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Ação de Indenização contra Itaú Unibanco

direito

Enviado por

Mardem Tapajos
Direitos autorais
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Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
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fls.

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Para conferir o original, acesse o site [Link] informe o processo 0780626-08.2022.8.04.0001 e código O5hEf3fw.
ESTADO DO AMAZONAS
PODER JUDICIÁRIO
Comarca de Manaus
Juízo de Direito da 2ª Vara Cível e de Acidentes de Trabalho

SENTENÇA

Este documento é cópia do original, assinado digitalmente por DIEGO MARTINEZ FERVENZA CANTOARIO, liberado nos autos em 19/04/2023 às 16:25 .
Processo n°: 0780626-08.2022.8.04.0001
Ação: Procedimento Comum Cível/PROC
Requerente:Francisca Rita Alencar Albuquerque
Requerido:Itaú Unibanco S/A

Vistos
Trata-se de ação de responsabilidade civil c/c indenização por danos
materiais e morais, ajuizada por FRANCISCA RITA ALENCAR ALBUQUERQUE em
face da instituição financeira ITAÚ UNIBANCO S/A, em razão de suposta fraude
realizada por terceiros.
A parte autora narra em sua petição inicial que no dia 26/07/2022 foi
vítima de uma fraude atribuída a terceiros que se passaram por representantes do Banco
Itau; Personallité através de mensagens de texto indicando que a autora entrasse em
contato com o número indicado sobre o pagamento pré-agendado no valor de R$
1.800,00 (mil e oitocentos reais), assim como outros débitos no valor de R$ 4.000,00
(quatro mil reais).
Informaram então que a conta corrente da autora seria “cancelada
temporariamente” e que lhe seria disponibilizada uma outra conta corrente, de caráter
“provisório”, para que ela pudesse efetuar os seus pagamentos ordinários do cotidiano.
Nesse momento a autora efetuou uma transferência no valor de R$
50.000,00 (cinquenta mil reais) para a conta corrente indicada, que possuía os próprios
dados da autora, isto é, o “PIX” realizado foi para uma conta de titularidade da
requerente vinculada a instituição financeira HUB PAGAMENTO S/A, Fintech do
grupo Magazine Luiza a autora, contudo, não reconhece a existência desta conta.
Sustenta ainda a requerente que assim que efetuou a transferência do
valor, recebeu uma ligação da instituição financeira ré, informando que o banco Itaú não
trabalha com a o sistema de “contas provisórias”.
A parte Ré apresentou contestação (fls. 57/63).
Com escopo no artigo 1º, XIV, da Portaria Conjunta nº 001/2017-PTJm
as partes foram intimadas para apresentação de propostas de acordo (fls. 110).
Todavia, a Ré não apresentou nenhuma proposta de acordo (fls.
113/114), a parte autora pugnou, por fim, pelo julgamento antecipado da lide (fls. 115).

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É o relatório. Decido.
Trata-se de hipótese de julgamento antecipado, porquanto as provas

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trazidas aos autos são suficientes para o julgamento da lide, sendo desnecessária a
dilação probatória (art. 355, I, do NCPC).
Vale registrar que o juiz é o destinatário das provas. Por essa razão, tem o
dever de indeferir as diligências que considerar inúteis ou protelatórias (art.139, III do
NCPC). Além disso, deve velar pela razoável duração do processo (art. 139, II, NCPC).
Por isso, quando for o caso, o julgamento antecipado não é faculdade, mas dever que a
lei impõe ao julgador, em homenagem ao princípio da duração razoável do processo.
Deve-se destacar que apesar deste magistrado ter anunciado o julgamento
antecipado, não é necessário anúncio prévio do julgamento antecipado nas situações do
art. 355 do CPC, conforme Enunciado nº. 27 do Conselho da Justiça Federal:
“ENUNCIADO 27 Não é necessário o anúncio prévio do julgamento do pedido
nas situações do art. 355 do CPC”.
Inicialmente, rejeito de plano a preliminar apresentada pela instituição
financeira Ré, atinente ao argumento de ilegitimidade passiva ad causam. Isto é,
conforme os fatos narrados na petição inicial, há claramente uma ligação direta entre os
serviços prestados pela Ré e o suposto dano sofrido pela parte autora, de modo que a
análise da condição da ação apresentada “in status assertionis” nos termos narrados da
inicial mostra-se verossímil, principalmente diante das normas consumeristas, conforme
será analisado adiante.
Assim sendo, entendo que há relação jurídica encontra-se hígida,
reconheço assim a pertinência intersubjetiva estabelecida entre as partes em função da
relação jurídica contratual existente.
Observadas as condições da ação, diante do interesse da demandante
e da legitimidade das partes, presentes ainda os demais pressupostos processuais
para o deslinde do feito, sigo à análise do mérito propriamente dito.
Faz-se necessário consignar que a relação jurídica estabelecida entre as
partes é regida pelas normas do Código de Defesa do Consumidor, uma vez que trata
de uma relação contratual, visto que consoante prescreve o parágrafo segundo do artigo
3º, “serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante
remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária,
salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista”.
A questão já restou pacificada diante da jurisprudência do Superior
Tribunal de Justiça com a edição da Súmula nº 297”O Código de Defesa do

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Consumidor e aplicável às instituições financeiras”.


O fato narrado nos autos aduz a uma clara situação de fato do serviço

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(artigo 14 do CDC), o que implica na inversão do ônus probatório, para dessa
maneira oferecer maior proteção à parte hipossuficiente, no caso, a requerente.
O objeto da demanda é a responsabilidade ou não da parte Ré, em razão
de falhas de segurança no serviço por ela prestado, o que ocasionou, em última análise,
a danos materiais e morais para a parte autora, atinente ao fato da parte autora ter sido
vítima de um golpe perpetrado por terceiros, que se passaram como representantes da
instituição financeira Ré, e a induziram a efetuar a transferência do valor de R$
50.000,00 (cinquenta mil reais), de sua conta corrente para uma outra conta aberta em
seu nome.
A parte autora sustenta que o valor da transferência realizado foge por
completo do seu perfil, fato que deveria suscitar a atenção da parte Ré quando
autorizada a transferência por “Pix”.
Além disso, em função dos requerimentos apresentados pela autora logo
após a efetivação da transferência, a parte poderia ter se valido do chamado “mecanismo
especial de devolução (MED)” para informar a instituição financeira recebedora do
valor sobre a provável existência da fraude perpetrada, de modo que fosse possível
bloquear o valor recebido, evitando o seu pagamento.
Pois bem, a parte autora sustentou em sua inicial que logo após a
efetivação da transferência recebeu uma ligação da parte Ré informando que eles não
trabalhavam com “contas provisórias”, momento em que entendeu que havia sofrido o
golpe.
Friso que a instituição financeira requerida em momento algum contestou
o fato narrado pela parte autora. Assim sendo, entendo que o contato da instituição
financeira em ato sequência a transferência de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais)
realizada fato que se revela verossímil diante da incompatibilidade da operação
quando em cotejo com o perfil das movimentações financeiras da autora junto ao banco
demonstra que existia tempo hábil suficiente para a efetivação do “MED” e, por
conseguinte, o bloqueio do valor pelo prazo de 72 (setenta e duas) horas na instituição
financeira onde foi recebido.
Não bastasse, há de se ressaltar que por ter colocado à disposição de seus
clientes a possibilidade de efetuarem transações por meio eletrônico, cabe ao banco o
risco da atividade, incutido na obrigação legal em oferecer serviços seguros aos
consumidores, nos termos do artigo 14,§º1º do CDC.
Art. 14. O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência
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de culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos
relativos à prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou
inadequadas sobre sua fruição e riscos.

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§ 1° O serviço é defeituoso quando não fornece a segurança que o consumidor
dele pode esperar, levando-se em consideração as circunstâncias relevantes,
entre as quais:
A anomalia da movimentação é de clareza solar, caberia ao banco
averiguar de imediato a veracidade da operação, uma vez que, contemplava
praticamente todo o valor contido na conta corrente da autora. Isto é, a operação
realizada possui como base um valor muito alto R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais) a
ser realizado por “PIX”, por uma pessoa idosa.
Nesta toada, a responsabilização objetiva da parte Ré é conclusão
inexorável ao caso em tela, em que pese a atuação em conjunto da parte autora em
efetuar a transferência, o Código de Proteção e Defesa do Consumidor apenas afastas a
responsabilização do fornecedor pelo fato do serviço na hipótese de culpa exclusiva do
consumidor.
No caso em análise, não há que se falar em culpa exclusiva, mas no
máximo em culpa concorrente, uma vez que o âmago da questão ressurge não na
atuação da autora propriamente dita, mas sim na ausência de instrumentos de segurança
adequados pela parte Ré para evitar que o dano ao patrimônio da autora se
concretizasse.
Assim sendo, entendo que restou comprovada a conduta, o nexo causal e
o dano perpetrado pela Ré, razão pela qual o retorno ao status quo ante é medida que
deve ser acolhida por este juízo.
Friso que esta foi a conclusão adotada pelo Tribunal de Justiça do
Amazonas para casos semelhantes a este:
APELAÇÃO CÍVEL. AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MATERIAIS E MORAIS.
OPERAÇÕES VIA PIX. FALHA NO DEVER DE SEGURANÇA.
RESPONSABILIDADE OBJETIVA DA INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. DANO MATERIAL.
REPETIÇÃO SIMPLES. DANO MORAL. OCORRÊNCIA. VALOR RAZOÁVEL.
HONORÁRIOS DE SUCUMBÊMCIA MANTIDOS. I Está atualmente consolidado
pelo Superior Tribunal de Justiça, no enunciado da Súmula n. 479/STJ, o
entendimento segundo o qual: "As instituições financeiras respondem
objetivamente pelos danos gerados por fortuito interno relativo a fraudes e
delitos praticados por terceiros no âmbito de operações bancárias". II - Estando
demonstrada a responsabilidade objetiva da instituição financeira, surge o dever
de indenizar pelos danos materiais e morais decorrentes da falha na consecução
de suas atividades, por se tratar de responsabilidade oriunda do risco do
empreendimento. III - Sopesadas as circunstâncias e peculiaridades do caso, a
capacidade econômica das partes, a extensão e gravidade do dano, bem como o
caráter pedagógico da medida, deve ser mantido o valor razoavelmente fixado
em sentença - R$8.000,00 (oito mil reais), a título de reparação por dano moral,

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não havendo suficiente demonstração de circunstâncias que justifiquem a
redução do montante estipulado. IV - Considerando os requisitos insculpidos no
art. 85, §2º do CPC, conclui-se que o valor de honorários de advogado arbitrado

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em 15% (quinze por cento) sobre o valor da condenação é plenamente
proporcional e atende os requisitos previstos na Lei Adjetiva Civil. V Apelação
conhecida e desprovida.(Apelação Cível Nº 0630415-57.2022.8.04.0001; Relator
(a): João de Jesus Abdala Simões; Comarca: Manaus/AM; Órgão julgador:
Terceira Câmara Cível; Data do julgamento: 05/04/2023; Data de registro:
05/04/2023)

Destarte, entendo pela necessidade do ressarcimento a título de dano


material a parte autora no valor de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais), devidamente
corrigidos desde a data do fato e com a incidência de juros moratórios de 1% ao mês
desde a citação.
Quanto à compensação por dano moral, entendo que a conduta da parte
Ré em não efetuar o bloqueio quando requerida, apesar da existência de tempo hábil até
então, demonstrando a falha na segurança que deveria ser observada em favor do
consumidor implicou na possibilidade do reconhecimento do dano moral sofrido pela
autora.
Em outras palavras, ao ser vítima da fraude apresentada e diante da falha
da prestação do serviço pela requerida, os direitos da personalidade da parte autora
foram violados, em especial a sua integridade psicofísica, principalmente diante do fato
da autora ser pessoa idosa.
Assim sendo, atendendo ao caráter bifásico agasalhado pela
jurisprudência pátria, ao sopesar o valo em media arbitrado pelo tribunal com as
características do caso concreto, bem como ao privilegiar o seu caráter punitivo e
pedagógico, fixo a compensação por dano moral no valor de R$ 10.000,00 (dez mil
reais).
Isto posto, com fulcro no artigo 487, inciso I do CPC, resolvo o mérito
da demanda, para CONDENAR a parte Ré, ITAÚ UNIBANCO S/A, em indenizar a parte
autora FRANCISCA RITA ALENCAR ALBUQUERQUE pelo prejuízo material
suportado no valor de R$ 50.000,00(cinquenta mil reais), devidamente corrigido desde
o desembolso e com juros de 1% ao mês a partir da citação, bem como em compensar a
parte autora pelo dano moral sofrido no valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais), juros de
1% ao mês e correção a partir da publicação desta sentença
Condeno a parte Ré nas custas processuais, bem como em honorários
advocatícios que fixo em 10% sobre o valor da condenação, nos termos do artigo 85,§2º
do CPC.
P.R.I.

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Manaus, 18 de abril de 2023.

Diego Martinez Fervenza Cantoario


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