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Imputabilidade Penal e Inimputabilidade

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IMPUTABILIDADE PENAL

* Luciano Ribeiro Pereira


** Vânia Maria Bemfica Guimarães Pinto Coelho 1

Resumo

A imputabilidade é um dos elementos da culpabilidade. É um juízo de reprovação que se faz


ao sujeito do crime pelo seu comportamento contrário à lei.

Palavras-chave: inimputabilidade, impunidade, o Estatuto da Criança e do Adolescente

1. Introdução

Afinal, a solução no combate a criminalidade, em especial nos grandes


centros urbanos, passa pela redução da idade pela imputabilidade penal, hoje fixada
em 18 anos? Alguns setores dão tanta ênfase a esta proposta que induzem a
opinião pública a crer que seria a solução mágica na problemática da segurança
pública, capaz de devolver a paz social tão almeja por todos.O principal argumento é
que cada vez mais adultos se servem de adolescentes nas suas ações criminosas, e
que isso impede a efetiva e eficaz ação policial.

2. Desenvolvimento:

Só o inimputável não responde criminalmente pelo que faz, por não dispor de
sua vontade consciente. È por isso mesmo que imputabilidade se confunde com a
culpabilidade e com a responsabilidade.

O art. 26, caput, do Código Penal Brasileiro trata da inimputabilidade penal


por doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado.

Inimputável é o agente que por doença mental ou desenvolvimento mental


incompleto ou retardado, não possui, ao tempo da prática do fato, capacidade de
entender seu caráter ilícito ou de determinar-se de acordo com esse entendimento.

*
Acadêmico do Curso de Direito da Faculdade de Direito de Varginha.
**Professora titular da cadeira de Direito Processual Penal da Faculdade de Direito de Varginha.
De acordo com o art. 27, os menores de 18 anos de idade são “penalmente
inimputáveis, ficando sujeitos às normas estabelecidas na legislação especial”. A
menoridade penal constitui causa de exclusão da imputabilidade, encontrado-se
abrangida pela expressão “desenvolvimento mental incompleto” (art. 26, caput).
Trata-se de uma presunção absoluta de inimputabilidade que faz com que o menor
seja considerado como tendo desenvolvimento mental incompleto em decorrência de
um critério de política criminal. Assim, implicitamente, a lei estabelece que um menor
de 18 anos não é capaz de entender as normas da vida social e de agir conforme
esse entendimento. É considerado imputável aquele que comete o fato típico aos
primeiros momentos do dia em que completa 18 anos, pouco importando a hora
exata do nascimento.

Não se pode negar que o jovem de 16 ou 17 anos, de qualquer meio social,


tem hoje amplo conhecimento do mundo e condições de discernimento sobre a
ilicitude de seus atos. Entretanto, a redução do limite de idade no direito penal
representaria um retrocesso na política penal e penitenciária brasileira e criaria a
promiscuidade dos jovens com delinqüentes costumazes.

A idade de 18 anos é um limite razoável de tolerância recomendado pelo


Seminário Europeu da Assistência Social das Nações Unidas,de 1949, em Paris.

Impunidade é segundo o Novo Dicionário Aurélio, “impunidade é o estado de


(ser) impune”, ou seja, que escapa ou escapou à punição, que não é ou foi
castigado.

O adolescente com menos de dezoito anos é inimputável mas não impune,


pois é responsabilizado por seus atos e responde por ele conforme o Estatuto da
Criança e do Adolescente eu seu capítulo de medidas sócio-educativas. As medidas
sócio-educativas, semelhantes as penas criminais, se dividem em: a advertência, a
liberdade assistida, a semiliberdade (para caso de infrações consideradas leves ou
médias) e internação por períodos de até três anos (em casos de infrações graves).
O que tem faltado é vontade de aplicar as leis.

Adultos, crianças e adolescentes, sendo pessoas desiguais, não podem ser


tratadas de maneira igual.

O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) no momento em que se


completou 17 (dezessete) anos, se constatam algumas situações ainda inusitadas,
quais sejam, o desconhecimento e a não aplicação da lei que foi criada com intuito
de garantir um mínimo às crianças e adolescentes e para o que se teve de
estabelecer como prioridade absoluta e integral o atendimento de suas
necessidades de saúde, educação, lazer, família, cultura (art. 227, “caput”, da
Constituição Federal e art. 4º, parágrafo único, do Estatuto da Criança e do
Adolescente – ECA).; não se conseguiu implantar as políticas básicas de
atendimento às crianças, adolescentes e suas famílias; não se reconheceu a
necessidade de uma intervenção positiva na realidade social para mudança no
presente contexto, cada vez mais decadente e individualista; e, principalmente, os
que são responsáveis por garantir os direitos básicos das crianças e adolescentes,
na grande maioria, não sabem o que fazer, o quanto fazer, o porque fazer, para
quem fazer, e os demais, não responsáveis, não sabem porque, mas criticam e
afirmam que a lei (ECA) apenas estabeleceu direitos às crianças e adolescentes,
afirmando ser ela a responsável pelo aumento da evasão escolar, pelo uso de
drogas, pela prostituição, pela criminalidade.

3. Conclusão

Através de todo o exposto, concluímos que a inimputabilidade apenas impede


o menor de se sujeitar ao procedimento criminal comum, com aplicação de penas,
não significando, porém, que o mesmo é irresponsável por seus atos, uma vez que
existe uma legislação especial, sujeitando-o a aplicação de normas sócio-
educativas, entre elas, até mesmo, a de privação de liberdade com a internação. O
problema é que o Estado não se empenha a se aparelhar para se tornar eficaz as
medidas sócio-educativas do Estatuto da Criança e do Adolescente.

4. Referências bibliográficas

BEMFICA, Francisco Vani, Programa de Direito Penal, Editora Forense, 1º volume.

ECA – Estatuto da Criança e do Adolescente, Editora Saraiva .

JESUS, Damásio E. de, Direito Penal, Editora Saraiva, 1º volume.

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