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Autocuidado e Enfermagem na RNCCI

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O ENFERMEIRO E A PROMOÇÃO DO

AUTOCUIDADO NA REDE NACIONAL DE


CUIDADOS CONTINUADOS - UMA SCOPING
REVIEW

Dissertação apresentada à Universidade Católica Portuguesa para obtenção


do grau de Mestre em Enfermagem Avançada

Por

Carina Cavalheiro Vieira

Porto, novembro de 2021


O ENFERMEIRO E A PROMOÇÃO DO
AUTOCUIDADO NA REDE NACIONAL DE
CUIDADOS CONTINUADOS - UMA SCOPING
REVIEW

NURSES AND THE SELF-CARE PROMOTION


IN THE NATIONAL CONTINUING CARE
NETWORK - A SCOPING REVIEW

Dissertação apresentada à Universidade Católica Portuguesa para obtenção


do grau de Mestre em Enfermagem Avançada

Por
Carina Cavalheiro Vieira

Sob Orientação do Professor Doutor Armando Almeida

Porto, 2021

1
2
RESUMO

A Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI) constitui o terceiro nível


de cuidados do Sistema Nacional de Saúde e a dependência no autocuidado emerge como
principal motivo de admissão nas diversas Unidades Funcionais.

Sendo este fenómeno central à disciplina de enfermagem e uma das áreas onde
comprovadamente os enfermeiros tomam decisões que influenciam positivamente a
saúde das pessoas, faz sentido considerar como imprescindível a sua correta avaliação,
seguida de uma operacionalização racional do processo de enfermagem, focada na
promoção salutar dos projetos de vida individuais, vulgarmente interrompidos por
situações de dependência, súbita ou progressiva, no autocuidado.

É da junção destes factos que emerge a principal motivação para o estudo, uma vez que
a investigadora principal, sendo enfermeira que detém particular interesse pelos assuntos
relacionados com a promoção do autocuidado, exerce funções num serviço pertencente à
RNCCI, pelo que surgiu a seguinte inquietação – é possível identificar, na bibliografia de
carater científico, o contributo dos enfermeiros que trabalham nas diferentes unidades
funcionais de internamento da RNCCI, para a promoção do autocuidado tomar banho,
vestir-se e despir-se e arranjar-se?

No sentido de mapear o conhecimento disponível optou-se por utilizar a metodologia


desenvolvida pelo Joanna Briggs Institute, para a concretização de uma Scoping Review.
Foram obtidos para análise integral 15 artigos, verificando-se que os enfermeiros
prescrevem cuidados que englobam ensinar, instruir, treinar, orientar, informar, avaliar,
apoiar e referenciar, assumindo-se como um importante recurso para a promoção da
autonomia e independência dos seus clientes.

Apesar de ser evidente a centralidade da ação dos enfermeiros no domínio da promoção


do autocuidado, faltam ainda estudos capazes de mensurar de forma clara, os ganhos em
saúde atribuíveis à ação destes profissionais nas Unidades Funcionais de Internamento da
RNCCI.

Palavras-Chave: Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados; Enfermagem;


Dependência para o Autocuidado;

3
ABSTRACT

The National Network of Integrated Continuing Care (RNCCI) is the third level of care
in the National Health System and dependence on self-care emerges as the main reason
for admission to the various Functional Units.

As this phenomenon is central to the discipline of nursing and one of the areas where
nurses have been shown to make decisions that positively influence people's health, it
makes sense to consider its correct assessment as essential, followed by a rational
operationalization of the nursing process, focused on the healthy promotion of individual
life projects, commonly interrupted by situations of sudden or progressive self-care
dependence.

It is from the combination of these facts that emerges the main motivation for this study,
since the main researcher, as a nurse with a particular interest in issues related to the
promotion of self-care, works in a service belonging to the RNCCI, and so the following
question arose - is it possible to identify, in the scientific literature, the contribution of
nurses working in the different functional units of the RNCCI inpatient unit to the
promotion of self-care - bathing, dressing and undressing, and grooming?

In order to map the available knowledge, we chose to use the methodology developed by
the Joanna Briggs Institute to conduct a Scoping Review. We obtained 15 articles for full
analysis, and found that nurses prescribe care that encompasses teaching, instructing,
training, orienting, informing, assessing, supporting, and referring, assuming themselves
as an important resource for the promotion of their clients' autonomy and independence.

Although the centrality of nurses' action in promoting self-care is evident, there is still a
lack of studies capable of clearly measuring the health gains attributable to the action of
these professionals in the Functional Units of the RNCCI.

Key-words: National Network for Integrated Continuous Care; Nursing; Dependence for
Self-Care

4
5
Agradecimentos

Ao professor Doutor Armando Almeida,

pela orientação, pela ajuda nos momentos difíceis, pela partilha e, sobretudo, pelas
oportunidades de desenvolvimento proporcionado ao longo do trajeto.

Aos meus pais,

Pelo apoio, motivação, pela vossa presença de sempre…e por tudo.

Ao meu irmão,

Pela paciência e pelo apoio de sempre, em tudo.

6
7
Lista de Acrónimos e Siglas

INE (Instituto Nacional de Estatística)

RNCCI (Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados)

UC (Unidades de Convalescença)

UMDR (Unidade de Média Duração e Reabilitação)

ULDM (Unidades de Longa Duração e Manutenção)

UCP (Unidade de Cuidados Paliativos)

ECCI (Equipas de Cuidados Continuados Integrados)

UCCI (Unidades de Cuidados Continuados Integrados)

IAI (Instrumento de Avaliação Integrado)

AVD´s (Atividades de Vida Diárias)

8
9
Índice
Introdução ..................................................................................................................... 12

Capítulo 1. Enquadramento Teórico ......................................................................... 15

I. A Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados ...................................... 15

II. O Autocuidado após um Evento Gerador de Dependência ................................. 19

III. A importância do Processo de Enfermagem para a Tomada de Decisão do


Enfermeiro .................................................................................................................. 21

IV. Registos de Enfermagem, o Processo de Enfermagem e a sua relação com a


Qualidade dos Cuidados ............................................................................................. 23

Capítulo 2. Questão de Investigação ........................................................................... 25

Capítulo 3. Enquadramento Metodológico ................................................................ 26

I. A Scoping Review ................................................................................................ 26

II. Plano Metodológico............................................................................................. 26

Capítulo 4. Resultados.................................................................................................. 28

I. Resultados da Pesquisa ........................................................................................ 28

i. Extração dos Dados ......................................................................................... 28

Capítulo 5. Apresentação e Discussão dos Resultados .............................................. 31

Capítulo 6. Conclusão .................................................................................................. 36

Bibliografia .................................................................................................................... 37

10
Índice de Figuras

Figura 1 - Índice de Envelhecimento em Portugal (13).................................................. 15


Figura 2 - Processo de Seleção dos estudos - Preferred Reporting Items for Systematic
Reviews and Meta-Analyses (PRISMA) ........................................................................ 27

Índice de Tabelas

Tabela 1 - Distribuição dos Artigos pelos anos de realização ........................................ 28

Índice de Quadros

Quadro 1 - Extração das Evidências ............................................................................... 27

11
Introdução

A trajetória deste estudo focou-se na área do Autocuidado, um conceito central à


Disciplina de Enfermagem onde, comprovadamente, a atuação dos enfermeiros é capaz
de gerar resultados em saúde, sensíveis à sua prescrição (1).

Sendo o autocuidado fundamental na vida de qualquer indivíduo, a sua afetação


relacionada com eventos críticos geradores de dependência, exige uma inevitável
adaptação, sendo claro que os enfermeiros se afiguram como potenciais parceiros para
gerirem todo o processo de transição (2) (3). Partindo deste pressuposto, é nesta situação
que podemos encontrar muitos dos indivíduos internados nas Unidades de Saúde (4) (5)
(6) que se encontram vinculadas à Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados
(RNCCI).

A evolução do conhecimento em Enfermagem tem contribuído para uma progressiva


independência no exercício da profissão e, por conseguinte, a tomada de decisão que
promove a qualidade dos cuidados de saúde prestados aos cidadãos está, atualmente,
muito dependente da informação partilhada (7), pelo que, é consensual entre os
enfermeiros, a grande pertinência que esta tem para a Enfermagem (8), sempre que é
necessário tomar decisões clínicas, optar quanto à continuidade dos cuidados ou à
qualidade dos mesmos, exercer atividades de gestão, formação ou até mesmo,
investigação (9). Apesar disso, nem sempre a documentação do processo de tomada de
decisão clínica de enfermagem se encontra clara e objetiva (9). Segundo a Ordem dos
Enfermeiros, o enfermeiro utiliza o Processo de Enfermagem de forma a diagnosticar e
priorizar problemas, distinguindo entre dados relevantes e acessórios, aqueles que
permitem estabelecer objetivos de parceria com o cliente, para a obtenção posterior de
ganhos em saúde (10).

O autocuidado é um dos resultados dos utentes que é mencionado na literatura como


sendo sensível aos cuidados de enfermagem, porém pouco monitorizado quando
confrontado com outros indicadores de serviços de saúde prestados aos cidadãos, que
pouco têm a revelar sobre a visibilidade da qualidade dos cuidados prestados pelos
enfermeiros.

É destas premissas que surge a grande motivação deste estudo uma vez que a
investigadora principal exerce funções num serviço pertencente à RNCCI, onde um dos

12
motivos principais de referenciação dos clientes para as diferentes tipologias é o
diagnóstico de Dependência no Autocuidado.

Assim, tendo presente que a Enfermagem Avançada, tal como vem definida na página de
apresentação deste mestrado, se associa

“a um pensamento profissional centrado numa lógica conceptual, que utiliza o


conhecimento disciplinar disponível e o método científico para investigar os contextos
de trabalho e as respostas humanas potencialmente sensíveis aos cuidados de
enfermagem, por forma a expandir o conhecimento disciplinar, as competências de
tomada de decisão dos enfermeiros e consequentemente as propostas terapêuticas de
enfermagem”,
foram surgindo, com naturalidade, algumas inquietações relativas ao desempenho
profissional dos enfermeiros que trabalham nestas unidades: será que desenvolvem,
conscientemente, uma prática profissional alicerçada nas diferentes etapas do processo de
enfermagem, para prescrever cuidados de enfermagem que interfiram com o estado de
dependência no autocuidado tomar banho, arranjo pessoal e vestir-se/despir-se, gerando
ganhos em saúde e independência? Será que relatam as reais necessidades inerentes ao
autocuidado dos seus clientes? Existirão estudos que comprovem a importância das suas
prescrições nas unidades da RNCCI?

Estes foram os pontos de partida para um estudo exploratório, onde se pretende mapear
todo o conhecimento disponível que comprove a intervenção realizada pelos enfermeiros,
no âmbito destas unidades, contribuindo dessa forma para guiar, promover ou suportar a
tomada de decisão autónoma dos enfermeiros.

Com o desígnio de uma melhor assimilação dos conteúdos, o estudo apresenta-se


estruturado e dividido em seis partes:

Na primeira faz-se o enquadramento teórico de todo o estudo, estando subdividido


em quatro pontos, por forma a caraterizar a Rede Nacional de Cuidados Continuados;
sintetizar a principal evidência sobre o processo de reconstrução do Autocuidado após
um evento gerador de Dependência, uma vez que um dos critérios de referenciação para
a RNCCI é a situação de dependência ou de perda de autonomia; explorar a importância
do processo de enfermagem para a tomada de decisão profissional; e relacionar os registos
de enfermagem com a qualidade dos cuidados, no sentido de perceber se o que os
enfermeiros escrevem reflete, na íntegra, as prescrições autónomas e o impacto destas na

13
saúde dos clientes, nomeadamente, no que diz respeito ao processo de reconstrução do
autocuidado nos domínios do tomar banho, arranjar-se e vestir-se e despir-se.

Na segunda parte desenvolve-se a questão norteadora do estudo fazendo


referência ao objetivo que se pretende atingir;

Em terceiro surge o enquadramento metodológico, onde se descreve a


metodologia de base para a realização desta Scoping Review, particularmente fazendo
referência às estratégias de pesquisa, bem como o tratamento e a apresentação dos dados;

Na quarta parte exploram-se os principais resultados obtidos através da pesquisa


bibliográfica, acompanhados por uma breve síntese explicativa dos fenómenos em
questão;

Surge depois a discussão dos resultados, terminando com as principais conclusões


do estudo de uma maneira geral, com base nos objetivos traçados e nos resultados obtidos.

14
Capítulo 1. Enquadramento Teórico

I. A Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados

Em Portugal, com as alterações demográficas que se fizeram sentir ao longo das décadas,
com cada vez maior peso no que concerne à população idosa, bem como com a alteração
do panorama social, desencadeada pela ausência da mulher como cuidadora tradicional,
conduziram à necessidade de encontrar respostas para o apoio de indivíduos que se
encontrassem em situação de dependência (11).

Como já foi mencionado, defrontamo-nos com uma população cada vez mais envelhecida
(Figura 1.), existindo um evidente aumento no que concerne à esperança média de vida
no decorrer dos anos e uma maior prevalência de doenças crónicas que se tem traduzido
num aumento exponencial de pessoas com limitações físicas, emocionais e cognitivas
que, inevitavelmente as conduzem a um maior nível de dependência, surgindo, em
consequência, uma maior necessidade de acompanhamento na fase final do ciclo vital
(12).

Figura 1 - Índice de Envelhecimento em Portugal (13)

O envelhecimento populacional, em Portugal, revela-se como um dos fenómenos


demográficos mais inquietantes para a sociedade, pois resulta do efeito combinado entre
o aumento da esperança média de vida com a diminuição da taxa da natalidade, sendo
agravado pelas alterações ao nível de dinâmicas familiares e sociais (14). Além disso, o

15
desenvolvimento científico e tecnológico dos cuidados de saúde, tornou possível o
diagnóstico, a cura e a prevenção de doenças (15), que em conjunto com a modulação das
respostas humanas centradas em comportamentos mais saudáveis, conduziu a uma
melhoria da qualidade de vida.

O que é preocupante no aumento da esperança média de vida, é que este não se tem
traduzido diretamente no acréscimo de anos de vida saudável, uma vez que os últimos
anos de vida são acompanhados por uma maior fragilidade e maiores níveis de
dependência, além de uma maior prevalência de doenças (16). A existência de patologias
crónicas e a diminuição do nível de atividade física, contribui para que a população idosa
constitua o grupo mais suscetível à incapacidade funcional, fenómeno reconhecido como
relevante preditor de mortalidade (16).

As situações de dependência não são inerentes a um grupo etário em particular, existindo,


claramente, pessoas dependentes em todas as idades, todavia o maior predomínio
observa-se nitidamente na população idosa. Para além das questões referidas
anteriormente, importa também realçar outras consequências da longevidade,
nomeadamente no que concerne ao financiamento dos sistemas de saúde, pois o idoso
terá a necessidade de uma maior assistência em saúde, aumentando, assim a despesa (17).

Até aos inícios deste século, a única resposta que os indivíduos tinham disponível para
situações de incapacidade e dependência, sem necessitarem de cuidados médicos de
maior especialização eram as unidades hospitalares (18). Este facto acabava por não se
tornar favorável para as pessoas que careciam de cuidados de reabilitação ou
simplesmente de manutenção, face a situações de dependência no autocuidado e que já
não necessitavam de cuidados médicos diferenciados, uma vez que a permanência no
hospital os expunha a possíveis infeções e a episódios adversos, por períodos maiores de
tempo do que era suposto, diminuindo, por esse motivo, o nível de eficiência e capacidade
de resposta a outras situações agudas, além de ao nível financeiro se tornar muito
dispendioso (18). Desta forma, tornava-se crucial a criação de uma rede de cuidados que
apoiassem estes indivíduos, com carências específicas ao nível das respostas humanas à
doença/dependência e que promovessem a sua reabilitação e autonomia (18).

Em 2005, foi criado um grupo de trabalho, Unidade de Missão para os Cuidados


Continuados, cujos objetivos seriam o desenvolvimento de estratégias adequadas às
necessidades da população idosa, bem como a indivíduos em situações de dependência

16
ou de perda de autonomia, criando condições para que estas pessoas pudessem usufruir
de uma vida com qualidade de saúde, sustentadas em um suporte de políticas de saúde e
sociais (19).

Destas premissas, surgiu a Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI),


legislada pelo Decreto-Lei nº101/2006, de 6 de junho (19) e pensada com o intuito de
responder a situações de pessoas idosas e /ou em situação de dependências, que não
requerem internamento em hospital de agudos, mas que, no entanto, apresentam
necessidades de cuidados continuados, de forma eficiente e adaptada, independentemente
da idade (20).

Em 2019, segundo o Relatório de Monitorização de Cuidados Continuados Integrados, o


motivo de referenciação para a RNCCI mais comum foi a Dependência nas Atividades
de Vida Diárias (AVD’s) (21), fenómeno central à prescrição dos enfermeiros. Assim, as
Unidades de Cuidados Continuados apresentam-se como uma resposta crucial aos
diversos estádios das respostas humanas à doença, surgindo a necessidade de apresentar
respostas diferenciadas colmatando as necessidades individuais (11).

As unidades de internamento da Rede, dividem-se em quatro tipologias distintas -


Unidades de Convalescença (UC); Unidades de Média Duração e Reabilitação
(UMDR); Unidades de Longa Duração e Manutenção (ULDM); e Unidades de
Cuidados Paliativos (UCP) -, de acordo com as necessidades dos indivíduos (11),
podendo essas respostas estenderem-se até ao ambiente domiciliar através das Equipas de
Cuidados Continuados Integrados – Domiciliária (ECCI) (10) (22)

As Unidades de Convalescença, cujo internamento poderá ser de até 30 dias, são unidades
direcionadas a indivíduos que já não possuem critérios de cuidados médicos hospitalares
de agudos, mas que devido a uma situação de doença aguda, recorrência ou
descompensação de uma doença crónica, requerem ainda cuidados de saúde, que pela sua
frequência, complexidade ou duração, não podem ser concedidos no domicílio (11) (22).

As Unidades de Média Duração e Reabilitação, cujos internamentos poderão ter uma


duração de entre 30 a 90 dias, destinam-se a indivíduos que, na consequência de uma
patologia aguda ou reagudização de uma doença crónica, perderam temporariamente a
sua autonomia e funcionalidade, no entanto apresentam potencial de reabilitação
funcional e com necessidade de cuidados de saúde, de apoio social, que pela sua
frequência ou duração, não podem ser realizados no domicílio (11) (22).

17
As Unidades de Longa Duração e Manutenção, cujos internamentos poderão ter uma
duração superior a 90 dias, estão direcionados a indivíduos com patologias ou processos
crónicos, que apresentam distintos níveis de dependência e graus de complexidade, e que
não apresentem condições para serem cuidados em casa ou noutro tipo de resposta. São
prestados cuidados de saúde de manutenção e apoio social que previnam e retardem o
agravamento da situação de dependência, promovendo o conforto e a qualidade de vida
(11) (22). As ULDM apresentam ainda a possibilidade de internamentos destinados
ao “Descanso do Cuidador”, com uma duração máxima de 90 dias por ano, podendo
ser assegurados num único período ou em períodos intervalados (11) (22).

As Unidades de Cuidados Paliativos, destinam-se a indivíduos com doenças


complexas em situação avançada, com evidente falha da terapêutica direcionada à
doença de base ou em fase terminal e que necessitam de cuidados para a orientação
ou prestação de um plano terapêutico paliativo (11).

As Equipas de Cuidados Continuados Integrados - Domiciliárias, são reservadas a


indivíduos que se encontrem em situação de dependência funcional temporária ou
prolongada, que não têm a possibilidade de se deslocar de maneira autónoma, cujo critério
de referenciação se alicerça na fragilidade, na limitação funcional grave, com limitações
por fatores ambientais, com doença severa, em fase avançada ou terminal, ao longo da
vida, e que reúnam condições domiciliárias que possibilitem a prestação dos cuidados
continuados integrados, sendo critérios de inclusão: uma frequência de prestação de
cuidados de saúde superior a 1 vez por dia ou prestação de cuidados de saúde superior a
1 hora e 30 minutos por dia, num mínimo de 3 dias por semana, com necessidades de
cuidados além do horário normal de funcionamento da equipa de saúde familiar, incluindo
fins-de-semana e feriados, que apresentem uma complexidade de cuidados que exija um
grau de diferenciação ao nível da reabilitação, bem como necessidades de suporte e
capacitação ao cuidador informal (22).

Assim, o trabalho desenvolvido pela RNCCI revela que ela é crucial e complementar no
que concerne à prestação de cuidados. Representa, desta forma, uma resposta ajustada às
carências dos mais necessitados e dependentes, partindo do desenvolvimento de um
trabalho de solidarização e consideração pela dignidade do ser humano.

18
II. O Autocuidado após um Evento Gerador de Dependência

O autocuidado é um domínio central na atenção do Enfermeiro, sendo um fenómeno


complexo e multidimensional (23). Diversos são os fatores que têm vindo a contribuir
para a relevância do autocuidado como foco de atenção no domínio da saúde,
nomeadamente as alterações dos padrões e o predomínio de doenças crónicas
relacionadas com o envelhecimento populacional, além da alteração do paradigma que
evoluiu de uma lógica curativa para uma perspetivação dos cuidados direcionados para a
promoção da saúde (23) (24).

O autocuidado, segundo Orem (1993), apesar de ser considerado uma função reguladora
da atividade humana, não é algo adquirido de forma congénita, isto porque, existe a
necessidade de ser aprendido e desenvolvido ao longo da vida, por forma a colmatar as
necessidades individuais de cada ser humano, por essa razão, é uma ação deliberadamente
executada pelo indivíduo no sentido de regular o seu próprio funcionamento e
desenvolvimento, ou dos seus dependentes (23) (25) (26).

Segundo o Conselho Internacional de Enfermagem (ICN) (2019), o autocuidado é


definido como a “Atividade executada pelo próprio: tratar do que é necessário para se
manter; manter-se operacional e lidar com as necessidades individuais básicas e íntimas
e as atividades da vida diária.” (27) .

Para Neves e Wink (2007), estas definem autocuidado de forma diferenciada,


considerando este conceito, como um processo cognitivo, afetivo e comportamental,
estruturado ao longo da vida e consolidado quando o indivíduo se compromete a assumir
responsabilidade da sua própria vida na aquisição da integridade, nas relações individuais
e com o outro (28).

Sendo o autocuidado central na vida de qualquer ser humano, a dependência no


autocuidado, quer seja de instalação gradual ou súbita, necessita de especial atenção por
parte do enfermeiro (29). Além disso, a prescrição do enfermeiro advém da necessidade
de proceder à gestão de uma nova condição de saúde, neste caso, a dependência para o
autocuidado, fazendo com que os indivíduos desenvolvam determinadas respostas
humanas, que podem ser compreendidas como um modelo mental e uma predisposição
da pessoa face a um estímulo, isto é, um comportamento, uma propensão, ou uma ação

19
do indivíduo que transitou da situação de independente para a situação de dependente
(30).

Tornar-se dependente para o autocuidado implica uma mudança para novos papéis e por
consequência novas responsabilidades obrigando o indivíduo a enfrentar uma transição
situacional de saúde/doença que envolve um processo, uma direção e mudanças nos
padrões basilares da vida (31).

No que toca aos Padrões de Qualidade dos Cuidados de Enfermagem, divulgados pela
Ordem dos Enfermeiros (2001), é da competência do enfermeiro, contribuir na prevenção
da doença, bem como promover os processos de readaptação, procurando deste modo,
satisfazer as necessidades humanas basilares, cooperando de forma sistemática para o
máximo exponencial de independência na realização das atividades de vida diária,
buscando-se, para tal, a ocorrência da adaptação funcional aos défices, bem como a
adaptação a múltiplos fatores, nomeadamente, através de processos constantes de
aprendizagem do indivíduo. Além disso, é ainda responsável por maximizar o bem-estar
dos indivíduos, bem como assistir e/ou complementar as atividades de vida relativamente
às quais o indivíduo é dependente (1) (32). Deste modo, o conceito de dependência, está
ligado à capacidade funcional do indivíduo e está relacionado com a inaptidão de adotar
comportamentos ou executar de forma independente, atividades que possibilitem ao
indivíduo obter e suprimir um nível satisfatório no que concerne às suas necessidades
básicas e instrumentais (33).

Qualquer que seja a etapa de vida em que o indivíduo se encontre, o confronto com
situações de doença, falta de recursos, existência de fatores externos incapacitantes ou em
situações onde a necessidade se revele superior à capacidade de resposta do indivíduo
levam frequentemente a episódios de dependência física e debilidade mental, conduzindo
a défices no autocuidado (34) (35). Assim, o indivíduo dependente surge como aquele
que no decorrer de um determinado período de tempo, prolongado ou não, carece de ajuda
de outrem ou de equipamento, para a realização de certas atividades de autocuidado (36).
Esta circunstância leva a que careça de apoio diferenciado, justificando-se, deste modo, a
necessidade de cuidados de enfermagem (37). Desta forma, o conhecimento, por parte do
enfermeiro, no que toca ao nível de dependência dos indivíduos em cada um dos domínios
do autocuidado, mais concretamente, em cada atividade que executa, possibilita não só
delinear cuidados individualizados, mas também definir e implementar intervenções
realistas, adaptadas e ajustadas às necessidades individuais de cada cliente (38). Salienta-
20
se ainda, que a dependência poderá estar presente em qualquer etapa da vida do indivíduo,
não única e exclusivamente na velhice, como muitas das vezes se vê conectada (23) (38).

A capacidade que cada indivíduo apresenta para se autocuidar, encontra-se intimamente


relacionada com as suas capacidades, com o seu conhecimento, bem como com as
experiências vivenciadas no decorrer do seu percurso de vida, sendo, desta forma,
denominado - agente de autocuidado (30). Contudo, quando o indivíduo perde, por algum
motivo, a sua capacidade, ocorre a necessidade de ser substituído por outra pessoa, assim,
nesta situação, passa a ser denominado - agente dependente de cuidados. E, é nestas
situações que o Enfermeiro, desempenha um papel crucial e compensatório (30).

III. A importância do Processo de Enfermagem para a Tomada de


Decisão do Enfermeiro

O Enfermeiro é confrontado, no decorrer da sua prática clínica, com uma panóplia de


situações distintas que envolvem indivíduos com problemas e necessidades de cuidados
de saúde distintos. Deste modo, o processo de tomada de decisão surge como uma
componente crucial para a prática de enfermagem.

A autonomia de uma profissão espelha-se na forma como os seus profissionais são


capazes de decidir, responsabilizar-se por essas decisões, bem como pelos seus resultados
(39). Para Meneses (2004), citando Ulrich et al. (2003) a autonomia em enfermagem é a
aptidão para determinar a quais necessidades dar resposta ao cuidar das pessoas, a agir de
acordo com o seu julgamento profissional e a aceitar a responsabilidade por essas decisões
(40). Este autor denominou estratégias de raciocínio que se fazem corresponder às
seguintes categorias de orientação do pensamento, nomeadamente a revisão da
informação; a procura de informação complementar; a reflexão acerca da informação; a
formulação de hipóteses; a inferência; a identificação de necessidades de cuidados; a
identificação de problemas/diagnósticos de enfermagem; a formulação do
problema/diagnóstico de enfermagem; a prescrição de intervenções e a organização dos
problemas (41).

A decisão clínica é um processo que compreende tanto o diagnóstico como a avaliação


clínica e a decisão daquilo que vai ser realizado (42). As competências e funções do
enfermeiro, têm vindo a passar por modificações, quer pela influência das necessidades

21
crescentes dos cuidados de saúde de qualidade, por parte da sociedade atual, quer também
pelas alterações legislativas do exercício profissional subsequentes das novas exigências.
Como tal, a tomada de decisão é um processo incompatível com uma prática rotineira,
encontrando-se crucialmente relacionada com uma prática reflexiva, sendo, assim, um
suporte para uma evolução sócio/profissional norteada para as necessidades dos cuidados
(43). Torna-se, desta forma, imprescindível o desenvolvimento de uma prática baseada
na evidência, como modo de agregar os conhecimentos, os valores, as crenças dos
clientes, de forma a que os cuidados prestados sejam o mais ajustados e individualizados
às necessidades, tendo em consideração o quadro de valores e crenças dos mesmos (10)
(44), além disso, é urgente desenvolver uma prática de Enfermagem Avançada que se
traduza e repercuta em cuidados de maior qualidade, tendo por base o conhecimento
disciplinar da Enfermagem.

Conforme o que se encontra regulamentado para o exercício profissional da Enfermagem,


a resposta às necessidades de cuidados dos indivíduos acarreta e implica uma abordagem
sistemática e sobretudo, intencional, que só será possível de ser devidamente concretizada
com o recurso a uma metodologia científica, ou seja, com recurso ao Processo de
Enfermagem (10). De facto, a aplicação intencional e sistemática do Processo de
Enfermagem possibilita que as necessidades dos indivíduos sejam refletidas de forma
organizada e metódica, o que permite acrescentar qualidade ao cuidado, bem como
melhorar a visibilidade, a valorização e o reconhecimento profissional (45) (46). Além
disso, a implementação do Processo de Enfermagem, para além de direcionar a
organização do trabalho de enfermagem segundo as suas atribuições específicas, confere
aos enfermeiros maior contentamento pessoal e profissional (46) (47).

O processo de enfermagem emerge, assim, como um método que permite a organização


do pensamento para a tomada de decisão, bem como para a resolução de problemas ao
proceder ao delineamento dos cuidados a executar e subsequente prestação de cuidados
aos indivíduos (10) (48). Após uma correta identificação da problemática do cliente, as
intervenções de enfermagem são prescritas, detetando, de forma precoce potenciais
problemas e resolvendo ou minimizando os problemas reais identificados (10).

Tal como a Ordem dos Enfermeiros (2015) faz menção, torna-se assim explícito, que a
decisão, não pode ser desagregada da prática baseada na evidência (49). Assim, no
processo da tomada de decisão em Enfermagem e na fase de implementação das
intervenções, o enfermeiro incorpora os resultados da investigação na sua prática clínica.
22
IV. Registos de Enfermagem, o Processo de Enfermagem e a sua relação
com a Qualidade dos Cuidados

Os registos surgem como a unidade basilar da metodologia de trabalho em enfermagem,


pelo que, têm de ser rigorosos, objetivos e completos, uma vez que são a prova escrita
daquilo que é a prática de enfermagem (50). Através deles, os enfermeiros concedem
visibilidade ao seu desempenho, fortalecendo na mesma medida a sua autonomia e
responsabilidade profissional (50) (51).

Constata-se que os registos de enfermagem realizados não são o reflexo,


maioritariamente, das tomadas de decisão dos enfermeiros (diagnósticos, intervenções e
resultados) face à saúde dos seus clientes, pelo que impossibilita a continuidade de
cuidados, por falta de comunicação entre os profissionais de saúde (52). Num estudo
realizado por Ribeiro et al. (2018), que apresentava como objetivo descrever a aplicação
do processo de enfermagem pelos enfermeiros, concluiu que estes apesar de
reconhecerem a sua importância para a concretização de uma prática sistematizada e
intencional, revelaram encontrar-se mais concentrados numa ideologia de cuidados
direcionada para a gestão de sinais e sintomas das patologias, centrando-se no domínio
das funções, em detrimento das necessidades reais manifestadas pelos clientes (53). Além
disso, nos contextos em que existia uma aplicação parcial e pouco fundamentada do
processo de enfermagem, a práxis dos enfermeiros era frequentemente orientada por
hábitos e tradições já enraizadas (53). É certo, de que o seu uso correto irá promover a
continuidade dos cuidados, permitindo a formulação de objetivos de saúde a atingir no
cliente, fornecendo um veículo de avaliação e de apoio no desenvolvimento dos padrões
de enfermagem (54) (55) (56). Importa ainda realçar que, apesar dos registos serem
cruciais para o enfermeiro, são, também imprescindíveis para o cliente, como parte da
documentação do processo de transição saúde/doença (54).

Para Campos, Borges e Portugal (2009) a qualidade, no que toca aos cuidados de saúde
deverá integrar todo o processo do indivíduo, desde o ingresso e acolhimento, passando
pelo processo de diagnóstico e terapêutica, além de todas as questões que se referem ao
conforto, informação e ao estabelecimento da relação com doentes e familiares (57). É
sabido de que a qualidade dos cuidados se encontra intrinsecamente relacionada com a
qualidade de informação disponível na prestação de cuidados, no entanto, a complexidade
dos contextos de saúde, a necessidade de apresentar efetividade nos cuidados e a
23
transformação organizacional face à introdução da informatização são razões para que o
processo demore mais tempo (58).

Os registos de enfermagem têm assumido um papel fundamental para a investigação


ajudando a uma prática baseada na evidência e, consequente uma maior qualidade nos
cuidados. Por outro lado, apesar de ainda pouco consensual na literatura, é referido que a
documentação de enfermagem apresenta uma correlação positiva com a qualidade dos
cuidados, significando que, registos de boa qualidade espelham cuidados de enfermagem
de boa qualidade (59) (60).

Os Padrões de Qualidade dos Cuidados de Enfermagem, descritos pela Ordem dos


Enfermeiros (2001), encontram-se elencados em seis categorias de enunciados
descritivos, sendo eles: a satisfação do cliente, a promoção da saúde, a prevenção de
complicações, o bem-estar e o autocuidado, a readaptação funcional e a organização dos
cuidados de enfermagem (1). Estes enunciados, apresentam como intuito a explicitação
da natureza e dos distintos aspetos do mandato social da enfermagem, sendo para os
clientes o quadro de garantia da qualidade dos cuidados de enfermagem, e para os
enfermeiros a referência comum e a diretriz para o exercício profissional de excelência
(1).

24
Capítulo 2. Questão de Investigação

A partir do delineamento das questões de investigação torna-se possível sintetizar a


evidência científica de maneira eficiente, como tal, tornando-se indispensável
desenvolver novas abordagens, como a Scoping Review (61).

Nesse sentido, para a elaboração da pergunta de investigação recorreu-se ao método


“PCC”, que é um acrónimo para:

População – Pessoas dependentes no autocuidado Tomar Banho, Arranjo Pessoal,


Vestir-Se/Despir-se;

Conceito – Diagnósticos de enfermagem; Intervenções de enfermagem;


Resultados sensíveis aos cuidados de enfermagem;

Contexto – Rede Nacional de Cuidados Continuados.

Desta forma, a questão de investigação é a seguinte: “Quais os diagnósticos, as


intervenções e os resultados sensíveis aos cuidados de enfermagem, para responder a
fenómenos de dependência no autocuidado Tomar Banho, Arranjo Pessoal, Vestir-
Se/Despir-se, em indivíduos internados nas Unidades de Cuidados de Saúde da Rede
Nacional de Cuidados Continuados.

Pretende-se, assim, identificar, descrever e analisar, bem como mapear o que há na


evidência científica acerca da intervenção dos enfermeiros, nas Unidades da Rede
Nacional de Cuidados Continuados Integrados, relativa ao foco autocuidado, nos
domínios do tomar banho, arranjo pessoal e vestir-se/despir-se.

25
Capítulo 3. Enquadramento Metodológico

Neste capítulo, será abordada a metodologia que irá orientar este trabalho de investigação,
com o intuito de permitir uma explicação detalhada e rigorosa do percurso desenvolvido
no decorrer deste estudo.

I. A Scoping Review

A escolha deste método, fundamenta-se por este ser um tipo de revisão cujos principais
objetivos se prendem com o mapeamento da evidência existente subjacente a uma
determinada área, tornando possível identificar lacunas na evidência existente, além
disso, uma das singularidades deste método é que este não tem como intuito analisar a
qualidade metodológica dos estudos incluídos, uma vez que, a sua intenção não é
encontrar a melhor evidência científica, mas sim, mapear o conhecimento científico já
existente (61).

A Metodologia utilizada para a concretização deste estudo foi a baseada nas


recomendações do Joanna Briggs Institute for Scoping Reviews (61).

Como critérios de inclusão foram estabelecidos os seguintes:

- Artigos em Português, Inglês e/ou Espanhol;

- Artigos disponíveis na sua íntegra;

A seleção dos artigos foi realizada de acordo com os critérios de inclusão anteriormente
expostos.

II. Plano Metodológico

Segue-se o plano que conduziu a produção da Scoping Review:

a) Identificação da Questão de Investigação;


b) Identificação dos Estudos Relevantes;
c) Seleção dos Estudos através da análise;
d) Extração dos dados;
e) Agrupar, resumir e comunicar os resultados obtidos;

26
O desenvolvimento da pesquisa foi efetuado na plataforma de pesquisa RCAAP, B-ON,
bem como a pesquisa em Revistas de Enfermagem Portuguesas.

Como palavras-chave foram utilizadas as seguintes: unidade de cuidados continuados;


dependência no autocuidado; cuidados de enfermagem;

A apresentação do processo de seleção dos artigos é apresentada abaixo, num diagrama


de fluxo (Figura 1.)

Figura 2 - Processo de Seleção dos estudos - Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses
(PRISMA)

Número de artigos RCAAP – 184;

Identificação identificados nas bases de


dados (n=491 )
Revistas de
Enfermagem – 5;
B-ON - 302

Número de artigos Artigos excluídos através


Análise analisados (título e
resumo) (n=291)
da duplicação ou
inacessibilidade (n=200)

Número de artigos Artigos excluídos por não


Elegibilidade analisados na íntegra
(n=23)
irem de encontro com a
temática (n=268)

Número de artigos
Inclusão incluídos na Scoping
Review (n=15)

Foram obtidos inicialmente um total de 491 artigos, dos quais 200, foram excluídos por
se encontrarem duplicados ou por não serem de acesso aberto. Foram analisados 291 de
forma parcial, através da leitura do título e do resumo, pelo que se verificou que 268 não
iam de encontro à temática em estudo, além disso dos 23 artigos analisados na íntegra, 8
reportavam-se a estudos realizados em contexto domiciliário, pelo que foram excluídos.
Desta maneira, foram incluídos 15 artigos na Scoping Review.

27
Capítulo 4. Resultados

Neste capítulo serão elencados os resultados obtidos através da pesquisa bibliográfica,


acompanhados por uma breve síntese explicativa dos fenómenos em questão.

I. Resultados da Pesquisa
Esta Scoping Review inclui 15 artigos, que foram incluídos e analisados na sua
integralidade e que se relacionavam com a temática em estudo (Tabela 1.). Desse modo,
é possível destacar o ano de 2017 como o mais dominante no que concerne a esta temática.
Os artigos estão escritos, sua totalidade, em língua portuguesa e são originários de
Portugal, uma vez que a RNCCI existe apenas nesse país.

Tabela 1 - Distribuição dos Artigos pelos anos de realização

ANO NÚMERO DE ESTUDOS


2010 1
2013 3
2014 2
2015 2
2016 1
2017 5
2019 1
TOTAL 15

Da totalidade dos estudos, 12 correspondem a Dissertações de Mestrado, 2 são Teses de


Doutoramento e apenas 1 corresponde a um artigo de investigação. No que às tipologias
de internamento das Unidades de Cuidados Continuados diz respeito, 7 foram realizados
em Unidades de Convalescença, 4 em Unidade de Média Duração e Reabilitação, um em
Unidades de Longa Duração e Manutenção, enquanto os restantes 3 não diferenciaram o
tipo de tipologia de unidade.

i. Extração dos Dados


O processo de extração é conhecido como mapeamento dos dados extraídos dos artigos
analisados. Este processo permite fornecer um resumo lógico e descritivo dos resultados
obtidos permitindo enquadrar os resultados com o objetivo da revisão (61).

28
Quadro 1 - Extração das Evidências

Autores Título do Estudo Ano de Tipo de Objetivo do Estudo Principais Resultados/Conclusões


Publicação Estudo
Manuel Autocuidado em Doentes 2010 Descritivo – Descrever e explicar a natureza de algumas Constatou-se que no que concerne à apreciação inicial
Barnabé com Hemiplegia - correlacional relações decorrentes do processo de cuidados de efetuada pelos enfermeiros se referiam às atividades de
Moura Pinto Cuidados Continuados De enfermagem implementados na Unidade de autocuidado e que a centralidade dos cuidados está no
de Melo Convalescença. (62) Convalescença de Valongo. ensino, instrução e treino, em suma, na capacitação das
pessoas relativamente ao autocuidado.
Cláudia A pessoa com acidente 2013 Quantitativo – Identificar a evolução do nível de (in)dependência Constatou-se uma diminuição dos níveis de maior
Daniela vascular cerebral: Exploratório nos autocuidados, da pessoa com Acidente dependência em todos os autocuidados (dependência
Carvalho da contributos de um Vascular Cerebral, desde a entrada até à alta, após total, severa e moderada) e um aumento dos níveis de
Silva programa de enfermagem a implementação de um programa de reabilitação dependência leve e independência.
de reabilitação no nível de relativo ao treino do autocuidado, utilizando o
(in)dependência nos Índice de Barthel.
autocuidados. (63)
Gisela Mosca O autocuidado como 2013 Quantitativo – Descrever o contributo da intervenção dos Em todas as Atividades Básicas de Vida Diária dos
Teixeira resultado sensível ao descritivo, enfermeiros para o autocuidado dos utentes nas utentes que tiveram intervenção de enfermagem para o
cuidado de enfermagem correlacional e atividades básicas de vida diária, como resultado autocuidado, houve uma taxa de resolução da
nos cuidados continuados retrospetivo sensível ao cuidado de enfermagem, nas tipologias dependência positiva nas três tipologias. A intervenção
integrados. (64) de internamento da RNCCI – Unidades de dos enfermeiros na RNCCI parece ter um contributo
Convalescença, Unidades de Média Duração e positivo na capacitação dos utentes para o autocuidado.
Reabilitação e Unidades de Longa Duração e
Manutenção.
Glória Daniela Intervenção Do Enfermeiro 2013 Qualitativo – Conhecer as perceções dos enfermeiros, A intervenção do enfermeiro de reabilitação contribui
Pontes Especialista em Exploratório- relativamente à intervenção do enfermeiro para a obtenção de ganhos em saúde, relacionados com:
Enfermagem de Descritivo a satisfação da pessoa, promoção do bem-estar e

27
Barbosa Reabilitação numa Unidade especialista em enfermagem de reabilitação numa autocuidado, prevenção de complicações, promoção da
Franco de Longa Duração e ULDM. saúde, reeducação e readaptação funcional da pessoa.
Manutenção: Perceções dos
Enfermeiros. (65)
Sónia Sofia Nível de independência e 2014 Descritivo – Identificar a relação entre as dimensões físico- Verificaram-se diferenças estatisticamente significativas
Leitão Pereira autonomia no autocuidado Correlacional cognitivo-emocionais e o nível de autonomia e entre a escolaridade e os autocuidados “vestuário”; entre
da pessoa idosa após AVC: independência no autocuidado da pessoa idosa a queixa emocional triste/deprimido e o autocuidado
Cuidados Continuados de após AVC, internada em uma Unidade de “higiene”; e entre o estado cognitivo e todos os
Convalescença. (66) Convalescença. autocuidados. Constataram-se, também, ganhos
significativos em termos de autonomia e independência
em todos os autocuidados na alta, em relação à admissão.
Maria Cristina Processo de Cuidados do 2014 Qualitativo – Conhecer o processo de cuidados desenvolvido O trabalho dos enfermeiros generalistas e enfermeiros de
Alves Duarte Enfermeiro e Enfermeiro Exploratório pelos enfermeiros, generalistas e de reabilitação, reabilitação, nestas unidades de cuidados, não se esgota
de Reabilitação em descritivo em Unidades de Convalescença, da RNCCI, a na pessoa alvo de cuidados, mas também abrange a
Unidades de partir do relato de experiências destes capacitação do prestador de cuidados, seja membro da
Convalescença. (67) profissionais de enfermagem. família ou pessoa significativa, dotando-o de
conhecimentos e capacidades, para dar respostas
adequadas à pessoa dependente no autocuidado.
Patrícia Evolução funcional do 2015 Descritivo – Avaliar a evolução funcional do doente internado Constatou-se uma evolução funcional estatisticamente
Alexandra doente numa Unidade de Correlacional numa Unidade de Média Duração e Reabilitação significativa, entre o momento de admissão e o momento
Rodrigues Cuidados Continuados (UMDR) e identificar alguns fatores de alta. Porém, não se verificaram diferenças
Ferreira Integrados de Média sociodemográficos e clínicos que interferem na estatisticamente significativas relativamente à evolução
Duração e Reabilitação. evolução da sua independência funcional. funcional de acordo com o sexo, a idade e o estado
(68) cognitivo.
Marisa da A Promoção da Autonomia 2015 Qualitativo: Desenvolver conjuntamente com os enfermeiros, Os resultados permitiram estruturar um conjunto de
Conceição da Pessoa Dependente para Investigação- que trabalham o contexto dos cuidados pressupostos que estão na génese de um modelo de
o Autocuidado: Um Ação continuados, um modelo de intervenção promotor

28
Gomes Modelo de Intervenção de da autonomia da pessoa dependente para o orientação da conceção de cuidados, centrado na
Lourenço Enfermagem em Cuidados autocuidado e construir esse conhecimento. promoção da autonomia para o autocuidado.
Continuados. (30)
Marta Maria Resultados sensíveis às 2016 Misto Identificar o potencial das intervenções de As intervenções de enfermagem desenvolvidas tendo em
Gonçalves intervenções de enfermagem prestadas em contextos da Rede conta as diferentes dimensões do modelo proposto,
Rosa enfermagem: a pessoa Nacional de Cuidados Continuados Integrados, evidenciam a intervenção autónoma do enfermeiro,
idosa em contextos da Rede como resposta às necessidades da pessoa idosa e permitindo-nos compreender a obtenção de resultados
Nacional de Cuidados sistematizar indicadores de ganhos em saúde sensíveis partindo de indicadores para os quais foram
Continuados Integrados - resultantes das intervenções de enfermagem à construídas fórmulas, passíveis de apoiar a tomada de
(RNCCI) (69) pessoa idosa neste mesmo contexto. decisão clínica em enfermagem.
Fernando Evolução das pessoas 2017 Descritivo e Avaliar o potencial de reconstrução de autonomia, O potencial de reconstrução de autonomia situa-se entre
Alberto dependentes no exploratório e a evolução do compromisso nos processos reduzido a moderado. Verificou-se uma evolução
Soares autocuidado acompanhadas corporais e da dependência no autocuidado das positiva no compromisso nos processos corporais e no
Petronilho et na Rede Nacional de pessoas dependentes admitidas na Rede. nível de dependência no autocuidado. Maior potencial de
al. Cuidados Continuados reconstrução de autonomia está associado a menor
Integrados. (70) compromisso nos processos corporais e a maior
independência.
Daniela Impacto das Intervenções 2017 Quantitativo e Construção de um instrumento de recolha de Demonstra a importância do trabalho desenvolvido pelos
Gomes do Enfermeiro Especialista Descritivo dados e um programa de reabilitação respeitando enfermeiros de reabilitação e a indiscutível necessidade
Fernandes em Enfermagem De as necessidades e o prognóstico funcional de cada destes nas Unidades de Média Duração e Reabilitação da
Reabilitação nos Doentes utente individualmente, com incidência no Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados, por
Internados numa Unidade autocuidado, no fortalecimento muscular e via dos ganhos em saúde e dos cuidados diferenciados e
de Média Duração e mobilização articular, no treino de equilíbrio e significativos que prestam ao utente na reconstrução da
Reabilitação – Antes e marcha e no treino propriocetivo. Descrever a autonomia da pessoa com dependência no autocuidado.
Após. (71) capacidade dos idosos internados na Unidade de
Média Duração e Reabilitação para o autocuidado,
em dois momentos de avaliação.

29
Tânia Filipa Impacto do internamento 2017 Quantitativo - Avaliar o impacto do internamento em RNCCI, na O internamento na RNCCI tem impacto positivo na
Reis na Rede Nacional de estudo não melhoria dos níveis de dependência dos utentes funcionalidade dos Utentes, dada a melhoria
Henriques Cuidados Continuados experimental, internados e analisar a sua relação com as significativa dos níveis de dependência no momento da
Integrados (RNCCI) na transversal, variáveis sócio demográficas, clínicas e de alta, comparativamente com o momento da admissão.
melhoria do nível de descritivo- contexto familiar. São os enfermeiros de reabilitação, pelas suas
dependência dos utentes. correlacional competências, que se encontram aptos a integrar todas as
(16) vertentes dos cuidados necessários à pessoa com
incapacidade no desempenho do autocuidado.
Fábio José Reabilitação na pessoa após 2017 Longitudinal, Avaliar a evolução da dependência no Os resultados observados sugerem que as intervenções
Sousa de Jesus fratura da extremidade descritivo e autocuidado e na capacidade funcional, da pessoa de Enfermagem, na Unidade de Convalescença, se
proximal do fémur. (72) correlacional após fratura da extremidade proximal do fémur, devem manter direcionadas para os autocuidados e
com o internamento em Unidade de capacidade funcional, bem como focar-se na
Convalescença (UC) deterioração cognitiva, para potenciar ganhos em saúde.
Patrícia Unidades de cuidados 2017 Quantitativo – Conhecer a influência dos cuidados de Constatou-se através dos resultados obtidos que os
Fernandes continuados: Ganhos com descritivo; enfermagem de reabilitação na recuperação da doentes sujeitos a cuidados de Enfermagem e
Ferreira os cuidados de enfermeiros quase- independência funcional do doente idoso. Reabilitação tiveram uma recuperação mais acentuada
de reabilitação. (73) experimental que os doentes do grupo controlo, isto porque existem
diferenças significativas nos resultados entre os grupos
após os cuidados de reabilitação em relação à capacidade
para a realização dos autocuidados, equilíbrio e força
muscular.
Anabela Capacitação para o 2019 Descritivo e Avaliação dos ganhos sensíveis aos cuidados de As intervenções do enfermeiro de reabilitação
Martins Autocuidado da Pessoa Exploratório Enfermagem de Reabilitação, na capacitação para cooperaram para uma melhoria da funcionalidade da
Batista Idosa na RNCCI, o autocuidado da pessoa idosa na RNCCI. pessoa, reduzindo a dependência no autocuidado,
Contributos dos Cuidados proporcionando ganhos em saúde
de Enfermagem de
Reabilitação. (74)

30
Capítulo 5. Apresentação e Discussão dos Resultados

Segundo o Joanna Briggs Institute, a discussão dos resultados numa Scoping Review,
deverá abranger todas as limitações das fontes incluídas na revisão e os resultados obtidos
devem ser discutidos à luz do contexto teórico-prático atual (61).

Dos artigos analisados, foi revelado de forma clara a imprescindibilidade do Enfermeiro,


que toma por foco de atenção as respostas humanas às transições, resultantes de eventos
relacionados com processos de saúde-doença e/ou com processos de vida, nomeadamente
nas Unidades de Cuidados Continuados. Assim, o autocuidado surge como a área de ação
à qual os enfermeiros mais recorreram para relatar as necessidades de cuidados dos
utentes, neste terceiro nível de cuidados, contribuindo positivamente para a capacitação
ativa dos indivíduos para o autocuidado, sendo, desta forma, um alicerce crucial na
edificação e na contribuição para a qualidade dos cuidados de enfermagem (30) (64) (65)
(67) (69) (73).

No decorrer do processo de cuidados de enfermagem torna-se imperioso uma recolha de


dados sistemática por forma a garantir a clareza e a objetividade dos diagnósticos
formulados, dos objetivos que se pretende atingir, das intervenções a implementar, bem
como dos resultados especulados. Estas questões foram abordadas em estudos,
nomeadamente por Lourenço (2015) e Duarte (2014), revelando que os enfermeiros
alertavam para a inexistência de um processo sistemático, nomeadamente no que à
recolha de dados e à avaliação do nível de dependência do autocuidado é respeitante,
especialmente no que concerne à utilização de instrumentos de avaliação da dependência
(30) (67). Torna-se claro que a não utilização de instrumentos que possibilitem uma
avaliação sistemática da dependência para o autocuidado ou a utilização de instrumentos
pouco precisos, leva a claras dificuldades na formulação dos diagnósticos que
consequentemente irão comprometer todo o restante processo de enfermagem,
nomeadamente no que à evolução do nível de dependência diz respeito (30) (64) (67).

No estudo levado a cabo por Lourenço (2015), esta faz alusão aos registos efetuados pelos
enfermeiros, elencando que estes apenas referenciavam a condição geral do nível de
dependência, significando que, apenas mencionavam o diagnóstico formulado, não
fazendo qualquer tipo de referência às manifestações que levariam a formular tal

31
diagnóstico, de forma a que permitisse, assim, sustentar e fundamentar a necessidade
dos cuidados (30) (67). Também no estudo de Teixeira (2013), verifica-se a mesma
realidade, constatando-se a existência de registos onde eram mencionadas necessidades
de cuidados que eram identificadas, sem correspondência a qualquer registo de
intervenções de enfermagem direcionadas para satisfazer, gerando possíveis erros de
registo na avaliação inicial ou eventualmente a execução de uma avaliação inicial menos
rigorosa no que toca às necessidades de cuidados dos indivíduos relativamente à sua
capacidade para o autocuidado (64). Esta problemática, acarreta questões uma vez que a
incorreta identificação de necessidades ou o seu não registo irá impossibilitar o
reconhecimento dos ganhos em saúde sensíveis aos cuidados de enfermagem em aspetos
particulares, como por exemplo, na forma como a indivíduo executava e a forma como o
indivíduo passou a executar o autocuidado tomar banho, o vestir-se e despir-se ou o
arranjo pessoal (30) (64) (67).

Apesar das limitações dos instrumentos de avaliação do nível de dependência para o


autocuidado, o Índice de Barthel, um instrumento que avalia o nível de independência
dos indivíduos para a realização de dez atividades de vida diária: comer, higiene pessoal,
uso do sanitário, tomar banho, vestir-se e despir-se, controlo do esfíncteres, transferir da
cadeira para a cama e subir e descer as escadas, surge como o mais utilizado pelos
enfermeiros nas UCCI (Unidades de Cuidados Continuados Integrados) (63) (65) (68)
(71) (73) (74). Além do Índice de Barthel, surge como comum a todas as tipologias
pertencentes à RNCCI, o Instrumento de Avaliação Integrado (IAI) um dos itens a ser
preenchido no aplicativo informático da Rede, que proporciona uma abordagem
diagnóstica de deteção e controlo, de indivíduos em contexto de dependência, estruturada
com base em instrumentos internacionais validados. São exemplo o Índice de Katz, na
avaliação da independência física e de Lawton na avaliação da independência ao nível
instrumental, no entanto são pouco direcionados para a ação e intervenção dos
enfermeiros (64) (66) (67) (72).

A dependência é avaliada através da relação que há entre a capacidade de ação do


indivíduo e a sua necessidade em termos de cuidados, sendo crucial a intervenção por
parte do enfermeiro nestas unidades, por forma a percecionar a capacidade de
desenvolvimento do indivíduo, recorrendo para isso a instrumentos, a técnicas e aos

32
sistemas de informação, sendo a partir desta avaliação, desencadeado o processo de
intervenção (73).

Foi percebido nos estudos de Teixeira (2013) e Petronilho et al. (2017) de que a
necessidade de cuidados de enfermagem inerentes ao autocuidado, não foi semelhante
nas diferentes tipologias de internamento sendo encontrada uma necessidade superior,
segundo os registos efetuados pelos enfermeiros, nas Unidades de Convalescença (64)
(70). Como tal, perante os achados poderá considerar-se de que existirá uma relação entre
a necessidade de cuidados de enfermagem inerentes ao autocuidado com o potencial de
recuperação dos indivíduos internados em cada uma das tipologias (64) (70). Assim, no
sentido de maximizar o potencial de recuperação dos indivíduos, por forma a promover a
máxima independência e autonomia para o autocuidado tomar banho, vestir-se/ despir-se
e o arranjo pessoal, parte do enfermeiro o delineamento e a implementação de
intervenções que permitam aos indivíduos dependentes, ampliar a sua janela de
conhecimentos, bem como o aprimorar a aquisição de capacidades e habilidades
intrínsecas e necessárias ao autocuidado (30) (63) (67) (69) (72).
A planificação das intervenções de enfermagem é demarcada conforme os critérios de
resultado ambicionados e das respostas aos requisitos de autocuidado (29). Um critério
crucial no delineamento dos cuidados de enfermagem é, claramente, o tempo estipulado
de internamento, que difere em cada uma das tipologias existentes, isto porque, para uma
definição de objetivos realistas e individualizados, será um fator imprescindível, tendo
em consideração o ritmo do processo de recuperação da independência de que irão
depender variáveis tanto individuais como contextuais (30).
Segundo os achados de Silva (2013), Jesus (2017), Henriques (2017), Ferreira (2017),
Ferreira (2015) e Lourenço (2015), foi percecionado de que o autocuidado tomar banho
se revelou como aquele em que existia um maior nível de dependência no momento da
admissão nas UCCI, seguido pelo autocuidado vestir/despir, sendo o autocuidado arranjo
pessoal, o que registou menor dependência (16) (30) (63) (68) (72) (73).

Observa-se que no domínio destes três tipos de autocuidado, o desempenho do enfermeiro


centra-se primeiramente na observação do indivíduo dependente de cuidados, onde
através de uma avaliação da sua funcionalidade, são percecionadas as limitações, as
potencialidades bem como as incapacidades funcionais (65) (67). Nestes domínios, é
possível constatar que no momento da avaliação inicial, por parte do enfermeiro, existem

33
elevadas percentagens de dependência. Assim, constata-se a presença de disparidades
significativas quando avaliada a incapacidade funcional pelas suas várias dimensões do
que no seu todo (62) (63) (66) (69) (70) (71). Analisando pelas dimensões, constata-se
que as atividades onde se verificaram maiores níveis de incapacidade foram no
autocuidado tomar banho e no autocuidado vestir/despir. Porém, contudo, existiram
sempre, melhorias nas diferentes atividades o que significa que o internamento na RNCCI
apresenta um impacto positivo na funcionalidade dos indivíduos no que concerne ao
autocuidado (62) (63) (66) (69) (70) (71).
A obtenção de ganhos em saúde passa pelo desenvolvimento de um plano de intervenção,
seguido da sua implementação e execução através das atitudes prescritas, por forma a
otimizar e/ou reeducar a funcionalidade do indivíduo, elaborando programas de
reeducação funcional. Nesta etapa, contribuem, também, para colmatar os défices, a
utilização de produtos de apoio (dispositivos de apoio e de compensação), cuja
disponibilidade para seleção e prescrição, em alguns casos se torna indispensável, para a
maximização da independência (30) (65) (67) (74) no domínio do autocuidado: tomar
banho, vestir-se/despir-se, bem como arranjo pessoal. No entanto, segundo Lourenço
(2015), a sua utilização, como ferramenta para maximizar o potencial de autocuidado
ainda é residual, devido à inexistência, muita das vezes, de alguns dispositivos essenciais
para promover a independência e autonomia dos indivíduos (30). Na realidade, a
investigadora conclui, que se esses indivíduos fossem informados e instruídos acerca dos
dispositivos de apoio, tornar-se-iam independentes (30). Revela-se, assim, evidente de
que a não utilização destes dispositivos poderá ser uma barreira no processo de
recuperação dos clientes internados em UCCI (30). Além disso, poderá ocorrer o caso, de
os produtos de apoio existirem, mas os indivíduos, por opção própria, não quererem
utilizar ou não terem o conhecimento acerca destes, verificando-se, assim, um
desaproveitamento dos recursos e um não investimento na recuperação da independência
(30).
Segundo Franco (2013), a intervenção do enfermeiro ao nível motor e sensorial, apresenta
como intervenções a manutenção das amplitudes articulares, a prevenção da
espasticidade, a estimulação sensorial, o treino do equilíbrio e higiene postural, o treino
de marcha e o treino de AVD´s (atividades de vida diárias) (65). Melo (2010) sintetiza,
referindo que as intervenções dos enfermeiros intrínsecas ao autocuidado direcionam-se

34
à transmissão de conhecimento – educar, ao treino de capacidades – treinar, bem como
aliada ao ensino de estratégias – instruir, de uma maneira geral (30) (62) (65) (68).

Apesar do padrão de dependência, bem como a sua evolução se manifestar de maneira


diferenciada nas distintas tipologias da RNCCI, e como já foi referido anteriormente,
foram comprovados ganhos em saúde efetivos nos indivíduos dependentes durante o
tempo de acompanhamento, especialmente, evolução no compromisso dos processos
corporais e melhoria ao nível da dependência no autocuidado (70), corroborando com
Teixeira (2013) que verificou que em todas as atividades básicas de vida diária dos
indivíduos, com intervenção dos enfermeiros nos autocuidados tomar banho, vestir/despir
e arranjo pessoal, surgiu, entre a primeira e a última avaliação, uma evolução positiva no
nível de independência, sendo expressivamente elevada nas Unidades de Convalescença,
prosseguindo as Unidades de Média Duração e Reabilitação e, por fim, com percentagens
menores nas Unidades de Longa Duração e Manutenção (64) (70) (73).

Assim, através dos estudos analisados perceciona-se de que a centralidade da ação dos
enfermeiros encontra-se na capacitação para o autocuidado, isto é, no desenvolvimento
de competências de autocuidado do indivíduo com dependência funcional. Deste modo,
os enfermeiros, prescrevem cuidados, essencialmente, do tipo: apoiar, ensinar, instruir,
treinar, orientar, informar, avaliar e referenciar, constituindo, deste modo, um importante
recurso na que toca à promoção do potencial de desenvolvimento do indivíduo
dependente no autocuidado.

No desenvolvimento deste estudo, foram surgindo limitações, nomeadamente o facto de


existirem poucos estudos que retratam a realidade nacional das UCCI no que concerne ao
desempenho do enfermeiro, particularmente ao nível do autocuidado. Além disso, a
maioria dos estudos analisados são relativos a Unidades de Convalescença, ficando por
explorar mais especificamente o contributo dos enfermeiros para a promoção do
autocuidado, nas outras tipologias da Rede.

35
Capítulo 6. Conclusão

O autocuidado surge como um conceito incontornável para a Enfermagem (23) e os


estudos analisados nesta Scoping Review vieram claramente corroborar esta afirmação.

A Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados, sendo o terceiro nível de cuidados


do Sistema Nacional de Saúde apresenta-se como uma resposta que exibe como um dos
objetivos a potenciação do autocuidado nos indivíduos com dependência, dando resposta
às necessidades em saúde, contribuindo para mais e melhor qualidade em saúde. Assim,
a intervenção dos enfermeiros neste nível de cuidados evidencia-se como um tributo
positivo no que concerne à capacitação para o autocuidado. Deste modo, o enfermeiro é,
indubitavelmente o profissional que promove a máxima autonomia e independência dos
indivíduos portadores de défices.

Perante os achados desta Scoping Review, foi possível comprovar que o enfermeiro tem
um papel ativo ao nível da promoção do autocuidado, no entanto, é ainda necessário
colmatar falhas, nomeadamente no que concerne à sistematização do processo de
enfermagem, de maneira que sejam formulados diagnósticos adequados às necessidades
reais dos indivíduos com dependência no autocuidado. As prescrições de enfermagem
devem, também, ser individualizadas e ajustadas, de acordo com a definição de objetivos
realistas, tendo em consideração o tempo estipulado de internamento de cada tipologia.
Por sua vez, as intervenções de enfermagem devem estar direcionadas para a obtenção de
resultados em saúde, mensuráveis no cliente, por forma a contribuir continuamente para
a definição de indicadores de enfermagem, que constituirão, no futuro, o resumo mínimo
de dados de Enfermagem da RNCCI, propiciando assim, um acréscimo de qualidade.

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