Processual Penal – Os Meios de Obtenção e
Produção de Provas
Conclusão, arquivamento e trancamento do inquérito policial
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Nesta webaula esclareceremos os principais motivos para arquivar um inquérito policial e, em seguida,
conheceremos o procedimento de arquivamento.
Arquivamento do inquérito policial
Caso sejam realizadas todas as diligências possíveis e o Ministério Público entender que não é caso de
oferecimento da denúncia por ausência de indícios suficientes de autoria e prova da materialidade do crime,
deverá ser realizado pedido de arquivamento do inquérito policial. Não há, no Código de Processo Penal, previsão
específica das hipóteses de arquivamento do inquérito, no entanto deve ser feita uma interpretação extensiva dos
arts. 395 e 397 do Código de Processo Penal, que tratam, respectivamente, das hipóteses de rejeição da denúncia
e de absolvição sumária do acusado e aplicá-los em face da omissão do legislador.
O arquivamento do inquérito policial pode produzir dois efeitos:
Formação de coisa julgada formal
No caso de ausência de pressuposto processual ou condições da ação penal, como são matérias que
antecedem o mérito da ação penal, uma vez suprida a ausência que sustentou o arquivamento, há formação
apenas de coisa julgada forma, o que permite o oferecimento da ação penal, desde que respeitado o prazo
decadencial e/ou prescricional.
Uma vez arquivado o inquérito policial com base no fundamento de ausência de justa causa, o arquivamento
do inquérito também faz coisa julgada formal, o que não impede a sua reabertura, se houver o surgimento
de prova nova, até então desconhecida, que revele os indícios suficientes de autoria e/ou materialidade da
infração.
Formação de coisa julgada material
Na hipótese de o Ministério Público requerer o arquivamento do inquérito com base na atipicidade ou
inexistência do crime, a decisão que homologa o arquivamento faz coisa julgada material, impedindo nova
investigação ou rediscussão dos fatos.
Se o fundamento do arquivamento do inquérito policial for a existência manifesta de causa excludente de
ilicitude, a decisão que o homologa faz coisa julgada material. Entretanto, o tema não é pacífico nos tribunais
superiores e há divergência jurisprudencial sobre ele. Segundo o Superior Tribunal de Justiça entende, a
decisão exige um juízo de certeza, o que impediria a rediscussão dos fatos em nova ação penal, o que leva à
formação de coisa julgada material, conforme Recurso Especial nº 791.471/RJ.
Procedimento para arquivar um inquérito policial
O procedimento de arquivamento deverá ser analisado com base na redação antiga do art. 28 do Código de
Processo Penal, uma vez que a atual redação, modificada pela Lei nº 13.964/2019, se encontra com eficácia
suspensa. O procedimento de arquivamento do inquérito policial é construído a partir de um consenso entre o
Ministério Público e o juiz
O Ministério Público, entendendo ser o caso de arquivamento do inquérito policial, deve requerer ao juiz, o qual,
por sua vez, deverá homologar o pedido de arquivamento. Registra-se que o juiz não possui legitimidade para
arquivar o inquérito policial de ofício, sob pena de violação das regras do sistema acusatório.
Juiz
Fonte: Shutterstock.
No caso de o juiz não concordar com o requerimento de arquivamento feito pelo Ministério Público, a providência
a ser tomada dependerá de onde o procedimento tramita. Perante o juiz singular estadual, aplica-se o
procedimento previsto no art. 28 do Código de Processo Penal, no qual os autos deverão ser encaminhados para o
Procurador-Geral de Justiça, que poderá oferecer denúncia, designar outro promotor para oferecer denúncia
(neste caso, o promotor designado é obrigado a oferecer a denúncia) ou reiterar o pedido de arquivamento,
hipótese em que o juiz está obrigado a seguir a decisão.
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Para finalizar, é importante enfatizar que os efeitos do arquivamento de um inquérito policial podem influenciar
nas hipóteses de um desarquivamento. Assim, estudar as hipóteses iniciais de um arquivamentos de inquérito
policial é muito importante.
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