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Princípios da Microeconomia: Fundamentos

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Princípios Basilares da Microeconomia

Todos nós somos sujeitos participantes da economia, ou seja, diariamente tomamos


decisões econômicas, até mesmo sem perceber, quando, por exemplo, decidimos por
quanto tempo permanecer estudando em uma faculdade, quando resolvemos tomar
um cafezinho a mais depois do almoço ou quando usamos a carteira de estudante
para assistir a um filme no cinema.

Entender economia é entender o mundo do qual fazemos parte e, acredite,


precisamos de lentes para isso. Se pudéssemos estudar economia em um laboratório
seriam necessários basicamente dois instrumentos: um microscópio e um telescópio!
Da mesma forma que em biologia estudamos o comportamento das organelas
celulares e a evolução dos corpos celestes, em economia estudamos os costumes,
hábitos e ações dos indivíduos a partir da atuação dos mercados e das empresas, e o
próprio funcionamento da economia de um país e sua relação com outras nações no
mundo. As lentes que nos farão entender a economia são a Microeconomia e a
Macroeconomia, que representam os dois grandes ramos da Teoria Econômica.
Porém, não faremos análises separadas desses dois grupos, pois as decisões de um
repercutem no outro.

A partir de agora iremos estudar as unidades microeconômicas (famílias, empresas e


mercado), analisando suas escolhas com base na questão da escassez e da alocação
de recursos.

Objetivo

Ao final desta unidade, você deverá ser capaz de:

• Diferenciar as variáveis inseridas no funcionamento do mercado.

Conteúdo Programático

Esta unidade está organizada de acordo com os seguintes temas:

• Tema 1 - Funcionamento do mercado: demanda, oferta e equilíbrio


• Tema 2 - Teoria da Firma
• Tema 3 - Estruturas de mercado

Todos os materiais didáticos apresentados nesta plataforma são protegidos por direitos autorais de propriedade da Universidad e Veiga
de Almeida e do Centro Universitário Jorge Amado. Qualquer uso não autorizado, reprodução ou distribuição (incluindo o uplo ad para
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Dentre as necessidades mais básicas do ser humano temos a alimentação, que é
influenciada pelo mercado interno e externo. Em reportagem na revista Isto É Dinheiro,
de março de 2022, foi noticiada a alta do trigo e o impacto no bolso do consumidor,
especialmente no preço do pãozinho de cada dia. Leia a reportagem!

Na sua opinião, qual comportamento pode ser esperado do consumidor em razão do


aumento do trigo e de seus derivados no mercado?

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Tema 1
Funcionamento do mercado: demanda, oferta e
equilíbrio

Como se dá o equilíbrio da oferta e da demanda no


mercado?

Imagine que, com tantas opções de


passeios durante as férias, certa pessoa
tenha resolvido fazer uma excursão,
partindo de Marrakech — cidade
localizada no oeste de Marrocos, que é
um país do norte da África —, andando
de dromedário pelo deserto de Zagora,
também localizado no Marrocos.

Deserto de Zagora (Marrocos, África).

Curiosidade

Curioso para conhecer essa história? Leia o caso completo:

Essa pessoa desejava conhecer as areias mágicas desse pedacinho do Saara (o


maior deserto quente do planeta, que atravessa 10 países do continente africano e se
estende por outros três), dormindo em barracas improvisadas, contemplando o nascer
e o pôr do sol entre as dunas, fazendo fogueiras à noite... Assim, você poderia
experimentar um pouco da vida de alguns povos nômades da região.

Subitamente, o grupo em que a pessoa estava foi pego por uma imensa tempestade
de areia e, como ela não tinha prestado atenção às orientações do guia (que advertiu
sobre procurar se proteger e não sair andando durante uma ocorrência desse tipo),
começou a caminhar a esmo durante a tempestade, afastando-se de seu grupo. Com
o fim da tempestade, essa pessoa percebeu que estava perdida no meio do deserto!

Após algumas horas de caminhada, sua água já tinha acabado e não havia bússola
nem proteção adequada em um local — o deserto — onde as temperaturas podem
chegar a 50 ºC durante o dia e despencar para valores negativos durante a noite. No
entanto, quando parecia ser o fim de tudo, um milagre aconteceu: essa pessoa
encontra um vendedor de água em pleno deserto.

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Após verificar que não se tratava de uma miragem, ela se aproxima do vendedor e lhe
pede algumas garrafas de água. O vendedor retribui com um sorriso e informa que o
preço de cada garrafa é 100 euros.

A pessoa diz:

— 100 euros???? Por uma garrafa de água??

Água mineral em pleno deserto.

Felizmente ela tinha 200 euros na carteira e pagou por uma garrafa de água. Após
receber o dinheiro, o vendedor, satisfeito, lhe apontou a direção de um pequeno oásis,
a poucos minutos de caminhada de onde estavam, e ela seguiu andando, aliviada,
enquanto bebia alguns goles de sua água.

Estrada no meio do deserto em direção ao último grande oásis da região:


o M'Hamid. Pessoas que fazem excursões ao deserto de Zagora costumam
visitar o Oásis.

Na sequência, retorne para dar continuidade aos seus estudos neste tema. A leitura é
essencial para que você possa compreender o conteúdo que será abordado.

Nas circunstâncias extremas que acabamos de descrever, perguntamos:

Quanto você estaria disposto a pagar por uma garrafa de água? 100 euros?
200 euros?

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Essa situação explica uma das mais importantes leis da Microeconomia: a Lei da
Demanda ou Lei Geral da Demanda. Para entendê-la melhor, vamos prosseguir com a
história dessa turista aventureira.

Chegando ao oásis, ela então se deparou com um imenso lago no centro,


com várias casas ao redor, e uma feira onde vários objetos eram
comercializados. E, o principal: vários vendedores de água! Ela se
aproximou para comprar outra garrafa, embora não estivesse mais com
tanta sede. Porém, cada garrafa agora custava 10 euros. Ela, então,
resolveu comprar três garrafas.

Existe uma relação inversa entre a quantidade de um bem e o desejo de


consumir esse bem. A procura por um bem diminui conforme a quantidade disponível
dele. Note que, no oásis, a turista poderia ter comprado 10 garrafas com os 100 euros
que ainda tinha em sua carteira, mas comprou somente três. Naquele local ela tinha
água em abundância e não estava mais disposta a pagar 100 euros para consumir o
produto.

Quanto mais possuímos um bem, menor será a vontade de adquirir uma unidade
adicional desse mesmo bem.

Agora, se ela não estava com tanta sede assim, por que adquiriu três garrafas?

A resposta é simples: porque custava menos, se comparado ao que ela pagou


antes de chegar ao oásis.

Se o benefício de adquirir um determinado bem diminui conforme o aumento de sua


quantidade, você só irá adquirir mais desse bem se o preço dele diminuir também.

Apresentamos esse comportamento em um gráfico linear, a partir de uma relação


inversa (menor preço, maior quantidade) em que o eixo vertical representa o preço do
produto e o eixo horizontal representa a quantidade demandada desse mesmo
produto. Logo, temos:

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“Essa relação entre preço e quantidade demandada, se aplica a maioria dos bens
existentes na economia e, de fato, ela é tão universal que os economistas a chamam
de LEI DA DEMANDA: Com tudo mais mantido constante, quando o preço de um bem
aumenta, a quantidade demandada deste diminui; quando o preço diminui a
quantidade demandada do bem aumenta.”

(MANKIW, 2013, p. 65)

A demanda representa uma vontade, uma aspiração por parte do consumidor, ou seja,
o que ele pode adquirir com base em sua disponibilidade de renda e nos preços
praticados no mercado. Quando falamos em disponibilidade de renda podemos afirmar
que há um limite para a aquisição de produtos e serviços e o consumidor deve, então,
combinar esse limite com seus desejos. Para entendermos essa questão temos que
conhecer os conceitos de curva de indiferença e linha do orçamento e vamos
exemplificar com dois produtos: café e chá.

Curva de indiferença: preferências do consumidor

A curva de indiferença estuda as preferências do consumidor. O consumidor prefere


adquirir aquele bem que lhe traga mais satisfação, que lhe proporcione maior utilidade
e bem-estar.

Como existe uma variedade enorme de bens e serviços à disposição para aquisição, a
curva de indiferença permite que se realizem diferentes combinações de produtos
(cestas), que tornariam indiferente para o consumidor adquirir uma ou outra
combinação.

Observe o gráfico adiante, com base nos dois produtos: chá e café.

Tanto faz para o consumidor adquirir qualquer uma dessas combinações:

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Chá (Cx) Café (CX)

6 2

2 4

1 6

Todos os pontos deste gráfico representam a mesma satisfação para o cliente. Então,
é indiferente para ele adquirir seis caixas de chá e duas de café, ou seis caixas de
café e uma caixa de chá. Essa aquisição, no entanto, seja qual for, ainda está limitada
ao orçamento do consumidor.

Linha do orçamento: limitação de renda

A linha do orçamento, ou reta do orçamento, irá considerar a curva de indiferença,


porém condicionada ao que o consumidor pode adquirir devido às suas limitações de
renda. Observe o gráfico com a inclusão da restrição orçamentária:

O equilíbrio do consumidor

Devido à sua limitação de renda, ele poderá, por exemplo, comprar cinco caixas de
chá ou 3,5 caixas de café. Porém, com base em sua curva de indiferença, a opção que
o deixará completamente satisfeito será adquirir duas caixas de chá e duas caixas de
café. O encontro da reta orçamentária com a curva de indiferença também é
chamado de equilíbrio do consumidor.

Área de restrição orçamentária

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Encontrado o equilíbrio do consumidor, temos, abaixo da linha de restrição, um limite,
como podemos observar na área em vermelho (polígono) do gráfico. É a chamada
“área de restrição orçamentária”.

O consumidor pode adquirir as combinações de quantidades de chá e café dentro


dessa área até os limites do polígono formado, mas ele sempre irá buscar a
quantidade que lhe proporcione satisfação máxima.

A demanda e o seu gráfico

Voltando ao gráfico da demanda, que pode ser apresentado como reta ou linha curva,
temos o consumidor que necessita de um bem ou serviço. Para atender às suas
necessidades obtendo o bem ou serviço que lhe proporcione bem-estar (maior
utilidade), esse consumidor se mantém no limite da reta orçamentária,
compreendendo que a procura por um bem ou serviço irá depender do preço desse
bem ou serviço e de outras variáveis apresentadas a seguir.

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A demanda de um bem ou serviço é uma função (f) dependente dessas variáveis e
pode ser apresentada da seguinte forma:

Qd = f (p, ps, pc, R, H, Pr, C, E)

Em que:

• Qd é a quantidade demandada de um bem ou serviço.


• p é o preço do bem analisado.
• ps e pc são preço do bem substituto e complementar, respectivamente.
• R é a renda do consumidor.
• H representa os hábitos e gostos do consumidor.
• Pr é a propaganda.
• C é o clima.
• E são as expectativas do consumidor com relação ao futuro.

Cada uma dessas variáveis irá influenciar a quantidade demandada do bem a ser
analisado.

Exemplo
Por exemplo, analisando a quantidade demandada de um bem e a renda do
consumidor (R), temos que um aumento na renda do consumidor (salário, aluguel etc.)
levará a um aumento da quantidade demandada do bem, mas isso somente se o bem
analisado for um bem normal.

Curiosidade
Um bem pode ser classificado de acordo com o quanto ele afeta a vida do consumidor.
Vamos exemplificar algumas das classificações:

Tipos de bens

É um bem cuja quantidade demandada aumenta conforme a renda do


Bem normal
consumidor.

É um bem que substitui um bem normal, com preço mais baixo, porém
Bem inferior não apresentando a mesma qualidade. A demanda por bens ou serviços
inferiores aumenta quando a renda cai.

É um bem que não sofre alterações em suas quantidades consumidas,


Bem neutro.
mesmo com a alteração da renda do consumidor

É um bem cujo aumento do rendimento do consumidor determina um


Bem superior
aumento mais do que proporcional do seu consumo.

Bem É um bem cuja demanda não varia quando ocorre a variação do preço
independente de outro bem.

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É um bem que pode ser utilizado no lugar de outro, satisfazendo da
Bem substituto
mesma forma a necessidade do consumidor.

Bem
É um bem que, combinado com outro, satisfaz uma necessidade.
complementar

Agora, temos duas perguntas importantes para você:

Pergunta 1

Como podemos visualizar no gráfico esse aumento na quantidade demandada


de um bem normal em função do aumento da renda do consumidor?

Visualizamo-lo por meio do deslocamento


da curva da demanda no gráfico. Observe
que, com o aumento da renda, o gráfico da
demanda desloca-se para cima à direita
(de D para D1), o que significa que ele
poderá adquirir uma quantidade maior de
determinado bem pelo mesmo preço, em
função do aumento de sua renda.

Pergunta 2

Se a renda do consumidor diminuísse, como ficaria o gráfico da demanda?

Em função da redução da renda, o gráfico


da demanda iria se deslocar para baixo, à
esquerda (de D para D2). Isso significa que
o consumidor precisará comprar uma
quantidade menor de bens por conta do
decréscimo em sua renda.

Saiba mais

Há uma diferença entre deslocar-se na curva e deslocamento da curva.

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Quando analisamos a quantidade de um determinado bem em relação ao seu preço,
estamos falando de um deslocamento na curva da demanda. Porém, se analisamos
as quantidades desse bem em função da renda, do preço do bem complementar, dos
hábitos do consumidor ou da propaganda, estamos falando de deslocamento da curva.

Veja um exemplo a respeito:

Exemplo

Considere a análise do consumo de sorvete em função de uma onda de


calor. Em uma situação normal, o consumidor iria adquirir uma
determinada quantidade de sorvetes pagando um determinado preço. Se
ele desejasse adquirir mais, pagaria mais, se desejasse adquirir menos
sorvete, pagaria menos.

Observe os gráficos. No primeiro, você pode ver que, em se tratando do


consumo de sorvete, em uma situação normal os deslocamentos
ocorreriam na própria curva de demanda D (preço P1 quantidade Q1;
preço P2 quantidade Q2). Com a onda de calor, a curva da demanda se
deslocou para cima à direita (de D para D1) e o consumidor passou a
desejar adquirir mais sorvetes ao mesmo preço (a quantidade Q1 foi
alterada para Q3, com o mesmo preço P1).

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A oferta e seu gráfico

Até o momento, analisamos somente a demanda ou procura por um bem, mas, em


uma economia de mercado, temos duas forças atuantes, que têm o preço como
mecanismo de controle: A DEMANDA E A OFERTA.

Enquanto na demanda é estabelecida uma relação inversa entre a quantidade


procurada e o preço, no lado da oferta a situação muda e a afirmação que vale é a
seguinte:

Quanto maior o preço de venda, mais o produtor está disposto a produzir!

Para o produtor, um aumento na quantidade produzida de determinado bem acarretará


aumento nos custos relacionados às fabricação. Se for um bem fabricado
industrialmente, por exemplo, as máquinas trabalharão mais horas e estarão mais
propensas a sofrer avarias. Da mesma forma, a quantidade de horas de trabalho da
mão de obra poderá aumentar se houver a necessidade de trabalhar no turno da noite
levando, consequentemente, a custos maiores (GONÇALVES, 2015).

Então, temos uma relação direta entre a oferta e o preço do bem (maior preço, maior
quantidade), como podemos perceber no gráfico:

Enquanto a demanda representa a quantidade de bem ou serviço que o consumidor


deseja adquirir em determinado período, a oferta é quantidade de bens ou serviços
que os produtores desejam vender em um determinado período.

Para falarmos sobre oferta, leia a definição da Lei de oferta elaborada por Mankiw
(2013, p. 71):

“Essa relação entre preço e quantidade ofertada é chamada de LEI DA OFERTA: com
tudo mais mantido constante, quando o preço de um bem aumenta, a quantidade

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ofertada desse bem também aumenta e quando o preço de um bem cai, a quantidade
ofertada desse bem também cai.”

Saiba mais

Demanda de mercado e oferta de mercado

Quando você ouvir falar em demanda de mercado e oferta de mercado, é


porque se está se referindo ao somatório das demandas de todos os
consumidores (ou compradores) e ao somatório das ofertas de todos os
produtores (ou vendedores), respectivamente.

Da mesma forma que na demanda, também existem variáveis que afetam a oferta de
bens e serviços:

A oferta de um bem ou serviço é uma função (f) dependente dessas variáveis e pode
ser apresentada da seguinte forma:

Qo = f (p, pp, pb,T, C)

Em que:

• Qo é a quantidade ofertada de um bem ou serviço.


• p é o preço do bem analisado.
• pp e pb são preço dos fatores produtivos (insumos) e do bem substituto de
produção respectivamente (representando outro bem que o produtor pode
passar a fabricar no lugar do bem analisado).

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• T é a tecnologia utilizada na produção.
• C é o clima.

Assim como na demanda, fique atento ao lado da oferta de um bem ou serviço com
relação aos deslocamentos ao longo da sua curva em função do seu preço
(deslocamentos na curva de oferta) e os deslocamentos da curva de oferta
provocados pela influência das variáveis apresentadas anteriormente (preço dos
fatores de produção, preços de outros bens substitutos da produção, tecnologia e
fatores climáticos).

Equilíbrio de mercado

Quando a oferta encontra a demanda temos uma situação de Equilíbrio de mercado.


Esse encontro irá determinar o preço de equilíbrio de cada produto e a quantidade
eficiente a ser produzida.

O gráfico que representa o equilíbrio indica que existe um preço do produto X, cuja
quantidade que as pessoas querem comprar (demanda) se iguala à quantidade que os
produtores querem oferecer (oferta).

Quando o preço de mercado está acima do preço de equilíbrio, dizemos que


há excesso de oferta, ou seja, há mais bens disponíveis no mercado do que
consumidores estão dispostos a comprar. Nessa situação, produtores e fornecedores
reduzem os preços e, com isso, a demanda pelo bem aumenta.

Quando o preço está abaixo do preço de equilíbrio, temos uma situação em que a
demanda pelo bem é muito maior do que a oferta e dizemos que há um excesso de
demanda. Nesse caso, produtores e fornecedores acabam aumentando os preços,
provocando queda na demanda.

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Algumas vezes é preciso que haja controle de preços para garantir melhor
funcionamento do mercado. O governo pode, então, impor um preço máximo e um
preço mínimo para determinado bem ou serviço.

Exemplo
O governo pode impor um preço mínimo para comercialização de produtos agrícolas,
visando garantir a renda de agricultores, que é uma forma de controlar o mercado.

O mercado de trabalho também está sujeito às forças de oferta e procura e, por


intermédio do salário-mínimo — que representa um tipo de preço mínimo —, é
possível garantir para o trabalhador um preço limite a fim de que os empregadores
paguem pela sua força de trabalho. Porém, o controle a partir do preço mínimo ou
máximo pode também gerar resultados desastrosos.

Exemplo
Um efeito desastroso pode ser, por exemplo, desestimular a produção de algum bem,
caso o preço limite se encontre abaixo do preço de mercado ou, no caso do salário-
mínimo, até mesmo reduzir a oferta de empregos.

Definição de Preço e Quantidade de Equilíbrio

É possível definirmos preço e quantidade de equilíbrio utilizando a função demanda e


a função oferta, pois sabemos que, em situação de equilíbrio, essas funções se
igualam.

Exemplo

Por exemplo, considerando a função quantidade demandada de um determinado bem


em relação ao seu preço como D=12 – 4p, e a função quantidade ofertada também
relacionada com o preço desse bem como O= 6+ 2p, podemos encontrar o preço e a
quantidade de equilíbrio da seguinte forma:

Em uma situação de equilíbrio a demanda (D) se iguala à oferta (O). Logo:

D=O

Então, substituímos pelas suas equações:

12 – 4p = 6 + 2p
- 4p – 2p = 6 – 12
- 6p = -6 (multiplicando todos os termos por –1)
6p = 6
p = 6/6
p=1

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O preço de equilíbrio encontrado foi $1. Para encontrar a quantidade de equilíbrio
produzida basta substituir oferta ou demanda em qualquer uma das duas funções.
Sendo assim, vamos substituir na função demanda. Logo:

D =12 – 4 (1)
D = 12- 4
D=8

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Tema 2
Teoria da Firma

Como as firmas tomam decisões em curto e em longo


prazo?
Após a abordagem da Lei da Demanda, Lei da Oferta e do Equilíbrio de Mercado no
tema anterior, quando começamos a entender como o mercado funciona, o próximo
passo é a introdução da teoria da firma e o estudo dos custos de produção.

A Lei da Oferta explica muita coisa sobre o comportamento do mercado — incluindo


produtores e fornecedores, preços e quantidades —, mas precisamos entender como
as decisões são tomadas pelas firmas. Essas decisões devem levar em conta as
condições existentes no mercado, os fatores de produção disponíveis e a própria
tecnologia empregada no processo produtivo.

Saiba mais

Firma é como denominamos as unidades de produção ou empresas na


teoria econômica.

A partir da teoria da firma, que estuda o comportamento do produtor ou fornecedor de


bens e serviços referente às decisões tomadas sobre a produção e a oferta, os fatores
de produção, ou insumos produtivos (capital, trabalho, matéria prima), são reunidos
e processados gerando os bens que serão colocados à disposição da sociedade.
Assim, “o empresário racional escolherá a quantidade de cada insumo em
função de seu custo e da tecnologia, para obter a produção máxima” (SOUZA,
2009, p. 74).

A função (f) da produção

A produção total representa a quantidade total produzida de um bem ou serviço em


um certo período. Para atingir a produção máxima, será preciso que o processo de
produção seja eficiente, tanto com relação à quantidade de insumos utilizados durante
a fabricação, quanto com relação aos custos desses insumos. A função da
produção trata justamente da combinação desses insumos que, em curto prazo,
podem ser classificados em fixos (equipamentos, máquinas, entre
outros) ou variáveis (mão-de-obra, matéria-prima, entre outros). Basta o aumento de
um dos insumos envolvidos em determinado processo produtivo para implicar também
em aumento da produção, mesmo mantendo a produção dos demais insumos
constantes.

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A função (f) da produção pode ser representada pela relação entre a
quantidade de insumos (fatores) produtivos (mão de obra, capital físico,
matérias-primas) e a quantidade de bens produzidos (produtos). Ou seja:

Quantidade de bens produzidos = f (quantidade de insumos


da produção)

Vamos considerar para análise desta situação, por exemplo, a produção (P) de um
determinado bem X, com base no fator mão de obra (MO) e o fator capital físico (K)
empregados em determinado período. Veja a tabela a seguir.

P (bem X) MO K

0 0 50

3 1 50

9 2 50

16 3 50

20 4 50

A utilização de 1 trabalhador (MO) gerou uma produção (P) de 3 unidades do bem X.


Já o emprego de 4 trabalhadores aumentou a quantidade produzida para 20 unidades
do bem X. Note que o capital K permaneceu constante, o que indica que essa
produção ocorreu em curto prazo, uma vez que em longo prazo todos os insumos são
variáveis.

Produtividade média (Pme) e Produtividade marginal (Pmg)

Dando continuidade ao exemplo, vamos entender alguns termos vinculados à


produção.

Incluiremos no quadro apresentado outras duas colunas: produtividade média


(Pme) e produtividade marginal (Pmg). O termo “produtividade” indica uma relação
entre a produção e o fator produtivo empregado.

Com isso, temos que a produtividade média (Pme) é a razão entre o produto total e
o fator produtivo, e a produtividade marginal (Pmg) é a razão entre a variação da
produção total e a variação do insumo produtivo. Esta última razão considera a adição
de uma unidade a mais de insumo na produção.

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P (bem X) MO K PmeMO PmgMO

0 0 50 - -

3 1 50 3,0 3,0

9 2 50 4,5 6,0

16 3 50 5,3 7,0

20 4 50 5,0 4,0

Note que, embora a produção (P) esteja crescendo, a produtividade média e a


marginal caem a partir do emprego de 4 trabalhadores. Isso significa que a produção
começou a reduzir o seu ritmo até atingir o ponto máximo. Vamos dar continuidade ao
quadro, empregando mais trabalhadores.

P (bem X) MO K PmeMO PmgMO

0 0 50 - -

3 1 50 3,0 3,0

9 2 50 4,5 6,0

16 3 50 5,3 7,0

20 4 50 5,0 4,0

20 5 50 4,0 0,0

19 6 50 3,7 -1,0

A produção total atingiu o seu ponto máximo (produtividade marginal igual a zero) com
o emprego de 5 trabalhadores, produzindo 20 unidades do bem X. A partir desse
ponto a produção irá declinar, a não ser que ocorra aumento nos insumos fixos, como
de máquinas e equipamentos.

Após o ponto de produção máxima a firma irá produzir, dependendo dos custos de
produção e do preço do produto. Logo, a produção só aumentará se for eficiente,
evitando desperdícios e reduzindo custos para alcançar maior lucro, considerando que
o objetivo maior de uma empresa que opera no setor privado é a maximização dos
lucros.

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Segundo a teoria da firma, temos que operar no sentido de maximizar seus lucros, o
que significa fazer com que as receitas de suas vendas superem os custos totais de
produção.

Lucro Total (LT)

Do ponto de vista econômico, temos que o Lucro Total (LT) é a diferença entre
a Receita Total (RT) e os Custos Totais (CT).

Logo,
LT = RT- CT.

A Receita Total compreende todos os valores resultantes das vendas realizadas de


acordo com os preços praticados pela empresa para cada produto ou serviço
comercializado junto a determinado período. Para a determinação dos preços de cada
bem ou serviço, os custos são considerados em sua composição, seja qual for o
método de precificação adotado. Logo, controlar custos é fundamental para a
maximização dos lucros e a firma precisa aprender a produzir com o menor custo
possível, garantindo sua competitividade no mercado.

Saiba mais

Custo é um tipo de gasto relacionado à produção de serviços ou produtos,


e está vinculado à atividade principal da firma (empresa).

Os diferentes tipos de custo e sua relação com o tempo de


produção

Os custos fixos (CF) ocorrem mesmo que não haja produção, ou seja, eles não
variam com a quantidade produzida.

Exemplos de custos fixo: aluguel, energia elétrica, telefone.

Os custos variáveis (CV) se alteram conforme a quantidade produzida.

Exemplo
O custo da matéria-prima e da mão de obra da produção são exemplos de custos
variáveis.

É preciso ficar atento pois, dependendo do tipo do negócio, alguns custos


considerados como fixos podem ser classificados como variáveis. Por exemplo, o
custo de energia em uma usina de cana-de-açúcar.

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Os custos diretos (CD) são gastos vinculados diretamente ao bem ou serviço
produzido, sendo considerados na maioria das vezes também como custos variáveis.
Já os custos indiretos (CI) não podem ser vinculados ao bem ou serviço, sendo
necessário realizar sua distribuição através de um critério de rateio.

O custo total (CT) pode ser representado tanto pela soma dos custos fixos com
variáveis, quanto pela soma dos custos diretos com os custos indiretos:

CT = CV + CF
ou
CT = CD + CI

Do ponto de vista econômico, trabalhamos com custos fixos e variáveis.


Além disso, as análises econômicas consideram também outros custos
gerenciais, como o custo de oportunidade no processo de tomada de
decisões.

Curto prazo

Curto prazo - As empresas conseguem operar de forma livre com os custos variáveis,
mas os custos fixos não se alteram. Então, os custos só podem ser minimizados por
meio dos insumos variáveis. Se o custo variável aumenta, o custo total da produção
aumenta também.

Com relação ao custo médio – Custo total dividido pela quantidade produzida. Temos
que o custo fixo médio (custo fixo total dividido pela quantidade) vai se reduzindo à
medida que a produção aumenta. Quanto maior a produção, mais do custo fixo será
distribuído entre a quantidade produzida. Já o custo médio variável (custo variável total
dividido pela quantidade), inicialmente apresenta uma queda, porém, após atingir um
valor mínimo, começa a se elevar.

Exemplo referente à produção do bem Y, contendo os diferentes custos sobre os


quais acabamos de falar.

Custo Custo
Custo Custo Custo Custo
Quantidade Fixo Total
Fixo Variável Total Variável
de Y Médio Médio
($) ($) ($) Médio ($)
($) ($)

80 5.000 500 5.500 62,5 6,3 68,75

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Custo Custo
Custo Custo Custo Custo
Quantidade Fixo Total
Fixo Variável Total Variável
de Y Médio Médio
($) ($) ($) Médio ($)
($) ($)

600 5.000 1.800 6.800 8,33 3,0 11,33

1.100 5.000 2.200 7.200 4,54 2,0 6,54

1.300 5.000 2.800 7.800 3,85 2,15 6,00

Embora os custos fixos se reduzam com o aumento das quantidades produzidas, a


tendencia é que, com o aumento da produção, os custos médios variáveis se elevem.
Dessa forma, há elevação dos custos médios totais e dos custos marginais (este
último relacionado à adição de uma unidade de determinado insumo variável) em
função da lei dos rendimentos decrescentes.

Exemplo
A lei dos rendimentos decrescentes pode ser explicada por analogia ao preparo de
uma sopa (resultado da produção), quando você põe os ingredientes (insumos) e, ao
prová-la em uma caneca, percebe que precisará acrescentar somente mais sal.
Porém, o acréscimo gradativo do sal não implicará aumento da sopa. Ao contrário,
cada vez que você acrescenta o sal e prova a sopa, a quantidade dela vai reduzindo.

Isso significa que cada vez que se introduz um insumo variável para aumento da
produção de determinado bem além de sua capacidade física, o resultado da
produção tende a diminuir.

Longo prazo

Já em longo prazo temos, geralmente, uma situação de ajuste da capacidade


produtiva, ou seja, a firma (empresa) deverá ajustar suas instalações (espaço físico,
máquinas e equipamentos) para o aumento da produção. Essa é uma situação
antecedida por um planejamento e seu custo total médio pode, ou não, decrescer com
o aumento da produção.

Quando o custo total médio se reduz com o aumento da produção, podemos dizer que
a empresa opera em economia de escala, o que significa que, em longo prazo, um
aumento na produção possibilita maior especialização da mão de obra, que passa a
trabalhar com custos operacionais menores. Por outro lado, se o custo total médio
aumenta com o crescimento da produção em longo prazo, podem surgir problemas na
equipe de administração para manter os custos baixos, gerando a
chamada deseconomias de escala.

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Os custos de uma firma são o reflexo de sua produção, considerando seu controle de
forma eficiente. Eles impactam diretamente no preço dos seus bens e serviços e,
consequentemente, na competitividade e na geração de valor para a organização.

Curiosidade

Outros custos gerenciais...

Além do custo de oportunidade — que é imprescindível para as análises econômicas


—, existem outros custos que ajudam o processo de tomada de decisões. Um deles é
o custo irrecuperável, que representa um gasto incorrido no passado e que não é
relevante para as decisões no presente. Ou seja, trata-se de um custo perdido.

Imagine que você resolveu comprar um ingresso há uma semana para ir ao teatro
assistir ao show do seu artista favorito. Vamos supor que você não possa trocá-lo,
nem solicitar reembolso do show, nem vendê-lo a terceiros. No dia do espetáculo você
recebe um convite para levar sua família na casa do seu chefe para um jantar e ele faz
questão da sua presença. O que você faz? Leva a família para jantar na casa do
chefe, claro! E o gasto com o ingresso? Trata-se de um custo irrecuperável!

O custo oculto não é visível, mas afeta o resultado econômico. Ele está associado a
situações de perdas, falhas, esperas, defeitos, atrasos e desperdícios nos processos
produtivos.

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Tema 3
Estruturas de mercado

Como o conhecimento sobre as estruturas de mercado


pode auxiliar a empresa, tornando-a mais competitiva?
Toda economia de mercado está sujeita às pressões da demanda e da oferta de
bens e serviços!

O que aconteceria se a padaria da sua rua resolvesse reajustar o preço de


todos os pães e bolos vendidos?

Dependendo do reajuste, provavelmente você e a maioria dos clientes dessa padaria


passaria a comprar esses itens em outro local, mesmo que fosse um pouco mais
distante. E se a conta de energia aumentasse nesse mesmo período? Nesse caso, é
bem provável que você tentasse reduzir o consumo, mantendo as luzes da casa e os
aparelhos desligados quando não estiver no local, não demorando muito no banho
quente, entre outras medidas.

Você pode não perceber, mas as decisões que tomamos são influenciadas também
pela estrutura dos mercados. No caso da padaria, o cliente conta com outros
estabelecimentos que comercializam os mesmos produtos e podem optar por comprar
em outros locais a preços menores. Já com relação à energia elétrica, não é possível
fazer isso. Não existem várias empresas ofertando energia elétrica, então o mais
provável é que se tente reduzir o seu consumo para tentar equilibrar as contas.

Dependendo da estrutura do mercado, os preços e as quantidades de produção são


determinados de formas diferentes.

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O termo “estrutura de mercado” designa a classificação do mercado de
acordo com suas características.

De acordo com Vasconcellos (2011), fundamentalmente as diferentes estruturas de


mercado estão condicionadas por três variáveis principais:

• Número de firmas produtoras no mercado.


• Diferenciação dos produtos.
• Existência de barreiras à entrada de novas empresas.

Voltando à questão da energia elétrica, se existe apenas uma firma ofertando esse
produto, certamente não há pressão que “empurre” os preços para baixo. Se houvesse
várias companhias de energia, elas iriam competir entre si para “empurrar” os preços
para mais perto possível dos seus custos, o que, com certeza, tornaria a conta de luz
bem mais barata.

O que temos, nesse caso da energia elétrica com relação à estrutura de mercado é
uma situação de monopólio ou mercado monopolista.

Monopólio

Considerando as variáveis destacas por Vasconcellos (2011), uma estrutura de


mercado monopolista, que apresenta três características principais:

1. Uma única empresa produtora de bem e serviço.


2. Não há produtos substitutos próximos.
3. Existem barreiras a entradas de firmas concorrentes.

A estrutura da empresa monopolista lhe permite operar a custos mais baixos do que
qualquer outra, possibilitando produção em escala, o que acaba se tornando uma

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enorme barreira para a entrada de novos concorrentes. Existem empresas que
possuem o direito único de produzir bens, ou seja, contam com patentes protegidas ou
controlam o fornecimento de produtos com matérias-primas chave para a produção.
Além disso, há igualmente as empresas que também possuem tradição no mercado
na comercialização de determinado bem ou prestação de determinado serviço.

Curiosidade
A companhia de energia elétrica da sua cidade pertence a uma categoria diferenciada
de monopólio, sendo protegida pela legislação por fazer parte de um setor estratégico
da economia.

Concorrência perfeita

As características da estrutura de mercado de concorrência perfeita são:

• Existência de muitos compradores e vendedores no mercado, nenhum se


sobrepondo ao outro.
• Cada empresa no mercado produz bens idênticos.
• Compradores e vendedores têm informação perfeita.
• Existência de livre entrada e saída do mercado.

Ao analisar a concorrência perfeita, Baye (2010) destaca que nenhuma organização


em particular pode influenciar o preço do produto, ou seja, nenhuma empresa pode
sozinha influenciar o mercado. O fato de existirem muitas empresas pequenas,
com produtos idênticos, fazem com que eles sejam vistos pelos consumidores
como substitutos perfeitos.

Em um mercado perfeitamente competitivo todos cobram o mesmo preço pelo bem,


pois o preço é o resultado da interação entre compradores e vendedores no mercado.
A última condição, de livre entrada e saída das empresas, significa que elas podem
ingressar no mercado se houver obtenção de lucros, sendo também livres para sair
caso sejam apurados prejuízos que as impeçam de continuar funcionando.

Exemplo
Um bom exemplo de concorrência perfeita são os vendedores de hortifrutigranjeiros.

À medida que o mercado vai se afastando de uma estrutura de concorrência perfeita,


torna-se uma concorrência imperfeita. Nesse tipo de estrutura há um número
limitado de vendedores ou compradores, existindo produtos com certa diferenciação
— embora possam ser substitutos uns dos outros — e informação imperfeita.

Concorrência monopolista

Agora, vamos voltar aos pãezinhos e bolos. Se no seu bairro existem várias
panificadoras, já sabemos que o aumento desses itens na padaria da sua rua pode
fazer com que você passe a adquiri-los em outro estabelecimento próximo do local

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onde mora, comprar o pão perto do seu trabalho ou em uma padaria mais distante do
seu bairro, mas que faz um pão muito mais macio do que o que você costumava
comprar... Nesse caso, temos muitas empresas competindo entre si para conquistar
seus clientes, definindo uma estrutura de mercado de concorrência monopolística.

O que distingue a concorrência monopolística das demais formas de concorrência é


maior diferenciação de seus produtos. Nesse caso, “os produtos são muito
semelhantes, sem ser substitutos perfeitos uns dos outros” (SOUZA, 2009, p. 97).
Lembra-se daquela padaria mais distante do seu bairro que faz um pão mais macio?
Existe substituto para esse pão? Acho que a resposta é: não. Nesse tipo de
concorrência, vendedores (e compradores) podem influenciar de alguma maneira os
preços e as quantidades comercializadas. Cada empresa tem certo controle sobre os
preços em função da diferenciação de seus produtos, distinguindo-se também em
função do atendimento, promoções, brindes, localização (algumas padarias de bairros
cobram preços muito mais altos do que outras).

Como exemplos de concorrência imperfeita temos restaurantes, serviços médicos e


odontológicos, mercado de sabonetes, mercado de remédios etc.

Oligopólio

Outra estrutura de mercado a ser destacada é o oligopólio. Trata-se de um tipo de


estrutura de mercado que pode ser dividida de duas formas:

1. Oligopólio concentrado

Pequeno número de empresas no setor que domina todo o mercado, podendo


produzir bens homogêneos ou diferenciados.

2. Oligopólio competitivo

Um pequeno número de empresas domina o setor com muitas empresas que não são
fortes o suficiente para se tornarem grandes, porém conseguem produzir bens
diferenciados.

Dada a existência de empresas dominantes, elas têm o poder de fixar os preços de


vendas em seus termos, e o consumidor tem baixo poder de reagir a tais alterações. O
oligopólio, assim como o monopólio, ocorre basicamente devido à existência de
barreiras à entrada de novas empresas no setor.

No oligopólio, podemos encontrar duas formas de atuação das empresas:

• Comportamento não cooperativo: as empresas concorrem entre si, via


guerra de preços e quantidades.

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• Comportamento cooperativo: formação de grupos de produtores com o
poder de fixar preços e repartir cotas do mercado (cartéis perfeitos e cartéis
imperfeitos, fusões, controle acionário).

Um duopólio é um tipo de oligopólio com duas empresas. Se essas duas


organizações entram em acordo para decidir sobre quantidades produzidas, processo
produtivo, insumos da produção e preços, dizemos que realizaram um conluio.
Quando se trata de acordo firmado entre três ou mais empresas é chamado de cartel.

Vamos conhecer outras estruturas de mercados com características específicas:

• Monopsônio: é o monopólio na compra dos insumos da produção (fatores


produtivos), ou seja, temos um grande comprador que acaba influenciando os
preços praticados no mercado por vários vendedores.

• Oligopsônio: é o oligopólio na compra dos fatores de produção, quando


existem poucos compradores para vários vendedores. Da mesma forma que
ocorre no monopsônio, no oligopsônio os compradores também influenciam os
preços.

O produtor/fornecedor precisa conhecer bem a estrutura do mercado do


qual faz parte, pois dessa forma será possível traçar estratégias para
alcançar os melhores resultados para o negócio.

Vídeo

Para saber mais, assista ao vídeo publicado na unidade da disciplina no


Ambiente Virtual de Aprendizagem.

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Encerramento

Como se dá o equilíbrio da oferta e da demanda no


mercado?
O equilíbrio da oferta e da demanda ocorre quando as quantidades de um
determinado bem ou serviço que os consumidores desejam adquirir se igualam às
quantidades desse bem ou serviço que os produtores e fornecedores desejam colocar
à venda, a um mesmo preço. Isso significa que consumidores e vendedores tomam
decisões que acabam conduzindo o mercado ao equilíbrio. Logo, um excedente de
bens reduz o preço de mercado e uma escassez de bens eleva os preços para que se
alcance o equilíbrio. A cada deslocamento das curvas da demanda e da oferta, um
novo equilíbrio é estabelecido.

Como as firmas tomam decisões em curto e longo


prazo?
A tomada de decisão pelas firmas (empresas) em curto e em longo prazo é realizada a
partir do levantamento de seus custos fixos e variáveis e dos cálculos de seus custos
médios e marginais, construindo assim um fundamento para as escolhas que
envolvem os insumos da produção e as quantidades produzidas visando a
maximização de seus lucros.

Como o conhecimento sobre as estruturas de mercado


pode auxiliar a empresa, tornando-a mais competitiva?
A empresa precisa saber, em primeiro lugar, qual é a estrutura de mercado da qual o
seu negócio faz parte. Cada estrutura de mercado apresenta determinadas
características, cujo conhecimento sobre seus concorrentes, produtos, consumidores e
informações relativas aos preços e barreiras para entradas de novas empresas
permitirão que a organização trace estratégias visando o aumento de sua
competitividade.

Resumo da Unidade

Nesta unidade foram apresentadas a Lei da Demanda e a Lei da Oferta, com base nos
preços de mercado e nas quantidades desejadas pelo consumidor e pelo
produtor/fornecedor. A partir do estudo dessas duas forças — demanda e oferta —,
chegamos ao que denominamos equilíbrio de mercado, ou seja, quando fica igualada
a quantidade de bens que as pessoas querem comprar (demanda) e a quantidade que
os produtores querem oferecer (oferta) por um determinado preço.

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Além desse conhecimento que nos permitiu compreender um pouco mais sobre o
funcionamento dos mercados, foram estudados também os custos de produção a
partir da Teoria da Firma para entendermos como as empresas tomam decisões,
visando a maximização de seus lucros. No nosso último tema desta unidade
apresentamos, de forma breve, as estruturas de mercado existentes em nossa
economia.

Referências

• BAYE, M. R. Economia de Empresas e Estratégias de Negócios. Porto


Alegre: Grupo A, 2010. ISBN: 9788563308634. Minha Biblioteca.
• GONÇALVES, C.; GUIMARÃES, B. Economia sem truques. Rio de Janeiro:
Campus-Elsevier, 2008.
• GONÇALVES, C. E. S.; GIOVANNETTI, B. C. Economia na palma da mão.
São Paulo: Saraiva, 2017. ISBN: 9788582402597. Minha Biblioteca.
• GREMAUD, A. P. et al. Manual de economia. São Paulo: Saraiva, 2017. cap
1.
• KISHTAINY, N. et al. O livro da economia. São Paulo: Globo, 2018.
• MANKIW, N. G. Princípios de Microeconomia. 6. ed. norte-americana. [S. l.]:
Cengage Learning Brasil, 2017. ISBN: 9788522116263. Minha Biblioteca.
• MONTELLA, M. Micro e Macroeconomia: Uma Abordagem Conceitual e
Prática. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2012.
• PAIVA, C. A. N.; CUNHA, A. M. Noções de economia. Brasília: Fundação
Alexandre Gusmão, 2008.
• ROSSETTI, J. P. Introdução à economia. 21. ed. Rio de Janeiro: Grupo GEN,
2016. ISBN: 9788597008081. Minha Biblioteca.
• SANDRONI, P. (org.). Dicionário de economia. São Paulo: Best Seller, 1999.
• SILVA, C. R. L. D.; LUIZ, S. Economia e mercados: introdução à economia.
São Paulo: Saraiva, 2017. ISBN: 9788547227739. Minha Biblioteca.
• SOUZA, N. J. Economia básica. São Paulo: Atlas, 2009.
• VASCONCELLOS, M. A. S. D. Economia: micro e macro. Rio de Janeiro:
Grupo GEN, 2015. ISBN: 9788597003505. Minha Biblioteca.
• VICECONTI, P.; NEVES, S. D. Introdução à economia. 12. ed. São Paulo:
Saraiva, 2013. ISBN: 9788502210615. Minha Biblioteca.

Para aprofundar e aprimorar os seus conhecimentos sobre os assuntos


abordados nessa unidade, não deixe de consultar as referências
bibliográficas básicas e complementares disponíveis no plano de ensino
publicado na página inicial da disciplina.

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