Modelo de Habeas Corpus com pedido de liminar
EXCELENTÍSSIMO SENHOR DESEMBARGADOR PRESIDENTE DO EGRÉGIO
TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO ….
….., advogado, inscrito na OAB/… sob o n.º …., com escritório profissional na Rua ….,
onde recebe intimações, vem respeitosamente perante esse Egrégio Tribunal, com fulcro no
art. 5º, inciso LXVIII, da Constituição Federal de 1988 e artigos 647 e 648, ambos do Código
de Processo Penal, impetrar o presente
HABEAS CORPUS LIBERATÓRIO COM PEDIDO DE CONCESSÃO DE LIMINAR
em benefício do paciente …., brasileiro, solteiro, nascido em …, residente na Rua …,
atualmente recolhido na Penitenciária …., o qual vem sofrendo violenta coação em sua
liberdade, por ato ilegal e abusivo do Excelentíssimo Senhor Juiz de Direito da __ Vara
Criminal da Comarca de …, pelos motivos de fato e de direito a seguir delineados:
I – DA SÍNTESE DOS FATOS
Constam nos autos do processo criminal n.º …., o qual tramitou na … Vara Criminal da
Comarca de …., que supostamente o paciente praticou o crime de …..
Chegando o fato ao conhecimento da autoridade policial, instaurou-se o inquérito policial
para apurar eventual infração penal. Ouvido a vítima, acusado e testemunhas, a Delegada
de Polícia Civil decidiu por indiciar … pela prática descrita no artigo … do Código Penal,
bem como representar por sua prisão preventiva.
Em depoimento na esfera policial (discorrer fatos).
O ilustre representante do “Parquet” denunciou o ora paciente nas condutas previstas nos
artigos … e … todos do Código Penal. Em …. o Excelentíssimo Juiz decretou a prisão
preventiva de …., fundamentando (discorrer fatos).
Ocorre Nobre Julgador, que a decretação da prisão preventiva do paciente não encontra
qualquer respaldo no ordenamento jurídico, motivo de sua ilegalidade.
II – DA FUNDAMENTAÇÃO JURÍDICA
A Constituição da Republica Federativa do Brasil de 1988 prescreve em seu art. 5º, inciso
LXVIII, que será concedido “habeas corpus” sempre que alguém sofrer ou se achar
ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou
abuso de poder.
Em igual substrato, o Código de Processo Penal contempla em seus artigos 647 e 648:
“Art. 647. Dar-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar na iminência de
sofrer violência ou coação ilegal na sua liberdade de ir e vir, salvo nos casos de punição
disciplinar;”
“Art. 648. A coação considerar-se-á ilegal:
I – quando não houver justa causa; (…)”
Há que se mencionar ainda o Pacto de São José da Costa Rica, recepcionado em nosso
ordenamento jurídico brasileiro, que em seu art. 7º, é taxativo ao expor que toda pessoa tem
direito a liberdade, sendo que ninguém pode ser submetido ao encarceramento arbitrário.
Assim, para ocorrer o cerceamento da liberdade de qualquer cidadão deve-se observar os
princípios e garantias previstos na Carta Magna, o que foi gritantemente violado, além de,
vislumbrar que, no caso em tela, não ocorreram os requisitos do artigo 312 do CPP (prisão
preventiva) do paciente que foi determinada com base em suposições que não encontram
qualquer amparo nas provas colhidas, consubstanciando ainda no presente writ, a
exacerbação e reiterados erros na aplicação da dosimetria da pena.
DAS NULIDADES
De acordo com Tourinho Filho “todo ato viciado ou com algum defeito, por ter sido praticado
sem a observância da forma legal, é passivo de receber a sanção penal chamada de
nulidade. A nulidade apresenta-se como a sanção penal aplicada ao processo, ou há algum
ato processual defeituoso e com vícios, praticado sem observância da forma prevista em lei
ou em forma proibida pela lei processual penal”. Desta forma, o motivo para a existência das
nulidades é a necessidade de um procedimento processual feito de acordo com as
formalidades exigidas para os atos processuais, já que é garantia para as partes ter um
processo justo e regular, como preceitua a Constituição Federal de 1988.
Da violação aos princípios do contraditório e ampla defesa
É cediço que no antigo sistema inquisitório (o qual surgiu logo após o acusatório clássico),
dentre outras peculiaridades, as provas eram calculadas conforme cálculo matemático em
que se distribuíam pontos dentre cada prova apresentada e ao final, a somatória de tais
pontos determinava a condenação ou absolvição do réu. Neste sistema havia o “xeque-mate
da ação penal”, o qual possuía o nome de Rainha das provas, que consistia na
apresentação de uma prova que automaticamente decretasse a condenação ou absolvição
do acusado (exemplo: confissão). Apresentada tal prova a instrução penal não se fazia mais
necessária e o juiz então, considerando aquela prova como suficiente, condenava ou
absolvia o réu.
Com o novo sistema inquisitório (parte da doutrina diz sistema inquisitório misto) este
sistema de valoração de provas caiu por terra, vez que entendeu-se que a rainha das
provas poderia vir acompanhada de algum vício, como por exemplo uma confissão para
livrar outra pessoa, bem como deveria se considerar a aplicação de princípios basilares do
direito penal como o favor rei (favor libertatis), que tão importante se fez acabou por
consolidado no artigo 386, inciso VII do Código de Processo Penal pátrio, in verbis:
Art. 386. O juiz absolverá o réu, mencionando a causa na parte dispositiva, desde que
reconheça:
(…)
VII – não existir prova suficiente para a condenação
Trazendo tais informações para os autos, o que se vê é utilização por parte do Meritíssimo
Juiz de direito da … Vara Criminal de …. do instituto da rainha das provas, considerando
que o único indício de uma conduta reprovável por parte do paciente parte do depoimento
de uma única testemunha que sequer presenciou os fatos.
Da não produção de provas ilícitas
O processo como um procedimento em contraditório gira em torno da sentença, ou seja, do
provimento final, a qual nada mais é do que o resultado do procedimento. As provas,
principalmente testemunhais, devem ser lícitas e estarem sem qualquer tipo de
contaminação, uma vez que maculada, também contaminam a sentença, tornando sua
eficácia neutralizada.
Assim diz a Constituição Federal:
Artigo 5º (…)
LVI – são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios
ilícitos. (Discorrer sobre os fatos)
O Código de Processo Penal em seu artigo 213 diz:
Art. 213. O juiz não permitirá que a testemunha manifeste suas apreciações pessoais, salvo
quando inseparáveis da narrativa do fato.
Como o próprio artigo diz, só é admitido a manifestação de apreciações pessoais quando
estas são inseparáveis do fato, o que NÃO OCORRE no presente caso. (Discorrer sobre os
fatos).
Pode-se citar neste caso a teoria da árvore dos frutos envenenados (fruits of poisonous),
que ao falar do processo penal diz que a simples prova obtida por meio ilícito, contamina
todas as demais provas, tornando todo o procedimento nulo. No caso em tela, (discorrer
sobre os fatos).
Pelo exposto Nobre Desembargador, pôde-se analisar que as nulidades foram referentes a
princípios basilares dos direitos e garantias fundamentais do cidadão, conforme a
Constituição Federal de 1988. Sendo assim, tais princípios violados impossibilitaram o
regular procedimento do feito, tornando o processo nulo/nulidade absoluta, visto que o
corolário de todos os princípios constitucionais é o devido processo legal, que foi
notoriamente ferido.
AUSÊNCIA DOS PRESSUPOSTOS DA PREVENTIVA
É evidente que a Constituição Federal também possibilita a decretação de prisão provisória
antes de uma sentença condenatória transitada em julgado, entretanto, essas prisões têm
caráter eminentemente cautelar e, como toda medida dessa linhagem, para serem
legitimamente decretadas devem preencher os requisitos cautelares do fumus comissi
delicti e periculum in libertatis, sendo imprescindível, portanto, que a existência do crime
esteja devidamente comprovada e que haja, pelo menos, indícios mínimos de autoria
(fumus boni iuris), além de comprovação da necessidade da prisão, ou seja, risco para o
transcurso normal do processo, caso não seja ela decretada (periculum in mora).
Em suma, a prisão cautelar só poderá ser decretada, quando, havendo indícios de autoria e
prova da materialidade, for necessária para a garantia da ordem pública, por conveniência
da instrução criminal ou para assegurar a aplicação da lei penal (artigo 312 do Código de
Processo Penal). Assim, ainda que Vossas Excelências considerem haver indícios
suficientes de autoria, o mesmo não se pode dizer com relação ao periculum in libertatis,
pois essa exigência cautelar aqui não se encontra presente.
Não há nos autos elementos que façam supor que o paciente, que sequer registra outros
processos criminais tramitando em seu desfavor, pretendia se furtar à apuração de sua
responsabilidade criminal ou influir no depoimento de testemunhas, com o objetivo de
obstaculizar o decurso da instrução processual, ou seja, não se vislumbra, nesse caso, o
risco que a liberdade do expoente poderia oferecer ao deslinde da instrução processual, à
ordem pública, tampouco à aplicação da lei penal, ausentes, portanto, os requisitos para a
decretação da prisão preventiva.
Diga-se que as justificativas de uma prisão cautelar devem ressurgir de elementos de
convicção existentes nos autos, ou seja, a declaração da vítima de um suposto crime
cometido, que ao menos fora investigado, ocorrido há mais de trinta anos não pode ser
considerada como argumento para a caracterização do periculum in libertatis. Essa, aliás, é
a lição de Luís Flávio Gomes, que com extrema propriedade doutrina “que a prisão cautelar
é excepcional e instrumental. Desse modo, só se justifica quando o juiz, motivadamente,
demonstra seu embasamento fático e jurídico, valendo das provas produzidas dentro do
processo” (Direito de Apelar em Liberdade, Ed. RT, p. 39).
Destaca-se que a simples alegação de gravidade do delito não é suficiente a sustentar
decreto prisional cautelar, posto que como pacífico entendimento doutrinário e
jurisprudencial, a necessidade da medida deve ser comprovada por fatos concretos e não
apenas na afirmação de que a gravidade do crime afeta a paz social e deixa abalada a
comunidade local.
Neste sentido já decidiram o Supremo Tribunal Federal e o Superior Tribunal de Justiça:
Boletim Informativo nº 213 do STJ. DECISÃO DA 6ª TURMA. PRISÃO PREVENTIVA.
REQUISITOS. FUNDAMENTAÇÃO. A gravidade do delito mesmo quando praticado crime
hediondo, se considerada de modo genérico e abstratamente, sem que haja correlação com
a fundamentação fático objetiva, não justifica a prisão cautelar. A prisão preventiva é medida
excepcional de cautela, devendo ser decretada quando comprovados objetiva e
corretamente, com motivação atual, seus requisitos autorizadores. O clamor público, por si
só, não justifica a custódia cautelar. Precedentes citados: HC 5.626-MT, DJ 16/6/1997, e HC
31.692- PE, DJ 3/5/2004. HC 33.770-BA, Rel. Min. Paulo Medina, julgado em 17/6/2004.
Assim, não se pode compreender na expressão garantia da ordem pública, a questão do
clamor público, porque não estaria sendo aferido neste caso o perigo que a liberdade do
paciente poderia acarretar, mas tão somente a gravidade objetiva do crime e os anseios da
sociedade.
Em relação à aplicação da lei penal, não há fundamento para a decretação da prisão
preventiva, pois não há receio de que o paciente, se solto, venha a evadir-se do distrito da
culpa, uma vez que possui bons antecedentes, residência fixa, identidade certa e trabalho.
III – DOS PRESSUPOSTOS DA MEDIDA LIMINAR
Diante da flagrante ilegalidade da decretação da prisão do paciente, não pairam dúvidas
para que, num gesto de estrita justiça, seja concedida liminarmente o direito à liberdade ao
mesmo.
A plausibilidade jurídica da concessão da liminar encontra-se devidamente caracterizada. O
“fumus comissi delicti”, significa a fumaça do cometimento do delito, o qual pelos elementos
fáticos e jurídicos trazidos à colação não foram capazes de demonstrar a efetiva
participação do paciente no crime emo comento. Por sua vez, no que concerne o “periculum
libertatis” (perigo na liberdade do acusado), conforme demonstrado minuciosamente, não
vislumbra-se qualquer justificativa plausível para a prisão cautelar do paciente.
Cabe citar os ensinamentos do jurista Alberto Silva Franco, veja-se
“É evidente, assim, que apesar da tramitação mais acelerada do remédio constitucional, em
confronto com as ações previstas no ordenamento processual penal, o direito de liberdade
do cidadão é passível de sofrer flagrante coarctação ilegal e abusiva. Para obviar tal
situação é que, numa linha lógica inafastável, foi sendo construído, pretoriamente, em nível
de habeas corpus, o instituto da liminar, tomando de empréstimo do mandado de
segurança, que é dele irmão gêmeo. A liminar, em habeas corpus, tem o mesmo caráter de
medida de cautela, que lhe é atribuída do mandado de segurança”.
Frente ao exposto, a presente ordem de habeas corpus deve ser concedida liminarmente
com o fim de obstar a prisão preventiva do ora paciente.
IV – DOS PEDIDOS
Diante do exposto, resta induvidoso que o paciente sofreu constrangimento ilegal por ato da
autoridade coatora, o Excelentíssimo Senhor Juiz de Direito da … Vara Criminal da
Comarca de …, circunstância “contra legem” que deve ser remediada por esse Colendo
Tribunal. Isto posto, com base no artigo 5º, LXVIII, da CF, c/c artigos 647 e 648 do CPP,
requer:
a) a oitiva da Douta Procuradoria de Justiça na condição de “custos legis”, para que
apresente parecer;
b) a requisição de informações ao Meritíssimo Juiz da … Vara Criminal da Comarca de …,
ora apontado como autoridade coatora;
c) a confirmação no mérito da liminar pleiteada para que se consolide, em favor do paciente
…., a competente ordem de “habeas corpus”, para fazer impedir o constrangimento ilegal
que o mesmo vem sofrendo, como medida da mais inteira Justiça, expedindo-se,
imediatamente, o competente ALVARÁ DE SOLTURA, a fim de que seja o paciente posto
em liberdade;
d) A intimação pessoal do Douto Advogado para a sustentação oral, a ser marcada em dia e
hora por esta Colenda Câmara.
Nestes termos,
pede e espera deferimento.
… (Município – UF), … (dia) de … (mês) de … (ano).
ADVOGADO
OAB n° …. – UF
MODELO DE HABEAS DATA
AO JUÍZO DA PRESIDÊNCIA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA
Tício, brasileiro, casado, engenheiro, portador do RG nº... e do CPF nº..., endereço
eletrônico..., residente e domiciliado..., nesta cidade, por seu advogado infra-assinado,
conforme procuração anexa…, com escritório..., endereço que indica para os fins do art. 77,
V, do CPC, com fundamento no art. 5º, LXXII, da CRFB/88 e da Lei nº 9507/97, vem
impetrar o presente
HABEAS DATA
em face do Ministro de Estado da Defesa, com sede funcional…, pelos fundamentos de fato
e de direito a seguir aduzidos.
I - DOS FATOS
Tício, brasileiro, casado, engenheiro, na década de setenta, participou de movimentos
políticos que faziam oposição ao Governo então instituído. Por força de tais atividades, foi
vigiado pelos agentes estatais e, em diversas ocasiões, preso para averiguações. Seus
movimentos foram monitorados pelos órgãos de inteligência vinculados aos órgãos de
Segurança do Estado, organizados por agentes federais.
Após longos anos, no ano de 2010, Tício requereu acesso à sua ficha de informações
pessoais, tendo o seu pedido indeferido, em todas as instâncias administrativas. Esse foi o
último ato praticado pelo Ministro de Estado da Defesa, que lastreou seu ato decisório, na
necessidade de preservação do sigilo das atividades do Estado, uma vez que os arquivos
públicos do período desejado estão indisponíveis para todos os cidadãos.
II - DOS FUNDAMENTOS JURÍDICOS
O “habeas-data” é o remédio constitucional que visa assegurar o conhecimento de
informações relativas à pessoa do impetrante, constantes de registros ou bancos de dados
de entidades governamentais ou de caráter público ou para a retificação de dados, quando
não se prefira fazê-lo por processo sigiloso, judicial ou administrativo, nos termos do art. 5º,
LXXII, da CRFB/88 e da lei 9.507/97.
Compete ao Superior Tribunal de Justiça processar e julgar, originariamente, os mandados
de segurança e os habeas data contra ato de Ministro de Estado , nos termos do art. 105, 1,
‘b’, da CRFB/88.
O requisito de Prova Pré-Constituída está evidenciada no fato de que Tício requereu acesso
à sua ficha de informações pessoais, tendo o seu pedido indeferido, em todas as instâncias
administrativas, conforme o art. 8º, § único, I, da Lei 9507/97.
A legitimidade ativa é daquele que deseja o acesso aos seus próprios dados, no caso Tício.
Já a legitimidade passiva é da autoridade coatora, no enunciado, o Ministro de Estado da
Defesa.
Quanto ao mérito, o direito à informação pessoal é um direito constitucional assegurado a
todos o acesso à informação e garantido-se a todos a inviolabilidade da intimidade, nos
termos do art. 5º, incisos XIV e X, respectivamente, da CRFB/88.
Ademais, são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas, o direito de
petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de
poder, bem como, a obtenção de certidões em repartições públicas, para defesa de direitos
e esclarecimento de situações de interesse pessoal, nos termos art. 5º, XXXIV, da CRFB/88.
III - DOS PEDIDOS
Diante de todo o exposto, requer a V. Exa.:
a) a procedência do pedido de habeas data, para que seja assegurado ao Impetrante o
acesso às informações de seu interesse;
b) que seja notificada a autoridade coatora dos termos da presente a fim de que preste
demais informações que julgar necessárias, nos termos do art. 9º da Lei nº 9507/97;
c) a intimação do Representante do Ministério Público, nos termos do art. 12 da Lei 9507/97;
d) a juntada dos documentos, nos termos do art. 8º da Lei 9507/97.
IV - DO VALOR DA CAUSA
Valor da causa de acordo com o art. 292 do CPC/15.
Nestes termos,
Pede deferimento.
Local... e data...
Advogado...
OAB nº...
MANDADO DE INJUNÇÃO
EXCELENTÍSSIMA SENHORA PRESIDENTE DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO ESTADO
DA BAHIA
..., brasileiro, casado, Servidor Público lotado na..., residente e domiciliado na..., Bairro...,
Cep.:... Em..., portador do RG nº.../SSP/... E CPF nº..., e-mail ..., por sua advogada
(procuração anexa, doc.1), vem impetrar o presente,
MANDADO DE INJUNÇÃO
em face do GOVERNADOR DO ESTADO DA BAHIA, pessoa jurídica de direito público
interno, representado pelo Governador Rui Costa dos Santos, CNPJ nº [Link]/0001-60,
e-mail .... Ba. Gov. Br, com endereço/sede na 1ª Avenida Centro Administrativo da Bahia,
100 - Centro Administrativo da Bahia, Salvador - BA, 41745-000, e, do TRIBUNAL DE
JUSTIÇA DO ESTADO DA BAHIA, pessoa jurídica de direito público interno, representado
pela sua Presidente a Excelentíssima Desembargadora Maria do Socorro Barreto Santiago,
CNPJ nº [Link]/0001-60, e-mail ..., com sede/endereço na 5ª Avenida do CAB, 560 –
Salvador-BA., CEP XXXXX-971, ambos representados juridicamente pelo ESTADO DA
BAHIA, o que faz com fundamento na Constituição da Republica (arts. 5º, LXXI), na
Constituição do Estado da Bahia (arts. 123, I, g), e na Lei 13.300/2016, pelos motivos
seguintes:
1. Inicialmente requer a concessão da gratuidade judicial por dois motivos: Primeiro por ser
pobre no sentido, legal, de miserabilidade jurídica, em razão da impossibilidade de pagar as
despesas do processo, sem prejuízo do sustento próprio ou de sua família. O requerente
teve despesas recentes com o parto de sua filha para que pudesse nascer o seu primeiro
neto. Segundo: Há um fato interessante no CPC que os juristas não notaram. Se o
Impetrante pagar as custas e vencer a ação ele não receberá do Estado/vencido as custas
pagas porque o Estado é isento. Caso o Estado vença a ação, ele também será isento das
custas nos termos da lei e o Impetrante do mesmo modo não receberá as custas
dispendidas. Note-se então que há uma falha grave no processo civil. Nas ações em que o
cidadão contender com o Estado as custas deveriam ser apuradas ao final da ação,
observada, é claro a possibilidade de deferimento ou não dos benefícios da gratuidade
judicial do cidadão. Portanto reitera o pedido de gratuidade judicial, ou caso Vossa
Excelência entenda de modo diverso, que o pagamento seja apurado ao final da ação, já
que o CPC é omisso neste sentido, cabendo a Vossa Excelência analisar este pleito.
2. O Impetrante é Servidor do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, conforme demonstra
o documento em anexo e é um dos legitimados para propor a presente ação nos termos do
Art. 3º da Lei 13.300/2016, veja-se:
“Art. 3o São legitimados para o mandado de injunção, como impetrantes, as pessoas
naturais ou jurídicas que se afirmam titulares dos direitos, das liberdades ou das
prerrogativas referidos no art. 2o e, como impetrado, o Poder, o órgão ou a autoridade com
atribuição para editar a norma regulamentadora.”
3. O Tribunal de Justiça do Estado da Bahia em 2016 não concedeu a revisão anual geral
da remuneração dos Servidores do Tribunal de Justiça da Bahia, prevista no Art. 37, X da
Constituição Federal, sob a alegação de que depende do valor a ser estabelecido pelo
Governador do Estado da Bahia para reajuste da remuneração dos servidores públicos do
Estado. O mesmo já ocorreu este ano, a data base da revisão geral anual dos servidores é
1º de janeiro de cada ano. Até o presente momento, também não saiu nenhum índice de
revisão divulgado pelo Governo da Bahia, o que se aguarda desde 2016. Ou seja, o
Tribunal depende do índice do Governo do Estado para efetuar a revisão e este por
omissão não faz, prejudicando todo o funcionalismo público.
4. Vejamos o que dispõe o referido Artigo e seu inciso:
“Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao seguinte: (Redação
dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998)
(...)
X - a remuneração dos servidores públicos e o subsídio de que trata o § 4º do art. 39
somente poderão ser fixados ou alterados por lei específica, observada a iniciativa privativa
em cada caso, assegurada revisão geral anual, sempre na mesma data e sem distinção de
índices; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998) (Regulamento)”
5. O direito à mencionada revisão é assegurado na Carta Magna, na Constituição do Estado
e na Lei de Responsabilidade Fiscal, todavia lei regulamentadora, ainda não editada, nem
por um e nem pelo outro Impetrados. No caso o Tribunal depende do índice do Governo do
Estado para tal ato.
6. Leciona Maria Sylvia Zanella Di Pietro que: “Os servidores passam a fazer jus à revisão
geral anual, para todos na mesma data e sem distinção de índices (estas últimas exigências
a serem observadas em cada esfera de governo). A revisão anual, presume-se que tenha
por objetivo atualizar as remunerações de modo a acompanhar a evolução do poder
aquisitivo da moeda; se assim não fosse, não haveria razão pra tornar obrigatória a sua
concessão anual, no mesmo índice e na mesma data para todos. Essa revisão anual
constitui direito dos servidores, o que não impede previsões outras, feitas com o objetivo de
reestruturar ou conceder melhorias a carreiras determinadas, por outras razões que não a
de atualização do poder aquisitivo dos vencimentos e subsídios.” Direito Administrativo. São
Paulo: Atlas, 2014, p. 538.
7. Com efeito, a ausência de revisão geral anual dos servidores públicos ocasiona danos
irreparáveis à categoria, uma vez que a não edição de lei específica, acarreta violação de
mandamento constitucional por omissão do Estado da Bahia, gerando o empobrecimento
do servidor público, pois a ausência de revisão geral acarreta em perda do poder de compra
do salário recebido pelo servidor público, o que diminui, inclusive, sua dignidade.
8. Destaque-se ainda, que a ausência de revisão geral anual pode claramente acarretar
dano aos servidores públicos do Estado, uma vez que estes estarão sujeitos aos efeitos
nefastos da inflação oficial que em 2015 fechou em 11,27% (INPC/IBGE) e 6,58%
(INPC/IBGE) em 2016, causando perda do poder aquisitivo da moeda. Esses efeitos que por
sua vez depreciam o salário da categoria enseja um maior endividamento por parte dos
servidores, os quais para cumprir suas obrigações ordinárias são compelidos a empréstimos
consignados com juros cada vez mais altos, realidade que o Poder Judiciário não pode
ignorar. A despeito do descumprimento dos direitos dos trabalhadores do Estado da Bahia,
os gastos do Governo do Estado com propaganda/noticiário institucional têm se mostrado
excessivos ao longo dos últimos anos, dinheiro que daria para implantar e pagar revisão
anual com folga.
9. Os Impetrados valem-se da Lei de responsabilidade Fiscal para descumprir a lei. Mas a
referida lei de responsabilidade faz uma ressalva sobre a revisão, vejamos o que diz o Art.
22, Parágrafo Único, I da Lei 101/2000:
“Art. 22. A verificação do cumprimento dos limites estabelecidos nos arts. 19 e 20 será
realizada ao final de cada quadrimestre. Parágrafo único. Se a despesa total com pessoal
exceder a 95% (noventa e cinco por cento) do limite, são vedados ao Poder ou órgão
referido no art. 20 que houver incorrido no excesso: I - concessão de vantagem, aumento,
reajuste ou adequação de remuneração a qualquer título, salvo os derivados de sentença
judicial ou de determinação legal ou contratual, ressalvada a revisão prevista no inciso X do
art. 37 da Constituição;”
10. Se os Impetrados não podem promover a revisão geral anual da remuneração dos
Servidores, que se adequem à lei de responsabilidade fiscal. Sobre este assunto, trago de
uma citação feita pelo Eminente Ministro Dias Toffoli no julgamento do MS 3480:
“A Lei de Responsabilidade Fiscal dispôs, em seu art. 23, caput, que se a despesa total com
pessoal exceder a 95% (noventa e cinco por cento) do limite admitido, sem prejuízo das
medidas tendentes à contenção de novos gastos, o percentual excedente
terá de ser eliminado nos dois quadrimestres seguintes, com adoção, entre outras medidas
ali previstas, das providências insertas nos §§ 3º e 4º do art. 169 da CF/88. Eis o teor da
norma constitucional: “Art. 169. A despesa com pessoal ativo e inativo da União, dos
Estados, do Distrito Federal e dos Municípios não poderá exceder os limites estabelecidos
em lei complementar. (...) § 3º Para o cumprimento dos limites estabelecidos com base
neste artigo, durante o prazo fixado na lei complementar referida no caput, a União, os
Estados, o Distrito Federal e os Municípios adotarão as seguintes providências: I - redução
em pelo menos vinte por cento das despesas com cargos em comissão e funções de
confiança; II - exoneração dos servidores não estáveis. § 4º Se as medidas adotadas com
base no parágrafo anterior não forem suficientes para assegurar o cumprimento da
determinação da lei complementar referida neste artigo, o servidor estável poderá perder o
cargo, desde que ato normativo motivado de cada um dos Poderes especifique a atividade
funcional, o órgão ou unidade administrativa objeto da redução de pessoal. § 5º O servidor
que perder o cargo na forma do parágrafo anterior fará jus a indenização correspondente a
um mês de remuneração por ano de serviço. § 6º O cargo objeto da redução prevista nos
parágrafos anteriores será considerado extinto, vedada a criação de cargo, emprego ou
função com atribuições iguais ou assemelhadas pelo prazo de quatro anos. § 7º Lei federal
disporá sobre as normas gerais a serem obedecidas na efetivação do disposto no § 4º.”
11. Veja-se que o Egrégio Tribunal de Justiça de Goiás, na esteira da nova conformação
que o Supremo Tribunal Federal culminou por dar ao writ injuncional, recentemente,
posicionou-se sobre o tema no julgamento do Mandado de Injunção n.
XXXXX-09.2010.8.09.0000, tendo como Relator o eminente Desembargador Alan Sebastião
de Sena Conceição, cuja ementa segue transcrita abaixo, litteris:
“MANDADO DE INJUNÇÃO. SERVIDOR PÚBLICO ESTADUAL. PODER EXECUTIVO.
REVISÃO GERAL ANUAL. GARANTIA CONSTITUCIONAL. OMISSÃO LEGISLATIVA
OBSTATIVA DO 17 EXERCÍCIO DO DIREITO. ORDEM CONCEDIDA. I - Inexistente a
disciplina específica para o exercício da garantia constitucional insculpida no artigo 37,
inciso X, da Constituição Federal, impõe-se o reconhecimento da mora da autoridade
impetrada, com determinação de providência destinada a supri-la no prazo consignado e
mais, em caso de persistência, a fixação de diretriz para garantir o efetivo exercício do
direito constitucional em voga, conforme hodierna orientação do Supremo Tribunal Federal.
II - Ordem concedida para que a autoridade impetrada supra a omissão em 180 (cento e
oitenta) dias, todavia, persistindo a mora legislativa, assegura-se aos impetrantes a revisão
geral anual pretendida (anos de 2007 a 2009), com base no INPC, índice igualmente eleito
pelo próprio Executivo para os anos de 2011 e 2012, cujo projeto de lei tramita na
Assembleia Legislativa do Estado de Goiás. MANDADO DE INJUNÇÃO PROCEDENTE.”
(TJGO, MANDADO DE INJUNCAO XXXXX-09.2010.8.09.0000, Rel. Des. Alan S. De Sena
Conceição, CORTE ESPECIAL, julgado em 27.6.2012, DJe 1114 de 1.8.2012)
12. Trago à colação excerto do Supremo Tribunal Federal no RE 565.089 / SP para
corroborar o pleito objeto do presente writ:
“No mais, atentem para a interpretação sistemática dos dispositivos constitucionais. A
garantia é de manutenção do valor da remuneração, e não da correspondente expressão
monetária. Descabe confundir, como alerta Diogo de Figueiredo Moreira Neto, “valor” da
remuneração com a equivalente “expressão pecuniária”. O acréscimo remuneratório em
percentual inferior à inflação do período representa inequívoca diminuição do valor da
remuneração, em desacordo com a garantia constitucional. O autor expressa com singular
clareza: Entendido o dispositivo, conjuntamente com a regra do art. 37, X, que determina a
“revisão geral anual da remuneração dos servidores públicos e do subsídio”, impõe-se
concluir que o legislador constitucional assegurou a irredutibilidade do valor dos
vencimentos e não a de sua expressão monetária, pois, se assim não fosse, estaria
consagrada, paradoxalmente, com a garantia constitucional, uma perversa opção política
para reduzi-los por simples omissão, quando e no quanto fosse desejável à Administração,
bastando, para tanto, que os Chefes 8 RE 565.089 / SP do Poder Executivo se abstivessem
de enviar mensagem de reajustamento ao Legislativo para a correção das perdas
inflacionárias da moeda (Curso de direito administrativo, 2009, pp. 336 e 337).”
Cai como uma luva neste pedido, uma ressalva feita pelo Ministro Celso de Mello no
julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 1.458-7/DF. Sua Excelência fez ver
QUE “... Há de buscar-se a concretude, a eficácia maior, dos ditames constitucionais. Com a
propriedade decorrente da formação profissional e humanística possuída.: A omissão do
Estado - que deixa de cumprir, em maior ou em menor extensão, a imposição ditada pelo
texto constitucional - qualifica-se como comportamento revestido da maior gravidade
político-jurídica, eis que, mediante inércia, o Poder Público também desrespeita a
Constituição, também ofende direitos que nela se fundam e também impede, por ausência
de medidas concretizadoras, a própria aplicabilidade dos postulados e princípios da Lei
Fundamental. (...) É preciso proclamar que as Constituições consubstanciam ordens
normativas cuja eficácia, autoridade e valor não podem 3 RE 565.089 / SP ser afetados ou
inibidos pela voluntária inação ou por ação insuficiente das instituições estatais. Não se
pode tolerar que os órgãos do Poder Público, descumprindo, por inércia e omissão, o dever
de emanação normativa que lhes foi imposto, infrinjam, com esse comportamento negativo,
a própria autoridade da Constituição e efetuem, em conseqüência, o conteúdo eficacial dos
preceitos que compõem a estrutura normativa da Lei Maior (GRIFO NOSSO)
13. Em situação tal, só resta ao Requerente, valer-se do Mandado de Injunção, como lhe
assegura o artigo 5º, LXXI, da Lei Magna, verbis:
"ART. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se
aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à
liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
(...)
LXXI - conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora
torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas
inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania;"
E o Art. 2º da lei 13.300/2016 que disciplina o processo e o julgamento dos mandados de
injunção individual e coletivo e dá outras providências:
“Art. 2oConceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta total ou parcial de norma
regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das
prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania.”
14. Ante o exposto, requer:
a) a concessão da gratuidade judicial, e, na impossibilidade o seu pagamento ao final do
processo;
b) a notificação dos Impetrados sobre o conteúdo da petição inicial, a fim de que, no prazo
de 10 (dez) dias, prestem informações;
c) a ciência do ajuizamento da ação ao órgão de representação judicial da pessoa jurídica
interessada, o Estado da Bahia, devendo-lhe ser enviada cópia da petição inicial, para que,
querendo, ingresse no feito.
d) a intimação do Ministério Público nos termos do Art. 7º da Lei 13.300/2016, incusive para
verificar se tal mora/omissão é passível de crime de responsabilidade/improbidade
administrativa com o ajuizamento da competente ação.
Requer ainda ao final:
a) que seja reconhecido o estado de mora legislativa e deferida a injunção, determinando-se
aos Impetrados que, no prazo de 60 dias, promovam a edição da norma regulamentadora,
implantando o reajuste do ano de 2016, no contracheque do Impetrante com base no índice
da inflação do ano de 2015, no percentual de 11,27%, com o pagamento das diferenças a
que faz jus, inclusive sobre férias, décimo terceiro e demais gratificações, até a data do
efetivo pagamento;
b) que seja reconhecido o estado de mora legislativa e deferida a injunção,
determinando-se aos Impetrados que, no prazo de 60 dias, promovam a edição da norma
regulamentadora, implantando o reajuste do ano de 2017, no contracheque do Impetrante
com base no índice da inflação do ano de 2016, no percentual de 6,58% com o pagamento
das diferenças a que faz jus, inclusive sobre férias, décimo terceiro e demais gratificações,
conforme o caso, até a data do efetivo pagamento.
c) deixa de pedir a condenação dos Impetrados ao pagamento das custas por força da
isenção legal.
d) a condenação dos Impetrados ao pagamento dos honorários advocatícios no importe de
20% do valor a ser apurado por ocasião da implantação dos reajustes no contracheque do
Autor.
Espera que essa Eg. Casa de Justiça, em sua alta sabedoria, supra a omissão e lhe
assegure o quanto requerido no presente writ.
Atribui-se à causa, para efeitos meramente fiscais, o valor de R$ 937,00.
Seguem com a presente, duas cópias da inicial com os documentos para notificação dos
Impetrados e outra sem os documentos para a cientificação do Estado da Bahia.
Nestes termos,
Pede deferimento.
Local... e data...
Advogado...
OAB nº...
MANDADO DE SEGURANÇA
EXCELENTÍSSIMO (A) SENHOR (A) DOUTOR (A) PRESIDENTE DAS TURMAS
RECURSAIS DO ESTADO DO CEARÁ
NOME COMPLETO, nacionalidade, estado civil, profissão, e-mail, RG e CPF, residente e
domiciliada no endereço, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, por
intermédio de seu procurador subscrito, impetrar:
MANDADO DE SEGURANÇA
Em face da autoridade coatora, Excelentíssimo (a) Senhor (a) Doutor (a) Juiz (a) da _ª
Unidade do Juizado Especial Cível, nome da autoridade, pelos motivos de fato e de direito a
seguir expostos:
DA JUSTIÇA GRATUITA
Requer o impetrante os benefícios da JUSTIÇA GRATUITA, por ser hipossuficiente na
forma da lei, conforme declara no instrumento procuratório, não podendo, portanto, arcar
com as custas processuais e honorários advocatícios sem prejuízo do próprio sustento e de
sua família.
O acesso à justiça é direito de todos, e quem não tem condições de arcar com as custas
processuais não pode ser privado desse direito, assim preceitua o princípio constitucional
da inafastabilidade da jurisdição, artigo 5º, inciso XXXV da Constituição de 1988 e art. 98 e
SS. do novo Código de Processo Civil.
DO CABIMENTO DO MANDADO DE SEGURANÇA
Informa o art. 1º da Lei nº 12.016/2009, a qual disciplina o Mandado de Segurança
Individual e Coletivo, bem como dá outras providências, que o referido remédio
constitucional possui como objeto proteger direito líquido e certo do cidadão brasileiro,
desde que o mesmo não esteja amparado pelos remédios constitucionais do habeas corpus
e do habeas data, senão vejamos:
Art. 1o Conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não
amparado por habeas corpus ou habeas data, sempre que, ilegalmente ou com abuso de
poder, qualquer pessoa física ou jurídica sofrer violação ou houver justo receio de sofrê-la
por parte de autoridade, seja de que categoria for e sejam quais forem as funções que
exerça.
Informa o parágrafo segundo da referida lei que não cabe mandado de segurança contra os
atos de gestão comercial praticados pelos administradores de empresas públicas, de
sociedade de economia mista e de concessionárias de serviço público. O art. 5º e incisos
também informam que não se considerará mandado de segurança:
a. de ato do qual caiba recurso administrativo com efeito suspensivo, independentemente
de caução;
b. de decisão judicial da qual caiba recurso com efeito suspensivo;
c. de decisão judicial transitada em julgado.
Veja-se que a propositura do presente mandamus para que haja o deferimento da Justiça
Gratuita (direito líquido e certo dos impetrantes) não é objeto de entendimento de nenhum
dos comandos acima citados.
A Jurisprudência hodierna, de forma pacífica, entende que o MS é veículo judicial apto para
discutir indeferimento de Justiça Gratuita quando não há outro recurso a ser utilizado, como
é no presente caso, em que há negativa por parte do Juízo Singular na Justiça Gratuita
requerida pelos impetrantes. Vejamos inteiro teor da negativa:
(colocar decisão negando o deferimento de Justiça Gratuita)
Seguem Jurisprudências que autorizam a impetração de mandado de segurança no
presente mandamus, vejamos:
RECURSO ORDINÁRIO EM AGRAVO REGIMENTAL EM MANDADO DE SEGURANÇA
DO LITISCONSORTE PASSIVO NECESSÁRIO 1 - PEDIDO DE CONCESSÃO DOS
BENEFÍCIOS DA JUSTIÇA GRATUITA. PESSOA FÍSICA. 1.1 - De acordo com a Orientação
Jurisprudencial 269 da SBDI-1, "o benefício da justiça gratuita pode ser requerido em
qualquer tempo ou grau de jurisdição, desde que, na fase recursal, seja o requerimento
formulado no prazo alusivo ao recurso". Ademais, os benefícios da justiça gratuita às
pessoas físicas orientam-se unicamente pelo pressuposto do estado de miserabilidade da
parte, comprovável a partir de o salário percebido ser inferior ao dobro do mínimo, ou
mediante simples declaração pessoal do interessado. 1.2 - Na hipótese, o pedido foi
efetuado dentro do prazo recursal, com declaração do estado de miserabilidade em
conformidade com a lei. Pedido deferido. 2 - EXECUÇÃO. PENHORA DE CRÉDITOS
PERANTE TERCEIRO. CABIMENTO. ORIENTAÇÃO JURISPRUDENCIAL 93 DA SBDI-2 .
LIMITAÇÃO. 2.1 - O litisconsorte passivo postula, no recurso ordinário, o restabelecimento
do bloqueio de créditos perante terceiro, até o limite do valor exequendo. 2.2 - A penhora
sobre créditos que a executada possua perante outras empresas assemelha-se à penhora
sobre faturamento. Portanto, deve-se agir com cautela ao proceder à constrição dos bens, a
fim de não inviabilizar o empreendimento. 2.3 - Observa-se que a impetrante não colacionou
provas de modo a permitir conclusão segura a respeito de que o bloqueio determinado
pudesse inviabilizar a atividade empresarial. Soma-se a isso o fato de que a execução se
faz em benefício do credor. Assim, o princípio da efetividade da execução e a plena garantia
de satisfação do crédito trabalhista prevalecem sobre o princípio da execução menos
gravosa ao devedor. 2.4 - Não se reconhece a existência de ilegalidade no ato coator
tampouco a configuração de direito líquido e certo da impetrante. 2.5 - No entanto, a fim de
que a execução se processe de forma menos gravosa para a executada e, ao mesmo
tempo, seja
garantido ao exequente o recebimento dos créditos trabalhistas que lhe são devidos, deve
ser limitada a penhora a 5% (cinco por cento) dos créditos perante terceiros, consoante a
Orientação Jurisprudencial 93 da SBDI-2. Recurso ordinário do litisconsorte passivo
conhecido e parcialmente provido.
(TST - RO: XXXXX20165050000, Relator: Delaíde Miranda Arantes, Data de Julgamento:
20/11/2018, Subseção II Especializada em Dissídios Individuais, Data de Publicação: DEJT
23/11/2018)
AGRAVO DE INSTRUMENTO – MANDADO DE SEGURANÇA – ASSISTÊNCIA
JUDICIÁRIA GRATUITA – Decisão que indeferiu o benefício da justiça gratuita – Pleito de
reforma da decisão – Cabimento – Agravante que pode ser enquadrado na condição de
necessitado a que alude o art. 98 do CPC – Declaração de pobreza e documentos juntados
aos autos que são suficientes para demonstrar a hipossuficiência – Decisão reformada –
AGRAVO DE INSTRUMENTO provido para conceder os benefícios da justiça gratuita ao
agravante.
(TJ-SP XXXXX20178260000 SP XXXXX-56.2017.8.26.0000, Relator: Kleber Leyser de
Aquino, Data de Julgamento: 20/02/2018, 3ª Câmara de Direito Público, Data de
Publicação: 22/02/2018)
RECURSO ORDINÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. CABIMENTO. DECISÃO QUE
INDEFERE BENEFÍCIO DA JUSTIÇA GRATUITA. DECISÃO INTERLOCUTÓRIA
PROFERIDA NA FASE DE CONHECIMENTO. EXISTÊNCIA DE RECURSO PRÓPRIO.
ORIENTAÇÃO JURISPRUDENCIAL Nº 92 DA SBDI-2. 1. Trata-se de mandado de
segurança interposto em face da decisão interlocutória por meio da qual foi indeferido o
pedido de justiça gratuita formulado nos autos da reclamação trabalhista. 2. É cediço que o
Direito Processual do Trabalho orienta-se pelo princípio da irrecorribilidade imediata das
decisões interlocutórias, de modo que somente poderão ser reapreciadas no recurso
interposto contra a decisão definitiva, conforme se depreende do § 1º do artigo 893 da CLT,
que, in casu , é o recurso ordinário. 3. Desse modo, existindo recurso próprio capaz de
provocar a revisão do ato inquinado como ilegal, qual seja, o recurso ordinário, deve ser
reconhecida a existência de óbice intransponível ao cabimento do mandamus . Inteligência
da Orientação Jurisprudencial nº 92 da SBDI-2. 4. Recurso ordinário a que se nega
provimento.
(TST - RO: XXXXX20115010000 XXXXX-02.2011.5.01.0000, Relator: Guilherme Augusto
Caputo Bastos, Data de Julgamento: 13/08/2013, Subseção II Especializada em Dissídios
Individuais, Data de Publicação: DEJT 23/08/2013)
Então, é sabido que pode o mandado de segurança ser interposto contra atos judiciais
quando se tratar de uma decisão teratológica (como é o presente caso), mas desde que não
haja ofensa à coisa julgada e que sobre a decisão atacada não caiba recurso com efeito
suspensivo.
DOS FATOS
O impetrante ingressou com duas ações judiciais no _º Juizado Especial Cível de
Fortaleza/CE, em desfavor de Fulano (processo nº xxxxxxxxxxxxxxx) e de Sicrano
(processo nº xxxxxxxxxxxxxxx) (processos em anexo).
Em sede de audiência de instrução, no processo de nº xxxxxxxxxxxxxxx, o magistrado (a)
coator (a) determinou a vinculação da decisão de um processo para com o outro, pois, de
acordo com a mesma, possuem objetos análogos.
No processo acima indicado, foi julgado improcedente os pedidos formulados em sede
Inicial, sem que fosse observado o próprio despacho da autoridade coatora no processo de
nº xxxxxxxxxxxxxxx (decisão em anexo).
Foi apresentado recurso inominado, sendo deferidas as benesses da Justiça Gratuita
(processo que se encontra com o relator Irandes Bastos Sales).
No processo de nº xxxxxxxxxxxxxxx, mesmo o requerido sendo revel, a magistrada
competente julgou improcedente os pedidos formulados, baseada no depoimento unilateral
do requerido Fulano, em prestação de informações do mesmo no inquérito de nº xxxxxxxx,
negando os erros materiais indicados em sede de embargos de declaração, bem como
indeferindo a Justiça Gratuita requerida pelos ora impetrantes (há de se lembrar que a
própria autoridade coatora vinculou os dois processos, e em um deles, deferiu a Justiça
Gratuita, e no outro, não).
Sem que haja qualquer outro recurso para que se impugne o indeferimento das benesses
da Justiça Gratuita, os impetrantes vêm impetrar o presente mandado de segurança por
terem seus direitos líquidos e certos lesionados, quais sejam:
- Art. 98 do Código de Processo Civil, que dispõe que a pessoa natural ou jurídica, brasileira
ou estrangeira, com insuficiência de recursos para pagar as custas, as despesas
processuais e os honorários advocatícios tem direito à gratuidade da justiça, na forma da
lei;
- Art. 93, IX da CRFB/1988, que estabelece que todos os julgamentos dos órgãos do Poder
Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de nulidade,
podendo a lei limitar a presença, em determinados atos, às próprias partes e a seus
advogados, ou somente a estes, em casos nos quais a preservação do direito à intimidade
do interessado no sigilo não prejudique o interesse público à informação (Princípio da
motivação das decisões judiciais);
- Art. 5º da LINDB, que informa que na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a
que ela se dirige e às exigências do bem comum;
- Art. 8º do CPC, que dispõe que ao aplicar o ordenamento jurídico, o juiz atenderá aos fins
sociais e às exigências do bem comum, resguardando e promovendo a dignidade da
pessoa humana e observando a proporcionalidade, a razoabilidade, a legalidade, a
publicidade e a eficiência; e
- Afronta aos princípios gerais do Direito, como a Boa-Fé.
DO DIREITO
DO DIREITO À JUSTIÇA GRATUITA
Informa o art. 98 do CPC que a pessoa natural ou jurídica, brasileira ou estrangeira, com
insuficiência de recursos para pagar as custas, as despesas processuais e os honorários
advocatícios tem direito à gratuidade da justiça, na forma da lei. Os impetrantes são
servidores públicos municipais, possuem renda compatível para que haja deferimento dos
pedidos de Justiça Gratuita. Segue Jurisprudência que corrobora com o pensamento acima
esposado:
EMENTA: APELAÇÕES PRINCIPAL E ADESIVA. JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE. JUSTIÇA
GRATUITA. SERVIDOR PÚBLICO ESTADUAL. CRISE FINANCEIRA. FATO NOTÓRIO.
DEFERIMENTO DO BENEFÍCIO. AÇÃO DECLARATÓRIA DE INEXISTÊNCIA DE DÉBITO.
CRÉDITO CONSIGNÁVEL. OBRIGAÇÃO QUESÍVEL. INEXISTÊNCIA DE MORA.
REPETIÇÃO DO INDÉBITO. ART. 42, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CDC. AUSÊNCIA DE
PAGAMENTO A MAIOR. SENTENÇA PARCIALMENTE REFORMADA. - É de se deferir a
gratuidade a servidor público que teve afetada sua capacidade financeira pelos atrasos de
pagamentos de subsídios e vencimentos por parte do Estado - A despeito do atraso
apontado na consignação das parcelas, se ele não pode ser imputado ao servidor público -
eis que a obrigação é quesível -, não há falar em inadimplência - Uma vez que o tomador do
crédito não pagou quantia indevida, inaplicável a dobra prevista no art. 42, parágrafo único,
do CDC. Da mesma forma, lastreada a cobrança judicial em interpretação razoável -
embora equivocada - do contrato, não há falar em má-fé, o que impede a aplicação do art.
940 do CC/2002.
(TJ-MG - AC: XXXXX42083070001 MG, Relator: José Marcos Vieira, Data de Julgamento:
11/04/2018, Data de Publicação: 20/04/2018)
PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. JUSTIÇA GRATUITA. SERVIDOR
PÚBLICO. HIPOSSUFICIÊNCIA ECONÔMICA. PRESUNÇÃO RELATIVA. CUSTAS
PROCESSUAIS. RECOLHIMENTO AO FINAL DA DEMANDA. POSSIBILIDADE.
RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO. 1) Ausente demonstração inequívoca de que o
recolhimento das custas processuais interferirá no sustento próprio, presume-se a condição
de arcar com as despesas do processo. 2) O pagamento das custas processuais, como
regra geral, deve ser efetuado na data do ajuizamento da ação, entretanto, se a parte, ao
buscar a intervenção do Poder Judiciário para solucionar um pretenso direito violado,
declara não se encontrar em condições financeiras de arcar com a integralidade das custas
do processo sem que importe em prejuízo da manutenção própria e de seus familiares, pode
o Juiz, diante da inexistência de vedação legal, autorizar que as custas processuais sejam
recolhidas ao final da demanda, como forma de garantir o direito de acesso à justiça
constitucionalmente a todos assegurado. 3) Recurso parcialmente provido.
(TJ-AP - AI: XXXXX20168030000 AP, Relator: Desembargador JOAO LAGES, Data de
Julgamento: 09/05/2017, Tribunal)
Assim, possui o impetrante direito líquido e certo relativo à Justiça gratuita prevista no
ordenamento pátrio.
DO PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO DAS DECISÕES JUDICIAS – DA IMPOSSIBILIDADE DE
ATOS CONTRÁRIOS
Como é sabido, o art. 93, IX da CRFB/1988, dispõe que todos os julgamentos dos órgãos
do Poder Judiciário serão públicos, e fundamentadas todas as decisões, sob pena de
nulidade, podendo a lei limitar a presença, em determinados atos, às próprias partes e a
seus advogados, ou somente a estes, em casos nos quais a preservação do direito à
intimidade do interessado no sigilo não prejudique o interesse público à informação.
Douto relator, a autoridade coatora vinculou os processos de nºs xxxxxxxxxxxxxxx e
xxxxxxxxxxxxxxx, logo, é inimaginável pensar que haja deferimento da Justiça Gratuita para
um, e não haja para o outro, sob pena afronta ao comando constitucional acima citado.
Ademais, a Jurisprudência nacional informa que em casos análogos, deverá ser mantida a
Justiça Gratuita, senão vejamos:
MANDADO DE SEGURANÇA. INDEFERIMENTO DO PEDIDO DE ASSISTÊNCIA
JUDICIÁRIA GRATUITA. EXISTÊNCIA DE AÇÃO ANTERIOR RECONHECENDO A
ALEGADA HIPOSSUFICIÊNCIA. SEGURANÇA CONCEDIDA. os Juízes de Direito
integrantes da 3ª Turma Recursal dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais do Estado do
Paraná, à unanimidade, em conceder a segurança nos termos do voto da relator (TJPR -
3ª Turma Recursal em Regime de Exceção - XXXXX-98.2016.8.16.9000/0 - Cornélio
Procópio - Rel.: GIANI MARIA MORESCHI - - J. 16.06.2016)
(TJ-PR - MS: XXXXX01681690000 PR XXXXX-98.2016.8.16.9000/0 (Acórdão), Relator:
GIANI MARIA MORESCHI, Data de Julgamento: 16/06/2016, 3ª Turma Recursal em
Regime de Exceção, Data de Publicação: 22/06/2016) (grifos nossos)
Já não basta a autoridade coatora julgar processos de forma separada (desobedecendo seu
próprio despacho), a mesma ainda nega o pedido de justiça gratuita no processo de nº
xxxxxxxxxxxxxxx, violando o comando constitucional acima citado.
O que queremos informar é que nasceu um direito líquido e certo aos impetrantes, mediante
despacho da própria autoridade coatora.
DO ART. 5º DA LINDB E DO ART. 8º DO CPC
Os comportamentos perpetrados pela autoridade coatora, em especial a negativa da Justiça
Gratuita, por todos os motivos acima elencados, são contrários ao que foi disposto no art. 5º
da LINDB e no art. 8º do CPC, bem como aos princípios gerais do Direito, em especial a
Boa-Fé.
DO PEDIDO DE LIMINAR
A LIMINAR ora requerida é por demais necessária, pois o RECURSO INOMINADO
interposto por inconformação dos impetrantes da sentença da magistrada do _º Juizado
Especial Civil da Comarca de Fortaleza, está sem subir para apreciação da COLENDA
TURMA RECURSAL do Estado do Ceará.
O pedido de liminar faz-se necessário também, tendo em vista ser transparente o direito
líquido e certo dos impetrantes em ter os Benefícios da Justiça Gratuita, mesmo tendo
advogado particular, conforme garantido em lei e entendimento da Jurisprudência Nacional.
O impetrante está em um momento delicado, pois quer ter um reexame do julgamento feito
pela Impetrada através de uma Turma Recursal do Estado do Ceará. O ato da Impetrada
está prejudicando esta apreciação, presentes assim: perigo da demora e probabilidade do
direito, sendo relevante os motivos e possibilidade da ocorrência de lesão irreparável aos
direitos dos Impetrantes se o Recurso Inominado não for apreciado pela Colenda Turma
Recursal.
São graves os prejuízos que possam ser causados pela não observância da magistrada do
_º Juizado Especial Civil da Comarca de Fortaleza em não deferir os Benefícios da Justiça
Gratuita, por tudo isto, A LIMINAR É DE CARÁTER ESSENCIAL.
DOS PEDIDOS
Pelo exposto, presente a violação do direito líquido e certo dos Impetrantes, qual seja, o de
deferimento dos Benefícios da Justiça Gratuita, configurando-se abuso de poder da
autoridade coatora em não o conceder, com base no que já foi informado acima, requer-se
a Vossa Excelência que:
a) A concessão do benefício da assistência judiciária gratuita ao impetrante, por não
poderem arcar com as custas processuais e honorários, sem privar-se dos meios
necessários às suas subsistências e aos de seus familiares;
b) Que seja deferida medida LIMINAR, pois estão presentes a probabilidade do direito e o
perigo da demora, tendo em vista que se não for concedida a subida do Recurso ao juízo ad
quem causará danos aos impetrantes de ordem irreparável;
c) Seja notificada a autoridade apontada como coatora, dentro do prazo legal, para que
informem sobre o ato ilegal, e, que também seja intimado o digno representante do
Ministério Público; e
d) O processamento do presente mandamus e, após ouvida a autoridade coatora no prazo
legal e ouvido os demais interessados na forma da lei, seja julgado procedente o PEDIDO
do presente MANDADO DE SEGURANÇA para, concedendo a segurança, determinar que
a autoridade coatora proceda em definitivo a liminar pleiteada e seja deferido pedido de
Justiça Gratuita.
Dá-se a causa o valor de R$ 50,00, apenas para efeitos fiscais.
Termos em que,
Pede Deferimento
Cidade/UF,
dia/mês/ano. Nome do
Advogado OAB/UF Nº
XXXX