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Poema sobre amor e traição

O poema descreve uma mulher casada que engana seu marido com o narrador. Em uma noite de Santiago, ele a leva ao rio acreditando que ela era solteira, mas ela lhe diz que está casada. Mesmo assim, continuam seu encontro apaixonado à beira do rio. No final, o narrador percebe que, apesar de ela estar casada, ele se apaixonou por ela.

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Poema sobre amor e traição

O poema descreve uma mulher casada que engana seu marido com o narrador. Em uma noite de Santiago, ele a leva ao rio acreditando que ela era solteira, mas ela lhe diz que está casada. Mesmo assim, continuam seu encontro apaixonado à beira do rio. No final, o narrador percebe que, apesar de ela estar casada, ele se apaixonou por ela.

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A Casada Infiel

Aquela noite corri


o melhor dos caminhos,
E que eu a levei para o rio
montado em potra de nácar
crendo que era mozuela,
sem bridas e sem estribos.
mas tinha marido.
Não quero dizer, por homem,
as coisas que ela me disse.
Foi a noite de Santiago
A luz do entendimento
e quase por compromisso.
me faz ser muito contido.
Os lampiões se apagaram
Sucia de beijos e areia
e os grilos se acenderam.
eu a levei do rio.
Nas últimas esquinas
Com o ar se batem
toquei seus seios adormecidos,
as espadas dos lírios.
e se me abriram de repente
como ramos de jacintos.
Me comporte como quem sou.
O amido de sua anágua
Como um cigano legítimo.
me soava no ouvido, Eu lhe dei uma caixa de costura
como uma peça de seda
grande de raso pajizo
rasgada por dez facas.
e não quis me apaixonar
Sem luz de prata em suas copas
porque tendo marido
as árvores cresceram,
me disse que era moça
e um horizonte de cães
quando a levava ao rio.
ladra muito longe do rio.

Passadas as amoras,
os juncos e os espinhos,
debaixo da sua mata de cabelo
fiz um buraco sobre o lodo.
Eu tirei a gravata.
Ela se despejou o vestido.
Eu o cinto com revólver.
Ela seus quatro sutiãs.
Nem nardos nem caracolas
tenem os cortes tão finos,
nem os cristais com lua
relumbram com esse brilho.
Suas coxas escapavam de mim
como peixes surpresos,
a metade cheios de fogo,
a metade cheios de frio.
Naila
Rodolfo Aicardi
eu cruzando os braços, disse, disse que
me dava igual
E eu que a levei ao rio
nada de pegar-me untro, nem acosar-te
crendo que era moça
maldicões,
mas tinha marido
nem apedrejar com meus suspiros
era uma noite de Santiago
as grades das tuas varandas,
e quase por compromisso
que você se casou, boa sorte
as luzes se acenderam
viva cem anos contente,
e os grilos se apagaram
e que na hora da sua morte Deus
a luz do entendimento
não leve isso em conta,
me faz ser mais comedido
que se ao pé dos altares, meu nome se
e não quero dizer por homem
te esqueci
as coisas que ela me disse
pela glória da minha mãe que não te
porque tendo marido
guardo rancor.
me disse que era mozuela
Mas como teu namorado é rico, te vendo esta
quando a levava ao rio
profissão
toda madrugada você sonhará que foi
Era uma noite de lua, Naila chorava diante
mia
minha ela me disse com ternura, que me e você se lembrará da tarde em que minha boca te
amava loucamente
beijo
eu perguntei a ele por que chorava,
e acordarás chorando e te chamará
e ela me respondeu assim.
cobarde
cobarde como te lo digo eu, por que
Minhas carícias já não são boas
aquele,
já não sou Naila parat, aquele que não foi nem seu namorado, nem seu
já me entreguei a outro homem
marido, nem seu amante
já não sou Naila parat.
tem sido quem mais te amou e com
isso,
Naila, por que me abandonas, com isso eu tenho bastante,
tonta, se bem que eu te quero
e eu não peço ao céu que te mande mais
volte para mim, não procure outros
castgo
caminhos,
que estejas dormindo com outro e estejas
te perdono porque sem o teu amor
sonhando comigo.
se me parte o coração.
Naila, por que me abandonas?
Me contaram ontem as línguas de duplo
tonta se bem que te quero
filo,
volta para mim, não procure outros
que você se casou há um mês
sendas,
e fiquei tão tranquilo.
te perdono porque sem teu amor
Outro qualquer no meu caso teria
se me parte o coração.
posto a chorar,
A UMA DAMA IMAGINÁRIA
JUAN BAUTISTA AGUIRRE

Que rosto lindo você tem,


válgate Deus por menina,
que site miro, me rindes
e se você me olhar, me mata.

Esses teus belos olhos


filha, ingrata divina,
harpones quando os flechas,
punhais quando os crava.

Essa sua boca travessa,


brinda entre coral e nácar,
um veneno que dá vida
e uma doçura que mata.

Nela vivem as graças;


novedade privilegiada,
que haja em sua boca beleza
sem que haja nela desgraça.

Primores e prazeres há
em sua cintura e em seu rosto
todo o seu corpo é alento,
e todo o teu hálito é alma.

O cabelo licencioso
airosamente declara,
que há na negra beleza,
e no desprezado há gala.

Arco de amor são suas sobrancelhas,


de cujas flechas tranas,
nem quem se defende é sadio,
não é feliz quem escapa.

Quão desdenhosa você se zomba!


e que traidora te ufanas,
a tantas fatgas firme,
e a tantas finezas falsas!
Quão mal imitas o céu
pródigo contigo em graças
pois você não sabe fazer uma
quando você sabe ter tantas!
A alma nos lábios
Medardo Ángel Silva

Quando a chama apaixonada do nosso amor


dentro do teu peito amante contemples extinta,
já que só por toda a vida me é amada,
no dia em que você me faltar, eu arrancarei a vida.

Porque meu pensamento, cheio deste carinho


que em uma hora feliz me fizesse seu escravo,
Longe de suas pupilas é triste como uma criança
que se dorme sonhando no seu acento de embalo.

Para te envolver em beijos eu gostaria de ser o vento


e eu gostaria de ser tudo o que a sua mão toca;
ser tua sorriso, ser até teu mesmo alento,
para poder estar mais perto da sua boca.

Vivo da tua palavra, e eternamente espero


chamá-lo meu, como quem espera um tesouro.
Longe compreendo o quanto te amo
sim, beijando suas cartas, ingenuamente choro.

Perdona que eu não tenha palavras com que possa


dizer-te a inefável paixão que me devora;
para expressar meu amor somente me resta
rasgarme o peito, Amada, e em suas mãos de seda
Deixar meu coração palpitante que te adora!
PARA MIM A TUA LEMBRANÇA
Para mim, sua lembrança é hoje como a sombra
do fantasma a quem demos o nome de adorada...
Eu fui bom contigo, teu desdém não me surpreende,
pois você não me deve nada, nem eu te reprovo nada.

Eu fui bom contigo como uma flor. Um dia


do jardim em que só sonhava me arrancaste;
te dei todo o perfume da minha melancolia,
e como quem não fez nenhum mal me deixaste...

Não te reprocho nada, ou no máximo a minha tristeza,

esta tristeza enorme que me quita a vida,


que me assemelha a um pobre moribundo que reza
à Virgem pedindo que lhe cure a ferida.
HOMENS NECIOS QUE ACUSÁIS
a que o vosso amor pretende,
Homens tolos que acusais se a ingrata ofende
à mulher sem razão, e a que é fácil se irritar?
sem ver que sois a ocasião
do mesmo que culpáis: Mas entre a raiva e a tristeza
que o seu gosto refere,
se com ânsia sem igual bem haja a que não vos quer
solicitais seu desdém, e queixai-vos, parabéns.
por que vocês querem que ajam bem
se vocês as incitam ao mal? Dai às vossas amantes penas
a suas liberdades asas,
Combate sua resistência, e depois de fazê-las ruins
e depois com gravidade vocês as querem encontrar muito boas.
dizes que foi ligeireza
o que fez a diligência. Qual a maior culpa que teve
em uma paixão errada,
Quereis com presunção tola a que cai de rogada
encontrar a que buscais, ou o que implora de caído?
para pretendida, Tais,
e na posse, Lucrécia. Ou qual é mais a culpar,
embora qualquer um faça mal:
Que humor pode ser mais raro a que peca pela paga
que o que falta de conselho, ou quem paga por pecar?
ele mesmo embaça o espelho
e sente que não está claro? Pois, para que vos espantais?
da culpa que tendes?
Com o favor e o desdém Queredlas qual as fazeis
tendes condição igual, faze-as como as procurais.
queixando-se, se vocês são maltratados,
enganando-os, se eles te querem bem. Deixem de solicitar
e depois com mais razão
Opinião nenhuma gana, acusareis a afeição
pois a que mais se resguarda, da que vos forem a rogar.
se não os admite, é ingrata
e se os admite, é leve. Bem com muitas armas fundo
que lida com a vossa arrogância,
Sempre tão teimosos andais pois em promessa e instância
que com desigual nível juntáis diabo, carne e mundo.
a uma culpais por cruel
e a outra por fácil culpais.

Pois como deve estar amena


POEMA 20
Minha alma não se contenta em tê-la
POSSO escrever os versos mais tristes esta perdido.
noite.
Como para acercá-la, meu olhar a busca.
A noite está Meu coração a busca, e ela não está
estrelada comigo.
ytritan, azuis, os astros, ao longe.
Na mesma noite que faz branquear os
O vento da noite gira no céu e mesmos
canta. árvores.
Nós, os de então, já não somos
Posso escrever os versos mais tristes esta os mesmos.
noite.
Eu a quis, e às vezes ela também me quis Já não a quero, é verdade, mas quanto a
quiso. quis
Minha voz buscava o vento para tocar seu
Nas noites como esta, eu a tive entre meus ouvido.
braços.
Eu a beijei tantas vezes sob o céu infinito. De outro. Será de outro. Como antes dos meus
beijos.
Ela me quis, às vezes eu também a quis Sua voz, seu corpo claro. Seus olhos infinitos.
queria.
Como não ter amado seus grandes olhos Já não a quero, é verdade, mas talvez a
fijos. quero.
É tão curto o amor, e é tão longo o
Posso escrever os versos mais tristes esta esquecimento.
noite.
Pensar que não a tenho. Sentir que a tive. Porque em noites como esta eu a tive
perdido. entre meus
braços
Ouvir a noite imensa, mais imensa sem minha alma não se contenta com tê-la
ela. perdido.
E o verso cai na alma como na grama o
orvalho. Embora este seja a última dor que ela
me causa,
Que importa que meu amor não pudesse e estes sejam os últimos versos que eu lhe
guardá-la. escrevo.
A noite está estrelada e ela não está
comigo.

É isso tudo. Ao longe, alguém canta. A ...


longe.

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