Autocuidado e Enfermagem na RNCCI
Autocuidado e Enfermagem na RNCCI
Por
Por
Carina Cavalheiro Vieira
Porto, 2021
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2
RESUMO
Sendo este fenómeno central à disciplina de enfermagem e uma das áreas onde
comprovadamente os enfermeiros tomam decisões que influenciam positivamente a
saúde das pessoas, faz sentido considerar como imprescindível a sua correta avaliação,
seguida de uma operacionalização racional do processo de enfermagem, focada na
promoção salutar dos projetos de vida individuais, vulgarmente interrompidos por
situações de dependência, súbita ou progressiva, no autocuidado.
É da junção destes factos que emerge a principal motivação para o estudo, uma vez que
a investigadora principal, sendo enfermeira que detém particular interesse pelos assuntos
relacionados com a promoção do autocuidado, exerce funções num serviço pertencente à
RNCCI, pelo que surgiu a seguinte inquietação – é possível identificar, na bibliografia de
carater científico, o contributo dos enfermeiros que trabalham nas diferentes unidades
funcionais de internamento da RNCCI, para a promoção do autocuidado tomar banho,
vestir-se e despir-se e arranjar-se?
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ABSTRACT
The National Network of Integrated Continuing Care (RNCCI) is the third level of care
in the National Health System and dependence on self-care emerges as the main reason
for admission to the various Functional Units.
As this phenomenon is central to the discipline of nursing and one of the areas where
nurses have been shown to make decisions that positively influence people's health, it
makes sense to consider its correct assessment as essential, followed by a rational
operationalization of the nursing process, focused on the healthy promotion of individual
life projects, commonly interrupted by situations of sudden or progressive self-care
dependence.
It is from the combination of these facts that emerges the main motivation for this study,
since the main researcher, as a nurse with a particular interest in issues related to the
promotion of self-care, works in a service belonging to the RNCCI, and so the following
question arose - is it possible to identify, in the scientific literature, the contribution of
nurses working in the different functional units of the RNCCI inpatient unit to the
promotion of self-care - bathing, dressing and undressing, and grooming?
In order to map the available knowledge, we chose to use the methodology developed by
the Joanna Briggs Institute to conduct a Scoping Review. We obtained 15 articles for full
analysis, and found that nurses prescribe care that encompasses teaching, instructing,
training, orienting, informing, assessing, supporting, and referring, assuming themselves
as an important resource for the promotion of their clients' autonomy and independence.
Although the centrality of nurses' action in promoting self-care is evident, there is still a
lack of studies capable of clearly measuring the health gains attributable to the action of
these professionals in the Functional Units of the RNCCI.
Key-words: National Network for Integrated Continuous Care; Nursing; Dependence for
Self-Care
4
5
Agradecimentos
pela orientação, pela ajuda nos momentos difíceis, pela partilha e, sobretudo, pelas
oportunidades de desenvolvimento proporcionado ao longo do trajeto.
Ao meu irmão,
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Lista de Acrónimos e Siglas
UC (Unidades de Convalescença)
8
9
Índice
Introdução ..................................................................................................................... 12
Capítulo 4. Resultados.................................................................................................. 28
Bibliografia .................................................................................................................... 37
10
Índice de Figuras
Índice de Tabelas
Índice de Quadros
11
Introdução
É destas premissas que surge a grande motivação deste estudo uma vez que a
investigadora principal exerce funções num serviço pertencente à RNCCI, onde um dos
12
motivos principais de referenciação dos clientes para as diferentes tipologias é o
diagnóstico de Dependência no Autocuidado.
Assim, tendo presente que a Enfermagem Avançada, tal como vem definida na página de
apresentação deste mestrado, se associa
Estes foram os pontos de partida para um estudo exploratório, onde se pretende mapear
todo o conhecimento disponível que comprove a intervenção realizada pelos enfermeiros,
no âmbito destas unidades, contribuindo dessa forma para guiar, promover ou suportar a
tomada de decisão autónoma dos enfermeiros.
13
saúde dos clientes, nomeadamente, no que diz respeito ao processo de reconstrução do
autocuidado nos domínios do tomar banho, arranjar-se e vestir-se e despir-se.
14
Capítulo 1. Enquadramento Teórico
Em Portugal, com as alterações demográficas que se fizeram sentir ao longo das décadas,
com cada vez maior peso no que concerne à população idosa, bem como com a alteração
do panorama social, desencadeada pela ausência da mulher como cuidadora tradicional,
conduziram à necessidade de encontrar respostas para o apoio de indivíduos que se
encontrassem em situação de dependência (11).
Como já foi mencionado, defrontamo-nos com uma população cada vez mais envelhecida
(Figura 1.), existindo um evidente aumento no que concerne à esperança média de vida
no decorrer dos anos e uma maior prevalência de doenças crónicas que se tem traduzido
num aumento exponencial de pessoas com limitações físicas, emocionais e cognitivas
que, inevitavelmente as conduzem a um maior nível de dependência, surgindo, em
consequência, uma maior necessidade de acompanhamento na fase final do ciclo vital
(12).
15
desenvolvimento científico e tecnológico dos cuidados de saúde, tornou possível o
diagnóstico, a cura e a prevenção de doenças (15), que em conjunto com a modulação das
respostas humanas centradas em comportamentos mais saudáveis, conduziu a uma
melhoria da qualidade de vida.
O que é preocupante no aumento da esperança média de vida, é que este não se tem
traduzido diretamente no acréscimo de anos de vida saudável, uma vez que os últimos
anos de vida são acompanhados por uma maior fragilidade e maiores níveis de
dependência, além de uma maior prevalência de doenças (16). A existência de patologias
crónicas e a diminuição do nível de atividade física, contribui para que a população idosa
constitua o grupo mais suscetível à incapacidade funcional, fenómeno reconhecido como
relevante preditor de mortalidade (16).
Até aos inícios deste século, a única resposta que os indivíduos tinham disponível para
situações de incapacidade e dependência, sem necessitarem de cuidados médicos de
maior especialização eram as unidades hospitalares (18). Este facto acabava por não se
tornar favorável para as pessoas que careciam de cuidados de reabilitação ou
simplesmente de manutenção, face a situações de dependência no autocuidado e que já
não necessitavam de cuidados médicos diferenciados, uma vez que a permanência no
hospital os expunha a possíveis infeções e a episódios adversos, por períodos maiores de
tempo do que era suposto, diminuindo, por esse motivo, o nível de eficiência e capacidade
de resposta a outras situações agudas, além de ao nível financeiro se tornar muito
dispendioso (18). Desta forma, tornava-se crucial a criação de uma rede de cuidados que
apoiassem estes indivíduos, com carências específicas ao nível das respostas humanas à
doença/dependência e que promovessem a sua reabilitação e autonomia (18).
16
ou de perda de autonomia, criando condições para que estas pessoas pudessem usufruir
de uma vida com qualidade de saúde, sustentadas em um suporte de políticas de saúde e
sociais (19).
As Unidades de Convalescença, cujo internamento poderá ser de até 30 dias, são unidades
direcionadas a indivíduos que já não possuem critérios de cuidados médicos hospitalares
de agudos, mas que devido a uma situação de doença aguda, recorrência ou
descompensação de uma doença crónica, requerem ainda cuidados de saúde, que pela sua
frequência, complexidade ou duração, não podem ser concedidos no domicílio (11) (22).
17
As Unidades de Longa Duração e Manutenção, cujos internamentos poderão ter uma
duração superior a 90 dias, estão direcionados a indivíduos com patologias ou processos
crónicos, que apresentam distintos níveis de dependência e graus de complexidade, e que
não apresentem condições para serem cuidados em casa ou noutro tipo de resposta. São
prestados cuidados de saúde de manutenção e apoio social que previnam e retardem o
agravamento da situação de dependência, promovendo o conforto e a qualidade de vida
(11) (22). As ULDM apresentam ainda a possibilidade de internamentos destinados
ao “Descanso do Cuidador”, com uma duração máxima de 90 dias por ano, podendo
ser assegurados num único período ou em períodos intervalados (11) (22).
Assim, o trabalho desenvolvido pela RNCCI revela que ela é crucial e complementar no
que concerne à prestação de cuidados. Representa, desta forma, uma resposta ajustada às
carências dos mais necessitados e dependentes, partindo do desenvolvimento de um
trabalho de solidarização e consideração pela dignidade do ser humano.
18
II. O Autocuidado após um Evento Gerador de Dependência
O autocuidado, segundo Orem (1993), apesar de ser considerado uma função reguladora
da atividade humana, não é algo adquirido de forma congénita, isto porque, existe a
necessidade de ser aprendido e desenvolvido ao longo da vida, por forma a colmatar as
necessidades individuais de cada ser humano, por essa razão, é uma ação deliberadamente
executada pelo indivíduo no sentido de regular o seu próprio funcionamento e
desenvolvimento, ou dos seus dependentes (23) (25) (26).
19
do indivíduo que transitou da situação de independente para a situação de dependente
(30).
Tornar-se dependente para o autocuidado implica uma mudança para novos papéis e por
consequência novas responsabilidades obrigando o indivíduo a enfrentar uma transição
situacional de saúde/doença que envolve um processo, uma direção e mudanças nos
padrões basilares da vida (31).
No que toca aos Padrões de Qualidade dos Cuidados de Enfermagem, divulgados pela
Ordem dos Enfermeiros (2001), é da competência do enfermeiro, contribuir na prevenção
da doença, bem como promover os processos de readaptação, procurando deste modo,
satisfazer as necessidades humanas basilares, cooperando de forma sistemática para o
máximo exponencial de independência na realização das atividades de vida diária,
buscando-se, para tal, a ocorrência da adaptação funcional aos défices, bem como a
adaptação a múltiplos fatores, nomeadamente, através de processos constantes de
aprendizagem do indivíduo. Além disso, é ainda responsável por maximizar o bem-estar
dos indivíduos, bem como assistir e/ou complementar as atividades de vida relativamente
às quais o indivíduo é dependente (1) (32). Deste modo, o conceito de dependência, está
ligado à capacidade funcional do indivíduo e está relacionado com a inaptidão de adotar
comportamentos ou executar de forma independente, atividades que possibilitem ao
indivíduo obter e suprimir um nível satisfatório no que concerne às suas necessidades
básicas e instrumentais (33).
Qualquer que seja a etapa de vida em que o indivíduo se encontre, o confronto com
situações de doença, falta de recursos, existência de fatores externos incapacitantes ou em
situações onde a necessidade se revele superior à capacidade de resposta do indivíduo
levam frequentemente a episódios de dependência física e debilidade mental, conduzindo
a défices no autocuidado (34) (35). Assim, o indivíduo dependente surge como aquele
que no decorrer de um determinado período de tempo, prolongado ou não, carece de ajuda
de outrem ou de equipamento, para a realização de certas atividades de autocuidado (36).
Esta circunstância leva a que careça de apoio diferenciado, justificando-se, deste modo, a
necessidade de cuidados de enfermagem (37). Desta forma, o conhecimento, por parte do
enfermeiro, no que toca ao nível de dependência dos indivíduos em cada um dos domínios
do autocuidado, mais concretamente, em cada atividade que executa, possibilita não só
delinear cuidados individualizados, mas também definir e implementar intervenções
realistas, adaptadas e ajustadas às necessidades individuais de cada cliente (38). Salienta-
20
se ainda, que a dependência poderá estar presente em qualquer etapa da vida do indivíduo,
não única e exclusivamente na velhice, como muitas das vezes se vê conectada (23) (38).
21
crescentes dos cuidados de saúde de qualidade, por parte da sociedade atual, quer também
pelas alterações legislativas do exercício profissional subsequentes das novas exigências.
Como tal, a tomada de decisão é um processo incompatível com uma prática rotineira,
encontrando-se crucialmente relacionada com uma prática reflexiva, sendo, assim, um
suporte para uma evolução sócio/profissional norteada para as necessidades dos cuidados
(43). Torna-se, desta forma, imprescindível o desenvolvimento de uma prática baseada
na evidência, como modo de agregar os conhecimentos, os valores, as crenças dos
clientes, de forma a que os cuidados prestados sejam o mais ajustados e individualizados
às necessidades, tendo em consideração o quadro de valores e crenças dos mesmos (10)
(44), além disso, é urgente desenvolver uma prática de Enfermagem Avançada que se
traduza e repercuta em cuidados de maior qualidade, tendo por base o conhecimento
disciplinar da Enfermagem.
Tal como a Ordem dos Enfermeiros (2015) faz menção, torna-se assim explícito, que a
decisão, não pode ser desagregada da prática baseada na evidência (49). Assim, no
processo da tomada de decisão em Enfermagem e na fase de implementação das
intervenções, o enfermeiro incorpora os resultados da investigação na sua prática clínica.
22
IV. Registos de Enfermagem, o Processo de Enfermagem e a sua relação
com a Qualidade dos Cuidados
Para Campos, Borges e Portugal (2009) a qualidade, no que toca aos cuidados de saúde
deverá integrar todo o processo do indivíduo, desde o ingresso e acolhimento, passando
pelo processo de diagnóstico e terapêutica, além de todas as questões que se referem ao
conforto, informação e ao estabelecimento da relação com doentes e familiares (57). É
sabido de que a qualidade dos cuidados se encontra intrinsecamente relacionada com a
qualidade de informação disponível na prestação de cuidados, no entanto, a complexidade
dos contextos de saúde, a necessidade de apresentar efetividade nos cuidados e a
23
transformação organizacional face à introdução da informatização são razões para que o
processo demore mais tempo (58).
24
Capítulo 2. Questão de Investigação
25
Capítulo 3. Enquadramento Metodológico
Neste capítulo, será abordada a metodologia que irá orientar este trabalho de investigação,
com o intuito de permitir uma explicação detalhada e rigorosa do percurso desenvolvido
no decorrer deste estudo.
I. A Scoping Review
A escolha deste método, fundamenta-se por este ser um tipo de revisão cujos principais
objetivos se prendem com o mapeamento da evidência existente subjacente a uma
determinada área, tornando possível identificar lacunas na evidência existente, além
disso, uma das singularidades deste método é que este não tem como intuito analisar a
qualidade metodológica dos estudos incluídos, uma vez que, a sua intenção não é
encontrar a melhor evidência científica, mas sim, mapear o conhecimento científico já
existente (61).
A seleção dos artigos foi realizada de acordo com os critérios de inclusão anteriormente
expostos.
26
O desenvolvimento da pesquisa foi efetuado na plataforma de pesquisa RCAAP, B-ON,
bem como a pesquisa em Revistas de Enfermagem Portuguesas.
Figura 2 - Processo de Seleção dos estudos - Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses
(PRISMA)
Número de artigos
Inclusão incluídos na Scoping
Review (n=15)
Foram obtidos inicialmente um total de 491 artigos, dos quais 200, foram excluídos por
se encontrarem duplicados ou por não serem de acesso aberto. Foram analisados 291 de
forma parcial, através da leitura do título e do resumo, pelo que se verificou que 268 não
iam de encontro à temática em estudo, além disso dos 23 artigos analisados na íntegra, 8
reportavam-se a estudos realizados em contexto domiciliário, pelo que foram excluídos.
Desta maneira, foram incluídos 15 artigos na Scoping Review.
27
Capítulo 4. Resultados
I. Resultados da Pesquisa
Esta Scoping Review inclui 15 artigos, que foram incluídos e analisados na sua
integralidade e que se relacionavam com a temática em estudo (Tabela 1.). Desse modo,
é possível destacar o ano de 2017 como o mais dominante no que concerne a esta temática.
Os artigos estão escritos, sua totalidade, em língua portuguesa e são originários de
Portugal, uma vez que a RNCCI existe apenas nesse país.
28
Quadro 1 - Extração das Evidências
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Barbosa Reabilitação numa Unidade especialista em enfermagem de reabilitação numa autocuidado, prevenção de complicações, promoção da
Franco de Longa Duração e ULDM. saúde, reeducação e readaptação funcional da pessoa.
Manutenção: Perceções dos
Enfermeiros. (65)
Sónia Sofia Nível de independência e 2014 Descritivo – Identificar a relação entre as dimensões físico- Verificaram-se diferenças estatisticamente significativas
Leitão Pereira autonomia no autocuidado Correlacional cognitivo-emocionais e o nível de autonomia e entre a escolaridade e os autocuidados “vestuário”; entre
da pessoa idosa após AVC: independência no autocuidado da pessoa idosa a queixa emocional triste/deprimido e o autocuidado
Cuidados Continuados de após AVC, internada em uma Unidade de “higiene”; e entre o estado cognitivo e todos os
Convalescença. (66) Convalescença. autocuidados. Constataram-se, também, ganhos
significativos em termos de autonomia e independência
em todos os autocuidados na alta, em relação à admissão.
Maria Cristina Processo de Cuidados do 2014 Qualitativo – Conhecer o processo de cuidados desenvolvido O trabalho dos enfermeiros generalistas e enfermeiros de
Alves Duarte Enfermeiro e Enfermeiro Exploratório pelos enfermeiros, generalistas e de reabilitação, reabilitação, nestas unidades de cuidados, não se esgota
de Reabilitação em descritivo em Unidades de Convalescença, da RNCCI, a na pessoa alvo de cuidados, mas também abrange a
Unidades de partir do relato de experiências destes capacitação do prestador de cuidados, seja membro da
Convalescença. (67) profissionais de enfermagem. família ou pessoa significativa, dotando-o de
conhecimentos e capacidades, para dar respostas
adequadas à pessoa dependente no autocuidado.
Patrícia Evolução funcional do 2015 Descritivo – Avaliar a evolução funcional do doente internado Constatou-se uma evolução funcional estatisticamente
Alexandra doente numa Unidade de Correlacional numa Unidade de Média Duração e Reabilitação significativa, entre o momento de admissão e o momento
Rodrigues Cuidados Continuados (UMDR) e identificar alguns fatores de alta. Porém, não se verificaram diferenças
Ferreira Integrados de Média sociodemográficos e clínicos que interferem na estatisticamente significativas relativamente à evolução
Duração e Reabilitação. evolução da sua independência funcional. funcional de acordo com o sexo, a idade e o estado
(68) cognitivo.
Marisa da A Promoção da Autonomia 2015 Qualitativo: Desenvolver conjuntamente com os enfermeiros, Os resultados permitiram estruturar um conjunto de
Conceição da Pessoa Dependente para Investigação- que trabalham o contexto dos cuidados pressupostos que estão na génese de um modelo de
o Autocuidado: Um Ação continuados, um modelo de intervenção promotor
28
Gomes Modelo de Intervenção de da autonomia da pessoa dependente para o orientação da conceção de cuidados, centrado na
Lourenço Enfermagem em Cuidados autocuidado e construir esse conhecimento. promoção da autonomia para o autocuidado.
Continuados. (30)
Marta Maria Resultados sensíveis às 2016 Misto Identificar o potencial das intervenções de As intervenções de enfermagem desenvolvidas tendo em
Gonçalves intervenções de enfermagem prestadas em contextos da Rede conta as diferentes dimensões do modelo proposto,
Rosa enfermagem: a pessoa Nacional de Cuidados Continuados Integrados, evidenciam a intervenção autónoma do enfermeiro,
idosa em contextos da Rede como resposta às necessidades da pessoa idosa e permitindo-nos compreender a obtenção de resultados
Nacional de Cuidados sistematizar indicadores de ganhos em saúde sensíveis partindo de indicadores para os quais foram
Continuados Integrados - resultantes das intervenções de enfermagem à construídas fórmulas, passíveis de apoiar a tomada de
(RNCCI) (69) pessoa idosa neste mesmo contexto. decisão clínica em enfermagem.
Fernando Evolução das pessoas 2017 Descritivo e Avaliar o potencial de reconstrução de autonomia, O potencial de reconstrução de autonomia situa-se entre
Alberto dependentes no exploratório e a evolução do compromisso nos processos reduzido a moderado. Verificou-se uma evolução
Soares autocuidado acompanhadas corporais e da dependência no autocuidado das positiva no compromisso nos processos corporais e no
Petronilho et na Rede Nacional de pessoas dependentes admitidas na Rede. nível de dependência no autocuidado. Maior potencial de
al. Cuidados Continuados reconstrução de autonomia está associado a menor
Integrados. (70) compromisso nos processos corporais e a maior
independência.
Daniela Impacto das Intervenções 2017 Quantitativo e Construção de um instrumento de recolha de Demonstra a importância do trabalho desenvolvido pelos
Gomes do Enfermeiro Especialista Descritivo dados e um programa de reabilitação respeitando enfermeiros de reabilitação e a indiscutível necessidade
Fernandes em Enfermagem De as necessidades e o prognóstico funcional de cada destes nas Unidades de Média Duração e Reabilitação da
Reabilitação nos Doentes utente individualmente, com incidência no Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados, por
Internados numa Unidade autocuidado, no fortalecimento muscular e via dos ganhos em saúde e dos cuidados diferenciados e
de Média Duração e mobilização articular, no treino de equilíbrio e significativos que prestam ao utente na reconstrução da
Reabilitação – Antes e marcha e no treino propriocetivo. Descrever a autonomia da pessoa com dependência no autocuidado.
Após. (71) capacidade dos idosos internados na Unidade de
Média Duração e Reabilitação para o autocuidado,
em dois momentos de avaliação.
29
Tânia Filipa Impacto do internamento 2017 Quantitativo - Avaliar o impacto do internamento em RNCCI, na O internamento na RNCCI tem impacto positivo na
Reis na Rede Nacional de estudo não melhoria dos níveis de dependência dos utentes funcionalidade dos Utentes, dada a melhoria
Henriques Cuidados Continuados experimental, internados e analisar a sua relação com as significativa dos níveis de dependência no momento da
Integrados (RNCCI) na transversal, variáveis sócio demográficas, clínicas e de alta, comparativamente com o momento da admissão.
melhoria do nível de descritivo- contexto familiar. São os enfermeiros de reabilitação, pelas suas
dependência dos utentes. correlacional competências, que se encontram aptos a integrar todas as
(16) vertentes dos cuidados necessários à pessoa com
incapacidade no desempenho do autocuidado.
Fábio José Reabilitação na pessoa após 2017 Longitudinal, Avaliar a evolução da dependência no Os resultados observados sugerem que as intervenções
Sousa de Jesus fratura da extremidade descritivo e autocuidado e na capacidade funcional, da pessoa de Enfermagem, na Unidade de Convalescença, se
proximal do fémur. (72) correlacional após fratura da extremidade proximal do fémur, devem manter direcionadas para os autocuidados e
com o internamento em Unidade de capacidade funcional, bem como focar-se na
Convalescença (UC) deterioração cognitiva, para potenciar ganhos em saúde.
Patrícia Unidades de cuidados 2017 Quantitativo – Conhecer a influência dos cuidados de Constatou-se através dos resultados obtidos que os
Fernandes continuados: Ganhos com descritivo; enfermagem de reabilitação na recuperação da doentes sujeitos a cuidados de Enfermagem e
Ferreira os cuidados de enfermeiros quase- independência funcional do doente idoso. Reabilitação tiveram uma recuperação mais acentuada
de reabilitação. (73) experimental que os doentes do grupo controlo, isto porque existem
diferenças significativas nos resultados entre os grupos
após os cuidados de reabilitação em relação à capacidade
para a realização dos autocuidados, equilíbrio e força
muscular.
Anabela Capacitação para o 2019 Descritivo e Avaliação dos ganhos sensíveis aos cuidados de As intervenções do enfermeiro de reabilitação
Martins Autocuidado da Pessoa Exploratório Enfermagem de Reabilitação, na capacitação para cooperaram para uma melhoria da funcionalidade da
Batista Idosa na RNCCI, o autocuidado da pessoa idosa na RNCCI. pessoa, reduzindo a dependência no autocuidado,
Contributos dos Cuidados proporcionando ganhos em saúde
de Enfermagem de
Reabilitação. (74)
30
Capítulo 5. Apresentação e Discussão dos Resultados
Segundo o Joanna Briggs Institute, a discussão dos resultados numa Scoping Review,
deverá abranger todas as limitações das fontes incluídas na revisão e os resultados obtidos
devem ser discutidos à luz do contexto teórico-prático atual (61).
No estudo levado a cabo por Lourenço (2015), esta faz alusão aos registos efetuados pelos
enfermeiros, elencando que estes apenas referenciavam a condição geral do nível de
dependência, significando que, apenas mencionavam o diagnóstico formulado, não
fazendo qualquer tipo de referência às manifestações que levariam a formular tal
31
diagnóstico, de forma a que permitisse, assim, sustentar e fundamentar a necessidade
dos cuidados (30) (67). Também no estudo de Teixeira (2013), verifica-se a mesma
realidade, constatando-se a existência de registos onde eram mencionadas necessidades
de cuidados que eram identificadas, sem correspondência a qualquer registo de
intervenções de enfermagem direcionadas para satisfazer, gerando possíveis erros de
registo na avaliação inicial ou eventualmente a execução de uma avaliação inicial menos
rigorosa no que toca às necessidades de cuidados dos indivíduos relativamente à sua
capacidade para o autocuidado (64). Esta problemática, acarreta questões uma vez que a
incorreta identificação de necessidades ou o seu não registo irá impossibilitar o
reconhecimento dos ganhos em saúde sensíveis aos cuidados de enfermagem em aspetos
particulares, como por exemplo, na forma como a indivíduo executava e a forma como o
indivíduo passou a executar o autocuidado tomar banho, o vestir-se e despir-se ou o
arranjo pessoal (30) (64) (67).
32
sistemas de informação, sendo a partir desta avaliação, desencadeado o processo de
intervenção (73).
Foi percebido nos estudos de Teixeira (2013) e Petronilho et al. (2017) de que a
necessidade de cuidados de enfermagem inerentes ao autocuidado, não foi semelhante
nas diferentes tipologias de internamento sendo encontrada uma necessidade superior,
segundo os registos efetuados pelos enfermeiros, nas Unidades de Convalescença (64)
(70). Como tal, perante os achados poderá considerar-se de que existirá uma relação entre
a necessidade de cuidados de enfermagem inerentes ao autocuidado com o potencial de
recuperação dos indivíduos internados em cada uma das tipologias (64) (70). Assim, no
sentido de maximizar o potencial de recuperação dos indivíduos, por forma a promover a
máxima independência e autonomia para o autocuidado tomar banho, vestir-se/ despir-se
e o arranjo pessoal, parte do enfermeiro o delineamento e a implementação de
intervenções que permitam aos indivíduos dependentes, ampliar a sua janela de
conhecimentos, bem como o aprimorar a aquisição de capacidades e habilidades
intrínsecas e necessárias ao autocuidado (30) (63) (67) (69) (72).
A planificação das intervenções de enfermagem é demarcada conforme os critérios de
resultado ambicionados e das respostas aos requisitos de autocuidado (29). Um critério
crucial no delineamento dos cuidados de enfermagem é, claramente, o tempo estipulado
de internamento, que difere em cada uma das tipologias existentes, isto porque, para uma
definição de objetivos realistas e individualizados, será um fator imprescindível, tendo
em consideração o ritmo do processo de recuperação da independência de que irão
depender variáveis tanto individuais como contextuais (30).
Segundo os achados de Silva (2013), Jesus (2017), Henriques (2017), Ferreira (2017),
Ferreira (2015) e Lourenço (2015), foi percecionado de que o autocuidado tomar banho
se revelou como aquele em que existia um maior nível de dependência no momento da
admissão nas UCCI, seguido pelo autocuidado vestir/despir, sendo o autocuidado arranjo
pessoal, o que registou menor dependência (16) (30) (63) (68) (72) (73).
33
elevadas percentagens de dependência. Assim, constata-se a presença de disparidades
significativas quando avaliada a incapacidade funcional pelas suas várias dimensões do
que no seu todo (62) (63) (66) (69) (70) (71). Analisando pelas dimensões, constata-se
que as atividades onde se verificaram maiores níveis de incapacidade foram no
autocuidado tomar banho e no autocuidado vestir/despir. Porém, contudo, existiram
sempre, melhorias nas diferentes atividades o que significa que o internamento na RNCCI
apresenta um impacto positivo na funcionalidade dos indivíduos no que concerne ao
autocuidado (62) (63) (66) (69) (70) (71).
A obtenção de ganhos em saúde passa pelo desenvolvimento de um plano de intervenção,
seguido da sua implementação e execução através das atitudes prescritas, por forma a
otimizar e/ou reeducar a funcionalidade do indivíduo, elaborando programas de
reeducação funcional. Nesta etapa, contribuem, também, para colmatar os défices, a
utilização de produtos de apoio (dispositivos de apoio e de compensação), cuja
disponibilidade para seleção e prescrição, em alguns casos se torna indispensável, para a
maximização da independência (30) (65) (67) (74) no domínio do autocuidado: tomar
banho, vestir-se/despir-se, bem como arranjo pessoal. No entanto, segundo Lourenço
(2015), a sua utilização, como ferramenta para maximizar o potencial de autocuidado
ainda é residual, devido à inexistência, muita das vezes, de alguns dispositivos essenciais
para promover a independência e autonomia dos indivíduos (30). Na realidade, a
investigadora conclui, que se esses indivíduos fossem informados e instruídos acerca dos
dispositivos de apoio, tornar-se-iam independentes (30). Revela-se, assim, evidente de
que a não utilização destes dispositivos poderá ser uma barreira no processo de
recuperação dos clientes internados em UCCI (30). Além disso, poderá ocorrer o caso, de
os produtos de apoio existirem, mas os indivíduos, por opção própria, não quererem
utilizar ou não terem o conhecimento acerca destes, verificando-se, assim, um
desaproveitamento dos recursos e um não investimento na recuperação da independência
(30).
Segundo Franco (2013), a intervenção do enfermeiro ao nível motor e sensorial, apresenta
como intervenções a manutenção das amplitudes articulares, a prevenção da
espasticidade, a estimulação sensorial, o treino do equilíbrio e higiene postural, o treino
de marcha e o treino de AVD´s (atividades de vida diárias) (65). Melo (2010) sintetiza,
referindo que as intervenções dos enfermeiros intrínsecas ao autocuidado direcionam-se
34
à transmissão de conhecimento – educar, ao treino de capacidades – treinar, bem como
aliada ao ensino de estratégias – instruir, de uma maneira geral (30) (62) (65) (68).
Assim, através dos estudos analisados perceciona-se de que a centralidade da ação dos
enfermeiros encontra-se na capacitação para o autocuidado, isto é, no desenvolvimento
de competências de autocuidado do indivíduo com dependência funcional. Deste modo,
os enfermeiros, prescrevem cuidados, essencialmente, do tipo: apoiar, ensinar, instruir,
treinar, orientar, informar, avaliar e referenciar, constituindo, deste modo, um importante
recurso na que toca à promoção do potencial de desenvolvimento do indivíduo
dependente no autocuidado.
35
Capítulo 6. Conclusão
Perante os achados desta Scoping Review, foi possível comprovar que o enfermeiro tem
um papel ativo ao nível da promoção do autocuidado, no entanto, é ainda necessário
colmatar falhas, nomeadamente no que concerne à sistematização do processo de
enfermagem, de maneira que sejam formulados diagnósticos adequados às necessidades
reais dos indivíduos com dependência no autocuidado. As prescrições de enfermagem
devem, também, ser individualizadas e ajustadas, de acordo com a definição de objetivos
realistas, tendo em consideração o tempo estipulado de internamento de cada tipologia.
Por sua vez, as intervenções de enfermagem devem estar direcionadas para a obtenção de
resultados em saúde, mensuráveis no cliente, por forma a contribuir continuamente para
a definição de indicadores de enfermagem, que constituirão, no futuro, o resumo mínimo
de dados de Enfermagem da RNCCI, propiciando assim, um acréscimo de qualidade.
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