Seguridade Social
O Direito Previdenciário é uma área de direito público que trata da Seguridade Social
(gênero) e a Seguridade Social é um sistema amplo que engloba a saúde, previdência
social e assistência social (espécies).
● SAÚDE: a saúde é um dos segmentos autônomos da Seguridade Social, pois
não possui restrição de beneficiários e o seu acesso também não exige
contribuição dos beneficiários, portanto, é um direito de todos e um dever do
Estado. Ou seja, todos podem acessar, independentemente de condição
social, idade ou se contribuem financeiramente ou não e diferentemente da
Previdência, por exemplo, que depende de recolhimentos, a saúde é
custeada por toda a sociedade, via impostos.
Em resumo, a saúde é um direito universal garantido pela Constituição
Federal e concretizado por meio do SUS. Ademais, a saúde também pode ser
oferecida por particulares.
● ASSISTÊNCIA SOCIAL: a assistência social também é um segmento
autônomo da Seguridade Social, tendo em vista que para a sua concessão
não é preciso contribuição, dessa forma, atua como complemento da
previdência, alcançando aqueles (hipossuficientes) que não conseguem
acesso à previdência (já que exige contribuição).
Apesar de não exigir contribuição, é preciso que o beneficiário esteja inscrito
no CADÚNICO (Cadastro Único), comprovando a necessidade do benefício,
conforme art. 203 da CF.
Exemplos de benefícios e serviços assistenciais:
1) Auxílio-natalidade (apoio em despesas com nascimento de filho);
2) Auxílio-funeral (apoio em despesas com falecimento);
3) Aluguel social (ajuda para quem perdeu moradia ou está em situação de
risco);
4) Bolsa Família (transferência direta de renda a famílias de baixa renda);
5) Benefício de Prestação Continuada – BPC LOAS (art. 203, V, da CF: um
salário mínimo mensal a idosos e pessoas com deficiência que não têm
meios de se sustentar). Pode ser submetido a revisão, não tem 13° e não
pode ser transferido a herdeiros.
● PREVIDÊNCIA SOCIAL: a previdência social tem caráter contributivo e
obrigatório, portanto, necessita de contribuição e é obrigatória para aqueles
que exercem atividade remunerada (empregado - descontado em folha,
autônomo, empresário etc).
● PREVIDÊNCIA PRIVADA: A Previdência Privada é um sistema complementar
à Previdência Social (INSS). Ela não é obrigatória, ou seja, a pessoa escolhe
se quer participar (facultativa). Serve como uma forma de poupança de longo
prazo, planejada para garantir uma aposentadoria mais confortável. Na
Previdência Privada, a contribuição não é paga ao governo (como ocorre na
Previdência Social/INSS). Ela é paga diretamente à instituição financeira ou
entidade previdenciária que administra o plano.
REGIME GERAL DA PREVIDÊNCIA SOCIAL - RGPS: é um sistema de proteção
social que garante aos trabalhadores brasileiros o direito à aposentadoria e outros
benefícios previdenciários. Só não abrange aqueles que possuem regime próprio de
previdência (servidores públicos e militares), entretanto, como a maioria dos
municípios não possuem regime próprio, os servidores públicos se vinculam ao
regime geral. Isso só ocorre no âmbito municipal, pois os Estados e a Federação
são obrigados a ter regime próprio.
1. FILIAÇÃO: é um vínculo jurídico estabelecido entre o cidadão e a previdência
social e a partir desse vínculo, surgem direitos e deveres. A filiação é
automática para todo trabalhador, mas também pode ser volitiva (vontade)
para aqueles que não trabalham, ela se dá para o segurado facultativo.
2. INSCRIÇÃO: é o ato administrativo de cadastro no sistema do INSS,
acontece quando a pessoa fornece seus dados para ser registrada como
segurado no RGPS, só depois da inscrição é possível começar a recolher
contribuições.
● Exemplo prático:
1. Maria, ao começar a trabalhar como empregada doméstica, se
filia automaticamente ao RGPS (porque exerce atividade
remunerada). O empregador deve providenciar sua inscrição no
sistema do INSS.
2. João, estudante sem renda, resolve pagar a Previdência para
garantir uma futura aposentadoria. Ele se inscreve como
segurado facultativo e, a partir daí, passa a ter filiação ao
RGPS.
3. BENEFICIÁRIOS: segurados (contribuintes) e dependentes (não contribuem,
mas são beneficiários, podendo receber na ausência do segundo, auxílio reclusão -
preso, pensão por morte etc).
4. DEPENDENTES:
● 1° classe: são os dependentes preferenciais, cônjuge, companheiro ou
companheira e filhos menores de 21 anos, inválidos, portadores de
deficiência mental, intelectual ou física grave e os equiparados a filho
(enteado e o menor sob tutela).
● 2° classe: os pais, precisam provar a dependência financeira do filho.
● 3° classe: irmãos, menores de 21 anos, inválidos, portadores de deficiência
mental, intelectual ou física grave, precisam provar a dependência
econômica.
OBSERVAÇÃO: Quem é beneficiário do BPC pode contribuir com a previdência?
Sim, mas com apenas 5% do salário mínimo para por exemplo garantir a pensão por
morte.
RISCO SOCIAL: uma doença, um acidente, morte, a ocorrência de um desses fatos
viabilizam a previdência.
5. SEGURADOS: é aquele que é protegido pelo RGPS, em face dos riscos
sociais, pode ser facultativo ou obrigatório.
● Segurado Facultativo: Segurados Facultativos são aqueles que resolvem, por
conta própria, se inscrever junto a Previdência Social e passam a contribuir
mensalmente para fazer jus a benefícios e serviços, tendo em vista que não
fazem parte de um regime previdenciário próprio e nem se enquadram na
condição de segurados obrigatórios do regime geral. A filiação na qualidade
de segurado facultativo representa ato volitivo, gerando efeito somente a
partir da inscrição e do primeiro recolhimento, esse segurado pode
interromper o pagamento da contribuição a qualquer tempo e não será
cobrado.
OBS: se o segurado facultativo quiser pagar um valor menor que o dos segurados
obrigatórios, ele precisa se inscrever no CADÚNICO, isso porque quem é
beneficiário do BPC pode contribuir com a previdência, mas com apenas 5% do
salário mínimo.
OBS: A contribuição de um mês X poderá ser paga até o dia 15 do mês Y, pois no
RGPS, as contribuições dos segurados têm prazo de vencimento no dia 15 do mês
seguinte ao da competência.
● Segurados Obrigatórios: São aqueles que exercem atividade remunerada,
que contribuem compulsoriamente para a Seguridade Social. Existem 5
grupos de segurados obrigatórios, são eles:
1. Empregado Urbano e Rural: empregado é a pessoa física que presta serviços
de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante
salário, portanto, é aquele que trabalha sob vínculo empregatício e preenche
os requisitos citados pelo Direito do Trabalho, quais sejam: Ser pessoa física;
realizar o trabalho de forma personalíssima, prestar o serviço de forma não
eventual, receber salário pelo serviço prestado, subordinação, trabalhar sob
dependência do empregador (CLT - celetista, REDA - também se enquadra).
1.1. Cargo em comissão: Um cargo em comissão é aquele de livre nomeação
e exoneração, geralmente destinado a funções de direção e chefia, sem
necessidade de concurso público. Foi estabelecido que os ocupantes
exclusivos de cargos em comissão e temporários não podem estar vinculados
a Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS) e devem obrigatoriamente
contribuir para o RGPS, isso vale mesmo que a pessoa seja aposentada por
regime próprio e seja nomeada para um cargo em comissão; nesse caso, a
contribuição vai para o INSS (RGPS), e o Estado passa a ser considerado
como “empregador” para fins previdenciários.
1.2. Exercente de Mandato Eletivo: o exercente de mandato eletivo (como
prefeito, vereador, deputado ou governador) é, em regra, considerado
segurado obrigatório do RGPS (INSS), o exercente de mandato eletivo
federal, estadual ou municipal, desde que não vinculado a regime próprio de
previdência social, é segurado obrigatório da Previdência Social (RGPS).
1.3. Servidores Municipais: empregados públicos que ocupam emprego
público e são celetistas enquadram-se no regime geral e são segurados
obrigatórios, portanto, os servidores celetistas (empregos públicos regidos
pela CLT) não podem ser incluídos em RPPS, devendo ser vinculados ao
RGPS, caso a prefeitura não possua RPPS, mesmo servidores efetivos serão
segurados obrigatórios do RGPS.
1.4. Aprendiz: O aprendiz, com contrato de aprendizagem por prazo
determinado (até dois anos, salvo deficiência, conforme artigo 428 da CLT), é
segurado obrigatório do Regime Geral de Previdência Social (RGPS) na
categoria de empregado. Isso significa que a empresa deve contribuir ao
INSS sobre sua remuneração como qualquer outro trabalhador. A Instrução
Normativa INSS nº 128/2022 afirma que: "É segurado obrigatório na categoria
de empregado: IV – o aprendiz, maior de 14 anos e menor de 24 anos,
ressalvada a hipótese da pessoa com deficiência, à qual não se aplica o limite
máximo de idade". Portanto, para pessoas com deficiência, o limite de 24
anos não se aplica. Ou seja, o contrato pode se estender além desse limite,
desde que justificado em relação à deficiência, conforme o artigo 428 da CLT.
2. Empregado Doméstico: Entende-se por empregado doméstico aquele que
presta serviços de natureza contínua e de finalidade não lucrativa à pessoa
ou à família no âmbito residencial destas, dessa forma, a diferença entre
empregado e empregado doméstico é que o empregado gera lucro ao
empregador e o empregado doméstico gera bem estar, não gera lucro.
Ademais, o empregado é regido pela CLT e o empregado doméstico pela lei
150/2015.
3. Contribuinte Individual: Os segurados anteriormente denominados
"empresário", " trabalhador autônomo" e "equiparado a trabalhador
autônomo", foram considerados uma única categoria e passaram a ser
chamados de "contribuinte individual", mas ainda seguiremos com uma
subdivisão. Ademais, se a empresa pagou, mas o empresário não, o
contribuinte não está protegido pela previdência social, apenas se contribuir
individualmente.
3.1. Autônomos: advogados, médicos, dentistas… são trabalhadores liberais
que prestam serviços e recebem honorários.
3.2. Equiparados a autônomos: ministros de confissões religiosas, padres,
freiras, pastores, chefe de candomblé… eles prestam serviços sem vínculo
empregatício (à pessoas físicas e jurídicas), portanto, enquanto contribuintes
devem pagar individualmente por conta própria.
3.3. MEI: também se enquadra como contribuinte individual.
4. Trabalhador Avulso X Autônomo: o trabalhador autônomo gerencia seu
próprio negócio e presta serviços diretamente, enquanto o trabalhador avulso
depende de uma intermediação obrigatória de um sindicato ou de um Órgão
Gestor de Mão de Obra (OGMO), que o envia para trabalhar em diferentes
empresas sem vínculo empregatício direto.
5. Trabalhador Avulso Portuário: Trabalham em portos, descarregando navios. O
Sindicato não tem vínculo empregatício com ele, mas ao contratá-lo deve
pagar os direitos trabalhistas daquele período.
6. Trabalhador Avulso não Portuário: O trabalhador avulso não portuário é um
profissional que presta serviços de carga e descarga de mercadorias e outras
atividades relacionadas às áreas urbanas ou rurais, fora dos portos marítimos
tradicionais. Ele é caracterizado pela falta de vínculo empregatício, e sua
contratação e salários são intermediados pelo sindicato da categoria.
● Segurado Especial: Considera-se segurado especial, o produtor rural do
campo ou da pesca que trabalha em regime de economia familiar sem mão
de obra assalariada, a contribuição se dá em cima do comércio/ vendas que
realizam, mas se não houver venda, não precisam contribuir e ainda
continuam protegidos pela previdência social.
OBS: No caso do segurado especial, a lei permite que, durante o ano civil (de
1º de janeiro a 31 de dezembro), o produtor rural possa contratar
trabalhadores temporários, desde que o total de pessoas × dias, ou seja, os
dias efetivamente trabalhados por essas pessoas, não ultrapasse 120
“diárias” (ou “pessoas‑dia”) ao longo do ano.
Exemplo: 1. Um trabalhador por 120 dias - Se você contratar 1 trabalhador
por 120 dias corridos ou intercalados, isso totaliza 120 pessoas‑dia (1 × 120)
— e está dentro do limite legal.
2. Dois trabalhadores por 60 dias cada -c2 trabalhadores, cada um atuando
60 dias, resultam em 2 × 60 = 120 pessoas‑dia — também dentro do limite.
1. Produtor rural: todo trabalhador rural é segurado especial, mas nem
todo segurado especial é trabalhador rural. A área permitida para o
produtor rural é de no máximo 4 módulos fiscais (um módulo fiscal é
uma área suficiente para o sustento de uma família) - Quem pode ser
produtor rural:
● Produtor: aquele que, proprietário ou não, desenvolve atividade
agrícola, pastoril ou hortifrutigranjeira, por conta própria,
individualmente ou em regime de economia familiar;
● Parceiro: aquele que tem contrato escrito de parceria com o
proprietário da terra ou detentor da posse e desenvolve
atividade agrícola, pastoril ou hortifrutigranjeira, partilhando
lucros ou prejuízos;
● Meeiro: aquele que tem contrato escrito com o proprietário da
terra ou detentor da posse e da mesma forma exerce atividade
agrícola, pastoril ou hortifrutigranjeira, partilhando rendimentos
ou custos;
● Arrendatário: aquele que, comprovadamente, utiliza a terra,
mediante pagamento de aluguel, em espécie ou in natura, ao
proprietário do imóvel rural, para desenvolver atividade agrícola,
pastoril ou hortifrutigranjeira, individualmente ou em regime de
economia familiar, sem utilização de mão de obra assalariada de
qualquer espécie;
● Comodatário: aquele que, por meio de contrato escrito, explora
a terra pertencente a outra pessoa, por empréstimo gratuito, por
tempo determinado ou não, para desenvolver atividade agrícola,
pastoril ou hortifrutigranjeira;
● Condômino: aquele que explora imóvel rural, com delimitação
de área ou não, sendo a propriedade um bem comum,
pertencente a várias pessoas;
● Possuidor: aquele que exerce sobre o imóvel rural algum dos
poderes inerentes à propriedade, utilizando e usufruindo da terra
como se proprietário fosse;
2. Pescador Artesanal: É o pequeno pescador, é aquele que não
utiliza embarcação, ou seja, embarcação de pequeno porte
(até 20 toneladas a embarcação) e deve ser inscrito no RGP
(Registro Geral da Pesca).
OBS: Seguro defeso - apenas para pescador artesanal, é um
seguro de 3 meses no período da piracema, pois a pesca é
proibida na época da reprodução dos peixes, mariscos,
crustáceos, etc.
Princípios da Seguridade
Social
1- Equidade na forma de participação no custeio: busca a justiça social na forma
como os cidadãos contribuem para a seguridade social, levando em conta a
capacidade contributiva de cada um, quem tem mais, paga mais, quem tem menos,
paga menos. Tratamento igualitário - cada um deve contribuir de acordo com a sua
capacidade econômica.
2- Universalidade da cobertura e do atendimento: o objetivo da seguridade social é
garantir o maior número de contingências sociais (riscos sociais) e garantir o
atendimento a quem precisa, portanto, visa abranger todos os riscos sociais e
oferecer atendimento. Abrange a todos os cidadãos, independente de sua condição
e garante acesso aos serviços e benefícios oferecidos pela seguridade social.
3- Seletividade e distributividade: levando em consideração que o Estado não possui
recursos para criar todos os riscos possíveis, o legislador deve selecionar os riscos
mais importantes e distribuí-los a um maior número possível de pessoas que
necessitam dela. Portanto, visa direcionar os recursos para aqueles que mais
precisam, priorizando os mais vulneráveis, alguns benefícios são selecionados a
uma categoria (baixa renda).
> Art. 201, CF - Os segurados de baixa renda, poderão receber o salário família e
deixar o auxílio reclusão para seus filhos.
> Salário família: menor de 14 anos, inválido ou com deficiência, recebe uma cota
para cada filho no valor de R$65,00.
>Auxílio reclusão: não é benefício do segurado e sim dos dependentes, porém não
são todos, só os de baixa renda, é um valor rateado entre todos os dependentes.
4- Uniformidade e equivalência das prestações entre as populações urbana e rural:
busca reduzir as desigualdades entre áreas urbanas e rurais, oferecendo benefícios
e serviços equivalentes. É uma consequência do princípio da isonomia.
> O benefício rural era de meio salário mínimo, após a CF de 88 passou a ser de um
salário mínimo.
5- irredutibilidade do valor do benefício: garante que o valor dos benefícios
previdenciários e assistenciais não sejam reduzidos ao longo do tempo, preservando
o poder de compra dos benefícios. O benefício garante sobrevivência, então o valor
não pode ser reduzido, ele deve ser reajustado anualmente.
> Irredutibilidade real: o benefício continua com o mesmo poder de compra.
> Irredutibilidade nominal:
6- Diversidade da base de financiamento: Amplia as fontes de recursos para
seguridade social, garantindo sua sustentabilidade. São várias fontes de
financiamento (direto e indireto).
7- Caráter democrático e descentralizado da administração: envolve a participação
da sociedade na gestão da seguridade social e a descentralização das ações para
as diferentes regiões do país. Existe a participação popular. Descentralização - as
decisões são por maioria de votos, cada um vai emitir sua opinião.
> CNPS - Conselho Nacional da Previdência Social: tem gestão quatripartite -
Governo federal, trabalhadores, empregadores, aposentados e pensionistas.
Financiamento da Seguridade
Social
É garantido por um modelo de custo estabelecido pela CF, no qual o governo, as
empresas e os trabalhadores têm responsabilidades financeiras. Isso significa que o
dinheiro para manter o sistema vem de diversas fontes. Todo ente é obrigado a
reservar recursos para a seguridade social.
1 - Fontes diretas e indiretas: contribuições sociais e com recursos provenientes de
orçamentos públicos. Seguridade social é uma defesa pública, pois envolve gastos
do governo com saúde, previdência e assistência social.
2 - Contribuições sociais: fonte direta, são tributos de arrecadação exclusiva para a
seguridade social e são divididas em previdenciárias (vai integralmente para a
previdência e não podem ser alvo de anistia ou remissão) e não previdenciárias
(dividida entre saúde, previdência e assistência social, podem ser alvo de anistia e
remissão).
Contribuições Sociais:
> Empregador, empresa e entidade equiparada - contribuição patronal;
● Folha de salário e rendimento;
● Sobre a receita e faturamento;
● Lucro líquido;
> Segurados;
> Concursos de prognósticos;
> Importador;
> Bens e serviços;
A seguridade social no Brasil, é um sistema que visa garantir direitos sociais como
saúde, previdência e assistência social. Esses direitos são financiados por recursos
provenientes de diversas fontes, incluindo contribuições sociais (pagas por
empregadores, trabalhadores e sobre receitas de concursos de prognósticos) e
orçamentos públicos (da União, estados, DF e municípios).
Os gastos com a seguridade social são considerados despesas públicas porque são
recursos destinados a cobrir os custos desses programas e garantir o acesso da
população a esses serviços essenciais. O financiamento da seguridade social é uma
responsabilidade compartilhada entre governo e sociedade, e a gestão desses
recursos deve ser feita de forma eficiente e transparente para garantir a
sustentabilidade do sistema.
OBS: 30% desses recursos são desvinculados e destinados para outras despesas
que o governo federal decidir.
Normas constitucionais sobre o
funcionamento da seguridade social
Art. 195, CF
1- Pessoa jurídica em débito: Empresas com débitos relativos à seguridade social
(como contribuições ao INSS) ficam impedidas, por força constitucional, de contratar
com o Poder Público ou receber incentivos fiscais ou creditícios. - §3°
Exemplo: Foi considerada irregular uma contratação pública porque a empresa não
apresentou certidão negativa de débitos com o INSS — violando o § 3º. A ausência
dessa comprovação configura falta de habilitação jurídica, essencial para contratar
com a Administração Pública
2- Contribuições sociais residuais: O legislador pode criar novas fontes de custeio
para a seguridade social, desde que respeite a exigência de lei complementar
conforme o art. 154, inciso I, da CF. - §4°
Exemplo: O STF declarou inconstitucional a cobrança previdenciária sobre o
salário-maternidade (Lei nº 8.212/1991), por impor nova fonte de custeio sem lei
complementar — violando o § 4º
3- Preexistência do custeio: Nenhum benefício ou serviço pode ser criado,
aumentado ou estendido sem previsão expressa da fonte de custeio total. A receita
deve ser maior que a despesa.
Exemplo: O STF reafirmou que qualquer majoração ou extensão de benefício
previdenciário necessita de fonte de custeio identificável, sob pena de
inconstitucionalidade.
4- Princípio da noventena: Contribuições sociais só podem ser exigidas após 90 dias
da publicação da lei que as instituiu ou modificou, independentemente das regras do
art. 150, III, “b”.
Exemplo: Embora não haja jurisprudência direta citada, essa norma é aplicada para
proteger contribuintes contra mudanças abruptas e inesperadas no sistema de
arrecadação.
5- Imunidade das entidades beneficentes: Entidades beneficentes sem fins
lucrativos podem ser isentas do pagamento de contribuições, desde que atendam
aos requisitos legais.
6- Proteção ao segurado especial: Produtores rurais, pescadores artesanais e
similares, sem empregados permanentes e em regime de economia familiar,
contribuem com base na receita da comercialização, tendo direito aos benefícios
previstos em lei.
7- Diferenciação de alíquotas: É possível aplicar alíquotas ou bases de cálculo
diferenciadas conforme atividade, intensidade de mão de obra, porte da empresa ou
condição estrutural do mercado; bases diferenciadas só para contribuições sobre
receita ou lucro .
8- Vedação a moratória (prorrogamento do prazo de pagamento), parcelamento,
remissão e anistia: É vedado conceder moratória ou parcelamento superior a 60
meses para contribuições sociais (como as de folha de salários ou das empresas),
salvo disposição em lei complementar. Da mesma forma, a remissão (perdão de
parte ou total da dívida) e anistia (dispensa de penalidades como juros ou multas) só
são permitidos via lei complementar
9- Recolhimento do tempo de contribuição: Só contam como tempo de contribuição
para fins de aposentadoria os meses em que o recolhimento for igual ou superior ao
valor mínimo exigido para a categoria. É permitido o agrupamento de contribuições
para completar meses válidos.