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Teoria e Metodologia em Ciência da Informação

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Armando Manuel Barreiros Malheiro da Silva

TEORIA E METODOLOGIA DA
CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO
(Disciplina do Curso de Licenciatura
em Ciência da Informação)

Relatório a que se refere a alínea a) do artº 5º,


do Decreto-lei nº 239/2007 de 19 de Junho

FACULDADE DE LETRAS DA
UNIVERSIDADE DO PORTO
2015
SUMÁRIO

Introdução 3
1. Apresentação da disciplina 10
1.2. Objetivos e estrutura 10
2. O Programa e sua aplicação 14
2.1. Programa 14
2.2. Estratégia adotada 15
3. Distribuição de conteúdos temáticos e bibliográficos 17
3.1. Unidades didáticas 20
4. Métodos de ensino 47
Bibliografia de apoio 49
1. Essencial 49
2. Secundária 62

2
Introdução

A unidade curricular Teoria e Metodologia em Ciência da Informação é


lecionada no primeiro semestre do segundo ano, do Curso de Licenciatura em Ciência
da Informação, criado por diploma de 6 de Junho de 2001 e ministrado em parceria
pelas Faculdade de Letras e Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto1.
Na conjuntura global da Sociedade da Informação, da Sociedade em Rede ou,
em termos de maior alcance e rigor, da Era da Informação, que se expande e aprofunda
em vertiginosa aceleração, o modelo tradicional da formação na área técnica dos
profissionais da documentação e informação (bibliotecários, arquivistas,
documentalistas e gestores de informação) tinha, inevitavelmente, de ser repensado e
tem-no sido, desde há umas décadas, em vários países. Em Portugal, onde, de 1935 a
1982, prevaleceu como única oferta de formação especializada para fornecer quadros
superiores às Bibliotecas e aos Arquivos Públicos, o Curso de Bibliotecário-Arquivista,
ministrado na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e saído de uma matriz
historicista e erudito-metódica à imagem e semelhança do modelo concebido na École
National des Chartes (1821), tornou-se referência única até ser substituído, a partir de
1982, por um novo formato rotulado de Curso de Especialização em Ciências
Documentais. Este formato correspondia ao movimento de especialização profissional

1
Este curso inovador não só em Portugal, mas em nível internacional, resultou de uma aprofundada
reflexão promovida por docentes do Curso de Especialização em Ciências Documentais da Faculdade de
Letras da Universidade do Porto e levada a cabo por um grupo informal que congregou docentes desta
mesma área, de outras Universidades. Sobre esta iniciativa seminal ver SILVA, Armando Malheiro da;
RIBEIRO, Fernanda. Das "ciências" documentais à ciência da informação: ensaio epistemológico para
um novo modelo curricular. Porto: Edições Afrontamento, 2002. ISBN 972-36-0622-4; e para uma
retrospectiva do funcionamento do Curso de Especialização em Ciências Documentais na Faculdade de
Letras da Universidade do Porto e a subsequente substituição pela Licenciatura em Ciência da Informação
ver RIBEIRO, Fernanda et al. Memória do curso de especialização em ciências documentais (1985-2003).
In Homenagem ao professor doutor José Marques: 26 e 27 de Junho de 2003 : actas do Colóquio "Do
Documento à Informação" e da jornada sobre sistemas de informação municipal (...). Org. Secção de
Ciências Documentais/Departamento de Ciências e Técnicas do Património/Faculdade de Letras da
Universidade do Porto. Porto: Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 2004. ISBN 972-9350-84-1.
p. 209-252. Para uma panorâmica da evolução deste projeto formativo a partir de 2001 ver O Curso de
Licenciatura em Ciência da Informação na U. Porto: dez anos de actividade pedagógica e científica.
Coord. António Castro, Cecília Melo, Pedro Seabra e Ricardo M. Costa. Porto: Faculdades de Letras e de
Engenharia da Universidade do Porto, 2011. ISBN 978-972-8932-75-6.

3
gerado e desenvolvido ao longo do séc. XX e daí consagrar um plano curricular
distribuído por dois anos, cabendo, no primeiro, disciplinas comuns à
Biblioteconomia/Documentação e à Arquivística e, no segundo, o aluno era obrigado a
frequentar as disciplinas de uma ou de outra variante, recebendo o diploma naquela em
que se especializou. Da síncrese formativa anacrónica do modelo único lecionado
somente em Coimbra durante quase meio século passou-se para um atomismo
corporativista, baseado na inconsistente hiperbolização de algumas diferenças técnicas
verificadas na prática dos diferentes profissionais da documentação.
Hoje essa hiperespecialização ainda persiste, embora seja curioso notar que em
países como o Brasil, à semelhança do que foi ocorrendo nos Estados Unidos da
América, na Grã-Bretanha e em países nórdicos como a Suécia e a Finlândia, a
intensificação da missão formativa em nível de graduação e de pós-graduação
(Mestrado e Doutoramento) originou a criação de Departamentos de Ciência da
Informação e Documentação, que alberga cursos de Arquivologia e de
Biblioteconomia/Documentação. No plano estrutural optou-se por uma homogeneização
que, em teoria, permite a existência de um espaço institucional para desenvolvimento de
pesquisas trans e interdisciplinares em Ciência da Informação, mas o paradigma que
subjaz aos planos curriculares permanece sincrético e difuso, oscilando equivocamente
entre um pendor tecnicista e "gerencial" e um pendor clássico historicista, erudito e
custodial.
A experiência curricular e formativa concretizada através da parceria entre a
Faculdade de Letras e a Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, vista em
face do quadro traçado, representa uma tentativa ousada e pioneira de ajustar a
formação superior dos profissionais da informação aos desafios que o poderoso impacto
das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) está a ter nos mais diversos
setores de atividade e à necessidade de fundar as práticas profissionais numa
racionalidade científica, liberta dos constrangimentos e das insuficiências naturais do
senso comum, que está patente nos resultados palpáveis da atividade pedagógica e da
pesquisa produzidas, até agora, no Mundo.
Houve, por isso, um forte investimento na reflexão e na pesquisa
epistemológicas e o resultado concentra-se, por um lado, numa proposta de Ciência da
Informação que diverge da desenhada e defendida por outros Autores, e, por outro, num

4
plano curricular ou de estudos pautado por três áreas científicas nucleares — Sistemas
de Informação (SISI), Organização e Processamento de Informação (OPI) e Serviços de
Informação (SERV) — e por três áreas científicas complementares — Ciências da
Administração e da Gestão (CAG), Ciências Sociais e Humanas (CSH) e Informática
(I)2. Trata-se, enfim, de um plano de estudos composto por disciplinas semestrais, em
que umas são relativas ao estudo e ao conhecimento da informação socialmente
contextualizada, visando-se, também, a possibilidade de uma especialização
profissionalizante, através de cadeiras complementares obrigatórias e de cadeiras
optativas. O reforço da componente profissionalizante foi introduzido também pela
inclusão de “estágio” no último ano do curso.
A busca do reforço de um núcleo duro ou core, constituído a partir da fusão
transdisciplinar de disciplinas como a Biblioteconomia, a Documentação, a Arquivística
e os Sistemas Tecnológicos de Informação, marca e distingue este plano de estudos e,
consequentemente, o respetivo modelo formativo dos outros que conhecemos,
absolutamente imbuídos de multi e interdisciplinaridade, seguindo, aliás, uma ideia
repetida e mantida pela generalidade dos Autores de que a Documentação e, por
extensão, a Ciência da Informação é uma "interdisciplina" (ou uma ciência da Ciência).
Esta ideia é recusada e superada na Licenciatura em Ciência da Informação (LCI) da
Universidade do Porto com base no argumento simples e óbvio de que não pode haver
uma multi ou uma interdisciplinaridade fecunda se não houver por parte da ciência que
estabelece relações com outras uma identidade disciplinar forte e coerente
Por este e por outros traços essenciais a conceção de Ciência da Informação que
anima e sustenta a LCI da Universidade do Porto demarca-se de outras conceções e
propostas que são claramente dominantes. Basta, a este propósito, trazer à colação o
livro que Yves-François Le Coadic escreveu para a coleção Que sais-je? das Presses
Universitaires de France, intitulado La Science de l'information3, para se perceber que o
tipo de Ciência da Informação aí consagrado (e mais ou menos sintonizado com a
generalidade de variantes que esta disciplina apresenta, mundialmente, em diferentes
tradições culturais e em diferentes estádios de desenvolvimento técnico-científico e
económico), traz consigo o peso excessivo da herança documentalista e do tecnicismo

2
Ver SILVA, Armando Malheiro da; RIBEIRO, Fernanda. Op. cit., p. 149-158 e 173-174.

5
eivado de senso comum simplista e redutor, que um novo paradigma pós-custodial,
dinâmico, informacional e científico, mais consentâneo com as exigências da
complexidade e da compreensão holística dos fenómenos, tende a superar e a substituir.
Firmados no pressuposto básico de que não podemos, nem devemos confundir ciência
com profissão ou vice-versa, sendo, porém, certo que sem atividade científica dinâmica,
perfectível e sólida não há desempenho profissional atualizado, profícuo e credível,
consideramos a construção e a disseminação de uma Ciência da Informação forte e
reconhecida socialmente (genuíno referencial teórico-metodológico para o rol cada vez
mais vasto de profissionais da Informação) matéria merecedora, no plano de estudos da
LCI, de uma disciplina ou unidade didática nuclear de contornos epistemológicos
nítidos e colocada no segundo ano4, por ser neste que os alunos contactam diretamente
com as problemáticas do seu campo disciplinar específico e são chamados a aplicar os
conhecimentos que vão adquirindo.
Uma unidade curricular cujos conteúdos programáticos foram sendo sujeitos a
pequenos, mas significativos arranjos, e o mais saliente consiste em ter sido colocado
antes do ponto, que foi, por largo tempo, o primeiro e respeita à distinção entre
profissão e ciência, um outro com precedência sobre os demais, em que se trata da
génese, do perfil e da evolução da interdisciplina Ciências da Comunicação e
Informação, claramente inscrita no campo mais amplo das Ciências Sociais. A assunção
deste ponto de enquadramento epistemológico da Ciência da Informação na constelação
disciplinar que lhe cabe resultou de um trabalho de reflexão e de investigação, que vem
sendo aprofundado desde meados da década anterior e que se traduz num conjunto,
ainda pequeno, mas expressivo de comunicações e capítulos de defesa da existência, no
panorama académico-insitutcional e científico português das Ciências da Comunicação
e Informação, uma réplica diferenciada da congénere francesa – as Ciências da

3
LE COADIC, Yves-François. La science de l'information. Paris: Presses Universitaires de France, 1994.
col. Que sais-je?, nº 2873. Há tradução portuguesa de Maria Yêda F. S. de Filgueiras Gomes: Idem - A
ciência da informação. Brasília: Briquet de Lemos Livros, 1996. ISBN 85-85637-08-0.
4
Durante o primeiro ano existe um conjunto de disciplinas que são consideradas fundamentos necessários
e básicos para que o estudo da Informação se possa desenvolver de forma plena e eficiente, a saber:
Informática Básica, Lógica, História da Cultura I, Metodologia da Investigação, Fundamentos de Gestão,
Sistemas Computacionais e de Comunicação, Técnicas de Expressão e Comunicação, História da Cultura
II, Linguística e Sociologia das Organizações. Ver SILVA, Armando Malheiro da; RIBEIRO, Fernanda.
Op. cit., p. 173.

6
Informação e Comunicação5. Um percurso não apenas teórico, mas com ações concretas
como a pertença a uma Unidade de Investigação designada “Centro de Estudos em
Tecnologias e Ciências da Comunicação ([Link])”6, a criação, em 2008 e
através do respaldo científico deste Centro de um programa doutoral em “Informação e
Comunicação em Plataformas Digitais-ICPD”, que associa a Faculdade de Letras da
Universidade do Porto e o Departamento de Comunicação e Artes da Universidade de
Aveiro, a inscrição individual de doutores em Ciência da Informação na “Sociedade
Portuguesa das Ciências da Comunicação-SOPCOM” e a criação, recente, no âmbito
desta entidade de um “Grupo de Trabalho em Ciência da Informação”, que já realizou
um primeiro “Workshop em Pós-Graduação em Ciência da Informação-WPGCI”
(outubro de 2014) e preparação para novembro do corrente ano do II WPGCI. Atos e
iniciativas que definem um rumo e anunciam um trabalho muito difícil, que esbarra em
lógicas corporativas cristalizadas nos dois “universos” científico-profissionais em
conjugação, mas que se acredita ser possível e necessário.
Entretanto, a “Declaração de Bolonha” (1999), subscrita por trinta países,
começou a ser implementada, entre nós, no ano letivo de 2007-2008 e visa,
assumidamente, a criação do “Espaço Europeu de Ensino Superior” até 2010 com o
perfil concreto que resultar das reformas aplicadas, para esse fim, pelos países. O alvo
central deste processo é o estudante: pretende-se mudar de práticas e de conceção,
promovendo uma aprendizagem que assente no desenvolvimento de competências (o
que é que o estudante deve ser capaz de fazer) face aos objetivos da aprendizagem (o
que é que o estudante deve ser capaz de saber). Esta centralidade colocou o estudante
em relevo e tornou imperioso medir o seu trabalho em todas as suas formas. No âmbito
do designado “ECTS” esse trabalho é medido nomeadamente através de sessões de
ensino de natureza coletiva, de sessões de orientação pessoal de tipo tutorial, de
estágios, de projetos, de trabalhos de campo, do tempo de estudo e de avaliação. Na
Universidade do Porto, um crédito corresponde a 27 horas de trabalho do estudante e
um ano letivo corresponde a 60 créditos.

5
Ver sobre esta temática, entre outros, SILVA, Armando Malheiro da; RAMOS, Fernando. As Ciências
da comunicação e da informação: casos e desafios de uma interdisciplina. In E-Infocomunicação:
estratégias e aplicações. Org. Brasilina Passarelli, Armando Malheiro da Silva e Fernando Ramos. São
Paulo: Editora Senac-São Paulo, 2014. ISBN 978-85-391-0725-9. P. 49-77.
6
Ver o website: [Link] [Acesso a 12-7-
2015].

7
O impacto da adequação a Bolonha do Curso de LCI existiu, mas não foi
profundo por se tratar de um projeto formativo recente e concebido já de acordo com
um espírito académico atualizado e inovador. De qualquer modo a compressão do 1º
ciclo de quatro para três anos obrigou a reformulações do plano de estudos, passando
algumas unidades curriculares para o 2º ciclo, uma ou outra opcional ficou obrigatória e
a gravidade do impacto consistiu na supressão do estágio curricular, amplamente
vantajoso ao permitir ao aluno-estagiário religar os “saberes” teóricos aos práticos e ao
garantir-lhe uma mais rápida e continuada inserção no mercado de trabalho.
Às queixas ou receios de que o encurtamento do 1º ciclo pode acarretar
diminuição de qualidade e uma abdicação de exigência pedagógica, a estratégia mantida
na unidade curricular de Teoria e Metodologia em Ciência da Informação e da LCI, no
seu conjunto, contraria essa perspetiva e deve contribuir, por muito pouco que seja no
cômputo geral, como sinal inequívoco de aposta na qualidade da formação de
profissionais indispensáveis ao Portugal-digital, entenda-se, ao Portugal no “futuro
presente” da Era da Informação.
Convém, ainda, referir o empenho desenvolvido, a partir de maio de 2013, na
revisão do plano de estudos não apenas do primeiro, mas também do segundo ciclos,
tendo em vista uma melhor resposta às exigências do tempo em que estamos. Esse
processo árduo e gratificante culminou, por um lado, na submissão e recente aprovação
dos planos revistos, que incluem alterações pontuais, tornadas necessárias ao longo da
experiência letiva acumulada, no elenco das unidades curriculares, e, por outro, há a
registar a aprovação sem restrições ou imposições críticas pela “Agência de Avaliação
e Acreditação do Ensino Superior – A3ES” dos Cursos de Licenciatura e de Mestrado
em Ciência da Informação, o que constituiu um prémio e um estímulo a todos quantos,
nas duas Faculdades envolvidas, têm-se esforçado e colaborado para o bom sucesso
deste projecto verdadeiramente colaborativo.
A revisão efetuada, que entrará em vigor no próximo ano letivo 2015-16, teve
um impacto parcial na disciplina em foco, que se mantém no 1º semestre do 2º ano, mas
passa a incluir os conteúdos de uma disciplina lecionada no ano precedente – a
Metodologia da Investigação. A ideia que regeu esta fusão das duas Metodologias
consistiu em concentrar numa unidade apenas conteúdos complementares e que podem
ser considerados inseparáveis: a matéria geral relativa à génese e à evolução da Ciência

8
e as considerações epistemológicas e metodológicas inerentes às Ciências Sociais
podem servir de preâmbulo ao estudo sobre a natureza do tipo de conhecimento
produzido pela Ciência da Informação e seu respetivo método.
O presente relatório é concluído e exposto antes da vigência do novo plano de
estudos, pelo que se entende não ser necessário detalhar mais a modificação exposta,
mas tão só sinalizá-la do modo que fica feito.

9
1. Apresentação da Disciplina

1.1. Objetivos e estrutura


A Teoria e Metodologia em Ciência da Informação surge, enquanto disciplina
ou unidade didática semestral, com dois objetivos genéricos e fulcrais:

• introduzir os estudantes no core ou núcleo central da Licenciatura em Ciência da Informação através


de uma compreensão adequada da natureza desta Ciência, quer no quadro mais amplo das Ciências
Humanas e Sociais, seus fundamentos epistemológicos e a evolução que está a acontecer na
conjuntura em rede da Era da Informação, quer no âmbito do seu campo específico ;
• proporcionar aos estudantes a assunção da matriz teórica do Curso e, ao mesmo tempo,
consciencializá-los de que a Ciência da Informação é uma Ciência Social Aplicada, isto é, tem uma
nítida vocação aplicacional e prática, enriquecendo-se através de uma permanente dinâmica
interdisciplinar.

A estes objetivos genéricos importa acrescentar como previstas as seguintes


competências:

• adquirir conceitos operatórios essenciais da Ciência da Informação;


• dominar a compreensão da natureza do conhecimento cientifico gerado pela Ciência da Informação;
• saber distinguir a perspetiva evolutiva e integrada (ensinada e desenvolvida na Universidade do
Porto) da Ciência da Informação cumulativa ou fragmentada, cujo ensino é ainda dominante;
• aprender o Método Quadripolar, um método proposto em 1974 para as Ciências Sociais, gerais e
aplicadas, articulá-lo com as exigências mais práticas de modelização e saber usá-lo em contextos de
pesquisa; e
• integrar conhecimentos de outras disciplinas de core e complementares na matriz
teóricometodológica inerente a um cientista da informação.

São, também, expectáveis os seguintes resultados: espera-se que haja uma


maturidade no processo de reflexão, aquisição de conhecimentos abstratos e na
capacidade de relacionar diversos tipos de informação, tanto teórica quanto prática, para
que uma vez no mercado de trabalho saibam harmonizar a capacidade investigativa e a
postura crítica (científica) com a necessidade instrumental de resolver problemas.

10
Mas antes de especificarmos os objetivos e os conteúdos pertinentes convém ter
presente a respetiva ficha orgânica tal como está administrativamente concebida e
fixada, tomando como referência o ano letivo a que se reporta, na prática, o presente
relatório:

LICENCIATURA EM Ciência da Informação


ANO LETIVO CRÉDITOS ANO CURRICULAR

2014-15 ECTS 6
NOME DA DISCIPLINA DOCÊNCIA-AULA
Teoria e Metodologia em Ciência da Informação Teórico-Prática 4
DEPARTAMENTO QUE LECCIONA A DISCIPLINA :
Departamento de Jornalismo e Ciências da Comunicação
REGENTE Armando Manuel Barreiros Malheiro da Silva
CATEGORIA Professor Associado
MODO DE TRABALHO: Presencial
TIPO DE AVALIAÇÃO: Avaliação distribuída com exame final
COMPONENTES DE AVALIAÇÃO:
exame 60%
participação presencial 10%
trabalho escrito 30%
COMPONENTES DE OCUPAÇÃO:
Estudo autónomo 60%
Frequência das aulas 56%
Trabalho de investigação 44%
FÓRMULA DE CÁLCULO DA CLASSIFCIAÇÃO FINAL:
Apresentação de um trabalho que é realizado ao longo do período letivo e que tem uma
cotação de 40% . O exame final tem uma cotação de 60%.
AVALIAÇÃO ESPECIAL:
Os alunos trabalhadores não estão dispensados da apresentação de todos os elementos de
avaliação e os alunos com deficiências especiais também não, embora recebam um
acompanhamento adequado às suas caracetrísticas específicas,
MELHORIA DA CLASSIFICAÇÃO:
A melhoria da classificação poderá ser obtida mediante a reformulação ou nova apresentação
do trabalho e repetição do exame final.
FONTE: Ficha da Disciplina no Sigarra. Url:
[Link] [Acesso interno: 12-7-
2015].

11
Esta unidade curricular é lecionada no primeiro semestre do segundo ano do
Curso de Licenciatura em Ciência da Informação e, junto com Sistemas de Arquivo e de
Biblioteca e Organização e Representação da Informação I, constitui, nesse semestre, o
core científico de LCI, cabendo-lhe, quanto a este ponto, a função crucial de fornecer
aos alunos as bases teórico-metodológicas que se lhes revelarão essenciais ao longo do
processo formativo, tanto no primeiro, como no segundo e até no terceiro ciclos, de
acordo com a adequação ao processo de Bolonha. Para tanto, importa sublinhar os
seguintes objetivos que estão definidos e que, para o sucesso letivo do binómio ensino-
aprendizagem nesta unidade, precisam ser plenamente atingidos:

• clarificar, do ponto de vista epistemológico, a premissa de que a Ciência da Informação é uma


Ciência Social Aplicada e mais estritamente inserida no quadro das Ciências da Comunicação e
Informação;
• questionar o tipo de relação da Ciência da Informação com os Sistemas Informáticos ou
Tecnológicos de Informação;
• perceber as diferentes perspetivas existentes sobre Ciência da Informação e o seu relacionamento
com a tradição bibliológica/biblioteconómica, documentalista, arquivística e museológica
patrimonialista;
• expor e discutir a proposta de uma Ciência da Informação trans e interdisciplinar, capaz de projetar-
se em programas de pesquisa guiados pelo Método Quadripolar e também vocacionada para
mútliplas trajetórias inter e muliidisciplinares.

Objetivos que podem ser relacionados com a aquisição de competências


específicas enquadradas no Grupo I 02 – Compreensão do meio profissional, do Euro-
referencial I-D7 e se definem como segue:

Orientar-se no meio profissional da informação e da documentação, a nível nacional e


internacional da Sociedade da Informação, a fim de contribuir para o reconhecimento da
profissão e do seu lugar na sociedade. Adquirir uma cultura e uma identidade profissionais
que se traduzam no conhecimento dos atores, do vocabulário, da história, dos lugares de

7  
É   de   assinalar   o   facto   de,   para   a   área   da   Ciência   da   Informação,   existir   um   referencial   de  
competências  de  âmbito  europeu  (já  com  duas  edições),  cuja  tradução  para  português  foi  publicada  
em   2005:   EUROPEAN   COUNCIL   OF   INFORMATION   ASSOCIATIONS   –   Euro-­referencial   I-­D.   Vol.   1   –  
Competências   e   aptidões   profissionais   europeus   de   Informação-­Documentação;   vol.   2   –   Níveis   de  
qualificação  dos  profissionais  europeus  de  Informação-­Documentação.  Trad.  INCITE.  Lisboa:  INCITE,  
2005.  ISBN  972-­‐98747-­‐4-­‐3.  

12
encontro e permuta da profissão, e das profissões conexas, que permita ser mais eficaz no
seu trabalho e gerir a progressão na carreira profissional.

Estas competências concorrem para as perspetivadas no Curso de LCI, a saber:

• possuir uma cultura disciplinar própria;


• dominar o vocabulário de base da Ciência da Informação;
• compreender a especificidade dos conceitos da área disciplinar;
• explorar uma metodologia de estudo e de trabalho adequada; e
• interpretar uma situação específica do domínio disciplinar.

O fato dos estudantes de Ciência da Informação serem provenientes de


qualquer agrupamento de disciplinas do ensino secundário, isto é, tanto poderem ter
uma formação de base na área das Humanidades, das Ciências Sociais e Humanas, das
Artes, das Ciências e das Tecnologias, ou até mesmo na área do Desporto, faz com que
a sua cultura geral e os conhecimentos que possuem sejam muito diversificados.
Esta unidade curricular convoca além das noções fundamentais ensinadas e
aprendidas em Metodologia de Investigação, disciplina do 1º ano, 2º semestre,
conhecimentos de filosofia, de epistemologia e de sociologia da ciência que não sendo
apreendidos no secundário exigem dos estudantes um esforço complementar de
alargamento e aprofundamento de saberes fundamentadores da matéria de Ciência da
Informação propriamente dita.

13
2. O Programa e sua aplicação

2.1. Programa

1. As Ciências da Comunicação e Informação – génese, perfil e evolução


de uma interdisciplina no campo das Ciências Sociais
2. Da Prática Profissional à Formação Científica
2.1. Breve retrospetiva da atividade técnica e profissional relacionada com
Bibliotecas e Arquivos
2.2. Análise de uma distinção prévia: diferença entre atividade profissional
e conhecimento científico
3. Do Documento à Informação
3.1. Génese e matizes de conceitos operatórios basilares
3.2. Distinção conceitual entre Documentação e Informação
3.3. Informação e a sua variada polissemia hoje
3.3.1. Informação, linguagem e discurso
3.3.2 Informação, conhecimento e comunicação
3.3.3. Informação, documento e tecnologias da informação e comunicação
(TIC)
4. O Debate epistemológico
4.1. De Paul Otlet a Harol Borko: da crise da bibliotecologia clássica à
ousadia programática da Information Science
4.2. Será a Ciência da Informação uma ciência? Diferentes posições e
perspetivas
4.2.1. A perspetiva cumulativa ou fragmentária
4.2.2. A perspetiva evolutiva
4.3. A questão do Objeto - o Documento ou a Informação?
4.3.1. As propriedades da Informação
4.3.2. A (im)possibilidade da Ciência da Informação ser uma interdisciplina
[Link]. A Pluri, a inter e a transdisciplinaridade no estudo da Informação
4.3.3. A recriação do Objeto da Ciência da Informação a partir de um

14
referente fenomenológico e da noção de problema
4.3.4. O fenómeno/processo infocomunicacional
4.3.5. A Busca de um Método em confronto com as propostas metodológicas
existentes
[Link]. Metodologia em Ciências Sociais e o Método Quadripolar
[Link]. Teorias e modelos no pólo teórico
[Link].1. Estruturalismo e Construtivismo
[Link].2. Teoria e pensamento sistémico
[Link].3. Teoria das Situações e Info-Senso
[Link].4. Teoria da Informação Psicológica
[Link].5. Teorias da Comunicação
[Link].6. Diferentes aplicações teóricopráticas (modelos)
5. Um programa aberto de I&D
6. A Ciência da Informação é a resposta necessária à Era da Informação ou à
Galáxia Internet onde já estamos?

2.2. Estratégia adotada


Depois da adequação do Curso de Licenciatura em Ciência da Informação ao
Processo de Bolonha, esta unidade curricular passou a ter atribuídos seis ECTS e uma
carga horária semanal de quatro horas. A estimativa da participação presencial nas aulas
é de 60 horas, para trabalho escrito 50 horas, para preparação de estudo 50 horas e para
exame final 2 horas, o que perfaz um total de 162 horas.
O Programa apresentado contém matéria lecionada ao longo de vinte e oito
unidades letivas ou aulas efetivamente lecionadas no presente ano letivo de 2014-15.
A estratégia didática usada exemplifica-se deste modo: numa aula é feita a
introdução genérica de determinado ponto programático com as suas subdivisões,
devendo também ser precedida por uma revisão geral da matéria anterior, e nas
seguintes aulas especificam-se os tópicos letivos que sumariam o teor mais detalhado de
todos os conteúdos. O esquema repete-se até ao fim.
É importante frisar que apesar do caráter expositivo cada aula está aberta a uma
intensa interação professor - alunos, quer mediante perguntas destes, quer mediante
interpelações problematizadoras do docente.

15
Na parte tutorial as dúvidas e o acompanhamento por parte do professor da
execução do trabalho exigido como parte integrante do modo de avaliação constituem
uma “ferramenta” decisiva para o sucesso da aprendizagem, almejado nesta unidade
curricular.
Importa ainda acrescentar que como a avaliação compreende a elaboração de um
trabalho composto de dois elementos – um verbete à semelhança dos que compõem o
Dicionário Eletrónico em Terminologia da Ciência da Informação-DeltCI8 e um artigo9
sobre o Método Quadripolar – há, na parte tutorial, um acompanhamento da forma
como o trabalho é executado, com o esclarecimento de dúvidas e o estímulo, em
paralelo, ao exercício de autonomia intelectual do aluno, obrigando-o a uma leitura
crítica das fontes obrigatórias e secundárias implicadas nessa tarefa.
A experiência de lecionação da disciplina de treze anos consecutivos permite
referir, genericamente, resultados quanto à conclusão com sucesso pelos alunos. A taxa
global de reprovação no cômputo geral é muito baixa (não ultrapassa 1%), mas a
tendência principia com índices de reprovação no exame da época normal elevados
(chegam, em alguns anos letivos, a 70%), baixando drasticamente no exame de recurso.
A explicação deste comportamento de desempenho dos alunos tem a ver, por um lado,
com a dificuldade que a generalidade dos alunos sentem na elaboração do trabalho, não
conseguindo apresentar verbetes com a qualidade exigida logo à partida, e melhoram no
artigo, sendo dada uma valoração alta ao cuidado posto nos aspectos formais e no uso
cuidadoso das citações, como exercício importante de prevenção do plágio. A
preparação dos alunos para o exame, feita, muitas das vezes, em cima da época de
avaliação, faz com que haja uma maioria que precisa do recurso para colmatar
deficiências de aprendizagem visíveis no primeiro exame.

8  Url:  [Link]  [Acesso  em  12-­‐7-­‐2015].  


9   Elaborado
segundo as regras e os critérios estabelecido num livro de uso obrigatório na disciplina, a
saber: CORNELSEN, Julce Mary. Escrever com… Normas: guia prático para elaboração de trabalho
técnico-científico. Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra, 2012. ISBN 978-989-26-0108-3.
 

16
3. Distribuição de conteúdos temáticos e bibliográficos

De acordo com o calendário escolar definido pela Faculdade de Letras da


Universidade do Porto, esta disciplina tem tido, normalmente, uma carga letiva de vinte
e seis aulas10, com a duração de duas horas cada. O desenvolvimento do programa que é
apresentado visa, grosso modo, corresponder àquele número de aulas, sendo certo que o
cumprimento da planificação previamente efetuada sofre, naturalmente, ajustes ao longo
do semestre, em função do ritmo das aulas, do maior ou menor interesse dos alunos
pelos vários temas tratados e da dinâmica desenrolada. Alguns temas suscitam maior
discussão e, por isso, estimulam uma abordagem mais aprofundada e com maior
especificidade; outros são, porventura, menos sugestivos e não provocam tanto debate, o
que permite gerir de forma equilibrada o tempo, de modo a ser possível cumprir
integralmente o programa. Mas um aspeto é constante: os blocos temáticos ou tópicos
com subpontos programáticos estendem-se por várias aulas, uma vez que optou-se por
uma concentração pequena de núcleos de matéria a lecionar.
O primeiro e segundo tópicos não apresentam desdobramentos.
No primeiro faz-se o enquadramento epistemológico da Ciência da Informação
na interdisciplina que diretamente lhe corresponde, ou seja, nas Ciências da
Comunicação e Informação, designação que está fixada no elenco de áreas científicas da
“Fundação para a Ciência e Tecnologia-FCT”, e que se constitui como uma instância de
Ciências Sociais que se ocupam do fenómeno infocomunicacional. Nos primeiros anos
de lecionação desta disciplina este tópico esteve omisso do programa, mas a partir do
momento em que se tornou uma área de investigação do docente da disciplina não podia
deixar de constar nos conteúdos programáticos e tem vindo a ser expandido e
melhorado.
No segundo é tratada uma distinção simples, mas fundamental que se prende
plenamente com a distinção entre senso comum e conhecimento científico. A confusão
que ao longo do séc. XX, talvez por efeito da hiperespecialização de um cientismo
hiperboilizado que ainda persiste, estabeleceu-se entre a existência de uma profissão e a
sua imediata adjetivação como científica, é um equívoco grosseiro que precisa ser

10  O  número  de  aulas  pode  variar  de  ano  para  ano,  em  função  da  data  de  início  do  ano  letivo.  No  ano  

letivo  de  2014-­‐15  atingiram-­‐se  as  vinte  e  oito  aulas.  

17
elucidado e, no que toca às profissões surgidas no âmbito da Documentação e
Informação, com forte acuidade. As profissões de bibliotecário, arquivista,
documentalista e museólogo surgiram na órbita de certas disciplinas como a História
geral, a História de Arte e a Filologia, mas sem densidade científica, ou seja, regidas por
um conjunto de princípios e de procedimentos de mero senso comum e aperfeiçoáveis
no plano meramente técnico.
O terceiro tópico – Do Documento à Informação – apresenta seis subpontos que
permitem desenhar o objeto de estudo da Ciência da Informação. A passagem do objeto
documento para o objeto informação resulta de uma evolução epistemológica
importante e de uma mudança de paradigma, explorada no tópico seguinte. A adoção de
uma definição operatória de informação e a aceitação da noção clássica de documento,
como informação num qualquer suporte, condicionam a trajetória conceitual discutida,
em contraponto, face a outros termos e conceitos basilares como os de linguagem,
discurso, conhecimento, comunicação, tecnologias de informação e comunicação,
sistema de informação e plataformas digitais.
No quarto tópico e suas subdivisões entra-se no Debate epistemológico,
propriamente dito, ou seja, na análise da relação objeto e método em Ciência da
Informação. A evocação de Paul Otlet (1869-1944) e de Harold Borko (1922-2012) visa
trazer à colação tanto o contributo inovador do visionário belga, Autor do Traité de la
Documentation (1934) e fundador da renovação da Bibliotecologia através da Ciência
da Documentação, como a indelével marca deixada pelo psicólogo, documentalista e
informático norte-americano na identidade epitemológica da Ciência da Informação. É
feito, assim, o enquadramento a uma análise das duas principais perspetivas em
confronto nesta área: a cumulativa e fragmentária e a evolutiva. Apresentam-se os
argumentos de uma e de outra, sendo que a segunda sustenta a Ciência da Informação
trans e interdisciplinar, desenvolvida e defendida na Universidade do Porto, desde, pelo
menos, 2002. Associada às perspetivas está a proposta de dois paradigmas para este
campo profisisonal e científico: o custodial, historicista, patrimonialista e tecnicista e o
pós-custodial, informacional e científico. Após o confronto critico destes dois
paradigmas entra-se no aprofundamento do objeto de estudo da Ciência da Informação,
procurando-se enfatizar que foi reformulado e ampliado a partir de uma dinâmica
transdisciplinar (ínsita à perspetiva evolutiva), através da qual se opera a fusão de

18
disciplinas práticas e técnicas, como são a Arquivística, a
Biblioteconomia/Bibliotecologia, a Documentação e a Museologia, a ponto de gerarem
uma instância epistémica nova – a Ciência da Informação. Um objeto que inclui uma
noção extensiva de documento (do livro à escultura ou a um artefacto desenhado e
manufaturado pelo ser humano) e a definição operatória de informação exposta e
defendida no tópico terceiro, assim como exige uma discussão metodológica que tem de
começar no quadro das Ciências Sociais: que método para estudar o social e o humano?
Deve ser mantida a influência positivista da metodologia desenvolvida no campo das
Ciências Naturais ou, pelo contrario, deve procurar-se uma metodologia consentânea
com as questões epistemológicas suscitadas pela respetiva matriz fenomenológica?
Entra, pois, aqui a apresentação do Método Quadripolar11 com os respetivos polos e a
operacionalização adaptada à Ciência da Informação, uma Ciência Social Aplicada.
No quinto tópico é tomado, como ponto de partida, o “Esboço de um Esquema
de I&D”, proposto em 200212, com o intuito de orientar as pesquisas em Ciência da
Informação de acordo com um “roteiro” próprio:

Admitindo que a C.I. é uma ciência social, desde logo porque tem como obejcto um
fenómeno/processo humano e social, ela partilha questões epistemológicas que se colovam
ao campo científico onde a situamos. Mas, como atrás ficou evidenciado, além dessas
questões comuns, possui algumas específicas que têm alimentado muito o debate ainda em
curso e que se prolongará por muito mais tempo. A tónica posta, por exemplo, na
interdisciplinaridade se por um lado é compreensível e óbvia, por outro, resvala para um
relativismo muito “frágil” patente na contribuição de vários autores recenseados no
segundo ponto do capítulo anterior. Distanciamo-nos desta posição “fraca” e adoptamos a
perspectiva exposta nos pontos precedentes. Em coerência com ela ousamos estabelecer um
esquema básico de Investigação e Desenvolvimento (I&D) para a C.I. (...)
Podemos, por isso, dividi-lo em duas dimensões: a interna e a externa. Na primeira
situamos as linhas de investigação fundamental (“substantiva” e “eclética”) e aplicacional
(teorético-problemática e casuístico-dispersiva). Na segunda dimensão entram os estudos
comparativos e em parceria abrangendo a constelação de ciências e de disciplinas situadas
na esfera das relações interdisciplinares mais ou menos exequíveis e fecundas13.

11   Oponto 4.3.5,1, e o subsequente [Link]. -Teorias e modelos no polo teórico - foram escolhidos como
o assunto da lição-síntese inserida nestas Provas de Agregação.  
12  Ver SILVA; Armando Malheiro da; RIBEIRO, Fernanda. Op. cit., p. 122-128.

19
Entretanto, este esboço de esquema de I&D foi dando lugar a uma agenda mais
simples e concreta de pesquisa centrada nas três grandes áreas do objeto da Ciência da
Informação – a produção, a organização e a recuperação da informação e o
comportamento informacional; e a estas acresce, ainda, um plano subjacente e
transversal, fortemente aplicacional, em que se situa a gestão da informação.
Por fim, no sexto trabalha-se uma interrogação: “a Ciência da Informação é a
resposta necessária à Era da Informação ou à Galáxia Internet onde estamos?”. A
resposta que é dada nas aulas e através da produção epistemológica em curso aponta,
por um lado, para uma correspondência natural, isto é, sem a nova Era em que já nos
encontramos seria impossível assistir ao surgimento e à construção da Ciência da
Informação trans e interdisciplinar, mas, por outro, os desafios que se colocam são
tantos e variados que o emergente constructo científico pode estar longe ainda do perfil
mais requerido e adequado.

3.1 Unidades didáticas


Sendo o docente conhecido, por integrar a Comissão Cientifica do Curso, e
havendo informação contextual que passa dos alunos mais velhos para os mais novos
costuma ser dispensada, na primeira aula, uma “apresentação” formal e tradicional. O
contacto inicial vai mais no sentido de perceber qual a opinião dos discentes sobre as
matérias que foram objeto das disciplinas do primeiro ano do Curso e em que medida
estão já conscientes das competências que poderão adquirir de forma a obterem uma
preparação adequada para o desempenho de uma profissão futura.
São, desde logo, feitas várias considerações sobre a disciplina e o respetivo
programa, informando os alunos da importância no plano curricular e das relações que a
mesma estabelece com outras disciplinas do mesmo semestre e do semestre seguinte. É
dada, ainda, uma explicação genérica sobre os conteúdos programáticos e uma
indicação concreta da bibliografia indispensável, em larga medida disponível em
suporte papel e localizável, por intermédio de digitalização, na rubrica Documentos do
Sigarra. A revista electrónica Prisma.Com14 e o Dicionário Eletrônico de Terminologia
em Ciência da Informação-DeltCI são recursos explorados com algum detalhe,

13
SILVA, Armando Malheiro da; RIBEIRO, Fernanda. Op. cit., p. 122-123.
14    Ver  url:  [Link]  [åcesso  14-­‐7-­‐2015].  

20
nomeadamente porque há, como ficou referido atrás, a exigência de que o aluno
apresente, no trabalho individual, uma proposta de um verbete original e oportuno.
Definem-se, ainda, os métodos e os critérios de avaliação a que a disciplina será
sujeita acentuando-se a importância da realização do trabalho escrito, que se articula
com a prova de avaliação final (exame escrito obrigatório).
Na sequência, abaixo, de vinte e oito aulas lecionadas decidimos colocar dentro
da moldura o tópico que consta do Programa, os respetivos conteúdos elencados
(Descrição) e, para cada aula, as respetivas indicações bibliográficas (Bibliografia de
Apoio - essencial e secundária), que podem parecer excessivas em quantidade, mas, na
prática, estão longe de esgotar a literatura, mais ou menos recente, que importa conhecer
e é fundamental que o aluno de Licenciatura seja confrontado com a existência da vasta
produção bibliográfica offline e online que não pode ser ignorada:

[1]
PROG: 1. As Ciências da Comunicação e Informação – génese, perfil e evolução de uma
interdisciplina no campo das Ciências Sociais.
DESC.: Nesta primeira aula, depois de expostas as características e exigências que são
indispensáveis aos alunos para concluirem, com êxito a disciplina, explica-se a
matárila que consta do ponto 1 acima. Fala-se do caso histórico francês com a
criação, em 1974, do grupo interdisciplinar, em nível académico e de carreira
docente, assim como de investigação, e em nível associativo e cívicoprofissional,
das Ciências da Informação e Comunicação. Revisitam-se as bases epistemológicas
deste projeto e seu estado atual. Traça-se uma panorâmica de outros países e
continentes em que haja experiências de conjugação da área das Ciências da
Comunicação e da Ciência da Informação, tanto no plano da formação graduada e
pós-graduada, como no plano de unidades de pesquisa.
BIBL.: [essencial] ALVES, Aníbal. Ciências da comunicação, área interdisciplinar. Cadernos
do Noroeste: Comunicação e Sociedade, 1. Braga, 12, 1-2 (1999). P. 5-18;
BATEKO, Bob Bobutaka. Archivologie, bibliologie et communicologie; approche
épistemologique. Saarbrucken; Verlag – Éditions Universitaires Européennes, 2014,
ISBN 978-3-8417-4231-5; BOUGNOUX, Daniel. Introdução às ciências da
comunicação. Bauru, SP: EDUSC, 1999. ISBN 85-86259-71-3.; CHANDLER,
Daniel; MUNDAY, Rod. A Dictionary of Media and Communication. Oxford:
Oxford University Press, 2011. ISBN 978-0-19-956873.8; CORROY, Laurence;
GONNET, Jacques. Dictionnaire d’initiation à la info-com. Paris: Magnard Vuibert,
2008. ISBN 978-2-7117-1262-5; COSTA, Manuel da Silva e. As Ciências da
comunicação: consolidação académica e desafios interdisciplinares. Cadernos do
Noroeste: Comunicação e Sociedade, 2. Braga, 14 (2000) 1-2; Dicionário de
Ciências da Comunicação. Dir. Isabel Ponce de Leão et al. Porto: Porto Editora,
2000. ISBN 972-0-05274-0; Dictionnaire encyclopédique de l’information et de la

21
documentation. Dir. Serge Cacaly. Paris: Éditions Nathan, 1997. ISBN 2-09-
190528-3; Dictionnaire encyclopédique des sciences de l’information et de la
communication. Dir. Bernard Lamizet et Ahmed Silem. Paris: Ellipses-Édition
Marketing, 1997. ISBN 2-7298-4766-9; E-Infocomunicação: estratégias e
aplicações. Org. Brasilina Passarelli, Armando Malheiro da Silva e Fernando
Ramos. São Paulo: Editora Senac-São Paulo, 2014. ISBN 978-85-391-0725-9;
Enciclopédia Einaudi. 43 volumes. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda,
1984-2001. ISBN 972-27-1081-4; ESCARPIT, Robert - L’information et la
communication: théorie générale. Paris: Librairie Hachette, 1991; MEYRIAT, Jean;
MIÈGE, Bernard. Le projet des SIC: de l´émergent à l’irréversible (fin des années
1960-milieu des années 1980). In Les origines des sciences de l’information et de la
communication: regards croisés. (Éd.) Robert Boure. Villeneuve - d’Ascq (Nord):
Presses Universitaires du Septentrion, 2002. ISBN 2-85939-745-0. P. 45-70;
METZGER, Jean-Paul. L’information-documentation. In Sciences de l’information
et de la communication. Dir. Stéphane Olivesi. Grenoble: Presses Universitaires de
Grenoble, 2006. ISBN 2-7061-1294-8. P. 43-62; MIÈGE, Bernard. L’information –
communication, objet de connaissance. Bruxelles: De Boeck & Larcier/Institut
National de l’Audiovisuel, 2004. ISBN 2-8041-4668-6; MIÈGE, Bernard. O
Pensamento comunicacional. Tradução de Guilherme João de Freitas Teixeira.
Apresentação, revisão técnica e notas de Edgard Rebouças. Petrópolis: Editora
Vozes, 2000. ISBN 85.326.2296-8; MUCCHIELLI, Alex. Les sciences de
l’information et de la communication. 4e. édition. Paris: Hachette, 2006. ISBN 2-01-
14-5714-9; NETTO, J. Teixeira Coelho. Semiótica, informação e comunicçáo:
diagrama da teoria do signo. São Paulo: Editora Perspectiva, 2003. ISBN 85-273-
0170-9; POMBO, Olga. Interdisciplinaridade: ambições e limites. Lisboa: Relógio
d’Água Editores, 2004. ISBN 972-798-814-7; RODRIGUES, Adriano Duarte.
Dicionário Breve da Informação e da Comunicação. Lisboa: Editorial Presença,
2000. ISBN 972—23-2638-4; SFEZ, Lucien. A Comunicação. Lisboa: Instituto
Piaget, 2004. ISBN 972-8285-11-4; SIERRA CABALLERO, Ftancisco. Elementos
de teoria de la información. Alcalá de Guadaira: Editorial MAD, 1999. ISBN 84-
8311-665-0; SILVA, Armando Malheiro da; RAMOS, Fernando. As Ciências da
Comunicação e da informação: casos e desafios de uma interdisciplina. In E-
Infocomunicação: estratégias e aplicações. Org. Brasilina Passarelli, Armando
Malheiro da Silva e Fernando Ramos.São Paulo: Editora Senac São Paulo, 2014.
ISBN 978-85-396-0725-9. P. 49-77; SILVA, Armando Malheiro da. As Ciências da
Comunicação e Informação no espaço Ibero-Americano: inércia e evolução. In
Comunicação ibero-americana: os desafios da internacionalização: livro de atas do
II Congresso Mundial de Comunicação ibero-americana. Ed. Moisés de Lemos
Martins e Madalena Oliveira. Braga: CECS-Centro de Estudos de Comunicação e
Sociedade da Universidade do Minho, 2014. ISBN 978-989-8600-29-5. P.471-490
[e-book]; e SILVA, Armando Malheiro da. Informação e comunicação como
projecto epistemológico em Portugal e no Brasil. In A Medicina na Era da
Informação. Orgs. Zeny Duarte e Lúcio Farias. Salvador, BA: Editora da
Universidade Federal da Bahia, [2009]. ISBN 978-85-232-9633-8. p. 27-56.
[secundária] BIROU, Alain. Dicionário das ciências sociais. Lisboa: Publicações
Dom Quixote, 1982, p. 259-260; COMMISSION FRANÇAISE POUR L’UNESCO,
La “Société de l’information”: glossaire critique. Paris: La Documentation
Française, 2005. ISBN 2.11-005774-2; SANTOS, Boaventura de Sousa. Introdução
a uma ciência pós-moderna. Porto: Edições Afrontamento, 1989 ISBN 972-38-
0207-5; SANTOS, Boaventura de Sousa. Um Discurso sobre as ciências. Porto:
Edições Afrontamento, 1987; SILVA, Augusto Santos e PINTO, José Madureira.
Metodologia das Ciências Sociais. Porto: Edições Afrontamento, 1986; e VAN
CAMPENHOUDT, Luc. Introdução à análise dos fenómenos sociais. Lisboa:
Gradiva Publicações, 2003. ISBN 972-662-896-2.

22
[2]
PROG: 2. Da Prática Profissional à Formação Científica ; 2.1. Breve retrospetiva da atividade
técnica e profissional relacionada com Bibliotecas e Arquivos ; 2.2. Análise de uma
distinção prévia: diferença entre atividade profissional e conhecimento cientifico
DESC.: Estabelece-se uma ligação estreita com a disciplina Sistemas de Arquivo e Biblioteca
– SAB, lecionada no mesmo curso de Licenciatura e no 1.º semestre do 2.º ano, uma
vez que a retrospetiva diacrónica, que é aí traçada desde o aparecimento da escrita e
dos primeiros registos documentais e da existência de “cuidadores” e funcionários
responsáveis por esses registos até à eclosão na Modernidade (com as Revoluções
setecentistas, nomeadamente a Francesa), permite perceber que a Biblioteca Pública,
o Arquivo Público, o Museu (da Arte à Casa-Museu, passando por uma tipologia
variada) e o Centro de Documentação são constructos modernos que geraram a
profissionalização dos servidores contratados para funções especificadas, não
havendo, neste caso, uma correspondência direta entre estas profissões e um corpo
de conhecimento científico. Ciências humanas e sociais, como a Filologia, a História
e a Literatura tutelaram a formação inicial dos profissionais de Biblioteca, Arquivo e
Museu, mas as suas competências funcionais baseavam-se apenas no senso comum e
num posterior e maturado aperfeiçoamento técnico. Enfatiza-se adequadamente a
distinção entre senso comum e ciência, mas de maneira a mostrar-se que esta nasce
frequentemente daquele.
BIBL.: [essencial] O Curso de Licenciatura em Ciência da Informação na U. Porto: dez
anos de actividade pedagógica e científica. Coord. António Castro, Cecília Melo,
Pedro Seabra e Ricardo M. Costa. Porto: Faculdades de Letras e de Engenharia da
Universidade do Porto, 2011. ISBN 978-972-8932-75-6; EUROPEAN COUNCIL
OF INFORMATION ASSOCIATIONS. Euro-referencial I-D. Vol. 1 –
Competências e aptidões profissionais europeus de Informação-Documentação; vol.
2 – Níveis de qualificação dos profissionais europeus de Informação-
Documentação. Trad. INCITE. Lisboa: INCITE, 2005. ISBN 972-98747-4-3;
PINTO, Maria Manuela Gomes de Azevedo. A formação em informação e
documentação: Portugal na contemporaneidade. In Formación, investigación y
mercado laboral en información y documentación en Espana y Portugal ;
Formação, investigação e mercado de trabalho em informação e documentação em
Espanha e Portugal. Ed. José Antonio Frias y Crispulo Travieso Salamanca:
Ediciones Universidad, 2008. p. 91-142; Profissionais da informação: formação,
perfil e atuação profissional. Org. Marta Pomim Valentim. São Paulo: Editora Polis,
2000. ISBN 85-7228-011-1; O Profissional da informação em tempo de mudanças.
Org. Leonardo Fernandes Souto. Campinas, SP: Editora Alínea, 2005. ISBN 85-
7516-104-0; RIBEIRO, Fernanda. An Integrated perspective for Professional
education in Libraries, Archives and Museums; a new paradigm, a new training
model. Journal of Education for Library and Information Science. Vol. 48, 2 (spring
2007). P. 116-124; RIBEIRO, Fernanda. Para o estudo do paradigma
patrimonialista e custodial: a inspecção das bibliotecas e arquivos e o contributo de
António Ferrão (1887-1965). Porto: [Link]; Edições Afrontamento, 2008.
ISBN 978-972-36-0948-6; RIBEIRO, Fernanda et al. Memória do curso de
especialização em ciências documentais (1985-2003). In Homenagem ao professor
doutor José Marques: 26 e 27 de Junho de 2003 : actas do Colóquio "Do
Documento à Informação" e da jornada sobre sistemas de informação municipal

23
(...). Org. Secção de Ciências Documentais/Departamento de Ciências e Técnicas do
Património/Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Porto: Faculdade de
Letras da Universidade do Porto, 2004. ISBN 972-9350-84-1. P. 209-252; SILVA,
Armando Malheiro da. Arquivística, biblioteconomia e museologia: do empirismo
patrimonialista ao paradigma emergente da ciência da informação. In Integrar: 1º
congresso internacional de arquivos, bibliotecas, centros de documentação e
museus: textos. São Paulo: FEBAB-Federação Brasileira de Associações de
Bibliotecários, Cientistas da Informação e Instituições/Imprensa Oficial-SP, 2002, p.
573-607; SILVA, Armando Malheiro da; RIBEIRO, Fernanda. Formação, perfil e
competências do profissional da Informação. In CONGRESSO NACIONAL DE
BIBLIOTECÁRIOS; ARQUIVISTAS E DOCUMEN-TALISTAS, 8, Estoril, 2004 -
Nas encruzilhadas da Informação e da Cultura : (re)inventar a profissão : actas. [CD-
ROM]. Versão em Word para Windows XP. Lisboa : BAD, 2004; e SILVA,
Armando Malheiro da et al. Arquivística: teoria e prática de uma ciência da
informação. Vol. 1. Porto: Edições Afrontamento, 1999. ISBN 972-36-0483-3.
[secundária] Diccionario enciclopédico de Ciências de la Documentación. Editor
José López Yepes. 2 vols. Madrid: Editorial Síntesis, S.A., 2004. ISBN 84-9756-
258-5; e Dictionnaire encyclopédique de l'information et de la documentation. Dir.
Serge Cacly. Paris: Éditions Nathan, 1997. ISBN 2-09-190528-3.

[3]
PROG: 3. Do Documento à Informação; 3.1. Génese e matizes de conceitos operatórios
basilares; 3.2. Distinção conceitual entre Documentação e Informação; 3.3.
Informação e a sua variada polissemia hoje; 3.3.1. Informação, linguagem e
discurso; 3.3.2. Informação, conhecimento e comunicação; e 3.3.3. Informação,
documento e tecnologias da informação e comunicação (TIC).
DESC.: Apresenta-se este “bloco temático” como preambular à delimitação do objeto da
Ciência da Informação, que consta do ponto 4 sobre o Debate Epistemológico e que
é desenvolvido numa série alargada de aulas. Aqui, mostra-se a utilidade dos
conceitos para a identificação e a caracterização dos temas e dos problemas
levantados e estudados por uma ciência. Aborda-se, também, o primeiro ponto
específico com uma prevenção importante sobre a noção de fenómeno e a noção
epistemológica de objeto, mais detidamente sobre as estratégias compreensivas e
explicativas dos fenómenos e sobre as conceções (do realismo ao relativismo) de
construção do objeto de estudo científico. Todos os conceitos tratados
analiticamente nas aulas seguintes são enumerados e relacionados com a referida
prevenção.
BIBL.: [essencial] CAPURRO, Rafael. Hermeneutics and the phenomenon of information.
In Metaphysics, epistemology and technology: research in philosophy and
technology. Ed. Carl Mitcham. Vol. 19. S.l.: JAI/Elsevier., 2000, p. 79-85. Url:
[Link] [acesso em 6-8-2015]; Dicionário Eletrônico de
Terminologia em Ciência da Informação - DeltCI. Departamento de Ciência da
Informação Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas/UFES - Universidade
Federal do Espírito Santo; Departamento de Jornalismo e Ciências da Comunicção
da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Edição on line em 6 de novembro
de 2007. Url: [Link] [acesso em 23-7-2015];
GODINHO, Vitorino Magalhães. Em torno de: O que é a ciência. In Idem –
Ensaios: IV - humanismo científico e reflexão filosófica. Lisboa: Livraria Sá da

24
Costa Editora, 1971, p. 177-219; e PAVIANI, Jayme. Epistemologia prática: ensino
e conhecimento científico. Caxias do Sul: Educs, 2009. ISBN 978-85-7061-513-8.
[secundária] BECKER, Fernando (1994). O que é o construtivismo? Url:
[Link] [acesso em 2-8-2015];
HORGAN, John. The End of science: facing the limits of science in the twilight of
the scientific age. Reading, Mass. : Addison-Wesley Pub., 1997. ISBN 0-553-
06174-7; MOLES, Abraham. As Ciências do impreciso: em colaboração com
Elisabeth Rohmer. Porto: Edições Afrontamento, 1995. ISBN 972- 36-0387-X;
SANTOS, Boaventura de Sousa. Um Discurso sobre as ciências. Porto: Edições
Afrontamento, 1987; e SANTOS, Boaventura de Sousa. Introdução a uma ciência
pós-moderna. Porto: Edições Afrontamento, 1989. ISBN 972-36-0207-1.

[4]
PROG: 3. Do Documento à Informação [ponto geral]
3.2. Distinção conceitual entre Documentação e Informação
DESC.: Análise da matriz etimológica da palavra documento e seu sentido atual e comum:
suporte + informação. Análise do documento como objeto, como artefacto, e suas
conotações culturais e patrimonialistas. Alargamento do seu âmbito com base no
contributo inovador de Paul Otlet e na discussão feita por historiadores franceses
da “escola” dos Annales a propósito do que se deveria entender por documento e
monumento. Leva-se até às últimas consequências lógicas o sentido comum e
consensual de documento, a ponto de se poder considerar uma cadeira, uma estátua
ou um edifício como documento por se tratar de informação inscrita/moldada em
materiais. Matriz etimológica da palavra informação e seus múltiplos sentidos15.
Antes e depois do documento (informação registada)... a informação humana e
social Apresentam-se várias definições – e a lista é vasta, com relevo para a
influência nas Ciências Sociais da “Teoria da Informação” ou, em rigor, da “Teoria
Matemática de Comunicação” por Claude Shannon e Warren Weaver (1949) –
definoção de informação, destacando-se, naturalmente a que foi fixada, em 2002 e
a partir daí, por Silva e Ribeiro: conjunto estruturado de representações mentais e
emocionais codificadas (signos e símbolos) e modeladas com/pela interacção
social, passíveis de serem registadas num qualquer suporte material (papel, filme,
banda magnética, disco compacto, etc.) e, portanto, comunicadas de forma
assíncrona e multi-direccionada. Analisa-se modularmente a definição e
contrapõe-se a outras formulações e perspetivas, trazendo-se à colação o contributo
de Autores como N. J. Belkin, E. Curras, B. Lussato, L. Floridi, R. Porto Simões,
Burrell e Morgan com os seus “quatro paradigmas da Informação" (humanista -
informação como emancipação; estruturalista - informação como poder;
interpretativista - informação como significado; e funcionalista - informação como

15   Usa-­‐se   o   verbete   assaz   completo   Informação.   In   HOUAISS,   António;   VILLAR,   Mauro   de   Salles   -­‐  

Dicionário   Houaiss   da   lingua   portuguesa.   Rio   de   Janeiro:     Círculo   de   Leitores,   2002.   ISBN   972-­‐42-­‐
2929-­‐7.  P.  2094.  

25
objecto – 1979), R. Capurro e B. Hjorland entre muitos outros.
BIBL.: [essencial] ALLEN, Robert B. Information: a fundamental construct. [edção digital
do Autor, 2010; offline atualmente, mas há cópia disponível in Sigarra para os
alunos da disciplina]; BELKIN, N, J. Progress in documentation: information
concepts for Information Sciences. Journal of Documentation. Vol. 34, 1 (march.
1978) P. 55-85; CAPURRO, Rafael. On the genealogy of information. In
KORNWACHS, K.; JACOBY, K. (eds). Information: new questions to a
multidisciplinary concept. Berlin: Akademie Verlag, 1996, p. 259-270. Url:
[Link] [acesso em 3-8-2015[; CAPURRO, Rafael;
HJORLAND, Birger. The Concept of information. Annual Review of Information
Science and Technology. Ed. B. Cronin, 27, 8 (2003). P. 343-411; CAPURRO,
Rafael; HJORLAND, Birger. O Conceito de informação. Perspetivas em Ciência da
Informação, Belo Horizonte, 32, 1 (jan.-abr. 2007). P. 148-207. Url:
[Link] [acesso em 3-8-2016];
CURRÁS, Emilia. La informacion em sus muevos aspectos: ciencias de la
documentacion. Madrid: Paraninfo, 1988. ISBN 84-283-1600-7; DAY, Ronald E.
The Modern invention of information: discourse. Carbondale: Southern Illinois
University Press, 2008. ISBN 0-8093-2390-7; El Documento electrónico: aspectos
jurídicos, tecnológicos y archivísticos. Eds. José Luís Blasco Díaz; Modesto J. Fabra
Valls. Castelló de la Plana: Publicacions de la Universitat Jaume I,2008. ISBN 978-
84-8021-662-3; FLORIDI, Luciano. Information: very short introduction. Oxford:
Oxford University Press, 2010. ISBN 978-0-19-955137-8; Informação, cultura e
sociedade: interlocuções e perspectivas. Org. Alcenir Soares dos Reis e Ana Maria
Rezende Cabral. Belo Horizonte, MG: Novatus Editora, 2007. ISBN 978-85-86762-
05-5; LE GOFF, Jacques. Documento/monumento. In Enciclopédia Einaudi, vol. 1 -
Memória-História. Lisboa : Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1984. p. 95-106;
LITTON, Gaston. A Documentação. São Paulo: Editora McGraw-Hill do Brasil,
Lda., 1976; LÓPEZ YEPES, José. Teoria de la documentación. Pamplona:
Ediciones de la Universidad de Navarra, 1978; LÓPEZ YEPES, José; ROS
GARCÍA, Juan. Qué es documentación?: teoría e historia del concepto en España
Madrid: Editorial Síntesis. 1993. ISBN 84-7738-213-1; Manual de inofrmación y
documentación. Org. José López Yepez. Madrid: Ediciones Pirâmide, S.A., 1996.
ISBN 84-368-0968-8; McGARRY, K. J. Da Documentação à informação: um
contexto em evolução: edição realizada em colaboração com a associação
Portuguesa de Bibliotecários, Arquivistas e Documentalistas (B.A..D.). Lisboa:
Editorial Presença, 1984; MOLINA CAMPOS, Enrique. Teoría de la
biblioteconomía. Ed. póstuma a cargo de Rafael Olivares. Granada : Universidad de
Granada, 1995. ISBN 84-338-2116-4; MOREIRO GONZÁLEZ, José Antonio.
Conceptos introductorios al estudiode la información documental. Salvador, BA:
EDUFBA, 2005. ISBN 85-232-0353-2; NETTO, Carlos Xavier de Azevedo. A
Representação e interpretação de um antigo sistema de informação: os grafismos
rupestres no Brasil. João Pessoa: Editora da UFPB, 2013. ISBN 978-85-237-0725-
5; Ouvrir le document: enjeux et pratiques de la documentation dans les arts visuels
contemporains. Éd. Anne Bénichon. Montreal: Les Presses du Réel, 2010. ISBN
978-2-84066-350-8; ROBREDO, Jaime. Informação e transformação. Brasília:
Associação dos Bibliotecários do Distrito Federal, 1984; RODRÍGUEZ BRAVO,
Blanca. El Documento: entre la tradición y la renovación. Gijón: Ediciones Trea,
2002. ISBN 84-9704-052-X; SILVA, Armando Malheiro da. A Informação: da
Compreensão do fenómeno e construção do objecto científico. Porto:
[Link]; Edições Afrontamento, 2006. ISBN 972-36-0859-6; SILVA,
Armando Malheiro da; RIBEIRO, Fernanda. Das "ciências" documentais à ciência
da informação: ensaio epistemológico para um novo modelo curricular. Porto:
Edições Afrontamento, 2002. ISBN 972-36-0622-4; SIMÕES, Roberto Porto.
Informação. Inteligência e utopia: contribuições à teoria das relações públicas.
São Paulo: Summus Editorial, 2006. ISBN 85-323-0295-5; TERROU, Fernand.
L'information. Paris: Presses Universitaires de France, 1995. ISBN 2-13-045018-0; e
WILDEN, Anthony. Informação. In Enciclopédia Einaudi, vol. 34 - Comunicação-

26
Cognição. Lisboa : Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2001. ISBN 972-27-0923-2.
P. 11-77.
[secundária] EPSTEIN, Isaac. Teoria da informação. São Paulo : Editora Ática,
1988; MOLES, Abraham A. Théorie de l'information et perception esthétique.
Paris: Flammarion, 1958 ; SHANNON, Claude; WEAVER, Warren. The
Mathematical theory of communication. Illinois: University of Illinois Press, 1949;
TRICLOT, Mathieu. Le Moment cybernetique: la constitution de la notion de
l’information. Seyssel; Éditions Champ Vallon, 2008. ISBN 978-2-876-73-484-5; e
WIENER, Norbert. Cybernétique et société In Sciences de l'information et de la
communication. Dir. Daniel Bougnoux. Paris: Larousse, 1993. p. 442-459.

[5]
PROG: : 3. Do Documento à Informação [ponto geral]
3.3.1. Informação, linguagem e discurso
DESC.: Assumida uma definição operatória de informação torna-se inevitável e mais
clarificador prosseguir no exercício de distinções conceituais, impondo-se a relação
semântica com língua, linguagem e discurso. Esta dimensão abre para um diálogo
incipiente, mas promissor com a hermenêutica (postulado já por Autores como
Rafael Capurro) e com a semiótica, a explorar. Neste ponto é imprescindível o
contributo da Cybersemiotics de Soren Brier (2008). E insere-se, também, a relação
semântica e conceitual entre informação e cultura/património.
BIBL.: [essencial] BRIER, Soren. Cybersemiotics: why information is not enough!. Toronto:
University of Toronto Press, 2008. ISBN 978-0-8920-9220-5; CAPURRO, Rafael,
Hermeneutics and the phenomenon of information. In Metaphysics, Epistemology,
and Technology. Research in Philosophy and Technology. Carl Mitcham, ed. Vol.
19, JAI/Elsevier Inc. 2000, p. 79-85. Url: [Link] [acesso
31-7-2015]; COUCHE, Denys. A Noção de cultura nas ciências sociais. Lisboa:
Fim de Século, 2003. ISBN 972-754-192-5; GRACIOSO, Luciana de Souza;
SALDANHA, Gustavo da Silva. Ciência da Informação e Filosofia da Linguagem:
da pragmática informacional à Web pragmática. Rio de Janeiro Edição do Autor,
2010. ISBN 978-85-911307-0-2; GUILLAUME, Marc, A Política do património:
com prefácio inédito do autor. Porto: Campo das Letras, Editores, 2003. ISBN 972-
610-704-0; HELL, Victor. L' Idée de culture. Paris: Presses Universitaires de
France, 1981. ISBN 2-13-037001-2; HERNÁNDEZ HERNÁNDEZ, Francisca. El
Patrimonio cultural: la memoria recuperada. Gijón: Ediciones Trea, 2002. ISBN:
84-9704-036-8; Informação, cultura e sociedade: interlocuções e perspectivas. Org.
Alcenir Soares dos Reis e Ana Maria Rezende Cabral. Belo Horizonte, MG:
Novatus Editora, 2007. ISBN 978-85-86762-05-5; KERCKHOVE, Derek de. A
Pele da cultura. Lisboa: Relógio d'Água Editores, 1997; LEACH, Edmund.
Cultura/Culturas. In Enciclopédia Einaudi: vol. 5 – Anthropos-Homem. Lisboa:
Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1985, p. 102-135; LEACH, Edmund.
Natureza/Cultura. In Enciclopédia Einaudi: vol. 5 – Anthropos-Homem. Lisboa:
Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1985, p. 67-101; A Linguagem e a informação
documentaria: intermediações e ressignificações possíveis. Org. Francinete
Fernandes de Sousa e Eliete Correia dos Santos. Recife, PE: Edições Bagaço, 2011.
ISBN 978-85-373-0829-5; SILVA, Armando Malheiro da. A Informação: da
compreensão do fenómeno e construção do objecto científico. Porto: Edições
Afrontamento; [Link], 2006. ISBN 978-972-36-0859-5. P. 111-136; SILVA,
Armando Malheiro da. Informação, cultura e património: uma abordagem
exploratória feita no campo emergente da Ciência da Informação. In JORGE, Vítor
Oliveira. Conservar para quê?: 8ª mesa-redonda de Primavera realizada na

27
Faculdade de Letras da Universidade do Porto nos dias 26 e 27 de Março de 2004.
Porto/Coimbra: Faculdade de Letras da Universidade do Porto-Departamento de
Ciências e Técnicas do Património/Centro de Estudos Arqueológicos das
Universidades de Coimbra e Porto/Fundação para a Ciência e Tecnologia, 2005.
ISBN 972-9350-87-6. P. 49-58; e VANOYE, Francis. Usos da linguagem:
problemas e técnicas na produção oral e escrita. São Paulo: Marftins Fontes, 1998.
ISBN 85-336-0954-X.
[secundária] ADORNO, Theodor W. Sobre a indústria da cultura. Coimbra:
Angelus Novus, 2003. 972-8827-20-2; BENJAMIN, Walter. Sobre arte, técnica,
linguagem e política. Introdução de T. W. Adorno. Lisboa: Relógio d’Água
Editores, 2012. ISBN 978-989-641-270-8; MOREIRO GONZÁLEZ, José Antonio.
Aplicación de las ciências del texto al resumen documental. Madrid: Universidad
Carlos III; Boletín Oficial del estado, 1993. ISBN 84-340-0585-9; RODRIGUES,
Adriano Duarte. As Técnicas da comunicação e da informação. Lisboa: Editorial
Presença, 1999; SÀÁGUA, João. Lógica, linguagem e comunicação. Lisboa:
Edições Colibri, 2002. ISBN 972-772-366-7; e TOUSSAINT, Bernard. Introdução
à semiologia. 2ª ed. Mem Martins: Publicações Europa-América, s.d.. ISBN 972-1-
01218-1.

[6]
PROG: : 3. Do Documento à Informação [ponto geral]
3.3.2 Informação, conhecimento e comunicação
DESC.: Confronta-se a definição operatória de informação com o trinómio dado-informação-
conhecimento, em uso franco nas áreas da Gestão, da Informática e dos Sistemas de
Informação. Redefine-se dado e aborda-se conhecimento desde o plano filosófico e
gnoseológico até ao neurocognitivo, valorizando-se bastante a análise cientifica da
Cognição na sua dimensão cerebral e mental. Desmonta-se a leitura reducionista de
Nonaka e Takeuchi “acerca do conhecimento tácito e explicito” feita a partir da obra
do filósofo, de origem húngara, Michael Polanyi (1891-1976). Expõe-se o modo
sincrético como a comunicação é abordada por certos Autores, como um conceito
totalizante que absorve e reduz à sinonímia o de informação, para, de seguida,
salientar-se a necessidade de manter diferenciados os dois conceitos, ainda que
complementares e indissociáveis, por se reportarem ao fenómeno humano e social
da produção de signos e símbolos e de partilhá-los com outros seres da mesma
espécie. Define-se comunicação e articula-se com interação e com mediação, como
importantes conceitos relacionados.
BIBL.: [essencial] Comunicação e informação: ensaios e criticas. Orgs. Liziane Guazina e
Nádia Vanti. Porto Alegre: Sulina, 2006. ISBN 85-205-0421-3; Conhecimento. In
Nova enciclopédia Larousse, vol. 7. Lisboa: Círculo de Leitores, 1997. ISBN 972-
42-1588-1. P. 1911; DEVLIN, Keith. Info-senso: como transformar a informação
em conhecimento. Lisboa : Livros do Brasil, 2000. ISBN 972-38-1733-0; GIL,
Fernando. Conhecer. In Enciclopédia Einaudi, vol. 41 - Conhecimento. Lisboa:
Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2001. GIL, Fernando. Conhecer. In
Enciclopédia Einaudi, vol. 41 - Conhecimento. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da
Moeda, 2001. ISBN 972-27-1007-9. P. 253-287; JAMBEIRO, Othon et al.
Informação: contextos e desafios. Salvador: Instituto de Ciência da
Informação/Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação, 2003. ISBN

28
85-89556-01-1; SILVA, Armando Malheiro da. Conhecimento / Informação :
sinonímia e/ou diferenciação? In Organização e representação do conhecimento na
perspectiva da Ciência da Informação. Org. Georgete Medleg Rodrigues e Ilza
Leite Lopes. Brasília : Thesaurus Editora de Brasília, 2003. ISBN 85-7062-399-2. P.
23-41; SILVA, Armando Malheiro da. A Gestão da informação como área
transversal e interdisciplinar: diferentes perspectivas e a importância estratégica da
“tipologia informacional”. In Coletânea Luso-Brasileira 4: Gestão da Informação,
Inovação e Logística. Org. Francisco Alberto Severo de Almeida, Armando
Malheiro da Silva, Mário José Batista Franco, Pedro Quelhas Brito e Carla Conti de
Freitas, Goiás: Faculdade de Tecnologia SENAI de Desenvolvimento Gerencial,
2013. ISBN 978-85-67580-00-5. P.15-57; SILVA, Armando Malheiro da. A
Informação: da compreensão do fenómeno e construção do objecto científico.
Porto: Edições Afrontamento; [Link], 2006. ISBN 978-972-36-0859-5. P.
67-79 e 81-109; e WILDEN, Anthony. Comunicação. In Enciclopédia Einaudi, vol.
34 - Comunicação-Cognição. Lisboa : Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2001.
ISBN 972-27-0923-2. P. 108-204.
[secundária] GIL, Fernando. Problemas da representação. In Filosofia e
epistemologia: 3. Lisboa: A Regra do Jogo, 1981, p. 15-77; GANASCIA, Jean-
Gabriel. As ciências cognitivas. Lisboa: Instituto Piaget, 1999; GOTT, Richard;
DUGGAN, Sandra. Understanding and using scientific evidence: how to critically
evaluate data. London: Sage Publications, 2003; JEANNEROD, Marc.
Neurosciences cognitives. In Dictionnaire des sciences cognitives. Dir. Guy
Tiberghien. Paris: Armand Colin/VUEF, 2002. ISBN 2-200-26247-7. P. 199-202;
JESUÍNO, Jorge Correia. Processos cognitivos. In Enciclopédia Einaudi. vol. 34 -
Comunicação-Cognição. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2001. P. 314-
356; JORGE, Maria Manuel Araújo. O Paradigma informacional e as ciências
contemporâneas. In Da Epistemologia à biologia. Lisboa : Instituto Piaget, [1994].
p. 15-35; LE NY, Jean-François. Cognition. In Dictionnaire des sciences cognitives.
Dir. Guy Tiberghien. Paris: Armand Colin/VUEF, 2002. ISBN 2-200-26247-7. P.
70-72; O Problema cérebro-mente. Coord. Francisco Mora. Lisboa: Dinalivro, 2002.
ISBN 972-576-208-8; Representaçõexs: contribuição a um debate transdisciplinar.
Org. Ciro Flamarion Cardoso e Jurandir Malerba. Campinas, São Paulo: Papirus
Editora, 2000. ISBN 85-308-0609-3; SILVEIRA, Teresa. Cérebro e leitura:
fundamentos neurocognitivos para a compreensão do comportamento leitor no
processo educativo. S.l.: Bloco Editora, 2013. ISBN 978-989-8572-62-2; VIEIRA,
António Bracinha. Cognição. In Enciclopédia Einaudi. vol. 34 - Comunicação-
Cognição, . Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 2001. 296-313; e
VIGNAUX, Georges. As ciências cognitivas. Lisboa: Instituto Piaget, 1995.

[7]
PROG: 3. Do Documento à Informação [ponto geral]
3.3.3. Informação, documento e tecnologias da informação e comunicação (TIC)
DESC.: Discute-se o fenómeno infocomunicaional através de uma abordagem conceitual
diferente da que tem sido dominante. Introduz-se o conceito operatório de
plataformas digitais para substituir com vantagem semântica a expressão genérica e
sujeita a forte desgaste –tecnologia da informação e comunicação. Atualiza-se a
noção de documento através de plataforma digital. E retorna-se à definição adotada
de informação para um esclarecimento efetivo e total.
BIBL.: [essencial] GLEICK, James. Informação: uma história, uma teoria, um dilúvio.
Lisboa: Temas e Debates; Círculo de Leitores, 2012. ISBN 978-989-172-2;

29
Informação e tecnologia: conceitos e recortes. Org. António Miranda e Elmira
Simeão. Brasília: Universidade de Brasí[Link] de Ciência da Informação
e Documentação, 2005. ISBN 85881-3600-7; SILVA, Armando Malheiro da. O
Impacto generalizado das TIC /Tecnologias da Informação e Comunicação) no
conceito de documento: ensaio analítico-crítico I. [Link], Porto, 16 (2011).
ISSN 1646-3153. Url: [Link] .[acesso em 23-7-
2015]; SILVA, Armando Malheiro da. O Impacto generalizado das TIC
/Tecnologias da Informação e Comunicação) no conceito de documento: ensaio
analítico-crítico II. [Link], Porto, 18 (2012). ISSN 1646-3153. Url:
[Link] .[acesso em 23-7-2015]; e SILVA,
Armando Malheiro da. Inclusão digital e literacia da informação em Ciência da
Informação. [Link]. Porto, 7 (2008). ISSN 1646-3153. Url:
[Link] [acesso em 8-8-2015].
[secundária] SERRA, Liliana Giusti. Livro digital e bibliotecas. Rio de Janeiro:
Fundação Getúlio Vargas, 2014. ISBN 978-85-225-1557-8; e SIMEÃO, Elmira.
Comunicação extensiva e informação em rede. Brasília; Universidade de Brasília.
Departamento de Ciência da Informação e Documentação, 2006. ISBN 85-88130-
94-1.

[8]
PROG: 4. O Debate epistemológico
4.1. De Paul Otlet a Harold Borko: da crise da Bibliotecologia clássica à ousadia
programática da Information Science; 4.2. Será a Ciência da Informação uma
ciência? Diferentes posições e perspetivas; 4.2.1. A perspetiva cumulativa ou
fragmentária; 4.2.2. A perspetiva evolutiva; 4.3. A questão do Objeto - o
Documento ou a Informação?; 4.3.1. As propriedades da Informação; 4.3.2. A
(im)possibilidade da Ciência da Informação ser uma interdisciplina; [Link]. A
Pluri, a inter e a transdisciplinaridade no estudo da Informação; 4.3.3. A
recriação do Objeto da Ciência da Informação a partir de um referente
fenomenológico e da noção de problema; 4.3.4. O fenómeno/processo
infocomunicacional; 4.3.5. A Busca de um Método em confronto com as
propostas metodológicas existentes; [Link]. Metodologia em Ciências Sociais e o
Método Quadripolar; [Link]. Teorias e modelos no polo teórico; [Link].1.
Estruturalismo e Construtivismo; [Link].2. Teoria e pensamento sistémico;
[Link].3. Teoria das Situações e Info-Senso [Link].4. Teoria da Informação
Psicológica; [Link].5. Teorias da Comunicação
DESC.: Proporciona-se uma panorâmica geral, mas precisa, do conteúdo deste “bloco”
temático, enfatizando-se alguns aspetos essenciais que serão abordados ao longo de
várias aulas: 1º- Esclarecimento sobre as diferentes perspetivas existentes sobre a
Ciência da Informação, que o mesmo é tratar da defesa de uma interdisciplinaridade
irrestrita e, em contraponto, de um estado epistémico mais complexo e mais
adequado que combina transdisciplinaridade (e unidade disciplinar) com forte
vocação interdisciplinar; 2º Retoma-se o clássico binómio objeto e método, dentro

30
de uma abordagem não redutora ou positivista, mas precisamente para facilitar a
compreensão do que é que efetivamente trata a Ciência da Informação e como ela se
organiza metodologicamente para explorar o seu objeto; e 3º Mostrar que a Ciência
da Informação, como Ciência Social Aplicada, acolhe facilmente uma proposta
metodológica – o Método Quadripolar -, publicada em 1974, para as Ciências
Sociais e que, com naturais ajustamentos responde positivamente às exigências
inerentes ao estudo do fenómeno infocomunicacional.
Feito o enquadramento geral, aborda-se ainda, nesta aula, os dois pimeiros pontos
sublinhados. Começa-se por fazer a aproximação de dois nomes, que simbolizam um
esforço moderno para se criar uma ciência do documento apoiada tecnologicamente
e que ganhará novo fôlego com o despontar da eletrónica aplicada à invenção e ao
fabrico do primeiro computador e, em seguida, da informática. Paul Otlet foi um
visionário que viveu entre séculos e enfrentou, como militante pacifista duas
Guerras Mundiais, captando o sentido prospectivo dos sinais da segunda vaga de
industrialização ou do imperialismo (1870-1938). Harold Borko (1921-2002)
burilou uma definição, nascida no dealbar da vaga pós-industrial e informacional,
que aponta para a concretização de uma nova Ciência da Informação,
assumidamente científica e imune ao determinismo tecnológico da conjuntura
envolvente. Essa definição consagra uma visão “programática” incumprida até hoje
no espaço anglo-americano e que seduziu Yves Le Coadic em França e Silva e
Ribeiro em Portugal, que se empenharam em viabilizá-la nos planos lógico,
investigatico, formativo e institucional. Abre-se, assim, uma reflexão e um confronto
positivo entre diferentes conceções de Ciência em geral e da Ciência Social, em
nível mais específico, com implicações no debate sobre saber se há ou se é possível
haver “verdadeiramente” uma Ciência da Informação.
BIBL.: [essencial] BORKO, Harold. Information science - what is it? American
Documentation. Washington. 19:1 (Jan. 1968) 3-5; CACALY, Serge. Otlet Paul
(1868-1944). In Dictionnaire encyclopédique de l'information et de la
documentation. Dir. Serge Cacaly. Paris: Éditions Nathan, 1997. ISBN 2-09-
190528-3; IZQUIERDO ARROYO, José Maria. La Organización documental del
conocimiento: I/1- El Marco documental. I/2 El Marco documetal (Corpus
Otletiano). Madrid: Tecnidoc, 1994. ISBN 84-920579-0-4; LE COADIC, Yves-
François. A Ciência da informação. Brasília : Briquet de Lemos Livros, 1996. ISBN
2-12-046831-9; LE COADIC, Yves-François. La Science de l'Information. 2ª ed.
Paris : Presses Universitaires de France, 1997. ISBN 85-85637.08-9; LE COADIC,
Yves-François. Science de l'information. In Dictionnaire encyclopédique de
l'information et de la documentation. Dir. Serge Cacaly. Paris : Éditions Nathan,
1997. ISBN 2-09-190528-3. p. 516-523 ; LE COADIC, Yves-François. Théorie de
l'information / "Information" theory. In Dictionnaire encyclopédique de
l'information et de la documentation. Dir. Serge Cacaly. Paris : Éditions Nathan,
1997. ISBN 2-09-190528-3 ; LEVIE, Françoise. L’Homme qui voulait classer le
monde: Paul Otlet et le Mundaneum. Bruxelles: Les Impressions Nouvelles, 2006.
ISBN 2-87449-022-9; Otlet et la bibliologie: XXIe colloque international de
l’Association Internationale de la Bibliologie. Revue de Bibliologie: Schéma
&Schématisation. Paris, 73 (4e trimestre 2010). ISSN 0982-65-48; OTLET, Paul. El

31
Tratado de documentación: el libro sobre el libro: teoria y práctica. Trad. Maria
Dolores Ayuso Garcia. Múrcia: Universidad de Múrcia, 1996. ISBN 84-7684-966-1
(1ª edição: Bruxelles: Editions Mundaneum Palais Mondial, 1934); SILVA,
Armando Malheiro da; RIBEIRO, Fernanda. Das "ciências" documentais à ciência
da informação: ensaio epistemológico para um novo modelo curricular. Porto:
Edições Afrontamento, 2002. ISBN 972-36-0622-4; e O Sonho de Otlet: aventura
em tecnologia da informação e comunicação. Org. Maria da Nazaré Freitas Pereira e
Lena Vânia Ribeiro Pinheiro. Rio de Janeiro; Brasília: IBICT-DEP-DDI, 2000.

[9]
PROG: 4. O Debate epistemológico [ponto geral]
4.2.1. A perspetiva cumulativa ou fragmentária; 4.2.2. A perspetiva evolutiva
DESC.: Identificam-se duas formas, bem marcadas, de ver e de praticar a cientificade dos
estudos sobre a informação: a perspetiva cumulativa ou fragmentada e a perspectiva
evolutiva, Na primeira concentram-se as propostas diversas, vinculadas à tradição
documentalista (fundada por Paul Otlet) e às tradições profissionais anteriores,
decorrentes da criação após a Revolução Francesa da Biblioteca, do Arquivo e do
Museu nacionais/públicos, bem como à influência da disciplina tecnológica – a
Information Science – surgida nos EUA no pós-II Guerra Mundial, que consagram a
“tese” da interdisciplina contituída por uma multiplicidade de disiplinas técnico-
profissionais, só possivelmente cientificas no plano formal; e na segunda,
argumenta-se com a possibilidade da construção de uma ciência transdisciplinar,
formada a partir de uma dinâmica natural e inevitável de fusão de todas as
disciplinas surgidas em ligação a desempenhos profissionais especializados
(Bibliotecologia, Biblioteconomia, Documentação, Arquivística ou Arquivologia,
Documentação, Ciência da Informação à americana e Museologia), sem perda da
vocação interdisciplinar no seio tanto das Ciências Sociais, como em relação com
outras ciências e saberes atraídos pelo estudo do fenómeno infocomunicacional.
Subjacente a estas perspetivas está a proposta de Silva e Ribeiro (2004 e seguintes)
dos dois paradigmas para a área da Informação-Documentação, alternativa à de
Izquierdo Arroyo e a de Rafael Capurro (2003): o paradigma custodial,
patrimonialista, historicista e tecnicista (sécs. XVIII-XX) e o paradigma pós-
custodial, informacional e científico (a partir de meados do séc. XX).
BIBL.: [essencial] BORGES, Maria Manuel. De Alexandria a Xanadu. Coimbra: Quarteto
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2000; IZQUIERDO ARROYO, José Maria. La Organización documental del
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ROBREDO, Jaime. Da Ciência da Informação revisitada aos sistemas humanos de
informação. Brasília, DF: Thesaurus Editora/SSRR Informações, 2003. ISBN 85-
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informação. Rio de janeiro: E-Papers, 2010. ISBN 978-85-7650-262-3; SILVA,
Armando Malheiro da. A Informação: da Compreensão do fenómeno e construção
do objecto científico. Porto: [Link]; Edições Afrontamento, 2006. ISBN
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33
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International Journal. Wurzburg, 39, 2 (2012). ISSN 0943-7444. P. 111-124;
SILVA, Armando Malheiro da; RIBEIRO, Fernanda. Paradigmas, serviços e
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8332-010-4; e VICKERY, Brian: VICKERY, Alina. Information science in theory
and practice. London: Butterworth & Co Publishers, 1987. ISBN 0-408-10684-0.

[10]
PROG: 4. O Debate epistemológico [ponto geral]
4.3. A questão do Objeto - o Documento ou a Informação?
DESC.: Recorda-se matéria de pontos anteriores e aprofunda-se a questão tendo em vita um
aprofundamento radical que permita estabelecer uma posição epistemológica o mais
consistente possível, A expressão “Antes e depois do documento… a informação”
sintetiza uma evidência com implicações epistemológicas claras: o documento
forma-se a partir da existência de informação e esta é veiculada por artefactos
materiais (os documentos) possibilitando a comunciação. Durante muito tempo
erigiu-se um objeto para as Ciências Sociais, com primazia dada à História, que era o
documento, mas na verdade este não passou nunca de uma emanação do “conjunto
estruturado de representações mentais e emoionais codificadas”. Trazem-se, de novo,
ao debate Autores, sobretudo espanhóis, que têm dificuldade em considerar a
informação sem a materialidade externa (em qualquer suporte), ou seja, não
consideram relevante que a informação esteja já, na mente de qualquer pessoa,
estruturada e pronta a ser externalizada.
BIBL.: [essencial] CURRÁS, Emilia. La informacion em sus muevos aspectos: ciencias de
la documentacion. Madrid: Paraninfo, 1988. ISBN 84-283-1600-7; Dicionário
Eletrônico de Terminologia em Ciência da Informação. Departamento de Ciência da
Informação Centro de Ciências Jurídicas e Econômicas/UFES - Universidade
Federal do Espírito Santo; Departamento de Jornalismo e Ciências da Comunicção
da Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Edição on line em 6 de novembro
de 2007. Url: [Link] . [acesso a 23-7-2015];
LÓPEZ YEPES, José; ROS GARCÍA, Juan. Qué es documentación?: teoría e
historia del concepto en España Madrid: Editorial Síntesis. 1993. ISBN 84-7738-
213-1; Manual de información y documentación. Org. José López Yepez. Madrid:
Ediciones Pirâmide, S.A., 1996. ISBN 84-368-0968-8; MOREIRO GONZÁLEZ,
José Antonio. Conceptos introductorios al estudiode la información documental.
Salvador, BA: EDUFBA, 2005. ISBN 85-232-0353-2; e SILVA, Armando Malheiro
da. A Informação: da Compreensão do fenómeno e construção do objecto científico.
Porto: [Link]; Edições Afrontamento, 2006. ISBN 972-36-0859-6.
[secundária] Diccionario enciclopédico de Ciências de la Documentación. Editor
José López Yepes. 2 vols. Madrid: Editorial Síntesis, S.A., 2004. ISBN 84-9756-
258-5; e Dictionnaire encyclopédique de l'information et de la documentation. Dir.
Serge Cacly. Paris: Éditions Nathan, 1997. ISBN 2-09-190528-3.

34
[11]
PROG: 4. O Debate epistemológico [ponto geral]
4.3.1. As propriedades da Informação
DESC.: Explica-se que, tanto quanto é conhecido, pouquissimos Autores até hoje aceitaram o
desafio da definição sobre Ciência da Informação alcançada no decurso das
Conferências do Georgia Institute of Technolog (1961-62) e retomada, em 1968, por
Harold Borko em artigo que ficou famoso. Nessa definição refere-se que a dita
ciência entre outros objetivos estuda as propriedades da informação, mas não se
especificam quais. Yves Le Coadic, em Science de l’Information (col. Que sais-je?
da PUF, 1994), aponta duas propriedades. Em 2002 Silva e Ribeiro avançam com
seis propriedades, substancialmente diferentes das de Le Coadic. Confrontam-se
posições epistemológicas e explicam-se detalhadamente essas seis propriedades.
BIBL.: [essencial] BORKO, Harold. Information science - what is it? American
Documentation. Washington. 19:1 (Jan. 1968) 3-5; LE COADIC, Yves-François. A
Ciência da informação. Brasília : Briquet de Lemos Livros, 1996. ISBN 2-12-
046831-9; LE COADIC, Yves-François. La Science de l'Information. 2ª ed. Paris :
Presses Universitaires de France, 1997. ISBN 85-85637.08-9; e SILVA, Armando
Malheiro da; RIBEIRO, Fernanda. Das "ciências" documentais à ciência da
informação: ensaio epistemológico para um novo modelo curricular. Porto: Edições
Afrontamento, 2002. ISBN 972-36-0622-4.

[12]
PROG: 4. O Debate epistemológico [ponto geral]
4.3.2. A (im)possibilidade da Ciência da Informação ser uma interdisciplina
DESC.: Sublinha-se que análises e abordagens ligeiras sobre os três “estados” de
relacionamento disciplinar, expostos em pormenor na aula seguinte, têm alimentado
e permitido a persistência de posições de deriva relativista que não vislumbram para
a Ciência da Informação outra saída, nem outro futuro, do que a instância fluida e
imprecisa de interdisciplina. Reforça-se a alternativa, mostrando o equivoco
subjacente ao plural Ciências da Informação, retificado, com mais sobriedade
semântica, com a expressão “estudos de informação” e, em contraponto a esta
tendência, fecham-se os argumentos da singularidade e da unidade epistemológica
da Ciência da Informação trasn e interdisciplinar.
BIBL.: [essencial] Ciência da informação, ciências sociais e interdisciplinaridade.
Organização de Lena Vania Ribeiro Pinheiro; prefácio de Gilda Maria Braga.
Brasília; Rio de Janeiro : Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e
Tecnologia, 1999; SILVA, Armando Malheiro da. Ciência da Informação e
comportamento informacional: enquadramento epistemológico do estudo das
necessidades de busca, seleção e uso. [Link], Porto, 21 (2013). ISSN 1646-
3153. Url: [Link] [acesso em
23-7-2015]; SILVA, Armando Malheiro da. Ciência da Informação e Sistemas de

35
Informação: (re)exame de uma relação disciplinar. [Link], Porto, 5 (Dez.
2007). Url: [Link] [acesso em 23-
7-2015]; SILVA, Armando Malheiro da. A Informação: da Compreensão do
fenómeno e construção do objecto científico. Porto: [Link]; Edições
Afrontamento, 2006. ISBN 972-36-0859-6; SILVA, Armando Malheiro da.
Mediações e mediadores em Ciência da Informação. [Link]. Porto (9) Dez.
2009. Url:
[Link]
mediacao_custodial_a_mediac.html [acesso em 23-7-2015]; SILVA, Armando
Malheiro da. Modelos e modelizações em Ciência da Informação: o modelo [Link] e
a investigação em literacia informacional. [Link]. Porto, 13 (Dez. 2010). ISSN
1646-3153. Url: [Link] [acesso
em 23-7-2015]; SILVA, Armando Malheiro da; RIBEIRO, Fernanda. Das
"ciências" documentais à ciência da informação: ensaio epistemológico para um
novo modelo curricular. Porto: Edições Afrontamento, 2002. ISBN 972-36-0622-4;
e SILVA, Armando Malheiro da; RIBEIRO, Fernanda. Recursos de Informação:
serviços e utilizadores. Lisboa: Universidade Aberta, 2010. ISBN 978-972-674-672-
0.

[13]
PROG: 4. O Debate epistemológico [ponto geral]
[Link]. A Pluri, a inter e a transdisciplinaridade no estudo da Informação
DESC.: Desenvolvem-se os conceitos operatórios essenciais, inerentes a um enfoque
epistemológico sério e rigoroso, e que estão intimamente ligados à discussão feita
atrás sobre as duas perpetivas em confronto – a cumulativa e a evolutiva. Com o
contributo indispensável de Olga Pombo definem-se e caracterizam-se, com
minúcia, os três “estados” possíveis do relacionamento entre disciplinas científicas;
a multi(pluri)disciplinaridade, a interdisciplinaridade e a transdisciplinaridade. Fica,
assim, clarificada a posição epistemological defensora de uma emergente Ciência da
Informação trans e interdisciplinar.
BIBL.: [essencial] Dicionário Eletrônico de Terminologia em Ciência da Informação.
Departamento de Ciência da Informação Centro de Ciências Jurídicas e
Econômicas/UFES - Universidade Federal do Espírito Santo; Departamento de
Jornalismo e Ciências da Comunicção da Faculdade de Letras da Universidade do
Porto. Edição on line em 6 de novembro de 2007. Url:
[Link] . [acesso a 23-7-2015];
Interdisciplinaridade: antologia. Org. Olga Pombo, Henrique Manuel Guimarães e
Teresa Levy. Porto: Campo das Letras Editores, 2006. ISBN 989-625-042-1;
MORIN, Edgar. Os desafios da complexidade. In A Religação dos saberes: o
desafio do século XXI. Jornadas temáticas idealizadas e dirigidas por Edgar Morin.
2ª ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2002. ISBN 85-286-0841-7. p. 559-567;
POMBO, Olga. Interdisciplinaridade: ambições e limites. Lisboa: Relógio d’Água
Editores, 1995. ISBN 978-708-814-7; SILVA, Armando Malheiro da. Ciência da
Informação e Sistemas de Informação: (re)exame de uma relação disciplinar.
[Link], Porto, 5 (Dez. 2007). Url:
[Link] [acesso em 23-7-2015];
SILVA, Armando Malheiro da. A Informação: da Compreensão do fenómeno e
construção do objecto científico. Porto: [Link]; Edições Afrontamento,
2006. ISBN 972-36-0859-6; e SILVA, Armando Malheiro da. Pluri ou
interdisciplinaridade? Ciência da Informação e Direito: notas para um (re)encontro.

36
In A Informação juridica na era digital. Coord. Fernanda Ribeiro, Luisa Neto e
Ricardo Perlingeiro. Porto: [Link]; Edições Afrontamento. 2012. ISBN
978-972-36-1262-2. P. 11-40.

[14]
PROG: 4. O Debate epistemológico [ponto geral]
4.3.3. A recriação do Objeto da Ciência da Informação a partir de um referente
fenomenológico e da noção de problema
DESC.: Evocam-se elementos e princípios básicos da Epistemologia Geral e da crítica lúcida
ao positivismo, nomeadamente de que o objeto de qualquer ciência, formado por
casos, temas e problemas vinculados a um segmento de realidade objetivável, é,
essencialmente um constructo, uma “picotagem” humana, singular e coletiva, mas
isto não significa um desligamento da dimensão real e fenoménica. Recorda-se,
também, que não é necessário, nem sequer possível reinventar o objeto da Ciência
da Informação, identificado num plano prático e instrumental há muito – a
informação que externaliza-se e materializa-se em documento, que potencia a
comunicação. A recriação mencionada ocorre graças, apenas, a dois vetores: 1º a
conquista de uma efetiva cientificidade implica um objeto passível de ser
interpelado e investigado; 2º as fases do designado “ciclo documental” (alterado
posteriormente para “ciclo da informação”) têm de ser articuladas dentro de um
fluxo, de raíz fenoménica, passível de ser estudado cientificamente. Expõe-se e
critica-se a posição de Autores que não consideram epistemologicamente
indispensável a verificação efetiva destes vectores como condição sine qua non da
Ciência da Informação inscrita no emergente paradigma pós-custodial,
informacional e científico.
BIBL: [essencial] Dicionário Eletrônico de Terminologia em Ciência da Informação.
Departamento de Ciência da Informação Centro de Ciências Jurídicas e
Econômicas/UFES - Universidade Federal do Espírito Santo; Departamento de
Jornalismo e Ciências da Comunicção da Faculdade de Letras da Universidade do
Porto. Edição on line em 6 de novembro de 2007. Url:
[Link] . [acesso a 23-7-2015]; GOMEZ, Maria
Nélida González. O Objecto de estudo da ciência da informação : paradoxos e
desafios. Ciência da Informação. Brasília, 19:2 (Jul.-Dez. 1990) 117-122; LE
MOIGNE, Jean-Louis. O Construtivismo. Vol. 1 - Dos fundamentos; Vol. 2 - Das
epistemologias. Lisboa: Instituto Piaget, 1999. 2 vol.; SILVA, Armando Malheiro
da. Arquivística, biblioteconomia e museologia: do empirismo patrimonialista ao
paradigma emergente da ciência da informação. Trabalhos de Antropologia e
Etnologia. Porto 42, 3-4 (2002) 59-95; SILVA, Armando Malheiro da. Ciência da
Informação e Sistemas de Informação: (re)exame de uma relação disciplinar.
[Link], Porto, 5 (Dez. 2007). Url:
[Link] [acesso em 23-7-2015];
SILVA, Armando Malheiro da. A Informação: da Compreensão do fenómeno e
construção do objecto científico. Porto: [Link]; Edições Afrontamento,
2006. ISBN 972-36-0859-6; e SILVA, Armando Malheiro da et al. Arquivística:
teoria e prática de uma ciência da informação. vol. 1. Porto: Edições Afrontamento,

37
1998. ISBN 972-36-0483-3.

[15]
PROG: 4. O Debate epistemológico [ponto geral]
4.3.4. O fenómeno/processo infocomunicacional
DESC.: Faz-se uma distinção preventiva que ajude a empregar e a usar fenómeno e processo
nos seus sentidos mais adequados e que não são sinónimos. O fenóemno
infocomunicacional corresponde basicamente à capacidade humana e social de
produzir signos e símbolos, socialmente partilhados e transmitidos, assegurando a
comunicação entre seres da mesma espécie. Trata-se de uma evidência real e
concreta transversal à vida dos seres humanos em sociedade e na qual assenta uma
pluralidade de objetos construídos pelas respetivas e diversas ciências. O processo
reporta-se, fundamentalmente, ao ciclo global de fases operativas e instrumentais
que se observam e ocorrem na dimensão prática, desde a produção informacional até
à plena difusão e efetiva comunicação, que gera um novo fluxo infocomunicacional
e assim sucessivamente. Analisam-se, com o detalhe necessário, estes dois tópicos
centrais na abordagem epistemológica adotada nesta disciplina e dá-se natural ênfase
à definição de Ciência da Informação reformulada à luz dos pressupostos aceites
atrás.
BIBL.: [essencial] Dicionário Eletrônico de Terminologia em Ciência da Informação.
Departamento de Ciência da Informação Centro de Ciências Jurídicas e
Econômicas/UFES - Universidade Federal do Espírito Santo; Departamento de
Jornalismo e Ciências da Comunicção da Faculdade de Letras da Universidade do
Porto. Edição on line em 6 de novembro de 2007. Url:
[Link] . [acesso a 23-7-2015]; LECLERC-
Reynaud, Sylvie. Pour une documentation créative: l’apport de la philosophie de
Raymond [Link]: ADBS Éditions, 2006. ISBN 2-84365-085-2; SILVA,
Armando Malheiro da; RIBEIRO, Fernanda; MARTINS, Fernanda. Information
Science and Cognitive Psychology: a theoretical approach. In Technological
Convergence and Social Networks in Information Management: 2nd International
Symposium on Information Management in a Changing World, september 22-24,
2010, Ankara, Turkey: proceedings. Eds. Serap Kurbanoglu, Yasar Tonta, Umut Al,
Phyllis Lepon Erdogan, Nazan Ozenc Ucak. Ankara: Hacettepe Universitesi, 2010,
p. 25-32; e SILVA, Armando Malheiro da. A Informação: da compreensão do
fenómeno e construção do objecto científico. Porto: Edições Afrontamento;
[Link], 2006. ISBN 978-972-36-0859-5.
[secundária] GANASCIA, Jean-Gabriel. As ciências cognitivas. Lisboa: Instituto
Piaget, 1999; JEANNEROD, Marc. Neurosciences cognitives. In Dictionnaire des
sciences cognitives. Dir. Guy Tiberghien. Paris: Armand Colin/VUEF, 2002. ISBN
2-200-26247-7. P. 199-202; JESUÍNO, Jorge Correia. Processos cognitivos. In
Enciclopédia Einaudi. vol. 34 - Comunicação-Cognição. Lisboa: Imprensa
Nacional-Casa da Moeda, 2001. ISBN 972-27-0923-2. P. 314-356; LE NY, Jean-
François. Cognition. In Dictionnaire des sciences cognitives. Dir. Guy Tiberghien.
Paris: Armand Colin/VUEF, 2002. ISBN 2-200-26247-7. P. 70-72; SILVEIRA,
Teresa. Cérebro e leitura: fundamentos neurocognitivos para a compreensão do
comportamento leitor no processo educativo. S.l.: Bloco Editora, 2013. ISBN 978-

38
989-8572-62-2; VIEIRA, António Bracinha. Cognição. In Enciclopédia Einaudi.
vol. 34 - Comunicação-Cognição, . Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda,
2001. ISBN 972-27-0923-2. P. 296-313; e VIGNAUX, Georges. As ciências
cognitivas. Lisboa: Instituto Piaget, 1995.

[16]
PROG: 4. O Debate epistemológico [ponto geral]
4.3.5. A Busca de um Método em confronto com as propostas metodológicas
existentes
DESC.: Começa-se por evocar matéria lecionada sobre metodologia e métodos na disciplina
do 1º ano, Metodologia de Investigação, e faz-se uma análise à literatura disponível
sobre métodos e metedologia aplicada às Ciências da Documentação e Informação, à
Ciência da Informação, à Bibliotecologia/Biblioteconomia, à Arquivística e à
Library and Information Science. Contrapõe-se a essas propostas a ideia de Método
científico em geral e a sua presença imprescindível em qualquer projeto constitutivo
de cientificidade em nível disciplinar.
BIBL.: [essencial] ALBARELLO, Luc et al. Práticas e métodos de investigação em Ciências
Sociais. Lisboa: Gradiva Publicações, 1997. ISBN 972-662-554-8; DELGADO
LÓPEZ-CÓZAR, Emílio. La Investigación en biblioteconomía y documentación.
Gijón : Ediciones Trea, 2002. ISBN 84-9704-041-4; Experiências metodológicas em
Ciência da Informação. Org. Mirian Albuquerque Aquino, Henry Poncio Cruz de
Oliveira e Izabel França de Lima. João Pessoa, PB: Editora da UFPB, 2013. ISBN
978-85-237-0722-4; MARTYN, John; LANCASTER, F. W. Investigative methods
in library and information science : an introduction. Arlington : Information
Resources Press, 1981; Metodologías de investigación en Información y
Documentación. Ed. José Antonio Frías e Ana B. Ríos Hilario. Salamanca:
Ediciones Universidad de Salamanca, 2004. ISBN 84-7800-563-3; Métodos para a
pesquisa em Ciências da Informação. Org. Suzana Pinheiro Machado Muller.
Brasília: Thesaurus, 2007. ISBN 978-857062-654-7; Research methods in library
and information studies. Ed. Margaret Slater. London: Library Association
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investigação em ciências sociais. Lisboa: Gradiva – Publicações, 1998. ISBN 972-
662-275-1; RIBEIRO, Leila Beatriz. A Construção metodológica de um objecto de
pesquisa na ciência da informação: o conceito de sistema. Informare : Cadernos do
Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação. Rio de Janeiro, 1:1 (Jan.-
Jun. 1995) 31-40; SILVA, Armando Malheiro da; RIBEIRO, Fernanda. A Avaliação
em arquivística: reformulação teórico-prática de uma operação metodológica.
Páginas A & B: Arquivos & Bibliotecas. Lisboa 16 (2000) 57-113; e SILVA,
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Edições Afrontamento, 1986.
[secundária] SANTOS, Boaventura de Sousa. Introdução a uma ciência pós-
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Boaventura de Sousa. Um Discurso sobre as ciências. Porto: Edições Afrontamento,
1987.

[17]
PROG: 4. O Debate epistemológico [ponto geral]
[Link]. Metodologia em Ciências Sociais e o Método Quadripolar

39
DESC.: Distingue-se, em primeiro lugar, a metodologia de método, desfazendo-se equívocos
que persistem no meio académico, onde a clareza de conceitos e de definições deve
ser uma regra elementar. Em reforço desta prevenção conceitual introduz-se e
desenvolve-se a proposta de Jayme Paviani da Epistemologia Prática, enquanto
síntese didática que articula os princípios nucleares da Epistemologia Geral com os
preceitos metodológicos. E, em segundo lugar, dá-se relevo à recorrente questão da
eventual menoridade científica conferida às Ciências Sociais por comparação com as
Ciências Naturais, experimentais, exatas, numa palavra “duras”. Introduz-se, de
imediato, a resposta dada ao problema por três Autores belgas, em 1974, inspirados
e apadrinhados pelo filósofo das ciências e epistemólogo da Universidade de
Louvaina, Jean Ladrière. Paul De Bruyne, Jacques Herman e Marc De Schoutheete,
com Dynamique de la recherche en sciences sociales: les pôles de la partique
méthodologique, conceberam uma via exclusivamente adaptada ao estudo científico
dos fenómenos humanos e sociais, sem que isso implique substancial perda de
cientificidade. Nasceu, assim, o Método Quadripolar com já quarenta anos de via,
marcada por um estranho e espesso esquecimento. As Ciências Sociais mostraram,
de início, alguma curiosidade, mas, pouco depois, imperou o desinteresse (ou a
tibieza, uma vez que a proposta dos belgas afrontava tanto o positivismo, como o
relativismo que rebentaria om força nesses anos setenta). Entre as Ciências Humanas
e Sociais destacaram-se as da Educação, mas nem estas ficaram a servir de “reduto”
resistente do Método. Em 1999 os Autores de Arquivística: teoria e prática de uma
ciência da informsção propuseram para essa disciplina reformulada o Método
Quadripolar e o percurso feito no âmbito da Ciência da Infromação é exposto com
detalhe.
BIBL.: [essencial] DE BRUYNE, Paul; HERMAN, Jacques; DE SCHOUTHEETE, Marc de.
Dynamique de la recherche en sciences sociales: les pôles de la pratique
methodologique. Paris: Presses Universitaires de France, 1974; DE BRUYNE, Paul;
HERMAN, Jacques; DE SCHOUTHEETE, Marc. Dinâmica da Pesquisa em
Ciências Sociais: os pólos da prática metodológica. Prefácio de Jean Ladrière.
Tradução de Ruth Joffily. Rio de Janeiro: Livraria Francisco Alves Editora, 1977;
GONÇALVES, Maria Fernanda Silva; DAVID, Gabriel. Planeamento e realização
de estudo da (re)utilização da informação clínica em contexto hospitalar com base
na metodologia quadripolar. [Link]. Porto, 26 (Dez.) 2014. ISSN 1646-3153.
Url: [Link] [acesso em 23-7-
2015]; HERMAN, Jacques. Research Dynamic in social sciences – 40 years later
and beyond. [Link], Porto, 26 (Dez.) 2014. ISSN 1646-3153. Url:
[Link] [acesso em 23-7-2015];
LESSARD-HÉBERT, Michelle; GOYETTE, Gabriel; BOUTIN, Gérald.
Investigação qualitativa: fundamentos e práticas. Lisboa: Instituto Piaget, 1994.
ISBN 972-9295-75-1; MARTINS, Gilberto de Andrade; THEÒPHILO, Carlos
Renato. Metodologia da investigação científica para Ciências Sociais Aplicadas.
São Paulo: Editora Atlas. 1ª ed. 2007. ISBN 978-85-224-4796-1; MARTINS,
Gilberto de Andrade; THEÓPHILO, Carlos Renato. Metodologia da investigação
científica para Ciências Sociais Aplicadas. São Paulo: Editora Atlas. 2ª ed. 2009.
ISBN 978-85-224-5568-3; Método Quadripolar, 40 anos. Número especial.
[Link], Porto, 26 (Dez.) 2014. ISSN 1646-3153. Url:

40
[Link] [acesso em 23-7-2015];
PALAVICINI, Gabriela. Expertons as a proposal of collecting data in qualifitative
research: the example of citienship. [Link]. Porto, 26 (Dez.) 2014. ISSN 1646-
3153. Url: [Link] [acesso em 23-
7-2015]; PAVIANI, Jayme. Epistemologia prática: ensino e conhecimento
científico. Caxias do Sul: Educs, 2009. ISBN 978-85-7061-513-8; PLAZA I FONT,
Joan Pere. In defense of chaology in Political Science. [Link]. Porto, 26 (Dez.)
2014. ISSN 1646-3153. Url:
[Link] [acesso em 23-7-2015];
SILVA, Armando Malheiro da. O Método Quadripolar e a Pesquisa em Ciência da
informação. [Link]. Porto, 26 (Dez.) 2014. ISSN 1646-3153. Url:
[Link] [acesso em 23-7-2015];
SILVA, Armando Malheiro da. O Método Quadripolar e a Pesquisa em Literacia
Informacional. In Seminários de saberes arquivísticos: reflexões e diálogos para a
formação do arquivista. Org. Eliete Correia dos Santos e Francinete Fernandes de
Sousa. Curitiba: Appris, 2013. ISBN 978-85-8192-225-6. P. 23-46; e SILVA,
Armando Malheiro da. Modelos e modelizações em Ciência da Informação: o
modelo [Link] e a investigação em literacia informacional. [Link], Porto, 13
(dez.) 2010. ISSN 1646-3153. Url:
[Link] [acesso em 23-7-2015].

[18]
PROG: 4. O Debate epistemológico [ponto geral]
[Link]. Teorias e modelos no polo teórico
DESC.: Enumeram-se os pólos e o funcionamento não linear e em espiral do Método
Quadripolar, em contraposição às propostas aplicadas às Ciências Sociais a partir de
uma importação direta, acrítica e simplista do método das Ciências Naturais.
Colocam-se em confronto o Método Quadripolar com a literatura mais consagrada e
utilizada, como o livro de Raymond Quivy e Luc Compenhoudt, sendo possível e
desejável vincar as mais marcantes e significativas diferenças, nomeadamente a
operatividade por polos e não por etapas. Enfatiza-se ainda o contributo de dois
Autores brasileiros, Gilberto Andrade Martins e Carlos Renato Theophilo, que
tiveram a ideia de adapatar a proposta dos belgas às Ciências Contábeis e,
generalizando, às Ciências Sociais Aplicadas (2007). Entra-se na explicação mais
detalhada dos polos epistemológico, teórico, técnico e morfológico. Na versão
original este último aparece antes do técnico e a razão dessa alteração notória
prende-se com o propósito dos Autores de valorizarem, à parte, a construção de
modelos abstratos e formais orientadores do trabalho empírico propriamente dito. Na
configuração usada em Ciência da Informação optou-se por incserir a modelação no
polo teórico e reservar o morfológico para as questões formais de apresentação e
divulgação correta dos resultados obtidos, num encaixe mais afinado com a
Epistemologia Prática de Jayme Paviani. Aproveita-se para relacionar esta matéria
com o trabalho exigido como parcela de avaliação final. Composto por dois
módulos: um artigo sobre o Método Quadripolar; e um verbete que possa ser
incluido no DeltCI. E, por fim, inicia-se um enfoque especial dado ao polo teórico

41
em que formam-se e são geridas as teorias, os modelos e as modelações pensadas
por Paul De Bruyne e co-autores para o polo morfológco.
BIBL: [essencial] DE BRUYNE, Paul; HERMAN, Jacques; DE SCHOUTHEETE, Marc.
Dinâmica da Pesquisa em Ciências Sociais: os pólos da prática metodológica.
Prefácio de Jean Ladrière. Tradução de Ruth Joffily. Rio de Janeiro: Livraria
Francisco Alves Editora, 1977; Investigação qualitativa : fundamentos e práticas,
1994Lisboa : Instituto Piaget. ISBN 972-9295-75-1 ; MARTINS, Gilberto de
Andrade; THEÓPHILO, Carlos Renato. Metodologia da investigação científica
para Ciências Sociais Aplicadas. São Paulo: Editora Atlas. 2ª ed. 2009. ISBN 978-
85-224-5568-3; Método Quadripolar, 40 anos. Número especial. [Link], Porto,
26 (Dez.) 2014. ISSN 1646-3153. Url:
[Link] [acesso em 23-7-2015];
QUIVY, Raymond; VAN CAMPENHOUDT, Luc. Manual de investigação em
ciências sociais. Lisboa: Gradiva – Publicações, 1998. ISBN 972-662-275-1
SILVA, Armando Malheiro da. O Método Quadripolar e a Pesquisa em Ciência da
informação. [Link]. Porto, 26 (Dez.) 2014. ISSN 1646-3153. Url:
[Link] [acesso em 23-7-2015];
SILVA, Armando Malheiro da. Modelos e modelizações em Ciência da Informação:
o modelo [Link] e a investigação em literacia informacional. [Link], Porto, 13
(dez.) 2010. ISSN 1646-3153. Url:
[Link] [acesso em 23-7-2015];
e SILVA, Armando Malheiro da; RIBEIRO, Fernanda. Das "ciências" documentais
à ciência da informação: ensaio epistemológico para um novo modelo curricular.
Porto: Edições Afrontamento, 2002. ISBN 972-36-0622-4.

[19]
PROG: 4. O Debate epistemológico [ponto geral]
[Link].1. Estruturalismo e Construtivismo
DESC.: Inicia-se com a justificação da escolha das teorias que ilustram o polo teórico. Uma
escolha com cariz exemplificativo e datada por ter sido inserta na obra Das
“cièncias” documentais à ciência da informação: ensaio epistemológico para um
novo modelo formativo (2002), ainda antes do ciclo formativo ser completado com
o nível de Mestrado e de Doutoramento (ambos iniciados em 2008). As
contribuições carreadas por dissertações e por teses permitem, hoje, explicar o
funcionamento deste polo com recurso ao trabalho desenvolvido. Entende-se,
porém, que se não todas, algumas das teorias exibidas são corroboradas pela agenda
de investigação em curso e ajustam-se ao campo da Ciência da Informação.
Explicam-se as teorias do estruturalismo e do construtivismo em geral, bem como da
forma como elas podem ser usadas no estudo cientifico da informação.
BIBL.: [essencial] LE MOIGNE, Jean-Louis. O Construtivismo. Vol. 1 - Dos fundamentos;
Vol. 2 - Das epistemologias. Lisboa: Instituto Piaget, 1999. 2 vol. ISBN 972-771-
104-9 e 972-771-105-7; SANCHEZ-BRAVO CENJOR, Antonio. Manual de
estructura de la información. Madrid: Editorial Centro de Estudios Ramon Areces,
S.A., 1992. ISBN 85-232-0353-2; e SILVA, Armando Malheiro da; RIBEIRO,
Fernanda. Das "ciências" documentais à ciência da informação: ensaio
epistemológico para um novo modelo curricular. Porto: Edições Afrontamento,
2002. ISBN 972-36-0622-4.

42
]20]
PROG.: 4. O Debate epistemológico [ponto geral]
[Link].2. Teoria e pensamento sistémico
DESC.: Refere-se, como elemento inicial, algo que os alunos devem ter bem presente, pois
constitui a coluna dorsal da disciplina Sistemas de Arquivo e Biblioteca, lecionada
em paralelo no 1.º semestre com, entre outras, Teoria e Metodologia da Ciência da
Informação: a teoria e o pesnamento sistémicos enformam a dinâmica
transdisciplinar que conduz à emergência da Ciência da Informação (trans e
interdisciplinar). Retoma-se um Autor italiano, citado com ênfase na obra de 2002, e
que nos oferece uma sintese robusta e completa da sistémica – Piero Mella –
perfeitamente útil e atual, não obtante ser da década de noventa do século passado.
BIBL.: [essencial] MELLA, Piero. Dai sistemi al pensiero sistemico: per capire i sistemi e
pensare con i sistemi. Milano : Franco Angeli, 1997; e SILVA, Armando Malheiro
da; RIBEIRO, Fernanda. Das "ciências" documentais à ciência da informação:
ensaio epistemológico para um novo modelo curricular. Porto: Edições
Afrontamento, 2002. ISBN 972-36-0622-4.

[21]
PROG.: 4. O Debate epistemológico [ponto geral]
[Link].3. Teoria das Situações e Info-Senso
DESC.: Explica-se a utilidade, no âmbito da Ciência da Informação e, em particular, na área
do Comportamento Informcional, da teoria das situações de Barwise e Perry
adaptada pelo investigador senior do Centro de Estudos de Linguagem e Informação
na Universidade de Stanford (EA), Keith Devlin, e condensada no seu livro Info-
Senso: como transformar a informação em conhecimento. Trata-se de uma teoria de
base matemática concebida para resolver problemas de comunicação, mas o
fenómeno infocomunicacional exige que seja incluído na equação o conceito de
informação e questões correlatas.
BIBL.: [essencial] DEVLIN, Keith. Info-senso: como transformar a informação em
conhecimento. Lisboa: Edição “Livros do Brasil”, 2000. ISBN 972-38-1733-0; e
SILVA, Armando Malheiro da; RIBEIRO, Fernanda. Das "ciências" documentais à
ciência da informação: ensaio epistemológico para um novo modelo curricular.
Porto: Edições Afrontamento, 2002. ISBN 972-36-0622-4.

[22]
PROG: 4. O Debate epistemológico [ponto geral]
[Link].4. Teoria da Informação Psicológica
DESC.: Desenvolve-se o contributo da TIP (Teoria da Informação Psicológica), proposta e
explanada por Bruno Lussato em vista de uma conceção cognitivista, social e
sistémica da criação, apropriação, reprodução e uso da informação, no quadro das

43
pesquisas sobre produção do fluxo informacional, sobre várias questões relacionadas
sobre a mediação infocomunicacional e as atitudes, estratégias e práticas de busca e
uso da informação.
BIBL.: [essencial] LUSSATO, Bruno. Informação, comunicação e sistemas : teoria da
imprinting e elementos para uma teoria da informação psicológica : ensaios.
Lisboa: Dinalivro, 1995. ISBN 972-576-085-9; e SILVA, Armando Malheiro da;
RIBEIRO, Fernanda. Das "ciências" documentais à ciência da informação: ensaio
epistemológico para um novo modelo curricular. Porto: Edições Afrontamento,
2002. ISBN 972-36-0622-4.

[23]
PROG: 4. O Debate epistemológico [ponto geral]
[Link].[Link] da Comunicação
DESC.: Lança-se um olhar geral pelos principais contributos teóricos formulados
especificamente para a problemática da comunicação: Harold Lasswell e o impacto
da propaganda (base teórica da sociologia funcionalista dos media); a teoria do
two-step-flow (ou a teoria das duas etapas em que o papel dos "líderes de opinião"
revela-se decisivo); a "teoria da modernização" de Daniel Lerner; a "teoria do
campo de experiências" de Kurt Lewin; a teoria crítica (ligada à Escola de
Frankfurt) pontificada por Max Horkheimer, Leo Lowenthal e Theodor Adorno; a
etnometodologia e a "sociologia do agir comunicacional” de Jurgen Habermas.
BIBL.: [essencial] ABRIC, Jean-Cluade. Psychologie de la communication: théories et
mé[Link]: Armand Colin, 1999. ISBN 2-200-21988-1; CABIN, Philippe
(coord.). La Communication: état des savoirs. Auxerre: Sciences Humaines
Éditions, 1998. ISBN 2-912601-03-7 ; DEBRAY, Régis. Introdução à mediologia.
Lisboa: Livros Horizonte, 2004. ISBN 972-24-1285-X; FISKE, John. Introdução
ao estudo da comunicação. Porto: Edições Asa, 2004. ISBN 972-41-1133-4; 8ª
ed..; MATTELART, Armand; MATTELART, Michèle. História das teorias da
comunicação. Porto: Campo das Letras, Editores, 2002. ISBN 972-610-002-x.;
SANTOS, José Rodrigues dos. Comunicação. Lisboa : Difusão Cultural, 1992; e
SFEZ, Lucien. Crítica da comunicação. Lisboa: Instituto Piaget, 1994. ISBN 972-
9295-49-2.

[24]
PROG: 5. Um programa aberto de I&D
DESC.: Evoca-se o esquema proposto no livro Das "ciências" documentais à ciência da
informação (2002), um esquema dividido em duas dimensões gerais: a interna e a
externa. Na primeira dimensão situam-se as linhas de investigação fundamental
("substantiva" e "eclética") e a aplicacional (teorético-problemática e casuístico-
dispersiva). Na segunda dimensão situam-se os estudos comparativos e em parceria
envolvendo diversas ciências e disciplinas próximas e afins. Este esquema tem vindo
a ser substituído por um aprofundamento aplicacional do Método Quadripolar

44
incidindo em problemas e em casos das três grandes áreas em que se pode dividir,
idealmente, o objeto da Ciência da Informação: a produção; a organização e
representação e o comportamento informacional.
BIBL.: [essencial] SILVA, Armando Malheiro da; RIBEIRO, Fernanda. Das "ciências"
documentais à ciência da informação: ensaio epistemológico para um novo modelo
curricular. Porto: Edições Afrontamento, 2002. ISBN 972-36-0622-4.

[25]
PROG: 5. Um programa aberto de I&D [conclusão do ponto]
DESC.: Encerra-se este ponto do programa com o recurso crítico a novos textos publicados
pelo docente de TMCI e textos de outros Autores, sobretudo estudos de caso e
investigação empírica distribuída pelas diferentes áreas ou justapondo-as e até
cruzando-as.
BIBL.: [essencial] SILVA, Armando Malheiro da. O Método Quadripolar e a Pesquisa em
Literacia Informacional. In Seminários de saberes arquivísticos: reflexões e
diálogos para a formação do arquivista. Org. Eliete Correia dos Santos e Francinete
Fernandes de Sousa. Curitiba: Appris, 2013. ISBN 978-85-8192-225-6. P. 23-46; e
SILVA, Armando Malheiro da. Modelos e modelizações em Ciência da Informação:
o modelo [Link] e a investigação em literacia informacional. [Link], Porto, 13
(dez.) 2010. ISSN 1646-3153. Url:
[Link] [acesso em 23-7-2015].

[26]
PROG: 6. A Ciência da Informação é a resposta necessária à Era da Informação ou à Galáxia
Internet onde já estamos?
DESC.: Trata-se do último ponto da matéria a lecionar e a forma interrogativa usada abre
para uma série de reflexões pertinentes. Introduz-se a referência, apoiada, aliás, em
abundante literatura, sobre a “Sociedade da Informação”, a “Sociedade em rede”, a
“Era da Informação” ou a “Era Digital”, para se sublinhar o contributo analítico de
Manuel Castells e a proposta, feita a partir da esfera filosófica, de Luciano Floridi
com a Filosofia da Informação. Cabe, aqui, frisar aproximações e diferenças entre a
Ciência da Informação trans e interdisciplinar e a Filosofia da Informação. É sabido
que a Information Science, surgida nos EUA com a arrancada para a automação e a
informática, ficou, profundamente, vinculada a esse novo substrato tecnológico, mas
este aspecto não a converteu em resposta científica e indagativa da nova Era que nos
envolve e modela. A Ciência da Informação trans e interdisciplinar, por tudo que foi
sendo exposto, converte-se em instância científica operante num ciclo estrutural de
longa duração e importa analisar indicios e evidências que a confirmam ou não
como a resposta adequada.
BIBL.: [essencial] The Blackwell guide to the philosophy of computing and information. ed.
Luciano Floridi. Malden, USA: Blackwell Publishing Ltd., 2004. ISBN 0-631-

45
22918-3; CHIROLLET, Jean-Claude. Filosofia e sociedade da informação: para
uma filosofia fractalista. Lisboa: Instituto Piaget, 2001. ISBN 972-771-475-1;
FLORIDI, Luciano. The Philosphy of Information Oxford: Oxford University Press,
2011. ISBN 978-0-19-923238-3; ILHARCO, Fernando. Filosofia da informação:
uma introdução à informação como fundação da acção, da comunicação e da
decisão, 2003. Lisboa: Universidade Católica Editora. ISBN 972-54-0068-2; e
SILVA, Armando Malheiro da; RIBEIRO, Fernanda. Information Science and
Philosophy of Information: approaches and differences. In Luciano Floridi’s
Philosophy of Technology: critical reflections. Ed. Helmi Demir. Dordrecht:
Springer. 2012. ISBN 978-94-007-4291-8. P. 169-187.
[secundária] CAPURRO, Rafael. On Floridi’s metaphysical foundation of
information ecology. Ethics and Information Technology. Springer, 10, 2-3 (sept.
2008. P. 167-173. Url: [Link] [acesso em 4-8-2015].

[27]
PROG: 6. A Ciência da Informação é a resposta necessária à Era da Informação ou à Galáxia
Internet onde estamos? [conclusão do ponto]
DESC.: Encerra-se este ponto abordando-se os seguintes tópicos: os traços essenciais do pós-
industrialismo ou do impacto generalizado das Tecnologias da Informação e da
Comunicação (TIC) nos mais diversos setores da atividade humana e social; e a
ligação da transição paradigmática na área da Documentação/Informação com o
contexto histórico, tecnológico e sócio-económico em que ocorre.
BIBL.: [essencial] ALMEIDA, Reginaldo Rodrigues de. Sociedade Bit: da sociedade da
informação à sociedade do conhecimento. Lisboa: Fomento, 2004. ISBN 972-
99293-0-0 ; BELL. Daniel. O Advento da Sociedade Pós-Industrial – uma tentativa
de previsão social. São Paulo: Editora Cultrix Ltda, 1977; CASTELLS, Manuel;
INCE, Martin. Conversas com Manuel Castells. Porto: Campo das Letras, Editores,
2003. ISBN 972-610-780-6; CASTELLS, Manuel. A Era da informação: economia,
sociedade e cultura. Vol. 1 - A sociedade em rede. Lisboa: Fundação Calouste
Gulbenkian, 2002. ISBN 972-31-0984-0; vol. 2. O poder da identidade. Lisboa:
Fundação Calouste Gulbenkian, 2003. ISBN 972-31-1008-3; vol. 3 - O fim do
milénio. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2003. ISBN 972-31-1055-5;
DAVIS, Erik. Tecnognose: mito, magia e misticismo na era da informação. Lisboa :
Editorial Notícias, 1998. ISBN 972-46-1181-7; GLEICK, James. Informação: uma
história, uma teoria, um dilúvio. Lisboa: Temas e Debates; Círculo de Leitores,
2012. ISBN 978-989-172-2; LOJKINE, Jean. A Revolução informacional. 2ª ed. São
Paulo : Cortez Editora, 1999, ISBN 85-249-0554-9.; e McLUHAN, Marshall. A
Galáxia de Gutenberg: a formação do homem tipográfico. São Paulo: Editora
Nacional, 1977.

[28]
Última unidade didática reservada, naturalmente, para o esclarecimento de eventuais dúvidas
e dificuldades, bem como para a análise dos resultados e das competências adquiridas pelos
alunos na elaboração do trabalho curricular. Revisão de aspetos e pontos programáticos que
suscitem mais questões e dúvidas por parte dos alunos. Indicações sobre a estrutura do exame
que se mantém mais ou menos inalterável: duas perguntas de desenvolvimento para escolher
uma e outra pergunta de resposta sucinta e precisa.

46
4. Métodos de Ensino

O fato de esta disciplina ser lecionada por um docente que já regeu a


disciplina de 1º ano Metodologia de Investigação tem facilitado a introdução à
componente epistemológica da matéria, havendo o cuidado de reavivar esses
conteúdos e enquadrá-los no caso específico da Ciência da Informação. As
dificuldades sentidas pelos alunos são, assim, atenuadas, mas não podem ser
escamoteadas as deficiências que vêm do Ensino Secundário no domínio da
Filosofia e que afetam uma mais rápida e consistente assimilação dos conteúdos
programáticos.
O recurso a estratégias didáticas discursivas (método expositivo) mantém-
se como eixo das aulas, mas a aposta e o incitamento ao debate e ao comentário
crítico de leituras de obras constantes de uma Bibliografia de Apoio, com duas
secções, como consta da ficha disponível no Sigarra, mas que se apresentam aqui
distribuídas pelas aulas correspondentes, desempenham um papel crucial para
garantir alto grau de motivação dos alunos e a sua indispensável participação
letiva.
Em complemento a esses principais métodos didáticos convém acrescentar
o uso constante de tablet por parte do docente com projeção direta através de
datashow tanto do programa da disciplina, como de textos bibliográficos,
constantes da funcionalidade Documentos da página do Sigarra, de apoio aos
conteúdos que, aula a aula, vão sendo ministrados. O uso frequente e até por
solicitação dos alunos de recursos digitais, como o DeltCI, via internet conferem
dinamismo e motivação perecetíveis nos alunos.
A importância dada ao trabalho curricular, que consta do modelo de
avaliação adoptado, justifica que seja reservada uma penúltima aula (a nº 28) para
discutir e resolver questões formais e metodológicas pertinentes. O trabalho foi
evoluindo desde o primeiro ano letivo e o seu formato ganhou complexidade e

47
maior eficácia. Compõe-se, atualmente, de dois módulos: um verbete para o
DeltCI, escolhido pelo aluno a partir da análise cuidadosa desse instrumento
terminológico disponível on line e é exigido que o verbete seja inédito; um artigo
sobre o tema Método Quadripolar versus metodologias: a questão do método em
Ciência da Informação. O trabalho já teve um formato mais extenso com tês
módulos, sendo o terceiro um Guia Bibliográfico sobre Ciência da Informação,
mas a apreciação crítica do que foi sendo produzido pelos alunos nos anos letivos
em que vigorou desaconselharam essa tarefa e ficamos por um formato mais
reduzido, mas sobre o qual recai uma exigência maior e a obrigação do aluno
corresponder de forma mais consistente.
Finalmente, a par do trabalho curricular que contribui para a nota final
com 40%, há a destacar a realização de exame, síntese dos conteúdos da cadeira,
apoiada em consulta bibliográfica e suscitadora da capacidade de problematização
das temáticas da cadeira, com uma ponderação de 60%.
Dada a obrigatoriedade de participação presencial dos estudantes, vem
sendo apreciada, também, por meio de valoração incluída na percentagem global
atribuída ao trabalho, o seu empenho e interesse expressos no modo como
intervêm nas aulas.

48
Bibliografia de Apoio

1. Essencial
ABRIC, Jean-Cluade. Psychologie de la communication: théories et mé[Link]: Armand
Colin, 1999. ISBN 2-200-21988-1.
ALBARELLO, Luc et al. Práticas e métodos de investigação em Ciências Sociais. Lisboa:
Gradiva Publicações, §997. ISBN 972-662-554-8.
ALLEN, Robert B. Information: a fundamental construct. [edção digital do Autor, 2010; offline
atualmente, mas há cópia disponível in Sigarra para os alunos da disciplina].
ALMEIDA, Reginaldo Rodrigues de. Sociedade Bit: da sociedade da informação à sociedade do
conhecimento. Lisboa: Fomento, 2004. ISBN 972-99293-0-0.
ALVES, Aníbal - Ciências da comunicação, área interdisciplinar. Cadernos do Noroeste:
Comunicação e Sociedade, 1. Braga, 12, 1-2 (1999). p. 5-18
BATEKO, Bob Bobutaka. Archivologie, bibliologie et communicologie; approche
épistemologique. Saarbrucken; Verlag – Éditions Universitaires Européennes, 2014, ISBN
978-3-8417-4231-5.
BELKIN, N, J. Progress in documentation: information concepts for Information Sciences.
Journal of Documentation. Vol. 34, 1 (march. 1978) P. 55-85.
BELL. Daniel. O Advento da Sociedade Pós-Industrial – uma tentativa de previsão social. São
Paulo: Editora Cultrix Ltda, 1977.
The Blackwell guide to the philosophy of computing and information. ed. Luciano Floridi.
Malden, USA: Blackwell Publishing Ltd., 2004. ISBN 0-631-22918-3.
BORGES, Maria Manuel. De Alexandria a Xanadu. Coimbra: Quarteto Editora, 2002. ISBN 972-
8535-80-5.
BORKO, Harold. Information science - what is it? American Documentation. Washington. 19:1
(Jan. 1968) 3-5.
BOUGNOUX, Daniel. Introdução às ciências da comunicação. Bauru, SP: EDUSC, 1999. ISBN
85-86259-71-3.
BRIER, Soren. Cybersemiotics: why information is not enough!. Toronto: University of Toronto
Press, 2008. ISBN 978-0-8920-9220-5.
BROOKES, Bertram C. The foundations of information science. Journal of Information Science,
Amsterdam/New York, 2 (1980).
CABIN, Philippe (coord.). La Communication: état des savoirs. Auxerre: Sciences Humaines
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