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Importância e Formação do Solo

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7

CAPÍTULO

Solos

Rogerio Reis/Tyba

Solo exposto após deslizamento


de encosta no município de Nova
Iguaçu (RJ), em 2014.

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A mais alta das torres começa no solo.”
Provérbio chinês

V
ocê já pensou na importância do solo para a humanidade e outros seres
vivos? É nele que:

űƕa maioria das plantas fixa suas raízes e obtém a água, o ar e os nutrientes
utilizados no processo de fotossíntese;
űƕa água é armazenada, originando as nascentes formadoras dos rios e lagos
que abastecem as cidades;
űƕfazemos o alicerce de nossas construções, como nos lembra o provérbio
chinês citado acima.
O solo é, portanto, um importante recurso natural, que apresenta várias
Garimpo em Poconé (MT), em possibilidades de exploração econômica, o que torna sua preservação muito
2014, um tipo de exploração importante para a manutenção do equilíbrio socioambiental.
do solo que causa grandes
agressões ambientais.
Mario Friedlander/Pulsar Imagens

144 Capítulo 7

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1 A formação do solo
Os diferentes conceitos de solo estão relacionados sódio, o ferro e o magnésio, maior é sua fertilidade
às atividades humanas que nele se desenvolvem e às e seu potencial de produtividade agrícola. Esses ho-
ciências que o estudam. Para a mineração, solo é um rizontes também são importantes para o ecossiste-
detrito que deve ser removido e separado dos minerais ma, por causa da densidade e variedade de vida em
explorados. Para algumas ciências, como a Ecologia, seu interior (por exemplo, minhocas, formigas e mi-
é um sistema vivo, composto de partículas minerais crorganismos).
e orgânicas, que possibilita o desenvolvimento de di-
versos ecossistemas. Para a Geografia, em particular
a Pedologia, o solo cor-
responde à parte natural Pedologia: ciência que

Cassiano Röda/Arquivo da editora


e integrada à paisagem
que dá suporte às plantas
estuda a formação, o de-
senvolvimento e a com-
O Horizonte orgânico
(em decomposição)

posição dos solos.


que nele se desenvolvem. Horizonte mineral

Finalmente, a Agronomia define solo como um meio A com acúmulo de


húmus
natural no qual o ser humano cultiva plantas, interes-
Horizonte claro de
sando-se pelas características ligadas à produção máxima remoção
agrícola.
O solo é formado, num processo contínuo, pela
E de argila e/ou
óxidos
de ferro
desagregação física e decomposição química das ro-
chas. Quando expostas à atmosfera, as rochas sofrem
a ação direta do calor do Sol e da água da chuva, entre
outros fatores, que modificam os aspectos físicos delas
e a composição química dos minerais que as compõem. Horizonte de
máxima expressão
Em outras palavras, as rochas sofrem a ação dos intem- de cor e agregação
perismos físico e químico, já tratados no Capítulo 6. Em B ou de concentração
de materiais
regiões tropicais úmidas, são necessários, em média, removidos
de A e E
cem anos para a formação de uma camada de apenas
1 centímetro de solo. Em áreas de clima frio e seco, es-
se período é ainda maior.
O solo se organiza em camadas com características
diferentes, denominadas horizontes, como se pode
perceber ao observar a figura ao lado.
Essa figura representa, de forma bastante esque- Material
inconsolidado de
mática, um perfil de solo bem desenvolvido, ou seja,
a visão que se obtém das diferentes camadas por meio C rocha alterada,
em processo de
intemperismo
de um corte vertical no terreno. Observe que os hori-
zontes são identificados por letras e vão se diferencian-
do cada vez mais da rocha-mãe (camada R) à medida
que aumenta sua distância em relação a ela.
Ao processo que origina os solos e seus horizontes
dá-se o nome de pedogênese (do grego pedon, ‘solo’, e
genesis, ‘origem’). R Rocha não alterada

Os horizontes O, A, E e B são os mais importantes


para a agricultura dada a sua fertilidade: quanto
mais equilibrada for a disponibilidade de certos ele-
Adaptado de: LEPSCH, Igo F. Solos: formação e conservação. 2. ed.
mentos químicos, como o potássio, o nitrogênio, o São Paulo: Oficina de Textos, 2010. p. 31.

Solos 145

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O processo de formação dos solos, assim como a űƕÁgua: fica retida por tempo determinado nos poros do
erosão, é modelador do relevo, como vimos no capítulo solo. Sua reposição é feita, principalmente, pela chuva
anterior. Ao longo do tempo geológico, as rochas que ou pela irrigação. A água do solo contém sais minerais,
sofreram intemperismo vão se transformando em solo oxigênio e gás carbônico, constituindo um importante
e a sua porosidade permite a penetração de ar e água, meio para fornecer nutrientes aos vegetais.
criando condições favoráveis para o desenvolvimento űƕAr: ocupa os poros do solo não preenchidos pela
de organismos vegetais e animais, bem como de micror- água. É essencial para as plantas, que absorvem oxi-
ganismos. Com o tempo, esses organismos aceleram a gênio pelas raízes; além disso, em abundância, favo-
ação de reações químicas, que também provocam in- rece a produção de húmus.
temperismo, e vão fornecendo a matéria orgânica que
participa da composição do solo, aumentando cada vez Fatores de formação dos solos
mais sua fertilidade. O solo é, portanto, constituído de:
O tipo de rocha matriz, o clima, o relevo, os orga-
űƕPartículas minerais: apresentam composição e tama- nismos e a ação do tempo são os fatores determinan-
nhos diferentes, dependendo da rocha que lhe deu ori- tes para a origem e evolução dos solos.
gem. Quanto ao tamanho, as partículas podem ser clas-
sificadas em frações: argila, silte, areia fina, areia grossa
űƕRocha matriz: sob as mesmas condições climáticas,
cada tipo de rocha exposta ao intemperismo dá ori-
e cascalho (variando do menor ao maior tamanho).
gem a um tipo de solo diferente, dependendo de sua
űƕMatéria orgânica: formada por restos vegetais e ani- constituição mineralógica. Assim, os solos podem se
mais não decompostos e pelo produto desses restos desenvolver de rochas ígneas ou metamórficas cla-
depois de decompostos por microrganismos. O pro- ras, como os granitos e os quartzitos; de rochas íg-
duto resultante dessa decomposição é o húmus. neas escuras, como o basalto; de sedimentos conso-
lidados, como os arenitos e as rochas calcárias; e de
Porosidade: porcentagem de espaços vazios nos solos, em
relação ao seu volume total.
sedimentos não consolidados, como as dunas de
Húmus: matéria orgânica resultante da decomposição de areia e cinzas vulcânicas. Se a rocha matriz for o are-
plantas e animais. É encontrado na parte superficial do solo nito, por exemplo, podem surgir solos arenosos; se o
e lhe confere uma cor escura. Pela sua riqueza em nutrientes,
arenito tiver pouca concentração de calcário, o solo
garante fertilidade aos solos que o contêm, sendo funda-
mental para o crescimento das plantas. será quimicamente pobre.

Solo conhecido como terra roxa, formado pelo intemperismo de basalto, em Santa Cruz
do Rio Pardo (SP), em 2015. A palavra “roxa” deriva do italiano rossa, que significa
‘vermelha’. “Terra rossa” era como os imigrantes denominavam esse solo avermelhado.
Marcos Amend/Pulsar Imagens

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űƕClima: a temperatura e a umidade regulam a veloci- das águas diminui a infiltração; assim, a água fica
dade, a intensidade, o tipo de intemperismo das ro- pouco tempo em contato com as rochas, diminuindo
chas, a distribuição e o deslocamento de materiais a intensidade do intemperismo. Além disso, o material
ao longo do perfil do solo. Quanto mais quente e decomposto ou desagregado é rapidamente transpor-
úmido for o clima, mais rápida e intensa será a de- tado para as baixadas – por isso, no pico de serras e
composição das rochas, pois o aumento da tempera- de montanhas, a rocha costuma ficar exposta, sem
tura e da umidade acelera a velocidade das reações nenhum recobrimento.
químicas. Solos de climas tropicais são mais profun-
dos que de climas temperados (menos quentes) e
űƕOrganismos: compreendem os microrganismos
(bactérias, algas e fungos), que são decompositores,
áridos (menos úmidos). e os vegetais e animais. Todos são agentes de con-
űƕRelevo: com suas diferentes formas, proporciona servação do solo. Já o ser humano, por exemplo,
desigual distribuição de água da chuva, de luz e de pode degradar ou conservar o solo, dependendo do
calor, além de favorecer ou não os processos de uso que faz dele.
erosão. As diferenças topográficas facilitam, por
exemplo, o acúmulo de água das chuvas em áreas
űƕTempo: período de exposição da rocha matriz às con-
dições da atmosfera. Solos jovens são geralmente
mais baixas e côncavas e aceleram a velocidade de
mais rasos que os velhos.
escoamento dela em vertentes íngremes. As ver-
tentes mais expostas à insolação tornam-se mais
quentes e secas do que outras faces menos ilumi- Boa infiltração e boa
drenagem favorecem o
nadas, que, no hemisfério sul, estão voltadas pre- intemperismo químico.
dominantemente para a direção sul. Observe a
Boa infiltração e má
ilustração abaixo. drenagem desfavorecem o
Nas áreas de declividade acentuada, os solos são intemperismo químico.

mais rasos porque a alta velocidade de escoamento


Má infiltração e má
drenagem desfavorecem o
intemperismo químico e
Influência da topografia na intensidade do intemperismo
favorecem a erosão.

Luís Moura/Arquivo da editora

Adaptado de: TEIXEIRA, Wilson et al. (Org.). Decifrando a Terra. 2. ed. São Paulo: Oficina de Textos, 2009. p. 225.

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