Lapso
Cada passo que eu estava dando, fazia meu corpo suar frio e sentia
cada vez mais minha angústia me sufocando e eu necessitava de ar,
encontrei finalmente a porta para o terraço e joguei meu corpo contra
a porta para abri-la e cada vez mais as lembranças do meu passado
sombrio se instalava e me assombrava.
Meus passos diminuíram, enquanto eu caminhava para a ponta do
prédio e por um segundo eu queria desistir de tentar… me sentei na
ponta e observava os carros lá embaixo.
- Por quê? Por quê? Doe tanto? Por que eu sinto isso?
Gritava como se alguém pudesse me escutar, como se pudesse pedir
ajuda…ou tentasse
Só estava apenas eu em um prédio alto em uma noite fria de
novembro e hoje era meu aniversário, odiava meu aniversário e como
eu estava solitário, minha vida foi baseada nisso a droga de
dezessete anos era uma vida de solidão, meus pais morreram quando
tinha seis anos e as únicas lembranças que eu carrego era suas
brigas e seus insultos…minha vó me contou que eles tinham morrido
em um acidente de carro e a sepultura era em outra cidade a tal qual
ela nunca me contou.
A vovó depois de um tempo cuidando de mim e do meu irmão mais
velho, ela acabou descobrindo que tinha Alzheimer e isso acabou
afetando a nossa família e cada ano que se passava ela esquecia
cada vez mais de mim e do meu irmão, e estamos cuidando dela até
um ponto que ela achou que éramos completamente estranhos em
sua casa e ela jogou um vaso de flores em meu rosto e acabou
cortando minha testa e isso foi só um basta para meu irmão explodir.
Vovó não mora mais conosco e sim em um lar para idosos, e essa
decisão foi por parte de meu irmão…deixei meu cabelo crescer para
cumprir a pequena cicatriz