ESQUECIMENTO (CARLOS JOSÉ MEDELLÍN FORERO) Ninguém rebaixe a lágrima ou reproche
esta declaração da mestria
de Deus, que com magnífica ironia
Esqueci seu nome,
não me lembro se você se chamava luz ou trepadeira,
me deu ao mesmo tempo os livros e a noite.
mas sei que eras água
porque minhas mãos tremem quando chove.
Esqueci seu rosto e seu cílio
e sua pele pela minha boca transitada (continuação...)
quando caímos sob os ciprestes Desta cidade de livros fez donos
vencidos pelo vento,
a uns olhos sem luz, que só podem
mas eu sei que eras lua
ler nas bibliotecas dos sonhos
porque quando a noite se aproxima
se me rompem os olhos os parágrafos insensatos que cedem
de tanto querer te ver na janela.
Esqueci a sua voz, e a sua palavra, as albas a seu afã. Em vão o dia
mas sei que você é música eles prodigalizam seus livros infinitos,
porque quando as horas se dissolvem arduos como os árduos manuscritos
entre os mananciais do sangue que pereceram em Alexandria.
meu coração te canta.
De fome e de sede (narra uma história grega)
O AMEAÇADO (JORGE LUIS BORGES) morre um rei entre fontes e jardins;
eu fatigo sem rumo os confins
É o amor. Terei que me ocultar ou fugir. desta alta e profunda biblioteca cega.
Crescem os muros de sua prisão, como em um sonho
atroz. Enciclopédias, atlas, o Oriente
A bela máscara mudou, mas como e o Ocidente, séculos, dinastias,
sempre é a única. símbolos, cosmos e cosmogonias
De que me servirão meus talismãs: o exercício de brindam os muros, mas inutilmente.
as letras
a vaga erudição, o aprendizado das palavras Lento na minha sombra, a penumbra vazia
que usou o áspero Norte para cantar seus mares e exploro com o báculo indeciso,
suas espadas, eu, que me figurava o Paraíso
a serena amizade, as galerias da biblioteca, as sob a espécie de uma biblioteca.
coisas comuns
os hábitos, o jovem amor da minha mãe, a sombra Algo que certamente não se nomeia
militar de meus mortos, a noite intemporal, o com a palavra azar, rege estas coisas;
sabor do sonho? outro já recebeu em outras borradas
Estar contigo ou não estar contigo é a medida do meu tardes os muitos livros e a sombra.
tempo.
Já o cântaro se quebra sobre a fonte, já o Ao errar pelas lentas galerias
homem se costumo sentir com vago horror sagrado
levanta a voz do pássaro, já se escureceram os que sou o outro, o morto, que terá dado
que olham pelas janelas, mas a sombra não os mesmos passos nos mesmos dias.
traído a paz.
Sim, eu sei, o amor: a ansiedade e o alívio de ouvir Qual dos dois escreve este poema
tua voz, a espera e a memória, o horror de viver em de um eu plural e de uma única sombra?
o sucessivo. Que importa a palavra que me nomeia
É o amor com suas mitologias, com suas pequenas se é indivisível e um o anátema?
magias inúteis.
Há uma esquina pela qual não me atrevo a passar. Groussac ou Borges, miro este querido
Já os exércitos me cercam, as hordas. mundo que se deforma e que se apaga
(Esta sala é irreal; ela não a viu.) em uma pálida cinza vaga
O nome de uma mulher me delata. que se parece ao sonho e ao esquecimento.
Dói-me uma mulher em todo o corpo.
BEM-VINDA (MARIO BENEDETTI)
POEMA DOS DONS (JORGE LUIS BORGES)
Se me ocorre que você vai chegar diferente
não exatamente mais linda teus olhos são meu feitiço
nem mais forte contra a má jornada
nem mais dócil eu te quero pelo teu olhar
nem mais cauta que mira e semeia futuro
tan solo que vas a llegar distinta
como se esta temporada de não me ver tua boca que é tua e minha
te teria surpreendido a você também tua boca não se engana
talvez porque você saiba te quero porque a tua boca
como te penso e te enumero sabe gritar rebeldia
depois de tudo, a nostalgia existe se eu te quero é porque você é
embora não choramos nas plataformas fantasmagóricas meu amor, meu cúmplice e tudo
e na rua lado a lado
somos muito mais que dois
(continuação...)
nem sobre os travesseiros de candura
e pelo teu rosto sincero
e teu passo vagabundo
nem sob o céu opaco
e o seu pranto pelo mundo
porque você é povo eu te quero
yo nostalgio
tu nostalgias
E como me irrita que ele sinta saudade
(continuação...)
teu rosto é a vanguarda e porque o amor não é auréola
talvez chegue primeiro ni cándida moraleja
porque o pintou nas paredes e porque somos um casal
com traços invisíveis e seguros que sabe que não está sozinha
não se esqueça de que seu rosto te quero no meu paraíso
me olha como povo ou seja, que no meu país
sorria e rage e cante as pessoas vivem felizes
como povo embora não tenha permissão
e isso te dá uma chama
inapagável se eu te quero é porque você é
agora não tenho dúvidas meu amor, meu cúmplice e tudo
você vai chegar diferente e com sinais e na rua lado a lado
com novas somos muito mais que dois.
com hondura
com franqueza
FAÇAMOS UM ACORDO (MARIO BENEDETTI)
sei que vou te amar sem perguntas
sei que você vai me querer sem respostas. Companheira
você sabe
pode contar
comigo
não até dois
EU TE QUERO (MARIO BENEDETTI) ou até dez
senão contar
Suas mãos são meu carinho comigo
meus acordes quotidianos
te quero porque suas mãos se algum dia
trabalham pela justiça avisa
que a olho nela
se eu te quero é porque você é
e uma veia de amor
meu amor, meu cúmplice e tudo
reconhece nos meus
e na rua ombro a ombro não alerte seus fusíveis
somos muito mais do que dois
não pense que é delírio
apesar da veia
ou talvez porque existe A SOLAS (ISMAEL ENRIQUE)
você pode contar
comigo Você quer que a gente converse?... Tudo bem... comece:
se outras vezes Fala ao meu coração como em outros dias...
me encontra Mas não!... O que você diria?
huraño sem motivo O que você poderia dizer à minha tristeza?
não pense que preguiça Não tente se desculpar... tudo é vã!
igual pode contar Já morreram as rosas no jardim;
comigo o campo verde secou no verão,
e minha fé em ti, como meu amor, morreu.
mas vamos fazer um acordo
Amor arrependido,
eu gostaria de contar
ave que você quer voltar ao ninho
com você ao atravessá-los pela geada e neblinas;
é tão lindo amor que vens aterido e yerto,
saber que você existe onde você foi feliz... tudo já morreu!
um se sente vivo Não volte... Tudo você encontrará em ruínas!
e quando digo isso
quero dizer contar A que vieste? Para que voltaste?
apesar de ser até dois O que você procura?... Ninguém vai te responder!
embora seja até cinco Está só minha alma, e estou triste,
não já para que acuda imensamente triste até a morte.
presurosa em meu auxílio Todas as ilusões que te amaram,
as que quiseram compartilhar sua sorte,
sino para saber
muito tempo na sombra te esperaram,
a ciência certa
e foram embora... cansadas de não te ver!
que você sabe que pode
contar comigo. Quando pela primeira vez
no meu caminho te encontrei, ria
13 DE POEMAS DE AMOR (DARIO JARAMILLO)
nos campos a alegre primavera...
Primeiro está a solidão. toda essa luz, aromas e harmonia.
Nas entranhas e no centro da alma:
esta é a essência, o dado básico, a única certeza; Hoje... tudo tão diferente! Passo a passo
que somente sua respiração te acompanha, e só vou pela estrada deserta.
que sempre dançarás com tua sombra, Nave sem rumo entre revoltas ondas
que essa tiniebla és tu. pensando nas tristezas do ocaso,
e nas tristezas das almas solitárias.
Teu coração, esse fruto perplexo, não tem que Em torno a mirada não columbra
agriar-se com seu sino solitário; sino aspereza e páramos sombrios;
deixe-o esperar sem esperança os ninhos na neve estão vazios,
que o amor é um presente que algum dia chega por si e a estrela que amamos já não brilha
solo. o azul dos teus sonhos e os meus.
Partiste para ignota lontananza
Mas primeiro vem a solidão, quando começava a descer a sombra.
e você está sozinho,
...Você se lembra? Eu implorava minha esperança,
tu estás sozinho com teu pecado original -contigo
mas já minha esperança não te nomeia!
mesmo-.
Acaso uma noite, às nove, Não deve te nomear!... Para que?... Vazia
o amor aparece e tudo explode e algo se ilumina está o ara, e a história jaz truncada.
dentro de ti, Já para que esperar que irradie o dia!
e você se torna outro, menos amargo, mais feliz;
Já para que nos dizer: Ainda!
mas não se esqueça, especialmente então, Se uma voz grita em nossas almas: Nunca!
quando o amor chegar e te calcinar,
que primeiro e sempre está a sua solidão
Dizes que és a mesma; que no teu peito
e depois nada a doce chama de outros tempos arde;
que o ninho do amor não está desfeito,
e depois, se tiver que chegar, está o amor.
que para amarmos outra vez, não é tarde.
E, já vê, da longa viagem
Você se engana!... Não acredite!... Já a dúvida regressei mais puro e mais forte,
lançou no meu coração raízes profundas. porque dormi a noite toda
Já a fé de outros anos não me escuda... nos joelhos da morte.
Quedou de sonhos minha ilusão nua,
E eu não posso acreditar no que você me diz! Porque eu olhava em seus olhos
um céu de coisas passadas,
Não posso acreditar!... Minha fé zombada, como na alma das grutas
minha fé em seu amor perdida se vê cidades encantadas.
é ânsia de uma nave destroçada,
âncora no fundo do mar caído! E porque vi a tua clara imagem,
entre um nimbo de luz serena,
Anseios de um amor, castos e sorridentes, como jamais, a olhos mortais,
nunca mais voltarão... Eles estão indo... Estão se escondendo! apareceu uma visão terrena.
Você os chama?... É inútil!... Eles não respondem...
Já os cobre o sudário dos meus sonhos! Voltar a te ver era um escuro
pressentimento que eu tinha
Faz tempo que a primavera se foi... de hallarte ajena, e no obstante
Chegou o inverno, fúnebre e sombrio! continuar acreditando que eras minha.
Ave foi nosso amor, ave viajante,
e as aves vão embora quando faz frio!
VOLVER A VERTE (RAFAEL MAYA) REGRAS DO JOGO PARA OS HOMENS QUE
QUEIRAM AMAR AS MULHERES MULHERES
Voltar a te ver não era apenas GIOCONDA BELLI
um leve e constante empenho,
sino anudar, dentro da alma, Eu
o fio quebrado do devaneio. O homem que me ame
deverá saber descorrer as cortinas da pele,
Voltar a te ver era uma escuridão
encontrar a profundidade dos meus olhos
pressentimento que tinha
e conhecer a que aninha em mim,
de hallarte alheia, e no entanto a andorinha
continuar acreditando que eras minha.
transparente da ternura.
Voltar a vê-lo era o milagre II
de uma doce convalescença
O homem que me ame
quando tudo, à alma nua,
não quer me possuir como uma mercadoria,
volta mais belo da ausência.
não me exibir como um troféu de caça,
saberá estar ao meu lado
Voltar a te ver, após a noite
com o mesmo amor
impenetrável do abismo,
com que eu estarei ao seu lado.
era encontrar em seus olhos uma
imagem velha de mim mesmo. III
O amor do homem que me ama
E encontrar, no profundo passado,
será forte como as árvores de ceibo,
dias mais belos e melhores,
protetor e seguro como eles,
como essa carta em cujos dobraduras
limpo como uma manhã de dezembro.
se conservam algumas flores.
IV
Voltar a te ver era me mostrar
O homem que me ame
a pena que está congelada,
não duvidará do meu sorriso
como bruma de tarde hermosa,
não temerá a abundância do meu cabelo
no azul do teu olhar.
respeitará a tristeza, o silêncio separados
e com carícias tocará meu ventre como guitarra como seres de distinta estatura
para que brote música e alegria
XI
desde o fundo do meu corpo.
O amor do meu homem
V
não quer me rotular ou etiquetar,
O homem que me amar me dará ar em, espaço,
poderá encontrar em mim alimento para crescer e ser melhor,
a rede para descansar como uma Revolução
o pesado fardo de suas preocupações que faz de cada dia
a amiga com quem compartilhar seus íntimos segredos, o começo de uma nova vitória.
o lago onde flutuar
sem medo de que a âncora do compromisso
não a impeça de voar quando ela quiser ser pássaro.
VI OS HERALDOS NEGROS (CESAR VALLEJO)
O homem que me ame
Há golpes na vida, tão fortes... Eu não sei!
fará poesia com sua vida,
Golpes como o ódio de Deus; como se diante deles,
construindo a cada dia a ressaca de tudo o que foi sofrido
com o olhar voltado para o futuro.
se alojará na alma… ¡Eu não sei!
VII
Acima de todas as coisas, São poucos; mas são... Abrem valas escuras
o homem que me ame no rosto mais feroz e no lombo mais forte.
deverá amar o povo Serão talvez os potros dos bárbaros Atila;
não como uma palavra abstrata os heraldos negros que nos manda a Morte.
sacada da manga
sino como algo real, concreto,
São as quedas profundas dos Cristos da alma
(continuação...) de alguma fé adorável que o Destino blasfema.
Esses golpes sangrentos são as crepitações
de algum pão que na porta do forno nos
ante quem prestar homenagem com ações
queima.
e dar a vida se necessário.
VIII
E o homem... Pobre... !pobre! Volta os olhos,
O homem que me ame como
reconhecerá meu rosto na trincheira quando pelo ombro nos chama uma
rodilha no chão me amará palmada
enquanto os dois disparamos juntos volta os olhos loucos, e tudo o que foi vivido
contra o inimigo. se empoça, como charco de culpa, no olhar.
IX
O amor do meu homem Há golpes na vida, tão fortes... Eu não sei!
não conhecerá o medo da entrega,
não temerá se descobrir diante da magia do A PALAVRA (PABLO NERUDA)
apaixonamento
em uma praça pública cheia de multidões
Podem gritar —eu te amo— Tudo que você quiser, sim senhor, mas são as
ou fazer letreiros no topo dos edifícios palavras as que cantam, as que sobem e descem…
proclamando seu direito de sentir Me prosterno ante elas… As amo, as adiro, as
o mais belo e humano dos sentimentos. persigo, las muerdo, las derrito… Amo tanto as
palavras… As inesperadas… As que
X glotonamente se esperan, se escuchan, até que
O amor do meu homem de pronto caem… Vocablos amados… Brilham como
não se esconderá nas cozinhas
nos fraldas do filho,
(continuação...)
será como um vento fresco
levando-se entre nuvens de sonho e de passado
as fraquezas que, por séculos, nos mantiveram pedras coloridas, pulam como peixes platinados,
son espuma, hilo, metal, rocío… Persigo algumas
palavras… São tão bonitas que quero colocá-las Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe.
todas no meu poema… Eu as agarro no ar, quando Minha alma não se contenta em tê-la perdido.
vão zumbindo, e eu as prendo, as limpo, as descasco, Como para acercá-la, meu olhar a busca.
me preparo frente ao prato, as sinto cristalinas, Meu coração a busca, e ela não está comigo.
vibrantes, ebúrneas, vegetais, oleosas, como A mesma noite que faz branquear os mesmos
frutas, como algas, como ágatas, como azeitonas… árvores.
E então as mexo, as agito, me as bebo, me (continuação...)
as zampo, as trituro, as emperejilo, as liberto…
Deixo-as como estalactites no meu poema, como Nós, os de antes, já não somos os
pedacinhos de madeira polida, como carvão, como mesmos.
restos de naufrágio, presentes da onda… Tudo está Já não a quero, é verdade, mas quanto a amei.
na palavra… Uma ideia inteira se muda porque Minha voz buscava o vento para tocar seu ouvido.
uma palavra se mudou de lugar, ou porque outra se De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos.
sentou-se como uma rainha dentro de uma frase que Sua voz, seu corpo claro. Seus olhos infinitos.
não a esperava e que lhe obedeceu... Têm sombra, Já não a quero, é verdade, mas talvez a queira.
transparência, peso, plumas, pelos, têm de tudo O amor é tão curto, e o esquecimento é tão longo.
o que foi se acrescentando de tanto rodar pelo Porque em noites como esta a tive entre minhas
río, de tanto transmigrar de pátria, de tanto ser braços
raízes... São antiquíssimas e recentíssimas... Vivem minha alma não se contenta em tê-la perdido.
no caixão escondido e na flor apenas Embora este seja a última dor que ela me causa,
começada… Que boa língua a minha, que boa e estes sejam os últimos versos que eu lhe escrevo.
língua herdamos dos conquistadores
torvos... Eles caminhavam com passos largos pela SONATINA (RUBÉN DARÍO)
tremendas cordilheiras, pelas Américas
encrespadas, buscando batatas, butifarras,
frijolitos, tabaco negro, ouro, milho, ovos fritos A princesa está triste... O que terá a princesa?
com aquele apetite voraz que nunca mais se viu Os suspiros escapam de sua boca de morango,
no mundo… Tudo se acabava, com religiões, que perdeu o riso, que perdeu a cor.
pirâmides, tribos, idolatrias iguais às que eles A princesa está pálida em sua cadeira de ouro,
traíam em suas grandes bolsas... Por onde passavam está mudo o teclado de sua chave sonora,
a terra ficou arrasada... Mas os bárbaros se e em um vaso, esquecida, desmaia uma flor.
caíam deles as botas, as barbas, os capacetes,
de ferraduras, como pedrinhas, as palavras O jardim povoou o triunfo dos pavões.
luminosas que se ficaram aqui Parlanchina, a dona diz coisas banais,
resplandecentes… o idioma. Saímos perdendo… e vestido de vermelho pirueta o bufão.
Saímos ganhando... Eles levaram o ouro e nos deixaram A princesa não ri, a princesa não sente;
o ouro… Levaram tudo e nos deixaram tudo… a princesa persegue pelo céu do Oriente
Nos deixaram as palavras a libélula vaga de uma vaga ilusão.
Pensa, acaso, no príncipe de Golconda ou de
China
ou no qual parou sua carruagem argentina
para ver em seus olhos a doçura da luz?
XX (PABLO NERUDA)
Ou no rei das ilhas das rosas fragrantes,
ou no qual é soberano dos claros diamantes,
Posso escrever os versos mais tristes esta noite. ou o dono orgulhoso das pérolas de Ormuz?
A noite está estrelada,
y tiritan, azules, los astros, a lo lejos. Ah!, a pobre princesa da boca de rosa
O vento da noite gira no céu e canta. quer ser andorinha, quer ser borboleta,
Posso escrever os versos mais tristes esta noite. ter asas leves, sob o céu voar;
Eu a quis, e às vezes ela também me quis. ir ao sol pela escada luminosa de um raio,
Em noites como esta, eu a tive em meus braços. saudar os lírios com os versos de maio
Eu a beijei tantas vezes sob o céu infinito. perder-se no vento sobre o trovão do mar.
Ela me amou, às vezes eu também a amava.
Como não ter amado seus grandes olhos fixos. Já não quer o palácio, nem a roca de prata,
Posso escrever os versos mais tristes esta noite. nem o falcão encantado, nem o bobo escarlate,
Pensar que não a tenho. Sentir que a perdi. nem os cisnes unânimes no lago de azul.
Oir a noite imensa, mais imensa sem ela. E as flores estão tristes pela flor da corte,
E o verso cai na alma como o orvalho no pasto. os jasmins do Oriente, os nelumbos do Norte,
Que importa que meu amor não pudesse guardá-la. do Ocidente as dálias e as rosas do Sul.
A noite está estrelada e ela não está comigo.
Pobrezinha princesa dos olhos azuis! Pois à sua contínua ternura
Está presa em seus ouros, está presa em seus tule, uma paixão violenta unia.
na jaula de mármore do palácio real; Em um peplo de gasa pura
o palácio soberbo que é vigiado pelos guardas, uma bacante se envolvia…
que custodian cem negros com suas cem alabardas,
um lebrel que não dorme e um dragão colossal. Em seus braços tomou meu sonho
e o embalou como a um bebê...
Oh, quem dera ser hipsípila que deixou a crisálida! E te matou, triste e pequeno,
(A princesa está triste. A princesa está pálida.) falto de luz, falto de fé…
Oh visão adorada de ouro, rosa e marfim!
Quem voará para a terra onde um príncipe existe,
Juventude, divino tesouro,
Você foi para não voltar!
(continuação…) Quando quero chorar, não choro...
(A princesa está pálida. A princesa está triste.) e às vezes eu choro sem querer…
mais brilhante que a alva, mais belo que abril!
Outra julgou que era minha boca
–Cala, cala, princesa –diz a fada madrinha–; o estojo de sua paixão;
em um cavalo, com asas, vem em direção a cá, e que me roeria, louca,
no cinto a espada e na mão o gavião, com seus dentes o coração.
o feliz cavaleiro que te adora sem te ver,
e que chega de longe, vencedor da Morte,
Colocando em um amor de excesso
a acender teus lábios com um beijo de amor.
a mira de sua vontade,
enquanto eram abraço e beijo
síntese da eternidade;
JUVENTUDE DIVINO TESOURO (RUBÉN DARÍO) e da nossa carne leve
imaginar sempre um Edên,
sem pensar que a Primavera
Juventude, divino tesouro, e a carne também acaba...
Você já está indo para não voltar!
Quando quero chorar, não choro Juventude, divino tesouro,
e às vezes choro sem querer Já estás indo para não voltar!
Quando quero chorar, não choro...
Plural tem sido a celeste e às vezes choro sem querer.
história do meu coração.
Era uma doce menina, E as demais! Em tantos
neste mundo de luto e aflição. climas, em tantas terras sempre são,
se não pretextos de minhas rimas
Ele olhava como a aurora pura; fantasmas do meu coração.
sorria como uma flor.
Era sua cabeleira escura Em vão procurei pela princesa
feita de noite e de dor. que estava triste de esperar.
A vida é dura. Amarga e pesa.
Eu era tímido como uma criança. Já não há princesa para cantar!
Ella, naturalmente, foi,
para meu amor feito de arminho, Mas apesar do tempo
Herodias e Salomé... terço, minha sede de amor não tem fim;
com o cabelo grisalho, me aproximo dos
Juventude, divino tesouro, rosais do jardim...
Você já está indo embora para não voltar!
Quando quero chorar, não choro... Juventude, divino tesouro,
e às vezes choro sem querer... Já estás indo para não voltar!
Quando eu quero chorar, eu não choro...
E mais consoladora e mais e às vezes choro sem querer...
lisonjeira e expressiva Mas é minha o Alba de ouro!
a outra foi mais sensitiva
que eu nunca pensei encontrar.
CENIZAS O que eu mais amava
E você por que eu era
Aquele que te amava mais.
A noite se estilhaçou de estrelas
me olhando alucinada Mas de nós dois
o ar exala ódio Você perde mais do que eu:
embelezado seu rosto Porque eu poderei amar outros
com música. Como eu te amava a ti,
Mas a você não te amarão
Pronto nós iremos Como eu te amava.
Arcano sonho
antepassado do meu sorriso BESOS (GABRIELA MISTRAL)
o mundo está demacrado
e há cadeado, mas não há chaves Há beijos que se pronunciam por si mesmos
e há pavor, mas não lágrimas. a sentença de amor condenatória,
há beijos que se dão com o olhar
O que farei comigo? há beijos que se dão com a memória.
Porque a Ti te devo o que sou Há beijos silenciosos, beijos nobres
há beijos enigmáticos, sinceros
Mas eu não tenho amanhã há beijos que se dão só as almas
Há beijos por proibidos, verdadeiros.
Porque a Ti te...
Há beijos que calcinam e que ferem,
A noite sofre. há beijos que arrebatam os sentidos,
há beijos misteriosos que deixaram
mil sonhos errantes e perdidos.
COMO LATAS DE CERVEJA (ERNESTO
CARDENAL Há beijos problemáticos que encerram
uma chave que ninguém decifrou,
como latas de cerveja vazias e bitucas há beijos que engendram a tragédia
quantas rosas em botão desfizeram.
de cigarros apagados, têm sido meus dias.
Há beijos perfumados, beijos mornos
como figuras que passam por uma tela de que palpitan em íntimos anseios,
televisão há beijos que nos lábios deixam marcas
e desaparecem, assim tem sido minha vida. como um campo de sol entre dois gelos.
como os automóveis que passavam rápidos pela Há beijos que parecem açucenas
estradas por sublimes, ingênuos e por puros,
há beijos traiçoeiros e covardes,
com risadas de garotas e música de rádios... há beijos malditos e pérfidos.
e a beleza passou rápida, como o modelo dos
autos Judas beija Jesus e deixa impresso
em seu rosto de Deus, a felonia,
e as músicas das rádios que saem de moda. enquanto a Magdalena com seus beijos
fortifica piadosa sua agonia.
e não ficou nada daqueles dias, nada,
mais que latas vazias e bitucas apagadas, Desde então nos beijos palpita
o amor, a traição e as dores,
risos em fotos murchas, ingressos rasgados, nas bodas humanas se parecem
à brisa que brinca com as flores.
e o serragem com que ao amanhecer varreram os
bares. (continuação...)
AO PERDER-TE (ERNESTO CARDENAL) Há beijos que produzem desvarios
Ao te perder... de amorosa paixão ardente e louca,
tu os conhece bem, são beijos meus
inventados por mim, para a tua boca.
Ao perder-te eu a ti
Tu e eu perdemos:
Eu porque você era Beijos de chama que em rastro impresso
levam os sulcos de um amor vedado,
beijos de tempestade, beijos selvagens Callado, ao escurecer,
que só nossos lábios provaram. me chamou o coveiro;
nunca mais eu voltei a ver
Você se lembra do primeiro...? Indefinível; a que morreu de amor.
cobriu teu rosto de rubores carmesins
e nos espasmos de emoção terrível,
encheram-se de lágrimas seus olhos. VERSOS SENCILLOS (JOSÉ MARTÍ)
Você se lembra que uma tarde em um excesso louco Eu sou um homem sincero
te vi ciumento imaginando agravios, De onde cresce a palmeira.
te suspendi em meus braços... vibrou um beijo, E antes de morrer quero
e o que você viu depois...? Sangue nos meus lábios. Lançar meus versos da alma.
Eu te ensinei a beijar: os beijos frios Eu venho de todas as partes,
som de impassível coração de rocha, E para todas as partes vou:
eu te ensinei a beijar com beijos meus Arte sou entre as artes,
inventados por mim, para a sua boca. Nos montes, monte sou.
Eu sei os nomes estranhos
Das ervas e das flores,
A MENINA DE GUATEMALA E de mortais enganos,
E de sublimes dores.
Quero, à sombra de uma asa,
contar este conto em flor: Eu vi na noite escura
a menina da Guatemala Chover sobre minha cabeça
a que morreu de amor. Os raios de luz pura
Da divina beleza.
Eran de lirios los ramos;
e as orlas de reseda Lamentavelmente, nasci nos ombros
e de jasmim; a enterramos Das mulheres bonitas:
em uma caixa de seda... E sair dos escombros,
Voando as borboletas.
Ela deu ao desmemoriado
Eu vi um homem viver
uma almofada de cheiro;
Com a adaga ao lado,
ele voltou, voltou casado;
Sem nunca dizer o nome
ela morreu de amor.
Daquela que o matou.
Iban carregando-a em andas Rápida como um reflexo,
Bispos e embaixadores; DuAS VEZES VI A ALMA, DUAS:
atrás ia o povo em grupos, Quando o pobre velho morreu,
todo carregado de flores... Quando ela me disse adeus.
Ela, por voltar a vê-lo, Tremei uma vez - na grade,
saiu para vê-lo no mirante; À entrada da vinha,
ele voltou com sua mulher, Quando a bárbara abelha
ela morreu de amor. Picou na testa da minha menina.
Como de bronze candente, Gocé uma vez, de tal sorte
ao beijo de despedida, Que gocé qual nunca: quando
era sua frente -¡a frente (Continuação…)
o que mais amei na minha vida!...
Entrou à tarde no rio, A sentença da minha morte
a tirou morta o doutor; O prefeito leu chorando.
dizem que morreu de frio,
Eu sei que morreu de amor. Oigo um suspiro, através
Das terras e do mar,
Lá, na câmara gelada, E não é um suspiro.
ela foi colocada em dois bancos: Que meu filho vai acordar.
beije sua mão afiada,
Beije seus sapatos brancos.
Se dizem que do joalheiro Escreve-me os olhos, surpreende-me a boca, 1
Tome a joia melhor, Sustenta entre suas mãos esta cabeça louca; 2
Eu tomo um amigo sincero Dame a beber veneno, o malvado veneno 3
E coloco o amor de lado. Que te molha os lábios apesar de ser
bom. 4
Eu vi a águia ferida Mas não me pergunte, não me pergunte
Voar ao azul sereno, nada 5
E morrer em seu esconderijo
Do porquê eu chorei tanto na noite passada; 6
A víbora do veneno. As mulheres choramos sem saber, porque
Eu sei bem que quando o mundo sim: 7
Cede, lívido, ao descanso, É isto dos lamentos um trecho baládico. 8
Sobre o silêncio profundo Bem se vê que temos dentro um mar
Murmura o arroio manso. oculto, 9
Um mar um pouco torpe, ligeiramente
Eu coloquei a mão audaciosa estulto. 10
De horror e júbilo eerta, Que se asoma aos olhos com bastante
Sobre a estrela apagada frequência 11
Que caiu diante da minha porta. e até o manuseamos com uma dúctil
ciência. 12
Oculto em meu peito bravo Não pergunte, amado, você deve
A pena que me fere: suspeitar, 13
O filho de um povo escravo Na noite passada não estava quieto o
Viva por ele, cale-se e morra. mar, 14
Nada mais. Tempestades que as trazem e as
Tudo é belo e constante,
leva 15
Tudo é música e razão,
Um vento que nos marca a cada vez costa
E tudo, como o diamante,
nova. 16
Antes que luz é carvão.
Sim, fúteis borboletas sobre o jardim de
Eu sei que o teimoso se enterra Janeiro, 17
Com grande luxo e com grande choro, – Nosso interior é tudo sem equilíbrio e
E que não há fruta na terra huero. 18
Como a do cemitério. Luz de cristalería, fruto de carnaval 19
Decorado em escamas de serpentes do
Callo, e entendo, e me retiro mal. 20
A bomba do rimador: Assim somos, não é verdade? Já disse o
Cuelgo de um árvore murcha poeta. 21
Minha muceta de doutor. Mobilidade absurda de inconsciente
coqueta. 22
Desejamos e gostamos do mel de cada
HOMEM PEQUENITO (ALFONSINA STORNI) copa. 23
(continuação…)
Homem pequenito, homem pequenito,
Solete o seu canário que quer voar... E no cérebro há um pouco de
Eu sou o canário, homem pequenino, estopa. 24
deixe-me pular. Bem; não, não me pergunte. Dificuldade de
mulher, 25
Estive na sua jaula, homem pequenino, Capricho, amado meu, capricho deve
homem pequenino que gaiola me dás. ser. 26
Digo pequenininho porque você não me entende, Oh, deixe-me rir... Você não vê que tarde
nem me entenderás. linda? 27
Espete suas mãos e corte essa rosa.
Tampoco te entiendo, pero mientras tanto
abre-me a jaula que quero escapar;
homem pequenino, eu te amei meia hora, REDONDILLAS (SOR JUANA INÉS DE LA)
não me peça mais. CRUZ
Homens tolos que acusais
à mulher sem razão,
sem ver que sois a ocasião
CAPRICHO do mesmo que culpais:
se com ânsia sem igual da culpa que tendes?
solicita seu desdém, Queredlas qual as fazeis
por que vocês querem que façam o bem o façam como as buscais.
se vocês as incitarem ao mal?
(continuação…)
Combata sua resistência
e depois, com gravidade, Deixem de solicitar,
diz que foi leveza e depois, com mais razão,
o que fez a diligência. acusareis a afeição
da que vos for a rogar.
Parece querer o denodo
do vosso parecer louco Bem com muitas armas fundo
o menino que coloca o coco que lida com a vossa arrogância,
e depois ele tem medo. pois em promessa e instância
juntáis diabo, carne e mundo.
Quereis, com presunção tola,
encontrar a que buscas,
para pretendida, Thais, SONETO DE FIDELIDADE (VÍNICIUS DE MORAES)
e na posse, Lucrécia.
Acima de tudo, por meu amor estarei atento
Que humor pode ser mais estranho Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
que o que, falto de conselho, Que ainda diante do maior encanto
ele mesmo embaça o espelho, Dele se encanta mais meu pensamento.
e sente que não está claro?
Quero vivê-lo a cada momento vago
Com o favor e o desdém E em sua homenagem eu devo espalhar meu canto
têm condição igual, E rir minha riso e derramar meu choro
queixando-se, se forem mal tratados, A seu pesar ou a seu contento.
burlando-os, se os querem bem.
E assim, quando mais tarde me procurar
Quem sabe que morte, angustia de quem vive
Sempre tão tolos andais
Quem sabe que solidão, fim de quem ama
que, com nível desigual,
a uma culpáis por crüel Que possa eu me dizer sobre o amor (que tive):
e a outra por fácil culpáis. Que não seja imortal, já que é chama,
Mas que seja infinito enquanto dure.
Pois como deve estar morna
a que o vosso amor pretende,
se a ingrata ofende,
e a que é fácil, irrita?
ARTE POÉTICA (VICENTE HUIDOBRO)
Mas, entre o enfado e a pena
que o seu gosto se refere, Que o verso seja como uma chave
bem haja a que não vos quer Que abra mil portas.
e queixai-vos em boa hora. Uma folha cai; algo passa voando;
Quanto olham os olhos, criado seja,
Dão suas amadas penas E a alma do ouvinte fique tremendo.
suas liberdades asas,
e depois de fazê-las ruins Inventa novos mundos e cuida da tua palavra;
voces que vocês querem encontrar muito boas. O adjetivo, quando não dá vida, mata.
Estamos no ciclo dos nervos.
Qual a maior culpa que teve O músculo pendura,
em uma paixão errada: Como lembrança, nos museus;
a que cai de rogada, Mas não por isso temos menos força:
o ele que roga de caído? O verdadeiro vigor
Reside na cabeça.
Ou qual é mais culpado,
embora qualquer um faça mal: Por que cantais a rosa, ó Poetas!
a que peca pela paga, Façam-na florescer no poema;
ou aquele que paga por pecar?
Sólo para nosotros
Pois, para que vos espantais? Vivem todas as coisas debaixo do Sol.
O Poeta é um pequeno Deus. não encontram, buscam.
Os amorosos andam como loucos
porque estão sozinhos, sozinhos, sozinhos,
entregando-se, dando-se a cada momento,
chorando porque não salvam o amor.
OUTONO (JULIOCORTÁZAR) Eles se preocupam com o amor. Os amorosos
vivem um dia de cada vez, não podem fazer mais, não sabem.
Na abóbada da tarde cada pássaro é um ponto do
Eles estão sempre indo embora,
lembrança.
Às vezes é surpreendente o fervor do tempo sempre, para algum lugar.
volte, sem corpo volte, já sem motivo volte; Esperam,
que a beleza, tão breve em seu amor violento não esperam nada, mas esperam.
nos guarde um eco na descida da noite.
Sabem que nunca hão de encontrar.
E assim, o que mais do que estar com os braços caídos, O amor é a prorrogação perpétua,
o coração amontoado e esse sabor de poeira sempre o próximo passo, o outro, o outro.
que foi rosa ou caminho. Os amorosos são os insaciáveis,
O voo excede a asa. os que sempre -que bom!- devem estar sozinhos.
Os amorosos são a hidra do conto.
Sem humildade, saber que isto que resta
foi ganho à sombra por obra do silêncio; Têm serpentes em vez de braços.
que o galho na mão, que a lágrima escura As veias do pescoço ficam inchadas
filho da herança, o homem com sua história, também como serpentes para asfixiá-los.
a lâmpada que ilumina. Os amorosos não podem dormir
porque se dormirem os vermes os comem.
Na escuridão, eles abrem os olhos
e cai sobre eles o espanto.
UMA CARTA DE AMOR (JULIO CORTÁZAR) Encontram escorpiões debaixo do lençol
e sua cama flutua como sobre um lago.
Tudo o que eu quisesse de você
é tão pouco no fundo Os amorosos são loucos, apenas loucos,
porque no fundo é tudo, sem Deus e sem diabo.
Os amorosos saem de suas cavernas
como um cachorro que passa, uma colina, tremulos, famintos
essas coisas de nada, cotidianas, a caçar fantasmas.
espiga e cabelo e dois torrões, Riem das pessoas que sabem tudo,
o cheiro do seu corpo, das que amam perpetuamente, verdadeiramente,
o que você diz sobre qualquer coisa, daquelas que acreditam no amor
comigo ou contra mim, como uma lâmpada de óleo inesgotável.
tudo isso é tão pouco, Os amorosos brincam de pegar a água,
eu o quero de você porque eu te amo. a tatuar o humo, a não ir-se.
Jogam o longo, triste jogo do amor.
Que você olhe além de mim, Ninguém deve se resignar.
que me ames com violenta prescindência Dizem que ninguém deve se resignar.
do amanhã, que o grito Os amorosos se envergonham de tudo
do seu entrega se estrelhe conformação.
na cara de um chefe de escritório, Vazios, mas vazios de uma a outra costela,
a morte lhes fermenta atrás dos olhos,
e que o prazer que juntos inventamos e eles caminham, chorando até a madrugada
seja outro sinal da liberdade. em que trens e galos se despedem dolorosamente.
OS AMOROSOS (JAIME SABINES)
Às vezes, chega até eles um cheiro de terra recém-nascida,
Os amorosos calam-se. a mulheres que dormem com a mão no sexo,
O amor é o silêncio mais fino, complacidas,
o mais tremulo, o mais insuportável. a arroios de água ternas e a cozinhas.
Os amorosos buscam, Os amorosos começam a cantar entre lábios
os amorosos são os que abandonam, uma canção não aprendida,
são aqueles que mudam, aqueles que esquecem. e vão chorando, chorando,
a bela vida.
Seu coração lhes diz que nunca encontrarão,
EXÍLIO (ALEJANDRA PISARNIK)