ENAM
13 fontes
Os documentos jurídicos fornecem um amplo panorama de diversas áreas
do Direito brasileiro, incluindo disposições sobre Direito Civil e Direito
Empresarial, como a aplicação da autonomia privada em contratos paritários
e regras de responsabilidade societária. Há também um foco significativo
em Direitos Humanos, detalhando o processo de incorporação de tratados
internacionais, normas de proteção a grupos vulneráveis (como mulheres e
pessoas com deficiência), e jurisprudência internacional sobre violações de
direitos, como escravidão e desaparecimento forçado. As fontes ainda
exploram o Direito Penal, abordando a teoria geral do crime, causas de
exclusão da ilicitude e crimes em espécie (como feminicídio), além de regras
de execução penal. Por fim, são abordados aspectos do Direito Processual
Civil e Constitucional, tratando de recursos, desconsideração da
personalidade jurídica, competência e a estrutura normativa da Constituição.
fazer um resumo do que mais cai no enam
Os e-books fornecidos, que servem de base para o Exame Nacional da
Magistratura (ENAM), foram criados com o propósito específico de ajudar o
candidato a acertar 60 questões na prova. O material é adaptado para
abranger exatamente o que será cobrado na prova do ENAM, priorizando
uma revisão ágil e focada.
A seguir, um resumo dos tópicos destacados nas fontes como de alta
incidência, mais importantes ou que exigem atenção especial para o ENAM
e concursos similares da magistratura:
1. Direito Constitucional
O estudo do Direito Constitucional é baseado em um tripé: doutrina, texto
constitucional e jurisprudência dos Tribunais Superiores.
• Regra da Literalidade: Em média, 60% das questões de Direito
Constitucional em primeiras fases de concursos tendem a ser resolvidas com o
conhecimento puro e simples do texto constitucional.
• Teoria Geral do Direito Constitucional: Temas como Constitucionalismo,
Teoria da Constituição, Poder Constituinte, Teoria da Norma Constitucional e
Hermenêutica Constitucional possuem alta incidência.
• Classificação das Constituições: É um tema com alta incidência em
provas de concursos públicos, merecendo atenção especial.
• Direitos Fundamentais: A teoria dos direitos fundamentais ganhou bastante
destaque após a Constituição Federal de 1988.
• Competências Federativas: Recomenda-se a leitura atenta dos Artigos 18 a
36 da CF/88, notadamente os Arts. 21 a 24, que tratam das competências
federativas, sendo temas muito cobrados com foco na literalidade dos
dispositivos.
• Controle de Constitucionalidade: A análise dos legitimados da ADI
(Ação Direta de Inconstitucionalidade) é um tema de alta incidência em
provas.
2. Direito Administrativo
Um dos temas mais importantes do Direito Administrativo é a questão dos
Atos Administrativos.
• Licitações e Contratos (Lei nº 14.133/21): O estudo detalhado abrange
classificações, espécies de atos, disposições setoriais (compras, obras,
serviços), cláusulas exorbitantes, e procedimentos auxiliares.
◦ O Pregão é a modalidade de licitação obrigatória para aquisição de bens e
serviços comuns, e o seu cabimento para serviços comuns de engenharia foi
pacificado pela Lei nº 14.133/21.
◦ É importante saber os prazos mínimos para apresentação de propostas e
lances na Lei nº 14.133/21.
• Improbidade Administrativa: O tema possui um capítulo dedicado, sendo
relevante o entendimento de que é necessária a comprovação de
responsabilidade subjetiva (dolo específico) para a tipificação dos atos de
improbidade administrativa previstos nos artigos 9º, 10 e 11 da LIA (Lei de
Improbidade Administrativa).
• Princípio da Impessoalidade: Questões frequentemente afirmam que o Art.
37, § 1º, da CR/88 (publicidade dos atos com caráter educativo, informativo
ou de orientação social) consagra o Princípio da Publicidade, mas na verdade
ele consagra o Princípio da Impessoalidade (vedação da promoção pessoal).
3. Direito Processual Civil
O material focou em abranger o que será cobrado na prova do ENAM.
• Tutela Provisória: Tópicos centrais são a Tutela de Urgência e a Tutela
da Evidência.
• Petição Inicial: É essencial conhecer os requisitos da petição inicial, o valor
da causa, e as hipóteses de pedido genérico (como nas ações universais) que
não induzem a inépcia.
• Sentença e Coisa Julgada: A distinção entre o fundamento sem resolução
do mérito (coisa julgada formal) e o fundamento com resolução do mérito
(coisa julgada material) é fundamental.
• Recursos: Há a unificação dos prazos recursais em 15 (quinze) dias, com
ressalva para os embargos de declaração (5 dias). São cruciais os estudos
sobre o Recurso Especial e o Recurso Extraordinário, especialmente no
que tange à Repercussão Geral e ao Prequestionamento.
4. Direito Civil
O Direito Civil abrange temas da Teoria Geral, Obrigações, Contratos e
Família/Sucessões.
• Direito das Obrigações: A Teoria Geral das Obrigações é abordada. Há
destaque para os artigos mais cobrados, como o Art. 237 (melhoramentos e
acrescidos) e o Art. 233 (abrangência dos acessórios) do CC/02.
• Bens: É necessário distinguir entre Bem e Coisa, sendo esta o gênero e
aquele a espécie com interesse econômico e/ou jurídico.
• Direito de Família e Sucessões: A União Estável é um tema complexo com
um número considerável de questões nos últimos certames. A questão dos
alimentos entre ex-cônjuges tem caráter excepcional e transitório. O
polêmico Art. 1.830 do CC, que ressuscitou a discussão sobre a culpa na
separação de fato para fins sucessórios, é criticado pela doutrina.
5. Direito do Trabalho
Os requisitos da relação de emprego e a responsabilidade por danos são
recorrentes.
• Relação de Emprego: Os requisitos essenciais são: pessoa física e
pessoalidade, não eventualidade ou habitualidade, onerosidade e
subordinação.
• Dano Extrapatrimonial: O sistema de tarifação da indenização do dano
extrapatrimonial, com limites máximos baseados no último salário contratual
do ofendido (Art. 223-G, § 1º, da CLT), é um ponto relevante pós-Reforma
Trabalhista.
• Aprendizagem e FGTS: Há particularidades, como a alíquota de 2% do
FGTS para aprendizes, e o entendimento de que o descumprimento da cota
mínima de aprendizes (Art. 429 da CLT) é suficiente para configurar dano
moral coletivo.
6. Direito Empresarial
O foco é na Teoria da Empresa e nos títulos de crédito mais comuns.
• Teoria da Empresa: A empresa é a atividade econômica organizada, e não
a pessoa física ou jurídica. O conceito abrange o perfil subjetivo (empresário),
objetivo (estabelecimento empresarial) e funcional (atividade).
• Sociedades: Dos tipos de sociedade empresária, apenas a Sociedade
Limitada e a Sociedade Anônima são amplamente utilizadas na prática e,
consequentemente, alvos de atenção nas provas. A EIRELI foi extinta e
transformada em Sociedade Limitada Unipessoal.
• Falência e Recuperação Judicial: É fundamental o entendimento sobre o
que é considerado o principal estabelecimento (centro vital da atividade
empresarial sob o ponto de vista econômico) para fixação de competência. As
formas de venda do ativo na falência seguem uma ordem de preferência,
começando pela alienação da empresa em bloco.
7. Direito Processual Penal
As alterações recentes e os procedimentos probatórios são temas centrais.
• Juiz das Garantias: As regras do Juiz das Garantias, introduzidas pelo
Pacote Anticrime (Lei nº 13.964/19), são destacadas, incluindo sua
competência, que se inicia com a comunicação da prisão em flagrante ou
instauração da investigação criminal.
• Provas:
◦ Cadeia de Custódia (Art. 158-A, CPP) é o conjunto de todos os
procedimentos utilizados para manter e documentar a história cronológica do
vestígio.
◦ O reconhecimento de pessoas e coisas deve seguir o procedimento dos
Arts. 226 e 227 do CPP.
◦ A condução coercitiva do acusado para o ato de interrogatório não foi
recepcionada pela CF/88 (decisão do STF nas ADPF n.º 395/DF e 444/DF),
pois fere o direito à não autoincriminação.
8. Formação Humanística
Embora a disciplina tenha um peso reduzido (7,5% da prova, 6 de 80
questões), o material foi desenhado para focar nos principais pontos com
base na análise do ENAM.
• Ações Afirmativas e Direitos Fundamentais: O tema é recorrente,
incluindo o tratamento diferenciado para a pequena propriedade rural, a
proteção do mercado de trabalho da mulher e a reserva de vagas para pessoas
com deficiência.
• Sociologia Jurídica e Prova Testemunhal: São relevantes os estudos sobre
as influências que afetam a prova testemunhal, tais como: automatismos
mentais, sugestões nos questionamentos, confusão temporal e tendências
afetivas.
• Teoria da Ponderação: A técnica da ponderação, inicialmente reservada
para hard cases, tornou-se prevalente no Direito brasileiro, superando a
técnica da subsunção.
pode aprofundar direito administrativo
A solicitação para aprofundar o estudo do Direito Administrativo abrange
diversas áreas essenciais, incluindo o Regime Jurídico, os Princípios, a teoria
dos Atos Administrativos, as Licitações e Contratos, a Improbidade
Administrativa e o Poder de Polícia, conforme o material fornecido.
Abaixo, apresento um aprofundamento detalhado desses temas, com foco nos
pontos cruciais para o Exame Nacional da Magistratura (ENAM):
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1. Regime Jurídico Administrativo e Princípios
O Regime Jurídico Administrativo é o conjunto de traços que posicionam a
Administração Pública em uma relação jurídica de caráter privilegiado e
vertical. Ele se resume em dois pilares: prerrogativas e sujeições.
As sujeições decorrem do fato de que o interesse público não pertence ao
administrador público, mas sim à sociedade, o que impede o gestor de dispor
de algo que não é seu. Essa situação impõe restrições à atividade
administrativa, baseadas no Princípio da Indisponibilidade do Interesse
Público.
Princípios Constitucionais Expressos (Art. 37, caput, CF/88)
A Administração Pública deve obedecer aos princípios de legalidade,
impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência.
1. Princípio da Legalidade:
◦ A validade da atuação do administrador público está condicionada à
prévia autorização legislativa (vinculação positiva).
◦ A atuação do administrador deve se cingir ao que a lei impõe, pois ele não
possui autonomia de vontade, sendo mero gestor da coisa pública, cuja
titularidade é do povo.
◦ Contudo, a legalidade não afasta a discricionariedade do Estado, pois a
lei não pode prever todos os casos, e a Administração precisará de margem de
escolha para atender à finalidade legal.
2. Princípio da Impessoalidade:
◦ A Administração deve atuar de forma objetiva, sem discriminar ou
privilegiar pessoas sem fundamento legal.
◦ Possui dois sentidos principais: o de Isonomia (tratar igualmente os
administrados em situação idêntica) e o de Finalidade (buscar o interesse
público, vedando a satisfação do interesse privado).
◦ O Art. 37, § 1º, da CF/88 (que veda a promoção pessoal de autoridades
em publicidade de atos) consagra o Princípio da Impessoalidade, e não o da
Publicidade, como muitas questões buscam afirmar. O desrespeito a esse
dispositivo é considerado ato de improbidade administrativa por violação a
princípios.
3. Princípio da Publicidade:
◦ Exige a divulgação oficial do ato para conhecimento público e início de
seus efeitos externos.
◦ Garante a transparência da atividade administrativa, viabilizando o
controle e a fiscalização dos atos.
◦ Não é absoluto, sendo ressalvadas as hipóteses de sigilo previstas na
Constituição (segurança da sociedade e do Estado, ou defesa da intimidade).
4. Princípio da Eficiência:
◦ Introduzido pela Emenda Constitucional n.º 19/1998, está ligado ao
modelo de administração gerencial.
◦ Significa que a medida administrativa será eficiente quando implementar
os resultados legitimamente esperados com maior intensidade e menores
custos possíveis.
Princípios Implícitos (Razoabilidade e Proporcionalidade)
O Princípio da Razoabilidade (origem no common law anglo-saxão) exige
que a Administração atue com bom senso e dentro dos padrões normais de
aceitabilidade. Consagra a ideia do substantive due process of law, protegendo
os indivíduos contra abusos e ilegalidades do Estado. Foi mencionado
expressamente na Lei n.º 9.784/99 (Processo Administrativo Federal).
O Princípio da Proporcionalidade (origem germânica) exige a observância
entre meios e fins. Sua base é o excesso de poder, impedindo que os atos
ultrapassem os limites do adequado. É dividido em três subprincípios:
1. Adequação/Idoneidade: O meio escolhido deve ser apto a atingir o
objetivo pretendido.
2. Necessidade/Exigibilidade: Se houver duas ou mais medidas adequadas,
deve-se adotar a menos gravosa aos direitos fundamentais.
3. Proporcionalidade em Sentido Estrito: Exige a ponderação custo-
benefício, investigando se o ônus imposto pela conduta estatal é tolerável em
face do benefício alcançado.
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2. Atos Administrativos
O ato administrativo é uma declaração do Estado (ou de quem o represente)
que se encontra abaixo da lei, é regida pelo Direito Público e tem por função a
satisfação do interesse coletivo.
Atributos do Ato Administrativo
Os atributos são características inerentes aos atos administrativos:
• Presunção de Legitimidade e Veracidade: O ato presume-se verdadeiro e
legítimo, conferindo-lhe fé pública. Essa presunção é relativa (iuris tantum),
admitindo prova em contrário. Um ato administrativo, mesmo ilegal, produz
efeitos regulares até ser declarado ilegal e retirado do mundo jurídico.
• Imperatividade (ou Coercibilidade): O ato se impõe a terceiros de forma
unilateral, independentemente de sua concordância (chamado de "poder
extroverso"). Os atos de consentimento/negociais (como autorizações e
permissões) não possuem este atributo, pois envolvem o interesse privado ao
lado do público.
• Autoexecutoriedade: Permite que o ato administrativo seja executado pela
Administração sem a necessidade de prévia autorização judicial. No
entanto, a cobrança de multa é um exemplo de ato de polícia que não possui
autoexecutoriedade. Este atributo não impede o controle judicial posterior.
• Tipicidade: Exige que os efeitos produzidos pelo ato estejam previstos em
lei. É uma decorrência do Princípio da Legalidade, que veda a prática de atos
inominados.
Elementos/Requisitos do Ato (COMFiFo)
Os elementos são: Competência, Objeto, Motivo, Finalidade e Forma.
• Competência: É a atribuição conferida pela lei ao agente.
◦ Excesso de Poder: Ocorre quando o agente exorbita a competência legal.
É um vício sanável. Se o ato for vinculado e conforme a lei, a autoridade deve
ratificá-lo; se discricionário, pode ratificá-lo.
◦ Usurpação de Função: O ato é praticado por quem não é agente público;
é um ato inexistente.
◦ Funções Indelegáveis: A Lei nº 9.784/99 veda a delegação de atos de
caráter normativo, decisão de recurso administrativo e matérias de
competência exclusiva. A avocação (chamamento de competência
hierarquicamente inferior) é permitida em caráter excepcional e por motivos
relevantes.
• Forma: É o meio de exteriorização, em regra, escrita. A motivação
(exposição dos fatos e do direito que fundamentaram o ato) integra o conceito
de forma.
• Motivação Aliunde: Ocorre quando a autoridade adota os fundamentos de
pareceres ou atos opinativos anteriores, sem repeti-los (Art. 50, § 1º, Lei
9.784/99). A motivação deve ser prévia ou concomitante ao ato.
Extinção do Ato
• Anulação: Retirada de ato ILEGAL (por violar lei ou princípio). Possui, em
regra, efeitos retroativos (ex tunc). O direito da Administração de anular atos
que gerem efeitos favoráveis decai em cinco anos, salvo comprovada má-fé.
A anulação pode ser realizada pela Administração (autotutela), Poder
Legislativo ou Poder Judiciário.
• Revogação: Retirada de ato legal por motivo de conveniência ou
oportunidade (mérito administrativo). Produz efeitos não retroativos (ex
nunc).
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3. Improbidade Administrativa (Lei nº 8.429/92)
A legislação de improbidade é uma lei nacional, aplicada a todos os entes da
federação.
Elemento Subjetivo
Após a Lei nº 14.230/2021, é necessária a comprovação de
responsabilidade subjetiva (DOLO) para a tipificação de qualquer ato de
improbidade (Art. 9º, 10 e 11). Não há mais ato de improbidade na
modalidade culposa.
Tipologias (Artigos 9º, 10 e 11)
Tipo de Improbidade Pressuposto Exigível Elemento Subjetivo Rol
Percepção de
Enriquecimento
vantagem patrimonial Dolo. Exemplificativo.
Ilícito (Art. 9º)
ilícita.
Prejuízo ao Erário Efetivo dano ao
Dolo. Exemplificativo.
(Art. 10) erário.
Violação a princípios Dolo (com o fim de obter
Violação de
(exigindo lesividade proveito/benefício Taxativo.
Princípios (Art. 11)
relevante). indevido).
O Art. 11, § 5º, estabelece que a mera nomeação ou indicação política por
detentores de mandatos eletivos não configura improbidade, sendo necessário
o dolo com finalidade ilícita.
Processo Judicial de Improbidade
A ação de improbidade administrativa possui natureza repressiva e
sancionatória.
• Requisitos da Inicial: O autor deve individualizar a conduta do réu,
apontando os elementos probatórios mínimos que demonstrem a ocorrência
das hipóteses dos artigos 9º a 11 e o dolo imputado.
• Vedação de Conversão: Não se aplicam na ação de improbidade a
presunção de veracidade em caso de revelia, nem a imposição do ônus da
prova ao réu (Art. 373, §§ 1º e 2º, CPC).
• Remessa Necessária: Não haverá remessa necessária nas sentenças
proferidas em ações de improbidade administrativa.
• Assessoria Jurídica: A assessoria jurídica que emitiu parecer atestando a
legalidade prévia do ato administrativo tem a obrigação de defender
judicialmente o administrador público.
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4. Licitações e Contratos (Lei nº 14.133/21)
A licitação tem como um de seus objetivos a seleção da proposta apta a
gerar o resultado de contratação mais vantajoso para a Administração
Pública.
Destaques da Lei nº 14.133/21
• Princípio da Segregação de Funções: Exige a separação das funções
durante o processo licitatório entre diversos agentes para evitar a concentração
de poderes e otimizar a eficiência administrativa.
• Publicidade: A divulgação do edital é obrigatória no Portal Nacional de
Contratações Públicas (PNCP).
• Critérios de Desempate: Em caso de empate de propostas, serão utilizados,
nesta ordem: disputa final; avaliação do desempenho contratual prévio;
desenvolvimento de ações de equidade entre homens e mulheres no trabalho;
e desenvolvimento de programa de integridade.
• Habilitação: Como regra, a documentação de habilitação é exigida apenas
do licitante vencedor, exceto quando a fase de habilitação antecede a de
julgamento. A exigência de capital mínimo ou patrimônio líquido é limitada a
até 10% do valor estimado da contratação.
• Contratação Direta (Inexigibilidade): A aquisição ou locação de imóvel
cujas características de instalações e localização tornem necessária sua
escolha (singularidade) é considerada hipótese de inexigibilidade de licitação
(diferente da Lei nº 8.666/93, onde era dispensa).
• Procedimentos Auxiliares: Incluem credenciamento, pré-qualificação,
procedimento de manifestação de interesse, sistema de registro de preços e
registro cadastral. A pré-qualificação pode ser usada para selecionar
previamente tanto licitantes quanto bens que atendam a exigências técnicas/de
qualidade.
Contratos Administrativos
A principal característica dos contratos administrativos é a presença de
cláusulas exorbitantes. Essas cláusulas concedem prerrogativas à
Administração Pública, colocando o contratado em posição de sujeição às
decisões administrativas.
Áleas (Risco): As controvérsias sobre o equilíbrio econômico-financeiro dos
contratos administrativos são consideradas relativas a direitos patrimoniais
disponíveis, o que admite meios extrajudiciais de resolução de conflitos
(como a arbitragem).
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5. Responsabilidade do Estado
O Art. 37, § 6º, da CF/88 estabelece a responsabilidade objetiva do Estado
(pessoas jurídicas de direito público e as de direito privado prestadoras de
serviços públicos) por danos causados a terceiros.
• Teoria do Risco Administrativo: A responsabilidade é objetiva,
prescindindo de comprovação de dolo ou culpa do agente.
• Responsabilidade em Relações Especiais: Nas relações de custódia
(supremacia especial), como em presídios ou escolas públicas, a
responsabilidade do Estado é mais acentuada, com o dever de garantir a
integridade das pessoas.
• Dano Prisional: É responsabilidade do Estado ressarcir danos (inclusive
morais) causados a detentos pela falta ou insuficiência das condições legais de
encarceramento.
• Ações de Ressarcimento ao Erário: Somente são imprescritíveis as ações
de ressarcimento ao erário fundadas na prática de ato de improbidade
administrativa doloso.
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6. Poder de Polícia
O Poder de Polícia é a atividade da administração pública que limita ou
disciplina direito, interesse ou liberdade, regulando a prática de ato ou
abstenção de fato em razão do interesse público.
• Fundamento: É fundamentado pelo Princípio da Supremacia do Interesse
Público sobre o Privado.
• Características: É, em regra, Discricionário, dotado de
Imperatividade/Coercibilidade e Autoexecutoriedade.
• Polícia Administrativa vs. Judiciária: A polícia administrativa (regida
pelo Direito Administrativo) é, em regra, preventiva e incide sobre bens,
direitos ou atividades (ilícito administrativo). A polícia judiciária (regida
pelo Direito Processual Penal) é, em regra, repressiva e incide sobre pessoas
(ilícito penal).
• Indelegabilidade: A ordem de polícia (função legislativa) é a única fase do
ciclo de polícia que é absolutamente indelegável. Atos de consentimento,
fiscalização e aplicação de sanções podem ser delegados a estatais com
regime jurídico próximo ao da Fazenda Pública, desde que prestem
exclusivamente serviço público em regime não concorrencial (Tema 532 do
STF).
pode aprofundar direito do trabalho
O aprofundamento em Direito do Trabalho, conforme os materiais fornecidos,
abrange desde os conceitos fundamentais da relação de emprego e seus
princípios tutelares até temas complexos introduzidos pela Reforma
Trabalhista (Lei nº 13.467/2017) e a jurisprudência consolidada, como
terceirização, dano extrapatrimonial e trabalho análogo à escravidão.
Abaixo, detalhamos os pontos de maior relevância:
1. Conceitos Fundamentais da Relação de Trabalho
O Direito do Trabalho tem como objeto principal a relação de emprego,
sendo um ramo que visa tutelar a parte vulnerável e hipossuficiente da
relação jurídica, o obreiro.
• Relação de Trabalho (Gênero): É a prestação de serviços de uma pessoa
física a um tomador de serviços (que pode ser pessoa física ou jurídica), sendo
o conceito mais amplo.
• Relação de Emprego (Espécie): É caracterizada pela presença de quatro
requisitos essenciais (Art. 3º da CLT):
1. Pessoa Física e Pessoalidade: A prestação de serviços deve ser feita por
pessoa natural, não sendo admitida a substituição pelo trabalhador
(infungível).
2. Não Eventualidade ou Habitualidade.
3. Onerosidade: Intenção contraprestativa de receber retribuição
econômica, com o efetivo pagamento de salário.
4. Subordinação (Jurídica): É a sujeição aos comandos emitidos pelo
empregador quanto ao serviço prestado na empresa, sendo o modelo aceito no
ordenamento brasileiro (subordinação objetiva), diferentemente da
subordinação subjetiva (dependência pessoal).
▪ Teoria da Primazia da Realidade: É o princípio que deve prevalecer
sobre a forma exteriorizada de atos e negócios jurídicos, como o contrato
formal, para o reconhecimento do vínculo de emprego.
Figuras Não Empregatícias
O trabalhador autônomo distingue-se do empregado pela ausência de
subordinação jurídica. Embora a Reforma Trabalhista tenha permitido a
contratação de autônomo com ou sem exclusividade, de forma contínua ou
não (Art. 442-B da CLT), a doutrina e a jurisprudência ainda defendem que
este dispositivo é inexequível e será afastado pelo Princípio da Primazia da
Realidade se os requisitos do vínculo de emprego estiverem presentes.
2. Flexibilização de Direitos e Princípio da Proteção
O Princípio da Proteção é basilar do Direito do Trabalho. No entanto, a
Reforma Trabalhista introduziu figuras que flexibilizam esse princípio:
• Empregado Hipersuficiente: É o empregado que possui diploma de nível
superior e percebe salário mensal igual ou superior a duas vezes o limite
máximo dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social (RGPS).
Para este empregado, a lei permite a livre estipulação das condições
contratuais, com a mesma eficácia legal e preponderância sobre os
instrumentos coletivos.
• Contrato de Trabalho Intermitente: Esta modalidade exige pacto
formalístico (escrito) e busca restringir as garantias sobre jornada e salário,
colocando o trabalhador em profunda insegurança quanto à duração do
trabalho e remuneração. A recusa da oferta de trabalho pelo empregado não
descaracteriza a subordinação para fins desse contrato.
3. Contrato, Salário e Alterações
Alterações Contratuais e Reversão
A alteração das condições do contrato de trabalho só é lícita se houver mútuo
consentimento e se não resultar em prejuízos diretos ou indiretos ao
empregado (Princípio da Inalterabilidade Contratual Lesiva, Art. 468 CLT).
• Reversão e Gratificação de Função: O empregado que exerce função de
confiança poderá ser revertido ao cargo efetivo anterior. O Art. 468, § 2º, da
CLT (introduzido pela Reforma) prevê que a reversão, com ou sem justo
motivo, não assegura o direito à manutenção do pagamento da
gratificação correspondente, que não será incorporada ao salário,
independentemente do tempo de exercício.
Parcelas Salariais e Indenizatórias (Pós-Reforma)
A CLT estabelece a diferença entre salário (pago pelo empregador) e
remuneração (salário mais gorjetas/vantagens pagas por terceiros).
• Parcelas Não Salariais (Art. 457, § 2º, CLT): As importâncias, ainda que
habituais, pagas a título de ajuda de custo, auxílio-alimentação (vedado o
pagamento em dinheiro), diárias para viagem, prêmios e abonos, não
integram a remuneração do empregado, nem se incorporam ao contrato de
trabalho.
4. Terceirização (Licitude e Responsabilidade)
A terceirização foi um dos temas mais alterados pela legislação e pela
jurisprudência do STF.
• Licitude da Atividade-Fim: O Supremo Tribunal Federal (STF), em
julgamento com repercussão geral (RE 958.252 - Tema 725, e ADPF 324),
consolidou que é lícita a terceirização de toda e qualquer atividade, meio
ou fim, não se configurando relação de emprego entre a contratante
(tomadora) e o empregado da contratada.
• Requisitos de Validade: Permanece fundamental que o contrato de
terceirização observe:
1. Ausência de Pessoalidade e Subordinação Direta: Se comprovada a
subordinação ou pessoalidade direta entre o terceirizado e a tomadora, a
terceirização será ilegal, e o vínculo de emprego direto será reconhecido.
2. Capacidade Econômica: A empresa prestadora de serviços deve possuir
capacidade econômica compatível com a execução do contrato, sendo sua
aferição uma responsabilidade da contratante.
• Responsabilidade da Tomadora: A empresa contratante (tomadora) é
subsidiariamente responsável pelas obrigações trabalhistas da terceirizada.
◦ Administração Pública: A contratação irregular de trabalhador por meio
de empresa interposta por órgãos da Administração Pública não gera vínculo
de emprego direto, devido à exigência constitucional de concurso público
(Art. 37, II, CF/88). Contudo, a Administração Pública responde
subsidiariamente pelas obrigações trabalhistas se comprovada a culpa (in
vigilando) na fiscalização do contrato. O TST tem entendido que o ônus da
prova da fiscalização incumbe ao ente público.
5. Dano Extrapatrimonial e Acidente de Trabalho
Dano Extrapatrimonial (Dano Moral)
O dano de natureza extrapatrimonial (moral ou existencial) decorrente da
relação de trabalho é regido pela CLT (Art. 223-G).
• Tarifação Legal: A CLT estabelece um sistema de tarifação baseado no
último salário contratual do ofendido, vedada a acumulação:
◦ Leve: até três vezes o salário.
◦ Média: até cinco vezes o salário.
◦ Grave: até vinte vezes o salário.
◦ Gravíssima: até cinquenta vezes o salário.
• Interpretação Constitucional (STF): O STF (ADIs 6.050, 6.069 e 6.082)
conferiu interpretação conforme a Constituição (em 2023), estabelecendo que
essa tarifação não exclui o direito à reparação por dano moral indireto
(dano em ricochete), nem afasta a aplicação da legislação civil para a
reparação integral (ampla) do dano.
Acidente de Trabalho e Doença Ocupacional
O acidente de trabalho assegura ao empregado o direito à estabilidade
provisória no emprego até um ano após a cessação do auxílio-doença
acidentário.
• Responsabilidade Objetiva: A responsabilidade do empregador é objetiva
(independentemente de dolo ou culpa) quando a atividade normalmente
desenvolvida implicar, por sua natureza, risco acentuado para os
trabalhadores (Art. 927, parágrafo único, CC). Nesse caso, o trabalhador deve
provar o dano e o nexo causal para receber a indenização.
6. FGTS e Direitos Sociais
• Natureza: O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) é um direito
trabalhista devido a todo empregado (urbano, rural e doméstico).
• Aprendizes: A alíquota do FGTS para contratos de aprendizagem é
reduzida para 2% sobre a remuneração.
• Depósitos Obrigatórios na Suspensão: O depósito do FGTS é obrigatório
nos casos de licença por acidente de trabalho (após os 15 primeiros dias) e
afastamento para prestação do serviço militar obrigatório.
• Estabilidade da Gestante: A trabalhadora gestante tem direito à licença-
maternidade e à estabilidade provisória, independentemente do regime
jurídico (incluindo contrato por tempo determinado ou cargo em comissão,
conforme Tema 542 do STF).
7. Trabalho Análogo à Escravidão
A redução de um trabalhador à condição análoga à de escravo (Art. 149 CP)
configura um trabalho proibido.
• Consequências Trabalhistas: A nulidade do contrato por trabalho proibido
exige o pagamento de todas as verbas salariais e indenizatórias pelo
período laborado, a fim de evitar o enriquecimento ilícito do empregador.
• Dano Moral Coletivo: A manutenção de trabalhadores em condições
análogas à escravidão é uma conduta reprovável que culmina em dano moral
coletivo, cuja indenização é aceita pela jurisprudência do TST.
• Conceito de Jornada Exaustiva e Condição Degradante: A Portaria do
Ministério do Trabalho define jornada exaustiva como toda forma de
trabalho que acarrete violação de direito fundamental do trabalhador
(segurança, saúde, descanso) e condição degradante como qualquer forma de
negação da dignidade humana pela violação de normas de proteção e
segurança do trabalho.