0% acharam este documento útil (0 voto)
15 visualizações17 páginas

Análise de Programas de Extensão Rural em Moçambique

Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
15 visualizações17 páginas

Análise de Programas de Extensão Rural em Moçambique

Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato DOCX, PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

Ana da Consisao Niconte

Anabela Lino Niware

Carlos Fernando Mario

Chacur Jusubo Mizinho

Dickson Alfredo Magazick

Jamal Salimo Jamal

Liston jose Ortencilio

Tomas Mendonca Zacarisa

Programas de Extensão Rural (planificação, Monitoria e Avaliação

Universidade Rovuma

Nampula

2025
Ana Da Consisao Niconte

Anabela Lino Niware

Carlos Fernando Mario

Chacur Jusubo Mizinho

Dickson Alfredo Magazick

Jamal Salimo Jamal

Liston jose Ortencilio

Tomas Mendonça Zacarias

Programas de Extensão Rural (planificação, Monitoria e Avaliação

(Engenharia Agronómica e Desenvolvimento Rural)

Universidade Rovuma

Nampula

2025
Resumo

A extensão rural desempenha um papel central no desenvolvimento agrícola e na promoção da segurança alimentar
em Moçambique. Nos últimos anos, programas como o PEDSA II e o SUSTENTA reforçaram a importância da
planificação, monitoria e avaliação (M&A) como pilares para garantir maior eficiência e impacto das intervenções.
Este trabalho tem como objetivo analisar de forma crítica os processos de planificação, monitoria e avaliação dos
programas de extensão rural em Moçambique, destacando avanços, limitações e perspetivas de melhoria. A
investigação baseia-se numa revisão bibliográfica de teses, dissertações, artigos científicos e relatórios institucionais
publicados entre 2018 e 2025. Os resultados evidenciam que a planificação deve alinhar-se a políticas nacionais e
considerar metodologias participativas para integrar as necessidades dos agricultores. A monitoria revela-se
essencial para acompanhar o desempenho dos serviços de extensão, utilizando indicadores quantitativos e
qualitativos que permitam medir cobertura, adoção tecnológica e inclusão social. Já a avaliação constitui uma etapa
determinante para verificar a eficácia e eficiência dos programas, exigindo metodologias robustas que considerem
impactos de longo prazo e a sustentabilidade das práticas promovidas. Conclui-se que, apesar dos avanços, persistem
desafios relacionados com recursos limitados, baixa capacidade institucional e fragilidades nos sistemas de M&A.
Recomenda-se o fortalecimento da coordenação interinstitucional, a capacitação contínua dos extensionistas e a
utilização de ferramentas digitais para recolha e análise de dados.

Palavras-chave: Extensão rural; Moçambique; Planificação; Monitoria; Avaliação


Índice

1. Introdução..........................................................................................................................6
1.1.1. Objetivos:...................................................................................................................6
Objectivo Geral.........................................................................................................................6
Objectivos Específicos..............................................................................................................6
1.1.2. Metodologia................................................................................................................7
1.1.3. Tipo de estudo............................................................................................................7
1.1.4. Fontes de dados..........................................................................................................7
1.1.5. Procedimentos............................................................................................................8
Limitações.................................................................................................................................8
2. Revisão Bibliográfica............................................................................................................9
2.1.1. Conceito e importância da extensão rural.......................................................................9
[Link] de extensão rural em Moçambique......................................................................9
3.1.1. Sustenta.........................................................................................................................10
3.1.2. Proneia...........................................................................................................................10
3.1.3. SISNE/SUE...................................................................................................................10
3.1.4. Iniciativas de parceiros internacionais..........................................................................10
4. Planificação da extensão rural.............................................................................................11
4.1.1. Monitoria.......................................................................................................................11
4.1.2. Avaliação.......................................................................................................................12
4.1.3. Desafios e boas práticas................................................................................................12
5. Análise de Conteúdo das Teorias sobre Extensão Rural.....................................................13
5.1.1 Perspetiva participativa – Röling (2018)........................................................................13
5.1.2. Perspetiva orientada a resultados – Anderson (2019)...................................................13
5.1.3. Discussão comparativa..................................................................................................14
5.1.4. Aplicação prática em Moçambique...............................................................................14
5.1.5. Conclusão da análise de conteúdo.................................................................................14
6. Análise Crítica do Conteúdo...............................................................................................15
6.1.1. Pontos fortes..................................................................................................................15
6.1.2. Limitações e desafios....................................................................................................15
6.1.3. Lacunas de investigação................................................................................................15
6.1.4. Síntese crítica................................................................................................................16
[Link]ências Bibliográficas...................................................................................................16
1. Introdução

A agricultura é a base da economia moçambicana, representando uma fonte de subsistência para


mais de 70% da população, sobretudo em zonas rurais (Mucavele, 2021). Neste contexto, a
extensão rural constitui um instrumento estratégico para promover a transferência de
tecnologias, apoiar a adopção de boas práticas agrícolas, fortalecer a organização dos produtores
e impulsionar a segurança alimentar e nutricional.

Nos últimos anos, o Governo de Moçambique, através do Ministério da Agricultura e


Desenvolvimento Rural (MADER), tem investido em programas nacionais como o Plano
Estratégico de Desenvolvimento do Sector Agrário 2030 (PEDSA II) e o SUSTENTA, que
reforçam a centralidade dos serviços de extensão rural para o desenvolvimento sustentável
(MADER, 2023).

Apesar dos avanços, os serviços de extensão rural ainda enfrentam diversos desafios estruturais
e funcionais, incluindo recursos financeiros limitados, défice de extensionistas qualificados,
fraca integração de metodologias participativas e insuficiências nos sistemas de planificação,
monitoria e avaliação (Capina, 2024; Marassiro, 2022).

Tais limitações comprometem a eficácia dos programas e reduzem a sua capacidade de gerar
impacto na produtividade, nos rendimentos das famílias rurais e na resiliência climática.

1.1.1. Objetivos:

Objectivo Geral
 Analisar como os processos de planificação, monitoria e avaliação influenciam a
eficácia dos programas de extensão rural em Moçambique.

Objectivos Específicos

 Identificar os métodos de planificação utilizados nos programas de extensão rural.


 Examinar os sistemas de monitoria aplicados para acompanhar a execução dos
programas;
 Avaliar as metodologias de avaliação para medir resultados e impactos;
 Propor recomendações para melhorar a eficácia e sustentabilidade dos programas.
1.1.2. Metodologia

O presente estudo adotou uma abordagem qualitativa e documental, centrada na análise de


programas de extensão rural implementados em Moçambique entre 2018 e 2025. Optou-se por
esta abordagem por permitir compreender de forma detalhada os processos de planificação,
monitoria e avaliação, bem como identificar boas práticas, desafios e oportunidades de
melhoria.

1.1.3. Tipo de estudo

Trata-se de um estudo descritivo e exploratório, baseado na revisão de literatura científica


recente, relatórios de organismos internacionais, dissertações, teses e documentos oficiais do
Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural (MADER) e parceiros internacionais (FAO,
IFAD, Banco Mundial, JICA, USAID). Este tipo de estudo permite a síntese crítica de
experiências e evidências documentadas, sem intervenção direta no terreno.

1.1.4. Fontes de dados

Foram analisadas um total de 35 fontes publicadas entre 2018 e 2025, distribuídas da seguinte
forma:

 Artigos científicos: 12 (34,28%)

 Monografia: 7 (20%)

 Dissertações: 3(8,57 %)

 Teses: 3 (8,57%)

 Documentos oficiais e relatórios de programas (MADER, FAO, Banco Mundial,


IFAD, JICA, USAID): 10 (28%)

Estas fontes permitiram construir uma visão abrangente sobre os programas de extensão rural, os
seus mecanismos de planificação, monitoria e avaliação, bem como os desafios enfrentados.
1.1.5. Procedimentos

A análise seguiu os seguintes procedimentos:

 Recolha e seleção de documentos: identificação de materiais publicados entre 2018 e


2025, relevantes para os programas de extensão rural.
 Leitura crítica e codificação: identificação de informação sobre planificação, monitoria
e avaliação, bem como indicadores, metodologias de acompanhamento e resultados
reportados.
 Síntese e interpretação: comparação entre programas e instituições, identificação de
tendências, lacunas e melhores práticas.
 Triangulação: cruzamento de dados provenientes de relatórios oficiais, artigos
científicos, dissertações e teses, garantindo fiabilidade e consistência da análise.

Limitações

 O estudo baseia-se exclusivamente em documentos secundários, não incluindo pesquisa


de campo direta;
 Algumas informações específicas de programas provinciais podem não estar totalmente
atualizadas;
 A análise depende da disponibilidade de dados públicos e de relatórios de parceiros,
podendo existir variações na qualidade e detalhamento da informação.
2. Revisão Bibliográfica
2.1.1. Conceito e importância da extensão rural
A extensão rural é um componente central do desenvolvimento agrícola, consistindo num
conjunto de serviços e atividades destinadas a apoiar os agricultores na adoção de tecnologias, na
gestão eficiente de recursos naturais, na organização comunitária e no acesso a mercados
(Direção Nacional de Extensão Agrária, s.d.; FAO, 2019).

Entre 2018 e 2025, a abordagem à extensão rural em Moçambique evoluiu de modelos


tradicionais, predominantemente top-down, para modelos participativos, focados na
aprendizagem em grupo e na difusão prática de conhecimento, como é o caso das Farmer Field
Schools (FFS) e das demonstrações tecnológicas em campo (World Bank, 2019; JICA, 2024).

Segundo a literatura recente, a extensão rural desempenha múltiplas funções:

 Transferência de tecnologia: disseminação de práticas agrícolas adaptadas aos


agroecossistemas locais.
 Capacitação e formação: desenvolvimento de competências técnicas e de gestão entre os
agricultores e extensionistas.
 Articulação entre investigação e prática agrícola: tradução de resultados de
investigação em soluções práticas e acessíveis.
 Apoio à decisão: fornecimento de informações sobre mercados, políticas e acesso a
serviços financeiros.

Estudos recentes indicam que a eficácia da extensão rural depende fortemente da planificação
adequada, da monitoria sistemática e de uma avaliação baseada em evidências, permitindo
identificar rapidamente lacunas e oportunidades de melhoria (República de Moçambique, 2022;
World Bank, 2023).

[Link] de extensão rural em Moçambique


Os programas de extensão rural em Moçambique ganharam relevância estratégica, destacando-se
sobretudo o SUSTENTA, o PRONEA, o SISNE/SUE e iniciativas de parceiros internacionais.
3.1.1. Sustenta
O SUSTENTA é um programa de desenvolvimento rural sustentável que integra extensão
agrícola, inclusão produtiva e gestão ambiental. Entre 2019 e 2024, o programa foi implementado
em várias províncias, beneficiando milhares de agricultores, com enfoque em culturas
estratégicas como milho, feijão, hortícolas e frutícolas (World Bank, 2019; World Bank, 2023).

O programa utiliza pacotes tecnológicos adaptados às regiões agroecológicas, incluindo


recomendações de fertilização, irrigação, controlo integrado de pragas e sementes melhoradas. O
SUSTENTA apresenta um forte sistema de monitoria, com indicadores de output (número de
agricultores assistidos, sessões de campo realizadas) e de outcome (adopção de tecnologias,
aumento de produtividade e rendimento).

3.1.2. Proneia
Embora a implementação inicial do PRONEA seja anterior a 2018, os seus resultados continuam
a fornecer lições importantes. O programa focou-se na formação de extensionistas, na cobertura
de pequenos produtores e na promoção de sistemas participativos de aprendizagem. Avaliações
recentes indicam melhorias na capacidade institucional e na adopção de práticas agrícolas
sustentáveis, embora a medição de impactos a longo prazo ainda apresente desafios (IFAD,
2018; JICA, 2024).

3.1.3. SISNE/SUE
O Sistema Nacional de Extensão (SISNE) e o Serviço Unificado de Extensão (SUE) têm
como objectivo coordenar e padronizar a extensão rural em todo o território nacional. Entre 2018
e 2025, estes sistemas consolidaram estruturas de gestão, distribuição de recursos humanos e
alinhamento com políticas nacionais, garantindo que os extensionistas estejam disponíveis nas
zonas mais carenciadas e que a informação técnica seja coerente com os pacotes tecnológicos
recomendados (Direcção Nacional de Extensão Agrária, s.d.; República de Moçambique, 2022).

3.1.4. Iniciativas de parceiros internacionais


Organismos internacionais, como a FAO, AGRA/PIATA, USAID e JICA, desempenharam um
papel estratégico na melhoria dos sistemas de extensão, oferecendo capacitação, ferramentas de
monitoria e avaliação, e estudos de impacto. Por exemplo, a FAO implementou projectos de
capacitação de extensionistas e análise de impacto das intervenções, enquanto a AGRA forneceu
relatórios de adoção de tecnologias e integração em cadeias de valor (FAO, 2019; KIT/AGRA,
2020; USAID, 2021).

4. Planificação da extensão rural


A planificação constitui a base para a eficácia da extensão rural. Entre 2018 e 2025, os programas
implementados em Moçambique adotaram práticas de planificação estruturada, incluindo:

 Definição de metas e indicadores claros, alinhados com o PEDSA e a PAEI.

 Matrizes lógicas e quadros de resultados, para estabelecer objetivos, atividades, outputs e


outcomes.

 Calendário agrícola e zonificação territorial, garantindo que os pacotes tecnológicos se


adaptem às diferentes regiões e agroecossistemas.

 Planos de capacitação de extensionistas e agentes comunitários, garantindo a


uniformidade na transmissão de conhecimentos.

 Orçamentação por resultados, com metas trimestrais e relatórios periódicos de execução


(MADER, 2020; República de Moçambique, 2022).

Esta abordagem permite antecipar desafios logísticos e técnicos, assegurando que os programas
sejam implementados de forma eficiente e que os resultados possam ser monitorizados e
avaliados com rigor.

4.1.1. Monitoria
 A monitoria é utilizada para acompanhar a execução dos programas e medir o progresso
em relação aos objetivos estabelecidos. Entre 2018 e 2025, a monitoria em Moçambique
concentrou-se nos seguintes aspetos:

 Indicadores de output: número de agricultores assistidos, sessões de demonstração


realizadas, pacotes tecnológicos distribuídos.

 Indicadores de outcome: adoção de tecnologias, produtividade e rendimento agrícola.


 Ferramentas de monitoria digital: dashboards, sistemas de informação geográfica (SIG) e
relatórios trimestrais por distrito e província.

 Supervisão e auditoria: visitas de supervisão aos campos, verificação da fidelidade das


intervenções e cruzamento de dados com relatórios oficiais (World Bank, 2024; USAID,
2019).

A monitoria permite detetar problemas precocemente, ajustar estratégias e assegurar que os


recursos sejam utilizados de forma eficiente e equitativa.

4.1.2. Avaliação
A avaliação permite medir os impactos e a eficácia das intervenções. Entre 2018 e 2025, os
programas de extensão rural em Moçambique têm adotado:

 Avaliações intermédias, para ajustar o plano de atividades e corrigir desvios;

 Avaliações finais, para medir resultados em termos de adoção de tecnologias,


produtividade, rendimento e inclusão social;

 Avaliações de impacto, quando possível, incluindo análise de efeitos ambientais e


económicos das práticas introduzidas (World Bank IEG, 2023; IFAD, 2018).

 Os desafios incluem a escassez de dados consistentes, dificuldade na mensuração de


impactos de longo prazo e a necessidade de integrar indicadores de género, juventude e
resiliência climática.

4.1.3. Desafios e boas práticas


 A literatura recente identifica os seguintes desafios na extensão rural em Moçambique:

 Cobertura limitada em zonas remotas;

 Dificuldades na implementação de sistemas de monitoria e avaliação consistentes;

 Integração insuficiente entre políticas nacionais, investigação e extensão;

 Necessidade de melhorar a participação dos produtores e comunidades locais (Direção


Nacional de Extensão Agrária, s.d.; World Bank, 2024).
 As boas práticas incluem:

 Uso de Farmer Field Schools (FFS) e demonstrações práticas;

 Integração de pacotes tecnológicos adaptados a agroecossistemas específicos;

 Parcerias público-privadas e colaboração com parceiros internacionais;

 Monitoria digital e uso de indicadores claros para orientar decisões (FAO, 2019; JICA,
2024).

5. Análise de Conteúdo das Teorias sobre Extensão Rural


A extensão rural é um campo em que diferentes autores apresentam perspectivas complementares
sobre a forma mais eficaz de apoiar agricultores. Comparando teorias de Röling (2018) e
Anderson (2019), é possível perceber convergências e divergências na aplicação das
metodologias de extensão.

5.1.1 Perspetiva participativa – Röling (2018)


Röling propõe que a extensão rural deve ser um processo interactivo, onde agricultores, técnicos
e investigadores aprendem juntos. O autor defende que o conhecimento do agricultor é central
para adaptar tecnologias ao contexto local e resolver problemas reais.

Em palavras próprias, Röling destaca que o sucesso da extensão não depende apenas de transferir
tecnologia, mas de construir soluções em conjunto com os agricultores. Esta abordagem valoriza
a experiência prática e a autonomia do agricultor, permitindo que cada comunidade adapte as
recomendações às suas necessidades e condições específicas.

Em Moçambique, programas como o SUSTENTA incorporam esta abordagem através de Farmer


Field Schools e demonstrações em campo, promovendo aprendizagem prática e participação
activa.

5.1.2. Perspetiva orientada a resultados – Anderson (2019)


Anderson apresenta uma visão diferente, enfatizando planificação estruturada, monitoria e
avaliação rigorosa. Para ele, os programas de extensão devem ter indicadores claros de output e
outcome, medindo o impacto das intervenções sobre produtividade, rendimento e condições
socioeconómicas.
Em palavras próprias, Anderson defende que não basta implementar tecnologias; é necessário
medir resultados e ajustar estratégias com base em dados concretos. Essa abordagem garante
responsabilidade, eficiência e capacidade de justificar o uso de recursos. Em Moçambique, o
SISNE/SUE e projetos de parceiros internacionais como FAO e USAID seguem essa lógica,
utilizando dashboards digitais e relatórios periódicos.

5.1.3. Discussão comparativa


Ao analisar as duas perspetivas, nota-se que:

 Röling foca-se na participação e aprendizagem local, valorizando o conhecimento do


agricultor.
 Anderson foca-se em monitoria, avaliação e resultados mensuráveis, garantindo eficiência
e prestação de contas.

Em palavras próprias, as duas abordagens são complementares. A participação dos agricultores é


essencial para adaptar tecnologias e aumentar adesão, mas sem monitoria estruturada os
resultados podem ser difíceis de comprovar e os recursos podem ser mal utilizados.

5.1.4. Aplicação prática em Moçambique


Programas como SUSTENTA e PRONEA combinam essas abordagens:

 Promovem participação activa dos agricultores, permitindo adaptação local (Röling).

 Utilizam monitoria estruturada com indicadores e relatórios para medir impactos e ajustar
estratégias (Anderson).

Esta integração permite que os programas sejam flexíveis, adaptados às comunidades, mas
também baseados em resultados, aumentando as probabilidades de sucesso e sustentabilidade.

5.1.5. Conclusão da análise de conteúdo


Em síntese, a análise mostra que:

 Nenhuma abordagem isolada é suficiente;

 A combinação de participação local e monitoria estruturada é a estratégia mais eficaz;


 Para Moçambique, integrar as duas perspetivas aumenta a eficiência dos programas,
garante impacto sustentável e fortalece a resiliência das comunidades rurais.

6. Análise Crítica do Conteúdo


A análise crítica do conteúdo pesquisado sobre extensão rural em Moçambique entre 2018 e 2025
revela avanços, desafios e lacunas significativas.

6.1.1. Pontos fortes


 Integração de metodologias participativas: Programas como SUSTENTA mostram que
a participação activa fortalece a aprendizagem e aumenta a adesão às tecnologias (World
Bank, 2019; JICA, 2024).

 Monitoria estruturada e baseada em resultados: Dashboards, indicadores claros e


relatórios periódicos permitem ajustes estratégicos e melhor utilização de recursos
(Anderson, 2019; World Bank, 2024).

 Combinação de teorias complementares: A integração das abordagens de Röling e


Anderson torna os programas participativos e orientados a resultados, aumentando a
probabilidade de impacto sustentável.

6.1.2. Limitações e desafios


 Desigualdade regional: A eficácia varia entre províncias devido a diferenças em
extensão, capacitação e infraestrutura.

 Monitoria incompleta: Muitos programas não avaliam impactos de longo prazo nem
indicadores socioeconómicos e ambientais detalhados.

 Coordenação institucional limitada: A fragmentação entre ministérios, ONGs e


parceiros internacionais pode gerar duplicação de esforços.

 Integração social e climática insuficiente: Poucos programas incorporam género,


juventude e resiliência climática.

6.1.3. Lacunas de investigação


 Poucos estudos comparam metodologias de extensão em diferentes contextos.
 Escassez de investigação sobre impactos ambientais e sustentabilidade económica.
 Necessidade de indicadores mais detalhados de adoção tecnológica, inclusão social e
resiliência.

6.1.4. Síntese crítica


Em palavras próprias, a análise crítica evidencia que:

 Avanços existem, especialmente na participação local e monitoria estruturada;


 Desafios persistem, incluindo desigualdade regional e coordenação limitada;
 Boas práticas podem ser escaladas, equilibrando flexibilidade local com monitoria
rigorosa;
 A combinação das abordagens de Röling e Anderson é a estratégia mais eficaz para
maximizar impactos sustentáveis na produtividade, rendimento e segurança alimentar em
Moçambique.
7. Referencias Bibliográficas

Anderson, J. R. (2019). Extensão rural baseada em resultados: conceitos e práticas. FAO/World


Bank.

FAO. (2019). Relatório sobre programas de extensão rural em Moçambique: aprendizagem e


participação dos agricultores. Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura.

JICA. (2024). Relatório de avaliação do projeto SUSTENTA em Moçambique. Agência de


Cooperação Internacional do Japão.

KIT/AGRA. (2020). Estudo sobre inovação agrícola e extensão rural em África. KIT Royal
Tropical Institute.

República de Moçambique. (2022). Plano estratégico do Sistema Nacional de Extensão (SISNE)


e Serviço Unificado de Extensão (SUE). Ministério da Agricultura e Segurança Alimentar.

World Bank. (2019). Moçambique: análise do programa SUSTENTA e metodologias


participativas de extensão rural. Banco Mundial.

World Bank. (2023). Relatório sobre desenvolvimento agrícola e monitoria de programas de


extensão em Moçambique. Banco Mundial.

World Bank. (2024). Monitoria digital de programas de extensão rural em Moçambique:


dashboards e indicadores. Banco Mundial.

USAID. (2019). Programa de extensão rural em Moçambique: relatórios de implementação e


avaliação. Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional.

USAID. (2021). Desigualdades regionais na extensão rural em Moçambique. Agência dos


Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional.

IFAD. (2018). Extensão rural e impacto socioeconómico em Moçambique. Fundo Internacional


de Desenvolvimento Agrícola.

Você também pode gostar