Impactos do Comércio Informal em Morrumbala
Impactos do Comércio Informal em Morrumbala
Supervisor/a:
1. INTRODUÇÃO...................................................................................................................5
1.1. Problematização...........................................................................................................6
1.2. Objectivos.....................................................................................................................7
1.3. Justificativa...................................................................................................................7
2. REVISÃO DE LITERATURA.........................................................................................10
3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS......................................................................20
3.2.1. Universo..................................................................................................................22
3.2.2. Amostra..................................................................................................................23
3.3.1. Entrevistas..............................................................................................................24
3.8. Orçamento......................................................................................................................26
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS......................................................................................27
1. INTRODUÇÃO
O comércio informal tem se destacado como uma actividade essencial para a sobrevivência de
muitas famílias, especialmente nas áreas rurais de Moçambique, onde as oportunidades de
emprego formal são escassas. Segundo a Organização Internacional do Trabalho (2018), o
sector informal tem se expandido devido à necessidade de adaptação da população às
dificuldades económicas e à falta de alternativas formais de emprego. Nesse contexto, o
comércio informal contribui significativamente para a geração de renda e para a subsistência
de uma parte expressiva da população. Contudo, de acordo com Silva e Almeida (2021), essa
expansão também traz desafios, como a precarização das condições de trabalho, a dificuldade
de acesso a mercados formais e o aumento das desigualdades sociais, resultando em impactos
negativos na qualidade de vida dos trabalhadores informais.
Dessa forma, a presente pesquisa tem como intuito analisar os impactos do comércio informal
na economia local e nas condições sociais da população da Vila-Sede do Distrito de
Morrumbala. Para tanto, adoptar-se-á uma abordagem qualitativa, utilizando o estudo de caso
como método principal, com colecta de dados por meio de entrevistas com comerciantes
locais, observação e análise de dados sobre as condições económicas da região. A pesquisa
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busca, assim, propor alternativas que possam contribuir para a melhoria das condições de vida
dos trabalhadores informais e promover o desenvolvimento sustentável da economia local.
1.1. Problematização
Desse modo, a presente pesquisa busca responder à seguinte questão: Quais são os impactos
do comércio informal na economia local e nas condições sociais da população na Vila-Sede
do Distrito de Morrumbala?
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1.2. Objectivos
1.3. Justificativa
Relevância Pessoal
Relevância Académica
Relevância Social
O impacto social do estudo se dará por meio da promoção de políticas públicas mais
inclusivas e eficazes que possam melhorar as condições de vida da população, formalizar o
sector informal e garantir melhores condições de trabalho para os pequenos comerciantes.
O estudo irá focar no comércio informal em Morrumbala, com ênfase nos impactos
económicos e sociais, além das condições de vida da população local. Nesse sentido, serão
analisados os desafios enfrentados pelos comerciantes informais e sua interacção com a
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economia formal. O período de análise, que compreende os anos de 2023 e 2024, foi
escolhido devido ao contexto de crise económica e à escassez de emprego formal. Assim, a
pesquisa buscará compreender as transformações recentes e as estratégias adoptadas pela
comunidade para superar essas dificuldades.
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2. REVISÃO DE LITERATURA
O comércio pode ser classificado de diferentes formas, de acordo com sua estrutura e a forma
como as transacções acontecem. Para Giddens, Duneier e Appelbaum (2017), o comércio se
divide basicamente em duas categorias: o comércio formal e o comércio informal. O comércio
formal é aquele que segue as regulamentações governamentais, registando a actividade
comercial e gerando impostos. Já o comércio informal ocorre fora do sistema jurídico e fiscal,
sendo realizado de maneira autónoma, geralmente por pequenos comerciantes ou em
mercados informais, onde os processos legais são menos rigorosos.
Além das classificações formais e informais, o comércio também pode ser segmentado pela
forma de transacção. O comércio varejista envolve a venda de produtos directamente aos
consumidores finais, enquanto o comércio atacadista realiza vendas em grande escala para
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outras empresas ou revendedores. Ambas as formas são cruciais para a cadeia de
abastecimento de produtos, contribuindo significativamente para o funcionamento das
economias locais e globais.
O crescimento económico é crucial para a melhoria das condições de vida de uma população,
pois está directamente relacionado à geração de empregos e à elevação da renda per capita.
De acordo com Sachs (2005), o crescimento económico sustentado permite a redução da
pobreza, aumenta as oportunidades de emprego e melhora o bem-estar geral da sociedade. No
entanto, é importante destacar que o crescimento não ocorre de maneira uniforme, variando de
acordo com as políticas adoptadas, a estrutura da economia e as características sociais e
culturais de cada país ou região.
Portanto, o crescimento económico deve ser analisado não apenas em termos de aumento do
PIB, mas também em relação à inclusão social e à sustentabilidade. Políticas que promovam o
crescimento de maneira inclusiva e sustentável são essenciais para garantir que os benefícios
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do crescimento sejam amplamente distribuídos, melhorando as condições de vida de toda a
população.
As condições sociais de uma população são um reflexo de diversos factores que afectam
directamente a qualidade de vida dos indivíduos. Acesso a serviços de saúde, educação de
qualidade, habitação adequada, segurança e igualdade de oportunidades são aspectos que
compõem as condições sociais de um país. Políticas públicas eficazes desempenham um papel
crucial na melhoria dessas condições, buscando reduzir desigualdades e promover o bem-estar
social. A relação entre desenvolvimento económico e condições sociais é estreita, pois o
aumento da produção e a geração de emprego contribuem para a melhoria das condições de
vida, mas também é fundamental que os benefícios sejam distribuídos de maneira justa para
toda a população.
A educação e a saúde são dois pilares fundamentais para o avanço das condições sociais.
Segundo Sachs (2005), o acesso universal à educação e aos cuidados de saúde de qualidade é
crucial para a redução da pobreza e para o aumento das oportunidades sociais. A educação
contribui para a qualificação da força de trabalho, enquanto a saúde adequada permite que as
pessoas participem ativamente da economia e da sociedade. A falta de acesso a esses serviços
básicos cria um ciclo de desigualdade, dificultando a mobilidade social e perpetuando a
pobreza.
Em muitos países em desenvolvimento, as condições sociais são desafiadas por factores como
a escassez de infra-estrutura básica, altos índices de pobreza e a desigualdade no acesso aos
recursos. A falta de serviços públicos adequados, como educação e saúde, limita as
oportunidades e impede que grandes segmentos da população possam melhorar sua qualidade
de vida. Ademais, em diversas regiões, a informalidade no mercado de trabalho impede o
acesso a direitos trabalhistas e previdenciais, gerando uma vulnerabilidade social ainda maior.
A falta de uma rede de protecção social adequada amplifica as desigualdades existentes,
dificultando a ascensão social e o bem-estar das populações mais vulneráveis.
Portanto, para melhorar as condições sociais, é necessário que as políticas públicas não apenas
incentivem o crescimento económico, mas também se concentrem em garantir a inclusão
social e a sustentabilidade. A redução das desigualdades e a promoção de uma distribuição
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mais justa da riqueza são fundamentais para garantir que o desenvolvimento beneficie a
totalidade da população. Ao adoptar essas medidas, um país pode garantir que seus cidadãos
desfrutem de uma vida digna e tenham oportunidades reais de ascensão social, melhorando
assim as condições sociais gerais de sua população.
É importante destacar que a formalização não deve ser vista como um processo imediato e
simples. Segundo Schneider (2015), muitos comerciantes informais enfrentam barreiras
significativas, como custos elevados para o registo de suas actividades, complexidade dos
processos burocráticos e falta de compreensão das vantagens da formalização. Portanto,
políticas públicas eficazes precisam ser adoptadas para simplificar e desburocratizar os
procedimentos de formalização, além de promover a conscientização dos benefícios dessa
transição para os comerciantes.
Políticas públicas referem-se ao conjunto de acções e decisões adoptadas pelo governo com o
objectivo de atender às necessidades da sociedade, resolver problemas específicos ou
promover o bem-estar colectivo. Segundo Dallabrida e Goulart (2009), as políticas públicas
são instrumentos essenciais para o desenvolvimento social e económico de um país, pois
visam influenciar e melhorar as condições de vida da população, proporcionando benefícios
em áreas como saúde, educação, segurança, e emprego. Essas políticas podem ser
implementadas em diferentes níveis de governo, como municipal, estadual e federal, e devem
ser moldadas de acordo com as especificidades e prioridades de cada região ou grupo social.
Uma das principais dificuldades enfrentadas pelas políticas públicas para a formalização do
comércio informal é a resistência de alguns empreendedores, que, devido à falta de confiança
nas instituições e ao medo de burocracia, optam por permanecer na informalidade. Segundo
Schneider (2015), é fundamental que as políticas públicas não apenas incentivem a
formalização, mas também assegurem que os custos de transição sejam acessíveis e que haja
benefícios claros para os comerciantes, como a possibilidade de acessar créditos e a protecção
jurídica. Portanto, é necessário um equilíbrio entre incentivos fiscais, suporte técnico e
desburocratização, além de uma abordagem que leve em conta a realidade e as dificuldades
enfrentadas pelos pequenos empresários.
Assim, a eficácia das políticas públicas pode ser medida pelo impacto que elas têm na
melhoria das condições de trabalho e na redução das desigualdades sociais. Ao fortalecer o
comércio formal e garantir o acesso aos direitos sociais e económicos, as políticas públicas
contribuem para a criação de um ambiente de negócios mais justo, sustentável e inclusivo, o
que, por sua vez, beneficia toda a sociedade.
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2.1.6. Desenvolvimento Local
O papel das políticas públicas é essencial para impulsionar o desenvolvimento local, uma vez
que elas podem criar um ambiente favorável à implementação de projectos que atendam às
demandas da população e ao fortalecimento da economia local. De acordo com Alburquerque
e Silva (2016), as políticas públicas voltadas para o desenvolvimento local devem ser focadas
em acções que promovam o emprego, a educação, a saúde, a infra-estrutura e a
sustentabilidade ambiental, criando condições para que as comunidades possam se
desenvolver de forma independente e sustentável. Essas políticas devem incentivar a
participação da comunidade na tomada de decisões, garantindo que os projectos atendam
verdadeiramente às necessidades locais.
Existem diferentes tipos de integração económica, e sua forma varia conforme o grau de
cooperação entre os países ou regiões envolvidas. Em um primeiro nível, temos a área de livre
comércio, onde as barreiras tarifárias e não tarifárias são removidas entre os países membros,
mas cada país mantém suas próprias políticas externas. De acordo com Baldwin (2008), a área
de livre comércio tem como principal objectivo facilitar o comércio entre os países, sem um
comprometimento mais profundo nas políticas internas. Um exemplo de uma área de livre
comércio é o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (NAFTA), que facilita o
comércio entre os Estados Unidos, Canadá e México.
A integração económica pode avançar para um mercado comum, onde além da eliminação das
barreiras comerciais, há uma harmonização das políticas fiscais e das regulamentações
internas entre os países. Este tipo de integração também permite a livre circulação de pessoas,
o que fortalece o mercado de trabalho e facilita a mobilidade de recursos. A União Europeia
(UE), por exemplo, é um exemplo de mercado comum que permite a integração económica e
a cooperação política entre seus membros, o que facilita o desenvolvimento de políticas
conjuntas e a redução das disparidades económicas entre as regiões.
Por fim, a integração económica pode atingir o nível mais avançado de uma união económica,
onde os países membros adoptam uma política fiscal e monetária comum, como é o caso da
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zona do euro na União Europeia. Esse nível de integração implica na criação de instituições
supranacionais que coordenam as políticas dos países membros e visam promover a
estabilidade e o crescimento económico em toda a região. A integração económica, quando
bem-sucedida, pode levar a um aumento no comércio, à expansão do mercado de consumo e à
redução da pobreza, gerando benefícios tanto para os países mais desenvolvidos quanto para
os menos desenvolvidos.
A pesquisa de Santos, Silva e Oliveira (2021) intitulada Impactos do Comércio Informal nas
Condições Sociais em Áreas Urbanas do Brasil investigou como o comércio informal afecta o
emprego e as condições sociais das populações em várias cidades brasileiras, incluindo São
Paulo e Salvador. Através de uma abordagem mista, com entrevistas com vendedores
ambulantes e análise de dados económicos locais, os resultados revelaram que, embora o
comércio informal seja uma fonte importante de renda, ele também está associado a condições
precárias de trabalho e à falta de acesso a benefícios sociais. Os autores sugerem que a
formalização do sector poderia melhorar as condições de vida dos trabalhadores informais e
contribuir para o desenvolvimento económico local.
Esses estudos mostram que o comércio informal tem um impacto profundo nas condições
educacionais e sociais das comunidades urbanas em Moçambique, tanto em Maputo quanto
em outras cidades, como Nampula. As evidências indicam que a informalidade no comércio
pode ser um factor de exclusão social e educacional, com muitas crianças sendo forçadas a
abandonar a escola para ajudar no sustento da família. A literatura sugere que a formalização
do comércio informal e a implementação de políticas públicas de apoio à educação,
capacitação profissional e reintegração social são essenciais para mitigar esses impactos e
garantir um desenvolvimento mais inclusivo e sustentável para as gerações futuras.
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3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
A escolha por uma abordagem básica se justifica pela necessidade de explorar de maneira
detalhada o fenómenos do comércio informal, sem a intenção de gerar soluções rápidas, mas
construindo uma base teórica robusta. Isso permitirá compreender melhor os desafios e
benefícios desse sector na vida das pessoas, especialmente nas áreas rurais. Assim, os
resultados da pesquisa podem servir como fundamentação para futuras políticas públicas ou
estudos aplicados, com o objectivo de promover a integração do comércio informal à
economia formal e melhorar as condições de vida das populações afectadas.
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Optar-se-á- por essa abordagem para possibilitar uma análise detalhada das dinâmicas sociais
e culturais que permeiam o comércio informal. Essa escolha permite uma visão mais ampla
dos factores que influenciam o crescimento desse sector, considerando os aspectos
subjectivos, como a percepção das pessoas sobre o comércio informal e suas implicações
sociais. De igual modo, esse enfoque facilita a identificação de desafios e barreiras
enfrentados pelos comerciantes, bem como as estratégias que podem ser adoptadas para a
formalização do sector. Com isso, espera-se que os resultados da pesquisa ofereçam subsídios
para políticas públicas que integrem o comércio informal à economia formal, promovendo o
desenvolvimento sustentável e a melhoria das condições de vida das populações envolvidas.
Este estudo é classificado como exploratório, pois busca investigar de maneira inicial e
aprofundada os efeitos do comércio informal na economia e nas condições de vida das
comunidades de Morrumbala. Segundo Marconi e Lakatos (2003), pesquisas exploratórias são
essenciais quando se deseja ampliar o conhecimento sobre um fenómenos pouco estudado,
ajudando a identificar novas questões, variáveis e perspectivas. Ao adoptar essa abordagem, o
objectivo principal é entender os impactos do comércio informal no desenvolvimento local,
focando na dinâmica social e económica desse sector, que frequentemente escapa à regulação
formal e à análise profunda.
A escolha por essa abordagem se justifica pela necessidade de explorar o comércio informal
em uma área onde há uma lacuna de estudos aprofundados, especialmente em contextos rurais
como Morrumbala. Esse enfoque permitirá mapear as causas do crescimento desse sector e
seus efeitos tanto para os comerciantes quanto para a população local. Assim, a pesquisa
exploratória oferece uma flexibilidade importante, permitindo que novas variáveis sejam
integradas ao longo do estudo, à medida que surgem novas informações sobre o impacto do
comércio informal na sociedade. Com isso, espera-se que o estudo contribua para o
desenvolvimento de políticas públicas que abordem as especificidades desse fenómenos e
promovam uma maior integração do sector informal à economia formal.
Quanto aos procedimentos técnicos, este estudo utilizará uma abordagem mista, combinando
pesquisa bibliográfica e estudo de caso. A pesquisa bibliográfica permitirá uma análise
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abrangente sobre o impacto do comércio informal na economia e nas condições sociais da
comunidade de Morrumbala, trazendo uma base teórica sólida a partir de estudos prévios
sobre o tema. Por outro lado, o estudo de caso proporcionará uma investigação
contextualizada e detalhada sobre a realidade local, permitindo observar como o comércio
informal se desenvolve na região e como ele afecta os comerciantes e a população local. Essa
combinação entre teoria e prática irá fornecer uma compreensão mais completa do fenómenos
e suas implicações sociais e económicas.
Conforme destacado por Goldenberg (1997), o estudo de caso é uma "investigação empírica
que examina um fenómenos contemporâneo dentro de seu contexto real, principalmente
quando não há uma clara separação entre o fenómenos e o contexto" (p. 16). No caso deste
estudo, a análise de Morrumbala como uma localidade específica permitirá entender de forma
detalhada os factores socioculturais que influenciam o comércio informal, assim como suas
consequências para o desenvolvimento económico da região. Complementando a análise, a
pesquisa bibliográfica, conforme Freitas e Prodanov (2013), "oferece a selecção e o estudo de
fontes relevantes que ajudam a contextualizar e aprofundar as teorias e conceitos relacionados
ao tema" (p. 23). A integração dessas metodologias contribuirá para uma análise rica e
estruturada sobre o impacto do comércio informal em Morrumbala, permitindo gerar
conhecimentos valiosos para futuras políticas públicas e acções sociais.
3.2.1. Universo
Neste estudo, a análise será centrada nas pessoas que atuam no comércio informal, incluindo
tanto os comerciantes quanto as famílias que dependem dessa actividade para sua
subsistência. O universo será constituído por indivíduos directamente envolvidos com o
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comércio, levando em consideração também as interacções entre os vendedores e os
consumidores. A pesquisa procurará entender os factores que influenciam o crescimento do
comércio informal na região, os desafios enfrentados pelos comerciantes e as repercussões
dessa prática no desenvolvimento económico e social da comunidade local.
3.2.2. Amostra
A amostra é uma parte específica da população escolhida para representar o todo, permitindo
que se faça inferências sobre as características dessa população (Marconi & Lakatos, 2003, p.
96). No contexto desta pesquisa, a amostra será composta por trabalhadores do comércio
informal na Vila-Sede do Distrito de Morrumbala, na província da Zambézia, incluindo
vendedores ambulantes, donos de pequenos estabelecimentos comerciais e outros envolvidos
em actividades de comércio de rua. A selecção da amostra será feita de maneira a reflectir as
características do universo investigado, ou seja, os aspectos socioeconómicos e culturais que
impactam a prática do comércio informal na região.
Segundo Aires (2011), a metodologia qualitativa envolve uma selecção estratégica e criteriosa
da amostra, com o objectivo de explorar profundamente o fenómenos em estudo. Nesse caso,
a amostra será seleccionada com base na relevância das experiências dos comerciantes e seus
desafios diários no contexto do comércio informal. A selecção seguirá o princípio da
saturação, ou seja, serão escolhidos participantes até que novas informações deixem de ser
agregadas ao estudo, garantindo uma compreensão ampla e detalhada dos impactos dessa
prática na vida dos comerciantes e na comunidade local (Aires, 2011, p. 20).
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3.3. Instrumentos de Colecta de Dados
3.3.1. Entrevistas
De acordo com Yin (2005), as entrevistas são essenciais para colecta de dados profundos,
permitindo uma compreensão detalhada das experiências e percepções dos participantes sobre
o fenómeno investigado. Gil (2008) destaca que "as entrevistas são eficazes para obter
informações sobre o conhecimento, crenças, expectativas, sentimentos, intenções e acções
passadas e presentes dos indivíduos" (p. 109). Neste estudo, as entrevistas semiestruturadas
serão realizadas com comerciantes informais, trabalhadores do sector e líderes comunitários
da área do comércio, incluindo vendedores ambulantes e donos de pequenos estabelecimentos
comerciais. Essas entrevistas permitirão capturar uma variedade de pontos de vista sobre
como o comércio informal influencia a economia local, o desenvolvimento social e o acesso a
oportunidades para os trabalhadores informais, além de identificar estratégias para melhorar
as condições de trabalho e promover uma maior formalização do sector.
A análise documental, conforme definido por Lakatos e Marconi (2001), é uma técnica
importante para investigar documentos oficiais e políticas públicas relacionadas ao comércio
informal, oferecendo dados sobre as iniciativas existentes e os desafios enfrentados pelos
comerciantes informais. No contexto deste estudo, serão analisados documentos como
relatórios governamentais, políticas de incentivo à formalização do comércio, planos de
desenvolvimento económico local e regulamentos sobre o sector informal. Essa análise
ajudará a entender as políticas públicas voltadas para o comércio informal, a regulação do
sector e as lacunas que ainda existem na implementação de programas que promovam
melhores condições para os trabalhadores informais.
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3.3.3. Técnicas de Análise dos Dados
A análise de dados será conduzida utilizando a técnica de análise de conteúdo, que, segundo
Bardin (2009), visa organizar e interpretar dados qualitativos de forma sistemática. A análise
será categorial, ou seja, os dados obtidos por meio das entrevistas e análise de documentos
serão organizados em categorias temáticas relacionadas ao impacto do comércio informal na
economia e no desenvolvimento social. Como Bardin (2009) descreve, "a análise de conteúdo
busca identificar os elementos centrais nas mensagens e categorias emergentes, permitindo a
interpretação e a inferência de conhecimentos relevantes sobre o fenómeno investigado" (p.
64). Esse método ajudará a identificar padrões e desafios recorrentes no comércio informal,
suas implicações para a vida económica local, e as atitudes da comunidade em relação a essa
prática.
Espera-se que a pesquisa proporcione uma análise detalhada sobre os efeitos do comércio
informal nas condições económicas e sociais da comunidade. A partir dos dados colectados,
serão identificados os principais factores que influenciam o desempenho dos trabalhadores
informais, como a falta de regulamentação e o acesso limitado a serviços financeiros, além
das estratégias que podem ser adoptadas para promover a formalização e melhorar as
condições de trabalho. A pesquisa também buscará destacar a importância da criação de
políticas públicas que favoreçam a inclusão dos trabalhadores informais no sistema
económico formal, proporcionando uma melhor qualidade de vida e mais oportunidades de
desenvolvimento.
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3.7. Cronograma de Actividades
3.8. Orçamento
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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