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Nutrientes e pH em Solo de Pinus Brasil

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Capítulo 4 -CONCENTRAÇÃO DE NUTRIENTES E PH NA SOLUÇÃO DO SOLO


EM CAMPO NATIVO E EM PLANTAÇÕES DE PINUS NO SUL DO BRASIL Chapter
4 -Nutrient Concentration and pH in Soil Solution i...

Chapter · September 2025

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Mauro Valdir Schumacher Francine Neves Calil


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Vicente Guilherme Lopes


Federal University of Pampa
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Águas Subterrâneas em Foco: Pesquisas, Desafios e Soluções.

Capítulo 4 - CONCENTRAÇÃO DE NUTRIENTES E PH NA SOLUÇÃO DO SOLO


EM CAMPO NATIVO E EM PLANTAÇÕES DE PINUS NO SUL DO BRASIL
Chapter 4 - Nutrient Concentration and pH in Soil Solution in Native Grassland and Pinus
Plantations in Southern Brazil

Tiago Sperluk Arce, Tatiana Nardon Noal, Mauro Valdir Schumacher,


Rudi Witschoreck, Francine Neves Calil, Vicente Guilherme Lopes

4.1 INTRODUÇÃO

A vida, no planeta terra, está diretamente associada à presença de água. A água é um


elemento necessário para a vida dos vegetais e dos animais sobre o planeta, além disso, é
extremamente importante para a manutenção do clima. Mesmo sendo um recurso renovável, a
água não está sendo usada com o cuidado necessário para sua manutenção, os gastos excessivos
e indiscriminados, aliados à poluição, poderão causar sérios transtornos no abastecimento
futuro (Schumacher; Hoppe, 1998).
O aumento da utilização da água no planeta e sua contaminação por atividades
desenvolvidas pelo homem tem aumentado a preocupação com sua manutenção, mobilizando
todas as pessoas no sentido de preservar sua qualidade e garantir sua disponibilidade para
gerações futuras (Martinelli, 2007).
A análise e monitoramento das características químicas da solução do solo são de extrema
importância, pois as mesmas refletem os processos biológicos e químicos ocorridos durante o
transporte ou armazenamento da água no solo. O grau de modificação das características da
solução do solo está diretamente associado à forma de uso da terra e ao tipo de cultura agrícola
ou florestal utilizada (Calil, 2008). Medições qualitativas da solução do solo fornecem
informações importantes sobre os processos envolvidos na ciclagem de nutrientes (Marques;
Ranger, 1997).
O fato de os vegetais obterem os nutrientes necessários ao seu desenvolvimento
basicamente da solução do solo, e o fato de que a solução do solo pode nos fornecer indicadores
de fertilidade e acidez local, tornam de extrema importância e justificam o estudo da solução
do solo (Brandão; Lima, 2002).
O presente estudo teve como objetivo determinar o pH e a concentração dos ânions NO3-,
NO2-, PO43-, NH4+, SO42-, Cl- e dos cátions Ca2+, Mg2+, Na+ e K+ na solução do solo em uma
área de campo nativo e em uma área de Pinus taeda L. com 18 anos, nas profundidades de 30
e 60 centímetros.

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Águas Subterrâneas em Foco: Pesquisas, Desafios e Soluções.

4.2 SOBRE O ESTUDO DE CASO

O presente estudo foi realizado na região nordeste do estado do Rio Grande do Sul, região
fisiográfica dos Campos de Cima da Serra, no município de Cambará do Sul, na Fazenda
Guabiroba, sob as coordenadas geográficas 29° 04’ 51,77’’ de latitude Sul e 50° 06’ 27,99’’ de
longitude Oeste. A altitude no local é de 980 m. A distância em linha reta até o Oceano Atlântico
é de aproximadamente 47 km. Conforme dados da estação meteorológica de Cambará do Sul
(Brasil, 2013), no período de agosto de 2006 a julho de 2010, a precipitação média foi de 179
mm mensais ou 2.143,47 mm por ano, bem distribuída durante o ano, com o valor médio de 16
dias de chuva por mês. A temperatura média anual foi de aproximadamente 14,6 ºC, sendo que
a média das máximas foi de 20,6 ºC e a média das mínimas de 9,9 ºC, observados na estação
meteorológica de Cambará do Sul no período de agosto de 2006 a julho de 2010. Os ventos
dominantes na região são os alísios, ou seja, sopram do mar para a terra, pelo fato de a região
estar situada próxima ao litoral norte do estado. No período do estudo, a velocidade média dos
ventos foi de 1,7 ms-1 e velocidade média máxima de 6,5 ms-1 (Brasil, 2013). Segundo a
classificação de Köppen, o tipo de clima predominante na região é o Cfb (temperado úmido).
O solo da região pertence a Unidade de Mapeamento Bom Jesus, sendo classificado como
Cambissolo Húmico alumínico típico. Segundo Streck et al. (2008) os solos dessa região são
caracterizados por uma cor escura, devido ao acúmulo de matéria orgânica no horizonte
superficial e por serem fortemente ácidos, com saturação e soma de bases baixa e teores
trocáveis de Al ≥ 4 cmolc/dm3 e saturação de Al ≥ 50%. O plantio localizado na Fazenda
Guabiroba, foi implantado no ano de 1993, no período de agosto a dezembro. Foram utilizadas
mudas de Pinus taeda L. produzidas em tubetes e a partir de sementes oriundas de uma área de
produção de sementes. O espaçamento utilizado na implantação do povoamento foi de 3 m x 2
m. O plantio foi realizado sem adubação, com coveamento manual, seguido pelo coroamento
manual.
A pastagem natural (campo nativo) é caracterizada pela presença de vegetação nativa,
gramíneo-lenhosa, ocorrendo em associação aos solos rasos, e submetida a queimadas sazonais.
Os distintos estágios da vegetação estão diretamente associados à atividade da pecuária,
predominante na área de estudo (Brack et al., 2008).
Para realizar a coleta das amostras utilizadas na análise e determinação da composição
química da solução do solo, foram instalados lisímetros. Essa tecnologia desenvolvida no
Instituto de Ciência do Solo e Nutrição Vegetal (UNI- FREIBURG/Alemanha), é utilizada no
Laboratório de Ecologia e Nutrição Florestal (LABEFLO/UFSM), desde o ano de 2003 em
estudos semelhantes desenvolvidos no sul do Brasil.
Os lisímetros foram instalados em áreas adjacentes e cercadas no povoamento de Pinus e
no campo nativo. O conjunto de equipamentos automatizados, arranjados conforme a Figura 4-
1, formavam uma base de coleta da solução do solo. Cada base de coleta era composta por 16
lisímetros, oito instalados a 30 cm de profundidade e outros oito posicionados a 60 cm de
profundidade.
Na instalação, foi utilizado um trado de perfil para abrir um orifício cilíndrico até as
profundidades de 30 e 60 cm, onde os lisímetros foram introduzidos e após cimentados com

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Águas Subterrâneas em Foco: Pesquisas, Desafios e Soluções.

mesmo solo anteriormente retirado com o trado, visando manter o solo mais próximo das
condições originais.
Os lisímetros eram compostos por um cano de policloreto de vinila (PVC), com uma
ponteira de cerâmica ultra porosa (0,45 μm). Conectado a esta cerâmica, um capilar plástico,
seguia até os coletores (garrafas de vidro), cuja função era armazenar a solução do solo coletada.
Cada base possui quatro coletores, em cada coletor desemboca quatro capilares, assim,
formando-se uma amostra composta, portanto, duas amostras compostas para profundidade de
30 cm e duas amostras compostas para a profundidade de 60 cm.
A sucção das amostras era realizada por meio de microbombas de vácuo, acionadas por
um temporizador eletrônico, ciclicamente a cada 3 horas, permanecendo ligadas durante 15
minutos, mantendo uma força de sucção entre 0,4 bar a 0,6 bar. No período de novembro de
2006 a agosto de 2010, a cada 15 dias.

Figura 4-1. Esquema didático de uma base de coleta da solução do solo, utilizada em Cambará do Sul, RS, Brasil.

Fonte: Lopes (2013).

Após coletadas e acondicionadas em potes plásticos de 0,5 litros, as amostras foram


congeladas e armazenadas, para posterior envio ao LABEFLO, onde, foram registradas,
filtradas e analisadas, conforme metodologia APHA-Standard Methods for the Examination of
Water and Wastewater (1998). Na análise foram determinados valores de pH com pHmetro de
bancada Metrohm 827 pH lab. Após, foram filtradas com filtro poroso de 0,45 μm para
realização das análises químicas.
A determinação dos cátions Ca2+ e Mg2+ foi executada no espectrofotômetro de absorção
atômica AAnalyst 200 Perkin Elmer, e os cátions Na+ e K+ no fotômetro de chama modelo DM-
62 Digimed. Os ânions NO3-, NO2-, PO43-, NH4+, SO42-, Cl- foram analisados no cromatógrafo
de íons Advanced 861 da Metrohm.
Segundo Brandão e Lima (2002), a solução do solo é a água que ocupa parte dos espaços
vazios existentes nos solos. A composição química da solução do solo retrata de forma mais
dinâmica os efeitos do uso do solo, dessa forma é um importante fluxo de nutrientes, sendo
muito significativo no processo de absorção de nutrientes pelas plantas (Parker, 1983).

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Águas Subterrâneas em Foco: Pesquisas, Desafios e Soluções.

O solo é um sistema dinâmico, influenciado pelas formas de uso e manejo adotadas. As


florestas podem acarretar mudanças nas propriedades edáficas, principalmente pelo grau de
proteção que oferecem ao solo contra a erosão, através da capacidade de penetrar no solo e
extrair água e nutrientes e pela matéria orgânica produzida (Andrade, 1997). As raízes exercem
uma significativa influência sobre o desenvolvimento do perfil do solo. Ao morrer, as raízes
enriquecem a matéria orgânica do solo (Lopes, 2009).
A importância das florestas no balanço hídrico não está ligada ao aumento da água no
solo, ou da precipitação, mas ao efeito regulador que as florestas exercem sobre esse balanço
(Schumacher; Hoppe, 1998). Uma característica diferencial, e com extrema importância,
presente nos ecossistemas florestais, e mesmo em plantações comerciais de árvores, é a
presença da serapilheira. Essa camada de material orgânico depositada no piso florestal pode
acumular significativa quantidade de água junto aos seus tecidos, fazendo a função de uma
grande esponja e filtro, que se encharca logo após uma precipitação e, após isso, vai liberando
lentamente a água acumulada e nutrientes para o solo, onde irá abastecer as raízes das plantas
(Lopes, 2009).
A solução do solo, provavelmente, seja a característica que apresenta maior influência
sobre o desenvolvimento e distribuição do sistema radicular (Pritchett, 1990; Reichert et al.,
2007). A maioria das árvores apresenta melhores taxas de crescimento em solos úmidos e bem
aerados. O excesso de água no solo ocasiona uma deficiência de oxigênio e a acumulação de
dióxido de carbono. Essas condições podem acarretar a redução do crescimento e ainda causar
a morte das raízes (Pritchett, 1990).
A distribuição das raízes no perfil do solo, em parte, determina o grau de aptidão da planta
na retirada da solução do solo. Algumas plantas cultivadas, como o milho e a soja, ocupam
majoritariamente os primeiros 25 a 30 cm do perfil, ao passo que, culturas perenes e árvores
possuem sistema radicular profundo e são capazes de obter a solução do solo das camadas mais
profundas. Mesmo nesse caso, a absorção se dá com maior intensidade nas camadas superiores
(Brady, 1989).
A chuva que chega à copa das árvores sofre a adição de vários elementos, principalmente
potássio e magnésio, essas entradas de nutrientes por meio da deposição atmosférica são uma
importante fonte de reposição de nutrientes nos plantios florestais. A solução do solo sofre a
influência do tipo de vegetação que ocupa o solo. De forma geral o solo sob a plantação de
Pinus taeda apresenta valores de concentração de íons muito superiores aos verificados na
solução do solo sob área de campo, principalmente de cátions básicos trocáveis e nitrogênio na
forma de nitrato (Caldato, 2011).
Conforme Neu (2005), uma série de fatores bióticos como a atividade de organismos do
solo e fatores abióticos de grande relevância, como as características físicas do solo, a
sazonalidade pluviométrica, a acidez dos solos e os aportes atmosféricos, além do tipo de
cobertura vegetal, podem interferir na dinâmica dos nutrientes na solução do solo. A
disponibilização de diversos elementos químicos, essenciais ao desenvolvimento vegetal, está
relacionada aos valores de pH, tornando esse parâmetro um importante indicador das condições
químicas do solo (Brandão; Lima, 2002).

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Águas Subterrâneas em Foco: Pesquisas, Desafios e Soluções.

4.3 RESULTADOS E DISCUSSÕES

4.3.1 pH na solução do solo

Na Figura 4-2 pode-se verificar os valores de pH da solução do solo, nas duas


profundidades analisadas 30 e 60 cm, na área de campo (pastagem) e na área plantada com
Pinus taeda L., assim como os volumes em milímetros observados para precipitação
pluviométrica.
Durante o período estudado, no mês de setembro para a profundidade de 60 cm no Pinus,
assim como no mês de outubro, nas duas profundidades, não houve amostra suficiente de
solução do solo para ser realizada a medição do pH.
Brandão e Lima (2002) analisaram o comportamento do pH em amostras de solução do
solo, coletadas a 15, 30, 80, 120 e 200 centímetros de profundidade em áreas de Cerrado e de
plantios de Pinus, assim como amostras de água da chuva coletada nas duas áreas. Nas duas
áreas, o pH apresentou um aumento nos valores, com o aumento da profundidade do solo. Em
média, no Pinus, o pH foi de 4,4, e na área de Cerrado de 5,0. Os autores atribuem a maior
acidez nas áreas de Pinus, à presença da serapilheira, produzida pela floresta, que durante sua
decomposição produz compostos orgânicos, responsáveis pela acidificação do solo sob esse
tipo de vegetação, fato este, não observado no presente estudo.
De forma semelhante, foi verificado um aumento no valor do pH com o aumento da
profundidade, porém os valores de pH no povoamento de Pinus foram superiores aos
observados na área de campo, diferindo do estudo anteriormente citado. Esse comportamento
pode estar relacionado com o constante aporte de elementos químicos originados no oceano. A
névoa deposita os elementos nas copas das árvores, sendo posteriormente carreados pela chuva
até o solo.

Figura [Link] de pH observados na solução do solo a 30 e 60 cm na área de campo (C) e com Pinus taeda L.
(P), no período de novembro de 2006 a agosto de 2010, em Cambará do Sul, RS, Brasil.

Fonte: Elaborado pelos autores.


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Águas Subterrâneas em Foco: Pesquisas, Desafios e Soluções.

No período estudado, no Pinus, nos meses de julho, agosto e setembro, na profundidade


de 30 cm, foram observados valores menores do que na profundidade de 60 cm, esse fato pode
estar relacionado com a diminuição na concentração de elementos como o sódio e o cálcio
(Tabela 1). Brady (1989) relacionou os baixos valores de pH com a diminuição da concentração
de cálcio e magnésio e o aumento na contração de alumínio, assim como com a fixação do
fósforo e a deficiência de micronutrientes.
Valores de pH abaixo de 4,5 podem estar relacionados a dissolução de elementos como o
ferro, alumínio e manganês, podendo aumentar suas concentrações a níveis intoleráveis pelas
plantas. Ao contrário, quando o pH apresenta valores superiores a 8,0, ocorre a diminuição na
capacidade de assimilação pelas plantas, interferindo no seu desenvolvimento (Brady, 1989).
Calil (2008) avaliou o pH da solução do solo em duas profundidades distintas, 30 cm e
60 cm, em uma área de pastagem e eucalipto. Com o aumento da pluviosidade ocorreu a
diluição da solução do solo, diminuindo o pH na área de pastagem, e na floresta foi observado
o comportamento inverso.
O comportamento diferenciado da solução do solo na floresta é causado pela lavagem e
carreamento de nutrientes, e outras substâncias depositadas nas copas, por meio da precipitação
interna. Na área de pastagem, as águas das chuvas têm o incremento de íons provenientes do
material particulado em suspensão no ar, podendo ter origens principalmente de queimadas
realizadas neste ecossistema.
A maior concentração de amônia, potássio e outros elementos no povoamento do plantio
de Pinus, oriunda especialmente do efeito da lavagem das copas das árvores, pode explicar a
elevação do pH da solução do solo, em relação à pastagem, atuando como um íon neutralizador
de ânions como nitrato, sulfato e cloretos, juntamente com o sódio, potássio, cálcio e magnésio.
O efeito de neutralização da amônia pode ser comprovado através do estudo de Leal et al.
(2004), que avaliando o pH e composição iônica das precipitações no centro de São Paulo, SP,
verificaram que a quantidade média de amônia presente na água das chuvas era de 8,4 kg ha-1
ano-1, e que a mesma era a principal forma de neutralização de ânions.

4.3.2 Concentração de íons na solução do solo

De acordo com os dados da Tabela 4-1, no povoamento de Pinus taeda L., a ordem de
grandeza, na concentração dos elementos presentes na solução do solo à profundidade de 30
cm foi: Cl > Na > Ca > S > Mg > K > Nitrato > Amônio > P; na profundidade de 60 cm houve
uma pequena alteração nessa ordem, ficando da seguinte forma: Ca > Cl > Na> S > K > Mg >
P > Nitrato > Amônio. Esta ordem na concentração de íons está diretamente associada às
entradas observadas na Água da Chuva, cuja ordem crescente foi a seguinte: Cl > Na > K > S >
Ca > N > Mg > P (Lopes, 2013).
Caldato (2011), em uma plantação de pinus, observou elevadas concentrações de íons,
principalmente de cátions básicos trocáveis e nitrogênio na forma de nitrato, em sua composição.
Em comparação com a pastagem, os valores na concentração dos elementos estudados foram
sempre superiores na solução do solo sob a plantação de pinus. Segundo a autora, a alta
quantidade de nitrogênio presente na serapilheira (219,7 Kg ha-1) foi a principal fonte de entrada
de nitrato na solução do solo sob o pinus.
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Águas Subterrâneas em Foco: Pesquisas, Desafios e Soluções.

De forma semelhante, Neu (2005) verificou que as frações inorgânicas do nitrogênio são
fortemente influenciadas pela precipitação e a vegetação. Com relação à vegetação, o mesmo
autor observou que os ecossistemas florestais apresentaram os maiores teores de nitrato
verificados especialmente logo após os eventos de chuva. Para o amônio e o nitrito, foi
observado que o pico de maior concentração coincide com o final do período chuvoso, quando
o solo apresentou o maior estoque de água, menor presença de oxigênio, e a atividade biológica
passa a ser anaeróbia, que está correlacionado com fatores físicos do solo e a topografia local.
Dentre os compostos de nitrogênio, a amônia apresenta-se como uma das mais
importantes fontes de nitrogênio presente na atmosfera emitida primordialmente de forma
biogênica, pois sua origem se dá pela decomposição da matéria orgânica, eliminação metabólica
(excretas de seres humanos e animais em geral) e através da agricultura intensiva e da queima
de biomassa vegetal (atividades agrícolas e queimadas) (Leal et al., 2004).
Souza (2006) estudando três tipologias florestais no litoral do Paraná observou, de
maneira geral, que o alumínio é o cátion predominante, sendo seguido por cálcio e sódio, os
quais se invertem em posição conforme a tipologia ou profundidade considerada. Com relação
aos ânions, o cloreto predomina seguido pelo nitrato.
Na área de pastagem, todos os íons analisados apresentaram valores de concentração
inferiores aos encontrados na solução do solo, sob o povoamento de Pinus taeda L.. Ainda na
área de pastagem, os acréscimos ou decréscimos ocorridos entre as duas profundidades foram
menores que no povoamento de pinus.
Assim como observado por Neu (2005), os diferentes tipos de vegetação apresentam
influência na predominância dos íons presentes na solução do solo. Áreas com a presença de
vegetação rasteira possuem como principal via de entrada de nutrientes a precipitação e a
deposição atmosférica, nas áreas com a presença da floresta observa-se além das entradas pela
precipitação e deposição atmosférica a contribuição da serapilheira, especialmente com o cálcio
e magnésio. O mesmo autor afirma que em ecossistemas sem cobertura vegetal, a principal
entrada de cálcio e magnésio no sistema solo é através do intemperismo de silicatos e
carbonatos, como a anortita, a calcita e a dolomita.
Considerando as diferenças nas concentrações entre as duas profundidades estudadas no
plantio de Pinus taeda L., cabe destacar elementos como cloro (-41%) na profundidade de 60
cm e o sódio (-14 %) na profundidade de 60 cm. Este comportamento da solução do solo pode
ser atribuído à ação da extensa malha de raízes finas presentes nos primeiros 30 cm do solo.
Conforme Lopes et al. (2010), na mesma área do presente estudo, foi verificada grande
ocupação dos primeiros 10 cm de profundidade do solo por raízes finas e muito finas, no Pinus
taeda com 32,3% e na pastagem 42,8%. A presença dessas raízes está diretamente ligada ao
processo de ciclagem, possibilitando a disponibilização de nutrientes e água às duas tipologias
vegetais em questão. Contribuindo a esta constatação, cabe destacar a capacidade de
acumulação do spray marinho e particulados, pelas copas das árvores, que posteriormente são
lavados pela chuva, diferenciando a composição química da solução do solo sob o povoamento
de pinus.

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Águas Subterrâneas em Foco: Pesquisas, Desafios e Soluções.

Tabela 4-1. Valores das concentrações médias mensais para a solução do solo no plantio de Pinus taeda L. e uma
área de campo nativo em Cambará do Sul, RS, Brasil.

Na K Ca
-1 -1
mg L mg L mg L-1
Mês
Pinus Pastagem Pinus Pastagem Pinus Pastagem
30 cm 60 cm 30 cm 60 cm 30 cm 60 cm 30 cm 60 cm 30 cm 60 cm 30 cm 60 cm
Jan 10,6 5,88 0,64 0,86 1,2 0,55 0,43 0,23 16,62 14,09 1,18 1,94
Fev 9,5 6,88 1,33 1,29 0,8 0,75 0,26 0,28 13,29 8,22 1,41 1,66
Mar 12,1 6,35 2,29 2,01 0,8 0,45 0,51 0,3 12,09 6,36 0,99 0,41
Abr 13 7,45 1,65 1,63 0,7 0,45 0,32 0,38 0,57 2,26 0,59 1
Mai 13,3 6,95 1,78 1,92 0,65 0,25 0,31 0,28 4,25 4,08 1,12 1,02
Jun 10,8 6,4 1,56 1,89 0,5 0,5 0,22 0,16 s.a. s.a. 1,25 0,86
Jul 6,11 4,8 1,07 1,13 0,55 0,27 0,37 0,22 9,24 10,83 1,33 0,82
Ago 3,49 7,48 1,1 1,28 0,8 1,45 0,27 0,37 2,37 13,62 0,8 0,54
Set 1,82 s.a. 0,92 1,2 0,17 s.a. 0,32 0,2 2,33 s.a. 0,81 0,96
Out s.a.1 s.a. 1,88 2,42 s.a. s.a. 0,34 0,34 s.a. s.a. 4,6 1,93
Nov 7,7 7,1 1,67 1,42 0,85 1,85 0,38 0,45 3,44 10,81 4,69 1,94
Dez 1,3 6,21 1,62 1,28 0,85 0,6 0,92 0,5 15,14 6,78 2,43 2,84
Média 8,16 6,55 1,46 1,53 0,72 0,71 0,39 0,31 7,93 8,56 1,77 1,33
Mg Amônio Nitrato
-1 -1
mg L mg L de N mg L-1 de N
Mês
Pinus Pastagem Pinus Pastagem Pinus Pastagem
30 cm 60 cm 30 cm 60 cm 30 cm 60 cm 30 cm 60 cm 30 cm 60 cm 30 cm 60 cm
Jan 0,92 0,76 0,29 0,43 0,03 0,03 0,06 0,11 n.d. n.d. 0,06 n.d.
Fev 0,81 0,61 0,35 0,47 0,05 0,08 0,13 0,11 0,65 n.d. 0,1 n.d.
Mar 1,02 0,54 0,17 0,14 0,06 0,07 0,03 0,01 n.d. 0,12 n.d. n.d.
Abr 0,99 0,5 0,18 0,27 0,02 0,01 n.d. 0,46 0,67 0,32 n.d. n.d.
Mai 0,88 0,41 0,36 0,3 0,5 0,41 0,39 0,15 0,46 0,09 0,05 n.d.
Jun 0,74 0,71 0,18 0,25 0,59 0,42 0,25 0,21 n.d. n.d. n.d. n.d.
Jul 0,5 0,36 0,33 0,33 0,35 0,62 0,02 0,2 n.d. n.d. n.d. n.d.
Ago 0,32 0,43 0,23 0,23 0,29 0,12 0,17 0,13 n.d. n.d. n.d. n.d.
Set 0,35 s.a. 0,36 0,45 0,51 s.a. 0,2 0,08 n.d. s.a. n.d. n.d.
Out s.a. s.a. 0,63 0,63 s.a. s.a. 0,16 0,2 s.a. s.a. 0,12 n.d.
Nov 0,76 0,35 0,44 0,5 n.d. n.d. 0,32 0,11 1,13 n.d. n.d. n.d.
Dez 1,37 0,61 0,47 0,52 0,05 0,14 0,02 0,09 0,67 0,39 n.d. n.d.
Média 0,79 0,53 0,33 0,38 0,24 0,21 0,16 0,15 0,71 0,23 0,08 n.d.
P S Cl
-1 -1
mg L mg L mg L-1
Mês
Pinus Pastagem Pinus Pastagem Pinus Pastagem
30 cm 60 cm 30 cm 60 cm 30 cm 60 cm 30 cm 60 cm 30 cm 60 cm 30 cm 60 cm
Jan n.d. 0,48 0,01 0,1 6,7 3,69 0,34 0,44 12,44 2,82 0,54 0,67
Fev n.d. n.d. 0,08 0,11 3,73 3,79 0,39 0,45 15,28 11,32 0,63 0,82
Mar n.d. n.d. n.d. n.d. 4,43 3,39 0,5 0,6 18,84 10,04 0,74 1,19
Abr n.d. n.d. n.d. n.d. 4,64 3,56 0,37 0,42 24,97 12,41 0,74 0,99
Mai n.d. n.d. n.d. n.d. 4,26 3,42 0,4 0,56 23,84 12,44 0,8 1,05
Jun n.d. n.d. n.d. n.d. 3,39 4,17 0,38 0,53 14,96 5,38 0,95 1,33
Jul n.d. n.d. n.d. n.d. 4,82 4,12 0,25 0,51 14,91 5,86 0,9 1,39
Ago n.d. n.d. n.d. n.d. 3,61 4,84 0,36 0,48 11,93 11,9 1,2 1,87
Set n.d. s.a. n.d. n.d. 2,06 s.a. 0,43 0,63 3,43 s.a. 1,22 1,52
Out s.a. s.a. 0,09 0,09 s.a. s.a. 0,99 0,68 s.a. s.a. 4,83 2,42
Nov 0,08 n.d. 0,1 0,09 1,92 7,58 0,6 0,57 6,36 4,86 1,29 1,33
Dez n.d. n.d. 0,09 0,1 2,01 7,67 0,52 0,58 13,5 8,43 1,08 1,19
Média 0,08 0,48 0,07 0,1 3,78 4,62 0,46 0,54 14,59 8,54 1,24 1,31
Fonte: Elaborado pelos autores.

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Águas Subterrâneas em Foco: Pesquisas, Desafios e Soluções.

Neu (2005) observou uma correlação entre o cloro e a precipitação, analisando picos de
concentrações significativamente maiores no início do período chuvoso, com declínio no
decorrer do período, caracterizando como principal via de entrada a precipitação pela
reciclagem de sais marinhos na atmosfera. Outro aspecto verificado pelo autor foi a presença
de significativas concentrações a grandes profundidades, fato atribuído à facilidade com que
este é lixiviado.
Acredita-se que as consideráveis concentrações de enxofre presentes na solução do solo
podem ser explicadas pelas entradas por meio da precipitação, refletindo as emissões terrestres
pela presença de indústrias, por exemplo, este nutriente, após ser depositado na copa das árvores,
é lixiviado até o solo. Segundo Cargil (1998), o dióxido de enxofre e outros gases da atmosfera,
dissolvidos na água da chuva, podem chegar a contribuir com um aporte de 22 kg de S ha-1 ano-
1
ao solo.
Mesmo o potássio sendo aportado em grandes quantidades pela água da chuva, não foram
observadas concentrações elevadas na solução do solo. Isso evidencia o intenso processo de
ciclagem biogeoquímica que ocorre com esse elemento. Assim que chega à solução do solo ou
até mesmo antes de chegar ao solo, ainda na camada de serapilheira (Lopes, 2009) o potássio é
interceptado pela grande malha de raízes finas e volta a ser incorporado à planta.
O processo de lavagem das acículas é considerado como a segunda via de aporte de
nutrientes no interior de povoamentos de pinus, pois por meio desta, ocorre uma aceleração na
ciclagem de nutrientes principalmente de magnésio (Lima, 1979), assim como do potássio.
Schumacher et al. (2011) também verificaram a importância da água da chuva como
principal fonte de entrada no solo de uma Floresta Estacional Subtropical de Encosta,
principalmente para os seguintes elementos: K > Na > Ca > Mg. É importante ressaltar a
dinâmica de atuação do sistema radicular nos primeiros 30 cm do solo, com a absorção de bases
como K+, Ca2+ e Mg2+. No caso do magnésio, por exemplo, verificou-se uma diminuição de
33% na concentração deste elemento dos 30 cm para os 60 cm de profundidade do solo.

4.4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os valores de pH foram superiores na solução do solo sob o povoamento de Pinus taeda


L. em relação a área com pastagem. Na área de pastagem, o pH não se alterou, mantendo o
mesmo valor para as duas profundidades de amostragem. Na área do povoamento de Pinus
taeda L., foi verificado um aumento no valor do pH com o aumento na profundidade do solo.
O efeito do tipo de vegetação interfere de forma decisiva nas concentrações dos elementos
presentes na solução do solo. A solução do solo, sob a plantação de Pinus taeda L., apresenta
elevada concentração, principalmente dos elementos cloro, sódio, cálcio e enxofre. A
concentração de elementos na solução do solo, sob a plantação de Pinus taeda L., apresenta
valores superiores aos verificados na solução do solo sob a área de pastagem. Na área de
pastagem, a concentração de íons, entre as profundidades de 30 e 60 cm, apresentou variação
muito pequena. A concentração de íons apresentou alterações entre as profundidades de 30 e 60
cm para a área com Pinus taeda, essencialmente para os elementos cloro, sódio e potássio.

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Águas Subterrâneas em Foco: Pesquisas, Desafios e Soluções.

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