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Inconsciente Digital e Psicanálise Moderna

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Ludy Conceição
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O INCONSCIENTE DIGITAL: PSICANÁLISE NA ERA DA INTELIGÊNCIA

ARTIFICIAL E DAS REDES SOCIAIS

THE DIGITAL UNCONSCIOUS: PSYCHOANALYSIS IN THE AGE OF


ARTIFICIAL INTELLIGENCE AND SOCIAL NETWORKS

EL INCONSCIENTE DIGITAL: EL PSICOANÁLISIS EN LA ERA DE LA


INTELIGENCIA ARTIFICIAL Y LAS REDES SOCIALES

10.56238/edimpacto2025.011-002

Ricardo Furtado Rodrigues


Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE); UniCV; Ibrapsi
Orcid ID do autor: [Link]

Pedro Victor dos Santos Monteiro


Centro Universitário Cidade Verde (UniCV); Ibrapsi

RESUMO
Este capítulo propõe investigar o conceito de “inconsciente digital” como um instrumento psicanalítico
para compreender a constituição da subjetividade na era da inteligência artificial e das redes sociais. A
proposta é refletir sobre como o inconsciente se reconfigura diante da tecnologia, atravessado por uma
linguagem maquínica que influencia o desejo, o gozo e a formação do eu. O objetivo central é analisar,
sob a ótica psicanalítica, as novas formas de sofrimento psíquico produzidas no ambiente digital,
considerando os impactos da hiperconectividade, da exposição contínua e da lógica algorítmica nos
processos de subjetivação. A metodologia adotada consiste em uma revisão teórico-conceitual, com
base em autores clássicos da psicanálise, como Freud, Lacan e Winnicott, e pensadores
contemporâneos que analisam os efeitos da cultura digital no psiquismo, como Byung-Chul Han,
Sherry Turkle, Zygmunt Bauman e Evgeny Morozov. A análise aponta que, apesar da tentativa de
controle e repetição nas linguagens digitais, o sujeito do inconsciente permanece ativo, abrindo espaço
para o desejo e a singularidade. Conclui-se que a psicanálise mantém sua relevância atual ao sustentar
a escuta do sujeito em um cenário em que as tecnologias tentam silenciá-lo.

Palavras-chave: Psicanálise. Inconsciente digital. Redes sociais. Inteligência artificial. Subjetividade


contemporânea. Sintomas psíquicos.

ABSTRACT
This chapter sets out to investigate the concept of the “digital unconscious” as a psychoanalytical tool
for understanding the constitution of subjectivity in the age of artificial intelligence and social
networks. The proposal is to reflect on how the unconscious is reconfigured in the face of technology,
crossed by a machinic language that influences desire, jouissance and the formation of the self. The
central objective is to analyze, from a psychoanalytical perspective, the new forms of psychic suffering
produced in the digital environment, considering the impacts of hyperconnectivity, continuous
exposure and algorithmic logic on the processes of subjectivation. The methodology adopted consists
of a theoretical-conceptual review, based on classic authors of psychoanalysis, such as Freud, Lacan

Psychology and Psychoanalysis: Theory, Practice, and Controversies


O INCONSCIENTE DIGITAL: PSICANÁLISE NA ERA DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E DAS REDES SOCIAIS
and Winnicott, and contemporary thinkers who analyze the effects of digital culture on the psyche,
such as Byung-Chul Han, Sherry Turkle, Zygmunt Bauman and Evgeny Morozov. The analysis points
out that, despite the attempt at control and repetition in digital languages, the subject of the unconscious
remains active, opening up space for desire and singularity. It concludes that psychoanalysis maintains
its current relevance by supporting listening to the subject in a scenario where technologies try to
silence it.

Keywords: Psychoanalysis. Digital unconscious. Social networks. Artificial intelligence.


Contemporary subjectivity. Psychic symptoms.

RESUMEN
Este capítulo se propone investigar el concepto de «inconsciente digital» como herramienta
psicoanalítica para comprender la constitución de la subjetividad en la era de la inteligencia artificial
y las redes sociales. La propuesta es reflexionar sobre cómo el inconsciente se reconfigura frente a la
tecnología, atravesado por un lenguaje maquínico que influye en el deseo, el goce y la formación del
yo. El objetivo central es analizar, desde una perspectiva psicoanalítica, las nuevas formas de
sufrimiento psíquico producidas en el entorno digital, considerando los impactos de la
hiperconectividad, la exposición continua y la lógica algorítmica en los procesos de subjetivación. La
metodología adoptada consiste en una revisión teórico-conceptual, basada en autores psicoanalíticos
clásicos como Freud, Lacan y Winnicott, y pensadores contemporáneos que analizan los efectos de la
cultura digital en el psiquismo, como Byung-Chul Han, Sherry Turkle, Zygmunt Bauman y Evgeny
Morozov. El análisis muestra que, a pesar del intento de control y repetición en los lenguajes digitales,
el sujeto del inconsciente permanece activo, abriendo espacio al deseo y a la singularidad. Se concluye
que el psicoanálisis mantiene su actualidad al apoyar la escucha del sujeto en un escenario en el que
las tecnologías intentan silenciarlo.

Palabras clave: Psicoanálisis. Inconsciente digital. Redes sociales. Inteligencia artificial. Subjetividad
contemporánea. Síntomas psíquicos.

Psychology and Psychoanalysis: Theory, Practice, and Controversies


O INCONSCIENTE DIGITAL: PSICANÁLISE NA ERA DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E DAS REDES SOCIAIS
1 INTRODUÇÃO
Vivemos uma época marcada pela crescente digitalização da vida cotidiana, na qual redes
sociais, algoritmos e inteligências artificiais passaram a ocupar lugar central nas formas de
sociabilidade, subjetivação e produção de sentido. Essa reconfiguração do laço social impõe à
psicanálise novos desafios teóricos e clínicos, exigindo que suas ferramentas conceituais dialoguem
criticamente com os fenômenos emergentes do mundo digital, sem, no entanto, abdicar de sua
radicalidade fundacional. A escuta do sofrimento contemporâneo revela sintomas que não estavam nos
manuais clássicos, mas que pedem, mais do que nunca, a intervenção da psicanálise como prática de
leitura do desejo, do gozo e da angústia.
A emergência de novas formas de sofrimento psíquico ligadas à era digital não pode ser
ignorada. A hipervisibilidade promovida pelas redes sociais, o imperativo da performance constante, a
comparação algorítmica, o culto à imagem e a exposição à lógica do consumo simbólico produzem
sujeitos fragmentados, exaustos e frequentemente alienados de seus próprios desejos. Sintomas como
ansiedade generalizada, pânico, depressão, burnout, transtornos alimentares e distúrbios de identidade
tornaram-se comuns em contextos marcados pela conectividade incessante e pela virtualização da
existência. Como observa Han (2017), vivemos sob o jugo de uma “sociedade do desempenho”, na
qual o sujeito se torna seu próprio explorador, preso em um ciclo de autovigilância e cobrança sem
fim.
É diante desse cenário que a psicanálise é convocada a se repensar: como abordar
subjetividades moldadas por ambientes digitais? Como interpretar os novos modos de gozo mediados
por interfaces tecnológicas? Estaríamos diante de uma mutação no próprio regime do inconsciente?
Essas questões colocam em evidência uma lacuna teórica importante: os principais pilares conceituais
da psicanálise – formulados nos séculos XIX e XX – foram forjados em contextos sociais radicalmente
distintos daqueles que hoje estruturam a vida psíquica. Freud, ao fundar a psicanálise, baseou-se em
uma clínica atravessada pelas neuroses da moral vitoriana e pelas repressões do supereu clássico.
Lacan, ao reler Freud à luz da linguística estrutural e da lógica do significante, articulou a subjetividade
a partir do campo simbólico do Outro. No entanto, que Outro é esse quando mediado por máquinas
que organizam o desejo por meio de dados, likes e algoritmos?
A proposta deste capítulo é investigar como a psicanálise pode contribuir para a compreensão
da subjetividade na era da inteligência artificial e das redes sociais, propondo o conceito de
“inconsciente digital” como chave interpretativa para os modos contemporâneos de sofrimento e
constituição do sujeito no século XXI. Essa noção busca pensar o inconsciente não como substituído
ou anulado pela tecnologia, mas reconfigurado por ela, atravessado por uma linguagem maquínica que
impacta os circuitos do desejo, a dinâmica do gozo e a constituição do eu.

Psychology and Psychoanalysis: Theory, Practice, and Controversies


O INCONSCIENTE DIGITAL: PSICANÁLISE NA ERA DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E DAS REDES SOCIAIS
O objetivo central deste capítulo é analisar as novas formas de sofrimento psíquico produzidas
no ambiente digital a partir da perspectiva psicanalítica, considerando os efeitos da exposição contínua,
da hiperconectividade e da lógica algorítmica nos processos de subjetivação. Para tanto, propõe-se
uma articulação entre autores clássicos – como Freud (1914; 1923), Lacan (1966) e Winnicott (1971)
– e pensadores contemporâneos que investigam os efeitos da cultura digital sobre o psiquismo, como
Byung-Chul Han (2017), Sherry Turkle (2011), Zygmunt Bauman (2001) e Evgeny Morozov (2013),
entre outros. A intenção é construir uma ponte crítica entre as formulações estruturantes da psicanálise
e as dinâmicas emergentes da tecnossociedade, evitando reducionismos e idealizações.
A metodologia adotada é de natureza qualitativa, baseada em revisão bibliográfica e análise
conceitual. Trata-se de uma pesquisa teórico-conceitual, que busca articular referenciais psicanalíticos
com elementos da cultura digital contemporânea, utilizando exemplos concretos de fenômenos sociais
(como a cultura do cancelamento, os influenciadores digitais, a dependência tecnológica e a estetização
da vida) para ilustrar as transformações psíquicas em curso. Não se trata de uma pesquisa empírica,
mas sim de uma construção crítica, com base na leitura intertextual entre diferentes campos do saber,
com foco na escuta clínica e na análise simbólica dos efeitos do digital sobre a constituição subjetiva.
Ao fim, espera-se oferecer subsídios para uma compreensão mais ampla e complexa dos
desafios enfrentados por analistas e sujeitos diante da era do inconsciente digital, defendendo a tese de
que, mesmo em tempos de algoritmos, dados e inteligências artificiais, o desejo continua a escapar, o
sintoma a insistir, e o inconsciente a se manifestar – ainda que por novos caminhos.

2 O SUJEITO DO INCONSCIENTE E A MÁQUINA DIGITAL


A psicanálise, desde sua origem com Freud, sempre esteve implicada na tarefa de compreender
as transformações do sujeito a partir de suas inserções socioculturais. A escuta clínica é, nesse sentido,
também uma escuta da época. Hoje, vivemos um momento histórico atravessado pela onipresença das
tecnologias digitais, das redes sociais à inteligência artificial, das plataformas algorítmicas aos
dispositivos móveis. Trata-se de um novo cenário em que o sujeito do inconsciente, tal como formulado
pela tradição psicanalítica, é convocado a se reconfigurar.
Freud (1915/1996) concebe o sujeito como dividido, inconsciente, marcado pelo recalque e
pela ambivalência dos desejos. Não se trata, portanto, de um eu coeso e transparente a si mesmo, mas
de um sujeito cindido, cuja verdade está, paradoxalmente, fora do alcance da consciência. A
radicalidade dessa concepção permanece incontornável, ainda que o mundo tenha mudado
profundamente. O que exige, por parte da psicanálise, um movimento de escuta e elaboração crítica
frente às novas formas de subjetivação emergentes no mundo digital.
Lacan (1964/1998), por sua vez, irá afirmar que o inconsciente é estruturado como uma
linguagem. Essa formulação permite articular o sujeito do inconsciente com os discursos e dispositivos

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que o atravessam. Ora, se o inconsciente se estrutura como linguagem, o que ocorre quando essa
linguagem é mediada por algoritmos? Quando os circuitos de reconhecimento, desejo e gozo são
organizados por dispositivos digitais que operam por repetição, filtragem e predição? A máquina digital
não apenas altera a forma como o sujeito se comunica, mas intervém diretamente nos processos de
simbolização, no modo como o desejo é regulado, no lugar da falta e na articulação entre o eu e o
outro.
A questão que se impõe, portanto, é: que tipo de sujeito emerge diante de uma máquina que
não esquece, que vigia, que prevê e que oferece respostas instantâneas para o mal-estar
contemporâneo? A máquina digital não é mais apenas uma ferramenta externa, ela se tornou uma
extensão psíquica, uma prótese do eu (McLuhan, 1964; Harari, 2018). A presença contínua do sujeito
nas redes sociais, a dependência de validações externas via curtidas e comentários, e a sensação de
estar permanentemente observado evocam uma nova configuração do olhar e do supereu.
Bauman (2001) já apontava que, na modernidade líquida, as identidades tornaram-se voláteis,
e os vínculos sociais, frágeis. Essa fluidez é potencializada pelo ambiente digital, onde o sujeito se
torna, muitas vezes, uma performance constante de si mesmo, adaptando-se a cada plataforma, a cada
exigência do público imaginado. O eu que se apresenta nas redes é um eu curado, editado, moldado
para maximizar reconhecimento, o que pode, paradoxalmente, intensificar sentimentos de vazio,
inadequação e angústia. Como afirmam Turkle (2011) e Han (2017), a hiperconexão e a exposição
contínua não necessariamente promovem vínculos mais profundos, mas acentuam a solidão e o mal-
estar narcísico.
Nesse cenário, o sujeito do inconsciente se encontra em tensão constante entre o desejo e a
demanda da máquina. O discurso digital parece operar como um novo tipo de Outro, um Outro que
sabe, que mede, que julga e que dita as regras da visibilidade e da aceitação. A partir dessa perspectiva,
o sujeito contemporâneo se vê cada vez mais submetido a um Outro técnico, algoritmizado, que
redefine as gramáticas do reconhecimento social e, portanto, da constituição subjetiva.
É importante destacar que a psicanálise não pode ceder à tentação de tecnicizar suas categorias.
O inconsciente, tal como formulado por Freud e relido por Lacan, não é algo que possa ser mapeado
por algoritmos. O inconsciente escapa, insiste, retorna, ele é da ordem da falta, do equívoco, da
singularidade. No entanto, isso não significa que a clínica esteja imune às transformações
sociotécnicas. Pelo contrário, como propõe Roudinesco (2000), a psicanálise precisa se reinventar
constantemente diante das novas formas de sofrimento psíquico, sem trair seus fundamentos.
Nesse contexto, a escuta psicanalítica se torna ainda mais relevante. Em um mundo onde tudo
é exposto, registrado e monetizado, a experiência do inconsciente, esse território da opacidade, do não
dito, do lapsus e do sintoma, oferece um espaço raro de resistência ao imperativo de transparência e

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produtividade. A clínica é, portanto, um lugar de escuta do que escapa à lógica algorítmica, do que não
se enquadra, do que insiste em permanecer singular.
Diante das transformações nas formas de subjetivação na era digital, torna-se necessário
contrastar os eixos fundamentais da psicanálise clássica com os fenômenos contemporâneos mediados
pelas tecnologias. O quadro 1 propõe uma leitura comparativa, sem a pretensão de esgotar o debate,
mas de evidenciar o deslocamento da constituição do sujeito frente às novas condições de enunciação
e captura do desejo:

Quadro 1: Psicanálise Clássica x Realidade Digital


Eixo de Análise Psicanálise Clássica Realidade Digital
Selfie e avatar como forma de identificação
Formação do Eu Estádio do Espelho (Lacan)
narcísica
Algoritmos e vigilância como "supereu
Supereu Instância internalizada da autoridade social
performativo"
Like, follower, e validação superficial e
Relação com o Outro Desejo mediado pela linguagem e alteridade
quantitativa
Dados inconscientes capturados por plataformas
Inconsciente Estruturado como linguagem (Lacan)
(big data)
Fonte: Elaborado pelos autores, 2025.

Concluímos, assim, que o sujeito do inconsciente não desaparece na era digital, mas é
convocado a se reinventar. A máquina digital não apaga o desejo, mas o reconfigura. A tarefa da
psicanálise, portanto, é escutar os novos modos de subjetivação sem ceder à sedução do tecnocentrismo
ou ao pessimismo nostálgico. Trata-se de manter vivo o compromisso com o inconsciente, mesmo e
sobretudo, diante das máquinas que pretendem saber tudo sobre nós.

3 NARCISISMO E PERFORMANCE: O EU NO ESPELHO DIGITAL


O narcisismo, desde Freud, representa uma categoria fundamental para a compreensão do
sujeito humano em sua constituição psíquica, seus modos de amar, sofrer e se representar. Em
Introdução ao narcisismo (1914/1996), Freud propõe uma diferenciação entre o narcisismo primário,
etapa inicial de investimento libidinal do ego em si mesmo, e o narcisismo secundário, que emerge
como retorno da libido ao ego após a decepção com os objetos externos. Esse movimento é essencial
para o entendimento da relação do sujeito consigo e com os outros.
No entanto, na era digital, essa dinâmica é transfigurada. As redes sociais funcionam como
vitrines permanentes de exposição do eu, promovendo uma lógica de performatividade e validação que
opera na superfície da imagem. A selfie, por exemplo, tornou-se um dispositivo simbólico que articula
o desejo de ser visto com a necessidade de controle sobre a própria representação. Nessa operação, o
espelho de Narciso já não é mais um lago silencioso, mas um feed em constante atualização, mediado
por algoritmos que recompensam a visibilidade e punem o anonimato.

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O ambiente digital favorece o retorno maciço do narcisismo secundário, agora amplificado pela
lógica da performance e da gestão da imagem. Como aponta Christopher Lasch (1983), em A cultura
do narcisismo, vivemos em uma sociedade marcada pela exibição do self, onde o valor individual é
mensurado pela capacidade de impressionar, de manter-se relevante, de ser objeto de desejo. Esse
diagnóstico é ainda mais atual à luz das plataformas digitais, que transformaram o reconhecimento
simbólico em capital social quantificável: curtidas, seguidores, comentários, compartilhamentos.
Para a psicanálise, essa dinâmica produz efeitos significativos na economia psíquica do sujeito.
A relação com o outro é substituída, muitas vezes, pela busca de reflexos idealizados. Lacan
(1949/1998), em seu famoso texto sobre o Estádio do Espelho, já havia alertado para o fato de que a
imagem é constitutiva do eu, mas também enganosa, alienante. O "eu" é sempre um construto
imaginário sustentado por uma imagem que o sujeito vê de fora. No contexto digital, essa imagem é
editável, filtrável, publicável e, portanto, constantemente manipulada para sustentar um ideal de eu
inatingível.
Nesse sentido, a performance constante exigida nas redes sociais aproxima-se do que Byung-
Chul Han (2017) chama de "sociedade do desempenho". O sujeito, agora empreendedor de si, deve
maximizar sua aparência, produzir-se como marca, conquistar relevância. Mas essa incessante exibição
traz consigo um esgotamento psíquico: à medida que o sujeito se identifica com seu avatar digital, vai
perdendo contato com sua interioridade, com o desejo inconsciente, com a alteridade. A angústia
emerge não mais da repressão, como no modelo clássico, mas da obrigação de gozar, de brilhar, de
estar sempre bem.
Winnicott (1975), ao falar do falso self, oferece uma chave de leitura potente para compreender
esse fenômeno. O falso self, formado como defesa frente à expectativa do ambiente, pode se tornar um
substituto do verdadeiro self, comprometendo a espontaneidade, a criatividade e a autenticidade do
sujeito. Nas redes sociais, o falso self é incentivado e reforçado: é o eu que sorri, mesmo na tristeza;
que ostenta, mesmo na escassez; que aparece, mesmo desejando desaparecer. A imagem do eu é, aqui,
objeto de investimento libidinal, mas também fonte de sofrimento e alienação.
Por outro lado, é necessário reconhecer que o narcisismo não é, em si, patológico. Ele é um
elemento estruturante da subjetividade, e o desejo de ser reconhecido, admirado e amado é constitutivo
do humano. A patologia surge quando o narcisismo se cristaliza em uma lógica fechada, sem espaço
para o outro real, para a diferença, para o fracasso. O digital, ao transformar o outro em audiência e a
vida em performance, tende a favorecer esse fechamento.
O ideal de felicidade, sucesso e beleza promovido pelos influenciadores digitais, por exemplo,
funciona como um novo supereu estético: silencioso, mas implacável. O sujeito sente que nunca é
suficiente, e a frustração contínua retroalimenta o ciclo de exposição. O feed se transforma, assim, em

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uma espécie de espelho em que o sujeito busca não apenas ser visto, mas também ser amado, aceito, e
desejado, mas sempre sob condições idealizadas e inatingíveis.
Em termos clínicos, é cada vez mais comum encontrar sujeitos que se sentem vazios,
insatisfeitos e ansiosos, mesmo em meio a vidas aparentemente bem-sucedidas nas redes. A
dissociação entre o eu digital e o eu real, entre a imagem performada e o desejo inconsciente, gera
sofrimento psíquico. A escuta psicanalítica, nesse contexto, deve ser um espaço onde o sujeito possa
se desprender da lógica da performance e reencontrar sua verdade singular, marcada pela falta, pelo
desejo, pela imperfeição.
Por fim, é preciso afirmar que a psicanálise tem muito a contribuir na crítica às idealizações
contemporâneas do eu. Em um mundo que promove o narcisismo como imperativo de existência, a
psicanálise oferece uma ética da escuta, da alteridade e da incompletude. O espelho digital pode refletir
a imagem, mas não o desejo. O trabalho analítico é justamente esse: escavar sob a superfície da
imagem, abrindo espaço para o sujeito se encontrar além das selfies, dos filtros e das métricas de
aprovação social.
Ao revisitarmos o conceito freudiano de narcisismo e contrastá-lo com as expressões digitais
do eu performático, podemos visualizar transformações profundas na forma como o sujeito se investe
em si mesmo e no olhar do outro. O quadro 2 apresenta essa transição de forma sintética:

Quadro 2: Narcisismo Ontem e Hoje


Característica Narcisismo Freudiano (1914) Narcisismo Digital
Referência ao outro Pouco evidente, autocentrado Totalmente dependente da resposta alheia (likes, views)
Temporalidade Relativa estabilidade Volátil e de curta duração
Construção do eu Baseado no investimento libidinal Baseado na performance e imagem
Fonte: Elaborado pelos autores, 2025.

4 O SUPEREU ALGORÍTMICO E A ANSIEDADE DE PERFORMANCE


Desde os primórdios da teoria psicanalítica, o supereu ocupa uma posição de destaque na
constituição do sujeito e na mediação entre pulsão e civilização. Em O mal-estar na civilização
(1930/2010), Freud identifica no supereu uma instância moral que, ao mesmo tempo que reprime os
impulsos pulsionais, inflige ao sujeito um sentimento de culpa constante. Diferente da mera censura
externa, o supereu freudiano é interno, cruel, implacável, “o herdeiro do complexo de Édipo”, e está
diretamente vinculado à renúncia pulsional que viabiliza a vida em sociedade.
Na contemporaneidade digital, a função superegóica parece ter migrado, em parte, para os
algoritmos que regulam a visibilidade, o engajamento e a relevância dos sujeitos nas redes sociais. Se
antes o supereu operava por meio de mandatos internalizados (“não faça isso”, “controle-se”), hoje ele
atua por uma lógica perversa de mandatos positivos: “seja você mesmo”, “produza conteúdo”,

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“engaje”, “brilhe”. Essa mutação é coerente com o que Lacan (1953/1998) já havia identificado ao
dizer que o supereu comanda: “Goza!”.
Essa imperatividade do gozo, da produtividade e da exposição constante no ambiente digital é
amplificada pelo que se pode denominar de supereu algorítmico, uma instância invisível, estatística,
automatizada, mas absolutamente eficaz na regulação do comportamento. Os algoritmos que governam
as redes sociais recompensam comportamentos que geram engajamento e punem aqueles que não se
encaixam nas lógicas de visibilidade. Dessa forma, o sujeito é capturado em uma dinâmica incessante
de avaliação, comparação e produção de si, em que o olhar do outro é permanentemente convocado,
mesmo na ausência de qualquer presença real.
Byung-Chul Han (2015) observa com precisão esse fenômeno em A sociedade da transparência,
ao afirmar que vivemos sob um novo tipo de dominação: não mais disciplinar, como em Foucault, mas
de autoexploração. O sujeito contemporâneo não é apenas vigiado: ele é induzido a se expor, a se
mostrar, a se vender. O supereu algorítmico é, nesse sentido, uma instância de comando que atua sob
a forma de incentivos, recompensas e exclusões simbólicas. O silêncio do algoritmo, a queda no
engajamento, a ausência de curtidas, tudo isso opera como castigo simbólico, intensificando a
ansiedade de performance.
Essa ansiedade, cada vez mais presente nos discursos clínicos, manifesta-se em sintomas como
insônia, angústia difusa, sentimento de insuficiência crônica, procrastinação, exaustão e depressão. O
sujeito contemporâneo vive sob um constante senso de inadimplência existencial. Ele não apenas sente
que não está fazendo o suficiente, mas também que não está sendo o suficiente. E, como observa Žižek
(2012), essa lógica é perversa porque transforma a liberdade em obrigação: “você é livre para... logo,
você é responsável por tudo que não conseguiu”.
Essa responsabilização subjetiva amplifica a culpa neurótica, mas a desloca para um novo
campo: não mais a culpa moral por desejar o proibido, mas a culpa narcísica por não ser
suficientemente bom, belo, produtivo ou desejável. Trata-se de uma mutação do sofrimento psíquico,
onde a repressão é substituída pela compulsão à performance. O supereu, nesse contexto, torna-se um
operador de um gozo forçado, exigindo do sujeito uma constante autoapresentação bem-sucedida.
Os novos modos de gozo e sofrimento psíquico revelam a força das tecnologias como agentes
na estruturação do supereu contemporâneo. O quadro 3 apresenta alguns sintomas recorrentes do
sujeito digital e suas possíveis interpretações à luz da psicanálise, com apoio em autores clássicos e
contemporâneos:

Quadro3: Sintomas Contemporâneos do Sujeito Digital


Sintoma Digital Leitura Psicanalítica Autor Referência
F.O.M.O. (medo de perder algo) Angústia frente ao desejo do Outro Byung-Chul Han, Lacan
Excesso de exposição Retorno ao narcisismo primário Freud, Lasch

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Sintoma Digital Leitura Psicanalítica Autor Referência
Burnout digital Supereu hiperativo e exaustão subjetiva Han, Safatle
Vício em notificação Pulsão de repetição e gozo Lacan, Miller
Fonte: Elaborado pelos autores, 2025.

Além disso, o supereu algorítmico é opaco. Ao contrário das figuras parentais e sociais que
compõem o supereu clássico, o algoritmo é inatingível, sem rosto, sem corpo. Ele é um “grande Outro”
que sabe tudo, o que você gosta, consome, deseja — mas nunca se revela. Lacan (1966/1998) propõe
que o supereu se articula a partir do desejo do Outro. No mundo digital, esse Outro é cada vez mais
artificial, calculado, construído por sistemas de aprendizado de máquina que determinam os conteúdos
que o sujeito verá, as pessoas com quem interagirá, os desejos que serão reforçados. O desejo, portanto,
deixa de ser uma construção simbólica do sujeito em relação ao Outro e passa a ser uma
retroalimentação algorítmica do que já foi desejado, ou do que se supõe desejável.
A clínica psicanalítica, ao se deparar com sujeitos que sofrem sob essa lógica, precisa
considerar as novas formas de subjetivação e os novos imperativos simbólicos. A angústia não é mais
apenas efeito da repressão pulsional, mas da obrigação de existir em um regime de transparência,
performance e sucesso constante. A escuta clínica deve, portanto, ser um espaço de resistência: onde o
sujeito possa não saber, não performar, não corresponder; onde a opacidade e o silêncio sejam
tolerados; onde a castração simbólica seja novamente reconhecida como condição da existência
desejante.
É nesse espaço, onde o algoritmo é suspendido e o discurso singular é privilegiado, que o sujeito
pode se reposicionar. O retorno ao desejo como vetor ético, e não ao gozo como imperativo de
consumo, é um dos desafios mais urgentes da psicanálise na era digital. O supereu algorítmico pode
comandar a cena social, mas não comanda o inconsciente. E é nessa brecha que o trabalho analítico
insiste.

5 O INCONSCIENTE DIGITAL É POSSÍVEL?


A noção de inconsciente, tal como formulada por Freud, constitui a pedra angular da
psicanálise. Em sua formulação clássica, o inconsciente é um saber que escapa ao sujeito, estruturado
como uma linguagem (Lacan, 1966/1998), e cuja presença se manifesta por meio de lapsos, atos falhos,
sonhos, sintomas e formações substitutivas. O inconsciente freudiano é atemporal, não reconhece
negações nem contradições e é constituído a partir das marcas deixadas pela repressão primária, uma
instância que emerge da interseção entre pulsão, linguagem e desejo.
Com o avanço tecnológico e a ascensão das redes digitais e da inteligência artificial, emerge a
indagação: seria possível pensar em um “inconsciente digital”? Ou, mais precisamente, como as

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estruturas da subjetividade inconsciente operam no contexto de mediação algorítmica, hiperexposição
e automação de desejos?
Primeiramente, é preciso distinguir o que se compreende por "digital" nesse contexto. O digital
não é apenas um meio técnico, mas um campo simbólico e imaginário que organiza experiências,
relações e modos de subjetivação. Vivemos, como aponta Shoshana Zuboff (2018), sob uma lógica de
capitalismo de vigilância, em que os dados produzidos pelos sujeitos são coletados, analisados e
utilizados para prever e influenciar comportamentos. Nesse cenário, as tecnologias não apenas mediam
desejos: elas produzem desejos preditivos, antecipam ações e oferecem respostas antes que perguntas
sejam formuladas.
No entanto, o inconsciente, tal como formulado por Lacan, não é redutível a uma base de dados
nem é passível de predição. O inconsciente não é o que escapa à consciência apenas, mas o que insiste
como um resto, um ponto de opacidade e falha na cadeia significante. Por isso, dizer que haveria um
"inconsciente digital", como se fosse possível reproduzir digitalmente as estruturas do desejo e da
linguagem, é, a princípio, um equívoco conceitual. Como destaca Jacques-Alain Miller (2011), o
inconsciente não é algo que se revela totalmente, mas que se interpreta, sempre na presença de um
outro sujeito que escuta.
Contudo, é possível afirmar que o espaço digital se tornou um novo palco para a expressão de
conteúdos inconscientes, reconfigurando a forma como sintomas e formações substitutivas aparecem.
As redes sociais, por exemplo, operam como superfícies de projeção e idealização. Ali, o sujeito
constrói versões idealizadas de si, lida com a alteridade do outro em formato imagético e é interpelado
por discursos que se organizam a partir de métricas e algoritmos. Esse novo ambiente intensifica o
recalque secundário, promovendo deslocamentos e condensações sintomáticas através de postagens,
curtidas, stories e interações codificadas.
A relação entre sujeito e tecnologia digital passa, assim, a constituir um novo campo para a
clínica psicanalítica e para a reflexão teórica. Em vez de postular um “inconsciente digital” como
entidade autônoma, pode-se afirmar que o digital constitui um novo campo de inscrição do
inconsciente, não no sentido de uma substituição, mas de uma reorganização dos modos como o
inconsciente se manifesta.
Neste sentido, André Lemos (2022) fala da "infraestrutura invisível da cultura digital", que
molda nossos modos de ver, sentir e desejar. A cultura digital opera como uma nova gramática
simbólica, onde os sujeitos passam a ser interpelados por novos significantes-mestres, tais como
“influência”, “viralização”, “engajamento” e “curadoria de si”. Esses termos adquirem estatuto de
sentido organizador do desejo, funcionando como operadores de gozo na era digital.
Assim, o inconsciente continua a operar, mas seus pontos de inscrição, suas metáforas
dominantes e seus modos de emergência se transformam. Se, no século XIX, os sintomas histéricos

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eram a expressão privilegiada do conflito inconsciente, hoje vemos um deslocamento para sintomas
ligados à hiperatividade, ansiedade, compulsões e um certo vazio identitário, como apontado por
Safatle (2015). O digital, com sua promessa de presença constante e autoatualização infinita, mascara
a falta constitutiva do sujeito, operando uma espécie de recusa do inconsciente, o que, paradoxalmente,
o reforça.
Em última análise, a pergunta "o inconsciente digital é possível?" exige uma resposta
cuidadosa: o inconsciente, como estrutura do sujeito do desejo, é irredutível à lógica digital, mas se
reinscreve nas novas formas simbólicas e imaginárias que esse universo produz. A psicanálise, para
não se tornar obsoleta, precisa escutar essas mutações, sem perder seu núcleo ético, o reconhecimento
de que o sujeito é dividido, barrado, e que o gozo não se harmoniza com o imperativo da satisfação
plena.
O desafio é não ceder à tentação de adaptar a psicanálise aos moldes do digital, mas sim de
usar a escuta psicanalítica como ferramenta de desautomatização, um modo de devolver ao sujeito o
lugar de falante, e não apenas de usuário, consumidor ou produtor de dados. Afinal, como bem lembra
Lacan (1964/1998), o inconsciente é o discurso do Outro, e, ainda que o Outro hoje fale por meio de
códigos e algoritmos, o sujeito do desejo permanece ali, tentando se fazer ouvir entre os ruídos da
máquina.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A travessia proposta ao longo deste capítulo procurou iluminar os contornos de uma
subjetividade em transformação diante da crescente onipresença do digital. Longe de uma abordagem
apocalíptica ou meramente celebratória, o objetivo foi tensionar a escuta psicanalítica a partir da
radicalidade de sua origem: a aposta na fala, na escuta e no desejo como elementos estruturantes do
sujeito.
Ao percorrermos os caminhos entre o sujeito do inconsciente e a máquina digital, entre o
narcisismo contemporâneo e a performance algorítmica, entre o supereu clássico e sua nova forma
intensificada, o supereu algorítmico, fomos conduzidos a uma constatação inquietante: a lógica do
gozo sem falta, do imperativo de sucesso e visibilidade, da antecipação preditiva do desejo, tem
operado como força modeladora das subjetividades, mascarando o desamparo e silenciando a castração
que funda o sujeito do desejo.
Nesse cenário, o inconsciente permanece irredutível. Ele não se digitaliza, não se automatiza e
não se converte em dado. Mas sofre deslocamentos, em sua inscrição, em sua forma de manifestação
e, sobretudo, na escuta que lhe é dirigida. A clínica psicanalítica, nesse contexto, é chamada a
reinventar sua escuta, deslocando-se das configurações clássicas para abrir-se ao novo simbólico e
imaginário digital, sem ceder às suas promessas de completude.

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A ideia de um "inconsciente digital" não deve ser compreendida como a transposição da
estrutura inconsciente para os sistemas informáticos, mas como a possibilidade de reconhecer que o
espaço digital tornou-se campo de novas inscrições do desejo, novos modos de recalque, novas formas
de gozo. O digital não cria o inconsciente, mas o atravessa, o modula e o convoca.
Diante disso, a psicanálise se vê diante de dois caminhos: a defesa dogmática de seus postulados
clássicos, ignorando as mutações em curso, ou a fidelidade ética à escuta do sujeito, o que exige
atualização, escuta ampliada e abertura ao inusitado. Como já afirmava Lacan, "o inconsciente é a
política", e hoje, mais do que nunca, essa política se trava também nos campos algorítmicos, nas redes,
nos dados, nos dispositivos que estruturam nossa vida social e íntima.
Não se trata, portanto, de ceder à tecnofobia nem de render-se a um tecnocultismo ingênuo,
mas de sustentar o real do desejo onde ele insiste, ainda que disfarçado em selfies, métricas de
engajamento ou avatares performáticos. O sujeito do inconsciente sobrevive às revoluções
tecnológicas, e cabe à psicanálise não apenas constatar isso, mas escutá-lo ali onde menos esperamos
encontrá-lo.
Afinal, como afirmou Freud (1920), “onde estava o id, deve advir o eu”. Mas, na era digital,
talvez devamos reformular: onde há um perfil, um avatar, um algoritmo, que ainda possa emergir o
sujeito, e que ele ainda possa ser escutado.

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REFERÊNCIAS

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