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Espécies Pesqueiras em Moçambique

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Pedro Tome Dias
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Juma Mateus Baptista Omar

Lacerda Esteves Paulo Watai

Mônica Sofia Alexandre Muhelo

Nazare Rojasse José

Principais espécies e suas distribuições geográficas em Moçambique

(Licenciatura em Agropecuária, com Habilitações em Extensão Agraria)

Universidade Rovuma
Instituto Superior de Desenvolvimento Rural e Biociência
2025
Juma Mateus Baptista Omar

Lacerda Esteves Paulo Watai

Mônica Sofia Alexandre Muhelo

Nazare Rojasse José

Principais espécies e suas distribuições geográficas em Moçambique

(Licenciatura em Agropecuária, com Habilitações em Extensão Agraria)

Trabalho de investigação científica de


carácter avaliativo da cadeira de
Aquacultura e Pescas a ser entregue ao
Departamento de Ciências Agrárias, sob
orientação do Docente:

Eng. Nemésio Muatenlero

Universidade Rovuma
Instituto Superior de Desenvolvimento Rural e BiociênciaNiassa
2025
Índice
1.1. Introdução............................................................................................................................4
1.1. Objectivos............................................................................................................................4
1.1.1. Objectivo geral..................................................................................................................4
1.1.2. Objectivos especificos......................................................................................................4
1.2. Metodologia.........................................................................................................................4
2. PRINCIPAIS ESPÉCIES PESQUEIRAS E SUA DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA EM
MOÇAMBIQUE.........................................................................................................................6
2.2. Classificação dos principais recursos pesqueiros................................................................6
2.3. Principais recursos pesqueiros e zonas de pesca em Moçambique......................................7
2.3.1. Atum..................................................................................................................................7
2.3.2. Peixe-serra (Scomberomorus commerson).......................................................................8
2.3.3. Camarão............................................................................................................................9
2.3.4. Mexilhão...........................................................................................................................9
2.3.5. Tilapia...............................................................................................................................9
2.3.6. peixes pelágios..................................................................................................................9
2.3.8. O biqueirão......................................................................................................................10
2.3.9. As petanas.......................................................................................................................11
2.3.10. O peixe prata.................................................................................................................12
2.3.11. o robalo.........................................................................................................................13
2.3.12. Os bivalves....................................................................................................................14
2.3.13. Cefalópodes (lulas e polvos).........................................................................................14
2.3.14. Crustáceos (Lagostas; Camarão; Caranguejo)..............................................................15
2.3.15. Amêijoas.......................................................................................................................17
2.3.16. Ussipa (Engraulicypris sardella)...................................................................................18
2.3.17. Utaka.............................................................................................................................18
3. Conclusão..............................................................................................................................20
4. Referências bibliograficas.....................................................................................................21
1.1. Introdução
A pesca e a aquacultura desempenham um papel fundamental na economia e na segurança
alimentar de Moçambique, sendo fontes importantes de proteína animal para a população. O
país apresenta uma extensa linha costeira de aproximadamente 2.470 km, além de diversos
rios, lagos e áreas húmidas que favorecem a diversidade de espécies aquáticas. Entre as
principais espécies de importância econômica destacam-se peixes como o carapau (Trachurus
spp.), a sardinha (Sardinella spp.), o bagre (Clarias gariepinus), e crustáceos como o camarão
(Penaeus spp.), além de moluscos como o polvo (Octopus spp.).

A distribuição dessas espécies varia conforme fatores ecológicos, como temperatura da água,
salinidade e habitat. Por exemplo, espécies costeiras e marinhas, como camarões e sardinhas,
predominam na região norte e centro, enquanto peixes de água doce, como o bagre, são mais
comuns nos rios Rovuma, Zambeze e Licungo. O conhecimento da distribuição geográfica
das espécies é essencial para o manejo sustentável dos recursos pesqueiros e para o
desenvolvimento da aquacultura em diferentes regiões do país.

1.1. Objectivos

1.1.1. Objectivo geral

Conhecer principais espécies pesqueiras e a sua distribuição geográfica em Moçambique.

1.1.2. Objectivos especificos

 Identificar as espécies produzidas em Moçambique;


 Indicar a distribuição geográfica de cada espécie em Moçambique;
 Apontar as províncias em que são capturadas.

1.2. Metodologia

Para elaboração deste trabalho o grupo recorreu a consultas em diferentes autores e literaturas,
assim como em pesquisas feitas em sites. De modo a satisfazer os objectivos descritos acima.
2. PRINCIPAIS ESPÉCIES PESQUEIRAS E SUA DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA
EM MOÇAMBIQUE

Em Moçambique a pesca se encontra sob elevada e crescente pressão, provocada pelo


crescimento de outras actividades que competem por espaço e recursos como o turismo, a
aquacultura, a exploração do petróleo e hidrocarbonetos e o aumento populacional nas zonas
costeiras elevando deste modo, o índice de exploração dos estoques pesqueiros (Nielsen et al.,
2014).

Moçambique é um país com vastos recursos hídricos, abrangendo rios, lagos, albufeiras,
estuários e uma extensa zona costeira no Oceano Índico. A diversidade de ecossistemas
aquáticos favorece uma rica variedade de espécies de peixes de importância económica, social
e nutricional para as comunidades. Estes recursos são explorados tanto na pesca artesanal e
industrial, como na aquacultura (FAO, 2020).

2.2. Classificação dos principais recursos pesqueiros

Nas águas marítimas, os principais recursos pesqueiros são, em geral, classificados em cinco
gru pos principais: i) pequenos pelágicos; ii) grandes pelágicos; iii) peixes demersais, ou de
fundo; iv) crustáceos de profundidade e superfície; e, v) cefalópodes. Estes recursos são
explorados por uma frota diversa, usando múltiplas artes de pesca.

i. Pequenos pelágicos – são peixes que vivem em cardumes próximos à superfície ou


em águas médias, como a sardinha, carapau e cavala. Geralmente apresentam elevada
importância para a alimentação humana e para a indústria pesqueira devido à sua
abundância.
ii. Grandes pelágicos – incluem espécies de maior porte que também vivem em águas
abertas, como o atum e o peixe-espada.
iii. Peixes demersais (ou de fundo) – habitam o fundo do mar ou regiões próximas ao
leito marinho, como a garoupa e o linguado. São peixes que vivem ou se alimentam no
fundo dos oceanos ou lagos. Podem estar associados a fundos arenosos, como os
linguados, ou rochosos, como as garoupas.
iv. Crustáceos de profundidade e de superfície – Abarcam os animais que nadam
livremente na coluna de água e se alimentam em áreas mais próximas da superfície,
como os camarões. Incluem espécies que vivem em ambientes mais profundos,
adaptados à alta pressão e escuridão.
v. Cefalópodes – São um grupo de invertebrados marinhos (moluscos) que inclui lulas,
polvos e sépias. Podem ter diferentes hábitos de vida, alguns vivendo perto do fundo
(como alguns polvos) e outros na coluna de água (como as lulas). Além de serem
capturados em grande escala, possuem grande procura em mercados nacionais e
internacionais.

2.3. Principais recursos pesqueiros e zonas de pesca em Moçambique

Moçambique é um país com uma extensa linha costeira, que se estende por aproximadamente
2.700 km ao longo do Oceano Índico. Essa localização privilegiada confere ao país uma
grande riqueza em recursos pesqueiros, constituindo um dos setores de maior importância
econômica, alimentar e social para a população. A diversidade de espécies encontradas nas
águas moçambicanas permite a prática de diferentes modalidades de pesca, desde a artesanal,
que sustenta milhares de famílias, até a industrial, que tem peso significativo nas exportações
(Instituto Nacional de Pesca "INP" 2020).

Moçambique é um país rico em recursos pesqueiros, sendo os mais importantes: (Atum, peixe
serra, camarão, mexilhão, Tilapia, peixes pelágios, Carapau, Sardinhas, as lagostas, o
caranguejos, o biqueirão, as petanas, o peixe prata, o robalo, os bivalves, as lulas, polvos,
amêijoas, etc).

2.3.1. Atum

O atum é um peixe de corpo robusto e hidrodinâmico, projetado para ser um nadador veloz e
eficiente. Sua pele é prateada no ventre e azul escura ou preta nas costas, o que ajuda na
camuflagem em mar aberto. Uma das suas características mais notáveis é a capacidade de
manter uma temperatura corporal acima da água circundante, uma adaptação rara em peixes
que lhes permite nadar em águas mais frias e aumentar o seu desempenho metabólico.

Em Moçambique, os atuns são encontrados principalmente em águas oceânicas, longe da


costa, onde a profundidade é maior. Eles são peixes pelágicos, o que significa que vivem na
coluna de água, não se fixando ao fundo do mar. Preferem águas quentes e tropicais, o que
torna a zona económica exclusiva de Moçambique, no Oceano Índico, um habitat ideal para a
sua reprodução e alimentação.

O atum é um predador voraz e um carnívoro de topo de cadeia alimentar. Sua dieta é


diversificada e varia conforme a idade e a espécie, mas inclui uma ampla gama de presas,
como sardinhas, carapau, lulas e crustáceos. A sua caça é muitas vezes realizada em
grandes cardumes, onde trabalham em conjunto para cercar e atacar presas, demonstrando
uma notável inteligência social e tática de predação.

 Nascimento: Ocorre em águas quentes do Oceano Índico, onde as fêmeas liberam


milhões de ovos em águas abertas (Collette & Nauen, 1983).
 Crescimento: Juvenis e adultos migram por vastas áreas oceânicas, alimentando-se de
pequenos peixes e cefalópodes.
 Distribuição geográfica: Predominantemente ao largo das províncias de Nampula,
Zambézia e Sofala.
 Pesca: Capturado por frotas industriais e semi-industriais com redes de cerco e
palangres.

2.3.2. Peixe-serra (Scomberomorus commerson)

Peixe de porte médio, corpo alongado e dentes serrilhados. É carnívoro, alimentando-se de


pequenos peixes e crustáceos. Habita águas costeiras em profundidades de cerca de 150
metros, onde também ocorre sua captura (Gonçalves, 2004).

O peixe-serra é um predador feroz, alimentando-se principalmente de peixes menores,


crustáceos e cefalópodes, como lulas e polvos.

Onde nasce: desova em águas tropicais e subtropicais do Oceano Índico, em zonas de mar
aberto, de preferência com temperaturas acima de 24 °C (FAO, 2020).

Onde é capturado: principalmente ao largo da costa norte e central de Moçambique


(Nampula, Zambézia, Sofala), em alto-mar, através de pesca industrial com palangre e redes
de cerco.

2.3.3. Camarão

Em Moçambique, o camarão é um dos recursos pesqueiros mais importantes, tanto do ponto


de vista económico como social. A sua pesca é uma atividade fundamental, especialmente nas
províncias costeiras. O termo "camarão" em Moçambique refere-se a várias espécies, mas as
mais relevantes são o camarão-tigre-gigante (Penaeus monodon), o camarão-rosa (Penaeus
indicus) e o camarão-branco (Penaeus vannamei), que são capturados principalmente em
águas salgadas.

O ciclo de vida do camarão em Moçambique é complexo e abrange diferentes habitats.


Nascimento (Eclosão): As fêmeas adultas, após a fecundação, desovam em águas
marinhas profundas, geralmente longe da costa. Cada fêmea pode libertar milhões de
ovos, que eclodem em larvas microscópicas.

Crescimento (Fase Larval): As larvas de camarão, agora chamadas de pós-larvas,


migram para as zonas estuarinas e para os mangais. Estes ecossistemas, que servem
como "maternidades naturais", são ricos em nutrientes e oferecem proteção contra
predadores, permitindo que os camarões juvenis cresçam. A maioria dos camarões que
são capturados em Moçambique passa esta fase de crescimento em mangais e
estuários.

Captura: Após atingirem o tamanho adulto, os camarões migram para as águas


oceânicas mais profundas. A captura ocorre tanto em águas estuarinas e costeiras
(pesca artesanal) como em águas oceânicas (pesca industrial). As principais zonas de
pesca de camarão em Moçambique são as baías e estuários, como a Baía de Sofala,
que é a área de pesca de camarão mais rica do país, bem como a costa de Maputo,
Zambézia e Nampula.

O defeso do camarão ocorre normalmente durante a época de reprodução, com o objetivo de


proteger os juvenis e permitir que as populações se recuperem. Em geral, a veda do camarão
em Moçambique decorre de dezembro a março. Durante este período, a pesca industrial e, em
alguns casos, a artesanal são suspensas para permitir que as larvas e os camarões juvenis
cresçam sem a pressão da pesca (MIMAIP, 2024).

2.3.4. Mexilhão

Os mexilhões são moluscos bivalves que vivem fixos a substratos duros, como rochas e
mangues, em zonas costeiras. Em Moçambique, estes recursos pesqueiros são de grande
importância, especialmente para as comunidades costeiras, que os capturam para consumo e
venda.

Os mexilhões em Moçambique, tal como em outras partes do mundo, começam a sua vida
como larvas que flutuam na água. Estas larvas, chamadas de veligers, movem-se com as
correntes marinhas e alimentam-se de plâncton. Após algumas semanas, as larvas fixam-se a
uma superfície sólida.

Uma vez fixados, os jovens mexilhões (chamados de "sementes") crescem rapidamente,


alimentando-se por filtração de fitoplâncton e partículas orgânicas da água. Locais com alta
concentração de nutrientes, como estuários, manguezais e zonas rochosas de recifes de coral,
são habitats ideais para o crescimento dos mexilhões.

Em Moçambique, as áreas de crescimento e fixação mais importantes encontram-se ao longo


da extensa costa, principalmente em:

Manguezais, Zonas rochosas entre-marés e Recifes de coral: Oferecem um ambiente


protegido e rico em nutrientes, Ajudam a proteger os mexilhões das ondas fortes e
Proporcionam substrato e abrigo.

A captura de mexilhões em Moçambique é principalmente uma atividade de pesca artesanal,


realizada pelas comunidades locais. Os locais de captura são as mesmas áreas onde os
mexilhões se fixam e crescem:

Zonas costeiras e praias: Os coletores esperam a maré baixar para caminhar sobre as
rochas e expor os bancos de mexilhões.

Estuários e deltas de rios: São áreas particularmente produtivas para a captura de


mexilhões devido à riqueza de nutrientes.

Manguezais: Muitas vezes, os coletores usam pequenos barcos ou canoas para


alcançar os bancos de mexilhões em áreas mais distantes da costa.

A captura é feita manualmente, usando facas ou outras ferramentas simples para descolar os
mexilhões das rochas. Embora o período de defeso possa variar de ano para ano e de região
para região, as autoridades moçambicanas, como o Ministério do Mar, Águas Interiores e
Pescas, geralmente estabelecem a veda entre os meses de dezembro e fevereiro. Esta época
coincide com a época de maior intensidade de chuvas e temperaturas mais quentes, períodos
em que a maioria das espécies se reproduz.

2.3.5. Tilapia

A tilápia é um recurso pesqueiro extremamente importante em Moçambique, tanto na pesca


artesanal em água doce como na aquacultura. O termo "tilápia" abrange várias espécies, mas
as mais comuns no país são a Tilápia do Nilo (Oreochromis niloticus) e a Tilápia de
Moçambique (Oreochromis mossambicus).
A tilápia é um peixe de água doce conhecido pela sua capacidade de se adaptar a diferentes
ambientes. Em Moçambique, ela pode ser encontrada em quase todos os rios, lagos e
barragens, com maior concentração nos grandes sistemas fluviais.

 Rios: Rios como o Zambeze, o Limpopo e o Save.

 Lagos: Lagos como o Lago Niassa e outras lagoas menores.

 Barragens: Barragens como a de Cahora Bassa, que se tornou um habitat ideal para a
tilápia devido à grande área de água doce.

A tilápia é um peixe que se alimenta principalmente de algas e plâncton, mas também pode
consumir pequenos insetos. A sua capacidade de se reproduzir rapidamente e a sua resistência
a condições de água variáveis fazem dela uma espécie dominante em muitos ecossistemas de
água doce.

A tilápia é conhecida pela sua estratégia de reprodução de incubação bucal, onde a fêmea
incuba os ovos e os alevinos na boca para os proteger dos predadores. Este comportamento
contribui para a alta taxa de sobrevivência dos jovens e explica por que as populações de
tilápia são tão abundantes.

Na primeira fase do ciclo reprodutivo das tilápias de moçambique, os machos cavam um


ninho para a fêmea depositar seus ovos. Depois que os ovos são postos, o macho os fertiliza,
em seguida, a fêmea armazena os ovos na boca até a eclosão dos alevinos, este ato é chamado
de boca. A tilápia de Moçambique é um peixe onívora, eles podem consumir detritos,
diatomáceas, fitoplâncton, invertebrados, pequenos alevinos e vegetação variando de
macroalgas a plantas enraizadas. (Borges, J. V., et al 2018).

O período de veda para as espécies de tilápia geralmente ocorre entre os meses de novembro e
fevereiro.

2.3.6. peixes pelágios

Os pequenos peixes pelágios – ocorrem ao longo da toda a costa, a uma profundidade


inferior a 200 metros. As concentrações principais estão localizadas no banco de Sofala.

 Carapau

Carapau (Trachurus trachurus) – a espécie mais importante, abunda entre 20 e 90 metros de


profundidade. Os indivíduos mais pequenos são capturados no banco de Sofala, por constituir
a área de crescimento. Um dos pequenos pelágicos é o carapau, peixe de pequeno tamanho da
família Carangidae, que, na fase adulta, se movimenta em cardume por vezes formando
grandes populações (FAO, 2014). Cientificamente, também é conhecido como trachurus
trachurus e pode ser encontrado principalmente nas águas do Atlântico, mas também no
Oceano Pacífico, Mar Mediterrâneo e Mar Negro.

A sua dieta alimentar é variada, mas, preferencialmente, consiste em crustáceos e cefalópodes,


principalmente camarão, lulas e pequenos peixes (Cabral e Murta, 2002; FAO, 2014; Unesco,
1986). As alterações sazonais que ocorrem na sua dieta correspondem a uma maior
diversidade de alimento disponível no Inverno em comparação com outras épocas do ano,
mantendo-se o Krill (euphausia superba) como o principal alimento durante todo o ano.

 Sardinhas

A sardinha do indico (Pellona ditchela) – é capturada, geralmente, no banco de Sofala,


desde a Beira até Angoche a uma profundidade de 0 a 20 metros.

A sardinha do Índico (Sardinella longiceps) é uma das espécies de peixe mais importantes
para a pesca em Moçambique, tanto a nível industrial quanto artesanal. Este peixe, embora
pequeno, desempenha um papel crucial na alimentação e na economia das comunidades
costeiras.

A sardinha do Índico é uma espécie pelágica, o que significa que vive na coluna de água,
geralmente perto da superfície, e se movimenta em grandes cardumes. Em Moçambique, as
sardinhas são encontradas nas águas costeiras do Oceano Índico, principalmente em zonas de
baixa profundidade, ricas em plâncton.

Nascimento e crescimento: A reprodução da sardinha do Índico ocorre em mar


aberto. As fêmeas libertam os ovos na água, onde são fertilizados e, após a eclosão, as
larvas e juvenis flutuam e se alimentam de plâncton. Com o crescimento, juntam-se
aos cardumes adultos, movendo-se em direção a águas mais costeiras onde o alimento
é abundante.

A captura da sardinha do Índico é uma actividade intensa e vital para a indústria pesqueira
moçambicana. As principais zonas de pesca localizam-se ao longo de toda a costa, com maior
concentração nas províncias de Nampula, Zambézia e Sofala.

Para garantir a sustentabilidade das populações de sardinha do Índico, Moçambique


implementa um período de defeso, ou veda, que proíbe ou restringe a pesca durante a sua
época de reprodução. O período de defeso para a sardinha, bem como para outras espécies
pelágicas, geralmente ocorre durante a estação chuvosa, entre os meses de dezembro e
fevereiro.

2.3.7. Carangueijos

O caranguejo de mangal (Scylla serrata) – é do litoral, junto aos mangais. É acessível a


pesca durante todo o ano. Os locais de maior abundância situam-se entre o rio Save e a Beira,
e entre o rio Zambeze e Moma.

Onde nasce: em rios, lagoas e albufeiras (Zambeze, Limpopo, Cahora Bassa, lago Niassa).
As fêmeas fazem incubação bucal para proteger os ovos.

Onde é capturada: em rios e lagos interiores de Moçambique, através da pesca artesanal

Em Moçambique, a palavra "caranguejo" se refere a diversos crustáceos, mas o mais


economicamente importante é o caranguejo-mangue (geralmente da espécie Scylla serrata).
Este recurso pesqueiro é vital para as comunidades costeiras, especialmente nas províncias do
centro e norte do país.

O habitat principal dos caranguejos-mangue é, como o nome sugere, os mangais (ou


manguezais). Essas áreas, caracterizadas por águas salobras e lodosas, oferecem um ambiente
ideal para o desenvolvimento e a reprodução desses crustáceos. Em Moçambique, os mangais
mais extensos e produtivos estão nas províncias de Sofala, Zambézia, Nampula e Cabo
Delgado.

Em Moçambique, a pesca de caranguejo-mangue é regulamentada pelo governo e,


geralmente, o defeso ocorre durante o período de reprodução e muda, quando os caranguejos
estão mais vulneráveis. Normalmente, o período de veda para a captura de caranguejo-
mangue acontece entre os meses de dezembro e janeiro em grande parte do país.

2.3.8. O biqueirão

O biqueirão (Engraulis encrasicolus) é um peixe de água salgada conhecido também


como anchova, é uma espécie de peixe pertencente à família Engraulidae, ele é abundante nas
regiões mediterrâneas e na costa atlântica da África e da Europa.

Biqueirão (ou anchova) é o nome comum do peixe marinho da espécie Engraulis


encrasicolus. O biqueirão em Moçambique é um recurso pesqueiro que não é tão abundante
como em outras partes do mundo, como no Mediterrâneo ou no Atlântico Leste. A sua
presença no país não é amplamente documentada na literatura oficial sobre a pesca
moçambicana, mas sabe-se que existem registos ocasionais desta espécie até à costa de
Maputo, no sul de Moçambique.

O biqueirão é um peixe pelágico e costeiro. Isso significa que ele vive em cardumes perto da
superfície da água, em zonas costeiras. Eles geralmente se reproduzem em águas mais quentes
durante o verão. As larvas e os juvenis permanecem nas áreas costeiras onde a produtividade
biológica é alta.

No contexto moçambicano, apesar de não ser um peixe de grande escala comercial, ele pode
ser capturado de forma artesanal, em locais onde a sua população se encontra com mais
frequência. A Baía de Maputo, que está próxima ao limite sul da sua área de distribuição
conhecida na costa oriental de África, é uma das áreas onde a sua presença tem sido notada.
Além disso, a sua distribuição em águas moçambicanas pode coincidir ou ser influenciada por
cardumes que se movem a partir de águas da África do Sul.

2.3.9. As petanas

A petana, um recurso pesqueiro muito importante para a subsistência em Moçambique, é uma


espécie de peixe de água doce. Para além de ser usada na alimentação, é também uma
importante fonte de rendimento para várias comunidades piscatórias do interior do país.

A petana é um peixe de pequeno porte que se encontra em águas calmas e de pouca


profundidade.

 Onde Nasce e Cresce: A petana não nasce em Moçambique. As larvas e os alevinos


(peixes jovens) da petana nascem e crescem principalmente na bacia do Rio Zambeze,
que atravessa vários países, incluindo Moçambique, e em lagos da região da África
Austral.

 Onde é Capturada: A captura da petana em Moçambique é feita principalmente nas


províncias de Sofala, Tete e Zambézia, onde o Rio Zambeze desagua no Oceano
Índico, e nos lagos da região, como o Lago Niassa. A sua pesca é feita com canoas,
redes e armadilhas.

O período de defeso da petana (conhecido como veda), é o período do ano em que a pesca da
espécie é proibida para permitir a sua reprodução e a recuperação do stock. O período de
defeso da petana em Moçambique coincide com a época das chuvas, pois é quando a espécie
se reproduz. No entanto, as datas exatas podem variar de ano para ano, consoante a região e a
intensidade das chuvas (INP, 2020).

2.3.10. O peixe prata

O peixe-prata, conhecido cientificamente como Rastrineobola argentea, é um recurso


pesqueiro importante em Moçambique, especialmente nas águas interiores. O peixe-prata é
um peixe pequeno e prateado, que geralmente não ultrapassa os 10 centímetros de
comprimento. É um peixe de água doce, encontrado principalmente em lagos e rios de
Moçambique.

O ciclo de vida do peixe-prata ocorre totalmente em ambientes lacustres e fluviais.

Nasce e cresce: A sua reprodução e desenvolvimento ocorrem em águas calmas e


pouco profundas de lagos e grandes rios. Em Moçambique, destaca-se a sua presença
no Lago Niassa (ou Lago Malawi), onde é uma das espécies mais abundantes.

É capturado: A pesca do peixe-prata é realizada principalmente em águas interiores,


como o Lago Niassa e outros lagos e rios das províncias de Niassa e Tete

2.3.11. O robalo

O robalo, conhecido cientificamente como Lates calcarifer, é um dos peixes mais importantes
e cobiçados em Moçambique, tanto para a pesca comercial quanto para a pesca desportiva. É
um peixe de água salgada e de água doce, o que o torna um recurso versátil e amplamente
distribuído.

O robalo possui um ciclo de vida fascinante que o leva a transitar entre diferentes ambientes.

Onde nasce: O robalo nasce em águas salgadas. Os adultos migram para estuários e
áreas costeiras com manguezais para a desova. As larvas e os alevinos (peixes jovens)
crescem nesses habitats protegidos, que servem como "berçários".

Onde cresce: À medida que crescem, os juvenis e adultos do robalo são encontrados
em águas de estuários, lagoas costeiras e rios. Eles têm uma notável capacidade de se
adaptar a diferentes salinidades, o que lhes permite subir rios e viver em águas doces.
Essa versatilidade é crucial para a sua sobrevivência e distribuição.

Onde é capturado: Em Moçambique, o robalo é capturado em diversas províncias,


principalmente nas áreas com grandes estuários e sistemas de manguezais. Locais
como a Baía de Maputo, a Zambézia e a Baía de Sofala são conhecidos pela
abundância deste peixe. A pesca pode ser feita tanto em águas costeiras como em
águas interiores, em rios e lagos.

De acordo com o Instituto Nacional de Pesca Artesanal (INPA) de Moçambique, a época de


veda do robalo é geralmente estabelecida entre 1 de outubro e 31 de dezembro. Durante este
período, a captura, comercialização e consumo do robalo são proibidos. É fundamental
respeitar esta restrição para assegurar que a população de robalos continue saudável para as
futuras gerações.

2.3.12. Os bivalves

Os bivalves são um recurso pesqueiro importante em Moçambique, tanto para a subsistência


quanto para o comércio. Esses moluscos, que incluem amêijoas, mexilhões, ostras e vieiras,
são encontrados principalmente em zonas costeiras, estuários e manguezais.

Os bivalves reproduzem-se principalmente nas águas costeiras. Após a fertilização, as larvas


planctónicas (chamadas "veliger") flutuam na coluna de água por um período antes de se
fixarem em substratos como rochas, areia, lodo ou raízes de mangue.

O crescimento ocorre nas áreas de estuários e zonas de manguezal, que são ecossistemas
ideais devido à grande quantidade de nutrientes e à proteção contra a força das ondas.

A pesca é feita principalmente por comunidades costeiras, que usam os bivalves para
consumo próprio ou para vender nos mercados locais.

2.3.13. Cefalópodes (lulas e polvos)

As lulas e os polvos são moluscos predadores de grande importância comercial. Alimentam-se


de peixes pequenos, crustáceos e moluscos. Habitam zonas costeiras rochosas, recifes de coral
e plataformas marinhas (FAO, 2021).

As lulas e os polvos possuem um ciclo de vida relativamente curto, que é a principal diferença
entre eles. As lulas depositam os seus ovos em massas gelatinosas que se fixam a recifes,
rochas ou vegetação submersa, onde os juvenis eclodem e vivem nas águas abertas, próximas
à superfície. Por outro lado, os polvos são animais bentónicos, o que significa que vivem e se
reproduzem no fundo do mar. A fêmea do polvo deposita os ovos em pequenas tocas, grutas
ou fendas nas rochas, protegendo-os até à eclosão. Os juvenis de polvo permanecem no fundo
do mar, crescendo e procurando abrigos para se esconderem.
Tanto as lulas como os polvos são encontrados ao longo da costa moçambicana,
principalmente em áreas com fundos rochosos, recifes de coral e leitos de ervas marinhas, que
oferecem refúgio e abundância de presas.

A captura de cefalópodes é uma actividade relevante em Moçambique, com destaque para a


Baía de Maputo, a Baía de Pemba e as águas costeiras de Angoche. A pesca da lula é
frequentemente realizada à noite, utilizando luzes para atrair os cardumes. Já a pesca do polvo
é mais comum durante o dia, em zonas de marés baixas e áreas costeiras, onde os pescadores
artesanais usam ganchos e armadilhas.

A gestão da pesca em Moçambique é baseada em estudos científicos para garantir a


sustentabilidade dos recursos marinhos. A pesca de cefalópodes, em particular, está sujeita a
períodos de veda ou proibição, que são estabelecidos para permitir a reprodução e o
crescimento das populações. Estes períodos são geralmente curtos, variando entre um a três
meses, e coincidem com o pico da época de desova, que ocorre na transição entre a época
chuvosa e a seca, por volta dos meses de outubro e novembro. Durante este período, a
captura, a venda e a exportação de cefalópodes são proibidas, de modo a assegurar que as
gerações futuras de lulas e polvos possam prosperar (MIMAIP 2024).

2.3.14. Crustáceos (Lagostas; Camarão; Caranguejo)

Os crustáceos contribuem muito para a fauna zooplanctônica, pois seus filhotes (forma larval)
são muito pequenos. O zooplâncton faz parte da cadeia alimentar aquática e alimentam-se de
fitoplâncton (microalgas).

Moçambique possui uma vasta e rica costa marítima, que se estende por aproximadamente
2.700 km, o que o torna um dos países com maior potencial para a pesca de crustáceos. Esses
organismos, incluindo a lagosta, o camarão e o caranguejo, não só são importantes para a
segurança alimentar e subsistência das comunidades costeiras, mas também representam uma
fonte significativa de receita de exportação para o país.

O ciclo de vida desses crustáceos varia, mas eles compartilham características semelhantes em
relação aos seus habitats em Moçambique.

Lagosta (Panulirus spp.): As larvas das lagostas, chamadas de filossomas, vivem nas
águas oceânicas. Após várias fases de desenvolvimento, elas assentam no fundo do
mar, crescendo em recifes de coral e fundos rochosos. Em Moçambique, a pesca da
lagosta concentra-se principalmente nas províncias de Inhambane e Nampula, onde a
costa oferece os habitats ideais. A captura é feita em águas mais profundas, geralmente
por meio de armadilhas.

Camarão (Penaeus spp. e outras espécies): Os camarões têm um ciclo de vida


complexo. A reprodução e a desova ocorrem no mar, em águas abertas e profundas. As
larvas, chamadas de nauplius, passam por várias metamorfoses e, em seguida, as pós-
larvas migram para os estuários, mangais e outras áreas costeiras de baixa salinidade
para crescer. Esses ambientes, ricos em nutrientes, servem como "maternidades". As
principais áreas de pesca de camarão em Moçambique são as baías e estuários nas
províncias de Sofala (principalmente a Baía de Sofala) e Zambézia, mas também em
Nampula. Quando os camarões atingem o tamanho adulto, eles retornam ao mar
aberto, onde são capturados principalmente por arrastões.

Caranguejo (Scylla serrata, caranguejo-azul, etc.): A reprodução dos caranguejos


também acontece em águas costeiras. As larvas desenvolvem-se em estuários e
mangais, onde se alimentam e crescem. Em Moçambique, os mangais, que se
encontram ao longo de grande parte da costa (com destaque para as províncias de
Sofala e Zambézia), são os habitats primários para os caranguejos. A captura é
realizada manualmente ou com o uso de armadilhas em áreas de mangal durante a
maré baixa.

Segundo Instituto Nacional de Pesca (2020) As datas específicas podem variar ligeiramente a
cada ano, mas geralmente a veda do camarão e de alguns caranguejos ocorre durante a época
de maior desova, que costuma ser entre os meses de novembro e março. A veda da lagosta
também é aplicada, mas as datas podem diferir dependendo da espécie.

2.3.15. Amêijoas

A amêijoa é um recurso pesqueiro muito apreciado em Moçambique, presente ao longo de


toda a costa, desde a província de Maputo até Cabo Delgado. Elas são moluscos bivalves, ou
seja, possuem duas conchas que se abrem e fecham. Em Moçambique, diversas espécies de
amêijoas podem ser encontradas.

Onde nascem: As amêijoas nascem a partir de larvas planctónicas (pequenos


organismos que flutuam na água). A fêmea liberta os ovos e o macho o esperma na
água, onde ocorre a fecundação. A larva resultante, chamada de trocófora, desenvolve-
se livremente na coluna de água por um período, antes de se fixar no substrato.
Onde crescem: As amêijoas crescem enterradas na areia ou na lama, geralmente em
zonas de estuários, mangais e enseadas abrigadas, onde a água é mais calma e rica em
nutrientes. Alimentam-se de partículas orgânicas e plâncton que filtram da água.

A captura de amêijoas é uma actividade económica e de subsistência importante em várias


regiões costeiras de Moçambique. São capturadas principalmente à mão, durante a maré
baixa, com o uso de pequenas enxadas ou ancinhos. Os principais locais de captura incluem:

Baía de Maputo e estuário do Incomati (Maputo): É uma das áreas mais


importantes para a produção de amêijoas.

Baía de Inhambane e Inhassoro (Inhambane): Conhecida pela abundância e


qualidade das amêijoas.

Delta do Zambeze (Sofala) e Províncias de Nampula e Cabo Delgado: A rica lama


do delta oferece condições ideais para o crescimento desses moluscos.

Ao contrário de outros recursos como a lagosta ou o caranguejo, não existe uma época de
veda generalizada e oficial para a amêijoa a nível nacional.

A sua captura é controlada através de regulamentos locais e de planos de gestão comunitária


em algumas áreas. A ausência de uma veda nacional deve-se em parte à grande variedade de
espécies e aos diferentes ciclos de vida e reprodução que podem existir. Além disso, a gestão
da pesca artesanal de amêijoas é muitas vezes feita de forma descentralizada.

2.3.16.) Ussipa (Engraulicypris sardella

É um peixe pelágico de pequeno porte, vive em cardumes (grupos grandes), alimenta-se de


plâncton. A ussipa vive em lagos ou albufeiras, e em rios, sendo muito comum no Lago
Niassa (e no Malawi, que partilha este lago), ou em ambientes conectados. Os juvenis
crescem em águas interiores, muitas vezes em águas mais rasas ou próximas de margens onde
haja plâncton suficiente (Pegado, A. J. 2013).

O Ussipa, cientificamente conhecido como Engraulicypris sardella, é um peixe de água doce


de grande importância económica e alimentar em Moçambique, particularmente na região do
Lago Niassa. Embora muitas vezes chamado de "sardinha" do lago, ele pertence à família dos
ciprinídeos, a mesma família das carpas e dos barbos. O Ussipa é uma espécie endémica do
Lago Niassa (conhecido como Lago Malawi no Malawi e Lago Malaui na Tanzânia), o que
significa que ele só é encontrado neste corpo de água. Ele vive em cardumes enormes nas
zonas de água mais abertas e profundas do lago. Durante o dia, o Ussipa costuma permanecer
em águas mais frias e escuras, mas ao anoitecer, sobe à superfície para se alimentar.

A reprodução do Ussipa ocorre durante a estação das chuvas, geralmente entre os meses de
dezembro e março. Durante este período, as fêmeas depositam os seus ovos na água, que
depois são fertilizados. A maturidade sexual é alcançada rapidamente, o que permite que a
população se recupere e se mantenha abundante.

A pesca do Ussipa é uma actividade importante para as comunidades que vivem nas margens
do Lago Niassa. A captura é feita principalmente à noite, quando os peixes sobem à
superfície. Os pescadores usam redes de cerco (redes que cercam o cardume) e luzes
(lanternas ou lampiões) para atrair os peixes para a superfície antes de os capturarem. O
Ussipa é um peixe pequeno e delicado, mas a sua abundância compensa. (Pegado, A. J. 2013).

Para garantir a sustentabilidade da espécie e permitir a reprodução, o Instituto Nacional de


Pesca (INP) de Moçambique estabelece um período de defeso, ou veda.

O período de defeso para o Ussipa no Lago Niassa ocorre, na maioria das vezes, entre
os meses de dezembro e fevereiro.

2.3.17. Utaka

Em Moçambique, a palavra "Utaka" é frequentemente usada para se referir a um tipo


específico de peixe de água doce, pertencente à família dos ciclídeos. No entanto, é
importante notar que o termo também pode ser uma designação genérica para certas espécies
que se assemelham a estes peixes, principalmente no contexto da pesca local.

O habitat natural dos peixes Utaka em Moçambique segundo Pegado, A. J. (2013) está
fortemente associado ao Lago Niassa (conhecido como Lago Malawi em outros países), que
faz fronteira com a província do Niassa, no norte do país. Estes peixes são conhecidos por
viverem em cardumes, alimentando-se de plâncton e pequenos invertebrados nas águas
abertas do lago. Eles tendem a habitar áreas mais distantes da costa, em zonas com fundos
rochosos ou arenosos.

A época de reprodução dos Utaka ocorre principalmente durante a estação das chuvas, quando
as águas do lago aquecem e o alimento se torna mais abundante. Os machos constroem ninhos
no fundo do lago para atrair as fêmeas, e a fêmea incuba os ovos na boca (um comportamento
chamado de incubação bucal) até que os alevinos estejam prontos para nadar.
A captura do Utaka em Moçambique é uma actividade importante para as comunidades
ribeirinhas do Lago Niass. O Utaka é capturado utilizando redes, anzóis e armadilhas, sendo
um dos peixes mais importantes para a dieta das populações locais devido à sua abundância.

De acordo MIMAIP (2024) O período de defeso, ou veda, é uma medida essencial para a
sustentabilidade dos recursos pesqueiros, permitindo que as espécies se reproduzam e que as
populações se recuperem. Para as espécies de peixes do Lago Niassa em Moçambique,
incluindo o Utaka, o período de defeso geralmente é estabelecido entre os meses de dezembro
e fevereiro.
3. Conclusão

Moçambique apresenta uma diversidade significativa de espécies aquáticas, distribuídas de


acordo com as características geográficas e ecológicas das suas zonas costeiras e interiores. A
pesca e a aquacultura exploram espécies tanto de água salgada, como camarões e sardinhas,
quanto de água doce, como bagres e tilápias, sendo estas fundamentais para a economia e o
sustento das comunidades locais. A compreensão da distribuição geográfica das espécies
permite planejar estratégias de conservação, promover a aquacultura sustentável e otimizar a
produção pesqueira, contribuindo para a segurança alimentar e o desenvolvimento
socioeconómico do país. O aproveitamento racional desses recursos é, portanto, crucial para
garantir a sustentabilidade ambiental e econômica de Moçambique.
4. Referências bibliograficas

Almeida, J., & Van der Knaap, M. (1999). A Pesca em Moçambique. Maputo: Instituto
Nacional de Desenvolvimento da Pesca de Pequena Escala (IDPPE).

Borges, J. V., Camiro, C. M., & Sambo, C. (2018). "The Mozambican fishing industry:
Economic relevance and future challenges". Journal of Marine Science and Technology,
26(3), 345-358.

Food and Agriculture Organization of the United Nations (FAO). (2019). The state of world
fisheries and aquaculture. FAO.

Instituto Nacional de Pesca (INP). (2020). Estratégia Nacional para o Desenvolvimento da


Pesca e Aquacultura. Ministério do Mar, Águas Interiores e Pescas.

Jocque, R., & Snoeks, J. (2002). Fishes of the Mweru-Luapula drainage. Royal Museum for
Central Africa.

MIMAIP. (2024). Diplomas Ministeriais sobre Período de Veda para Camarão, Caranguejo e
Polvo em Moçambique. Maputo: Ministério do Mar, Águas Interiores e Pescas.

Pegado, A. J. (2013). Estrutura da população e relação peso-comprimento de Engraulicypris


sardella (Gunther, 1868) capturado no Lago Niassa, Região de Metangula, Moçambique.
[Tese / artigo]. Metangula, Moçambique: Instituto de Investigação Pesqueira.

UZUNIAN, A.; BIRNER, E. Biologia: volume único. 3a ed. São Paulo: Harbra, 2008.

Weyl, O., & Booth, A. J. (2008). A field guide to the freshwater fishes of Mozambique. NISC
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