HAMLET
Aluna: Beatriz Ferreira Pianta 7 ano A2
HAMLET, ATO III, Cena I
Um quarto no castelo.
Entram o Rei, a Rainha, Polônio, Ofélia, Rosencrantz e Guildenstern.
O REI: Não tivestes ensejo, na conversa, de saber o que o pôs nessa desordem que seus dias de
calma
tanto abala com demência inquieta e perigosa?
ROSENCRANTZ: Confessa que se sente perturbado: mas a causa, persiste em não dizê-la.
GUILDENSTERN: Não o achamos disposto a ser sondado; com a astúcia da loucura, se esquivava
sempre que pretendíamos levá-lo a falar de si mesmo.
A RAINHA: Como vos recebeu?
ROSENCRANTZ: Como perfeito cavalheiro.
GUILDENSTERN: Conquanto algo forçado.
ROSENCRANTZ: Avaro em perguntar, mas respondendo com liberalidade.
A RAINHA: Convidaste-o para algum passatempo?
ROSENCRANTZ: Aconteceu, senhora, que encontramos em caminho uns atores. A notícia, recebeu-a
com mostras de alegria. Já se acham no palácio. Penso, mesmo, que vão representar para ele, à noite.
POLÔNIO: É verdade; pediu-me que falasse com Vossas Majestades, concitando-vos a ver e ouvir a
peça.
O REI: De todo o coração; muito me alegra sabê-lo assim disposto.
Continuai, cavalheiros, a animá-lo, despertando-lhe o gosto para as festas.
ROSENCRANTZ: Pois não, senhor! (Saem Rosencrantz e Guildenstern.)
O REI: Doce Gertrudes, deixa-nos; mandamos vir secretamente a Hamlet, para que ele se encontre
com
Ofélia, como por acidente. Eu e seu pai, legítimos espias, vendo sem sermos vistos, poderemos avaliar
do
encontro imparcialmente e concluir, do seu procedimento, se é amor, em verdade, ou se outra é a
causa
que o faz sofrer assim.
A RAINHA: Já me retiro. No que te toca, Ofélia, só desejo que seja a tua beleza a feliz causa da
loucura
de Hamlet, pois espero que tua virtude o leve à trilha antiga, para honra de ambos.
OFÉLIA: Eu, de mim, o espero, também, minha senhora.
(Sai a Rainha.)
POLÔNIO: Chega, Ofélia, para aqui... Majestade, ora busquemos nosso lugar. E tu, lê neste livro; a
leitura
pretexto será para tua solidão. Freqüentes vezes somos passíveis de censura, pois abundam provas
sobre
isso, de que com bondade simulada e ações pias conseguimos tornar açucarado o próprio diabo.
O REI: (à parte): Quão verdadeiro! Como essas palavras me chicoteiam fundo a consciência! O rosto
rebocado das rameiras não é mais feio, sob a artificial beleza, do que a minha ação debaixo do verniz
com que a enfeitam meus discursos. Oh fardo horrível!
POLÔNIO: Ei-lo que chega, meu senhor; saiamos.