0% acharam este documento útil (0 voto)
6 visualizações108 páginas

Velocidade de Chamas em Duto Fechado

Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
6 visualizações108 páginas

Velocidade de Chamas em Duto Fechado

Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO

UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL


PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA MECÂNICA

ESTUDO EXPERIMENTAL DA VELOCIDADE DE PROPAGAÇÃO DE CHAMAS EM


UM DUTO FECHADO

por

Rafael Quines da Silva

Dissertação para obtenção do Título de


Mestre em Engenharia

Porto Alegre, Maio de 2021


ESTUDO EXPERIMENTAL DA VELOCIDADE DE PROPAGAÇÃO DE CHAMAS EM
UM DUTO FECHADO

por

Rafael Quines da Silva


Engenheiro Mecânico e de Segurança do Trabalho

Dissertação submetida ao Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica, da Escola de


Engenharia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, como parte dos requisitos
necessários para a obtenção do Título de

Mestre em Engenharia

Área de Concentração: Energia

Orientador: Prof. Dr. Andrés Mendiburu Zevallos

Aprovada por:

Prof. Dr. Christian Jeremi Coronado Rodríguez – UNIFEI


Prof. Dr. Felipe Roman Centeno – PROMEC / UFRGS
Prof. Dr. Alexandre Vagtinski de Paula – DEMEC / UFRGS

Prof. Dr. Fernando Marcelo Pereira


Coordenador do PROMEC

Porto Alegre, 20 de Maio de 2021


ii
“Aquilo que persistimos em fazer torna-se
mais fácil de realizar; não que a natureza da
tarefa mude, mas nossa capacidade
aumenta.”

Ralph Waldo Emerson

iii
AGRADECIMENTOS

Agradeço ao Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica (PROMEC) da


Universidade Federal do Rio Grande do Sul pela oportunidade e pelo ensino de qualidade.

Agradeço ao CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico)


por apoiar esta dissertação através do Projeto 423369/2018-0 e à FAPERGS (Fundação de
Apoio à Pesquisa do Estado de Rio Grande do Sul) por apoiar esta dissertação através do Projeto
21/2551-0000677-3.

Agradeço ao meu orientador, Prof. Dr. Andrés Armando Mendiburu Zevallos, pelos
ensinamentos, compreensão e generosidade em sempre estar disposto a transmitir os
conhecimentos necessários para a elaboração desta dissertação. A sua ajuda foi fundamental
para concluir este trabalho.

Agradeço os meus amigos dos Laboratórios de Combustão, Hidropneumática, LETA e


LIFE, especialmente a Henrique, Batista e Carlos. A ajuda de vocês foi muito importante para
a montagem da bancada experimental.

Agradeço aos bolsistas de iniciação científica Rafael e Marcos, que contribuíram


comigo para o projeto de alguns componentes essenciais para o funcionamento da bancada
experimental e na realização dos testes experimentais.

Agradeço ao meu caro amigo Eng. Manuel Nzinga pelo apoio, ajuda e paciência em
transmitir os conhecimentos da área de energia e principalmente cinética química. Sua ajuda
foi extremamente importante pois me ajudou a elucidar melhor os fenômenos envolvidos nos
processos de combustão.

Agradeço em especial à minha querida esposa Fernanda Belmonte, por todo seu carinho,
amor e dedicação com nossos filhos Maria Eduarda e João Pedro no momento em que estive
neste curso, assim como o apoio incondicional em toda nossa jornada juntos. Sei que vocês
precisaram ter muita paciência comigo durante este curso, afinal foram horas de estudo
dedicadas em prol deste projeto. Muito obrigado, amo vocês com toda fibra do meu ser.

Agradeço à Deus e ao Meu Salvador, sim, Jesus Cristo que sempre estiveram ao meu
lado, mesmo diante das dificuldades pude sentir o consolo, ajuda e amor nesta jornada.
iv
RESUMO

O desenvolvimento socioeconômico do mundo está intimamente relacionado com a demanda


energética. Nesse sentido, a ciência da combustão vem desempenhando um papel
preponderante no desenvolvimento de novas tecnologias. A propagação de uma chama pode
ser classificada em deflagrações (Ma<1) e detonações (Ma>1). Este trabalho descreve o estudo
experimental da propagação de chamas pré-misturadas envolvendo deflagrações de misturas de
gás natural, hidrogênio e hélio, observando o efeito do número de Lewis e do número de
Zeldovich na velocidade de propagação das chamas. Com esse intuito, foi construída uma
bancada experimental a fim de realizar os testes para obter a velocidade de propagação da
chama ao longo de um duto fechado. Assim também, os resultados experimentais foram
comparados com um modelo analítico disponível na literatura. Portanto, foi verificado que o
modelo de Valiev et al., 2013 apresentou uma acurácia aceitável para alguns casos, quando
comparado com dados experimentais. Entretanto, foram observados casos em que o modelo
teve uma acurácia extremamente baixa, apresentando erros relativos da ordem de 100% para
misturas com a diluição de hélio. O modelo utiliza como um dos dados de entrada a distância
adimensional teórica no duto. Devido ao pobre desempenho do modelo para as misturas com a
adição de hélio, os cálculos foram repetidos utilizando a distância adimensional experimental,
em vez da distância experimental calculada, de acordo as misturas estudadas neste trabalho.
Desse modo, após a alterações realizadas, os resultados calculados da velocidade de propagação
apresentaram uma melhor acurácia comparadas as velocidades de propagação calculadas pelo
modelo de Valiev et al., 2013, principalmente em se tratando de misturas diluídas com hélio.
Em relação aos números adimensionais observou-se que a velocidade de propagação das
misturas estudadas aumenta quando 𝐿𝑒 < 1 e 𝑍𝑒 for próximo a 7, enquanto para 𝐿𝑒 > 1, 𝑍𝑒 <
7 ou 𝑍𝑒 > 7 as velocidades de propagação da chama tendem a diminuir.

Palavras-chave: Chama; Combustão; Velocidade; Bancada; Propagação.

v
ABSTRACT

The socioeconomic development of the world is closely related to energy demand. In this sense,
the science of combustion has been playing a leading role in the development of new
technologies. The flame propagation can be classified into deflagrations (Ma<1), and
detonations (Ma>1). This work describes the experimental study of flame propagation pre-
mixed involving deflagrations of mixtures of natural gas, hydrogen and helium, observing the
effect of the Lewis number and the Zeldovich number on the flame propagation. For this
purpose, an experimental bench was built in order to carry out tests to obtain the flame
propagation speed along a closed duct. Also, the experimental results were compared with an
analytical model available in the literature. Therefore, it was verified that the Valiev et al., 2013
showed acceptable accuracy for some cases, when compared with experimental data. However,
cases were observed in which the model had an extremely low accuracy, presenting relative
errors of the order of 100% for mixtures with helium dilution. The model uses as one of the
input data the theoretical dimensionless distance in the duct. Due to the poor performance of
the model for the mixtures with the addition of helium, the calculations were repeated using the
dimensionless experimental distance, instead of the calculated experimental distance, according
to the mixtures studied in this work. Thus, after the changes made, the results calculated for the
propagation velocity showed better accuracy compared to the propagation velocities calculated
by the propagation model. Valiev et al., 2013, especially in the case of mixtures diluted with
helium. Regarding the dimensionless numbers, it was observed that the propagation speed of
the studied mixtures increases when 𝐿𝑒 < 1 and 𝑍𝑒 is close to 7, while for 𝐿𝑒 > 1, 𝑍𝑒 < 7 or
𝑍𝑒 > 7 flame propagation speeds tend to decrease.

Keywords: Flame; Combustion; Velocity; Bench; Flame Propagation.

vi
ÍNDICE

1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 1
1.1 Motivação ................................................................................................................... 1
1.2 Estado da Arte ............................................................................................................ 3
1.3 Objetivos do trabalho ................................................................................................. 7
1.3.1 Objetivo geral ............................................................................................................. 7
1.3.2 Objetivos específicos .................................................................................................. 7
1.4 Organização do Trabalho............................................................................................ 8
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ........................................................................... 9
2.1 Fenômeno de inversão de chama em dutos ................................................................ 9
2.2 Observação da aceleração de chamas pré-misturadas em dutos fechados ............... 13
2.3 Efeito da razão de equivalência sobre a velocidade e aceleração de chamas ........... 17
2.4 Efeito da pressão inicial na aceleração da chama ..................................................... 20
2.5 Efeito do enriquecimento com hidrogênio ............................................................... 22
2.6 Teoria disponível na literatura .................................................................................. 23
2.6.1 Modelo analítico para previsão da velocidade de propagação da frente de chama .. 23
2.7 Efeito do número de Lewis na propagação da chama .............................................. 26
2.8 Efeito do número de Zeldovich na propagação da chama ........................................ 27
3 MATERIAIS E MÉTODOS .................................................................................. 30
3.1 Bancada experimental da propagação de chamas..................................................... 30
3.1.1 Duto de propagação .................................................................................................. 30
3.1.2 Câmara de Mistura.................................................................................................... 31
3.1.3 Sistema de Aquisição de Dados ............................................................................... 34
3.2 Procedimento experimental ...................................................................................... 35
3.2.1 Preparação da mistura na câmara de mistura............................................................ 35
3.2.2 Transferência da mistura para o duto e teste de propagação .................................... 36
3.3 Determinação da velocidade de propagação da chama ............................................ 38
3.4 Validação com o modelo teórico disponível ............................................................ 41
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES ......................................................................... 43
4.1 Velocidade de propagação da chama experimental .................................................. 43

vii
4.2 Comparação entre os valores da velocidade de propagação da chama experimental e
teórica....................................................................................................................................... 56
5 CONCLUSÕES....................................................................................................... 66
5.1 Resultados experimentais da velocidade de propagação da chama .......................... 66
5.2 Comparação entre os resultados experimentais e o modelo disponível na literatura67
5.3 Número de Lewis e Zeldovich.................................................................................. 67
5.4 Sugestões para trabalhos futuros .............................................................................. 70
REFERÊNCIAS ..................................................................................................................... 71
APÊNDICE A – Artigos Publicados Sobre Propagação de Chamas em Dutos ................ 73
APÊNDICE B – Passo a Passo do Funcionamento da Bancada Experimental ................ 75
APÊNDICE C – Resultados da Propagação da Frente de Chamas para Algumas
Misturas...................................................................................................................................77
APÊNDICE D – Planilha de Preparação de Misturas ........................................................ 81
ANEXO I – Certificados de Calibração dos Transdutores ................................................ 82
ANEXO II – Certificado de Calibração Bomba de Vácuo ................................................. 90
ANEXO III – Informações Câmera Phantom V411 ........................................................... 91

viii
LISTA DE FIGURAS

Figura 2.1 Imagens Schlieren da formação da chama tulipa.......................................10


Figura 2.2 Fases da formação da chama tulipa e tulipa distorcida...............................12
Figura 2.3 Geometria de uma chama acelerando em forma de dedo...........................14
Figura 2.4 Resultados experimentais da velocidade de propagação de chama de
misturas estequiométricas de etanol e ar....................................................16
Figura 2.5 Estrutura assintótica da chama...................................................................28
Figura 3.1 Esquema da bancada experimental............................................................31
Figura 3.2 Duto de propagação...................................................................................32
Figura 3.3 Câmara de mistura.....................................................................................33
Figura 3.4 Procedimento experimental.......................................................................36
Figura 3.5 Determinação da velocidade de propagação de chama passo a passo no
software Tracker versão 6.0.2....................................................................39
Figura 3.6 Referência sobre a distância da fonte de ignição........................................39
Figura 4.1 Imagens representativas da propagação da frente da chama para mistura
GN + ar (Mix 6) .........................................................................................45
Figura 4.2 Imagens representativas da propagação da frente da chama para mistura
[75% GN + 25% H2] + ar (Mix 2) .............................................................46
Figura 4.3 Imagens representativas da propagação da frente da chama para mistura
[50% GN + 50% H2] + ar (Mix 1) .............................................................47
Figura 4.4 Velocidade de propagação de [50% GN + 50% H2 ] + ar (Mix 1) ..............49
Figura 4.5 Análise da aceleração de chama das misturas de (a) GN + ar (Mix 6), (b)
[75%GN + 25%H2] + ar (Mix 2), (c) [75%GN + 25%H2] + 10%He + ar
(Mix 4) e (d) GN + 10%He + ar (Mix 8) ....................................................50
Figura 4.6 Análise da aceleração de chama das misturas de (a) [50%GN + 50%H2] +
ar (Mix 1), (b) [15%GN + 85%H2] + 30%He + ar (Mix 5), (c) [15%GN +
85%H2] + 20%He + ar (Mix 3) e (d) [90%GN + 10%H2] + 10%He + ar
(Mix 7).......................................................................................................51
Figura 4.7 Velocidade máxima de propagação em função de Le e Ze.........................55

ix
Figura 4.8 Resultados experimentais e calculados pelo modelo de Valiev et al., 2013
de aceleração de chama para misturas com hélio (A), misturas sem hélio
(B) e todas as misturas estudadas (C).........................................................61
Figura 4.9 Análise da aceleração de chama das misturas de (a) GN + ar (Mix 6), (b)
[75%GN + 25%H2] + ar (Mix 2), (c) [75%GN + 25%H2] + 10%He + ar
(Mix 4) e (d) GN + 10%He + ar (Mix 8) pelo modelo de Valiev et al., 2013
calculado com 𝜉𝑡𝑖𝑝 𝑒𝑥𝑝.............................................................................63
Figura 4.10 Análise da aceleração de chama das misturas de (a) [50%GN + 50%H2] +
ar (Mix 1), (b) [15%GN + 85%H2] + 30%He + ar (Mix 5), (c) [15%GN +
85%H2] + 20%He + ar (Mix 3) e (d) [90%GN + 10%H2] + 10%He + ar
(Mix 7) pelo modelo de Valiev et al., 2013 calculado com 𝜉𝑡𝑖𝑝 𝑒𝑥𝑝..........64
Figura D.0.1 Planilha preparação de mistura dos testes experimentais...........................81

x
LISTA DE TABELAS

Tabela 2.1 Efeito da razão de equivalência na propagação de chamas............................20


Tabela 2.2 Efeito da pressão inicial na propagação de chamas........................................21
Tabela 2.3 Efeito do enriquecimento com hidrogênio na propagação de chamas...........23
Tabela 3.1 Misturas estudadas........................................................................................34
Tabela 3.2 Determinação do intervalo da distância (∆x) e do tempo (∆t) de propagação
da frente de chama de diferentes misturas na Janela 1...................................40
Tabela 3.3 Valores adimensionais da velocidade de propagação da chama/velocidade da
chama laminar e distância percorrida pela chama/diâmetro hidráulico do
duto................................................................................................................41
Tabela 4.1 Relação do Número de Lewis e Zeldovich para as Velocidades Máximas de
Propagação das chamas.................................................................................54
Tabela 4.2 Comparativo entre as velocidades máximas experimentais e velocidades
máximas calculadas pelo modelo de Valiev et al., 2013...............................58
Tabela 4.3 Comparativo entre as velocidades máximas experimentais e velocidades
máximas calculadas pelo modelo de Valiev et al., 2013 calculado com
𝜉𝑡𝑖𝑝 𝑒𝑥𝑝 ...........................................................................................................60
Tabela A.1 Relação de artigos publicados sobre propagação de chamas em dutos.........73
Tabela C.1 Imagens representativas da propagação da frente da chama para mistura [90%
GN + 10% H2] + 10% He + ar........................................................................77
Tabela C.2 Imagens representativas da propagação da frente da chama para mistura GN
+ 10% He + ar................................................................................................79

xi
LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS

DDT Deflagration to Detonation Transition


DEMEC Departamento de Engenharia Mecânica da UFRGS
GN Gás Natural
LC Laboratório de Combustão
LETA Laboratório de Ensaios Térmicos e Aerodinâmicos
LIFE Laboratório de Inovação e Fabricação Digital da Escola de Engenharia
PROMEC Programa de Pós-Graduação em Engenharia Mecânica
PU Poliuretano
TP Transdutor de Pressão
UFRGS Universidade Federal do Rio Grande do Sul
USB Universal Serial Bus

xii
LISTA DE SÍMBOLOS

Símbolos Latinos

Ma Número de Mach
AR Razão de Aspecto
ºC Grau Celsius
m Metros
cm Centímetros
mm Milímetros
kPa Quilo Pascal
Dh Diâmetro Hidráulico do Duto
L Comprimento do Duto
s Segundos
ms Mili Segundos
𝑉𝑚á𝑥 Velocidade máxima da chama
𝐷𝐴𝐵 Difusividade de massa
𝐸𝑎 Energia de ativação
𝑅 Constante universal dos gases
𝑈 Velocidade máxima da ponta da chama
𝑆𝐿 Velocidade de chama laminar
𝐶𝑠,0 Velocidade do som dos reagentes
𝐿𝑒 Número de Lewis
𝑍𝑒 Número de Zeldovich
𝑇𝑏 Temperatura do gás queimado
𝑇𝑢 Temperatura do gás não queimado
ℓ°𝑅 Espessura da região de ativação da reação
ℓ°𝐷 Espessura da região de transporte
𝑓° Fluxo de massa
𝑇𝑎 Temperatura de chama adiabática
𝑉𝑒𝑥𝑝 Velocidade de propagação experimental
𝑉𝑐𝑎𝑙𝑐 Velocidade de propagação calculada

xiii
𝑉/𝑆𝐿 Velocidade de propagação de chama/velocidade de chama laminar
adimensional
𝑥/𝐷ℎ Distância percorrida pela chama/diâmetro hidráulico do duto adimensional
𝑉𝑡𝑖𝑝 𝑚𝑎𝑥 Velocidade máxima de propagação da ponta da chama

Símbolos Gregos

ϕ Razão de equivalência
𝛩 Coeficiente de expansão dos gases
𝜉 Coordenada axial adimensional
𝜏𝑤 Tempo em que a chama toca as paredes laterais
𝛾 Capacidades caloríficas
𝜌𝑢 Densidade do gás não queimado
𝜌𝑏 Densidade do gás queimado
𝛼 Difusividade térmica

xiv
1

1 INTRODUÇÃO

1.1 Motivação

O desenvolvimento socioeconômico do mundo está intimamente relacionado com a


demanda energética. Nesse sentido, a ciência da combustão vem desempenhando um papel
preponderante no desenvolvimento de novas tecnologias. Desse modo, o estudo da propagação
de chamas é de suma importância para se entender os fenômenos relacionados à combustão de
combustíveis alternativos. Muitas pesquisas têm sido realizadas desde o início do século sobre
o comportamento de chamas pré-misturadas em dutos fechados. Concomitantemente a isso,
pode-se notar uma tendência mundial no interesse de energias renováveis e combustíveis
alternativos visando a sustentabilidade. O gás natural enriquecido com hidrogênio é
considerado um combustível alternativo promissor para reduzir os impactos dos gases de efeito
estufa produzidos pela combustão de combustíveis convencionais. O aproveitamento dos
combustíveis alternativos dar-se-á em motores de combustão interna, turbinas a gás e outros
dispositivos de combustão interna [Verhelst et al., 2009]. Assim, o conhecimento das
características da combustão desses combustíveis e da propagação das chamas são vitais para
o aproveitamento dessas novas fontes de energia.

A propagação de uma chama pode ser classificada em deflagrações e detonações. As


deflagrações ocorrem a velocidades subsônicas, é dizer, com número de Mach menor que um
(Ma<1), enquanto as detonações ocorrem a velocidades supersônicas, é dizer, com número de
Mach maior que um (Ma>1) [Kuo, 2005]. Este importante parâmetro está associado com a
segurança das instalações industriais, pois quando uma deflagração se torna em uma detonação
em misturas gasosas, o aumento de pressão pode atingir a escala de 20 vezes o valor da pressão
inicial. Recentemente, Oran et al.,2019, apresentaram mecanismos fundamentais da transição
entre a deflagração e a detonação (DDT) bem como o impacto causado em acidentes industriais.
Portanto, melhorando a compreensão do comportamento da aceleração das chamas pode-se
prevenir acidentes industriais que causam prejuízos financeiros, e acima de tudo, ceifar vidas.

Nos primeiros estudos experimentais, em meados da década de 30, foi descoberto que a
forma da frente de chama passa de convexa para côncava quando a razão entre o comprimento
e o diâmetro do duto for maior que dois [Ellis, 1928]. Anos mais tarde, Salamandra et al., 1959,
2

chamou essa chama de chama tulipa. Essa chama é uma forma particular da frente de chama
com curvatura invertida, que pode ser frequentemente observada durante a propagação de
deflagrações, tanto em dutos fechados como em dutos semiabertos [Yang et al., 2019a]. Desse
modo, alguns estudos experimentais e simulações numéricas foram realizados para tentar
explicar essa inversão da frente de chama [Ponizy et al., 2014; Yang et al., 2019a; Yang et al.,
2019b; Yu et al., 2018]. As primeiras pesquisas relatam que essa inversão da frente de chama
pode ser um resultado na interação entre a chama e uma onda de choque. Entretanto, as ondas
de choque são dificilmente observadas até que a chama tulipa se forme.

Conforme Bychkov et al., 2007, a aceleração acontece devido à geometria da chama,


que se desenvolve com uma frente de chama alongada, crescendo exponencialmente com o
tempo. Esse incremento de área da frente de chama ocorre até que a chama toca as paredes
laterais do duto e assim sua superfície diminua. Neste instante ocorre uma desaceleração da
chama, que ocasiona a formação das chamas tulipa [Bychkov et al., 2007]. Ponizy et al, 2014,
observaram que o processo da inversão da frente de chama resulta de um fenômeno puramente
hidrodinâmico, porém não simples.

Valiev et al., 2013, estudaram o processo de aceleração inicial de uma chama


envolvendo misturas de hidrogênio e oxigênio, utilizando a técnica Schlieren e observaram que
a taxa da aceleração da chama diminui significativamente com o aumento do número de Mach
inicial. Neste mesmo estudo foi desenvolvida uma teoria analítica por meio da expansão do
número de Mach, demonstrando que a compressibilidade do gás reduz a taxa de aceleração e
velocidade máxima de propagação da chama. Assim, foi proposta a teoria para os estágios
iniciais da propagação e aceleração de chamas em deflagrações. Entretanto, esta teoria não foi
explorada variando-se os números de Lewis e Zeldovich na velocidade de propagação de
chamas pré-misturadas em um duto fechado.

O número de Lewis é um importante parâmetro adimensional que caracteriza o


transporte de calor e massa em chamas pré-misturadas. Chakraborty e Cant, 2006, realizaram
um estudo numérico sobre a influência do número de Lewis na propagação de chamas para
analisar a geometria de chamas turbulentas pré-misturadas. De acordo com resultados obtidos
neste estudo os autores observaram que para os números de Lewis não unitários, ocorrem
variações de temperatura que influênciam no comportamento da velocidade de deslocamento
da chama. Para Zitouni et al., 2022, o número de Lewis representa uma propriedade chave em
3

sistemas de combusão pré-misturados. Assim como o número de Lewis, o número de Zeldovich


também é outro parâmetro importante na propagação de chamas. O número de Zeldovich é um
número adimensional que proporciona uma medida quantitativa da energia de ativação de uma
reação química, ou seja, sua reatividade.

O aproveitamento de combustíveis alternativos, como biocombustíveis e hidrogênio,


envolve misturas de diferentes tipos de combustíveis e em diversas proporções, logo, o estudo
desses combustíveis precisa considerar números adimensionais que representem diferentes
misturas. Assim, os estudos experimentais e numéricos precisam ser comparados com modelos
teóricos disponíveis na literatura. No conhecimento do autor, o modelo de Valiev et al., 2013,
é o modelo teórico mais recente que busca caracterizar a aceleração de deflagrações nos
instantes iniciais de propagação em dutos. A grande maioria dos estudos experimentais
disponíveis na literatura, e publicados nos últimos 10 anos, que envolvem propagação de
deflagrações em dutos fechados não tem comparado os seus resultados experimentais com o
modelo analítico de Valiev et al., 2013. Assim também, o efeito dos números adimensionais de
Lewis e Zeldovich na propagação de deflagrações em dutos fechados não tem sido considerado.

Nesse sentido, este trabalho tem por objetivo estudar a influência do número de Lewis
e de Zeldovich sobre a velocidade de propagação de chamas pré-misturas. Para tanto, objetiva-
se desenvolver um estudo experimental da propagação de chamas em um duto fechado livre de
obstáculos, variando os números adimensionais de Lewis e Zeldovich nas diferentes misturas
envolvendo gás natural, hidrogênio e hélio, e comparar os resultados experimentais com os
resultados teóricos obtidos com o modelo teórico de Valiev et al., 2013.

1.2 Estado da arte

Neste tópico serão apresentados os estudos experimentais e os principais resultados


obtidos sobre a velocidade de propagação de chamas em um duto fechado sem obstáculos.

No estudo experimental de aceleração e velocidade de propagação de chamas em dutos,


os equipamentos comumente utilizados pelos diversos autores aqui citados foram: duto de
propagação, câmera de alta velocidade, câmara de mistura, sistema de aquisição de dados,
transdutores de pressão e um sistema de ignição. Da mesma forma, todos os testes foram
4

conduzidos em triplicata para garantir a confiabilidade dos resultados obtidos. Os experimentos


foram realizados para diferentes valores da razão de equivalência (ϕ) e da razão de aspecto
(AR).

Xiao et al., 2011, realizaram um estudo experimental sobre o comportamento da


propagação de chamas pré-misturadas em um duto fechado e semiaberto de misturas de
hidrogênio-ar com ϕ entre 0,10 e 7,14. Os experimentos foram realizados em um duto de seção
retangular de 82 mm e 530 mm de comprimento (AR = 6,47). Os resultados indicaram que a
frente de chama acelera até atingir o valor máximo no momento em que ocorre o achatamento
da frente de chama com uma posterior inversão da frente de chama e desaceleração. A
propagação continua com uma velocidade oscilatória até o final da propagação da mistura. A
amplitude da oscilação de desaceleração se mostrou menor para os casos em que não aconteceu
a formação de uma chama tulipa distorcida. Assim, verificou-se que o início das deformações
da frente de chama coincide com a desaceleração da velocidade da frente de chama.

Valiev et al., 2013, realizaram um estudo numérico e experimental para analisar a


influência da aceleração da chama em dutos fechados de misturas estequiométricas (ϕ = 1) de
hidrogênio-oxigênio. Para registrar a evolução do comportamento de propagação de chama, o
trabalho experimental é constituído de um duto retangular de 50 mm de diâmetro interno e 6,05
m de comprimento (AR = 8,27), com de 24 janelas para possibilitar a visualização. Neste
estudo, as pressões iniciais de 0,2 a 0,75 bar foram consideradas. Os resultados obtidos
indicaram que a taxa de aceleração da propagação da chama diminui consideravelmente com o
aumento do número de Mach inicial. Neste estudo também foi proposto o modelo analítico da
aceleração da frente de chama para os instantes iniciais da propagação, considerando chamas
com geometria plana e axissimétrica.

Ponizy et al., 2014, realizaram um estudo experimental sobre a inversão da frente de


chamas pré-misturadas de propano-ar com ϕ = 1. O estudo foi realizado inicialmente nas
condições atmosféricas em tubos com diferentes diâmetros e comprimentos com razões de
aspecto entre 3,2 e 42,85. Os resultados obtidos neste estudo demonstram que a inversão da
frente de chama, ou chama tulipa, resulta de um fenômeno puramente hidrodinâmico, porém
não simples. Esse processo hidrodinâmico ocorre pela competição entre o movimento dos gases
queimados defletidos, que se expandem nas laterais da chama, e o movimento para a frente dos
gases não queimados resultantes da fase inicial da propagação da chama.
5

Shen et al., 2015, realizaram um estudo experimental comparativo da propagação de


chamas pré-misturadas de hidrogênio-ar com ϕ entre 1,17 e 5,07, e de propano-ar na condição
estequiométrica, em um duto fechado. Neste estudo experimental foi utilizado um duto
retangular de 82 mm de diâmetro interno e 530 mm de comprimento (AR = 6,47). Os resultados
mostraram que a velocidade da ponta da chama diminui consideravelmente logo após a inversão
da frente de chama (formação da chama tulipa) e continua oscilando até o final da propagação
da chama no duto. Os autores verificaram também que a onda de pressão não é um parâmetro
preponderante na inversão da frente de chama, mas sim para o aumento da aceleração,
desaceleração e deformação da chama.

Zheng et al., 2016, estudaram experimentalmente a deflagração de chamas pré-


misturadas de hidrogênio-metano-ar em um duto fechado com cinco frações de hidrogênio
(desde 0% até 100%), em condições estequiométricas (ϕ = 1). Os experimentos foram
realizados em um duto de vidro com extremos fechadas e cinco razões de aspecto (AR = 5, 6,7,
10, 12,5 e 20). Neste estudo, os resultados apresentaram a formação da clássica chama tulipa
para todas as frações de hidrogênio. Os autores verificaram que para todas as razões de aspecto
estudadas, a dinâmica da velocidade de propagação da chama estava relacionada à pressão, e
ambas aumentavam significativamente com o aumento das frações de hidrogênio.

Jin et al., 2017, realizaram um estudo experimental comparando a propagação de


chamas pré-misturadas de gás natural-ar (com ϕ entre 0,67 e 1,50), metano-ar (com ϕ entre 0,61
e 1,36) e acetileno-ar (com ϕ entre 0,40 e 1,70) em um duto fechado. Os testes experimentais
foram realizados em um duto retangular com 82 mm de diâmetro interno e 530 mm de
comprimento (AR = 6,47). Os resultados mostraram que a composição do combustível tem uma
influência significativa na velocidade de propagação e no formato da chama, sendo que as
pequenas quantidades de etano e propano presentes no gás natural aceleram a chama. Por outro
lado, devido à maior reatividade química, o acetileno tem a velocidade de propagação de chama
maior quando comparado ao gás natural e o metano.

Yu et al., 2018, estudaram experimentalmente a deflagração de chamas pré-misturadas


de hidrogênio-monóxido de carbono-ar em um duto fechado. A pesquisa foi realizada em
misturas de H2-CO-ar com ϕ entre 1,0 e 3,0, e cinco concentrações volumétricas de hidrogênio
(desde 0,1 até 0,9). A parte experimental foi realizada em um duto retangular de 100 mm de
diâmetro interno e 1000 mm de comprimento (AR = 10,0). Os resultados mostraram que a
6

fração de hidrogênio na mistura teve influência significativa na velocidade de propagação de


chama para todas as razões de equivalência estudadas. Desse modo, as maiores velocidades de
propagação foram obtidas em misturas com maiores frações de hidrogênio.

Mendiburu et al., 2019, realizaram um estudo experimental em um duto fechado para


analisar a formação da chama tulipa em misturas de etanol-ar com ϕ desde 0,9 até 1,4 e
condições iniciais de pressão e temperatura entre 20 até 60 kPa e 32 ± 2 ºC, respectivamente.
O trabalho experimental foi realizado em um duto de seção circular de 9,7 cm de diâmetro e
150 cm de comprimento (AR = 15,47). Os resultados mostraram que a velocidade de frente da
chama é 70 vezes a velocidade de chama laminar, e que esta velocidade é atingida a uma
distância de aproximadamente 9 vezes o raio do duto de propagação.

Yang et al., 2019a, realizaram um estudo experimental comparativo da propagação de


chamas pré-misturadas de hidrogênio-monóxido de carbono-ar em dutos fechados e
semiabertos. O estudo experimental foi conduzido em um duto transparente com seção
retangular de 100 mm de largura e 1000 mm de comprimento (AR = 10,0). Os experimentos
foram realizados com ϕ = 0,8 e com frações volumétricas de hidrogênio de 0,1 a 0,9. Os
resultados mostraram que o comportamento da propagação de chama foi diferente para as
configurações analisadas (duto fechado e semiaberto). A velocidade de propagação da frente
de chama diminuiu à medida que a chama tocou as paredes laterais do duto fechado. Por outro
lado, no duto semiaberto a velocidade de propagação da chama continuou a aumentar, pois a
abertura do duto reduz a influência das ondas de pressão.

Yang et al., 2019b, desenvolveram um estudo experimental comparativo da propagação


de chamas pré-misturadas de hidrogênio-monóxido de carbono-ar em dutos semiabertos com
três ϕ entre 0,8 e 1,2, e duas frações volumétricas de hidrogênio (0,1 a 0,9). Os trabalhos
experimentais foram realizados em um duto transparente com seção retangular de 80 mm de
largura e 1600 mm de comprimento (AR = 20,0). Os resultados obtidos nesta pesquisa mostram
que ocorre um alongamento da frente de chama no estágio onde a chama toca as paredes laterais,
de forma que, esta etapa torna-se mais proeminente à medida que a fração de hidrogênio
aumenta. Segundo os autores, esse alongamento da frente de chama ocorre devido aos
movimentos de fluxo confinado dos gases, assim uma chama plana se forma após esse processo
de alongamento.
7

Pelos trabalhos aqui apresentados observa-se que todos estes autores buscaram
desenvolver um estudo considerando, entre os assuntos abordados, a velocidade de propagação
de chama com diversas misturas. Entretanto, nenhum dos trabalhos citados considerou a
influência do número de Lewis e Zeldovich sobre a velocidade de chama nos estágios iniciais
da propagação. Nesse sentido, surge a necessidade de desenvolver um estudo sobre a velocidade
de propagação de chamas em dutos fechados relacionando essas variáveis. Os principais
trabalhos publicados sobre propagação de chamas em dutos podem ser encontrados no
Apêndice A.

1.3 Objetivos do trabalho

1.3.1 Objetivo geral

Este trabalho tem por objetivo estudar experimentalmente a propagação de chamas pré-
misturadas envolvendo gás natural, hidrogênio e hélio, observando o efeito do número de Lewis
e do número de Zeldovich na velocidade de propagação das chamas.

1.3.2 Objetivos específicos

A fim de realizar o estudo da velocidade de propagação de chamas em dutos fechados,


são propostos os seguintes objetivos específicos:

a) Construir uma bancada experimental que permita determinar experimentalmente a


velocidade de propagação de chamas pré-misturadas;
b) Obter experimentalmente as curvas da velocidade de propagação de chamas pré-
misturadas com diferentes números de Lewis e de Zeldovich;
c) Avaliar o efeito do número de Lewis e do número de Zeldovich sobre a aceleração
das chamas pré-misturadas em dutos fechados;
8

d) Comparar os resultados experimentais da velocidade de propagação de chama com


os resultados obtidos aplicando a teoria disponível.

1.4 Organização do trabalho

No tópico 1 são relatados os aspectos introdutórios do trabalho, motivação, estado da


arte e os objetivos do estudo.

No tópico 2 apresenta-se a fundamentação teórica referente aos estudos da propagação


de chamas em dutos fechados. Para isso, levam-se em consideração parâmetros como:
velocidade de propagação da chama e efeito dos números de Lewis e de Zeldovich.

No tópico 3 são apresentados os materiais e métodos utilizados para desenvolver o


estudo proposto, considerando a propagação de chamas pré-misturadas envolvendo gás natural,
hidrogênio, e hélio, em um duto fechado livre de obstáculos.

O tópico 4 apresenta os resultados discussões derivados do estudo da velocidade de


propagação da chama experimental e da sua comparação com o modelo teórico disponível na
literatura.

Para concluir, no tópico 5 foram apresentadas as conclusões.


9

2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Neste capítulo são abordados os temas mais relevantes do levantamento bibliográfico


no que diz respeito à velocidade e aceleração de chamas pré-misturadas.

2.1 Fenômeno de inversão de chama em dutos

Os primeiros estudos sobre os fenômenos de inversão de chamas se propagando em


dutos fechados foram relatados por Ellis, 1928. A inversão da frente de chama pode ser
observada na Figura 2.1. Ellis, observou que em dutos fechados a razão de aspecto (AR = L/Dh)
é um fator importante para caracterizar a inversão de uma chama se propagando em dutos
fechados, ou seja, o mesmo verificou que se AR>2, a forma da chama alterava de uma forma
alongada para uma cúspide apontando no sentido contrário ao sentido de propagação da chama.

Os primeiros estudos alegavam que a chama tulipa era um resultado da iteração entre a
frente de chama com uma onda de choque [Salamandra et al., 1959]. Entretanto, os estudos
experimentais conduzidos por Clanet e Searby, 1996, mostraram que a formação da chama da
tulipa é uma manifestação da instabilidade de Rayleigh - Taylor impulsionada pela
desaceleração na ponta da chama [Clanet et al., 1996]. Para Kratzel et al., 1998, o efeito físico
mais importante na formação da chama tulipa parte da interação entre a chama e as ondas de
pressão, as instabilidades de chama, e uma longa região de vórtices em grande escala atrás da
área da frente de chama.

Xiao et al., 2011, realizaram um estudo experimental sobre o comportamento da


propagação de chamas pré-misturadas em um duto fechado e semiaberto de misturas de
hidrogênio-ar com ϕ entre 0,10 e 7,14. Os experimentos foram realizados em um duto de seção
retangular de 82 mm e 530 mm de comprimento (AR = 6,47). Os resultados indicaram que para
regiões pobres não obtiveram a formação da chama tulipa, enquanto que para chamas ricas foi
verificada uma segunda inversão da frente de chama no duto fechado.

Ponizy et al., 2014, realizaram um estudo experimental sobre a inversão da frente de


chamas pré-misturadas de propano-ar com ϕ = 1. O estudo foi realizado inicialmente nas
10

condições atmosféricas em um tubo com razões de aspecto entre 3,2 e 42,85. Para monitorar o
começo da propagação da chama, um medidor de ionização foi instalado próximo à ignição, e
as variações de pressão foram registradas por um medidor piezoelétrico, enquanto as imagens
foram obtidas através de uma câmera de alta velocidade. A Figura 2.1 apresenta a formação da
chama tulipa em um duto. As imagens foram obtidas por meio de visualização com sistema
Schlieren.

Figura 2.1 – Imagens Schlieren da formação da chama tulipa [Ponizy et al., 2014].

Segundo Ponizy et al., 2014, a inversão da frente de chama, ou chama tulipa, resulta de
um fenômeno puramente hidrodinâmico, porém não simples. Esse processo hidrodinâmico
ocorre pela competição entre o movimento dos gases queimados defletidos que se expandem
nas laterais da chama e o movimento reverso dos gases queimados resultantes da fase inicial da
propagação da chama. Estudos recentes mostraram que a velocidade da ponta da chama é quase
constante à medida que a chama se propaga na forma de tulipa em experimentos realizados em
dutos fechados [Yang et al., 2019a]. Outro comportamento interessante é o fato de que em dutos
11

fechados pode-se observar a formação de uma segunda chama tulipa logo após a formação da
primeira tulipa, ou seja, a denominada tulipa distorcida [Yu et al., 2018].

Shen et al., 2015, realizaram um estudo experimental comparativo da propagação de


chamas pré-misturadas de hidrogênio-ar, com ϕ entre 1,17 e 5,07, e propano-ar (ϕ = 1) em um
duto fechado. Neste estudo experimental foi utilizado um duto retangular de 82 mm de diâmetro
interno e 530 mm de comprimento (AR = 6,47). Os resultados mostraram que a velocidade da
ponta da chama diminui consideravelmente logo após a inversão da frente de chama (chama
tulipa) e continua oscilando até o final da propagação da chama no duto. Shen et al., 2015,
observaram que a chama tulipa não é uma característica exclusiva de misturas de hidrogênio-
ar, mas também pode ser obtida para uma mistura estequiométrica de propano-ar. Os autores
verificaram também que a onda de pressão não é um parâmetro preponderante que participa na
inversão da frente de chama, mas sim para a aceleração, desaceleração e deformação da chama.

Yu et al., 2018, realizaram um estudo experimental de propagação de chama para


analisar a influência da adição de monóxido de carbono em chamas pré-misturadas de
hidrogênio-ar. Neste estudo, os autores verificaram que a formação da chama tulipa distorcida
também pode ser observada em misturas de gás de síntese e ar. As ondas de pressão geradas
são fortes o suficiente para desenvolver a instabilidade de Rayleigh – Taylor e, portanto, a
chama tulipa distorcida muda de forma abrupta.

Yang et al., 2019a, desenvolveram um estudo experimental para analisar a evolução da


frente de chamas pré-misturadas de misturas de gás de síntese e ar. Este estudo foi realizado em
um duto fechado livre de obstáculos. A Figura 2.2 apresenta esquematicamente as fases do
desenvolvimento e evolução da morfologia da chama tulipa. Com isso, os autores observaram
as seguintes fases de uma propagação de chama:

a) Na primeira fase ocorre uma expansão livre da chama com uma velocidade
constante;
b) Na segunda fase a chama assume a forma alongada ou “finger flame” e assim a área
da superfície da chama aumenta rapidamente, acelerando esta no sentido axial;
c) Na terceira fase a frente de chama se propagando lateralmente ou “flame skirt”
atinge as paredes laterais do duto;
12

d) Na quarta fase ocorre a formação da chama plana e nesse momento a frente de chama
se inverte formando a chama tulipa;
e) Na quinta fase ocorre a formação da chama tulipa distorcida.

Figura 2.2 – Fases da formação da chama tulipa e tulipa distorcida [Adaptado de Yang et al.,
2019a].

A última fase, ou a fase da formação da tulipa distorcida, resulta da iteração contínua


das ondas de pressão com a frente de chama. Yang et al., 2019a, compararam os resultados
obtidos de estudos de propagação de uma chama em dutos fechados e semi-abertos. Neste
estudo, os autores verificaram que a velocidade de frente de chama é menor em dutos fechados,
devido ao fato de que em dutos semiabertos a abertura na extremidade diminui a sobre pressão
e aumenta a velocidade de propagação da chama. Em dutos semiabertos ocorre também um
alongamento da frente de chama mais prolongado.

Yang et al., 2020, estudaram experimentalmente o efeito da razão de equivalência e da


distância da fonte de ignição na propagação de chamas pré-misturadas de hidrogênio-ar
adicionando monóxido de carbono. Neste estudo foi utilizado um duto transparente com seção
retangular de 100 mm e 1200 mm de comprimento (AR = 12,0). O valor de ϕ variou entre 0,8
e 3,0 mantendo uma fração volumétrica de hidrogênio constante de 0,5. Os experimentos foram
realizados para três distâncias distintas de ignição, sendo a primeira instalada junto à ignição
original, a segunda no meio do comprimento do duto e a terceira oposta à ignição original. Os
resultados obtidos neste trabalho indicam que a propagação da chama se comporta de forma
diferente em função da localização da fonte de ignição. Assim, a oscilação da chama tornou-se
13

mais brusca quando a ignição foi instalada do lado oposto da ignição original. Do outro lado,
quando a mistura foi ignizada com a fonte de ignição instalada junto à ignição original, foram
obtidas todas as formas clássicas de propagação da frente de chama, ou seja, chama esférica,
chama em forma de dedo, chama plana e a chama tulipa. Concomitantemente a isso, à medida
que a razão de equivalência aumenta, a geometria da chama altera significativamente.

2.2 Observação da aceleração de chamas pré-misturadas em dutos fechados

Bychkov et al., 2007, realizaram um estudo numérico da aceleração da chama para


avaliar o efeito da geometria. Segundo Bychkov et al., 2007, a geometria da frente da chama se
desenvolve num formato de chama alongada (finger flame), crescendo a velocidade de
propagação exponencialmente com o tempo. A geometria da chama é um fator preponderante
para os primeiros estágios da aceleração da frente de uma chama, pois neste instante ocorre que
a frente da chama toca as paredes laterais do duto e assim sua superfície e velocidade de
propagação diminuem consideravelmente [Valiev et al., 2013].

A propagação de chamas em um duto fechado vem sendo estudado por diversos autores.
De acordo com Dorofeev, 2011, o comportamento da aceleração da chama pode ser
caracterizado por parâmetros importantes como a velocidade de queima laminar e a razão de
densidades entre os reagentes e os produtos. Ainda, de acordo com o autor, a aceleração de
chamas sofre influência das instabilidades da chama e suas interações com o confinamento,
obstruções e turbulência. Assim, Ciccarelli e Dorofeev, 2008, estudaram os detalhes sobre essas
propriedades básicas das chamas. Kurdyumov et al., 2015, afirmam que a aceleração da chama
está condicionada principalmente a dois efeitos físicos: a expansão dos gases queimados e o
confinamento lateral do duto.

Ciccarelli e Dorofeev, 2008, corroboraram que o principal mecanismo de aceleração de


uma chama é a turbulência do escoamento devido ao atrito na parede ao longo de todo o
processo, que pode levar à transição de uma deflagração para uma detonação. O fluxo torna-se
não uniforme por causa da condição limite de não escorregamento na parede que, somada à
turbulência, distorcem a frente da chama aumentando a taxa de reação, proporcionando a
aceleração [Valiev et al., 2010].
14

Valiev et al., 2013, realizaram um estudo numérico e experimental para analisar a


influência da aceleração da chama em dutos fechados de misturas estequiométricas de
hidrogênio-oxigênio. Para registrar a evolução do comportamento da propagação de chama, o
trabalho experimental foi realizado em um duto retangular de 50 mm de diâmetro interno e 6,05
m de comprimento (AR = 8,27). Neste estudo, as pressões iniciais de 0,2 e 0,75 bar foram
consideradas. Os resultados obtidos não apresentaram uma inversão da frente de chama, pois,
a propagação da frente de chama foi analisada nos instantes iniciais onde ela possui o formato
de chama alongada. Nestas condições, a taxa de aceleração da propagação da chama diminui
consideravelmente com o aumento do número de Mach [Valiev et al., 2013]. A Figura 2.3
apresenta a geometria de uma chama em formato de chama alongada se propagando em um
duto fechado livre de obstáculos.

Figura 2.3 – Geometria de uma chama acelerando em forma de dedo [Adaptado de Valiev et
al., 2013].

Shen et al., 2015, realizaram um estudo experimental de propagação de chamas pré-


misturadas de hidrogênio-ar e propano-ar em um duto fechado. Os resultados mostraram que,
após aumentar consideravelmente nos instantes iniciais, a velocidade da ponta da chama
diminui consideravelmente logo após a inversão da frente de chama (chama tulipa) e continua
oscilando até o final da propagação da chama no duto. Os autores observaram que a chama
tulipa não é uma característica exclusiva de misturas de hidrogênio-ar, mas também pode ser
obtida para uma mistura estequiométrica de propano-ar, e outros estudos mostram que a chama
tulipa se manifesta para diferentes combustíveis.

Zheng et al., 2016, estudaram experimentalmente a deflagração de chamas pré-


misturadas de hidrogênio-metano-ar em um duto fechado com cinco frações volumétricas de
hidrogênio (entre 0% e 100%), em condições estequiométricas (ϕ = 1). Os experimentos foram
15

realizados em um duto de vidro com extremidades fechadas com cinco valores de AR (5; 6,7;
10; 12,5 e 20). O sistema de ignição foi instalado junto à seção transversal direita do duto. Neste
estudo, Zheng et al., 2016, verificaram que para todas as configurações de AR estudadas, a
dinâmica da velocidade de propagação da chama estava relacionada à pressão, e ambas
aumentavam significativamente com o aumento das frações de hidrogênio na mistura
combustível.

Jin et al., 2017, realizaram um estudo experimental comparando a propagação de


chamas pré-misturadas de gás natural-ar, com ϕ entre 0,67 e 1,50, metano-ar, com ϕ entre 0,61e
1,36, e acetileno-ar, com ϕ entre 0,40 e 1,70, em um duto fechado. Os resultados mostraram
que a composição do combustível tem uma influência significativa na velocidade de propagação
e no formato da chama, sendo que as pequenas quantidades de etano e propano presentes no
gás natural aceleram a propagação da chama. Por outro lado, devido à maior reatividade
química, o acetileno tem a velocidade de propagação de chama maior quando comparado ao
gás natural e ao metano.

Mendiburu et al., 2019, realizaram um estudo experimental em um duto fechado para


analisar a formação da chama tulipa em misturas de etanol-ar com razões de equivalência de
0,9 a 1,4 e condições iniciais de pressão e temperatura de 20 a 60 kPa e 32 ± 2 ºC,
respectivamente. Neste estudo, os autores propuseram duas correlações para determinar a
relação entre a distância da formação da chama plana e o diâmetro hidráulico para as misturas
de etanol-ar. A partir dos resultados obtidos, os autores observaram que a velocidade de
propagação da frente de chama é da ordem de 70 vezes a velocidade de chama laminar, e que
esta velocidade é atingida a uma distância de aproximadamente 9 vezes o raio do duto de
propagação. A Figura 2.4 apresenta os resultados experimentais da velocidade de propagação
de chamas para as misturas estequiométricas de etanol-ar de algumas pressões e temperaturas
iniciais.
16

Figura 2.4 – Resultados experimentais da velocidade de propagação de chama de misturas


estequiométricas de etanol e ar [Mendiburu et al., 2019].

Yang et al., 2019a, realizaram um estudo experimental comparativo da propagação de


chamas pré-misturadas de hidrogênio e monóxido de carbono em ar, em dutos fechados e
semiabertos fabricados de aço inoxidável. O estudo experimental foi conduzido em um duto
transparente com seção retangular de 100 mm de largura e 1000 mm de comprimento (AR =
10,0). Os experimentos foram realizados com ϕ = 0,8, frações volumétricas de hidrogênio de
0,1 a 0,9 e inserindo as misturas diretamente no duto através de controladores de fluxo de massa.
Os resultados mostraram que a velocidade de propagação de chama foi similar para ambas as
configurações (fechado e semiaberto) até o instante em que a frente de chama toca as paredes
laterais do duto. Entretanto, após este instante, ocorre uma discrepância entre as velocidades de
propagação, onde o duto semiaberto permite uma maior velocidade de propagação da frente de
chama. Os autores relacionaram isso aos maiores valores de sobre pressão que foram obtidas
na configuração do duto fechado, causando assim uma série de ondas de pressão que impedem
o movimento de aceleração da frente de chama para esta configuração.
17

Luo et al., 2020, realizaram um estudo numérico e experimental para analisar o efeito
da sobre pressão na velocidade de propagação de chamas pré-misturadas de metano-ar e etano-
ar em duto fechado. Os resultados mostraram que no instante inicial da propagação da chama,
a velocidade de propagação tem um crescimento exponencial, seguido por uma segunda fase
em que a velocidade de propagação diminui consideravelmente após a formação da tulipa. À
medida que uma chama tulipa é gerada, a frente de chama desordenada causa uma grande
perturbação no processo de propagação da chama. Os autores também observaram que para
chamas contendo maiores frações volumétricas de etano a velocidade de propagação da frente
de chama foi maior.

Li et al., 2021, desenvolveram um trabalho experimental para estudar a propagação de


chamas pré-misturadas de metano-ar, etano-ar, etileno-ar e hidrogênio-ar em um duto fechado
com obstáculos. As frações de mistura utilizados nos experimentos foram de 7% (ϕ = 0,80),
9,5% (ϕ = 1,00) e 11% (ϕ = 1,20) em volume de metano. Um obstáculo com razão de bloqueio
de 18% foi instalado na extremidade direita do duto, no lado oposto à ignição. Neste estudo, Li
et al., 2021, observaram que a mistura que obteve a maior velocidade de propagação foi a
mistura estequiométrica de metano com 2% de fração volumétrica de hidrogênio. Esta
observação está em consonância com outros trabalhos experimentais, assim a adição de
hidrogênio na mistura torna a velocidade de propagação da chama mais elevada [Jin et al., 2017;
Yang et al., 2019a]. Os autores observaram que o obstáculo altera o formato da chama,
aumentando a turbulência e consequentemente a velocidade de propagação da chama.
Entretanto, neste estudo o obstáculo foi instalado após a formação da chama tulipa, sendo que
esse efeito não foi muito significativo [Li et al., 2021].

2.3 Efeito da razão de equivalência sobre a velocidade e aceleração de chamas

A razão de equivalência de uma mistura indica a quantidade de combustível presente


nos reagentes, em relação à quantidade de combustível necessária para obter-se uma mistura
estequiométrica. Assim, quando os valores da razão de equivalência são maiores que 01 existe
um excesso de combustível presente na mistura (mistura rica) e para valores menores que 01,
18

existe um excesso de oxidante (mistura pobre) [Law, 2006]. A razão de equivalência pode ser
descrita matematicamente pela equação 2.1:

(𝐹 ⁄𝐴)
𝜙= (2.1)
(𝐹 ⁄𝐴)𝑒𝑠𝑡𝑒𝑞

onde 𝐹 ⁄𝐴 é definida como a razão entre a massa de combustível pela massa de oxidante na
mistura e o subscrito “esteq” designa a composição estequiométrico da mistura. (Law, 2006)

Bradley et al., 2008, realizaram um estudo numérico para avaliar a transição


deflagração-detonação de chamas turbulentas variando a razão de equivalência para misturas
de hidrogênio-ar. Os resultados obtidos mostram que à medida que a razão de equivalência
aumenta, as velocidades de chama aumentam consideravelmente, ultrapassando os valores de
Chapman-Jouguet quando ϕ>0,47. A partir deste valor, tem-se o início da transição da
deflagração-detonação (DDT) em chamas pré-misturadas de hidrogênio-ar [Bradley et al.,
2008].

Assim, de acordo com Turns, 2012, a razão de equivalência pode ser considerada como
um dos fatores mais importantes na determinação do desempenho de um sistema que envolvem
processos de combustão. Ainda, Turns, 2012, observou que nas misturas levemente ricas
obtém-se os maiores valores de velocidade da chama. Segundo Coelho e Costa, 2007, misturas
com hidrogênio apresentam velocidades de propagação mais elevadas frente às demais, isso
ocorre porque o hidrogênio apresenta uma velocidade de propagação de chama laminar superior
à dos hidrocarbonetos, tanto pela maior difusividade térmica, quanto pela maior taxa de reação
do hidrogênio [Coelho e Costa, 2007).

No estudo de Shen et al., 2015, a maior velocidade de propagação da chama pode ser
obtida com uma razão de equivalência de 1,17, ou seja, em uma mistura levemente rica.
Entretanto, conforme a razão de equivalência tende para misturas muito ricas (ϕ ≥ 3,34), a
velocidade de propagação da chama tende a diminuir. Assim, evidenciando que a razão de
equivalência é um fator preponderante na propagação de chamas.
19

Jin et al., 2017, observaram que para todas as misturas por eles estudadas, as velocidades
máximas de propagação da ponta da chama foram obtidas nas misturas próximas das
estequiométricas. Do mesmo modo, as máximas pressões dinâmicas e os menores tempos em
que a chama toca as paredes laterais ocorrem nas misturas próximas das estequiométricas.

Os resultados obtidos por Yu et al., 2018, mostram que a velocidade máxima de


propagação se manifesta para uma razão de equivalência de 1,5 e fração de hidrogênio de 0,9
(113,10 m/s), enquanto para a mistura estequiométrica com a mesma fração de hidrogênio esse
valor foi de 87,71 m/s. Por outro lado, a menor velocidade de propagação foi observada para a
mistura com ϕ = 3,0 (62,57 m/s), ou seja, muito rica. Assim como em estudos anteriores, a razão
de equivalência também se demonstrou um fator significativo nos parâmetros da velocidade
máxima de propagação de chamas e no tempo em que a chama toca as paredes laterais.

Yang et al., 2019b, observaram que para propagação de misturas de hidrogênio,


monóxido de carbono e ar em um duto semiaberto, a variação da razão de equivalência da
mistura resultava na diminuição ou elevação na velocidade de propagação de uma chama.
Conforme a mistura combustível de hidrogênio, monóxido de carbono e ar torna-se mais rica,
consequentemente a propagação atinge maiores valores de velocidades de chama.
Recentemente, Yang et al., 2020, apresentaram um estudo comparativo do efeito da razão de
equivalência e o local da ignição de chamas pré-misturadas de hidrogênio, monóxido de
carbono e ar em um duto semiaberto. A razão de equivalência tem um efeito muito importante
na propagação, principalmente no tempo em que a frente de chama se propagando lateralmente
toca as paredes laterais do duto. Conforme a mistura combustível torna-se mais rica, a tendência
é que este tempo diminua. Entretanto, para valores de misturas muito ricas (ϕ = 3,0) a tendência
é que o tempo em que a chama toca as paredes laterais aumente novamente. Assim, os menores
valores de tempo obtidos nesta pesquisa foram com razões de equivalência variando entre 1,6
e 2,0 [Yang et al., 2020].

Luo et al., 2020, realizaram um estudo experimental das deflagrações de chamas pré-
misturadas de metano, etano e ar em um duto fechado. Neste estudo, os autores observaram que
para as misturas de metano-ar e etano-ar, os resultados em relação as velocidades de propagação
foram elevadas para misturas levemente ricas. Assim, torna-se evidente que a razão de
equivalência tem um papel muito importante na velocidade máxima de propagação de uma
chama. A Tabela 2.1 apresenta um resumo dos principais estudos relatados na literatura.
20

Tabela 2.1 – Efeito da razão de equivalência na propagação de chamas.

𝑽𝒎á𝒙 Razão de
Autor Mistura ⁄𝑺 𝝉𝒘 (s)
𝑳 equivalência
[Bradley et al., 2008] H2 e ar ----- Levemente rica -----

[Shen et al., 2015] H2 e ar 44,21 Levemente rica 0,0032


GN, CH4 , C2 H2
[Jin et al., 2017] 50,59 Estequiométricas 0,0840
e ar
[Yu et al., 2018] H2 , CO e ar 32,31 Levemente rica 0,0500
[Yang et al., 2020] H2 , CO e ar 33,74 Rica 0,0850
[Yang et al., 2019b] H2 , CO e ar 35,90 Levemente rica 0,0390
[Luo et al., 2020] CH4 , C2 H6 e ar 17,00 Levemente rica -----

2.4 Efeito da pressão inicial na aceleração da chama

Segundo Law, 2006, a pressão inicial tem efeito significativo na propagação de uma
chama. Conforme a pressão aumenta, a velocidade de propagação de chama tende a diminuir
[Law, 2006; Coelho e Costa, 2007]. Valiev et al., 2013, estudaram a influência da compressão
nos primeiros instantes de propagação de uma chama. Neste estudo, as pressões iniciais
variaram entre 0,2 e 0,75 bar. Assim, a partir da variação da pressão inicial tem-se à oscilação
do coeficiente de expansão dos gases (𝛩), que é a relação entre a densidade dos gases queimados
e não queimados. Entre os resultados obtidos, pode-se observar que, para os instantes iniciais
de uma propagação, quanto menor for a pressão inicial, maior é a espessura térmica da chama,
consequentemente, o efeito puro da curvatura torna-se mais evidente. Entretanto, pela teoria
proposta pelos autores, foi constatado que a variação da pressão tem uma influência mínima
sobre da propagação inicial de uma chama.

Estudos recentes publicados por Mendiburu et al., 2019, avaliaram, dentre outros
aspectos, o efeito da pressão inicial na propagação de chamas pré-misturadas de etanol e ar em
um tubo fechado. As pressões iniciais nos testes variaram entre 0,2 e 0,6 bar, e as razões de
equivalência variaram de 0,9 a 1,4. Pelos resultados obtidos, observa-se que a oscilação da
21

pressão não causou um impacto significativo na propagação de chamas pré-misturadas de etanol


e ar.

Recentemente, Shen et al., 2019, estudaram a evolução da propagação de uma chama


estequiométrica pré-misturada de hidrogênio e ar em um duto fechado. Neste trabalho, as
pressões iniciais variaram entre 0,3, 0,6 e 1,5 bar. Pelos resultados obtidos pode-se inferir que
a pressão inicial tem efeito sobre a velocidade de propagação da chama, pois as velocidades
máximas obtidas para as pressões estudadas foram 61,3, 73,2 e 101,2 m/s, respectivamente. Por
outro lado, a onda de pressão seria intensificada com o aumento da pressão inicial em uma
propagação. Outro fato importante relatado pelos autores é que a onda de pressão atua de forma
subordinada na inversão da tulipa, ou seja, a variação da pressão inicial tem efeito na formação
da chama tulipa para chamas pré-misturadas de hidrogênio e ar.

A partir dos estudos analisados, pode-se inferir que a pressão inicial pode ter efeito no
comportamento da propagação de algumas misturas de chamas pré-misturadas, principalmente
quando comparados resultados considerando uma faixa mais ampla de pressões. Dessa forma,
a pressão inicial pode ter efeito no comportamento da chama, tornando a velocidade de
propagação maior para uma maior pressão inicial, afetando a formação da chama tulipa, e
tornando a chama tulipa distorcida mais regular ou irregular. Entretanto, poucos estudos foram
realizados com base no efeito da pressão inicial na velocidade de propagação de chamas em
dutos. As informações citadas podem ser observadas na Tabela 2.2.

Tabela 2.2 – Efeito da pressão inicial na propagação de chamas.

Velocidade de
Autor Mistura Pressão Inicial
propagação da chama
[Valiev et al., 2013] H2 e O2 Baixa Efeito mínimo
C2 H5 OH e
[Mendiburu et al., 2019] Baixa Efeito mínimo
ar
[Shen et al., 2019] H2 e ar Baixa Aumenta
22

2.5 Efeito do enriquecimento com hidrogênio

Zheng et al., 2016, estudaram experimentalmente a deflagração de chamas pré-


misturadas de hidrogênio-metano-ar em um duto fechado variando a fração volumétrica de
hidrogênio entre 0%, 25%, 50%, 75% e 100% na mistura estequiométrica. Os resultados obtidos
apresentaram as seguintes velocidades de propagação das misturas: 14,01, 16,35, 22,77, 40,87
e 93,43 m/s, respectivamente. Assim, para todas as misturas estudadas, a velocidade de
propagação chama aumentou significativamente com o aumento das frações de hidrogênio na
mistura combustível.

Yang et al., 2019a, realizaram um estudo experimental comparativo da propagação de


chamas pré-misturadas de hidrogênio-monóxido de carbono-ar em dutos fechados e
semiabertos. Os experimentos foram realizados com uma razão de equivalência de 0,8 e as
frações volumétricas de hidrogênio variaram entre 10%, 30% e 90% na mistura. A partir dos
resultados obtidos neste trabalho, pode-se notar que a posição da formação da chama plana e o
tempo em que a chama toca as paredes laterais do duto diminuem à medida que ocorre um
incremento na fração volumétrica de hidrogênio na mistura combustível tanto no duto fechado
quanto no duto semiaberto. A velocidade de propagação da chama e as pressões obtidas
aumentaram consideravelmente quando as frações de hidrogênio aumentam, chegando a atingir
velocidades máximas de propagação no duto fechado de 18,98, 25,95 e 83,05 m/s para 10%,
30% e 90% de hidrogênio na mistura, respectivamente.

Yang et al., 2019b, desenvolveram outro estudo experimental comparativo da


propagação de chamas pré-misturadas de hidrogênio-monóxido de carbono-ar em dutos
semiabertos variando as frações volumétricas de hidrogênio de 10% a 90% na mistura, e as
razões de equivalência de 0,8 a 1,2. Os resultados nesta pesquisa mostram que ocorre um
alongamento da frente de chama no estágio onde a chama toca as paredes laterais, de forma
que, esta etapa torna-se mais proeminente à medida que a fração de hidrogênio aumenta.
Segundo os autores, esse alongamento da frente de chama ocorre devido ao movimento de fluxo
confinado dos gases. Na Tabela 2.3 é apresentado um resumo dos principais estudos relatados
na literatura.
23

Tabela 2.3 – Efeito do enriquecimento com hidrogênio na propagação de chamas.

Velocidade Tempo em que


Fração de de Sobre as saias da
Autor Mistura
Hidrogênio propagação pressão chama tocam as
da chama paredes laterais
[Zheng et al.,
H2 e ar Aumenta Aumenta Aumenta Diminui
2016]
[Yang et al., GN, CH4 ,
Aumenta Aumenta Aumenta Diminui
2019a] C2 H2 e ar
[Yang et al., H2 , CO e
Aumenta Aumenta Aumenta Diminui
2019b] ar

2.6 Teoria disponível na literatura

Nesta seção será apresentado o modelo analítico de Valiev et al., 2013, que permite
prever o comportamento da velocidade e aceleração da chama no estágio inicial da propagação,
dentro de um duto livre de obstáculos. Vale ressaltar que poucos são os modelos disponíveis na
literatura que abordam a propagação de chamas em dutos fechados nos instantes iniciais.

2.6.1 Modelo analítico para previsão da velocidade de propagação da frente de chama

Valiev et al., 2013, apresentaram a teoria mais recente da aceleração de chamas nos
instantes iniciais de uma propagação para um duto sem obstáculos. Neste estudo foram
apresentadas relações matemáticas para representar os instantes iniciais da aceleração de
chamas em dutos.

Valiev et al., 2013, sistematizaram essas equações de forma a relacionar, dentre outros
aspectos, o instante em que a chama toca as paredes laterais do duto e a velocidade máxima de
propagação de uma chama. A partir do instante em que a chama toca as paredes laterais de um
24

duto pode-se determinar qual a distância a partir da fonte de ignição em que ocorre uma
desaceleração da propagação de chama dentro de um duto livre de obstáculos [Mendiburu et
al., 2019]. A teoria proposta por Valiev et al., 2013, tem por base as seguintes hipóteses
simplificadoras:

a) o duto possui paredes adiabáticas que permitem o não-deslizamento do escoamento;


b) a propagação da chama é estudada em duas dimensões;
c) o duto encontra-se fechado no lado da ignição;
d) o escoamento é considerado incompressível na primeira parte, porém na segunda
parte é considerada uma compressibilidade moderada;
e) as geometrias plana e axissimétrica são consideradas;
f) o escoamento é considerado como potencial, ou seja, é incompressível, irrotacional
e em regime permanente.

Assumindo uma chama com a geometria plana, a análise proposta por Valiev et al.,
2013, se inicia pela equação diferencial apresentada na Equação 2.2 abaixo:

𝑑𝜉
= −𝑀𝑎𝛾(𝛩 − 1)²𝜉² + 𝜎1,𝑝𝑙 𝜉² + 𝛩1 (2.2)
𝑑𝜏

O tempo estimado em que a frente de chama se propaga lateralmente no duto pode ser
obtido pela Equação 2.3 por:

𝑙𝑛𝛩
𝜏𝑤 = (2.3)
𝛩−1

A solução da equação diferencial apresentada como Equação 2.2, fornece a posição


axial da ponta da chama, conforme mostrado na Equação 2.4:
25

2𝛩1 [exp(𝜎2 𝜏) − 1]
𝜉= (2.4)
(𝜎2 − 𝜎1,𝑝𝑙 )exp (𝜎2 𝜏) + (𝜎2 + 𝜎1,𝑝𝑙 )

A velocidade máxima de propagação da ponta da chama é dada pela Equação 2.5 por:

𝑈
= −𝑀𝑎𝛾(𝛩 − 1)²𝜉²𝑤 + 𝜎1,𝑝𝑙 𝜉𝑤 + 𝛩1 (2.5)
𝑆𝐿

Alguns parâmetros auxiliares são obtidos pelas Equações 2.6, 2.7 e 2.8:

𝜎1,𝑝𝑙 = (𝛩 − 1)[1 − 𝑀𝑎(𝛩 + 2(𝛾 − 1)(𝛩 − 1))] (2.6)

𝛩1 = 𝛩 − 𝑀𝑎(𝛾 − 1)(𝛩 − 1)² (2.7)

𝜎2 = √𝜎²1,𝑝𝑙 + 4𝑀𝑎𝛾𝛩1 (𝛩 − 1)² (2.8)

onde 𝜉, 𝜏𝑤 , e 𝑈 são a coordenada axial adimensional, o tempo adimensional e a velocidade


máxima da ponta da chama, respectivamente.

As Equações 2.6, 2.7 e 2.8 utilizam parâmetros auxiliares para o cálculo, como o
coeficiente de expansão dos gases (𝛩 = 𝜌𝑢 ⁄𝜌𝑏 ) que relaciona as densidades dos gases
queimados e não queimados, o coeficiente das capacidades caloríficas (𝛾 = 𝑐𝑝 ⁄𝑐𝑣 ) e o número
de Mach inicial da propagação da chama (𝑀𝑎 = 𝑆𝐿 ⁄𝐶𝑠,0), que relaciona a velocidade de chama
laminar e a velocidade do som dos reagentes.

Assim, tem-se o modelo analítico para a previsão da velocidade de propagação de uma


frente de chama nos instantes iniciais da propagação. Entretanto, não foram realizados muitos
estudos para validar esse modelo existente, com isso tem-se uma oportunidade de comparar
26

dados experimentais aos adquiridos numericamente e validar a proposta apresentada por Valiev
et al., 2013.

2.7 Efeito do número de Lewis na propagação da chama

O número de Lewis (𝐿𝑒) é um número adimensional que define a razão entre


difusividade térmica (𝛼) e a difusividade de massa (𝐷𝐴𝐵 ) de uma mistura combustível
[Glassman et al., 2008]. A Equação 2.9 apresenta a relação. Sua expressão matemática é dada
por:

𝛼
𝐿𝑒 = (2.9)
𝐷𝐴𝐵

Chakraborty e Cant, 2006, realizaram um estudo numérico sobre a influência do número


de Lewis na propagação de chamas para analisar a geometria de chamas turbulentas pré-
misturadas. Neste estudo, foram utilizados três números de Lewis (0,8; 1,0 e 1,2) para chamas
planas. De acordo com os autores, para os números de Lewis não unitários, ocorrem variações
de temperatura que influenciam no comportamento da velocidade de deslocamento da chama.

Turns et al., 2012, consideram o número de Lewis como sendo um valor unitário.
Entretanto, a variação da composição do combustível confere mudanças nas propriedades
químicas e de transporte, que por sua vez alteram a reatividade e as características de queima
da mistura combustível [Zitouni et al., 2022]. Assim, o número adimensional de Lewis
representa uma propriedade chave para a caracterização da propagação de chamas.

Recentemente, Li et al, 2022, estudaram o efeito dos diluentes na velocidade de chama


laminar e instabilidade celular das chamas de 2-metiltetraidrofurano e ar. Dentre os diluentes
estudados, o hélio apresentou maior influência na intensidade da instabilidade térmica difusiva
da mistura. Assim, quanto mais diluente (hélio) era adicionado na mistura, maior se tornava o
número de Lewis. Os resultados obtidos mostram que a velocidade de chama laminar reduz
27

com o aumento de diluente na mistura. Por outro lado, tanto a temperatura adiabática de chama
e a difusividade térmica aumentaram com o incremento de diluente na mistura.

Nesse sentido, o trabalho atual aborda uma variação do número adimensional de Lewis
para algumas misturas combustíveis utilizando o hélio como diluente na mistura.

(Zitouni, et al., 2022) (Li, et al., 2022)

2.8 Efeito do número de Zeldovich na propagação da chama

O número de Zeldovich (𝑍𝑒) é um número adimensional que proporciona uma medida


quantitativa da energia de ativação de uma reação química, ou seja, sua reatividade. A Equação
2.10 apresenta a equação que determina este parâmetro. Sua expressão matemática é dada por:

𝐸𝑎 𝑇𝑏 − 𝑇𝑢
𝑍𝑒 = ( ) (2.10)
𝑅𝑇𝑏 𝑇𝑏

onde 𝐸𝑎 é energia de ativação da reação, 𝑅 é a constante universal dos gases, 𝑇𝑏 é a temperatura


do gás queimado e 𝑇𝑢 é a temperatura do gás não queimado.

Assim, para calcular o número de Zeldovich é necessário calcular o valor da energia de


ativação por meio de valores obtidos das velocidades de chama laminar pelos mecanismos de
cinética química.

Considere uma chama se propagando hipoteticamente dentro de um duto. A partir da


Figura 2.5 observa-se as três regiões principais da estrutura da chama, a mencionar: região de
transporte, região da reação e região de equilíbrio.
28

Figura 2.5 – Estrutura assintótica da chama [Adaptado de Law, 2006].

A região de reação é uma região muito estreita que tem uma mudança rápida e brusca
devido à ativação da reação [Law, 2006]. Esta rápida taxa de mudança de propriedades dentro
dessa estreita região implica que o transporte por difusão tem uma influência maior do que o
transporte por convecção. Partindo da equação da conservação de massa e da conservação de
energia, assumindo algumas condições de contorno, obtém-se a relação entre os gases
queimados e não queimados. A equação 2.11 apresenta a relação entre os comprimentos
característicos da região de reação e da região de transporte, com as temperaturas dos gases
queimados e não queimados. Sua expressão matemática é dada por:

ℓ°𝑅 (𝑇𝑏° )²
~ = 𝑍𝑒 −1 (2.11)
ℓ°𝐷 (𝑇𝑏° − 𝑇𝑢 )𝑇𝑎

onde ℓ°𝑅 é espessura da região de ativação da reação, ℓ°𝐷 é a espessura da região de transporte,
𝑇𝑏° é a temperatura do gás queimado e 𝑇𝑢 é a temperatura do gás não queimado, 𝑇𝑎 é a
temperatura de chama adiabática e 𝑍𝑒 é o número adimensional de Zeldovich.
29

Assim, por 𝑍𝑒 −1 ≪ 1, percebe-se que a zona de reação é muito fina. Inserindo a relação
do fluxo de massa, percebendo que a convecção e a difusão se equilibram na zona de pré-
aquecimento, e rearranjando os termos, obtemos a equação 2.12, dada por:

𝑓 ° 𝓌𝑏°
~ (2.12)
ℓ°𝐷 𝑍𝑒

onde 𝑓 ° é fluxo de massa, ℓ°𝐷 é a espessura da região de transporte, 𝓌𝑏° é a taxa de reação
avaliada na temperatura da fina zona de reação e 𝑍𝑒 é o número adimensional de Zeldovich.

A partir do equacionamento proposto por Law, 2006, percebe-se que o fluxo de massa
aumenta com o aumento da taxa de transporte da reação, enquanto a espessura da região de
ativação da reação aumenta com o aumento da taxa de transporte, mas diminui com a taxa de
reação. Nesse contexto, neste trabalho relaciona-se os números de Lewis e Zeldovich com a
aceleração de chama mensurada experimentalmente.
30

3 MATERIAIS E MÉTODOS

Neste capítulo serão apresentadas as descrições dos materiais, métodos e equipamentos


utilizados na pesquisa de propagação de chamas em um duto livre de obstáculos. A bancada
experimental foi montada no Laboratório de Combustão da Universidade Federal do Rio
Grande do Sul. Os métodos utilizados apresentam uma forma de avaliar o efeito dos números
adimensionais de Lewis e Zeldovich na velocidade de propagação de chamas em misturas
estequiométricas. Os números de Lewis e Zeldovich das misturas estudadas foram definidos e
obtidos por Lauermann, no prelo.

3.1 Bancada experimental da propagação de chamas

A bancada experimental é composta por um duto de propagação, uma câmara de


mistura, um agitador magnético, transdutores de pressão, uma bomba de vácuo, um sensor de
temperatura tipo K, um sistema de aquisição de sinais modelo NOVUS, um sistema de ignição,
válvulas, mangueiras e conexões. A Figura 3.1 apresenta o esquema da bancada experimental,
onde os cilindros de gás natural (GN), ar sintético, hidrogênio, hélio e nitrogênio são conectados
por tubos de poliuretano de 10 mm de diâmetro nas válvulas instaladas no painel de controle
da bancada. A partir das válvulas instaladas neste painel de comando tem-se o controle da
inserção dos gases na câmara de mistura e no duto de propagação. Maiores detalhes sobre o
funcionamento da bancada experimental podem ser encontrados no Apêndice B.

3.1.1 Duto de propagação

A Figura 3.2 apresenta o duto de propagação composto de três módulos de seção


quadrada de 100 x 100 mm e 1050 mm de comprimento total. Cada módulo possui dimensão
de 350 mm de comprimento de fabricação em aço inox. O duto possui visores de vidro
borosilicato de 25 mm de espessura e 250 mm de comprimento que permitem a visualização da
31

propagação da chama. Assim, para registrar o histórico de pressão, foram instalados dois
transdutores de pressão do modelo Warme (TP-6367 de 10 bar e TP-6419 de 1 bar) de pressão
absoluta, um sensor de temperatura de modelo Omega (tipo K) e um sistema de ignição que
compreende uma vela de ignição modelo NGK tipo R e um transformador, fornecendo uma
tensão de 8 kV e uma corrente de 30 mA.

Figura 3.1 – Esquema da bancada experimental.

3.1.2 Câmara de mistura

A Figura 3.3 apresenta a câmara de mistura que é composta por uma caixa de aço de
600 mm de largura, 600 mm de comprimento e 500 mm de altura. Nesta caixa existe um visor
de vidro temperado que permite a visualização da mistura combustível que é preparada em um
balão de vidro temperado com capacidade volumétrica de 20 litros. Este balão se encontra
32

dentro da caixa com um agitador magnético na sua base que faz com que a mistura combustível
se torne uniforme após um determinado intervalo de tempo. Os gases são inseridos na câmara
de mistura através de dutos de aço inox que estão conectados em válvulas e reguladoras de
pressão que são instaladas nos cilindros de gás natural, ar sintético, hidrogênio e hélio. O
método utilizado para realizar as misturas é o método de pressões parciais.

Figura 3.2 – Duto de propagação.

No presente estudo, foram utilizados como combustíveis o GNV comercial e o


hidrogênio. O ar sintético foi utilizado como oxidante e o hélio como agente diluente nas
misturas. A composição química do GNV utilizado como combustível é: 90,8% de CH4, 6,1%
de C2H6, 1,2% de C3H8, 0,5% de CO2 e 1,5% de N2 [GasNet, 2020]. O hidrogênio empregado
neste estudo possui pureza de 99,999%, assim como o ar sintético utilizado como oxidante
possui pureza acima de 99,999%. O hélio, aplicado como diluente na mistura, possui pureza de
99,995% e o gás utilizado para a limpeza interna da câmara de mistura e do duto de propagação
foi nitrogênio.

A Tabela 3.1 apresenta as misturas estudadas neste trabalho obtidas a partir do método
de pressões parciais. Assim, a partir do número de mols de cada mistura e a razão de
equivalência (ϕ = 1) foram obtidos os valores do número de Lewis (Le) e Zeldovich (Ze), os
quais dependem do valor da energia de ativação e das velocidades de chama laminar dadas
33

pelos mecanismos de cinética química, utilizando o mecanismo de San Diego através do


software Cantera [Goodwin et al., 2021]. No intuito de variar os parâmetros adimensionais de
Lewis e Zeldovich, neste estudo foi utilizado hélio como diluente na mistura combustível
[Lauermann, no prelo]. Os testes experimentais para caracterizar a velocidade de propagação
da chama em um duto fechado foram realizados pelo menos três vezes para cada composição
de mistura. Como pode ser observado na Tabela 3.1, o número de Zeldovich ficou na faixa de
5,71 até 8,85. Por outro lado, o número de Lewis variou no intervalo desde 0,60 até 1,36.

Figura 3.3 – Câmara de mistura.


34

Tabela 3.1 – Misturas Estudadas.

Número de Número de
Código Mistura
Zeldovich Lewis
Mix 1 [50% GN + 50% H2] + ar 7,17 0,60
Mix 2 [75% GN + 25% H2] + ar 8,13 0,75
Mix 3 [15% GN + 85% H2] + 20% He + ar 5,23 0,81
Mix 4 [75% GN + 25% H2] + 10% He + ar 8,39 0,93
Mix 5 [15% GN + 85% H2] + 30% He + ar 5,71 0,99
Mix 6 GN + ar 8,70 1,09
Mix 7 [90% GN + 10% H2] + 10% He + ar 8,67 1,14
Mix 8 GN + 10% He + ar 8,85 1,36

3.1.3 Sistema de aquisição de dados

Para a coleta de dados, foi utilizado um sistema de aquisição de dados FieldLogger da


marca Novus com 8 entradas analógicas de 24 bits, de tensão, corrente ou termopares,
configuráveis por software. O registro dos canais possui uma taxa máxima de 1000 coletas por
segundo. Nos testes a coleta foi realizada a cada 100 ms. O equipamento possui conexão USB
(Universal Serial Bus) para transmissão de dados para o computador. Assim, os valores de
pressão e temperatura foram obtidos via software FLConfig versão [Link] instalado em um
notebook da marca Acer, Aspire E15, processador AMD Quad-Core 3,30 GHz, 4 GB de
memória RAM e 1 TB de HD.

A fim de obter vídeos da propagação da chama, foi utilizado uma câmera de alta
velocidade da marca Phantom Vison Research, versão v411, que tem capacidade para captar
100.000 frames por segundo, foi também necessário utilizar uma fonte de luz. Entretanto, nos
testes desta pesquisa foram utilizados 12.000 frames por segundo. O equipamento possui
conexão via cabo de rede ethernet para transmissão de imagens para o computador. Desse
modo, a captação dos vídeos foi realizada via software Phantom Camera Control (PCC) versão
3.6 instalado em um computador da marca Razor, com 6 núcleos, processador i7 3,5 GHz, 16
Gb de memória RAM e 2 TB de HD. Dentro das questões que afetam a visualização da imagem
35

e excesso de luz, neste estudo foram definidos os parâmetros óticos como: abertura 1.8, 12000
fps e ISO SAT T 20.000.

Devido as instabilidades apresentadas pelas chamas diluídas com hélio, verificou-se que
os parâmetros inicialmente estabelecidos não foram capazes de detectar a frente da chama. Com
isso, foi necessário introduzir filtros no momento do processamento das imagens para a
obtenção da velocidade de propagação da chama no software Tracker [Physlets, 2022].

Para coleta de dados da pressão, foi utilizado um transdutor de pressão do modelo


Warme (TP-6367 de 10 bar), localizado na parte oposta do duto a 103 cm a jusante do ponto de
ignição. Os valores da pressão foram obtidos separadamente no final para cada mistura definida
na Tabela 3.1.

3.2 Procedimento experimental

O procedimento experimental foi conduzido pelo sistema de batelada. Nesse sentido,


antes de se iniciar o teste experimental, definiu-se a mistura combustível desejada em cada teste.
Para isso, foi criada uma planilha eletrônica que relaciona a fração de combustível utilizada na
mistura com sua respectiva pressão parcial. Assim, utilizou-se o método de pressões parciais
para realizar a mistura. Maiores detalhes a planilha eletrônica de preparação de mistura podem
ser encontrados no Apêndice E. A Figura 3.4 apresenta um fluxograma resumido do
procedimento experimental.

3.2.1 Preparação da mistura na câmara de mistura

Após definida a mistura combustível, foi realizado o vácuo na câmara de mistura até
atingir a pressão de 0,5 kPa ou inferior. A pressão foi lida pelos transdutores de pressão e
visualizada diretamente na tela do computador por meio do software do FieldLogger. Nesse
momento, somente a válvula de acesso do vácuo para a câmara de mistura permaneceu aberta,
36

as demais válvulas foram mantidas fechadas. Assim, realizou-se somente o vácuo na câmara de
mistura, evitando a entrada dos demais gases na câmara no momento do vácuo.

A partir da realização do vácuo na câmara de mistura, a válvula de vácuo foi fechada e


a bomba de vácuo foi desligada. Neste momento a câmara de mistura foi preenchida com as
quantidades desejadas dos gases, utilizando-se o método de pressões parciais, na seguinte
ordem: gás natural, hidrogênio, hélio e ar sintético. Após atingir a mistura desejada, as válvulas
de acesso à câmara de mistura foram fechadas e o agitador magnético que está instalado abaixo
do balão da câmara de mistura foi acionado por 25 minutos, assegurando assim a
homogeneização da mistura.

Figura 3.4 – Procedimento experimental.

3.2.2 Transferência da mistura para o duto e teste de propagação

Quando estava próximo ao término destes 25 minutos de agitação, foi iniciado o vácuo
no duto de propagação, onde a bomba de vácuo foi acionada novamente e a válvula de acesso
que liga a bomba de vácuo ao duto de propagação foi aberta. Nesse mesmo instante, a válvula
de acesso ao transdutor de pressão de 1 bar que está instalado junto ao duto de propagação foi
aberta. O transdutor de 1 bar foi utilizado para realizar a correta medição da pressão no interior
37

do duto de propagação. Quando a pressão no interior do duto foi menor ou igual que 0,50 kPa,
a válvula de acesso da bomba de vácuo para o duto foi fechada e a bomba de vácuo foi
desligada.

O próximo passo foi desligar o agitador magnético e abrir a válvula que liga a câmara
de mistura ao duto de propagação. Neste momento, parte da mistura combustível que foi
preparada na câmara de mistura foi inserida no duto de propagação. A pressão inicial desejada
no duto de propagação para todos os testes foi de 40 kPa. A leitura dessa pressão foi realizada
pelo transdutor de pressão de capacidade de 1 bar instalado no duto de propagação. Cabe
salientar que, após obter a pressão desejada tornou-se muito importante sempre fechar a válvula
de acesso ao transdutor de pressão de 1 bar, pois caso contrário esse transdutor seria danificado
no ato da ignição e propagação da chama devido ao elevado gradiente de pressão proveniente
da combustão da mistura inflamável.

Após isso, por precaução, conferiu-se o sistema de autotrigger do software de aquisição


de imagens para não desperdiçar testes de propagação, e na sequência acionou-se a ignição. Ao
término da propagação da chama, a válvula de exaustão do duto para aliviar a pressão interna
foi aberta para evacuar os gases queimados. Na sequência, com o objetivo de realizar a limpeza
interna do duto de propagação, a válvula de acesso do nitrogênio ao duto de propagação foi
aberta.

Logo após o término da limpeza interna do duto, as válvulas de acesso do nitrogênio e


de exaustão foram fechadas. Assim, o procedimento de vácuo no duto foi realizado novamente
por meio do acionamento da bomba de vácuo e da válvula de acesso do vácuo ao duto. Nesse
instante, a válvula de acesso do transdutor de 1 bar foi acionada e o processo de enchimento da
mistura combustível da câmara de mistura para o duto de propagação foi realizado novamente.

Quando a quantidade de gases na câmara de mistura era insuficiente para realizar mais
testes no duto de propagação, foi necessário realizar a limpeza da câmara de mistura antes da
preparação de uma nova mistura. Para executar este procedimento, primeiramente o gás inerte
nitrogênio foi inserido na câmara de mistura até uma pressão de 150 kPa dentro do balão com
o objetivo de diluir a mistura. Assim, garantiu-se a segurança ao acionar a bomba de vácuo para
retirar os gases do balão. Logo após o vácuo ser realizado, o gás ar sintético foi inserido dentro
38

da câmara de mistura até uma pressão de 100 kPa. Somente após esta etapa, o procedimento de
preparação da próxima mistura era realizado e os testes eram retomados.

3.3 Determinação da velocidade de propagação da chama

Inúmeras técnicas são utilizadas para caracterizar a velocidade de propagação de chamas


pré-misturadas. Porém, a grande dificuldade se concentra quando essas chamas são diluídas
com hélio ou quando estas envolvem hidrogênio puro, pois nestes casos verificou-se dificuldade
para visualizar a ponta da chama. Uma alternativa para observar a propagação de chamas deste
tipo de mistura seria utilizar um sistema de imagem Schlieren. Salienta-se que esse sistema não
esteve disponível para este estudo.

Os vídeos da propagação da chama foram utilizados para medir quantitativamente a


velocidade de propagação da chama, a qual foi extraída de uma série de vídeos gravados pela
câmera mantida a uma distância de aproximadamente 750 mm da janela de visualização.
Trabalhos anteriores, como descritos por Mendiburu et al., 2019, basearam-se principalmente
na observação visual para determinar a velocidade de propagação da chama.

Mendiburu et al., 2019, utilizou uma metodologia fundamentada numa série de vídeos
de propagação de chamas de diferentes misturas gravadas durante os testes experimentais.
Assim, utilizando o software PCC versão 3.6, que faz a leitura das imagens capturadas pela
câmera, utilizou-se o software Tracker versão 6.0.2 para determinar a velocidade de propagação
da chama. Primeiramente os vídeos obtidos no software PCC foram convertidos do formato
original “.cine” para o formato “.mov” para poder realizar o processamento das imagens no
software Tracker.

Utilizando o software Tracker versão 6.0.2, todas as respectivas velocidades de


propagação de chama foram coletadas com base no tempo e no deslocamento da frente de
chama de cada mistura. Foram definidos 20 pontos distintos de captura para cada janela, sendo
o parâmetro para definição da distância entre esses pontos a quantidade de frames capturados
em cada mistura. Verificou-se que para misturas contendo H2-GN-He resultaram em menor
quantidades de frames por vídeo. Assim, para vídeos contendo 291 frames resultavam em 14
39

frames por intervalo para misturas de GN-ar, enquanto para misturas de H2-GN-He resultaram
em 210 frames por vídeo, ou seja, em torno de 10 frames por intervalo. A Figura 3.5 apresenta
a determinação da velocidade de propagação de chama no software Tracker versão 6.0.2.

Figura 3.5 – Determinação da velocidade de propagação de chama passo a passo no software


Tracker versão 6.0.2.

Com base no intervalo da distância (∆x) e do tempo (∆t) de propagação da frente de


chama, as respectivas velocidades de propagação foram calculadas como mostra na Tabela 3.2.
Vale ressaltar que para informar o valor da velocidade de propagação ao longo do duto,
levaram-se em conta os valores da distância desde a origem (0 cm) adicionando 4,5 cm da janela
1, 39,5 cm da janela 2 e 74,5 cm referente à janela 3 conforme apresentado na Figura 3.6.

Figura 3.6 – Referência sobre a distância da fonte de ignição.


40

Com base nisso, determinou-se a velocidade de propagação da chama em posições


específicas de todas as janelas, em referência à distância até o ponto de ignição.

Tabela 3.2 – Determinação do intervalo da distância (∆x) e do tempo (∆t) de propagação da


frente de chama de diferentes misturas na Janela 1.

[50% GN + 50% H2] + ar [15% GN + 85% H2] + 20%


GN + ar (Mix 6)
(Mix 1) He + ar (Mix 3)
∆x 𝑉𝑒𝑥𝑝 ∆x 𝑉𝑒𝑥𝑝 𝑉𝑒𝑥𝑝
∆t (ms) ∆t (ms) ∆x (cm) ∆t (ms)
(cm) (cm/s) (cm) (cm/s) (cm/s)
0,527 1,083 486,61 0,494 0,667 740,63 0,464 0,800 580,00
0,526 1,083 485,68 0,522 0,666 783,78 0,953 0,800 1144,06
0,632 1,084 583,02 0,604 0,667 905,55 0,684 0,800 820,14
0,579 1,083 534,62 0,632 0,667 947,67 0,733 0,800 879,95
0,631 1,083 582,64 0,604 0,666 906,77 0,666 0,800 792,31
0,737 1,083 680,51 0,687 0,667 1031,53 1,051 0,800 1261,70
0,842 1,083 777,47 0,769 0,667 1152,92 0,855 0,800 1026,41
0,869 1,083 802,40 0,769 0,666 1154,65 0,977 0,800 1172,86
0,894 1,083 825,48 0,934 0,667 1400,29 1,051 0,800 1260,19
1,000 1,083 923,36 0,961 0,667 1442,94 1,148 0,800 1378,15
1,079 1,083 996,30 1,044 0,666 1565,21 1,296 0,800 1555,82
1,189 1,083 1097,87 1,098 0,667 1648,65 1,420 0,800 1704,68
1,210 1,084 1116,23 1,213 0,667 1818,59 1,630 0,800 1956,78
1,365 1,083 1255,77 1,260 0,666 1891,89 1,810 0,800 2172,86
1,400 1,083 1292,70 1,260 0,667 1889,05 1,390 0,800 1666,66
1,535 1,083 1412,74 1,400 0,666 2102,10 1,670 0,800 2004,80
1,551 1,083 1431,21 1,490 0,667 2233,88 1,490 0,800 1788,71
1,712 1,083 1578,94 1,620 0,667 2428,78 1,490 0,800 1380,55
1,712 1,083 1578,94 1,620 0,666 2432,43 1,150 0,800 1250,66
1,683 1,083 1551,24 1,670 0,667 2505,74 1,160 0,800 1168,56

Os valores obtidos para as velocidades de propagação da frente de chama e da distância


percorrida pela chama, foram adimensionalizados dividindo pela velocidade da chama laminar
das respectivas misturas, no primeiro caso, e pelo diâmetro hidráulico do duto, no segundo caso.
A Tabela 3.3 apresenta os resultados adimensionais conforme 𝑉/𝑆𝐿 e 𝑥/𝐷ℎ .
41

Tabela 3.3 – Valores adimensionais da velocidade de propagação da chama/velocidade da


chama laminar e distância percorrida pela chama/diâmetro hidráulico do duto.

[50% GN + 50% H2] + ar [15% GN + 85% H2] + 20%


GN + ar (Mix 6)
(Mix 1) He + ar (Mix 3)
𝑉/𝑆𝐿 𝑥/𝐷ℎ 𝑉/𝑆𝐿 𝑥/𝐷ℎ 𝑉/𝑆𝐿 𝑥/𝐷ℎ
9,89 0,51 9,54 0,53 4,86 0,48
9,87 0,56 10,09 0,58 9,59 0,53
11,85 0,62 11,66 0,63 6,88 0,62
10,86 0,68 12,20 0,69 7,38 0,69
11,84 0,74 11,68 0,75 6,64 0,77
13,83 0,80 13,28 0,81 10,58 0,83
15,80 0,87 14,84 0,88 8,61 0,94
16,30 0,96 14,87 0,96 9,83 1,02
16,77 1,04 18,03 1,04 10,57 1,12
18,76 1,13 18,58 1,13 11,55 1,22
20,24 1,23 20,15 1,22 13,04 1,34
22,31 1,34 21,23 1,33 14,29 1,47
22,68 1,46 23,42 1,44 16,41 1,61
25,51 1,58 24,36 1,56 18,22 1,77
26,26 1,72 24,32 1,69 13,97 1,96
28,70 1,86 27,07 1,81 16,81 2,09
29,08 2,01 28,76 1,95 15,00 2,26
32,08 2,17 31,27 2,10 11,57 2,41
32,08 2,34 31,32 2,26 10,49 2,56
31,52 2,51 32,26 2,43 9,80 2,67

3.4 Validação com o modelo teórico disponível

Na literatura foi proposto um modelo analítico para prever a velocidade de propagação.


Este modelo será aplicado para comparação com os dados experimentais obtidos na presente
pesquisa. E, para avaliar as discrepâncias existentes entre os modelos fornecidos na literatura e
os dados experimentais de um grande número de medições, foi empregada a definição de média
de desvios entre a velocidade de propagação da chama obtidas experimentalmente e o modelo
disponível na literatura, desenvolvido por Valiev et al., 2013. Adotam-se as seguintes hipóteses:

• frente de chama infinitamente fina;


• escoamento potencial na mistura não queimada;
• escoamento potencial para os gases queimados próximo à parede final;
42

• a chama é plana na proximidade da linha central; assim, o escoamento pode ser


considerado potencial;
• o escoamento à frente da chama é isentrópico;
• o duto é semiaberto.

Para facilitar a comparação entre o valor da velocidade da propagação da chama obtidos


experimentalmente, 𝑉𝑒𝑥𝑝 , e o valor da velocidade de propagação proposta pelo modelo de
Valiev et al., 2013, 𝑉𝑐𝑎𝑙𝑐 , foram utilizados, o valor absoluto do erro relativo (ARE) conforme a
Equação 3.1e a média do valor absoluto do erro relativo (AARE) conforme a Equação 3.2. onde
𝑁 representa o número de dados nesse intervalo. A representação matemática desses parâmetros
é dada por:

|𝑉𝑒𝑥𝑝 − 𝑉𝑐𝑎𝑙𝑐 |
𝐴𝑅𝐸 = × 100 (3.1)
𝑉𝑐𝑎𝑙𝑐

∑𝑁
𝑖=1 𝐴𝑅𝐸
𝐴𝐴𝑅𝐸 = (3.2)
𝑁

Aplicando o ARE e AARE será avaliada a aplicabilidade do modelo analítico


desenvolvido por Valiev et al., 2013.
43

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES

Esta seção mostra os resultados experimentais e discussões sobre a velocidade de


propagação da chama para diferentes valores de Le e Ze. A seção 4.1 se destina a apresentação
dos resultados e discussões referentes a velocidade de propagação de chama experimental,
enquanto a seção 4.2 apresenta resultados e discussões relativas à comparação dos resultados
sobre a velocidade de propagação de chamas obtidas experimentalmente e as velocidades de
propagação de chamas obtidas pelo modelo proposto por Valiev et al., 2013.

As Figuras 4.1, 4.2 e 4.3 mostram imagens representativas da velocidade de propagação


da chama em um duto fechado, obtidas para diversas misturas estequiométricas e diluições de
hélio, levando a diferentes valores dos números adimensionais Le e Ze.

4.1 Velocidade de propagação da chama experimental

O comportamento da velocidade de propagação chamas com as misturas Mix 6, Mix 1


e Mix 2 são apresentadas nas Figuras 4.1, 4.2 e 4.3 respectivamente. Observa-se que para todas
as misturas analisadas tem-se um aumento progressivo da velocidade de propagação da frente
de chama na janela 1. Os resultados do comportamento da velocidade de propagação de chama
estão em concordância os trabalhos experimentais de Xiao et al., 2011; Shen et al., 2015; Yu et
al., 2018 e Mendiburu et al., 2019.

Sendo que, para mistura Mix 6 tem-se as menores velocidades de propagação de chama
obtidas, enquanto para as misturas de Mix 2 e Mix 1 tem-se um aumento significativo da
velocidade de propagação de chama, chegando inclusive a superar o valor de 2000 cm/s quando
se tratando do último caso apresentado. Assim, infere-se que a composição do combustível e o
incremento da fração de hidrogênio ocasionam o aumento da velocidade de propagação da
chama. Este resultado está em consonância com o citado por outros trabalhos experimentais
[Zheng et al., 2016; Jin et al., 2017; Yang et al., 2019; Yang et al., 2019a].

Por outro lado, tanto para a janela 2, como para a janela 3, em todos os casos analisados
observa-se uma oscilação e consequente desaceleração da propagação da frente de chama. O
44

comportamento da frente de chama para as janelas analisadas tem um formato celular e irregular
para todos os casos. Isso está em consonância com o apresentado nas observações experimentais
e na teoria disponíveis na literatura, pois após a formação da chama tulipa, a frente de chama
apresenta uma geometria irregular e com velocidades oscilantes [Xiao et al., 2011; Shen et al.,
2015; Yang et al., 2019a; Mendiburu et al., 2019]. A formação da chama tulipa acontece na
região não visível entre as janelas 1 e 2, causando assim um decréscimo da velocidade de
propagação da frente de chama na janela 2 e posteriormente na janela 3. Observou-se também
que há uma diferença significativa na qualidade das imagens quando adicionado hidrogênio na
mistura combustível. Isso se deve em parte à diminuição das moléculas de carbono que contém
essas misturas. Assim, tanto o brilho quanto a coloração da propagação da frente de chama se
modificam quando comparadas com misturas que contenham somente gás natural e ar na
mistura combustível.

Como citado anteriormente, a propagação de uma chama dentro de um duto fechado


tem fases características nos seus estágios iniciais. Conforme Ponizy et al., 2014, as quatro fases
a seguir podem ser identificadas neste processo:

a) A expansão esférica da chama na ignição;


b) A aceleração axial de uma chama laminar no formato de chama alongada, ou finger
flame;
c) A desaceleração da frente de chama e a inversão da frente de chama, ou formação
da chama tulipa;
d) Uma propagação oscilatória da frente de chama até o final do duto.

As etapas da chama laminar no formato de chama alongada, ou finger flame, e da


propagação oscilatória da frente de chama ficam muito evidentes nas Figuras 4.1, 4.2 e 4.3.
Entretanto, a formação do núcleo da ignição em torno do eletrodo, quanto a inversão da frente
de chama, ou formação da chama tulipa, não foram observadas devido às chapas de aço inox
que ocultam as respectivas regiões onde ocorrem esses fenômenos.
45

GN + ar (Mix 6)
Propagação da Frente de Chama x (cm) V (cm/s)

6,62 606,65
Janela 1

9,57 802,40

14,29 1023,99

21,05 1440,44

44,03 511,62

48,69 500,37
Janela 2

54,18 472,44

57,41 356,34

79,84 270,62

85,19 325,18
Janela 3

89,41 168,01

92,77 144,04

Figura 4.1 – Imagens representativas da propagação da frente da chama para mistura GN + ar


(Mix 6).
46

[75% GN + 25% H2] + ar (Mix 2)


Propagação da Frente de Chama x (cm) V (cm/s)

7,12 821,16

10,26 1134,13
Janela 1

18,87 1670,31

22,07 1986,90

44,65 724,36

49,46 462,00
Janela 2

54,25 670,00

59,57 445,00

80,41 331,97

85,41 311,54
Janela 3

90,87 252,81

94,15 177,73

Figura 4.2 – Imagens representativas da propagação da frente da chama para mistura [75%
GN + 25% H2] + ar (Mix 2).
47

[50% GN + 50% H2] + ar (Mix 1)


Propagação da Frente de Chama x (cm) V (cm/s)

6,89 947,67
Janela 1

10,35 1400,30

15,6 1891,89

22,63 2432,43

43,49 1349,88

48,67 920,00
Janela 2

53,61 1136,00

58,19 1000,00

78,95 451,67

83,32 325,77
Janela 3

88,72 383,33

92,79 186,67

Figura 4.3 – Imagens representativas da propagação da frente da chama para mistura [50%
GN + 50% H2] + ar (Mix 1).
48

Analisando as imagens da janela 1 das Figuras 4.1, 4.2 e 4.3 pode-se observar que a
propagação da chama apresenta uma frente de chama no formato alongado (finger flame)
representado pela aceleração axial da chama conforme descrito por Bychkov et al., 2007. Neste
instante, a velocidade de propagação da frente de chama aumenta consideravelmente ao longo
da seção da janela 1, atingindo sua velocidade máxima de propagação. Para a mistura Mix 6 foi
de 1600 cm/s, para a mistura Mix 2 foi de 2000 cm/s e para a mistura Mix 1 foi de 2600 cm/s
aproximadamente, ou seja, da ordem de 30 vezes a velocidade de chama laminar para este
último caso. O comportamento da geometria da frente de chama na janela 1 apresenta um leve
achatamento da frente de chama ao longo da propagação na janela 1, buscando assim a
formação da chama plana e posterior formação da chama tulipa, estando assim em
conformidade com o relatado em estudos anteriores de Xiao et al., 2011; Shen et al., 2015;
Zheng et al., 2016; Jin et al., 2017; Yang et al., 2019a; Mendiburu et al., 2019 e Yang et al.,
2020.

A etapa de propagação oscilatória da frente de chama pode ser observada na janela 2,


onde tem-se uma diminuição e aumento da aceleração ao longo dessa seção. Assim, o formato
da chama nesta etapa tem uma oscilação ao longo da seção da janela 2 variando a velocidade
de propagação entre 900 e 1400 cm/s aproximadamente. A geometria da frente de chama possui
uma forma celular irregular que corrobora para uma maior interação entre os gases queimados
e não queimados, causando assim uma oscilação da velocidade de propagação da frente de
chama para essa mistura combustível.

De maneira genérica, percebe-se uma aceleração gradual da velocidade de propagação


da frente de chama na janela 1 para todas as misturas estudadas. Do mesmo modo, a velocidade
de propagação da chama tem um decréscimo à medida que a propagação da frente de chama
atravessa as seções das janelas 2 e 3 do duto, respectivamente.

Em todas as misturas estudas não se pode observar duas etapas da propagação da frente
de chama nos estágios iniciais: a chama esférica e o fenômeno da inversão da frente de chama,
ou chama tulipa. Contudo, o objetivo do presente trabalho é observar a aceleração da chama
num duto livre de obstáculos. A chama esférica inicial não se pode observar devido a fonte de
ignição estar localizada a 4,5 cm do visor de boro silicato que permitia a visualização da
propagação da chama. A inversão da frente de chama esteve localizada na região não observada
entre as janelas 1 a 2. Entretanto, devido à presença de uma desaceleração na janela 1, nas
49

misturas com hélio, pode-se verificar que provavelmente a inversão da frente de chama ocorreu
nos instantes finais da região visível da janela 1. Devido às limitações na visualização das
chamas envolvendo essas misturas, não se pode observar com clareza esse fenômeno. A Figura
4.4 apresenta os resultados da propagação da frente de chama da Mix 1 nas janelas 1, 2 e 3,
respectivamente.

Figura 4.4 – Velocidade de propagação de 50% GN + 50% H2 + ar (Mix 1).

Desse modo, para que os estágios da formação da chama esférica e o fenômeno da


inversão da frente de chama pudessem ser observados, os experimentos deveriam ser
conduzidos com o eletrodo de ignição em uma posição mais avançada comparada à posição
atual. Com isso, a formação da chama esférica seria observada na janela 1 e a inversão da frente
de chama seria observada na janela 2.

A Figura 4.5 apresenta os resultados da aceleração da frente de chama para as misturas


Mix 6, Mix 2, Mix 4 e Mix 8. A Figura 4.6 apresenta a aceleração da frente de chama para as
misturas de Mix 1, Mix 5, Mix 3 e Mix 7. A fim de facilitar a visualização da aceleração da
frente de chama ao longo do duto, todos os resultados das velocidades de propagação das
chamas foram plotados em um único gráfico para cada mistura estudada.
50

Figura 4.5 – Análise da aceleração de chama das misturas de (a) GN + ar (Mix 6), (b) [75%GN + 25%H2] + ar (Mix 2), (c) [75%GN + 25%H2] +
10%He + ar (Mix 4) e (d) GN + 10%He + ar (Mix 8).
51

Figura 4.6 – Análise da aceleração de chama das misturas de (a) [50%GN + 50%H2] + ar (Mix 1), (b) [15%GN + 85%H2] + 30%He + ar (Mix 5),
(c) [15%GN + 85%H2] + 20%He + ar (Mix 3) e (d) [90%GN + 10%H2] + 10%He + ar (Mix 7).
52

A partir dos resultados obtidos verifica-se que as misturas (a), (b) e (d) da Figura 4.5 e
(a) da Figura 4.6 apresentam uma semelhança na reprodutibilidade dos valores da velocidade
de propagação adimensional 𝑉/𝑆𝐿 obtidos na janela 1. Enquanto, as misturas (c) da Figura 4.5
e (b), (c) e (d) da Figura 4.6 apresentam uma leve dispersão, porém, não comprometendo a
reprodutibilidade das velocidades de propagação observadas. De maneira geral, para todas as
misturas combustíveis estudadas o comportamento característico apresentado na janela 1 foi de
uma rampa de aceleração da propagação da mistura ao longo desta seção, enquanto para as
janelas 2 e 3 foi de uma desaceleração e oscilação da velocidade de propagação da mistura ao
longo do duto. Desse modo, o comportamento apresentado nas janelas 1, 2 e 3 estão em
concordância conforme reportado pelos autores Xiao et al., 2011; Ponizy et al., 2014; Shen et
al., 2015; Zheng et al., 2016; Jin et al., 2017; Yang et al., 2019; Mendiburu et al., 2019 e Yang
et al., 2020, de acordo com a geometria da frente de chama que seria a aceleração axial de uma
chama laminar no formato de chama alongada (finger flame), com uma posterior propagação
oscilatória da frente de chama até o final do duto de propagação.

Pelos resultados obtidos pode-se observar que a mistura que teve uma maior velocidade
de propagação de chama adimensional foi a Mix 1, onde a velocidade máxima de propagação
da chama na primeira janela foi de aproximadamente 2600 cm/s (33,67
𝑉/𝑆𝐿 ). Por outro lado, a mistura que teve uma menor velocidade máxima de propagação foi a
Mix 8, da ordem de 1200 cm/s (26,52 𝑉/𝑆𝐿 ). Assim, torna-se perceptível a influência da adição
de hidrogênio na mistura combustível, tornando-a mais reativa e consequentemente atingindo
uma velocidade de propagação bem maior que a mistura Mix 6, onde se obteve uma velocidade
máxima de propagação em torno de 1500 cm/s (31,58 𝑉/𝑆𝐿 ) na janela 1. Portanto, com o
incremento da fração de hidrogênio na mistura combustível tem-se um aumento significativo
na velocidade máxima de propagação da chama. Este resultado está em consonância com o
observado por Zheng et al., 2016; Yang et al., 2019a e Yang et al., 2019b.

As misturas Mix 1, Mix 8 e Mix 6 tem números Lewis de 0,60, 1,09 e 1,36,
respectivamente. Dessa forma, observa-se que a maior velocidade máxima de propagação da
chama foi obtida para o número de Lewis menor do que 1. Por outro lado, a menor velocidade
máxima de propagação foi obtida para o número de Lewis maior que 1. Assim, os efeitos de
difusão de massa e de difusão térmica estão relacionados com as velocidades de propagação
das misturas, onde o número de Lewis pode ser uma chave para caracterizar a propagação de
53

chamas. Este resultado está em concordância com o relatado por Zitouni et al., 2022.
Considerando o número de Zeldovich, pode-se observar que a mistura Mix 1 tem valor igual a
7,17 e as misturas Mix 8 e Mix 6 tem números de Zeldovich iguais a 8,85 e 8,70,
respectivamente. Assim, observa-se que a velocidade máxima de propagação foi atingida com
o valor de Zeldovich próximo a 7.

De forma análoga, a diluição da mistura combustível com hélio torna a velocidade de


propagação mais lenta pois age como um inerte interrompendo a propagação da chama para as
misturas Mix 2 e Mix 4. Os resultados obtidos da velocidade máxima de propagação nas
misturas Mix 2 e Mix 4 foram aproximadamente 1986 cm/s (33,24 𝑉/𝑆𝐿 ) e 1186 cm/s (20,49
𝑉/𝑆𝐿 ), respectivamente. Isso corrobora o que foi dito anteriormente, ou seja, que a diluição da
mistura combustível com hélio torna a velocidade máxima de propagação mais lenta. No caso
comparado, a redução foi da ordem de 40%, aproximadamente.

As misturas Mix 2 e Mix 4 tem números Lewis de 0,75 e 0,93, respectivamente. Assim,
observa-se que a maior velocidade máxima de propagação da chama foi obtida para o menor
número de Lewis. Os números de Zeldovich dessas misturas são iguais a 8,13 e 8,39,
respectivamente. De forma que, a maior velocidade máxima de propagação foi obtida para o
menor número de Zeldovich.

Entretanto, para as misturas Mix 3 e Mix 5 as velocidades máximas de propagação


obtidas foram 2172 cm/s (17,17 𝑉/𝑆𝐿 ) e 2293 cm/s (22,77 𝑉/𝑆𝐿 ), respectivamente. O
incremento da diluição com hélio nessas misturas resultou em um pequeno aumento da
velocidade de propagação da mistura, porém não muito significativo. A partir da comparação
entre os resultados das misturas de Mix 3 e Mix 5, pode-se inferir que com o aumento da
diluição de hélio na mistura tem-se uma maior oscilação e dispersão na aceleração nos estágios
iniciais da propagação da chama.

As misturas Mix 3 e Mix 5 tem números Lewis de 0,81 e 0,99, respectivamente. Assim,
observa-se nesse caso que a maior velocidade máxima de propagação da chama foi obtida para
o maior número de Lewis. Os números de Zeldovich dessas misturas são iguais a 5,23 e 5,71,
respectivamente. Assim como nas comparações anteriores, a maior velocidade máxima de
propagação foi obtida o número de Zeldovich mais próximo a 7.
54

Em todas as misturas combustíveis diluídas com hélio a aceleração da chama na janela


1 apresentou um o comportamento característico de decréscimo na velocidade de propagação
da frente de chama ao final deste trajeto. De acordo com Ponizy et al., 2014, a inversão da frente
de chama, ou formação da chama tulipa, está diretamente relacionada à desaceleração da frente
de chama nos instantes iniciais da propagação de uma chama em dutos. No entanto, este
fenômeno não pode ser observado devido à baixa qualidade das imagens obtidas para as
misturas diluídas com hélio neste estudo.

A Tabela 4.1 apresenta uma relação entre os números de Lewis e Zeldovich das misturas
estudadas e suas respectivas velocidades máximas de propagação. A Figura 4.7 apresenta os
resultados experimentais das velocidades máximas de propagação das misturas em função dos
números de Lewis e Zeldovich.

Tabela 4.1 – Relação do Número de Lewis e Zeldovich para as Velocidades Máximas de


Propagação das chamas.

𝑽𝒕𝒊𝒑 𝒎𝒂𝒙 Desvio


Desvio
Código Mistura Le Ze Padrão 𝑽/𝑺𝑳
(cm/s) Padrão
(cm/s)
Mix 1 [50%GN+50%H2] + ar 0,60 7,17 2615,03 93,39 33,67 1,24
Mix 2 [75%GN+25%H2] + ar 0,75 8,13 1961,43 22,73 33,24 0,39

Mix 3 [15%GN+85%H2] + 20%He + ar 0,81 5,23 2048,00 120,34 17,17 1,01

Mix 4 [75%GN+25%H2] + 10%He + ar 0,93 8,39 1078,34 99,07 20,49 1,88

Mix 5 [15%GN+85%H2] + 30%He + ar 0,99 5,71 2235,56 78,12 22,77 0,79

Mix 6 GN + ar 1,09 8,70 1554,33 85,80 31,58 1,74

Mix 7 [90%GN+10%H2] + 10%He + ar 1,14 8,67 1112,82 180,03 23,77 3,85

Mix 8 GN+10%He + ar 1,36 8,85 1163,80 46,81 26,52 1,06


55

Figura 4.7 – Velocidade máxima de propagação em função de Le e Ze.

Para a mistura de Mix 1, com número de Lewis de 0,60 e Zeldovich igual a 7,17, a
velocidade máxima de propagação da mistura na primeira janela foi de 2615,03 cm/s. No outro
extremo, para a mistura de Mix 8, com número de Lewis de 1,36 e Zeldovich igual a 8,85, a
velocidade máxima de propagação da mistura foi de 1163,80 cm/s, ou seja, um decréscimo da
ordem de mais de 50%, aproximadamente. Entretanto, para as demais misturas estudadas essa
correlação entre os números de Lewis e de Zeldovich e as velocidades de propagação não fica
muito evidente. A relação entre o número de Le e Ze e a velocidade máxima de propagação de
chama é apresentada na Figura 4.7, onde uma função potencial foi adotada para representar a
relação funcional entre Le, Ze e 𝑉𝑡𝑖𝑝 𝑚𝑎𝑥 .
56

A partir dos resultados obtidos infere-se que quando todas as misturas estão em função
de Le e Ze (Figura A e C), tem-se os valores de R² de 0,6093 e 0,806 respectivamente. Por outro
lado, o valor do R² atinge um valor de 0,9376 quando as misturas 4 e 5 não são consideradas
para o caso do número de Lewis (Figura B). Do mesmo modo, quando a mistura 4 não é
considerada para o caso do número de Zeldovich, o valor do R² aumenta consideravelmente,
atingindo um valor de 0,9681 (Figura D).

Desse modo, buscando uma relação entre as misturas estudadas, com relação ao número
de Lewis pode-se perceber que a mistura 4 tem um valor de 0,93 com teor de 10% de diluente
hélio na composição. Enquanto a mistura 5 tem um valor de 0,99 para o número de Lewis com
teor de 30% de diluente hélio na sua composição. Assim, nessas misturas o efeito da
difusividade mássica é maior do que o efeito da difusividade térmica. Porém, em ambos os
casos o Le é próximo ao valor unitário.

4.2 Comparação entre os valores da velocidade de propagação da chama experimental


e teórica

Como apresentado anteriormente, Valiev et al., 2013, desenvolveram um modelo


teórico para a aceleração de chamas nos instantes iniciais de uma propagação dentro de um duto
sem obstáculos. Esta teoria é a base de comparação para os resultados experimentais
encontrados neste estudo. Os autores sistematizaram essas equações de forma a relacionar,
dentre outros aspectos, o instante em que a chama toca as paredes laterais do duto e a velocidade
máxima de propagação de uma chama. A teoria proposta pelos autores, tem por base as
seguintes hipóteses simplificadoras consideradas neste estudo:

• o duto possui paredes adiabáticas;


• a propagação da chama é estudada em duas dimensões;
• o duto encontra-se fechado no lado da ignição;
• o escoamento é considerado incompressível inicialmente, porém, o efeito de
compressibilidade moderada é adicionado na segunda parte do desenvolvimento;
• a geometria é considerada plana;
57

• o escoamento é considerado como potencial, ou seja, é incompressível, irrotacional


e em regime permanente.

Assumindo estas hipóteses simplificadoras propostas por Valiev et al., 2013, e aplicando
às equações apresentadas no capítulo 2 deste estudo, a Tabela 4.2 apresenta o comparativo das
velocidades máximas experimentais, 𝑉/𝑆𝐿 𝑒𝑥𝑝, e as velocidades máximas calculadas,
𝑉/𝑆𝐿 𝑐𝑎𝑙𝑐, pelo modelo de Valiev et al., 2013 em função dos números de Lewis e Zeldovich
para todas as misturas do presente estudo nos instantes iniciais da propagação da chama, ou
seja, na janela 1. Do mesmo modo, a comparação entre o valor da velocidade da propagação
da chama obtidos experimentalmente, 𝑉/𝑆𝐿 𝑒𝑥𝑝, e pelo modelo de Valiev et al., 2013,
𝑉/𝑆𝐿 𝑐𝑎𝑙𝑐, apresenta-se em termos do valor absoluto do erro relativo (ARE) e da média do valor
absoluto do erro relativo (AARE).

A partir dos resultados obtidos na Tabela 4.2 observa-se que os menores valores do
AARE foram obtidos para as misturas Mix 1, Mix 2 e Mix 6, onde tais valores foram 9,48%,
17,18% e 28,94%. Por outro lado, os maiores valores do AARE foram obtidos para as
composições de Mix 8, Mix 4 e Mix 3 atingindo os valores de 64,84%, 104,47% e 106,92%,
respectivamente. A mistura Mix 5 apresentou o valor intermediário de AARE de 38,59%.

Com respeito ao número de Lewis, pode-se observar que as misturas que obtiveram os
menores valores de AARE foram Mix 1 e Mix 2 onde seus números de Lewis são 0,60 e 0,75
respectivamente. Assim, por este estudo pode-se inferir que o modelo de Valiev et al., 2013,
tem uma melhor correlação para misturas com baixos números de Lewis onde o efeito da
difusividade mássica é maior do que o efeito da difusividade térmica.

Percebe-se também que os melhores resultados obtidos para o modelo de Valiev et al.,
2013, ocorrem nas misturas sem a presença do diluente hélio. No entanto, mesmo para misturas
sem hélio o modelo de Valiev et al., 2013, não possui uma boa exatidão aos resultados
experimentais. Por isso, o presente trabalho seguiu a proposta apresentada por Quines et al.,
2021, onde buscou-se substituir os valores calculados da coordenada axial adimensional por
seus respectivos valores experimentais na equação 2.4 de Valiev et at., 2013. Com isso, tem-se
o modelo de Valiev et al., 2013, calculado com 𝜉𝑡𝑖𝑝 𝑒𝑥𝑝 . (Quines, et al., 2021)
58

Tabela 4.2 – Comparativo entre as velocidades máximas experimentais e velocidades máximas calculadas pelo modelo de Valiev et al., 2013.

Teste 1 Teste 2 Teste 3 AARE


Mistura Le Ze
𝑽/𝑺𝑳 𝒆𝒙𝒑 𝑽/𝑺𝑳 𝒄𝒂𝒍𝒄 ARE (%) 𝑽/𝑺𝑳 𝒆𝒙𝒑 𝑽/𝑺𝑳 𝒄𝒂𝒍𝒄 ARE (%) 𝑽/𝑺𝑳 𝒆𝒙𝒑 𝑽/𝑺𝑳 𝒄𝒂𝒍𝒄 ARE (%) (%)

[50% GN + 50%
0,60 7,17 32,24 37,38 15,94 34,36 36,59 6,49 34,41 36,48 6,02 9,48
H2] + ar
[75% GN + 25%
0,75 8,13 33,67 39,83 18,30 32,93 38,75 17,67 33,11 38,27 15,58 17,18
H2] + ar
[15% GN + 85%
0,81 5,23 18,21 35,83 96,76 17,09 35,36 106,90 16,20 35,17 117,10 106,92
H2] + 20% He + ar
[75% GN + 25%
0,93 8,39 18,86 43,02 128,10 20,07 40,44 101,49 22,55 41,45 83,81 104,47
H2] + 10% He + ar
[15% GN + 85%
0,99 5,71 23,36 32,42 38,78 21,87 31,45 43,80 23,09 30,75 33,17 38,59
H2] + 30% He + ar
GN + ar 1,09 8,70 32,08 41,50 29,36 29,64 40,56 36,84 33,02 39,83 20,62 28,94
[90% GN + 10%
1,14 8,67 27,56 43,32 57,18 23,87 42,61 78,51 19,87 42,33 113,03 82,91
H2] + 10% He + ar
GN + 10% He + ar 1,36 8,85 26,88 42,83 59,34 25,32 43,67 72,47 27,35 44,50 62,71 64,84
59

Com base nisso, a Tabela 4.3 apresenta o comparativo das velocidades máximas
experimentais, 𝑉/𝑆𝐿 𝑒𝑥𝑝, e as velocidades máximas calculadas, 𝑉/𝑆𝐿 𝑐𝑎𝑙𝑐, pelo modelo modificado
de Valiev et al., 2013, em função dos números de Lewis (Le) e Zeldovich (Ze) para todas as misturas
na janela 1. Da mesma forma, apresentam-se os valores absolutos do erro relativo (ARE) e as
respectivas médias do valor absoluto do erro relativo (AARE).

A partir dos resultados obtidos na Tabela 4.3 observa-se que os menores valores do AARE
foram obtidos para as misturas Mix 6, Mix 2, Mix 1, Mix 5 e Mix 8. Os valores do AARE para essas
misturas foram 1,07%, 2,49%, 3,46%, 5,59% e 9,83%, respectivamente. As demais misturas, Mix
4 e Mix 3, apresentaram um AARE de 28,21% e 28,90%, respectivamente.

Com base nos resultados apresentados na Tabela 4.3, pode-se observar que o modelo de
Valiev et al., 2013, calculado com 𝜉𝑡𝑖𝑝 𝑒𝑥𝑝 para o presente estudo apresenta AARE abaixo de 30%
em todas as misturas. Nesse sentido, pode-se inferir que o valor da variável 𝜉 se torna um elemento
chave para a melhoria do modelo de Valiev et al., 2013. Isso está em consonância com trabalhos
anteriores [Mendiburu et al., 2019; Quines, et al., 2021].

As misturas não contendo o hélio como diluente tiveram uma redução significativa do AARE
quando comparadas ao modelo de Valiev et al., 2013. Do mesmo modo, as misturas que possuem
hélio como diluente reduziram drasticamente o AARE, principalmente por no caso do modelo de
Valiev et al., 2013, ter AARE de mais de 100% para algumas misturas. Assim, uma melhoria no
modelo consistiria em considerar o efeito dos diluentes, como o He, no desenvolvimento.

Com relação ao número de Lewis, observa-se que as misturas que obtiveram os menores
valores de AARE foram Mix 6, Mix 2, Mix 1, Mix 5 e Mix 8 onde seus números de Lewis são 1,09,
0,75, 0,60, 0,99 e 1,36 respectivamente. Desse modo, no presente trabalho pode-se inferir que o
modelo de Valiev et al., 2013, calculado com 𝜉𝑡𝑖𝑝 𝑒𝑥𝑝 tem uma excelente correlação para misturas
de variados números de Lewis. Com isso, acredita-se que a correlação do modelo de Valiev et al.,
2013, calculado com 𝜉𝑡𝑖𝑝 𝑒𝑥𝑝 está mais associada com as misturas e seus respectivos diluentes do
que com os valores adimensionais de Lewis.
60

Tabela 4.3 – Comparativo entre as velocidades máximas experimentais e velocidades máximas calculadas pelo modelo de Valiev et al., 2013,
calculado com 𝜉𝑡𝑖𝑝 𝑒𝑥𝑝 .

Teste 1 Teste 2 Teste 3 AARE


Mistura Le Ze
𝑽/𝑺𝑳 𝒆𝒙𝒑 𝑽/𝑺𝑳 𝒄𝒂𝒍𝒄 ARE (%) 𝑽/𝑺𝑳 𝒆𝒙𝒑 𝑽/𝑺𝑳 𝒄𝒂𝒍𝒄 ARE (%) 𝑽/𝑺𝑳 𝒆𝒙𝒑 𝑽/𝑺𝑳 𝒄𝒂𝒍𝒄 ARE (%) (%)

[50% GN + 50%
0,60 7,17 32,24 33,17 2,88 34,36 32,81 4,51 34,41 33,38 2,99 3,46
H2] + ar
[75% GN + 25%
0,75 8,13 33,67 32,41 3,74 32,93 32,47 1,40 33,11 32,34 2,33 2,49
H2] + ar
[15% GN + 85%
0,81 5,23 18,21 20,35 11,75 17,09 23,76 39,03 16,20 22,02 35,93 28,90
H2] + 20% He + ar
[75% GN + 25%
0,93 8,39 18,86 23,75 25,93 20,07 25,94 29,25 22,55 29,19 29,45 28,21
H2] + 10% He + ar
[15% GN + 85%
0,99 5,71 23,36 24,26 3,85 21,87 24,30 11,11 23,09 23,51 1,82 5,59
H2] + 30% He + ar
GN + ar 1,09 8,70 32,08 32,58 1,56 29,64 29,74 0,34 33,02 33,45 1,30 1,07
[90% GN + 10%
1,14 8,67 27,56 29,62 7,47 23,87 24,60 3,06 19,87 23,14 16,46 9,00
H2] + 10% He + ar
GN + 10% He + ar 1,36 8,85 26,88 28,81 7,18 25,32 27,73 9,52 27,35 30,85 12,80 9,83
61

A Figura 4.8 apresenta os resultados experimentais e calculados pelo modelo de Valiev et


al., 2013 e pelo modelo de Valiev et al., 2013, calculado com 𝜉𝑡𝑖𝑝 𝑒𝑥𝑝 da aceleração de chama para
todas as misturas estudadas neste trabalho.

Figura 4.8 – Resultados experimentais e calculados pelo modelo de Valiev et al., 2013, de
aceleração de chama para misturas com hélio (A), misturas sem hélio (B) e todas as misturas
estudadas (C).

A partir da Figura 4.8 (A) percebe-se que para misturas envolvendo diluição com hélio o
modelo de Valiev et al., 2013, calculado com 𝜉𝑡𝑖𝑝 𝑒𝑥𝑝 apresentou uma melhor concordância entre
os resultados de 𝑉/𝑆𝐿 𝑐𝑎𝑙𝑐 e 𝑉/𝑆𝐿 𝑒𝑥𝑝. Do mesmo modo, pela Figura 4.8 (B) percebe-se que para
misturas sem diluição com hélio o modelo de Valiev et al., 2013, calculado com 𝜉𝑡𝑖𝑝 𝑒𝑥𝑝 apresentou
62

uma melhor concordância entre os resultados de 𝑉/𝑆𝐿 𝑐𝑎𝑙𝑐 e 𝑉/𝑆𝐿 𝑒𝑥𝑝. Entretanto, neste último
caso, a divergência entre os valores obtidos é visivelmente menor do que para o primeiro. Doutra
maneira, observa-se também pelas Figuras 4.8 (A) e 4.8 (B) que as misturas contendo hélio como
diluente foram mais lentas, ou seja, obtiveram menores valores de 𝑉/𝑆𝐿 comparadas as misturas
sem diluição com hélio.

A partir da Figura 4.8 (C) observa-se que o modelo de Valiev et al., 2013, calculado com
𝜉𝑡𝑖𝑝 𝑒𝑥𝑝 apresentou uma melhor concordância entre os resultados de 𝑉/𝑆𝐿 𝑐𝑎𝑙𝑐 e 𝑉/𝑆𝐿 𝑒𝑥𝑝 para todas
as misturas estudadas. De igual modo, torna-se evidente uma maior exatidão dos valores calculados
e experimentais quando se tratando das misturas que não contenham hélio como diluente.

A Figura 4.9 apresenta os resultados da aceleração de chama das misturas de Mix 6, Mix 2,
Mix 4 e Mix 8 pelo modelo de Valiev et al., 2013 calculado com 𝜉𝑡𝑖𝑝 𝑒𝑥𝑝 . A partir dos resultados
experimentais e calculados do modelo de Valiev et al., 2013 calculado com 𝜉𝑡𝑖𝑝 𝑒𝑥𝑝 pode-se observar
a acurácia dos resultados.

A partir dos resultados obtidos na Figura 4.9 (a), observa-se que para a mistura de Mix 6 o
modelo de Valiev et al., 2013, calculado com 𝜉𝑡𝑖𝑝 𝑒𝑥𝑝 apresentou uma boa exatidão aos dados
coletados experimentalmente. Do mesmo modo, pela Figura 4.9 (b), percebe-se que para a mistura
Mix 2 tem-se uma boa correlação entre os dados calculados e experimentais. Por se tratar de
misturas semelhantes, percebe-se também que os valores adimensionais de x/Dh obtidos foram
semelhantes para essas misturas. Entretanto, as velocidades máximas foram levemente maiores para
as misturas com a presença de hidrogênio.

A partir dos resultados apresentados na Figura 4.9 (c), percebe-se que a adição do diluente
hélio na mistura causa uma desaceleração na propagação da chama. Da mesma forma, a distância
em que a chama toca as paredes laterais diminui para um valor abaixo de dois. O modelo de Valiev
et al., 2013, calculado com 𝜉𝑡𝑖𝑝 𝑒𝑥𝑝 apresenta uma boa relação qualitativa com relação aos dados
experimentais. Entretanto, percebe-se que para uma melhor exatidão esse modelo necessite de
ajuste. Um comportamento semelhante foi observado na Figura 4.9 (d), onde verifica-se que com o
incremento do diluente hélio na mistura de gás natural tem-se uma desaceleração da velocidade de
propagação da mistura. A Figura 4.10 apresenta uma análise da aceleração de chama das misturas
de Mix 1, Mix 5, Mix 3 e Mix 7 pelo modelo de Valiev et al., 2013, calculado com 𝜉𝑡𝑖𝑝 𝑒𝑥𝑝 .
63

Figura 4.9 – Análise da aceleração de chama das misturas de (a) GN + ar (Mix 6), (b) [75%GN + 25%H2] + ar (Mix 2), (c) [75%GN + 25%H2] +
10%He + ar (Mix 4) e (d) GN + 10%He + ar (Mix 8) pelo modelo de Valiev et al., 2013, calculado com 𝜉𝑡𝑖𝑝 𝑒𝑥𝑝 .
64

Figura 4.10 – Análise da aceleração de chama das misturas de (a) [50%GN + 50%H2] + ar (Mix 1), (b) [15%GN + 85%H2] + 30%He + ar (Mix
5), (c) [15%GN + 85%H2] + 20%He + ar (Mix 3) e (d) [90%GN + 10%H2] + 10%He + ar (Mix 7) pelo modelo de Valiev et al., 2013 calculado
com 𝜉𝑡𝑖𝑝 𝑒𝑥𝑝 .
65

A partir dos resultados obtidos da Figura 4.10, observa-se que para todos os casos estudados
a aceleração da chama é representada pela inclinação da reta apresentada na janela 1. Na Figura 4.10
(a) observa-se que para a mistura Mix 1 tem-se um aumento considerável da aceleração e da
velocidade de propagação da chama frente às outras misturas. A adição de hidrogênio torna a
mistura mais reativa e consequentemente mais rápida. Do mesmo modo, os maiores valores de x/Dh
neste estudo foram obtidos nesta mistura. O modelo de Valiev et al., 2013, calculado com 𝜉𝑡𝑖𝑝 𝑒𝑥𝑝
apresentou boa exatidão para a mistura Mix 1.

Pelas Figuras 4.10 (b) e (c) percebe-se novamente que o incremento do diluente hélio torna
as misturas mais lentas. Assim como, os valores de x/Dh encontrados nessas misturas estão abaixo
de dois. Devido ao fato de a desaceleração dessas misturas ocorrer antes do final da primeira janela
de visualização, infere-se que o fenômeno da inversão da frente de chama, ou chama tulipa, possa
ter ocorrido nessas misturas. No entanto, esse fenômeno não pode ser observado de forma clara.

De forma análoga, observa-se na Figura 4.10 (d) a desaceleração da mistura Mix 7. Assim
como nas misturas anteriores, observou-se que a presença de hélio como diluente ocasionou uma
maior dispersão dos resultados obtidos experimentalmente.
66

5 CONCLUSÕES

A pesquisa apresentada se destinou a estudar experimentalmente a propagação de chamas


pré-misturadas envolvendo gás natural, hidrogênio e hélio, observando o efeito do número de Lewis
e do número de Zeldovich na aceleração das chamas. Para tal, esta análise foi dividida em duas
etapas. Na primeira etapa do trabalho, realizou-se um estudo sobre da aceleração da frente de chama,
seu comportamento nos instantes iniciais de uma propagação em dutos fechados e o modelo
disponível na literatura para caracterizar essa aceleração.

Na segunda parte, construiu-se uma bancada experimental para determinar as curvas da


velocidade de propagação de chamas pré-misturadas de algumas misturas variando o número de
Lewis e Zeldovich. Assim, buscou-se avaliar o efeito do número de Lewis e do número de Zeldovich
sobre a aceleração das chamas pré-misturadas em dutos fechados e comparar os resultados
experimentais da velocidade de propagação de chama com os resultados obtidos aplicando a teoria
disponível.

5.1 Resultados experimentais da velocidade de propagação da chama

Com relação a aceleração de chamas, as seguintes conclusões foram obtidas:

a) Todas as misturas estudas no presente trabalho apresentaram o comportamento


característico da aceleração da frente de chama, iniciando por uma rampa de aceleração
nos estágios iniciais da propagação e culminando em uma desaceleração oscilatória até
o final da propagação da chama. Entende-se que esta desaceleração está associada à
perda de calor com as paredes do duto à medida que ocorre a propagação, e à redução da
superfície da chama;
b) A mistura de Mix 1 atingiu a maior velocidade de propagação, enquanto a mistura de
Mix 3 atingiu a menor. Assim, infere-se que nas misturas onde teve a participação do
hélio ocorreu a inibição da reação de combustão;
c) Concomitantemente ao observado no item “b”, todas as misturas envolvendo o gás hélio
obtiveram menores valores das velocidades de propagação. De modo que, os resultados
67

encontrados tiveram maiores dispersões de valores de velocidade de propagação em


relação às outras misturas estudadas.

5.2 Comparação entre os resultados experimentais e o modelo disponível na literatura

Para o modelo de Valiev et al., 2013, as seguintes conclusões seguem abaixo:

a) O modelo de Valiev et al., 2013, apresentou uma exatidão aceitável para alguns casos,
quando comparado com dados experimentais. Entretanto, foram observados casos em que
o modelo teve uma exatidão extremamente baixa, apresentando erros relativos da ordem
de 100% para misturas com a diluição de hélio;
b) A determinação do parâmetro 𝜉𝑐𝑎𝑙𝑐 do modelo de Valiev et al., 2013, é um fator
preponderante que causa a maioria das divergências com os valores das velocidades
máximas da ponta da chama;
c) Devido a não adaptação do modelo para as misturas com a adição de hélio, o modelo de
Valiev et al., 2013, foi calculado com 𝜉𝑡𝑖𝑝 𝑒𝑥𝑝 de acordo as misturas estudadas neste
trabalho. Assim, após a alterações realizadas, os resultados calculados da velocidade de
propagação apresentaram uma melhor exatidão comparadas às velocidades de
propagação calculadas pelo modelo de Valiev et al., 2013, principalmente em se tratando
de misturas diluídas com hélio.

5.3 Número de Lewis e Zeldovich

As seguintes conclusões foram obtidas com relação aos números de Lewis e Zeldovich:

a) Quando número de Lewis foi menor que 1, observaram-se as maiores velocidades de


propagação das misturas estudadas. Assim, para essas misturas os efeitos de difusão de
massa são predominantes;
b) Quando o número de Lewis foi maior que 1, observaram-se menores velocidades de
propagação. Para essas misturas, os efeitos de difusão térmica são predominantes;
68

c) Com relação ao número de Zeldovich, observou-se que à medida que o número de


Zeldovich diminui, a velocidade de propagação tende a aumentar. Entretanto esse
aumento ocorre até o número de Zeldovich igual a 7, aproximadamente, onde abaixo
deste valor a velocidade máxima de propagação tende a diminuir.

5.4 Sugestões para trabalhos futuros

Por fim, as seguintes sugestões são apresentadas para trabalhos futuros relacionados a
obtenção da velocidade de propagação de chamas na bancada experimental:

a) Aferir a composição da mistura combustível com cromatografia gasosa para certificar a


composição da mistura estudada;
b) Automatizar o processo de preparação da mistura na câmara de mistura objetivando
melhorar a reprodutividade dos testes experimentais;
c) Realizar testes com outras composições que forneçam os mesmos números de Lewis
e/ou de Zeldovich das misturas estudadas para validar as relações da propagação de
chamas e os números adimensionais apresentadas nesta pesquisa.
69

6 REFERÊNCIAS

Bradley D., Lawes M. e Liu K. Turbulent flame speeds in ducts and the deflagration-
detonation transition, Combustion and Flame. vol. 154, p. 96-108, 2008.

Bychkov, Vitaly et al. Flame acceleration in the early stages of burning in tubes,
Combustion and Flame. v. 150, n. 4, p. 263-276, 2007.

Chakraborty N. e Cant R.S. Influence of Lewis number on strain rate effects in turbulent
premixed flame propagation. International journal of heat and Mass Transfer, v. 49, n. 13-14,
p. 2158-2172, 2006.

Ciccarelli G. e Dorofeev S. Flame acceleration and transition to detonation in ducts.


Progress in Energy and Combustion Science. v. 34, n. 4, p. 499-550, 2008.

Clanet C. e Searby G. On the "Tulip Flame" Phenomenon. Combustion and flame, v. 105,
n. 1-2, p. 225-238, 1996.

Coelho P. e Costa M. Combustã[Link], Porto 1ª ed. 2007.

Dorofeev S. Flame acceleration and explosion safety applications. Proceedings of the


combustion Institute. v. 33, n. 2, p. 2161-2175, 2011.

Ellis OC de C. Flame movement in gaseous explosive mixtures, J. Fuel Sci., v. 7, p. 502-


508, 1928.

Friedman R. Kinetics of the combustion wave. American Rocket Society Journal., v. 23,
n. 6, p. 349-354, 1953.

GasNet. Gás Natural. Composição do Gás Natural Comercial.


[Link] 2022, acessado em: 20-01-2022.

Glassman I. e Yetter R. Combustion. Elsevier, San Diego, 4ª ed. 2008.

Goodwin D. et al. Cantera: An object-oriented software toolkit for chemical kinetics,


thermodynamics, and transport processes. [Link] 2021, acessado em: 15-02-
2022.
70

Jin K. et al. Experimental study on a comparison of typical premixed combustible gas-air


flame propagation in a horizontal rectangular closed duct. Journal of Hazardous Materials, v.
327, p. 116-126, 2017.

Kratzel T., Pantow E. e Fischer M. On the transition from a highly turbulent curve flame
into a tulip flame. International journal of hydrogen energy, v. 23, n. 1, p. 45-51, 1998.

Kuo Kenneth K. Principles of Combustion - 2nd ed. Hoboken : John Wiley & Sons, Inc.,
2005.

Kurdyumov V. e Matalon M. Self-accelerating flames in long narrow open channels.


Proceedings of the Combustion Institute, v. 35, n. 1, p. 921-928, 2015.

Lauermann, C. H. Estudo da extinção de chamas pré-misturadas de combustíveis


alternativos. Dissertação de mestrado, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, no prelo.

Law C. K. Combustion Physics. New York : Cambridge University Press, 2006.

Lee J. The Detonation Phenomenon. New York : Cambridge, 2008.

Li R et al. A comparative investigation of premixed flame propagating of combustible gases-


methane mixtures across an obstructed closed tube. Fuel, v. 289, p. 119766, 2021.

Li Ya et al. Effects of diluents on laminar burning velocity and cellular instability of 2-


methyltetrahydrofuran-air flames. Fuel, v. 308, p. 121974, 2022.

Luo Z. et al. Experimental study on the deflagration characteristics of methane-ethane


mixtures in a closed duct. Fuel, v. 259, p. 116295, 2020.

Mendiburu A. et al. Characterization of the flame front inversion of Ethanol-Air


deflagrations inside a closed tube. Energy, v. 187, p. 115932, 2019.

Oran Elaine S., Chamberlain Geoffrey e Pekalski Andrzej. Mechanisms and occurrence of
detonations in vapor cloud explosions. Progress in Energy and Combustion Science, v. 77, p.
100804, 2019.

Physlets. Tracker Version 6.0.6. [Link] 2022, acessado em: 12-


01-2022.
71

Ponizy B., Claverie A. e Veyssière Tulip flame - the mechanism of flame front inversion.
Combustion and flame, v. 161, n. 12, p. 3051-3062, 2014.

Quines R., Nzinga M. e Mendibru A. Study of flame acceleration in closed and half-open
ducts. COBEM, Porto Alegre, 2021.

Salamandra G.D., Bazhenova T.V. e Naboko I.M. Formation of detonation wave during
combustion of gas in combustion tube. Em: Symposium (International) on Combustion. Elsevier,
1959. p. 851-855.

Shen X. et al. Evolution of premixed stoichiometric hydrogen/air flame in a closed duct.


Energy, v. 176, p. 265-271, 2019.

Shen X., He X. e Sun J. A comparative study on premixed hydrogen–air and propane–air


flame propagations with tulip distortion in a closed duct. Fuel, v. 161, p. 248-253, 2015.

Turns S. An Introduction to Combustion: Concepts and Applications. New York : McGraw-


Hill, 2012.

Valiev et al. Influence of gas compression on flame acceleration in the early stage of burning
in tubes. Combustion and Flame, v. 160, n. 1, p. 97-111, 2013.

Valiev. et al. Flame acceleration in channels with obstacles in the defragration-to-detonation


transition. Combustion and Flame, v. 157, n. 5, p. 1012-1021, 2010.

Verhelst S. e Wallner T. Hydrogen-fueled internal combustion engines. Progress in Energy


and Combustion Science, v. 35, n. 6, p. 490-527, 2009.

Wenhu H., Gao Yang e Chung K. Flame acceleration and deflagration-to-detonation


transition in micro- and macro-channels: An integrated mechanistic study. Combustion and flame,
v. 176, p. 285-298, 2016.

Xiao H. et al. Effects of ignition location on premixed hydrogen/air flame propagation in a


closed combustion tube. International journal of hydrogen energy, v. 39, n. 16, p. 8557-8563,
2014.
72

Xiao H. et al. Experimental study on the behaviors and shape changes of premixed hydrogen-
air flames propagating in horizontal duct. International journal of hydrogen energy, v. 36, n. 10,
p. 6325-6336, 2011.

Yang et al. An experimental study on premixed syngas-air flame propagating across an


obstacle in closed duct. Fuel, v. 267, p. 117200, 2020.

Yang X. et al. A comparative investigation of premixed flame propagation behavior of


syngas-air mixtures in closed and half-open ducts. Energy, v. 178, p. 436-446, 2019a.

Yang X. et al. An experimental investigation into the behaavior of premixed flames of


hydrogen/carbon monoxide/air mixtures in a half-open duct. Fuel, v. 237, p.619-629, 2019b.

Yang X. et al. Effect of equivalence ratio and ignition location on premixed syngas-air
explosion in a half-open duct. Fuel, v. 288, p. 119724, 2020.

Yao Z. et al. On explosion characteristics of premixed syngas/air mixtures with different


hydrogen volume fractions and ignition positions. Fuel, v. 288, p. 119619, 2021.

Yu M. et al. Experimental study of premixed syngas/air flame deflagration in a closed duct.


International jounal of hydrogen energy, v. 43, n. 29, p. 13676-13686, 2018.

Yu M. et al. Scale effects on premixed flame propagation of hydrogen/methane deflagration.


International journal of hydrogen energy, v. 40, n. 38, p. 13121-13133, 2015.

Zheng K. et al. Comparative study of the propagation of methane/air and hydrogen/air flames
in a duct using large eddy simulation. Process Safety and Environmental Protection, v. 120, p.
45-56, 2018.

Zheng K. et al. Experimental study on premixed flame propagation of hydrogen/methane/air


deflagration in closed ducts. International journal of hydrogen energy, v. 42, n. 8, p. 5426-5438,
2016.

Zitouni S. et al. Lewis number effects on lean premixed combustion characteristics of multi-
component fuel blends. Combustion and Flame, v. 238, p. 111932, 2022.
73

APÊNDICE A – Artigos publicados sobre propagação de chamas em dutos

Tabela A.1 – Relação de artigos publicados sobre propagação de chamas em dutos.

Razões de
Tipo de Espécies Ano da
Autores Equivalências Referência
estudo investigadas Publicação
estudadas

CH4, C2H6,
(Li, et al.,
Li et al. Experimental 0.9, 1.0, 1.1 C2H4, CO, H2 2021
2021)
e ar

(Yao, et al.,
Yao et al. Experimental 1.0 H2, CO e ar 2021
2021)

0.8, 1.0, 1.2, 1.4,


(Yang, et al.,
Yang et al. Experimental 1.6, 1.8, 2.0, 2.5, H2, CO e ar 2021
2021)
3.0

Experimental 0.72, 1.0, 1.12, CH4, C2H6 e (Luo, et al.,


Luo et al. 2020
e Numérico 1.13 ar 2020)

Yang et al. Experimental 1.0 H2, CO e ar 2020 (Yang, et al.,


2020)

Yang et al. Experimental 0.8 H2, CO e ar 2019 (Yang, et al.,


2019)

0.9, 1.0, 1.1, 1.2, (Mendiburu,


Mendiburu et al. Experimental C2H5OH e ar 2019
1.3, 1.4 et al., 2019)

1.0, 1.5, 2.0, 2.5, (Yu, et al.,


Yu et al. Experimental H2, CO e ar 2018
3.0 2018)

CH4 e misturas (Zheng, et al.,


Zheng et al. Numérico 1.0 2018
de H2 e ar 2018)
74

(Yang, et al.,
Yang et al. Experimental 0.8, 1.0, 1.2 H2, CO e ar 2018
2018)

GN, CH4, (Jin, et al.,


Jin et al. Experimental 0.4 – 1.7 2017
C2H2 e ar 2017)

(Zheng, et al.,
Zheng et al. Experimental 1.0 H2, CH4 e ar 2016
2016)

(Yu, et al.,
Yu et al. Experimental 1.0 H2, CH4 e ar 2015
2015)

1.0, 1.17, 1.82,


(Shen, et al.,
Shen et al. Experimental 2.24, 3.34, 4.10, H2, C3H8 e ar 2015
2015)
5.07

(Xiao, et al.,
Xiao et al. Experimental 1.58 H2 e ar 2014
2014)

0.6, 0.7, 0.8, 0.9, (Bradley, et


Bradley et al. Numérico CH4, H2 e ar 2008
1.0, 1.1, 1.2, 1.3 al., 2008)
75

APÊNDICE B – Passo a passo do funcionamento da bancada experimental

Passo a passo do funcionamento da bancada experimental

Antes de se iniciar o teste experimental, deve-se definir a mistura combustível desejada. Para
isso, foi criada uma tabela de excel que relaciona a fração de combustível utilizada na mistura com
sua respectiva pressão, assim utiliza-se o método de pressões parciais para realizar a mistura. Após
definida a mistura, deve-se realizar o vácuo na câmara de mistura até atingir a pressão de 0,5 kPa
ou inferior. A pressão é lida pelos transdutores de pressão e visualizada diretamente na tela do
computador por meio do software do FielLogger. Nesse momento somente a válvula de acesso do
vácuo para a câmara de mistura deve estar aberta, as demais válvulas devem estar fechadas.

A partir da realização do vácuo na câmara de mistura, deve-se fechar a válvula de vácuo e


desligar a bomba de vácuo. Neste momento deve-se preencher a câmara de mistura com as
quantidades desejadas das pressões dos gases utilizando o método de pressões parciais. Após atingir
a mistura desejada, deve-se fechar as válvulas de acesso à câmara de mistura e ligar o agitador
magnético que está instalado abaixo do balão da câmara de mistura por 10 minutos, isso assegura
que a homogeneização da mistura ocorra.

Quando estiver próximo ao término desses 10 minutos, deve-se iniciar o vácuo no duto de
propagação, ligando a bomba de vácuo e abrindo a válvula de acesso que liga a bomba de vácuo ao
duto de propagação. Após isso, deve-se abrir a válvula de acesso ao transdutor de pressão de 1 bar
que está instalado junto ao duto de propagação. Quando a pressão no interior do duto estiver próxima
ao vácuo, deve-se fechar a válvula de acesso da bomba de vácuo para o duto e desligar o
equipamento.

O passo seguinte é desligar o agitador magnético e abrir a válvula que liga a câmara de
mistura ao duto de propagação. Neste instante, parte da mistura combustível que foi preparada na
câmara de mistura será inserida no duto de propagação. A pressão inicial desejada no duto de
propagação é de 40 KPa. A leitura dessa pressão é realizada pelo transdutor de pressão de capacidade
de 1 bar instalado junto ao duto de propagação. Após obter a pressão desejada torna-se muito
importante que a válvula de acesso ao transdutor de pressão de 1 bar seja fechada, pois caso contrário
esse transdutor será danificado no ato da ignição e propagação da chama devido ao elevado
gradiente de pressão proveniente da combustão da mistura inflamável.
76

Após isso, por precaução, confere-se o sistema de autotrigger do software de aquisição de


imagens para não desperdiçar o teste de propagação, e na sequência aciona-se a ignição. Ao término
da propagação da chama, deve-se abrir a válvula de exaustão do duto para aliviar a pressão interna
e evacuar os gases queimados, após isso deve-se abrir a válvula de acesso do nitrogênio ao duto
com o objetivo de realizar a limpeza interna do duto de propagação.

Logo após o término da limpeza interna do duto, deve-se fechar as válvulas de acesso do
nitrogênio e de exaustão, respectivamente. Com isso, inicia-se novamente o procedimento de vácuo
no duto ligando a bomba de vácuo e abrindo-se a válvula de acesso do vácuo ao duto. Nesse
momento, deve-se abrir a válvula de acesso do transdutor de 1 bar ao duto e repetir novamente o
processo de enchimento da mistura combustível da câmara de mistura para o duto de propagação.

Quando a quantidade de gases na câmara de mistura for insuficiente para realizar mais testes
no duto de propagação, antes preparar uma nova mistura, deve-se realizar a limpeza da câmara de
mistura. Para realizar este procedimento, primeiro deve-se inserir o gás inerte nitrogênio até uma
pressão de 150 KPa dentro do balão com o objetivo de diluir a mistura, assim pode-se com segurança
acionar a bomba de vácuo para retirar os gases inseridos dentro do balão da câmara de mistura. Logo
após o vácuo ser realizado, deve-se inserir ar sintético 5.0 até uma pressão de 100 KPa dentro da
câmara de mistura. Somente após isso, o procedimento de preparação da próxima mistura pode ser
realizado e os testes podem ser retomados.
77

APÊNDICE C – Resultados da propagação da frente de chamas para algumas


misturas
Tabela C.1 – Imagens representativas da propagação da frente da chama para mistura [90% GN +
10% H2] + 10% He + ar.

[90% GN + 10% H2] + 10% He + ar


Propagação da Frente de Chama x (cm) V (cm/s)

6,62 340,73

10,44 449,57
Janela 1

15,64 743,85

22,77 804,32

43,26 278,20
Janela 2

48,86 360,09
78

53,72 277,40

57,58 272,07

80,81 174,58

86,52 163,22
Janela 3

91,15 86,43

95,09 134,42
79

Tabela C.2 – Imagens representativas da propagação da frente da chama para mistura GN + 10%
He + ar.

GN + 10% He + ar
Propagação da Frente de Chama x (cm) V (cm/s)

6,29 444,14

9,84 615,54
Janela 1

15,13 943,78

24,49 1055,55

41,47 195,97
Janela 2

47,59 242,81

53,68 195,98
80

58,45 274,87

78,88 157,41

84,51 124,51
Janela 3

88,50 111,58

91,51 105,71
81

APÊNDICE D – Planilha de preparação de misturas

Figura D.0.1 – Planilha preparação de mistura dos testes experimentais.


82

ANEXO I – Certificados de calibração dos transdutores


83
84
85
86
87
88
89
90

ANEXO II – Certificado de calibração bomba de vácuo


91

ANEXO III – Informações câmera Phantom v411


92
93
94

Você também pode gostar