Transtornos de Ansiedade e Depressão
Transtornos de Ansiedade e Depressão
SÍNDROMES DEPRESSIVAS
SÍNDROMES ANSIOSAS
CARACTERÍSTICAS DIAGNÓSTICAS
. É definido pela presença de pelo menos um episódio
depressivo maior ocorrendo na ausência de história
de episódios maníacos ou hipomaníacos.
. Caracterizado por episódios distintos de pelo menos
duas semanas de duração (embora a maioria dos
episódios dure um tempo consideravelmente maior) com
perda de interesse/prazer em quase todas as
atividades pela maior parte do dia, quase todos os
dias (Critério A).
- exceção para os:
. pensamentos de morte e ideação suicida devem
ser recorrentes
. tentativa de suicídio ou fazer planos especícos
para ele só precisa ocorrer uma vez.
- Esses comportamentos envolvem alterações
nítidas no afeto, na cognição e em funções
neurovegetativas, e remissões
interepisódicas.
. Também precisa experimentar pelo menos 4 sintomas
adicionais durante o mesmo período de duas semanas,
dentre eles: mudanças no apetite/peso/sono e na
atividade psicomotora, diminuição de energia,
sentimentos de desvalia ou culpa, dificuldade para
pensar/concentrar-se/tomar decisões, ou
pensamentos recorrentes de morte ou ideação
suicida/planos ou tentativas de suicídio.
- Pode ser que o paciente traga a queixa de insônia
ou fadiga, em vez de humor deprimido ou perda
de interesses, portanto, a falha em investigar
sintomas depressivos associados pode resultar
em um subdiagnóstico.
A1 → Humor deprimido
- humor do tipo deprimido, triste, desesperançado,
desencorajado ou “na fossa” .
- se queixam de sentirem “um vazio”, sem
sentimentos ou com sentimentos ansiosos, a
presença de um humor deprimido pode ser inferida a partir da expressão facial e por atitudes.
- Muitos referem ou demonstram irritabilidade aumentada
- crianças: humor irritável ou rabugento, em vez de um humor triste ou abatido.
A2 → Diminuição do interesse por passatempos
- “não se importa mais” ou não tem alta de prazer com qualquer atividade anteriormente
considerada prazerosa.
- retraimento social ou negligência de atividades prazerosas
- Em algumas pessoas, há redução significativa nos níveis anteriores de interesse ou desejo
sexual.
A3 → perda ou ganho de peso
- Alguns precisam se forçar para se alimentar, Outros podem comer mais ou demonstrar avidez
por alimentos específicos.
- Se a alteração no apetite for grave, pode ter ganho ou perda de peso.
A4 → Sonolência ou insônia
- Na insônia, pode ser: insônia intermediária (p. ex., despertar durante a noite, com
dificuldade para voltar a dormir) ou insônia terminal (p. ex., despertar muito cedo, com
incapacidade de retornar a dormir), mas a insônia inicial (p. ex.,dificuldade para adormecer)
também pode ocorrer.
- Na sonolência excessiva (hipersonia) podem experimentar episódios prolongados de sono
noturno ou de sono durante o dia.
A5 → Agitações psicomotoras
- agitação: incapacidade de ficar sentado quieto, ficar andando sem parar, agitar as mãos,
puxar ou esfregar a pele, roupas ou outros objetos.
- retardo: discurso, pensamento ou movimentos corporais lentificados; maiores pausas antes
de responder; fala diminuída em termos de volume, quantidade ou variedade de conteúdos,
ou mutismo,
- Precisam ser graves a ponto de serem observáveis por outros, não representando meros
sentimentos subjetivos,
- Indivíduos que apresentam qualquer uma das duas alterações motoras provavelmente têm
histórico da outra,
A6 → Fadiga ou perda de energia
- Diminuição da energia, cansaço e fadiga.
- O indivíduo pode relatar fadiga persistente sem esforço físico.
- Pode ter diminuição na eficiência para realizar tarefas
A7 → Sentimento de desvalia ou culpa
- Inclui avaliações negativas e irrealistas do próprio valor, preocupações cheias de culpa ou
ruminações acerca de pequenos fracassos do passado.
- Podem interpretar mal eventos triviais ou neutros do cotidiano como evidências de defeitos
pessoais e têm um senso exagerado de responsabilidade pelas adversidades.
- A auto recriminação por estar doente e por não conseguir cumprir com as responsabilidades
profissionais e interpessoais em consequência da depressão é muito comum.
A8 → Prejuízo na capacidade de pensa/concentrar/tomar decisões
- Queixa de distração e dificuldades de memória.
- Os indivíduos com atividades acadêmicas ou profissionais com frequência são incapazes de
funcionar de forma adequada.
- Crianças:uma queda no rendimento escolar pode refletir uma concentração pobre.
- Idosos: as dificuldades de memória podem ser a queixa principal e ser confundidas com os
sinais iniciais de uma demência (“pseudodemência”).
- Quando o episódio depressivo maior é tratado com sucesso, os problemas de memória
frequentemente apresentam recuperação completa.
A9 → Pensamentos sobre morte, ideação suicida ou tentativas de suicídio
- Podem ser: um desejo passivo de não acordar pela manhã, crença de que os outros estariam
melhor se o indivíduo estivesse morto, ou pensamentos transitórios, porém recorrentes, sobre
cometer suicídio ou planos especícos para se matar.
4. CARACTERIZAR O TRATAMENTO
MEDICAMENTOSO E NÃO MEDICAMENTOSO DA
DEPRESSÃO (CLASSE, EXEMPLOS, LINHAS GERAIS DO
TRATAMENTO - contraindicação, indicação, intervalo de doses)
CORDIOLI
LINHAS GERAIS
. Etapas do tratamento farmacológico:
1. prescrição inicial de um AD de
1ª escolha;
2. aumento da dose;
3. troca para um AD de outra
classe;
4. potencialização do AD ou
combinações de ADs;
5. uso de IMAOs;
6. ECT.
. O planejamento da farmacoterapia
da depressão separa 3 fases distintas:
- tratamento farmacológico da fase aguda,
- continuação do tratamento
- manutenção
FASE AGUDA
. Inclui os 2 a 3 primeiros meses de tratamento.
. OBJETIVO: eliminação completa dos sintomas (remissão) ou a diminuição (resposta).
- A eliminação completa dos sintomas nessa fase está relacionada ao menor risco de recaída.
. Recomenda-se aguardar de 4 a 8 semanas pela resposta terapêutica e se for o caso de um
transtorno depressivo persistente (distimia), a resposta pode ocorrer mais tardiamente, em até 12
semanas.
- A presença de algum nível de resposta terapêutica precoce, isto é, em menos de 15 dias de
tratamento, é preditora de resposta estável e posterior remissão daquele episódio.
. PRIMEIRA ESCOLHA: ISRSs
- Tem perfil de boa tolerância e doses iniciais já terapêuticas (favorece a adesão ao tratamento)
- Tem custo menor.
- OUTROS DE PRIMEIRA ESCOLHA: venlafaxina, mirtazapina, bupropiona
. Mirtazapina e bupropiona → produzem menos disfunções sexuais que os ISRSs/ADT/IMAOs
- Em estudos de 2009 mostrou-se que mirtazapina, escitalopram, venlafaxina e sertralina
foram superiores a duloxetina, fluoxetina, fluvoxamina, paroxetina e reboxetina (a
reboxetina foi inferior a todos os demais antidepressivos).
. OUTRAS ESCOLHAS:
- ADTs → são efetivos a partir de um nível sérico mínimo que exige doses orais médias entre
100 e 150 mg/dia, atingindo isso em 7-10 dias
- TIANEPTINA → uma alterantiva para quando os ISRSs e ADTs não puderem ser usados.
. COMO ESCOLHER O MEDICAMENTO CERTO? → Leva-se em conta informações sobre o
paciente e sua condição + experiência do médico + aceitação pelo paciente + tolerância + custo
FASE DE CONTINUAÇÃO
. Corresponde aos 6 a 9 meses que seguem ao tratamento da fase aguda.
- Se esse for o primeiro episódio depressivo → farmacoterapia por 6-12 meses, com doses
iguais às utilizadas durante a fase aguda.
- Se esse for um caso de recorrência (especialmente se forem graves) → farmacoterapia
por 3 anos ou mais.
. OBJETIVO: manter a melhora obtida, evitando recaídas dentro de um mesmo episódio
depressivo.
. A continuação está indicada a todos os pacientes.
. Ao término dessa fase, se o paciente permanece com a melhora obtida na fase aguda, é
considerado recuperado do atual episódio.
. A redução da dose é um fator de risco para recaídas.
. Somente após esse período, pode-se descontinuar o fármaco gradualmente até sua retirada
total .
- retirada de 25-50 mg/mês para os ADTs
- retirada de 10 mg/mês para os ISRSs
- Recomenda-se que a retirada do medicamento ocorra em 4 a 6 meses.
FASE DE MANUTENÇÃO
. OBJETIVO: evitar novos episódios (recorrência), e, em geral, sua duração é longa.
. É recomendada a pacientes com maior probabilidade de recorrência.
. Se o episódio atual for de um transtorno do humor depressivo recorrente → farmacoterapia
por 2-5 anos.
- Tem risco de recorrência de 70 a 80% após o segundo episódio e 80 a 90% após o terceiro.
- Se for o 3º ou mais episódios subsequentes → farmacoterapia por tempo indeterminado
sem redução das doses utilizadas na fase aguda.
. Se o episódio depressivo for grave e se tiver a presença de ideação suicida, também
recomenda-se a fase de manutenção.
COMBINAÇÕES DE ANTIDEPRESSIVOS
. É interessante associar fármacos com perfis neuroquímicos diferentes (p. ex., um ISRS com um
ADT preferencialmente noradrenérgico, como a imipramina, a amitriptilina e a nortriptilina; ISRS com
reboxetina; ISRS com bupropiona) e, ao mesmo tempo, considerar a sintomatologia do paciente (p.
ex., insônia, disfunções sexuais) ou doenças físicas.
. Uma das estratégias mais utilizadas é a adição de um ADT em um paciente que estava utilizando
um ISRS (fluoxetina + nortriptilina ou amitriptilina ou imipramina) → a fluoxetina é inibidora do
CYP450, o que pode aumentar as dosagens sericas dos ADTs e exacerbar os efeitos
serotoninérgicos (nesse caso, utiliza-se ⅓ da dose habitual de ADTs).
. Outros ISRSs, como o citalopram, o escitalopram e a sertralina, talvez sejam de combinação
menos complexa.
POTENCIALIZAÇÃO DO ANTIDEPRESSIVO
. Pode-se potencializar:
1. Adicionando carbonato de lítio (em doses que atinjam concentrações de 600mg/dia).
2. Adicionando T3 (em doses de 25-50 microgramas/dia)
3. Adicionando APA
5. CARACTERIZAR OS TRANSTORNOS DE
ANSIEDADE (Transtorno do pânico, transtorno de ansiedade de
separação, fobia específica, TAG, fobia social), TEPT, TOC
TRANSTORNOS DISSOCIATIVOS, TRANSTORNOS
DE SINTOMAS SOMÁTICOS E SOMATOTRÓFICOS
DSM 5
TRANSTORNO DO PÂNICO
CARACTERÍSTICAS DIAGNÓSTICAS
. É caracterizado por (mais de 1) ataques de pânico
inesperados recorrentes.
- ATAQUE DE PÂNICO = é um surto abrupto de medo
ou desconforto intenso que alcança um pico em
minutos e durante o qual ocorrem 4ou+/13 sintomas
físicos e cognitivos.
- “INESPERADO” → se refere a um ataque de pânico
para o qual não existe um indício ou desencadeante
óbvio no momento da ocorrência (“vem do nada”).
- é diferente de um ataque esperado, que são ataques
para os quais existe um indício ou desencadeante
óbvio, como uma situação em que os ataques de
pânico ocorrem geralmente → a presença de
ataques de pânico esperados não exclui o
diagnóstico de transtorno de pânico.
. A perturbação pode durar por um período de pelo menos quatro semanas em crianças e
adolescentes com menos de 18 anos e geralmente dura seis meses ou mais em adultos.
- O critério de duração para adultos é só um guia, podendo ter flexibilidade.
. A perturbação pode causar sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo nas áreas de
funcionamento social, acadêmico, profissional ou em outras áreas importantes da vida do
indivíduo.
FOBIA ESPECÍFICA
. É comum que os indivíduos tenham múltiplas fobias
específicas (75% temem +de1 situação/objeto).
- Em geral, ele teme 3 objetos ou situações → então
seria uma “fobia específica múltipla”, com um
código diagnóstico para cada.
. CARACTERÍSTICA ESSENCIAL → o medo/ansiedade
está circunscrito à presença de uma situação ou
objeto particular (o “estímulo fóbico”).
- especificadores = são as categorias das situações
ou objetos temidos
- É comum temer mais de um especificador.
. Para o diagnóstico, a resposta deve ser diferente dos
medos normais transitórios que comumente ocorrem
na população → o medo ou ansiedade deve ser
intenso ou grave.
- O grau do medo pode variar com a proximidade
do objeto ou situação temida.
- Ele pode ocorrer com a antecipação da presença
ou na presença real do objeto ou situação.
- Além disso, pode assumir a forma de um ataque
de pânico com sintomas completos ou limitados
(ataque de pânico esperado).
. O medo/ansiedade é evocado quase todas as vezes
que o indivíduo entra em contato com o estímulo fóbico.
- Nesse caso, se a ansiedade for ocasional (ex.: 1 a cada 5 vezes exposto) não teria o
diagnóstico.
- O grau de medo ou ansiedade expresso pode variar (desde a ansiedade antecipatória até
um ataque de pânico completo) nas ocasiões de encontro → devido a fatores, como a
presença de outra pessoa, a duração da exposição, e a outros elementos ameaçadores,
como turbulência em um voo para indivíduos que têm medo de voar.
- O medo/ansiedade são expressos de formas diferentes entre crianças e adultos.
- O medo/ansiedade ocorre tão logo(imediatamente) o objeto ou situação fóbica é
encontrado.
. Evita-se a situação/objeto e suportá-lo evoca temor ou ansiedade intensos.
- Esquiva ativa significa que o indivíduo intencionalmente se comporta de formas
destinadas a prevenir ou minimizar o contato com objetos ou situações fóbicas.
- Os comportamentos de esquiva são com frequência óbvios, mas às vezes são menos
óbvios (p. ex., um indivíduo que tem medo de cobras recusando-se a olhar para figuras que
se assemelham ao contorno ou à forma de cobras).
- Por evitarem, elas não mais experimentam medo ou ansiedade em sua vida diária.
. O medo/ansiedade é desproporcional em relação ao perigo real apresentado pelo objeto ou
situação ou mais intenso do que é considerado necessário.
- Podem até reconhecer a desproporcionalidade de suas ações, mas tendem a superestimar o
perigo nas situações temidas.
- O contexto sociocultural do indivíduo também deve ser levado em conta. Por exemplo, o
medo do escuro pode ser razoável em um contexto de violência constante, e o medo de
insetos pode ser mais desproporcional em contextos em que insetos são consumidos na
dieta.
. O medo, a ansiedade ou a esquiva é persistente, geralmente durando mais de seis meses,
- O tempo ajuda a distinguir o transtorno de medos transitórios que são comuns na população,
em particular entre crianças.
. A fobia específica deve causar sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no
funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo para
que o transtorno seja diagnosticado.
TAG
FOBIA SOCIAL
. CARACTERÍSTICA ESSENCIAL → é um medo ou
ansiedade acentuados ou intensos de situações
sociais nas quais o indivíduo pode ser avaliado pelos
outros.
- Crianças → Em crianças, o medo/ansiedade deve
ocorrer em contextos com os pares, e não
apenas durante interações com adultos.
- O indivíduo tem medo de ser avaliado
negativamente.
- Ele tem a preocupação de que será julgado como
ansioso, débil, maluco, estúpido, enfadonho,
amedrontado, sujo ou desagradável.
. O indivíduo teme agir ou aparecer de certa forma ou
demonstrar sintomas de ansiedade, tais como
ruborizar, tremer, transpirar, tropeçar nas palavras,
que serão avaliados negativamente pelos demais .
- Pode ter medo de ofender os outros ou de ser
rejeitados como consequência.
- ex.: se tem medo de tremer as mãos pode evitar
beber, comer, escrever ou apontar em público;
. As situações sociais quase sempre provocam medo ou ansiedade .
- Ficar ansioso apenas ocasionalmente em situação(ões) social(is) não é um critério.
- O grau e o tipo de medo e ansiedade podem variar (p. ex., ansiedade antecipatória, ataque
de pânico) em diferentes ocasiões.
- Ansiedade antecipatória → pode ocorrer às vezes muito antes das próximas situações (p. ex.,
preocupar-se todos os dias durante semanas antes de participar de um evento social, repetir
antecipadamente um discurso por dias).
- Em crianças → o medo ou ansiedade pode ser expresso por choro, ataques de raiva,
imobilização, comportamento de agarrar-se ou encolher-se em situações sociais.
. O indivíduo irá frequentemente evitar as situações sociais temidas ou passar pelas situações,
mas com medo e ansiedade intensos.
- A esquiva pode ser extensa (p. ex., não ir a festas, recusar-se a ir à escola) ou sutil (p. ex.,
preparar excessivamente o texto de um discurso, desviar a atenção para os outros, limitar o
contato visual).
. O medo ou ansiedade é julgado desproporcional ao risco real de ser avaliado negativamente
ou às consequências dessa avaliação negativa.
- Às vezes, a ansiedade pode não ser julgada excessiva porque está relacionada a um
perigo real (p. ex., ser alvo de bullying ou atormentado pelos outros) → porém, mesmo nesse
caso, eles superestimam as consequências negativas das situações sociais.
. A duração do transtorno é geralmente de pelo menos seis meses .
Esse limiar de duração ajuda a diferenciar o transtorno dos medos sociais transitórios comuns,
particularmente entre crianças e na comunidade.
. O medo, a ansiedade e a esquiva devem interferir signicativamente na rotina normal do
indivíduo, no funcionamento prossional ou acadêmico ou em atividades sociais ou
relacionamentos ou deve causar sofrimento clinicamente signicativo (Critério G).
- Alguém que tem medo de falar em público não receberia um diagnóstico de transtorno de
ansiedade social se essa atividade não é rotineiramente encontrada no trabalho ou nas
tarefas de classe e se o indivíduo não tem um sofrimento significativo a respeito disso.
- Se ele evita ou ignora o trabalho ou educação que realmente deseja ter devido aos
sintomas de ansiedade social, o Critério é satisfeito.
. Existe o TAS do tipo “somente desempenho” → ele tem preocupações com desempenho que são
geralmente mais prejudiciais em sua vida profissional (p. ex., músicos, dançarinos, artistas, atletas)
ou em papéis que requerem falar em público.
- Eles não temem ou evitam situações sociais que não envolvam o desempenho.
- O medo pode se manifestar em contextos de trabalho, escola ou acadêmicos nos quais
são necessárias apresentações públicas regulares.
TEPT
.
TOC
. O sintoma característico do TOC é a presença de
obsessões e compulsões.
- Obsessões → pensamentos repetitivos e
persistentes (p. ex., de contaminação), imagens
(p. ex., de cenas violentas ou horrorizantes) ou
impulsos (p. ex., apunhalar alguém).
. Elas não são prazerosas ou experimentadas
como voluntárias: são intrusivas e indesejadas e
causam acentuado sofrimento ou ansiedade na
maioria das pessoas.
. O indivíduo tenta ignorá-las ou suprimi-las ou
neutralizá-las com outro pensamento ou ação (p.
ex., executando uma compulsão).
- Compulsões (ou rituais) → comportamentos
repetitivos (p. ex., lavar, verificar) ou atos
mentais (p. ex., contar, repetir palavras em
silêncio) que o indivíduo se sente compelido a
executar em resposta a uma obsessão ou de
acordo com regras que devem ser aplicadas
rigidamente.
- A maioria das pessoas com TOC tem
obsessões e compulsões.
- Obsessões e compulsões são tipicamente
relacionadas tematicamente .
. ex.: limpeza (obsessões por contaminação e
compulsões por limpeza); simetria (obsessões
por simetria e compulsões por repetição,
organização e contagem); pensamentos
proibidos ou tabus (p. ex., obsessões
agressivas, sexuais ou religiosas e compulsões
relacionadas); e danos (p. ex., medo de causar
danos a si mesmo ou a outros e compulsões de verificação).
- As compulsões são realizadas para reduzir o sofrimento desencadeado pelas obsessões
ou evitar um evento temido (ex.:ficar doente) → porém, elas não estão conectadas de
forma realista ao evento temido (p. ex., organizar itens simetricamente para evitar danos a
uma pessoa amada) ou são claramente excessivas (p. ex., tomar banho durante horas
todos os dias).
- Por mais que a compulsão possa gerar alívio, elas não são executadas por prazer.
. As obsessões e compulsões devem tomar tempo (p. ex., mais de uma hora por dia) ou causar
sofrimento ou prejuízo clinicamente significativos.
- Esse critério ajuda a distinguir o transtorno dos pensamentos intrusivos ocasionais ou
comportamentos repetitivos que são comuns na população geral (ex: vericar duas vezes
se a porta está trancada).
- A frequência e a gravidade das obsessões e compulsões variam entre os indivíduos com
TOC (p. ex., alguns têm sintomas leves a moderados, passando uma a três horas por dia com
obsessões ou executando compulsões, enquanto outros têm pensamentos intrusivos ou
compulsões quase constantes que podem ser incapacitantes).
. Os indivíduos com TOC variam no grau de insight que têm quanto à exatidão das crenças
subjacentes aos seus sintomas obsessivo-compulsivos.
- insight bom ou razoável (ex.:o indivíduo acredita que a casa definitivamente não irá,
provavelmente não irá ou poderá ou não incendiar se o fogão não for verificado 30 vezes).
- insight pobre (ex.:o indivíduo acredita que a casa provavelmente irá incendiar se o fogão não
for verificado 30 vezes) → vinculado a pior evolução
- insight ausente/crenças delirantes(raro) (ex.:o indivíduo está convencido de que a casa irá
incendiar se o fogão não for verificado 30 vezes).
- Pode variar em um indivíduo durante o curso da doença.
- Até 30% dos indivíduos com TOC têm um transtorno de tique ao longo da vida.
TRANSTORNOS DISSOCIATIVOS
. São eles: transtorno dissociativo de identidade, amnésia dissociativa, transtorno de
despersonalização/desrealização, outro transtorno dissociativo especificado e transtorno
dissociativo não especificado.
. São caracterizados por perturbação e/ou descontinuidade da integração normal de consciência,
memória, identidade, emoção, percepção, representação corporal, controle motor e comportamento.
. Os sintomas dissociativos podem potencialmente perturbar todas as áreas do funcionamento
psicológico.
- são vivenciados como intrusões espontâneas na consciência e no comportamento,
acompanhadas por perdas de continuidade na experiência subjetiva (i. e., sintomas
dissociativos “positivos”, como fragmentação da identidade, despersonalização e
desrealização) e/ou incapacidade de acessar informações e de controlar funções
mentais que normalmente são de fácil acesso ou controle (i. e., sintomas dissociativos
“negativos”, como amnésia).
. São frequentemente encontrados após uma ampla variedade de experiências
psicologicamente traumáticas em crianças, adolescentes e adultos (experiências que resultam em
sequelas psicológicas).
- fatores de risco: precoce, negligência e abuso sexual, físico ou emocional por parte dos pais,
adversidades e traumas acumulados precocemente e repetidos traumas ou torturas
associados a cárcere (p. ex., experimentado por prisioneiros de guerra ou vítimas de tráco de
pessoas).
. Transtorno de despersonalização/desrealização
- caracterizado por despersonalização (i. e., experiências de irrealidade ou distanciamento da
própria mente, de si ou do corpo) e/ou desrealização (i. e., experiências de irrealidade ou
distanciamento do ambiente ao redor) clinicamente persistentes ou recorrentes.
- Essas alterações da experiência ocorrem sem que haja prejuízo ao teste de realidade.
- Não há evidências de qualquer distinção entre sintomas predominantemente de
despersonalização e predominantemente de desrealização.
- Indivíduos com esse transtorno podem ter despersonalização, desrealização ou ambos.
. Amnésia dissociativa
- É uma incapacidade de recordar informações autobiográficas incompatíveis com o
esquecimento normal.
- Esse tipo de amnésia pode ser localizada (i. e., um evento ou período de tempo), seletiva (i.
e., um aspecto específico de um evento) ou generalizada (i. e., identidade e história de vida).
- Os déficits de memória são primariamente retrógrados e frequentemente associados
com experiências traumáticas (p. ex., não lembrar da terceira série, quando o indivíduo foi
sequestrado e mantido refém).
- A maioria dos indivíduos com transtornos dissociativos inicialmente não nota sua amnésia
ou minimiza ou racionaliza os déficits → A consciência da amnésia ocorre quando eles
notam que não lembram de suas identidades ou quando as circunstâncias fazem com
que percebam a falta de informações autobiográficas importantes (p. ex., quando
descobrem evidências ou ouvem sobre eventos passados dos quais não conseguem
lembrar).
. O transtorno dissociativo de identidade
- Caracterizado pela presença de dois ou mais estados distintos de personalidade ou uma
experiência de possessão E pela presença de episódios recorrentes de amnésia.
- A fragmentação ou divisão da identidade pode variar entre contextos culturais (p. ex.,
apresentações na forma de possessões) e circunstâncias.
. Algumas pessoas com o transtorno parecem ficar excepcionalmente sensíveis aos efeitos
colaterais de medicamentos e outras sentem que as avaliações médicas e os tratamentos
foram inadequados.
. Os critérios para transtorno de sintomas somáticos parecem adequados para serem usados em
crianças e adolescentes, mas são menos estudados em jovens do que em adultos.
6. CARACTERIZAR O TRATAMENTO
MEDICAMENTOSO E NÃO MEDICAMENTOSO DAS
SÍNDROMES ANSIOSAS
CORDIOLI
TTO TAG → FÁRMACOS + PSICOTERAPIA
1ª LINHA → ISRSs, IRSNs, pregabalina e
TCC.
. Apesar dos avanços, metade dos pacientes
têm pobre resposta aos tratamentos de
primeira linha.
2ª LINHA → BZDs, ADTs, outros
antidepressivos (agomelatina, bupropiona,
IMAOs), anticonvulsivantes, buspirona,
hidroxizina, riluzol e APs.
. A escolha do fármaco deve ser
individualizada, levando-se em consideração
as características do paciente, como preferência, comorbidades, custo, acessibilidade, efeitos
colaterais e uso prévio com boa resposta e tolerância (pelo paciente ou familiares).
. Se não houver resposta em até 4-6 semanas, é improvável que o medicamento vá ser eficaz.
- Trocar por outro agente de primeira linha, por um de segunda linha ou associar
medicamentos, apesar de existirem poucas evidências para embasar tais recomendações.
. Não há consenso sobre a duração do tratamento, mas estima-se que se deva continuar a
medicação por pelo menos 12 meses após a estabilização dos sintomas, visto que a chance de
recaída é bastante alta.
. Existem poucos estudos comparando tratamentos isolados com fármacos ou psicoterapia com o
tratamento combinado → Mas, isoladamente as duas são comprovadamente eficazes entao seria
também razoável combiná-las.
. FARMACOTERAPIA
- Antidepressivos que inibem a recaptação da serotonina: a clomipramina e os ISRSs.
. A maioria dos pacientes continua apresentando sintomas residuais mesmo após uso dos
medicamentos.
. Tem remissão completa em apenas cerca de 20% dos casos.
. Também são comuns as recaídas após a suspensão.
. A eficácia também fica comprometida quando há comorbidades como tiques, transtorno
de Tourette, psicoses, transtornos da personalidade ou TB.
- É preferida naquelas situações em que existem comorbidades associadas ao TOC (p.
ex., depressão, TP, TAG), quando os sintomas obsessivo-compulsivos são muito graves
ou, ainda, quando o paciente apresenta pouco ou nenhum insight sobre o transtorno,
quando predominam convicções muito intensas e cristalizadas sobre o conteúdo das
obsessões, bem como sobre a necessidade de realizar os rituais aos quais não resiste
de modo algum.
- Ainda é a opção preferencial e talvez a única alternativa viável quando o paciente não adere
aos exercícios de exposição e prevenção de resposta da TCC
- vantagens: fácil utilização e ampla disponibilidade.
- desvantagens: Efeitos adversos, geralmente dose-dependentes e muitas vezes intoleráveis
(problemas sexuais, sonolência, cefaleia, sintomas gastrintestinais), e não aceitação por parte
de determinados pacientes.
- Seu uso eventualmente pode estar desaconselhado, como em gestantes ou em pacientes
com TB, quando pode provocar viradas maníacas.
. TCC
- Tem eficácia
- É a alternativa preferencial quando existem
contraindicações para o uso de
medicamentos, ou quando os resultados da
farmacoterapia forem insatisfatórios.
- Pode também ser preferencial quando:
1) o paciente não aceita utilizar medicamentos;
2) predominam compulsões de lavagem,
verificações, repetições ou comportamentos
evitativos que respondem bem à TCC e não
tão bem aos fármacos;
3) os sintomas não são demasiadamente
graves ou tão incapacitantes que impeçam a
realização das tarefas de exposição e
prevenção de rituais;
4) inexistem comorbidades graves associadas
(depressão, ansiedade intensa, tiques, TB,
psicoses, retardo mental);
5) o paciente tem algum ou um bom nível de
insight, está motivado a realizar a TCC e tem
condições de tolerar aumentos passageiros da ansiedade que ocorrem durante a realização
dos exercícios de exposição e prevenção de rituais;
6) existe um terapeuta com experiência em TCC do TOC.
. Recomenda-se que, sempre que possível, no tratamento do TOC, os medicamentos
antiobsessivos sejam associados à TCC.