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Tipos e Tratamento de Otites em Crianças

Aula sobre otite

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NATÁLIA WINK
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DOR DE OUVIDO E

OTITES

Lara Vasques e Marília Rocha


Internato de Atenção à Saúde
12º Período
OBEJTIVOS:

Definir as otites e distinguir seus tipos principais;


Reconhecer fatores de risco, apresentação clínica e
diagnóstico na APS;
Aplicar o manejo inicial (medidas gerais e terapêutica tópica)
conforme orientações do Ministério da Saúde e literatura
nacional;
Identificar sinais de alerta e indicar encaminhamentos
apropriados;
Orientar prevenção e educação para o paciente.
ANATOMIA DA ORELHA:

Figura 1 - Anatomia da orelha


INTRODUÇÃO:

A dor de ouvido é uma das queixas mais frequentes nas


consultas de atenção primária à saúde (APS).

Otite é o termo utilizado para infecções no ouvido, nas partes


externas, médias ou internas, causando dor e desconforto
CAUSAS DE DOR DE OUVIDO:

Infecção das vias aéreas superiores (IVAS);


Corpo Estranho;
OMA;
Otite externa;
Rolha de cerume.

Menos frequente: paralisia de Bell, abscesso peritonsilar,


disfunção temporomandibular.
CLASSIFICAÇÃO DAS OTITES
OTITE EXTERNA:

Otite externa é inflamação da pele do conduto auditivo externo


(CAE) e, por vezes, do pavilhão auricular. (ouvido / orelha
externa);
Também chamada de “ouvido de nadador” no uso popular;
Pode ser aguda ou crônica; há formas localizadas (ex:
furúnculo) e difusas;
Existe ainda a forma grave ou necrosante (otite externa
maligna) em pacientes de risco.
OTITE EXTERNA:

Otite externa aguda difusa

Otite externa maligna (Necrotizante)


OTITE EXTERNA:

Fatores de risco:
> Manipulação traumática (uso de cotonete, objetos, coçar);
> Retirada excessiva de cerume protetor;
> Uso de aparelhos auditivos ou outros dispositivos que ocluam o
canal;
> Doenças de pele local (eczema, psoríase, dermatite)
> Condições que alteram a imunidade ou vascularização (ex:
diabetes, imunossupressão) — especialmente para formas graves.
OTITE EXTERNA:

História clínica / sintomas:


> Dor intensa, frequentemente aumentada pela tração do pavilhão
ou pressão no trago;
> Prurido no canal;
> Secreção (pus, material purulento) — pode haver mau cheiro
> Sensação de ouvido obstruído / diminuição da audição (efeito
de edema);
> Em casos graves: edema importante do canal, dor intensa,
linfadenopatia regional;
> Febre é menos comum, exceto em casos graves ou complicados.
OTITE EXTERNA:

Exame físico:
> Inspeção do pavilhão e região periauricular;
> Palpação de tragus e manobra de manipulação do pavilhão: dor
à manipulação do pavilhão externo ou tragus sugere
envolvimento externo.
> Otoscopia: Edema do canal (redução do calibre), Hiperemia da
pele do canal, Secreção ou detritos (pus, esfacelos), Membrana
timpânica geralmente preservada e móvel (na maioria dos casos)
— se houver perfuração ou envolvimento do ouvido médio, pensar
outras causas.
OTITE EXTERNA:

Princípios gerais
> Limpeza / desobstrução do canal — remoção de cerume e
secreções para permitir ação das gotas tópicas.
> Secagem do canal — manter o ouvido úmido seco.
> Uso de terapêutica tópica (gotas) — antibiótico + corticoide;
> Analgésicos / anti-inflamatórios orais para alívio da dor.
> Orientações ao paciente e acompanhamento.
OTITE EXTERNA AGUDA DIFUSA
TRATAMENTO:

→ Ciprofloxacino + hidrocortisona (2 mg/mL + 10 mg/mL) otológico 03


gotas na orelha afetada, de 12/12 horas, por 7 dias.

“A terapia tópica tem demonstrado eficácia superior à terapia por via oral
para a maior parte dos casos, sendo que os antibióticos orais geralmente não
são recomendados para otite externa simples - MS”

→ Cefalexina 500 mg, 6/6 h, 7 dias. SE: febre; edema acentuado, impedindo
a visualização da membrana timpânica; edema periauricular.
OTITE MÉDIA AGUDA

OMA é uma infecção da orelha média, com consequente presença


de líquido (efusão) preenchendo a sua cavidade sob pressão, com
início abrupto dos sinais e sintomas causados pela inflamação.

Figura 2 - Anatomia da orelha média


CLASSIFICAÇÃO:

Não complicada - OMA sem otorreia

OMA Não Severa - otalgia leve e temperatuta < 39 º C

OMA Severa - otalgia moderada/intensa, ou febre > 39º C

Recorrente - 3 ou mais episódios isolados e documentos nos


últimos 6 meses ou 4 ou mais episódios nos últimos 12
meses com ao menos um episódio nos últimos 6 meses.
ETIOLOGIA:

A OMA segue uma IVAS aguda e, por isso, o líquido da orelha


média, na maioria das vezes, apresentará vírus associados a
bactéria.
Figura 3 - Anatomia da tuba auditiva

Haemophilus influenzae;
Moraxella catarrhalis;
Streptococcus pneumoniae.
CLÍNICA:

Início súbito de febre após 4 ou 5 dias de IVAS;


Irritabilidade;
Dificuldade de permanecer na posição horizontal;
Choro inconsolável ou alteração do sono.

Anamnese (causa da dor) + otoscopia + avaliação de necessidade


de tratamento com antibiótico.
DIAGNÓSTICO POR OTOSCOPIA:

1 Abaulamento moderado a intenso da


membrana timpânica (MT) ou
2 Início recente de otorreia não devida à
otite externa aguda, ou
3 Abaulamento leve da MT + otalgia há < 48
horas ou
4 Hiperemia intensa de MT
EXEMPLOS DE OTOSCOPIA

Normal Levemente Intensamente


Perfuração da MT
Abaulada Abaulada

Figura 4 - Otoscopia
EXAMES COMPLEMENTARES:

A Otoscopia é suficientemente e definitiva.


Figura 5 - Mastoidite
Tomografia (TC) pode ser útil apenas para avaliar
complicações como mastoidite.
CONDUTA:

Início precoce de antibiótico ou suporte à dor com medidas


não farmacológicas com observação contínua e atenta.
Crianças < 6 meses e diagnóstico de OMA = antibioticoterapia
imediata.
Demais, os sintomas melhoram em 24 horas e em 3 dias a
condição se resolve em 80% dos casos.
CONDUTA NÃO FARMACOLÓGICA:

Cuidado, paciência e persistência dos cuidadores e da família


da criança;
Manutenção no colo, na posição vertical, berço com cabeceira
elevada, evitar posição horizontal durante as mamadas e
chupetas;
Instilar 2 gotas de azeite de oliva ou tampar orelha com
algodão untado de azeite;
Compressa seca morna.
CONDUTA FARMACOLÓGICA:

Manejo da dor:
Anestésicos local em gotas, paracetamol, ibuprofeno.

Manejo da Infecção:
Antibiótico conforme critérios de estratificação para uso racional.
CONDUTA FARMACOLÓGICA:

Figura 6 - Tabela
CONDUTA FARMACOLÓGICA:

Figura 7 - Tabela

Duração do tratamento:
OMA severa OU < 2 anos de idade 10 dias
OMA leve ou moderada, se 2 a 5 anos 7 dias
OMA leve ou moderada, se > 6 anos 5 a 7 dias
QUANDO REFERENCIAR:

Persistência dos sintomas e sinais 48 a 72 horas após


antibioticoterapia;
Deficit auditivo após espisódio de OMA

Complicações raras:
Meningite
Mastoidites
Redução da acuidade auditiva

O uso de antibióticos não altera o prognóstico!


ERROS MAIS FREQUENTES/ PREVENÇÃO

Diagnosticar OMA apenas por hiperemia de


Dar leite materno ao menos 6 meses de vida
MT

Tratar dor de ouvido com antibiótico Reduzir probabilidade de IVAS

Usar antibiótico em todos os casos suspeitos de


Limitar uso de chupeta nos primeiros 6 meses
OMA

Usar anti-histâminico, descongestionantes


Evitar tabagismo passivo
nasais e corticoide
FLUXOGRAMA:
REFERÊNCIA:

GUSSO, Gustavo; LOPES, José MC; DIAS, Lêda C. Tratado de medicina de família e comunidade - 2
volumes: princípios, formação e prática . 2. ed. Porto Alegre: ArtMed, 2019. E-book. pág.1597. ISBN
9788582715369. Disponível em: [Link]
Acesso em: 21 setembro, 2025.
Obrigada!

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