Processual Penal – Os Meios de Obtenção e
Produção de Provas
Das provas em espécie
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O direito processual penal admite inúmeros meios de prova, sendo: a prova pericial, interrogatório do acusado,
confissão, perguntas ao ofendido, testemunhas, documentos, acareações, reconhecimento de pessoas e coisas e
interceptação telefônica.
A prova pericial é uma prova técnica, uma vez que pretende evidenciar a existência de fatos em que a certeza, nos
termos do Código de Processo Penal, somente seria possível a partir de conhecimentos científicos.
A realização da prova pericial deverá ocorrer sempre que a infração penal deixar vestígios; e se manifesta por
meio do exame de corpo de delito, o qual não pode ser suprido nem mesmo pela confissão do acusado, sob
pena de nulidade.
Em relação à prova pericial, é possível que o Ministério Público, o assistente da acusação, o ofendido, o querelante
e o acusado formulem quesitos e indiquem assistentes técnicos.
Sobre os quesitos, as partes podem requerer a oitiva dos peritos em audiência de instrução e julgamento, a fim de
informarem dados sobre o exame pericial realizado e responder tais quesitos — desde que intimados com dez
dias de antecedência, recebendo os quesitos ou questões previamente (BRASIL, 1941).
O interrogatório do acusado, previsto nos arts. 185 a 196 do Código de Processo Penal, consiste na oportunidade
para que ele possa apresentar a sua versão dos fatos narrados na denúncia ou queixa-crime, perante o juiz, em
exercício da autodefesa (BRASIL, 1941).
É um ato personalíssimo, judicial, disponível e espontâneo. É personalíssimo, pois apenas o acusado pode prestar
o seu depoimento em juízo, e não há a possibilidade de que seja realizado por interposta pessoa.
Judicial, pois deve ser realizado perante um juiz; razão pela qual a oportunidade em que o investigado é
ouvido na esfera policial não pode ser chamada de interrogatório — já que é realizada perante a autoridade
policial e não se verifica a presença dos direitos e garantias fundamentais, porque tem natureza inquisitiva.
Assimile
A confissão é o reconhecimento pelo acusado dos fatos narrados na denúncia ou queixa. É um ato divisível,
retratável, informal, expresso, pessoal, voluntário e judicial. É divisível, pois o juiz pode considerar apenas parte
dela, desde que não implique em uma versão incoerente dos fatos. Retratável, porque o acusado pode retificá-la a
qualquer momento. Informal, uma vez que não há uma forma específica para realização. Expressa, pois não há
confissão ficta no processo penal. Pessoal, tendo em vista que não pode ser realizada por interposta pessoa.
Interceptação telefônica é o ato de captar a comunicação alheia, a fim de saber seu conteúdo. Necessariamente
pressupõe a presença de um terceiro, que passa a tomar conhecimento da comunicação. Não se confunde com
escuta nem gravação telefônica, atos estes realizados com o conhecimento de um dos interlocutores.
No primeiro, um dos interlocutores possui conhecimento da presença de um terceiro; enquanto na segunda,
a captação é feita diretamente por um dos comunicadores, sem a intervenção de um terceiro.
A interceptação telefônica como meio de prova está disciplinada pela Lei nº 9.296/1996, que abrange também a
escuta telefônica e captação ambiental. Não estão incluídas na referida lei a gravação telefônica, interceptação
ambiental, escuta ambiental e gravação ambiental.
Por se tratar de uma medida extremamente invasiva, uma vez que se relaciona à intimidade e privacidade dos
indivíduos. Será decretada apenas em situações excepcionais, quando presentes os requisitos legais — como
prévia autorização judicial devidamente fundamentada, fumus comissi delict e periculum libertatis —, com pena
de reclusão pela infração.
Ademais, a decretação pressupõe que seja demonstrada a presença de seus requisitos; hipótese na qual a medida
não poderá ser realizada a partir do conhecimento de suposta infração por meio do serviço de disque-denúncia,
sem que tenha havido atos de investigação prévia para confirmar a denúncia realizada anonimamente.
Encerramos o primeiro ciclo de estudos do direito processual penal! Espero que de algum modo tenha
contribuído para sua formação e que os assuntos tratados neste livro didático sejam importantes para sua
vida acadêmica e profissional. Mantenha-se firme nos estudos! Vemo-nos em oportunidades futuras!
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