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Rentabilidade e Agressividade Tributária no Brasil

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INFLUÊNCIA DA RENTABILIDADE NA AGRESSIVIDADE TRIBUTÁRIA DAS

EMPRESAS: EVIDÊNCIAS DO BRASIL

Resumo
Este artigo buscou analisar a influência da rentabilidade na agressividade tributária das
empresas brasileiras de capital aberto listadas na Brasil Bolsa Balcão (B3) no período de 2010
a 2023, para verificar se é um fator diferencial na determinação do comportamento tributário
agressivo das empresas. A análise dos dados foi realizada por meio de regressão múltipla
segundo o MQO, para dados em painel com efeitos fixos e, adicionalmente, por meio de
regressão quantílica, em uma amostra de 167 empresas. Os resultados são robustos, baseados
nas evidências obtidas por meio das análises estatísticas, e contribuem para o alcance do
objetivo ao evidenciar que a variável rentabilidade possui relação significativa com a
agressividade tributária, sugerindo que empresas que possuem maior rentabilidade tendem a
adotar um nível maior de agressividade tributária. As evidências contribuem para a literatura
ao trazer para o campo teórico e prático a discussão a respeito de uma temática relevante para
as companhias, tendo em vista que, no cenário brasileiro, existe uma preocupação em relação
às questões tributárias, principalmente pelo contexto de legislação fiscal complexa e carga
tributária alta como é no Brasil.

Palavras-chave: Agressividade Tributária. Rentabilidade. Companhias Brasileiras

1 Introdução
A agressividade tributária é um instrumento utilizado pelas empresas, na tentativa de
reduzir a carga tributária, isso dentro da legalidade. Este fenômeno é efetivado por meio de
planejamentos tributários, isenções, concessões e brechas na legislação (Rosito et al., 2021).
Assim, é um tema que se tornou interessante para as empresas, pois diminui as obrigações
tributárias, tende a aumentar a rentabilidade, e tem despertado o interesse de pesquisadores
(Xavier et al., 2022). A perspectiva de que a rentabilidade pode influenciar a agressividade
tributária das empresas se fundamenta na premissa de que companhias mais rentáveis, que
possuem investimentos e retornos financeiros mais elevados, tendem a ter alta carga tributária,
de modo que podem ser mais agressivas tributariamente (Martinez & Martins, 2016).
Estudos que buscam trazer discussões a respeito dos tributos e da sua influência nas
empresas vêm sendo evidenciados nos últimos anos, tanto no ambiente nacional quanto no
ambiente internacional, por exemplo, as pesquisas de Santini e Indrayani, (2020) e Yahaya e
Yusuf, (2020). Considerando a perspectiva dos estudos realizados, principalmente em cenários
internacionais, que buscavam evidenciar a influência da rentabilidade na agressividade
tributária das empresas, esta pesquisa tem o intuito de investigar este fenômeno no contexto das
entidades brasileiras.
Este estudo é oportuno pelo fato de o Brasil ser conhecido como um dos países que
possui um dos sistemas tributários mais complexos do mundo e por possuir uma carga tributária
elevada (Hoppe et al., 2019; Martinez et al., 2015). Além disso, é considerado como uma nação de
economia emergente que tem a tendência de apresentar políticas fiscais mais frágeis e sistemas
tributários pouco transparentes em comparação a países com economias desenvolvidas (Pereira
et al., 2022; Santos & Oliveira, 2020).

1
Outro fator relevante é que a arrecadação tributária pode ser impactada pela
agressividade tributária e consequentemente prejudicar a implementação de demandas sociais.
Alinhadas a isso, existem evidências empíricas de que as empresas tendem a buscar reduções
ou eliminações de custos tributários através de mecanismos legais que podem ser classificadas
como agressividade tributária (Hanlon & Heitzman, 2010; Minnick & Noga, 2010).
A literatura nacional sobre a agressividade tributária como variável dependente é pouco
explorada empiricamente, até onde se tem conhecimento, especialmente quando relacionada à
rentabilidade das empresas como variável explicativa, situação diferente no cenário
internacional. Assim, o estudo se diferencia dos anteriores realizados no Brasil, que se
concentraram em verificar se há influência da agressividade tributária na rentabilidade das
empresas (Araújo & Leite Filho, 2017; Rosito et al., 2021; Xavier et al., 2022). No entanto, não há
conhecimento de estudos que abordem o efeito contrário, ou seja, se a rentabilidade influencia
a agressividade tributária.
Como contribuição deste artigo, apresenta-se achados que enriquecem a literatura ao
discutir a influência da rentabilidade na agressividade tributária das empresas de capital aberto
brasileiras. Trata-se de uma temática relevante para as entidades e para os profissionais que
atuam na área de tributos. Portanto, esse assunto requer estudos empíricos, uma vez que ainda
não foi explorado no âmbito nacional. Dessa forma, tem-se o seguinte problema de pesquisa: a
rentabilidade tem influência sobre a agressividade tributária das empresas brasileiras de
capital aberto listadas na B3? O objetivo é analisar a influência da rentabilidade na
agressividade tributária das empresas, de maneira a verificar se é um fator diferencial para
determinar o comportamento tributário agressivo das firmas.
Portanto, o presente estudo se limita a evidenciar se a rentabilidade impacta a
agressividade tributária das empresas de capital aberto do Brasil. Neste sentido, a pesquisa está
estruturada da seguinte forma: além da presente introdução, faz uma revisão da literatura,
abordando os principais estudos realizados, em seguida expõe a metodologia delimitando a
pesquisa, definindo as variáveis e o tratamento dos dados. Apresenta as evidências encontradas
e logo depois faz uma discussão e conclusão acerca dos resultados.
2 Revisão da literatura
Pesquisas recentes buscaram analisar os fatores que impactaram a agressividade
tributária das empresas, e um deles é a rentabilidade. Santini & Indrayani (2020), da Indonésia,
verificaram que a rentabilidade, mensurada por meio do Return on Assets (ROA), possui efeito
significativo sobre a agressividade tributária, mensurada por meio da Effective Tax Rate (ETR),
evidenciando que as empresas que têm rentabilidade alta administram seus recursos e atividades
operacionais com o propósito de reduzirem a carga tributária por meio de análises de brechas
na legislação fiscal.
No mesmo sentido, Ayem & Setyadi (2019) mostraram estatisticamente que existe uma
influência significativa da rentabilidade na agressividade tributária das empresas listadas na
Bolsa de Valores da Indonésia, encontrando evidências de que o nível da rentabilidade das
entidades tende a ser diretamente proporcional ao tributo pago, isto é, quanto mais rentabilidade
a companhia possuir, maior será a sua carga tributária, de forma que as empresas apresentam a
tendência a assumir comportamentos fiscais mais agressivo. Wibowo et al. (2023) mencionam
que a rentabilidade impacta na agressividade tributária, evidenciando que as corporações do
setor de mineração listadas na Bolsa de Valores da Indonésia tendem a ter um comportamento
agressivo com os tributos, devido à elevada rentabilidade, visto que isso implica pagamentos
maiores de tributos. Essas evidências podem ser atribuídas à dinâmica tributária do país, onde
2
o governo dedica especial atenção ao setor tributário, tendo em vista que a maior parcela da
receita estatal provém dos tributos. Isso resulta em empresas mais focadas em mitigar o ônus
tributário, especialmente as mais lucrativas, uma vez que à medida que a rentabilidade aumenta,
a carga tributária também se amplia. Para essas firmas, os tributos são encarados como um custo
adicional que pode impactar negativamente os lucros (Fernández-Rodríguez & Martínez-Arias,
2014).
Outra pesquisa realizada em empresas listadas nas Bolsas de Valores do Leste Europeu
(Vintilă et al., 2018), evidenciou que a rentabilidade possuía correlação positiva com a taxa
efetiva dos tributos corporativos. Essa realidade pode ser esclarecida pelo contexto dos
mercados emergentes, como é o caso das bolsas de valores do Leste Europeu que precisam ter
ambiente fiscal atraente para os investidores e a tributação é um elemento essencial para
estabelecer o rumo de um mercado emergente. Nesse contexto, quando as empresas têm uma
boa rentabilidade, elas são tributadas para beneficiar a sociedade. Embora a preocupação das
entidades do Leste Europeu esteja mais focada na gestão financeira do que na gestão fiscal,
existe uma preocupação das companhias em reduzir os custos tributários, por exemplo, a
Romênia possui empresas que relutam em serem listadas no mercado de capitais por terem
comportamentos consideravelmente agressivos tributariamente e por isso a sua bolsa de valores
é retratada como subdesenvolvida (Vintilă et al., 2018).
Em contrapartida, Ann & Manurung (2019) realizaram um estudo em empresas do setor
de manufatura, listadas na Bolsa de Valores da Indonésia, e descobriram que a rentabilidade
está associada negativamente ao nível de agressividade tributária empresarial, ou seja, quanto
maior for a rentabilidade, menor será a agressividade tributária. Outro estudo (Zhu et al., 2019),
realizado em Gana, evidenciou que existe uma relação negativa significativa entre a
lucratividade e a agressividade tributária, isto é, uma taxa efetiva de tributo baixo implica em
um nível alto de agressividade tributária, sugerindo que o nível de agressividade influencia a
rentabilidade. Uma possível explicação para essa realidade é a legislação do Imposto de Renda
de Gana, que com o propósito de estimular a economia, incentivar os investimentos e o
crescimento de determinados setores, prevê uma tributação mais baixa para alguns setores, por
meio de isenções. Assim, essa previsão legal pode desestimular a agressividade tributária das
empresas.
Do mesmo modo, Yahaya & Yusuf (2020) mencionam que a rentabilidade tem valor
negativamente significativo em relação à tax avoidance em companhias de seguros listadas na
Bolsa de Valores da Nigéria. Na mesma perspectiva, Olarewaju & Olayiwola (2019) investigaram
a relação entre o planejamento tributário corporativo e o desempenho financeiro de empresas
não financeiras na Nigéria e encontraram uma relação inversa da elisão fiscal e do desempenho
financeiro das entidades. O governo Nigeriano, por muitos anos, se preocupou em fiscalizar o
setor petrolífero devido às receitas maiores e negligenciou os outros setores. A complexidade
da legislação tributária nigeriana e uma possível ineficiência dos agentes fiscais que não dão
conta da cobrança dos tributos, podem explicar os resultados encontrados, pois, embora
existam empresas rentáveis e que buscam reduzir seus custos tributários, o comportamento
agressivo não é latente (Afuberoh & Emmanuel, 2014; Olarewaju & Olayiwola, 2019).
Mocanu et al. (2021), analisando as empresas da Romênia, encontraram uma associação
significativamente negativa entre o desempenho financeiro e a tax avoidance, sugerindo que
quanto maior a lucratividade de uma empresa, menos propensa à agressividade tributária ela
estará. Christy (2023), igualmente, afirma que a rentabilidade tem uma relação negativa com a
agressividade tributária, e isso indica que as organizações mais eficientes e com maior
rentabilidade pagam menos tributos. Evidencia-se que essa realidade pode ser explicada pela
3
administração das companhias que buscam aproveitar incentivos e isenções fiscais e pela
possível ineficiência dos agentes na supervisão fiscal. Nesse contexto, Ardiansyah et al. (2023)
apontam, que a rentabilidade não afeta a agressividade tributária, evidenciando que uma
rentabilidade alta não necessariamente motiva as firmas a buscarem economia tributária de
forma agressiva. Além disso, os autores corroboram que, existem cenários que as empresas
tendem a respeitar a legislação fiscal e a pagar os tributos devidos.
No cenário nacional, a temática é explorada como variável explicativa, na tentativa de
evidenciar as atitudes das empresas na busca por menores custos tributários, em meio à
complexidade da legislação tributária brasileira (Alencastre et al., 2018; Araújo & Leite Filho,
2017) Estudos recentes, por exemplo, o realizado por Rosito et al. (2021), encontraram
evidências da interferência da agressividade tributária na rentabilidade. Do mesmo modo,
Santos & Oliveira (2020) dispõem em sua pesquisa que, no contexto das corporações do setor de
energia elétrica listadas na B3, de forma geral, aquelas que são agressivas têm maior
rentabilidade. Evidências igualmente encontradas nos estudos de Andrade & Pinheiro (2019).
No estudo de Alencastre et al. (2018), verifica-se que, em empresas brasileiras listadas
na B3, a agressividade tributária e a rentabilidade têm uma relação proporcional, visto que,
quando a agressividade tributária é mensurada por meio da Book-Tax-Differences (BTD), tende
a impactar de forma positiva a rentabilidade. No mesmo sentido, Andrade et al. (2020)
analisaram as firmas listadas na B3 dos setores regulados e não regulados, assim, ao
mensurarem a agressividade tributária por meio do BTD, observaram que níveis altos de
agressividade tributária têm influência positiva no desempenho das empresas e que, nos setores
regulados, existe uma tendência de sua diminuição, impactando em um decréscimo do
desempenho das empresas.
Entretanto, em outros contextos, foram encontradas situações diferentes, por exemplo,
que as companhias que possuem agressividade tributária tendem a obter desempenho negativo,
ou seja, quanto maior o nível de agressividade tributária das empresas menor será a sua
rentabilidade (Araújo & Leite Filho, 2019; Arpini et al., 2020). Considerando-se, portanto, que as
evidências empíricas apontam que, no Brasil, a legislação é complexa e que a rentabilidade alta
tende a incentivar as empresas a procurarem meios para reduzir os tributos, para o cenário
brasileiro foi construída a seguinte hipótese de pesquisa:
H1: empresas que possuem rentabilidade alta tendem a assumir agressividade
tributária.
3 Procedimentos Metodológicos
3.1 Delimitação da pesquisa
Com o propósito de garantir o objetivo deste estudo, foi realizada, por meio de uma
abordagem empírica, uma análise quantitativa e descritiva, com dados coletados do banco de
dados do Refinitiv Eikon®, referentes aos anos de 2010 a 2023. A escolha do período deveu-se
à obrigatoriedade das divulgações tributárias por meio do formulário de referência pelas
empresas de capital aberto, com cadastro ativo na CVM se iniciar no ano 2010, além disso,
dentro desse período ocorreu a pandemia da covid-19 que impactou as empresas.
A amostra da pesquisa é composta pelas entidades de capital aberto listadas na B3. Após
efetuadas as exclusões das companhias financeiras, tendo em vista que possuem características
específicas em seus desempenhos econômico-financeiros e na elaboração das informações
contábeis, diferindo dos demais setores, que podem impactar as análises, e, portanto, devem ser
separadas (Passos & Campos-Rasera, 2023) e das empresas que não tinham informações

4
suficientes e disponíveis para a análise, a amostra final obtida foi de 167 empresas e 2.338
observações.

Tabela 1 - Composição e seleção da amostra de pesquisa


Ano Descrição Quantidade
Empresas ativas listadas na B3 com dados no Refinitiv 632
Empresas do setor financeiro -90
2010 a 2023
Empresas sem informações suficientes -375
Amostra final 167
Fonte: dados da pesquisa. Elaborada pelos autores (2024).

3.2 Definição e descrição das variáveis


A variável dependente é a agressividade tributária, representada pela proxy book-tax-
differences (BTD), a qual é utilizada amplamente na literatura (Ferreira et al., 2012; Martinez &
Passamani, 2014; Santos & Oliveira, 2020). A BTD é a diferença entre o lucro obtido contabilmente
e o lucro fiscal (Goh et al., 2016), em outras palavras, é a diferença encontrada devido à forma
de apuração do lucro, visto que o lucro contábil é apurando tomando como base as normas e os
princípios contábeis, enquanto o lucro fiscal é apurado de acordo com a legislação tributária.
Um BTD com valor alto indica uma agressividade tributária em nível elevado (McGuire et al.,
2012). Neste estudo o BTD foi apurado pela diferença do lucro antes da tributação e o lucro
real, calculado com base nas provisões do Imposto de Renda (IR) e da Contribuição Social
sobre o Lucro Líquido (CSLL), dividida pela alíquota nominal do IR e do CSLL (34%) (Ferreira
et al., 2012; Hanlon & Heitzman, 2010; Santos & Oliveira, 2020).
A variável independente é a rentabilidade. Assim, para mensurar a rentabilidade,
utilizou-se o Return on Assets (ROA), que é o retorno sobre o ativo, isto é, a divisão entre o
lucro líquido e o ativo total. É esperada, assim, uma relação proporcionalmente positiva, visto
que, conforme a literatura, um aumento no ROA gera também um aumento na agressividade
tributária. Essa forma de mensuração do retorno do ativo foi utilizada em estudos anteriores
(Ann & Manurung, 2019; Ardiansyah et al., 2023; Xavier et al., 2022; Zhu et al., 2019)
Em relação às variáveis de controle, foram baseadas em estudos anteriores, visto que
apresentam os efeitos dessas variáveis na agressividade tributária. São formadas por Tamanho
da Empresa (TAM), Alavancagem Financeira (ALAV), Intensidade do Capital (PPE) e
Investimentos em Intangíveis (INTAN), Fluxo de Caixa Livre (FCF) e big four (BIG4)
(Ardiansyah et al., 2023; Chen et al., 2010; Dhaliwal et al., 2012; J. V. M. Gomes et al., 2022; Kubick
et al., 2015; Mocanu et al., 2021; Yahaya & Yusuf, 2020; Zhu et al., 2019)
Com base nesses estudos, o tamanho da empresa foi mensurado pelo logaritmo natural
do Ativo Total. Espera-se que as empresas maiores tenham mais agressividade tributárias que
as empresas menores, devido ao poder econômico e político (Richardson & Lanis, 2007).
A alavancagem financeira foi medida como a divisão entre a dívida total (passivo
exigível total) e o ativo total da empresa (Andrade & Pinheiro, 2019; Cahyono et al., 2016; Li et al.,
2017; Mocanu et al., 2021). Espera-se que a alavancagem esteja positivamente relacionada com
a agressividade tributária, conforme os estudos anteriores indicam.
A intensidade do capital (PPE) foi mensurada como o ativo imobilizado líquido dividido
pelo ativo total e o investimento em intangível (INTANG), medido como a divisão entre os
ativos intangíveis e o ativo total (Araújo & Leite Filho, 2019; Chen et al., 2010; França & Bezerra,
2022; Hogan & Noga, 2015; Li et al., 2017; Richardson & Lanis, 2007; Zhu et al., 2019). Considera-

5
se como provável que as empresas que possuem uma intensidade de capital e um nível de
investimento em intangíveis elevados tendam a apresentar um comportamento tributário mais
agressivo, visto que Chen et al. (2010) e (Richardson & Lanis, 2007) afirmam que os investimentos
em ativos são mais afetados pela depreciação e consequentemente afetam os custos tributários.
O Fluxo de Caixa Livre foi medido como a divisão entre o fluxo de caixa livre e o ativo total.
Espera-se que empresas com maiores níveis de caixa tenham comportamentos tributários
agressivos (Dhaliwal et al., 2012).
Inseriu-se a variável COVID, mensurada por uma dummy que assume valor 1 durante o
período da COVID-19 e 0 caso contrário. A motivação para isso deve-se ao fato de que os anos
de 2020 a 2022, que fazem parte do período da amostra deste estudo, coincidiram com a
Pandemia da COVID-19. Portanto, os resultados podem ser afetados pelos efeitos da pandemia,
havendo evidências de que esta impactou o desempenho financeiro das empresas (Avelar et al.,
2021; Silva Junior et al., 2022). Por fim, a variável BIG4, que indica as empresas auditadas pelas
quatro maiores firmas de auditoria do mundo, foi inserida como variável de controle. Essa
inclusão se baseia na suposição de que as entidades auditadas pelas Big Four tendem a adotar
práticas tributárias menos agressivas (Jusman & Nosita, 2020; Lennox et al., 2013)
Tabela 2 - Definições das variáveis utilizadas nos modelos econométricos
Variáveis Abreviação Descrição Fonte
Variável dependente
Book-Tax-Differences BTD A diferença do lucro antes do IR e Ferreira et al.
CSLL e o lucro real, calculado com (2012);
base nas provisões do Imposto de Martinez &
Renda (IR) e da Contribuição Social Passamani
sobre o Lucro Líquido (CSLL), (2014); Santos e
dividida pela alíquota nominal do IR e Oliveira (2020).
do CSLL (34%).
Variável independente
Rentabilidade sobre o ativo ROA Lucro Líquido sobre o Ativo Total Ann e
Médio. Manurung
(2019);
Ardiansyah et
al. (2023);
Xavier et al.
(2022); Zhu et
al. (2019).
Rentabilidade sobre o ROE Lucro Líquido sobre o Patrimônio Andrade e
patrimônio líquido Líquido Médio. Pinheiro (2019);
Vintilÿ et al.
(2018).
Variáveis de controle
Tamanho da Empresa TAM Logaritmo Natural do Ativo Total Balakrishnan et
al. (2018);
Yahaya e Yusuf
et al. (2020).
Alavancagem Financeira ALAV Passivo Exigível Total sobre o Ativo Balakrishnan et
Total. al. (2018); Goh
et al. (2016).
Intensidade do Capital PPE Ativo Imobilizado Líquido sobre o Santos e
Ativo Total. Oliveira (2020);
Minnick e Noga

6
(2010); Vintilÿ
et al. (2018).
Investimento em Intangíveis INTAN Investimentos em Intangíveis sobre o Minnick e Noga
Ativo Total. (2010); Vintilÿ
et al. (2018).
Fluxo de Caixa Livre FCF Fluxo de Caixa Livre sobre o Ativo Dhaliwal et al.
Total. (2012).
Big Four BIG4 1 para empresas auditadas pelas Big Jusman e Nosita
Four e 0 caso contrário. (2020); Lennox
et al. (2013).
COVID-19 COVID 1 para períodos em que houve a Avelar et al.
pandemia da Covid-19 e 0 caso (2021); Gomes
contrário. et al. (2022);
(Martinez &
Motta, 2020)
Fonte: dados da pesquisa. Elaborado pelo autor (2024)

3.3 Modelo Econométrico


Para estimar a associação entre a rentabilidade e a agressividade tributária e testar a
hipótese levantada neste estudo, foram estimados modelos empíricos. Preliminarmente, na
(Equação 1), analisou-se a rentabilidade por meio do ROA; em seguida, na (Equação 2), usou-
se como variável de rentabilidade o ROE. Por fim, estimou-se utilizando ambas as variáveis no
mesmo modelo, (Equação 3). A análise incluindo mais de uma variável de rentabilidade deveu-
se à possibilidade de verificar qual medida de rentabilidade tende a apresentar maior influência
na agressividade tributária, tendo em vista as formas diferentes de mensuração, e se essa
influência decorre de forma individual ou conjunta. Portanto, estimou-se os seguintes modelos
empíricos:

𝐵𝑇𝐷𝑖𝑡 = 𝛼0 + 𝛽1 𝑅𝑂𝐴𝑖𝑡 + 𝛽2 𝑇𝐴𝑀𝑖𝑡 + 𝛽3 𝐴𝐿𝐴𝑉𝑖𝑡 + 𝛽4 𝑃𝑃𝐸𝑖𝑡 (Equação 1)


+ 𝛽5 𝐼𝑁𝑇𝐴𝑁𝑖𝑡 + 𝛽6 𝐹𝐶𝐹𝑖𝑡 + 𝛽7 𝐵𝐼𝐺4𝑖𝑡 + 𝛽8 𝐶𝑂𝑉𝐼𝐷𝑖𝑡 + ɛ𝑖𝑡

𝐵𝑇𝐷𝑖𝑡 = 𝛼0 + 𝛽1 𝑅𝑂𝐸𝑖𝑡 + 𝛽2 𝑇𝐴𝑀𝑖𝑡 + 𝛽3 𝐴𝐿𝐴𝑉𝑖𝑡 + 𝛽4 𝑃𝑃𝐸𝑖𝑡 (Equação 2)


+ 𝛽5 𝐼𝑁𝑇𝐴𝑁𝑖𝑡 + 𝛽6 𝐹𝐶𝐹𝑖𝑡 + 𝛽7 𝐵𝐼𝐺4𝑖𝑡 + 𝛽8 𝐶𝑂𝑉𝐼𝐷𝑖𝑡 + ɛ𝑖𝑡

𝐵𝑇𝐷𝑖𝑡 = 𝛼0 + 𝛽1 𝑅𝑂𝐴𝑖𝑡 + 𝛽2 𝑅𝑂𝐸𝑖𝑡 + 𝛽3 𝑇𝐴𝑀𝑖𝑡


+ 𝛽4 𝐴𝐿𝐴𝑉𝑖𝑡 + 𝛽5 𝑃𝑃𝐸𝑖𝑡 + 𝛽6 𝐼𝑁𝑇𝐴𝑁𝑖𝑡 + 𝛽7 𝐹𝐶𝐹𝑖𝑡 (Equação 3)
+ 𝛽8 𝐵𝐼𝐺4𝑖𝑡 + 𝛽9 𝐶𝑂𝑉𝐼𝐷𝑖𝑡 + ɛ𝑖𝑡

Na análise estatística, foi utilizado modelo de dados em painel, por meio de regressão
consoante o método dos Mínimos Quadrados Ordinários (MQO). O tratamento estatístico dos
dados foi realizado no software R®. A um nível de significância de 5%, foram feitos testes
estatísticos para comparação e escolha do modelo mais adequado:
Tabela 3 - Testes de comparação de modelo adequado

Teste p-valor
F test 0,0000
Lagrange Multiplier Test - (Breusch-Pagan) 0,0000
Hausman Test 0,0000
Fonte: dados da pesquisa. Elaborado pelo autor (2024)

7
Os testes disponibilizados na Tabela 3 evidenciaram que o modelo de dados em painel
com efeitos fixos seria o mais indicado para responder o problema da pesquisa por meio do
modelo de regressão. Em seguida, foram verificados os pressupostos do modelo. A
homoscedasticidade se deu pelos testes Goldfeld-Quandt (p-valor = 1). A ausência de
multicolinearidade foi vista por meio dos valores dos VIFs abaixo de 4 (Favero & Belfiore, 2017).
A ausência de correlação serial foi verificada por meio do teste Breusch-Godfrey (p-value =
0,05669). O teste Shapiro-Wilk evidenciou a não normalidade dos resíduos. Entretanto, a
normalidade pode ser minimizada na ocasião de amostras grandes, por meio do teorema do
limite central, não invalidando as inferências (Wooldridge, 2017).
4 Análise dos resultados
4.1 Estatística descritiva e correlações

A Tabela 4 demonstra a estatística descritiva de cada uma das variáveis adotadas.


Tabela 4 - Estatística descritiva
Desvio-
N Média Mediana Variância 25th 75th
padrão
BTD 2296 -0,0048 0,0122 0,1397 0,0195 -0,0108 0,0350
ETR 2296 0,1516 0,2057 3,9539 15,6337 0,0431 0,3082
ROA 2296 0,0166 0,0337 0,1378 0,0190 -0,0059 0,0718
ROE 2296 0,0046 0,0888 2,2755 5,1780 0,0100 0,1807
SIZE 2296 22,1227 22,0536 1,7379 3,0205 20,9705 23,2336
ALAV 2296 0,3524 0,3230 0,2678 0,0717 0,1976 0,4495
PPE 2288 26,1205 21,3079 22,8083 520,2166 5,6995 39,0960
INTAN 1730 0,0897 0,0241 0,1550 0,0240 0,0059 0,0995
FCF 2275 0,0094 0,0124 0,0953 0,0091 -0,0275 0,0546
Fonte: dados da pesquisa. Elaborada pelos autores (2024).
N = número de observações, 25th = primeiro quartil e 75th = segundo quartil

Pode-se observar que a variável dependente BTD, que denota a agressividade tributária,
e a variável independente ROA, que designa a rentabilidade, possuem média de -0,0048 e
0,0166, respectivamente, evidenciando que, para cada unidade monetária do ativo total, é
gerado -0,0048 de diferença negativa entre o lucro contábil e o lucro fiscal. Assim, em média,
o lucro contábil das empresas é inferior ao lucro fiscal, tendo por consequência uma carga
tributária maior. Isso pode indicar sinais de agressividade tributária e mostra que as empresas,
em média, obtiveram um retorno sobre os ativos em torno de 1,6%. Essas evidências vão ao
encontro dos resultados de pesquisas anteriores (Mocanu et al., 2021; Santos & Oliveira, 2020;
Wibowo et al., 2023; Xavier et al., 2022; Zhu et al., 2019).
Tabela 5 - Correlação de Pearson para a Amostra Completa
BTD ROA SIZE PPE INTAN FCF
BTD 1
ROA 0,8771 *** 1
SIZE 0,1485 *** 0,1563 *** 1
PPE -0,005 -0,0247 -0,0255 1
INTAN -0,0052 0,0033 0,2435 *** -0,2722 *** 1
FCF 0,2131 *** 0,2709 *** 0,0944 *** 0,0459 * -0,0493 * 1
Fonte: dados da pesquisa. Elaborada pelos autores (2024).
8
A variável ROA, que apresentou correlação positiva e significativa com a variável BTD,
e isso demonstra que as variáveis estão correlacionadas, isto é, quanto maior a rentabilidade,
maior será a agressividade tributária. A variável tamanho da empresa possui correlação positiva
em relação ao BTD, então verifica-se que empresas maiores tendem a ser mais agressivas. A
variável de investimento em intangíveis e o fluxo de caixa após obrigações possuem uma
relação negativa e significativa em relação ao .
4.2 Análise multivariada
A Tabela 6 expõe o resultado das regressões Modelo 1, 2 e 3, com dados em painel com
efeito fixo.
Tabela 6 - Resultado das regressões
Variável dependente - BTD
Efeito Fixo
Variáveis
Modelo 1 Modelo 2 Modelo 3
ROA 0,0000 *** 0,0000 ***
(0,0156) (0,0158)
ROE 0,0000 *** 0,6540
(0,0015) (0,0009)
TAM 0,0000 *** 0,0000 *** 0,0000 ***
(0,0036) (0,0062) (0,0036)
ALAV 0,9872 0,0000 *** 0,9954
(0,1227) (0,0192) (0,0123)
PPE 0,2257 0,5066 0,2215
(0,0002) (0,0004) (0,0002)
INTAN 0,010785 * 0,1402 0,0107 *
(0,0304) (0,0528) (0,0304)
FCF 0,8970 0,0000 *** 0,8899
(0,2369) (0,0407) (0,0237)
BIG4 0,2940 0,7492 0,2825
0,0069 (0,0119) 0,0069
COVID 0,0058 ** 0,3138 0,0056 **
(0,0043) (0,0075) (0,0043)
SETOR Incluído Incluído Incluído
Rainbow test 1,00 1,00 1,00
Shapiro-Wilk 0,00 0,00 0,00
Goldfeld-Quandt 0,55 1,00 0,54
Breusch-Godfrey 0,35 0,08 0,35
Variance Inflation Factor (VIF) <4 <4 <4
Observações 1715 1715 1715
R2 0,7292 0,1838 0,7292
R2 Ajustado 0,7026 0,1038 0,7025
F (p-valor) 0,0000 0,0000 0,0000
Fonte: dados da pesquisa. Elaborada pelos autores (2023).
Notas: i) erros padrão entre parêntese; ii) *** p<0.01, ** p<0.05, * p<0.1.

A partir da análise dos dados, observa-se que a variável de rentabilidade ROA possui
relação significativa com a BTD, sugerindo que empresas que possuem maior rentabilidade
tendem a adotar um nível maior de agressividade tributária, confirmando a hipótese deste
estudo. Do mesmo modo, quando mensurada pelo ROE a rentabilidade mostrou-se
positivamente significativa. Essas evidências podem ser explicadas pelo fato de que as
empresas não veem com bons olhos o pagamento de tributos, especialmente no contexto
9
brasileiro, marcado por uma alta carga tributária e uma legislação fiscal complexa. Além disso,
considerando que os lucros exercem influência direta na rentabilidade das empresas, quanto
mais lucrativas são, mais propensas se tornam aos tributos. Dessa forma, elas tendem a assumir
comportamentos agressivos com o objetivo de diminuir o impacto dos tributos. Essas
evidências estão em conformidade com estudos anteriores (Alencastre et al., 2018; Ayem &
Setyadi, 2019; J. V. M. Gomes et al., 2022; Santini & Indrayani, 2020; Vintilă et al., 2018; Wibowo et
al., 2023). Em contrapartida, não foram observadas as mesmas evidências em outros estudos, os
quais sugeriram que empresas com rentabilidade alta tendem a ter menos inclinação à
agressividade tributária (Ann & Manurung, 2019; Araújo & Leite Filho, 2019; Ardiansyah et al.,
2023; Arpini et al., 2020; Mocanu et al., 2021; Yahaya & Yusuf, 2020).
Os resultados dos modelos sugerem que há uma significância estatística na relação entre
o tamanho e a agressividade tributária, uma vez que empresas maiores possuem estruturas mais
eficientes que condicionam a redução dos impactos tributários. Essa constatação evidencia que
as empresas de maior porte tendem a adotar comportamentos mais agressivos na tentativa de
reduzir o pagamento de tributos. Tal achado está em consonância com pesquisas anteriores
(Ayem & Setyadi, 2019; Santini & Indrayani, 2020).
A alavancagem financeira possui significância positiva em relação ao BTD, logo,
empresas mais endividadas tendem a ser mais agressivas. Há convergência com pesquisas
anteriores (França & Bezerra, 2022; Mocanu et al., 2021; Santini & Indrayani, 2020; Yahaya & Yusuf,
2020) e divergências com outros estudos (Cahyono et al., 2016; Jamaludin, 2020; Sulaeman,
2021). Essas evidências podem ser explicadas pela existência de custos advindos do
endividamento, os quais as empresas podem deduzir do lucro a ser tributado. Isso sugere que
empresas mais alavancadas são mais propensas a adotar uma postura agressiva, buscando
reduzir sua carga tributária por meio dos custos derivados da dívida
O investimento em ativos intangíveis também se revelou significativo, indicando uma
relação positiva com a agressividade tributária das empresas. Uma possível explicação para
essa evidência é que, devido à possibilidade de dedução das despesas com amortização do lucro
tributável, as empresas que investem mais em ativos intangíveis tendem a buscar utilizar essas
despesas com maior intensidade para reduzir seus custos tributários.
O fluxo de caixa após as obrigações se mostrou significativo, evidenciando que
empresas com maiores níveis de detenção de caixa se envolvem em um maior nível de
agressividade tributária. Essa evidência pode ser explicada pelo fato de que empresas com
reservas de caixa têm a tendência de preferir investir em ativos que geram deduções fiscais, em
vez de pagar tributos sem nenhuma tentativa de reduzi-los. Este achado está em linha com
estudos anteriores (Dhaliwal et al., 2012; J. V. M. Gomes et al., 2022; Kubick et al., 2015).
A variável Covid se mostrou positiva e significativa, sugerindo que a pandemia
impulsionou o aumento da agressividade tributária das empresas brasileiras. Esse resultado
corrobora a teoria de que a crise impactou o desempenho da empresa, incentivando-as a adotar
estratégias mais agressivas para reduzir carga tributária (Avelar et al., 2021; Silva Junior et al.,
2022).
4.3 Análises adicionais
Para dar mais robustez aos resultados do estudo, os procedimentos estatísticos dos
modelos e testes anteriores foram mantidos, e foi testada uma regressão múltipla com modelo
quantílico. Além disso, adicionou-se a variável ETR, Effective Tax Rate, como variável
dependente. Esse modelo de regressão possui menos restrições aos pressupostos de

10
normalidade dos resíduos, linearidades dos quantis, independência dos resíduos e ausência de
multicolinearidade.
Tabela 7 - Resultado do teste de robustez
BTD ETR
0.25 0.50 0.75 0.25 0.50 0.75
ROA 0,0000 *** 0,0000 *** 0,00000 *** 0,0000 *** 0,0000 *** 0,0000 ***
(0,0065) (0,0067) (0,0117) (0,0715) (0,0506) (0,0419)
ROE 0,7376 0,2759 0,24300 0,4117 0,0610 * 0,0645 *
(0,0025) (0,0014) (0,0009) (0,0048) (0,0036) (0,0011)
TAM 0,0000 *** 0,0024 *** 0,15074 0,6721 0,1625 0,6683
(0,0007) (0,0005) (0,0005) (0,0046) (0,0033) (0,0030)
ALAV 0,0002 *** 0,0029 *** 0,12390 0,0503 * 0,0000 *** 0,0183 **
(0,0062) (0,0047) (0,0057) (0,0422) (0,0264) (0,0284)
PPE 0,3213 0,4268 0,02767 ** 0,0001 *** 0,0000 ** 0,0163 **
(0,0001) (0,0000) (0,0000) (0,0003) (0,0002) (0,0002)
INTAN 0,0006 *** 0,0000 *** 0,08246 * 0,0000 *** 0,0000 *** 0,0000 ***
(0,0068) (0,0054) (0,0066) (0,0304) (0,0288) (0,0392)
FCF 0,0000 *** 0,0001 *** 0,35607 0,9472 0,4613 0,0240 **
(0,0109) (0,0091) (0,0112) (0,0896) (0,0592) (0,0674)
BIG4 0,2224 0,6957 0,91398 0,3042 0,0401 ** 0,8887
(0,0029) (0,0017) (0,0030) (0,0171) (0,0141) (0,0153)
COVID 0,3357 0,3694 0,27948 0,0526 * 0,0418 ** 0,0081 ***
(0,0024) (0,0018) (0,0024) (0,0161) (0,0112) (0,0122)
Fonte: dados da pesquisa. Elaborada pelos autores (2023).
Notas: i) erros padrão entre parêntese; ii) *** p<0.01, ** p<0.05, * p<0.1.

A variável ROA tem relação significativa com o BTD e a ETR em todos os quartis,
indicando um efeito da rentabilidade na agressividade tributária. Deste modo, pressupõe-se que
as empresas rentáveis tendem a ter comportamentos tributariamente agressivos para pagar
menos tributos, conforme sugerido pela literatura (Alencastre et al., 2018; Ayem & Setyadi, 2019;
A. R. V. Gomes & Mello, 2022; Santini & Indrayani, 2020; Vintilă et al., 2018; Wibowo et al., 2023).
O ROE não tem relação significativa com o BTD, mas influencia o ETR nos quartis mais
elevados, corroborando que quanto maior a rentabilidade, mais agressiva tributariamente é a
firma.
No modelo que tem o BTD como variável dependente, há uma relação positiva e
significativa com as variáveis tamanho, alavancagem, intangibilidade do capital e fluxo de caixa
livre. Isso indica que empresas maiores, mais alavancadas, com maior investimento em ativos
intangíveis e maior fluxo de caixa livre tendem a ser mais agressivas (Ayem & Setyadi, 2019;
Kubick et al., 2015; Mocanu et al., 2021). Entretanto, no modelo que tem o ETR como variável
dependente, observa-se uma relação positiva e significativa com todas as variáveis analisadas,
exceto tamanho. Isso sugere que a alavancagem, intensidade do capital, investimento em
intangíveis, fluxo de caixa livre, auditoria pelas Big Four e o período da pandemia têm um
impacto significativo na agressividade tributária das organizações. Em geral, os resultados
dessa análise adicional corroboram com os achados dos testes primários e traz robustez e
consistência aos resultados confirmando a hipótese desta pesquisa, visto que em ambos os
11
testes, os resultados evidenciam que as empresas que possuem rentabilidade alta tendem a terem
comportamentos mais agressivos em termos tributários.
5 Considerações Finais
O objetivo foi analisar a influência da rentabilidade na agressividade tributária das
empresas, de maneira a verificar se é um fator diferencial para determinar o comportamento
empresarial tributariamente agressivo. Assim, alcançando-se a finalidade proposta, com base
nas evidências obtidas por meio das análises estatísticas, pode-se concluir que a rentabilidade
influência de forma significativa a agressividade tributária das empresas brasileiras de capital
aberto listadas na B3. Portanto, responde-se ao problema deste estudo.
Além disso, as evidências contribuem com a literatura ao trazer para o campo teórico e
prático a discussão a respeito de uma temática relevante para as companhias, tendo em vista
que, no cenário brasileiro, existe uma preocupação em relação as questões tributárias,
principalmente pelo contexto de legislação fiscal complexa e carga tributária alta como é no
Brasil. Então, conhecer o que pode influenciar no comportamento fiscal das empresas pode
contribuir com as decisões das empresas e dos profissionais que atuam na área tributária. Visto
que podem agir com mais informações na tentativa de diminuir os custos tributário sem infringir
a legislação fiscal.
Os resultados se limitam a empresas de capital aberto listadas na B3 e aos anos
pesquisados e, por essa razão, não devem ser generalizados. A análise da agressividade
tributária limitou-se a uma única métrica, realizada em relação aos tributos sobre o lucro, não
considerando os tributos sobre o consumo. Dessa forma, sugere-se que pesquisas futuras
abordem a agressividade tributária em outras empresas, ampliando a amostra para empresas de
capital fechado. Pode-se realizar mais buscas, com outras métricas, utilizando-se proxies
diferentes de agressividade tributária. Além disso, recomenda-se inserir novas variáveis que
possam contribuir com a análise da influência da rentabilidade na agressividade tributária das
empresas. Também é possível avaliá-los por setor, na tentativa de fazer comparações e verificar
quais são os mais agressivos tributariamente.

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