Universidade Católica de Moçambique
Instituto de Educação à Distância
Guerra colonial e características da Literatura Africana no período da Colonização
Severino Paulo; Código: 708192351
Curso: Licenciatura em Ensino de L. Portuguesa
Disciplina: Literatura Africana do Português II
Ano de Frequência: 4º Ano/Turma F
Docente: Carlos Fernando Lino de Sousa
Nampula, Junho de 2023
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Classificação
Pontuação Subtotal
Categorias Indicadores Padrões Nota do
Máxima
tutor
Capa 0.5
Aspectos Índice 0.5
Estrutura organizaci
Introdução
onais 0.5
Discussão
0.5
Conclusão 0.5
Bibliografia 0.5
Contextualização (indicação 1.0
clara do problema)
Introdução Descrição dos objectivos 1.0
Conteúdo
2.0
Metodologia adequada ao
objecto do trabalho
Articulação e domínio do
discurso académico 2.0
Anális
ee (expressão
discus escrita, cuidada, coerência)
são Revisão bibliográficas 2.0
Nacional e internacional
relevantes no estudo
Exploração dos dados 2.0
Conclusão
Contributos Teóricos Práticos 2.0
Aspec Formatação Paginação, tipo e tamanho
tos de letra, parágrafo e 1.0
Gerai espaçamento entre
s Linha,
Referênci Normas
as APA 6a Rigor e coerência das 4.0
Bibliográf edição em citações/ Referências
icas citações e Bibliográficas.
Bibliografia
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Índice
Introdução...............................................................................................................................................5
1. Característica da literatura africana no período da colonização.........................................................6
1.1 Conceitos básicos.............................................................................................................................6
1.2 Os primeiros grandes nomes da literatura nas colônias africanas de língua portuguesa no século
XX.............................................................................................................................................................7
1.2.1 Angola...........................................................................................................................................7
1.2.2 Moçambique..................................................................................................................................8
1.2.3 Cabo Verde....................................................................................................................................9
1.2.4 Guiné-Bissau.................................................................................................................................9
1.2.5 São Tomé e Príncipe.....................................................................................................................9
Conclusão.............................................................................................................................................11
Bibliografia...........................................................................................................................................12
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Introdução
O presente trabalho é de pesquisa da cadeira de Literatura Africana do Português II, levado a
cabo no âmbito das actividades do IED-2023, como 2º trabalho de campo, curso de
Licenciatura em Ensino de Língua Portuguesa, que tem como base na dissimulação de teores
Guerra colonial e características da Literatura Africana no período da Colonização.
O aparecimento das literaturas de língua portuguesa na África resultou, por um lado, de um
longo processo histórico de quase quinhentos anos de assimilação de parte a parte e por outro,
de um processo de conscientização que se iniciou nos anos 40 e 50 do século XIX,
relacionado com o grau de desenvolvimento cultural nas ex-colônias e com o surgimento de
um jornalismo por vezes ativo e polêmico que, destoando do cenário geral, se pautava numa
crítica severa à máquina colonial
Com a escalada dos discursos nativistas, pan-africanistas e de negritude, o regime salazarista
intensificou, além da repressão, a propaganda discursiva do governo português. Desenvolveu-
se, então, uma disputa discursiva entre colonizador e colonizado: o colonizador português
representado em textos que teciam loas à colonização lusa, e os intelectuais das colônias que
tentavam rever a própria história sob outro ponto de vista.
Pela natureza científica que rege o trabalho, compreende a seguinte ordem:
Objectivo Geral
Compreender os principais períodos de precursão da literatura africana e as suas obras
literária.
Objectivos específicos
Caracterizar as literaturas africanas sobretudo: Angola, Moçambique, Cabo Verde,
Quine Bissau e São Tome e Príncipe;
Descrever as principais obras literárias e seus percursores literários.
Metodologia
A metodologia usada para efectivar este trabalho de pesquisa, o autor recorreu às consultas de
obras, artigos e links de autores que versam sobre o tema em epígrafe.
Quanto a estratificação, este trabalho compreende a seguinte ordem de estratificação:
Introdução, Desenvolvimento, Conclusão e Bibliografia.
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1. Característica da literatura africana no período da colonização
1.1 Conceitos básicos
Segundo Magnani (2001) refere que:
A literatura é elemento transformável e transformador, pela dialética entre a simbologia da
obra e a simbologia social, em que o indivíduo atinge o universal, seja pela liberdade de
formas ou pela intertextualidade que permite correlações entre obras de épocas diferentes, o
que possibilita à criação literária instituir-se como fator multicultural (p.7)
Essa condição dialética se explica pelo fato de que a ficcionalidade simboliza um espaço
público, compreendendo-se como uma retomada e uma reconfiguração da maneira como uma
sociedade simboliza a sua História.É a partir da década de 1940 que a repressão a todos os
processos culturais e a tudo que soasse como orgulho da negritude se torna mais intensa. Há,
claramente, um conflito discursivo entre colonizador e colonizado, europeu e africano.
Para espalhar as ideias pan-africanistas e de negritude que chegavam da Europa, os escritores
dos países de língua portuguesa adotaram estratégias de comunicação com o objetivo de
“driblar” a repressão do Estado Novo de Salazar.
Segundo Laranjeira (2005) refere que:
Essa estratégia implicava em: recusa dos modelos expressivos identificados com a dominação
política; instauração da legibilidade de uma mensagem codificada; elaboração de um código
comum acessível ao destinatário ideal, e não a todos os receptores reais (os repressores e a
censura).
A mudança na produção discursiva do colonizado, que questionava a legitimidade da
colonização, causa um grande impacto nos impérios coloniais e uma desconcertante mudança
de perspectiva na relação entre Ocidente e não Ocidente, com a repercussão dos textos
produzidos por Frantz Fanon, Aimé Césaire e Léopold Senghor, dentre outros.
Para Edward Said, esse período “se assemelha no âmbito da significação a duas
transformações anteriores: a redescoberta da Grécia durante o período humanista da
Renascença europeia, e a ‘Renascença oriental’, a grandiosa apropriação europeia do oriente.”
(Said, 1995, p.251).
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No entanto, observa agudamente:
Diferente de editar os clássicos gregos em 1460 ou ler gramáticos sânscritos na década
de 1810, os intelectuais ocidentais percebem que estão lendo nativos que combatem
seu exército e escrevem na língua do colonizador recorrendo a conceitos de Hegel,
Marx e Freud para incriminar a própria civilização que os gerou. (Said, 1995, p. 252).
Foi sob o impacto desse embate entre as ideias dos movimentos de afirmação dos povos
colonizados e a repressão das metrópoles imperiais que as literaturas das colônias africanas de
língua portuguesa se desenvolveram e se consolidaram. Se, em Angola, Cabo Verde e
Moçambique, já havia uma produção questionadora do colonialismo, em São Tomé e Príncipe
e Guiné Bissau, surgem os primeiros movimentos intelectuais nessa direção.
1.2 Os primeiros grandes nomes da literatura nas colônias africanas de língua
portuguesa no século XX
No início do século XX, uma nova geração de autores africanos despontava na literatura de
seus países. As colônias viviam o momento de intensificação do processo colonial. A
atividade literária era fomentada pela atividade jornalística, que se desenvolvia em todas as
colônias africanas.
Diversos jornais e revistas foram lançados, a maioria, no entanto, tendo curta duração, com
apenas um ou dois exemplares.
1.2.1 Angola
Foi na atividade jornalística que surgiu um dos grandes nomes da literatura angolana do início
do século XX: António de Assis Júnior. Seu romance O segredo da morta: crônicas da vida
angolense foi lançado nos jornais da época, primeiramente em capítulos e, depois, compilado
em livro.
Este livro é para ser lido por todos aqueles, pretos, brancos, que mais decididamente se
interessam pelo conhecimento das coisas da terra. A vida do angolense, que a civilização
totalmente não obliterou – aquela civilização que se lhe impõe mais por sugestão e medo do
que por persuasão e raciocínio, vivendo a seu modo e educando-se consoante os recursos ao
seu alcance –, representa ainda hoje um problema de não fácil resolução. Poucos ainda
compreenderam o que ele é e o que ele quer. (Júnior, 1979, p. 32).
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Nesse trecho, percebemos uma das características da produção literária da época. Fica
explícita a intenção do autor de falar com todos aqueles que se interessam pelo conhecimento
das coisas da terra. Era necessário reconhecer que terra era essa que juntava tantas etnias
distintas sob o nome de Angola.
Descobrir quem era o “angolense” (o cabo-verdiano, o moçambicano, o guineense e o
santomense) apresentava-se como tarefa para os escritores e intelectuais da época.
Havia na escrita dos autores africanos – em sua maioria angolanos – a necessidade de
compreender que país era esse que se formava sob a imposição geográfica, política e cultural
do império colonial. Para isso, era necessário olhar para a população de perto, e até, utilizar
seus dialetos e línguas nativas.
1.2.2 Moçambique
Em Moçambique já havia uma produção jornalística incipiente na segunda metade do século
XIX. Em 1857, iniciou-se a circulação do periódico Boletim Oficial do Governo-Geral da
Província de Moçambique, convertido praticamente um século depois (1951) no Boletim
Oficial da Colônia de Moçambique. Outras publicações circularam durante o século XIX, mas
poucas foram verdadeiramente importantes do ponto de vista literário.
Assim, algumas mudanças a respeito da cultura e da estrutura social se fazem sentir apenas no
início do século XX, quando Moçambique deixou de ser somente uma colônia de exploração
para constituir também, pelo menos no centro e no sul, uma colônia de povoamento. As
publicações de maior relevância só ocorreram após a virada do século.
Em 1909, os irmãos José e João Albasini fundaram O Africano e em 1955 fundaram também
O Brado Africano.
O Brado Africano foi um dos jornais mais marcantes e decisivosna verdadeira divulgação da
poesia moçambicana. Publicado em Lourenço Marques (Maputo), apareceu no cenário
jornalístico moçambicano em 1955 e terminou sua atividade em 1958. Ao contrário de
periódicos anteriores, que abriam suas páginas a poetas, contistas e prosadores de diversas
linhas de orientação, O Brado Africano agrupou poetas e escritores exclusivamente por
afinidades e semelhanças nas linhas ideológicas. Adquiriu grande importância cultural por
reunir em seus suplementos literários a contribuição de grandes autores como Virgílio Lemos,
Fonseca Amaral, Rui Noronha, Noêmia Sousa, entre outros.
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1.2.3 Cabo Verde
Já em Cabo Verde, as duas primeiras décadas do século XX foram marcadas pelo lançamento
do poema “Ode a África” (1921), de Pedro Cardoso, e o lançamento por ele do jornal
Manduco (1923-1924), aberto à colaboração em crioulo. Aquele poema foi dedicado aos
delegados de língua portuguesa no Congresso Pan-Africano, realizado em Londres.
O período que vai da década de 1920 até o lançamento de Arquipélago (1935), de Jorge
Barbosa, e da revista Claridade (1936), fundada por Baltasar Lopes, Manuel Lopes e Jorge
Barbosa, entre outros, é chamado por alguns pesquisadores de período Hesperitano. Trata-se
do período que antecede à modernidade que o movimento da Claridade encarnou.
Para Pires Laranjeira, desde os primeiros tempos, até o final desse período, vigorou um tipo
de escrita baseado em temas e elementos recorrentes da literatura cabo-verdiana, como fome,
vento e terra seca, ou de certa insatisfação e incomodidade, em uma atmosfera muito próxima
à do naturalismo.
A revista Claridade foi lançada em março de 1936 e durou até março de 1937, período no
qual foram lançados três números com intervalos de cinco a seis meses. A grande
contribuição da revista Claridade e de seus autores foi a realização de um novo modo de
expressão com base no entendimento das raízes do homem cabo-verdiano, de sua
personalidade, construído a partir de elementos étnicos e na captação do modo de agir e de
sentir do homem inserido em seu espaço.
1.2.4 Guiné-Bissau
Os primeiros textos produzidos em território guineense e santomense tiveram lugar na
primeira metade do século XX. Em 1930, foi publicado o primeiro jornal dirigido por um
guineense. Trata-se de O Comércio da Guiné, editado por Juvenal Cabral, pai de Amílcar
Cabral, com colaborações de Fausto Duarte e João Augusto da Silva. O professor Pires
Laranjeira, em seu livro Literaturas africanas de expressão portuguesa destaca a importância
dessa geração para o surgimento de uma literatura de motivação guineense.
1.2.5 São Tomé e Príncipe
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No final do século XIX, graças ao advento jornalístico, a literatura santomense concebeu suas
primeiras letras. Nas páginas dos periódicos O Africano, A voz d’África, O Negro, A Verdade,
Correio d’África, encontravam-se poemas dispersos.
As primeiras publicações surgiram na década de 1880. Em crioulo, apareceram poemas como
“Forro”, de Francisco Stockler. E em obras como História etnográfica da ilha de São Tomé,
de Almada Negreiros, exaltava-se a beleza da flora e da fauna locais. Costa Alegre tem a
distinção de ser o primeiro poeta importante de São Tomé e Príncipe, sendo considerado,
ainda, o caso mais evidente de negrismo da literatura africana de expressão portuguesa.
Na primeira metade do século XX, apareceu Marcelo da Veiga. Seu discurso foi patriota,
defensor exímio da africanidade. Usou a palavra como denúncia da exploração dos negros, da
violação do solo insular, do colonialismo. Marcelo da Veiga abriu caminho para outros
poetas, tais como Francisco José Tenreiro, Alda do Espírito Santo, Tomaz Medeiros, Maria
Manuela Margarido. O poeta Francisco José Tenreiro foi considerado o primeiro poeta da
negritude de língua portuguesa. Alda do Espírito Santo (Alda Graça) é um importante nome
da literatura Santomense, não só pelo legado literário, mas por sua franca atuação na vida
pública e política do país.
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Conclusão
O epilogo do trabalho vota a concluir que verificamos que faz parte das características dos
primeiros tempos pós-coloniais tanto a constatação do flagelo da colonização quanto o
entusiasmo pela conquista da Liberdade.
A literatura é uma componente central da identidade cultural de todos os estados nação,
apesar de evidentemente ser muito mais do que isso. Nessa perspectiva, a moderna literatura é
melhor entendida historicamente como uma das mais importantes formas de produção
cultural, através das quais um estado-nação pode ser identificado.
A primeira metade do século XX foi marcada por um intenso embate discursivo entre
colonizador e colonizado. Os movimentos de afirmação identitária seriam reverberados,
difundidos e intensificados pela produção jornalística e literária das colônias.
Foi na atividade jornalística que surge um dos grandes nomes da literatura angolana do início
do século XX: Assis Júnior. Em 1909, em Moçambique, os irmãos José e João Albasini
fundaram O Africano e em 1918 fundaram também O Brado Africano. Em Cabo Verde, as
duas primeiras décadas do século XX foram marcadas pelo lançamento do poema “Ode a
África” (1921), de Pedro Cardoso, e o lançamento por ele do jornal Manduco (1923-1924),
aberto à colaboração em crioulo. Nesse arquipélago, a revista Claridade foi lançada em março
de 1936 e durou até março de 1937.
Os primeiros textos produzidos em território guineense e santomense tiveram lugar na
primeira metade do século XX. No final do século XIX, graças ao advento jornalístico, a
literatura santomense concebeu suas primeiras letras.
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Bibliografia
Bhabha, H. K. (1995). The Location of Culture. London: Routledge
Laranjeira, P. (1996). La Littérature Coloniale Portugaise. (Artigo não publicado)
Leite, A. M. (1995). Modelização Épica nas Literaturas Africanas. Lisboa: VegAL
Laranjeira, P. (1996). A negritude africana de língua portuguesa. Porto: Afrontamento
______. (2005). Ensaios afro-literários. Lisboa: Novo Imbondeiro
______. (1995). Literaturas africanas de expressão portuguesa. Lisboa: Universidade: Aberta
Said, E. (1995). Cultura e imperialismo. São Paulo: Companhia das Letras
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