Poema sobre amor e traição
Poema sobre amor e traição
Passadas as amoras,
os juncos e os espinhos,
debaixo da sua mata de cabelo
fiz um buraco sobre o lodo.
Eu tirei a gravata.
Ela se despejou o vestido.
Eu o cinto com revólver.
Ela seus quatro sutiãs.
Nem nardos nem caracolas
tenem os cortes tão finos,
nem os cristais com lua
relumbram com esse brilho.
Suas coxas escapavam de mim
como peixes surpresos,
a metade cheios de fogo,
a metade cheios de frio.
Naila
Rodolfo Aicardi
eu cruzando os braços, disse, disse que
me dava igual
E eu que a levei ao rio
nada de pegar-me untro, nem acosar-te
crendo que era moça
maldicões,
mas tinha marido
nem apedrejar com meus suspiros
era uma noite de Santiago
as grades das tuas varandas,
e quase por compromisso
que você se casou, boa sorte
as luzes se acenderam
viva cem anos contente,
e os grilos se apagaram
e que na hora da sua morte Deus
a luz do entendimento
não leve isso em conta,
me faz ser mais comedido
que se ao pé dos altares, meu nome se
e não quero dizer por homem
te esqueci
as coisas que ela me disse
pela glória da minha mãe que não te
porque tendo marido
guardo rancor.
me disse que era mozuela
Mas como teu namorado é rico, te vendo esta
quando a levava ao rio
profissão
toda madrugada você sonhará que foi
Era uma noite de lua, Naila chorava diante
mia
minha ela me disse com ternura, que me e você se lembrará da tarde em que minha boca te
amava loucamente
beijo
eu perguntei a ele por que chorava,
e acordarás chorando e te chamará
e ela me respondeu assim.
cobarde
cobarde como te lo digo eu, por que
Minhas carícias já não são boas
aquele,
já não sou Naila parat, aquele que não foi nem seu namorado, nem seu
já me entreguei a outro homem
marido, nem seu amante
já não sou Naila parat.
tem sido quem mais te amou e com
isso,
Naila, por que me abandonas, com isso eu tenho bastante,
tonta, se bem que eu te quero
e eu não peço ao céu que te mande mais
volte para mim, não procure outros
castgo
caminhos,
que estejas dormindo com outro e estejas
te perdono porque sem o teu amor
sonhando comigo.
se me parte o coração.
Naila, por que me abandonas?
Me contaram ontem as línguas de duplo
tonta se bem que te quero
filo,
volta para mim, não procure outros
que você se casou há um mês
sendas,
e fiquei tão tranquilo.
te perdono porque sem teu amor
Outro qualquer no meu caso teria
se me parte o coração.
posto a chorar,
A UMA DAMA IMAGINÁRIA
JUAN BAUTISTA AGUIRRE
Primores e prazeres há
em sua cintura e em seu rosto
todo o seu corpo é alento,
e todo o teu hálito é alma.
O cabelo licencioso
airosamente declara,
que há na negra beleza,
e no desprezado há gala.