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Estrutura e Funções da União Europeia

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Administração e Políticas da UE

Teoria Geral das Organizações Internacionais

Organização internacional – é uma associação voluntária (art 50.º do TUE) de


sujeitos de direito internacional (Estados), constituída mediante atos internacionais
(Tratados) e regulamentada nas relações entre as partes por normas de direito
internacional e que se concretiza numa entidade de caráter estável dotada de um
ordenamento jurídico interno próprio e de órgãos e instituições através dos quais
prossegue fins comuns aos membros da organização mediante a realização de
certas funções e o exercício dos poderes necessários que lhe tenham sido
conferidos. (Paul Reuter)
O que é a União Europeia? Organização internacional mista (híbrida), com uma
estrutura político jurídica constituída por órgãos intergovernamentais (Tratado da
UE) e supranacionais (TFUE).
A UE não é uma organização internacional soberana. Já as conferências
intergovernamentais são voláteis pois a organização internacional tem vigência
limitada no tempo e no espaço (art. 50º TUE)
Elementos das Organizações Internacionais:
1. Personalidade Jurídica (art. 47.º TUE)
Exercem as prerrogativas externas de soberania. Tem direito de
representação internacional (envia e recebe representações diplomáticas),
assina tratados e tem o direito de fazer guerra e de recorrer a tribunais
internacionais.
Nota: Só os Estados têm personalidade jurídica internacional plena.
Personalidade Jurídica Funcional – aquilo que a ONU tem limitada às suas
funções
A UE só com o Tratado de Lisboa é que ganha personalidade jurídica.

2. Vontade Própria ( diferente das vontades dos Estados Membros)


Porque possui competências diversas:
- Por atribuição (art. 5.º do TUE), verifica-se que a UE só pode legislar em
determinadas áreas
- Competências Explícitas e implícitas (art. 352º TFUE)
- Competências de ordem interna e externa
Possui autonomia jurídica (art. 335º TFUE) e possui obrigações (art. 4º TUE)
para com os Estados Membros, estes que devem agir em solidariedade com
a organização.

3. Órgãos (art. 13º TUE)


São 7 órgãos, e estes podem ser:
- Intergovernamentais (compostos por EM)
a) Plenários (acolhem todos os representantes dos Estados)
ex.: Conselho Europeu, Conselho de Ministros
b) Restritos (apenas com alguns Estados Membros)
Ex: Conselho Económico e Social
Nota: A UE não tem órgãos intergovernamentais restritos ao
contrário da ONU.

- Integrados (pessoas que atuam em nome da organização internacional,


defendendo o interesse da organização) ex.: Secretário Geral do
Secretariado da ONU, Comissão Europeia ou Parlamento Europeu
A Estrutura Jurídica pode ser intergovernamental ou supranacional.
A grande maioria das organizações só tem uma estrutura jurídica
intergovernamental. Já a UE tem uma estrutura político jurídica híbrida.

4. Fins
- Gerais
- Específicos:
a) Políticos- Conselho da Europa
b) Económicos – OCDE, BM, OMC
c) Segurança – NATO
d) Humanitários – OMS, FAO
e) Técnicos – UNESCO

5. Permanência (art. 356º do TFUE)

6. Elemento Internacional

Podem ser Organizações Universais como a ONU ou Organizações


Regionais (artigo 49º do TUE).
As Organizações Regionais são criadas segundo critérios de participação
(geográficos como no caso da UE ou ideológicos como no caso da OCDE).

A União Europeia enquanto Organização


Internacional

Porquê que a UE é uma entidade política tão complexa? A UE define no seu seio e
arquitetura institucional um conjunto de políticas públicas que são implementadas
de forma coerciva pelos/ nos EM.
Nota:
“Diretiva” – o Estado Membro tem uma margem de como fazer a implementação
(um determinado tempo) mas tem de alcançar
“Regulamento” – tem de ser aplicado na sua totalidade
A UE alimenta-se de um processo de alienação de competências, em que os
Estados abdicam de parte da sua soberania. No artigo 2º do TFUE – alimenta-se das
competências dadas pelos Estados Membros.
A Natureza da UE enquanto sistema de governação de políticas públicas
Complexidade Analítica
Deriva do princípio da atribuição de competências, isto é, da UE reger-se pelo
princípio da especialidade do fim (art. 5º TUE). Os objetivos são explícitos.
1. Competências Exclusivas da UE
Estão explícitas e bem definidas no Tratado de Lisboa (método do catálogo),
no artigo 2º, nº1 e artigo 3º do TFUE). A não ser que a UE devolva essas
competências, os Estados Membros não podem legislar nestas matérias.
Áreas:
Política Comercial Comum, União Aduaneira, Regras de Concorrência,
Política Monetária, Recursos Biológicos do Mar, Acordos Internacionais.

2. Competências Partilhadas
(art 2º, nº2 e art 4º, nº2 do TFUE) Uma das entidades continua a ter primazia,
isto é, há primazia legislativa da UE não havendo um equilíbrio. É nestas
competências que se destaca um princípio fundamental da UE – princípio
da subsidiariedade (artigo 5º, nº3 do TUE), isto é, as decisões das políticas
públicas devem ser tomadas ao nível mais próximo do cidadão, significando
isto que a UE só deve legislar quando daí se tirar benefícios. Neste caso o
árbitro são os Parlamentos Nacionais, garantindo tanto o princípio da
subsidiariedade como o da proporcionalidade.
Áreas:
Mercado Interno, Coesão social, Agricultura e pescas, Proteção do
consumidor, ambiente, transportes, energia, redes transeuropeias,
Liberdade, segurança e justiça, Pesquisa e desenvolvimento tecnológico e
do espaço, Cooperação para o desenvolvimento e ajuda humanitária
e Saúde Pública.

3. Competências Complementares
Aqui a UE tem uma competência residual no sentido de apoiar a capacidade
legislativa mantida pelos Estados. São áreas que fazem parte da chamada
integridade moral de um Estado (tal como a integridade física). Art 2º, nº5
do TFUE e art.6º do TFUE)
Áreas:
Educação, Juventude e formação profissional, Saúde Humana, Indústria e
Cooperação Administrativa, Cultura e Desporto, Turismo e Proteção Civil.

Nas áreas de competência exclusiva e partilhada há um processo de Europeização


por transferência vertical, a Comissão Europeia apresenta uma iniciativa
legislativa ao Parlamento e ao Conselho de Ministros e caso ambos estejam de
acordo, temos ato legislativo que sob a forma de regulamento ou diretiva, aplica-se
diretamente nos EM. O incumprimento origina sanções económicas. Vertical e
compulsória/ obrigatória/ coerciva.
Nas áreas de competência complementar há um processo de Europeização por
transferência horizontal, isto é, já não há uma natureza obrigatória, mas sim uma
tentativa de aproximação, por parte dos Estados, aos quadros legislativos e
regulatórios sem que isso implique harmonização legislativa ao contrário das áreas
exclusivas ou partilhadas. Nestas áreas não pode haver qualquer tipo de
harmonização, sendo o único objetivo aproximar (art. 2º, nº5 do TFUE). Não há
caráter compulsório.
4. Competências Exclusivas dos Estados
Áreas: segurança interna, política externa de defesa, segurança comum e critérios
de concessão de nacionalidade.

Nota: A União tem competências ubíquas, normalmente um ato legislativo implica a


articulação entre vários tipos de competências, por exemplo a legislação sobre
telemóveis. Esta ubiquidade implica o uso de várias bases jurídicas, havendo um
processo de ramificação dependente de contágio de áreas.

1ª Zona de Comércio Eliminação das tarifas aduaneiras impostas


Fase Livre (ZCL) sobre o comércio entre os EM

2ª União Aduaneira
ZCL + Pauta Aduaneira Comum
Fase (UA)

3ª Mercado Comum UA + livre circulação de bens, serviços, pessoas


Fase /Interno (MC / MI) e capitais + harmonização legislativa

4ª MC / MI + políticas e instituições económicas


União Económica
Fase comuns (1998:BCE)

MC / MI + políticas e instituições económicas


5ª União Económica e
comuns + União Monetária (2002:introdução do
Fase Monetária
euro)

1ª Fase – Década de 50, cria-se o efeito “ganho de comércio”


2ª Fase – Relação com países terceiros. As receitas da Pauta Aduaneira Comum são
uma das fontes de receita da UE

Complexidade Política
A UE é a plataforma permanente de cooperação política, isto é, ser um fórum
institucionalizado de cooperação intergovernamental. A arquitetura organizacional
é muito específica porque existem órgãos integrados (Comissão Europeia e
Parlamento Europeu) e órgãos intergovernamentais vistos como balança de poder
entre os órgãos integrados e os restantes.
Órgãos da UE (órgãos intergovernamentais)

• Conselho europeu: Chefes de Estado ou de Governo que reúnem, pelo


menos, 2 vezes ao ano. É este órgão que dá o impulso político à UE e define
as prioridades políticas – órgão de direção política da UE. Presidente:
Charles Michel
• Conselho de Ministros: reúne-se em Conselho especializado dividido por
pastas (ministros nacionais de cada pasta, educação, cultura…). Intervêm no
processo de decisão sobre atos legislativos da UE. Presidências rotativas
Órgãos da UE (órgãos integrados)

• Parlamento europeu: composto por 758 eurodeputados que representam


diretamente os cidadãos da UE sendo eleitos por sufrágio universal e
organizados por partidos políticos a nível europeu. Este órgão (com o
Conselho) faz parte do processo de codecisão legislativa.
Presidente: David-Maria Sassoli
• Comissão europeia: guardiã dos Tratados zelando pela sua aplicação
uniforme. Colégio dos 28 comissários, é o motor da UE, aprovando as
iniciativas legislativas e apresentando-as. Este órgão responde
politicamente perante o Parlamento Europeu já que é uma espécie de
executivo da UE. Ela fiscaliza a aplicação do direito da UE, instaurando o
processo por incumprimento que seguirá para o Tribunal de Justiça da UE.
Presidente: Ursula von der Leyen
Outros órgãos: Tribunal de Contas, Banco Central Europeu com a presidência de
Christine Lagarde
Atores: Estados Membros (representados no Conselho Europeu), Sociedade Civil
da UE (integram os grupos de pressão e de interesse), Cidadãos Europeus
(representados no Parlamento).
Desde a entrada em vigor do Tratado de Lisboa que os cidadãos, em certas
condições, podem apresentar iniciativa legislativa, isto é, podem “convidar” a
comissão a apresentar um ato legislativo em determinada matéria, demonstrando
um certo poder de intervenção e participação.

Complexidade proveniente dos mecanismos de votação: a regra geral, presente


no TFUE, faz com que o Estado possa ser obrigado a implementar legislação sobre
a qual tenha votado contra, porque as decisões são por maioria (é visível que a
vontade da UE se sobrepõe à vontade dos EM). Nas áreas da PESC e da PCSD é
considerada por unanimidade (em que todos os EM têm de estar de acordo) já que
não há a ideia de integração (se o fosse seria por maioria qualificada)
Parlamento – maioria simples
Conselho – maioria qualificada
Complexidade proveniente das caraterísticas do Direito: são 3 caraterísticas do
federalismo jurídico comunitário da UE:
1. Aplicabilidade Direta: regulamentos. Quando um regulamento ou diretiva é
aprovado é imediatamente aplicável nos EM.
2. Efeito Direto: os indivíduos têm direitos e podem invocá-los
3. Primado: primado do direito da UE sobre o direito nacional

Complexidade Social
Há 2 tipos de legitimidade: fundacional e utilitária. A legitimidade fundacional
significa que existe um elo de identificação entre os cidadãos e a sua comunidade,
ao se reconhecerem na sua bandeira, hino, etc. (conceito de Nação). Na sequência,
existe na UE uma legitimidade apenas utilitária já que a UE foi criada para aumentar
o bem estar, ter ganhos comerciais, aumentar rendimentos e lucros, sendo útil do
ponto de vista económico tem este tipo de legitimidade.

Complexidade Conceptual
Globalização – a UE (e a CEE antes) podem ser vistas como resposta económica e
política à crescente unificação dos mercados a nível internacional promovida pela
OMC. Através do crescimento do mercado interno existiriam ganhos e
possibilidade de fazer frente à liberalização dos mercados, daí a Política Comercial
Comum, em virtude da necessidade de resposta.
Governação – a UE é um polo de governação à escala europeia, é entendida como
definição de políticas públicas, isto é a forma como são definidos quadros
regulatórios de políticas públicas e a sua transferência para os Estados e estes não
sendo “passivos” podem escolher até certo ponto.
Integração – como sinónimo de harmonização de quadros regulatórios e políticas
públicas, isto é, existir 1 para os 28 estados membros (competências exclusivas e
partilhadas) o que nem sempre é conseguido. A UE do ponto de vista da estrutura
jurídica tem uma ação supranacional e intergovernamental (cooperação).
Governação multinível – nível supranacional, integrado e intergovernamental.
Afeta cidadãos e empresas.
Europeização – transferência vertical ou horizontal dos quadros regulatórios para
os EM.

Complexidade Teórica
Existem 3 teorias:
- Neo-funcionalismo (Ernst Haas)
Adota o institucionalismo histórico: Os Estados criam instituições e estas vão
crescendo e desenvolvendo ao longo da história, isto é, vão-se complexificando e
“encurralando” os Estados (efeito lock in) tornando-se muito difícil voltar atrás já
que os custos de regressão seriam muito elevados. A integração ao ser um
processo histórico torna difícil o retorno. A integração de um setor leva à
integração de outros setores (path-dependency), por exemplo, a criação de uma
política comercial comum leva à existência de uma política de uma política de
proteção ao consumidor.
A aplicação do institucionalismo histórico pode ser pelo neo funcionalismo. No
período entre guerras foi introduzido o chamado ideal funcionalista, que defendia,
de certa forma, a substituição dos Estados por agências funcionais que cooperariam
à escala global. Na década de 50, Ernst Haas cria o neo funcionalismo que é a
aplicação regional do funcionalismo (à escala europeia). O Neo-funcionalismo vê a
integração europeia como um processo histórico de construção das path-
dependency, com complexidade crescente na evolução temporal que se
complexifica através do processo de spillover (ou ramificação) de forma gradual,
havendo contágio entre setores. As elites económicas e tecnocráticas iam
promover esta automaticidade tecnocrática e o processo de contágio.

- Intergovernamentalismo liberal (Andrew Moravcsik)


Existe a ideia de que a ação dos Estados, no contexto das organizações
internacionais é sempre uma ação racional, que visa a satisfação dos Estados sendo
que maximizar a satisfação é maximizar a utilidade que os Estados retiram da
participação em organizações intergovernamentais. É face a um contexto utilitário
da racionalidade que os Estados só criam certas organizações para satisfazer os
seus interesses e só permanecem enquanto virem os seus interesses suprimidos.
Os Estados têm sempre as “rédeas” do processo de integração e a ideia de que
apenas estes gozam de legitimidade fundacional e de lealdade – racionalidade
utilitária.
Rejeitava a ideia de Haas, quem guia a integração europeia não seriam os órgãos
tecnocráticos, seriam os Estados. Os Estados nunca perdem o controlo sobre a
integração (Teoria Estatocêntrica). Privilegia os Conselho Europeu e o Conselho de
ministros.

- Teoria do construtivismo social


O Estado e a UE são construções sociais, logo, os interesses/ preferências
domésticas não são imutáveis. Os Estados sofrem um reformular das suas
identidades, aprendem a ver as coisas de outra forma, através da partilha – há
construção social de uma nova identidade europeia.
No seio das instituições europeias vão-se formando crenças e padrões de
comportamento que vão socializando os Estados através de estruturas sistémicas
intersubjetivas há um processo de socialização ( os Estados aprendem a coordenar-
se) a nível normativo e estrutural.

Nota: Estas teorias são modelos genéricos, os Estados normalmente “apoiam” a 2ª


teoria enquanto que os teóricos que estudam as pessoas, concordam com esta
última teoria. O construtivismo social parte do princípio que os interesses dos
Estados não são fixos já que os Estados não são sempre racionais. Há uma visão
endógena dos interesses (variáveis), a identidade dos Estados muda e evolui
porque há um processo de apropriação normativa (novas normas e novos
paradigmas do que deve ser certa política pública).

EVOLUÇÃO HISTÓRICA DO PROJETO EUROPEU (do


século XVII à 1ª metade do século XX
Do Tratado de Vestefália até ao Tratado de Lisboa
A história do projeto europeu começa na emergência do Sacro Império Romano
Germânico que se trata de uma forma de organização do poder político assente
numa estrutura de poder representada por uma elipses: do lado A temos o
Imperador com o poder temporal e do lado B o Papa com o poder espiritual. Em
1517 Martinho Lutero, contra os aspetos doutrinais (o perdão dos pecados – as
indulgências) surge o Movimento Protestante na Europa e o desejo de
autonomização dos Príncipes, que acabaria por resultar na Guerra dos 30 anos
(1618-1648), iniciada com a Revenestação de Praga (católicos são atirados do 2º
andar, no entanto sobrevivem. Chega ao fim com os Tratados de Vestefália.
Vamos sempre assistir a uma luta entre a visão dos Estados soberanos e a visão dos
Impérios. A queda do Império conjuntamente com o aparecimento de um novo
sistema de organização política, surge o Sistema Europeu de Estados Soberanos.
Novo Paradigma: unidade na diversidade. Cada Estado é soberano e prossegue a
sua razão e a sua identidade (artigo 2º, nº7 da Carta da ONU).
O poder do Estado é maior do que o poder religioso. No século XVII temos um
Estado de monarquia absoluta e nos fins do século XVIII dá-se a Revolução
Francesa – Monarquia constitucional (soberano governa em nome do povo e age
segundo uma moral de responsabilidade, protegendo o interesse nacional e
defendendo a integridade das fronteiras físicas e morais).
Para que não exista caos permanente tem de haver mecanismo para controlar a
ação internacional dos Estados. A partir do século XIX, no seguimento da Revolução
Francesa e da grande aventura napoleónica que tentava reinstaurar o modelo
imperial – os Estados reúnem-se e concordam em institucionalizar o equilíbrio de
poderes. (Concerto da Europa)
Século XIX – século dos nacionalismos (destaque da nação alemã) – Prússia que
assume a sua vocação imperial apoiada no que seria a guerra franco prussiana,
Bismarck consegue colocar Império vs. Estado (França é humilhada e a 18 de jan.
de 1871 nasce a Alemanha – gerando as dinâmicas para a 1ª GM.

1914 a 1918- 1ª Guerra Mundial é o grande trauma do século, ocorre por via da
institucionalização de várias alianças entre Estados Europeus.
✓ Rússia, Reino Unido e França (mais tarde a Itália)
✓ Impérios: austro-húngaro, otomano e alemão (Triple Aliance)
Após o assassinato do Arquiduque Francisco Fernando (herdeiro do império austro-
húngaro) ninguém imaginava o seu impacto. Nasce a Sociedade das Nações (mais
tarde ONU), onde se tem a ideia de que a paz só pode ser “criada” através de uma
organização (ideia de permanência e durabilidade).
Genocídio do povo arménio, por parte do Império Otomano. (1ºGenocídio
Europeu)
Na 1ªGM habitam 2 tendências opostas:
- Nacionalismos (alemão e italiano);
- Internacionalismo (marxismo e revolução russa).
A dimensão material do conflito: envolveu todos os continentes, com destruição
humana e material (37 milhões de mortos), com recurso a inovações tecnológicas
(arame farpado, armas químicas, tanques, aço), envolveu lógicas imperiais do
Reino Unido e Alemanha que a par do sistema de alianças estendeu e expandiu o
conflito.
Ao nível político: princípio do fim dos Impérios (Alemão, Austro Húngaro e
Otomano), resultado da vitória dos Estados nesta dinâmica Estados vs. Impérios. A
vitória dos Estados tem que ver com questões geopolíticas e com o Tratado de
Versalhes a “humilhar” a Alemanha; o artigo 231º deste tratado é uma cláusula de
responsabilidade da guerra que iria justificar o sentimento de vingança alemão.
Estes deveriam pagar 50 biliões de marcos, mas só conseguem pagar 20 (inflação
de preços).
Ao nível cultural e visual: a guerra é fortemente documentada de forma a
assegurar a memória do conflito (monumentos, cemitérios, ETC)
Ao nível social: teve efeitos devastadores (mortos, inválidos, traumatizados,
deficientes por motivos químicos), o papel das mulheres, as famílias arruinadas. É
lançada a ideia do Estado Providência, era preciso criar estruturas de apoio aos
que sobrevivem. Surge a questão dos refugiados
Ao nível das relações internacionais: gera-se a ideia de que é necessário criar
organizações internacionais intergovernamentais para a paz (SDN- ONU) e surge
uma nova disciplina científica – Relações Internacionais, para serem procuradas as
causas de conflito e mecanismo de garantia de paz

As questões da 1ªGuerra Mundial não foram 100% resolvidas e acredita-se que


a forma como o processo foi conduzido levou à ascensão do partido nazi e
consequente 2ªGuerra Mundial

Questões da 2ªGM:
✓ A Questão Geopolítica: a superação desta questão origina na década de 50 o
princípio das comunidades, assim vários movimentos e ideias geopolíticos
vão confirmar a predominância do Império frente aos Estados
✓ Ideal Geopolítico (Revanchismo): política de vingança constante entre as
potências europeias (desde o Tratado de Vestefália); Estrasburgo
(Parlamento Europeu e sede do Conselho da Europa) é um símbolo deste
ideal desde o sé[Link] (França Vs. Alemanha); era necessário superar este
revanchismo para criar um Projeto Europeu ( unificar Estados)
✓ Irredentismo: política de unificação dos povos, um dos argumentos de Hitler
era que o povo alemão estava disperso em vários Estados e era necessário
uni-los num território mais extenso (ocupando vários territórios como a
Polónia)
✓ Espaço Vital: espaço onde pudesse exercer o seu domínio, o povo estava
predestinado a ocupar um espaço central, no coração da Europa
✓ Questão ideológica: as ideologias em causa neste período eram 3
(marxismo, nacional socialismo e social democracia) – revolução russa,
partido nazi e europa ocidental respetivamente.
Nota: A social democracia vinga na Europa do pós guerra, modelo que social e
economicamente é diferente do modelo de capitalismo dos EUA, os Estados
Europeus vão adotar a democracia de consumo (aceitar o Plano Marshall,
importação de bens americanos e o aprofundar de modelos burocráticos) e vão
institucionalizar o Estado Social, para isso vêem-se obrigados a “desinvestir”
militarmente, sendo os EUA a assumir este papel através da NATO.

A questão emocional, conceptual e histórica


Vários conceitos podem ser usados para caracterizar a 2ªGM:

• Massacre
• Genocídio (introduzido por Raphael Lemkin): conjunto de práticas levadas a
cabe por um Estado para dizimar uma outra comunidade ética ou política.
Pode estar através de assassinato, retirada de direitos, bens, deslocá-los
para outros países, através de um vírus (morte por doença). No caso alemão,
pretendia-se eliminar os judeus, os ciganos e as pessoas portadoras de
doença. (uso de diversas práticas).
Convenção para a Prevenção e Punição do crime de genocídio (1948).
• Holocausto: é o sacrifício pelo fogo, forma bíblica de extermínio do povo
judaico (dimensão moral)
• Ideia de política de ocupação imperial alemã: política de ocupação
(territorial) imperial que permitia, com um plano perfeito o extermínio
(sistema racional e organizado, centralizado e democrático)
Questão biopolítica
Adoção de um conjunto de paradigmas relativos ao corpo humano, isto é, colocava-
se a razão e a ciência ao dispor da extinção de um grupo social específico segundo
o ideal de Darwinismo social ou eugenismo (seleção e purificação das raças);
limpezas étnicas e aperfeiçoamento das raças. “Bare life”, isto é, reduzindo os
povos e as suas condições de vida a zero.
Questão institucional
Através de um plano racional, científico, democrático e centralizado, conseguiu-se
a “banalidade do mal”, atingindo o grau zero da Europa e consequentemente a
chamada “negação da civilização”.
Em 1945, a Europa bate no fundo, encontrando-se devastada, mas essencialmente
encontrava-se moralmente morta. A Europa milenar (do Iluminismo, berço da
Antiguidade Clássica, do Renascentismo, etc.) está morta.

A reconstrução europeia
O “ground zero” europeu, isto é, um retrocesso civilizacional leva os Estados a
terem necessidade de escrever um documento onde estivessem presentes os
direitos dos seres humanos – Carta da ONU em 1945, que vinha regular o sistema
internacional e os direitos dos Estados.
Consagração da Declaração Universal dos Direitos do Homem, que consagra o
direito dos indivíduos independentemente de ser cidadão ou não. Esta declaração
surge nos escombros dos custos morais desta guerra.
Desnazificação: surgem os 1ºs tribunais internacionais para o julgamento de
crimes contra a humanidade. Há jurisdições para estes “novos” crimes –
Nuremberga e Tóquio – instituindo-se tribunais para a punição e prevenção. Mas
nem todos os autores morais foram julgados (a administração pública colabora
nestes crimes e não foi fácil controlar e punir esta situação devido a interesses e
especificidades do poder político). Ainda hoje na França e na Alemanha há
fantasmas do nazismo.
Restituição e memória: a Alemanha foi condenada a pagar restituições financeiras
aos Estados mais prejudicados. Alguns Estados exigem mais dinheiros, com no
caso da Grécia. Os custos morais são, ainda hoje, uma questão mal resolvida, sendo
objetificada pela “culpa alemã” esperando-se motivos políticos (como a crise
económica) para emergir.
Implicações geopolíticas/territoriais: divisão da Alemanha em RDA (regime
autocrático de inspiração soviética, ocupada pela União Soviética) e RFA (regime
democrático e ocidental), toda a construção europeia é feita até ao fim da Guerra
Fria com a RFA. Com esta divisão percebe-se que o próximo inimigo da Europa
será a União Soviética – em 1947 a Alemanha e o Reino Unido assinam o Tratado de
assistência mútua em caso de agressão.
Em 1948 temos o Plano Marshall, um aprofundamento da Doutrina Truman, foi o
principal plano dos Estados Unidos para a reconstrução dos países aliados da
Europa nos anos seguintes à 2ªGM.
Nasce o Estado de Providência Europeu, que marca a diferença entre as
democracias europeias e a americana. Nos EUA não há Estado de Providência, pois
estes não sofreram com as 2 guerras. Os EUA também tinham como objetivo criar
Democracias de Consumo na Europa.
Contexto Pós-guerra
Integração europeia vs. Cooperação - Congresso de Haia (1948): Criação do
Conselho da Europa.
Criação da CECA por Jean Monnet, evitando assim que a indústria de guerra fosse
nacionalizada e assim evitando novas guerras. O carvão e o aço eram as matérias
primas fundamentais da guerra. Robert Schuman apresenta a Declaração de
Schuman em 1950 em Paris.
A CECA, criada pelo Tratado de Paris entra em vigor em 1951/1952, organização
de base económica, mas que permitia politicamente a reintegração da RFA no
conjunto de países da Europa Ocidental. 6 Estados Membros (BeneLux + França +
RFA + Itália), o primeiro presidente é precisamente Jean Monet. É a 1ª vez que há
uma organização supranacional.
Em 1950/1952: é proposta a CED (Comunidade Europeia de Defesa) mas em 1954 o
Parlamento Europeu recusa a criação de um exército europeu, isto porque Joseph
Stalin tinha morrido então a guerra fria não apresentava uma grande ameaça em
1954 e surgem ideias intergovernamentalistas (contra a integração europeia).
Em 1954 cria-se a UEO (União da Europa Ocidental), organização de cooperação na
área da defesa (extinta em 2011), conseguindo a integração da RFA (que adere em
1955 à OTAN).
Em 1957/1958 é criada a CEE e a EURATOM - área económica – pelo Tratado de
Roma. Por proposta do Benelux, França e Alemanha. Vantajosa para a RFA no
sentido de integração -eixo alemão e vantajosa para a França no sentido económico
(dividendos, comércio, fundos). A CEE é o 1º grande passo no projeto de
integração económica na Europa.
Em 1962 introduz-se a PAC (Política Agrícola Comum).
Em 1965 – crise da cadeira vazia, não se aceita que no Conselho seja decisiva a
maioria qualificada. Isto termina com o Compromisso do Luxemburgo quando os
Estados decidem que ao serem invocadas “razões de interesse nacional” as
decisões deixam de ser tomadas por maioria e passam a ser tomadas por
unanimidade.
Em 1968 concretiza-se a União Aduaneira e em 1969 na Cimeira da Haia, os EM
decidem que a CEE deve ser alargada e aprofundada (novos Estados)
A evolução do projeto europeu: a dimensão do alargamento

1973 Dinamarca, Irlanda e Reino Unido

1981 Grécia

1986 Portugal, Espanha

1995 Áustria, Finlândia e Suécia

2004 Malta, Chipre, Eslovénia, Estónia, Lituânia, Letónia, República Checa, Eslováquia, Hungria,
Polónia

2007 Roménia, Bulgária

2013 Croácia
Em 1986 há uma grande revisão dos Tratados de Roma: Ato Único Europeu:
1. Adoção da maioria qualificativa;
2. Define 1992 como a data limite da concretização do mercado interno (3ªfase)
3. Institucionalização da Cooperação Política europeia

Em 1992/1993, o Tratado de Maastricht cria a União Europeia, extingue-se assim a


CEE. A UE ficou conhecida como a estrutura dos “pilares”.
O que é? Uma Organização Internacional composta por 3 domínios, um de
integração e 2 de cooperação.
1º Pilar – Integração Europeia (Comunidade Europeia), com uma estrutura jurídica
supranacional sendo o objetivo integrar. Só a CE tinha personalidade jurídica
internacional (constituir tratados por ex.).
2º Pilar – Política Externa e de Segurança Comum, com uma estrutura jurídica
intergovernamental (decisões tomadas por unanimidade)
3º Pilar – Cooperação Policial Judiciária em Matéria Penal, com uma estrutura
jurídica intergovernamental

Em 1997/1999, temos uma nova revisão – o Tratado de Amesterdão, com alterações


ao nível do 2ºPilar, introduzindo o alto representante para a PESC (cargo ocupado
por um espanhol- Javier), e ao nível do 3ºPilar com a criação de espaço de
liberdade, segurança e justiça que corresponde à adoção do acervo de Shengen
(falado em 1985).

Em 2001/2003, outra revisão com o Tratado de Nice, pensado com vista numa
reforma ao alargamento de 2004. Em 2002 tinha começado a circulação do euro.

Inicia-se a Convenção sobre o futuro da Europa para a revisão dos Tratados já que
os Estados queriam aprofundar o processo de integração europeia e desejavam
criar uma Constituição para a Europa (constitucionalizar o processo de integração
europeia). Isto acabaria por esclarecer o primado da Europa relativamente às
Constituições dos Estados. Ainda há a análise e proposta de artigos pelos Estados e
sociedade civil.

Em 2004 assina-se o Tratado, mas em 2005 a França e a Holanda reprovam em


referendo. A Europa entra numa crise constitucional.

Em 2009, entra o Tratado de Lisboa, que não modifica muito as disposições do


Tratado Constitucional, apenas remove as expressões que assustavam os cidadãos
(Constituição, Ministro dos negócios estrangeiros…), é, portanto, um exercício de
semântica.

Principais Reformas do Tratado de Lisboa

1. Desaparece o 1º Pilar – Comunidade Europeia, a UE absorve assim este pilar


2. Extinção formal do “sistema de pilares”, na prática continua pela existência
de 2 Tratados (TFUE e TUE). Mecanismo para manter o espírito de sistema
de pilares – UE híbrida
3. O Tratado de Roma/da CE é substituído pelo TFUE
4. É atribuída à UE personalidade jurídica (assinar Tratados, fazer a guerra,
representação internacional e reclamação internacional)
5. Enunciação do princípio da democracia representativa como estruturador
da UE e do funcionamento das suas instituições (transparência,
responsabilização, participação dos cidadãos)
6. Mecanismos de capacitação dos cidadãos europeus no quadro do processo
de decisão europeu
7. Enunciação dos tipos de competências – método do catálogo, prevalecentes
no quadro da UE e a sua repartição pelos domínios de atividade europeu
8. Introdução de mecanismos de controlo de aplicação dos princípios da
subsidiariedade e da proporcionalidade e reforço do papel dos parlamentos
nacionais no funcionamento da União
9. Consagração da Carta dos Direitos fundamentais – tanto valor jurídico como
os Tratados
10. Consagração da maioria qualificada como regia da deliberação geral no
seio do Conselho e reconfiguração das suas presidências rotativas
11. Consagração Institucional do Conselho Europeu – introdução da figura do
presidente europeu e da figura do Alto Representante da união para os
Negócios Estrangeiros e Política de Segurança (simultaneamente Presidente
da Comissão Europeia)

Os Princípios Constitucionais da UE

A UE não tem um Tratado Constitucional – porém o Tratado de Lisboa consagra um


conjunto de fórmulas muito importantes no direito originário e introduz no direito
dos Tratados da UE o mesmo processo de reforma do articulado exceto a
linguagem constitucional.
Princípio Democrático: dupla função ao nível da economia política da UE, enquanto
organização internacional intergovernamental supranacional. É tão importante que
desempenha um papel na própria essência da UE (essência ontológica), sendo um
dos princípios fundamentais que um Estado deve ter para a adesão à UE.
A democracia e o Estado de Direito são parte da essência da UE – economia,
funcionamento da própria UE nomeadamente no que toca às suas disposições e ao
funcionamento das suas instituições e no relacionamento destas com os cidadãos.
O que é a democracia? Em 1ºlugar tem uma dimensão eleitoral – atos eleitorais
com regulação, regularidade, competitividade, justiça, transparência e fiscalizável.
Em 2º lugar tem uma dimensão civil – respeito pelos direitos dos civis dos cidadãos
(livre associação, religião, liberdade de imprensa...) Há nas democracias liberais
um conjunto de direitos que o Estado deve respeitar e garantir o gozo desses
direitos.
O que é o Estado de Direito? Estado no qual os 3 poderes – legislativo, executivo e
judicial – são distintos e autónomos para que o Estado e os cidadãos possam ser
alvos de processos oficiosos, isto é, há possibilidade de culpabilização do Estado,
sendo feita a aferição da legalidade dos atos.
Nenhum Estado tem uma democracia perfeita, a dimensão civil não é
concretizada a 100%. Ex: a liberdade de imprensa. Há instituições para avaliar a
regularidade e qualidade da democracia dos Estados (democracias eleitorais ou
liberais).
O Tratado de Lisboa consagra este princípio como um dos princípios ontológicos.
Critérios de Copenhaga – critérios de adesão à UE:

• Respeito pelas 2 dimensões (civil e eleitoral), isto é, assumir-se como um


Estado democrático por inteiro – princípio democrático
• Economia de mercado
• Absorver o acervo da UE, isto é, articular o direito originário (Tratados) e o
direito privado (regulamentos, diretivas e decisões e atos legislativos,
aprovados com base nos Tratados)
O princípio democrático é o artigo 2º do TUE e foi um dos artigos mais difíceis de
negociar por questões religiosas, colocando-se em causa se estas deviam estar ou
não presentes. Ficou então um artigo neutro do ponto de vista religioso, pela
essência laica da união, com vários Estados sem a matriz religiosa judaico-cristã.
O princípio democrático terá impacto no funcionamento democrático da UE – artigo
10º TUE. A União fez questão de introduzir um conjunto de alterações no Tratado de
Lisboa para superar o défice democrático. – artigos 10º a 12º do TUE.
Os partidos políticos formam uma espécie de consciência política – devem
reproduzir e representar os interesses políticos dos cidadãos (todos devem
participar no processo de decisão)
Nota: A Comissão é nomeada e detém a iniciativa legislativa e responde
diretamente perante o Parlamento, para garantir o processo democrático.
Art. 11º: 1 milhão de cidadãos provenientes de 7 Estados Membros formam um
comité com pelo menos 7 indivíduos que devem designar 2 representantes (para
falarem pela Comissão) que respeitando os princípios e direitos podem solicitar
uma proposta numa área específica.
Também foram dados mais poderes aos Parlamentos Nacionais (artigo 12º), com a
devolução de competências aos Parlamentos Nacionais, que as tinham perdido com
a existência de áreas exclusivas e partilhadas. Este artigo permite aos PN fiscalizar
a aplicação do princípio da subsidiariedade e proporcionalidade, isto é, fiscalizar a
repartição de competências.
Princípio dos direitos humanos: tem várias fontes:
- a própria jurisprudência do Tribunal de Justiça da UE (este emite pareceres e
acórdãos com finalidade de proteger as liberdades civis e direitos dos
trabalhadores);
- as tradições constitucionais e o património jurídico;
- fonte autónoma e fundamental: Carta dos Direitos Fundamentais da UE (parte do
Tratado de Lisboa) e aqui o artigo 6º do TUE, que tem o mesmo valor jurídico que
os Tratados e é possível ser aplicada em processos contenciosos pelo Tribunal de
Justiça da UE (órgão judicial do direito)

Limitações da Carta dos Direitos Fundamentais da UE:


A Carta não é fonte de competências da UE (artigos 51º e 52º da própria Carta), a
Carta só é vinculativa em caso de aplicação do Direito da UE, os princípios desta
Carta só podem ser invocados quando estiverem traduzidos em atos legislativos.
Há Estados (Reino Unido, Polónia e República Checa) que alteraram protocolos
para não ser possível invocar a CDFUE nas suas jurisdições nacionais (Ex: questões
laborais).
Apesar das limitações é a fonte principal.

Princípio da não discriminação em função da nacionalidade (artigo 18º TFUE)


Lido em articulação com o artigo 20º que implementa a cidadania da UE, cidadania
complementar à dos Estados. Há direitos presentes no artigo 20º que não são
absolutos (por exemplo a circulação, que pode ser suspensa por motivos de ordem,
saúde ou segurança pública ou permanência sendo limitado a 3 meses com prova
de subsistência). Articular também com o artigo 67º fundamental na compreensão
do espaço de liberdade, segurança e justiça.
Relacionado com o princípio da igualdade, presente no artigo 4º do TUE. A
União respeita a identidade dos Estados e a sua autonomia regional e local, mas
também respeita a necessidade de cada Estado garantir a sua integridade e
segurança.
Nota: liberdade de circulação de trabalhadores e de prestação de serviços há 2
limitações – artigo 45º TFUE – a livre circulação de trabalhadores não se aplica à
área da AP – artigo 51º TFUE – sobre a prestação de serviço de autoridade pública.
Protegendo a integridade moral e territorial, mas também as funções essenciais do
Estado.

Princípio da legalidade (ARTIGO 1º DO TUE e TFUE)


A UE é uma comunidade de Direito, isto é, age no limite das suas competências –
artigo 2º do TUE e TFUE – ação segundo os Tratados – não há uma presunção de
competências da UE, esta funda-se na base jurídica. Princípio das competências
por atribuição ( artigo 5º TUE)
Princípio do equilíbrio institucional (ARTIGO 13º TUE)
Cada instituição tem as suas competências – artigo 13º TUE – agindo no seu limite.
Quadro institucional único, consistente e coerente
Princípio da subsidiariedade e da proporcionalidade (Artigo 5º TUE)
A UE só deve legislar quando os objetivos forem mais bem conseguidos por si, isto
se a ação nacional for insuficiente. O ato/procedimento tem de ser proporcional aos
objetivos da adequabilidade, eficiência e necessidade.

Controlo da aplicação dos princípios da subsidiariedade e da


proporcionalidade
Os Parlamentos Nacionais têm 8 semanas para dirigir às instituições europeias um
parecer fundamentado expondo as razões pelas quais um projeto de ato legislativo
não respeita o princípio da subsidiariedade (“Mecanismo de Alerta Precoce”).
Cada PN tem 2 votos, num total de 54.
✓ Cartão “amarelo”: se 1/3 dos PN (ou ¼ se for matéria ESLJ) se opuser, a
Comissão Europeia é obrigada a reanalisar a proposta. Pode manter, retirar ou
alterar. (1/3 equivale a 18 votos e ¼ a 13);
✓ Cartão “laranja”: no âmbito do processo legislativo ordinário (co-decisão), se
uma maioria simples (28 votos) dos PN se opuser, a Comissão Europeia é
obrigada a rever. Se mantiver a proposta inalterada, o parecer fundamentado
da Comissão e os pareceres dos PN são remetidos ao legislador (Conselho e
PE) para consideração. Se o Conselho, por maioria de 55%, ou o PE, por
maioria simples, considerarem que a proposta não respeita a
subsidiariedade, esta será retirada;
✓ Cartão “vermelho”: o Tribunal de Justiça da UE é competente para se
pronunciar sobre recursos com fundamento em violação do princípio da
subsidiariedade interpostos por um Estado-Membro ou por ele transmitidos
em nome do seu PN.

O conceito de Europeização
A 1ª distinção é a de europeização vs. integração europeia. A Europeização é um
produto da integração europeia, isto é, os Estados criaram a UE dando-lhe um
conjunto de competências com um quadro constitucional único, com competências
para legislar e aprovar atos legislativos e deram-lhe competências para formar o
direito privado.
“[A] europeização consiste em processos de a) construção, b) difusão, e c)
institucionalização de regras formais e informais, procedimentos,
paradigmas políticos, estilos e crenças e normas partilhadas que são, em
primeiro lugar, definidos e consolidados no seio da União Europeia e,
subsequentemente, incorporados na lógica do discurso, das estruturas e das
políticas públicas internas (níveis nacional e sub-nacional)” (Bulmer,
Radaelli)
Em sentido lato/amplo: criação de um sistema político autónomo a nível europeu
(consequências para a Europa e para o mundo).
5 dimensões do conceito extenso de europeização, segundo Johan Olsen:
1. Geopolítica
2. Externa
3. Institucional
4. Governamental
5. Política
A UE politicamente é fraca, paradoxalmente apesar da UE ter cada vez mais
competências, políticas e instituições, continua fraca politicamente.

Em sentido restrito: processo de transferência de políticas públicas, a forma como


a UE decide sobre as políticas e como transfere esses quadros regulatórios para os
Estados Membros.
Como? A UE tem um sistema institucional, que funciona como um mecanismo de
resolução de conflitos entre os Estados que vão à UE para cooperar e
consciencializar sobre as políticas. As instituições são árbitros entre os Estados.
Importantes:

• A Comissão Europeia porque o processo de codecisão tem de ter o acordo


dos Estados (ponte entre os Estados e entre os Estados e o Parlamento –
aproximação);
• O Conselho Europeu na responsabilidade de conseguir o consenso e nem
sempre consegue
A UE legisla porque tem um quadro institucional que faz convergir atores privados
e atores nacionais, intergovernamentais e internacionais, com a capacidade de
alterar a lógica dos Estados membros. No processo entra a CE e o PE
(supranacionais), entra o Conselho de Ministros (intergovernamental), e ainda
grupos de pressão (privados, bem como os Parlamentos Nacionais (domésticos).
Nota: para além dos Tribunais Nacionais há um nível adicional superior que
garante os direitos – o Parlamento – nível adicional de representação de interesses.
Quando há transferência de políticas, fundem-se valores e paradigmas que alteram
o sistema político nacional, a política interna, a relação entre o Parlamento e os
governos.
Ex: austeridade em nome da UE
3 níveis afetados pela dinâmica da europeização:
✓ Sistema Político
✓ Política interna
✓ Políticas públicas
Esta transferência de políticas tem como objetivo principal operar a harmonização
dos quadros regulatórios das políticas públicas. A política pública deve servir para
27 Estados, isto é, a transferência vertical compulsória, obrigatória. São
competências exclusivas ou partilhadas.
Quando o objetivo é convergir modelos, aproximar legislações, dá-se uma
transferência horizontal (competências complementares).
No 1º caso: download de políticas públicas da UE para os EM (de forma coerciva e
uniforme), mas os Estados não são passivos e influenciam o modelo de política
pública adotado na UE – upload.
Ex. A PEM é influenciada pela Alemanha (austeridade). As políticas ambientais pela
Suécia, Dinamarca, etc.
Há 2 tipos de transferência vertical:
✓ Integração positiva: a UE consensualiza sobre um modelo regulatório de
políticas públicas que tem de ser aplicado em todos os EM. No campo da
proteção dos consumidores ou do ambiente, por exemplo. Isto acontece na
área das novas políticas regulatórias (que tentam combater as
externalidades negativas da liberalização dos mercados) – Forma Coerciva
✓ Integração negativa: quando o Tratado da UE, ou o TFUE proíbe aos Estados,
determinados comportamentos. Ex: comportamentos que restringem a livre
circulação de mercadorias entre os EM (artigo 30º TFUE)
O método utilizado na transferência horizontal é o método aberto de coordenação
de políticas (não é vinculativo). Os Estados acordam em apenas aproximar as
legislações e adotam mecanismos soft law. Instrumentos não coercivos.
Há 3 fases:
➢ Os Estados identificam objetivos, instrumentos de aferição comuns
estabelecendo um calendário de ação – princípios comuns de convergência
(até 10 anos)
➢ Acordam a partilha de boas práticas – benchmarking
➢ Os Estados vão-se monitorizando entre si para alcançar metas mas sem
coação ou obrigação jurídica – peer pressure
Por exemplo: Ensino superior – Bolonha
Nota: Regulamentos e diretivas são hard law – coercividade
Há 2 perspetivas/abordagens no estudo da Europeização:
• Top-Down (cima para baixo) → Foco sobre o processo legislativo na União
Europeia e sobre a transposição e implementação dos atos legislativos para os
Estados-membros (três momentos - processo legislativo, transposição e
implementação). Da união para os Estados, o que interessa para o investigador é o
processo de download - como é que a União obriga os Estados a transporem e a
implementarem os atos decididos no seu seio. Analisa-se a forma como os Estados
recebem o direito da União Europeia, recebem as políticas e os modelos
regulatórios de políticas públicas da União Europeia. Por outras palavras, fazem o
download dos modelos regulatórios e dos atos legislativos produzidos pela União
Europeia.
• Bottom-Up (baixo para cima) → Estudo de como os Estados podem
influenciar fortemente as políticas adotadas ao nível da União Europeia, fazendo
aquilo que se chama de upload (baixo para cima). É quando um Estado-membro
tem a capacidade de persuadir a Comissão, o Parlamento, de que o seu modelo
regulatório de política pública é o mais adequado. Os Estados que fazem o upload
têm maiores ou menores custos de implementação política? Menores porque o que
implementam é um quadro regulatório semelhante ao seu, é uma forma de diminuir
os custos.

Método de
Mecanismo de Tipo de Fatores de
transferência Exemplo
Europeização Integração mudança
de políticas

Pressão Política ambiental


Transferência vertical de Integração Coerção e
adaptacional Política Proteção dos
políticas Positiva mimetismo
direta Consumidores

Competição
regulatória e
Modificação
redistribuição Mercado interno
Transferência vertical de Integração das estruturas
de poder e
políticas Negativa domésticas de Telecomunicações
recursos entre
oportunidade
atores
domésticos

Políticas-
Convergência
quadro (MAC)
normativa,
Transferência horizontal Integração- Alteração das Política de emprego
difusão de
de políticas base estruturas
normas e Inclusão social
cognitivas dos
aprendizagem
atores
social
domésticos

Vetor da Ramificação
Taxionomia do Processo de Europeização – há 3 áreas que sofrem mudanças e
implicações:
1. Estruturas domésticas internas (estruturas políticas):
Soberania e alinhamento internacional: a UE alimenta-se das competências que
lhe são dadas pelos Estados, isto é, delegação de competências soberanas. Os
Estados ao transferirem competências perdem capacidade legislativa, perdem a
capacidade de decidir autonomamente sobre as políticas públicas. Estão ainda
sujeitos à atuação coerciva do Tribunal de Justiça da União Europeia
Sistema/Estrutura institucional interna: os Estados perdem poder legislativo e
por isso os Parlamentos/ Assembleias/Cortes. Há reforço dos órgãos executivos em
relação aos Parlamentos ( +Governo -Parlamento), mesmo com a compensação: o
Tratado de Lisboa modifica isto: mais poder para os Parlamentos Nacionais
(fiscalizar a aplicação dos 2 princípios) para estes poderem gerir a transferência
das competências legislativas
Administração Pública: emerge gradualmente o “espaço europeu de AP” com
harmonização dos direitos administrativos e adoção de fatores como a meritocracia
(recrutamento, avaliação, etc.). É a AP que tem a responsabilidade de aplicação das
leis dentro dos Estados, fazendo a transferência vertical de políticas públicas na
prática. É a AP que tem a responsabilidade de criar as condições para a
europeização. Neste quadro surgem novas experiências: benchmarking e a
preocupação de aplicar o direito administrativo a nível europeu
Estruturas jurídicas: nível adicional de representação de interesses e direitos dos
cidadãos. Caso um juiz nacional, ao aplicar um regulamento/diretiva (ato
legislativo), tenha dúvidas pode recorrer ao Tribunal de Justiça da UE que se
pronuncia sobre uma norma do Direito da União. O Tribunal de Justiça da UE
estabelece em última instância, o sentido da norma. Subordinação Jurídica sobre/
na relação entre nível interno (nacional) e nível externo (europeu). Pode
estabelecer-se ainda processos por incumprimento
Estruturas de representação: Os Estados tiveram que desenvolver estruturas
burocráticas para a cooperação europeia, nomeadamente Direções Gerais de
Assuntos Europeus (dentro das estruturas dos ministérios – mais visível no
Ministério dos Negócios Estrangeiros), ao nível transversal na AP. Destas unidades
burocráticas vão sair representantes denominadas REPER – representações
permanentes. No âmbito COREPER: Comité dos Representantes Permanentes, isto
é, a estrutura que une os representantes diplomáticos dos Estados e funciona
permanentemente em Bruxelas.

2. Políticas Públicas:
Políticas internas: abrangidas pelo TFUE. Havendo transferência vertical há
intervenção da CE e do TJUE na garantia pelo respeito do direito europeu -
integrativa
Política externas: a europeização é menor já que a PESC (TUE) não é coerciva, não
tem atos legislativos – cooperativa

3. Estruturas Cognitivas
A UE torna-se o bode expiatório daquilo que corre mal dentro dos Estados. As
normas dos Estados mudam. A legitimidade dos decisores políticos também se
altera, uma vez que, a europeização implica esforços dos Estados. Há pacotes
legislativos dífeis de transpor aplicar ao nível doméstico, criando conflito, a não ser
que o decisor político consiga “dar a volta” a Bruxelas. O Governo através do
discurso tem de se posicionar. Ao nível da identidade: pode ser condicionada e
pressionada. As instituições europeias tentam a legitimidade fundacional, criando
uma identidade europeia, para ser mais fácil impor determinado comportamento.
Paradigmas Políticos: a perceção do papel do Estado

Vetor da convergência
Na medição da Europeização há 4 cenários possíveis:
1. Transformação
2. Absorção
3. Inércia
4. “Retrenchement”

Transformação: quando há uma grande divergência entre a política europeia e o


modelo doméstico – misfit. O Estado terá que abandonar a sua política e adotar a
política praticada a nível europeu. Grau + elevado de europeização. O Estado
substitui o seu modelo regulatório. EX. países mediterrâneos e as políticas
ambientais
Absorção ou adaptação: grau menos forte de europeização. Ex. nórdicos e políticas
ambientais. A política europeia sendo próxima do que é praticado a nível
doméstico implica apenas uma adaptação – good-fit
Inércia: o próprio governo recusa-se a aplicar a diretiva comunitária, por vezes
fundamentadas pelos custos que poderão daí advir (liberalização de determinado
setor, por exemplo). Os responsáveis vão adiando para os “que vêm a seguir”
podendo ser condenados ao pagamento de coimas (às vezes os Estados preferem
fazê-lo)
Retrenchement: o Estado não consegue transpor a legislação e ainda consegue o
efeito inverso. Conceito perverso da europeização (ex. Itália e transportes
rodoviários). O objetivo não é concluído e ainda tem efeito contrário.

2 tipos de misfit e de good-fit:


A europeização ocorre não só ao nível das políticas, mas também ao nível das
instituições. Pode haver convergência ou divergência.
2 explicações para a existência da europeização: hipóteses estruturais da
convergência
- Socialização (pessoas adaptam-se e há uma aprendizagem social)
- Redistribuição de interesses (interesse dos decisores políticos e é a redistribuição
de recursos que permite a europeização)

Há um paradoxo no processo de europeização:


Policy Takers – Estados limitam-se a receber e a atuar conforme o quadro
regulatório europeu
Policy Shapers – Estados que conseguem fazer o upload tendo um processo de
europeização mais fácil e menores custos de transposição de políticas. Ex: Polónia,
Reino Unido, França ( + votos no Conselho)
Quando os custos da europeização são + acentuados nos países + débeis, gera a
longo prazo, efeitos políticos negativos no que é uma visão comunitária.

Fatores de Medição do Impacto da Europeização


(de download e upload)
A confiança na AP nos países mediterrâneos é muito baixa, isto é negativo para o
processo de europeização.
Fatores Políticos: recursos políticos ao nível do número de votos a que o Estado
pode estar condicionado. A cultura política deriva dos sistemas eleitorais dos EM,
que podem ser majoritários (2 partidos políticos que se reversam no poder) - a
Europeização encontra aqui menos resistência, ou proporcionais ( caso de
Espanha) – aqui falamos de unidades de veto. Quanto maior for a legitimidade do
Governo, maior a capacidade de transpor políticas europeias. Ao redistribuir
recursos pelos agentes económicos, mais preparado o país está. Os mecanismos de
representação têm também importância aqui, a forma como os Estados comunicam
com a sua representação em Bruxelas.
“Norm entrepreneurs” – partidos e personalidades públicas que são a favor da UE.
Fatores Administrativos: recursos administrativos, como a qualificação dos
quadros e a confiança/perceção dos cidadãos e o caráter organizacional das
instituições

O Processo Legislativo da União Europeia

O conceito de política pública


Um conjunto de ambições e objetivos combinados com instrumentos para alcançar
esses objetivos.
O processo político europeu é composto por um conjunto de instrumentos
fundamentais:
1. Inputs: o ator legislativo ou executivo é estimulado a legislar numa
determinada área em que tenham competência legislativa
2. Processo decisional: inputs trabalhados pelos executivos ou pelos sistemas
legislativos de onde sai um output
3. Output: lei, projeto de lei, proposta de lei, que quando são aprovados
tornam-se em normas compulsórias e têm resultados ao nível da sociedade.
Os resultados veem-se a nível nacional e subnacional. A nível dos estados-
membros. Os outputs (diretivas, decisões e regulamentos) tem de ser
implementados a todos os níveis de um Estado.
Satisfação de objetivos: avaliação de resultados.
Eficiência: há articulação entre meios e outputs (alocação de recursos)
Efetividade: há articulação entre meios e resultados (transformação da sociedade)
Legitimidade: o legislador deve ser legítimo. Só vão transpor os atos jurídicos da
união europeia se considerarem que o legislador europeu é legítimo. Nem sempre
os cidadãos reconhecem legitimidade à união europeia.

Modelo do ciclo político


✓ Agenda-setting
✓ Formulação de Políticas
✓ Implementação de Políticas: os quadros regulatórios devem ser
uniformemente transpostos e implementados nos 27 estados-membros da
união europeia.~
✓ Feedback de Políticas: se os quadros estão ou não a ser implementados e
transpostos.
✓ Avaliação

Processo de decisão na UE e seus Estados Membros


Preparação:
Quem prepara os atos legislativos é a Comissão Europeia pois promove o interesse
geral da União e toma as iniciativas necessárias para esse efeito. (artigo 17º, nº1 o
TUE)
Os atos legislativos da União só podem ser adotados sob proposta da Comissão-
direito de iniciativa legislativa (artigo 17º, nº2 do TUE)
(Artigo 14º da TUE) o Parlamento Europeu exerce juntamente com o Conselho a
função legislativa.
Processo de decisão:
Quem é predominante no processo de decisão é o Conselho e o Parlamento
Europeu. (artigo 16º da TUE) O Conselho exerce juntamente com o Parlamento
Europeu a função legislativa. O processo decisional pertence a estes dois órgãos.
Transposição e Implementação:
A nível nacional ocorre a transposição e implementação. A nível de cada estado-
membro, o que significa que é a nível dos estados.
4. Os Níveis intergovernamental Transposição e
Processo de
e supranacional de decisão Preparação
decisão Implementação
política na UE

Conselho Europeu
(artigo 15º TUE)
3. Conselho de
2. Comissão Ministros 5. Comissão Europeia
Europeia
(REPER/COREPER) Tribunal de Justiça da União
(artigo 17º Europeia (artigo 19ºTUE)
Parlamento
TUE)
Europeu Interpretação uniforme do
Colégio de direito europeu: garantia da
(Comités
Comissários uniformidade da aplicação do
Parlamentares)
Nível Europeu direito europeu
Livros
Comités de
verdes Interpretação da legislação:
Conciliação
(reflexão) e Reenvio prejudicial (artigo
brancos Processo 267º TFUE);
(propostas) Ordinário de
Aplicação da legislação:
Decisão (co-
Grupos de Ação por incumprimento
decisão)
Especialistas (artigo 258º-261º TFUE);
(artigos 289º, 294º
TFUE)
3

1. Governos, 6. Transposição e
Ministérios, Implementação
Grupos Regulamentos
de 4. Parlamentos
Nível Nacional Diretivas
Interesses; Nacionais
Grupos de Decisões
Pressão; Governo central, regional e
ONG local (artigo 291º TFUE)

Processo legislativo ordinário (artigo 289º e 294º TFUE)


Artigo 288º do TFUE- são regulamentos, segundo o tratado, os atos legislativos que
têm caracter geral e são obrigatórios e diretamente aplicáveis em todos os estados-
membros. Ato legislativo mais forte.
Diretivas: vinculam os Estados apenas quanto ao resultado a alcançar, os EM têm
liberdade quanto aos meios e forma.
Decisões: obrigatória, nomeadamente quando designa destinatários particulares.
Os principais atos legislativos são os regulamentos e diretivas.
Processo legislativo ordinário (artigo 293º do TFUE)

1. Sempre que os Tratados remetam para o processo legislativo ordinário para a


adoção de um ato, aplicar-se-á o processo a seguir enunciado.
2. A Comissão apresenta uma proposta ao Parlamento Europeu e ao Conselho.

Primeira leitura

3. O Parlamento Europeu estabelece a sua posição em primeira leitura e transmite-


a ao Conselho.
4. Se o Conselho aprovar a posição do Parlamento Europeu, o ato em questão é
adotado com a formulação correspondente à posição do Parlamento Europeu.
5. Se o Conselho não aprovar a posição do Parlamento Europeu, adota a sua
posição em primeira leitura e transmite-a ao Parlamento Europeu.
6. O Conselho informa plenamente o Parlamento Europeu das razões que o
conduziram a adotar a sua posição em primeira leitura. A Comissão informa
plenamente o Parlamento Europeu da sua posição.

Segunda leitura

7. Se, no prazo de três meses após essa transmissão, o Parlamento Europeu:


a) Aprovar a posição do Conselho em primeira leitura ou não se tiver pronunciado,
considera-se que o ato em questão foi adotado com a
formulação correspondente à posição do Conselho;
b) Rejeitar a posição do Conselho em primeira leitura, por maioria dos membros
que o compõem, considera-se que o ato proposto não foi adotado;
c) Propuser emendas à posição do Conselho em primeira leitura, por maioria dos
membros que o compõem, o texto assim alterado é transmitido ao Conselho e à
Comissão, que emite parecer sobre essas emendas.
8. Se, no prazo de três meses após a receção das emendas do Parlamento Europeu,
o Conselho, deliberando por maioria qualificada:
a) Aprovar todas essas emendas, considera-se que o ato em questão foi adotado;
b) Não aprovar todas as emendas, o Presidente do Conselho, de acordo com o
Presidente do Parlamento Europeu, convoca o Comité de Conciliação no prazo de
seis semanas.
9. O Conselho delibera por unanimidade sobre as emendas em relação às quais a
Comissão tenha dado parecer negativo.

Conciliação

10. O Comité de Conciliação, que reúne os membros do Conselho ou os seus


representantes e igual número de membros representando o Parlamento Europeu,
tem por missão chegar a acordo sobre um projeto comum, por maioria qualificada
dos membros do Conselho ou dos seus representantes e por maioria dos membros
que representam o Parlamento Europeu, no prazo de seis semanas a contar da sua
convocação, com base nas posições do Parlamento Europeu e do Conselho em
segunda leitura.
11. A Comissão participa nos trabalhos do Comité de Conciliação e toma todas as
iniciativas necessárias para promover uma aproximação das posições do
Parlamento Europeu e do Conselho.
12. Se, no prazo de seis semanas após ter sido convocado, o Comité de Conciliação
não aprovar um projeto comum, considera-se que o ato proposto não foi adotado.
Terceira leitura
13. Se, no mesmo prazo, o Comité de Conciliação aprovar um projeto comum, o
Parlamento Europeu e o Conselho disporão cada um de um prazo de seis semanas a
contar dessa aprovação para adotar o ato em causa de acordo com o projeto
comum. O Parlamento Europeu delibera por maioria dos votos expressos e o
Conselho por maioria qualificada. Caso contrário considera-se que o ato proposto
não foi adotado.
14. Os prazos de três meses e de seis semanas a que se refere o presente artigo são
prorrogados, respetivamente, por um mês e por duas semanas, no máximo, por
iniciativa do Parlamento Europeu ou do Conselho.
Disposições específicas
15. Sempre que, nos casos previstos nos Tratados, um ato legislativo seja submetido
ao processo legislativo ordinário por iniciativa de um grupo de Estados-Membros,
por recomendação do Banco Central Europeu ou a pedido do Tribunal de Justiça,
não são aplicáveis o nº 2, o segundo período do nº 6 e o nº 9. Nesses casos, o
Parlamento Europeu e o Conselho transmitem à Comissão o projeto de ato, bem
como as respetivas posições em primeira e em segunda leituras. O Parlamento
Europeu ou o Conselho podem, em qualquer fase do processo, solicitar o parecer
da Comissão, podendo esta igualmente emitir parecer por iniciativa própria. Pode
ainda, se o considerar necessário, participar no Comité de Conciliação, nos termos
do nº 11

Transposição das medidas legislativas


A diretiva tem necessidade de transposição, ao contrário do Regulamento.
✓ Quem redige o ato legislativo não é quem implementa, logo está aberto a
diversas burocracias de implementação (conceitos ambíguos).
✓ Texto da diretiva (e do regulamento) pode conter ambiguidades que
necessitam de interpretação;
✓ Concessão de margem de decisão aos decisores nacionais.
✓ A transposição concretizada através de diferentes atos nacionais.
✓ Há uma diversidade de técnicas de transposição: transposição direta
(copying out), adaptação (rewording) ou complementariedade (gol plating).

6. Problemáticas de transposição e Implementação

6.1. Limitações governamentais e ao nível das


administrações públicas (capacidade, definição ambígua de “Managerial approach” e
normas e prazos inadequados); eficiência burocrática

6.2. “Misfit”: custos de transposição e


“upload/download”;
Acontece quando a legislação da UE é completamente “Policy-fit theory”
oposta à legislação nacional. Os estados preferem pagar
os custos de transposição a implementar a medida.
6.3. “Policy drift”: diferenças entre a transposição e a Papel dos atores sub-
implementação ; nacionais

6.4. Diferenças ao nível das preferências entre o nível Consequências da


doméstico e o nível europeu; governação multi-nível

6.5. Natureza dos sistemas políticos: sistemas majoritários


ou proporcionais; “Veto player theory”
6.6. Assimetrias ao nível da capacidade político-económica Disparidade de critérios das
dos estados; instituições supranacionais:
(“enforcement approach”);

6.7. Apoio ao processo da integração europeia.


Legitimidade

Política Externa Europeia

Política Externa Europeia vs. Política Externa da UE


A 1ª é a articulação entre a política externa dos EM’s e a política externa
desenvolvida em nome da UE. Há Estados com realidades geopolíticas e
geoestratégicas muito diferentes pela sua própria localização, daqui resultam
agendas de política externa muito diferentes – há Estados Ocidentais vs Orientais;
Atlânticos; Mediterrâneos; Estados que apenas têm um laço com a UE; da região do
bâltico…
Política Externa da UE: conjunto de políticas levadas a cabo pelas instituições da
UE, ao abrigo do TUE e do TFUE.
No campo da política externa da UE há 2 realidades:
- Ao nível do TUE temos a PESC e a PCSD que são decididas por via
intergovernamental – cooperação.
- Ao nível do TFUE temos um grande conjunto de políticas que formam as relações
externas da UE – Política Comercial Comum. Cooperação para o desenvolvimento,
ajuda humanitária, assistência técnica e financeira – através da Comissão Europeia.
Coerência vertical – coerência entre as políticas externas dos Estados e as
políticas externas da própria UE (artigo 24º, nº3 do TUE)
Coerência horizontal – coerência entre os vários domínios da política externa da
UE, ou seja, entre a PESC e a PCSD e as políticas de relações externas da UE.
Situações em que tem de existir coerência entre o TUE o TFUE (Artigo 21º, TUE)

Dimensões do processo de europeização das políticas externas dos EM’s


1. Práticas discursivas
Indicadores: Visibilidade crescente da agenda política europeia;
Vinculação dos estados-membros aos princípios da solidariedade e
lealdade recíprocas no âmbito da política externa europeia.
Efeitos: efeito de agenda e efeito de calendarização

2. Práticas institucionais
Indicadores: Multiplicação das estruturas institucionais criadas no seio da
União Europeia com responsabilidades no âmbito da política externa,
designadamente, o Serviço Europeu para a Ação Externa; Afirmação e
capacitação da figura do ARUNEPS.
Efeitos: de socialização

3. Práticas administrativas
Indicadores: Criação de unidades orgânicas nos aparelhos de política
externa nacionais dedicados às questões da integração europeia.
Efeitos: Efeito de isomorfismo administrativo

Há um efeito de europeização que advém do chamada “efeito de agenda” – são


obrigados a reunir sobre o mesmo conjunto de questões – Agenda Política Comum-
(efeito de calendarização – mesmo dia, mesma hora e mesmo tema)
Há um efeito de socialização – desde a criação da PESC que se têm vindo a
multiplicar as estruturas institucionais que servem a PESC e PCSD (onde se debate,
ex: Conselho Europeu, Conselho de Ministros, etc) – há um “reflexo de
cooperação”, isto é, os Estados antes de pensarem numa decisão de política
externa, coordenam-se sobretudo no Conselho Europeu e no Conselho de
Ministros dos Negócios Estrangeiros e da Defesa. – Europeização das práticas
institucionais.
Serviço europeu para a Ação Externa – coordena as relações externas da UE com
países terceiros e é formado por representantes dos Estados do Conselho e da
Comissão (aproximação e reflexo de coordenação)- diminui as ações unilaterais
Há um efeito de isomorfismo administrativo – criação de unidades orgânicas nos
aparelhos de política externa nacionais dedicados às questões da integração
europeia (também os países que ainda estão em processo de adesão). Isto cria um
corpo de funcionários públicos especializados em Assuntos Europeus.
Evolução da Política Externa
1ª fase: 1954 a 1992 / 1993: Em 1954 porquê? Fez-se a CECA. 1954 é o ano em que
a assembleia nacional francesa vai chumbar a comunidade europeia de defesa,
chumba-se a ideia de um império europeu e a NATO integra a República Federal
Alemã. Este ano é aquilo que podemos chamar de período em que a Política
Externa Europeia é um tabu, algo que não se discute. Este tabu vai fazer com que a
Integração Europeia siga pela via económica.

• Começa gradualmente a pôr se em causa, em 1970, um Relatório de


Davignon no âmbito da Comunidade Económica Europeia, que chama a
atenção para necessidade de se estabelecer um sistema de cooperação
intergovernamental entre os Estados Membros no campo político e no
campo da política externa. Começava a fazer sentido aos Países Membros da
atual CEE, que a mesma tivesse já uma política comercial comum, mas que
não desenvolvesse uma entidade própria na área política externa.

• Em consequência ao Relatório de Davignon, criou se a rede COREU – uma


rede de telex entre os Ministérios dos Negócios Estrangeiros dos então
Estados Membros da CEE e, portanto, a rede COR, que faz hoje parte da pré
historia EU, permitia aos Ministérios dos Negócios Estrangeiros e aos
Estados da CEE comunicarem de uma forma regular e mais rápida.
• Em 1981, o Relatório de Londres volta a chamar a atenção para a
necessidade de a CEE precisar de estabelecer mecanismos de cooperação
e de solidariedade, abrindo as portas para que na primeira grande revisão
dos tratados de Roma; o ato único europeu que entre em vigor, em 1987, se
institucionalize a Cooperação Política. O que o Ato Único Europeu veio fazer
é trazer para dentro do Tratado de Roma e da Comunidade Económica
Europeia, a cooperação europeia que passa a ser um dos objetivos da CEE e
a mesma passa a ter como um dos objetivos a cooperação formal no campo
da política externa.
2ªfase: Há 2 questões fundamentais:
1) Questão institucional- criou se a partir do ato único, um ambiente institucional
favorável à cooperação dos estados membros da CEE e depois União Europeia no
campo da política externa. Criam um quadro institucional, que faz com que o
tratado de Maastricht adote a política externa e segurança comum.
Surge, no Tratado de Maastricht, a União Europeia com os três pilares - o pilar de
PESC, Justiça e Tratado de Roma e de Lisboa.
2) Questão histórica- há dois acontecimentos (quando acaba a guerra fria e a do
Kosovo) que vão mostrar aos europeus a necessidade de mostrarem a necessidade
de ultrapassar o tabu que existia:
A. Identidade Europeia de Segurança e Defesa –uma identidade própria no
campo da segurança e defesa que ia libertar a Europa da dependência em relação
aos EUA. Os Estados Membros começam a perceber que é preciso uma identidade
própria de segurança e defesa, mas uma identidade que tem de ser acompanhada
de políticas comuns (PESC) e instituições comuns (começaram a ser criadas com o
tratado de Maastricht e continuou no Tratado de Lisboa).
B. Intervenção do Kosovo - Quando acontece a intervenção do Kosovo, os Estados
Europeus que participaram na intervenção, apercebem-se da disparidade de
capacidade dos militares existente entre os Estados Unidos e a Europa. Nasce o
ExpectationCapabilityGap, ou seja, o conhecimento que por mais que a União
quisesse ter uma entidade europeia de segurança e defesa, e que tivesse
institucionalizado uma política externa de segurança comum através do tratado de
Maastricht, havia um fosso entre as expetativas do que podiam fazer no âmbito da
política externa e as suas reais capacidades. Queriam tentar diminuir esse fosso
entre a expectativa de ter segurança autónoma e a capacidade de ter essas
políticas de defesa e segurança autónomas.
O que se vai fazer dentro da segunda fase da política externa da união
europeia é criar instituições e capacidades para tentar limitar essas gaps de
expetativas e capacidades.
1996 - Os acordos de Berlim permitem à UEO utilizar meios e cadeias de comando
da própria NATO em situações que a NATO não quer intervir. O que vai acontecer é
que em 2003 estes acordos de Berlim vão ser transferidos para a União Europeia.
Durante a década de 90, a União Europeia vai retirando à UEO capacidades e
estratégias de intervenção e em 2011 esta fica sem nada. Em 2003 a nato firma com
a união europeia os acordos Berlim + que permitem a União Europeia utilizar os
materiais da NATO, em que a mesma não queira se ver envolvida (não querem
duplicar recursos). Foram importantes porque mostrou a importância de a união
utilizar os meios da nato quando esta não se quisesse ver envolvida em certas
operações.
1998 - Intervenção de Kosovo, em que 55 tinham entregado a sua gestão à NATO, o
que leva aos acordos St. Malo, onde os líderes franceses e britânicos acordam em
St. Malo, o aprofundamento da segurança e defesa da União Europeia. Isto vai ter
consequências, logo com a entrada em vigor do Tratado de Amesterdão - que cria a
figura de Alto Representante da União para política externa comum, e mais uma
vez, a União Europeia vai buscar à UEO as missões de Petersberg (elenco das
missões em que a UEO podia utilizar equipamento) – que passa para a União e vai
ser desenvolvido.
1999 - É estabelecido o Helsinki HeadlineGoal que se destinava a identificar um
conjunto de fragilidades das forças militares da União Europeia, nomeadamente ao
nível da logística, da interoperabilidade (logística) das forças armadas e ao nível da
mobilização. Assim, os Estados ficam responsabilizados a desenvolver esta área.
2001 - Conselho Europeu de Laeken – EuropeanCapabilitiesActionPlan
2003 - Estratégia Europeia de Segurança e acordos Berlim +
2004 - HeadlineGoal 2010 – reforço das capacidades militares atingido até 2010.
3ª fase: 2007/2009 (Tratado de Lisboa):
O Tratado vai criar a figura do alto representante da União para os Negócios
Estrangeiros e Política de segurança. Vai, também, inserir uma Cláusula de
Insistência Múltipla (42º, nº7) para tentar minimizar o Art.º. 5, ou seja, em caso de
agressão a um Estado Membro, os outros Estados Membros devem prestar auxílio
ao mesmo.
Este instituiu ainda, a possibilidade de instituir as Cooperações Estruturadas
Permanentes - os Estados com maior capacidade militar puderem desempenhar ou
liderar missões operacionais da União Europeia.
2011 - abole-se a União da Europa Ocidental;
2016 - Estratégia Global para a PESC:"Shared Vision, Common Action: A Stronger
Europe “.
Artigo 21º- são definidos os fins da política externa de segurança comum, a
importância da coerência horizontal.
Artigo 22º - define que é o Conselho Europeu quem estabelece as orientações
gerais da política externa de segurança comum. Se pensarmos em qual é o
principal autor institucional é o Conselho Europeu, quem também define as linhas
de orientação gerais das duas políticas.
Artigo 24º- quadro próprio para a política europeia, excluía adoção de atos
legislativos, e concede a PESC e a PCSD. Não há atos legislativos, políticas comuns
que possam focalizar-se numa área geográfica (por exemplo Ucrânia) ou focalizar-
se numa questão temática. Existe, apenas, orientações gerais.
Artigo 27º - define a figura do alto representante para os negócios estrangeiros e da
política externa – representa a União no seu contexto internacional. O alto
representante tem um órgão que é o serviço europeu para a uma espécie de
miniministério da união europeia, dá apoio institucional ao alto representante e
coordena a rede de representações externas da união europeia.
Artigo 31º- as decisões, de forma geral, são decididas por unanimidade, contudo há
exceções: por exemplo se um Estado Membro se decidir abster e apresentar
justificação dessa abstenção a m decisão é adotada mesmo com esse estado
membro contra (abstenção construtiva). Também há abstenção destrutiva.
Artigo 38º- Comité de política e segurança que se reúne com muita frequência em
Bruxelas ao nível dos embaixadores de cada Estado Membro e que faz sombra ao
alto representante – dá pareceres; tem o controlo político e a direção estratégia da
gestão de controlo político; definição de políticas.
No campo da PCSD:
Artigo 42º- define que a Política Comum de Segurança e Defesa faz parte da PESC e
que inclui a possibilidade da União desenvolver ações operacionais de carater civil
e militar. Afirma a possibilidade de existir uma geometria variada, ou seja, a
existência de Estados muito diferentes entre si no que toca a Estados que são
neutros (Dinamarca – tem uma clara preferência para desenvolver a sua política de
defesa na NATO, Suécia, Finlândia). Consagra o principio bottom-up. Define a
criação de uma Agência Europeia de Defesa, cujos objetivos estão no Artigo 45º.
Define ainda que as decisões são obrigatoriamente decididas por unanimidade.
Nº7 – Cláusula de Assistência Múltipla
Artigo 43º- define as missões de Peterberg, onde a União Europeia pode usar meios
operacionais.

Base jurídica: artigo 21º a 46º do TUE + artigo 47º do TUE (personalidade
jurídica)

Conselho Europeu / Presidente do Conselho Europeu


Conselho de Ministros dos Negócios Estrangeiros /Defesa
Estruturas
institucionais Alto Representante da União para os Negócios Estrangeiros
e a Política de Segurança (Josep Borrell Fontelles /2019)
Serviço europeu para a Ação Externa

Representantes Especiais
Comité Político e de Segurança
Grupo Político-Militar
Comité Militar da UE
Comité para os Aspetos Civis da Gestão de Crises
Estado Maior da UE
Direcção-Geral de Gestão de Crises e Planeamento
Capacidade Civil de Planeamento e Condução
Centro de Operações da UE
Estruturas
operacionais Agência Europeia de Defesa (2004)
Eurocorps (1995 + 1000 efetivos /Estrasburgo+ (Bélgica,
França, Alemanha, Luxemburgo, Espanha);
EUFOR (Força de Reação Rápida Terrestre + Bósnia-
Herzegovina, Antiga República Jugoslava da Macedónia,
Congo, Chade, República Centro-Africana);
EU Battlegroups (18 Batalhões de Reação Rápida + 2007 + 14
batalhões: 1500 efetivos; 4 batalhões: 2500 efetivos);
European Gendarmerie Force (2006): forças policiais
militarizadas; 900 efetivos permanentes + 2300 efetivos
disponíveis+ Portugal, Espanha, França Itália, Holanda, Polónia,
Roménia
European Maritime Force (1995): Força de Reação Rápida
marítima + 5 dias de mobilização + França, Itália, Portugal,
Espanha

Instituto de Estudos de Segurança (2001)


Estruturas
Centro de Satélites UE (2001)
epistémicas
Colégio Europeu de Segurança e Defesa (2005)

PCSD Ciberespaço
Contraterrorismo Migrações
Cultura Direitos Humanos e
Resposta a crises democracia

Prevenção de conflitos, Ajuda humanitária e


construção da paz proteção civil
Áreas de ação Recursos naturais
Mediação
política
Drogas Segurança nuclear

Alargamento Diplomacia científica

Diplomacia energética Diplomacia da água

Cooperação e Comércio
desenvolvimento Ambiente e alterações
Educação climáticas

Instrumentos de
Missões de Observação de eleições; Política de sanções
Política Externa

Política Europeia de Vizinhança; Sinergia do Mar Negro;


Políticas Regionais
Política Europeia para o Ártico
Política Europeia de Vizinhança
Regulação das relações da UE com os países do leste da Europa e com os países da
fronteira euro-mediterrânea (2003). Os países da fronteira euro-mediterrânea e os
países do leste não têm porspetiva de entrar para o alargamento.

Países da fronteira euro- Países do leste da


Países do alargamento
mediterrânea Europa

Argélia, Egipto, Israel,


Jordânia, Líbano, Líbia*, Países candidatos:
Marrocos, Síria*, Arménia, Azerbaijão,
Albânia, Macedónia do
Palestina** e Tunísia Bielorrússia, Geórgia,
Norte, Montenegro,
República da
*Países sem planos de Sérvia, Turquia
Moldávia*, e Ucrânia
acção Países potencialmente
*País sem plano de
** Território não candidatos: Bósnia-
acção
reconhecido como Herzegovina, Kosovo.
estado

Objetivos:

• Estabilização da região em termos políticos, económicos e securitários


(2015);
• Aplicação diferenciada de políticas;
• Maior responsabilização dos estados parceiros – O acordo entre a EU e o
Egito, é diferente do acordo EU-Israel. Acordos desenhados segundo a
necessidade de cada um.
• Associação política e estabilização securitária (princípio “more for more”):
difusão dos valores fundacionais da União Europeia (direitos humanos,
democracia, estado de direito, luta contra a corrupção, reforma do sector
judicial, controlo democrático das forças armadas e sociedade civil);
• Integração económica: a importância do mercado livre, competição,
ambiente, desenvolvimento económico, proteção ao consumidor, energia,
turismo e transportes);
• Mobilidade: política de vistos e migração;

Adoção de planos de ação bilaterais, Agendas de Associação, acordos de


parceria e acordos de associação;
✓ Promoção de reformas políticas e económicas: princípio de boa governação;
✓ Médio prazo (3-5 anos);
✓ Política de reciprocidade;
✓ Acordos de cooperação transfronteiriça
✓ Política bilateral complementada com iniciativas de cooperação regional e
multilateral:
Eastern Partnership: Arménia, Azerbeijão, Bielorússia, Georgia, República
da Moldávia e Ucrânia;
Sinergia do Mar Negro: Arménia, Azerbaijão, Bulgária, Geórgia, Grécia,
Roménia, República da Moldávia, Federação Russa, Turquia e Ucrânia;
Parceria euro-mediterrânea;
Algéria , Egipto, Israel, Jordânia, Líbano, Líbia, Marrocos, Turquia, Palestina,
Síria, Tunísia;
✓ Monitorização e financiamento: Serviço Europeu de Ação Externa + Comissão
Europeia + Banco Europeu de Investimento;
✓ Instrumento Financeiro da PEV: 15.4 biliões de euros / 2014-2020

Estratégias

Supressão da
diversidade
Imposição de condicionalidade;
Fases da adesão
Fomento convergência prévia à adesão;
1. Perspetiva;
Estados do Fomento convergência prévia sem perspetivas
Alargamento
2. Oficialização; de adesão.
3. Negociações

1. Convergência através das forças de mercado;


2. Convergência através de transferências
Diminuição da financeiras (Instrumento de Assistência de Pré-
diversidade Adesão e PEV);
Estados Vizinhos 3. Convergência através de transferência de
políticas;
4. Oferta de integração parcial.

Acomodação da 1. Adaptação vertical (estados )


diversidade 2. Adaptação horizontal (EU / alargamento).

A Política de Gestão da Migração da UE


A dimensão externa do espaço de “liberdade, segurança e justiça” é muito vasta
e inclui várias políticas: Política de migração e refugiados, onde se tem
verificado um processo de europeização dessas políticas, ou seja, a União Europeia
tem acumulado, cada vez mais competências. Há ainda a questão de como a UE tem
gerido a sua política de migração e refugiados. No tempo em que nos encontramos
essa perspetiva é securitária, mas nem sempre foi assim. Até aos anos 70, as
migrações eram vistas como um fator económico.
Europeização como resultado de:
✓ Transformações do sistema internacional: desde o 11 de setembro que os
migrantes são representados como ameaças, quer à economia dos Estados
quer à própria existência das comunidades políticas, são assim
desenvolvidas políticas que tentam travar o fluxo migratório.
Nomeadamente através de acordos de repartimento dos países de origem
ou através de acordos que a troco de benefícios se propõem a dimunir a
entrada de migrantes. Para além das políticas restritivas temos as práticas
discursivas em que migrantes são vistos como invasores (cultura e religião
diferentes)
✓ Interesses das instituições europeias: criam-se órgãos para justificar a
ausência de políticas. Exemplo da Frontex – agência de proteção das
fronteiras externas da UE (2004).
✓ Interesses dos EM’s: sobretudo em períodos de crise económica, culpa-se
os migrantes pela mesma (a linguagem dos riscos e os migrantes como
“scapegoats”
A constituição de um domínio institucional e sociológico:
✓ A diversidade de “stakeholders” que influenciam o campo da migração
e refugiados
✓ Os efeitos externos da conclusão do mercado interno e da criação de
uma cidadania europeia: a instituição do mercado interno, obriga que se
faça uma distinção entre os cidadãos europeus que têm liberdade de
circulação e os cidadãos de países terceiros. A cidadania europeia
também aprofunda a distinção.

Evolução histórica:
Até á década de 90 a migração era uma questão económica. De 1957 a 1999 – “the
parallel track”, ao mesmo tempo discute-se os efeitos negativos. Na década de 70
discute-se a dimensão securitária da circulação de pessoas. Os ministros da
administração interna criam a rede TREVI (terrorismo, radicalismo, extremismo,
violência internacional) – um processo de cooperação intergovernamental. Esta
preocupação é empoderada em 1985 com a criação do espaço Schegen. (Lógica de
Spill over.
O Tratado de Maastricht: coloca como 3º pilar as questões da migração.
O Tratado de Amesterdão é um marco histórico, é a partir dele que se constitui um
espaço de Liberdade, Segurança e Justiça, coloca a questão como 1º pilar,
comunitarizando as mesmas. Incorpora-se o acervo de Schegen.
A Cimeira de Tampere de 1999 desenvolve uma política de asilo, em que os EM
concordam que o Estado que deve tratar do pedido de asilo deve ser aquele onde o
migrante entra. Se os países de origem forem desenvolvidos então resolve-se a
questão (repatriamento e readmissão) - a UE paga aos países de origem para que
estes aceitem o repatriamento dos cidadãos que tentaram migrar para a UE.
Também em Tampere se começa a desenvolver o estatuto dos residentes
estrangeiros de longa duração (+5 anos e de boa fé), podendo pedir a reunificação
familiar (cônjuge e filhos menores).
A partir do Tratado de Nice:
• A Cimeira da Haia de 2004 cria um fundo de gestão das fronteiras externas
(SIS II em 2008, Política Comum de Vistos e Frontex em 2004)
O Tratado de Lisboa: comunitarização definitiva

• O artigo 67º do TFUE: o equilíbrio entre segurança, liberdade e equidade;


• A diferenciação de facto dos cidadãos europeus e dos nacionais de países
terceiros: artigo 77º do TFUE e 79º§4;
• Os mecanismos de compensação da livre circulação: a constituição de um
sistema integrado de gestão das fronteiras externas (tecnologia biométrica);
• A mobilização de meios de patrulhamento: “gunboat surveillance”;
• A criação de um sistema europeu comum de asilo (SECA /Eurodac/ Dublin
III; artigo 78º TFUE);
• A necessidade de distinguir entre fluxos migratórios regulares (“viajantes
de boa fé”) e ilegais.

O Acervo de Schengen:

• Abolição dos controlos fronteiriços internos;


• Política de vistos (VIS: VISA information System);
• Gestão das fronteiras externas: Frontex e Sistema Europeu de Vigilância das
Fronteiras (Eurosur);
• Combate à imigração ilegal e criminalização do tráfico: sanções;
• Schengen Information System (SIS II): base de dados operacional que
contém dados sobre Nacionais de Países Terceiros sujeitos a alertas de
segurança;
• Área Schengen: 26 estados: 22 estados-membros + Islândia, Liechtenstein,
Suíça e Noruega + Cidade do Vaticano, São Marino e Mónaco. A prazo:
Chipre + Bulgária + Roménia+ Croácia. Opt-out: Irlanda.

As Políticas de acompanhamento do mercado interno e da União


Económica e Monetária
Estratégias de gestão da diversidade no contexto da integração

Supressão da 1. Transferência vertical do acervo europeu (MQ);


diversidade 2. Invocação cooperação extra UE.

1. Convergência através das forças de mercado;


2. Convergência através de transferências
Diminuição da
financeiras (Fundos estruturais e de coesão);
diversidade
3. Convergência através de transferência de
políticas (MAC).

Acomodação da 1. Adaptação vertical (estados);


diversidade 2. Adaptação horizontal (UE):
2.1. Derrogações concedidas a regiões comunitária;
desfavorecidas (art. 349º TFUE)
2.2. Mecanismo “opting-out” (art. 31ºTUE) e “opting-in”;
2.3. Aplicação diferenciada de políticas (UEM e
Schengen);
2.4. Cooperação estruturada permanente (art. 42º TUE);
2.5. Cooperação intergovernamental fora do quadro
europeu.

Opting-out – nem todas as políticas da EU são comuns a todos os estados (como a


zona euro). A Dinamarca pode decidir não aplicar uma determinada medida no
âmbito do espaço Schengen
Opting-in – apesar da Irlanda não estar oficialmente no espaço Schengen, pode
decidir cooperar nas medidas.
Cooperação intergovernamental fora do quadro europeu – (não é desejável) um
grupo de estados junta-se para aprofundar a cooperação

Aplicação diferenciada de Políticas

Zona Euro (19 Alemanha, Áustria, Bélgica, Chipre, Eslováquia, Eslovénia,


EM) Espanha, Estónia, Finlândia, França, Grécia, Irlanda, Itália,
Letónia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Países Baixos e Portugal
+
Andorra, Mónaco, San Marino, Vaticano
+
Kosovo, Montenegro

Espaço Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Eslováquia, Estónia,


Schengen (26 Eslovénia, Espanha, Finlândia, França, Grécia, Hungria, Itália,
Estados) Islândia, Lituânia, Letónia, Liechtenstein, Luxemburgo, Malta,
Noruega, Países Baixos, Portugal, Polónia, República Checa,
Suíça, Suécia.

1ª Zona de Comércio Eliminação das tarifas aduaneiras impostas


Fase Livre (ZCL) sobre o comércio entre os EM
2ª União Aduaneira (UA) ZCL + Pauta Aduaneira Comum
Fase

3ª Mercado Comum UA + livre circulação de bens, serviços,


Fase /Interno (MC / MI) pessoas e capitais + harmonização legislativa

4ª União Económica MC / MI + políticas e instituições económicas


Fase comuns

5ª União Económica e MC / MI + políticas e instituições económicas


Fase Monetária comuns + União Monetária

Mercado Interno e integração Económica


Tratado de Roma (15 anos) – prazo de 15 anos para que o tratado fosse
concretizado;
- Década de 1980

• A Importância do Reino Unido o UK pressionou os países para cumprir o


prazo;
• O AUE e a calendarização do Mercado Interno (31/12/1992) – prazo limite
para a concretização do mercado interno;

- Década de 1990

• A importância de Jacques Delors (presidente da comissão europeia)


pressiona os estados para a implementação do mercado interno;
• Concretização do Mercado Interno a 1 de janeiro de 1993, com os seguintes
objetivos: Mercado livre, 4 liberdades + união aduaneira
• Artigo 26º TFUE / definição do mercado interno: ausência de fronteiras
alfandegárias e não alfandegárias e encargos de efeito equivalente
(mercado único) e livre circulação dos fatores produtivos (mercado comum)
+ regulação da concorrência + UEM (Tratado de Maastricht);
4 liberdades:
1. Liberdade de circulação de mercadorias (a mais difícil de impor aos
Estados, que queriam manter as políticas de proteção dos seus bens
nacionais)
2. Liberdade de circulação de pessoas (de circulação de trabalhadores,
liberdade de estabelecimento)
3. Liberdade de prestação de serviços
4. Liberdade de circulação de capitais e investimentos
5. Liberdade de circulação e residência
Estas políticas encontram-se associadas a políticas económicas comuns.

Objetivos do mercado interno:


✓ Desenvolvimento sustentável
✓ Crescimento económico e sustentabilidade dos preços (luta contra a
inflação)
✓ Economia de mercado social competitiva e livre concorrência
✓ Pleno emprego e progresso social
✓ Coesão Económica, social e territorial
✓ Solidariedade
✓ Coordenação das políticas económicas

Métodos de integração económica


✓ Integração positiva
✓ Integração negativa

Liberdade de circulação de trabalhadores: há 2 tipos de discriminação no que


toca à infração dos direitos de livre circulação
1. Discriminação direta: discriminação legal (nacionais de países terceiros e
empregos na administração pública)
2. Discriminação indireta: discriminação de fato (requisitos laborais baseados
na língua ou no nível de conhecimentos
A questão das restrições: a justificação dos limites à livre circulação (interpretação
restritiva):
- Restrições fundadas no direito originário, “ordem pública, segurança pública e
saúde pública”; “empregos na administração pública” (justificação, notificação e
proporcionalidade).
- Restrições fundadas na jurisprudência: fins legítimos e proporcionais

Liberdade de circulação de mercadorias:


Livre circulação de bens, com a garantia de efeitos de ganhos de comércio e da
limitação do protecionismo:

• Restrições financeiras: direitos aduaneiros de importação ou exportação ou


encargos de efeito equivalente
• Imposições Internas não equitativas (taxação de produtos similares ou de
produtos não similares estrangeiros)
• Restrições quantitativas:
o Restrições materiais: quotas de importação/exportação ou medidas
de efeitos equivalente como os certificados de origem
o Regime derrogatório: artigo 36º do TFUE

Política Europeia de Concorrência


✓ Complementar da base jurídica do mercado interno (regulação do
comportamento governamental);
✓ Focado na regulação do comportamento privado;
✓ Objetivos das regras da concorrência:
• Eficiência: interesses dos agentes económicos, consumidores e da
própria estrutura do mercado;
• Complementar legislação nacional (Autoridade da Concorrência);

Base jurídica: artigo 101º TFUE (conduta e práticas colusivas restritivas do


comércio);
Aplicação:
Conduta colusiva entre empresas;
Efeito de distorção da concorrência (liberdade de fixação de preços);
Desvirtuar práticas de comércio (proibição de vendas passivas).
Práticas colusivas significativas (30 % mercado):
Acordos (verticais e horizontais [cartéis]);
Decisões de associações de empresas;
Práticas concertadas.
Abuso de posição dominante (artigo 102º TFUE / 30% / 50 % mercado /
presunção de posição dominante): não é o domínio que é proibido, mas sim o
abuso da posição de domínio

• Afetação de comércio entre os estados-membros: exclusão da


concorrência potencial
• Existência da posição dominante: independência de comportamento
• Abuso da posição dominante
Práticas de abuso da posição dominante
• Quota de mercado (produto, abrangência geográfica e disponibilidade
temporal);
• Imposição de preços predatórios (poder no seio do mercado);
• Recusa de fornecimento de produtos (abuso da posição dominante).

Auxílios de estado (artigo 107º TFUE)


Objetivos: “impedir a perversão do mercado interno pela intervenção do Estado no
funcionamento dos mercados” (Gorjão-Henriques, 2014:689);
Critérios (cumulativos):
1. Recursos estatais;
2. Suscetível de afetar o comércio entre os EM;
3. Concessão de vantagens seletivas a certas empresas;
4. Falseamento (ameaça) da concorrência.
Enquadramento: Estado / vantagem artificial / seletiva (princípio do investidor
privado numa economia de mercado);
1. Distorção da estrutura do mercado (imputável ao estado e multiforme
[diminuição da receita / aumento da despesa]);
2. Derrogações: artigo 107º nº2, nº3 TFUE;
3. Vigilância: a obrigação da notificação à Comissão e o dever de retorno em
caso de auxílio de estado incompatível (retorno ao status quo).

Integração Económica e Monetária na UE

A cooperação pré moeda única


Já desde a década de 40 que se pensava construir um projeto europeu aliado a essa
construção uma base monetária, Daí que em 1949, Jacques Rueff tenha dito
“L’Europe se fera par la monnaie ou ne se fera pas”.
Ainda durante o decorrer da II GM, um conjunto de estados baseados na convicção,
que para evitar um novo conflito mundial era necessário estabilizar o sistema
monetário internacional, decidiram reunir-se nos EUA em BrettonWoods e criar
aquele que é considerado o primeiro sistema de estabilização monetária à
escala internacional, criado em 1944 – Sistema de BrettonWoods. Porquê? Porque
as flutuações das moedas nacionais podem por um lado ser um instrumento
económico, mas também podem causar uma crise económica. O dólar é a moeda
referência no sistema financeiro internacional – convertibilidade do dólar em ouro.
Temos assim a 1ª ordem monetária internacional.
Em 1969 convocasse a Cimeira da Haia, no relatório Werner (1970) estabelecem-se
3 objetivos:
1. Mercado interno sem distorções de concorrência
2. Coordenação gradual de políticas económicas nacionais e fixação de taxas
de câmbio
3. Transferência de poderes dos estados para as instituições europeias no
campo monetário económico
Em 1971, o Presidente Nixon decide acabar com a convertibilidade do dólar em
ouro (Nixon Shock). Em 1979, os Estados da então CEE decidem avançar com a
criação de um sistema monetário europeu:
1. Fixação de taxas de câmbio por relação com o ECU (European Currency
Unit -1979)
2. Fixação de uma taxa de variação fixa: 2,25%. Cria-se a serpente monetária
europeia.
3. Papel dos Bancos Centrais Nacionais no controlo coletivo das taxas de
câmbio
Na década de 80 Jacques Delors vai tentar impulsionar a união económica e
monetária, apelando à necessidade de criara um órgão central de controlo das
políticas monetárias dos estados membros, apelando à construção faseada da UEM,
claro que ele se estava a referir à necessidade criação de um Banco Central
Europeu. E é assim que o Tratado de Maastricht vai em 1993, quando entra vigor,
estabelecer uma União Económica e Monetária.
Enquadramento da introdução da moeda única

• AUE: Articulação entre mercado interno e união monetária (não pode


haver mercado interno com livre circulação de capitais)
• Fim da guerra fria e (re)unificação alemã (1990) – a Alemanha quer
impulsionar a europa enquanto potência, não só comercial mas
financeira.
Dimensão política da UEM:
1) “Timing” da introdução do euro;
2) Composição da zona euro;
3) Enquadramento legal da moeda única.

✓ Timing da introdução do euro: 2 perspetivas – a economicista e a


monetarista. A 1ª advogava que antes da introdução euro, deveria haver
uma convergência económica – Holanda e Alemanha. A 2ª advogava que
não era necessário a convergência – Comissão Europeia, França, Itália e
Bélgica.
✓ O Tratado de Maastricht: compromisso entre as 2 perspetivas: definição
de uma data fixa para a introdução do euro mas por 3 fases

o 1ªfase de 1990 a 1993


Intensificação da coordenação política e da cooperação entre bancos
centrais (livre circulação de capitais);

o 2º fase de 1994 a 1999


Introdução do Banco Central Europeu [1998] / Coordenação da política
monetária dos estados-membros;
o 3ª fase (1 janeiro de 1999)
Fixação das taxas de câmbio, transferência de soberania sobre a política
monetária (BCE) e introdução do euro (2002).

✓ De forma a respeitar a perspetiva economicista, definem-se critérios de


convergência da UEM, que os EM’s deveriam cumprir antes da adesão à
zona europa.
- Dimensão legal: independência dos Bancos Centrais Nacionais do poder
executivo
- Dimensão económica: grau elevado de convergência sustentável.
1. Estabilidade dos preços: taxa de inflação anual indexada às três melhores
taxas dos EM;
2. Quadro orçamental estável: eliminação dos défices excessivos (+3% PIB)
e sustentabilidade das finanças públicas (dívida pública inferior a 60% PIB);
3. Estabilidade cambial aferida por relação com as taxas de câmbio do
sistema monetário europeu;
4. Estabilidade das taxas de juro por relação com as três melhores taxas dos
EM

3 de maio de 1998: 11 dos então 15 estados-membros atingem


critérios de convergência / Bélgica, Holanda, Luxemburgo,
Alemanha, Áustria, Espanha, França, Itália, Irlanda, Portugal,
Finlândia

INTRODUÇÃO DA MOEDA ÚNICA


1 janeiro1999
Regimes especiais: Dinamarca (“opting-out”);
Suécia (rejeição em referendo /2003).
Zona Euro (19 EM): Alemanha, Áustria, Bélgica, Chipre, Eslováquia,
Eslovénia, Espanha, Estónia, Finlândia, França, Grécia, Irlanda,
Itália, Letónia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Países Baixos e
Portugal

Primeira década (1999-2009): estabilidade dos preços, desenvolvimento


económico e expansão da zona euro (19 EM);
Segunda década: discussão sobre estrutura de governação e crise financeira (2007
/ 2008).
A) Distinção entre componente monetária e económica: era suposto ser União
Económica monetária mas não temos união económica (depende muito da
cooperação intragovernamental entre os Estados)
B) Política Monetária: competência exclusiva da UE (BCE/ Sistema Europeu de
Bancos Centrais);
C) Política Económica: quadro de coordenação das políticas económicas / Método
Aberto de Coordenação
D) Importância das políticas fiscais: artigo 126º TFUE / PROIBIÇÃO de défices
governamentais excessivos e procedimento por défices excessivos.
E) Pacto de Estabilidade e Crescimento: coordenação das políticas económicas
(1997) + procedimento por défices excessivos (1999).

Política Monetária

Sistema Europeu de Banco Central Europeu + Bancos centrais de 27


Bancos Centrais Estados-Membros

Euro sistema Banco Central Europeu + Bancos centrais dos 19


Estados-Membros da zona euro

Banco Central Europeu Órgão orientador da política monetária e da


supervisão bancária:
Comissão Executiva
Conselho de Governadores
Conselho Geral

Bancos Centrais Competências de execução

UEM
Base Jurídica

Artigo 123º TFUE Proibição de concessão directa de


créditos pelo BCE e/ou Bancos Centrais
aos estados (“Bond buying programme”);
Proibição de compra directa de títulos
de dívida

Artigo 124º TFUE Proibição de acesso privilegiado às


instituições financeiras

Artigo 125º TFUE Desresponsabilização da União pelas


responsabilidades financeiras dos
estados-membros (“no bail-out clause”)

Artigo 122º TFUE Derrogação sob condições excepcionais


e fora de controlo
Mecanismos pós-crise / Semestre 1. Sistema de monitorização das
Europeu (mecanismo de políticas económicas em sentido
coordenação das políticas lato, de modo a detetar problemas
económicas da EU / Sistema anual de económicos de forma precoce;
coordenação das políticas
2. Institucionalização de um ciclo de
económicas e orçamentais na UE em
monitorização para a área do
que é prestada orientação aos países
euro, com a apresentação, por
da UE antes de estes tomarem
parte dos estados-membros dos
decisões políticas a nível nacional.
seus projetos de planos
orçamentais à Comissão Europeia
no outono de cada ano;
3. Tratado de 2012 sobre
Estabilidade, Coordenação e
Governação (Pacto Orçamental)
que introduz disposições de
natureza orçamental

O Orçamento da UE

Há 2 orçamentos: o anual que está incluído num quadro financeiro plurianual, onde
estão definidos os valores máximos que a UE pode despender num período fixo
(5/7 anos) para rúbricas específicas, como as políticas comuns e as despesas da
própria UE. O orçamento corresponde apenas a 1% do rendimento nacional bruto
da UE.
Caraterísticas:

• Prioridade política e ferramenta de programação


• Equilíbrio entre receitas e despesas
• Existência de regimes de compensação para os países da CEST, para os
países mais fracos economicamente

Quadro 1: Quadro financeiro plurianual

Áreas 2017 2014/2020

Crescimento económico e inclusivo,


73 milhões 513 milhões
competitividade e políticas de coesão
de euros de euros
territorial e social
60 milhões 420 milhões
Crescimento sustentável e recursos naturais
de euros de euros

9.9 milhões 69 milhões de


Administração
de euros euros

9 milhões de 66 milhões de
Europa Global
euros euros

2.5 milhões 17 milhões de


Segurança e cidadania
de euros euros

Fonte: [Link]

Recursos da UE: princípio dos recursos próprios


1. Recursos próprios tradicionais: direitos aduaneiros;
2. Recursos próprios resultantes do IVA – 0.3%
3. Recursos próprios baseados no Rendimento Nacional Bruto de cada EM –
0,3%

Outros: sanções pecuniárias que se dão por incumprimento.

Processo de decisão do orçamento: é decidido através de um processo legislativo


especial, é a Comissão que no âmbito do artigo 314º apresenta o orçamento para o
ano seguinte, o orçamento é apreciado pelo conselho e pelo parlamento europeu.
A Comissão apresenta esse orçamento com base nas despesas dos vários órgãos da
UE e programação financeira plurianual, sendo o Parlamento que aprova ou não. No
fim do ano fiscal a Comissão Europeia apresenta o relatório de contas da execução
do orçamento e mais uma vez é o parlamento europeu que tem de dar quitação e
aprovação à execução do orçamento.
As Políticas Europeias de Coesão Económica, Social e Territorial
Surgem devido à constatação na década de 80, aquando da adesão dos países do
sul da europa que iriam existir divergências aos níveis acima referidos.
Quais são os objetivos destas políticas?

• Promover o desenvolvimento harmonioso da UE


• Reforçar a coesão económica, social e territorial. São coisas diferentes, a
coesão territorial aponta para as regiões, a económica para os estados e a
social para os indivíduos.
• Redução da disparidade ao nível do desenvolvimento regional, aliás as
políticas de coesão estão inseridas no desenvolvimento regional
• Reduzir os atrasos das regiões menos favorecidas – açores, madeira,
canárias…
• Conceber uma “especial atenção” às zonas rurais, zonas afetas pela
transição industrial e zonas com limitações naturais ou demográficas graves.
São disparidades muito grandes, o que leva que a união europeia tenha classificado
as regiões europeias para efeitos que politica de coesão. E há três tipos de regiões:

• As regiões menos desenvolvidas com PIB per capita inferior a 75% da média
europeia, que abrange 27% da população europeia
• As regiões em transição, com PIB per capita entre 75% e 90% da média
europeia, 12% da população europeia
• As regiões desenvolvidas, com PIB per capita superior a 90% da média
europeia, que é 616 da população europeia.

A estratégia 2020
Tinha o objetivo de criar uma economia europeia inteligente, competitiva,
sustentável e aumentar a empregabilidade e a produtividade.

Emprego 75% taxa de emprego / faixa etária 20-64

Investigação & 3% PIB / Investimento UE na I&D


Desenvolvimento

Alterações climáticas e Reduzir emissões de gases efeito de estufa


sustentabilidade energética
Aumentar a eficiência energética
Apostar em fontes renováveis

Educação Reduzir taxa de abandono escolar precoce


Aumentar a frequência no ensino superior

Luta contra a pobreza e Reduzir o número de pessoas em risco de


exclusão social pobreza ou de exclusão social (red.20
milhões)
Fundos Concentração
Temática

Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional Inovação e


investigação
Agenda Digital
Apoio PME’s
Redução emissões
de carbono

Fundo de Coesão Ambiente


EM Rendimento Nacional Bruto mais baixo: Bulgária, Redes
Chipre, Croácia, Eslováquia, Eslovénia, Estónia, Grécia, transeuropeias de
Hungria, Letónia, Lituânia, Malta, Polónia, Portugal, transporte
República Checa e Roménia.

Fundo Social Europeu Emprego e


mobilidade laboral
(capital humano)
Inclusão e combate à
pobreza
Educação e
aprendizagem ao
longo da vida
Eficiência da
administração
pública
Emprego jovem
(3200 milhões euros)

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