Fabiane Maria Zat
Glaciane Damiani
Diálogos
Recursos de Inteligência e Gestão Emocional
Primeira Edição
Diálogos
Recursos de Inteligência e Gestão Emocional
Dedicamos esta obra à todas as pessoas que
desejam um mundo melhor e para isso estão
investindo no seu mundo interior.
Sumário
Introdução.......................................................................05
Dialogando com as Emoções...........................................08
O que desencadeia os estados emocionais?...................10
A PSICOADAPTAÇÃO pode nos proteger sem nos
limitar...............................................................................12
ZONA DE CONFORTO: Ela Interfere em nossa
Vida?.................................................................................15
MEDO: Instinto Protetivo X Estagnação..................20
Permitir-se sair da Rotina.............................................23
Plasticidade Mental e Plasticidade Emocional.............27
Ferramentas....................................................................31
Considerações Finais.......................................................35
Autoras.............................................................................38
Introdução
Imagine só o que pode representar na vida de uma
pessoa aprender a dialogar com as suas emoções, e
assim desenvolver recursos para entender o que sente,
aprender a lidar com seus medos, com suas dificuldades
e reverter adversidades em aprendizado e oportunidade?
Vamos supor que um adolescente, jovem, adulto, enfim
em qualquer idade, uma pessoa que se sente insegura e
aprende a gerenciar sua insegurança? Que aprende a
reconhecer suas potencialidades, se olhar com
confiança? Qual o impacto positivo tais recursos de
inteligência e gestão emocional podem trazer ao longo da
sua vida?
Em perspectiva oposta quantas pessoas, perdemos
para a depressão, ansiedade, dificuldade de
relacionamentos, agressividade, drogas ou suicídio? Ou
ainda aqueles que vivem de forma limitada, incongruente
com seus sonhos e potencialidades por sucumbirem às
dificuldades? Qual é o custo do analfabetismo
emocional? Será que precisamos pagar tamanho preço?
Reconhecer um estado emocional negativo é o primeiro
passo para gerenciá-lo e reverter em uma ação
benéfica, seguindo passos essenciais de identificação,
reflexão e decisão, como por exemplo: Por que eu estou
me sentindo triste/infeliz? Tem motivos concretos para
que eu me sinta assim? Mesmo quando foram
vivenciados fatos tristes, tóxicos ou indesejados é valioso
refletir sobre como posso lidar com o que aconteceu?
Como esta situação pode me ensinar algo bom? Se eu
nutrir sentimentos negativos soluciono meus problemas?
Ou os amplio? O que eu posso fazer neste momento para
lidar com o desafio que estou vivendo? Se eu olhar
amorosamente para mim, posso identificar boas
qualidades, intenções e possibilidades?
APRENDEMOS QUE SEMPRE HÁ OPÇÕES PARA
REAGIR ÀS EMOÇÕES, E QUANTO MAIS MEIOS
TEMOS PARA LIDAR COM AS EMOÇÕES, MAIS
RICA É A NOSSA VIDA.
O que muda ao trabalharmos ferramentas de
inteligência e gestão emocional são principalmente as
respostas que as pessoas dão assim que uma reação
emocional é disparada. Não se trata de não ter
sentimentos ou reações negativas, nem tão pouco, que
as situações desafiadoras e problemáticas deixarão de
acontecer, mas que a pessoa passa a ter recursos para
gerenciá-las, para enfrentar seus conflitos, superar
desafios e sobretudo, aprender com eles. Esse é um dos
processos mais fortalecedores que o ser humanos pode
experimentar: “ter a consciência que tem condições de
lidar com o que chega, tanto por saber o que fazer,
como por saber que pode buscar o que precisa aprender
para resolver ou lidar com suas questões desafiadoras.”
É isso que o torna mais autoconfiante, seguro e feliz,
então se dá conta que está mais maduro e preparado
para viver em plenitude.
O aprendizado não pode ocorrer distante dos
sentimentos. Ser emocionalmente maduro é tão
importante para a vida e o trabalho quanto se
qualificar, falar outro idioma, investir em viagens ou
qualquer experiência pertinente. Pois o diferencial não
está apenas na pessoa, mas na qualidade do que a
pessoa é e no que é capaz de fazer. Podemos dizer que a
qualidade e a capacidade de cada pessoa é o maios
valioso patrimônio de uma família, escola, empresa ou
sociedade. E absolutamente todos nós temos condições
de sermos ainda melhores do que já somos, pois
temos/desenvolvemos a capacidade de aprender e evoluir
com tudo o que vivemos, o que se torna um ganho para
todos.
Dialogando com as Emoções
A necessidade de comunicar-se é inerente à todos
os seres, de inúmeras formas, além de viabilizar os
nossos relacionamentos, capacidade de interagir, de se
expressar e de compreender. Mas para a nossa mente,
no âmbito das nossas emoções e comportamento, qual é
o papel do DIÁLOGO?
Já vivenciou situações, especialmente as que geram
maior carga emocional, pode ser algo negativo ou bem
positivo, e sentiu a necessidade de contar o que estava
sentindo para outra pessoa? E no momento que falou
sentiu alívio, bem estar, sentiu-se melhor? O que
aconteceu? Bom, ao falarmos elaboramos o que estamos
sentindo, é uma forma de organizar, entender o
sentimento, por isso nos sentimos melhor, pois a emoção
muda. Passamos de um estado emocional de angústia,
medo, dúvida, euforia, enfim, para um estado emocional
de maior calma provocado pelo entendimento, mesmo que
a pessoa com a qual partilhamos nosso sentimento,
apenas nos ouviu, ainda assim tem um efeito edificante.
E mesmo quando não falamos para outra pessoa,
mas realizamos o diálogo interno, ou seja, paramos para
pensar, o efeito também é similar, o exercício da reflexão
nos permite a ampliação do entendimento, e quando
entendemos o que estamos sentindo, conseguimos lidar
com isso.
O contrário também é verdadeiro, enquanto não
conseguimos falar sobre o que sentimos, ou seja ainda
não conseguimos racionalizar/pensar, estamos reféns
da emoção, por isso não conseguimos pensar. Mas o que
fazer? O primeiro passo é buscar acalmar, buscar
acolhimento, parar para focar na respiração, não ter a
necessidade imediata da resposta, mas entender que ela
é parte do processo.
À medida que acalmamos, e para isso o tempo
também tem seu papel de extrema importância,
conseguimos falar, bem como buscar ajuda, ter suporte
profissional, encurta o tempo de sofrimento, viabiliza o
entendimento e capacidade de enfrentamento.
Passos Práticos:
1- O que eu estou sentindo? (Fazer esta pergunta a
nós mesmo nos auxilia a identificar o que estamos
sentindo).
2- O que isso quer me dizer? (Elaborar o
entendimento).
3- Como posso agir de maneira positiva? (Agir de
forma assertiva).
O que desencadeia os
estados emocionais?
Você sabe o que desencadeia os seus estados
emocionais?
Você sabe o que ativa suas emoções tanto positivas,
quanto negativas?
Nós, seres humanos somos movidos pelas emoções;
elas fazem parte da nossa vida e são ativadas e
liberadas pelas situações que acontecem no nosso dia-a-
dia. Ou melhor, elas são ativadas a partir das
percepções que temos ou do significado que damos ao que
nos acontece e as situações que vivenciamos.
E você sabia, que grande parte dessas emoções são
ativadas ou intensificadas pelos pensamentos que nós
alimentamos?
Você pode perceber que quando alimenta pensamentos
positivos parece que tudo fica mais leve, mais fácil, que
as coisas fluem melhor, com mais naturalidade, sem
precisar fazer muito esforço. Já, quando não estamos
bem, quando os sentimentos não são os melhores, não
são positivos, tudo fica mais pesado, mais difícil, tudo
parece dar errado e a nossa mente produz cada vez
mais pensamentos negativos. E, se não tomarmos
cuidado, esses pensamentos acabam tomando conta da
nossa vida e vamos deixando de perceber as coisas
boas que nos acontecem, pois nossa mente está focada
nos problemas e nas dificuldades, gerando dor e
sofrimento em nossa vida.
Mas, o que fazer, então?
Fique alerta e procure se conhecer, se autoperceber.
Permita-se sentir, mas também pense a respeito de suas
emoções:
O que te deixa triste? Feliz? Com raiva? Alegre?
O que você sente, fala e faz quando está triste?
Feliz? Com raiva? Alegre?
Vamos ampliar nossa percepção?!!
Boas reflexões!!!
Respire, acalme, faça uma pausa, fique um pouco com
você. É agradável?
Cultive o hábito da sua boa companhia!
A PSICOADAPTAÇÃO pode
nos proteger sem nos limitar
Você já ouviu falar em PSICOADAPTAÇÃO? Talves
você nunca tenha ouvido esta palavra, porém com
certeza, você, eu e todo mundo já aplicou este
importante recurso da mente. Vou explicar!
Já desejou muito ter algo, como um carro, casa,
trabalho, enfim, uma conquista importante. E quando
conquistou o objetivo almejado sentiu uma imensa
felicidade, realização, euforia, porém com o passar do
tempo foi se "acostumando", mesmo que a conquista
continuasse a ser importante, não provocava o mesmo
sentimento.
Ou, o oposto disso, uma situação vivenciada, que foi
muito difícil, uma perda importante, uma dor
significativa ou frustração. E no momento, parecia ser
uma dor insuportável, que jamais passaria. Porém, com
o passar do tempo, a dor foi amenizando, dando lugar
para sentimentos mais amenos, mais suportáveis.
Em ambas as situações experimentamos a
PSICOADAPTAÇÃO, porém de jeitos diferentes, no
primeiro caso, pode em algum aspecto ter nos limitado,
reduzido a nossa alegria. As vezes nos tornamos tão
psicoadaptados as situações que parecemos
anestesiados, indiferentes, é então que ela nos limita, e
muito, pois deixamos de dar importância as situações,
às coisas e até as pessoas.
No segundo exemplo foi o contrário, a psicoadaptação
nos protegeu, nos permitiu passar por um momento
desafiador, muitas vezes aparentemente insuportàvel,
serviu como um remédio, que aos poucos vai ajudando a
curar, atenuar o sofrimento, enquanto vamos
desenvolvendo recursos para lidar com os nossos
desafios.
Agora que você já sabe o que é PSICOADAPTAÇÃO,
como deixar ela nos ajudar ainda mais a ser feliz? Segue
uma dica: A consciência do que vivemos, sentimos, dos
nossos próprios entendimento, nos permite, nos darmos
conta, quando estamos no "acostumanto" a tudo de bom
que tem em nossa vida, quando de forma distraída,
escolhemos pensar/falar/agir dando maior ênfase ao
negativo, as reclamações, as chatices cotidianas. Não
precisa ser assim! Perceber que estou psicoadaptado
as coisas boas, me faz relembrar o quanto tantas
coisas que vivemos hoje, foram nossos sonhos de
ontem, o quanto são preciosas para nós, aí
então,
podemos escolher cultivar a gratidão e usufruirmos tudo
de bom que há em nossa vida.
Assim também, quando estamos vivendo algo
desafiador, lembrar que vais passar, ajuda a aliviar
todas as dores, que tudo é transitório, pode ser um
bálsamo para a alma.
Conhecem a frase: TUDO PASSA! Ela carrega muita
sabedoria. Lembrar que tudo passa, pode ser um
importante recurso para valorizarmos o que estamos
vivendo de bom, nos abastecermos com todas as
conquistas, valorizarmos os nossos afetos.
A consciência de que tudo passa, também é alívio em
meio a dor, é remédio para as horas mais difíceis. Por
mais desafiador que possa ser o que estamos vivendo,
vai passar e muito aprendizado e crescimento pode nos
trazer.
TUDO PASSA!
NOS BONS MOMENTOS SE ABASTEÇA,
NOS DESAFIADORES CRESCA!
Entender, faz a vida florescer...
ZONA DE CONFORTO:
Ela Interfere em nossa Vida?
Como já falamos, a psicoadaptação é um dos
recursos da nossa mente que permite nos adaptarmos
às emoções à medida que somos expostos a elas ou aos
estímulos que as desencadeiam, diminuindo a carga de
emoção em nós.
E para complementar a reflexão vamos falar sobre
a zona de conforto. Mas, o que é zona de conforto e
como ela interfere nas nossas vidas e nas nossas
emoções? E o que a psicoadaptação tem a ver com isso?
A psicoadaptação pode nos levar à zona de conforto,
uma vez que buscamos situações confortáveis para nós e
para nosso psiquismo. Além disso, ela ajuda a amenizar
as sensações e vivências mais intensas para que
possamos nos reorganizar e voltar ao nosso estado de
equilíbrio. Dessa forma, a zona de conforto está
associada a um estado de harmonia, segurança e
controle. No entanto, viver na zona de conforto é viver
acessando os mesmos padrões de pensamento,
sentimento e atitudes, por nos serem familiares e
previsíveis. Isso nos leva a criar os círculos viciosos e
improdutivos, pois, ao invés de seguir adiante, voltamos
ao ponto de partida, não havendo evolução e nem
desenvolvimento. É por isso que muitas vezes temos a
sensação que a vida não vai para frente, que as coisas
não dão certo, que nada diferente nos acontece.
Esses padrões de comportamento, pensamento e
ações fazem com que tenhamos uma vida e um
desempenho constante, porém monótono e limitado, uma
vez que a busca é pela conformidade aos padrões e à
sensação de segurança. Na nossa zona de conforto,
sabemos como agir e quais serão as respostas do
ambiente externo e dos outros, mas por outro lado,
denota também nossa resistência às mudanças.
Precisamos ter em mente que estamos sujeitos a
mudanças o tempo todo e precisamos aprender a lidar
com elas, pois o que consideramos certo em um
determinado momento, pode mudar completamente em
outro, uma vez que não temos o controle sobre todas as
coisas.
Por isso, por mais importante que seja nos sentirmos
seguros, só conseguimos crescer, nos desenvolver e
evoluir quando saímos da zona de conforto e nos
permitimos viver e aprender coisas novas, quando nos
colocamos em movimento diante da vida, quando
começamos a buscar caminhos e alternativas diferentes
e desenvolver ações que nos permitem alcançarmos os
nossos desejos e sonhos!
Você já deve ter ouvido falar que tudo começa no
pensamento. Sim, nossos sonhos e desejos começam a
existir no pensamento, mas só se realizam através da
ação! E ação é movimento, é iniciativa, é colocar em
prática o que sabemos e aprender com o que colocamos
em prática.
Para exemplificar:
Padrão de comportamento, pensamento e ações que fazem com
que a pessoa não saia da situação ou condição que está, por
insegurança, baixa autoconfiança ou medo do novo. Por exemplo:
uma pessoa que não está feliz com seu trabalho, mas tem medo
de buscar novas oportunidades ou que não investe em
qualificação, muito provavelmente reclamará que não tem
oportunidade, que não é reconhecida, que faz tudo pela empresa
e não é valorizada, etc.
Fora da zona de conforto encontramos a zona de crescimento e
evolução, pois as novas experiências, aprendizagem e vivências se
somam, gerando mais aprendizado, aquisição de novas
habilidades, novas formas de pensar, agir, sentir e de lidar com os
desafios e problemas.
É fora da zona de conforto que a mágica acontece,
que a vida se transforma, que temos a possibilidade de
abandonar velhos hábitos, expandir nossa consciência
e viver o novo! A borboleta em sua zona de conforto é
apenas uma lagarta. Só quando ela deixa seu casulo é
que se transforma, ganha asas e tem a possibilidade de
voar!
E você, o que está fazendo para sair dessa situação?
Da sua zona de conforto?
Quais são seus medos, suas incertezas, crenças e
apegos? E quais são suas habilidades, metas e sonhos
que deseja realizar?
O que está impedindo que a sua transformação
aconteça?
É claro que romper com nossas crenças e padrões de
comportamento e pensamento não é tão fácil assim,
mas é possível! Para isso, é preciso deixar de lado as
desculpas, parar de ser reativo e começar a olhar para
si, para seus sonhos, desejos e possibilidades. Portanto,
é necessário coragem, motivação, esforço, determinação,
constância e foco, pois tudo o que é novo assusta, causa
medo, insegurança, incerteza, preguiça, desconforto e
estranheza. Mas, como já falamos, temos recursos
internos para vencer tudo isso. O que nos falta, muitas
vezes, é clareza do objetivo ou do que é preciso fazer
ajuda para começar essa jornada de crescimento e
evolução afim de nos tornarmos a pessoa que desejamos
ser!
As grandes coisas não acontecem na zona de
conforto! Se você busca algo diferente, algo novo e
ainda não encontrou ou não alcançou é porque você
está procurando dentro da sua zona de conforto.
Experimente sair dela. Não dá para conquistar os seus
sonhos fazendo sempre a mesma coisa e vivendo do
mesmo jeito!
O que você pensa sobre isso?
MEDO: Instinto Protetivo X
Estagnação
O medo é um estado emocional que surge como
resposta à percepção de um perigo real ou imaginário.
Ele não é algo tão ruim como pensamos. Ele é, na
verdade, um sentimento despertado dentro de nós
visando a nossa proteção e sobrevivência. Desde o
começo da humanidade o sentimento de medo fez com
que as pessoas se protegessem dos perigos e ameaças.
O medo é instintivo. É um estado de alerta, que
serve como proteção à sobrevivência humana, pois
quando sentimos algum tipo de ameaça a segurança ou
a vida, o cérebro libera automaticamente uma série de
hormônios que provocam o sentimento e suas reações:
aumento dos batimentos cardíacos, aceleração da
respiração, contração muscular, por exemplo.
No entanto, o outro lado do medo é a estagnação.
O medo é um dos elementos que impedem e dificultam que
a gente saia da zona de conforto. E quem nunca teve
medo de arriscar, medo de errar, medo do que as
pessoas podem pensar ou falar, de não dar certo, medo
de: “e se não der certo o que eu faço?”
Nesse caso, ele é despertado diante de situações
novas, diferentes e desconhecidas. Ele nos prende, faz
com que a gente não tome a iniciativa e as atitudes
necessárias para dar um passo a frente, um passo a
mais, de fazer alguma coisa diferente do que a gente
costuma fazer para sair da condição atual e alcançar a
condição que desejamos. E é aqui que temos que ter mais
atenção, pois quando o medo nos bloqueia, a gente deixa
de evoluir, de fazer o que precisa ser feito para sair do
lugar onde estamos e alcançar um lugar diferente,
aquele lugar desejado, que a gente sonha.
É muito importante a gente reconhecer as situações
que causam medo. E para ajudar nesse processo,
experimente listar todos os medos que você tem e todas
as situações que lhe causam medo. Depois analise e
defina ações que podem ser feitas para superá-los,
escrevendo-as. A escrita é uma ferramenta poderosa
para organizar seus pensamentos, sentimentos e
emoções.
Os medos que são protetivos vão continuar fazendo
parte da nossa vida porque são necessários. Por
exemplo, não podemos atravessar uma rua sem olhar
para os lados, pois corremos o risco de sermos
atropelados. No entanto, aqueles medos que te
bloqueiam, que te sabotam, que impedem de alcançar o
teu objetivo e de chegar ao lugar que você deseja, esses
precisam ser trabalhados para evitar que continuem
atrapalhando o seu desenvolvimento e a sua evolução.
Mas como fazer isso na prática?
Comece dando passos menores, mas constantes, ou
seja, comece com ações simples, experimente algo
diferente. Por exemplo, se você tem medo de dirigir,
comece dando uma volta na quadra ou chame alguém de
sua confiança e vá até um local com pouco movimento e
comece dirigindo distâncias curtas e vai aumento
progressivamente, à medida que você se sentir mais
confiante e seguro. Não queira dirigir quilômetros em
uma estrada movimentada logo de saída; comece aos
poucos e vai aumentando constantemente.
Não se chega no final sem dar o primeiro passo. E
também não basta somente o primeiro, pois não se
chega lá na frente de uma única vez. Para isso, é
necessário adotar ações e atitudes pensadas e
diferentes das quais normalmente temos, buscando
sempre superar os medos. E, se for necessário, procure
ajuda de um profissional especializado.
Permitir-se sair da Rotina
Você é daquelas pessoas que gosta de rotina? Fazer
sempre as mesmas coisas, do mesmo jeito, frequentar os
mesmos lugares, pedir o mesmo prato? Ou você é
daqueles que fica incomodado com a rotina? Que precisa
de uma diversidade de situações e atividades para não
se sentir entediado, que gosta de experimentar coisas
novas e conhecer novos lugares?
Tanto ter uma rotina quanto se permitir sair dela é
importante. A rotina nos ajuda a estabelecer e manter
hábitos diários necessários para a nossa vida, saúde,
produtividade, sustentabilidade das atividades,
compromissos e responsabilidades. No entanto, é
necessário e importante mesclarmos nossa rotina com
hobbys, atividades de lazer que nos deem prazer e
ajudam a tornar a vida mais leve e menos desgastante.
Quando nos acostumamos com a rotina, nosso
cérebro e nosso corpo passa a funcionar em modo
automático e é por isso que muitas vezes não vemos
sentido no que fazemos, nos sentimos entediados, não
sabemos dizer porque tomamos determinada decisão ou
temos determinados comportamentos ou pensamentos.
Estudos revelam que cerca de 40% das nossas decisões
diárias são baseadas em hábitos que desenvolvemos ao
longo do tempo e, portanto, fazem parte da rotina. E o
cérebro gosta desse tipo de situação, uma vez que é mais
fácil repetir padrões já estabelecidos do que fazer
alguma coisa pela primeira vez.
No entanto, para evoluir, nosso cérebro precisa de
novidades, para que não fique preguiçoso. As novidades
estimulam a mente e trazem a possibilidade de novas
conexões neurais ou sinapses. Quanto mais estímulos
proporcionarmos, quanto mais atividades novas e
diferentes realizarmos, maior será nosso
desenvolvimento e evolução, tornando-nos seres mais
criativos, capazes de articular de maneira mais
inteligente e coerente os desafios e adversidades da
vida.
Às vezes temos a idéia ou a falsa impressão de que,
para sair da rotina, para estar bem e manter a saúde
mental é preciso fazer grandes coisas, é preciso que uma
“mágica transformadora” aconteça em nossa vida. E
não é bem assim na prática. A transformação na
verdade é um processo, é uma construção, é uma
jornada constante e ela não termina, pois sempre temos
a possibilidade de mudar, de aprender, de fazer
diferente. E o importante é a gente valorizar as coisas
simples e desmistificar que a nossa vida vai ser melhor
quando tivermos tempo, dinheiro, conseguirmos comprar
aquela roupa ou sapato desejado, o carro ou casa do
sonho. Não que isso não seja importante, mas não
devemos nos apegar somente a isso.
Mas, por onde começar? Comece fazendo algo que
você sempre quis fazer! A vontade de fazer algo
diferente é uma ótima oportunidade para sair da
rotina, modificar alguns hábitos e sair do automatismo.
Podemos ter uma vida mais feliz, mais saudável e com
mais qualidade quando colocarmos atividades diferentes
e nos permitirmos fazer coisas que nos deem prazer.
Coisas simples, que muitas vezes deixamos para depois,
deixamos passar, pois vamos protelando, postergando e
acabamos não nos permitindo fazer. Por exemplo, tirar
um tempo para um passeio, para um lazer, brincar com
os filhos, conversar com a marido ou com a esposa,
encontrar com os amigos, conhecer lugares diferentes,
ler um livro, apreender alguma coisa nova. Ou seja, fazer
algo que faça você sair da rotina cansativa, massante
de todos os dias e curtir, valorizar mais as coisas que
temos e que nos acontecem no dia-a-dia, por mais
simples que sejam.
É importante desacelerar, para que possamos nos
perceber, sentir, viver. Precisamos sair do automático!
E para isso é preciso reduzir o ritmo, sair da rotina e
também agradecer. A gratidão ajuda a nos sentirmos
mais felizes, mais leves e mais satisfeitos, pois ativamos
o sistema de recompensa do cérebro e traz inúmeros
benefícios para a saúde física e mental.
Dica: mude o caminho que você faz todos os dias e
observe as coisas ao seu redor, procure fazer algo novo
que desperte emoção para que tenha continuidade,
experimente uma comida diferente, faça um passeio,
aprenda algo novo. Enfim, se permita fazer coisas que
você não costuma fazer.
Plasticidade Mental e
Plasticidade Emocional
A plasticidade mental ou neuroplasticidade é a
capacidade que o nosso cérebro tem de se adaptar, de
aprender novas rotas e reestruturar as conexões
neurais. Ao contrário do que muita gente pensa, nosso
cérebro possui maleabilidade e flexibilidade. Ou seja,
possui uma grande capacidade de construir novos
caminhos e conexões, criar novas capacidades,
desenvolver novos recursos e habilidades. Esse processo
é semelhante a abrir uma trilha na mata fechada. No
primeiro momento exige muito mais esforço, porque é
preciso abrir o caminho, a trilha, cortar os galhos por
onde queremos passar. Esse novo e desconhecido lugar,
pode gerar medo, ansiedade, insegurança. Mas da
próxima vez que passarmos por lá, já haverá uma trilha
e quanto mais passarmos por esse caminho, mas
familiar e lapidado ele ficará. Da mesma forma, quando
aprendemos algo novo (seja um novo aprendizado, uma
nova atividade, seja um novo comportamento, lidar com
nossos sentimentos e emoções de forma diferente), no
primeiro momento é mais difícil, exige mais esforço, mas
quanto mais nos familiarizarmos e praticarmos, mais
mais natural vai sendo para nós, gerando menos
medos, desconfortos e inseguranças.
Mas, o que isso tem a ver com inteligência emocional
e o gerenciamento das emoções?
Tem tudo a ver. Quando eu digo que o nosso cérebro
tem capacidade de se adaptar e se desenvolver, não me
refiro a apenas situações externas, mas também a
aquilo que nos acontece internamente: pensamentos,
sentimentos e emoções. E assim desenvolvemos a
plasticidade emocional e através dela somos capazes de
nos estruturar e reestruturar emocionalmente. “A
Plasticidade Emocional é traduzida no treino consciente
de certas competências, as quais podemos otimizar para
promover, recuperar ou modificar nosso desempenho. É
um conjunto de competências emocionais que devem ser
estimuladas para que possamos melhorar nossa
performance e nosso bem-estar” (Adriana Fóz -
[Link] Em outras
palavras, somos capazes de ressignificar situações
vivenciadas, de superar traumas emocionais e de
aprender a lidar com as emoções e sentimentos de
forma diferente da que estamos acostumados, por
desenvolvermos novas habilidade e competências para
isso.
Mas, como desenvolver a plasticidade mental ou
emocional
emocional do nosso dia-a-dia? Será que é possível fazer
isso? Eu posso afirmar que sim e que você já usou esses
recursos em algum momento da sua vida: quando se
dedicou ou se dedica a aprender algo novo, como por
exemplo, andar de bicicleta, dirigir um veículo, praticar
uma nova atividade física, até mesmo na realização de
novas atividades profissionais. No começo, o esforço e o
dispêndio de energia são grandes, mas com o passar do
tempo, torna-se mais fácil e começamos a fazer a ação
sem precisar racionalizar (pensar), pois nossa mente
aprendeu esse novo ato e passa a reproduzir
automaticamente. Assim também é com as nossas
emoções. Quem nunca passou por um trauma ou por uma
situação difícil que causou dor e sofrimento e, em
determinado momento, decidiu dar um BASTA, virar o
curso e resgatar a alegria e outros estados emocionais
positivos e favoráveis, retomando as rédeas da vida e
das emoções?
E, se conseguimos fazer isso sem nos darmos conta,
imagine quanto mais poderemos fazer de forma
consciente e direcionando nossas emoções, escolhas e
decisões?
Então, não posso mais ter sentimentos negativos?
Não é isso. É justamente quando surgir o sentimento ou
a emoção negativa, acessá-la, reconhecê-la, nomeá-la,
ressignificá-la e não permanecer nela por muito mais
tempo.
Vou deixar um desafio aqui: identifique uma situação
que esteja gerando uma emoção ou sentimento negativo
e que esteja te deixando desconfortável e tire uma lição
positiva. Decida que, a partir de agora o desconforto
não fará mais parte da sua vida e substitua por
pensamentos e sentimentos positivos. Pratique esse
exercício várias vezes e em situações diferentes e observe
como essa mudança de atitude vai impactar
positivamente a sua vida.
Ferramentas
Que bom que você chegou até aqui, que ampliou o seu
entendimento sobre o funcionamento da menta, sobre
recursos de Inteligência Emocional e como realizar a
Gestão Emocional.
Para você que está comprometido em se desenvolver e
quer aprimorar ainda mais o conhecimento sobre si
mesmo, seguem duas importantes ferramentas. Na
primeira a Roda dos Sentimentos e Emoções, é possível
mapear o nível de satisfação referente aos principais
sentimentos e emoções, atribuindo uma nota de 1 a 10.
Quando tiver pontuado cada sentimentos ou emoção,
você terá maior clareza sobre que sentimentos/emoções
estão te abastecendo, estão sendo vivenciados com
maior plenitude e os que requerem maior atenção.
Lembre-se, se não cuidamos daquilo que não está
bom em nossa vida, esses fatores acabam influenciando
negativamente os aspectos que estão bem.
A segunda Ferramenta é a Reflexão Diária, para
nos darmos conta das coisas boas que vivemos
diariamente, evidenciarmos o sentido e a gratidão,
assim como olharmos para aquilo que poderia ser ainda
melhor, para que possamos criar recursos diários de
aprimoramento.
Ferramenta 1
Roda dos Sentimentos e Emoções
Qual é o nível atual dos seus sentimentos e emoções?
Pinte o número referente ao momento atual em que se
encontram suas emoções.
- Quais são os sentimentos e emoções mais elevados? E
quais são os com menor pontuação?
- Esses sentimentos são positivos ou negativos?
- Existe alguma razão específica para os sentimentos
estarem mais elevados ou com menor pontuação?
- Que ação ou ações você pode fazer para iniciar a sua
gestão emocional?
Anotações:
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Ferramenta 2
Reflexão Diária
Ao final de cada dia, dedique alguns momentos para
refletir, respondendo as seguintes perguntas:
1- Por que valeu a pena viver o dia de hoje?
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2- O que eu faria diferente?
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3- Como espero viver o dia de amanhã?
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OBS: Você pode fazer esse exercício mentalmente,
realizando um diálogo interno, ou se preferir pode
construir um DIÁRIO, anotando suas refleções,
percepções e intenções. Bom trabalho!
Considerações Finais
Como foi sua jornada Diálogica/Reflexiva pelas
páginas transcritas? A dedicação ao Autoconhecimento
amplia em nós a capacidade de percepção e
discernimento dos fatos e da realidade que nos cerca. A
consciência ampliada nos possibilita realizar análises
mais profundas e mais assertivas, para então agir de
maneira ainda mais congruente com nossos desejos e
objetivos. Para que nossos pensamentos/intenções e
atitudes estejam alinhados.
Leia e releia cada tópico, norteado pelo pensamento:
"Como posso aplicar o que aprendi para a tornar minha
vida melhor?" Mais do que saber, se faz necessário
colocar o que sabemos a serviço da nossa prática.
Sintetizando, siga os passo SENTIR, PENSAR,
AGIR. Norteado pelo sentido existencial e pelos seus
valores de vida, eles são nossa bússola interior.
Agregando a cada nova experiência vivida os
aprendizados desenvolvidos, ancorados à bagagem
pregressa.
Assim vamos caminhando, um passo de cada vez,
julgando sempre pelo resultado, ou seja, se estamos aqui,
neste momento é que o resultado de tudo o que vivemos,
apesar das dores, dos desafios e equívocos, o saldo foi
positivo. Esse entendimento valida nossa trajetória até
aqui, para nos trazer para o agora, com olhar para o
futuro.
Olhe para o PASSADO, se abasteça do que foi
bom, ressignifique o que foi desafiador, se liberte da dor,
traga consigo o aprendizado. Olhe para o FUTURO, o
que você deseja, quais são seus sonhos, metas, desejos,
necessidades? O que te inspira? Como almeja viver sua
vida? E então venha para o AGORA, reflita: O que
tenho, com base no que vivi? O que sei fazer? Quais são
meus recursos e habilidades? Meus recursos,
habilidades e minha forma de agir vão me levar ao
FUTURO ALMEJADO? O que mais preciso aprender,
aprimorar, desenvolver, para conquistar o que desejo? O
que preciso fazer para isso?
Agora é colocar tudo em prática, repetindo o ciclo
virtuoso: VIVER, APRENDER, APRIMORAR MINHAS
AÇÕES!
Há e não esqueça de a cada passo AGRADECER!
A GRATIDÃO é a força mais poderosa do universo,
uma força ainda maior que o amor. Seja lá o que você
estiver vivendo seja grato/grata, ou vai te abastecer, ou
vai te fortalecer.
E ao lado da GRATIDÃO, traga a SABEDORIA!
A SABEDORIA é atemporal, ou seja, será bom no
agora, assim como foi no passado e será no futuro. A
SABEDORIA é pensar na intenção que temos, nas
consequências e na sustentabilidade das nossas
escolhas, sabendo que somos os responsáveis por tudo o
que vivemos, assim como de mudar o curso da nossa vida
na direção desejada.
Confie em VOCÊ, o que você sabe é muito maior do
que o que lhe falta, e o que te falta VOCÊ pode
aprender.
Vamos seguir DIALOGANDO? Estamos juntos
nesta jornada que se chama VIDA! E o propósito de
estarmos aqui se chama EVOLUÇÃO!
Obrigada pelo prestígio de sua companhia...
Autoras
Fabiane Maria Zat
Coach/Mestre em Psicologia - Graduada em Educação Física, pela
Universidade de Cruz Alta/RS; Treinamento pela Dale Carnegie
Training, Passo Fundo/RS; Especialista em Atividade Física e Qualidade
de Vida, Universidade de Passo Fundo; Especialista em Ergonomia,
Universidade Gama Filho, São Paulo/SP; Mestre em Psicologia,
Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), Campo Grande/MS;
Treinamento de Inteligência Multifocal e Qualidade de Vida, pelo
Instituto Augusto Cury, Ribeirão Preto/SP; Formação em Coaching,
Instituto Brasileiro de Coaching (IBC), Campinas/SP. Foi Professora
de Curso de Graduação e Pós-Graduação. TÉ Trainer, Palestrante,
Autora. É Sócia Fundadora da Empresa Multi Training Ltda. Tem mais
de 20 anos de experiência profissional, com atuação em todo Brasil.
Glaciane Damiani
Psicóloga/Coach - Formada em Psicologia, pela Universidade de Passo
Fundo (UPF)/RS; Pós-Graduada em Administração e Gestão de Pessoas,
pelo ISULPAR/PR; Formação em Coaching, pela Sociedade Brasileira de
Coaching; Formação em Avaliação Comportamental PDA (Personal
Development Analysis); Formação em Avaliação Comportamental DISC;
Treinamento de Relações Humanas, pela Dale Canergie Training; Curso
Liderança, Capacidade de Aprender e Resiliência, pela PUC/RS; Curso
Inteligência Emocional, pelo IBC; Curso Desperte seu Poder (DSP 2.0),
pelo IBC; Curso Terapia Quântica Aplicada, pela TQA Brasil. Mais de
10 anos de experiência na área de Recursos Humanos (Recrutamento e
Seleção, Avaliação de perfil comportamental, Treinamentos, participação
na implantação do Sistema de Gestão Integrado, melhorias de processos
e procedimentos de RH, acompanhamento de diagnósticos internos, etc).