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Didática: Uma Análise Histórica e Filosófica

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A Didática e sua Relação com a

Educação: uma Análise Histórica


e Filosófica

• Introdução;
• A Didática da Antiguidade à Idade Média;
• Os Filósofos Pós-iluministas na Contribuição da
Orientação Pedagógica para a Instrução de Crianças;
• Princípios da Didática.

OBJETIVO DE APRENDIZADO
• Compreender o processo histórico e filosófico da didática e sua influência no processo
de ensino.
UNIDADE A Didática e sua Relação com a Educação:
uma Análise Histórica e Filosófica

Introdução
Iniciamos nossas discussões nesta unidade lhes apresentando o objetivo de
aprendizagem que buscaremos com essas propostas, a Didática. Estudar o con-
ceito de Didática, bem como seus campos de atuação se justifica pelo fato de que
esta disciplina é fundamental para a atuação docente, pois é uma das disciplinas
principais do núcleo pedagógico, indispensável ao processo de formação e atuação
dos profissionais da educação.

Ao longo dos séculos, a Didática deixou de ser considerada uma disciplina ape-
nas instrumental, constituída por métodos e técnicas de ensino. Após longos anos
de estudos e reflexões, hoje a compreendemos como uma área do conhecimento
responsável pelo estudo do processo de ensino-aprendizagem.

Assim, a Didática pode ser entendida como “a arte de ensinar”, e por mais que
nos pareça algo atual, ela envolve um conteúdo científico filosófico, educacional e
metodológico, pensado e organizado no século XVII.

Figura 1 – Didática
Fonte: Goran Bogicevic / 123RF

Um dos primeiros passos para se compreender essa disciplina é conhecer o


processo histórico pelo qual a didática passou ao longo dos anos, buscando em sua
gênese a compreensão desse conceito. Objetivando compreender a configuração
da didática que conhecemos atualmente, precisamos recapitular sua constituição e
institucionalização, e para isso vamos estudar o pensamento de um dos principais
autores dessa temática, observando nele os fundamentos didáticos utilizados para
transmitir o conhecimento historicamente produzido.

Desde os primórdios da civilização encontramos indícios de práticas de instrução


utilizadas pelos povos antigos para passar o conhecimento de geração em geração.
Vemos na história, filósofos consagrados pela sua forma de ensinar, tais como

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Platão, Aristóteles, Sócrates, os quais utilizavam de diversas formas para construir
e transmitir o conhecimento para seus discípulos.

Importante! Importante!

A Didática é um campo em constante construção e/ou reconstrução, de uma práxis que


não tem como objetivo ficar pronta e acabada e sim articular as diferentes dimensões do
processo de ensino-aprendizagem.

Sempre houve formas diversas de instrução e de aprendizagem, a comunidade


primitiva é um exemplo disso, pois os conhecimentos produzidos eram passados
aos jovens de geração em geração, instruindo-os para ingresso na vida adulta. Esse
exemplo, pode ser considerado uma forma de ação pedagógica, mesmo não sendo
formal e intencional, é possível identificar a questão pedagógica (LIBÂNEO, 1994)
presente na educação. Como forma de apreendermos a influência da didática na
educação, vamos resgatar um pouco dos princípios da didática encontrados no
período da Antiguidade até a Idade Média.

A Didática da Antiguidade à Idade Média


Para iniciarmos nosso resgate histórico organizamos aqui uma linha histórica que
auxiliará na compreensão das formas de ações pedagógicas que eram desenvolvidas
na Antiguidade Clássica, essas ações eram disseminadas por meio dos mosteiros,
das igrejas e também de universidades. No entanto, mesmo com esses indícios de
instrução, é em meados do século XVII que se pode falar em didática como a teoria
do ensino, uma prática sistematizada de estudar as formas de ensinar.

Ainda que tenhamos essas referências sobre a forma de ensinar, é com o início
da era moderna, que se iniciam os estudos a respeito da Didática. Tais estudos
surgem em um período marcado pela transição do feudalismo para o capitalismo,
ocasionando a necessidade de transmissão de saberes mínimos para os segmen-
tos mais pobres da população, com vista a formação de mão de obra produtiva.
O professor Libâneo (1994) é enfático ao destacar que o desenvolvimento do siste-
ma de produção capitalista, ainda por se constituir enquanto tal, já influenciava na
organização da vida social, política e cultural.

A palavra Didática surge quando os adultos começam a participar do processo


de aprendizagem das crianças e dos jovens de uma forma planejada e direciona-
da, diferente das formas de intervenção instantânea que ocorria anteriormente.
Ao estabelecer uma intenção na forma de ensinar, ou seja, uma ação pedagógica,
a escola começa a se constituir como um local de práticas de ensino, que passam
a ser sistematizadas conforme níveis, respeitando as necessidades de cada criança,
suas possibilidades e seu ritmo de aprendizagem (LIBÂNEO, 1994). Sabemos que
as formas de ensinar, assim como objetivos que são direcionados à educação, sem-

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UNIDADE A Didática e sua Relação com a Educação:
uma Análise Histórica e Filosófica

pre estão relacionadas à forma de produção e reprodução social de dado momento


histórico. Assim, os métodos de ensino, o que ensinar e para quem ensinar tinham,
e ainda têm, por objetivo atender as necessidades da sociedade, e isso se aplica
também a didática (LIBÂNEO,1994).

Segundo Gasparin (2010), um dos principais estudiosos da Didática, o entendi-


mento da didática como “a arte de ensinar tudo a todos” surge por volta de 1617.
No entanto, foi em 1629 com a publicação da obra Didática Magna escrita por
João Amós Comênio que essa expressão se consagrou como tal, Baradel (2007,
p. 11) enfatiza que “[...] inicialmente (século XVII), a didática tinha seus pressupos-
tos calcados na causa da Reforma Protestante, sendo um meio de luta contra o
modelo de ensino da igreja católica medieval, ou seja, deveria ser um instrumento
de libertação”.

Assim, compreendemos caros estudantes que as formulações iniciais da didática


são consagradas em um período de mudanças socioculturais na história da huma-
nidade, e que essas transformações perduraram e adentram em outros períodos
históricos que veremos a seguir.

Do período medieval a modernidade


O século XVII, período no qual começam a surgir os primeiros estudos sobre
a Didática, é marcado por mudanças na concepção de homem e de sociedade.
Na transição da Idade Média para a Idade Moderna, da mudança de produção ma-
nufatureira para o desenvolvimento da maquinaria, institui-se a divisão do trabalho.
Com o desenvolvimento do capitalismo, propagou-se também a necessidade de
que todos se tornassem aptos ao trabalho nessa nova forma de produção.

Nesse contexto, ocorrem também muitas mudanças no campo cultural, cientí-


fico, presenciamos o desenvolvimento das ciências, da observação e experimen-
tação científica. Houve a perda de poder da Igreja Católica por conta da reforma
protestante, do surgimento de uma filosofia, caracterizando o período histórico
conhecido como Iluminismo.

Segundo Gasparin (2010), nesse novo mundo que vinha surgindo, havia a neces-
sidade um novo homem, uma exigência social onde todos deveriam ser educados
para essa nova vida. O conhecimento social deveria ser incluído nas escolas, com
o objetivo de preparar os jovens para o novo tempo. Como se tratava de novos
conhecimentos, estes não poderiam ser ensinados da forma antiga, era necessário
um novo método, uma nova didática, da mesma grandeza dos conhecimentos que
deveriam ser ensinados aos alunos.

Como os novos conhecimentos que estavam sendo produzidos tornavam-se


universais, era preciso um método mais amplo de ensino que lhe fosse corres-
pondente. Nessa época os grandes educadores, cada um de uma forma diferente,
compreendiam esse novo saber e o transmitiam por meio da instituição escolar.

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Dentre os principais educadores, e pensadores da Idade Moderna destacamos
Comênio, autor consagrado como o Pai da Didática Moderna. Comênio conseguiu
nesse tempo, captar os novos conhecimentos e transportá-los para âmbito escolar,
ou seja, para a sala de aula, utilizando um método específico e que atendesse às
novas exigências da sociedade moderna.

Frente a necessidade posta pelo novo modo de produção e pelas mudanças cul-
turais e sociais, Comênio escreveu sua principal obra “Didática Magna – o Tratado
de Ensinar Tudo a Todos”, a qual deveria ser seguida por todos aqueles que ensi-
navam em grupos ou de maneira individual. Ao elaborar sua obra, o autor não a
propôs com o objetivo de ser discutida, mas sim de ser seguida, para responder aos
novos desafios sociais,com essa obra Comênio não anunciou apenas uma didática,
mas sim uma grande Didática (GASPARIN, 2010).

Comênio foi o primeiro pensador a estabelecer o entendimento de que o conhe-


cimento deveria ser de acesso para todos, criando assim regras e princípios sobre
a forma de ensinar, ou seja, sobre a didática. Esse educador fundamentava suas
ideias nos princípios da ética religiosa, mas mesmo assim, seus pensamentos eram
inovadores para a época e se contrapunham aos ideais conservadores da nobreza,
a qual exercia grande influência naquele período. Nesse contexto, o Latim era a
língua oficial e muito utilizada para ensinar artes, ciências e demais línguas.

Dessa maneira, Comênio propôs então que se fosse utilizada a língua pátria (no
caso, o latim) para o ensino, pois naquele período os Estados Nacionais estavam
se constituindo, “[...] a língua vernácula passou a ter uma importância fundamen-
tal como identidade de um povo, como nova forma de manifestação da cultura, e
como novo instrumento de comunicação no processo de ensino [...]” (GASPARIN,
2010, p. 23). No que diz respeito aos aspectos pedagógicos, a natureza e o estudo
por meio da experimentação eram os princípios fundamentais que deveriam per-
mear o processo educacional.

Comênio acreditava que no processo educacional tanto de crianças quanto de


adolescentes, as coisas deveriam ser ensinadas apenas uma de cada vez, pois ao
ser ensinado várias coisas ao mesmo tempo, as crianças poderiam ficar confusas,
e essa confusão dificultaria no processo de ensino e de aprendizagem. Assim, era
preciso estabelecer uma ordem, e os conteúdos deveriam ser muito bem aprendi-
dos para poder ser ensinados outros conteúdos, somente a partir de uma educação
completamente organizada e ministrada com clareza é que outros conteúdos pode-
riam ser ensinados às crianças e adolescentes.

O pai da didática, acreditava que a indução e a experiência são princípios que mar-
cariam a educação naquele momento, tanto como método geral de ensino, como
também como método específico para ensino das ciências, da moral e da piedade.

Vejam estudantes que o surgimento da didática teve origem fora do ambiente


escolar, e foi proposta como forma de compreender as questões filosóficas, científi-
cas, educacionais e metodológicas do período, e tornou-se, na escola uma resposta

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UNIDADE A Didática e sua Relação com a Educação:
uma Análise Histórica e Filosófica

aos anseios e necessidades para a transmissão e assimilação dos novos conheci-


mentos (GASPARIN, 2010).

Apesar das grandes contribuições de Comênio ao campo educacional, e princi-


palmente à Didática, desempenhando a instituição de método rápido e eficiente,
assim como o anseio que Comênio demonstrava a fim de todos pudessem usufruir
do conhecimento, bem como, apresentando ideias inovadoras para o período,
algumas considerações críticas devem ser feitas. Embora, Comênio partisse da ob-
servação e da experiência para ensinar, ainda utilizava-se o método de transmissão
do ensino.

O método transmissão-assimilação proposto por Comênio, consistia em ensinar


tudo a todos, é o momento em que o professor ou professora passa a atender a um
grande número de alunos, e deveria ser utilizado por todos para que se chegasse a
equalização social.

A partir desse método, Comênio propôs cinco passos para que ele fosse execu-
tado: preparação do aluno, apresentação do conteúdo, assimilação do conte-
údo, generalização e aplicação. Não podemos esquecer que este método seguia
os pressupostos tradicionalistas da época em que foi criado.

Comênio (2001) foi buscar nos pressupostos religiosos ações pertinentes para
implementar a didática magna, ele ressaltou muito em sua obra que “[...] nunca
será em vão o trabalho começado em nome do Senhor” (p. 30). O pai da didática
ainda salienta a sua utilidade e que ela está baseada em retos princípios, como:
• a ajuda de Deus para obter o resultado esperado;
• os estudantes irão aprender como se estivessem jogando;
• os professores não precisarão mais mudar de método para que o aluno aprenda.

Para Libâneo (1994) por mais inovadores que sejam as ideias, sabemos que eles
demoraram tempo para serem efetivadas na prática, no século em que Comênio
viveu, bem como em alguns séculos seguintes ainda havia a predominância de
práticas escolares da Idade Média: ensino intelectualista, verbalista e dogmático,
memorização e repetição mecânica dos ensinamentos do professor, além de que
nas escolas, assim como na Idade Média não havia lugar para as ideias dos alunos,
muito menos para as experiências vividas por eles. A Igreja ainda continuava a
exercer grande poder tanto na religião, como na vida social.

Você Sabia? Importante!

A Reforma Protestante marcou o caráter revolucionário de luta conta o tipo de ensino


que era transmitido pela Igreja Católica Medieval.

Vimos estudante que, Comênio é um dos principais pensadores e educadores no


campo de desenvolvimento de uma Didática planejada, sistematizada e com uma

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intenção social. Porém, Comênio não foi o único, a constituição da Didática como
uma disciplina que estuda os processos de ensino, contou com a participação de
muitos outros autores da época que, cada um a sua maneira, contribuiu com ideias
que ainda hoje embasam nossa prática de ensino em sala. É sobre esses autores
que conversaremos no item a seguir.

O educador tcheco João Amós Comenius ou Jan Amos Komenský, seu nome original, nas-
Explor

ceu em 28 de março de 1592, na cidade de Uherský Brod (ou Nivnitz), na Moravia, região
da Europa Central pertencente ao Reino da Boêmia (antiga Tcheco-Eslováquia). Seus pais
Martinho e Ana, também eslavos, eram cristãos adeptos dos Irmãos Morávios, uma seita
cuja história remonta aos tempos de Jan Huss, líder religioso muito popular no século XV,
tendo sido padre, professor e reitor da Universidade de Praga. A seita dos Irmãos Morá-
vios, organizada em 1467, era uma das mais rígidas em doutrina e conduta, destacando-se
pelo extremado apego às Sagradas Escrituras, pela humildade e pela profunda piedade,
impondo a seus seguidores vida austera, com preces diárias e leitura cotidiana da Bíblia.
E diferentemente do costume da época, adotavam como língua literária o checo em vez do
latim” (WALKER, 2001, s/p).

Os Filósofos Pós-iluministas na
Contribuição da Orientação Pedagógica
para a Instrução de Crianças
Sabemos estudante que, a história é dia-
lética, está sempre em movimento, em pro-
cesso de construção e transformação. Assim,
com o passar do tempo o poder da nobreza e
do clero que no século XVIII ainda era predo-
minante, foi perdendo força e a burguesia se
fortalecendo enquanto classe social, e lutando
pela conquista do poder no campo político,
econômico e cultural.

Com o fortalecimento da burguesia frente


a nobreza e ao clero, novas necessidades fo-
ram surgindo no mundo da produção e dos
negócios, ao passo que a necessidade de um
ensino que contemplasse o desenvolvimento
de capacidades para atender às tais necessi- Figura 2 – Jean Rousseau
dades também cresceram. Fonte: Antonio Iván Santos González-Guerrero / 123RF

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UNIDADE A Didática e sua Relação com a Educação:
uma Análise Histórica e Filosófica

Em meio a esse processo, um pensador chamado Jean Jacques Rousseau, bus-


cou interpretar os anseios do período, propondo uma nova forma de ensinar, a
qual se fundamentava nas reais necessisdades e interesses imediatos das crianças.

Convido você a assistir o documentário sobre os Filósofos da Educação, abordando as


Explor

características de Rousseau e suas contribuições para a didática.


Disponível em: [Link]

Rousseau ficou conhecido como o primeiro filósofo do Romantismo, por meio


da publicação de seu livro “Contrato social”. Nessa obra, Rousseau defende a
ideia de que o homem (ser humano) é inatamente bom e tem seu comportamento
corrompido pela sociedade. Além desta obra genial, o pensador é autor de inú-
meras obras, como: poesia, música e uma das mais notáveis autobiografias da
literatura europeia. Outra obra, muito conhecida de Rousseau e de fundamental
importância para educação é intitulada “Emílio”, na qual o autor explicita o caráter
corruptor da sociedade.

Entre as principais ideias disseminadas por Rousseau, podemos ressaltar a se-


guinte: o ensino das crianças deve ser pautado em seus necessidade e inte-
resses atuais, sendo que antes que lhe sejam ensinadas as ciências, sejam-
-lhe despertados o interesse pelo estudo. Para o autor, a principal professor
é a natureza, a experiências, os sentidos, pois é o contato com o mundo que a
despertará seu interesse e consequentemente suas potencialidades naturais. Aqui
a educação é compreendida como um “[...] processo natural, ela se fundamenta
no desenvolvimento interno do aluno. As crianças são boas por natureza, elas têm
uma tendência natural para se desenvolverem” (LIBÂNEO, 1994, p. 60).

Apesar de ter formulado tais pensamentos e o reproduzido por meio de suas


obras, Rousseau não os colocou em prática, tal tarefa, couber a outro pedagogo
chamado Pestalozzi. Educador de origem Suíça, viveu entre os anos de 1746 à
1827, trabalhando do início ao fim de sua vida no campo educacional. Na perspec-
tiva de Libâneo (1994, p. 60), o filósofo Pestalozzi, “[...] deu grande importância
ao ensino como meio de educação e desenvolvimento das capacidades humanas,
como cultivo do sentido, da mente e do caráter”.

A utilização do método intuitivo também era uma das características de Pestalozzi,


incentivando seus alunos a desenvolverem a capacidade de observação e de análise
dos objetos, fundamentando-se nos fenômenos naturais e na linguagem para regis-
tro das observações. Seu ensino era de caráter intelectual, e priorizava a psicologia
como fonte de desenvolvimento do ensino.

A partir das ideias elaboradas por Comênio, desenvolvidas por Rousseau e co-
locadas em prática por Pestalozzi, muitos outros educadores foram influenciados.
Dentre os mais importantes iremos conhecer Johann Friedrich Herbat, pedagogo
de origem Alemã, viveu entre os anos de 1766 a 1841. Herbat é um dos principais

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autores que influenciaram a pedagogia conservadora (tradicional), pedagogia esta
que veremos mais profundamente nas próximas unidades.

Libâneo (1994) esclarece que juntamente com a formulação dos objetivos da


educação e da Pedagogia como ciência, Herbat realizou uma análise sobre o
desenvolvimento do processo psicológico-didático de aquisição de conhecimentos,
sob a direção do professor. Para esse autor, a finalidade da educação é a moral, a
qual pode ser atingida por meio da educação.

Educar o homem para Herbat consistia em instruí-lo “[...] para querer o bem,
de modo que aprenda a comandar a si próprio [...]”. O professor assume um papel
primodial, que sendo considerado um “arquiteto de mentes”. Cabe ao professor
“[...] trazer à atenção dos alunos aquelas ideias que deseja que dominem suas men-
tes. Controlando os interesses dos alunos, o professor vai construindo uma massa
de ideias na mente, que por sua vez vão favorecer a acumulação de ideias na mente
das crianças” (LIBÂNEO, 1994, p. 60).

Os filósofos apresentados anteriormente, como: Rousseau e Pestalozzi busca-


vam direcionar preceitos filosóficos capazes de modificar o processo de ensino e de
aprendizagem; e não obstante, Herbat também busca desenvolver um método de
ensino que fosse único e que estivesse de acordo com as leis psicológicas do conhe-
cimento. Nesse contexto, o educador desenvolveu quatro passos a serem seguidos:
• 1° passo: clareza. A preparação e apresentação da matéria deveria ser muito
clara e completa;
• 2° passo: associação. Relacionar as ideias antigas com as novas;
• 3° passo: sistematização. Os conhecimentos deveriam ser sistematizados para
se obter a generalização;
• 4° passo: método. Referente ao uso de conhecimentos adquiridos por meio
de exercícios. Posteriormente, esses passos foram mais desenvolvidos por
educadores discípulos de Herbat, estando presentes ainda hoje nas práticas de
ensino em sala de aula (LIBÂNEO, 1994).

A contribuição de Herbat para o campo da didática pode ser apreendido na


prática docente, pois o autor instigou a necessidade de que haja uma estruturação
e uma ordenação no processo de ensino, ressaltou a importância da compreensão
e não apenas da memorização dos conteúdos, e a necessidade da disciplina como
característica fundamental para a formação do caráter.

Estudamos até aqui, alguns dos principais autores que formularam o pensamen-
to pedagógico europeu, o qual se espalhou por todo o mundo, chegando até ao
Brasil e influenciando hoje – século XXI – nossas ações em sala de aula.

As ideias dos autores estudados nesta aula estão presentes nas concepções pe-
dagógicas e didáticas que estudaremos ao longo da disciplina.

Compreender o percurso da histórica da didática, desde a sua formulação como


método sistematizado e intencional de ensino, foi importante para podermos en-

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UNIDADE A Didática e sua Relação com a Educação:
uma Análise Histórica e Filosófica

tender a definição de Didática como técnica de ensino, definição esta utilizada lá no


século XII, para então compará-la a definição que atualmente temos incorporado
sobre o que é a Didática e quais são o seus objetivos, pois conforme veremos, é essa
última definição que vem a atender nossas atuais necessidades enquanto professores.

A Didática está inserida no conjunto de conhecimentos pedagógicos essenciais à


formação docente, e por isso vamos estudá-la nesse item, como um dos ramos de
estudo da Educação. Para isso fizemos a definição dos principais conceitos, neces-
sários à compreensão do tema, ou seja, a própria Didática, o processo de ensino
que é o objeto de estudo da Didática e a Educação.

Princípios da Didática
Vamos iniciar nossa discussão conversando sobre a Didática, como já vimos no
item anterior, em cada momento da história essa temática ganhando significados e
objetivos diferentes, a fim de, atender as demandas de determinado período. Mui-
tos são os autores que conceituam a didática, cada um conforme sua corrente te-
órica. Aqui utilizaremos três autores fundamentais para conceituar a Didática, que
são: Libâneo, trabalhado anteriormente, Gasparin e uma teórica muito conhecida
nessa área de estudos que é a Candau. Estes são autores contemporâneos, os quais
têm contribuído de forma significativa para o campo da educação.

Segundo Libâneo (1994), a ciência que estuda a práxis educativa, ou seja, a


teoria e a prática da educação “[...] nos seus vínculos com a prática social global.
Assim, sendo a Didática uma disciplina que estuda os objetivos, os conteúdos, os
meios e as condições do processo de ensino tendo em vista as finalidades educa-
cionais, que são sempre sociais, ela se fundamenta na Educação[...]” (LIBÂNEO,
1994, p. 85); é, assim, uma disciplina pedagógica.

Dentro do campo educacional temos algumas disciplinas pedagógicas que se


dividem em: teoria da escola, teoria da educação, organização do ensino e a Didá-
tica como teoria do ensino. Visto que o objetivo principal de todo profissional que
trabalha com a educação é o ensino, então a Didática ocupa um lugar central.

Por muito tempo, a Didática foi concebida por uma perspectiva instrumental,
abrangendo apenas um conjunto de conhecimentos técnicos, sobre o “como fa-
zer”. Tratada de forma universal, a didática se desvinculava dos problemas refe-
rentes aos objetivos da educação. Atualmente temos a visão da necessidade de
superação dessa perspectiva técnica sobre a didática, estamos em um momento em
que ultrapassar essa visão é fundamental, e para tal necessitamos, “[...] pensar a
prática pedagógica concreta, articulada com a perspectiva de transformação social,
que emergirá uma nova configuração para a Didática” (CANDAU, 2011, p. 14).

A prática docente é fator integrante do processo educativo, pelo qual os in-


divíduos são preparados para sua participação na vida social. Podemos dizer as-
sim, que a Educação é um fenômeno social, portanto podemos considerá-la uma

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atividade humana imprescindível a formação do homem e à existência da socieda-
de. A Educação não é apenas uma exigência social, mas “[...] sim um processo que
objetiva a promoção de conhecimentos e experiências culturais que proporcionam
ao homem o convívio social” (LIBÂNEO, 1994, p. 17).

O processo educativo é sempre social e politicamente contextualizado, sabemos,


pois, que a educação não é neutra, ela é historicamente determinada, para se atin-
gir, objetivos, exigências e ideologias de uma determinada classe social. Assim, a
prática educativa é integrada nas relações sociais, no trabalho docente. Ela faz parte
dos processos de organização social que são determinados por classes antagônicas.

A prática social dos profissionais da educação, não é uma prática isolada que se re-
duz somente ao que fazem. Pelo contrário, a prática social é sempre uma prática geral
do grupo social ao qual o professor está inserido. Isso ocorre porque a totalidade social
é sempre histórica e contraditória composta por elementos subjetivos e objetivos.

Para Candau (2011) todo processo de ensino-aprendizagem é situado, assim


a dimensão política é inerente a ele. O processo de ensino ocorre sempre numa
cultura específica e é direcionado à pessoas que ocupam um lugar definido na or-
ganização social em que estão inseridas. Assim, a dimensão político-social “[...] não
é um aspecto do processo de ensino-aprendizagem. Ela impregna toda a prática
pedagógica que, querendo ou não (não se trata de uma decisão voluntária) possui
em si uma dimensão política” (CANDAU, 2011, p. 14).

Sabemos que as finalidades da educação estão sempre subordinadas a interesses


de determinadas classes sociais, devido a nossa forma de organização e produção
social. Portanto, a prática educativa requer direcionamento, deve ser orientada
sobre suas finalidades e meios para sua realização, de acordo com a concepção de
homem e de sociedade que se quer formar.

Cabe então a Educação tal tarefa, sendo esta considerada a práxis educativa,
ou seja, como a teoria e a prática do processo educativo. A Educação tornou-se
assim “[...] um campo de conhecimentos que investiga a natureza das finalidades
da educação numa determinada sociedade, bem como os meios apropriados para a
formação dos indivíduos, tendo em vista prepará-los para as tarefas da vida social”
(LIBÂNEO, 1994, p. 24).

Nesse contexto, a Didática se enquadra no principal ramo de estudos da educa-


ção, pois como já vimos a Didática estuda os processos de ensino, que fazem parte
da Educação, que por sua vez é Estudada pelas Licenciaturas. A Didática, conforme
explica Libâneo (1994, p. 25-26) investiga os fundamentos, as condições e o modo
de realização do ensino, cabe a ela
[...] converter objetivos sociopolíticos e pedagógicos em objetivos de ensi-
no, selecionar conteúdos e métodos em função desses objetivos, estabele-
cer os vínculos entre ensino e aprendizagem, tendo em vista o desenvol-
vimento da capacidade dos alunos.

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UNIDADE A Didática e sua Relação com a Educação:
uma Análise Histórica e Filosófica

Há que se estabelecer uma diferenciação entre a Didática, e as metodologias


específicas de ensino. A Didática diz respeito à teoria geral do ensino. As meto-
dologias específicas estão articuladas à Didática, mas referem-se aos métodos e
conteúdos próprios de cada matéria. A Didática em consonância com a Pedagogia
generaliza os processos e métodos de ensino que são obtidos pelas metodologias
específicas, os quais fundamentam o ensino e a prática docente.

A Didática é uma disciplina de extrema importância para nós professores, pois


compreender o “como ensinar” pressupõe compreender que a escola, na busca por
cumprir sua função social e pedagógica, organiza, desenvolve e avalia os elemen-
tos (aluno-professor-conteúdo-recursos) envolvidos no processo educativo. Esses
elementos, na perspectiva de Damis (2006, p. 30) “[...] expressam e sistematizam
as condições e necessidades predominantes na realidade, direciona o aluno, ao
ser levado a estabelecer relações entre um conhecimento específico e a realidade
natural e social mais ampla [...]”. Por meio do saber transmitido, o aluno acaba por
adquirir à compreensão de mundo, habilidades e valores necessários a vida social.

Compreender a Didática de um ponto de vista dialético é entender que ação da


escola para a formação do aluno, possui uma finalidade social determinada, possui
significados que vão além da operacionalização do ensino, pois o ensino tem por
objetivo preparar o aluno para a vida social, a qual é marcada por determinações
e condições de uma prática social mais ampla. Destarte, a Didática deve ser enten-
dida não apenas do ponto de vista técnico, mas sim como um movimento amplo
que sistematiza o ensino, objetivando adaptar o homem a determinada sociedade
(DAMIS, 2006).

Atualmente – século XXI – devemos nos fundamentar na concepção de que a


Didática se constitui enquanto forma e conteúdo, ela é fundamental para que pos-
samos compreender e analisar as relações que se estabelecer entre a sociedade e
a escola, relação está que ocorre por meio do ensino. O professor ao definir sua
forma de ensinar, institui também um conteúdo implícito a sua ação pedagógica.
Nesse relação conteúdo e forma, o professor desenvolve o ensino de forma crítica
e contextualizada, superando a perspectiva técnica sobre a didática.

Assim, compreendemos que a Didática é um processo teórico-metodológico


imprescindível à prática e formação do professor.

Elaboramos um infográfico que busca resumir tudo aquilo que discutimos ao


longo dessa aula, apresentamos nele conceitos essenciais que resumem os pressu-
postos teóricos discutidos aqui nesta aula. Apresentamos quatro conceitos que são
indispensáveis para se compreender o processo de desenvolvimento da didática,
tendo em vista que a arte de ensinar é algo intrínseco da prática docente e na or-
ganização do trabalho docente.

18
Projeto Político Planejamento e
Pedagógico Prática Docente I
Didática e participação docente À primeira vista, parece que os
professores perderam suas
“O projeto pedagógico não é um funções de transmissores e
Didática significa arte de ensinar, conjunto de planos e projetos de
acerca desta arte, desde há construtores de conhecimentos.
professores, nem somente um
pouco tempo, alguns homens Processo Ensino e documento que trata das diretrizes
As profundas mudanças que se
estão processando na sociedade
eminentes, tocados de piedade Aprendizagem pedagógicas da instituição dão a impressão de que eles são
pelos alunos condenados a educativa, mas um produto dispensáveis e podem ser
rebolar o rochedo de Sísifo, A motivação é intrínseca específico que reflete a realidade substituídos por computadores e
puseram-se a fazer investigações, quando se trata de objetivos da escola, situada em um contexto outros equipamentos
com resultados diferentes. A internos, como a satisfação de mais amplo que a influência e que tecnológicos, por meio dos quais o
Didática é o método universal de necessidades orgânicas ou pode ser por ela influenciado". educando adquire conhecimentos.
ensinar tudo a todos. E de sociais, a curiosidade, a Portanto, trata-se de um Todavia, quando se buscam
ensinar com tal certeza, que seja aspiração pelo conhecimento; é instrumento que permite clarificar mudanças efetivas na sala de aula
impossível não conseguir bons a ação educativa da instituição e na sociedade, de imediato se
extrínseca, quando a ação da
resultados. E de ensinar educacional em sua totalidade. O pensa no mestre tanto do ponto
criança é estimulada de fora,
projeto pedagógico tem como de vista didático-pedagógico
rapidamente, ou seja, sem como as exigências da escola, a propósito a explicitação dos quanto político. Não se dispensam
nenhum enfado e sem nenhum expectativa de benefícios sociais fundamentos as tecnologias, pelo contrário,
aborrecimento para os alunos e que o estudo pode trazer, a teóricos-metodológicos, dos
para os professores, mas antes estimulação da família, do exige-se, cada vez mais, sua
objetivos, do tipo de organização e presença na escola, mas como
com sumo prazer para uns e para professor ou dos demais das formas de implementação e de
outros. (COMENIUS, 2001, p. 13) meios auxiliares e não como
colegas. (LIBÂNEO, 1994, p. 88) avaliação institucional.” (Veiga substitutos dos professores.
(1998, p. 11- 113) (GASPARIN, 2005, p.1)

Saberes necessários
Planejamento e
a prática docente
Prática Docente II:
Nas últimas décadas fizeram-se
plano de ensino e plano muitas pesquisas sobre o
de aula conhecimento profissional dos
Ela [a aula] é feita de prévias e professores. Sabemos que
planejadas escolhas de dificilmente o conhecimento
caminhos, que são diversos do pedagógico básico tem um
ponto de vista dos métodos e caráter muito especializado, já
técnicas de ensino; [...] também que o conhecimento
se constrói, em sua pedagógico especializado está
operacionalização, por estreitamente ligado à ação,
percalços, que implicam fazendo com que uma parte de
correções de rota na ordem tal conhecimento seja prático,
didática, bem como mudanças adquirido a partir de experiência
de rumo; [...] está sujeita a que proporciona informação
improvisos, porque não foram constante processada na
previstos, mas não pode atividade profissional. A
constituir-se por improvisações. formação inicial deve fornecer
(ARAUJO, 2008, p.60-62) base para se adquirir esses
conhecimentos especializados
(IMBERNÓN, 2011, p. 60).

Figura 3 – O processo de desenvolvimento da Didática


Fonte: Acervo do Conteudista

O infográfico apresentado nos possibilita verificar que a didática é o caminho


fundamental para se compreender o processo da prática docente, logo compreen-
der seus conceitos a partir de teóricos que são especialistas na área contribui para
a formação do profissional da educação.

E assim, finalizamos nossos estudos demonstrando que, Comênio ao elaborar


uma teoria clássica para abarcar o processo de ensino modificou a forma de ensi-
nar através dos tempos, sua luta foi para que todos tivessem acesso aos conheci-
mentos historicamente construídos pela humanidade. E, os filósofos posteriores ao
pai da didática, contribuíram de maneira significativa para que os fundamentos do
processo de ensino abarcassem instrumentos teóricos e pedagógicos para orientar
a instrução da criança, e como a teoria precede a prática, é visível que as relações
apresentadas a partir da filosofia modificaram a arte de ensinar nas escolas até os
dias atuais.

19
19
UNIDADE A Didática e sua Relação com a Educação:
uma Análise Histórica e Filosófica

Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:

Livros
Didática: velhos e novos temas
O livro organizado pelo renomado teórico Libâneo reúne uma coletânea de textos que
se tornaram relevantes sobre as discussões que envolvem a didática. São textos para
nos fazer pensar sobre o processo de construção e materialização da didática.
Repensando a Didática
O livro de Veiga visa pensar e repensar o papel da didática e a sua importância na
formação inicial e continuada de professores, a intenção da autora é estimular a busca
por uma didática que de fato concretize a prática pedagógica.

Filmes
Nenhum a Menos
O filme intitulado Nenhum a menos acontece em uma aldeia no vilarejo de Shuiquan, a
história baseia-se na vida de um professor da escola primária que precisa afastar-se da
docência por um tempo, e a única pessoa que poderá substituí-lo é uma jovem de 13 anos
de idade. A jovem sem nenhuma experiência irá enfrentar inúmeros desafios para cumprir
com o propósito de lecionar para seus alunos, até que o pequeno Zhang deixa a aldeia e
caminha rumo a cidade para buscar trabalho, e a pequena professora, determinada em
sua função vai atrás de seu aluno a fim de trazê-lo para os braços da escola.

Leitura
Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa
O livro de Paulo Freire visa demonstrar aos profissionais da educação a importância da
rigorosidade metódica, da pesquisa, da estética e da ética na educação. O autor ainda
ressalta que, ensinar esta para além da transferência de conhecimento é uma ação que
exige apreensão da realidade, pois o ensino é uma especificidade humana.
[Link]

20
Educação e Métodos de Ensino
no Saber-fazer Docente

• Educação e Métodos de Ensino no Saber-fazer Docente.

OBJETIVO DE APRENDIZADO
• Identificar as abordagens teórico-metodológicas do processo de ensino e a atuação
do professor.
UNIDADE Educação e Métodos de Ensino no Saber-fazer Docente

Educação e Métodos de Ensino


no Saber-fazer Docente
Iniciamos nossos estudos buscando o conceito de educação em Simone de
Beauvoir. Essa filósofa francesa contemporânea reflete, em seu livro intitulado
O Segundo Sexo, sobre o ser mulher nos dias de hoje. Essa discussão apresenta,
também, uma reflexão sobre o próprio processo de educação que esboçamos aqui.
Nesta obra, há uma citação fundamental para iniciarmos nossa discussão sobre a
importância da educação:
Ninguém nasce mulher: torna-se mulher. Nenhum destino biológico, psí-
quico, econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio
da sociedade; é o conjunto da civilização que elabora esse produto [...].
Somente a mediação de outrem pode constituir um indivíduo como um
Outro. (BEAUVOIR, 1967, p. 9)

A citação acima destaca a importância da educação em nossa sociedade. A dis-


cussão exposta pela filósofa evidencia o valor da educação em nossa cultura. Não
nascemos mulheres, assim como não nascemos homens. Para além da questão de
gênero, o que fica explícito, nesta discussão, é o fato de que não nascemos huma-
nos, mas tornamo-nos humanos por meio da vivência em sociedade.

A pergunta para fazer você, estudante, refletir é: quais ações nos diferenciam dos animais?
Explor

E o que nos torna homens e mulheres? Pense sobre isso para além da questão biológica!

De acordo com Beauvoir (1967), tornamo-nos


homens e mulheres por meio da cultura em que esta-
mos inseridos. Aprendemos, por meio da educação,
ou seja, do processo educacional, vindo de nossas
famílias, das escolas e, por fim, de nossa sociedade, a
sermos mulheres ou homens. Há inúmeros exemplos
que “[...] podemos citar com relação a essa divisão
de gênero e a educação que nossa sociedade impõe
a nós, seres humanos” (BEAUVOIR, 1967, p. 15).
Mais uma vez, ressaltamos que o foco de nossa aná-
lise não é o gênero, mas a educação que nos ensina,
por meio da sociedade e da cultura em que estamos Figura 1 – Simone de Beauvoir
inseridos, a sermos humanos – homens ou mulheres. Fonte: Wikimedia Commons

Se pensar em seu próprio processo de educação, perceberá que tanto a família


quanto as escolas – núcleos de educação sociais – interpõem modelos de educação
para ensinar-nos a viver em sociedade. Aprendemos a ser sociáveis, solidários,

8
respeitosos, a ter bons modos, além de toda uma gama de valores e atitudes que
nos permitem ser humanos, diferenciando-nos dos animais por meio do uso de
nossa racionalidade e da educação de nossa vontade.
[...] o ser humano não nasce humano, mas que se humaniza por meio da
cultura e da sociedade, por meio do processo de mediação, dado via so-
ciedade. Em cada tempo histórico, o homem a ser construído é diferente
porque responde às expectativas da sociedade. Esse é um pressuposto
fundamental para compreendermos a importância da educação: pois é
por meio dela que nos tornamos humanos. A grande questão é que o ser
humano é visto de forma diferente, dentro do processo de desenvolvimen-
to das sociedades. (LIMEIRA; PUZIOL, 2017, p. 50)

Nesse sentido, a educação é responsável por tornar-nos humanos. Embora nas-


çamos seres humanos, tornamo-nos humanos a partir da nossa inserção na so-
ciedade e por meio da cultura que nos é apresentada. Isso quer dizer que os seres
humanos são construídos socialmente e culturalmente, portanto, quando olharmos
para a formação humana de nossos pais e avós, veremos que seus princípios e
visão de mundo são completamente diferentes dos nossos, tendo em vista que a
sua forma de criança e o tempo em que foi criado era outro. Traremos um peque-
no excerto sobre o que é cultura; isso possibilitará compreender como a cultura
influencia no processo de desenvolvimento humano.
A cultura é duradoura embora os indivíduos que compõem um determinado
grupo desapareçam. No entanto, a cultura também se modifica conforme
mudam as normas e [Link] se pode dizer que a cultura vive
nas mentes das pessoas que as possuem. Mas as pessoas não nascem com
ela; adquirem-na à medida que crescem, suponha que um bebê húngaro
recém-nascido seja adotado por uma família residente nos Estados Unidos,
e que nunca digam a essa criança que ela é húngara. Ela crescerá tão alheia
à cultura húngara quanto qualquer outro [Link], quando falo
da cultura egípcia, refiro-me a todo conjunto de entendimentos, crenças e
conhecimentos pertencentes aos antigos egípcios. Significa, por exemplo,
tanto suas crenças sobre o que faz o trigo crescer, quanto sua habilidade
para fazer implementos necessários à colheita. Ou seja, suas crenças a res-
peito da vida e da morte. Quando falo de cultura, estou pensando em algo
que perdurou através do tempo. Se qualquer egípcio morresse, mesmo
que fosse o faraó, isso não afetaria a cultura egípcia daquele determinado
momento. (BRAIDWOOD, 1985, p. 41-42)

Ao esboçar seu entendimento sobre o termo cultura, o autor corrobora com a


ideia de que cada tempo histórico e cada sociedade possui sua cultura. Assim, a
cultura reflete as crenças e valores de uma determinada nação em um determinado
tempo histórico. O termo cultura envolve, nesse sentido, aspectos morais e éticos
de uma sociedade. No Brasil, por exemplo, no período da ditadura civil militar, a
atriz Leila Diniz, ao ser fotografada grávida, em trajes de biquíni na praia do Rio de
Janeiro, causou o maior alvoroço na opinião pública (ARANHA; MARTINS, 2009).

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9
UNIDADE Educação e Métodos de Ensino no Saber-fazer Docente

Explor
Você pode se perguntar o que há de mais em uma pessoa ser fotografada de biquíni e grávida?

Obviamente que não há nada de mais! Mas, no período em que isso aconteceu,
houve uma ebulição muito grande de opiniões a respeito do fato, e isso resultou
no Decreto n.º 1077/1970, que dizia não ser tolerado “[...] publicações e exte-
riorizações contrárias à moral e aos bons costumes quaisquer que sejam os meios
de comunicação” (BRASIL, 1970). Conseguem perceber que a cultura e os meios
sociais de uma determinada época ou período histórico influenciam em todas as
decisões de uma sociedade, sejam elas políticas, legais, éticas, sociais e, até mes-
mo, educacionais? O exemplo apresentado sobre a fotografia da atriz Leila Diniz
traz discussões sobre o que era valorizado naquele período e essa valorização tem
muito a ver com o educar das famílias, bem como os pressupostos teóricos a serem
ensinados nas escolas, isso porque a cultura tem fundamentos atemporais e tanto
regiões quanto países detém sua própria construção social e histórica.

O pesquisador Antônio Severino, em seu artigo “A busca do sentido da formação


humana: tarefa da Filosofia da Educação” (2006), auxilia-nos a compreender essas
mudanças a partir da perspectiva da educação e de sua relação com a ética e a po-
lítica. Severino (2006) afirma que, desde a Antiguidade e por toda a Idade Média:
[...] estes conceitos aparecem ligados à ideia de formação humana e,
portanto, à ideia de educação. Para este autor, a educação considera os
aspectos éticos e políticos que aparecem dentro de cada sociedade, justa-
mente porque a educação reflete os ideais políticos e éticos que balizam
cada cultura. (SEVERINO, 2006, p. 45)

Dentro do contexto que temos apresentado, compreende-se o homem como


uma construção social, política, histórica, cultural e temporal, já que, em cada tem-
po histórico, o processo da educação humana reflete as questões de seu tempo.
Como veremos nos próximos tópicos, em cada tempo determinado, por exemplo,
a Grécia Antiga, a Idade Média ou a Idade Moderna, deve ser entendido a partir de
sua influência na educação e, principalmente, os embates educacionais que trouxe
para o processo educacional.

Fernández (2001) discute o conceito de educação e cultura apoiando-se nos


escritos tanto de Freud quanto de Piaget. De Freud, ela utiliza os conceitos de cons-
ciente, pré-consciente e inconsciente. Na consciência está aquilo que se sabe; no
pré-consciente aquilo que está antes de saber. Podemos pensar nos conhecimen-
tos prévios que cada um de nós possui, mas que precisam tornar-se conscientes
para que façamos assimilações; por fim, no inconsciente, fica aquilo que não se
sabe, mas que pode, sim, ser conhecido por meio dos sonhos, medos e traumas
(FERNÁNDEZ, 2001).

A autora chama a atenção para o fato de que, enquanto professores, não utili-
zamos o pré-consciente de nossos alunos como deveríamos. Trazer à tona aquilo
que talvez nem mesmo o aluno saiba que sabe é um dos fatores que garantem uma

10
aprendizagem significativa. Quando fazemos nossos planos de aula e preenchemos
itens como a contextualização ou a problematização, é exatamente isso que esta-
mos fazendo: trazendo à tona conceitos, ideias, fatos e ações, a fim de que os con-
teúdos que pretendemos trabalhar tenham significado para o aluno. No entanto,
estudante, os conteúdos curriculares e a serem abordados em sala de aula precisam
fazer parte da realidade dos educandos.

Embora o pensamento tenha sido associado a não ação e ao não sentimento, não é assim
Explor

que devemos compreender o pensamento e o próprio processo de aprendizagem: pensa-


mento e aprendizagem são ações. Você já pensou sobre isso?

Por isso, a aprendizagem supõe duas características: a primeira delas é a esco-


lha, pois o aprender decorre do desejo, ou seja, da escolha em aprender e do poder
fazer uso deste saber. O pressuposto fundamental da abordagem da aprendizagem
decorre da ação de poder usar meus saberes (enquanto estudante/educando) para
aprender novas coisas; este é um ponto-chave quando falamos em aprendizagem
(FERNÁNDEZ, 2001).

A segunda característica que está intrínseca à aprendizagem é a inteligência. Para


Fernández (2001), inteligência não é adaptação ao meio; “[...] se a inteligência é
adaptação ao meio, as baratas seriam os seres mais inteligentes” (FERNÁNDEZ,
2001, p. 81). Isso significa, estudante, que, para aprendermos, precisamos de
um ensino que seja criativo, que dê significado às informações passadas pelos
educadores. A aprendizagem passiva, sem questionamentos e sem autorias, não é,
de fato, aprendizagem, pois “[...] a aprendizagem criativa é um interjogo constante
entre o incorporar o real externo a esquemas já existentes e modificá-los: assimilação
e acomodação” (FERNÁNDEZ, 2001, p. 81).

Portanto, entendemos que a aprendizagem criativa recorre aos princípios de


assimilação e acomodação. Esses termos ganham nova roupagem na teoria piage-
tiana: quando um aluno, motivado pelo desejo de aprender, justamente porque o
professor conseguiu que a informação (que, para o docente, é conhecimento) te-
nha significado para o aprendente. A acomodação e a aprendizagem desse conhe-
cimento pressupõem que o aluno ressignifique a informação, o que pode ocorrer
de formas diversas, haja vista que cada ser humano possui sua singularidade, suas
próprias vivências e experiências. É partindo dessa singularidade que o aluno cria
seus próprios conhecimentos.

Para exemplificar, a assimilação é aquele momento em que o aluno começa a


experimentar coisas novas e, nesse instante de experimentação, o educando já tem
capacidade de entendimento suficiente para compreender que aquilo é algo novo
em seu “mundo”. Este é o momento em que o aluno passa a incorporar novos
esquemas em seu pensamento e na sua linguagem, como no momento em que a
criança entende que gato é um animal, logo, todos os animais que tiverem quatro
patas e forem peludos, irão associar ao “gato”.

11
11
UNIDADE Educação e Métodos de Ensino no Saber-fazer Docente

É dessa maneira que a criança concebe todas as novas experiências de sua vida,
por meio da assimilação.

Já no processo de acomodação, este momento é que o aluno começa a fazer


ajustes em seu processo maturacional para incorporar novas experiências. Conti-
nuando no exemplo do “gato”; no momento em que a criança associa um animal
peludo e de quatro patas a um gato, ela chama-o de “gatinho”; no entanto, se
houver um adulto que a corrija e diga que aquele “gatinho” é um cão, a criança vai
aprender que o esquema que ela criou para animais peludos e de quatro patas não
funciona para todos os animais.

Assim, podemos dizer que esta ação “[...] é a condição da autonomia da pessoa
e, por sua vez, a autonomia favorece a autoria do pensar. À medida que alguém
se torna autor, poderá conseguir mínimo de autonomia” (FERNÁNDEZ, 2001,
p. 91). Nesse sentido, como processo e ato de produção de sentidos, de reconhe-
cimento de si mesmo como protagonista ou participante da aprendizagem, justa-
mente porque a aprendizagem não é mais vista de forma passiva, mas supõe ação
e criação, o que torna os alunos autores e não somente receptores.

O processo de criação ocorre enquanto se aprende; enquanto se cria. Portanto,


pensar na ação do professor em sala de aula, enquanto este ensina os conteúdos
curriculares, deve-se pressupor uma ação que seja, também, inquieta, pois, en-
quanto se está conhecendo, se está questionando.

A aprendizagem, do ponto de vista que apresentamos, deve partir da inquie-


tação, da atividade criativa tanto do aluno quanto do professor. Dar voz e espaço
para que cada um de nossos alunos tenham autonomia de pensamento sugere, por
um lado, uma nova metodologia e postura do professor: não mais a de detentor do
saber, mas aquele que possibilita a interação e o espaço necessário para que o su-
jeito aprendente seja um aprendente não somente de conteúdos, mas também um
aprendente e autor de suas próprias ações e, portanto, de sua própria vida. Há de
se distinguir, então, o trabalho do professor(a) neste campo de aprendizagens, pois
a pedagogia trabalha fazendo com que as coisas sejam pensadas;. Isso sig-
nifica que suas intervenções estão direcionadas a abrir espaços subjetivos
e objetivos onde a autoria de pensamento seja possível. (FERNÁNDEZ,
2001, p. 102)

A fim de compreender a citação acima, é preciso distinguir três campos do pensa-


mento: aquilo que é pensável, aquilo que é não pensável e aquilo que é impensável.

O impensável possibilita o pensar, porque se trata de fatos que não são pensa-
dos, não porque não queremos, mas porque, simplesmente, não pensamos nisso
ou não fomos instigados a pensar sobre determinado assunto.

Um exemplo que podemos dar a respeito de fatos não pensados e impensados


é a incorporação de filmes como recurso didático. Os filmes podem ser ótimos

12
recursos capazes de representar situações educativas dentro da sala de aula e, pos-
teriormente, realizar discussões ou intervenções com os educandos.

Os filmes são ótimos recursos educacionais para fazer pensar, gerar, no educando
e, até mesmo, no docente, o impensável no pensamento; uma maneira de suscitar
problemas sociais e culturais e buscar respostas para essas questões “impensáveis”.

Importante! Importante!

Não podemos fazer pelos outros aquilo que não fazemos por nós mesmos: autorizarmo-
-nos a pensar e termos autoria de pensamento é fundamental, se quisermos possibilitar
a autoria em outros. Isso implica saber que o pensamento é ação: “quando digo que eu
penso, estou dizendo que estou construindo algo novo ainda em relação ao que pensava
antes” (FERNANDEZ, 2001, p. 106).

Inicialmente, estudante, você deve compreender que a aprendizagem não ocor-


re somente dentro de um contexto determinado, como o escolar, por exemplo.
O processo de ensino e aprendizagem ocorre ao longo de nossas vidas. Desde
nosso nascimento, aprendemos a comer, a andar, a escrever, a ler, a nos relacionar
e tantas outras aprendizagens que podemos pensar.

Ocorre que, nem sempre, este processo ocorre de forma sistematizada, como
na escola. Por isso, é preciso saber que nós, humanos, sempre estamos em proces-
so de ensino e aprendizagem, ainda que não percebamos imediatamente.

Nesse momento, nossas discussões abarcam o processo de ensino e de apren-


dizagem proposto por Libâneo, em seu livro intitulado “Didática”. Esse educador
brasileiro apresenta cinco propostas de processos de ensino, distintas entre si, que
possibilitam que esse processo seja desenvolvido. Os processos de ensino ou mé-
todos de ensino são utilizados como aporte teórico para que o professor consiga
desenvolver o seu plano de trabalho e o seu plano de aula; os métodos de ensino
são: o processo de exposição, de trabalho independente, de elaboração conjunta,
de trabalho em grupo e atividades especiais.

O primeiro é o método de exposição; este consiste na apresentação dos conteúdos


a serem aprendidos de forma verbal, seja falando sobre o tema, seja demonstrando
por meio de ilustrações e exemplificações, dentre outras formas. A ideia é que o con-
teúdo seja exposto pelo professor para que o aluno possa aprender. Nessa forma de
aprendizagem, a participação do aluno é nula, pois é o professor quem transmite o
conhecimento. Tal metodologia é encontrada nas escolas tradicionais, cuja pedagogia
centra o professor no processo de ensino e aprendizagem. O método expositivo de
ensino é muito utilizado nas salas de aula e este não favorece o desenvolvimento das
competências e habilidades dos alunos. Ele serve para expor o conteúdo aos alunos.

O segundo é o método de trabalho independente, que consiste em um estudo


dirigido ou na solução de problemas, de forma individual, que é desenvolvido
dentro da sala de aula. É um recurso pedagógico em que professor e aluno

13
13
UNIDADE Educação e Métodos de Ensino no Saber-fazer Docente

trabalham juntos. Nesse caso, o aluno recebe um estudo a ser realizado ou um


problema a ser resolvido e trabalha individualmente ou coletivamente, mas tem a
orientação do professor sempre que possível. Esse método pode ser trabalhado
a partir de estudos de caso, e a criatividade e o pensamento lógico são funda-
mentais nesse método.

O terceiro método de ensino proposto é o da elaboração conjunta. Esse método


baseia-se no diálogo entre professor e aluno ou entre aluno e aluno, a fim de que
a aprendizagem ocorra. Por meio de perguntas, o professor incentiva a reflexão
e o processo de elaboração das respostas. Esse método visa que o aluno obtenha
novos conhecimentos, atitudes e habilidades.

O quarto é o método de trabalho em grupo, que propõe, por meio de debate,


seminários ou outras formas de trabalho em grupo, o estudo sobre determina-
do tema e a apresentação de elementos que afirmam a aprendizagem sobre ele.
No caso do seminário, por exemplo, um grupo de alunos é convidado a apresentar
e debater determinado tema, mostrando domínio sobre este em sua argumenta-
ção. Esse método de ensino estimula o trabalho em grupo, o debate e a reflexão
conjunta sobre um determinado aspecto. Além do mais, esse método estimula a
aprendizagem cooperativa, autônoma e de construção do conhecimento coletivo.

O último método consiste nas atividades especiais, que seriam, por exemplo, o
estudo do meio ou as atividades práticas. São atividades realizadas fora do contexto
escolar, que servem para explorar, elaborar e refletir sobre o conhecimento.

Diante dos métodos de ensino expostos acima, é preciso questionar acerca de


sua utilização: será que é possível utilizar o mesmo método sempre e para
todos os conteúdos a serem elaborados pelo aluno?

Como estamos tratando do processo de ensino e aprendizagem sistematizado,


é preciso pensar que a organização e a eleição dos métodos a serem utilizados
mantêm relação direta com os objetivos da aula e da organização do trabalho peda-
gógico. Por exemplo: se meu objetivo, como professora, é alfabetizar o aluno,
qual desses métodos trará a melhor resposta para o seu cumprimento?

O conteúdo e os objetivos a serem realizados na aula são determinantes para


a escolha do método. Além disso, essa escolha depende, ainda, do conhecimento
do professor sobre os alunos com os quais trabalha e dos fundamentos teórico-me-
todológicos que irá transmitir aos alunos. Por isso, é importante saber como cada
aluno aprende, além do professor compreender que existem inúmeros métodos
que irão lhe auxiliar em seu processo de ensino. Se tenho alunos mais inquietos,
por exemplo, os métodos de trabalho em grupo podem ser melhores do que os de
trabalho individual ou de exposição pelo professor.

Para finalizar, um último ponto é bastante importante para pensarmos, caro


estudante. A escolha do método de ensino e aprendizagem depende, ainda e pri-
mordialmente, de como o professor compreende a educação e a aprendizagem.

14
Suas crenças nesses conceitos definirão o modo como atua em sala de aula e como
realiza o processo.

Portanto, é necessário pensar sobre a educação e ter uma definição, ainda que
prévia, pois sempre podemos e devemos repensar sobre ela; isso é fundamental
em sua caminhada nesta área, assim como pensar a educação, a aprendizagem, o
ensino e as práticas que estão sendo desenvolvidas.

Leia o artigo de Santos, “Abordagens do processo de ensino e aprendizagem”. Aqui, o autor


Explor

faz considerações sobre o processo de ensino e aprendizagem e como esse mecanismo esta
associado à cultura. Disponível em: [Link]

Nos dias atuais, há um consenso sobre a importância de se utilizar o computador


e a internet na educação e no saber-fazer docente, tendo em vista que seu uso deve
ser realizado de maneira que o aluno ou, até mesmo, o professor sejam auxiliados
por meio dessa tecnologia, empregando recursos que visem melhorar, cada vez
mais, a eficácia da construção do conhecimento e suas relações com a sociedade.

Para Tajra (2012), os professores precisam tomar posse dos softwares educa-
cionais e precisam ser capacitados para utilizá-los como um instrumento peda-
gógico. A partir do momento que a instituição disponibiliza instrumentos para o
professor, como a internet, para auxiliar suas aulas, é preciso que o docente tenha
capacidade de avaliar, de forma adequada, no que ela pode contribuir para a sua
necessidade didática.

Importante! Importante!

A internet é mais um canal de conhecimento, de trocas e buscas. A internet não substi-


tui, ela facilita, aprimora as relações humanas, elabora novas formas de produção, esti-
mula uma cultura digital, libera tempo, une povos e culturas e gera uma nova sociedade.
A internet não se resume a um conjunto de backbones que interliga fisicamente os países
e as informações. A tecnologia não está isolada de seu contexto histórico e de suas rela-
ções sociais. Quando falo internet, refiro-me à complexa rede hipertextual de lógicas e
conhecimentos interrelacionados (TAJRA, 2012, p. 145).

Assim, o professor deve refletir a respeito da nova realidade do ensino existente,


além de repensar sua prática e desenvolver novas maneiras de ação para alcançar
melhorias. De acordo com Sanches (2008, p. 11), “[...] o professor não pode fe-
char o olhar para essa realidade, mas deve agregar esse recurso à sua didática de
ensino, pois deve ser o mediador entre ambientes tecnológicos e alunos”.

Portanto, demonstramos a clara necessidade de capacitar os professores para


atuarem com e por meio da internet, além de saberem lidar com recursos tecno-
lógicos por ela proporcionados como aliados do ensino. Para Tajra (2012), essa
nova realidade educacional precisa integrar a tecnologia com a proposta de ensi-

15
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UNIDADE Educação e Métodos de Ensino no Saber-fazer Docente

no do professor. Mesmo que o uso das tecnologias auxilie o processo de ensino-


-aprendizagem, o professor deve, ainda, atuar como mediador e coordenador des-
se processo.

Para Magedanz (2004, p. 6), é extremamente importante que o professor valha-


-se de ambientes informatizados, que empreguem softwares educativos, que bus-
quem sempre uma didática construtiva e educativa.

O professor tem uma figura muito importante, uma vez que suas experiências
pedagógicas são fundamentais para ampliar o campo de conhecimento dos alunos.
A partir do momento que o professor tem acesso e conhece as técnicas que envol-
vem as TICs, suas atividades desenvolvidas em sala de aula, como debates, exercícios
e provas, passam a assumir um novo significado de construção do conhecimento.

A internet traz muitas vantagens para o docente no processo de ensino e apren-


dizagem, quando utilizada de maneira adequada. No entanto, existem alguns pro-
blemas e limitações quando a utilização é incorreta e despreparada, podendo gerar
até transtornos no processo educacional.

Para que o professor e a professora passem a utilizar a internet como recurso


pedagógico, é necessário que estejam capacitados e conscientes sobre suas impli-
cações no processo de aprendizagem: positivas e negativas, além de conhecerem
seus serviços e que saibam, de fato, utilizar essa ferramenta para fins pedagógicos.

Sabemos que a maioria dos professores, por não possuírem pleno domínio
da utilização da informática, apresentam certo receio quanto à sua introdução
e manuseio no ambiente educacional. É compreensível essa insegurança, mas,
pensando nisso, é muito importante que as escolas realizem capacitações eficien-
tes e possíveis para que tragam maior segurança ao professor, consequentemente,
proporcionando-lhe “[...] confiança em desenvolver trabalhos que envolvam o uso
dos computadores, e os tornem aptos a fazerem uso da informática e da internet
em sala de aula” (MORAN, 2001, p. 23).

Há uma situação bem dicotômica no âmbito educacional. O professor vem ga-


nhando cada vez mais direitos de utilizar essa ferramenta em suas aulas, mas,
infelizmente, ainda não sabe como utilizá-la. Por isso a necessidade de se capaci-
tar professores, já que as capacitações quebram barreiras e acabam gerando uma
compreensão maior da evidente necessidade de inovar nas aulas.
Uma capacitação eficiente envolveria toda a comunidade educacional, sen-
do necessário um investimento [...] em projetos que favoreçam essa mu-
dança, possibilitando a implantação bem como sua aplicação, de acordo
com as necessidades e a viabiliadade educacional. (MORAN, 2001, p. 19)

Por isso, existe a necessidade dos espaços educativos investirem cada vez mais
em projetos que incluam informática e internet em seus currículos. Contudo, é
necessário considerar as características individuais de cada professor, nos aspectos
pedagógicos e sociais, sejam conservadas mesmo diante das transformações ocor-
ridas no âmbito tecnológico.

16
Logo, a formação de professores e o ambiente educativo devem objetivar a edi-
ficação da aprendizagem do aluno, favorecendo a construção de um ser humano
completo nos aspectos didáticos e sociais. Isso quer dizer que todas as medidas de-
vem favorecer o aluno, sendo que este é o centro de todo esse processo, por isso:
[...] educar é levar o aluno ao conhecimento, ou seja, aprender a geren-
ciar um conjunto de informações e torna-las algo mais significativo para
si, e não simplesmente absorver informações, pois estas são possíveis
de serem esquecidas e de se perderem. Além de gerenciar a informa-
ção, é importante aprender a gerenciar também todo o universo das
emoções. O processo de educar é complexo, e não envolve somente o
processo de ensinar ideias, ensinar também a lidar com as sensações
e emoções que ajudam a manter o equilíbrio e a viver com confiança.
(MORAN, 2001, p. 19)

A aplicabilidade da internet pode ser definida, essencialmente, como um re-


curso que seja capaz de viabilizar o processo de comunicação e de transmissão de
informações. Devido ao seu formato dinâmico, a Internet, hoje, é considerada
como uma das ferramentas mais completas na área da comunicação. Assim, devi-
do a seu aspecto atrativo, ágil e dinâmico, quando bem empregada, a internet pode
tornar-se uma grande aliada no processo de ensino e de aprendizagem, por isso, é
fundamental que o professor saiba o básico sobre informática.

No Brasil, 73% dos professores usam a internet em sala de aula, isso quer dizer que, aproxi-
Explor

madamente, 3 entre 4 professores no Brasil usam internet em sala de aula e 93% das escolas
estão conectadas à internet. Mesmo apesar da alta taxa de conectividade, boa parte dos
professores não conseguem aproveitar o potencial da tecnologia para o ensino.

Sabemos o quanto é difícil utilizar ferramentas tecnológicas na educação, pois há


perfis bem diferentes, e a formação tradicional de professores acaba não incluindo,
no currículo docente, o uso e o conhecimento de ferramentas tecnológicas. Isso
resulta na exclusão dessas ferramentas da sala de aula, achando que não é neces-
sária para o processo de aprendizagem. Nesse momento, apresentamos algumas
estratégias para facilitar a adoção do uso de tecnologias pelos docentes. Vejamos:

• Busque capacitação, fora da


Comece pequeno instituição, se autoestimule a
pesquisar mais sobre tecnologias.

Complemente • Use a tecnologia todos os dias, e


pesquise sobre as ferramentas para
suas práticas se trabalhar em sala de aula.

• Realize os treinamentos
Treinamentos propostos pela escola.

Figura 2 – Estratégias da era digital para professores

17
17
UNIDADE Educação e Métodos de Ensino no Saber-fazer Docente

Diante de tantas possibilidades, a internet é uma valiosíssima ferramenta para mu-


dar o processo de ensino, mas, para isso, os professores precisam de capacitação e
estarem atentos ao ritmo de cada aluno, para que a curiosidade seja despertada não
somente pelo uso da internet. Assim, compreendemos que, até mesmo para o pro-
cesso didático, as novas tecnologias são imprescindíveis em nossa atuação pedagógi-
ca, por isso, você encontrará um infográfico que apresentará elementos conceituais,
os quais estão envoltos ao processo didático da educação.

Elementos conceituais do
processo didático
ESCOLA
C PROFESSOR
“Sua função é facilitar o processo de
aprendizagem”.
“A escola é para todos, tem caráter
democrático, a organização disciplinar
é realizada por meio da participação
A
da comunidade, oferecendo
condições para o processo de
aprendizagem dos alunos”.

D
ENSINO E APRENDIZAGEM
“Os objetivos educativos da escola
precisam obedecer os princípios de
ALUNO currículo e estar organizado

B
“Sujeito que faz parte da instituição, coletivamente no trabalho dos
ele é o centro do processo de ensino professores, os conteúdos precisam
e aprendizagem, o professor deve ser selecionados a partir do interesse
enfocar a sua criatividade ou seja um dos alunos, e a avaliação acontece
aluno que aprendeu a aprender”. dentro do processo formativo”.

Figura 3 – Elementos conceituais do processo didático

O infográfico apresentado traz as principais conceituações que envolvem o pro-


cesso da educação, do processo educacional, organização do trabalho pedagógico
e a utilização das tecnologias educacionais. Os conceitos de escola, aluno, profes-
sor e ensino-aprendizagem são fundamentais para empreendermos sobre os obje-
tivos educativos que intencionamos desenvolver em nossa prática, tendo em vista
que esses conceitos permeiam todas as ações a serem desenvolvidas no processo
de ensino e de aprendizagem, estando envoltos nos pressupostos culturais, sociais,
políticos e históricos.

Assim, nesta aula, resgatamos o processo de construção da educação e a influ-


ência da cultura nesse movimento, salientamos os pressupostos de como a apren-
dizagem acontece e os métodos que proporcionam o ensinar, para que a aprendi-
zagem, de fato, se concretize na ação docente.

18
Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:

Livros
Didática
O livro, escrito por um renomado educador brasileiro, discute acerca da didática e seus
processos de ensino. Como ensinar? Quais os métodos? O que é processo de ensino e
aprendizagem? O que é didática? Esses e outros temas são abordados neste livro, que
é essencial à formação de professores.
Adeus professor, adeus professora?: novas exigências educacionais e profissão docente
O livro organizado por Libâneo visa discutir ações sobre o papel do professor, a
importância desse profissional aproximar-se e compreender o funcionamento das
novas tecnologias em sua atuação, não desvinculando os textos sobre a importância
da qualidade da educação e da formação de professores.

Filmes
Como estrelas na Terra toda criança é especial
O filme retrata a história de uma criança disléxica, mas que é tarjada de incapaz de
aprender por falta de conhecimento dos pais, professores e médicos, até que um
professor, também disléxico, cruza o seu caminho.
Piratas da Informática – Piratas do Vale do Silício
O filme é uma história baseada no processo de construção das empresas norte-
americanas de software, Apple e Microsoft. A película apresenta, a partir do viés
de seus criadores, como foi esse momento, e um dos pontos máximos do filme é o
momento que retrata que alguém se apropria indevidamente de um sistema operacional
para beneficiar a empresa de Bill Gates.

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19
Projeto Político Pedagógico
e Participação Docente

• Introdução;
• A Importância do PPP na Organização
do Trabalho Pedagógico.

OBJETIVO DE APRENDIZADO
• Conhecer a importância da participação docente na constituição do projeto
político-pedagógico.
UNIDADE Projeto Político Pedagógico e Participação Docente

Introdução
Iniciamos nossos estudos tratando sobre como o trabalho modifica o trabalhador,
já que faz parte da participação docente na construção do projeto político pedagó-
gico. É necessário pensar que, nesse processo de participação docente, há algo que
a antecede tal questão: a práxis social. Portanto, devemos entender a práxis social
como um trabalho “[...] cujo processo de realização desencadeia uma transformação
real do trabalhador” (TARDIF, 2002, p. 56). Sabemos que o trabalho não é uma
tarefa que apenas modifica determinados objetos encontrados na natureza; o traba-
lho visa modificar a identidade do trabalhador e sua forma de agir sobre o mundo.

Figura 1 – O trabalho docente no planejamento


Fonte: Mark Bowden/123RF

Podemos dizer que o trabalho modifica a identidade do trabalhador, pois, a par-


tir do momento que o indivíduo experiencia as ações de estar inserido em um local
de trabalho, este passa a compreender as problemáticas que envolvem suas ações.
Um exemplo disso é, se um professor ou uma professora, de qualquer área do
conhecimento, tem experiência de mais de 25 anos no magistério, esse profis-
sional não faz, simplesmente, alguma coisa; ele modifica sua identidade, passa a
alterar as marcas de sua atividade ao longo do período que leciona e sua existência
passa a ser caracterizada por sua atuação profissional. Com o passar dos anos,
esse profissional torna-se um(a) professor(a) com sua própria cultura, seu ethos,
suas funções e interesses (TARDIF, 2002).
Se sabemos que o trabalho modifica o homem em sua identidade, é fato que o
trabalho também irá moldar a forma desse indivíduo trabalhar, pois
[...] em toda ocupação, o tempo surge como um fator importante para
compreender os saberes dos trabalhadores, uma vez que trabalhar remete
a aprender a trabalhar, ou seja, a dominar progressivamente os saberes
necessários à realização do trabalho [...] o trabalho é aprendido através da
imersão no ambiente familiar e social, no contato direto e cotidiano com
as tarefas dos adultos cuja realização as crianças e os jovens são formados
pouco a pouco, muitas vezes por imitação, repetição e experiência direta.
(TARDIF, 2002, p. 57)

8
Por isso, a aprendizagem concreta que envolve o ofício da prática docente passa
a assumir uma forma de relação entre o trabalhador e seu trabalho. As experiências
vivenciadas são de grande importância para o processo de formação e organização
do trabalho pedagógico.

Os saberes docentes estão intimamente ligados ao trabalho e, com certeza, são


ações temporais, já que são construídas e dominadas de maneira progressiva por
aqueles que atuam na profissão. As diversas situações que os trabalhadores da
educação enfrentam em seu cotidiano demonstram que eles precisam desenvolver
habilidades e competências, isto é, atitudes específicas para solucionar determina-
dos problemas que irão aparecer no cotidiano escolar. Logo, a prática profissional
“[...] consiste numa resolução instrumental de problemas baseada na aplicação de
teorias e técnica científicas construídas noutros campos” (TARDIF, 2002, p. 58).

Assista ao vídeo sobre a Pedagogia da Autonomia, de Paulo Freire. O vídeo trata da impor-
Explor

tância do saber e a prática de saber. Disponível em: [Link]

Até o momento, percebe-se que as relações necessárias para a construção de


uma boa prática docente é o tempo, o trabalho e a aprendizagem. Esses quesitos
contribuem para a ampliação dos saberes profissionais que atuam na educação.
Podemos denominá-los de prática cotidiana, pois são os saberes adquiridos no
processo de formação e construção profissional que os professores terão subsídios
para solucionar problemas referentes ao projeto político pedagógico e a participa-
ção da comunidade.

A construção de saberes docentes é o ponto chave da atuação dos professores.


Obviamente, este processo não é uma tarefa fácil. Salientamos que “saber” tem um
sentido amplo, que envolve conhecimentos, competências, habilidades e atitudes
dos professores. No entanto, esses conhecimentos não são suficientes para que
haja uma boa ação e participação docente no processo de organização da escola.
Por exemplo: muitos professores acreditam que apenas ter conhecimento da
matéria/disciplina que ministram é suficiente para executar a sua aula.

No entanto, sabemos que isso é um completo erro, pois o planejamento e o


conhecimento são fundamentais para que o conhecimento a ser transmitido aos
educandos aconteça de maneira eficiente e eficaz. Isso porque
[...] os saberes servem de base para o ensino, [...] não podem se limitar
apenas a conteúdos bem circunscritos que dependem de um conhecimen-
to especializado. Eles devem abranger uma grande diversidade de objetos,
questões e problemas que estão relacionados com o trabalho e a prática
docente. (TARDIF, 2002, p. 61)

9
9
UNIDADE Projeto Político Pedagógico e Participação Docente

Assim, a participação docente só irá ser efetiva a partir do momento que os


saberes profissionais dos professores forem plurais e heterogêneos; serão esses
saberes que trarão à tona o exercício da participação docente.

Importante! Importante!

A participação docente deve abranger a diversidade dos saberes dos professores, sendo
construído, assim, um modelo de categorias que irão edificar o conhecimento e a parti-
cipação dos professores em sua prática profissional.

Apresentaremos o quadro a seguir que demonstra um modelo para que saiba-


mos identificar e classificar os saberes docentes. Ao invés de propormos critérios,
que apenas ajudam a discriminar alguns professores, buscamos compartilhar sabe-
res que contribuam para o pluralismo de ideias e do saber profissional.

Quadro 1 – Saberes dos Professores


MODOS DE INTEGRAÇÃO NO
SABERES DOS PROFESSORES FONTES SOCIAIS DE AQUISIÇÃO
TRABALHO DOCENTE
A família, o ambiente de vida, a Pela história de vida e pela
Saberes pessoais dos professores
educação no sentido lato socialização primária.
Saberes provenientes da formação A escola primária e secundária, os Pela formação e pela socialização
escolar anterior estudos pós-secundários pré-profissional
Os estabelecimentos de formação de Pela formação e pela socialização
Saberes provenientes da formação
professores, os estágios, os cursos de profissionais nas instituições de
profissional para o magistério
reciclagem formação de professores.
Saberes provenientes dos programas e A utilização das ferramentas dos Pela utilização das ferramentas
livros didáticos usados no trabalho professores, programas, livros didáticos. de trabalho
Saberes provenientes de sua própria
A prática do ofício na escola e na sala de Pela prática do trabalho e pela
experiência na profissão, na sala de aula
aula, a experiência dos pares. socialização profissional.
e na escola
Fonte: Tardif (2002, p. 63)

O quadro que apresentamos deixa evidente que os fenômenos da prática pro-


fissional são extremamente importantes para a participação e desenvolvimento do
saber docente. Isso porque o saber docente é utilizado em qualquer contexto de
atuação dos professores, seja na sala de aula ou junto à coordenação pedagógica,
os conhecimentos dos professores demonstram o registro da natureza social de sua
ação, principalmente, na organização do trabalho pedagógico.

Importante! Importante!

O saber profissional está, de certo modo, na confluência entre várias fontes de saberes
provenientes da história de vida individual, da sociedade, da instituição escolar, dos ou-
tros atores educativos, bem como dos lugares de formação. Ora, quando estes saberes
são mobilizados nas interações diárias em sala de aula, é impossível identificar imedia-
tamente suas origens: os gestos são fluidos e os pensamentos, [...] convergem para a
realização da interação educativa do momento (TARDIF, 2002, p. 64).

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Vejam quão importante é que o docente tenha saberes e como esses saberes
influenciam em sua prática social e pedagógica!
Agora, é o momento de falar do Projeto Político Pedagógico (PPP). Este é um
documento elaborado dentro de cada instituição escolar, que tem, por finalidade,
orientar o trabalho pedagógico durante todo o ano letivo. Inicialmente, trataremos
o conceito de planejamento, isso porque o PPP é fruto desse processo, e o plane-
jamento precede o PPP. Depois, iremos articular com o saber docente e a partici-
pação do professor. Mas o que vem a ser o planejamento?
Segundo Vasconcellos (2012, p. 106, grifos do autor), “o planejamento deve
partir da realidade concreta tanto dos sujeitos, quanto do objeto de conhecimento
e do contexto em que se dá a ação pedagógica [...]”, ou seja, o professor deve co-
nhecer a realidade social da comunidade em que a escola se encontra e dos alunos
que a frequentam para fazer um planejamento coerente, assim como é importante
o professor ter conhecimento frente ao objeto estudado.
Dessa forma, “a escola é o lugar de concepção, realização e avaliação de seus
projetos educativos, uma vez que necessita organizar seu trabalho pedagógico com
base em seus alunos [...]” (VEIGA, 2011, p. 11). Então, o Projeto Político Pedagó-
gico (PPP) deve ser elaborado a partir da realidade concreta.

Importante! Importante!

O projeto educacional das instituições escolares é constituído pela articulação entre os


diversos projetos de vida; por meio da convergência de sonhos, a escola torna-se espaço
democrático para formar vidas.

Para Vasconcellos (2012), deve-se levar em consideração as características


dos alunos que frequentam a escola, para que o ensino seja organizado confor-
me suas necessidades.
Além disso, assim como o PPP é elaborado, este também deve ser executa-
do e avaliado para que haja mudanças quando necessário. Em complemento, “o
planejamento escolar é uma tarefa docente que inclui tanto a previsão das ativida-
des didáticas em termos de sua organização e coordenação em face dos objetivos
propostos, quanto a sua revisão e adequação no decorrer do processo de ensino
[...]” (LIBÂNEO, 2012, p. 221).
O planejamento “[...] não pode ser um documento rígido e absoluto, pois uma
das características do processo de ensino é que está sempre em movimento, está
sempre sofrendo modificações face às condições reais [...]” (LIBÂNEO, 2012,
p. 223). Portanto, deve ter coerência entre aquilo que foi planejado e a prática,
mas é preciso explicitar que essa questão não faz com que o planejamento seja es-
tático, ao contrário, ele deve ser avaliado, refletido e modificado constantemente,
conforme as necessidades que forem surgindo ao longo do caminho, sendo flexível
para serem feitas as alterações necessárias.

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11
UNIDADE Projeto Político Pedagógico e Participação Docente

O planejamento pode ser encontrado em diversas áreas do conhecimento, as-


sim como na vida pessoal de cada pessoa. Do mesmo modo que o planejamento é
importante nesses locais, ele exerce um papel fundamental no âmbito educacional,
já que, por meio dele, é possível que seja pensado, planejado, executado e avaliado
o processo de ensino e aprendizagem. Dessa maneira, o planejamento tem grande
importância para a educação. A seguir, apresentaremos o planejamento em dife-
rentes níveis e modalidades.
O planejamento mais abrangente, exposto por Vasconcellos (2012), é o Plane-
jamento do Sistema de Educação, que é feito em nível nacional, estadual ou muni-
cipal, assim como estipula a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (9394/96), em
que a União é responsável por: “I – elaborar o Plano Nacional de Educação, em
colaboração com os Estados, o Distrito Federal e os Municípios” (BRASIL, 1996).
O Planejamento Educacional, então, “[...] consiste no processo de análise e
reflexão das várias facetas de um sistema educacional, para delimitar suas dificul-
dades e prever alternativas de solução [...]” (HAYDT, 2011, p. 95), ou seja, tal pla-
nejamento é responsável por direcionar os professores sobre os caminhos a seguir,
de forma a solucionar as dificuldades educacionais apresentadas no país, estado
ou cidade, conforme a concepção política de educação predominante pelo Estado.
Dessa forma, esse planejamento é importante para explicitar a filosofia educacional
que o país adotou para formar a população (MENEGOLLA; SANT’ANNA, 2012).
A forma dessa filosofia educacional adotada pelo país chega às escolas brasilei-
ras por meio do planejamento escolar, que diz respeito ao Projeto Político Pedagó-
gico (PPP) da instituição, tendo, como objetivo, direcionar e formular planos frente
à concepção política e pedagógica da escola, em consonância com o que é exposto
no planejamento educacional. Portanto, todos os PPP são:
[...] um projeto político por estar intimamente articulado ao compromisso
sociopolítico com os interesses reais e coletivos da população majoritá-
ria. É político no sentido de compromisso com a formação do cidadão
para um tipo de sociedade. [...] Pedagógico, no sentido de definir ações
educativas e as características necessárias às escolas de cumprirem seus
propósitos e sua intencionalidade. (VEIGA, 2011, p. 13)

Assim, o planejamento escolar, como o planejamento educacional, expressa a


filosofia de educação adotada pelo país. O plano da escola pode ser caracterizado
da seguinte forma:
o plano da escola é o plano pedagógico e administrativo da unidade esco-
lar, onde se explicita a concepção pedagógica do corpo docente, as bases
teórico-metodológicas da organização didática, a contextualização social,
econômica, política e cultural da escola [...]. (LIBÂNEO, 2012, p. 230)

Então, o plano escolar da instituição possui, como objetivo, direcionar e for-


mular planos frente à concepção política e pedagógica da escola, isto é, é o docu-
mento que possui todas as informações sobre a instituição, que deve ser produzido,
discutido e analisado coletivamente pela equipe escolar (LIBÂNEO; OLIVEIRA;
TOSCHI, 2003) , pais e alunos, já que a escola deve ser pautada na Gestão Demo-

12
crática, assim como exposto no Art. 14 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação
(9394/96).
Art. 14. Os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática do ensino
público na educação básica, de acordo com as suas peculiaridades e conforme os
seguintes princípios:

I - participação dos profissionais da educação na elaboração do projeto pedagó-


gico da escola; II - participação das comunidades escolar e local em conselhos
escolares ou equivalentes. (BRASIL, art. 14, 1996)

Logo, é um direito da comunidade escolar e local a participação na elaboração


do PPP, para que todos estejam cientes do objetivo e concepções em que a escola
está pautada e para que trabalhem juntos, de forma a atingi-los, proporcionan-
do, então, que todos aqueles relacionados ao processo de ensino-aprendizagem
dos alunos tenham conhecimento frente à estrutura organizacional da escola, seus
objetivos e metas. Isso propicia, também, uma aproximação entre as diferentes
esferas que estão envolvidas nesta integração, ou seja, pais, alunos, professores,
comunidade, etc. (LIBÂNEO, 2004).
No PPP, deve constar o Planejamento Curricular da instituição, que é definido
por Vasconcellos (2012, p. 95) como “[...] a proposta geral das experiências de
aprendizagem que serão oferecidas pela escola, incorporada nos diversos com-
ponentes curriculares”, isto é, a escola é responsável pela elaboração deste pla-
nejamento e nele são estabelecidos e estruturados todos os conteúdos que serão
trabalhados em sala de aula, de cada ano escolar, não deixando de vincular-se com
as propostas de currículo advindas da união, estadas e municípios.
Dessa maneira, o planejamento deve ser pensado pelo professor e, posterior-
mente, pode haver a sistematização do que foi planejado.
Portanto, o planejamento de aula oportuniza, ao professor, a possibilidade de
pensar, refletir e buscar diferentes estratégias pedagógicas para potencializar o
processo de ensino e aprendizagem em sala de aula.
Até aqui, vimos sobre a questão do planejamento. Agora, adentramos nas dis-
cussões que envolvem o Projeto Político Pedagógico.

A Importância do PPP na
Organização do Trabalho Pedagógico
Vejamos o que Libâneo (2012, p. 483) fala a respeito do PPP:
[...] com a disseminação das práticas de gestão participativa, foi-se conso-
lidando o entendimento de que o projeto pedagógico deveria ser pensado,
discutido e formulado coletivamente, também como forma de construção
da autonomia da escola, por meio da qual toda a equipe é envolvida nos
processos de tomada de decisões sobre aspectos de organização escolar
e pedagógico-curricular.

13
13
UNIDADE Projeto Político Pedagógico e Participação Docente

Então, veja, estudante, que o PPP é uma prática social, construída historica-
mente, segundo os saberes que os professores produzem nas escolas, estando
assentado nas diretrizes legais da educação brasileira. Ora, conseguiram perceber
o quando os saberes docentes e o trabalho estão envolvidos na construção do PPP,
e a importância que esse documento tem na garantia da democratização do ensino
no Brasil. Logo, podemos conceituar o PPP como:
[...] plano global da instituição. pode ser entendido como a sistematização,
nunca definitiva, de um processo de Planejamento Participativo, que se
aperfeiçoa e se concretiza na caminhada, que define claramente o tipo de
ação educativa que se quer realizar. É um instrumento téorico-pedagógico
para a intervenção e mudança da realidade. É um elemento de organi-
zação e integração da atividade prática da instituição neste processo de
transformação. (VASCONCELOS, 2004, p. 169)

Podemos dizer que o PPP só irá transformar-se em um direito e um dever quan-


do a comunidade escolar, principalmente, os professores, estiverem envolvidos
nesse processo. Obviamente, não só em seu envolvimento, mas também que acre-
ditem na importância desse instrumento. A partir desse momento, o PPP não será
somente um documento, mas também um instrumento que visa nortear todo o
trabalho pedagógico da escola e dos professores.
Justamente por isso, o PPP deve ser construído
coletivamente, a partir de demandas reais, que de- O Projeto Político Pedagó-
gico é um documento que
vem ser apontadas por professores, alunos, funcio- deve passar por constantes
nários, pais e equipe pedagógica. Isso porque essa reflexões e discussões sobre
construção coletiva garante os princípios democrá- os problemas da escola. A
ticos assentados na Constituição Federal de 1988. partir de sua organização é
que se possibilita a demo-
É com esse processo intermediário que se constrói cracia e a participação de to-
a autonomia da escola, e a comunidade escolar e dos os membros da escola.
professores têm maior segurança para organizar
seu trabalho pedagógico e alcançar os objetivos delimitados neste documento.

Figura 2 – Construção Coletiva do PPP


Fonte: Rawpixel/123RF

14
Como a construção do PPP é algo coletivo, é necessário que seus participan-
tes, inclusive os docentes, articulem-se para compor e construir esse documento.
O ponto de vista dos professores é demasiadamente importante para compreender
as exigências do âmbito escolar, além de ser um espaço de interlocução de ideias.

Para Davies (2002), é necessário pensar o PPP como um direito e um dever da


escola para com a comunidade, ou seja, uma forma de enfrentar os desafios da
organização do trabalho pedagógico. Portanto, quanto maior for a participação da
comunidade e dos docentes na construção do PPP, a escola conseguirá efetivar a
democracia em seu espaço, já que o PPP é uma tarefa de todos, a qual norteará,
de maneira fluída, a organização do trabalho docente.

Dessa forma, deve-se olhar para o PPP como um plano/instrumento de me-


lhoria que pode contribuir para as mudanças da realidade da escola, que está
configurada no trabalho pedagógico realizado nas salas de aula, no currículo, na
metodologia de ensino, na avaliação, nas relações interpessoais e na participação
dos pais e responsáveis. Portanto, todas as atividades desenvolvidas na escola que
têm, por finalidade, melhorar o processo de ensino-aprendizagem, estão funda-
mentadas na organização do trabalho pedagógico, que está configurado no PPP.

Os principais pontos que devem estar explicitados no PPP são:

Marco Conceitual
Visa expressar a opção pelos fundamentos
teórico-metodológicos da escola.

Marco Situacional
Identificar e analisar os problemas e avanços
presentes na sociedade e quais suas influências na
escola.

Marco Operacional
Apresenta as propostas e metas para executar os
objetivos e delimitar a organização da escola.

Figura 3 – A organização do trabalho pedagógico que está configurada no Projeto político pedagógico

Como o PPP é um documento que reflete a realidade da escola, este também


é capaz de indicar, a partir da participação docente, o tempo e as mudanças que
devem acontecer na escola, como forma de acompanhar a sociedade. Por isso, é
fundamental que as discussões sejam retomadas de tempos em tempos, a fim de
verificar se as propostas orquestradas alcançaram as metas delimitadas.

Para Vasconcelos (2004), é muito importante ter, em mente, que o PPP não é
um documento engessado. Ele deve ser flexível e passível de mudanças. Por isso, o

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15
UNIDADE Projeto Político Pedagógico e Participação Docente

PPP não pode ser imposto, mas, sim, construído coletivamente, já que esse docu-
mento expressa a identidade da comunidade escolar.

Figura 4 – Construção coletiva do PPP


Fonte: Rawpixel / 123RF

Enfatizamos que a participação dos professores é fundamental na elaboração


do PPP, afinal é por meio do comprometimento dos professores que são trazidas
discussões e visões de educação que nem sempre a equipe pedagógica consegue
desenvolver sozinha. Além de apresentar possíveis ações a serem executadas, ob-
viamente, a participação docente contribui para a melhoria da qualidade da educa-
ção nas escolas.

Mas, para que haja essa efetiva participação, os professores precisam estar
motivados e terem compromisso profissional e ético. Além desses quesitos, os
professores precisam estar convencidos da necessidade de sua participação no
processo, já que “[...] a escola não pode ser propriedade dos professores, ela deve
incluir toda comunidade educativa no planejamento de suas metas de melhoria”
(HERNÁNDEZ, 2003, p. 25).

A partir da elaboração do PPP, tanto professores quanto a equipe diretiva pre-


cisam conhecer a realidade dos alunos, a história de vida de cada um deles, pois
isso possibilita que a equipe pedagógica busque alternativas para incluir os alunos
no seu processo de desenvolvimento. O infográfico apresentado traz conceitos
importantíssimos para compreender o PPP, afinal, o Projeto Político Pedagógico
é o eixo norteador das práticas educativas existentes nas escolas e, quando conhe-
cemos seus conceitos, verificamos a sua importância na organização do trabalho
pedagógico e na prática docente.

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O PROJETO 4 - Tem compromisso ético-político.
Político-Pedagógico
5 - Deve ter a participação de
todos os sujeitos em sua
constituição.
1 - Envolve a concepção de homem,
sociedade, escola, educação, cultura,
trabalho, tecnologia, cidadania,
conhecimento, ensino, 6 - Visa garantir a autonomia da
aprendizagem e avaliação. escola.

2 - O referencial teórico desse 7 - Busca valorizar os professores


documento está constituído do por meio de formações contínuas
Marco Situacional, Marco e continuadas.
Conceitual e Marco Operacional.
8 - Tem compromisso do Estado
na oferta e manutenção da
3 - Visa compreender educação da escola pública.
criticamente a realidade que a
escola está envolvida.
9 - A construção é coletiva
visando sempre os conceitos de
democracia e cidadania.

Figura 5 – O Projeto Político Pedagógico

Os quesitos apresentados no infográfico demonstram as bases fundamentais que


o PPP precisa conter para que a equipe pedagógica, professores, pais, alunos, di-
retor e professores tenham conhecimento desse documento tão fundamental para
garantir uma educação de qualidade. Assim, estudante, o PPP torna-se o eixo
norteador de todas as práticas a serem realizadas na escola como um todo e na
sala de aula, pois a partir do momento que o docente tem acesso aos pressupostos
filosóficos e a missão da escola, a forma de organizar seu trabalho e seu plano de
aula torna-se muito mais viável e organizada.

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UNIDADE Projeto Político Pedagógico e Participação Docente

Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:

Vídeos
Projeto Político Pedagógico
Confira o vídeo sobre o Projeto Político Pedagógico, da Professora Ilma Passos
Alencastro Veiga. Ela trata de como o PPP é construído e a importância da participação
da comunidade e dos professores neste processo.
[Link]
Papel do Diretor e do Diretor Auxiliar na Escola
Confira o vídeo sobre o Papel do Diretor e do Diretor Auxiliar na Escola. Aqui, são
apresentadas as responsabilidades dos dirigentes da escola. Assista à animação.
[Link]

Leitura
Projeto Político Pedagógico
Neste documento, você terá acesso ao PPP de uma escola pública. Aqui, você poderá
compreender como é a construção desses documentos, quais os itens fundamentais e
como ele está organizado.
[Link]
Projeto Político-Pedagógico: em busca de novos sentidos
O livro busca refletir sobre as possibilidades da escola em cumprir com o Projeto
Político Pedagógico e discute as teorizações do PPP no cotidiano escolar.
[Link]

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Planejamento e Prática Docente I

• Planejamento e Prática Docente I

OBJETIVOS DE APRENDIZADO
• Refletir sobre a importância do planejamento da prática docente no processo de
ensino e aprendizagem.
UNIDADE Planejamento e Prática Docente I

Planejamento e Prática Docente I


Nossos estudos permeiam as questões que envolvem a prática docente e o plane-
jamento. A partir do momento em que nos tornamos professores passamos a pla-
nejar as nossas ações, e para isso elaboramos um planejamento. Com a experiência
docente, as reflexões e as preparações de atividades fazem com que o docente passe
a pesquisar mais sobre as suas práticas em sala de aula, e essa ação irá refletir nas
atividades em que professor e aluno irão desenvolver juntos. É por isso que o plane-
jamento existe. Mas, será que deve ficar somente no mundo das ideais? O planeja-
mento precisa ser registrado? Qual é o papel da direção e/ou equipe pedagógica da
escola para fazer com que o planejamento se efetive? Será que o professor precisa
estabelecer linhas gerais que delimitem suas ações em sala de aula?

Esses questionamentos contribuirão com os nossos estudos à medida que for-


mos desenvolvendo o conteúdo, isso porque as perguntas é que devem mover a
prática docente.

Figura 1 – Planejando a prática docente


Fonte: Alphaspirit / 123RF

Para Thomazi e Asinelli (2009), o planejar deve ultrapassar o planejamento pro-


priamente dito, já que isso implica nas relações de poder que se constituem dentro
da escola, e que, querendo ou não, envolvem os atores da escola. Uma coisa que
precisa ficar muito clara é que o planejamento irá refletir e também interferir nas
relações que ocorrem na escola e na sala de aula, e essa interferência irá chegar
até os alunos, famílias, professores, diretores e pedagogos.

Por isso, é tão necessário que o planejamento seja estruturado e que esteja de
acordo com o contexto e o cotidiano escola, afinal, nós sabemos que a escola não
é um local rígido e inflexível. É por isso que o planejamento vem para organizar e
também sistematizar o trabalho pedagógico de professores e equipe pedagógica,
evitando, assim, que o processo de ensino seja sempre uma improvisação.

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O fato é que o planejamento tem uma intencionalidade, e para compreender-
mos melhor essa perspectiva trazemos o que Padilha (2001, p. 63) fala a respeito:
Lembramos que realizar planos e planejamentos educacionais e escolares
significa exercer uma atividade engajada, intencional, científica, de caráter
político e ideológico e isento de neutralidade. Planejar, em sentido amplo,
é um processo que visa dar respostas a um problema, através do estabele-
cimento de fins e meios que apontem para a sua superação, para atingir
objetivos antes previstos, pensando e prevendo necessariamente o futuro,
mas sem desconsiderar as condições do presente e as experiências do
passado, levando-se em conta os contextos e os pressupostos filosófico,
cultural, econômico e político de quem planeja e de com quem se planeja.
(PADILHA, 2001. p. 63)

Percebe-se que o planejamento envolve diversos contextos que visam contribuir


com a prática docente, sendo essa prática a melhor forma de colocar em prática o
que está estabelecido no currículo da escola.

Assista ao vídeo do programa Papo de Professor, que traz o tema: Como fazer um bom pla-
Explor

nejamento escolar?. A professora Maria Claudia Junqueira apresenta os pontos fundamen-


tais para a elaboração de um bom planejamento. Disponível em: [Link]

É por meio do planejamento que nós, profissionais da educação, colocamos em


prática o currículo da escola que está proposto no Projeto Político-pedagógico da
Instituição. Neste momento convém explicar o que é o currículo, afinal, ele é uma
das vértebras que sustenta a educação. Para Forquim (1989), o currículo tem diversos
usos, já que tem uma grandeza semântica. Logo podemos definir currículo como:
Percurso educacional, um conjunto de experiências de aprendizagens
efetuadas por qualquer um sob o controle de uma instituição formal ao
curso de um dado período. Por extensão, a noção designará menos um
percurso efetivamente cumprido que um percurso prescrito por uma insti-
tuição escolar, quer dizer um programa, ou um conjunto de programas de
aprendizagem organizadas em curso. (FORQUIM, 1989. p. 213)

Essa contribuição do autor demonstra o quanto o currículo é importante para o


trabalho pedagógico docente, já que nos permite identificar como será o planeja-
mento do professor, pois o saber escolar está assentado nesse processo de trans-
missão do conhecimento por meio do currículo.

Para Bernstein (1975), o currículo representa uma importante contribuição para


a formação dos estudantes, pois, a partir do momento que a escola está inserida em
um sistema de saber e esse sistema também está envolvo a um sistema de controle e
poder da sociedade, há uma necessidade de selecionar, classificar, avaliar e distribuir
os princípios que regem esse poder – e isso acontecerá por meio do currículo.

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Explor
Acesse o portal do Instituto Ayrton Senna e leia a reportagem que trata sobre a importância
do currículo no ambiente educacional. A matéria traz as possibilidades de definir o currículo
escolar e selecionar as melhores maneiras de formar o cidadão do futuro. Disponível em:
[Link]

Outra questão que envolve a prática docente e o planejamento são as etapas que
orientam a construção do planejamento, isso porque a questão do planejamento
está ligada à educação e à concepção de ensino e aprendizagem.

Logo, quando um professor assume uma disciplina, ele tem a necessidade de


delimitar suas ações, ou seja, tomar uma série de decisões que estejam relaciona-
das à sua visão de educação. Por isso, a partir do momento que passa a elaborar
o planejamento, o docente precisa tomar decisões que envolvem o que o aluno irá
aprender em cada bimestre e como ele irá fazer com que os conteúdos se articulem.

Para Castro et al. (2008), o planejamento escolar precisa ser concebido em três
etapas: preparação, acompanhamento e aperfeiçoamento. Esses três princípios
que estão intrínsecos ao planejamento precisam aparecer ao longo do planejamen-
to a ser apresentado, tanto escritos quanto nas ações referentes ao planejamento.
A partir do momento da elaboração do planejamento, o professor precisa deixar
claro quais valores, atitudes, habilidades, competências e conhecimentos os alunos
irão desenvolver ao longo do ano letivo, e isso tem um grande peso na elaboração
do plano da disciplina, bem como nos planos de aula.

Planejamento

Preparação Aprimoramento
Acompanhamento

Significa Significa
Significa

Alicerçamento do programa da Envolve a avaliação do alcance das


disciplina, o qual deve cumprir no competências e dos objetivos
todo ou em parte a ementa. Nesta propostos na fase de preparação. A
fase se estabelece as competências partir desta avaliação (na pior das
e os objetivos do curso e à previsão Deve-se acompanhar a ação hipóteses semestral) procede-se aos
de todos os procedimentos para educativa do professor e o ajustes que se fizeram necessárias
garantir a concretização das aprendizado do aluno. para a concretização das
competências. competências e dos objetivos.

Figura 2 – Mapa conceitual


Fonte: Peixoto e Araújo (2012)

O mapa conceitual acima busca organizar as três etapas relatadas anteriormen-


te. Essa organização é para que você, estudante, consiga compreender como elas
estão relacionadas e o que cada uma delas significa para o processo de planejamen-
to. Este mapa conceitual nos possibilita ver o quanto o planejamento é influenciado

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por diversos acontecimentos intrínsecos à escola. Por isso, a formação pedagógica
para os docentes é tão importante, pois acaba contribuindo para o processo de
ensino e aprendizagem de maneira mais efetiva, além de se comprometer com a
formação integral do aluno, não pensando em sua formação voltada apenas para
o mercado de trabalho.

Por isso, o papel do educador é tão


importante, e sua função não é ape-
nas a de ensinar, mas principalmente
de levar o educando a aprender por
meio de condições que façam com
que o aluno adquira conhecimento.

E para que as ações pedagógicas do


planejamento se concretizem, é essen-
cial que professor elabore o plano de
aula. Esse instrumento é a bússola que
irá direcionar o trabalho docente e tor-
nará as ações do professor facilitadoras
para o processo de ensino e de apren-
dizagem, isso porque o plano de aula já
busca prever as expectativas dos alunos, Figura 3 – Os ideais do planejamento docente
as dificuldades, os interesses e a catarse. Fonte: Alphaspirit / 123RF

Logo, o planejamento tem sua constituinte essencial, pois o ensino precisa que
o planejamento exista para que a organização, seleção e explicação de conteúdos
passem a fazer sentido para os educandos e para que o resultado final seja a apren-
dizagem. É no planejamento que nós, docentes, iremos estabelecer os objetivos
da disciplina, os métodos que iremos desenvolver o conteúdo e a maneira como
iremos avaliar o processo. Portanto, no que tange à aprendizagem, sabemos que
as atividades a serem aplicadas aos alunos precisam ter a função de assimilação de
conhecimentos e desenvolvimento de habilidades.

De acordo com Libâneo (1990), esse processo visa, na verdade, realizar a me-
diação dos objetivos estipulados previamente, de maneira que os conteúdos e os
métodos possam ser sintetizados na aula e na ação didática do professor.

Veja a reportagem que trata sobre o plano de aula. Esse instrumento, segundo a Revista
Explor

Nova Escola, traz prática e reflexão, o que irá resultar num plano de aula perfeito. Disponível
em: [Link]

Para Silva (2007), para que o professor desenvolva um planejamento coeren-


te, ele precisa contemplar os interesses dos alunos sobre determinados conteú-
dos, além de propor a resolução de problemas para que os alunos pesquisem e
se direcionem pela pergunta norteadora. Portanto, o processo de ensino pre-
cisa permitir a interação de ideias entre alunos e professores, como forma do

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desenvolvimento do ensino e da aprendizagem. É justamente por isso que, em


seu planejamento, o professor precisa delimitar objetivos mais amplos que alcan-
cem as delimitações da disciplina.

Para que os objetivos sejam coerentes com a proposta disciplinar, é necessário


que os docentes selecionem verbos de ação. O verbo é essencial no processo de
construção do planejamento, pois é a partir da palavra escolhida que haverá a pos-
sibilidade de desenvolver o conteúdo previamente organizado. Um exemplo disso
é: se em um determinado momento do planejamento o professor apresentar que o
aluno deverá resumir o tópico apresentado, provavelmente o verbo a ser escolhido
para desenvolver o objetivo cognitivo envolvido, seguindo a taxonomia de Bloom,
é o verbo sintetizar. Já, em um outro momento, o professor solicita ao aluno que
ele relacione os fenômenos que envolvem a disciplina e o mundo, logo, o objetivo
que deve ser utilizado é valorizar. Consegue perceber, estudante, a importância
dos objetivos nas ações cognitivas?

Você Sabia? Importante!

A aprendizagem por projetos está relacionada às metodologias ativas. É uma aborda-


gem pedagógica que busca enfatizar atividades que foquem no desenvolvimento de
habilidades e competências. Para saber mais a respeito, leia o texto do portal Hoper, que
traz sobre essa prática. Disponível em: [Link]

Para Teixeira (2005), os objetivos a serem elencados para o desenvolvimento


do planejamento, principalmente no que tange às ações a serem desenvolvidas
em sala de aula, devem ser claros e compreensíveis nos termos que estão sendo
empregados. Abaixo apresentamos uma pequena tabela com alguns verbos que
podem ser empregados na especificação de objetivos a serem desenvolvidos em
um planejamento docente.

Quadro 1 – Verbos utilizados nos objetivos do planejamento docente


Palavras passíveis de várias interpretações Palavras passíveis de poucas interpretações
·· saber ·· escrever
·· compreender ·· expressar
·· realmente compreender ·· identificar
·· avaliar ·· diferenciar
·· avaliar completamente ·· resolver
·· perceber o significado de ·· construir
·· desfrutar ·· relacionar
·· acreditar ·· comparar
·· ter fé em ·· contrastar
Fonte: Teixeira, 2005

Nesse processo é importante deixar bem claro que o objetivo precisa ter infor-
mações que irão contribuir para a materialização da aula. A partir do momento
que algumas informações são omitidas, o professor passa a ter dificuldades para
ensinar seus alunos. Apresentamos três especificações que indicam as relações
entre o verbo e a ação:

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• especificação de desempenho ou comportamento;
• especificação de condições em que o aprendizado será observado;
• especificação dos padrões a serem alcançados.

A partir disso há uma tabela que contribui para que os objetivos afetivos a serem
desenvolvidos se associem a verbos de ação. Vejamos:

Quadro 2 – Relação dos objetivos afetivos com os verbos de ação

CLASSE VERBOS DE AÇÃO ASSOCIADOS


ouvir aceitar estar consciente
RECEBER atender receber favorecer
preferir perceber selecionar
especificar selecionar gravar
RESPONDER responder listar desenvolver
completar escrever derivar
aceitar incrementar indicar
VALORIZAR reconhecer desenvolver decidir
participar realizar influenciar
organizar encontrar associar
ORGANIZAR julgar determinar formar
relacionar correlacionar selecionar
revisar aceitar demonstrar
CARACTERIZAR modificar julgar identificar
enfrentar desenvolver decidir
Fonte: Teixeira, 2005

Agora apresentaremos os objetivos cognitivos e os verbos de ação associados


que têm diferentes domínios de compreensão.

Quadro 3 – Objetivos cognitivos e os verbos de ação


CLASSE VERBOS DE AÇÃO ASSOCIADOS
definir, declarar, listar, nomear, escrever, relembrar, reconhecer, rotular, sublinhar, selecionar,
CONHECIMENTO
reproduzir, medir.
identificar, justificar, selecionar, indicar, ilustrar, representar, nomear, formular, explicar, julgar,
COMPREENSÃO
contrastar, classificar
predizer, selecionar, avaliar, explicar, escolher, encontrar, mostrar, demonstrar, construir,
APLICAÇÃO
computar, usar, desempenhar.
analisar, identificar, concluir, diferenciar, seleccionar, separar, comparar, contrastar, justificar,
ANÁLISE
resolver, separar, criticar.
combinar, repetir, sumarizar, sintetizar, aguir, discutir, organizar, derivar, selecionar, relacionar,
SÍNTESE
generalizar, concluir.
julgar, avaliar, determinar, reconhecer, suportar, defender, atacar, criticar, identificar, evitar,
AVALIAÇÃO
selecionar, escolher.
Fonte: Teixeira, 2005

Para a utilização dos verbos apresentados, o professor precisa ter conhecimen-


to de que os conteúdos a serem ensinados são conhecimentos sistematizados e
selecionados da base científica, advindos da experiência social da humanidade e
organizados para que possam ser ensinados na escola.

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A jornada para a construção do planejamento é uma atitude importante, pois


acaba revelando a importância de se investir no saber disciplinar, em que a trans-
missão de conhecimentos a serem realizadas pelo professor deverá ser definida
com primazia. É a partir da daí que surge a importância da competência a ser
desenvolvida, para que o docente possa escolher os verbos a serem utilizados para
atingir objetivos já determinados, ou seja, é preciso estabelecer um processo de
apreensão e construção do conhecimento.

De acordo com Anastasiou (1998), os programas de aprendizagem, ou de


aprendizagem por meio de projetos, têm a responsabilidade de conquistar o conhe-
cimento, a partir do momento que se adota processos de parceria e colaboração no
desenvolvimento dos conteúdos a serem ministrados.

Nesse processo de aprendizagem, a relação entre a apreensão e o tipo de pro-


jeto a ser trabalhado em sala de aula deve deter os princípios dos conteúdos para
que assim haja uma aprendizagem significativa.

Logo, a aprendizagem deve seguir quatro princípios que serão dispostos no


infográfico a seguir:

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Conteúdos fatuais
São conhecimentos de fatos,
acontecimentos, situações e fenômenos Conteúdos atitudinais
concretos, em que a aprendizagem é Que podem ser agrupados em valores,
verificada de maneira literal. atitudes e normas.

Os quatro

2 princípios da
aprendizagem 3
Conteúdos procedimentais Aprendizagem de conceitos
SALES
São ações ordenadas e que visam um Nesse momento é necessário

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determinado fim, isso inclui técnicas, possibilitar a elaboração e, também a
métodos, destrezas e habilidades. construção pessoal a respeito das
interpretações de novas situações
(ZABALA, 1998).

Figura 4 – Os quatro princípios da aprendizagem


Fonte: Zabala, 1998

Portanto, a construção do conhecimento é um movimento dialético e também


operacional, em que as atividades desenvolvidas pelos alunos precisam ter uma
predominância perceptiva e reflexiva. Por isso, os princípios da aprendizagem são
essenciais a serem adquiridos pelo docente, para que ele tenha conhecimento do
que ensinar e como ensinar os seus alunos. Uma prática docente que garanta
um processo de aprendizagem que seja sucesso só será possível ser desenvolvida
a partir de estudo de textos, vídeos, pesquisas, debates em grupos, seminários,

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exercícios, entre outros. Essas metodologias possibilitam a constituição do conhe-
cimento e visam superar a visão caótica do conhecimento.

Nesse momento, apresentamos o quadro que demonstra as possíveis estratégias


que podem ser aplicadas no processo de aprendizagem. Vejamos:

Quadro 4 – Objetivos e estratégias no processo de aprendizagem


OBJETIVOS ESTRATÉGIAS
· apresentação simples
Conhecimento do Grupo · apresentação cruzada em duplas
aquecimento de um grupo · complementação de frases
desbloqueio · desenhos em grupo
manifestação de expectativas · deslocamentos físicos pela sala ou fora dela
· tempestade cerebral

· leitura de textos
· leitura com roteiro de questões
· material de instrução programada
Aquisição de conhecimentos · excursão
· aulas expositivas dialogadas
· visitas técnicas
· estudo de caso

· dramatização, desempenho de papéis


· atividades em grupos
· grupo de observação
Desenvolvimento de Habilidades · painel integrado
· pequenos grupos para formular questões
· grupos de oposição
· aulas práticas

· debate em pequenos grupos


· estudo de caso
· relatórios com opiniões fundamentais
Desenvolvimento de Atitudes · estágios
· excursões
· dramatização

· estágios
· excursões
Confronto com a realidade · pesquisa de opinião
· estudo de caso
· estudo do meio

· pequenos grupos com uma só tarefa


Desenvolvimento da capacidade de · pequenos grupos com tarefas diferentes
trabalho em equipe · painel integrado
· diálogo sucessivos

· projeto de pesquisa
Iniciativa na busca de informações · estudo do meio
· estudo de caso
Fonte: Peixoto e Araújo, 2012, p. 9

Assim, quando pensamos em atividades ou avaliações baseadas em projetos,


precisamos, enquanto docentes, definir as orientações e atividades que os alunos
irão desenvolver; logo, a escolha de estratégias que permitam esse momento de
construção do conhecimento é imprescindível.

A primeira delas é a significação. Esse momento visa estabelecer vínculos


com o conteúdo a ser ministrado, além de associar à prática social do aluno.

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Nessa proposta de atividades baseadas em projetos, as atividades precisam ser


significativas e estarem vinculadas com as relações existentes entre as necessidades
dos alunos e as finalidades da disciplina.

Já a segunda é a problematização. Nesse momento, o professor deve apresentar


os conceitos e a origem para o desenvolvimento de determinado projeto. Por isso,
para Anastasiou (1998), a essência pedagógica precisa ser mediada pelo conheci-
mento docente. Esse professor precisa construir ações que sejam inovadoras e que
mobilizem o comprometimento dos alunos com o conhecimento a ser transmitido.
Portanto, é imprescindível que o professor desenvolva princípios racionais em seus
alunos, para que eles possam compreender os conceitos básicos sobre o assunto
que está sendo trabalhado. Além de acompanhar esse processo de aprendizagem,
o professor precisa dar um feedback aos seus educandos, e isso ocorre por meio
da avaliação, que deve ser compreendida como um processo que visa corrigir as
possíveis distorções que ocorreram no processo de ensino e aprendizagem.

Quadro 5 – A avaliação e suas técnicas


O QUE AVALIAR TÉCNICAS AVALIATIVAS
·· prova discursiva ou dissertativa
·· prova de testes
·· entrevista
·· prova com questões de lacunas
Objetivos Cognitivos ·· exercícios com questões verdadeiro/falso
·· prova com consulta
·· trabalhos e pesquisas
·· soluções de casos

·· observação com roteiro e registro


Objetivos de habilidades ·· provas práticas
·· relatórios

·· solução de caso
·· observação
Objetivos de atitudes ·· entrevista
·· dissertação

·· pré/pós-testes
·· indicadores de aproveitamento
Objetivos de um programa ·· questionários
·· debates

·· debates
·· observação
Objetivos de um curso ·· questionários
·· entrevistas

·· debates com alunos


·· questionários
Desempenho docente ·· indicadores de aproveitamento
·· observação por escrito
Fonte: Silva, 2007, p. 87

Acesse o texto do Portal Pedagogia e tenha maior compreensão sobre a pedagogia de pro-
Explor

jetos. Disponível em: [Link]

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Assim, a aprendizagem baseada em projetos torna-se um modelo inovador de
ensino e também de aprendizagem, já que esse processo envolve não somente os
professores, mas principalmente os alunos, que atuam em atividades de pesquisa
para solucionar problemas, permitindo que os alunos construam seu conhecimento
de forma autônoma. As características que definem a aprendizagem baseada em
projetos incluem: conteúdo, condições, atividades e resultados.

No quadro a seguir, sintetizamos esse processo em tópicos para que você estu-
dante consiga ter uma melhor visualização desse processo:

Quadro 6 – A relação entre conteúdo, atividades, condições e resultados


ATIVIDADES
CONTEÚDO
1. Os alunos precisam desenvolver trabalhos de pesquisa.
1. Problemas apresentados em sua complexidade.
2. Os alunos se deparam com obstáculos e visam
2. Os alunos é quem procuram estabelecer relações de
transpô-los.
interdisciplinaridade.
3. Os alunos buscam estabelecer relações entre ideais e
3. Os alunos se deparam com a complexidade.
competências.
4. Questões que norteiam o mundo real com que os alunos
4. Os alunos utilizam materiais autênticos.
se preocupam.
5. Os alunos recebem feedback de suas ações.
CONDIÇÕES RESULTADOS

1. Os alunos se integram a um grupo de pesquisa. 1. Os alunos passam a gerar produtos intelectuais


2. Os alunos são chamados para compreender a gestão de condizentes com sua formação.
tarefas que serão desenvolvidas pelo grupo. 2. Os alunos participam ativamente do processo de
3. Os alunos é quem conduzem o seu próprio trabalho. avaliação.
4. Os alunos passam a valorizar o trabalho profissional do 3. Os alunos demonstram suas competências.
professor. 4. Os alunos mostram seu processo de desenvolvimento.
Fonte: MEC (2012)

Portanto, tanto o ato de planejar quanto às atividades baseadas em projetos são


ações orgânicas, que estão presentes em nossa vida profissional e pessoa. Por isso
o professor precisa levar em consideração a realidade em que o aluno está inserido,
isso permite com que o educando tenha uma maior proximidades com as ativida-
des e o conteúdo a ser ministrado.

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UNIDADE Planejamento e Prática Docente I

Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:

Livros
Planejamento: projeto de ensino-aprendizagem e projeto político-pedagógico
Vasconcellos apresenta em seu livro textos que nos auxiliam a compreender questões
que envolvem o planejamento na prática docente. Ao longo desse volume teórico, o
autor enfatiza a importância do planejamento e como ele contribui de fato para a or-
ganização do trabalho docente no âmbito escolar e na sala de aula.
Planejamento: como prática educativa
Gandin apresenta o contexto da educação no século XX. A intenção do autor com esse
prenúncio é trazer reflexões para que o docente consiga impulsionar a sua prática ao
longo de sua trajetória tanto acadêmica quanto profissional. Vale a leitura!

Vídeos
Gestão da Sala de Aula – Celso Vasconcellos
O vídeo que traz uma fala do Professor Doutor Celso Vasconcellos é um momento
muito agradável de conversa e reflexões, principalmente porque ele propõe questio-
namentos que nos ajudam a pensar sobre a interação entre o professor, a escola e
o aluno. Ele ressalta que o professor é o mediador do conhecimento no espaço da
sala de aula, sendo que suas ações são fundamentais para possibilitar o processo de
ensino e aprendizagem.
[Link]
Entrevista – Celso Vasconcellos
A entrevista de Celso Vasconcellos é apresentada de maneira a suscitar reflexões
sobre a importância da afetividade na prática docente, tendo em vista que a ati-
vidade exercida pelo professor é algo humano, sendo que a todo tempo ele está
envolvido com o processo de aprendizagem de sujeitos que estão a receber todo o
conhecimento científico.
[Link]

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Planejamento e a Prática Docente II:
Plano de Ensino e Plano de Aula

• Introdução;
• Planejamento de Ensino;
• Plano de Aula.

OBJETIVO DE APRENDIZADO
• Discutir a importância da elaboração do planejamento e do plano de aula no
trabalho docente.
UNIDADE Planejamento e a Prática Docente II:
Plano de Ensino e Plano de Aula

Introdução
Os pressupostos que envolvem o planejamento de ensino e o plano de aula não
são novidade na área educacional. Esse instrumento serve para atender a propósi-
tos diferentes no âmbito da educação, delineamentos esses que têm determinados
objetivos a serem cumpridos na formação do indivíduo.

PLANEJAMENTO DE ENSINO

Figura 1 – Planejamento de ensino


Fonte: Andrew Grossman / 123RF

Assim, para compreendermos a ideia que permeia o planejamento de ensino e o


plano de aula, precisamos esboçar nem que seja brevemente algumas considerações
sobre o sentido do planejamento, delimitando algumas ideias sobre ensino para que
finalmente possamos debater sobre o planejamento de ensino e o plano de aula.

Quando falamos de planejamento, precisamos considerar algumas tendências


contemporâneas, pois tanto o planejamento de ensino quanto o plano de aula
estão ligados a essa configuração do planejar, que precisa considerar informações
que sejam passíveis de serem organizadas e categorizadas em três grandes fatores
associados ao processo de ensino: mudança no papel do homem no mundo,
mudança no estilo de aprender e mudança no estilo de ensinar.

Leia o texto de José Moran sobre Mudar a forma de Ensinar e Aprender.


Explor

Disponível em: [Link]

Quando tratamos da perspectiva de mudanças, sabemos que o papel do homem


na sociedade em que ele está inserido é transformar. O homem torna-se criador e
colecionador de informações que permitem que esse mesmo indivíduo interprete
dados e seja responsável pelas tomadas de decisões.

Os indivíduos, a partir do momento que passam a manipular informações, têm


de lidar com inúmeras informações que são consideradas flutuantes, ou seja, que
se modificam ao longo do tempo e de maneira cada vez mais rápida. Por isso, as

8
decisões que competem ao homem devem projetar ações a serem desenvolvidas
para um futuro melhor.
As mudanças no estilo de vida das pessoas também afetam a forma de aprendi-
zagem dos indivíduos, e passamos a ter um processo de aprendizagem baseado na
leitura de textos, de interação com meios digitais e a autoaprendizagem. Quando se
trata desse processo, percebemos que a aprendizagem audiovisual torna-se a que
mais contempla a necessidades dos alunos e alunas em sala de aula, levando à total
necessidade de transformar a maneira de planejar e até mesmo a autonomia que
precisa ser concedida aos estudantes.

Você Sabia? Importante!

O espaço da sala de aula é um lugar privilegiado, pois nela se encontram professores e


alunos que participam de ambientes sociais diversificados que necessitam estabelecer
uma convivência. O professor necessita colaborar com a formação do educando na sua
totalidade - consciência, caráter, cidadania -, tendo como mediação fundamental o co-
nhecimento, visando à emancipação humana (CERQUEIRA, 2006. p. 21).

Por isso, quando falamos em mudanças, estamos nos referindo a modificações


no estilo de ensinar, o que também implica na mudança do professor enquanto
facilitador do processo de ensino e de aprendizagem. Para Garcia (1984, p. 10),
deve “o professor deixar de ser mero transmissor de informações para se tornar
um criador de estruturas para a organização de informações”.

Nesse processo, saímos de um modelo de professor que é apenas transmissor


de conhecimento para um professor-pesquisador, que busca explorar novas ações
e metodologias para o processo de ensino-aprendizagem.
Outro aspecto a destacar é o da consideração do professor isolado
incompatível com todas as mudanças apresentadas, para a consideração
de professor participante de redes de trabalho com diversificação de
papéis, trabalho interdisciplinar para gerar novos campos de estudo
e mesmo professor capaz de compartilhar suas competências com os
demais membros de grupos de trabalho, visando decisões mais ricas e
efetivas. (GARCIA, 1984. p. 10)

Quando citamos essas transformações, entendemos que elas não se esgotam


apenas com o processo de inovação e que não acontecem de maneira compul-
sória. Acreditamos que essas mudanças ocorrem em meio a dificuldades, que são
sentidas por professores e alunos no processo de aprendizagem.

Importante! Importante!

O maior desafio da educação nos dias atuais é fazer com que alunos e alunas consigam
aprender o que realmente está delimitado no planejamento do professor.

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UNIDADE Planejamento e a Prática Docente II:
Plano de Ensino e Plano de Aula

O conhecimento do professor e seu processo de formação contínua é importan-


te para que as condições básicas consigam orientar o projeto de mudanças que são
pretendidos ao longo a ação de formação de cada estudante.

Figura 2 – Formação continuada de professores


Fonte: Rawpixel / 123RF

A seguir veremos o planejamento de ensino.

Planejamento de Ensino
Assim, estudante, adentramos na questão do planejamento de ensino. Quando
falamos a respeito do planejamento de ensino, estamos falando de um processo de
tomada de decisões, que partem de informações que são constantemente coletadas.
O professor, ao reuni-las, permite iniciar o processo de racionalização dos recursos
para que ele consiga atingir os objetivos estipulados previamente dentro do processo
de ensino-aprendizagem. No entanto, é bom lembrar que nesse processo não se deve
especificar apenas um agente para a tomada de decisões, isto porque a responsabi-
lidade para que o planejamento de ensino se efetive é de todos os atores da escola.

Por isso, a instituição de ensino deve impulsionar a qualidade da educação que


ali é ofertada, alunos e professores precisam ser vistos dentro da coletividade, e o
planejamento de ensino precisa se associar às mais diversas áreas do conhecimento
– até mesmo o corpo administrativo da instituição deve fazer parte desse processo de
construção do conhecimento.

Veja o vídeo de Selma Cravo, sobre o planejamento do professor com a BNCC.


Explor

Disponível em: [Link]

Dessa maneira, o planejamento de ensino deve ser um documento qualitativo,


que tende a contribuir de maneira decisiva para o desempenho integrado de papéis
específicos que detém uma meta comum, “a efetividade dos resultados atingidos,
em relação ao proposto” (GARCIA, 1984. p. 12).

10
Assim, o planejamento de ensino não pode ser visto apenas como uma tarefa
única e exclusivamente do professor da disciplina, já que compete a todo o corpo
escolar e/ou universitário, e precisa estar de acordo com as políticas curriculares
destinadas a cada área do conhecimento. O estilo de planejamento de ensino é
resultante das práticas interdisciplinares da prática docente e deve estar envolvido
com princípios, procedimentos e técnicas de melhoria da qualidade da educação.

Como o planejamento de ensino se torna um instrumento de garantia para a aprendizagem


Explor

dos alunos?

E o que vem a ser o ensino nesse processo? Entendemos por ensino toda a ação
deliberada e objetivada que atende a um processo planejado pelo professor, e tem
por função alinhar os procedimentos de comunicação para que se possa prover
interação com o aluno, visando sempre facilitar a aprendizagem dos estudantes.

Ao pensarmos sobre o processo de ensino, precisamos pensar como está a


interação entre professor e aluno, isso porque a natureza que envolve o ensi-
no passa a se estabelecer dentro da sala de aula. E nesse movimento podemos
destacar três fatores: professor como autoridade, professor como coordenador,
professor como facilitador.

No entanto, diante de qualquer estilo que o professor adote para poder ensinar,
ele precisa ter em mente a meta que pretende atingir no processo de aprendizagem
de seus alunos.
Apoiar o ensino em algumas acepções de aprendizagem é útil, pois facilita
a compatibilização dos eventos de processo de aprendizagem do aluno
(condições internas) com as situações propostas pelo professor (condições
externas) para efetivação da aprendizagem. (GARCIA, 1984, p. 14)

Assim, mencionamos no quadro a seguir algumas possibilidades sobre o processo


de ensino:
• Possibilidades no processo de ensino
» Aprender é um processo contínuo, individual, único e intransferível;
» Aprendizagem ocorre como resposta do indivíduo à estimulação decorrente
de sua interação com o ambiente;
» A ideia de permanência do aprendizado implica em algum processo de orga-
nização de experiências ou de estímulos;
» O ato de aprender envolve uma série de fases, ocorrentes internamente
no indivíduo;
» O conhecimento dessas fases ajuda o professor a implementar eventos exter-
nos, capazes de influenciar ato de aprendizagem mais efetivo;

11
11
UNIDADE Planejamento e a Prática Docente II:
Plano de Ensino e Plano de Aula

»» Modelos de ensino são modos de prover e criar ambientes adequados à efe-


tivação da aprendizagem;
»» Instrução/ensino consiste no conjunto de eventos planejados para iniciar,
ativar e manter a aprendizagem do aluno;
»» Qualquer que seja o modelo de ensino implementado por estilo de ensinar,
ele envolve três fases de desenvolvimento: preparação, entrega e avaliação.
(GARCIA, 1984, p. 13-14)

As fases mencionadas acima delineiam os direcionamentos que os professores


precisam tomar em relação ao processo de ensino. Mas é importante destacar uma
questão que o professor precisa realizar ao longo de sua carreira:
Explor

Como está o meu estilo de ensinar?

A pergunta estruturada traz reflexões e uma proposta de ação conscientizado


da importância do planejamento de ensino no processo de aprendizagem. Mes-
mo diante das dificuldades dessa ação por parte dos docentes, o planejamento de
ensino é o melhor instrumento para efetivar a aprendizagem dos alunos, a partir
do momento que os professores demonstram fragilidades em seus planejamentos,
pouco eles conseguiram intervir na realidade dos alunos. A seguir apresentamos
um modelo de plano de ensino, para que você, estudante, saiba como construir
esse material tão importante na organização do trabalho docente.

Quadro 1 – Planejamento de ensino


CURSO:
DOCENTE:
CÓDIGO DA DISCIPLINA: ANO DE IMPLANTAÇÃO:
CARGA-HORÁRIA:

EMENTA:
A ementa é uma forma de descrever discursivamente o conteúdo conceitual e procedimental de uma disciplina.
OBJETIVO GERAL:
corresponde ao objetivo mais amplo da disciplina, sempre buscando pensar: “o que meu aluno deve saber ao final
desta disciplina?”.
OBJETIVO ESPECÍFICOS:
referem-se às unidades de ensino, é o momento que explicita-se as ações que irão contribuir para o objetivo geral.
CONTEÚDO PROGRAMÁTICO:
explicita-se os conteúdos a serem trabalhados ao longo da disciplina, distribuídos em tópicos.
ESTRATÉGIAS DE ENSINO:
são as ações previamente planejadas para facilitar a relação de ensino e aprendizagem. Essas ações podem apoiar-se
em recursos como: aula expositiva, dialogada, seminário, resenha, debates, entre outros.
CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO:
aqui deve se especificar o sistema de avaliação programada pelo departamento ou pelo colegiado do curso,
especificando valores para as avaliações.
BIBLIOGRAFIA BÁSICA: apresentar os principais livros que irão orientar a disciplina.
BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR: livros e/ou artigos que auxiliam nos estudos.

12
Para Souza e Figueiredo (s/d), o planejamento de ensino é um organizador me-
todológico do conteúdo e visa atender às necessidades dos alunos.
O planejamento deve ser compreendido como um instrumento capaz de
intervir em uma situação real para transformá-la. É uma mediação teórico-
metodológica para a ação consciente e intencional que tem por finalidade fazer
algo vir à tona, fazer acontecer. Para isto, é necessário estabelecer as condições
materiais, bem como a disposição interior, prevendo o desenvolvimento da
ação no tempo e no espaço; caso contrário, vai se improvisando, agindo sob
pressão, administrando por crise (SCHEWTSCHIK, 2017, p. 10664)

Para compreender melhor a questão apresentada, organizamos um quadro que


demonstra a série de técnicas e procedimentos disponíveis para o professor utilizar
no planejamento de ensino da disciplina.

Quadro 2 – Técnicas e procedimentos para o professor em sua reflexão pessoal


Fases de
Desenvolvimento Estilos de Ensinar Professor Aluno
da Instrução
Impõe programação que Apresenta passividade em relação
Preparação Professor Autoridade
considera responsável único à programação proposta

Coordena a ação para que Aciona meios escolhidos para


Entrega Professor Coordenador cada aluno opere dentro de atingir metas selecionadas dentre
sua própria escolha as propostas pelo professor
Diagnostica as dificuldades
Vê na avaliação o momento de se
Avaliação Professor Avaliador para ampliação do programa
autoavaliar, uma experiência
individual do aluno

Fonte: Garcia (1982, p. 6)

A partir do momento que o professor compreende esses passos ele está apto a
planificar. E o planejamento irá envolver: ideias, dinâmicas, projeções, programa-
ções, corporificações, plano de ação, entre outros.

Acesse o Blog Horário e veja a importância sobre o planejamento na escola.


Explor

Disponível em: [Link]

Assim, podemos dizer que o planejamento de ensino envolve diversas etapas,


como: análise lógica de conteúdo, mapeamento do conteúdo, relação de objetivos
e elaboração do plano de avaliação. Lembrando que essas etapas devem ser feitas
de maneira concomitante.

Apresentamos os princípios que envolvem o planejamento, e não obstante se


faz necessário mostrar como o plano de aula está envolto a esse processo.

13
13
UNIDADE Planejamento e a Prática Docente II:
Plano de Ensino e Plano de Aula

Plano de Aula
De acordo com Veiga (2008, p. 267), “a aula, é um lugar privilegiado da vida
pedagógica, refere-se às dimensões do processo didático - ensinar, aprender, pes-
quisar e avaliar - preparado e organizado pelo professor e seus alunos”. Segundo a
autora, aula nada mais é do que o momento em que se efetiva o fazer pedagógico,
em que acontece de fato a aprendizagem, a pesquisa e o processo avaliativo – pro-
cessos esses que precisam ser bem planejados.

O ato de planejar e organizar a ação docente é um processo que exige domínio


de conhecimento sobre os diversos níveis que compõem o planejamento. Por isso,
a didática é tão importante, pois, além de fazer parte da pedagogia, trata dos pre-
ceitos científicos que tendem a orientar a atividade educativa.

E a didática em geral nos ensina que o planejamento de uma aula inicia-se


com o plano de aula, e é nesse instrumento que iremos delimitar o que o aluno
irá aprender. A isso se deve a necessidade de pensar em objetivos, nos conteúdos
que se pretende ensinar, na metodologia e na avaliação, tudo isso apresentado de
maneira detalhada.

Para Zanon e Althus (2010), a atividade docente ainda apresenta fragilidades,


isso porque, para alguns professores, planejar e dispor na construção de atividades
é fácil, já para outros a dificuldade é maior. Assim, o processo de reflexão a respei-
to das finalidades e objetivos do plano de aula precisa ser feito por meio de grandes
estudos. Caso o professor não realize o planejamento, a ação docente deixa de
atingir seu principal objetivo que é a aprendizagem.

Os objetivos do plano de aula são caracterizados por verbos no infinitivo e visam


designar um produto final da aula do professor; no caso, aquilo que queremos que
o aluno aprenda.

De acordo com Libâneo (2013), o professor precisa ter conhecimento dos obje-
tivos educacionais, para que o seu planejamento esteja de acordo com todo o pro-
cesso pedagógico. O norte da prática docente ocorre por meio do planejamento e
do plano de aula, por isso os objetivos são considerados o ponto de partida para o
desenvolvimento da prática educativa, já que será por meio delas que o professor
irá encaminhar o processo de ensino visando atingir a aprendizagem dos alunos.

Destacamos ainda que os conteúdos são um conjunto de conhecimentos, ha-


bilidades, hábitos e modos valorativos de atuação histórico-social, que estão or-
ganizados pedagogicamente e didaticamente para o processo de construção do
conhecimento dos alunos. Libâneo (2013) coloca que os conteúdos são saberes
que emergem da prática social e histórica que foram construídas pela humanidade,
e traduzidos em matérias de ensino – por isso se transformam em conhecimento, o
que resulta em capacidade cognoscitivas, e colaboram com o desenvolvimento das
competências e habilidades.

14
Ela [a aula] é feita de prévias e planejadas escolhas de caminhos, que
são diversos do ponto de vista dos métodos e técnicas de ensino; [...]
também se constrói, em sua operacionalização, por percalços, que impli-
cam correções de rota na ordem didática, bem como mudanças de rumo;
[...] está sujeita a improvisos, porque não foram previstos, mas não pode
constituir-se por improvisações. (ARAUJO, 2008, p.60-62)

Assim, para que a aprendizagem ocorra, é necessário que o professor encontre


caminhos ou métodos de ensino. O método de ensino permite que o plano de
aula tenha uma característica ativa, pois visa direcionar o processo de construção
da aprendizagem, além de atender às necessidades dos alunos. Dessa forma, o
professor precisa ter conhecimento de um “maior número de meios e estratégias
para atender as diferentes demandas que aparecerão no transcurso do processo de
ensino/aprendizagem” (ZABALA, 1998, p. 93).

Ainda, o “processo de planejamento inclui o processo de avaliação, sem exa-


gero pode-se afirmar que o planejamento é um processo de avaliação que se junta
a ação para mudar o que não esteja de acordo com o ideal” (GANDIN, 1994, p.
115). Pela ótica do autor, conseguimos compreender que a avaliação é responsável
pela reorganização da prática pedagógica, sendo ela quem vai demonstrar se os
objetivos foram alcançados.
O plano de aula precisa atender a todas as especificidades dos itens que o
compõem. Trazer o objetivo da aula bem especificado, uma avaliação que
revele se a intencionalidade foi atingida e as atividades relacionadas aos
conteúdos que desenvolverão as habilidades necessárias para que ocorra
a aprendizagem. Para tanto, ele precisa apontar uma avaliação que esteja
alinhada aos objetivos de aprendizagem e que retrate se estes foram ou
não alcançados. (SCHEWTSCHIK, 2017, p. 10668)

Por isso é tão importante alinhar a avaliação aos objetivos propostos no plano de
aula. A seguir apresentamos um modelo de plano de aula, para que você, estudante,
possa utilizá-lo no momento de elaboração de suas aulas semanais ou mensais.

Ficha do plano de aula


Tema: _________________________________________________________________________________
Professor/Aluno: ________________________________________________________________________
Escola/Instituição: _______________________________________________________________________
Data: ____/_____/_____

Conteúdos Procedimentos a
Objetivo geral Público alvo Avaliação
ministrados serem tomados

Palavras/Chave: _________________________________________________________________________

Figura 3 – Plano de Aula

15
15
UNIDADE Planejamento e a Prática Docente II:
Plano de Ensino e Plano de Aula

Vejam que o plano de aula contém praticamente os mesmos quesitos do plano


de ensino, no entanto, o que os diferencia é que o plano de aula é elaborado para
a semana que irá se trabalhar determinados conteúdos. Outro fator que se alinha a
esse processo construtivo da prática docente é que, no plano de aula, o professor
precisa direcionar a avaliação da aprendizagem, ou seja, ele precisa dizer como irá
desenvolver o avaliação. O plano de aula e a prática de ensino se concentra em
resultados da aprendizagem:
Um exemplo de prática de ensino que se concentra nos resultados de
aprendizagem que se pretende que os estudantes alcancem [...] forne-
ce orientações práticas aos professores sobre como planejar suas aulas,
levando em consideração a perspectiva dos estudantes, de tal modo a
mantê-los engajados de forma produtiva. (MENDONÇA, 2014, p. 2)

Nesse sentido, as atividades que serão realizadas pelos alunos devem demonstrar
o que eles aprenderam. O plano de aula mais completo utilizado é do Professor
Gasparin, organizado da seguinte maneira:

Quadro 4 – Plano de aula


DISCIPLINA:

OBJETIVO GERAL:
corresponde ao objetivo mais amplo do conteúdo a ser ministrado, sempre buscando
pensar: “o que meu aluno deve saber ao final deste conteúdo?”.
OBJETIVO ESPECÍFICOS:
referem-se às unidades de ensino, é o momento que se explicitam as ações que irão
contribuir para o objetivo geral.
I. PRÁTICA SOCIAL INICIAL DO CONTEÚDO
1.1 CONTEÚDO:
Vivência do Conteúdo:
a) O que os alunos já sabem sobre o conteúdo ministrado?
b) O que os alunos gostariam de saber mais sobre o conteúdo?
II. PROBLEMATIZAÇÃO
2.1 DISCUSSÃO:
a) O que é necessário para a produção de XXXXXXXXXXXX???
2.2 DIMENSÕES DO CONTEÚDO:
a) Conceitual
b) Social
c) Histórica
d) Cultural
III. INSTRUMENTALIZAÇÃO
Aqui o professor deve explicar como será a aula e prever como irá desenvolver os conteúdos,
a problematização e os recursos que utilizará para desenvolver as atividades.
IV. RECURSOS HUMANOS E MATERIAIS
V. CATARSE
5.1 SÍNTESE MENTAL DO ALUNO
Aqui o professor irá explicitar tudo aquilo que o aluno apreendeu ao longo dessa etapa e
qual o resultado dela.
VI. PRÁTICA SOCIAL FINAL DO CONTEÚDO
6.1 Intenções do Aluno
6.2 Ações do Aluno
BIBLIOGRAFIA BÁSICA:
GASPARIN, João Luiz. Uma didática para a pedagogia histórico-crítica. Campinas: Autores
Associados, 2003.

16
Isso demonstra que o plano de aula deve conter objetivos de aprendizagem que
estejam bem definidos e atividades avaliativas alinhadas ao objetivo proposto.
O que eu pretendo que meus alunos sejam capazes de fazer depois do que
eu ensinei e que não podiam fazer antes? Em que nível eles são capazes
de fazer? Como faço para promover atividades que irão ajudá-los a alcan-
çar os resultados pretendidos da aprendizagem? Como posso avaliá-los
para ver se eles alcançaram tais resultados? (BIGGS; TANG, 2010, apud
MENDONÇA, 2014. p.2)

Por isso focar no alinhamento entre objetivos e avaliação é tão importante,


pois possibilita que o professor alcance bons resultados no processo de ensino. É
justamente nesse processo que as atividades que irá desenvolver no processo de
avaliação precisam estar no mesmo nível dos objetivos de aprendizagem, ou seja,
a avaliação deve corresponder ao objetivo.

3 Atividades da aula

Atividade avaliativa
1 Objetivo 2 de verificação da
aprendizagem

1 - Inicia-se com o planejamento dos objetivos de aprendizagem, o que se quer que os alunos aprendam.
2 - Planeja-se em seguida uma atividade para verificar se eles aprenderam o que foi proposto com o objetivo.
3 - Busca-se, depois de elaborar a atividade avaliativa de verificação, a(s) atividade(s) que será(ão) proposta(s)
durante a aula para que os alunos atinjam o objetivo pedagógico.

Figura 4 – Esquema de Alinhamento Construtivismo


Fonte: Dalcorso e Tamassia (2017)

O esquema apresentado ilustra o detalhamento do alinhamento construtivo.


Essa prática descrita nele visa definir os resultados pretendidos na aprendizagem.

Tanto o planejamento de ensino quanto o plano de aula são instrumentos es-


senciais na prática docente, pois eles visam garantir a aprendizagem e avaliar o
que realmente se efetivou ao final de cada aula, sem se desvincular do processo
de aprendizagem.

Até aqui tratamos sobre as questões que envolvem o plano de ensino e o plano
de aula, no entanto há conceitos importantes para que essa prática do trabalho do-
cente se efetive. Assim, o infográfico estruturado exclusivamente para seus estudos
demonstra quais são os importantes conceitos que fazem parte dos instrumentos
da prática pedagógica docente.

17
17
UNIDADE Planejamento e a Prática Docente II:
Plano de Ensino e Plano de Aula

PREPARAÇÃO

A Autoanálise do professor, técnicas de redação de


objetivos instrucionais, técnicas de mapeamento do
conteúdo.

B
ENTREGA DA INSTRUÇÃO
Estratégias instrucionais específicas para que o
processo de ensino dos alunos seja eficiente.

C
AVALIAÇÃO
Avaliação normativa, avaliação por critérios e
realimentação do processo de aprendizagem.

Figura 5 – Instrumentos da prática pedagógica docente

Assim, o infográfico apresentado permite compreendermos os principais que-


sitos que envolvem o plano de aula e o plano de ensino, além de como eles são
importantes para a prática docente. Ao longo da nossa aula, buscamos discutir
a respeito da necessidade da construção do plano de ensino e do plano de aula,
evidenciando os elementos necessários para a sua construção, e como esses do-
cumentos fazem parte da prática docente e são fundamentais para o processo de
aprendizagem com qualidade do aluno

18
Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:

Vídeos
Planejamento de Aula na BNCC , com a Doutora Guaciara Fornaciari.
O vídeo apresentado pela professora Guaciara visa demonstrar como ficará o
planejamento das aulas após a aprovação da BNCC, ao enfatizar discussões a respeito
do que muda na prática dos professores.
[Link]
Planejamento Escolar – N.º 01 - Planejamento: o que não é
[Link]
Planejamento Escolar – N.º 02 - O que é planejamento
[Link]
Planejamento Escolar – N.º03 - O que deve contemplar
[Link]

Leitura
A influência do plano de aula na práxis docente
O texto de Dorta e Franco (2013) visa abordar a importância que o plano de aula tem
na práxis docente. Os autores focam na prática do ensino superior e ressaltam que até
mesmo no ensino superior o plano de aula é importante.
DORTA, G. C. da S.; FRANCO, S. A. P. A influência do plano de aula na práxis
docente: uma abordagem no ensino superior. II Jornada de didática e I Seminário de
pesquisa do CEMAD, 2013. Disponível em:
[Link]
A importância do planejamento no contexto escolar.
O texto aborda a importância do planejamento no contexto escolar. Os autores retratam
o papel que o planejamento desempenha nas práticas docentes e a importância desse
documento no momento de nortear as ações pedagógicas dos professores e até mesmo
da equipe pedagógica.
[Link]

19
19
Os Quatro Pilares da Educação
e a Prática Docente

• Os Quatro Pilares da Educação e a Prática Docente.

OBJETIVOS DE APRENDIZADO
• Proporcionar reflexões sobre as necessidades pedagógicas essenciais na atuação
dos professores.
UNIDADE Os Quatro Pilares da Dducação e a Prática Docente

Os Quatro Pilares da Educação


e a Prática Docente
Nas últimas décadas, houve inúmeras mudanças no mundo do trabalho, fator
que atingiu, também, a escola e a educação. Nesse processo, temos uma nova con-
cepção de educação, que passa a exigir uma formação de professores para atuar
na realidade em que os estudantes estão inseridos.

Figura 1 – O professor do novo milênio


Fonte: Wavebreak Media Ltd/123RF

A concepção dos saberes docentes passam a ter um novo viés, que visa ampliar as
competências dos docentes, constituindo um novo tipo de profissional, ou seja, “[...]
aquele que é capaz de criar situações de aprendizagem nas quais o jovem desenvolva
a capacidade de trabalhar intelectualmente, a partir do que se capacita para enfrentar
as situações da prática social e do trabalho” (KUENZER, 2008, p. 28).

A partir do momento que passamos a considerar as particularidades e as espe-


cificidades apresentadas em nossa sociedade que, hoje, modifica as relações de
trabalho, confere-se, à formação docente, algumas dimensões, como cita Kuenzer
(2008, p. 31-33),
[...] deve conhecer o mundo do trabalho sem ingenuidade, a partir da
apreensão do caráter de totalidade das relações sociais produtivas [...]; [...]
exigir que se tenha clareza a respeito de qual educação se está falando,
uma vez que ela atende a diversos níveis, da básica à científica-tecnológica
de alto nível [...] e a existência de conhecimento, elaborados através de
pesquisas realizadas nas últimas décadas que permitem configurar uma
pedagogia adequada, a ser considerada na elaboração dos programas de
formação de professores [...].

8
Quando nos referimos aos saberes docentes, ressaltamos a necessidade de
estudar o trabalho docente a partir de uma dimensão ontológica, em que este
passa a constituir o ser social, por isso, é preciso estudar as bases materiais que
cimentam tal saber.

Ao levarmos em consideração a reflexão de Kuenzer, indagamos a complexi-


dade que envolve os saberes necessários docentes, pois essas ações envolvem o
mundo do trabalho e o mundo da escola, além dos saberes dos professores.

Quais os saberes necessários que os professores necessitarão ter para que haja um desem-
Explor

penho profissional para enfrentar os novos desafios?

A partir disso, podemos, também, aproximar-nos das propostas de Tardif


(2004), as quais dizem que o saber docente está atrelado às condicionalidades do
contexto do trabalho do professor, ou seja, “[...] saber é sempre o saber de alguém
que trabalha alguma coisa no intuito de realizar um objetivo qualquer” (TARDIF,
2004, p. 11). Por isso, os saberes necessários docentes para que se exerça a pro-
fissão de professor podem ser classificados em quatro categorias, como: saberes
da formação profissional; saberes curriculares; saberes experienciais e os
saberes disciplinares.

Importante! Importante!

Para a atuação profissional como professor, o processo formativo é considerado essencial


não só na formação inicial, mas também ao longo da profissão, na perspectiva da forma-
ção continuada, uma vez que a docência exige constante aperfeiçoamento de práticas,
conhecimentos e saberes (FREIRE; SKEIKA, 2015, p. 17065).

Nesse sentido, a formação docente deve sempre ser o problema central dos
saberes necessários para a prática docente. Logo, o professor precisa envolver seu
trabalho em elementos advindos de sua experiência e de seu processo formativo.
Isso torna-o um docente único e seus saberes pedagógicos passam a fazer mais
sentido para os seus alunos.

Um dos aspectos relevantes da profissão docente são passíveis de momentos


de aperfeiçoamento e de aprendizagem ao longo da sua formação, seja ela inicial
ou continuada, e o conhecimento do professor é um dos fatores mais importantes
para ensinar qualquer tipo de conteúdo aos seus alunos.

Os conhecimentos pedagógicos são inseridos em um espectro mais amplo, que


envolve competências e habilidades dos professores, e este vai desenvolvendo es-
sas ações ao longo de seu trabalho profissional. Logicamente que isso inclui ações
didático-pedagógicas, conteúdo e relações interpessoais.

9
9
UNIDADE Os Quatro Pilares da Dducação e a Prática Docente

Veja o vídeo sobre prática pedagógica na atualidade: oportunidades e desafios. Disponível


Explor

em: [Link] Acesso em: 16 mai. 2019.

Para Fernandez (2011), existem diversas formas de compreender o saber do-


cente e do professor exercer sua profissão, por isso há inúmeras discussões sobre
os conhecimentos que são necessários para exercer a prática docente. Essa prática
também é conhecida como knowledge base for teaching, que é um conjunto de te-
orias que passa a sustentar a formação inicial dos professores. Esse conhecimento
é necessário para que os professores consigam ensinar aquilo que denominamos
de base de conhecimentos para o ensino.

Figura 2 – Conhecimentos docentes


Fonte: Tyler Olson / 123RF

A base de conhecimentos para o ensino deve ser compreendida como “[...] um


corpo de compreensões, conhecimentos, habilidades e disposições que são neces-
sários para que o professor possa propiciar processos de ensinar e de aprender,
em diferentes áreas de conhecimento, níveis, contextos e modalidades de ensino”
(MIZUKAMI, 2004, p. 91). Logo, a base de conhecimentos possui diversas na-
turezas, que são essenciais para os saberes pedagógicos dos professores. Esses
conhecimentos podem ser delimitados como: conhecimento, respeito aos alunos,
conteúdos específicos, questões pedagógicas e aprendizagem.

O conhecimento pedagógico ou pedagogical content knowledge são conheci-


mentos que distinguem os licenciados dos bacharéis. Essa categoria pode ser or-
ganizada a partir de algumas propostas, como
1) conhecimento pedagógico geral (composto pelo conhecimento dos alunos
e sua aprendizagem, gestão da sala de aula, currículo e instrução e outros);
2) conhecimento do tema (que inclui o conhecimento das estruturas sintá-
ticas e substantivas e do próprio conteúdo); 3) conhecimento do contexto
(conhecimento do estudante em relação à comunidade, à escola e ao
distrito/região) e; 4) conhecimento pedagógico do conteúdo (guiado pela

10
concepção dos propósitos para ensinar um conteúdo específico e cons-
tituído pelo conhecimento da compreensão dos estudantes, do currículo
e das estratégias instrucionais); sendo que, esse último é influenciado e
influente nos demais e é considerado o conhecimento central da base de
conhecimentos de um professor. (FREIRE; SKEIKA, 2015, p. 17065)

O esquema ilustrativo que apresentamos agora consegue demonstrar, de manei-


ra clara, a citação acima, vejamos.

Conhecimento do Tema Conhecimento Pedagógico Geral


Estruturas Estruturas Alunos e Gestão da sala Currículo e
Conteúdo Outros
Sintáticas Substantivas aprendizagem de aula instrução

Conhecimento Pedagógico do Conteúdo


Concepção dos propósitos para ensinar um
conteúdo específico
Conhecimento
Conhecimento
da Conhecimento
de estratégias
compreensão do currículo
instrucionais
dos estudantes

Conhecimento do Contexto
Estudante
Comunidade Distrito Escola

Figura 3 – Saberes necessários à prática docente


Fonte: Grossman (1990)

Esta imagem demonstra como os saberes necessários aos docentes relacionam-


-se aos conhecimentos utilizados para ensinar; e o processo de ensino, muitas
vezes, visa propor ou, até mesmo, ampliar os conhecimentos dos docentes que
estão em processo de formação inicial ou continuada. Por isso, podemos dizer que
um excelente profissional da educação é aquele que consegue transitar pelos mais
diferentes conhecimentos que envolve o ensino e faz uso de diversas metodologias
para colocar, em prática, seu ensino, bem como o conteúdo que irá ministrar no
processo de aprendizagem.

Você Sabia? Importante!

Você sabia que os principais saberes docentes surgem em discussões do documento da


Unesco, intitulado Educação: um tesouro a descobrir, relatório para a UNESCO da Comis-
são Internacional sobre Educação para o Século XXI?

Sabemos que o professor precisa ter conhecimentos essenciais que estão para
além daqueles relacionados à sua área de pesquisa. Esse docente precisa ter co-
nhecimentos relacionados à gestão escolar e atualização profissional. Os autores
Gauthier et al (1998, p. 22, grifo nosso) retrata que os saberes necessários à práti-
ca docente organizam-se da seguinte forma:

11
11
UNIDADE Os Quatro Pilares da Dducação e a Prática Docente

1) Disciplinar - conhecimento do conteúdo a ser ensinado; 2) Curricu-


lar - transformação da disciplina em programa de ensino; 3) Ciências da
Educação - saber profissional específico que não está diretamente rela-
cionado com a ação pedagógica; 4) Tradição Pedagógica - saber de dar
aulas que será adaptado e modificado pelo saber experiencial, podendo
ser validado pelo saber da ação pedagógica; 5) Experiência - julgamentos
privados responsáveis pela elaboração, ao longo do tempo, de uma juris-
prudência particular; 6) Ação pedagógica - saber experiencial tornado
público e testado

Vejam que os saberes mencionados não se restringem, exclusivamente, às ques-


tões do ensino, pois também estão assentados no processo administrativo e peda-
gógico da instituição. Você pode me perguntar, mas por quê, professora?
Veja que o(a) professor(a) é parte integrante de todas as ações que são desen-
volvidas na escola. Ele não se porta como mero expectador, já que ele é o agente
que faz a escola funcionar. Exatamente por isso é que ele precisa estar envolvido
nessas questões, um envolvimento que está para além da sala de aula e que busca,
no saber profissional desse docente, os direcionamentos das ações pedagógicas.
Por isso, podemos dizer que não há docência sem discência!

Ensinar exige
reflexão crítica Ensinar exige
sobre a prática estética e ética
Ensinar exige
Ensinar exige
risco, aceitação
rigorosidade
do novo e rejeição
metódica
a discriminação
NÃO HÁ
Ensinar exige DOCÊNCIA Ensinar exige
corporificação SEM DISCÊNCIA pesquisa
das palavras
pelo exemplo
Ensinar exige
respeito aos
Ensinar exige o saberes dos
reconhecimento educandos
a assunção da Ensinar exige
identidade cultural a critidade

Figura 4 – Flor da docência

Uma das tarefas mais importantes do saber docente é trabalhar com os seus alu-
nos com grande rigorosidade metódica, em que o professor deve aproximá-los dos
objetos cognoscíveis. Logicamente, essa rigorosidade não quer dizer que o professor
precisa voltar para a tendência tradicional, mas sim prezar por apresentar os concei-
tos do que será ensinado em sua aula, pois, quando o professor propõe a produção
de novos conhecimentos, o aluno passa a superar aquele velho conhecimento que ti-
nha, por isso é tão importante apresentar os conceitos de cada assunto a ser tratado.
Outro fator é que o professor precisa ser um pesquisador e saber ensinar os seus
alunos a pesquisarem, pois é a partir da pesquisa que se trabalha com a produção
do conhecimento.

12
Dentro dessas questões, o professor precisa discutir e dialogar com seus educan-
dos sobre a realidade concreta em que estamos inseridos. É preciso dar exemplos,
no contexto da aula, da realidade objetiva que vivemos, pois é por meio de exem-
plos que os alunos, muitas vezes, conseguem assimilar o conteúdo apresentado.
Essa prática também deve direcionar para a prática de relações entre os saberes
curriculares necessários à formação do educando e à experiência social que cada
um tem em sua vida cotidiana.
Em sua prática docente, o professor deve ensinar os alunos a superarem a
curiosidade ingênua, obviamente, sem deixar de ser curiosidade, mas que essa
curiosidade leve-os à prática da criticidade, pois é por meio dessas ações que o
aluno passa a apreender o rigor metodológico do ensino e consegue aproximar-se
do objeto estudado.
Uma ação necessária e importante neste caminhar é que a rigorosidade da pes-
quisa e a criticidade não podem estar distantes da ética, que deve sempre caminhar
ao lado da estética. Materiais bem elaborados, coloridos, com a língua portuguesa
formal bem utilizada são mecanismos que chamam muito a atenção dos alunos.
A partir desses princípios, a relação professor-aluno também deve aceitar o
novo, mas sem negar aquilo que já foi compreendido, pois essa prática é a conti-
nuidade do processo histórico tão importante na formação de cada indivíduo.
O pensar sobre questões certas dentro de uma perspectiva ética pode transfor-
mar a prática docente, que envolve dinamicidade, dialética e ações entre o fazer
e o pensar. Isso porque o saber, na prática docente, é quase sempre espontâneo
e, em muitos casos, produz um saber ingênuo, que acaba faltando a rigorosidade
metódica da teoria.
Com isso tudo, temos o resultado de que ensinar não é transferir conhecimento
(FREIRE, 2000).

Ensinar exige Ensinar exige


curiosidade consciência do
inacabado
Ensinar exige
convicção de que Ensinar exige
a mudança é reconhecimento
possível de ser condicionado
ENSINAR
NÃO É TRANSFERIR
Ensinar exige CONHECIMENTO Ensinar exige
alegria e respeito a autonomia
esperança do ser do
educando

Ensinar exige apreensão


Ensinar exige
da realidade
Ensinar exige humildade, bom senso
tolerância e luta
em defesa dis direitos
dos educadores

Figura 5 – Resultado dos saberes docentes

Assim, o professor precisa compreender, em seus saberes-docentes, que, para


ensinar, é necessário apreender que a educação é uma forma de intervir no mundo

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UNIDADE Os Quatro Pilares da Dducação e a Prática Docente

onde se esta inserido. Todos os professores precisam estar abertos ao diálogo para
ensinar de maneira prazerosa.
Tardif (2002) ressalta que os saberes necessários à prática docente relacionam-
-se, também, à problematização do ensino e à formação de professores. Exatamen-
te por isso o autor salienta que o saber pedagógico dos docentes estão organizados
em seis eixos. Vejam quais são:
• Saber e trabalho;
• Diversidade do Saber;
• Temporalidade do saber;
• Experiência de trabalho enquanto fundamento do saber;
• Saberes humanos a respeito de saberes humanos;
• Saberes e formação profissional (TARDIF, 2002, p. 55).
Esses fios condutores da carreira docente possibilitam que o professor compre-
enda a relação entre seu trabalho, escola e sala de aula; o professor, mediante a
sua pluralidade de conhecimentos, passa a focalizar os saberes necessários que irão
alicerçar sua prática profissional.

A melhoria na qualidade da educação tem sido constantemente discutida pela sociedade,


Explor

pelo governo e pelas instituições de ensino?

Dentro desse processo de conhecimento, os saberes docentes necessários à


prática pedagógica trazem a necessidade dos professores manterem-se atualizados,
mas essa atualização não é apenas de informações, sendo, também, de conheci-
mento científico e uma formação solidificada em conceitos e práticas que confi-
gurem a prática pedagógica dos professores. De acordo com Perrenoud (2000),
Freire (2011), Tardif (2014) e Gauthier (2006), os saberes docentes são plurais e
não podem reduzir-se a um mero conhecimento conteudista.
A árvore dos saberes docentes permite-nos enxergar todo esse processo de uma
maneira mais lúdica e dinâmica. Vejamos:

Saberes da/de experiência


Saberes disciplinares
Saber atitudinal
Saberes curriculares
Saber crítico-contextual Gauthier et al Saberes das ciências da educação
Saber específico Saviani
Saberes da tradição pedagógica
Saber pedagógico
Saberes da ação pedagógica
Saber didático-curricular

ÁRVORE DE SABERES DOCENTES

Saberes da experiência Saberes da formação


Saberes do conhecimento Pimenta profissional
Tardif, Lessard
Saberes pedagógicos Saberes das disciplinas
e Lahaye
Saberes curriculares
Saberes da/de experiência

Figura 6 – Árvore de saberes docente

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Discutir sobre os processos que envolvem a prática e a formação de professores
é essencial para uma educação de qualidade, por isso, a formação é tão necessária
e importante, pois o docente não é um ser “[...] descartável, nem substituível, pois,
quando bem formado, ele detém um saber que alia conhecimento e conteúdos à
didática e às condições de aprendizagem para segmentos diferenciados” (GATTI,
2009, p. 91). Por isso, as instituições que trabalham com a formação de professo-
res precisam preocupar-se com os rumos da educação, vivenciando a
[...] busca de novos currículos educacionais e de uma formação ao mesmo
tempo polivalente e diversificada de professores, as propostas de trans-
versalidade de conhecimento em temas polêmicos, mostram que a área
educacional encontra-se no meio desse movimento em busca de alterna-
tivas formativas. (GATTI, 2009, p. 94)

As ações que são intrínsecas à docência também relacionam-se às competências


e habilidades necessárias para formar o professor, além desse profissional compre-
ender que os saberes docentes não podem e não devem limitar-se ao conhecimen-
to de conteúdos específicos, como mencionamos anteriormente.

O professor precisa estar disposto, sempre, a estudar, pois, constantemente,


lhe será cobrado um conhecimento amplo, que precisa ser desenvolvido coletiva-
mente e de maneira interdisciplinar. O professor precisa estar aberto ao diálogo e
sua comunicação precisa ser clara e precisa, por isso, ele precisa ler muito, falar
e escrever bem. O professor precisa saber pesquisar, tomar decisões e resolver
problemas. De acordo com Gadotti (2011, p. 69), “[...] o enfoque da formação do
novo professor deve ser na autonomia e na participação, nas formas colaborativas
de aprendizagem”. Dentre essas variáveis, Imbernón (2009, p. 31-33) aponta
a falta de uma coordenação real e eficaz entre a formação inicial do
professorado dos diversos níveis educativos [...]; a falta de coordenação,
acompanhamento e avaliação por parte das instituições [...]; a falta de
orçamento para atividades de formação [...]; horários inadequados, so-
brecarregamento e intensificando a tarefa docente; [...] a formação em
contextos individualistas, personalistas.

Por isso, o profissional da educação, no caso, o professor, além de deter com-


petências, deve saber:
• Organizar e dirigir situações de aprendizagem;
• Administrar a progressão das aprendizagens;
• Conceber e fazer evoluir os dispositivos de diferenciação;
• Envolver os alunos em suas aprendizagens e em seu trabalho;
• Trabalhar em equipe;
• Participar da administração escolar;
• Informar e envolver os pais;
• Utilizar novas tecnologias;

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UNIDADE Os Quatro Pilares da Dducação e a Prática Docente

• Enfrentar os deveres e os dilemas éticos da profissão;


• Administrar sua própria formação continuada (PERRENOUD, 2000, p. 14).

Esse processo de organização e direcionamento das situações de aprendizagem


deve envolver os alunos, sendo papel do professor criar as situações de aprendiza-
gem a partir do domínio de conteúdos e de teorias pedagógicas.

Importante! Importante!

Para conceber e fazer evoluir os dispositivos de diferenciação, o professor precisa com-


preender e saber gerir a heterogeneidade de aprendizagens e sala de aula, pois, apesar
de o sistema de ensino homogeneizar as turmas, isso não ocorre na prática e compete,
ao professor, administrar essas situações. Dessa forma, é importante o professor desen-
volver habilidades e competências capazes de auxiliá-lo na busca de como trabalhar
com a heterogeneidade, que é comum em qualquer sala de aula, e, consequentemente,
com o tempo de aprendizagem e dificuldades de cada educando (FREITAS; PACÍFICO,
2015, p. 5).

Outro fator importante, que faz parte dos saberes pedagógicos necessários à
prática docente, é o uso de novas tecnologias. O professor deve saber como utili-
zar as novas tecnologias em benefício da educação, já que é impossível negar que
nossos alunos estão em constante conexão com essas tecnologias, e não utilizá-las
é transformar o processo educacional em algo obsoleto.

Dentro desse processo, temos os quatro pilares da educação!

Os quatro pilares da educação surgiram como uma forma de atender aos pre-
ceitos da globalização. O propósito é desenvolver uma educação que abarcasse,
no currículo, questões importantes dentro do ambiente escolar, mas sem deixar de
lado a qualidade educacional, preparando as futuras gerações para o mundo do
trabalho. Esses fundamentos foram organizados e pensados pela Organização das
Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO). Os quatro pila-
res propõe direcionar alguns fundamentos para a educação de países considerados
em desenvolvimento, como o Brasil.

Cada pilar estaria diretamente ligado ao processo de desenvolvimento pessoal e


profissional dos estudantes, além do desenvolvimento humano.

No entanto, esses pilares não são ações apenas para modificar a formação de
alunos da educação básica, mas também de futuros profissionais da educação.

Os pilares da educação são quesitos fundamentais para organizar a prática pedagógi-


ca e os saberes docentes necessários à educação, desde a básica até o ensino superior.

Assim, a prática pedagógica dos profissionais da educação deve estar prevista


não somente no currículo dos cursos, mas também na maneira de conduzir as
ações e atividades docentes, por isso, na formação de professores, é essencial levar
em consideração os quatro pilares da educação, e não somente um ou dois.

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CONVIVER

SER CONHECER

APRENDER

VALORIZAR TRANSFORMAR

PRESERVAR RECOMEÇAR

Figura 7 – As competências necessárias para o docente na prática do trabalho

A imagem apresentada acima demonstra as competências que o docente preci-


sa desenvolver em sua prática. Os itens citados são fundamentais para os saberes
docentes e contribuem à formação dos profissionais da educação.

O primeiro deles, aprender é conhecer, é o momento do docente compreender


o ato da docência, enquanto parte fundamental de sua carreira. Esse mesmo do-
cente precisa verificar que ele é um pesquisador, um construtor do conhecimento.
As informações que lhes são passadas são extremamente importantes, mas ele
precisa buscar, no conhecimento sistematicamente organizado pelo homem, os
fundamentos de suas aulas. Outro fator importante é que esse mesmo docente
precisa livrar-se da ignorância e aprimorar sua criticidade e reflexão.

No aprender a viver juntos, o docente deve incentivar a convivência entre os de-


mais sujeitos da escola e da sala de aula. A convivência com outros seres humanos é
essencial à vida humana, tendo em vista que o homem só se faz homem por meio das
relações sociais. Por isso, é essencial aprender a compreender o próximo e a necessi-
dade de seus alunos. Esse mesmo professor precisa estar pronto para saber gerenciar
crises e incentivar projetos comuns na escola. A sua prática autoritária precisa ser
deixada de lado para que haja progresso em suas relações com os seus educandos.

Esse momento é importante para descobrir o outro, compreender suas diversida-


des e contribuir, de maneira significativa, para a elevação educacional de cada um.

Quando se trata de aprender a ser, esse mesmo docente precisa desenvolver


o pensamento crítico, incentivando seus alunos a desenvolverem a autonomia e
a criatividade. A partir dessas questões, é possível contribuir com a formação de
sujeitos éticos e cidadãos para atuar em sociedade. O professor não pode negligen-
ciar o potencial de seus alunos; ele precisa contribuir para o seu total desenvolvi-
mento, apresentando-lhe ferramentas que contribuam com a sua intelectualidade e
autonomia, tendo em vista que é a diversidade cultural que permite a inovação de
todas as áreas em nossa sociedade.

A proposta dos quatro pilares da educação é propor uma harmonia entre conhe-
cimento técnico e prático na formação dos professores, que é obtida no percurso

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UNIDADE Os Quatro Pilares da Dducação e a Prática Docente

estudantil, desde a educação básica até o ensino superior, e tem, por perspectiva,
enfatizar uma vida social que impulsione relações harmônicas em uma sociedade
totalmente fraterna e de paz.
A partir desse princípio, os pilares balizadores dos saberes docentes são questões
a serem disseminadas ao longo da vida do homem, tendo em vista que o homem
aprende das mais diversas formas, seja na igreja, na família, pelos meios de comuni-
cação, nos bancos, nas escolas e ao longo de sua existência. Nesse sentido, os sabe-
res docentes perfazem-se por meio das relações profissionais e sociais. Nas práticas
a serem desenvolvidas ao longo do percurso estudantil, o docente vai incorporando
comportamentos e ações que passam a ter sintonia com o seu ambiente de trabalho.
Outro fator que influencia nos saberes docentes é que o profissional precisa
amealhar, em sua trajetória pessoal e profissional, “[...] os mais variados saberes:
técnicos, de relacionamento e de vida propriamente dita” (TANURI, 2000, p. 2).
Quando o docente busca seu sucesso profissional, não é suficiente que ele apenas
saiba de sua área, ele precisa, também, agregar valor ao seu conhecimento e so-
mente conseguirá isso a partir do momento que incorporar os pilares da educação
em sua prática e ação profissional.
Ao ingressar no mundo do trabalho, o docente não pode negligenciar suas di-
mensões do saber. Isso quer dizer que, muitas vezes, os docentes acabam privile-
giando muito mais um conhecimento em detrimento de outro.
É importante ressaltar o que menciona a Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional – Lei n.º 9394/1996, em seu Capítulo VI, em que há a definição da fina-
lidade dos cursos de formação de professores. Para Zabalza (2004), as instituições
de formação de professores precisam constituir uma dimensão organizacional para
estruturar e dimensionar as relações formais existentes na formação de professo-
res. Isso porque, em um determinado momento da história, diversas instituições de
ensino superior cederam maior espaço para a formação tecnológica, e esquece-
ram-se de abarcar as relações profissionais e sociais, que são fundamentais para a
inserção do profissional no mercado de trabalho.
Segundo o Relatório Delors (1996) , a simples formação técnica e científica não
é mais suficiente para atender às necessidades do mercado de trabalho e, muito
menos, da sociedade em que o sujeito está inserido. Por isso, é importante que a
educação e os professores incorporem metodologias que estejam assentadas nos
quatro pilares da educação (UNESCO, 1996).
Quando há a utilização dos pilares da educação, estes contribuem para o desenvol-
vimento e exercício dos saberes docentes no campo de atuação. Para Candau (2014),
certamente ser professor hoje supõe assumir um processo de desnaturali-
zação da profissão docente, do “ofício de professor” e ressignificar sabe-
res, práticas, atitudes e compromissos cotidianos orientados à promoção
de uma educação de qualidade social para todos. A crise da escola, na
nossa perspectiva, é radical. Não se trata simplesmente de introduzir mo-
dificações cosméticas na sua dinâmica cotidiana. É a própria concepção
da educação escolar que está em questão para que possa responder aos
desafios da contemporaneidade. (CANDAU, 2014, p. 41)

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De acordo com a autora, é necessário redimensionar o saber docente, no século
XXI, tendo em vista que o magistério tem necessitado de ressignificações nos sabe-
res docentes e na prática pedagógica. Para Candau (2014), é necessário desnatu-
ralizar as práticas pedagógicas, ou seja, romper com o caráter monocultural que a
escola tem, por isso, é importante conceber uma formação docente assentada nos
pilares da educação e nas ações interculturais, fator que também se faz presente
no processo de ensino e aprendizagem. Assim, é necessário modificar o olhar do
professor para os seus saberes e práticas pedagógicas.

O docente é aquele que trabalha com diversas realidades, sociais, culturais e eco-
nômicas, e, justamente por isso, precisa ressignificar seu saber docente para tornar
suas práticas mais ricas, promovendo as relações sociais, profissionais e culturais
no âmbito da escola.

Nesse sentido, algumas reflexões são pertinentes, já que os saberes docentes


passam a ser construções sob os auspícios dos pilares da educação. Mudanças são
necessárias, tais como:
• Saberes da formação profissional: são transmitidos pelas instituições de
ensino no processo de formação de professores;
• Saberes disciplinares: pertencem às diversas áreas do conhecimento;
• Saberes curriculares: estão articulados aos discursos, objetivos, conteúdos e
métodos presentes no currículo e na matriz curricular dos cursos;
• Saberes experienciais: passam a ser desenvolvidos pelos docentes, a partir
do momento que desempenham ações práticas em sua formação.

Os autores Tardif e Raymond (2000) apresentam uma organização desses sabe-


res e como integra-los ao trabalho docente. Vejamos essa estrutura:
Quadro 1 – Organização e integração do trabalho docente
MODOS DE INTEGRAÇÃO
SABERES DOS PROFESSORES FONTES DE AQUISIÇÃO
NO TRABALHO DOCENTE
Saberes pessoais do professor Família, ambiente de vida, educação História de vida

Saberes da formação A escola primária e secundária, os estudos Pela formação e pela socializa-
escolar primária pós secundáriosnão especializadas. ção profissional.

Saberes que provem da Estabelecer relações entre estágios, cursos Uma formação assentada nos
formação profissional de extensão, projetos de ensino e pesquisa. princípios de socialização.
Utiliza-se ferramentas como: livros didáti-
Saberes que provem de Utiliza-se essas ferramentas
cos, cadernos de exercícios, fichas, seminá-
livros didáticos para se adaptar as tarefas.
rios, notas de leitura, entre outros
Saberes que provém da sua pró- Ao praticar o ofício de lecionar, e a partir
Prática de trabalho e socializa-
pria experiência profissional e de do compartilhamento de experiência en-
ção profissional.
sala de aula tre os pares.
Fonte: Tardif e Raymond (2000)

Essas orientações servem para embasar o trabalho docente e organizar a forma


como o professor utiliza desses saberes em suas práticas pedagógicas, além de re-
pensar suas ações mediante o processo de ensino e aprendizagem.

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Os saberes docentes assentados nos pilares da educação devem organizar-se a


partir de jogos, brincadeiras e trabalho em equipe, sendo assim, é preciso ressaltar
a lógica lúdica e desenvolver os processos pedagógicos mais atrativos.

Entendemos que os pilares para a educação, para o século XXI, são ideias-guias,
ou seja, pontos que visam nortear a educação deste novo século, mas não como
uma forma de uniformizar a educação, e sim de somar princípios culturais, os quais
possibilitam um processo de ensino e aprendizagem em todas as partes do mundo.

Isso é importante porque os quatro pilares da educação visa compreender o


aluno em sua globalidade, tanto como sujeito em formação quanto a importância
do contexto social onde está inserido, e exerce influência sobre ele. Como o ensino
é uma ação que permeia todos os espaços, faz-se necessário estimular os sujeitos
ou os alunos à aprendizagem. A educação visa estimular uma formação que esteja
de acordo com essa nova era, pois “[...] a criança em formação vive cada vez mais
numa escola e numa sociedade plural complexa e sofisticada, desigual e violenta o
que requer uma educação de qualidade, também para a paz” (SILVA, 2017, p. 253).

Por isso, o papel de educar está para além da escola e da sala de aula, envolven-
do-se na vida de cada indivíduo.

Tanto a escola quanto o professor precisam estar envolvidos em um processo


de formação humana integral, não com o sentido de formar sujeitos competitivos,
mas indivíduos que possam vivem em completa harmonia com seus semelhantes,
respeitando as diversidades culturais.

Essa aprendizagem se refere à aquisição dos “instrumentos do conhecimento”, desenvolvendo nos alunos o raciocínio lógico, a
capacidade de compreensão, o pensamento dedutivo e intuitivo e a memória. O importante é não apenas despertar nos estu-
dantes esses instrumentos, como motivá-los a desenvolver sua vontade de aprender e querer saber mais e melhor.

Essa aprendizagem confere ao aluno uma formação em que aplicará seus conhecimentos teóricos. É essencial que cada indiví-
duo saiba se comunicar através de diferentes linguagens, assim como interpretar e selecionar quais informações são essenciais
e quais podem ajudar a refazer opiniões e serem aplicadas na maneira de se viver e de redescobrir o tempo e o mundo.

Esse domínio da aprendizagem atua no campo das atitudes e dos valores e


envolve uma consciência e ações contra o preconceito e as rivalidades diárias
que se apresentam no desafio de viver.

Esta aprendizagem depende das outras três, e dessa forma a educação deve
propor como uma de suas finalidades essenciais o desenvolvimento do indiví-
duo, espírito e corpo, sensibilidade, sentido estético, responsabilidade pessoal
e espiritualidade.

Figura 8 – Os quatro pilares da Educação para o século XXI


Fonte: Telefônica (2019)

Por meio dos pilares da educação, o professor é chamado a compreender mais


e melhor os indivíduos que estão dentro de seu âmbito de trabalho, bem como a se-
rem compreendidos. As bases que envolvem os saberes necessários para a forma-
ção docente estão assentadas em um humanismo libertador, em que os professores

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que são os sujeitos detentores do conhecimento não são apenas os professores,
mas também tornam-se os alunos, envolvendo-se em toda a formação permanente
que ocorre na escola.

O professor precisa ser o facilitador da aprendizagem, por isso, é importante


que ele delimite caminhos adequados de ação humana, e isso implica em uma so-
ciedade que convive com todos os cidadãos planetários.

Assim, nossos estudos apresentaram que o processo de construção do saber


docente está assentado na pesquisa, na criticidade, na rigorosidade metódica, na
estética, na ética, dentre outros, bem como que esse movimento dialético permite
que o docente desenvolva uma prática educativa progressista, a qual direcione o
aluno para a autonomia e a reflexão-crítica. Nesse sentido, vemos a importância de
formar cidadãos e não apenas treinar alunos para o mercado de trabalho, por isso,
todo docente precisa ter reflexões críticas sobre suas práticas e buscar sempre, nos
fundamentos teóricos, as ações para exercer essa prática, alinhando suas ações a
uma organização progressista da formação docente e discente.

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UNIDADE Os Quatro Pilares da Dducação e a Prática Docente

Material Complementar
Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade:

Sites
Reportagem trata dos quatro pilares da educação e da neurociência
A partir da perspectiva da neurociência, a reportagem trata da importância dos
quatro pilares da educação para o século XXI e do impacto na formação de crianças
e adolescentes.
[Link]

Vídeos
“Os quatro pilares da educação ainda servem para alguma coisa?”
O vídeo trata sobre os quatro pilares da educação, desde o seu surgimento até a sua
efetivação no âmbito da educação, visando apresentar se os pilares ainda apresentam
algum efeito sobre os saberes necessários do professor e do processo de ensino-
aprendizagem.
[Link]

Vídeos
O professor tem muitas dimensões: intelectual, de artista, de pesquisador, de artesão, dentre outras, e ter isso,
claro, é muito importante
O vídeo aborda o papel do professor na contemporaneidade e fala sobre o professor
enquanto intelectual. As reflexões apresentadas dizem respeito à formação do professor
e de como esse ator é produtor de conhecimento e técnica na educação.
[Link]

Leitura
A consciência como base para a transformação da escola, de Andreza Freitas da Silva Batista e André Ricardo
Gonçalves Dias
Os autores retratam a educação na atualidade, buscando realizar discussões quanto à
utilização de instrumentos que permitam ampliar a atuação docente em sala de aula.
[Link]

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