O Relógio de Vidro
Em uma cidade antiga chamada Lirion, onde as ruas eram feitas de pedras brilhantes e as
casas tinham telhados coloridos, vivia um garoto chamado Theo. Ele tinha 12 anos e
trabalhava na biblioteca da cidade, ajudando a organizar livros raros e mapas esquecidos.
Certa tarde, enquanto limpava uma prateleira escondida, Theo encontrou um objeto curioso:
um relógio feito inteiramente de vidro, com ponteiros que giravam ao contrário. Ao tocá-lo,
ele ouviu um som suave, como sinos distantes, e tudo ao seu redor congelou por um
segundo.
No dia seguinte, Theo percebeu algo estranho: toda vez que ele girava o relógio, podia
voltar alguns minutos no tempo. Fascinado, começou a usar o objeto para corrigir pequenos
erros — como salvar um gato que ia cair do telhado ou impedir que um amigo se
machucasse.
Mas quanto mais usava o relógio, mais ele percebia que algo estava errado. As pessoas ao
seu redor começavam a agir de forma estranha, como se estivessem presas em um sonho
repetido. E a cada uso, o vidro do relógio ficava mais trincado.
Theo então descobriu, em um livro antigo, que o Relógio de Vidro era uma criação proibida,
feita por um mago que queria controlar o tempo, mas acabou preso em um ciclo eterno. O
único jeito de quebrar o feitiço era aceitar o tempo como ele era — imperfeito, mas real.
Na última noite, Theo subiu até a torre da cidade e, com coragem, deixou o relógio cair. Ele
se despedaçou em mil pedaços, e o tempo voltou a fluir normalmente. As pessoas
despertaram, e Theo aprendeu que viver o presente era o maior poder de todos.