- Estudar as principais características físicas, químicas e biológicas dos solos.
- Analisar os fatores de formação dos solos e os processos pedogenéticos.
- Identificar e compreender as diferentes classes de solos e suas propriedades.
- Promover o conhecimento sobre a importância da classificação dos solos na agricultura,
construção civil e gestão ambiental.
Objetivos Específicos
- Descrever os fatores que influenciam a formação dos solos (rocha-mãe, relevo, clima,
organismos e tempo).
- Explicar os processos pedogenéticos que atuam na diferenciação dos horizontes do solo.
- Caracterizar os principais tipos de intemperismo físico e químico na formação dos solos.
- Reconhecer e interpretar o perfil dos solos e seus horizontes.
- Identificar as classes de solos predominantes e suas principais características.
- Relacionar a classificação dos solos com as suas possíveis utilizações na agricultura,
engenharia
e preservação ambiental.
Solo
Solo é a camada que recobre a superfície terrestre. Os solos são corpos formados por meio do
intemperismo químico e do intemperismo físico das rochas, sendo constituídos essencialmente
por minerais, matéria orgânica, água e ar, além de pequenos animais e micro-organismos. Os
componentes do solo estão dispostos em camadas chamadas de horizontes. O desenvolvimento
de um perfil de solo varia consideravelmente de região para região, dependendo diretamente de
aspectos como clima, disponibilidade hídrica, rocha-mãe e topografia."
Solo corresponde à camada de material inconsolidado que recobre a superfície terrestre.
Os solos são resultantes do intemperismo da rocha e da ação de micro-organismos.
Trata-se de uma estrutura dinâmica e em constante transformação.
Tipos de solo
Uma das maneiras de se determinar os diferentes tipos de solo é de acordo com a sua
granulometria (diâmetro dos grãos nele presentes) e composição. Com base nesses critérios,
existem quatro tipos de solo.
→ Solo arenoso
Os solos arenosos são formados predominantemente por areia — grânulos que possuem entre
0,05 mm e 2 mm de espessura. São porosos, bastante frágeis e apresentam baixa fertilidade
química.
→ Solo siltoso
Os solos siltosos são formados por materiais com espessura entre 0,002 mm e 0,05 mm, o que
caracteriza uma granulometria intermediária entre a areia (mais grossa) e a argila (mais fina).
Apresentam uma característica em comum com os solos arenosos: a sua suscetibilidade à erosão,
uma vez que são constituídos por material com elevado nível de desagregação.
→ Solo argiloso
Os solos argilosos são formados por materiais muito finos, com espessura igual ou inferior a
0,002 mm. Trata-se de um solo pouco poroso que tem uma capacidade muito grande de
armazenar água, embora sua permeabilidade seja menor do que a dos demais tipos apresentados.
→ Solo orgânico
Os solos orgânicos são muito férteis, constituídos por um horizonte rico em nutrientes e matéria
orgânica. São chamados também de solos húmicos devido à presença do horizonte com o mesmo
nome.
Função do solo
Os solos são estruturas que apresentam múltiplas funções. Listamos abaixo algumas das suas
principais funções.
Manutenção do equilíbrio ambiental por meio da sua participação nos ciclos biogeoquímicos (da
água, do nitrogênio, do carbono etc.) que acontecem na natureza.
Sustentação dos mais variados tipos de cobertura vegetal, desde florestas a estepes, o que faz
com que se tornem também importantes reservatórios de nutrientes e minerais.
Fornecimento de recursos naturais para os seres humanos.
Base para o desenvolvimento de atividades econômicas, como a agricultura e a pecuária.
Armazenamento e circulação de água.
Proteção da rocha-mãe.
Habitat para milhares de formas de vida que compreendem de pequenos animais a micro-
organismos.
Fundação para as obras de infraestrutura e edificações.
Importância do solo
Revestindo grande parte da superfície terrestre, o solo desempenha papel fundamental na
sustentação da vida e das atividades humanas. É nele que se fixam as edificações e a
infraestrutura (as rodovias, os viadutos, os postes elétricos, as ferrovias e várias outras redes),
além desse substrato oferecer nutrientes para o desenvolvimento dos cultivos agrícolas e muitos
dos recursos naturais importantes para a nossa economia, como os minerais.
Os solos são muito importantes para a manutenção da vida no planeta, visto que, além de
sustentarem a vegetação e parte da fauna, eles próprios consistem em um amplo e diverso
ecossistema. Não somente isso, os solos realizam a renovação de nutrientes periodicamente
como parte de sua função nos ciclos biogeoquímicos do nosso planeta. Por essa razão, o manejo
adequado dos solos se torna tarefa tão importante para a manutenção do equilíbrio dos sistemas
naturais e, por conseguinte, para a preservação do meio ambiente."
Caracterização e classificação do solo
A classificação de um solo é obtida a partir da avaliação dos dados morfológicos, físicos,
químicos e mineralógicos do perfil que o representam. Aspectos ambientais do local do perfil,
tais como clima, vegetação, relevo, material originário, condições hídricas, características
externas ao solo e relações solo-paisagem, são também utilizadas.
A classificação de um solo se inicia com a descrição morfológica do perfil e coleta de material
de campo, que devem ser conduzidas conforme critérios estabelecidos em manuais (IBGE, 2005;
LEMOS; SANTOS, 1996; SANTOS et al., 2005), observando-se o máximo de zelo, paciência e
critério na descrição do perfil e da paisagem que ele ocupa no ecossistema.
As características morfológicas observadas em campo necessitam ser descritas de forma
completa, conforme os referidos manuais, recomendando-se os cuidados necessários para
registrar com exatidão a designação dos horizontes do perfil (EMBRAPA, 1988b; SANTOS et
al., 2005) e todas as características morfológicas usuais e extraordinárias. São muito relevantes
as anotações quanto ao fendilhamento do solo, microrrelevo (gilgai), cores indicativas de
oxidação e redução, altura e flutuação do lençol freático, horizontes ou camadas coesas ou
compactadas, profundidade das raízes no perfil, atividade biológica ao longo do perfil e
quaisquer ocorrências pouco usuais ou extraordinárias.
Formação do solo
A formação dos solos tem início por meio da decomposição química e desestruturação mecânica
de uma camada de rocha, que, então, passa a ser chamada de rocha-mãe ou rocha matriz, uma
vez que é ela quem dá origem ao perfil de solo. Dá-se o nome de pedogênese ao processo de
formação de um solo.
A transformação do corpo rochoso recebe o nome de intemperismo, que, no caso em questão, se
dá tanto na sua forma química quanto física. Na primeira, há a modificação dos minerais
presentes na rocha; enquanto a segunda é caracterizada fragmentação e divisão dela em pedaços
menores. A constituição de um perfil de solo somente é possível porque o material
intemperizado não é transportado para outros locais, ou seja, ele permanece sobre a rocha de
origem.
A formação do solo é um processo muito lento que decorre na escala de tempo de milhares de
anos. O desenvolvimento de somente 2,5 centímetros de um solo leva de algumas centenas até
dois mil anos. É importante ressaltar, no entanto, que essa é somente uma estimativa que pode
variar de acordo com vários fatores, principalmente o tipo de rocha e a ação dos agentes
Composição do solo
A composição química de um solo varia de acordo com a localidade onde ele se formou e com a
sua rocha-mãe. No entanto, todos os perfis de solo apresentam determinados elementos em
comum que, em geral, constituem materiais orgânicos e materiais inorgânicos. Levando isso em
consideração, podemos afirmar que todos os solos apresentam em sua composição:
minerais (a maior parcela de seus componentes);
água;
ar;
matéria orgânica.
Os materiais que compõem um solo estão dispostos por meio de camadas que recebem o nome
de horizontes. O número de horizontes presentes em um solo não é o mesmo para todos, e a sua
variação acontece em função do tempo de desenvolvimento daquele perfil.
Quando bem desenvolvidos, os solos apresentam, pelo menos, quatro horizontes, os quais
descrevemos abaixo.
"Horizonte O: é o horizonte orgânico do solo, representa a camada superficial formada por
matéria orgânica e água. Apresenta coloração mais escura do que os demais horizontes.
Horizonte A: camada formada por minerais e matéria orgânica, o que lhe confere também uma
coloração escura.
Horizonte B: camada formada por nutrientes lixiviados das camadas superiores do solo e outros
minerais decorrentes da decomposição química da rocha. É mais espesso que os horizontes
superiores, e a presença de matéria orgânica é muito baixa.
Horizonte C: corresponde ao horizonte de transição entre a rocha-mãe e as demais camadas do
solo. Apresenta minerais decorrentes do intemperismo químico e também fragmentos da rocha
original, produto do intemperismo químico. Não apresenta matéria orgânica."
"Importante: Algumas classificações nomeiam ainda o Horizonte R, que corresponde à rocha-
mãe.
Perfil do solo
Em síntese, o perfil do solo é a seção vertical que se inicia na superfície do solo até chegar na
última camada próximo à rocha.
Na prática, ele é formado por um conjunto de horizontes, ou seja, uma sequência de camadas
horizontais originadas da ação simultânea dos processos químicos, físicos e biológicos que
ocorrem no solo.
Em resumo, esses horizontes dividem-se em seis camadas. Sendo elas:
Horizonte O (Orgânico): camada orgânica superficial, em decomposição;
Horizonte A (Superfície): caracterizado com fragmentos de rocha, matéria orgânica e húmus;
Horizonte B (Subsolo): camada mineral pobre em matéria orgânica, porém rica em ferro e
minerais resistentes como quartzo;
Horizonte C (Mineral): camada pouco ou parcialmente alterada, constituído por material
inconsolidado de rocha alterada;
Horizonte R (Base Rochosa): rocha matriz, sem alteração, a criadora de todo o solo.
orizontes do solo. (Créditos: Boas Práticas Agronômicas)
Classificacao do perfil do solo
Em geral, o perfil do solo possui três classificações: perfil químico, perfil físico e perfil
biológico.
Entenda como cada um funciona a seguir:
Perfil químico
O perfil do solo químico é caracterizado pelo uso de fertilizantes, que normalmente são aplicados
para garantir a construção da fertilidade da terra.
Nesse processo, a calagem, que consiste na aplicação de calcário no solo, é utilizada para corrigir
o perfil do solo e tem como principal objetivo conservar o pH ideal para a plantação.
Contudo, essa técnica precisa ser realizada de forma adequada. Afinal, ela é responsável por
eliminar o alumínio tóxico do solo e aumentar a disponibilidade dos nutrientes essenciais para o
desenvolvimento da planta.
Perfil físico
A construção de um perfil físico tem como principal intuito reduzir a compactação do solo. Isso
porque solos pouco compactados contribuem para o melhor crescimento radicular das plantas,
além de otimizar a penetração e absorção de água e diminuir a perda de nutrientes.
Nesse sentido, uma das práticas adequadas para diminuir a compactação é a escarificação, que
analisa o solo em até 30 cm, aproximadamente, e rompe a camada compactada. Assim, após
realizar o procedimento, é possível implantar o sistema de plantio direto.
Perfil biológico
O perfil biológico do solo está diretamente associado à capacidade de produção do solo. Por isso,
o objetivo é melhorar as condições biológicas da terra por meio do aumento do aporte de matéria
orgânica.
Além disso, para corrigir o perfil biológico do solo, o recomendado é utilizar fertilizantes
organominerais. Estes produtos possuem alto índice de matéria orgânica benéfica e uma fração
de minerais que, juntos, atuam na melhora da capacidade produtiva do solo.
Importância do perfil do solo
Na prática, o perfil do solo é utilizado para realização de exames, descrição, coleta e
classificação dentro de um sistema organizado de classificação dos solos.
Isso significa que as características e dados apurados sobre o perfil do solo, a partir do resultado
de análises de laboratórios, são comparadas a diagnósticos definidos pelo Sistema Brasileiro de
Classificação dos Solos (SiBCS) utilizando os critérios desse mesmo sistema. Assim, é possível
comparar os resultados obtidos com as especificações estabelecidas e, por fim, classificar o solo.
Desse modo, por meio de informações adquiridas em análises, o produtor consegue identificar a
qualidade do solo e determinar a necessidade do uso de fertilizantes, um maior número de
sementes, além de também considerar a adoção de métodos específicos de irrigação.
Fatores de formação dos solos
A formação dos solos é diretamente determinada por fatores relacionados com o material de
origem, relevo, organismos vivos, clima e tempo.
"O solo corresponde à porção superficial da Terra onde é realizada a maior parte das atividades
humanas. Trata-se de uma parte integrada da paisagem, responsável pela sustentação da vida
vegetal e da manutenção dos recursos naturais relacionados. Acima de tudo, o solo é também um
importante recurso natural."
"O processo de formação dos solos é chamado de pedogênese e ocorre principalmente em razão
da ação do intemperismo, responsável pelo desgaste de uma rocha original (rocha mãe) e sua
gradativa transformação em sedimentos, que dão origem ao material que compõe os solos.
Nesse sentido, é importante e necessário observar que a característica dos solos, o seu tempo de
constituição, a sua profundidade e sua estrutura estarão relacionados com os elementos atuantes
nesse processo, chamados de fatores de formação dos solos, a saber: o material de origem, o
relevo, os organismos vivos, o clima e o tempo.
Material de origem
O material de origem corresponde à formação rochosa original que foi intemperizada para dar
origem aos solos, dando a ele suas principais características. Por mais que existam solos cuja
composição advém do depósito sedimentar oriundo de diferentes áreas, é a rocha mãe que
determina suas principais características.
Assim, materiais rochosos compostos por arenitos, por exemplo, darão origem a solos arenosos;
já material composto por granito dará origem a outros tipos de solos. Um exemplo muito
conhecido no Brasil é a formação da chamada “terra roxa”, oriunda de rochas vulcânicas – como
o basalto – que são ricas em enxofre e que, por isso, deram origem a um solo muito fértil."
Relevo
O relevo – isto é, as formas externas da crosta terrestre – também é decisivo no processo de
formação dos solos, pois ele exerce direta influência na forma de atuação dos agentes
responsáveis pelo intemperismo, como a água e os ventos.
Em áreas de relevo mais inclinado, a infiltração da água é menor, o que provoca uma menor ação
do intemperismo sobre a rocha mãe e também uma remoção maior dos sedimentos na superfície,
formando solos mais rasos. Já em áreas mais baixas, o acúmulo de água é maior, provocando
uma maior ação intempérica e, por outro lado, dificultando a drenagem, o que ocasiona a redução
do ferro e solos mais orgânicos. Além disso, o grau de inclinação do relevo torna-o menos ou
mais exposto à iluminação solar, o que também afeta a sua composição e textura
A pedogênese
O processo de formação dos solos, ocorre por meio da dissolução química e da desagregação
mecânica das rochas.
A composição dos solos é feita de minerais, matéria orgânica, água e ar. Eles podem conter ainda
pequenos animais e micro-organismos.
Os solos são formados por diferentes horizontes, suas camadas.
Podem ser do tipo arenoso, siltoso, argiloso ou orgânico.
Identifica-se, no Brasil, a presença de 13 classes de solo, segundo a Embrapa.
Os argissolos, os latossolos e os neossolos são os solos mais presentes no Brasil.
Os solos são importantes para a sustentação da vegetação e das atividades humanas, sendo parte
fundamental dos ecossistemas e dos ciclos biogeoquímicos terrestres."
Organismos vivos
Os organismos vivos atuam de forma contínua sobre o solo, tanto na sua formação quanto na sua
transformação, conservando-o, degradando-o ou alterando sua composição físico-química. Nessa
categoria, podemos incluir desde os micro-organismos até os seres humanos.
Os micro-organismos, como as bactérias, algas e fungos, atuam na ação do intemperismo
biológico, fazendo-se presentes na decomposição das rochas e também na alteração dos
compostos vegetais ou mineralógicos dos solos, tornando-os mais férteis ou mais pobres. As
plantas atuam na contenção do transporte de sedimentos e os animais também exercem
influência e impactos. No caso dos seres humanos, os impactos são rápidos e, muitas vezes,
profundamente sentidos, como nas ocorrências de erosões, desertificações e outros processos.
Clima
A maior parte dos agentes intempéricos está relacionada com processos meteorológicos e
climatológicos, a exemplo da água das chuvas, dos ventos e da temperatura. Assim, o tipo
climático e suas variações ao longo do tempo são determinantes para a formação dos solos e
também para a velocidade do desgaste do material original."
Tempo
O período de tempo também precisa ser considerado no processo de formação dos solos. Áreas
formadas em épocas geológicas mais recentes estiveram por menos tempo expostas aos agentes
intempéricos e, por isso, apresentam solos jovens e mais rasos, geralmente com menor
quantidade de material orgânico. Já as áreas geologicamente mais antigas podem apresentar
solos mais profundos (a depender dos fatores anteriormente citados) e, em muitos casos, mais
“lavados” e alterados quimicamente.
Processos pedogenéticos
São reações ou mecanismos de caráter químico, físico e biológico que produzem no interior do
solo zonas características correlacionadas aos chamados fatores de formação São processos que
levam à constituição dos horizontes ou camadas particulares a cada situação ambiental Os
processos pedogenéticos consideram a adição/remoção do solo de materiais mineral e orgânico
no estado sólido, líquido e gasoso, a translocação, e a transformação desses materiais no perfil do
solo Na formação do solo não ocorre um processo pedogenético isoladamente, mas a
predominância de pelo menos um deles
Adição - pela chuva, pelo ar ou pela vegetação, como acréscimo vertical descendente (iluviação)
e laterais de soluções provenientes de outros solos ou mesmo verticais ascendentes a partir do
lençol freático e por evapotranspiração Remoção - ocorre quando a precipitação é maior que a
evapotranspiração e os materiais do solo são lavados para baixo ou para fora dele. O agente
principal de remoção é a água, e o processo denomina-se lixiviação e eluviação Translocação -
movimento de materiais e substâncias dentro do perfil do solo, produzindo acumulações e
modificações visíveis da distribuição desses materiais no perfil. É o principal processo
responsável pela diferenciação do solo em horizontes
Transformação - podem ser separadas em transformações físico ou mecânica e por
intemperização (físico-químico-mineralógicas e em alguns casos biológicas)
Existem quatro principais tipos de processos pedogenéticos: Podzolização, Laterização,
Salinização e Gleização
Podzolização - característico de regiões de clima temperado, condicionando por acúmulo de
matéria orgânica, produção de ácidos húmicos, dispersão de sesquióxidos de ferro e alumínio e
enriquecimento em sílica
Laterização - característico de regiões de clima tropical e intertropical condicionado pela
lixiviação de bases e sílica, acumulação de sesquióxidos de ferro e alumínio
Salinização - característico de regiões de clima árido ou semiárido, condicionado pela
concentração de bases na forma de sais nos horizontes superiores
Gleização - também conhecida por hidromorfia, característico de locais saturados em água, onde
os cátions metálicos, principalmente o ferro, se mantêm na forma reduzida, favorecendo sua
lixiviação
Intemperismo
O intemperismo desagrega os minerais das rochas e os fragmenta, além de modificar sua
composição, decompondo os minerais mais frágeis e formando novos minerais. As
transformações
podem ser apenas físicas (intemperismo físico), apenas químicas (intemperismo químico),
e também podem combinar as duas variedades, com ou sem a contribuição dos seres vivos
(intemperismo físico-biológico ou químico-biológico)
Intemperismo Físico
As transformações simplesmente mecânicas (fragmentação das rochas e dos grãos minerais) são
denominadas intemperismo físico e ocorrem basicamente por adaptações a variações de
temperatura e de pressão. Entre os mecanismos mais comuns de intemperismo físico está a
variação diuturna e sazonal da temperatura, que provoca contração e expansão diferencial dos
grãos; essa variação provoca tensões entre os grãos, que acabam por se descolar e se fragmentar,
transformando a rocha dura num conjunto de grãos desagregados e fraturados, ou seja,
transformando um material coeso num material friável.
Intemperismo químico.
Assim, em contato com a água da chuva, considerada neste contexto como uma “solução de
alteração” ou “de intemperismo”, carregada de substâncias dissolvidas ao longo de sua trajetória
pela atmosfera e pelo contato com a biosfera, os minerais das rochas duras (minerais primários)
sofrem reações químicas diversas, que dependem dos reagentes (minerais originais da rocha e
soluções de alteração) e das condições em que as reações se processam (clima, relevo, presença
de organismos e tempo). O resultado das reações será o conjunto de minerais secundários (ou
supérgenos, pois são gerados na superfície), que constituem as formações superficiais. A
seguinte reação geral pode ser considerada para ilustrar o intemperismo químico:
CaSO4 + 2H2 O → CaSO4 .2H2 O
Mineral I + solução de alteração ⇒ Mineral II + solução de lixiviação • mineral I: mineral
primário, ou seja, mineral existente na rocha dura (p. ex., quartzo, feldspato, mica, piroxênio
etc.), • solução de alteração: água da chuva carregada de elementos/substâncias dissolvidas, que
se infiltra e percola a rocha em vias de alteração, • mineral II: mineral secundário (ou
neoformado), ou seja, formado pela recombinação de íons durante a reação de intemperismo (p.
ex., goethita, gibbsita, argilominerais etc.) e • solução de lixiviação: água da chuva, cuja
composição foi modificada pelas reações do intemperismo e que caminhará em meio aos
materiais geológicos até atingir um aquífero, um rio ou até voltar à superfície. As reações
principais que ocorrem neste tipo de intemperismo são: hidratação, hidrólise, oxidação,
carbonatação e complexação. A hidratação refere-se à entrada de água na estrutura de um
mineral, enfraquecendo-a e podendo formar um outro mineral com características distintas. Por
exemplo, a anidrita (sulfato de cálcio) transforma-se em outro mineral, o gipso, pela entrada de
H2 O em sua estrutura cristalina.
Conclusão
A caracterização e a classificação dos solos representam etapas fundamentais para a
compreensão da sua formação, estrutura e funções. Ao conhecer as suas propriedades físicas,
químicas e biológicas, bem como os fatores e processos que influenciam sua origem, torna-se
possível utilizar esse recurso de forma racional e sustentável. A classificação dos solos não é
apenas um exercício científico, mas uma ferramenta prática para a agricultura, engenharia e
preservação ambiental, permitindo planejar o uso adequado da terra, aumentar a produtividade e
reduzir impactos negativos ao meio ambiente. Conclui-se, portanto, que o estudo dos solos é
indispensável para garantir a sustentabilidade dos ecossistemas e o bem-estar das sociedades
humanas
Referencias bibliograficas
EMBRAPA. Sistema Brasileiro de Classificação de Solos. Editores Humberto Gonçalves dos
Santos et al. Rio de Janeiro: Embrapa Solos, 2006. LEPSCH, I.F. Formação e Conservação dos
Solos. São Paulo: Oficina de Textos, 2002. 178p. TOLEDO, M.C.M.; OLIVEIRA, S.M.B. de;
MELFI, A.J. Cap 8 p.128-239 Da rocha ao Solo – Intemperismo e pedogênese. In: TEIXEIRA,
W.; FAIRCHILD, T.R.; TOLEDO, M.C.M.; TAIOLI, F. Decifrando a Terra. 2ª ed. São Paulo:
IBEP Editora Nacional-Conrad, 2009. 620p.
[Link]
[Link]
[Link]