Velocidade de Chamas em Duto Fechado
Velocidade de Chamas em Duto Fechado
por
por
Mestre em Engenharia
Aprovada por:
iii
AGRADECIMENTOS
Agradeço ao meu orientador, Prof. Dr. Andrés Armando Mendiburu Zevallos, pelos
ensinamentos, compreensão e generosidade em sempre estar disposto a transmitir os
conhecimentos necessários para a elaboração desta dissertação. A sua ajuda foi fundamental
para concluir este trabalho.
Agradeço ao meu caro amigo Eng. Manuel Nzinga pelo apoio, ajuda e paciência em
transmitir os conhecimentos da área de energia e principalmente cinética química. Sua ajuda
foi extremamente importante pois me ajudou a elucidar melhor os fenômenos envolvidos nos
processos de combustão.
Agradeço em especial à minha querida esposa Fernanda Belmonte, por todo seu carinho,
amor e dedicação com nossos filhos Maria Eduarda e João Pedro no momento em que estive
neste curso, assim como o apoio incondicional em toda nossa jornada juntos. Sei que vocês
precisaram ter muita paciência comigo durante este curso, afinal foram horas de estudo
dedicadas em prol deste projeto. Muito obrigado, amo vocês com toda fibra do meu ser.
Agradeço à Deus e ao Meu Salvador, sim, Jesus Cristo que sempre estiveram ao meu
lado, mesmo diante das dificuldades pude sentir o consolo, ajuda e amor nesta jornada.
iv
RESUMO
v
ABSTRACT
The socioeconomic development of the world is closely related to energy demand. In this sense,
the science of combustion has been playing a leading role in the development of new
technologies. The flame propagation can be classified into deflagrations (Ma<1), and
detonations (Ma>1). This work describes the experimental study of flame propagation pre-
mixed involving deflagrations of mixtures of natural gas, hydrogen and helium, observing the
effect of the Lewis number and the Zeldovich number on the flame propagation. For this
purpose, an experimental bench was built in order to carry out tests to obtain the flame
propagation speed along a closed duct. Also, the experimental results were compared with an
analytical model available in the literature. Therefore, it was verified that the Valiev et al., 2013
showed acceptable accuracy for some cases, when compared with experimental data. However,
cases were observed in which the model had an extremely low accuracy, presenting relative
errors of the order of 100% for mixtures with helium dilution. The model uses as one of the
input data the theoretical dimensionless distance in the duct. Due to the poor performance of
the model for the mixtures with the addition of helium, the calculations were repeated using the
dimensionless experimental distance, instead of the calculated experimental distance, according
to the mixtures studied in this work. Thus, after the changes made, the results calculated for the
propagation velocity showed better accuracy compared to the propagation velocities calculated
by the propagation model. Valiev et al., 2013, especially in the case of mixtures diluted with
helium. Regarding the dimensionless numbers, it was observed that the propagation speed of
the studied mixtures increases when 𝐿𝑒 < 1 and 𝑍𝑒 is close to 7, while for 𝐿𝑒 > 1, 𝑍𝑒 < 7 or
𝑍𝑒 > 7 flame propagation speeds tend to decrease.
vi
ÍNDICE
1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 1
1.1 Motivação ................................................................................................................... 1
1.2 Estado da Arte ............................................................................................................ 3
1.3 Objetivos do trabalho ................................................................................................. 7
1.3.1 Objetivo geral ............................................................................................................. 7
1.3.2 Objetivos específicos .................................................................................................. 7
1.4 Organização do Trabalho............................................................................................ 8
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ........................................................................... 9
2.1 Fenômeno de inversão de chama em dutos ................................................................ 9
2.2 Observação da aceleração de chamas pré-misturadas em dutos fechados ............... 13
2.3 Efeito da razão de equivalência sobre a velocidade e aceleração de chamas ........... 17
2.4 Efeito da pressão inicial na aceleração da chama ..................................................... 20
2.5 Efeito do enriquecimento com hidrogênio ............................................................... 22
2.6 Teoria disponível na literatura .................................................................................. 23
2.6.1 Modelo analítico para previsão da velocidade de propagação da frente de chama .. 23
2.7 Efeito do número de Lewis na propagação da chama .............................................. 26
2.8 Efeito do número de Zeldovich na propagação da chama ........................................ 27
3 MATERIAIS E MÉTODOS .................................................................................. 30
3.1 Bancada experimental da propagação de chamas..................................................... 30
3.1.1 Duto de propagação .................................................................................................. 30
3.1.2 Câmara de Mistura.................................................................................................... 31
3.1.3 Sistema de Aquisição de Dados ............................................................................... 34
3.2 Procedimento experimental ...................................................................................... 35
3.2.1 Preparação da mistura na câmara de mistura............................................................ 35
3.2.2 Transferência da mistura para o duto e teste de propagação .................................... 36
3.3 Determinação da velocidade de propagação da chama ............................................ 38
3.4 Validação com o modelo teórico disponível ............................................................ 41
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES ......................................................................... 43
4.1 Velocidade de propagação da chama experimental .................................................. 43
vii
4.2 Comparação entre os valores da velocidade de propagação da chama experimental e
teórica....................................................................................................................................... 56
5 CONCLUSÕES....................................................................................................... 66
5.1 Resultados experimentais da velocidade de propagação da chama .......................... 66
5.2 Comparação entre os resultados experimentais e o modelo disponível na literatura67
5.3 Número de Lewis e Zeldovich.................................................................................. 67
5.4 Sugestões para trabalhos futuros .............................................................................. 70
REFERÊNCIAS ..................................................................................................................... 71
APÊNDICE A – Artigos Publicados Sobre Propagação de Chamas em Dutos ................ 73
APÊNDICE B – Passo a Passo do Funcionamento da Bancada Experimental ................ 75
APÊNDICE C – Resultados da Propagação da Frente de Chamas para Algumas
Misturas...................................................................................................................................77
APÊNDICE D – Planilha de Preparação de Misturas ........................................................ 81
ANEXO I – Certificados de Calibração dos Transdutores ................................................ 82
ANEXO II – Certificado de Calibração Bomba de Vácuo ................................................. 90
ANEXO III – Informações Câmera Phantom V411 ........................................................... 91
viii
LISTA DE FIGURAS
ix
Figura 4.8 Resultados experimentais e calculados pelo modelo de Valiev et al., 2013
de aceleração de chama para misturas com hélio (A), misturas sem hélio
(B) e todas as misturas estudadas (C).........................................................61
Figura 4.9 Análise da aceleração de chama das misturas de (a) GN + ar (Mix 6), (b)
[75%GN + 25%H2] + ar (Mix 2), (c) [75%GN + 25%H2] + 10%He + ar
(Mix 4) e (d) GN + 10%He + ar (Mix 8) pelo modelo de Valiev et al., 2013
calculado com 𝜉𝑡𝑖𝑝 𝑒𝑥𝑝.............................................................................63
Figura 4.10 Análise da aceleração de chama das misturas de (a) [50%GN + 50%H2] +
ar (Mix 1), (b) [15%GN + 85%H2] + 30%He + ar (Mix 5), (c) [15%GN +
85%H2] + 20%He + ar (Mix 3) e (d) [90%GN + 10%H2] + 10%He + ar
(Mix 7) pelo modelo de Valiev et al., 2013 calculado com 𝜉𝑡𝑖𝑝 𝑒𝑥𝑝..........64
Figura D.0.1 Planilha preparação de mistura dos testes experimentais...........................81
x
LISTA DE TABELAS
xi
LISTA DE SIGLAS E ABREVIATURAS
xii
LISTA DE SÍMBOLOS
Símbolos Latinos
Ma Número de Mach
AR Razão de Aspecto
ºC Grau Celsius
m Metros
cm Centímetros
mm Milímetros
kPa Quilo Pascal
Dh Diâmetro Hidráulico do Duto
L Comprimento do Duto
s Segundos
ms Mili Segundos
𝑉𝑚á𝑥 Velocidade máxima da chama
𝐷𝐴𝐵 Difusividade de massa
𝐸𝑎 Energia de ativação
𝑅 Constante universal dos gases
𝑈 Velocidade máxima da ponta da chama
𝑆𝐿 Velocidade de chama laminar
𝐶𝑠,0 Velocidade do som dos reagentes
𝐿𝑒 Número de Lewis
𝑍𝑒 Número de Zeldovich
𝑇𝑏 Temperatura do gás queimado
𝑇𝑢 Temperatura do gás não queimado
ℓ°𝑅 Espessura da região de ativação da reação
ℓ°𝐷 Espessura da região de transporte
𝑓° Fluxo de massa
𝑇𝑎 Temperatura de chama adiabática
𝑉𝑒𝑥𝑝 Velocidade de propagação experimental
𝑉𝑐𝑎𝑙𝑐 Velocidade de propagação calculada
xiii
𝑉/𝑆𝐿 Velocidade de propagação de chama/velocidade de chama laminar
adimensional
𝑥/𝐷ℎ Distância percorrida pela chama/diâmetro hidráulico do duto adimensional
𝑉𝑡𝑖𝑝 𝑚𝑎𝑥 Velocidade máxima de propagação da ponta da chama
Símbolos Gregos
ϕ Razão de equivalência
𝛩 Coeficiente de expansão dos gases
𝜉 Coordenada axial adimensional
𝜏𝑤 Tempo em que a chama toca as paredes laterais
𝛾 Capacidades caloríficas
𝜌𝑢 Densidade do gás não queimado
𝜌𝑏 Densidade do gás queimado
𝛼 Difusividade térmica
xiv
1
1 INTRODUÇÃO
1.1 Motivação
Nos primeiros estudos experimentais, em meados da década de 30, foi descoberto que a
forma da frente de chama passa de convexa para côncava quando a razão entre o comprimento
e o diâmetro do duto for maior que dois [Ellis, 1928]. Anos mais tarde, Salamandra et al., 1959,
2
chamou essa chama de chama tulipa. Essa chama é uma forma particular da frente de chama
com curvatura invertida, que pode ser frequentemente observada durante a propagação de
deflagrações, tanto em dutos fechados como em dutos semiabertos [Yang et al., 2019a]. Desse
modo, alguns estudos experimentais e simulações numéricas foram realizados para tentar
explicar essa inversão da frente de chama [Ponizy et al., 2014; Yang et al., 2019a; Yang et al.,
2019b; Yu et al., 2018]. As primeiras pesquisas relatam que essa inversão da frente de chama
pode ser um resultado na interação entre a chama e uma onda de choque. Entretanto, as ondas
de choque são dificilmente observadas até que a chama tulipa se forme.
Nesse sentido, este trabalho tem por objetivo estudar a influência do número de Lewis
e de Zeldovich sobre a velocidade de propagação de chamas pré-misturas. Para tanto, objetiva-
se desenvolver um estudo experimental da propagação de chamas em um duto fechado livre de
obstáculos, variando os números adimensionais de Lewis e Zeldovich nas diferentes misturas
envolvendo gás natural, hidrogênio e hélio, e comparar os resultados experimentais com os
resultados teóricos obtidos com o modelo teórico de Valiev et al., 2013.
Pelos trabalhos aqui apresentados observa-se que todos estes autores buscaram
desenvolver um estudo considerando, entre os assuntos abordados, a velocidade de propagação
de chama com diversas misturas. Entretanto, nenhum dos trabalhos citados considerou a
influência do número de Lewis e Zeldovich sobre a velocidade de chama nos estágios iniciais
da propagação. Nesse sentido, surge a necessidade de desenvolver um estudo sobre a velocidade
de propagação de chamas em dutos fechados relacionando essas variáveis. Os principais
trabalhos publicados sobre propagação de chamas em dutos podem ser encontrados no
Apêndice A.
Este trabalho tem por objetivo estudar experimentalmente a propagação de chamas pré-
misturadas envolvendo gás natural, hidrogênio e hélio, observando o efeito do número de Lewis
e do número de Zeldovich na velocidade de propagação das chamas.
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
Os primeiros estudos alegavam que a chama tulipa era um resultado da iteração entre a
frente de chama com uma onda de choque [Salamandra et al., 1959]. Entretanto, os estudos
experimentais conduzidos por Clanet e Searby, 1996, mostraram que a formação da chama da
tulipa é uma manifestação da instabilidade de Rayleigh - Taylor impulsionada pela
desaceleração na ponta da chama [Clanet et al., 1996]. Para Kratzel et al., 1998, o efeito físico
mais importante na formação da chama tulipa parte da interação entre a chama e as ondas de
pressão, as instabilidades de chama, e uma longa região de vórtices em grande escala atrás da
área da frente de chama.
condições atmosféricas em um tubo com razões de aspecto entre 3,2 e 42,85. Para monitorar o
começo da propagação da chama, um medidor de ionização foi instalado próximo à ignição, e
as variações de pressão foram registradas por um medidor piezoelétrico, enquanto as imagens
foram obtidas através de uma câmera de alta velocidade. A Figura 2.1 apresenta a formação da
chama tulipa em um duto. As imagens foram obtidas por meio de visualização com sistema
Schlieren.
Figura 2.1 – Imagens Schlieren da formação da chama tulipa [Ponizy et al., 2014].
Segundo Ponizy et al., 2014, a inversão da frente de chama, ou chama tulipa, resulta de
um fenômeno puramente hidrodinâmico, porém não simples. Esse processo hidrodinâmico
ocorre pela competição entre o movimento dos gases queimados defletidos que se expandem
nas laterais da chama e o movimento reverso dos gases queimados resultantes da fase inicial da
propagação da chama. Estudos recentes mostraram que a velocidade da ponta da chama é quase
constante à medida que a chama se propaga na forma de tulipa em experimentos realizados em
dutos fechados [Yang et al., 2019a]. Outro comportamento interessante é o fato de que em dutos
11
fechados pode-se observar a formação de uma segunda chama tulipa logo após a formação da
primeira tulipa, ou seja, a denominada tulipa distorcida [Yu et al., 2018].
a) Na primeira fase ocorre uma expansão livre da chama com uma velocidade
constante;
b) Na segunda fase a chama assume a forma alongada ou “finger flame” e assim a área
da superfície da chama aumenta rapidamente, acelerando esta no sentido axial;
c) Na terceira fase a frente de chama se propagando lateralmente ou “flame skirt”
atinge as paredes laterais do duto;
12
d) Na quarta fase ocorre a formação da chama plana e nesse momento a frente de chama
se inverte formando a chama tulipa;
e) Na quinta fase ocorre a formação da chama tulipa distorcida.
Figura 2.2 – Fases da formação da chama tulipa e tulipa distorcida [Adaptado de Yang et al.,
2019a].
mais brusca quando a ignição foi instalada do lado oposto da ignição original. Do outro lado,
quando a mistura foi ignizada com a fonte de ignição instalada junto à ignição original, foram
obtidas todas as formas clássicas de propagação da frente de chama, ou seja, chama esférica,
chama em forma de dedo, chama plana e a chama tulipa. Concomitantemente a isso, à medida
que a razão de equivalência aumenta, a geometria da chama altera significativamente.
A propagação de chamas em um duto fechado vem sendo estudado por diversos autores.
De acordo com Dorofeev, 2011, o comportamento da aceleração da chama pode ser
caracterizado por parâmetros importantes como a velocidade de queima laminar e a razão de
densidades entre os reagentes e os produtos. Ainda, de acordo com o autor, a aceleração de
chamas sofre influência das instabilidades da chama e suas interações com o confinamento,
obstruções e turbulência. Assim, Ciccarelli e Dorofeev, 2008, estudaram os detalhes sobre essas
propriedades básicas das chamas. Kurdyumov et al., 2015, afirmam que a aceleração da chama
está condicionada principalmente a dois efeitos físicos: a expansão dos gases queimados e o
confinamento lateral do duto.
Figura 2.3 – Geometria de uma chama acelerando em forma de dedo [Adaptado de Valiev et
al., 2013].
realizados em um duto de vidro com extremidades fechadas com cinco valores de AR (5; 6,7;
10; 12,5 e 20). O sistema de ignição foi instalado junto à seção transversal direita do duto. Neste
estudo, Zheng et al., 2016, verificaram que para todas as configurações de AR estudadas, a
dinâmica da velocidade de propagação da chama estava relacionada à pressão, e ambas
aumentavam significativamente com o aumento das frações de hidrogênio na mistura
combustível.
Luo et al., 2020, realizaram um estudo numérico e experimental para analisar o efeito
da sobre pressão na velocidade de propagação de chamas pré-misturadas de metano-ar e etano-
ar em duto fechado. Os resultados mostraram que no instante inicial da propagação da chama,
a velocidade de propagação tem um crescimento exponencial, seguido por uma segunda fase
em que a velocidade de propagação diminui consideravelmente após a formação da tulipa. À
medida que uma chama tulipa é gerada, a frente de chama desordenada causa uma grande
perturbação no processo de propagação da chama. Os autores também observaram que para
chamas contendo maiores frações volumétricas de etano a velocidade de propagação da frente
de chama foi maior.
existe um excesso de oxidante (mistura pobre) [Law, 2006]. A razão de equivalência pode ser
descrita matematicamente pela equação 2.1:
(𝐹 ⁄𝐴)
𝜙= (2.1)
(𝐹 ⁄𝐴)𝑒𝑠𝑡𝑒𝑞
onde 𝐹 ⁄𝐴 é definida como a razão entre a massa de combustível pela massa de oxidante na
mistura e o subscrito “esteq” designa a composição estequiométrico da mistura. (Law, 2006)
Assim, de acordo com Turns, 2012, a razão de equivalência pode ser considerada como
um dos fatores mais importantes na determinação do desempenho de um sistema que envolvem
processos de combustão. Ainda, Turns, 2012, observou que nas misturas levemente ricas
obtém-se os maiores valores de velocidade da chama. Segundo Coelho e Costa, 2007, misturas
com hidrogênio apresentam velocidades de propagação mais elevadas frente às demais, isso
ocorre porque o hidrogênio apresenta uma velocidade de propagação de chama laminar superior
à dos hidrocarbonetos, tanto pela maior difusividade térmica, quanto pela maior taxa de reação
do hidrogênio [Coelho e Costa, 2007).
No estudo de Shen et al., 2015, a maior velocidade de propagação da chama pode ser
obtida com uma razão de equivalência de 1,17, ou seja, em uma mistura levemente rica.
Entretanto, conforme a razão de equivalência tende para misturas muito ricas (ϕ ≥ 3,34), a
velocidade de propagação da chama tende a diminuir. Assim, evidenciando que a razão de
equivalência é um fator preponderante na propagação de chamas.
19
Jin et al., 2017, observaram que para todas as misturas por eles estudadas, as velocidades
máximas de propagação da ponta da chama foram obtidas nas misturas próximas das
estequiométricas. Do mesmo modo, as máximas pressões dinâmicas e os menores tempos em
que a chama toca as paredes laterais ocorrem nas misturas próximas das estequiométricas.
Luo et al., 2020, realizaram um estudo experimental das deflagrações de chamas pré-
misturadas de metano, etano e ar em um duto fechado. Neste estudo, os autores observaram que
para as misturas de metano-ar e etano-ar, os resultados em relação as velocidades de propagação
foram elevadas para misturas levemente ricas. Assim, torna-se evidente que a razão de
equivalência tem um papel muito importante na velocidade máxima de propagação de uma
chama. A Tabela 2.1 apresenta um resumo dos principais estudos relatados na literatura.
20
𝑽𝒎á𝒙 Razão de
Autor Mistura ⁄𝑺 𝝉𝒘 (s)
𝑳 equivalência
[Bradley et al., 2008] H2 e ar ----- Levemente rica -----
Segundo Law, 2006, a pressão inicial tem efeito significativo na propagação de uma
chama. Conforme a pressão aumenta, a velocidade de propagação de chama tende a diminuir
[Law, 2006; Coelho e Costa, 2007]. Valiev et al., 2013, estudaram a influência da compressão
nos primeiros instantes de propagação de uma chama. Neste estudo, as pressões iniciais
variaram entre 0,2 e 0,75 bar. Assim, a partir da variação da pressão inicial tem-se à oscilação
do coeficiente de expansão dos gases (𝛩), que é a relação entre a densidade dos gases queimados
e não queimados. Entre os resultados obtidos, pode-se observar que, para os instantes iniciais
de uma propagação, quanto menor for a pressão inicial, maior é a espessura térmica da chama,
consequentemente, o efeito puro da curvatura torna-se mais evidente. Entretanto, pela teoria
proposta pelos autores, foi constatado que a variação da pressão tem uma influência mínima
sobre da propagação inicial de uma chama.
Estudos recentes publicados por Mendiburu et al., 2019, avaliaram, dentre outros
aspectos, o efeito da pressão inicial na propagação de chamas pré-misturadas de etanol e ar em
um tubo fechado. As pressões iniciais nos testes variaram entre 0,2 e 0,6 bar, e as razões de
equivalência variaram de 0,9 a 1,4. Pelos resultados obtidos, observa-se que a oscilação da
21
A partir dos estudos analisados, pode-se inferir que a pressão inicial pode ter efeito no
comportamento da propagação de algumas misturas de chamas pré-misturadas, principalmente
quando comparados resultados considerando uma faixa mais ampla de pressões. Dessa forma,
a pressão inicial pode ter efeito no comportamento da chama, tornando a velocidade de
propagação maior para uma maior pressão inicial, afetando a formação da chama tulipa, e
tornando a chama tulipa distorcida mais regular ou irregular. Entretanto, poucos estudos foram
realizados com base no efeito da pressão inicial na velocidade de propagação de chamas em
dutos. As informações citadas podem ser observadas na Tabela 2.2.
Velocidade de
Autor Mistura Pressão Inicial
propagação da chama
[Valiev et al., 2013] H2 e O2 Baixa Efeito mínimo
C2 H5 OH e
[Mendiburu et al., 2019] Baixa Efeito mínimo
ar
[Shen et al., 2019] H2 e ar Baixa Aumenta
22
Nesta seção será apresentado o modelo analítico de Valiev et al., 2013, que permite
prever o comportamento da velocidade e aceleração da chama no estágio inicial da propagação,
dentro de um duto livre de obstáculos. Vale ressaltar que poucos são os modelos disponíveis na
literatura que abordam a propagação de chamas em dutos fechados nos instantes iniciais.
Valiev et al., 2013, apresentaram a teoria mais recente da aceleração de chamas nos
instantes iniciais de uma propagação para um duto sem obstáculos. Neste estudo foram
apresentadas relações matemáticas para representar os instantes iniciais da aceleração de
chamas em dutos.
Valiev et al., 2013, sistematizaram essas equações de forma a relacionar, dentre outros
aspectos, o instante em que a chama toca as paredes laterais do duto e a velocidade máxima de
propagação de uma chama. A partir do instante em que a chama toca as paredes laterais de um
24
duto pode-se determinar qual a distância a partir da fonte de ignição em que ocorre uma
desaceleração da propagação de chama dentro de um duto livre de obstáculos [Mendiburu et
al., 2019]. A teoria proposta por Valiev et al., 2013, tem por base as seguintes hipóteses
simplificadoras:
Assumindo uma chama com a geometria plana, a análise proposta por Valiev et al.,
2013, se inicia pela equação diferencial apresentada na Equação 2.2 abaixo:
𝑑𝜉
= −𝑀𝑎𝛾(𝛩 − 1)²𝜉² + 𝜎1,𝑝𝑙 𝜉² + 𝛩1 (2.2)
𝑑𝜏
O tempo estimado em que a frente de chama se propaga lateralmente no duto pode ser
obtido pela Equação 2.3 por:
𝑙𝑛𝛩
𝜏𝑤 = (2.3)
𝛩−1
2𝛩1 [exp(𝜎2 𝜏) − 1]
𝜉= (2.4)
(𝜎2 − 𝜎1,𝑝𝑙 )exp (𝜎2 𝜏) + (𝜎2 + 𝜎1,𝑝𝑙 )
A velocidade máxima de propagação da ponta da chama é dada pela Equação 2.5 por:
𝑈
= −𝑀𝑎𝛾(𝛩 − 1)²𝜉²𝑤 + 𝜎1,𝑝𝑙 𝜉𝑤 + 𝛩1 (2.5)
𝑆𝐿
Alguns parâmetros auxiliares são obtidos pelas Equações 2.6, 2.7 e 2.8:
As Equações 2.6, 2.7 e 2.8 utilizam parâmetros auxiliares para o cálculo, como o
coeficiente de expansão dos gases (𝛩 = 𝜌𝑢 ⁄𝜌𝑏 ) que relaciona as densidades dos gases
queimados e não queimados, o coeficiente das capacidades caloríficas (𝛾 = 𝑐𝑝 ⁄𝑐𝑣 ) e o número
de Mach inicial da propagação da chama (𝑀𝑎 = 𝑆𝐿 ⁄𝐶𝑠,0), que relaciona a velocidade de chama
laminar e a velocidade do som dos reagentes.
dados experimentais aos adquiridos numericamente e validar a proposta apresentada por Valiev
et al., 2013.
𝛼
𝐿𝑒 = (2.9)
𝐷𝐴𝐵
Turns et al., 2012, consideram o número de Lewis como sendo um valor unitário.
Entretanto, a variação da composição do combustível confere mudanças nas propriedades
químicas e de transporte, que por sua vez alteram a reatividade e as características de queima
da mistura combustível [Zitouni et al., 2022]. Assim, o número adimensional de Lewis
representa uma propriedade chave para a caracterização da propagação de chamas.
com o aumento de diluente na mistura. Por outro lado, tanto a temperatura adiabática de chama
e a difusividade térmica aumentaram com o incremento de diluente na mistura.
Nesse sentido, o trabalho atual aborda uma variação do número adimensional de Lewis
para algumas misturas combustíveis utilizando o hélio como diluente na mistura.
𝐸𝑎 𝑇𝑏 − 𝑇𝑢
𝑍𝑒 = ( ) (2.10)
𝑅𝑇𝑏 𝑇𝑏
A região de reação é uma região muito estreita que tem uma mudança rápida e brusca
devido à ativação da reação [Law, 2006]. Esta rápida taxa de mudança de propriedades dentro
dessa estreita região implica que o transporte por difusão tem uma influência maior do que o
transporte por convecção. Partindo da equação da conservação de massa e da conservação de
energia, assumindo algumas condições de contorno, obtém-se a relação entre os gases
queimados e não queimados. A equação 2.11 apresenta a relação entre os comprimentos
característicos da região de reação e da região de transporte, com as temperaturas dos gases
queimados e não queimados. Sua expressão matemática é dada por:
ℓ°𝑅 (𝑇𝑏° )²
~ = 𝑍𝑒 −1 (2.11)
ℓ°𝐷 (𝑇𝑏° − 𝑇𝑢 )𝑇𝑎
onde ℓ°𝑅 é espessura da região de ativação da reação, ℓ°𝐷 é a espessura da região de transporte,
𝑇𝑏° é a temperatura do gás queimado e 𝑇𝑢 é a temperatura do gás não queimado, 𝑇𝑎 é a
temperatura de chama adiabática e 𝑍𝑒 é o número adimensional de Zeldovich.
29
Assim, por 𝑍𝑒 −1 ≪ 1, percebe-se que a zona de reação é muito fina. Inserindo a relação
do fluxo de massa, percebendo que a convecção e a difusão se equilibram na zona de pré-
aquecimento, e rearranjando os termos, obtemos a equação 2.12, dada por:
𝑓 ° 𝓌𝑏°
~ (2.12)
ℓ°𝐷 𝑍𝑒
onde 𝑓 ° é fluxo de massa, ℓ°𝐷 é a espessura da região de transporte, 𝓌𝑏° é a taxa de reação
avaliada na temperatura da fina zona de reação e 𝑍𝑒 é o número adimensional de Zeldovich.
A partir do equacionamento proposto por Law, 2006, percebe-se que o fluxo de massa
aumenta com o aumento da taxa de transporte da reação, enquanto a espessura da região de
ativação da reação aumenta com o aumento da taxa de transporte, mas diminui com a taxa de
reação. Nesse contexto, neste trabalho relaciona-se os números de Lewis e Zeldovich com a
aceleração de chama mensurada experimentalmente.
30
3 MATERIAIS E MÉTODOS
propagação da chama. Assim, para registrar o histórico de pressão, foram instalados dois
transdutores de pressão do modelo Warme (TP-6367 de 10 bar e TP-6419 de 1 bar) de pressão
absoluta, um sensor de temperatura de modelo Omega (tipo K) e um sistema de ignição que
compreende uma vela de ignição modelo NGK tipo R e um transformador, fornecendo uma
tensão de 8 kV e uma corrente de 30 mA.
A Figura 3.3 apresenta a câmara de mistura que é composta por uma caixa de aço de
600 mm de largura, 600 mm de comprimento e 500 mm de altura. Nesta caixa existe um visor
de vidro temperado que permite a visualização da mistura combustível que é preparada em um
balão de vidro temperado com capacidade volumétrica de 20 litros. Este balão se encontra
32
dentro da caixa com um agitador magnético na sua base que faz com que a mistura combustível
se torne uniforme após um determinado intervalo de tempo. Os gases são inseridos na câmara
de mistura através de dutos de aço inox que estão conectados em válvulas e reguladoras de
pressão que são instaladas nos cilindros de gás natural, ar sintético, hidrogênio e hélio. O
método utilizado para realizar as misturas é o método de pressões parciais.
A Tabela 3.1 apresenta as misturas estudadas neste trabalho obtidas a partir do método
de pressões parciais. Assim, a partir do número de mols de cada mistura e a razão de
equivalência (ϕ = 1) foram obtidos os valores do número de Lewis (Le) e Zeldovich (Ze), os
quais dependem do valor da energia de ativação e das velocidades de chama laminar dadas
33
Número de Número de
Código Mistura
Zeldovich Lewis
Mix 1 [50% GN + 50% H2] + ar 7,17 0,60
Mix 2 [75% GN + 25% H2] + ar 8,13 0,75
Mix 3 [15% GN + 85% H2] + 20% He + ar 5,23 0,81
Mix 4 [75% GN + 25% H2] + 10% He + ar 8,39 0,93
Mix 5 [15% GN + 85% H2] + 30% He + ar 5,71 0,99
Mix 6 GN + ar 8,70 1,09
Mix 7 [90% GN + 10% H2] + 10% He + ar 8,67 1,14
Mix 8 GN + 10% He + ar 8,85 1,36
A fim de obter vídeos da propagação da chama, foi utilizado uma câmera de alta
velocidade da marca Phantom Vison Research, versão v411, que tem capacidade para captar
100.000 frames por segundo, foi também necessário utilizar uma fonte de luz. Entretanto, nos
testes desta pesquisa foram utilizados 12.000 frames por segundo. O equipamento possui
conexão via cabo de rede ethernet para transmissão de imagens para o computador. Desse
modo, a captação dos vídeos foi realizada via software Phantom Camera Control (PCC) versão
3.6 instalado em um computador da marca Razor, com 6 núcleos, processador i7 3,5 GHz, 16
Gb de memória RAM e 2 TB de HD. Dentro das questões que afetam a visualização da imagem
35
e excesso de luz, neste estudo foram definidos os parâmetros óticos como: abertura 1.8, 12000
fps e ISO SAT T 20.000.
Devido as instabilidades apresentadas pelas chamas diluídas com hélio, verificou-se que
os parâmetros inicialmente estabelecidos não foram capazes de detectar a frente da chama. Com
isso, foi necessário introduzir filtros no momento do processamento das imagens para a
obtenção da velocidade de propagação da chama no software Tracker [Physlets, 2022].
Após definida a mistura combustível, foi realizado o vácuo na câmara de mistura até
atingir a pressão de 0,5 kPa ou inferior. A pressão foi lida pelos transdutores de pressão e
visualizada diretamente na tela do computador por meio do software do FieldLogger. Nesse
momento, somente a válvula de acesso do vácuo para a câmara de mistura permaneceu aberta,
36
as demais válvulas foram mantidas fechadas. Assim, realizou-se somente o vácuo na câmara de
mistura, evitando a entrada dos demais gases na câmara no momento do vácuo.
Quando estava próximo ao término destes 25 minutos de agitação, foi iniciado o vácuo
no duto de propagação, onde a bomba de vácuo foi acionada novamente e a válvula de acesso
que liga a bomba de vácuo ao duto de propagação foi aberta. Nesse mesmo instante, a válvula
de acesso ao transdutor de pressão de 1 bar que está instalado junto ao duto de propagação foi
aberta. O transdutor de 1 bar foi utilizado para realizar a correta medição da pressão no interior
37
do duto de propagação. Quando a pressão no interior do duto foi menor ou igual que 0,50 kPa,
a válvula de acesso da bomba de vácuo para o duto foi fechada e a bomba de vácuo foi
desligada.
O próximo passo foi desligar o agitador magnético e abrir a válvula que liga a câmara
de mistura ao duto de propagação. Neste momento, parte da mistura combustível que foi
preparada na câmara de mistura foi inserida no duto de propagação. A pressão inicial desejada
no duto de propagação para todos os testes foi de 40 kPa. A leitura dessa pressão foi realizada
pelo transdutor de pressão de capacidade de 1 bar instalado no duto de propagação. Cabe
salientar que, após obter a pressão desejada tornou-se muito importante sempre fechar a válvula
de acesso ao transdutor de pressão de 1 bar, pois caso contrário esse transdutor seria danificado
no ato da ignição e propagação da chama devido ao elevado gradiente de pressão proveniente
da combustão da mistura inflamável.
Quando a quantidade de gases na câmara de mistura era insuficiente para realizar mais
testes no duto de propagação, foi necessário realizar a limpeza da câmara de mistura antes da
preparação de uma nova mistura. Para executar este procedimento, primeiramente o gás inerte
nitrogênio foi inserido na câmara de mistura até uma pressão de 150 kPa dentro do balão com
o objetivo de diluir a mistura. Assim, garantiu-se a segurança ao acionar a bomba de vácuo para
retirar os gases do balão. Logo após o vácuo ser realizado, o gás ar sintético foi inserido dentro
38
da câmara de mistura até uma pressão de 100 kPa. Somente após esta etapa, o procedimento de
preparação da próxima mistura era realizado e os testes eram retomados.
Mendiburu et al., 2019, utilizou uma metodologia fundamentada numa série de vídeos
de propagação de chamas de diferentes misturas gravadas durante os testes experimentais.
Assim, utilizando o software PCC versão 3.6, que faz a leitura das imagens capturadas pela
câmera, utilizou-se o software Tracker versão 6.0.2 para determinar a velocidade de propagação
da chama. Primeiramente os vídeos obtidos no software PCC foram convertidos do formato
original “.cine” para o formato “.mov” para poder realizar o processamento das imagens no
software Tracker.
frames por intervalo para misturas de GN-ar, enquanto para misturas de H2-GN-He resultaram
em 210 frames por vídeo, ou seja, em torno de 10 frames por intervalo. A Figura 3.5 apresenta
a determinação da velocidade de propagação de chama no software Tracker versão 6.0.2.
|𝑉𝑒𝑥𝑝 − 𝑉𝑐𝑎𝑙𝑐 |
𝐴𝑅𝐸 = × 100 (3.1)
𝑉𝑐𝑎𝑙𝑐
∑𝑁
𝑖=1 𝐴𝑅𝐸
𝐴𝐴𝑅𝐸 = (3.2)
𝑁
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES
Sendo que, para mistura Mix 6 tem-se as menores velocidades de propagação de chama
obtidas, enquanto para as misturas de Mix 2 e Mix 1 tem-se um aumento significativo da
velocidade de propagação de chama, chegando inclusive a superar o valor de 2000 cm/s quando
se tratando do último caso apresentado. Assim, infere-se que a composição do combustível e o
incremento da fração de hidrogênio ocasionam o aumento da velocidade de propagação da
chama. Este resultado está em consonância com o citado por outros trabalhos experimentais
[Zheng et al., 2016; Jin et al., 2017; Yang et al., 2019; Yang et al., 2019a].
Por outro lado, tanto para a janela 2, como para a janela 3, em todos os casos analisados
observa-se uma oscilação e consequente desaceleração da propagação da frente de chama. O
44
comportamento da frente de chama para as janelas analisadas tem um formato celular e irregular
para todos os casos. Isso está em consonância com o apresentado nas observações experimentais
e na teoria disponíveis na literatura, pois após a formação da chama tulipa, a frente de chama
apresenta uma geometria irregular e com velocidades oscilantes [Xiao et al., 2011; Shen et al.,
2015; Yang et al., 2019a; Mendiburu et al., 2019]. A formação da chama tulipa acontece na
região não visível entre as janelas 1 e 2, causando assim um decréscimo da velocidade de
propagação da frente de chama na janela 2 e posteriormente na janela 3. Observou-se também
que há uma diferença significativa na qualidade das imagens quando adicionado hidrogênio na
mistura combustível. Isso se deve em parte à diminuição das moléculas de carbono que contém
essas misturas. Assim, tanto o brilho quanto a coloração da propagação da frente de chama se
modificam quando comparadas com misturas que contenham somente gás natural e ar na
mistura combustível.
GN + ar (Mix 6)
Propagação da Frente de Chama x (cm) V (cm/s)
6,62 606,65
Janela 1
9,57 802,40
14,29 1023,99
21,05 1440,44
44,03 511,62
48,69 500,37
Janela 2
54,18 472,44
57,41 356,34
79,84 270,62
85,19 325,18
Janela 3
89,41 168,01
92,77 144,04
7,12 821,16
10,26 1134,13
Janela 1
18,87 1670,31
22,07 1986,90
44,65 724,36
49,46 462,00
Janela 2
54,25 670,00
59,57 445,00
80,41 331,97
85,41 311,54
Janela 3
90,87 252,81
94,15 177,73
Figura 4.2 – Imagens representativas da propagação da frente da chama para mistura [75%
GN + 25% H2] + ar (Mix 2).
47
6,89 947,67
Janela 1
10,35 1400,30
15,6 1891,89
22,63 2432,43
43,49 1349,88
48,67 920,00
Janela 2
53,61 1136,00
58,19 1000,00
78,95 451,67
83,32 325,77
Janela 3
88,72 383,33
92,79 186,67
Figura 4.3 – Imagens representativas da propagação da frente da chama para mistura [50%
GN + 50% H2] + ar (Mix 1).
48
Analisando as imagens da janela 1 das Figuras 4.1, 4.2 e 4.3 pode-se observar que a
propagação da chama apresenta uma frente de chama no formato alongado (finger flame)
representado pela aceleração axial da chama conforme descrito por Bychkov et al., 2007. Neste
instante, a velocidade de propagação da frente de chama aumenta consideravelmente ao longo
da seção da janela 1, atingindo sua velocidade máxima de propagação. Para a mistura Mix 6 foi
de 1600 cm/s, para a mistura Mix 2 foi de 2000 cm/s e para a mistura Mix 1 foi de 2600 cm/s
aproximadamente, ou seja, da ordem de 30 vezes a velocidade de chama laminar para este
último caso. O comportamento da geometria da frente de chama na janela 1 apresenta um leve
achatamento da frente de chama ao longo da propagação na janela 1, buscando assim a
formação da chama plana e posterior formação da chama tulipa, estando assim em
conformidade com o relatado em estudos anteriores de Xiao et al., 2011; Shen et al., 2015;
Zheng et al., 2016; Jin et al., 2017; Yang et al., 2019a; Mendiburu et al., 2019 e Yang et al.,
2020.
Em todas as misturas estudas não se pode observar duas etapas da propagação da frente
de chama nos estágios iniciais: a chama esférica e o fenômeno da inversão da frente de chama,
ou chama tulipa. Contudo, o objetivo do presente trabalho é observar a aceleração da chama
num duto livre de obstáculos. A chama esférica inicial não se pode observar devido a fonte de
ignição estar localizada a 4,5 cm do visor de boro silicato que permitia a visualização da
propagação da chama. A inversão da frente de chama esteve localizada na região não observada
entre as janelas 1 a 2. Entretanto, devido à presença de uma desaceleração na janela 1, nas
49
misturas com hélio, pode-se verificar que provavelmente a inversão da frente de chama ocorreu
nos instantes finais da região visível da janela 1. Devido às limitações na visualização das
chamas envolvendo essas misturas, não se pode observar com clareza esse fenômeno. A Figura
4.4 apresenta os resultados da propagação da frente de chama da Mix 1 nas janelas 1, 2 e 3,
respectivamente.
Figura 4.5 – Análise da aceleração de chama das misturas de (a) GN + ar (Mix 6), (b) [75%GN + 25%H2] + ar (Mix 2), (c) [75%GN + 25%H2] +
10%He + ar (Mix 4) e (d) GN + 10%He + ar (Mix 8).
51
Figura 4.6 – Análise da aceleração de chama das misturas de (a) [50%GN + 50%H2] + ar (Mix 1), (b) [15%GN + 85%H2] + 30%He + ar (Mix 5),
(c) [15%GN + 85%H2] + 20%He + ar (Mix 3) e (d) [90%GN + 10%H2] + 10%He + ar (Mix 7).
52
A partir dos resultados obtidos verifica-se que as misturas (a), (b) e (d) da Figura 4.5 e
(a) da Figura 4.6 apresentam uma semelhança na reprodutibilidade dos valores da velocidade
de propagação adimensional 𝑉/𝑆𝐿 obtidos na janela 1. Enquanto, as misturas (c) da Figura 4.5
e (b), (c) e (d) da Figura 4.6 apresentam uma leve dispersão, porém, não comprometendo a
reprodutibilidade das velocidades de propagação observadas. De maneira geral, para todas as
misturas combustíveis estudadas o comportamento característico apresentado na janela 1 foi de
uma rampa de aceleração da propagação da mistura ao longo desta seção, enquanto para as
janelas 2 e 3 foi de uma desaceleração e oscilação da velocidade de propagação da mistura ao
longo do duto. Desse modo, o comportamento apresentado nas janelas 1, 2 e 3 estão em
concordância conforme reportado pelos autores Xiao et al., 2011; Ponizy et al., 2014; Shen et
al., 2015; Zheng et al., 2016; Jin et al., 2017; Yang et al., 2019; Mendiburu et al., 2019 e Yang
et al., 2020, de acordo com a geometria da frente de chama que seria a aceleração axial de uma
chama laminar no formato de chama alongada (finger flame), com uma posterior propagação
oscilatória da frente de chama até o final do duto de propagação.
Pelos resultados obtidos pode-se observar que a mistura que teve uma maior velocidade
de propagação de chama adimensional foi a Mix 1, onde a velocidade máxima de propagação
da chama na primeira janela foi de aproximadamente 2600 cm/s (33,67
𝑉/𝑆𝐿 ). Por outro lado, a mistura que teve uma menor velocidade máxima de propagação foi a
Mix 8, da ordem de 1200 cm/s (26,52 𝑉/𝑆𝐿 ). Assim, torna-se perceptível a influência da adição
de hidrogênio na mistura combustível, tornando-a mais reativa e consequentemente atingindo
uma velocidade de propagação bem maior que a mistura Mix 6, onde se obteve uma velocidade
máxima de propagação em torno de 1500 cm/s (31,58 𝑉/𝑆𝐿 ) na janela 1. Portanto, com o
incremento da fração de hidrogênio na mistura combustível tem-se um aumento significativo
na velocidade máxima de propagação da chama. Este resultado está em consonância com o
observado por Zheng et al., 2016; Yang et al., 2019a e Yang et al., 2019b.
As misturas Mix 1, Mix 8 e Mix 6 tem números Lewis de 0,60, 1,09 e 1,36,
respectivamente. Dessa forma, observa-se que a maior velocidade máxima de propagação da
chama foi obtida para o número de Lewis menor do que 1. Por outro lado, a menor velocidade
máxima de propagação foi obtida para o número de Lewis maior que 1. Assim, os efeitos de
difusão de massa e de difusão térmica estão relacionados com as velocidades de propagação
das misturas, onde o número de Lewis pode ser uma chave para caracterizar a propagação de
53
chamas. Este resultado está em concordância com o relatado por Zitouni et al., 2022.
Considerando o número de Zeldovich, pode-se observar que a mistura Mix 1 tem valor igual a
7,17 e as misturas Mix 8 e Mix 6 tem números de Zeldovich iguais a 8,85 e 8,70,
respectivamente. Assim, observa-se que a velocidade máxima de propagação foi atingida com
o valor de Zeldovich próximo a 7.
As misturas Mix 2 e Mix 4 tem números Lewis de 0,75 e 0,93, respectivamente. Assim,
observa-se que a maior velocidade máxima de propagação da chama foi obtida para o menor
número de Lewis. Os números de Zeldovich dessas misturas são iguais a 8,13 e 8,39,
respectivamente. De forma que, a maior velocidade máxima de propagação foi obtida para o
menor número de Zeldovich.
As misturas Mix 3 e Mix 5 tem números Lewis de 0,81 e 0,99, respectivamente. Assim,
observa-se nesse caso que a maior velocidade máxima de propagação da chama foi obtida para
o maior número de Lewis. Os números de Zeldovich dessas misturas são iguais a 5,23 e 5,71,
respectivamente. Assim como nas comparações anteriores, a maior velocidade máxima de
propagação foi obtida o número de Zeldovich mais próximo a 7.
54
A Tabela 4.1 apresenta uma relação entre os números de Lewis e Zeldovich das misturas
estudadas e suas respectivas velocidades máximas de propagação. A Figura 4.7 apresenta os
resultados experimentais das velocidades máximas de propagação das misturas em função dos
números de Lewis e Zeldovich.
Para a mistura de Mix 1, com número de Lewis de 0,60 e Zeldovich igual a 7,17, a
velocidade máxima de propagação da mistura na primeira janela foi de 2615,03 cm/s. No outro
extremo, para a mistura de Mix 8, com número de Lewis de 1,36 e Zeldovich igual a 8,85, a
velocidade máxima de propagação da mistura foi de 1163,80 cm/s, ou seja, um decréscimo da
ordem de mais de 50%, aproximadamente. Entretanto, para as demais misturas estudadas essa
correlação entre os números de Lewis e de Zeldovich e as velocidades de propagação não fica
muito evidente. A relação entre o número de Le e Ze e a velocidade máxima de propagação de
chama é apresentada na Figura 4.7, onde uma função potencial foi adotada para representar a
relação funcional entre Le, Ze e 𝑉𝑡𝑖𝑝 𝑚𝑎𝑥 .
56
A partir dos resultados obtidos infere-se que quando todas as misturas estão em função
de Le e Ze (Figura A e C), tem-se os valores de R² de 0,6093 e 0,806 respectivamente. Por outro
lado, o valor do R² atinge um valor de 0,9376 quando as misturas 4 e 5 não são consideradas
para o caso do número de Lewis (Figura B). Do mesmo modo, quando a mistura 4 não é
considerada para o caso do número de Zeldovich, o valor do R² aumenta consideravelmente,
atingindo um valor de 0,9681 (Figura D).
Desse modo, buscando uma relação entre as misturas estudadas, com relação ao número
de Lewis pode-se perceber que a mistura 4 tem um valor de 0,93 com teor de 10% de diluente
hélio na composição. Enquanto a mistura 5 tem um valor de 0,99 para o número de Lewis com
teor de 30% de diluente hélio na sua composição. Assim, nessas misturas o efeito da
difusividade mássica é maior do que o efeito da difusividade térmica. Porém, em ambos os
casos o Le é próximo ao valor unitário.
Assumindo estas hipóteses simplificadoras propostas por Valiev et al., 2013, e aplicando
às equações apresentadas no capítulo 2 deste estudo, a Tabela 4.2 apresenta o comparativo das
velocidades máximas experimentais, 𝑉/𝑆𝐿 𝑒𝑥𝑝, e as velocidades máximas calculadas,
𝑉/𝑆𝐿 𝑐𝑎𝑙𝑐, pelo modelo de Valiev et al., 2013 em função dos números de Lewis e Zeldovich
para todas as misturas do presente estudo nos instantes iniciais da propagação da chama, ou
seja, na janela 1. Do mesmo modo, a comparação entre o valor da velocidade da propagação
da chama obtidos experimentalmente, 𝑉/𝑆𝐿 𝑒𝑥𝑝, e pelo modelo de Valiev et al., 2013,
𝑉/𝑆𝐿 𝑐𝑎𝑙𝑐, apresenta-se em termos do valor absoluto do erro relativo (ARE) e da média do valor
absoluto do erro relativo (AARE).
A partir dos resultados obtidos na Tabela 4.2 observa-se que os menores valores do
AARE foram obtidos para as misturas Mix 1, Mix 2 e Mix 6, onde tais valores foram 9,48%,
17,18% e 28,94%. Por outro lado, os maiores valores do AARE foram obtidos para as
composições de Mix 8, Mix 4 e Mix 3 atingindo os valores de 64,84%, 104,47% e 106,92%,
respectivamente. A mistura Mix 5 apresentou o valor intermediário de AARE de 38,59%.
Com respeito ao número de Lewis, pode-se observar que as misturas que obtiveram os
menores valores de AARE foram Mix 1 e Mix 2 onde seus números de Lewis são 0,60 e 0,75
respectivamente. Assim, por este estudo pode-se inferir que o modelo de Valiev et al., 2013,
tem uma melhor correlação para misturas com baixos números de Lewis onde o efeito da
difusividade mássica é maior do que o efeito da difusividade térmica.
Percebe-se também que os melhores resultados obtidos para o modelo de Valiev et al.,
2013, ocorrem nas misturas sem a presença do diluente hélio. No entanto, mesmo para misturas
sem hélio o modelo de Valiev et al., 2013, não possui uma boa exatidão aos resultados
experimentais. Por isso, o presente trabalho seguiu a proposta apresentada por Quines et al.,
2021, onde buscou-se substituir os valores calculados da coordenada axial adimensional por
seus respectivos valores experimentais na equação 2.4 de Valiev et at., 2013. Com isso, tem-se
o modelo de Valiev et al., 2013, calculado com 𝜉𝑡𝑖𝑝 𝑒𝑥𝑝 . (Quines, et al., 2021)
58
Tabela 4.2 – Comparativo entre as velocidades máximas experimentais e velocidades máximas calculadas pelo modelo de Valiev et al., 2013.
[50% GN + 50%
0,60 7,17 32,24 37,38 15,94 34,36 36,59 6,49 34,41 36,48 6,02 9,48
H2] + ar
[75% GN + 25%
0,75 8,13 33,67 39,83 18,30 32,93 38,75 17,67 33,11 38,27 15,58 17,18
H2] + ar
[15% GN + 85%
0,81 5,23 18,21 35,83 96,76 17,09 35,36 106,90 16,20 35,17 117,10 106,92
H2] + 20% He + ar
[75% GN + 25%
0,93 8,39 18,86 43,02 128,10 20,07 40,44 101,49 22,55 41,45 83,81 104,47
H2] + 10% He + ar
[15% GN + 85%
0,99 5,71 23,36 32,42 38,78 21,87 31,45 43,80 23,09 30,75 33,17 38,59
H2] + 30% He + ar
GN + ar 1,09 8,70 32,08 41,50 29,36 29,64 40,56 36,84 33,02 39,83 20,62 28,94
[90% GN + 10%
1,14 8,67 27,56 43,32 57,18 23,87 42,61 78,51 19,87 42,33 113,03 82,91
H2] + 10% He + ar
GN + 10% He + ar 1,36 8,85 26,88 42,83 59,34 25,32 43,67 72,47 27,35 44,50 62,71 64,84
59
Com base nisso, a Tabela 4.3 apresenta o comparativo das velocidades máximas
experimentais, 𝑉/𝑆𝐿 𝑒𝑥𝑝, e as velocidades máximas calculadas, 𝑉/𝑆𝐿 𝑐𝑎𝑙𝑐, pelo modelo modificado
de Valiev et al., 2013, em função dos números de Lewis (Le) e Zeldovich (Ze) para todas as misturas
na janela 1. Da mesma forma, apresentam-se os valores absolutos do erro relativo (ARE) e as
respectivas médias do valor absoluto do erro relativo (AARE).
A partir dos resultados obtidos na Tabela 4.3 observa-se que os menores valores do AARE
foram obtidos para as misturas Mix 6, Mix 2, Mix 1, Mix 5 e Mix 8. Os valores do AARE para essas
misturas foram 1,07%, 2,49%, 3,46%, 5,59% e 9,83%, respectivamente. As demais misturas, Mix
4 e Mix 3, apresentaram um AARE de 28,21% e 28,90%, respectivamente.
Com base nos resultados apresentados na Tabela 4.3, pode-se observar que o modelo de
Valiev et al., 2013, calculado com 𝜉𝑡𝑖𝑝 𝑒𝑥𝑝 para o presente estudo apresenta AARE abaixo de 30%
em todas as misturas. Nesse sentido, pode-se inferir que o valor da variável 𝜉 se torna um elemento
chave para a melhoria do modelo de Valiev et al., 2013. Isso está em consonância com trabalhos
anteriores [Mendiburu et al., 2019; Quines, et al., 2021].
As misturas não contendo o hélio como diluente tiveram uma redução significativa do AARE
quando comparadas ao modelo de Valiev et al., 2013. Do mesmo modo, as misturas que possuem
hélio como diluente reduziram drasticamente o AARE, principalmente por no caso do modelo de
Valiev et al., 2013, ter AARE de mais de 100% para algumas misturas. Assim, uma melhoria no
modelo consistiria em considerar o efeito dos diluentes, como o He, no desenvolvimento.
Com relação ao número de Lewis, observa-se que as misturas que obtiveram os menores
valores de AARE foram Mix 6, Mix 2, Mix 1, Mix 5 e Mix 8 onde seus números de Lewis são 1,09,
0,75, 0,60, 0,99 e 1,36 respectivamente. Desse modo, no presente trabalho pode-se inferir que o
modelo de Valiev et al., 2013, calculado com 𝜉𝑡𝑖𝑝 𝑒𝑥𝑝 tem uma excelente correlação para misturas
de variados números de Lewis. Com isso, acredita-se que a correlação do modelo de Valiev et al.,
2013, calculado com 𝜉𝑡𝑖𝑝 𝑒𝑥𝑝 está mais associada com as misturas e seus respectivos diluentes do
que com os valores adimensionais de Lewis.
60
Tabela 4.3 – Comparativo entre as velocidades máximas experimentais e velocidades máximas calculadas pelo modelo de Valiev et al., 2013,
calculado com 𝜉𝑡𝑖𝑝 𝑒𝑥𝑝 .
[50% GN + 50%
0,60 7,17 32,24 33,17 2,88 34,36 32,81 4,51 34,41 33,38 2,99 3,46
H2] + ar
[75% GN + 25%
0,75 8,13 33,67 32,41 3,74 32,93 32,47 1,40 33,11 32,34 2,33 2,49
H2] + ar
[15% GN + 85%
0,81 5,23 18,21 20,35 11,75 17,09 23,76 39,03 16,20 22,02 35,93 28,90
H2] + 20% He + ar
[75% GN + 25%
0,93 8,39 18,86 23,75 25,93 20,07 25,94 29,25 22,55 29,19 29,45 28,21
H2] + 10% He + ar
[15% GN + 85%
0,99 5,71 23,36 24,26 3,85 21,87 24,30 11,11 23,09 23,51 1,82 5,59
H2] + 30% He + ar
GN + ar 1,09 8,70 32,08 32,58 1,56 29,64 29,74 0,34 33,02 33,45 1,30 1,07
[90% GN + 10%
1,14 8,67 27,56 29,62 7,47 23,87 24,60 3,06 19,87 23,14 16,46 9,00
H2] + 10% He + ar
GN + 10% He + ar 1,36 8,85 26,88 28,81 7,18 25,32 27,73 9,52 27,35 30,85 12,80 9,83
61
Figura 4.8 – Resultados experimentais e calculados pelo modelo de Valiev et al., 2013, de
aceleração de chama para misturas com hélio (A), misturas sem hélio (B) e todas as misturas
estudadas (C).
A partir da Figura 4.8 (A) percebe-se que para misturas envolvendo diluição com hélio o
modelo de Valiev et al., 2013, calculado com 𝜉𝑡𝑖𝑝 𝑒𝑥𝑝 apresentou uma melhor concordância entre
os resultados de 𝑉/𝑆𝐿 𝑐𝑎𝑙𝑐 e 𝑉/𝑆𝐿 𝑒𝑥𝑝. Do mesmo modo, pela Figura 4.8 (B) percebe-se que para
misturas sem diluição com hélio o modelo de Valiev et al., 2013, calculado com 𝜉𝑡𝑖𝑝 𝑒𝑥𝑝 apresentou
62
uma melhor concordância entre os resultados de 𝑉/𝑆𝐿 𝑐𝑎𝑙𝑐 e 𝑉/𝑆𝐿 𝑒𝑥𝑝. Entretanto, neste último
caso, a divergência entre os valores obtidos é visivelmente menor do que para o primeiro. Doutra
maneira, observa-se também pelas Figuras 4.8 (A) e 4.8 (B) que as misturas contendo hélio como
diluente foram mais lentas, ou seja, obtiveram menores valores de 𝑉/𝑆𝐿 comparadas as misturas
sem diluição com hélio.
A partir da Figura 4.8 (C) observa-se que o modelo de Valiev et al., 2013, calculado com
𝜉𝑡𝑖𝑝 𝑒𝑥𝑝 apresentou uma melhor concordância entre os resultados de 𝑉/𝑆𝐿 𝑐𝑎𝑙𝑐 e 𝑉/𝑆𝐿 𝑒𝑥𝑝 para todas
as misturas estudadas. De igual modo, torna-se evidente uma maior exatidão dos valores calculados
e experimentais quando se tratando das misturas que não contenham hélio como diluente.
A Figura 4.9 apresenta os resultados da aceleração de chama das misturas de Mix 6, Mix 2,
Mix 4 e Mix 8 pelo modelo de Valiev et al., 2013 calculado com 𝜉𝑡𝑖𝑝 𝑒𝑥𝑝 . A partir dos resultados
experimentais e calculados do modelo de Valiev et al., 2013 calculado com 𝜉𝑡𝑖𝑝 𝑒𝑥𝑝 pode-se observar
a acurácia dos resultados.
A partir dos resultados obtidos na Figura 4.9 (a), observa-se que para a mistura de Mix 6 o
modelo de Valiev et al., 2013, calculado com 𝜉𝑡𝑖𝑝 𝑒𝑥𝑝 apresentou uma boa exatidão aos dados
coletados experimentalmente. Do mesmo modo, pela Figura 4.9 (b), percebe-se que para a mistura
Mix 2 tem-se uma boa correlação entre os dados calculados e experimentais. Por se tratar de
misturas semelhantes, percebe-se também que os valores adimensionais de x/Dh obtidos foram
semelhantes para essas misturas. Entretanto, as velocidades máximas foram levemente maiores para
as misturas com a presença de hidrogênio.
A partir dos resultados apresentados na Figura 4.9 (c), percebe-se que a adição do diluente
hélio na mistura causa uma desaceleração na propagação da chama. Da mesma forma, a distância
em que a chama toca as paredes laterais diminui para um valor abaixo de dois. O modelo de Valiev
et al., 2013, calculado com 𝜉𝑡𝑖𝑝 𝑒𝑥𝑝 apresenta uma boa relação qualitativa com relação aos dados
experimentais. Entretanto, percebe-se que para uma melhor exatidão esse modelo necessite de
ajuste. Um comportamento semelhante foi observado na Figura 4.9 (d), onde verifica-se que com o
incremento do diluente hélio na mistura de gás natural tem-se uma desaceleração da velocidade de
propagação da mistura. A Figura 4.10 apresenta uma análise da aceleração de chama das misturas
de Mix 1, Mix 5, Mix 3 e Mix 7 pelo modelo de Valiev et al., 2013, calculado com 𝜉𝑡𝑖𝑝 𝑒𝑥𝑝 .
63
Figura 4.9 – Análise da aceleração de chama das misturas de (a) GN + ar (Mix 6), (b) [75%GN + 25%H2] + ar (Mix 2), (c) [75%GN + 25%H2] +
10%He + ar (Mix 4) e (d) GN + 10%He + ar (Mix 8) pelo modelo de Valiev et al., 2013, calculado com 𝜉𝑡𝑖𝑝 𝑒𝑥𝑝 .
64
Figura 4.10 – Análise da aceleração de chama das misturas de (a) [50%GN + 50%H2] + ar (Mix 1), (b) [15%GN + 85%H2] + 30%He + ar (Mix
5), (c) [15%GN + 85%H2] + 20%He + ar (Mix 3) e (d) [90%GN + 10%H2] + 10%He + ar (Mix 7) pelo modelo de Valiev et al., 2013 calculado
com 𝜉𝑡𝑖𝑝 𝑒𝑥𝑝 .
65
A partir dos resultados obtidos da Figura 4.10, observa-se que para todos os casos estudados
a aceleração da chama é representada pela inclinação da reta apresentada na janela 1. Na Figura 4.10
(a) observa-se que para a mistura Mix 1 tem-se um aumento considerável da aceleração e da
velocidade de propagação da chama frente às outras misturas. A adição de hidrogênio torna a
mistura mais reativa e consequentemente mais rápida. Do mesmo modo, os maiores valores de x/Dh
neste estudo foram obtidos nesta mistura. O modelo de Valiev et al., 2013, calculado com 𝜉𝑡𝑖𝑝 𝑒𝑥𝑝
apresentou boa exatidão para a mistura Mix 1.
Pelas Figuras 4.10 (b) e (c) percebe-se novamente que o incremento do diluente hélio torna
as misturas mais lentas. Assim como, os valores de x/Dh encontrados nessas misturas estão abaixo
de dois. Devido ao fato de a desaceleração dessas misturas ocorrer antes do final da primeira janela
de visualização, infere-se que o fenômeno da inversão da frente de chama, ou chama tulipa, possa
ter ocorrido nessas misturas. No entanto, esse fenômeno não pode ser observado de forma clara.
De forma análoga, observa-se na Figura 4.10 (d) a desaceleração da mistura Mix 7. Assim
como nas misturas anteriores, observou-se que a presença de hélio como diluente ocasionou uma
maior dispersão dos resultados obtidos experimentalmente.
66
5 CONCLUSÕES
a) O modelo de Valiev et al., 2013, apresentou uma exatidão aceitável para alguns casos,
quando comparado com dados experimentais. Entretanto, foram observados casos em que
o modelo teve uma exatidão extremamente baixa, apresentando erros relativos da ordem
de 100% para misturas com a diluição de hélio;
b) A determinação do parâmetro 𝜉𝑐𝑎𝑙𝑐 do modelo de Valiev et al., 2013, é um fator
preponderante que causa a maioria das divergências com os valores das velocidades
máximas da ponta da chama;
c) Devido a não adaptação do modelo para as misturas com a adição de hélio, o modelo de
Valiev et al., 2013, foi calculado com 𝜉𝑡𝑖𝑝 𝑒𝑥𝑝 de acordo as misturas estudadas neste
trabalho. Assim, após a alterações realizadas, os resultados calculados da velocidade de
propagação apresentaram uma melhor exatidão comparadas às velocidades de
propagação calculadas pelo modelo de Valiev et al., 2013, principalmente em se tratando
de misturas diluídas com hélio.
As seguintes conclusões foram obtidas com relação aos números de Lewis e Zeldovich:
Por fim, as seguintes sugestões são apresentadas para trabalhos futuros relacionados a
obtenção da velocidade de propagação de chamas na bancada experimental:
6 REFERÊNCIAS
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detonation transition, Combustion and Flame. vol. 154, p. 96-108, 2008.
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Zitouni S. et al. Lewis number effects on lean premixed combustion characteristics of multi-
component fuel blends. Combustion and Flame, v. 238, p. 111932, 2022.
73
Razões de
Tipo de Espécies Ano da
Autores Equivalências Referência
estudo investigadas Publicação
estudadas
CH4, C2H6,
(Li, et al.,
Li et al. Experimental 0.9, 1.0, 1.1 C2H4, CO, H2 2021
2021)
e ar
(Yao, et al.,
Yao et al. Experimental 1.0 H2, CO e ar 2021
2021)
(Yang, et al.,
Yang et al. Experimental 0.8, 1.0, 1.2 H2, CO e ar 2018
2018)
(Zheng, et al.,
Zheng et al. Experimental 1.0 H2, CH4 e ar 2016
2016)
(Yu, et al.,
Yu et al. Experimental 1.0 H2, CH4 e ar 2015
2015)
(Xiao, et al.,
Xiao et al. Experimental 1.58 H2 e ar 2014
2014)
Antes de se iniciar o teste experimental, deve-se definir a mistura combustível desejada. Para
isso, foi criada uma tabela de excel que relaciona a fração de combustível utilizada na mistura com
sua respectiva pressão, assim utiliza-se o método de pressões parciais para realizar a mistura. Após
definida a mistura, deve-se realizar o vácuo na câmara de mistura até atingir a pressão de 0,5 kPa
ou inferior. A pressão é lida pelos transdutores de pressão e visualizada diretamente na tela do
computador por meio do software do FielLogger. Nesse momento somente a válvula de acesso do
vácuo para a câmara de mistura deve estar aberta, as demais válvulas devem estar fechadas.
Quando estiver próximo ao término desses 10 minutos, deve-se iniciar o vácuo no duto de
propagação, ligando a bomba de vácuo e abrindo a válvula de acesso que liga a bomba de vácuo ao
duto de propagação. Após isso, deve-se abrir a válvula de acesso ao transdutor de pressão de 1 bar
que está instalado junto ao duto de propagação. Quando a pressão no interior do duto estiver próxima
ao vácuo, deve-se fechar a válvula de acesso da bomba de vácuo para o duto e desligar o
equipamento.
O passo seguinte é desligar o agitador magnético e abrir a válvula que liga a câmara de
mistura ao duto de propagação. Neste instante, parte da mistura combustível que foi preparada na
câmara de mistura será inserida no duto de propagação. A pressão inicial desejada no duto de
propagação é de 40 KPa. A leitura dessa pressão é realizada pelo transdutor de pressão de capacidade
de 1 bar instalado junto ao duto de propagação. Após obter a pressão desejada torna-se muito
importante que a válvula de acesso ao transdutor de pressão de 1 bar seja fechada, pois caso contrário
esse transdutor será danificado no ato da ignição e propagação da chama devido ao elevado
gradiente de pressão proveniente da combustão da mistura inflamável.
76
Logo após o término da limpeza interna do duto, deve-se fechar as válvulas de acesso do
nitrogênio e de exaustão, respectivamente. Com isso, inicia-se novamente o procedimento de vácuo
no duto ligando a bomba de vácuo e abrindo-se a válvula de acesso do vácuo ao duto. Nesse
momento, deve-se abrir a válvula de acesso do transdutor de 1 bar ao duto e repetir novamente o
processo de enchimento da mistura combustível da câmara de mistura para o duto de propagação.
Quando a quantidade de gases na câmara de mistura for insuficiente para realizar mais testes
no duto de propagação, antes preparar uma nova mistura, deve-se realizar a limpeza da câmara de
mistura. Para realizar este procedimento, primeiro deve-se inserir o gás inerte nitrogênio até uma
pressão de 150 KPa dentro do balão com o objetivo de diluir a mistura, assim pode-se com segurança
acionar a bomba de vácuo para retirar os gases inseridos dentro do balão da câmara de mistura. Logo
após o vácuo ser realizado, deve-se inserir ar sintético 5.0 até uma pressão de 100 KPa dentro da
câmara de mistura. Somente após isso, o procedimento de preparação da próxima mistura pode ser
realizado e os testes podem ser retomados.
77
6,62 340,73
10,44 449,57
Janela 1
15,64 743,85
22,77 804,32
43,26 278,20
Janela 2
48,86 360,09
78
53,72 277,40
57,58 272,07
80,81 174,58
86,52 163,22
Janela 3
91,15 86,43
95,09 134,42
79
Tabela C.2 – Imagens representativas da propagação da frente da chama para mistura GN + 10%
He + ar.
GN + 10% He + ar
Propagação da Frente de Chama x (cm) V (cm/s)
6,29 444,14
9,84 615,54
Janela 1
15,13 943,78
24,49 1055,55
41,47 195,97
Janela 2
47,59 242,81
53,68 195,98
80
58,45 274,87
78,88 157,41
84,51 124,51
Janela 3
88,50 111,58
91,51 105,71
81