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Filosofia na Pós-Modernidade: Nietzsche e Foucault

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A pós-modernidade e as rupturas na

construção do pensamento

A era atual também é conhecida como pós-modernidade. No entanto, a verdade é que


ainda não se sabe exatamente o que é a sociedade atual, contudo sabemos que
houve uma grande ruptura com a forma de pensar o conhecimento e o sujeito.

Por certo, a sociedade passou por rápidas transformações. A tecnologia acelerou a


forma de comunicação, criou espaços de saber e transformou a produção do
conhecimento, entre tantas outras mudanças. Assim, questões sobre o que é o mundo
atual e o sujeito que nele habita, foram preocupações que moveram as
epistemologias, especialmente, as sócio-humanas. Dentre elas, a filosofia, por ser
responsável pela reinterpretação dos conceitos na busca pela compressão de uma
sociedade complexa, como a que conhecemos na atualidade, uma vez que não é fácil
compreender o problema da existência humana em um mundo com valores
relativizados.

Para nos ajudar a entender a construção do pensamento na pós-modernidade, ou


sociedade contemporânea, vamos conversar por meio de quatro temáticas.

A primeira temática é sobre Nietzsche e a relativização dos valores: o niilismo como


desvalorização do mundo e dos valores supremos. Nietzsche foi o filósofo que
desconstruiu a proposta acerca do conhecimento até então estudado pela filosofia. Ele
é um provocador, com críticas especialmente sobre metafísica, cristianismo e moral.

No segundo tema vamos trazer uma discussão sobre o pensamento como campo
inesgotável de multiplicidades de conceitos da filosofia nietzschiana. O pensamento de
Nietzsche foi uma referência para muitos pensadores, especialmente na
desconstrução de conceitos e proposição de novas formas de pensar o mundo, os
valores e a vida, que, até sua época, estavam atrelados a princípios que ele dizia
serem esvaziados de sentido.

No terceiro tema nossa conversa será com a filosofia de Gilles Deleuze, um filósofo
que marcou a nossa época em relação à forma de entender o ato de filosofar e o
pensamento.

Por fim, no quarto tema, nosso diálogo será com Michel Foucault e seus conceitos
acerca do poder saber no processo de racionalização.

Com o estudo desta unidade você, por certo, irá compreender a importância desses
filósofos especialmente no que concerne à forma de vivermos hoje em sociedade.

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Objetivo

Ao final desta unidade, você deverá ser capaz de:

• Compreender as principais questões filosóficas que norteiam a construção do


pensamento ocidental.

Conteúdo Programático

Esta unidade está organizada de acordo com os seguintes temas:

• Tema 1 - Nietzsche e a relativização dos valores: o niilismo como


desvalorização do mundo e dos valores supremos
• Tema 2 - O pensamento como campo inesgotável de multiplicidades de
conceitos da filosofia nietzschiana
• Tema 3 - Pensamento e ato de pensar na concepção de Deleuze
• Tema 4 - A abordagem foucaultiana da racionalidade e da racionalização

Leia o poema a seguir:

A liberdade e opostos que a definem

Somos assim. Sonhamos o voo, mas tememos as alturas.


Para voar é preciso amar o vazio.
Porque o voo só acontece se houver o vazio.
O vazio é o espaço da liberdade, a ausência de certezas.
Os humanos querem voar, mas temem o vazio.
Não podem viver sem certezas.
Por isso trocam o voo por gaiolas.
As gaiolas são o lugar onde as certezas moram
(Alves, 2005)

Esse poema foi escrito pelo filósofo Rubem Alves, na obra Religião e Repressão
(2005).

Veja como ele, poeticamente, traz compreensão sobre liberdade. Por certo, alguns
termos são bem complexos porque carecem de conceitos que abranjam uma
infinidade de correlações, mas há um modo de apreciar a simbologia da poesia, que
tem seu jeito próprio de dizer e desdizer com arte e leveza. É assim o poema de Alves.

Esse pensamento de Alves é pertinente para discutir a nossa temática. Nietzsche,


Foucault e Deleuze trazem suas críticas sobre mecanismo, que foram criadas ao longo
da história, para dizer onde e como se estabelece o lugar da liberdade. Rubem Alves

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fala da gaiola, Nietzsche traz o niilismo, Foucault simboliza no panóptico e Deleuze
traz as tecnologias.

Tudo são construções que definiram nosso espaço histórico, nosso tempo, nossa
forma pensar e de construir as nossas gaiolas. Nietzsche dissertou sobre os valores
morais esvaziados que prendiam pessoas em um mundo fictício de transcendência;
Foucault viu a gaiola, construída pelo Estado, colocando um olho panóptico em todas
as instituições e Deleuze disse que as gaiolas são as tecnologias, as mídias sociais,
internet, filmadoras, Facebook, Instagram, câmaras espalhadas em espaços públicos
e privados, nossas digitais de acesso aos serviços públicos, que nos rastreiam, entre
outras formas virtuais, são meios que exercem contínua vigilância sobre nossas vidas.

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Tema 1
Nietzsche e a relativização dos valores: o
niilismo como desvalorização do mundo e dos
valores supremos

Como você entende o niilismo proposto pela filosofia


nietzschiana?
Essa temática aborda uma personalidade genial da modernidade, que é Friedrich
Nietzsche, filósofo que desconstruiu a proposta acerca do conhecimento até então
estudado pela filosofia. É um filósofo pluralista, porque apresenta várias abordagens
de pensamento. Pode-se dizer que ele não se enquadra em dogmatismo, nem teve
preocupação em escrever longos tratados, na verdade sua filosofia se enquadra mais
como uma perspectiva, uma forma se olhar e abordar as questões. É um provocador,
em especial com as críticas que fez sobre metafísica, cristianismo e moral. Pode-se
dizer que foi um demolidor dos valores judaico-cristãos, entre tantos outros, sobre os
quais a sociedade ocidental está assentada.

Breve biografia

Nietzsche nasceu em 15 de outubro de 1844, na cidade


de Röcken, na Alemanha, filho de uma família
protestante, de uma geração de pastores da igreja
luterana alemã. Como o avô e o pai, ele mesmo estava
sendo preparado para assumir essa função.

Fonte: Wikimédia (2025).

A filosofia de Nietzsche influenciou muitos estudos contemporâneos. Durante sua


formação na Universidade de Leipzig, manteve contato com arte e filosofia gregas.
Como especialista em cultura grega antiga, utilizou esse conhecimento para construir
suas críticas dos valores estabelecidos na sociedade ocidental. Foi o estudo da
Filologia que o afastou da tradição de pastorado de sua família e, certamente, da
tradição judaico-cristã e, em sua fase adulta, tornou-se crítico dessa religião.

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Nietzsche e Schopenhauer

No início de sua trajetória Nietzsche teve contato com a filosofia de


Schopenhauer, cuja obra O mundo como vontade e representação o
influenciou na juventude. Posteriormente, a forma de Schopenhauer
compreender o mundo acabou afastando-os, como podemos constatar em
sua obra A vontade de potência. Escrita na fase adulta de Nietzsche, ele
discorda totalmente da visão de Schopenhauer, que era tido como uma
pessoa pessimista.

Apesar de entenderem a vida como local de altos e baixos, com boa parte
dela traçada por sofrimento, Schopenhauer pensava que devia evitar a dor,
distanciando-se das coisas que o mundo oferece para suavizar o
sofrimento e para evitar os prazeres de modo a não se tornar refém deles.
É aí que Nietzsche discorda, rompe com suas ideias e define
Schopenhauer como decadente. Nietzsche também teve grande influência
da música clássica, especialmente do contato que manteve durante anos
com Richard Wagner, um revolucionário músico de óperas, mas com quem
também rompeu.

Aos 25 anos foi convidado para assumir a cátedra de Filologia Clássica da


Universidade de Basileia e, durante dez anos, em sua primeira fase de estudos,
desenvolveu sua filosofia em contato com o pensamento grego antigo. Por não se
enquadrar na função de professor, deixou a universidade em 1879, contudo já estava
com o estado de saúde agravado. Tornou-se um andarilho, morando em pensões em
vários lugares, como Suíça, Itália e França, onde escreveu suas obras. Em 1889 foi
acometido de uma enfermidade mental, ficando sob os cuidados da família,
especialmente da mãe e da irmã, e morreu, louco, em 1900.

Nota
Nietzsche produziu suas obras de forma mais dissertativa, também usando aforismo e
textos poéticos. Foi um filósofo que fez arte de suas obras, no sentido literário, por
diversificar o gênero de sua escrita. Sua principal obra, de 1882, produzida em sua
fase mais adulta, é Assim Falou Zaratustra.

Nietzsche escreveu muitas outras obras nas quais teceu seus pensamentos
impactantes e críticos, especialmente sobre metafísica, cristianismo e moral.

A seguir, destacamos algumas delas:

• O nascimento da tragédia.
• Humano, demasiado humano.
• A gaia ciência.
• Além do bem e do mal.

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• Genealogia da moral.
• Crepúsculo dos ídolos.
• O Anticristo.

Críticas em relação à metafisica

Para entender a crítica que Nietzsche faz à Metafisica, temos que voltar um pouco em
nossos estudos sobre Platão.

Até aqui, já vimos que, em sua teoria, Platão divide o mundo em dois, da seguinte
forma:

• Mundo sensível.
• Mundo inteligível.

A metafísica platônica é criticada por Nietzsche, por entender que, por meio dessa
divisão foi elaborada a moral ocidental, especialmente o pensamento judaico-cristão.
Sua crítica vem da ideia de que a divisão de mundo propõe que uma parte dele seja
portador do Bem e do Belo, onde está o mundo das ideias e da alma, enquanto o
outro é o mundo das sombras, onde estão alocados o corpo e a sensibilidade.

Nietzsche critica o esquema de Platão, que determina a duplicação de mundos entre


sensível e inteligível, mundo aparente e mundo transcendente, mundo do senso
comum e mundo da verdade. Para o filósofo, o mundo onde está o corpo precisa ser
negado em prol de um mundo inexistente, mas que é desejado por ser um lugar do
Bem e do Belo. Para ele, essa concepção dicotômica platônica causou a decadência
dos valores no mundo ocidental.

A moral ocidental foi ordenada em contraponto às essências inteligíveis e ao mundo


sensível. Foi sob esse pensamento que se construiu, por um lado, uma realidade
falsa, de aparência, que nega a nossa realidade sensível, e por outro construiu-se uma
realidade corpórea, que instituiu seus valores reais dentro de um contexto humano,
histórico e de espaço-tempo. No esquema platônico, o bem é igual ao belo, que é o
mesmo que verdadeiro. Trata-se de valores não questionados, por estarem vinculados
ao âmbito da transcendência.

Para Nietzsche, a metafisica platônica faz com que se negue um aspecto essencial da
vida: ao nascer, adquirimos um corpo e este passa a ser a nossa realidade, na qual
estão inscritas todas as nossas formas de existência. Contudo, ela é ligada ao mundo
dos sentidos, no qual não temos a dimensão do Bem e nem do Belo. Assim, somente
negando a nossa realidade de mundo onde o corpo se insere é que podemos, por
meio do esforço, caminhar em direção ao mundo das formas perfeitas, o mundo do
absoluto.

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Para Nietzsche, essa forma de construção do Bem, do Belo e da Verdade nunca
foi questionada porque está atrelada ao mundo transcendente e perfeito, mundo
imutável, incorruptível.

Se o bem é transcendente e absoluto, ele é intocável; só cabe às pessoas conduzirem


suas vidas na busca desses valores e, para isso, negam o mundo onde o corpo habita.
Essa é a ideia cristã, a negação do mundo real, uma vez que tem na crença a ideia de
que o Bem, o Belo e a Verdade não estão neste mundo. O filósofo entende o
cristianismo como platonismo das massas, vivendo uma dicotomia. É por isso que
afirma ser a Metafísica um grande erro, que estava no estágio de decadência.

Para o autor Giacóia Jr., Nietzsche é o mais incômodo e provocativo dos filósofos, por
ter uma vocação crítica. Sobre isso, destacamos a citação a seguir, onde o autor
descreve a denúncia evocada por Nietzsche:

“[...] a mesquinhez e a trapaça ocultas em nossos valores mais elevados, dissimuladas


em nossas convicções mais firmes, renegadas em nossas mais sublimes esperanças.”

(2000, p. 10)

Segundo Lodetti, Nietzsche não defende um mundo de ideias, de coisas verdadeiras,


de modelos, o qual é ao mesmo tempo imitado e dissimulado pelo mundo das
aparências, cujo estatuto é, portanto, tanto de cópia como de simulacro. Quando
Nietzsche desmistifica o conceito de substância (“ao qual nada de real corresponde”)
está decretando que tudo o que é, é aparência (2007, p. 53).

Nietzsche não concebe valores como transcendentes, mas como algo


constituído pelos seres humanos.

Ao considerar os valores como construção humana, o filósofo critica o modo como


eles foram valorados, pois, desde a era Sócrates-Platão, estavam vinculados à
transcendência. Porém, para Nietzsche, os valores são humanos, históricos e
alocados em espaço-temporal. Vem dessa sua compreensão a busca pelo nascedouro
dos valores em estudos sobre genealogia da moral.

Para entender como eles foram criados ele faz a uma genealogia da moral e, assim,
explica sua historicidade. Com isso, afirma que valores podem ser investigados, sem
duplicar o mundo, sem alocar-se entre bem e mal. O bem e o mal podem ser
rastreados na história e moral não é código de conduta, é perspectiva avaliadora que
gera valores.

Nietzsche questiona o valor dos valores e ainda afirma: o que a sociedade ocidental
estava conceituando e vivendo como valor, era, na verdade, o valor de nada, infectado
pela negação que causava os males à vida.

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Sobre isso, destacamos a seguinte citação, de Giacóia Jr:

“Nietzsche se encontrava no limiar de uma experiência do mundo em que, como


consequência dos progressos do conhecimento, noções como Verdade, Falsidade,
Justiça, Bem, Mal, Virtude tinham sido relativizadas, não podendo mais responder a
nossa eterna pergunta pelo sentido da existência. Para ele, não cabia ao filósofo
justificar ou condenar esse estado de coisas, mas constatá-lo; essa constatação seria,
então, o único caminho que permite vislumbrar uma saída. Toda tentativa de negar
essa condição representa não apenas uma desonestidade intelectual e moral, mas
sobretudo o risco da catástrofe; ou seja, a possibilidade de que o esvaziamento de
valores autênticos nos conduza de volta à barbárie, à destruição daquilo que de mais
precioso a humanidade conquistou ao longo da história: a dignidade da pessoa
humana.”

(Giacóia Jr., 2000, p. 9)

Niilismo

“Niilismo” é um termo conceitual muito usado na filosofia de Nietzsche, e está


associado às questões históricas vivenciadas pela sociedade europeia de sua época,
perpassada por valores que ele diz serem nada. Sua proposta é entender o valor dos
valores, o sentido das significações. Para isso, faz uma genealogia da decadência de
um pensamento ocidental niilista.
Nota-se que o conceito de niilismo perpassa a obra Assim Falava Zaratustra e
também aparece na obra Vontade e poder.

O termo nasce da negação de tudo que é natural no mundo, na terra, na natureza e no


corpo; nega-se tudo que é necessário para viver a vida.

O niilismo se expressa por meio da crença de que há um mundo superior que é


alcançado por meio de negação de valores essenciais para harmonizar a vida
aqui na terra.

Como já dissemos, o termo ficou vinculado à forma como se expressou a decadência


dos valores.

É importante destacar, mais uma vez, que o filósofo estava fazendo uma leitura de
acordo com sua vida na Europa de sua época. É nessa perspectiva histórica dos
valores da sociedade ocidental que o conceito niilismo foi usado, para dizer que a
sociedade europeia estava desvalida de valores significativos: tudo era o nada!

Deleuze (2001), no estudo da filosofia de Nietzsche, recorre à etimologia do termo


niilismo para interpretar o conceito: a palavra niilismo vem de nihil, que não tem o

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significado de o não-ser, é com Deleuze que o termo será conceituado com o
significado “o valor de nada”. Sobre isso, destacamos a seguinte citação de Deleuze:

“Em seu primeiro sentido e em seu fundamento, niilismo significa, portanto: valor de
nada assumido pela vida, ficção dos valores superiores que lhe dão esse valor de
nada, vontade de nada que se exprime nesses valores superiores. O niilismo tem um
segundo sentido mais corrente. Não significa mais uma vontade e sim uma reação.
Reage-se contra o mundo suprassensível e contra os valores superiores, nega-se lhes
a existência, recusa-se lhes qualquer validade. Não mais desvalorização da vida em
nome de valores superiores, e sim desvalorização dos próprios valores superiores.
Desvalorização não significa mais valor de nada assumida pela vida, mais sim nada
dos valores, dos valores superiores.”

(Deleuze, 1976, p. 69)

Para Nietzsche, as ideias cristãs, disseminadas na sociedade ocidental, são as


grandes responsáveis pela construção do valor de nada. É assim que ele usa o termo
para definir a questão do corpo negado, da decadência dos valores e da morte de
Deus.

No pensamento de Nietzsche, a moral, atrelada ao pensamento dicotômico platônico,


foi responsável pelos prejuízos causados aos seres humanos, porque os obrigou a
viver sua realidade corpórea dentro de um dogmatismo que se constituiu por meio de
falsos apoios baseados na metafísica, que oferece ao ser humano um mundo que ele
não conhece, não explica, e que o torna fraco, medíocre e doente. Por essas razões, a
partir do niilismo, o filósofo diz que Deus não serve mais a esse propósito.

O niilismo estabelece a morte de Deus.

Nietzsche faz uma crítica à estrutura religiosa que criou a ideia de negação do mundo
corpóreo, com base no pensamento platônico difundido pela religião e teorizado
durante todo o período medieval. Deus, então, é o ser que habita o mundo
suprassensível e estrutura a forma de ser do mundo sensível, por isso os falsos apoios
metafísicos que amarram o ser humano em valores de nada precisam acabar — e isso
só é possível com a morte de Deus.

A morte de Deus é a única forma de inserir o ser humano no mundo moderno, dando
ao niilismo uma nova versão, como o ato de reagir. O ser humano moderno, reagindo
ao ser suprassensível, pode sair do mundo dicotômico, pode buscar uma nova
realidade histórica, concebendo, por meio da ciência, respostas às suas indagações.

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É importante destacar que Nietzsche não nega nem afirma a existência de
Deus; essa não é sua proposta, mas sim a desconstrução desses dois
mundos, uma vez que a vida humana só tem um único mundo no qual sua
vida acontece.

Inicialmente, Nietzsche construiu a ideia da morte de Deus no aforismo Gaia Ciência,


por meio do personagem conceitual do louco, que, procurando Deus em uma praça
com uma lanterna, grita a seguinte frase:

— Procuro Deus!

Na praça havia muitos descrentes em um deus que, com risos, taxaram o homem de
louco.

Apresentamos, na citação a seguir, a resposta dada pelo louco aos risos na praça:

“Para onde foi Deus? — exclamou. — Eu é que vou lhes dizer: nós o matamos, vocês
e eu, nós somos seus assassinos! Mas como fizemos isso? Como podemos esvaziar o
mar? Quem nos deu uma esponja para apagar o horizonte? Que fizemos quando
desprendemos esta terra da corrente que a liga ao sol? Para onde vai agora? Para
onde vamos nós? Longe de todos os sóis? Estamos incessantemente caindo? Para
adiante, para trás, par o lado, para todos os lados, haverá inda um em cima e um em
baixo? Deus morreu, Deus continua morto, e fomos nós que o matamos. Como
havemos de consolarmo-nos? Nós, assassinos entre os assassinos. O que o mundo
possuía de mais sagrado e de mais poderoso até hoje sangrou sob nosso punhal –
quem nos lavará desse sangue?”

(Nietzsche, 2006, p. 125)

Crítica ao cristianismo

Nietzsche critica a afirmação do cristianismo com base na moral dos escravos, ou


seja, ao inverter a moral do forte, aceita a dominação da dogmatização religiosa e,
para isso, opta pela criação de um Deus julgador que exige a negação da vida na
terra.

O filósofo concebe o cristão, de forma geral, como um sofredor por natureza, pois, por
ser portador da moral fraca, deixa-se dominar, aceitando seu padecimento, mas
culpando o forte por seu sofrimento. Vive ressentido por não se dar o direito de viver
na exuberância da vida, do prazer e diversão, uma vez que essa escolha representaria
desvio de moral, locais perpassados pelo “mal”.

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No pensamento de Nietzsche, o cristianismo manifesta no sofrimento um dos sintomas
de fraqueza: na dor e no sofrimento está o viver na ilusão da evolução em direção à
perfeição, o que se acredita ser garantidor da cidadania no paraíso. Essa ideia, gerada
desde a filosofia platônica, desvia o cristianismo de viver a vida no tempo presente. O
mundo real é visto como um lugar onde habita o mal, por isso ele diz que o cristão
nega viver tudo que possa ser associado a prazer. O corpo, nesse caso, é aprisionado
no sofrimento de não ser, pois, como seres humanos, somos desejantes e
necessitados das coisas que o mundo venha a nos proporcionar para que a vida seja
feliz, autêntica e harmônica.

É assim que Nietzsche entende que as formas de avaliação, que sempre foram
determinantes para o destino atual da nossa cultura, se revelam como o contrário do
que aparentam ser.

Encerrando este tema, destacamos a seguir uma citação que manifesta sua visão
sobre o cristianismo:

“Não devemos enfeitar nem embelezar o cristianismo: ele travou uma guerra de morte
contra este tipo de homem superior, anatematizou todos os instintos mais profundos
desse tipo, destilou seus conceitos de mal e de maldade personificada a partir desses
instintos — o homem forte como um réprobo, como “degredado entre os homens”. O
cristianismo tomou o partido de tudo o que é fraco, baixo e fracassado; forjou seu ideal
a partir da oposição a todos os instintos de preservação da vida saudável; corrompeu
até mesmo as faculdades daquelas naturezas intelectualmente mais vigorosas,
ensinando que os valores intelectuais elevados são apenas pecados, descaminhos,
tentações. O exemplo mais lamentável: o corrompimento de Pascal, o qual acreditava
que seu intelecto havia sido destruído pelo pecado original, quando na verdade tinha
sido destruído pelo cristianismo!”

(Nietzsche, o Anticristo, V)

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Tema 2
O pensamento como campo inesgotável de
multiplicidades de conceitos da filosofia
nietzschiana

Como você compreende a crítica que Nietzsche faz da


tradição dos valores morais?
A filosofia de Nietzsche tem sido referência para muitos pensadores, especialmente
porque desconstrói conceitos e propõe novas formas de pensar o mundo, os valores e
a vida, que até sua época estavam atrelados a valores que ele considerou esvaziados
de sentido. Para ele, a sociedade europeia estava vivendo o vazio. Por isso, uma das
características de sua filosofia é fazer uma reinterpretação da moral que estava
atrelada às crenças vivenciadas na época.

É importante destacar que o filósofo não compactua com a forma de compreender o


conhecimento tal como era discutido pela filosofia. Ele não admite que os tratados
elaborados nos sistemas filosóficos sejam capazes de conduzir ao conhecimento de
uma verdade, especialmente por não acreditar em verdades absolutas.

Sobre esse tema, destacamos a citação a seguir:

“Os sistemas filosóficos são só inteiramente verdadeiros para os seus criadores: os


filósofos posteriores consideram-nos normalmente um erro enorme, e para os espíritos
mais fracos não passam de uma soma de erros e de verdades, enquanto fim supremo
são, em todo caso, um erro e, por isso condenável.”

(Nietzsche, FT, pref. § 11)

Podemos apreender que Nietzsche não entende o conhecimento como um FATO,


como algo que é. Segundo o filósofo, fato é algo que já foi constatado como
verdade.

Ele entende o conhecimento como um CONCEITO e, como tal, pode ser construído a
partir de dados observados.

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Como conceito, o conhecimento pode ser interpretado e reinterpretado de
forma a entender as variadas proposições que diferem entre si, ou seja,
compreendido como conceito, o conhecimento não fica atrelado a uma
verdade, mas à abrangência de visão do mundo e da vida, em uma vasta
perspectiva interpretativa.

É por isso que Nietzsche faz uma crítica aos critérios metodológicos aplicados pela
ciência como lugares exclusivos de produção de conhecimento e caminhos por meio
dos quais busca-se a verdade.

Sobre isso, destacamos a citação a seguir:

“O conhecimento busca o reconhecimento, isto é, a assimilação narcísica do mundo


pelo sujeito. E mais ainda, estando comprometido numa perspectiva que tem como
horizonte a verdade, o conhecimento é um tipo de erro.”

(Lodetti, 2007, p. 56)

O que pensava Nietzsche e quais eram seus novos conceitos para livrar da vida o
niilismo?

O filósofo pressupõe que a vida deve ser vivida no mundo presente, deixando claro em
suas obras que a essência humana reside, prioritariamente, na busca da própria
conservação.

“Conservar- se é estabelecer a condição para viver.”


(Nietzsche, F. GC, § 1)

Podemos entender, então, que Nietzsche vê a vida com altos e baixos. Isto é, a vida
passa por períodos de caos e períodos de tranquilidade, fazendo parte dela os
contrastes de alegria e tristeza, de prazer e sofrimento. Para essa explicação, o
filósofo usa uma tipologia de forças que ele chama de apolíneo e dionisíaco.

Como especialista que era em cultura grega antiga, ele remetia a ela para trabalhar
suas ideias. Nietzsche traz a concepção de que, antes do surgimento da filosofia
socrática, os gregos sabiam lidar bem com os aspectos dramáticos da vida e
transitavam tranquilos entre tragédia e festa. Para trabalhar essa ideia ele estuda a
vida dos gregos que transitavam entre os divinos: Apolo e Dionisio. Ressaltamos que o
filósofo discute muitas de suas ideias por meio de tipologias.

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A seguir, esquematizamos a ideia da tipologia adotada por Nietzsche:

Apolo Dionisio

Deus da luz e da ordem Deus da alegria e do vinho

Prazer
Razão Paixões
Moderação Sentimentos
Equilíbrio Instintos
Loucura

Por meio dessas tipologias, ele cria seu conceito de vida, a partir do qual duas forças
se formam e guiam a vida das pessoas, que ele denomina de espíritos apolíneo e
dionisíaco.

A força apolínea, que era o deus da luz e da ordem, é o lado da vida onde
estão a razão, o equilíbrio e a moderação.

Contudo, a vida não é só isso, nela há uma outra força que não pode ser
negada, é o espírito dionisíaco, o deus da alegria e do vinho. Neste lado
estão os prazeres, as paixões, os sentidos, os instintos e a loucura.

Então, a vida em harmonia se dá com as duas forças, que não se opõem, mas se
complementam, de modo que, para vivermos harmonicamente em sociedade, é
necessário promover o equilíbrio entre esses dois espíritos. Em outras palavras: viver
requer tanto a razão e equilíbrio, como há também a necessidade de utilizar os
sentidos e os instintos e nunca negar os prazeres e as paixões como lugares de
extravasar em certos momentos, por serem necessários à vida.

É aí que Nietzsche faz uma crítica às propostas filosóficas iniciadas com Sócrates e
Platão, que propuseram a metafísica dividindo o mundo em dois, colocando o Bem, o
Belo e a Verdade em contraposição aos sentidos, aos prazeres e à paixão. Para ele,
foi essa construção que causou a decadência dos valores e da moral, transformando-
os em niilismo, valores completamente esvaziados de sentidos.

Nietzsche e a desconstrução da filosofia platônica

Entenderemos agora um pouco mais sobre a desconstrução da filosofia platônica


proposta por Nietzsche.

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Até aqui, já conhecemos a construção filosófica de Platão, e vimos, nos estudos
anteriores, que a forma de pensar de Sócrates-Platão instaurou a divisão do mundo
em mundo sensível e mundo inteligível. Essa dicotomia priorizava apenas o que era
racional, lógico e científico, passando a incentivar um estilo de vida guiado pela razão.
Nesse caso, Nietzsche afirma que Platão criou um conceito de vida sem sentido, pois
não podemos interpretar as tragédias da vida de forma exclusivamente racional.

Ao trazer sua crítica ao platonismo, Nietzsche afirma que o ponto alto da decadência
da sociedade ocidental tem origem nas ideias do cristianismo, construídas, por sua
vez, na filosofia platônica.

A forma dicotômica de mundo leva o cristianismo a desprezar, de forma radical, a


busca pelo prazer, suprimindo o desejo e as paixões.

O dogmatismo judaico-cristão exige que o ser humano negue a si mesmo com o intuito
de ter garantida sua salvação: o crente precisa rejeitar os “prazeres mundanos” e, na
negação do mundo real onde sua vida é vivida, passa a viver uma vida de
subordinação aos dogmas que exigem sacrifícios e sofrimentos. Em sua interpretação
sobre a cultura cristã, Nietzsche entende que as pessoas vivem de acordo com que
ele denominou de moral de rebanho ou moral de escravos. Dessa forma, identifica o
cristianismo como propulsor um comportamento submisso, que aceita os valores
dominantes da civilização sem questioná-los.

Então, vamos entender o que seria a moral para Nietzsche. Aqui, vale repetir que, ao
fazer a construção de moral, o filósofo usa uma tipologia, ou seja, adota uma forma
de trazer a explicação de um conceito.

Como vimos, Nietzsche foi um crítico radical do cristianismo como filosofia e como
religião devido à sua negação da vida terrena e conclui que a filosofia socrática-
platônica e o cristianismo promoveram uma inversão de valores, que passou a
considerar a moral dos fracos como sendo melhor do que a moral dos Fortes.

Para ele, há dois tipos de moral.

Observe o esquema a seguir:

Moral – perspectiva avaliadora que gera valores

Dos senhores Dos escravos

Dominado, covarde, não luta e foge do


Domina, luta e combate.
combate.

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Nietzsche nomeia a moral dos fortes também como moral do senhor, isto é, aquela
vinculada aos nobres aristocratas. É uma moral que está relacionada com valores
como coragem de combater e lutar, é guerreira, é a moral do dominador.

A moral dos fortes valoriza a vida real, vivida na terra. Entretanto, do outro lado há a
moral dos fracos, que ele denomina de moral dos escravos. Trata-se da moral dos
dominados, dos covardes, daqueles que fogem da luta e não combatem, conforme
apresentado no esquema a seguir:

MORAL dos senhores MORAL dos escravos

↓ ↓
Os escravos (ressentidos e fracos)
Os senhores (nobres e fortes) criam
inventam o valor mal para designar
valor bom, que atribuem a si mesmos.
justamente os fortes. O raciocínio é: se
Somos bons, somos felizes.
ele é ruim, então eu sou bom!

O valor bom da moral do Senhor, que surgiu de um movimento de autoafirmação,


não é idêntico ao valor bom na moral do escravo ressentido, que surgiu de
um movimento de negação e oposição.

Assim, Nietzsche afirma que esses dois tipos de moral firmam os valores na história e
colocam sobre o cristianismo a construção da inversão desses valores, uma vez que
diz ser a forma de pensamento do cristianismo que substituirá a moral do senhor pela
moral do fraco.

Moral fraca está relacionada aos valores de benevolência, humildade e


submissão. Segundo ele, a moral fraca desvalorizou a vida terrena na
busca de uma vida transcendental filosofada pelas ideias de mundo em
Platão, que é pregada na teoria do reino dos céus para o cristianismo.

A crítica de Nietzsche é voltada à supremacia da moral fraca que inverteu os valores


igualando todos, de modo que as pessoas geniais e as medíocres vivem na mesma
esfera de valores, e as características típicas dos escravos é que são exaltadas como
virtudes. Nessa inversão, o pior é considerado o melhor, defeitos e fraquezas
humanas são qualidades e as geniais são taxadas de más quando escapam da moral
de escravo. Para ele, essa é a pior decadência possível da civilização.

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Foi a partir dessa inversão de valores que ele afirma que Deus está morto, sendo
assassinado pelas pessoas quando elas legitimaram a moral dos fracos, negando a
própria essência e a vida.

Sobre isso, destacamos a citação a seguir:

“Tomando por medida a relação entre os valores morais e a disposição para com a
vida, isto é, da postura diante da vida no mundo, que para Nietzsche se colocará a
questão do ‘valor’ desses ‘valores’. Nessa perspectiva, os valores morais podem
constituir a orientação de uma postura para afirmação da vida, ou seu contrário, isto é,
uma postura ou mentalidade de rejeição do mundo.”

(Santos, 2010, p. 37)

Para vencer isso, ele propõe uma reinterpretação da valorização dos valores: a
sociedade ocidental precisa construir novos valores baseados na moral dos fortes —
que não se acovardam, não fogem da luta nem se deixam dominar. Vemos, então, que
o seu projeto está voltado para trazer novos conceitos sobre o modo de viver e de
pensar, que supere a decadência que se instalou na sociedade ocidental, tornando as
pessoas deficientes e doentes por serem obrigadas a negar a vida no mundo. É a
negação que produz inviabilização para a vida, o corpo e o mundo. Ele propõe a
transvaloração de todos os valores.

Sobre isso, destacamos a seguinte citação, de Marcondes:

“Sua crítica visa então recuperar os valores afirmativos da vida, que possam dar aos
homens um novo impulso em direção à superação de suas limitações por meio do
incentivo à vontade, à sensibilidade, à criatividade.”

(2007, p. 83)

Sua proposta para a superação do niilismo se dá por meio do que ele chamou de
vontade de potência; é uma força criativa de superação de si mesmo para ir além,
transformando a fraqueza em força, criando valores. Portanto, trata-se de uma força
vital fundamental que impulsiona a existência. O filósofo entende que a vida é
caracterizada por uma busca constante por crescimento, expansão e superação de
desafios.

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Tema 3
Pensamento e ato de pensar na concepção de
Deleuze

Como você entende a sociedade de controle teorizada


por Gilles Deleuze?
O ato de pensar não é fácil e essa foi uma questão bem-posta pelo filósofo francês
Gilles Deleuze. Neste tema abordaremos o entendimento do filósofo acerca do
conhecimento.

Uma breve biografia

Deleuze nasceu em 18 de janeiro de 1925, em Paris e, em 1944 começou seus


estudos em Filosofia na Universidade da Sorbonne.

A partir de 1948 iniciou sua carreira de professor de Filosofia na cidade de Paris. Foi
professor de História da Filosofia na Sorbonne, pesquisador no Centro Nacional de
Pesquisa Científica e professor na Universidade de Lyon e de Vincennes.

Sua tese de doutorado foi publicada em 1968, com o


tema “Diferença e Repetição”, quando escreveu sobre
um de seus principais temas sobre a natureza do
pensamento. D 1969 a 1987 foi professor na
Universidade Experimental de Paris VII, onde se
aposentou.

Durante muito tempo sofreu de uma doença pulmonar


que, ao se tornar insuportável, o encaminhou para o
confinamento, o que o impedia de escrever. Assim,
resolveu findar sua vida e, em 4 de novembro de 1995,
suicidou-se.
Fonte: Wikimédia (2025).

Sua carreira como escritor foi bem produtiva e seus estudos e obras podem ser
divididos em três períodos, que são:

• Monográfica, que compõe os anos de 1953-1960.


• Política, que contempla os anos de 1972-1081.
• Estética, que compreende os anos de 1981-1993.

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Podemos dizer que Deleuze foi um dos mais proeminentes pensadores dos últimos
tempos. Suas maiores influências foram as construções teóricas de Spinoza,
Nietzsche, Foucault, entre outros, que apresentaram rupturas na forma de entender o
pensamento.

Filosofia

Deleuze é considerado um dos principais filósofos do período denominado pós-


modernidade, destacando-se como aquele que revolucionou a forma de entender e
conceituar o pensamento e o ato de pensar. Propôs uma nova perspectiva dentro da
filosofia, que ficou definida como a arte de criar conceitos.

Para Deleuze, o filósofo é um artesão, cujo ofício é inventar e criar conceitos. Diferente
do que pensava a filosofia grega, onde os filósofos se viam como amigo da sabedoria,
para Deleuze a filosofia não é amiga, mas um instrumento que condiciona a criar, nas
palavras dele, ‘a arte de formar, de inventar, de fabricar conceitos’ (Deleuze; Guattari,
2010, p. 8).

Deleuze entende que todos os saberes estão no mesmo nível; todos são
criadores de arte, isto é, todas as formas do saber científico, filosóficas ou
não, são formas de pensamento. Assim, ele não entende que o
pensamento é um privilégio exclusivo da filosofia, embora entenda que há
distinção entre as formas de criar pensamentos.

A ciência cria pensamento olhando para funções, a arte também cria


pensamentos, mas se volta para as sensações. Por isso, os artistas
(compositor, pintor, literata etc.) criam pensamentos voltados para as
nossas sensações.

Deleuze afirma que a arte cria perceptos e afetos, enquanto os filósofos criam
conceitos, de modo que todos os saberes estão no mesmo nível, mas cada um tem o
seu lugar de construção do pensamento.

Principais temáticas

Entre as muitas temáticas discutidas em suas obras, apresentaremos aqui quatro de


sua vasta produção, que são:

• A função da filosofia.
• O pensamento.
• Diferença e repetição.
• Sociedade de controle.

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A função da filosofia

Iniciaremos este tópico apresentando a seguinte citação:

“O filósofo é o amigo do conceito, ele é conceito em potência. Quer dizer que a


filosofia não é mais uma simples arte de formar, de inventar ou de fabricar conceitos,
pois os conceitos não são necessariamente forma, achados ou produtos. A filosofia,
mais rigorosamente, é a disciplina que consiste em criar conceitos.”

(Deleuze; Guattari, 2010, p. 11)

Deleuze vê o filósofo como aquele que cria conceitos. Se um filósofo não cria
conceitos, não pode ser considerado como tal, pois sua função é fazer nascer algo
que não existe, algo que seja totalmente novo. Fazendo uma autoavaliação de sua
própria forma de filosofar, afirma que a filosofia precisa encontrar outros modos de
expressão para o pensamento filosófico. É, então, que chega à conclusão de que a
tarefa do filósofo é inventar e criar conceitos novos.

Observação
A forma como Deleuze concebe sua criação de conceitos está atrelada às leituras que
ele faz de outros filósofos, especialmente dos que se aproximavam de seu
pensamento. Em suas obras podemos notar que extraía conceitos dos filósofos que
estudava e que, sobre o os conceitos deles, criava e concebia sua própria filosofia.

Segundo o professor Roberto Machado, a filosofia de Deleuze é uma colagem para


criar a filosofia da diferença, conforme expresso na citação a seguir:

“A filosofia de Deleuze recria e recria, pelo procedimento de colagens, ‘novos’


pensamentos já existentes, dentro e fora da filosofia, sempre com o objetivo de
construir um pensamento que afirma o primado da diferença.”

(Machado, 2009, p. 37)

Foi no livro O que é Filosofia que ele discutiu sobre a função do filósofo. A obra foi
publicada em 1991, escrita no final de sua carreira filosófica. É quando ele afirma que
o filósofo é aquele que cria conceitos. Para ele, o conceito não é definição, não é
trazer um significado de alguma coisa.

O conceito não é apenas universal ao que tange à existência das coisas, mas ao
mesmo tempo é universal e relativo. Por exemplo: podemos tomar o conceito de alma
que foi construído por um filósofo, mas a noção de alma muda de filósofo para filósofo,
de tempos em tempos. O conceito depende do contexto em que se insere. Assim, o
problema que exige conceituar nasce em resposta a um problema que está posto.

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Para entender o conceito, ele traz outro aspecto, que é o plano de imanência como
sendo o lugar em que o conceito habita. Não se trata de uma moradia fixa, mas sim de
por onde o conceito se movimenta, isto é, o plano de imanência é a base na qual está
o conceito. Ele entende os conceitos como a espinha dorsal da filosofia, e nessa
coluna vertebral o plano de imanência faz com que ela tenha espaço para
movimentação.

Outro aspecto importante são os personagens conceituais, que, para Deleuze,


habitam o filósofo e pelos quais se articulam os conceitos, movimentando-os dentro do
plano de imanência.

Podemos exemplificar como o personagem conceitual usado na filosofia de Nietzsche


na obra Zaratustra, com o louco que grita na praça sobre a morte de Deus. Veja como
ele articula seus conceitos filosóficos dento do que chama de Geofilosofia e onde se
juntam aspectos conceituais.

Geo


Plano de imanência

Filos


Personagem conceitual

Sofia


Conceito

A Geofilosofia é a ideia na qual o sujeito é conceituado, não mais ligado ao objeto e


sim a ideia de como se lida com o pensamento na terra. É a ideia de territorialidade.
Deleuze entende que a filosofia deve ser filosofada no lugar em que vive o sujeito,

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trata-se de imanência. Isto é, o lugar que o conceito habita. Assim, a Geofilosofia pode
ser distribuída em: GEO é o plano de imanência; FILO é lugar em que o filósofo se
relaciona ao personagem conceitual, e SOFIA é onde se liga à ideia de conceito.

O pensamento

Uma das questões discutidas em Deleuze é explanada estava na seguinte pergunta: o


que significa pensar? O que ele deixa claro é que pensar não é algo fácil e muito
menos natural. Para esclarecer essa questão o filósofo passeia pelas construções
filosóficas sobre o pensamento apresentadas no percurso do surgimento da filosofia.

Em sua investigação, começa a indagar como o ato de pensar e produzir pensamento


foi constituído no Ocidente. Ele afirma que a imagem do pensamento no Ocidente tem
sua origem na filosofia platônica, que, como já vimos, foi uma crítica apresentada por
Nietzsche em suas teorias. Ele também confirma que há uma imagem hegemônica
responsável pela sustentação do ato de pensar no Ocidente, que chamou de imagem
dogmática do pensamento.

A esse tipo de imagem ele denominou de imagem dogmática do pensamento. Sobre


isso, destacamos a citação a seguir:

“Deleuze nos aponta, assim, os vínculos da filosofia platônica com a política e a moral,
já que a questão fundamental, no platonismo, diz respeito a como distinguir os
verdadeiros dos falsos candidatos, ou seja, como selecionar aqueles que conservam
uma correlação com a coisa mesma ou essência, e os que não possuem tal atributo.
Sabemos que o conceito de essência, no platonismo, guarda uma estreita correlação
com o conceito de identidade: a essência é aquilo que é idêntica a si própria, por isso
ela é o modelo original, primeiro.”

(Mauricio; Mangueira, 2011, p. 4)

Deleuze identifica na imagem dogmática do pensamento a base da construção do


pensamento ocidental, e nela a função de julgamento, por meio da imagem moral do
pensamento, que distingue o verdadeiro do falso, do certo e errado. É uma imagem
moral ao pressupor uma contraposição entre o que julgou ser o bem e o mal. Assim,
Deleuze, como Nietzsche, entende que é uma forma dicotômica do mundo, de um lado
o positivo e do outro o negativo.

Em sua obra Nietzsche e a Filosofia (1976), Deleuze trabalha no item a nova imagem
do pensamento e ali pontua seu entendimento sobre a imagem dogmática do
pensamento. Sua proposta de pensamento traz a ideia de que essas imagens
dogmáticas do pensamento aparecem em três teses essenciais:

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• A primeira imagem moral do pensamento diz que pensar é um exercício natural
do ser humano.
A ideia é que o pensador quer e ama o verdadeiro, seria a veracidade do
pensador, seria a ideia do inatismo. Nessa primeira tese está a ideia de que
pensar é o exercício natural e basta pensar verdadeiramente para pensar com
verdade.

• A segunda tese diz que as sensações nos levam ao erro.


Ele discute a ideia de que somos desviados do verdadeiro por forças estranhas
ao pensamento. Nesse caso, são forças atreladas ao corpo, às paixões, aos
interesses sensíveis. Não somos seres somente pensantes, então caímos no
erro e tomamos o falso pelo verdadeiro. O erro acontece ocorre por forças
exteriores que se opõem ao pensamento.

• A terceira afirma que há um método para chegar ao conhecimento.


Basta um método para pensar bem, é o método do lugar que nos leva a pensar
verdadeiramente. Aqui, Deleuze diz que, nessa imagem, o método é um
artifício por meio do qual reencontramos a natureza do pensamento. O método
é onde se expurga o erro, não importa o tempo e nem o lugar, porque é ele que
nos faz penetrar no domínio do que é válido para todos os tempos e lugares.
Nessa imagem o pensamento trazido pelo método é a forma pela qual o
verdadeiro é concebido como universal e abstrato.

Deleuze critica o método por não considerar as forças reais que fazem o pensamento.
Segundo ele, o método não consegue relacionar o verdadeiro com o que se
pressupõe. Para o filósofo não há verdade que, antes de sua existência, não seja a
efetivação de um sentido ou a realização de um valor. Assim, para ele, a verdade
como conceito é indeterminada, tudo depende do valor e do sentido do que pensamos.

Portanto, quando debate sobre as três teses das imagens dogmáticas do


conhecimento, Deleuze deixa claro que não concorda com a forma estabelecida e
vivenciada pelo Ocidente acerca da construção do que se pensa ser o verdadeiro. O
filósofo traz novas propostas acerca do pensar. Contudo, afirma que pensar não é algo
fácil. O pensamento não nasce sozinho, por si mesmo. Segundo ele, pensar depende
das formas que se apoderam do pensamento. Portanto, o pensamento vem de um ato
de violência que nos força à construção dele próprio. É algo que vem de fora, uma
questão que nos empurra para a busca de um conceito.

Deleuze afirma que o pensamento não pensa por si mesmo, assim como não encontra
por si mesmo o verdadeiro. É interessante entender como Deleuze traz sua ideia
sobre a verdade do pensamento, que deve ser interpretada e avaliada segundo as
forças ou o poder que o leva a pensar, isto é, a escolha do que pensar. Para ele, falar
de verdade, do verdadeiro tal como é em si, para si, ou mesmo para nós, deve vir
junto com a pergunta sobre quais forças se escondem no pensamento daquela
verdade, qual é o seu sentido qual é o seu valor. É por isso que vê como perturbador o
verdadeiro ser concebido como universal abstrato.

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Enfim, é assim que entende que a imagem dogmática do pensamento oculta o
trabalho das forças estabelecidas que determinam o pensamento.

Diferença e repetição

Outro conceito importante em Deleuze é o de diferença e repetição.

Para entender essa ideia precisamos compreender como foi construída a filosofia da
identidade e diferença no pensamento ocidental.

Para Deleuze, é necessário dar lugar à diferença, não em contraste com a identidade,
mas por ela mesma.

Filosofia da identidade X Filosofia da diferença

Essa ideia ele retira do bergsonismo, por ser uma discussão já trazida por esse
teórico. Deleuze é um teórico que filosofa por meio do pensamento de outros filósofos
e sobre os pensamentos deles recria novos conceitos. Assim, traz da ideia de Henri
Bergson, um filosofo francês do século XIX, os conceitos sobre a filosofia da
identidade que se forma a partir da diferença. Deleuze entende que a diferença deve
ser pensada por ela mesma, dentro de sua autonomia de ser, como ele mesmo afirma:
“uma filosofia da diferença em que esta é pensada como tal e não se reduz à
contradição” (Deleuze, 1999, p. 133).

Nota
Para conceituar a diferença de modo que seja vista como ela mesma, Deleuze faz
uma investigação na história da filosofia, com o intuito de analisar como a diferença
passou a ocupar lugar inferior, ou mesmo se contrapondo à identidade, que é o
conceito central nas propostas filosóficas. Sua investigação o leva ao pensamento de
Platão, Aristóteles, Hume, Hegel, Nietzsche e Bergson, na busca de entender como
foram contrapostas identidade e diferença na história da filosofia.

Para ele, houve priorização do conceito do que é idêntico, mas não direcionaram um
olhar para entender a diferença. Muitas teorias filosóficas estão em busca de essência,
de imutabilidade, de movimento, de devir, de modo que o papel da diferença foi
direcionado para evidenciar a identidade. Portanto, ainda que tenha sido vista, não
marcou presença como ela mesma, porque estava em subordinação à identidade.
Deleuze afirma que a filosofia, ao colocar a diferença em oposição à identidade, deu a
ela um lugar inferior.

Em sua proposta filosófica, Deleuze traz o conceito de diferença de forma que seja
entendida como ela mesma, desatada da identidade e com grau e status no mesmo
nível de valor.

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Deleuze entende que a diferença não pode ser conceituada como contradição,
oposição e nem negação.

Ele propõe que diferença não é a negação de algo. Como entende que a filosofia está
relacionada à vida, não se pode pensar a vida sem o processo de diferenciação, pois é
na diferença que está o lugar que possibilita pensar e criar algo.

Afinal de contas, o que é a diferença para Deleuze?

Ele a entende como um dos conceitos centrais, uma vez que se trata de um processo
criador de pensamentos. Viver requer que nos diferenciemos de nós mesmos, o que
nos impulsiona a pensar e a criar. Portanto, para o filósofo, a vida difere de si mesma,
não por oposição, mas como impulso criativo que parte de nós. A diferença faz-nos
reinventar a nós mesmos.

Sobre isso, destacamos o trecho a seguir:

“A vida é o processo da diferença. A diferenciação vem da resistência encontrada pela


vida do lado da matéria, mas inicialmente, ela vem, sobretudo da força explosiva
intensa que a vida traz em si, a vida difere de si mesmo.”

(Deleuze, 1999, p. 106)

Na obra Diferença e repetição ele afirma que é tarefa do filósofo “tirar a diferença de
seu estado de maldição, isso é atarefa da filosofia da diferença” (Deleuze, 1999, p.
54).

Sociedade de controle

Deleuze foi o filósofo que teorizou sobre a sociedade de controle, que é a forma de
monitoramento na era pós-moderna.

A sociedade de controle é uma continuidade da sociedade disciplinar, teorizada por


Foucault como forma de vigilância alocada no período do século XVIII até meados do
século XX. O declínio desse formato se deu por causa das novas formas de controle
iniciadas pela tecnologia, que é a característica da sociedade de controle na era pós-
moderna.

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Na sociedade disciplinar, o sujeito vivia uma forma de disciplina que era
interiorizada por meio de mecanismos como medo e julgamento,
responsáveis pela obediência às normas estabelecidas pelas instituições
disciplinares. Foucault trouxe a evidência do monitoramento pelo
instrumento panóptico, com os olhos vigilantes em tempo real. O
instrumento estava instalado, de forma real ou metafísica, em todas as
instituições disciplinares, tais como: a casa da família, o prédio da escola,
o edifício do quartel, o edifício da fábrica. Assim, a sociedade disciplinar se
constituiu de poderes transversais que se dissimulavam a partir das
instituições modernas e de estratégias de disciplina e confinamento.

O modelo disciplinar, então, perde a força com a subjetivação do controle.

A sociedade de controle foi teorizada por Deleuze, que conceitua a nova forma de
pensar nas sociedades contemporâneas. Para o filósofo, a era disciplinar deu lugar à
sociedade de controle.

Segundo Corbanezi (2019), em vez dos moldes dos confinamentos, que constituem
uma espécie de círculo fechado nas sociedades disciplinares, há, atualmente, tal
modulação contínua e ondulatória. Em suas palavras, o controle não ocorre mais
especificamente no espaço fechado das instituições, mas no espaço aberto, em que
ondas contínuas modulam o sujeito empreendedor de si mesmo.

Sobre isso, destacamos a citação a seguir:

“O controle é de curto prazo e de rotação rápida, mas também contínuo e ilimitado, ao


passo que a disciplina era de longa duração, infinita e descontínua. O homem não é
mais o homem confinado, mas o homem endividado.”

(Deleuze, 1992, p. 224)

Na sociedade de controle, controla-se por meio de algo que não tem visibilidade, pois
não se sabe de onde estão vindo os mecanismos, por serem eles manipulações de
origem virtualizada.

Os dados pessoais já não são instâncias privadas, todos e tudo nos observam, sabem
quem somos, onde trabalhamos, a região em que moramos, qual é o nosso poder de
compra, qual é a nossa posição política etc. Todo mundo nos observa e nos controla,
basta abrir um site que logo nos tornamos refém de seu controle.

Portanto, na sociedade pós-moderna, o sistema de vigilância e monitoramento é


realizado por variados instrumentos atrelados à tecnologia, que integram os
mecanismos de controle, tais como; mídias sociais, internet, filmadoras, Facebook,

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Instagram, câmeras espalhadas em espaços públicos e privados, nossas digitais de
acesso aos serviços públicos, que nos rastreiam, entre outras formas virtuais, meios
que exercem contínua vigilância sobre nossas vidas.

Então, podemos dizer que somos sujeitos livres?


O que seria a liberdade nessa sociedade de controle?

A reflexão acerca dessas questões nos conecta aos pontos apresentados pelos
estudos de Deleuze. Como você responderia a elas?

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Tema 4
A abordagem foucaultiana da racionalidade e da
racionalização

Como você compreende a relação de saber e poder na


teoria de Foucault?
Neste tema falaremos sobre os estudos de Michel Foucault, filósofo francês de
significativa contribuição para os estudos filosóficos da atualidade. Autor de uma
riquíssima produção que atende não somente aos estudos da filosofia, mas a variadas
epistemologias de modo que, por certo, todas as sociais e humanas são beneficiadas
por seus estudos.

“O papel do intelectual é mudar alguma coisa no pensamento das pessoas.”

(Foucault, 2006, p. 295)

Uma breve biografia

Paul-Michel Foucault nasceu em Poitiers, na França, em 15 de outubro de 1926, em


uma família de médicos cirurgiões.

Em 1971, assume a cadeira de Jean Hyppolite na disciplina História dos Sistemas de


Pensamento. A aula inaugural de Foucault nessa cadeira foi a famosa Ordem do
Discurso.

A aula inaugural foi realizada no Collège de France, em 2 de dezembro de


1970. Foi publicada em 1971. A obra ficou famosa por ser um estudo que
faz a ligação com seus outros trabalhos e foi na ordem do discurso que
Foucault fez um elo entre elas. História da loucura, As palavras e as
coisas, Arqueologia do saber, que foram escritas nos anos 1960, nas
quais fazia análises voltadas para as ciências humanas. Nelas também faz
um link com as obras que foram escritas posteriormente, quando fez
análise sobre o poder, como a Microfísica do poder e Vigiar e punir.

Em 1975, ele publicou a obra Vigiar e Punir. Nessa obra, Foucault começa seus
estudos sobre as prisões, e é quando historiciza o nascimento das prisões e as formas
de castigos aplicados aos corpos indisciplinados. Foi publicada originalmente em

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1975, na França, e a primeira edição em português foi em 1987. É nesse estudo que
ele busca na história a forma como a punição evoluiu na sociedade ocidental. O
período analisado vai da Idade Média ao século XIX. Em suas análises ele traça o
caminho que fez o castigo (pena), que antes era um espetáculo público, evoluir para
uma forma de controle e disciplina dos corpos.

Ele divide a obra em três partes, e a primeira foca a Idade Média, quando se aplicava
a punição de forma violenta. A punição estava dogmatizada por meio de discursos
religiosos e o objetivo residia no controle de ordem social e religiosa. Ele descreve os
crimes como punições realizadas com muita crueldade, por meio de variadas formas
de torturas, mutilação de parte dos corpos e pena de morte. As punições eram
realizadas em praças públicas com a presença da população, o suplício e a
humilhação aplicadas às pessoas punidas eram uma forma de exemplo para os outros
membros da sociedade.

Na segunda parte da obra Foucault analisa a punição na era moderna, apontando


todas as mudanças que advêm com a formação do Estado Moderno, o capitalismo e o
surgimento das ciências sociais e humanas. Vem desses espaços uma forma de
pensar e aplicar a punição que se baseava em disciplina e controle. Na última parte da
obra, Foucault traz uma análise sobre a prisão como lugar de controle e vem daí o seu
símbolo do panóptico, o olho que tudo vigia. A prisão é um meio de disciplina com o
intuito de fazer com que as pessoas sejam obedientes.

Na obra Vigiar e punir ele analisa a punição como forma de exercício de poder, como
meio de controle disciplinador das pessoas.

Sua obra História da Sexualidade não foi finalizada, deixando prontos somente três
dos seis volumes que pretendia publicar. Nesse trabalho, Foucault pretende mostrar
como a sociedade ocidental faz do sexo um instrumento de poder, não por meio da
repressão, mas da expressão. Em 1976 publicou A vontade do saber, no qual faz a
análise da arqueogenealogia do sujeito. Em 1984 publicou O uso dos prazeres.

Foucault morre em 25 de junho de 1984.

Arqueologia do saber

Em sua vasta obra tratou de variados temas, que são relevantes para embasar as
pesquisas atuais. Por ser um historiador, Foucault sempre buscou resgatar na história
temas acerca de condições dos seres humanos. Ema sua busca, tentou historicizar
como são criados os sujeitos.

O que é considerado como sujeito normal e como isso foi construído na


modernidade?

Buscando responder a essas questões, o filósofo perseguiu a história, por isso


construiu sua Arqueologia do saber, sendo influenciado pelos estudos de Nietzsche,

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que fez também uma genealogia, porém mais voltada para o estudo da moral.
Portanto, os dois foram escavadores de antigas civilizações em busca da constituição
do saber.

Se há o sujeito normal, deve ter o sujeito diferente.

Foi escavando a história da sociedade ocidental que ele buscou uma resposta sobre a
relação que se estabelece entre saber e poder. Em sua investigação, para entender o
sujeito moderno que é considerado normal, ele afirma que a produção dos saberes e
relações de poder são locais. Portanto, quem seria o sujeito considerado diferente?
Assim, Foucault direcionou seu estudo para entender a situação do sujeito, em
especial, ao que os identifica como normal e diferente.

Podemos dizer que Foucault foi um racionalista em busca do entendimento para criar
uma explicação lógica do que era entendido como sujeito na sociedade moderna, pois
havia variações deles.

Para entender o que é um sujeito normal, ele estudou a questão da


loucura. Se há o sujeito considerado saudável, ele investigou a doença e o
nascimento das clínicas. Se há uma ideia de sujeito correto, estudou como
se constituiu o sujeito delinquente. Se há sujeito que vive dentro do padrão
social, tido como exercício de boa sexualidade, como é a caracterização
do sujeito pervertido? Assim, na busca de entender o sujeito, ele fez suas
investigações, por meio das quais desenvolveu variados temas.

No meio de tantas temáticas apontadas por Foucault abordaremos aqui os três


assuntos a seguir:

• Saber.
• Poder.
• Controle disciplinar.

Sociedade disciplinar

Foucault faz o estudo da sociedade disciplinar e conceitua a ideia de vigilância


instituída em instituições disciplinares, que são responsáveis pela manutenção da
disciplina. Trata-se da constituição de uma arquitetura na qual os sujeitos são
inseridos por meio da padronização das normas, cujo objetivo é a obediência que visa
a produção de corpos dóceis e produtivos.

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A disciplina é algo que vem de fora do indivíduo, sendo nele naturalizada e
internalizada por meio da cultura e das normas sociais. Atos disciplinares
são repetidos de forma que o sujeito não os questiona por serem partes
integradoras da sociedade. Aos questionadores é reservado o
enquadramento em uma categoria de sujeito caracterizado como fora da
normalidade.

Como a disciplina visa produzir corpos dóceis e produtivos, criam-se os dispositivos de


vigilância por meio dos quais os corpos vigiados são obrigados manter atenção aos
seus atos, repetindo culturalmente aquilo que está posto como conduta correta,
seguindo o que as instituições definem como normas corretas de conduta.

Sobre isso, destacamos o trecho a seguir:

“Para atingir esse objetivo, a partir do final do século XVIII as sociedades disciplinares
começaram a distribuir os indivíduos no espaço por meio de técnicas de
enclausuramento e/ou de organizações hierárquicas de lugares específicos. Todas as
atividades eram controladas temporalmente, o que possibilitava, por exemplo, o
isolamento do tempo de formação e do período da prática do indivíduo. Com isso, a
aprendizagem poderia ser normatizada, e as forças produtivas seriam compostas a fim
de obter um aparelho eficiente.”

(Prata, 2005)

O poder disciplinar precisa agir sobre cada um dos corpos, tornando necessário
confiná-los nas instituições, identificadas por Foucault como instituição de sequestro,
(Foucault, 2002, p. 118), uma vez que os sujeitos são sequestrados e levados para
dentro delas e ali são disciplinados.

Segundo Nogueira (2020), as instituições de raptos são organizadas a partir de três


funções, que são:

• Controle do tempo.
• Controle dos corpos.
• Criação de um novo tipo de poder.

O termo controle, em Foucault, abrange uma série de mecanismos de vigilância sobre


o indivíduo e sua função não é punir, mas corrigi-lo para o seu maior aproveitamento e
preveni-lo contra a ociosidade e a improdutividade.

Foucault usa a imagem do panóptico para conceituar a vigilância da sociedade

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Fonte: Wikimédia (2025).

O Panopticon era um edifício em forma de anel em cujo centro havia uma


torre. O anel se dividia em pequenas celas, voltadas tanto para o interior
quanto para o exterior. Em cada uma dessas pequenas celas havia,
segundo o objetivo da instituição, uma criança aprendendo a escrever, um
operário trabalhando, um prisioneiro se corrigindo, um louco atualizando
sua loucura etc. Na torre central havia um vigilante. Como cada cela
voltava-se ao mesmo tempo para o interior e para o exterior, o olhar
vigilante podia atravessar todas elas, não havia nenhum ponto de sombra
e, por conseguinte, tudo o indivíduo fazia estava exposto ao olhar de um
vigilante, que o observava através de venezianas, de postigos
semicerrados de modo a poder ver tudo sem que ninguém pudesse vê-lo
(Foucault, 2005, p. 87).

“Com efeito, a análise do poder em Foucault desdobra-se em três planos: aquele das
relações estratégicas, ou seja, das relações de poder; as relações de dominação e
entre as duas as técnicas de governo. O poder atravessa o campo social e tem
efetividade nessas três possibilidades. Temos aqui um aporte de inteligibilidade ao
funcionamento das relações sociais na contemporaneidade que torna o contributo
foucaultiano um marco na ressignificação do político.”
(Santos, 2006, p. 3)

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Destacamos aqui que em diversos pensamento de Foucault para entender o mundo
contemporâneo, é preciso compreender que as relações de poder são fragmentárias,
E compreender essa fragmentação é necessário, especialmente para visualização dos
locais onde ocorrem tais fluxos.

Sobre isso, leia a citação a seguir:

“O que faz o poder se manter, que seja aceito, é simplesmente que não pesa somente
como uma força que diz não, mas que, de fato, circula, produz coisas, induz ao prazer,
forma saber, produz discurso; é preciso considerá-lo mais como uma rede produtiva
que atravessa todo o corpo social que como uma instância negativa que tem como
função reprimir.”

(Foucault, 1971, p. 48)

Foucault apresenta, também, o conceito de biopoder. Ele afirma que é o ordenamento


de poder que constitui a Modernidade e o biopoder não é uma instituição, mas uma
modalidade de poder que está relacionado à vida na história, pois os mecanismos
biológicos humanos, tais como nascimento, duração da vida, morte etc., necessitam
ser integrados aos objetivos e controle político do Estado.

Sobre isso, considere a citação a seguir:

“[...] não há relação de poder sem constituição correlata de um campo de saber, nem
saber que não suponha e não constitua ao mesmo tempo relações de poder.”

(Foucault, 2010, p. 30)

O saber em Foucault

Em sua construção teórica sobre o conhecimento, Foucault afirma que saber vai muito
além do conhecimento. Saber está diretamente relacionado às relações de poder,
pois, para o filósofo, o conhecimento não é natural. Isto é, o conhecimento não nasce
com o sujeito porque não faz parte da natureza humana, uma vez que ele o adquire
por meio da convivência em seu habitat.

Assim, o saber vai além, fazendo parte do empoderamento. Por estar vinculado às
relações de poder, o saber implica busca acirrada, uma batalha travada contra o
mundo no afã de conhecer o objeto.

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A pós-modernidade ficou caracterizada por trazer o sujeito para o centro e
o objeto ao seu redor, mas tanto o sujeito como o objeto são alvo do
conhecimento. Por isso, Foucault entende que a forma de conhecimento
que condiciona teorizar e conceituar o sujeito, está mais acessível em
epistemologias que se envolvem com as humanidades, em especial, a
antropologia e a filosofia, pois uma se volta para o estudo do ser humano e
a outra se ocupa dos conceituar o conhecimento.

Segundo Costa (2023, p. 6), o poder cria o saber, e o poder e o saber estão
diretamente relacionados entre si. Em suas palavras, não há como estabelecer uma
relação de poder sem que se correlacione a construção de um campo de saber, isto é,
não pode haver relação de poder sem simultaneamente se pressupor e construir
relação que o envolva, pois desse modo não haverá conhecimento.

O esquema a seguir representa a lógica da relação de poder e conhecimento, para


Foucault:

Adaptado de [Link]

Para Foucault, o saber atualiza um poder, não só o pressupõe, como também dá


forma a ele. Por isso, o poder não é propriedade de ninguém. Podemos resumir o
conceito de poder em Foucault dizendo que, para ele, tudo é saber, seja uma
ideologia, uma opinião, a ciência etc. Na verdade, para ele não é importante a forma
do saber, mas como ele se expressa. É no discurso que se formam os enunciados.

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Encerramento

Ao finalizar o estudo desta unidade, por certo você teve acesso a mais um assunto
que pôde auxiliar no entendimento de como foi a construção do pensamento em nossa
sociedade contemporânea.

Os três filósofos com os quais dialogamos foram construtores de pensamentos


impactantes e estão entres os mais ousados e geniais pensadores, pois suas ideias
são suporte teórico para quase todas as epstemologias de conhecimento.

Como você entende o niilismo proposto pela filosofia


nietzschiana?
O termo “niilismo” foi alvo de muitas falas descontextualizadas, especialmente porque
ficou popularmente atrelado à morte de Deus e por isso um discurso de que Nietzsche
era um ateu, o que não foi a proposta desse grande pensador da era moderna. Por
isso, é importante entender o niilismo dentro de sua proposta de pensamento, por ser
um termo conceitual muito usado em filosofia. Veja que o termo está associado às
questões históricas vivenciadas pela sociedade europeia da sua época, ou seja, como
eram valores vinculado a uma moral religiosa transcendente, que negava as coisas do
mundo onde se vivia a vida, ele afirma que os valores morais são como “valor de
nada”. Assim, o uso do termo niilismo explica o valor dos valores, o sentido das
significações do que era o valor moral que regia a sociedade europeia. Para isso, ele
faz uma genealogia da decadência de um pensamento ocidental niilista, isto é, algo
sem sentido.

O termo nasce da negação de tudo que é natural no mundo, na terra, na natureza e no


corpo, pois a sociedade, aprisionada nos valores alocados no mundo da
transcendência, negava tudo que é necessário para viver a vida.

Assim, pode-se entender o niilismo como aquilo que se expressa por meio da crença
de que há um mundo superior que é alcançado por meio da negação de valores
essenciais, por meio dos quais se cria a harmonia da vida aqui na terra.

Como você compreende a crítica que Nietzsche faz da


tradição dos valores morais?
Um dos grandes debates de Nietzsche está na crítica que ele faz dos valores morais,
e vem daí sua genealogia da moral, por meio da qual ele faz uma busca na história
para comprovar que valores são construções humanas e estão alocados em períodos
históricos. A partir dessa busca histórica ele contradiz a moral que moldava a

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sociedade europeia de sua época e que se apoiava em uma ideia transcendente que
criava dois lados: um positivo, alocando o bem e o belo (ideia de Platão) e um mundo
no qual estavam as sensações vinculadas ao corpo, onde as paixões poderiam nos
desviar do mundo belo, bom e verdadeiro. É com a criação do termo “niilismo” que
Nietzsche diz que se trata de valores sem sentido e critica o cristianismo por ter
construído e formado essa ideia transcendente de valores. A partir desse momento,
portanto, o cristianismo fez com que a vida assumisse um valor de nada, em que é
negada, depreciada, ou seja, uma vida vivida como aparência, assumindo o valor de
coisa alguma, negando viver na terra, onde a vida existiria somente em prol da espera
de um mundo suprassensível onde está Deus, o bem, o belo, o verdadeiro. Sua crítica
aos valores morais deve-se a eles terem tornado a vida uma ficção, onde se vive
sempre em negação da vida no mundo e no tempo em que ela acontece.

Como você entende a sociedade de controle teorizada


por Gilles Deleuze?
A liberdade é algo que os seres humanos prezam muito. No entanto, vem da filosofia
toda uma discussão de que a sociedade sempre estabeleceu os mecanismos de
controle social que implicam em cercas que impõem limites sobre a liberdade. É sobre
os limites da liberdade que Deleuze estabelece seu discurso sobre a atual sociedade
de controle e seus mecanismos de vigilância. Na sociedade de controle, controla-se
por meio de algo que não se consegue ver, cujos mecanismos não se sabe de onde
vêm por serem manipulações de origem virtualizada.

Em nosso mundo, nossos dados pessoais já não são instâncias privadas, todos e tudo
nos observam, sabem quem somos, onde trabalhamos, a região em que moramos,
qual é o nosso poder de compra, qual é a nossa posição política etc. Todo mundo nos
observa e nos controla, basta abrir um site que logo nos tornamos refém de seu
controle.

Portanto, na sociedade pós-moderna, o sistema de vigilância e monitoramento é


realizado por variados instrumentos atrelados à tecnologia, que integram os
mecanismos de controle, tais como mídias sociais, internet, filmadoras, Facebook,
Instagram, câmeras espalhadas em espaços públicos e privados, nossas digitais de
acesso aos serviços públicos, que nos rastreiam, entre outras formas virtuais, ou seja,
são meios que exercem contínua vigilância sobre nossas vidas.

Como você compreende a relação de saber e poder na


teoria de Foucault?
Para Foucault, o saber atualiza um poder, não só o pressupõe, pois o saber dá forma
ao poder. O filósofo diz que o poder não é propriedade de ninguém. É importante
descartar que ele entende o saber como uma ideologia, uma opinião, ou a ciência etc.

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Para ele, não é importante a forma do saber, mas como ele se expressa e como
estabelece o empoderamento. Podemos dizer que o uso de mídias sociais, que
estabeleceram ideologias, são saberes que deram forma ao poder. Saber é discurso
que forma os enunciados, e forma o poder.

Assim, Foucault diz que saber é poder diretamente relacionado a si mesmo. Em suas
palavras, não há como estabelecer uma relação de poder sem que esta esteja
correlacionada à construção de um campo de saber, de modo que não pode haver
relação de poder sem que, simultaneamente, não haja conhecimento a ele atrelado.

Resumo da Unidade

Nesta temática abordamos a construção dos três teóricos na constituição do


pensamento na sociedade contemporânea.

Com Friedrich Nietzsche vimos que ele desconstruiu a proposta acerca do


conhecimento, até então estudado pela filosofia. Pudemos perceber sua ideia
provocativa, com críticas especialmente sobre metafísica, cristianismo e moral. Com
o conceito de niilismo estudamos as questões históricas vivenciadas pela sociedade
europeia da sua época, e vimos que ela estava perpassada por valores que ele diz
serem nada.

Outro teórico que nos ajudou a entender o pensamento ocidental é Gilles Deleuze,
que se destaca como aquele que revolucionou a forma de entender e conceituar o
pensamento e o ato de pensar. Ele propôs uma nova perspectiva dentro da filosofia,
que ficou definida como a arte de criar conceitos. Para Deleuze, o filósofo é um
artesão, aquele que tem como ofício inventar e criar conceitos. É o teorizador da
sociedade de controle, que, por meio do uso da tecnologia, mantém o controle de
vigilância a todos os sujeitos que vivem na sociedade contemporânea.

Por fim, falamos de Michel Foucault, o arqueólogo do saber, que faz uma
escavação profunda na história da filosofia na busca de entender como os sujeitos
são criados. Foi ele quem fez um profundo estudo do saber que está diretamente
ligado às relações de poder. Também é quem teorizou sobre a sociedade
disciplinar, que, por meio de olhos vigilantes, mantinha os sujeitos dentro de normas
introjetadas e interiorizadas por eles com o intuito de torná-los dóceis e produtivos.

Referências da Unidade

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social da atualidade. Revista Bras. de Educação. (28), abr. 2005.
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Especiaria. Cadernos de Ciências Humanas. v. 16, n. 28, jan./jun. 2016, p.
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• ROCHA, R.S.; BARBOSA, P.H.B.; PERES, M.G.N. Sociedade disciplinar e
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contemporaneidade digital. Rev. Tecnol. Soc., Curitiba, v. 18, n. 52, p.162-
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• SANTOS, J. A. Cristianismo e Niilismo em Nietzsche. 2001. 82 f.
Dissertação (Programa de Pós-Graduação stricto sensu em Ciências da
Religião) - Pontifícia Universidade Católica de Goiás, Goiânia, GO, 2001.

Para aprofundar e aprimorar os seus conhecimentos sobre os assuntos


abordados nessa unidade, não deixe de consultar as referências
bibliográficas básicas e complementares disponíveis no plano de ensino
publicado na página inicial da disciplina.

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