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Alois Riegl: Teoria da Arte e Patrimônio

Slide sobre teórico Alois Riegl, para a matéria de técnicas retrospectivas: Estudos e preservação de bens culturais.

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Alois Riegl

1858 -1905

Arquitetura e Urbanismo - 2025.2


Técnicas retrospectivas / Orientador: João Batista
Alunas: Fabíola Cruz, Giovanna Gomes, Joana Cabral e Myllena Vieira / Período: 9º / Turno: Noite
Quem foi Alois Riegl?
(1858-1905) Austríaco, Historiador da arte,
escritor, filósofo, pedagogo, professor
titular, estético, professor universitário

Figura central da Escola de Viena de


História da Arte, que buscava um método
mais científico e objetivo para a
disciplina.
​Considerado um dos fundadores da
história da arte com um campo acadêmico
rigoroso.
​Pioneiro na teoria da conservação e
preservação de monumentos.

Obras Principais:
Problemas de Estilo: Fundamentos da
História da Ornamentação (1893).
Indústria Artística Tardia Romana (1901).
O Culto Moderno aos Monumentos (1903).
Técnicas retrospectivas

Estudos sobre
Ornamentação
Em Problemas de Estilo: Fundamentos da
01 História da Ornamentação (1893), Riegl
estudou a evolução das formas ornamentais
desde a Antiguidade até a arte islâmica e
moderna.

Mostrou que ornamentos não eram meros


02 enfeites, mas expressões da "vontade
artística" de cada cultura.

Mausoleum of Nuriddin Basir, Uzbequistão


Técnicas retrospectivas

História da Percepção
Visual
Em Indústria Artística Tardia Romana
01 (1901), Riegl defendeu que a arte tardo-
romana não era "degenerada" em relação ao
classicismo, mas sim expressão de um novo
modo de ver: mais simbólico e espiritual
do que naturalista.

Introduziu a noção de que a percepção


02 visual muda ao longo da história.
conceitos - chave
Spätantike (Antiguidade Tardia)
Período Histórico: Séculos III a VI d.C. Corresponde à fase de
transição entre a cultura clássica greco-romana e a formação da
Europa medieval.
Uma Nova Perspectiva: Em vez de ser vista como uma
"decadência" da perfeição clássica, a arte tardia é
reconhecida hoje como um sistema estético autônomo, Catacumba de Priscila
com seus próprios objetivos e valores.
A Mudança do Kunstwollen (Vontade Artística): O conceito
explica a mudança de foco do período: o ideal de beleza não era
mais o naturalismo e a imitação fiel da realidade, mas a
expressão do transcendente, do espiritual e do simbólico.
conceitos - chave
Características do estilo:

Composição Hierárquica e Frontal: As figuras mais


importantes são maiores e posicionadas no centro,
olhando diretamente para o espectador, reforçando a
clareza e a autoridade da imagem.
Estilo Planar e Decorativo: O espaço tridimensional dá lugar Mosaicos da Basílica de Santa Constança
a fundos chapados e a um forte senso de padrão e decoração.
Simbolismo sobre Realismo: A principal função da arte
se torna comunicar uma verdade espiritual ou uma
narrativa sagrada de forma clara e direta, abandonando a
preocupação com a ilusão de profundidade.
Importância e Legado: Esta nova estética foi fundamental
para o desenvolvimento da iconografia cristã e serviu como
base para toda a produção artística do Império
Bizantino e da Idade Média ocidental.
Riegl e o Patrimônio Cultural Técnicas retrospectivas

Em 1903, escreveu o célebre “Der moderne Denkmalkultus, sein Wesen


und seine Entstehung” (O Culto Moderno aos Monumentos, seu caráter
e sua origem) sendo considerado fundador da teoria moderna da
conservação do patrimônio.

Tipos de valores atribuídos a monumentos (segundo Riegl):

Valores de memória:
01 Valor de antiguidade (respeito pela pátina do tempo). Museu de História da Arte de Viena
Valor histórico (testemunho de um momento específico).
Valor de rememoração intencional (quando se constrói algo já
pensando em servir de lembrança).

Valores de uso contemporâneo:


02 Valor de uso (ainda útil para a sociedade).
Valor de novidade (apreciação estética ligada ao gosto atual).
Valor artístico (apreciação estética em si).

Essa classificação foi revolucionária, pois reconheceu que os monumentos podem ter
múltiplos valores e que a conservação deve equilibrar esses aspectos. Karlskirche (Igreja de São Carlos), Áustria
Técnicas retrospectivas

Teoria da "Kunstwollen" Igreja de Santo Inácio de Loyola, Itália

(Vontade de Arte)

Um dos conceitos centrais de Riegl.


Ele afirmava que cada época possui uma “vontade
artística” própria, uma espécie de impulso coletivo
que determina como as formas artísticas são criadas
e percebidas.
Essa ideia rompeu com a noção de que a arte evolui
linearmente em busca de perfeição.
Exemplo: o Egito, a Idade Média ou o Barroco têm
cada um sua lógica estética, igualmente válidas, não
devendo ser julgados apenas pelo padrão
clássico/renascentista.
Técnicas retrospectivas

O papel do Kunstwollen
O conceito
no projeto científico de Kunstwollen (frequentemente traduzido
“vontade de arte”) é o mecanismo explicativo que
Riegl propõe: não é uma força mística, mas uma
forma teórica para dizer que cada época tem um
conjunto de intenções formais, valores visuais e
prioridades perceptivas que condicionam o que
é criado. No nível metodológico, Kunstwollen
funciona como hipótese explanatória: quando se
observa uma convergência formal em contextos
distintos, a investigação deve considerar que
existe uma coerência intencional/epistêmica
própria daquela época, isto permite formular leis
históricas possíveis de discutir criticamente.
Técnicas retrospectivas

O que Riegl quis dizer com


“científica”
Riegl propunha que a história da arte não devia ser apenas juízo de
gosto, biografia de “gênios” ou cronologia de estilos julgados pela
estética clássica. Para ele, era possível tratar a arte como objeto de
investigação sistemática: identificar regularidades, leis formais e
sequências históricas através da observação comparativa e da
construção de tipologias, ou seja, transformar o material artístico em
evidência histórica que permite generalizações controladas. Essa
ambição é central à sua posição como um dos fundadores da
O Doríforo, de Policleto disciplina moderna da história da arte.
Métodos e procedimentos
como ele “cientificou” o estudo da arte

Descrição formal rigorosa (análise morfológica): atenção obsessiva às formas, contornos, ritmos, proporções e
articulações, antes de inferir causas externas. Ele trabalhava como quem descreve um organismo, esperando que a
morfologia revele processos históricos.
Comparativismo empírico e sequência genética: Riegl seguia motivos/ornamentos através de grandes saltos
geográficos e cronológicos (ex.: da arte egípcia às arabescas islâmicas) para construir “linhas de desenvolvimento” em vez
de explicar tudo por contiguidade técnica ou deriva local. Esse rastreamento de “linhas formais” é método empírico,
colecionar exemplos, comparar, propor continuidade.
Tipologia e “gramática histórica”: ele tentou formular regras e categorias (uma espécie de gramática das artes visuais)
que permitissem classificar e datar obras com base em traços formais recorrentes, daí o projeto incompleto da sua
"Gramática histórica das artes visuais" (manuscrito póstumo de Alois Riegl)
Uso do museu como laboratório: ocupando cargos em museus de artes aplicadas, Riegl teve acesso direto a coleções
(tecidos, cerâmicas, metais) e tratou esses objetos “menores” como dados centrais, daí sua defesa de que as artes
decorativas são tão legítimas para a investigação histórica quanto a pintura elevada. O estudo de objetos de coleção
funcionava para ele como experimento observacional em larga escala.
Interseção com filosofia/percepção: Riegl busca não só descrever formas, mas entender como modos de ver e intenções
coletivas moldam as formas (“Kunstwollen” como princípio interpretativo). Essa ligação a debates epistemológicos e à
psicologia da visão dá um caráter teórico ao seu método empírico.
Técnicas retrospectivas

Consequências Problemas de estilo: Fundamentos de uma história da ornamentação, 1893


Igreja de Santo Inácio de Loyola, Itália

disciplinares e práticas
Valorização das artes aplicadas: ao tratar
ornamentos, tecidos e objetos decorativos como
dados centrais, Riegl quebrou a hierarquia que excluía
esses objetos da história “séria” da arte. Isso ampliou o
corpus investigável.

Fundação teórica para conservação: a visão


sistemática de valores históricos e o reconhecimento
de múltiplos critérios de valoração (memória x valor
presente) foram decisivos para a teoria da preservação
de bens culturais.
Técnicas retrospectivas
um dos teóricos mais importantes da
História da Arte e da Conservação

Legado
Alois Riegl
Considerado um dos pais da História da Arte moderna.
Fundador da teoria de conservação que depois
influenciou documentos como a Carta de Veneza (1964).
Inspirou pensadores como Panofsky e Gombrich, além
de museólogos e restauradores.
Sua visão relativista e contextual da arte abriu caminho
para valorizar estilos antes desprezados (medieval,
islâmico, popular).

Valores do
Vontade de Arte Ornamentação
Patrimônio
Referências
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Imagens:
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Técnicas retrospectivas

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