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Felicidade na População Adulta em Estudo

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Daniel Soares
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A Felicidade enquanto experiência vivida na

população adulta.

Dissertação de Mestrado apresentada à


Universidade Católica Portuguesa para
obtenção do grau de mestre em Psicologia
Clínica e da Saúde.

Sandra Maria Pereira Dourado

Faculdade de Filosofia e Ciências Sociais


FEVEREIRO 2022
A Felicidade enquanto experiência vivida na
população adulta

Dissertação de Mestrado apresentada à


Universidade Católica Portuguesa para
obtenção do grau de mestre em Psicologia
Clínica e da Saúde.

Sandra Maria Pereira Dourado

Sob a Orientação da Profª Doutora Armanda


Paula Cunha Gonçalves
Agradecimentos

Esta dissertação implicou um contínuo e sistemático trabalho que não teria sido
possível sem a contribuição de algumas pessoas às quais quero expressar o meu sincero
agradecimento:
Um agradecimento muito sincero à minha orientadora Professora Doutora
Armanda Gonçalves, pela sua sabedoria enquanto investigadora e professora e pela
disponibilidade constante e apoio fundamental.
Aos meus amigos que me incentivaram, sempre acreditaram em mim e me
acompanharam durante este processo, apoio que foi fundamental em vários momentos e
me deram coragem para continuar.
Aos meus pais e irmã pelo apoio incondicional, por exigirem sempre o melhor de
mim e pela confiança que sempre me depositaram.

A todos o meu sincero e verdadeiro, obrigada.

i
Resumo

O objetivo principal deste estudo qualitativo é compreender a importância e o significado


da Felicidade enquanto experiência vivenciada na população adulta atendendo à
específicidade e compreensão da interpretação da forma como a população interpreta o
conceito de Felicidade, à exploração da construção do conceito a partir dos relatos, na
exploração da perceção do construto do conceito de Felicidade e nas suas implicações na
vida dos adultos. Os participantes, neste estudo, são dez adultos, residentes em Portugal,
com idades entre os trinta e os quarenta anos e entre os cinquenta e os sessenta anos, sem
perturbações cognitivas. Como técnica de recolha de dados foram utilizados um
questionário sóciodemográfico e uma entrevista individual semiestruturada. Na entrevista
todas as perguntas foram direcionadas numa tentativa de se compreender o que é a
Felicidade, a importância e significado que a mesma tem na vida de cada um. As
entrevistas decorreram através de videochamada atendendo ao confinamento obrigatório
advindo da pandemia Covid-19. Posteriormente foram criadas categorias a partir das
respostas obtidas e posteriormente foi feita uma análise comparita com os dados do
enquadramento teórico. Relativamente aos resultados, podemos inferir que é muito difícil
a obtenção de uma definição única de Felicidade, devido ao seu caráter relativo, subjetivo,
múltiplo e inconstante e pelo facto de existir uma grande pluralidade de conceitos
relativos à mesma. A Felicidade tem muitos subprodutos positivos que têm consequências
positivas para os indivíduos, famílias e comunidades. Indivíduos felizes obtêm benefícios
nos mais variados domínios da vida. Experimentam recompensas sociais maiores: mais
amigos, suporte social mais forte e interações sociais mais ricas. Há indícios de que a
Unidade e diversidade caminham juntas, desde que seja considerada e respeitada a
individualidade dos membros de uma sociedade. O Homem precisa do outro para
completar a Felicidade, pois é difícil ser feliz sozinho.

Palavras-chave: Felicidade; Bem-Estar; Emoções Positivas; Saúde Mental.

ii
Abstract

The aim of this study is to understand the importance and meaning of Happiness as an
experience lived in the adult population, given the specificity and understanding of the
interpretation of how the population interprets the concept of Happiness, exploring the
construction of the concept from the reports, in exploration of the perception of the
construct of the concept of Happiness and its implications in the lives of adults. Our
sample consists in ten adults, residing in Portugal, aged between thirty and forty years old
and between fifty and sixty years old, without cognitive disorders. A sociodemographic
questionnaire and a semi-structured individual interview were used as a data collection
technique for this qualitative study. In the interview, all questions were directed to
understand what Happiness is, as well as its importance and meaning in each one's life.
The interviews took place via video call, given the mandatory confinement arising from
the Covid-19 pandemic. Regarding the results, we can infer that it is very difficult to
obtain a single definition of Happiness, due to its relative, subjective, multiple and
inconstant character and the fact that there is a great plurality of concepts related to it.
Happiness has many positive by-products that have positive consequences for
individuals, families and communities. Happy individuals obtain benefits in the most
varied domains of life. They experience greater social rewards: more friends, stronger
social support, and richer social interactions. There are indications that Unity and
diversity go together, as long as the individuality of the members of a society is
considered and respected. Man needs the other to complete Happiness, because it is
difficult to be happy alone.

Keywords: Happiness; Well-Being; Positive Emotions; Mental Health.

iii
Índice

Agradecimentos ............................................................................................................... i

Resumo ............................................................................................................................ ii

Abstract ........................................................................................................................... iii

1. Introdução .................................................................................................................1

2. Enquadramento teórico ...........................................................................................4

2.1 Definição de Felicidade ......................................................................................... 4


2.1.1 Definição de Felicidade em vários idiomas ..................................................... 4
2.2 Perspetivas filosóficas no Ocidente acerca da Felicidade................................. 6
2.3 A Psicologia Positiva e os determinantes da Felicidade .................................. 10
2.4 Teorias acerca da Felicidade .............................................................................. 13
2.5 Várias perspetivas e estudos empírico ………………………………………. 17
2.6 A Felicidade em tempos de pandemia Covid-19 .............................................. 25
3. Metodologia.............................................................................................................27

3.1 Objetivo do estudo .............................................................................................. 27


3.2. Abordagem ......................................................................................................... 27
3.3. Participantes ...................................................................................................... 28
3.4. Instrumentos....................................................................................................... 30
3.5. Procedimentos .................................................................................................... 31
4. Resultados ...............................................................................................................35

4.1. Apresentação dos resultados ............................................................................. 35


4.2. Discussão dos resultados ................................................................................... 47
5. Conclusão ................................................................................................................55

6. Referências Bibliográficas .....................................................................................59

Anexos .............................................................................................................................74

Anexo 1. Guião de entrevista ................................................................................... 75


Anexo 2. Consentimento informado ........................................................................ 76
Anexo 3. Questionário sóciodemográfico................................................................ 78
Anexo 4. Categorização (codificação) das respostas dadas .................................. 79

iv
Índice de Tabelas

Tabela 1. Definição do termo Felicidade em diferentes países .........................................5


Tabela 2. Caracterização dos participantes......................................................................29

Índice de Figuras

Figura 1. Representações da Felicidade (Definição) .......................................................38


Figura 2. Experiências e momentos de Felicidade ..........................................................39
Figura 3. Felicidade e lazer .............................................................................................40
Figura 4. Experiências e momentos de Não Felicidade ..................................................41
Figura 5. Felicidade ao longo da vida .............................................................................42
Figura 6. Fatores de Felicidade/ InFelicidade .................................................................44
Figura 7. Procura da Felicidade .......................................................................................45
Figura 8. Implicações da Felicidade ................................................................................46
Figura 9. Impacto da sociedade na conceção e vivências de Felicidade ........................47

v
Felicidade?
Disse o mais tolo: “Felicidade não existe.”
O intelectual: “Não no sentido lato.”
O empresário: “Desde que haja lucro.”
O operário: “Sem emprego nem pensar.”
O cientista: “Ainda será encontrada.”
O místico: “Está escrito nas estrelas.”
O político: “Poder.”
A Igreja “Sem tristeza? Impossível.”

O poeta riu de todos,


E por alguns minutos…
Foi feliz!

Fernando Anitelli

vi
1. Introdução

Porventura não será exagero imaginarmos que a procura da Felicidade tem sido a
propulsão na condução do Homem na sua trajetória pelo mundo.
Desde a antiguidade, a humanidade aspira por uma vida diferente da qual
experimenta, procura algo cada vez melhor, distante daquilo que a faz sofrer, ou seja, está
à procura de uma vida feliz. Essa procura está impressa em desenhos, contos, mitos,
poemas e canções de diversos povos em diferentes idiomas e dialetos, e em distintos
momentos da História.
A Felicidade tem sido alvo de estudo em vários domínios do saber, sobretudo na
Psicologia e na Filosofia (Sirgy, 2012). Vários estudos demonstram que os indivíduos
felizes são mais satisfeitos (Diener et al., 2007) e bem-sucedidos em vários domínios da
vida (Lyubomirsky et al., 2005), que valorizam os objetivos de vida intrínsecos (Anić &
Tončić, 2013), apresentando mais características positivas e experienciando mais
emoções positivas do que negativas (Diener & Dean, 2007; Lyubomirsky et al., 2005).
Tratam-se de pessoas com maior capacidade de reagir de forma apropriada a emoções
negativas (Lyubomirsky et al., 2005) e que experienciam e reagem aos eventos e
circunstâncias de uma forma positiva e adaptativa (Diener, 1984; Lyubomirsky et al.,
2005; Sirgy, 2012).
Enquanto procura universal, o “ser-se feliz” é ensinado de acordo com as tradições
locais, adquirindo formas, história, valores, requisitos e considerações díspares mediante
a cultura local e a identidade pessoal. Deste modo, as nuances, eventuais contradições,
influências sociais e económicas no interesse do Homem são registadas a letras garrafais
ao longo da História da humanidade.
O termo Felicidade é de tal forma complexo que a sua definição oscila entre o
conceito comum (sou feliz se tiver,…) e a realidade de cada um. No entanto, é unânime
dizer-se que todos procuram e almejam ser felizes, pelo que este tema se reveste de
enorme pertinência nos conceitos filosóficos, sociológicos, comunitários, psicológicos e
até económicos (Lu & Gilmour, 2004; Veenhoven, 2012).
Mas, haverá um conceito único sobre a Felicidade que prevaleça entre as
diferentes culturas e idiomas? Será a Felicidade um lugar inatingível ou um processo a
ser vivido?

1
Este estudo procura explorar o conceito numa tentativa de o definir, na perspetiva
dos nossos participantes, procurando também compreender a importância e o significado
da Felicidade enquanto experiência vivida na população adulta, em particular nos dez
participantes deste estudo.
Admitimos que abordar um assunto, como a Felicidade, tão desejado socialmente
e confuso cientificamente requer grande esforço. Por isso, optamos por um estudo que
procura considerar as perceções de correntes filosóficas distintas (hedonia e eudaimonia)
e de conceitos psicológicos que se alicerçam nessas perspetivas (Bem-Estar Subjetivo e
Bem-Estar Psicológico). Sem dicotomizar o debate, propusemos um olhar complexo
sobre a Felicidade, que considera inclusive o estudo, em conjunto, com o conceito de
significado. Dessa forma, adotamos por perspetiva a mesma postura integradora
estabelecida por Delle Fave et al. (2011): identificar a Felicidade atribuída pelas pessoas
a diferentes domínios da vida, bem como o significado que tais domínios possuem para
as mesmas.
Para atender ao objetivo de compreender a importância e o significado da
Felicidade enquanto experiência vivenciada na população adulta, dedicamo-nos ao
levantamento e esclarecimento teórico realizado nos capítulos iniciais do trabalho. Nesse
percurso, evidenciamos a complexidade que envolve os estudos sobre Felicidade, como
os diversos termos a ela associados e a ausência de universalidade sobre o conceito de
Felicidade, uma vez que a definição pode ser alterada de acordo com o idioma. Em
seguida, mostramos como a Felicidade tem sido alvo de interesse do ser humano ao longo
da História.
Contudo, foram as correntes filosóficas sobre a Felicidade em termos de hedonia
e eudaimonia abordados na cultura grega e depois no Ocidente que posteriormente
serviram de base para os principais estudos ao longo dos tempos e para a fundamentação
dos conceitos psicológicos centrais que abordam a Felicidade.
A partir desse entendimento inicial, procuramos demonstrar que com o
aparecimento do movimento científico da Psicologia Positiva (no início deste milénio),
que considerou um olhar sobre os aspetos saudáveis do ser humano, o tema Felicidade
passou a ganhar espaço no campo da Psicologia. A expansão progressiva das
investigações e o interesse dos investigadores favoreceu, inclusive, a migração do estudo
da Felicidade para um construto mais complexo, o bem-estar (Seligman, 2011). Nesse
momento, conceitos psicológicos anteriores ao surgimento da Psicologia Positiva, como

2
o de Bem-Estar Subjetivo (Diener, 1984) e o de Bem-Estar Psicológico (Ryff, 1989)
começaram a receber mais atenção.
Esses conceitos, que possuem heranças filosóficas da hedonia (Bem-Estar
Subjetivo) e eudaimonia (Bem-Estar Psicológico), começaram a polarizar o debate sobre
Felicidade. No entanto, alguns investigadores, passaram a advogar uma perspetiva
integradora entre os diferentes conceitos.
Desta forma, percebemos que a Felicidade, entendida como um ideal harmónico
nos primórdios das sociedades e que também aparecia nas conceções filosóficas gregas
na forma de equilíbrio, cedeu espaço para as conceções hedónicas e eudaimónicas. Os
estudos de bem-estar fundamentados nessas conceções filosóficas polarizaram o debate e
passaram a definir Felicidade em termos de satisfação e prazer pessoal ou autorrealização.
Ao considerar a investigação da Felicidade articulada com o significado, a
abordagem integradora de Delle Fave et al. (2011) parece surgir como uma proposta de
conciliação entre os conceitos do bem-estar, uma vez que o estudo dos aspetos saudáveis
e positivos do ser humano pode contribuir para estratégias preventivas e protetivas quanto
a saúde e qualidade de vida das pessoas (Damásio et al., 2013).
Posteriormente, fizemos uma exploração das teorias da Felicidade, estudos
empíricos e diferentes perspetivas acerca destes. Este facto, permitiu-nos fazer uma
análise e discussão de resultados mais criteriosas e objetivas.
Após a abordagem da metodologia, na qual destacamos o objetivo do estudo, a
abordagem, processo de amostragem, instrumentos (no qual destacamos a importância da
codificação das respostas) e procedimentos utilizados nesta investigação , fizemos a nossa
apresentação de resultados e respetiva discussão.
Nesta pesquisa, de foro qualitativo, foram utilizados, como instrumento de recolha
de dados, um questionário sócio demográfico e a entrevista individual semiestruturada.
Por último será feito um estudo empírico através de entrevistas individuais
semiestruturadas com participantes adultos e serão apresentadas as conclusões.

3
2. Enquadramento teórico

2.1 Definição de Felicidade


A literatura indica-nos que nos últimos anos, a Psicologia e a Psiquiatria têm
mostrado interesse pelo estudo da Felicidade, o que representa uma mudança de
paradigma, já que ao longo de praticamente todo o século XX o foco dos estudos
manteve-se fixo nos estados afetivos patológicos (Ferraz et al., 2007).
De acordo com Pichler e colaboradores (2019), Sócrates foi o pioneiro nesta
procura, tendo colocado a seguinte questão existencial: Em que consiste a Felicidade?.
A referência filosófica mais antiga de que se dispõe sobre o tema da Felicidade é
um fragmento de um texto de Tales de Mileto que viveu entre as últimas décadas do
século VII a.C. e a primeira metade do século VI a.C. Segundo este filósofo, é feliz “quem
tem corpo são e forte, boa sorte e alma bem formada”. Vale atentar para a expressão “boa
sorte”, pois disso dependia a Felicidade na visão dos gregos mais antigos.
Para os pensadores gregos e romanos, os bens exteriores, como o dinheiro e o
culto do corpo, oferecem uma Felicidade efémera, são um meio para atingir a Felicidade.
O que gera mais Felicidade são os bens interiores, como o autoconhecimento, a realização
pessoal e social. São os bens da alma, como a prática das virtudes da coragem, moderação,
justiça amizade, sabedoria, prudência, prazer intelectual, conhecimento,
autoconhecimento, domínio de si, participação na comunidade (Pichler et al., 2019).
Desde essa altura até à atualidade, o conceito de Felicidade foi tomando novos
contornos e definições. Defende-se agora a ideia de que a Felicidade é um fenómeno
predominantemente subjetivo, ligada a traços de temperamento e postura perante a vida
e não tanto de fatores externos (Ferraz et al., 2007).

2.1.1 Definição de Felicidade em vários idiomas


Se o “ser-se feliz” é uma procura que ultrapassa fronteiras, importa sabermos o
que significa a Felicidade em diferentes idiomas, pois tal conceito pode espelhar tradições
e culturas diferentes, fenómenos de aculturação bem como diferentes formas de se ser
feliz. Assim sendo, procedemos a um levantamento das definições associadas ao conceito
que espelhamos na Tabela 1.

4
Tabela 1

Significado do termo Felicidade em diferentes países

País Termo Definição


original
Portugal Felicidade Concurso de circunstâncias que causam ventura; estado da
pessoa feliz; tendência para acontecimentos positivos ou
favoráveis; sorte; dita; bom êxito
Brasil Felicidade Acontecimento ou situação feliz ou alegre; sorte; sucesso
México Felicidad Humor caracterterizado por alegria e satisfação, condição ou
situação que permite esse humor; a Felicidade das crianças
Argentina Felicidad Estado de espírito daquele que desfruta do que deseja; satisfação;
alegria; contentamento
Itália Felicitá Tranquilidade; sentimento de estar cheio de vida e alegria plena
França Bonheur Grande alegria; condição de situação de vida de quem é feliz
Alemanha Glück Sorte; fortuna
Grécia ευτυχία Estado de euforia e satisfação que decorre da obtenção de alguns
objetivos; boa sorte

Suécia Lycka Sorte; júbilo


Noruega Lykke Bom destino; coincidência; sensação profunda e duradoura de
alegria e bem-estar
Estados Happiness Estado de bem-estar e contentamento; alegria; prosperidade; boa
Unidos fortuna
África do Happiness Sentimento de prazer ou contentamento; sorte
Sul
Nova Happiness Fortuna; comportamento agradável; ao acaso
Zelândia
Hungria Boldogság Estado emocional de total satisfação com o seu destino
Croácia Sreća Satisfação e paz plena baseada na paz interior da mente e
harmonia nos relacionamentos; circunstâncias favoráveis

Nota. Adaptado de Pereira (2017).

Pela observação da Tabela 1, é fácil perceber que a definição de Felicidade


enquanto ideia de sorte ou destino favorável é a mais frequente. Em latim felicitas provém
de felix, do verbo grego phyto, produzir, que nos dá a ideia de produtividade. Já o termo
francês bonheur vem do latim bonum augúrio, ou seja bom augúrio (bom agoiro em
português mais corriqueiro), “boa fortuna”. Em alemão, glück tem o sinónimo de fortuna
e acaso. Já em inglês, a palavra happiness é oriunda do termo irlandês happ que significa

5
sorte. Em grego, Felicidade provém de eudaimonia, proposta por Aristóteles, podendo ser
ententida como bom demónio, ou seja, um bom espírito (Lenoir, 2013).
Apesar de existir a ideia de sorte e destino favorável, verificamos que a
complexidade e dificuldade em definir um construto de Felicidade, cuja definição é em
si múltipla e diversa, representa os valores e a cultura de diferentes povos e está ancorada
na história. É, pois, importante fazermos uma exploração de trabalhos filosóficos sobre o
construto.

2.2 Perspetivas filosóficas no Ocidente acerca da Felicidade


Muitas são as pretensões ao longo dos tempos de tentar definir o que é a
Felicidade, e de encontrar a fórmula mágica para ser feliz. Apesar de muitas teorias e
estudos, é fácil perceber a complexidade do conceito não existindo nenhuma fórmula
mágica, porém é algo que todos procuram alcançar.
Desde o princípio da humanidade se acreditava que a Felicidade dependia dos
desígnios dos Deuses e que uma vida de Felicidade era algo superior ao nível humano.
Esta visão aplica-se na generalidade a todos os filósofos da antiguidade, já que todos
defendiam a ideia de que o Homem feliz era idealizado como alguém que se aproximava
dos Deuses, que ultrapassara o meramente humano, que alcançara uma forma de
transcendência de perfeição humana, um ideal imaginado de um ser completo, sem
carências, desejos ou necessidades (Camalionte & Boccalandro, 2017).
As reflexões ocidentais acerca da Felicidade iniciaram-se com os gregos, e
Sócrates foi o pioneiro a questionar o conceito de Felicidade (Pichler et al., 2019).
Em grego, Felicidade diz-se “eudaimonia”, palavra que é composta do prefixo
“eu”, que significa “bom”, e de “daimon”, “demónio”, que, para os gregos, é uma espécie
de semi-deus ou de génio, que acompanhava os seres humanos. Ser feliz era dispor de um
“bom demónio”, o que estava relacionado com a sorte de cada um. Quem tivesse um
“mau demónio” era fatalmente infeliz (Berti, 2010). Entre os séculos X a.C. e V a.C., o
pensamento grego tende a considerar os maus demónios mais frequentes do que os bons
e apresentam uma visão pessimista da existência humana. Não é por acaso que os gregos
inventaram a tragédia (Abbagnano, 2000).
Sócrates (469 - 399 a.C.) deu novo rumo à compreensão da ideia de Felicidade,
postulando que ela não se relacionava apenas com a satisfação dos desejos e necessidades
do corpo, pois, o homem não era só o corpo, mas era principalmente, a alma. Assim, a
6
Felicidade era o bem da alma que só podia ser atingido por meio de uma conduta virtuosa
e justa. Para Sócrates, sofrer uma injustiça era melhor do que praticá-la e, por isso, certo
de estar a ser justo, não se intimidou perante a condenação à morte por um tribunal
ateniense. Cercado pelos discípulos, bebeu a taça de veneno que lhe foi imposta
parecendo feliz a todos que assistiram aos seus últimos momentos de vida (Berti, 2010).
Com o surgimento da filosofia socrática inaugura-se um paradigma que propõe
que a procura para se ser feliz consistia numa tarefa de responsabilidade pessoal. Entre
os discípulos de Sócrates, Antístenes (445 - 365 a.C.) acrescentou um toque pessoal à
ideia de Felicidade do seu mestre, ao considerar que o homem feliz é o homem
autossuficiente. A ideia de autossuficiência (que, em grego, se diz “autarquia”) continuará
diretamente vinculada à de Felicidade nos setecentos anos seguintes. O maior discípulo
de Sócrates, que efetivamente levou a especulação filosófica adiante de onde a deixara
seu mestre, foi Platão (427 - 347 a.C.), que considerava que todas as coisas têm a sua
função. Assim, como a função do olho é ver e a do ouvido é ouvir, a função da alma é ser
virtuosa e justa, de modo que, exercendo a virtude e a justiça, pode obter-se a Felicidade
(Abbagnano, 2000).
Platão, considerava existirem três tipos de prazeres: os puros, os mistos e os
impuros. Estes últimos deviam ser evitados por provocarem mais sofrimento do que
prazer. Refere não serem as riquezas e os bens adquiriridos uma fonte segura de prazer,
enfatizando que o interesse apenas pelos bens materiais e pelos prazeres mistos e impuros
torna o homem infeliz. Pelo contário, postula que o homem para viver feliz deve valorizar
adequadamente os bens materiais,o prazer do corpo e os bens da alma, postulando assim
um indivíduo moderado, justo, corajoso e religioso para dar origem ao Homem
perfeitamente bom e feliz (Almeida, 2019).
A ligação entre ética e política aparece-nos vincada na obra do mais importante
discípulo de Platão, Aristóteles (384 - 322 a.C.), que dedicou um livro à questão da
Felicidade: a Ética a Nicómaco. Amigo de Platão, mas, “mais amigo da verdade”,
Aristóteles criticou o idealismo do mestre, reconhecendo a necessidade de elementos
básicos, como a boa saúde, a liberdade (em vez da escravidão) e uma boa situação
socioeconómica para alguém ser feliz (Marías, 1989).
Aristóteles seguindo a linha de Sócrates afirmou que a Felicidade é o maior
objetivo a que as pessoas aspiram na vida e para o qual tendem todas as suas ações. Os
demais objetivos almejados pela humanidade, como a beleza, a riqueza, a saúde e o

7
poder, eram somente meios para atingir a Felicidade, sendo esta última a única virtude
procurada como um bem por si mesma (Ferraz et al., 2007).
Pichler e colaboradores (2019), mencionam que para os pensadores gregos e
romanos, como Aristóteles e Séneca, os bens exteriores, como o dinheiro e o culto ao
corpo são considerados meios coadjuvantes para o alcance da Felicidade e que produzem
uma Felicidade efémera. O que gera uma Felicidade mais duradoura são os bens
interiores, os bens da alma, como a prática das virtudes da coragem, moderação, justiça,
amizade, sabedoria, prudência, prazer intelectual, conhecimento, autoconhecimento,
domínio de si, participação na comunidade, a realização pessoal e social. Para esstes
pensadores a verdadeira Felicidade é uma atividade da consciência ao valorizarem e
promoverem a tranquilidade, a paz e a imperturbabilidade do espírito, sendo estas
qualidades alcançáveis através da contemplação e meditação.
Por outro lado, a partir de uma série de raciocínios que têm como base o facto de
o homem ser um animal racional, de acordo com Aristóteles a maior virtude da nossa
“alma racional” é o exercício do pensamento. pelo que, a Felicidade chega a identificar-
se com a atividade pensante do filósofo, a qual, inclusive, aproxima o ser humano da
divindade (Csikszentmihalyi, 1990; McMahon, 2006). Sem perder de vista a aplicação
prática das suas ideias, Aristóteles considerou a política como uma extensão da ética e,
considerada também ser função do Estado criar condições para o cidadão ser feliz. O
Estado a que o filósofo tinha em mente, era a “polis” grega que estava a mudar pelo
domínio do império de Alexandre, o Grande (McMahon, 2006).
Depois de Alexandre, no mundo grego, desenvolveram-se três escolas filosóficas
que se estenderam até ao fim do Império Romano, as chamadas filosofias helenísticas.
Todas as correntes filosóficas chegaram à conclusão de que o Homem para ser feliz não
deve ser só autossuficiente, implicava também desenvolver uma atitude de indiferença,
de impassibilidade em relação a tudo ao seu redor. A Felicidade foi conotada com a
palavra “apatia”, que à época não era atribuído o sentido patológico que tem hoje (Marías,
1989).
Almeida (2019) refere que no período Helenístico esta conceção de Felicidade
continuou e Epicuro abordou o conceito de hedonismo como: não sentir dor e ter a alma
tranquila já é um prazer inestimável. Para este pensador é necessário conhecer a natureza
do mundo e do Ser Humano de forma a não se inquietar pelos acontecimentos, devendo
preservar a alma imperturbável diante dos bons ou maus acontecimentos, algo a que ele
chamou de ataraxia: a imperturbabilidade da alma.

8
Cícero também abordou o problema da Felicidade e defendeu a ideia de uma
relação entre virtude e Felicidade, ou seja, significava ser impossível para quem pratica o
mal ser feliz e, para quem pratica o bem só pode sentir Felicidade (Almeida, 2019).
Os filósofos voltaram a debruçar-se sobre o tema da Felicidade na Idade Moderna.
Na passagem dos séculos XVII para XVIII, John Locke (1632-1704) e Leibniz (1646-
1716), relacionaram a Felicidade ao prazer, um “prazer duradouro” (Marías, 1989, p. 78).
Décadas depois, o filósofo iluminista Immanuel Kant (1724-1804), na obra Crítica da
Razão Prática definiu a Felicidade como a condição do ser racional no mundo, para quem,
ao longo da vida, tudo acontece de acordo com o seu desejo e vontade (Berti, 2010). No
entanto, para Kant, a Felicidade coloca-se no âmbito do prazer e do desejo, não se
relacionava com a Ética e, portanto, não era tema de interesse à investigação filosófica.
Pela sua argumentação convincente a partir daí a Felicidade desapareceu da obra das
escolas filosóficas que o sucederam.
Mesmo assim, é de mencionar que no mundo de língua inglesa, na mesma época
de Kant, a ideia de Felicidade ganhou lugar de destaque e de procura no pensamento
político passando a ser considerada um “direito do homem”, como está consignado na
Constituição dos Estados Unidos da América, datada de 1787, e redigida sob a influência
do Iluminismo (Lunt, 2004). Com efeito, o Iluminismo, trouxe a ideia de que todo o ser
humano tem o direito a atingir a Felicidade sendo objetivo da sociedade conquistar este
sentimento (Ferraz et. al., 2007). Tal paradigma, assenta no princípio a partir do qual
procurar ser feliz é uma tarefa da responsabilidade do indivíduo e reforça a ideia de que
só a Filosofia seria o caminho que conduziria a essa condição. Reforçando esta ideia, os
ideais da Revolução Francesa estabelecem ser objetivo da sociedade a obtenção da
Felicidade (Ferraz et al., 2007; Pichler et al., 2019).
É também no âmbito da filosofia anglo-saxônica do século XX que se encontra
uma nova reflexão sobre a Felicidade. O inglês Bertrand Russell (1872-1970) na sua obra
“A conquista da Felicidade”, utilizou o método da investigação lógica para concluir que
é necessário alimentar uma multiplicidade de interesses e de relações com as coisas e com
os outros homens para ser feliz, para isso era necessário eliminar o egocentrismo (Marías,
1989). A partir de 1960 nos Estados Unidos e 1980 na Europa, particularmente na França,
a questão da Felicidade individual levanta-se novamente. Filósofos como Pierre Hadot,
Michel Foucault, André Comte-Sponville e Luc Ferry repensam a questão da Felicidade
no Ocidente (Pichler et al., 2019).

9
Mais recentemente, em 1989, o filósofo espanhol Julián Marías também dedicou
ao tema um livro notável: A Felicidade humana. Sublinha que desde a Antiguidade até
aos nossos dias a ausência da reflexão filosófica sobre a Felicidade no mundo
contemporâneo talvez seja um sintoma de o mundo andar tão infeliz (Pereira, 2017).
Em suma, para além das disparidades etimológicas e idiomáticas, o conceito de
Felicidade também se altera de acordo com o autor referenciado, podendo ser percebida
como: um fim em si mesmo (Aristóteles); baseada no prazer (Epicuro); de acordo com
a sensibilidade de cada um (Schopenhauer); a única coisa na vida que vale a pena ter
(Voltaire); oriunda das condições sociais e económicas (Marx); resultado de um
comportamento digno (Kant); resultante do processo de individuação (Jung); ou, ainda,
enquanto propósito de toda atividade do ser humano (Hume) (Lenoir, 2013).
Tendo em consideração os diversos termos associados à Felicidade e, apesar de
não ser nosso objetivo resolver os impasses conceptuais e metodológicos respeitante ao
estudo desta temática é evidente a importância de evocarmos essa existência.

2.3 A Psicologia Positiva e os determinantes da Felicidade


O interesse do ser humano por Felicidade não é algo novo e, conforme discutimos
anteriormente, estende-se pelo decurso da História com diversas explicações, tentativas
de mensuração, teorias e contradições.
Quando se aborda a temática da Felicidade é extremamente comum chegarmos a
uma conceção individual e pessoal. Para uma parte da Psicologia, embora a perceção e
definição de Felicidade seja essencialmente um fenómeno subjetivo e individual, tal não
significa que não existam influências sobre esse julgamento que possam ser estudadas de
forma empírica (Myers & Diener, 1995).
Segundo Seligman (2004), a Psicologia nos Estados Unidos em 1946 dava os
primeiros passos oferecendo um campo de atuação profissional limitado. Muitos dos
psicólogos da época eram académicos que estavam mais comprometidos com uma ciência
pura procuravam compreender as leis básicas da aprendizagem, motivação e perceção,e
não se importando muito com a aplicabilidade do conhecimento produzido. À época,
eram missões do psicólogo: curar a doença mental, tornar a vida das pessoas comuns mais
feliz, mais produtiva e mais plena e identificar e apoiar jovens com talentos excecionais.
Este era o panorama da Psicologia no término da 2.ª Grande Guerra Mundial. De
acordo com Graziano (2005), com o fim dos combates militares os Estados Unidos
tiveram outra batalha difícil em ajudarem os veteranos de guerra a superar os seus traumas
10
psicológicos. A procura por tratamento foi enorme e os psiquiatras foram insuficientes
para dar resposta a tanta procura. Além disso, o tratamento baseado essencialmente na
psicanálise clássica, ao incluir várias sessões semanais e a um custo bastante alto, tornava
o tratamento elitista. Advinda desta necessidade, o Veterans Administration Act de 1946,
ofereceu bolsas de estudos, a nível de pós-graduação, a muitos psicólogos que juntamente
com os psiquiatras permitiu a sua qualificação para tratarem clinicamente os veteranos de
guerra. Seligman (2004) afirma que desse tratamento ao atendimento de outros tipos de
pacientes, foi um ápice, dando origem a que esses psicólogos fossem remunerados pelas
companhias de seguro, o que motivou um género de elite dentro da própria profissão: a
dos psicólogos clínicos (ou psicoterapeutas). Esta nova vertente de Psicologia provocou
enormes evoluções quer para a compreensão quer para o tratamento das doenças mentais.
Contudo, o alívio dos traumas levou progressivamente a desvanecer a preocupação com
os acontecimentos felizes (Graziano, 2005).
Considerando o que já referimos anteriormente, Pereira (2017) refere que a
Psicologia Positiva surge como um movimento de investigação que se dispõe a estudar
o que existe de saudável no Homem. Tendo o seu início nos Estados Unidos no ano
2000, expandiu-se rapidamente para outros países e continentes, essencialmente por
dois motivos: por ser a primeira abordagem da Psicologia nascida num mundo
globalizado, e porque a edição da revista científica que deu início a este movimento
teve a participação de vários investigadores oriundos de diferentes países. Este novo
domínio específico da psicologia veio posicionar-se no quadrante da compreensão e
otimização da excelência humana, no desenvolvimento das forças e virtudes, invertendo
desta forma, o foco da intervenção e estudo centrado nas fraquezas, reparação do mal ou
evitamento das patologias (Sheldon & King, 2001).
De acordo com Ferraz et al. (2007), o interesse pelo estudo da Felicidade,
representa uma mudança de paradigma, já que ao longo do século XX o foco dos estudos
manteve-se fixo nos estados afetivos patológicos, em que os psiquiatras conhecem
bastante bem as características biomédicas das pessoas infelizes, mas quase nada
conhecem a respeito das pessoas felizes. No entanto, Pereira (2017) salienta que a
psiquiatria parece bem-sucedida na diminuição do mal-estar das pessoas, mas não
necessariamente em aumentar o seu bem-estar, porque ao focar apenas a intervenção na
doença mental, invalida a não compreensão e o desenvolvimento da saúde mental.
Um dos principais princípios da Psicologia Positiva é o estudo da experiência
positiva em si, ou seja, é uma tentativa de responder à questão: o que faz um momento

11
melhor do que o outro? Para Kahneman (1999), é a qualidade hedónica de uma
experiência vigente; para Diener (2000), o bem-estar subjetivo; para Massimini e Delle
Fave (2013), a experiência óptima; Peterson (2000), defende o optimismo; e Myers
(2000) refere que a resposta está na Felicidade. Ainda no que diz respeito à experiência
positiva e à questão atrás levantada (princípios da Psicologia Positiva), Ryan e Deci
(2000) expandiram o estudo sobre autodeterminação e a relação com o bem-estar,
enquanto Taylor et al. (2000) objetivaram as relações entre emoções positivas e saúde
física. Na base destes estudos, os investigadores visavam compreender a importância para
os momentos de Felicidade e o que distingue as pessoas felizes das infelizes.
Outra das principais bases da Psicologia Positiva é o estudo da personalidade
positiva. A base comum deste tema é a perceção dos seres humanos enquanto seres
auto-organizados, auto-orientados e adaptáveis. Ryan e Deci (2000) concentraram-se
na autodeterminação, Baltes e Staudinger (2000) na sabedoria e Vailant (2000) nas
defesas maduras. Lubinski e Benbow (2000), Simonton (2000), Winner (2000) e
Larson (2000) deram ênfase ao desempenho excecional, como, por exemplo, a
criatividade e os talentos.
A terceira base da Psicologia Positiva é o estudo das instituições positivas,
partindo da premissa de que todas as pessoas fazem parte de um contexto social, em
estruturas que as ultrapassam (família, comunidades, educação e redes de segurança
económica). Sobre os estudos que compõem este item, enquanto Buss (2000), Massimini
e Delle Fave (2013) investigam o meio evolutivo que molda a experiência humana
positiva e Myers (2000) descreve as contribuições das relações sociais para a Felicidade,
Schwartz (2000) reflete sobre as normas culturais e a sua necessidade para ajudar as
pessoas nas suas escolhas, algo a que denomina como “tirania da liberdade”, Larson
(2000) aponta a importância do trabalho voluntário no desenvolvimento dos jovens e
Winner (2000) aborda alguns apontamentos sobre os efeitos do desenvolvimento dos
sobredotados nas famílias.
Deste modo, investigar a Felicidade enquanto bem-estar subjetivo de alguém, de
um grupo de pessoas, país e população mundial é algo possível no caso de se utilizar um
adequado instrumento de pesquisa.
Os estudos sobre a Felicidade proliferaram na área da saúde e da Psicologia
Positiva e centraram-se na descoberta de comportamentos que contribuíram para a
obtenção da Felicidade. Com estes estudos, surgiram novos conceitos como a promoção
da saúde, a qualidade de vida, e a prevenção das perturbações mentais (Evensen et al.,

12
2019).
O campo da Psicologia Positiva tem estudado os atributos e os traços que
constituem forças psicológicas e qualidades individuais e colectivas, que dão sentido à
vida, e através dos quais os seres humanos experimentam mais e maiores oportunidades
para crescimento e satisfação (Giacalone et al., 2005).
Alguns autores referem que a Felicidade é um fenómeno predominantemente
subjetivo que está associada a traços de temperamento e postura perante a vida e que não
depende de fatores externos. Assim, a questão da Felicidade passa a ser do interesse da
Psiquiatria e da Psicologia, expandindo os horizontes para além do mero alívio dos
sintomas mentais (Ferraz et al., 2007).
Passou a defender-se a ideia de que a Felicidade é uma emoção básica
caracterizada por um estado emocional positivo, com sentimentos de bem-estar e de
prazer, que estão associados à perceção de sucesso e à compreensão coerente e lúcida do
mundo (Ferraz et al., 2007; Seabra et al., 2018).
Na opinão de Seligman (2011), a Felicidade é totalmente subjetiva. Realçando
ainda que o bem-estar pode ser medido de forma mais objectiva, ao contrário da
Felicidade. Por ser totalmente subjetiva, a Felicidade é composta por sentimentos, como
prazer, entusiasmo, êxtase, calor, conforto e sensações afins e por isso considerada o
elemento hedónico da teoria. A emoção positiva é definida nesta teoria, como a “vida
agradável”, ou seja, o que as pessoas entendem e descrevem como Felicidade e satisfação
com a vida.

2.4 Teorias acerca da Felicidade


São propostos modelos teóricos e avaliativos relativos ao estudo da Felicidade.
Alguns partem da individualidade e a Felicidade é uma meta pessoal a ser alcançada.
Outros defendem uma perspetiva relacional (Diener et al., 2017; Seligman, 2019). Neste
contexto a Psicologia Positiva, considera dois modelos de Felicidade: o hedónico e o
eudemónico. O hedónico, segue uma corrente filosófica que tem como base uma boa vida
derivada da experiência máxima do prazer e mínima da dor, aqui a Felicidade é concebida
como a totalidade dos momentos hedónicos vivenciados pela pessoa. Este modelo
centrou-se nas emoções positivas e na redução dos afetos negativos, onde se insere o
conceito de bem-estar subjetivo, uma medida que abrange uma avaliação global sobre a
vida a partir de dois componentes: a satisfação de vida (dimensão cognitiva) e os afetos
(dimensão emocional) (Camalionte & Boccalandro, 2017).
13
Por outro lado, o modelo eudemónico parte da ideia de que a Felicidade está
relacionada a um significado de vida e aos sentimentos evocados quando a pessoa se
move em direção à autorrealização e aos seus propósitos de vida. Nesta abordagem, está
ancorado o conceito de bem-estar psicológico, que envolve uma perspetiva
desenvolvimental, a superação dos desafios existenciais de vida, e a consideração das
seguintes dimensões psicológicas: autoaceitação, relações positivas com os outros,
autonomia, domínio do meio, propósito de vida, e crescimento pessoal (Reppold et al.,
2019).
Ambos os modelos (Hedónico e Eudemónico) referem-se a Felicidades não
hierarquizáveis, mas interdependentes, com elementos de universalidade, e
circunstanciais. Ou seja, com aspetos comuns em múltiplas culturas, mas também
afetados pelo contexto e momento histórico. Todas estas Felicidades sublinham a
complexidade do conceito (Reppold et al., 2019).
As críticas a estes modelos (Hedónico e Eudaimónico) destacam também que a
Felicidade não pode ser pensada como uma meta egocêntrica e que as intervenções
deveriam estar mais voltadas para a conjuntura económica, política e social do contexto
de vida de cada indivíduo e às necessidades do coletivo (Neto & Marújo, 2019; Reppold
et al., 2019; White, 2017). Neste sentido Seligman (2019) também aponta criticas e refere
que o que se observa na prática das intervenções realizadas é, muitas vezes, uma
abordagem ainda autocentrada e não integradora das emoções (positivas vs negativas).
Neste âmbito, a Psicologia Positiva sofreu consistentes críticas, nomeadamente,
quanto ao desenvolver práticas centradas para um público específico, por exemplo, para
pessoas com acesso à educação e com mais habilidades quanto ao pensamento abstrato,
à metacognição e à capacidade de planeamento (Reppold et al., 2019).
No campo da Psicologia, a Felicidade é frequentemente enquadrada no construto
de bem-estar. Um dos conceitos frequentemente utilizados é o de Felicidade como bem-
estar subjetivo (Diener, 1984, 1994; Diener et al., 1999). No entanto, esta definição não
é hegemónica e encontra divergência, por exemplo, no conceito de bem-estar psicológico
(Ryff, 1989; Ryff & Keyes, 1995).
De acordo com Diener (2009), quando se abordam conceitos no campo da
Psicologia, as eventuais ambiguidades podem comprometer a credibilidade dos estudos
sobre Felicidade. Além disso, tais percepções partem do pressuposto de que a palavra
“Felicidade” possui um entendimento universal por parte das pessoas, ou seja, um
mesmo significado em diferentes idiomas e lugares ao redor do mundo (Berti, 2010),

14
porém, tal não acontece, conforme já referenciado anteriormente.
A procura pela Felicidade tornou-se num tema central numa sociedade
globalizada. As pessoas não estão apenas preocupadas com a questão de saber se as suas
necessidades básicas são atendidas, mas também querem saber se vivem uma vida feliz
(Berti, 2010).
Constata-se uma obsessão pela forma de como ser feliz, que é refletida pelo
crescimento de livros de autoajuda vendidos em todo o mundo. Esta procura é uma
preocupação crescente da população em geral e os psicólogos também se têm mostrado
cada vez mais produtivos no estudo das principais características deste fenómeno
(Marías, 1989). Os cientistas já apresentaram evidências que se trata de um mal-
entendido pensar que a procura da Felicidade é simplesmente uma preocupação
burguesa, uma expressão de egocentrismo, ou um fator irrelevante para a adaptação
psicológica e o desenvolvimento pessoal. Pelo contrário, um crescente corpo de
evidências mostra que a capacidade de ser feliz e satisfeito com a vida é um critério
central de saúde mental positiva e adaptação social (Hubert & Meijers, 2019).
A Felicidade tem muitos subprodutos positivos com consequências positivas para
os indivíduos, famílias e comunidades. Indivíduos felizes usufruem de benefícios nos
mais variados domínios da vida. Também experimentam recompensas sociais maiores:
mais amigos, suporte social mais forte e interações sociais mais ricas. Há indícios ainda
de que a Felicidade está associada a elevados resultados de trabalho: aumento da
produtividade e criatividade, mais atividade e fluxo, maior qualidade de trabalho e maior
rendimento. Além disso, a Felicidade pode ser parte integrante da saúde mental e física.
Pessoas felizes são mais propensas a evidenciar maior autocontrolo, ter um sistema
imunológico reforçado e até mesmo a viver uma vida mais longa (Diener et al., 2009;
Lyubomirsky et al., 2005).
Para além dos benefícios da Felicidade ou bem-estar subjetivo (os termos são
frequentemente usados como sinónimos no Modelo Hedónico) há outra questão que se
coloca: Como pode a Felicidade ser aumentada e depois sustentada? Lyubomirsky et al.
(2005) propuseram um modelo parcialmente otimista como resposta ao pessimismo
prevalecente originado pelos fatores conhecidos do determinismo genético e adaptação
hedónica (a tendência observada de voltar rapidamente a um nível relativamente estável
de Felicidade ou inFelicidade apesar de grandes eventos positivos ou negativos ou
mudanças de vida, um fenómeno também conhecido como a “esteira hedónica”). Existe
algum espaço para aumentar a Felicidade de alguém além da estabilização da natureza

15
desses determinantes? Lyubomirsky et al. (2005) apresentaram o seu modelo intitulado
“a arquitetura da Felicidade sustentável”, onde propuseram que o nível de Felicidade
crónica de uma pessoa depende de três fatores principais: um nível de Felicidade
determinado geneticamente; factores circunstanciais relevantes para a Felicidade; e
atividades e práticas relevantes para a Felicidade. O nível básico é determinado
geneticamente e é considerado fixo, estável ao longo do tempo e imune à influência ou
controlo. Os fatores circunstanciais referem-se à história pessoal do indivíduo, ou seja,
eventos de vida que afetam a Felicidade de alguém, como uma infância com traumas, um
acidente automobilístico ou variáveis de status de vida (eg., saúde, rendimento, estado
civil, segurança no emprego, afiliação religiosa). O terceiro fator são as atividades e
práticas, e são, segundo os autores, o meio mais promissor de alterar o nível de Felicidade
da pessoa. Uma das distinções críticas entre a categoria de atividade e a categoria das
circunstâncias da vida é que as circunstâncias acontecem às pessoas, enquanto as
atividades são formas de agir de acordo com as suas circunstâncias. Alguns tipos de
atividades comportamentais, como exercícios regulares ou tentar ser gentil com os outros,
estão associados a um bem-estar maior. Alguns tipos de atividades cognitivas, como
reenquadramento de situações numa perspetiva mais positiva e tipos específicos de
atividade volitiva, como a procura por objetivos pessoais importantes, potenciam o
aumento dos níveis de Felicidade.
Levando em consideração as evidências, Lyubomirsk et al. (2005) declaram que
a genética responde aproximadamente a 50% da variação da Felicidade; as circunstâncias,
aproximadamente a 10%, e a atividade intencional aos 40% restantes. Considerando estas
percentagens sugerem que as atividades intencionais oferecem assim um caminho
possível para aumentos mais duradouros da Felicidade para além dos determinantes
básicos. Por outras palavras, mudar os esforços volitivos de alguém pode ter um potencial
aumento da Felicidade semelhante ao provável papel da genética e, aparentemente, muito
maior do que a influência das circunstâncias. O efeito de aumento da Felicidade das
atividades intencionais foram o cerne do estudo destes autores que com base em teorias,
métodos e trabalhos empíricos contribuíram para a compreensão de alguns mecanismos
básicos sobre o aumento da Felicidade e ao mesmo tempo fornecer orientações práticas
para alcançar esta meta.
A maioria das contribuições para esta questão foram inspiradas pela Teoria do Self
Dialógico, que segundo Hermans et al. (2010) concetuam o self como uma multiplicidade
relativamente dinâmica de posições do EU autónomas na sociedade da mente. Esta teoria

16
é particularmente adequada para o estudo das atividades intencionais, ao considerar a
variedade de práticas volitivas em que a pessoa se envolve como originários de posições
do EU intencionais relativamente independentes. De acordo com esta teoria, é importante
o conteúdo das diferentes posições do EU (eg., eu ser obsecado por desporto, eu ser um
colega prestativo, eu querer ser médico) para a saúde mental, mas também é relevante a
forma como estão organizadas como partes de um self dinâmico, incluindo o papel de
pessoas significativas como posições do eu internalizadas no self. Além disso, esta teoria
contribuiu para uma diversidade de métodos e procedimentos práticos para a estimulação
de processos de aprendizagem em educação (Meijers & Hermans, 2017) e para a
reorganização do self em psicoterapia (Konopka et al., 2018).
Para Torka (2017) a honestidade para com nós mesmos e para com os outros é
uma pré-condição para a Felicidade genuína. Argumenta que a Felicidade genuína é
impossível sem uma preocupação autêntica com o bem-estar dos outros. Considera a
honestidade uma virtude distinta e universal que contribui para a autêntica realização dos
próprios, dos outros e também do bem comum, daí a importância da honestidade bem
como do bom ambiente serem vitais nos profissionais quer em contexto educacional ou
outro, sendo que a incorporação de outros ao self ressalta num self democrático.
Os autores, Łysiak e Puchalska-Wasyl (2020), defendem a ideia de que o self tem
a capacidade de se mover imaginativamente para um ponto futuro no tempo e então falar
consigo sobre o sentido do que se está a fazer na situação presente. Com base nesta
proposição, convidam os pacientes a se envolverem em diálogos entre as suas posições
futuras do EU e presentes e entre as suas posições passadas e presentes do Eu.
Apresentaram dados que demonstraram que tais diálogos têm funções adaptativas
particulares, como fornecer mensagens de apoio para si mesmo, redefinindo o passado e
distanciando-se das experiências atuais.
Contributos de autores como Lehmann et al. (2018) explicam a procura humana
da “eudaimonia” envolvendo a procura do silêncio interior. Os autores sugerem que a
consciência dinâmica das diferentes posições do EU pode capacitar a pessoa a sentir mais
liberdade sobre os pensamentos, sentimentos e ações. A prática do silêncio interior pode
também promover a experiência de diálogos genuínos com os outros ou com nós mesmos.

2.5 Várias perspetivas e estudos empíricos


No que diz respeito aos aspetos sociodemográficos, Ingleman e Klingermann
(2000) realizaram um grande estudo com os países da União Europeia entre os anos de
17
1973 e 1998. Os resultaram demonstraram que ano após ano a população dinamarquesa
tinha cinco vezes mais probabilidade de se considerar muito satisfeita comparativamente
com a população italiana e francesa e 12 vezes mais se comparados com a população
portuguesa. Os autores concluíram que nações mais ricas costumam ter índices de
Felicidade mais altos do que as nações mais pobres.
Em contraponto, Kahneman et al. (2006) demonstraram no seu estudo que
pessoas com poder aquisitivo acima da média não são mais felizes do que as restantes.
Referiram igualmente que indivíduos com maior poder aquisitivo apresentavam-se mais
tensos e não tinham tempo para as atividades prazerosas. Na mesma linha de investigação,
numa amostra de indivíduos ricos (lista publicada na revista Forbes) Diener et al. (2002),
avaliaram os níveis de Felicidade, satisfação com a vida, afetos positivos e negativos. Os
autores concluíram existir apenas um pequeno aumento nos níveis de bem-estar quando
comparados com a restante população, existindo até 37% dos participantes intervenientes
no estudo que indicaram serem menos felizes do que a média.
Em 2000, Salovey et al. realizaram uma investigação em que concluíram que há
muito conhecimento relativamente ao aos estados psicológicos negativos afetarem a
saúde física comparativamente com o conhecimento sobre os estados psicológicos
positivos. Ainda assim, os autores avançam com a ideia de que a substituição das emoções
negativas pelas emoções positivas pode ter um efeito preventivo e terapêutico.
No que diz respeito à idade como determinante da Felicidade, Inglehart (1990),
analisou seis faixas etárias, e obteve níveis de satisfação com a vida idênticos para todas
as idades.
Relativamente ao género, Haring et al. (1984) realizaram uma grande investigação
constituída por 146 estudos em que salientam que o género não é relevante em termos de
níveis de satisfação com a vida, já que a taxa de variação entre os dois sexos é de apenas
1%.
Haring-Hidore et al. (1985), através de uma grande análise de 58 estudos
concretizados nos Estados Unidos concluíram que o estado civil não é uma variável
sociodemográfica que conduz à Felicidade. No entanto, Watson (2000) refere que entre
pessoas muito felizes, há uma maior representação de pessoas casadas o que sugere que
o casamento promove a Felicidade.
Outras pesquisas indicaram que a presença de filhos, apontam para um efeito nulo
ou bastante negativo nos níveis de bem-estar, aferindo-se que os filhos tendem a funcionar
como um fator de stresse da relação conjugal (Diener, 1984; Myers & Diener, 1995).

18
Satterfield (2001) e Diener et al. (1995) referem nos seus estudos, que a
atratividade física está diretamente correlacionada com a Felicidade, já que a atratividade
física foi responsável por uma pequena variância nos níveis de satisfação com a vida,
afetos positivos e negativos das suas amostras.
As investigações de Argyle (1987), Myers e Diener (1995) e Moreira-Almeida et
al. (2006) indicaram que as pessoas religiosas ou espiritualistas tendem a apresentar
maiores índices de Felicidade e satisfação com a vida. Acredita-se que a espiritualidade
confere um sentido e um propósito para as vidas das pessoas, respondendo a uma série de
questionamentos existenciais que levam à angústia e à inFelicidade. É também referido
que ao participarem de ritos em que há uma congregação de fiéis, os religiosos sentem-
se menos solitários, logo mais felizes (Levin et al., 2005).
Brickman et al. (1978) referiram no seu estudo que as pessoas reagem
intensamente a eventos bons ou maus, adaptando-se rapidamente, voltando para um nível
de Felicidade relativamente estável e semelhante ao que era anteriormente.
Numa investigação realizada com 222 estudantes universitários divididos em três
grupos: muito felizes, Felicidade média e infelizes em que utilizaram diferentes escalas
de Felicidade, Diener e Seligman (2002) chegaram à conclusão que o grupo de pessoas
muito felizes recordavam-se de muitos mais momentos positivos do que negativos nas
suas vidas, relataram mais emoções positivas do que negativas no seu quotidiano, nunca
tinham pensado em suicídio, passavam pouco tempo sozinhas, e socializavam bastante.
Os autores deduziram que pessoas muito felizes têm a capacidade de sentir o humor mais
alto quando estão em boas situações,e reagem de forma negativa quando ocorre algo mau,
adaptando-se bem às diferentes situações. No mesmo estudo foi também avaliada a
correlação entre personalidade e Felicidade, tendo os autores comprovado que traços de
extroversão e autoestima estão relacionados com maiores índices de Felicidade e o
neuroticismo a níveis menores.
Em 1988, Tellegen et al. estudaram gémeos separados à nascença, tendo concluído
que metade da variância do bem-estar subjetivo era explicada por fatores herdados
geneticamente, como o feitio.
Cloninger (2006), no seu estudo, apresentou evidências demonstrando que altos
níveis dos componentes do caráter (autodirecionamento, cooperatividade e
autotranscendência) se correlacionam com maior frequência de emoções positivas e
menor frequência de emoções negativas.

19
Ryan e Deci (2000) estudaram a autodeterminação na Psicologia Positiva. Estes
autores consideram que o desenvolvimento social e o bem-estar subjetivo de um
indivíduo são otimizados quando há necessidade de competência, necessidade de
pertença e necessidade de autonomia. Ou seja, pessoas com essas necessidades supridas
estão internamente mais motivadas, sendo capazes de expressar as suas potencialidades e
de perseguir desafios cada vez maiores.
Satterfield (2001) verificou que quem dá mais valor ao dinheiro e ao sucesso
profissional ao invés ter amigos próximos ou um bom casamento tem menores índices
de Felicidade. Já Larson (2000) na sua investigação constatou que o tédio, a alienação e
a falta de conexão com atividades conduzem crianças e adolescentes a níveis muito baixos
de Felicidade, surgerindo que seria extremamente útil o seu envolvimento com as artes e
o desporto de forma a terem maior motivação para atividades mais prazerosas.
Csikszentmihalyi, em 1990, criou o conceito de flow. Chegou a este conceito
através de um grande números de entrevistas qualitativas efectuadas a pessoas “ditas”
mais felizes para descreverem as suas experiências e perceções. A palavra flow (fluxo em
português) expressa um estado mental operacional em que o indivíduo está totalmente
imerso e concentrado no que está a fazer, obtem sucesso na atividade desenvolvida o que
proporciona grande prazer. O autor acredita que flow é uma forma de optimal experience
(experiência ótima), ou seja, é uma vivência de funcionamento mental e psicológico
ótimo.
Seligman (2004) estudou a entrega, isto é, o entregar-se totalmente a uma
atividade. O autor chegou à conclusão que pessoas que experimentam sensações de flow
(fluxo) ao corresponderem aos desafios e às habilidades com as tarefas da vida tendem a
ser muito felizes (Camalionte & Boccalandro, 2017).
Através de três grandes amostras de adultos que foram estudadas durante décadas,
Vaillant (2000) investigou a Felicidade enquanto traço. Para tal, criou uma escala de
funcionamento defensivo, capaz de avaliar diferentes defesas psicológicas, tendo chegado
à conclusão de que o desenvolvimento de defesas de maturidade (tais como altruísmo, a
sublimação, humor e antecipação) assumem grande importância na manutenção de uma
vida alegre, feliz e de sucesso.
Watson (2000) estudou a relação entre a Felicidade e a psicopatologia, referindo
que altos níveis de afetos negativos estão intimamente relacionados com a psicopatologia,
sendo um fator de suscetibilidade inespecífico. Por sua vez, baixos índices de afetos

20
positivos parecem estar relacionados com perturbações de humor, particularmente, a
depressão melancólica.
Os estudos empíricos têm vindo a demonstrar que a relação entre eventos externos
e o bem-estar é pequena (Brickman et al., 1978; Scheier et al., 1986; Scheier et al., 2001;
Kahneman et al., 2006). Este facto é semelhante ao que diziam filósofos da Antiguidade,
como Demócrito e Epiteto, ou seja, não é o que acontece com o indivíduo que pode deixá-
lo feliz, mas sim a maneira como ele interpreta esses acontecimentos.
Um dos aspetos que contribui para a interpretação da realidade pelo indivíduo é o
otimismo (Ferraz et al., 2007). Seligman e Csikszentmihalyi (2000) referem no seu estudo
que existe um otimismo circunstancial e um otimismo mais generalizado. Este segundo
tipo de otimismo é especialmente estudado pela Psicologia Positiva já que os
investigadores acreditam que é o otimismo que conduz ao sucesso.
Através da sua investigação, Peterson (2000) considerou que o otimismo tem
componentes cognitivos, emocionais e motivacionais. Observou que pessoas que
explicam eventos negativos como externos à sua pessoa, instáveis e específicos,
normalmente apresentam melhor humor, mais perseverança e mais motivação, além de
obterem maior sucesso e terem melhores condições de saúde. Ainda nesta linha de
pensamento, Taylor et al. (2000) realizaram um estudo que concluiu que acreditar no
otimismo pode proteger o indivíduo contra determinadas doenças. Estes investigadores
explicaram que o efeito positivo do otimismo é inicialmente intermediado por
mecanismos cognitivos. Sabe-se também que uma atitude otimista pode levar a um maior
suporte social relativamente ao doente, e desta forma ficar mais amparado para enfrentar
as adversidades da doença (Ferraz et al., 2007).
Outras investigações revelaram a existência de uma relação entre otimismo e o
aumento do bem-estar subjetivo (Khoo & Bishop, 1997; Scheier et al., 1989); aumento
da autoestima (Dunn, 1996); baixo índice de depressão (Carver & Gaines, 1987; Marshall
& Lang, 1990), baixo índice de emoções negativas (Curbow et al., 1993; King et al.,
1998); alto índice de satisfação com a vida (Chang, 1998); boa saúde (Scheier et al.,
1999); menor taxa de mortalidade associada a cancro (Schulz et al., 1996); e melhor
qualidade de vida (Wrosch & Scheier, 2003).
Uma outra linha de investigação, pesquisou questões relacionadas com a
resiliência (Ferraz et al., 2007). Werner e Smith (1992), realizaram um estudo
longitudinal no Havai com mais de 500 pessoas durante três décadas de vida,
acompanhando-as desde o nascimento até à idade adulta. Muitas das pessoas estudadas

21
foram sujeitas a grandes situações despoletadoras de stresse, tais como pobreza extrema,
dissolução da rede familiar, situações de abuso, fome e alcoolismo. Apesar disso, uma
parte da amostra foi capaz de superar as dificuldades, ficando até mais fortalecida
mediante as adversidades. Estes autores referem que mais do que uma condição genética
específica ou de condições cognitivas favoráveis, as pessoas resilientes contaram com o
apoio total de algum adulto significativo, familiar ou outro durante o seu desenvolvimento
(Werner & Smith, 1992).
Outro aspecto psicológico relacionado com índices mais elevados de Felicidade é
a gratidão (Ferraz et al., 2007). Vários estudos revelaram que pessoas que reportam maior
gratidão têm maiores índices de afetos positivos, bem-estar e Felicidade (Mc-Cullough et
al., 2002; McCullough et al., 2004; Emmons & McCullough, 2003).
Huppert e Whittington (2003) concluíram com a sua investigação, que o bem-estar
positivo e o bem-estar negativo podem não estar em oposição. Deste modo, podemos
estar num estado neutro, ao não sentir nem bem nem mal-estar, bem como, podemos
experimentar emoções positivas e negativas simultaneamente. Estes autores revelam
ainda que a morbidade e a mortalidade estão mais associadas à ausência de emoções
positivas do que à presença de emoções negativas.
Com o objetivo de descrever e refletir as possíveis relações estabelecidas por
pessoas idosas entre Felicidade e dinheiro, Pichler et al. (2019), realizaram uma
investigação qualitativa, descritiva e exploratória em que utilizaram a entrevista
semiestruturada com 19 pessoas idosas nos anos de 2017 e 2018 numa região do Sul de
Brasil. Os dados analisados através da análise de conteúdo, indicaram que os
participantes, percecionaram que o dinheiro é um meio para viver bem e ser feliz, no
entanto, não foi considerado o objetivo maior das suas vidas. Embora o dinheiro não seja
promotor de Felicidade, não obstante, pode contribuir pela busca da paz, da tranquilidade,
e da satisfação interior.
Den Elzen (2019), interessou-se pela questão de como a Felicidade e o bem-estar
podem ser alcançados perante adversidades extremas, como deficiência severa e
múltiplas perdas. Para isso, realizou leituras autobiográficas de pessoas que enfrentaram
grandes adversidades. Depois de analisar os textos autobiográficos dos diversos autores
defensores da perspetiva da Teoria do Self Dialógico, permitiu perceber como essas
pessoas encontraram coragem interior deram respostas positivas às suas tragédias. Esta
investigação mostrou que o self dialógico é capaz de se renovar diante de adversidades

22
extremas para criar Felicidade duradoura e bem-estar por meio do processo de inovação
e posições contíguas.
Já a psicoterapeuta Gkantona (2019) apresentou o chamado Modelo de Palco
Dialógico, derivado da Teoria Dialógica do Self, como um procedimento para evocar
emoções positivas em respostas às emoções negativas, como tristeza, culpa, medo ou
raiva. Relações dialógicas entre as emoções são facilitadas com o propósito de criar
espaço no self para o surgimento de emoções positivas, emoções de Felicidade, esperança,
bondade, intimidade e amor. Este método requer que o terapeuta e o cliente estejam
totalmente presentes no momento como uma pessoa viva incorporada e abrangente.
Autores como Redekopp e Huston (2020) interessaram-se pelo trabalho como um
fator significativo para a saúde mental e de bem-estar. Fizeram um grande estudo
qualitativo, chegando à conclusão de que os processos de desenvolvimento de carreira
podem ser úteis para encontrar a gestão de trajetórias de trabalho. As evidências
mostraram existir interação entre as relações no trabalho, progressão na carreira, saúde
mental e doença mental. Os dados forneceram ainda evidências para a importância de
aconselhamento e intervenção de orientação, mudanças organizacionais e orientações
políticas com vista a sugestões para melhorar o bem-estar através de procedimentos do
desenvolvimento da carreira. Foi possível inferir que o trabalho é outro determinante
importante para a Felicidade.
O trabalho tornou-se parte indispensável da vida das pessoas e a procura pelos
bens de consumo aumentou como nunca (McMahon, 2009). Camalionte e Bocalandro
(2017), através do seu estudo a que denominaram: A Felicidade e o bem-estar na
Psicologia Positiva. Através da análise quantitativa da amostra os investigadores
concluíram que o poder aquisitivo não é um determinante tão poderoso na Felicidade das
pessoas. Apesar de existir uma correlação entre Felicidade e a prosperidade material,
porém, após atingir uma determinada quantidade de riqueza, esta deixa de ser um fator
significativo.
A este propósito, o estudo de Hausen (2019) observou que na cultura
contemporânea é natural pensar que comprar e possuir certos bens origina Felicidade. No
entanto, e em contraste, existem diversas linhas de pesquisas a demonstrarem que estilos
de vida de alto consumo e o materialismo não devem ser considerados caminhos
confiáveis para o bem-estar. Como alternativa viável para a procura de Felicidade, a
autora propõe o minimalismo como uma forma de encontrar a Felicidade em estilos de
vida materialmente mais simples. A autora conseguiu demonstrar que a transição de um

23
estilo de vida materialista para um minimalista pode beneficiar com o reconhecimento do
self movendo-se entre posições múltiplas e relativamente autónomas.
O artigo de Plumb et al. (2019) tem enfoque no suporte empírico para a
Psicoterapia Positiva Focado no Objetivo (GFPP). A abordagem do GFPP emerge da
pesquisa em Psicologia Positiva e social e é informada pela pesquisa em psicoterapia a
partir dos modelos comuns e contextuais. A abordagem dá ênfase aos fatores
idiossincráticos do cliente e multiculturalmente sintonizados, particularmente nos pontos
fortes e objetivos com o intuito de aumentar o bem-estar subjetivo e facilitar a experiência
de uma vida significativa e satisfatória. Em vez de tratar défices, sintomas ou traumas do
cliente, o método concentra-se em procedimentos para melhorar o bem-estar do cliente.
Como conclusões os autores mencionam que o bem-estar aprimorado do cliente fornece
recursos mais robustos e abundantes para abordar de forma proativa as preocupações
atuais sem exigir um foco intensivo nos défices, sintomas ou trauma do cliente.
Diener e Seligman (2002) realizaram um estudo com 222 estudantes
universitários, divididos em três grupos: muito felizes, felicidade média e infelizes.
Percebeu-se que o grupo de pessoas muito felizes se lembravam muito mais de eventos
bons do que maus, relataram mais emoções positivas do que negativas e nunca pensaram
sobre suicídio, passavam pouco tempo sozinhas, e socializavam grande parte do tempo.
Percebeu-se que ter bons relacionamentos sociais é uma condição necessária à Felicidade,
uma vez que todas as pessoas do grupo muito felizes reportaram ter relações sociais de
boa qualidade.
Seligman (2011), com o seu estudo sobre Psicologia Positiva concluiu que a
Felicidade é totalmente subjetiva, considerando que bem-estar pode ser medido de
maneira mais objetiva. A Felicidade está incluída num dos aspetos do bem-estar, ao ser
definida como, o estado transitório de humor em que o indivíduo se encontra, e fazendo
parte do primeiro elemento da teoria do bem-estar: a emoção positiva. O segundo
elemento da teoria do bem-estar de Seligman é o envolvimento. Empenhar-se numa
tarefa, entregar-se completamente à atividade do momento são boas definições para esse
elemento.
A investigação de Camalionte e Boccalandro (2017) seguindo o método
qualitativo com entrevistas semi-estruturadas a 10 estudantes universitários de ambos os
sexos e idades entre os 20 e 28 anos, concluiu que o desejo pelo sucesso profissional e a
procura pela inserção no mercado de trabalho, que representa o terceiro elemento da teoria
do bem-estar, contribui para a Felicidade. Ficou claro, neste estudo que servir a sociedade

24
é um objetivo pessoal e que contribui para a Felicidade. Também o quarto elemento da
teoria do bem-estar foi identificado neste estudo, quando os participantes afirmaram que
a realização passa pela concretização de planos, conquista de objetivos e sucesso. Os
planos para o futuro são outro determinante importante para a Felicidade. Por último, o
determinante considerado como principal constituinte da Felicidade para os participantes
deste estudo foram os relacionamentos interpessoais. Correspondem ao quinto elemento
da teoria do bem-estar, os relacionamentos positivos.
Observa-se assim, nos mais variados estudos das últimas décadas, que a
Felicidade está relacionada com muitos fatores. Em geral, os investigadores tratam do
tema da Felicidade e satisfação com a vida como bem-estar subjetivo. Os investigadores
já descobriram que as pessoas que se consideram felizes e satisfeitas com a vida
demonstraram ter bons relacionamentos interpessoais, sorriem mais e revelam mais
emoções positivas. São pessoas menos focadas em si mesmas, menos hostis e menos
suscetíveis a doenças, além de demonstrarem resultados uniformes de Felicidade em
quase todas as classificações demográficas, como idade, classe económica, raça, sexo e
nível educacional (Myers & Diener, 1996). Também foram identificadas quatro
características principais das pessoas felizes tais como: alta autoestima; possuir o controle
das suas vidas; otimistas e extrovertidas (Myers & Diener, 1996).
Os autores Machado et al. (2015) referem que há estudos que falam da Felicidade
como uma combinação de fatores: a ausência de emoções negativas, a presença de
emoções positivas, satisfação com a vida, a socialização e por fim os objetivos de vida.
Outros realçam a importância de fatores psicológicos, socioculturais e genéticos e não
tanto fatores isolados ou determinados pelo contexto externo (Seabra et al., 2018).

2.6 A Felicidade em tempos de pandemia Covid-19


De acordo com o estudo e posterior relatório dos autores Gamerdinger et al.
(2020), a pandemia Covid-19 perturbou a vida das pessoas em todo o mundo. O objetivo
do estudo foi entender melhor os efeitos da pandemia na nossa Felicidade, mas também
examinar o que se pode fazer para proteger o nosso bem-estar durante estes tempos
turbulentos. Este estudo visou o bem-estar emocional, padrões circunstanciais e
comportamentais, e a sua relação com diferentes dimensões de bem-estar subjetivo. As
observações resultantes, permitiram aos autores analisar o bem-estar emocional,
implicações da pandemia global, e a partir daí, desenvolver recomendações para protejer
as pessoas dos efeitos negativos da mesma. Esta investigação revelou que o confinamento
25
obrigatório inerente à pandemia aumenta a solidão e o medo, contribuindo dessa forma
para a diminuição da satisfação da vida, e ao mesmo tempo, enfatiza a importância que
se deve dar à saúde mental, isto é, deve ser de igual modo elevada quanto é atribuída à
saúde física.
Dizer que a pandemia afetou a Felicidade da maioria da população será,
porventura, redundante e redutor.
A pandemia Covid-19 originou uma variedade de medos e preocupações,
causando um impacto negativo no bem-estar. A preocupação mais comum foi com a crise
económica de longa duração, mas teve menor impacto na satisfação com a vida.
Preocupações e medos também têm efeitos importantes na eudaimonia (significado da
vida), otimismo e bem-estar emocional. A Covid-19 aumentou significativamente os
sentimentos de tristeza e ansiedade assim como o desemprego teve efeitos negativos no
bem-estar. O medo de perder alguém próximo é o mais significativo em termos de efeito
no bem-estar subjetivo (Gamerdinger et al., 2020). No World Happiness Repor (Relatório
da Felicidade Mundial), elaborado por Helliwell et al. (2020) agregando dados de 156
países, foi possível revelar que os resultados e parâmetros avaliados são congruentes com
o estudo de Gamerdinger et al., (2020), ou seja, a pandenia Covid-19 provocou um grande
impacto negativo no bem-estar.

26
3. Metodologia

Estudar a Felicidade parece ser algo central tendo em conta que todo o Ser
Humano aspira ser feliz. Todos falam no conceito, mas tendo em vista a sua complexidade
é difícil saber o que é. Importa assim, que este estudo possa de alguma forma contribuir
para o esclarecimento deste fenómeno.

3.1 Objetivo do estudo


Este estudo pretende compreender a importância e o significado da Felicidade
enquanto experiência vivida na população adulta. Como objetivos específicos pretende
compreender de que forma é que a população adulta interpreta o conceito de Felicidade,
explorar como é construído o conceito de Felicidade a partir dos relatos dos adultos,
explorar a perceção do construto de Felicidade e as suas implicações na vida dos adultos.

3.2. Abordagem
Esta investigação é de natureza qualitativa uma vez que se pretende caracterizar a
experiência de forma aproximada à perspetiva dos participantes e permite descrever o
fenómeno da Felicidade em profundidade através da perceção de significados e
perspetivas dos participantes.
Nos estudos qualitativos, o investigador pretende compreender o fenómeno em
estudo criando a produção de dados contextuais e situados o que lhe permite desenvolver
um conhecimento sobre a pessoa ou sobre o local e estar muito envolvido nas experiências
reais dos participantes (Costa et al., 2014; Creswell, 2007).
A natureza da pesquisa qualitativa altera com o tempo. Diferentes perspetivas e
preocupações vão se impondo. Existe uma preocupação ontológica (qual é a forma e a
natureza da realidade social e, portanto, o que pode ser conhecido) e epistemológica (qual
é a natureza da relação entre o conhecedor e o indivíduo estudado e o que pode ser
conhecido) são fundamentais para compreender as formas de conhecimento que são
produzidas nestas abordagens. Nada é predefinido ou dado como certo, é um processo
interativo onde a experiência é vista como um todo, e não como variáveis separadas
(Ospina, 2004).
Importa fundamentalmente compreender que é uma abordagem interpretativa, em
que o investigador faz uma interpretação dos dados e tira conclusões sobre o seu

27
significado. O pesquisador filtra os dados através de uma lente pessoal situada num
momento sociopolítico e histórico específico. Não é possível evitar as interpretações
pessoais, na análise de dados qualitativos (Creswell, 2007).

3.3. Participantes
Como a investigação qualitativa recai sobre uma amostragem não probabilística,
ou seja, não escolhida de forma aleatória, para o presente caso é selecionada uma
amostragem de conveniência (acidental), mas que cumpra aos critérios de inclusão (Fortin
et al., 2009), sendo estes a idade, entre os 30 e 40 anos e entre 50 e 60 anos, e como
critérios de exclusão algum tipo de disfunção a nível cognitivo, como por exemplo, falta
de memória e demência. Este estudo é constituído por um grupo de 10 indivíduos,
residentes em Portugal. É conveniente relevar o facto da escolha dos participantes ser
feita de forma intencional, considerando apenas indivíduos adultos.
Através de um questionário sóciodemográfico (anexo 3), verifica-se que metade
dos participantes (cinco) é do sexo feminino e a outra metade do sexo masculino. Dois
dos participantes possuem o ensino secundário e oito têm licenciatura, estando dois
desempregados. É interessante verificar que os três participantes que trabalham na área
do ensino/docência se encontram insatisfeitos com o seu trabalho.
Os dados relativos aos participantes estão sintetizados na Tabela 2.

28
Tabela 2
Caracterização sociodemográfica dos participantes
Participante Sexo Idade Grau Nacionalidade Estado Nº Com Profissão Grau de Problema de Tempos livres
Académico Civil Filhos quem Satisfação saúde
vive com o trabalho crónico ou
psiquiátrico
A F 52 Licenciatura Portuguesa Divorciada 2 Sozinha Educadora de Desencantada Artrite Bordar/Trabalhos em
(com Infância com o ensino Psoriática estanho/Escrever/Ouvir
filhas com Música/Tudo ligado às artes/
nas Depressão Estar à beira mar/Desporto
férias)
B F 56 Licenciatura Portuguesa Casada 0 Marido Desempregada ____ Não Professora voluntária numa
universidade Sénior
C M 40 Licenciatura Portuguesa Solteiro 0 Sozinho Sacerdote/ Bom Não Desporto/Leitura
Estudante
D M 34 Licenciatura Portuguesa União de 0 Namorada Monitor Bom Tendinite Trabalha; faz voluntariado;
/Mestrado facto Educacional de no passeios pela natureza
Investigação ombro
E F 55 Licenciatura Portuguesa Solteira 0 Sozinha Desempregada ____ Não Caminhadas; Leitura;
Voluntariado
F M 50 Ens. Portuguesa Solteiro 0 Sozinho Pagador de Mais ou menos Linfoma Trabalha nos tempos livres em
Secundário Banca no Casino satisfeito (Está informática, dá assistência
(Profissional) curado) SAP e faz caminhadas.
G M 35 Ens. Portuguesa Solteiro 0 Sozinho Gerente de Loja Satisfeito Não Passeios na natureza/Estar
Secundário com amigos/Meditação
H F 50 Licenciatura Portuguesa Separada 1 Filha Professora 2º e 3º Completamente Não Gosta de ler, pintar, ver filmes,
Ciclo insatisfeita/ fazer meditação.
Exausta
I F 50 Licenciatura Portuguesa Divorciada 2 Filhos Professora 1º Muito Não Faz caminhadas; leitura; TV;
Ciclo insatisfeita atividades com a filha; anda de
bicicleta; praia
J M 38 Licenciatura Portuguesa Casado 2 sposa/filhos Enfermeiro Satisfeito Não Caminhadas; correr; ver séries
Feliz na tv; ler esporádicamente
Realizado

29
Para prosseguir com o rigor em todo o estudo metodológico e a sua validação é
necessário ter em atenção a saturação teórica, ou seja, conseguir interpretar quando já não
há necessidade de recolher mais informação, pois atinge-se o ponto de saturação. Isto
acontece quando se denota que não há registo de novas informações e existem repetições
de respostas (Nascimento et al., 2018).
Assim, o investigador deverá realizar a análise dos dados logo depois de realizada
a recolha e só saberá o número de entrevistas (ou observações) que serão necessárias, que
não há mais informação relevante para recolher porque os dados estão a ser repetidos Em
cada recolha de dados, o investigador deve fazer a análise para distinguir quais os
elementos que surgiram e quais foram replicados (Falqueto & Farias, 2016).
Em nosso entender, atingiu-se uma aproximação à saturação dos dados, em que
existe a integração dos mesmos com a teoria, já que nas últimas três entrevistas apenas
foi mencionada uma categoria de 1.ª ordem.
3.4. Instrumentos
Foi utilizada uma entrevista individual semiestruturada (anexo 1) como técnica de
recolha de dados na pesquisa qualitativa, como objeto de estudo, no qual os participantes
têm a possibilidade de relatar as suas experiências, a partir do foco principal proposto
pelo investigador, ao mesmo tempo que permite respostas livres e espontâneas,
valorizando o papel do entrevistador.
Esta entrevista semiestruturada foi construída para a população portuguesa. A
entrevista é constituída por 15 perguntas, todas direcionadas numa tentativa de se
compreender o que é a Felicidade, a importância e significado que a mesma tem na vida
de cada um. As categorias em estudo foram as seguintes: Representações da Felicidade,
experiências e momentos de Felicidade, Felicidade e lazer, experiências e momentos de
não Felicidade, Felicidade ao longo da vida, fatores de Felicidade/ inFelicidade, explorar
como é construído o conceito de Felicidade em adultos, implicações da Felicidade e
impacto da sociedade na conceção e vivências de Felicidade.
O uso da entrevista onde a fala dos indivíduos é o principal registo de dados
utiliza-se com muita frequência na investigação qualitativa, reconhecida como uma
técnica de qualidade e permite obter dados objetivos e subjetivos. Considera-se a
entrevista como uma técnica de interação entre duas ou mais pessoas, por meio da qual,
os atores sociais constroem e procuram dar sentido à realidade que os cerca (Batista et
al., 2017).

30
A entrevista semiestruturada combina perguntas fechadas e abertas e o
entrevistado tem a liberdade para se posicionar favorável ou não sobre o tema, sem se
prender à pergunta formulada. O entrevistador segue um determinado número de questões
principais e específicas, com uma ordem prevista, mas é livre para incluir outras questões
(Lima, 2016).
Durante todo o processo de entrevista, o investigador deve ter uma postura ativa
e receptiva e propiciar um clima agradável sem medos e constrangimentos entre o sujeito
e o investigador (Batista et al., 2017; Bauer & Gaskell, 2017).
A literatura indica que existem vários aspetos a ter em conta na construção de uma
entrevista semiestruturada, tais como: cuidados quanto à linguagem; cuidados quanto à
forma das perguntas e cuidados quanto à sequência das perguntas. Foi feita uma aplicação
piloto da entrevista com o objetivo de perceber se as questões da mesma eram pertinentes
e se estavam adequadas para a população portuguesa.
Como vantagem possibilita a profundidade na investigação, pois pode fornecer
informação contextual valiosa para explicar achados específicos. Outra vantagem prende-
se com a compreensão do mundo da vida do entrevistado ou de grupos sociais
especificados. Contudo, esta técnica de recolha de dados apresenta também desvantagens,
nomeadamente, a falta de motivação do entrevistado para responder às perguntas que lhe
são feitas assim como a inadequada compreensão do significado das perguntas (Bauer &
Gaskell, 2017). Pode acontecer o entrevistado fornecer respostas falsas, ou haver
influência exercida pelo aspeto pessoal do entrevistador sobre o entrevistado, assim como
a influência das opiniões pessoais do entrevistador sobre as respostas do entrevistado.
Pode ainda existir a incapacidade do entrevistado para responder adequadamente, em
decorrência de limitação vocabular ou de problemas psicológicos (Batista et al., 2017).
Outro instrumento utilizado neste estudo para complementar a entrevista
semiestruturada foi a aplicação de um Questionário Sócio-demográfico (anexo 3),
constituído por respostas curtas tendo como objetivo obter mais informação sobre os
participantes. Estes instrumentos foram elaborados de acordo com os objetivos desta
investigação.

3.5. Procedimentos
Esta investigação, compreendeu vários períodos, imprescindíveis para a boa
realização da mesma. Após a escolha do tema e feita a pesquisa bibliográfica sobre a

31
mesma, passamos então à escolha dos instrumentos que seriam pertinentes nesta pesquisa
tendo em conta os objetivos.
Inicialmente no projeto desta investigação foi pensada a aplicação de duas
entrevistas qualitativas: Focus Group e o local para a investigação, seria no FACes –
Centro de Atendimento Psicológico e Formação Especializada, na Universidade Católica
Portuguesa- Faculdade de Ciências Sociais de Braga. Contudo, o contexto pandémico que
se viveu exigiu algumas alterações para que fosse possível dar continuidade à
investigação. Assim, decidiu-se aplicar entrevistas qualitativas, individuais e
semiestruturadas. A divulgação para a escolha dos participantes foi feita através do
círculo de amigos e das redes sociais. A entrevista foi aplicada via on-line, através da
plataforma Zoom, pois tendo em conta o contexto de pandemia foi o mais viável e seguro.
Os procedimentos de recolha de dados nesta investigação foram realizados da
seguinte forma:
Numa primeira fase, foi necessário contactar as pessoas a quem seria aplicada a
entrevista, inicialmente via telemóvel e posteriormente foi agendada uma reunião via
plataforma zoom. Nesta reunião foi explicado individualmente os objetivos deste trabalho
e a sua operacionalização e foi obtida oralmente a autorização para a realização da
entrevista. Posteriormente foi entregue a cada participante um consentimento informado
que estes assinaram (anexo 2). Os participantes foram informados das condições da sua
participação, salientando-se o caráter voluntário, a confidencialidade e o anonimato,
através da codificação dos seus dados e a possibilidade de desistência da colaboração na
investigação no consentimento informado.
Cada participante respondeu a um questionário sociodemográfico (QSD) (anexo
3) de modo a possibilitar à investigadora a obtenção de mais informação acerca dos
participantes. A entrevista semiestruturada foi gravada em formato áudio com a devida
autorização dos participantes, respeitando assim os procedimentos éticos. A duração
média de todas as 10 entrevistas foi de aproximadamente 45 minutos.
Inicialmente, foi aplicada uma entrevista piloto e as alterações foram mínimas não
excluindo o sentido de nenhuma questão. Assim sendo, a própria entrevista piloto serviu
para uso desta investigação.
Após a realização das entrevistas procedeu-se à transcrição das mesmas. O
momento da transcrição expõe mais uma experiência para a investigadora que consiste
numa pré-análise do material. Posto isto, procedeu-se então à análise de dados. Tendo-se
em consideração que este estudo é qualitativo, optou-se pela abordagem de análise de

32
conteúdo. Aqui foi dado lugar à interpretação com o propósito de extrair significados
expressos ou latentes das mensagens, pois é uma etapa posterior à recolha de dados.
Desta forma, para se proceder ao tratamento de dados foram feitas as transcrições
das entrevistas individuais e os dados foram analisados através de uma análise de
conteúdo, numa tentativa de se compreender o pensamento do sujeito através do conteúdo
expresso no texto. Este processo foi realizado em diversas etapas. Em primeiro lugar a
pré-análise, etapa de organização; em segundo lugar a exploração do material; e por
último o tratamento dos dados e interpretação.
Interessa realçar que se optou pela análise de conteúdo porque é uma técnica das
ciências humanas e sociais destinada à investigação de fenómenos simbólicos por meio
de várias técnicas de pesquisa, e que trata da análise de mensagens (Gonçalves, 2016).
Assim, esta análise pretendeu compreender o pensamento do participante
mediante o conteúdo expresso na questão, numa conceção transparente de linguagem.
Contudo, foi tido em consideração o que não está explicitamente presente na pergunta.
De acordo com Silva e Fossá (2015) são várias as etapas para conferir significados
aos dados recolhidos. Estas etapas podem ser organizadas em três fases: 1) pré-análise;
2) exploração do material; 3) tratamento dos resultados, inferência e interpretação.
Segundo Silva e Fossá (2015), importa então seguir os passos a seguir descritos,
o que fizemos neste estudo:
1) Leitura geral do material recolhido (entrevistas e documentos);
2) Codificação para formulação de categorias de análise, utilizando o quadro
referencial teórico e as indicações trazidas pela leitura geral;
4) Organização do material, em unidades de registo (palavras, frases, parágrafos)
comparáveis e com o mesmo conteúdo semântico;
5) Estabelecimento de categorias que se diferenciam, tematicamente, nas unidades
de registo (passagem de dados brutos para dados organizados);
6) Agrupamento das unidades de registo em categorias comuns;
7) Agrupamento progressivo das categorias (Categorias de 1.ª e 2.ª categoria);
8) Inferência e interpretação, apoiadas pelo referencial teórico.
Ainda no que concerne aos procedimentos é fundamental ter em conta a validade
do estudo, assim, o investigador qualitativo reflete sistematicamente sobre quem é ele na
investigação. Esta introspeção e reconhecimento de vieses, valores e interesses tipifica a
pesquisa qualitativa. O eu pessoal torna-se inseparável do eu investigador. O que

33
representa honestidade e abertura para a investigação, reconhecendo que toda a
investigação é carregada de valores (Creswell, 2007).
A literatura indica que um trabalho de investigação científica terá qualidade se
tiver valor próprio, aplicabilidade, consistência e neutralidade. Foi tida em conta a ética
do investigador, assim como a transparência no que se refere à entrevista semi-estruturada
o que mostra o rigor da investigação, garantindo a sua validade e confiabilidade. A
característica interpretativa que constitui outro critério de validade e confiabilidade.
Para a rigorosidade e sustentação deste estudo procedemos à interpretação dos
dados. Para tal, foi criada uma tabela de categorização. Em primeiro lugar foram
categorizadas todas as respostas dos entrevistados. Posteriormente construiram-se os
indicadores e as categorias de 1.ª e 2.ª ordem, a que foram associadas as respostas dos
participantes no estudo.
No que diz respeito à apresentação dos resultados, serão tidos em conta apenas as
categorias de 2.ª ordem e 1.ª ordem que apresentam maior saturação de dados, pois não
se considera pertinente a inclusão de apenas uma resposta. Assim foram excluídas dentro
da categoria de 2.ª ordem “Representações de Felicidade as categorias de 1.ª ordem
“Felicidade é procura espiritual” e “Felicidade é ter”, na categoria de 2.ª ordem
“Experiências e momentos de felicidade”, a categoria de 1.ª ordem “Felicidade associada
a experiências de momento” na categoria de 2.ª ordem “Felidade e lazer”, as cetegorias
de 1.ª ordem “Felicidade é “estado contemplativo na natureza”” e “Felicidade é a
quietude”, na categoria de 2.ª ordem “Experiências e momentos de Não Felicidade”, as
categorias de 1.ª ordem “Infelicidade é ir contra os princípios”, “Experiências de
infelicidade = o tempo e o desapego leva ao esquecimento” e “Infelicidade é realizar
atividades que não se gosta”, na categoria de 2.ª ordem “Fatores de Felicidade/
Infelicidade foram excluídas as categorias de 1.ª ordem “Autoconhecimento como motor
para a Felicidade”, “A estabilidade como motor para a felicidade” e “Valorizar as
experiências boas/ ositivas como motor para a felicidade. Na categoria de 2.ª ordem
“procura da felicidade” foi excluída a categoria de 1.ª ordem “Busca da Felicidade na
evolução do EU” e na categoria de 2.ª ordem “Impacto da sociedade na conceção e
vivências de felicidade” foram excluídas as categorias de 1.ª ordem “Não coação social
relativamente à Felicidade” e “Influência da sociedade maior em “personalidades
vulneráveis”.

34
4. Resultados

Este estudo pretende compreender a importância e o significado da Felicidade


enquanto experiência vivida na população adulta, e tem como objetivos específicos:
compreender de que forma a população adulta interpreta o conceito de Felicidade,
explorar como é construído o conceito de Felicidade em adultos, explorar as implicações
da Felicidade na vida dos adultos. De seguida serão apresentados os resultados
considerados relevantes para os objetivos do mesmo.

4.1. Apresentação dos resultados


Os resultados obtidos nesta investigação foram organizados tendo em conta três
momentos. Num primeiro momento e através das respostas/ ideias dos participantes
tentou-se perceber de que forma é interpretado o conceito de Felicidade, formulámos
assim a categoria de 2.ª ordem com o tema “Representações da Felicidade”.
Num segundo momento tentou-se perceber como é construído o conceito de
Felicidade e, deparamo-nos com as seguintes seis categorias de 2.ª ordem: “Experiências
e momentos de Felicidade”; “Felicidade e Lazer”; “Experiências e momentos de não
Felicidade”; “Felicidade ao Longo da Vida”; “Fatores de Felicidade/ InFelicidade”;
“Procura da Felicidade”.
Por último, num terceiro momento tentamos perceber quais as implicações da
Felicidade. Para isto foram construídas duas categorias de 2.ª ordem: “Implicações da
Felicidade” e o “Impacto da sociedade na conceção e vivências de Felicidade”.
Com o intuito de facilitar a identificação dos domínios centrais e respetivas
categorias e subcategorias, elaborámos um diagrama síntese por cada domínio central.
A tabela completa de categorização das respostas dadas na entrevista, encontra-se
no anexo 4.
De seguida serão apresentados os resultados considerados mais relevantes para os
objetivos da investigação.
De acordo com o objetivo de compreender de que forma a população adulta
interpreta o conceito de Felicidade, formulámos a categoria de 2.ª ordem
“Representações da Felicidade” que deu origem a 16 categorias de 1.ª ordem (Figura 1
e 2).

35
Na categoria de 1.ª ordem “Dificuldades em definir Felicidade pelo seu caráter
relativo e inconstante” (n=10), foi evidenciada a dificuldade numa definição única de
Felicidade, pelo seu caráter relativo, subjetivo, múltiplo e inconstante, porque (D - “Não
existe só uma perspetiva, nem só uma maneira de a obter”), o “Caráter momentâneo
da Felicidade” (n= 3), é associado ao estado de espírito da pessoa; à fase de vida em que
se encontra, ou seja, segundo os participantes a Felicidade depende do momento, e só se
é feliz por breves períodos de tempo.
Assim, apesar da dificuldade na sua definição foi identificado que “Felicidade é
bem-estar” (n=8). Genericamente, a Felicidade foi associada ao termo “bem-estar” ou a
expressões do quotidiano como “sentir-se bem”. A ideia de que a “Felicidade dá-se no
encontro com o próprio” (n=7) é fundamental pois os participantes definem Felicidade
como estando associada: ao bem-estar consigo mesmo, com a essência do self (C - “É o
sentir-me bem com aquilo que sou, com aquilo que tenho, com a minha essência”). Neste
sentido, também é considerado que “Felicidade é autorrealização e sentido de vida”
(n=8). Percebe-se que esta autorrealização está ligada à concretização de objetivos/sonhos
sendo igualmente necessário existir um sentido para a existência humana (E - “ A pessoa
depois procura atingir algumas coisas que tem como objetivo”). Ainda na definição de
Felicidade, os participantes mencionaram que a “Felicidade é relacional” (n=4), o que
representa ser o Outro o elemento central, constituindo assim a experiência emocional
dos outros um quesito para a Felicidade pessoal (B - “É isso que é muito importante, os
outros. Os outros estando bem, eu estou bem”). Com menor prevalência temos a
definição de “Felicidade como um processo desenvolvimental” (n = 3), destacando-se
o cariz processual e de construção (atualização, construção, crescimento) da Felicidade
(C - “Esse mundo de tensão interior que faz parte do ser humano e também olho para
esse mundo de tensão como um processo de autodesenvolvimento no processo de
maturação enquanto ser humano”). A natureza processual surge também na categoria
“Felicidade é uma procura pelo equilíbrio na inconstância” (n = 3), onde se destaca,
implicitamente, o seu cariz não estável, pela importância atribuída à noção de
“equilíbrio”. Foi percebido que os participantes entendem a Felicidade como equilíbrio,
seja entre dimensões internas e externas. É reconhecido, todavia, a constante inconstância
(C -“Sabendo que esse equilíbrio é sempre feito de desequilíbrios”) tal como acontece
na categoria “Felicidade - Fracassos e potencialidades” (n=2) onde na definição de
Felicidade se retorna à ideia de equilíbrio. Desta feita, entre o reconhecimento e
integração de sucessos/potencialidades e fracassos (C - “É trabalhar com estes dois polos

36
opostos, o polo potencialidades ao mesmo tempo o polo de vulnerabilidades e
fragilidades. E neste equilíbrio, encontro a minha Felicidade”). Foi referido que a
“Felicidade é procura” (n=4) e distinta de outros sentimentos, no sentido em que não é
uma procura externa. Ao invés, ela assenta em duas ideias: agência do self na busca da
Felicidade; ênfase na dimensão “interna” do self (auto encontro). Para além disso, a
“Felicidade está associada a um conjunto de experiências” (n=2), expressando o
entendimento de Felicidade apenas possível por um continuum de vivências. Ainda ao
nível do conceito, “Felicidade é emoção/sentimento” (n=5) o que significa ser
considerada uma experiência emocional e afetiva. Como refere uma participante (C - “A
Felicidade não deixa de ser uma mistura de sentimentos, a Felicidade é emoção”. Esta
experiência emocional está edificada no princípio de que a “Felicidade são pequenas
coisas” (n= 4) especialmente, as mais simples da vida (eg., sentir uma brisa, respirar). É
possível aferir que a “Felicidade é multidimensional” (n=4), quando diferentes
dimensões são citadas: física, emocional, espiritual, personalidade, genética e biológica
(D - (…) existe uma realidade mais espiritual dentro de nós que necessita ser realizada);
do mesmo modo, (E - ”Resulta também de um traço de personalidade”). Face ao
construto, a “Felicidade não se quantifica” (n=3), sendo impossível falar em aumento
da Felicidade. Não obstante, há quem refira ser possível o “Aumento da Felicidade”
(n=2), subjacente na ideia de que, quando se consegue atingir maior concretização de
objetivos ou maior proximidade à família, a Felicidade pode aumentar.

37
Figura 1

Representações da Felicidade (Definição)

Felicidade

Emoção/ sentimento (n=5)


Equilíbrio na inconstância

É multidimensional (n=4)

Está associada a um conjunto


Autorrealização e sentido
Encontro com o próprio

desenvolvimental (n=3)

Não se quantifica (n=3)


Pequenas coisas (n=4)
potencialidades (n=2)

Pode aumentar (n=2)

de experiências (n=2)
É relacional (n=4)
Bem-estar (n = 8)

É procura (n=4)
de vida (n=8)

Fracassos e
Processo

(n=3)
(n=7)

De acordo com o objetivo de explorar como é construído o conceito de Felicidade


em adultos, constatou-se ser este conceito em grande medida construído através das várias
experiências vividas ao longo da vida, quer sejam positivas ou negativas.
Assim, deparámo-nos com algumas categorias de 2.ª ordem, nomeadamente:
“Experiências e momentos de Felicidade” que resultou em três categorias de 1.ª ordem
(Figura 3).
A “Geração de vida como momentos de Felicidade” (n=7), tem associado o
nascimento dos filhos, sobrinhos ou afilhados enquanto momento de maior Felicidade.
(A - “Quando nasceu a minha primeira filha”) significa que os grandes momentos de
Felicidade estão associados à manutenção geracional e da vida. Paralelamente também a
“Partilha de “pequenos momentos” de Felicidade” (n=9), conferem aos episódios
momentâneos suma importância, quer pelo caráter positivo quer pela partilha,
particularmente, com a família/amigos ou consigo próprios. Estes momentos são
percepcionados por imagens, sensações, experiências que fazem perdurar memórias
únicas. (E - “Um pouco das boas memórias que nós temos com a nossa família”). Noutro
sentido, também se observa que na origem dos momentos de Felicidade está a
“Felicidade associada à concretização de objetivos / ideal pessoal” (n=5) em que se
incluem desde projetos académicos ao próprio casamento (G - “Possivelmente
concretizando alguns dos meus sonhos, alguns dos meus ideais de vida”).

38
Figura 2

Experiências e momentos de Felicidade


Experiências e momentos de Felicidade

Geração da vida como Nascimento, a vida, seja de


momentos de Felicidade sobrinhos ou afilhados (n=7 )

Episódios momentâneos,
significativos pelo seu caráter
positivo ou pela partilha com
Partilha de pequenos significativos entre os quais a
momentos de Felicidade família/amigos ou consigo
próprios
(n=9)

Felicidade associada à Os momentos em que conseguem


concretização de objetivos / concretizar objetivos e ideais
ideal pessoal pessoais significativos (n=5)

Para compreender ainda como é construído o conceito de Felicidade surge outra


categoria de 2.ª ordem “Felicidade e Lazer” que emergiram três categorias de 1.ª ordem
(Figura 4). A importância da categoria “Felicidade – atividades lazer” (n= 8) preconiza
que realizar atividades de que se gosta e dão prazer (eg., leitura, escrever, ver filmes,
desporto, entre outras) produzem mais Felicidade (A - “ Podemos ir dar uma volta a um
sitio que gostamos para espairecer um bocadinho, para ficarmos melhor, mais alegres”).
Ao mesmo tempo, foi destacado a partilha, a socialização das atividades, equiparando
“Felicidade – atividades em conjunto com Outro” (n= 3), (D - “ (…) atividade em
conjunto, construir em conjunto”). Ao exprimirem que “Felicidade é atividade” (n=2)
identificou-se a Felicidade como sendo dinâmica no sentido de envolvimento, fazer,
construir, recusando-se assim a ideia de um estado contemplativo.

39
Figura 3

Felicidade e Lazer

Realização de atividades de
Felicidade - atividades lazer lazer , que se gosta e dão
Felicidade e lazer

prazer realizar (n=8)

Realização de atividades em
Felicidade - atividades em conjunto com outros
conjunto com o outro
(n=3)

Felicidade relacionada com a


Felicidade é atividade
realização de atividades
(n=2)

Pelo polo negativo, tentou perceber-se de que forma é construído o conceito de


Felicidade, o que originou a categoria de 2.ª ordem “Experiências e momentos de NÃO
Felicidade” sendo possível elaborar quatro categorias de 1.ª ordem que passamos a
explanar no Figura 4.
As experiências negativas mais mencionadas foram os acontecimentos de morte
de familiares/amigos sendo considerados como “Perda e (in)Felicidade” (n=5) (E -“A
morte da minha mãe, sem dúvida, foi como perder o norte, de facto”).Os participantes
também indicaram “Conflitos e (in)Felicidade” (n= 3), em que se referiu os momentos
conturbados e difíceis de gerir emocionalmente com a família, amigos, pares ou
profissionais enquanto fatores de inFelicidade, assim como, associaram o “Trabalho
como vivência de inFelicidade” (n=2), na medida em que o trabalho provoca um estilo
de vida gerador de muita ansiedade que interdita o prazer, neste caso concreto, porque o
trabalho é visto pelos participantes como “obrigação”. Acrescenta-se ainda que a nível
afetivo a “InFelicidade = experiências pessoais negativas” (n=3) particularmente o
divórcio foi a causa de grande inFelicidade.

40
Figura 4

Experiências e momentos de Não Felicidade


Experiências e momentos de não Felicidade

Perda e (in)Felicidade
Perdas e ausências físicas (n=6)

Conflitos e (in)Felicidade Conflitos/ conturbados e


difíceis de gerir
emocionalmente (n=3)

Trabalho como vivência de Estilo de vida que muitas vezes


inFelicidade gera ansiedade, logo
inFelicidade (n=2)

InFelicidade - experiências Experiências pessoais negativas


pessoais negativas são geradoras de inFelicidade
(n=2)

O último tema “explorar como é construído o conceito de Felicidade em adultos”,


encontramos a categoria de 2.ª ordem “Felicidade ao Longo da Vida” emergiram quatro
categorias de 1.ª ordem (Figura 5).
Parece não haver uma etapa definida para alcançar a Felicidade, emergindo a
categoria “Felicidade em todas as fases da vida” (n=2). Foi expressa a opinião que a
Felicidade é possível durante todas as etapas do ciclo vital, no entanto, pode ser distinta
em diversos períodos. Desta forma, para alguns participantes na “Infância e juventude
menor Felicidade” (n=2), ao focarem que as experiências de vida nestas fases ficaram
associadas ao sofrimento. Contrariando a posição atrás referida, na “Infância e
adolescência maior Felicidade” (n=4), foram designadas as etapas mais felizes, ainda
que, a infância tenha sido referenciada como a etapa mais feliz (F -“Nós estamos ali, tudo
é uma alegria tudo é festa, tudo é bom”). A idade e as experiências de vida ao gerarem
maior maturidade, o que potencia a Felicidade, surgiu na categoria “Felicidade com/
através da adultez” (n=3) em que se remete para a vida adulta a etapa mais plena de
Felicidade. Face ao tempo presente, a maioria dos participantes declararam sentirem-se

41
felizes, o que representa uma progressão do sentimento até à situação atual, e expressada
na categoria “Ser cada vez mais feliz” (n=8), não obstante existirem eventuais
dificuldades e obstáculos (B - “Há coisas que não correm bem é evidente, mas eu sinto
que a minha Felicidade é todos os dias mais um pedaçinho”).

Figura 5

Felicidade ao Longo da Vida

A Felicidade é possível ao
Felicidade em todas as longo da vida e em todas as
fases da vida etapas da mesma (n= )
Felicidade ao longo da vida

Infância e juventude - A infância é a melhor fase


maior Felicidade da vida (n=4)

Felicidade com/ através A experiência mais feliz


da adultez foi na vida adulta (n=3)

Progressão em relação ao
sentimento de serem cada
Ser cada vez mais feliz vez mais felizes, não
obstante eventuais
dificuldades e obstáculos
(n=8)

Na categoria de 2.ª ordem “Fatores de Felicidade/InFelicidade” foram


formuladas 14 categorias de 1.ª ordem (Figura 6).
Foram vários os fatores indicados para a construção da Felicidade/inFelicidade,
surgindo em primeiro a “Superação de adversidades como motor para a Felicidade”
(n=5). São as experiências de sofrimento/perda/ dificuldades e a sua superação o
caminho/fator que conduz à Felicidade (E - ” A Felicidade dá-nos a capacidade de
lidarmos com os maus momentos da vida, superando mesmo no sofrimento ”); de índole
mais relacional, outro fator indicado refere que “Felicidade é amor/
carinho/reconhecimento/ gratidão do outro” (n=3), centrando-se no cuidado ao
“Outro” e simultaneamente em ser também “Cuidado”, isto é, sentir-se alvo de
atenção/amor por parte da família/amigos; a “Dedicação ao outro como motor para a
Felicidade” (n=4), em que o valor da entrega ao Outro, tema recorrente nos discursos,

42
pode ser realizado informalmente nas relações pessoais ou formalmente no serviço de
voluntariado; o “Sentido de vida como motor para a Felicidade” (n=3) é determinado
por uma existência com sentido/ um propósito; “Ausência de Pensamentos tóxicos
como motor para a Felicidade” (n=3), é não ruminar pensamentos tóxicos; “Amor
próprio como motor para a Felicidade” (n=3), amar-se / aceitar-se a si próprio;
“Espiritualidade como motor para a Felicidade” (n=2), uma associação entre o
conceito de Felicidade com a fé/espiritualidade; “Realização profissional como motor
para a Felicidade” (n=2), a valorização da independência e realização profissional; “As
experiências afetivas como motor para a Felicidade” (n=4), ( B -“Se eu tiver amor, se
for amada, eu sou feliz”); “Necessidades básicas preenchidas como motor para o
sentimento de Felicidade” (n=4), refere-se a ter o essencial para viver sem grandes
preocupações (H -“ E pronto Felicidade é ter o bastante para viver”); “A saúde como
motor para a Felicidade” (n=3); “A família/pessoas próximas como motor para a
Felicidade” (n=4), (E - “ Tenho família, acho que sim, que me sinto feliz”); “Os amigos
como motor para a Felicidade” (n=4), (F - “ É lógico que nesta altura o que é que me
podia dar mais Felicidade, aqui sim, tenho amigos”); e, por fim, surge também
referenciada a “Felicidade é ter dinheiro/ recursos económicos” (n=3); recusando a
correlação, outros participantes referiram que “Felicidade não significa ter dinheiro”
(n=2).

43
Figura 6

Fatores de Felicidade/InFelicidade

Superação das Superação de experiências de sofrimento/ perda/ dificuldades


adversidades como
motor para a Felicidade (n = 5)

Felicidade é amor/ É fundamental sentir que os "Outros" sejam


carinho/ reconhecimento/ família/amigos, gostem de nós, se preocupem
gratidão do outro connosco e nos tratem com amor e carinho (n = 3)
Dedicação ao outro
Dedicação ao outro (n =
como motor de
4)
Felicidade
Ser feliz ou a ideia/fator da Felicidade é determinada por um
Sentido de vida como vida com sentido/ existência com sentido/ um propósito
motor para a Felicidade
(n = 3)

Ausência de pensamentos
Não ter pensamentos
tóxicos como motor para a
tóxicos (n = 3)
Felicidade

Amor próprio como Amar-se/ aceitar-se


motor para a felicidade (n = 3)
(categoria de 2.ª ordem

Ser feliz implica a


Fatores de felicidade

Espiritualidade como
procura pela felicidade
motor para Felicidade
(n = 2)
Realização profissional Independência e
como motor para a realização profissional
Felicidade ( n= 2)
As experiências afetivas Experiências de afeto//
como motor para a sentirem-se amados e
Felicidade acarinhados (n = 4)
Necessidades básicas Ter o básico/ essencial
preenchidas como motor para viver sem
para a Felicidade preocupações (n = 4)

A saúde como motor Ser feliz é ter saúde


para a Felicidade ( n = 3)

A família/ pessoas
Ter família ou pessoas
próximas como motor
para a Felicidade próximas ( n = 4)

Os amigos como motor


Ter amigos ( n = 4)
para a Felicidade

Felicidade é ter dinheiro/ Ter dinheiro/ recursos


recursos económicos económicos (n = 3)

Felicidade não significa Ter dinheiro não é sinónimoo


ter dinheiro de Felicidade (n = 2)

44
Outra categoria de 2.ª ordem prende-se com a “Procura da Felicidade” da qual
emergiram três categorias de 1.ª ordem (Figura 7). A explicitação da preocupação com a
procura da Felicidade foi caracterizada na “Busca da Felicidade no encontro com o Eu”
(n=3), que se manifesta num processo de busca interna, na escuta do EU.
Concomitantemente assume relevância a “Procura da Felicidade na partilha de
experiências com outros” (n=3) baseadas em experiências positivas e próximas.
Todavia, há quem afirme que quando se é feliz deixa de existir a procura, assumindo
assim a “Não preocupação com “procura” pela Felicidade” (n=2).

Figura 7

Procura da Felicidade
Explorar como é construído o conceito de

Procuram a Felicidade através da


Busca da Felicidade no encontro escuta interna
Felicidade em adultos

com o "Eu"
(n=3)

Procuram a Felicidade através de


Procura da Felicidade na partilha experiências positivas com o outro
de experiências com os outros
(n=3)

Não preocupação com a procura Quem é feliz não se preocupa com


pela Felicidade a procura pela Felicidade (n=2)

Obteve-se ainda e de acordo com o objetivo, “explorar implicações da Felicidade


na vida dos adultos” a categoria de 2.ª ordem “Implicações da Felicidade” que emergiu
em quatro categorias de 1.ª ordem (Figura 8). Um número menor de participantes
correlacionou a “Felicidade pessoal e saúde” (n=2), quer seja o impacto (negativo ou
positivo) ao nível da saúde física ou psicológica. Também a noção do equilíbrio pessoal
tem a possibilidade de permitir implicações na experiência emocional do outro, ou seja,
a “Felicidade pessoal como sustento da Felicidade do outro” (n=2). Nesta
continuidade, emerge a “Felicidade como fonte de outras emoções” (n=4), onde

45
diversas emoções positivas despertam: esperança, motivação, entusiasmo. Além disso,
foi mencionado que “Felicidade e experiências de vida” (n=6) são indissociáveis, uma
vez que a Felicidade pessoal tem implicações no trabalho; comportamento; bem-estar
pessoal; humor; relação; interação com outros. Em síntese, (F -“Tem, tem um bocadinho
em tudo”).

Figura 8

Implicações da Felicidade

Sentir Felicidade tem impacto na


Felicidade pessoal e saúde
saúde física e psicológica (n=2)
Implicações da Felicidade

Felicidade pessoal como sustento da A Felicidade pessoal tem implicações


Felicidade do outro na experiência emocional do outro
(categoria de 1.ª ordem) (n=2)

Felicidade como fonte de outras A Felicidade pessoal tem implicações


emoções na medida em que gera outras
emoções positivas: esperança,
(categoria de 1.ª ordem) motivação, entusiasmo (n=4)

Felicidade e experiências de vida A Felicidade pessoal tem implicações


nas diversas áreas e experiências de
(categoria de 1.ª ordem) vida (n=6)

Por último e ainda de acordo com o objetivo, “explorar implicações da Felicidade


na vida dos adultos”, obteve-se ainda a categoria de 2.ª ordem “Impacto da sociedade
na conceção e vivências de Felicidade” foram formuladas cinco categorias de 1.ª ordem
(Figura 9).
Foi validado o “Reconhecimento do impacto da sociedade” (n=3), nas
representações pessoais e da Felicidade tornando impossível evitar de alguma forma a
não coacção por parte da sociedade. No entanto, é destacado pela maioria dos
participantes a “Não influência da sociedade” (n=6), nas suas próprias representações e
vivências de Felicidade ao referirem não sentirem constantemente influência ou coação
social (A - “ Já cheguei a um patamar de idade que o que os outros pensam não
interessa.”). No geral, as narrativas dos participantes confirmam o “Reconhecimento da
influência da sociedade” (n=7), que exige às pessoas a serem felizes (B - “E é essa a

46
exigência da sociedade, a sociedade também exige”), mesmo que sendo parcial existem
momentos/situações de coacção/influência na representação e vivência da Felicidade de
cada um. Percebe-se contudo, uma não identificação e um posicionamento crítico em
relação à representação social da Felicidade manifestada na categoria “Sociedade -
Felicidade “ilusória” (n=5), quando é referido que a sociedade atual não é geradora de
Felicidade, pelo contrário, (D -“sinto que a sociedade tenta impor essa falsa
Felicidade”). A par da sociedade, os participantes também percepcionam uma
comunicação social de índole essencialmente materialista expressada na categoria “
Sociedade - Felicidade “materialista” (n=2).

Figura 9

Impacto da sociedade na conceção e vivências de Felicidade

Existe impacto da sociedade nas


Reconhecimento do impacto da nossas representações pessoais e
sociedade inclusive na de Felicidade (n=3)
Impacto da sociedade na conceção e

Não sentir o impacto/ influência ou


qualquer forma de coação social na sua
vivências de Felicidade

Não influência da sociedade representação e vivência de Felicidade


(n=6)

Sentir o impacto/ influência ou qualquer


Reconhecimento da vivência da forma de coação social, mesmo que
sociedade parcial, na sua representação e vivência
de Felicidade (n=7)

Não se identificam e posicionam-se


Sociedade - Felicidade criticamente relativamente à
"ilusória" representação social de Felicidade que
consideram ilusória (n=5)

Percecionaram a sociedade incluindo a


Sociedade - Felicidade comunicação social como impondo uma
"materialista" representação de Felicidade de índole
essencialmente materialista (n=2)

4.2. Discussão dos resultados

Pela observação dos resultados, podemos constatar que os dez entrevistados


tiveram dificuldade em obter uma definição única da Felicidade, tendo considerado ser
difícil falar da mesma, pelo seu caráter relativo, subjetivo, múltiplo e inconstante. Este

47
facto repercute-se igualmente na quantidade de respostas diferenciadas que os
participantes deram. Esta consideração vai ao encontro do que nos afirma Ferraz et al.
(2007), quando afirma que o conceito de Felicidade foi tomando novos contornos e
definições: “Defende-se agora a ideia de que a Felicidade é um fenómeno
predominantemente subjetivo, ligada a traços de temperamento e postura perante a vida
e não tanto de fatores externos” (Ferraz et al., 2007, p. 237).
Em termos de definição, a saturação teórica também foi tomando contornos
maiores, já que obtivemos uma grande pluralidade de conceitos, verificando-se, mais uma
vez, a dificuldade em chegar a um conceito único, tal como visado anteriormente.
É interessante verificar que houve alusão ao caráter momentâneo da Felicidade na
categoria “Dificuldades em definir Felicidade pelo seu caráter relativo e inconstante”, o
que alude ao facto da Felicidade não ser um estado emocional permanente, mas sim, que
existem pequenos momentos que contribuem para que se sinta a Felicidade, mesmo que
com brevidade, ou seja, seria impossível dizer que aquele indivíduo é feliz ou infeliz, mas
sim que a pessoa está ou não feliz num determinado momento. Devemos recordar-nos,
que já em 2005, Lyubomirsky et al. criaram um modelo parcialmente otimista para
combater o pessimismo. Esta resposta é contraditória ao legado que nos deixou Diener et
al. (2007) que define objetivamente os indivíduos felizes, como sendo mais satisfeitos e
bem-sucedidos em vários domínios da vida e surge também oposto ao modelo de
“arquitetura da Felicidade sustentável” de Lyubormirsky et al. (2005), que nos fala da
oscilação (volatilidade) do nível de Felicidade crónica. Em face oposta apareceu-nos nas
“Representações da Felicidade”. Felicidade é emoção/sentimento, o que nos leva a
considerar a Felicidade como uma experiência emocional, afetiva e relacional,
sublinhando a importância dos sentimentos e das emoções quer na demonstração quer na
definição de Felicidade.
Ainda no que diz respeio a “Representações da Felicidade”, surge-nos a Felicidade
associada a bem-estar (um dos principais aspetos do construto). No entanto, não houve a
dicotimização do termo em bem-estar subjetivo e bem-estar psicológico, o que vai ao
encontro da revisão bibliográfica, nomeadamente de Seligman et al. (2011) já que
sabemos que, pela enorme dificuldade em definir a Felicidade, muitos investigadores
optaram por estudar o bem-estar, associado à terminologia, pois era mais fácil de
mensurar. A propósito de mensuração, esta é referida quando é referido que a Felicidade
não se quantifica, ou em contraste, que pode aumentar.

48
É relevante verificarmos que a Felicidade é definida pelo encontro com o próprio,
o que corrobora Pichler et al. (2019) que nos diz que o que gera mais Felicidade são os
bens interiores, como o autoconhecimento, a realização pessoal e social e de Łysiak e
Puchalska-Wasyl (2020) que preconizam que o self tem a capacidade de se mover
imaginativamente para um ponto futuro no tempo e então falar consigo sobre o sentido
do que se está a fazer na situação presente. Também Lehman et al. (2018), passaram pela
explicação da procura humana da “eudaimonia”, através do silêncio interior. Nesta linha
de pensamento, é obvia a definação de Felicidade como autorrealização e sentido de vida.
Não é, pois, estranho que a Felicidade seja uma procura interna, o que vai ao encontro da
Teoria do Self Dialógico, visada por Hermans et al. (2010) quando concetuam o self como
uma multiplicidade relativamente dinâmica de posições do EU, autónomas na sociedade
da mente, sendo adequadas para o estudo de variáveis intencionais. Associada a esta
definição, aparece-nos ainda a Felicidade relacionada a um conjunto de experiências, o
que revela que a Felicidade está associada a uma continuidade de acontecimentos, o que
de certo modo nos induz à estabilidade, enquanto permanência e constância. Já Diener
(2000) no estudo da experiência positiva fazia alusão à qualidade hedónica de uma
experiência vigente e Delle Fave et al. (2013) à experiência ótima.
Ainda no que a Representações da Felicidade diz respeito, verificamos que a
Felicidade é relacional, o que contraria Camalionte e Boccalandro (2017) que no seu
estudo, relevam que o determinante principal para a Felicidade são os relacionamentos
interpessoais. Não existe, pois, uma associação da Felicidade a momentos sociais e
sociáveis, ou seja, surge a valorização o Eu em detrimento do Nós.
A Felicidade surgiu-nos, igualmente, como um processo desenvolvimental, o que
destaca o cariz processual e de construção, atualização e crescimento da Felicidade (cariz
do construto do termo). Concomitantemente, este facto revela que a Felicidade é uma
procura pelo equilíbrio na inconstância, o que revela subliminarmente a importância do
equilíbrio e constância para o obtimento de bem-estar.
No entanto, está implícito no conceito de fracassos e potencialidades, que
mediante alguns falhanços que possamos ter na vida, podemos aprender com eles, para
que, posteriormente e face a uma situação idêntica, tudo possa correr melhor, o que revela
resiliência, na procura da Felicidade, tal como Werner e Smith (1992) o defenderam. Tal
facto realça também o estudo de Den Elzen (2019) que nos indica que o self dialógico é
capaz de se renovar diante de adversidades extremas para criar Felicidade duradoura. A
superação de experiências de sofrimento está diretamente relacionada à definição de

49
Felicidade enquanto associação de um conjunto de experiências (Figura 1) e, como é
óbvio, relacionada ao bem-estar sentimental e emocional tal como Biswas-Diener e Dean
(2007) o defendem. Deste modo, não é de estranhar que a base relacional, sentimental e
emocional esteja assente no fator Felicidade é amor/carinho/reconhecimento/gratidão do
outro, enquanto determinante. Este item está também interligado ao cuidado dado e
recebido pelo Outro. Ora, nesta linha de pensamento, surge-nos igualmente o fator
Dedicação ao outro como motor para a Felicidade, em que vale a pena sublinhar o valor
da entrega ao Outro que pode ser realizado informalmente nas relações pessoais ou
formalmente no serviço de voluntariado.
A Felicidade está nas pequenas coisas, principalmente nas mais simples. Este
facto, faz referência ao que nos envolve, por exemplo, a pequenos gestos de carinho e
agradecimento, o conforto que temos em nossa casa, à brisa que nos bate na cara, respirar,
etc. Revela, possivelmente, mas não de forma explicita, o agradecimento pela vida a algo,
entidade superior ou divina.
A multidimensionalidade demonstra que diferentes dimensões do Ser são
primordiais para a obtenção da Felicidade. Este facto, é evidenciado face às vivências,
tradições e cultura dos entrevistados, já que assumindo-se o Homem como um ser social,
possui diferentes redes de contacto, o que potencia ou não mais momentos em que são
e/ou estão felizes. Podemos também relacionar este item com uma das bases da Psicologia
Positiva, o estudo das instituições positivas, partindo do princípio de que todas as pessoas
fazem parte de um contexto social, em estruturas que as ultrapassam, como por exemplo
a família, comunidades, educação, redes de segurança económica, entre outras. Esta
ocorrência corrobora a importância dos estudos de Myers (2000) em que descreve as
contribuições das relações sociais para a Felicidade.
Na análise da categoria “Experiências e momentos de Felicidade”, não é de
estranhar que nos apareça como gerador de Felicidade a experiência do nascimento,
episódios positivos momentâneos, consigo ou com o Outro e momentos em que se
conseguem concretizar objetivos e ideais pessoais significativos, o que nos aporta para o
caráter momentâneo da Felicidade, já abordado anteriormente e para a experiência ótima
defendida por Delle Fave (2000) que nos indica que uma boa vida é obtida através da
experiência máxima de prazer e, para o estudo de autodeterminação da autoria de Ryan e
Deci (2000). Daqui deduz-se, que são momentos particularmente especiais e positivos
que conduzem ao construto de Felicidade num determinado dia, hora e local. Para tal, é
necessário ter-se em consideração a população em estudo, particularmente a amostra

50
selecionada, e quais os critérios de seleção. Neste percurso, é importante dar-se relevância
a fatores intrínsecos a cada participante e a fatores externos (ambientais,
socioeconómicos, culturais, etc.).
Da mesma forma, não é difícil a perceção das experiências e momentos de não
Felicidade, que implicam emoções negativas tais como, perdas e ausências físicas,
conflitos conturbados e difíceis de gerir emocionalmente, trabalho como estilo de vida
que muitas vezes gera ansiedade, logo inFelicidade e experiências pessoais negativas que
são geradoras de inFelicidade . Todos estes conceitos apontam para momentos de mal-
estar em oposição aos conceitos de bem-estar (subjetivo e psicológico) estudados,
associados ao conceito de Felicidade. Verificamos, igualmente, que em nenhuma das
situações visadas nesta questão, estão presentes os determinantes da Felicidade referidos
na revisão bibliográfica, o que nos leva a concluir que da mesma forma, existem
determinantes de não Felicidade, que serão, por si só, subjetivos. Quanto mais profundas,
sentimentais e emocionais forem estas ligações consigo próprios ou com o Outro, maior
será a dor associada a este momento de não Felicidade.
Associamos com bastante frequência o lazer a momentos de Felicidade, mas tal
pode não ser totalmente verídico, pois podemos ter momentos de lazer positivos e
negativos. Este facto é comprovado no nosso estudo, pois, como experiências e momentos
de Felicidade, surge-nos a realização de atividades de lazer de que se gosta e dão prazer,
o que é tangente ao conceito de flow de Csikszentmihalyi (1990). A alusão à Felicidade
enquanto realização de atividades com os outros, revela mais uma vez o caráter social e
relacional do Homem, mas também pode apontar para o facto destas pessoas lidarem mal
com a solidão, e apresentarem dificuldade a nível da autorreflexão individual e
consequente tomada de decisões. A Felicidade aparece aqui também associada à
realização de atividades, o que pode indiciar dificuldade, por parte dos entrevistados, em
estarem quietos e parados e que acham que não se pode ser feliz “estando imóvel”. Pode
também estar associado, mesmo que subliminarmente, o período de confinamento
obrigatório imposto pela Covid-19 (estar parado em casa, sem poder sair, conviver,
trabalhar, etc.).
Na categoria “Felicidade ao longo da vida”, da mesma forma que a Felicidade é
possível ao longo de todas as etapas da vida, Esta evidência, contraria, em certo modo o
estudo de Inglehart (1990) que analisou seis faixas etárias diferentes obtendo níveis de
satisfação com a vida idênticos. Mais uma vez se tem que ter em consideração, que para
que estas experiências sejam valorizadas há que atender à realidade de cada um e à sua

51
história, bem como ao meio em que está inserido. Subjacente a este conceito de Felicidade
ao longo da vida podemos perceber a volatilidade do conceito de Felicidade e a sua
construção a partir de diferentes variáveis, sejam elas subjetivas ou psicológicas.
Também a prática de voluntariado que, per se, sugere uma preocupação com a
participação e contributo para a sociedade, a realização e crescimento pessoal sem
retorno/recompensa extrínseca, revelou influenciar as orientações para a realização de
atividades. Assim, quem pratica voluntariado reportou maior intenção na procura de
sentimentos de significado, de propósito e de valores, de autenticidade, de compromisso
e de realização.
Analisando a categoria dos fatores de felicidade, verificamos que nos surge o
propósito da vida, quais os seus objetivos e grau de concretização dos mesmos, sendo o
sentido de vida um motor para a Felicidade, o que reflete capacidade de autorreflexão e
procura humana da Eudaimonia, tal como Lehmann et al. (2018) defendem. Podemos
inferir que a este conceito está também subjacente o conceito de equilíbrio e constância
apontada nas definições de Felicidade, inerente à teoria do Self Dialógico. Logicamente,
só podemos obter Felicidade se estivermos mediante a ausência de pensamentos tóxicos,
que colocariam em causa, mais uma vez, o equilíbrio e constância na vida e a própria
saúde física, como nos diz Salovey et al. (2000). Inerentemente, surge-nos o amor próprio
como motor para a Felicidade, que revela o quão importante é o indivíduo se amar e
aceitar-se, o que por si mesmo origina situações de bem-estar biopsicossocial, associadas
à Eudaimonia.
Como nos indica Carvalho e Pereira (2021), tanto a fé como a Felicidade são
fenómenos predominantemente subjetivos, ligados mais ao temperamento e à postura
perante a vida do que a fatores externos. Portanto, envolvem personalidade, otimismo,
resiliência, gratidão e altruísmo, entre tantos outros sentimentos que expressam atitude
positiva. Nesta perspetiva, não é, pois, difícil associar a fé e espiritualidade à Felicidade,
o que aconteceu nesta categoria de segunda ordem, o que nos leva às investigações de
Argyle (1987), Myers e Diener (1995) e Moreira-Almeida et al. (2006)
Associado à velha máxima de que “o trabalho dignifica o Homem”, surge-nos
como fator de obtenção da Felicidade, a realização profissional. Tal, corrobora, Diener et
al. (2009) e Lyubomirsky et al. (2005), que afirmam que a Felicidade está associada a
resultados de trabalho superiores, aumento da produtividade e criatividade, mais atividade
e fluxo, maior qualidade de trabalho e maior rendimento. Tal pode indiciar, igualmente,
prazer na obtenção de independência financeira.

52
Na associação de Felicidade a fatores económicos, as opiniões são díspares,
revelando diferentes opiniões acerca da importância do dinheiro na vida. São apontadas
as necessidades básicas preenchidas para se sentirem felizes, ou seja, a ter o essencial
para viverem sem grandes preocupações, bem como a Felicidade é ter dinheiro.
Naturalmente, surge-nos a saúde como motor para a Felicidade, o que corrobora
a perspetiva de Scheier et al. (1999).
A relação do Eu com o outro, defendidas por Diener et al. (2017) e Seligman
(2019) adjacentes aos modelos defendidos pela Psicologia Positiva, modelo hedónico e
modelo eudemónico, aparece-nos novamente vincada na forma como é explorado o
construto do conceito de Felicidade em adultos, já que três dos intervenientes referem
procurar a Felicidade através da escuta interna e através de experiências com os outros.
Não deixa de ser interessante verificar que, nesta categoria, há quem diga que quem é
feliz não se preocupa com a procura pela Felicidade, entendendo-a como algo
permanente, o que, como já sabemos, não corresponde à verdade, já que continuamente
alternamos entre momentos felizes, infelizes/tristes e momentos que não nos despoletam
qualquer reação feliz ou infeliz.
Mediante a análise dos resultados feita até aqui, não nos causa estranheza que,
como implicações da Felicidade, nos surja o facto de sentir que a Felicidade tem impacto
na saúde física e psicológica, o que corrobora, como já vimos anteriormente, Scheier et
al. (1999). Também nos é dito que a Felicidade pessoal tem implicações na experiência
emocional do outro, o que mais uma vez nos indica a importância que a índole relacional,
emocional e afetiva tem. Surge-nos novamente a ligação afetiva e emocional como
determinante para a Felicidade, quando as experiências afetivas são apontadas como
motor para a Felicidade. Esta ligação está também presente quando se assume os amigos
como motor para ser/estar felizes e na identificação da família/pessoas próximas como
motor para a Felicidade.
A Felicidade é, também neste parâmetro (implicações da Felicidade), tida como
propulsora de outras emoções positivas (uma das bases da Psicologia Positiva), de
esperança, motivação e entusiasmo. Também nos é dito que a Felicidade pessoal tem
implicações nas diversas áreas e experiências da vida, o que é congruente com o item
anterior.
Existe impacto da sociedade nas nossas representações pessoais de Felicidade, o
que mais uma vez nos vem dizer que a forma como definimos Felicidade está subjacente
ao meio em que estamos inseridos, podendo variar mediante culturas, tradições e história

53
inerentes a um povo. Na categoria “Impacto da sociedade na conceção e vivências da
Sociedade, existe o reconhecimento que a sociedade tem impacto, ainda que parcial, nas
vivências e representações da Felicidade. No entanto, também é apontado a não existência
de impacto não sentir influência ou coação da sociedade na conceção de Felicidade, o que
vem a colocar mais uma vez o Eu em evidência face ao Outro. Verificamos que a
representação social de Felicidade é ilusória, advogando que a sociedade sente o ser feliz
de uma forma artificial, estando elencada em superfluidades “que viram moda”, o que se
reflete também quando é apontada a índole essencialmente materialista da Felicidade
vista pela sociedade.

54
5. Conclusão
Na conclusão desta investigação, é relevante referir que nas últimas três
entrevistas aplicadas, encontrou-se apenas uma nova categoria de 1.ª ordem. Contudo,
devido ao critério de exclusão não constam nos resultados apresentados. Assim, e indo ao
encontro do que diz a literatura, constata-se que os dados obtidos apresentam uma certa
redundância ou repetição, (Nascimento et al., 2018; Ribeiro et al., 2018) pois, as
informações fornecidas pelos últimos participantes desta investigação pouco acrescentam
aos dados anteriormente obtidos, não contribuindo significativamente para o
aperfeiçoamento da reflexão teórica fundamentada nos dados anteriormente recolhidos
(Falqueto & Farias, 2016). Segundo Ribeiro et al. (2018), será, portanto, o ponto em que
não surgem novas informações, categorias ou temas, que pode determinar o término do
ciclo de recolha e análise de dados.
Desta forma não se considerou relevante persistir na recolha de dados e é do nosso
entendimento que se atingiu uma aproximação à saturação dos dados e que existe a
integração dos mesmos com a teoria. É possível através de heurísticas de "saturação
teórica" apontar para indicadores de validade interna e confiança na análise e nos
resultados (Morse, 2004; Fontanella & Turato, 2008).
Todavia, abrimos porta à posição de Ribeiro et al. (2018), defendendo a ideia de
que na realidade, os dados nunca podem ser saturados. Seja porque há sempre algo novo
a ser interpretado por diferentes investigadores, seja porque pode existir novas
dimensionalidades teóricas que remetem para diferentes perspetivas e utilidade da
análise, e tendo em conta o construto da Felicidade tão complexo, parece-nos redutor
defender a ideia de que tudo foi dito e interpretado.
Relativamente aos resultados obtidos no nosso estudo, podemos inferir que é
muito difícil a obtenção de uma definição única de Felicidade, devido ao seu caráter
relativo, subjetivo, múltiplo e inconstante e pelo facto de existir uma grande pluralidade
de conceitos relativos à mesma. Realçamos que o conceito de Felicidade difere de acordo
com o idioma, a cultura, história e tradições sem nos esquecermos da própria
subjetividade do Eu.
A Felicidade é emoção/sentimento, o que nos leva a considerar a Felicidade como
uma experiência emocional, afetiva e relacional. Tal facto é importante na manifestação
que os amigos e a família são determinantes da obtenção da Felicidade.

55
A Felicidade é bem-estar, o que está de acordo com Seligman (2011). A
multidimensionalidade da Felicidade foi também apontada como um dos principais
fatores para a obtenção de uma única definição do termo, já que demonstra que as
diferentes dimensões do Ser são primordiais para a obtenção de Felicidade. Este item está
igualmente associado a uma das bases da Psicologia Positiva, o estudo das instituições
positivas, reforçando o caráter relacional da Felicidade.
O encontro com o Eu, é um dos principais determinantes da Felicidade,
evidenciando a importância da autorrealização e o sentido de vida, dando primazia ao Eu,
o que vai ao encontro da Teoria do Self Dialógico.
A solidão frisada por alguns dos participantes no estudo, pode estar associada ao
período de confinamento obrigatório imposto pela pandemia Covid-19. Eventualmente
relacionada a esta temática da Covid-19, verificamos que uma parte significativa dos
entrevistados se apresenta num momento frágil e de grande pessimismo emocional pois
afirma que a Felicidade só pode ser obtida por breves instantes.
Conseguimos apurar que são momentos particularmente especiais e positivos que
nos levam ao construto de Felicidade e as emoções negativas estão relacionadas a
momentos de não Felicidade.
Os momentos de lazer são considerados uma experiência ótima apenas se
estivermos a fazer algo que nos dê satisfação e prazer, o que repercute a existência do
conceito de flow.
Com esta investigação, verificamos que as pessoas com Fé apresentam maiores
índices de Felicidade do que as restantes e que associada à realização profissional surge-
nos também a indepêndencia financeira.
Os entrevistados referem como implicações da Felicidade, o facto da Felicidade
contribuir para a saúde física e psicológica, a realidade da nossa Felicidade pessoal ter
peso na experiência pessoal do outro, ser tida como propulsora de outras experiências
positivas e que tem implicações nas diversas áreas e experiências da vida. Podemos
igualmente concluir que a sociedade tem influência nas vivências e representações da
Felicidade.
Sem estranhesa, concluímos que por mais estudos, teorias, determinantes e
modelos é impossível chegarmos a um conceito único e universal de Felicidade.
Em síntese, a Felicidade tem muitos subprodutos positivos que têm consequências
positivas para os indivíduos, famílias e comunidades. Indivíduos felizes obtêm benefícios
nos mais variados domínios da vida. Experimentam recompensas sociais maiores: mais

56
amigos, suporte social mais forte e interações sociais mais ricas. Há indícios de que a
Unidade e diversidade caminham juntas, desde que seja considerada e respeitada a
individualidade dos membros de uma sociedade. O Homem precisa do outro para
completar a Felicidade, pois é difícil ser feliz sozinho. Pode-se dizer que uma das palavras
que se destacam hoje é “condescendência”, que indica descer ao nível do outro, de modo
que permaneçam juntos.
Se considerarmos as premissas de Diener (2009) e Lucas et al. (1996) ao referirem
que quando se abordam conceitos no campo da Psicologia, as eventuais ambiguidades
podem comprometer a credibilidade dos estudos sobre Felicidade, podemos já delimitar
uma das limitações do nosso estudo.
Interessa salientar que a recolha de dados ocorreu num período crítico da situação
pandémica mundial, em que a maior parte da população enfrentava uma situação de
confinamento, insegurança e incerteza em relação ao futuro, variáveis contextuais que
afetam não apenas a disponibilidade para participarem no estudo, mas e, mais importante,
o bem-estar subjetivo e psicológico e a satisfação com a vida. Seria relevante não só
conduzir o estudo num outro setting contextual, mas também realizar estudos que
promovam a compreensão do fenómeno na interação de características pessoais,
contextuais e temporais.
Este estudo teria inicialmente como instrumento a entrevista focus group.
Contudo, devido ao confinamento obrigatório impingido pela pandemia da Covid-19 no
ano de 2021, foi necessário adaptarmo-nos às circunstâncias e passarmos para entrevistas
individuais semiestruturadas.
Para estas entrevistas tivemos de ter em conta as limitações de uma
videochamada, nomeadamente, a impossibilidade de leituras corporais, posturas, forma
como os participantes reagiam às questões, etc. Naturalmente o facto de estarmos à frente
de um computador é muitíssimo diferente do que estarmos cara a cara com os
entrevistados.
Nesta investigação, tivemos naturalmente de escolher uma amostra perante a
população estudada, ou seja, indíviduos entre os 30 e 40 anos e entre 50 e 60 anos. A
amostra contemplou 10 entrevistados, o que por si só pode ser redutor, no entanto
necessário para a mensuração dos resultados.
Tivemos, igualmente, dificuldade em entregar o consentimento informado antes
da entrevista, pois estávamos confinados. O consentimento foi dado oralmente e após o
confinamento obrigatório, foi assinado e colhido junto dos participantes.

57
Outra limitação a apontar relaciona-se com o facto dos participantes sentirem
dificuldade em definir o conceito de Felicidade, generalizando-se a todos a dificuldade
em falar da mesma.
A elaboração inerente à construção de tabela de categorização das respostas dadas
foi muito morosa (anexo 4), o que prejudicou os timings desta investigação. Sabemos, no
entanto que este ato, seria a base para a nossa análise de resultados.
Sugere-se que investigações futuras, sejam tidas em conta outras faixas etárias
e/ou grupos étnicos diferenciados e que a amostra seja maior.
Importa relevar que qualquer que seja a técnica ou o método escolhido pelo
investigador haverá limitações, mas, o importante é que tal escolha esteja de acordo com
as conceções do investigador sobre a natureza do objeto de estudo e o nível de análise e
de descrição pretendidos.
Pese embora as variáveis estudadas, este trabalho evidencia a complexidade e a
abrangência do tema, sugerindo-se que estudos futuros recebam os insights daqui
provenientes e avancem com novos desenhos de investigação para o estudo de outras
variáveis demográficas, psicológicas e contextuais.
Podemos afirmar, que, atingimos, dentro da nossa amostra, os objetivos a que nos
propusemos com esta investigação.

58
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Anexos

74
Anexo 1. Guião de Entrevista

GUIÃO DE ENTREVISTA
Este trabalho tem como objetivo geral compreender a importância e o significado
da Felicidade enquanto experiência vivida na população adulta. Assim sendo, esta
investigação tem como objetivos específicos compreender de que forma é que a
população adulta interpreta o conceito de Felicidade, explorar como é construído o
conceito de Felicidade a partir dos relatos dos adultos, explorar a perceção do construto
do conceito de Felicidade e as suas implicações na vida dos adultos. Foi considerado para
este trabalho, utilizar o método qualitativo de investigação, baseado numa abordagem de
análise de conteúdo. Irá privilegiar-se a entrevista individual semiestruturada com
população adulta numa tentativa de se compreender o que é a Felicidade, a importância e
significado que a mesma tem na vida de cada um.

Felicidade

1. Qual a sua definição de Felicidade?


2. Considera-se uma pessoa feliz? Porquê?
3. Como se sabe se é feliz ou não?
4. O que lhe causa maior sensação de Felicidade?
5. Qual ou quais o (os) fatores importantes para você se sentir feliz?
6. Em que etapa da vida acha que é mais fácil ser feliz? Porquê?
7. Em que medida a sua Felicidade poderia aumentar?
8. Ilustre-me a partir da sua experiência o momento de maior Felicidade?
9. Ilustre-me a partir da sua experiência o momento de menor Felicidade?
10. O que faz para se envolver ativamente na procura da Felicidade?
11. Que implicações o sentir ou não a Felicidade tem na sua experiência de
vida?
12. O que distingue a Felicidade de outros sentimentos?
13. O que contribui para a sua representação/ a sua ideia do que é Felicidade?
14. O que é que pensa quando se fala em Felicidade? (por exemplo imagens,
sensações, situações)
15. Em que medida se sente coagida (o) pela sociedade a ter de ser feliz todos
os dias?

75
Anexo 2. Consentimento Informado

Consentimento Informado
Temática em estudo: A Felicidade enquanto experiência vivida na população adulta.
Investigador: Sandra Maria Pereira Dourado, Sob a Orientação da Prof.ª Doutora
Armanda Paula Cunha Gonçalves
Objetivo do estudo
Compreender a importância e o significado da Felicidade enquanto experiência
vivida na população adulta.
Modalidades de participação
Foi considerado para o nosso trabalho, utilizar o método qualitativo de
investigação. Para este método foram selecionados os seguintes instrumentos de recolha
de dados: I) Questionário sociodemográfico; II) Entrevista semiestruturada.
Condições de participação
Adultos com faixas etárias compreendidas entre os 30/ 40 anos e 50 /60 anos.
Consideramos que uma variação entre 30 (tempo mínimo) e 40 minutos (tempo máximo)
deve ser adequada para um bom emprego da técnica. As entrevistas serão gravadas, cujo
conteúdo irá ser posteriormente transcrito e sujeito a análise. A entrevista foi aplicada via
on-line, através da plataforma Zoom, pois tendo em conta o contexto de pandemia foi o
mais viável e seguro.
Vantagens ligadas à participação
A sua participação permitirá obter informação relevante e fidedigna para o estudo
em causa.
Riscos e desconfortos
A participação é voluntária e não importa risco ou prejuízo em caso de abandono
ou exclusão. Poderá desistir do preenchimento a qualquer momento, sem que seja
necessário justificar a sua decisão.
Carácter confidencial das informações
Todos os resultados recolhidos serão tratados de forma confidencial. O material
será conservado num local seguro à responsabilidade da investigadora.
Os resultados poderão ser apresentados mais tarde para fins de investigação ou
de ensino aos profissionais da saúde e aos estudantes no âmbito dos limites deste estudo
sem que os participantes sejam identificados.

76
Compensação
A participação neste estudo não está sujeita a recompensa.
Questões sobre o estudo
Para qualquer informação que considere pertinente, não hesite em contactar
através do endereço eletrónico: sandradourado1977@[Link].
Responsabilidade do investigador
Ao assinar este formulário, não renuncia a nenhum dos seus direitos previstos pela lei.
Além disso, as responsabilidades do investigador continuam íntegras caso ocorra uma
situação que cause prejuízo aos participantes.

Assinatura ___________________________________

Agradeço a vossa disponibilidade e colaboração para esta investigação.

77
Anexo 3. Questionário sóciodemográfico

QUESTIONÁRIO SÓCIODEMOGRÁFICO

As questões que se seguem referem-se a si próprio(a), e são muito importantes


para a correta interpretação dos dados recolhidos. Responda de forma rápida e objetiva
nos espaços correspondentes:

1. Data da entrevista _____/_____/_____

2. Nome: _____________________________________________Sexo: F( ) M ( )

3. Idade: _______ Grau de escolaridade:________________________

4. Nacionalidade_________________________

5. Estado Civil: __________________________

6. Filhos
x Sim ___ Quantos? ____
x Não ___

7. Vive com quem? __________________________________________________

8. Profissão: ________________________________________________________

9. Descreva o grau de satisfação com o seu trabalho.

______________________________________________________________________

10. Tem algum problema de saúde crónico ou psiquiátrico?

x Não____
x Sim____ Qual ou Quais? ___________________________________

11. O que faz no seu tempo livre?______________________________________

Obrigada pela sua colaboração

78
Anexo 4
Categorização das respostas dadas

Categorias 2.ª Categorias 1.ª Ordem Indicadores Códigos Contagens


Ordem
Representações de Dificuldade em definir Felicidade Participantes começam por partilhar as C.12.3 - Dificuldade definir o que é Felicidade 10 PART
Felicidade pelo seu carácter relativo e dificuldades na definição única de D.1.1 - Possibilidade de definições múltiplas de Felicidade. 23 CÓDIGOS
inconstante. Felicidade pelo seu caracter relativo/ A.2.1 - Felicidade é inconstante
subjetivo/ múltiplo e inconstante B.9.2 - A Felicidade é relativa
D.1.2 - Múltiplas perspetivas de Felicidade
E.3.1 - Ser feliz varia de pessoa
A.14.1-Pensar Felicidade – Subjetivo
F.3.5 - Falar sobre Felicidade é complicado
F.4.4 - Sensação de Felicidade é relativa
G.2.2 - Felicidade não é constante
G.13.6 - Felicidade não é contínua
G.3.1 - A Felicidade não é um estado de espírito constante
G.3.2 - Para se saber se se é feliz a mesma não pode ser
constante
G.12.1 - O que distingue a Felicidade – pergunta difícil
J.1.3 - Não sabe
J.2.2 - Dificuldade em definir Felicidade
I.3.8 – A Felicidade é muito complexa
I.1.6 -Definir Felicidade é muito complexo
I.12.1 – Distinção da Felicidade – pergunta difícil
H.13.4 - Representação da Felicidade – Não sabe definir
J.13.1 – Representação de Felicidade – Dificuldade em dar
resposta
J.12.1 -O que distingue a Felicidade – não sabe
I.13.1 – Representação de Felicidade – Não sabe
Carácter momentâneo da A Felicidade tem um caracter mutável; J.2.3 - Momentos de mais ou menos Felicidade 3 PART
Felicidade inconstante; é momentânea e depende I.1.3 -Felicidade é o modo como a pessoa se sente no 10 CÓDIGOS
do estado de espírito; da fase de vida momento
em que se está, depende do momento; I.1.4 -Felicidade depende da fase da vida em que se está
somos felizes por momentos H.3.3 - Como se sabe se é feliz – desequilíbrio entre dias
que está bem e outros infeliz
H.3.4 - Como se sabe se é feliz –Considera que nunca se é
sempre feliz na integra
H.13.1 - Representação da Felicidade – Ideia de Felicidade
altera consoante a mudança da pessoa
H.13.2- A Felicidade altera com os objetivos que se
estabelecem em cada idade

79
H.12.3 - O que distingue a Felicidade -Não se está sempre
feliz
H.12. 2 - A Felicidade são momentos
I.13.2 - Representação de Felicidade –Depende do estado
de espírito
Felicidade é bem-estar Participantes definem genericamente a B.14.1- Felicidade associada a sensações. Sensação de 8 PART
Felicidade pela associação ao termo bem-estar. 12 CÓDIGOS
“bem-estar”, ou a expressões do B.14.6 - Felicidade associada ao bem-estar
quotidiano como sentir-se bem E.2.1 – Ser feliz é sentir bem-estar
E.1.1- Felicidade é bem-estar subjetivo.
B.12.1- Bem-estar que se distingue dos outros
C.10.10 - Procura da Felicidade = sentir-se bem
A.2.4. - “nos sentirmos bem no dia-a-dia”
G. 10. 4 - Felicidade associado ao bem-estar
F.13.5- Ideia do que é Felicidade – estar bem
I.12.3 - Distinção da Felicidade – distinguimos a Felicidade
quando nos sentimos bem
I.12.4 - Distinção da Felicidade distinguimos a Felicidade
quando estamos bem
J.12.6 -O que distingue a Felicidade –faz nos sentir bem
Felicidade no encontro com o Participantes definem Felicidade como B.3.5 - De bem consigo mesma 7 PART
próprio estando associada a estar bem com o D.1.15 - Felicidade = “expressão essência” 8 CÓDIGOS
próprio C.1.4 - Felicidade associada à essência do self
E.3.3 - Ser feliz depende do interior de cada um
A.2.2- Bem-estar pessoal
A.13.1 - Felicidade - Bem-estar pessoal
I.4.4 -– Maior sensação de Felicidade -sentirmo-nos bem
connosco próprios
H.5.1 -Factores de Felicidade – Primeiro de tudo estar bem
psicologicamente
Felicidade é autorrealização e Participantes definem Felicidade E.1.3 - Felicidade igual a alcançar objetivos 8 PART
sentido de vida associada a ter um sentido de vida, à E.1.4 - Felicidade como realização/autorrealização 20 CÓDIGOS
autorrealização e concretização de E.1.5 - Felicidade é atividade/ objetivos com sentidos
objetivos pessoais/ sonhos E.6.7- Felicidade associada a realização
B.8.6 - Felicidade associada à não desistência dos objetivos
pessoais
D.7.8 - Felicidade =concretização harmoniosa dos planos
D.1. 13 - Felicidade COMO realização
D.1.14 - Felicidade = REALIZAÇÃO INTERNA
E.13.1 - ideia da Felicidade – ter um sentido de existência
A.7.1- Concretização de sonhos
G.7.1 - A Felicidade aumenta – com a concretização de
sonhos
J.5.1 – Factor importante para se sentir feliz é sentir
realização.

80
J.1.1 – Felicidade é cumprir os objetivos
J.1.2 – Felicidade é atingir os objetivos do dia
J.2.5 – Considera-se feliz porque atingiu grande parte dos
objetivos.
J.13.2 -Representação de Felicidade –o que contribui para
a Felicidade é cumprir objetivos propostos
H.12.1 - O que distingue a Felicidade -Sensação de estar
realizada
I.6.5 -Considera-se feliz porque atingiu o objetivo traçado
I.6.6- Ser feliz é atingir os objetivos
I.10.2 -– Procura da Felicidade procura atingir os objetivos
Felicidade é relacional Na definição de Felicidade os B.3.2 - Ser feliz – “bem com a vida” 4 PART
participantes destacam como elemento B.3.3- De bem com os amigos 13 CÓDIGOS
central o Outro, e em que medida a B.3.4 - De bem com a família
experiência emocional dos outros B.5.6 - Felicidade – “É isso que é muito importante, os
constitui um quesito para a Felicidade outros”
pessoal B.5.7 - Felicidade associada ao bem-estar dos outros
B.5.2 - Felicidade associada ao bem-estar dos amigos
B.5.4 - Felicidade associada Felicidade do marido
B.5.8 - Se os outros não estiverem bem ela também não está
B.5.3 - “Eu sinto-me feliz pelos outros também”
D.14.12 - Felicidade associada a construir com outros
A.14.2- Felicidade -pode depender de terceiros
F.4.6 - Sensação de Felicidade = Fazer bem aos outros
F.15.3 - Perante a inFelicidade daqueles que se gosta
importa contribuir e ajudar a serem mais felizes
Felicidade como processo Na definição de Felicidade os E.1.6 - Felicidade (bem-estar subjetivo) é atualização das 3 PART
desenvolvimental participantes destacam o cariz potencialidades 4 CÓDIGOS
processual e de construção C.2.3 - “mundo de tensão” - processo de crescimento e
(atualização, construção, crescimento) maturação
E.3.5 - Felicidade é construção pessoal/individual
B.6.4 - Felicidade associada evolução etapas da vida
Felicidade - Equilíbrio na Na definição de Felicidade os C.7.10 - O sentido da Felicidade associado ao equilíbrio da 3 PART
inconstância participantes destacam, implicitamente forma de estar 11 CÓDIGOS
o seu cariz não estável, pela C.10.9 - Procura da Felicidade = equilíbrio
importância que atribuem à noção de D.1.8 - Felicidade - Harmonia vida interior/exterior
“equilíbrio” D.2.7 - Equilíbrio= SIGNIFICADO
C.1.1 - Felicidade é igual a equilíbrio
C.1.2 - Felicidade associada a equilíbrio entre
desequilíbrios
C.1.3 - Felicidade é um processo homeostático.
C.2.4 - A Felicidade encontra-se no equilíbrio das
experiências quotidianas.
C.7.5 - Felicidade associada ao simultâneo equilíbrio e
desequilíbrio.

81
C.7.6 - Felicidade associada ao equilíbrio
F.10.9 - Na procura da Felicidade tenta encontrar um
equilíbrio entre os que estão melhores e piores
Felicidade - Fracassos e Na definição de Felicidade os C.1.5 - Felicidade associada a potencialidades e fracassos 2 PART
potencialidades participantes destacam o C.1.6 - Reconhecimento do self como produto de 6 CÓDIGOS
reconhecimento e integração de potencialidades e fracassos
sucessos/potencialidades e fracassos C.1.7 - Felicidade associada a potencialidades e fracassos
C.1.8 - Felicidade é o equilíbrio entre as potencialidades e
fracassos
C.2.2 - Felicidade é o equilíbrio entre as potencialidades e
fracassos
D.2. 6 - Propósito de vida = equilíbrio situações positivas
E negativas
Felicidade é “pequenas coisas” Na definição de Felicidade os A.4.1 - “Conjunto de pequenas coisas” 4 PART
participantes destacam a experiência B.13.8 - A mais pequena coisa 7 CÓDIGOS
desta emoção associada à capacidade B.13.9 - As pequenas coisas que surgem na vida
de desfrutar de coisas simples G.8.2 - Momento de Felicidade- momento em que sentiu
Ex: sentir uma brisa; sentir gratidão uma brisa e sem motivo aparente sentiu gratidão por estar
por estar vivo; porque se respira. vivo.
F.3.1 - Sabe-se que se é feliz porque se vive
F.4.9 - Sensação de Felicidade = facto de respirar
F.4.10 - Maior sensação de Felicidade= poder respirar
Felicidade “multidimensional” Na definição de Felicidade os B.1.1 - “Bem-estar Físico” 4 PART
participantes citam diferentes B.1.2 - Bem-estar emocional 18 CÓDIGOS
dimensões: físico, emocional, D.1.12 - Felicidade = dimensão espiritual
espiritual, personalidade, genética e E.1.2 - Felicidade advém de um traço de personalidade
biologia C.13.1 - Representação da Felicidade associada ao sistema
genético
C.13.2 - Representação da Felicidade associada os códigos
genéticos
C.13.3 - Representação da Felicidade associada a dimensão
genética
C.13.4- Representação da Felicidade associada à genética
C.13. 5 - Representação da Felicidade associada aos
neurotransmissores.
C.13. 6 - Representação da Felicidade associada à oxitocina
C.13. 7- Representação da Felicidade associada à
dopamina
C.13. 8- Representação da Felicidade associada a
dimensões biológicas
C.13. 9- Representação da Felicidade associada a
dimensões genéticas
C.13. 10 - Representação da Felicidade associada à
dimensão cultural
C.13. 11 - Representação da Felicidade associada à cultura

82
C.13. 12 Representação da Felicidade associada à
dimensão genética e biológica
C.13. 13 - Representação da Felicidade associada ao corpo
C.13. 14 - Representação da Felicidade associada ao que
influencia o corpo
Felicidade é procura A Felicidade distingue-se de outros E.10.5 - Felicidade – cada um tem de a encontrar 4 PART
sentimentos porque é uma procura: E.3.4 - Felicidade é procura interna 12 CÓDIGOS
duas ideias – agência do self na busca E.3.6 - Felicidade não é procura externa
da Felicidade; ênfase na dimensão B.12.3 - Felicidade – “procura”
“interna” do self (auto encontro) B.12.5 - Felicidade – “vou atrás da Felicidade”
B.12.6 - Felicidade – “procura”
B.12.8 - Felicidade – “eu vou e luto”
B.6.11 - Felicidade associada procura ativa
F.15.9 - Felicidade é uma procura pessoal que passa por
não interferir na Felicidade dos outros.
F.15.10 - Felicidade passa por cada um viver a sua vida
G.10.1 - Procura a Felicidade
G.10.2 - Faz pesquisas no sentido de encontrar a Felicidade
Felicidade é emoção/sentimento Participantes definem Felicidade como C.10.12 - “SOMOS REFLEXO EMOÇÕES” 5 PART
uma experiência emocional, citando C.12.2 - A Felicidade é – emoção 16 CÓDIGOS
termos como “emoção”, “sentimento” C.12.1 - A Felicidade é - mistura de sentimentos
e afeto C.12.4 - A Felicidade CONSTRUCTO = sentimento e
emoção
C.12. 6 - A Felicidade “sentimento profundo”
C.12.9 - Felicidade é - emoção.
C.12.5 - Dificuldade em destrinçar se Felicidade é
sentimento ou emoção
C.12.10 - Felicidade é - afeto
B.4.1 - Felicidade associada aos afetos
G.12.2 - A Felicidade é um conjunto de sentimentos
G.12.6 - A Felicidade é o conjunto de todos os sentimentos
que nos deixa leves.
I.1.7 -Felicidade é um estado de espírito relacionado com
as emoções
I.1.1 – Felicidade é estado de espírito que engloba várias
emoções
I.12.2 - Distinção da Felicidade -tem a ver com emoções
J.12.2 - O que distingue a Felicidade – Aquele sentimento
que dá mais prazer
J.12.10 -O que distingue a Felicidade –É o sentimento que
mais queremos ter na nossa vida
A Felicidade não se quantifica Não se pode falar no aumento da C.7.1 - O construto de Felicidade não é quantitativo 3 PART
Felicidade pois ela não é quantificável C.7. 7- A Felicidade não é quantificável 8 CÓDIGOS
C.7 .8 - A Felicidade não é quantificável
D.7.1.- A Felicidade não poderia aumentar

83
D.7.3 -Felicidade – dificuldade em saber se aumenta
D.7.6 - Felicidade não pode aumentar
D.7.9 - Felicidade não aumenta
J.7.4 - A Felicidade aumentar é uma questão ambígua
Aumento da Felicidade Participantes consideram que a sua I.7.2 -Felicidade poderia aumentar com a proximidades dos 2 PART
Felicidade poderia aumentar familiares que estão distantes 8 CÓDIGOS
nomeadamente com a concretização de I.7.3 - Felicidade poderia aumentar se tivesse perto dos
mais objetivos familiares
I.7.4 - Felicidade poderia aumentar se tivesse apoio
Participante considera que a sua próximo da família
Felicidade poderia aumentar I.7.5 - Felicidade poderia aumentar próxima de pessoas que
nomeadamente com uma maior gostam dela (familiares)
proximidade da família J.7.1 - Acha que a sua Felicidade poderia aumentar
J.7.3 - Devia ser mais ambicioso para ter outros objetivos
J.7.5- Sente-se por um lado resolvido por outro queria ter
outros objetivos a atingir
J.7.6 - Nesta fase ainda não encontrou todos os objetivos

Felicidade associada a um Para os participantes a ideia/ o G.13.3 - Representação/ a sua ideia do que é Felicidade foi 2 PART
conjunto de experiências entendimento de Felicidade só é formada por um conjunto de experiências 8 CÓDIGOS
possível através de um conjunto de G.13.4 - Representação/ a sua ideia do que é Felicidade –
experiências não foi formada por um momento específico
G.13.5 - Representação/ a sua ideia do que é Felicidade-
formada pela vivência de várias experiências
G.13.7 - Conjunto de experiências levam a perceber o que
é a Felicidade
G.13.11 - Conjunto de experiências que levam ao
entendimento do que é a Felicidade
I.13.5 - Representação de Felicidade –tem a ver com uma
série de coisas
I.1.5 -Felicidade tem a ver com muita coisa
I.3.9 – A Felicidade depende de um conjunto de situações

Felicidade é procura espiritual A Felicidade é uma dimensão G.10.10 - Procura aprender através de palestras espirituais 1 PART
espiritual G.10.6 - Na procura da Felicidade vê palestras sobre a 3 CÓDIGOS
espiritualidade
G.10.12 - Aprender através das palestras espirituais dá
calma e Felicidade
Felicidade é ter conhecimento Na definição de Felicidade os D.13.1 - Felicidade = saber filosófico. 1 PART
participantes citam a importância do D.13.2 - Felicidade= conhecimento filosófico sobre a 2 CÓDIGOS
conhecimento Felicidade

84
Experiências e Geração de vida como momentos Participantes identificam como E.8.1 - Momento de maior Felicidade- estar com sobrinhos. 7 PART
momentos de de Felicidade momentos de maior Felicidade o A.8.1 - Maior Felicidade- Nascimento de filhos 12 CÓDIGOS
Felicidade nascimento (filho, sobrinho) C.8.1 - Nascimento da sobrinha e da afilhada como
momento de maior Felicidade
D.2.4 - Felicidade =caminho de vida
D.1.3 - Felicidade igual a fértil na sua origem
D.1.4 - Felicidade associada à Geração/manutenção da
vida.
H.4.1 – Sensação de Felicidade – nascimento da filha
H.8.1 -Momento maior de Felicidade – nascimento da filha
I.8.1 -Momento de maior Felicidade – nascimento dos
filhos
I.8.2 --Momento de maior Felicidade -sobretudo
nascimento do primeiro filho
I.8.3 --Momento de maior Felicidade-nascimento dos
filhos, considerando uma experiência inesquecível e
indiscritível
J.8.3- Momento de maior Felicidade –Nascimento das
filhas
Partilha de “pequenos Participantes identificam como A.1.1 - Pequenos momentos recordados com alegria 9 PART
momentos” de Felicidade momentos maioríssimos de Felicidade E.14.2 - Felicidade associada a boas memórias com a nossa 26 CÓDIGOS
episódios momentâneos, significativos família,
pelo seu carater positivo ou pela E.14.3- Felicidade associada a bons momentos com a nossa
partilha com significativos entre os família,
quais a família/amigos ou consigo E.14.4 - Felicidade associada a bons momentos com
próprios pessoas próximas
E.4.1- Sensação de Felicidade igual a bons momentos
A.14.3 - Felicidade - Momentos/ imagens passadas e
Os participantes ao pensarem em marcantes
momentos de grande C.7.2 -” Felicidade associado ao sentir a cada momento”.
Felicidade pensam em imagens, B.8.7 - Perceção existem vários momentos marcantes de
sensações, situações de experiências Felicidade
que sentiram/viveram ou querem sentir F.14.1 - Felicidade associada a situações vividas.
e viver F.3.4 - Sabe-se que se é feliz quando se tem alguém com
quem partilhar e ajudar a resolver os problemas
F.13.2 - Ideia do que é Felicidade – estar perto de quem
gostamos
H.5.2 - Fatores de Felicidade –Estar na presença dos que
ama
H.5.3 - Fatores de Felicidade –Estar na presença
principalmente da família
H.14.1 -Pensa em situações
H.14.2 - Pensa em sítios
I.14.2 - Representação de Felicidade –Pensa em sensações

85
I.14.3 - Representação de Felicidade –Pensa em pessoas
I.14.4 - Representação de Felicidade –pensa em emoções
I.14.5 - Representação de Felicidade –pensa em situações
passadas
-
I.14.6 - Representação de Felicidade –Pensa em situações
futuras que gostaria de viver
J.14.1 -Quando fala em Felicidade -pensa em imagens
J.14.2 - Quando fala em Felicidade -imagina sorrisos
J.14.3 - Quando fala em Felicidade -pensa no riso
J.14.4 - Quando fala em Felicidade -pensa em imagens
D.14.1 Felicidade = a uma imagem
E.14.1Felicidade associada a pensar imagens, sensações,
situações).
Felicidade associada Participantes identificam como D.8.1- Momento de Felicidade = descoberta de um ideal 5 PART
concretização objetivos / ideal momentos de maior Felicidade D.8.2 - Momento de Felicidade =investimento no ideal 10 CÓDIGOS
pessoal momentos em que conseguem D.8.3- Momento de Felicidade= descoberta do ideal
concretizar objetivos e ideais pessoais B.8.1 - Momento Felicidade - Licenciatura
significativos C.8.2 - Momentos de Felicidade associado aos momentos
importantes projetos de vida
C.15.20 - FELICIDADE “PROJECTO PESSOAL”
B.8.4 - Felicidade associada à concretização dos objetivos
pessoais – LIC
G.7.2 - Felicidade aumenta – com a concretização de ideais
de vida
G.7.3 - A Felicidade aumenta – se se conseguir adaptar o
estilo de vida ao que idealizamos
J.8.2- Momento de maior Felicidade –O casamento
Felicidade associada a Participante identifica como G.13.8 - Felicidade é viver o momento presente com a 1 PART
experiências de momento momentos maioríssimos de Felicidade ausência de pensamentos. 7 CÓDIGOS
o momento presente G.13.9 - Felicidade é estar e viver o momento presente
G.13.10 - Felicidade é viver o momento
G.13.13 - Felicidade é saber viver o momento de forma
positiva
G.4.2 - Sensação de Felicidade viver o momento sem
pensar em nada
G.4.3 - Sensação de Felicidade – viver a experiência do
momento
G.5.4 - Fatores importantes para se sentir feliz – viver o
momento sem pensar em outras coisas

FELICIDADE E Felicidade – atividades lazer Para os participantes a Felicidade está A.2.3-Lazer 8 PART
LAZER ligada à realização de atividades de B.10.1 - Atividades FEL -“Faço tudo, tudo o que posso.” 25 CÓDIGOS
lazer que se gosta sendo exemplo a E.2.2 - Ser feliz é fazer o que se gosta

86
leitura, escrever, ver filmes, desporto, A.4.2 - Sensação de Felicidade -escrever
meditação. Reik, passear, estar com C.8.3 - Leitura associados a momentos de maior Felicidade
pessoas próximas B.10.2 - Atividades FEL LER
B.10.3 - Atividades FEL Ver filmes
A importância de realizar atividades B.10.4 - Atividades FEL Passear
que se gosta e dá satisfação leva à B.13.10 - Um passeio
Felicidade A.14.4- Felicidade Lazer (passeio)
C.8.4 - Desporto associados a momentos de maior
Felicidade
F.11.4 - Fazer o que se gosta implica sentir maior
Felicidade.
F.12.3- Sentir Felicidade é fazer o que se gosta e não dá
conta de o tempo passar
F.10.4- Na procura da Felicidade explora a informática
F.10.5 - Na procura da Felicidade colabora num atelier
F.12.6 - Felicidade é fazer o maior tempo possível o que se
gosta.
F.12.7 - O que distingue a Felicidade de outros sentimentos
é fazer o maior tempo possível o que dá satisfação
G.10.3 - Investiga sobre o bem-estar
G.10.5 - Faz meditação como procura da Felicidade
G.10. 7- Na procura da Felicidade faz meditação para
controlar o pensamento
H.10.1 -Procura da Felicidade – Faz Reik
H.10.2 - Procura da Felicidade- Tenta fazer meditação
H.10.3 - Procura da Felicidade -procura estar com pessoas
que não sejam tóxicas/ que façam bem
I.10.1 – Procura da Felicidade convive com pessoas
I.10.3 – Procura da Felicidade procura conversar
Felicidade – atividades em Para o participante a Felicidade está D.14.11. - Felicidade associada a atividades conjuntas 3 PART
conjunto com Outro ligada à realização de atividades em A.4.3 - Socialização 5 CÓDIGOS
conjunto com Outros- é a partilha que B.10.6 - Estar rodeada de amigos que contribuem para a
é destacada sua Felicidade e que se identifique.
B.10 .7 - Atividade FEL –rodeada pessoas “que se
identifiquem comigo”
B.13.11 - Uma caminhada com a pessoa certa
Felicidade é “atividade” Para o participante a Felicidade está D.14.3 - Felicidade associada a estar em atividade 2 PART
ligada à realização de atividades e não D.14.4 - Felicidade não é estado parado e contemplativo 11 CÓDIGOS
estado contemplativo. D.14.5 - Felicidade associada a estado ativo
Fazer/construir/estado ativo gera D.14.6 - Felicidade associada ao fazer
Felicidade D.14.7 - Felicidade associada ao fazer
D.14.8 - Felicidade associada a construir
F.10.1- Envolve-se ativamente na procura da Felicidade
fazendo um pouco de tudo
F.10.2- Envolve-se ativamente na procura da Felicidade
estando sempre ocupado.

87
F.10.3 - Envolve-se ativamente na procura da Felicidade
estando sempre a fazer algo.
F.10.6 - Procura estar ocupado o que não permite ter tempo
para perceber a inFelicidade
F.13.4 - Ideia do que é Felicidade – procurar coisas alegres

Felicidade é “estado Para o participante a Felicidade está G.14.1 - Quando se fala em Felicidade pensa na natureza 1 PART
contemplativo na natureza” ligada a um estado contemplativo a G.14.2 - Felicidade associada a natureza 7 CÓDIGOS
experienciar a natureza. G.14.3 - Felicidade associada a uma brisa
G.14.4 - Associa a Felicidade a uma brisa
G.14.5 - Associa a Felicidade à natureza
G.14.6 - Associa a Felicidade à água
G.3.4 - Felicidade é estar rodeado da natureza
Felicidade é “aquietude” Para o participante Felicidade G.7.4 - Viver numa aldeia auto-sustentavel gera 1 PART
é tranquilidade/ tranquilidade logo aumenta a Felicidade 10 CÓDIGOS
leveza/quietude G.7.5 - Felicidade aumenta com a tranquilidade
G.7.7 - A Felicidade aumenta – a viver numa aldeia auto-
sustentável com momentos de tranquilidade
G.12.3 - O que distingue a Felicidade de outros sentimentos
– torna-nos mais leves
G.12.5 - O que distingue a Felicidade de outros sentimentos
– é a leveza
G.13.1 - Felicidade é um ponto de leveza
G.13.2 - Felicidade é a quietude
G.4.1 - Sensação de Felicidade- o atingir a quietude
G.4.4 - Sensação de Felicidade – momento de quietude
onde se experiência todos os elementos que estão à volta
G.5.1 - Fatores importantes para se sentir feliz – a quietude

Experiências e Perda e (in)Felicidade Os participantes indicam as C.9.1 - Menor Felicidade - Perda de um amigo 5 PART
momentos de NÃO perdas/ausências físicas como C.9.2 - Menor Felicidade - Ausência física de um amigo - 11 CÓDIGOS
Felicidade momentos de inFelicidade perda
C.9.3 - Menor Felicidade - utentes vítimas mortais de covid
-19 associado ao contexto profissional
D.7.4 - As fatalidades contrariam a Felicidade
D.7.5 - As perdas contrariam a Felicidade
F.9.1 - Momento de menor Felicidade a morte da avó.
E. 9.1- Momento de menor Felicidade – perda da mãe
D.1.5 - InFelicidade associada à destruição da vida
H.9.1 -Momento menor de Felicidade – falecimento do pai
Conflitos e (in)Felicidade Os participantes indicam momentos de A. 2.5 Não Felicidade: quando os aspetos pessoais, 3 PART
conflitos/ conturbados e difíceis de profissionais não são os espectáveis 9 CÓDIGOS
gerir emocionalmente com a C.9.4 - Menor Felicidade - momentos conturbados e
difíceis de gerir emocionalmente.

88
família/amigos/pares ou profissionais J.9.1 - Momentos de menor Felicidade -vão acontecendo
como momentos de inFelicidade J.9.2 - Momentos de menor Felicidade – vários momentos
J.9.3 - Momentos de menor Felicidade -quando os pares
amigos ou familiares não tem comportamentos esperados.
J.9.4 - Momentos de menor Felicidade – no trabalho
quando corre mal
J.9.5 - Momentos de menor Felicidade – problemas
familiares
J.9.6 - Momentos de menor Felicidade – Problemas
familiares afetam mais do que com os pares
J.9.7- Momentos de menor Felicidade – Sentir que não é
compreendido ou que não estão de acordo com as suas
intenções causa tristeza.
O trabalho como vivencia de Para os participantes Felicidade é fazer F.12.1 - Distingue a Felicidade de outros sentimentos 2 PART
inFelicidade o que se gosta em detrimento do quando tem de ir trabalhar e deixar de fazer algo que gosta. 5 CÓDIGOS
trabalho, estilo de vida que gera F.12.2 - Distingue a Felicidade de outros sentimentos
ansiedade quando rompe com algo que gosta de fazer e tem de ir
trabalhar.
F.12.9 - Felicidade é estar em casa só a fazer o que se gosta
sem ter de trabalhar.
G.7.8 - Ser feliz acaba por ser uma utopia pois é necessário
trabalhar
G.7.6 - Ansiedade diminui a nossa Felicidade que é criada
pelo trabalho, estilo de vida e marketing
InFelicidade = experiências Os participantes indicam experiências A.9.1 - Menor Felicidade – casamento 3 PART
pessoais negativas pessoais negativas A.6.1 - “Fui feliz antes de casar e continuei a ser feliz 7 CÓDIGOS
Ex: casamento infeliz / divórcio como depois que me divorciei”
momento de inFelicidade I.9.1 -Momento de menor Felicidade - divórcio
I.9.2 --Momento de menor Felicidade -Divórcio foi uma
fase difícil
I.9.3 --Momento de menor Felicidade- o divorcio, mas
ultrapassou esta fase e hoje considera ter sido o melhor.
I.9.4 --Momento de menor Felicidade- o divórcio, foi uma
fase difícil que foi ultrapassada
I.9.5 --Momento de menor Felicidade -divorcio foi uma
fase difícil, mas ultrapassada
G.9.3 - Momento de menor Felicidade – o terminar o
relacionamento de 8 anos
G.9.4 - Momento de menor Felicidade -ter acabado um
relacionamento
InFelicidade ir contra aos Participante indica que inFelicidade é D.9.1 - Menor Felicidade = infidelidade aos princípios. 1 PART
princípios ir contra à essência dos seus princípios 1 CÓDIGOS
Experiências de inFelicidade = o Experiências negativas resolvem-se G.9.1 - Momento de menor Felicidade foi há muito tempo 1 PART
tempo e o desapego leva ao com o desapego e o tempo e eventualmente hoje já não faz sentido 2 CÓDIGOS
esquecimento

89
G.9.2 - Momento de menor Felicidade – hoje com o trenio
do desapego esse momento já não faz sentido

InFelicidade – realizar atividades A inFelicidade advém de realizar F.11.5 - Fazer o que não se gosta implica sentir maior 1 PART
que não se gosta atividades que não se gosta/ por inFelicidade. 4 CÓDIGOS
obrigação F.12.4 - Sentir inFelicidade é fazer algo que não gostamos
e perceber que o tempo não passa
F.12.5 - Sentir Felicidade é não perder tempo com coisas
que nos dão inFelicidade.
F.12.8 - Felicidade passa por não fazer as coisas por
obrigação

FELICIDADE AO Felicidade em todas as fases de Participantes expressam a ideia de que C.6.1 - Todas as etapas são um convite à Felicidade. 2 PART
LONGO DA VIDA vida a Felicidade é possível em todas as C.6.3 - “Todas as idades são um convite à Felicidade. 7 CÓDIGOS
etapas da vida C.6.7 - Felicidade – em qualquer fase de vida

I.6.2 - Etapa mais feliz -em todas as etapas é possível ser-


se feliz
I.6.3 - Etapa mais feliz -em todas as etapas, muda os
objetivos conforme as idades
I.6.4 -Etapa mais feliz -em qualquer etapa da vida
I.6.7 - Etapa mais feliz -em qualquer etapa da vida é
possível ser-se feliz
Infância e juventude menor Participantes expressam a ideia de que B.9.1 - Infância associada à inFelicidade 2 PART
Felicidade associam as experiências de vida na B 9.3 - Em criança não teve a perceção da 7 CÓDIGOS
infância e juventude como momentos Felicidade/inFelicidade
de menor Felicidade D.6.1 - Sobrevalorização da suposta Felicidade das
crianças
D.6.2 - Infância associada a sofrimento
D.6. 3 - Ser criança não implica ser feliz
D.6.4 - Ser jovem= ser infeliz
D.6.5 - Juventude = época menos feliz
Infância e adolescência maior Os participantes expressam a ideia de F.6.1 - Etapa mais fácil de ser feliz – infância porque não 4 PART
Felicidade que as etapas mais felizes são a sabem o que é a vida 22 CÓDIGOS
infancia e adolescência -contrariando F.6.2 - Etapa mais fácil de ser feliz – infância porque não
outros entrevistados sabem o que é trabalhar
F.6.3 - Etapa mais fácil de ser feliz – infância porque não
sabem o que é a vida
F.6.4 - Etapa mais fácil de ser feliz – infância porque não
sabem o que é a vida
F.6.5 - Etapa mais fácil de ser feliz – infância porque tudo
é alegria
F.6.6 - Etapa mais fácil de ser feliz – infância porque tudo
é festa

90
F.6.7 - Etapa mais fácil de ser feliz – infância porque tudo
é bom
F.6.8 - Etapa mais fácil de ser feliz – infância para mim
F.6.9 - Etapa mais fácil de ser feliz – experienciar algo
menos positivo na infância pode não ser a fase mais feliz
F.6.10 - Etapa mais fácil de ser feliz – infância porque teve
normalidade
F.6.11 - Etapa mais fácil de ser feliz – infância porque não
teve grandes dificuldades
F.6.12 - Etapa mais fácil de ser feliz – infância porque teve
mais do que o suficiente
F.6.13 - Etapa mais fácil de ser feliz – infância porque não
exige pensar em nada
F.6.14 - Etapa mais fácil de ser feliz – infância porque só
exige divertimento.
G.6.1 - Em que etapa da vida acha que é mais fácil ser feliz
– fase de criança e adolescente
G.6.2 - Em que etapa da vida acha que é mais fácil ser feliz-
fase de criança e adolescente devido a não se ter
preocupações
G.13.12 - Foi a fase da infância e da adolescência que
levaram ao entendimento do que é a Felicidade
H.6.1 – Etapa mais feliz - criança
H.6.2 -– Etapa mais feliz -criança, não se tem preocupações
H.6.3 -– Etapa mais feliz – criança, não se pensa no futuro
H.6.4 -– Etapa mais feliz criança, não se pensa nas perdas
de quem amamos
J.6.1 – Etapa mais feliz na infancia porque não há
responsabilidades
Felicidade com/ através da Participantes expressam a ideia de que E.6.3 - Percepção da Felicidade na idade adulta 3 PART
adultez associam a experiência mais plena de E.6.10 - Segunda fase de vida como garante do caminho da 8 CÓDIGOS
Felicidade na etapa de vida adulta – Felicidade
idade/experiências de vida e maior C. 15. 21- Idade / experiência de vida FACILITAM
maturidade potenciam a Felicidade ENCONTRO COM PROJECTO PESSOAL DE
FELICIDADE
C. 15.23 - Na 2.ª metade de vida como facilitadora do que
faz sentido
C.6.4 - Idade e contexto de vida potenciam o encontrar a
Felicidade.
C.6.5 - Idade e contexto de vida potenciam o encontro com
o sentido de vida.
C.6.6 - Idade e contexto de vida potenciam o sentido para
o que se faz.
F.5.2 - Fatores importantes para se sentir feliz- a idade dá
objetivos

91
Ser “cada vez mais feliz” Participantes expressam a sua situação B.2.1 - Considera-se feliz 8 PART
atual face ao sentimento de Felicidade, C.2.1 - Considera-se uma pessoa feliz. 25 CÓDIGOS
destacando-se a referência ao presente, B.6.9 - Apesar dos incidentes continua a sentir-se feliz
à uma progressão em relação a este B.6.10 - Cada dia que passa é mais feliz
sentimento (cada vez mais feliz), não B.7.3 - “Tudo leva a que me sinta feliz”
obstante eventuais dificuldades B7.4 - “Eu até às vezes tenho medo de dizer que sou feliz”
B.7.5 - Realça que é feliz
D.2.3 - Considera-se “a caminho” da Felicidade
D.6 7 - É feliz no presente
D.6.8 - É feliz no presente mesmo na imperfeição
C.2.1 - Considera-se uma pessoa feliz.
E.2.7 - Considera-se feliz
B.3.6 - Sente-se feliz no presente
B.6.1 - Sente-se feliz no presente
B.6.6 - “Eu sinto-me bem”
B.6.3 - “Cada vez sou mais feliz”
B.6.5 - Cada dia que passa é mais feliz
F.2.1 - Considera-se feliz
F.7.1 - Sente-se feliz por tudo o que tem
G.2.3 - Considera-se feliz porque do nada sente muitos
picos de Felicidade
G.2.4 - Considera-se feliz
J.2.1 -Considera-se feliz
J.2.4 -De modo geral considera-se feliz
I.7.1 De momento considera -se feliz
I.2.1 – Considera-se feliz

FATORES DE Superação de adversidades como Para os participantes um caminho/fator E.4.2 - É possível ser feliz nas dificuldades 5 PART
FELICIDADE/ motor para a Felicidade que leva à Felicidade é a superação de E.4.3 - É possível ser feliz nas dificuldades se realizar 23 CÓDIGOS
INFELICIDADE experiências de sofrimento/perda/ E.4.4 - É possível ser feliz nas dificuldades se superar
dificuldades, o que gera Felicidade. E.4.5 - É possível ser feliz nas dificuldades ao contribuir
para o bem-estar dos outros
E.6.1 - A experiência da perda leva ao reconhecimento da
Felicidade
E.6.2 - A experiência do sofrimento leva ao
reconhecimento da Felicidade
E.12.2- Felicidade -capacidade de superação do sofrimento
E.4.2 - É possível ser feliz nas dificuldades
E.4.3 - É possível ser feliz nas dificuldades se realizar
E.4.4- É possível ser feliz nas dificuldades se superar
B.6.2 - Felicidade associada ao ultrapassar dificuldades
B.8.2- Felicidade associada ao ultrapassar dificuldades
D.5 2 - Fator importante de Felicidade – “vencer
dificuldades e adversidades.”
D.5.3 - Fator importante de Felicidade - não desistir

92
D.12.2 - Felicidade compatível com a tristeza
D.12.3 - Possibilidade de Felicidade na perda se houver
sentido
D.12.4 - Possibilidade de Felicidade na perda se houver
harmonia
C.10.3 - Procura da Felicidade através das fragilidades.
F.2.2 - Ultrapassar dificuldades é sinónimo de Felicidade
F.3.3 - Sabe-se que se é feliz quando se ultrapassa os
problemas
F.14.3 - Felicidade associada a situações menos positivas
que ultrapassou e constituíram-se como aprendizagens.
F.8.1- Momento de maior Felicidade a cura do problema de
saúde
F.8.2 - Momento de maior Felicidade - ultrapassar o
problema grave de saúde

Felicidade é amor/ Na Felicidade os participantes F.4.7- Sensação de Felicidade = reconhecimento dos outros 3 PART
carinho/reconhecimento/ gratidão destacam como elemento central o que se fez bem 17 CÓDIGOS
do outro Outro, e em que medida o F.4.8 - Sensação de Felicidade = o outro que está perto de
reconhecimento/gratidão do outro nós reconhecer que ajudamos
constitui um quesito para a Felicidade F.4.1- Sensação de Felicidade = quando o outro reconhece
pessoal a nossa ajuda
I.4.5 -– Maior sensação de Felicidade – Sentir que somos
Sentir que gostam de nós e que os bem-vindos
outros seja família/amigos se I.4.6 -– Maior sensação de Felicidade – sentir que gostam
preocupem connosco e nos tratem com de nós
amor e carinho gera Felicidade I.4.7 -– Maior sensação de Felicidade -sentir que se
preocupam connosco
I.5.1 -Factor importante de Felicidade – Ser
contactada/lembrada pela família devido á distancia
I.5.2 - Factor importante de Felicidade –Apesar da
distância ser lembrada pela família
I.12.6 - Distinção da Felicidade -distinguimos a Felicidade
quando somos acarinhados pelos amigos
I.12.7 - Distinção da Felicidade -distinguimos a Felicidade
quando somos acarinhados pelos familiares
J.5.2 – Factor importante para se sentir feliz é sentir-se
amado pela família
J.5.3 – Factor importante para se sentir feliz é sentir-se
amado pelos amigos
J.5.4 – Factor importante para se sentir feliz é sentir-se
amado pelo grupo de pares
J.5.5 – Factor importante para se sentir feliz é sentir-se
acarinhado pela família e pessoas próximas
J.4.1 – Sensação de maior Felicidade é ser recebido em casa
com muito amor e carinho

93
I.13.3 - Representação de Felicidade –depende do feedback
recebido dos outros (conhecidos, amigos, familiares)
I.13.4 - Representação de Felicidade –depende do feedback
recebido dos colegas de profissão
Dedicação ao Outro como motor Para os participantes um caminho/fator D.4.1 - Felicidade = contribuir para a Felicidade dos outros 4 PART
para a Felicidade que leva à Felicidade é a dedicação ao E.7.4 - Felicidade aumenta- entrega aos outros 8 CÓDIGOS
outro (informalmente nas relações D.10.3 - A procura da Felicidade = compreender os outros
pessoais/ formalmente exemplo B.4.3- Felicidade associada à entrega ao outro
voluntariado) D.14.10 - Felicidade associada a imagens com pessoas
C.5.2 - Felicidade é a capacidade social e relacional
C.4.2 - Felicidade associada à capacidade de amar quem
está ao seu lado.
B.4.2 Felicidade associada aos alunos participarem nas
aulas (voluntariado)
Sentido de vida como motor para Para os participantes ser feliz ou a E.2.3 - Ser feliz igual a vida com sentido 3 PART
a Felicidade ideia/fator da Felicidade é determinada E.3.7 - Ser feliz é ter um sentido de vida 15 CÓDIGOS
por uma vida com sentido/ existência E.3.8 - Ser feliz como realização do sentido de vida
com sentido/ um propósito/ sonhos E.3.9 - Ser feliz é encontrar um sentido
E.13.2 - Ideia da Felicidade – realização do sentido de
existência
E.7.6 - Felicidade aumenta -com objetivos que levam à
autorrealização.
D.5.4 - Fator importante de Felicidade é encontrar sentido
das coisas
D.2 5 - Felicidade = “encontro com um propósito de vida”
D.5.5 - Fator importante de Felicidade é encontrar
propósito para o que faz
D.5.6 - Fator importante de Felicidade é encontrar
propósito para o que acontece à volta
C. 15.24 - Felicidade associada ao sentido pessoal
D.6 6 - Ser feliz=ter sonhos
C.7.3 - FELICIDADE associada às histórias pessoais
sentidas
C.7.4 - Felicidade associada às experiências sentidas
C.7.9 - A Felicidade como dimensão vivida das histórias
pessoais.
Ausência de Pensamentos tóxicos Para os participantes um G.5.2 - Fatores importantes para se sentir feliz -não é 3 PART
como motor para a Felicidade caminho/factor que leva à Felicidade é ausência de pensamento, mas não ruminar pensamentos 4 CÓDIGOS
não ruminar pensamentos tóxicos G.5.3 - Fatores importantes para se sentir feliz - não
ruminarmos os pensamentos
G.5.5 - Fatores importantes para se sentir feliz – ausência
de pensamentos externos
F.10.10 - No tempo livre de descanso não pensa nos
problemas

94
J.3.2 – Sabe que é feliz porque não fica a pensar nos
problemas
Amor próprio como motor para a Para os participantes um caminho/fator C.4.1- Felicidade associada à capacidade de se amar 2 PART
Felicidade que leva à Felicidade é amar-se / C.5.1 - Felicidade é amar-se como é 4 CÓDIGOS
aceitar-se a si próprio A.10.1- Procura da Felicidade - Amor-próprio
A.13.4 - Amor-próprio
Espiritualidade como motor para Para os participantes ser feliz implica E.5.1 - Felicidade associada a espiritualidade 2 PART
a Felicidade uma procura pela espiritualidade E.5.2 - Felicidade associada a espiritualidade no sentido de 13 CÓDIGOS

A espiritualidade como factor de E.5.3 - Felicidade associada a fé como transcendência,
Felicidade E.5.4 - Felicidade é fé que dá foco ao importante
E.5.5 - Felicidade é fé que diferencia a vida
Conceito de Felicidade associado à E.5.6 - Felicidade é fé que dá serenidade nas dificuldades
fé/espiritualidade. E.5.7- A fé como alavanca para a Felicidade
E.10.2 - Procura da Felicidade – através do
desenvolvimento espiritual
E.10.3 - Procura da Felicidade – não se procura, encontra-
se internamente
E.12.3 - Felicidade – dá sentido ao sofrimento
G.10.10 - Procura aprender através de palestras espirituais
G.10.6 - Na procura da Felicidade vê palestras sobre a
espiritualidade
G.10.12- Aprender através das palestras espirituais dá
calma e Felicidade
Realização profissional como Para os participantes um caminho/fator A.5.1 - Independência profissional 2 PART
motor para a Felicidade que leva à Felicidade é a A.13.2 - Carreira profissional 4 CÓDIGOS
independência e realização H.5.4- Factores de Felicidade –fazer o que se quer
profissional profissionalmente
H.5.5 - Factores de Felicidade – sentir-se realizada
profissionalmente
As experiências afetivas como Os participantes indicam as B.12.2 - Felicidade – ser amada 4 PART
motor para a Felicidade experiências de afeto / sentirem-se I.3.5 -Sabe-se que se é feliz se tivermos carinho e amor 11 CÓDIGOS
amados e acarinhados como motor I.4.1 – Maior sensação de Felicidade -ter carinho
para a Felicidade I.4.2 -– Maior sensação de Felicidade -amor da família
I.4.3 -– Maior sensação de Felicidade – amor dos amigos
H.7.1 -Aumentar a Felicidade- encontrar um amor
J.5.2 – Factor importante para se sentir feliz é sentir-se
amado pela família
J.5.3 – Factor importante para se sentir feliz é sentir-se
amado pelos amigos
J.5.4 – Factor importante para se sentir feliz é sentir-se
amado pelo grupo de pares
J.5.5 – Factor importante para se sentir feliz é sentir-se
acarinhado pela família e pessoas próximas

95
J.4.1 – Sensação de maior Felicidade é ser recebido em casa
com muito amor e carinho
Necessidades básicas preenchidas Participantes expressam sentimento de I.2.2 -Considera-se feliz porque tem o mínimo 4 PART
como motor para o sentimento de Felicidade, na medida em que têm o I.2.3 -Considera-se feliz porque tem o mínimo que 14 CÓDIGOS
Felicidade básico o essencial para viver sem necessita para estar bem na vida.
grandes preocupações (não passar I.2.4 – O ser humano é insatisfeito e quer sempre mais,
fome; ter casa; ter fonte de sustento; contudo considera-se feliz porque tem o essencial
dormir bem) I.3.1 – Sabe-se que se é feliz porque tem o básico para viver
I.3.2 - Sabe-se que se é feliz porque tem uma casa para
viver
I.3.3 – Sabe-se que se é feliz se não se passar fome
I.3.4 – Sabe-se que se é feliz se tivermos um meio de
sustento
H.2.2 – Em parte é feliz pelo que tem
H.1.4– Felicidade é ter o suficiente para viver
J.3.1 – Sabe que é feliz porque dorme bem
J.3.3 – Sabe que é feliz porque não tem grandes
preocupações
B.13.2 A casa
B.13.3 O carro
B.13.4. A comida
A saúde como motor para a Participantes definem genericamente E.2.4 - Ser feliz é ter saúde 3 PART
Felicidade Felicidade como estando associada ao F.1.1- Felicidade = não ter problemas de saúde 12 CÓDIGOS
estado de saúde F.1.2 - Felicidade = poder ter saúde para trabalhar
F.1.3 - Felicidade = a saúde é o mais importante
F.1.4 - Felicidade -primeiro a saúde depois vem muita coisa
F .1.5 - Felicidade = a ter saúde
F.1.8- Felicidade = ter saúde é o principal
F.5.11 - Fatores importantes para se sentir feliz-ter saúde
F.5.4 - Fatores importantes para se sentir feliz -ter saúde
F.7.2 - Sente-se feliz porque tem saúde
F.13.1 - Ideia do que é Felicidade – estar bem de saúde
H.1.5– Felicidade é ter saúde principalmente
A família /pessoas próximas Para os participantes um caminho/fator H.1.2 – Felicidade é ter família 4 PART
como motor para a Felicidade que leva à Felicidade é ter família ou F.2.3 - Considera-se feliz – porque tem os pais vivos que 13 CÓDIGOS
pessoas próximas prestam apoio.
F.2.4 - Considera-se feliz – porque tem o irmão
F.2.6 - Considera-se feliz – porque tem namorada
F.7.3 - Sente-se feliz porque tem família
F.7.5 - Sente-se feliz pela relação que tem com a namorada
F.5.7 - Fatores importantes para se sentir feliz – ter
companhia
F.5.8 - Fatores importantes para se sentir feliz – ter pais
vivos

96
F.5.9 - Fatores importantes para se sentir feliz – ter união
familiar
F.5.12 - Fatores importantes para se sentir feliz -ter família
F.5.13 - Fatores importantes para se sentir feliz -ter uma
companheira
E.2.5 - Ser feliz é ter família
I.3.7 - Sabe-se que se é feliz se tivermos família
Os amigos como motor para a Para os participantes um caminho/fator F.2.5 - Considera-se feliz – porque tem amigos 4 PART
Felicidade que leva à Felicidade é ter amigos F.7.4 - Sente-se feliz porque tem amigos 7 CÓDIGOS
H.1.3 – Felicidade é ter amigos
F.7.4 - Sente-se feliz porque tem amigos
I.3.6 - Sabe-se que se é feliz se tivermos amigos
B.5.1 Valor da amizade
B.13.5. Os amigos
Felicidade é ter dinheiro/ recursos Participantes definem genericamente a A.7.2 - Aspetos financeiros 3 PART
económicos Felicidade pela associação aos termos E.2.6 - Ser feliz é ter dinheiro 5 CÓDIGOS
dinheiro / recursos económicos F.4.3 - A questão monetária dá bem-estar
F.1.6 - Felicidade é ter dinheiro
F.7.6 - A Felicidade aumentava com um pouco mais de
recursos económicos
Felicidade não significa ter Para os participantes Felicidade não é F.4.2 - Sensação de Felicidade -Não tem a ver com a parte 2 PART
dinheiro sinónimo de dinheiro/recursos monetária 4 CÓDIGOS
económicos F.4.5 - Ter dinheiro não é sinónimo de Felicidade
F.1.7- Felicidade – segundo a sua experiência ter dinheiro
não significa que se seja feliz
G.1.4 - Felicidade não advém de bens materiais
Autoconhecimento como motor Para o participante o E.6.4 - Felicidade associada a autoconhecimento 1 PART
para a Felicidade autoconhecimento ajuda a saber se E.6.5 - Felicidade associada ao saber o que se quer 6 CÓDIGOS
somos felizes; contribuindo para o E.6.8 - Felicidade associada a reflexão existencial
aumento da mesma. E.7.1- Felicidade aumenta – com autoconhecimento
E.7.2- Felicidade aumenta – indo ao interior
E.7.5.- Felicidade aumenta – com autoconhecimento
A estabilidade como motor para a Para o participante ser feliz ou a F.5.5 - Fatores importantes para se sentir feliz-ter 1 PART
Felicidade ideia/fator da Felicidade é determinada estabilidade na vida 5 CÓDIGOS
por uma vida F.5.6- Fatores importantes para se sentir feliz- ter
com estabilidade profissional e na vida estabilidade
F.5.10- Fatores importantes para se sentir feliz –
estabilidade profissional
F.5.14- Fatores importantes para se sentir feliz -
estabilidade no trabalho
F.13.3 - Ideia do que é Felicidade – ter estabilidade
Valorizar as experiências Valorizar as experiências F.13.7 - Felicidade é a capacidade de menorizar os 1 PART
boas/positivas como motor para a boas/positivas em detrimento das más acontecimentos maus /não valorizar o mau e compensar 2 CÓDIGOS
Felicidade leva à Felicidade com o bom que se tem.
F.13.8 - Felicidade é valorizar o que se tem de bom.

97
PROCURA DA Busca da Felicidade no encontro Os participantes procuram a Felicidade C.10.8- Procura da Felicidade = Estar bem com o próprio 3 PART
FELICIDADE com o Eu através da escuta interna C. 10.1 - Procura da Felicidade – escuta do EU 18 CÓDIGOS
C. 10.7 - Procura da Felicidade=pensar no self
C.10.13 - “Somos Reflexo mundo interno”
C.10.14 - Felicidade - 1º procura interna
E.7.2 - Felicidade aumenta – indo ao interior
C.3.1- Sabe-se feliz através da escuta corporal
C.3.2 - Importância da capacidade escutar o corpo
C.3.3 - Sabe-se feliz percebendo o seu organismo /corpo é
um processo sereno.
C.3.4 Sabe-se feliz percebendo o seu organismo /corpo é
um processo de paz.
G.1.1 - Felicidade -vem do interior
G.1.2 - Felicidade – não vem do externo
G.1.6 - Felicidade vem do interior
G.1.7 - Felicidade vem da mente
G.1.8 - Felicidade sente-se sem motivo exterior
G.1.9 - Felicidade é algo que se sente
G.2.1- Felicidade vem do interior
G.8.4 - Felicidade vem de dentro
Procura da Felicidade na partilha D.10. 4 - A procura da Felicidade = ao serviço do que nos 3 PART
de experiências com outros Procura da Felicidade através da rodeia 4 CÓDIGOS
partilha de experiências positivas com C.10.5- Procura da Felicidade no contacto com pessoas
outros próximas
C.10.6 - Procura da Felicidade – PARTILHA DE
experiências
F.14.2 - Felicidade associada a procura de situações
positivas

Não preocupação com “procura” Quem é feliz não se preocupa com a D.3.1 - SER FELIZ “não nos preocupamos com essa 2 PART
pela Felicidade procura da Felicidade; procura” 5 CÓDIGOS
Os momentos surgem naturalmente D.3.2 - PREOCUPAÇÃO SER FELIZ = NÃO SER FELIZ
sem ser necessário a procura. J.10.2 – Na procura da Felicidade – não busca a procura
J.10.1 – Na procura da Felicidade os momentos vão
surgindo.
J.10.3 – Na procura da Felicidade os momentos surgem
naturalmente.
Busca da Felicidade na evolução Procura da Felicidade através da D.10.1 - Procura da Felicidade= ser melhor/evoluir 1 PART
do EU evolução pessoal D.10.2 - Procura da Felicidade = aperfeiçoamento da 5 CÓDIGOS
conduta
D.11.1- InFelicidade leva ao olhar interno para
aperfeiçoamento
D.14.9 - Felicidade associada ao evoluir

98
D.5.1 - “Superar a MIM próprio”

Implicações da Felicidade pessoal e saúde Para os participantes o sentir E.11.4 - Sentir ou não Felicidade tem implicações- nas 2 PART
Felicidade Felicidade tem impacto a nível da doenças 4 CÓDIGOS
saúde física e psicológica E.11.5 - Sentir ou não Felicidade tem implicações- na
angústia existencial
E.11.6 - Sentir ou não Felicidade tem implicações
prejudiciais na saúde física e psicológica.
G.12.4 - Distingue-se a Felicidade porque - nível físico
deixa-nos com outro estado
Felicidade pessoal como sustento Para os participantes a Felicidade B.11.1 - Sentir -se bem faz outros felizes 2 PART
da Felicidade do Outro pessoal tem implicações na C.10.16 Sentir Felicidade = fonte de equilíbrio para os - 5 CÓDIGOS
experiência emocional do outro outros
B.11.2 - EMOCOES positivas ou negativas têm
implicações consigo mesma e com outros
B.11.5 - Papel – “motor para outras pessoas”
B.11.6 - Outros sentem-se bem se estiver bem
Felicidade como fonte de outras Para os participantes a Felicidade C.11.2 - Felicidade dá esperança. 4 PART
emoções pessoal tem implicações na medida em B.12.4 - Distingue FEL - esperança 5 CÓDIGOS
que gera outras emoções positivas: A.11.1- Sentir Felicidade – dá motivação
esperança, motivação, entusiasmo I.12.9 - Distinção da Felicidade -distingue-se Felicidade
pela motivação
I.12.10 - Distinção da Felicidade -sente-se um entusiasmo
diferente
Felicidade e experiências de vida Para os participantes a Felicidade B.11.3 - Felicidade tem implicações nas experiências de 6 PART
pessoal tem implicações nas diversas vida (do Outro?) 29 CÓDIGO
áreas e experiências de vida F.11.1 - Sentir Felicidade tem implicações em tudo
(trabalho/comportamento/ bem-estar F.11.2 - Sentir Felicidade tem implicações no trabalho
pessoal/humor ; relação/ interação com F.11.3 - Sentir Felicidade tem implicações em todas as
outros) coisas que fazemos
G.11.1 - Implicações o sentir ou não a Felicidade tem na
experiência de vida - Picos grandes de Felicidade, vai
refletir-se na relação com os outros
G.11.2 - Implicações o sentir ou não a Felicidade tem na
experiência de vida – tem implicações na maneira de estar
G.11.3 - Implicações o sentir ou não a Felicidade tem na
experiência de vida – tem implicações no comportamento
que muda
G.11.4 - Implicações o sentir ou não a Felicidade tem na
experiência de vida – tem implicações no influenciar
pessoas a serem mais felizes
G.11.5 - Implicações o sentir ou não a Felicidade tem na
experiência de vida – tem implicações porque altera tudo à
nossa volta

99
G.11.6- Implicações o sentir ou não a Felicidade tem na
experiência de vida – tem implicações porque proporciona
momentos bons
I.11.1 -Implicações da Felicidade- sente-se mais solta
I.11.2 -– Implicações da Felicidade-comunicação mais
alegre com os outros
I.11.3- Implicações da Felicidade- brinca mais
I.11.4 - Implicações da Felicidade- mais sentido de humor
I.11.5 - Implicações da Felicidade- internamente há uma
mudança
I.11.6 - Implicações da Felicidade- se estiver triste a
comunicação com o outro não é alegre
I.11.7 - Implicações da Felicidade- tem a ver com o nosso
estado de espírito
I.11.8 - Implicações da Felicidade- tem grandes
implicações na nossa vida
I.11.9 - Implicações da Felicidade- tem implicações na
maneira de ser
I.11.10 - Implicações da Felicidade- tem implicações
profissionalmente
I.11.11 - Implicações da Felicidade- se estiver bem consigo
própria profissionalmente tudo corre melhor
I.11.12 - Implicações da Felicidade- interfere no tipo de
interações
H.11.1 -Implicações da Felicidade – tem muitas
H.11.3 - Implicações da Felicidade -Quando sente
Felicidade transborda alegria
H.11.4 - Implicações da Felicidade – estar feliz reflete-se
positivamente na relação com outros
H.11.5 - Implicações da Felicidade - estar infeliz reflete-se
negativamente na relação com outros
J.11.1 – Implicações da Felicidade -tem implicações em
dormir bem
J.11.2 - Implicações da Felicidade -é importante dormir
bem
J.11.3 - Implicações da Felicidade -A inFelicidade dificulta
o sono

Impacto da sociedade Reconhecimento do impacto da Participantes declaram ter perceção de D.15.2 - A sociedade tenta coagir 3 PART
na conceção e vivências sociedade que existe impacto da sociedade nas D.15.16 - Somos pensados socialmente 9 CÓDIGOS
de Felicidade nossas representações pessoais e D.15.17 - Coação social ligado à educação
inclusive na de Felicidade D.15.12 - Grau de consciência confere conhecimento da
influência social

100
D.15.11 - Há características sociais que estão em nós e nos
revemos
I.15.6 - Coação social – a sociedade obriga a alguns
padrões sociais
J.15.7 - Coação social –Considera que a sociedade exige a
simpatia pelo outro
J.15.4 - Coação social –considera que a sociedade impõe o
respeito uns pelos outros
J.15.1 -Coação social – A sociedade impõe de alguma
forma
Não influência da sociedade Participantes declaram não sentir o E.15.2- Nesta fase de vida não sente coação social 6 PART
impacto/ influência ou qualquer forma E.15.4- No geral não sente coação 20 CÓDIGOS
de coação social na sua representação E.15.8 - Rejeição de todas as formas de coação social.
e vivência de Felicidade A.15.1- Coação social não sente
A.15.2 Coação social – O que os outros pensam não
interessa
A.15.3 ou 10.1- Coação social – Agir em conformidade
connosco próprios.
D.15.1- Não se sente coagido a ser feliz
D.15.3 - Não se sente coagido a ser feliz pela sociedade
D.15.4 - Consegue o evitamento da coação social
C. 15. 11 - A sociedade não tem de ditar as regras
D.15.13 - Não perceção das influências
D.15.14 - Não consciências da influência social
F.15.11 - Sabe que vive em sociedade, mas tenta não se
deixar influenciar pela mesma.
F.15.12 - Não permite que os problemas sociais interfiram
na sua Felicidade
F.15.5 - Sente-se egoísta /narcisismo em relação à
sociedade
F.15.6 - Os problemas de saúde ajudam a ter consciência e
a não permitir a influencia social
F.15.2 - Não permite que a inFelicidade dos outros o afete.
H.15.4 - Coação social -Não se sente coagida
H.15.6 - Coação social -Não se sente coagida a ter de ser
feliz
Reconhecimento da influência da Participantes declaram sentir o B.15.1 - Sente-se coagida a ser feliz 7 PART
sociedade impacto/ influência ou qualquer forma B.15.2 - Não todos os dias, mas sente-se coagida 15 CÓDIGOS
de coação social, mesmo que parcial, B.15.3 - Sente-Se coagida a ser feliz porque os outros assim
na sua representação e vivência de o esperam.
Felicidade B.15.4 - A sociedade exige Felicidade
B.15.5 - O grupo de amigos exige boa disposição.
E.15.3 - Coação social-Esporadicamente
G.15.1 - Sente-se coagido socialmente no trabalho
F.15.7 - Noticias de sofrimento humano influenciam
socialmente a Felicidade do individuo

101
F.15.8 - Longe dos média a influencia social é menor
H.15.5 - Coação social – Sente coação da família a ter de
ser feliz
I.15.1 – Coação social – Sim, acha que sim
J.15.8 - Coação social –Sente-se coagido no trabalho a
seguir normas sociais
J.15.9 - Coação social –No trabalho não se pode transmitir
sentimentos negativos
J.15.10 - Coação social – Transmitir sentimentos positivos
seja no trabalho ou no dia a dia somos mais aceites
I.15.7 - Coação social –existe coação social, mas devemos
ter capacidade de dar a volta, mas não é fácil.
Sociedade - Felicidade “ilusória” Os participantes não se identificam e D.15.5 - A sociedade = uma falsa Felicidade 5 PART
posicionam-se criticamente à D.15.6 - Sociedade = máscara de Felicidade 10 CÓDIGOS
representação social de Felicidade que C. 15.15 - RECONHECIMENTO DE NÃO SE
consideram ilusória (falsa, máscara). ENQUADRAR NOS VALORES SOCIETAIS DE
A sociedade atual não gera Felicidade FELICIDADE
G.6.3 - Não seguir o marketing e aquilo que a sociedade
nos impõe leva à Felicidade
G.6.4 - Não nos deixarmos influenciar por aquilo que a
sociedade impõe leva à Felicidade
G. 10. 11 - Ser feliz associado ao não nos deixarmos afetar
por aquilo que os outros dizem
H.15.1 - Coação social - A sociedade não dá Felicidade
H.15.2 - Coação social – A sociedade gera inFelicidade
H.15.3 - Coação social – Considera que as pessoas não são
felizes
I.15.2 - Coação social – A sociedade coloca barreiras à
Felicidade
Sociedade - Felicidade Os participantes percecionam esta E.15.6 - Comunicação social-impõe uma Felicidade 2 PART
“materialista” sociedade incluindo a comunicação materialista 4 CÓDIGOS
social como impondo uma E.15.7- Comunicação social-impõe o consumismo
representação de Felicidade de índole C. 15.13 - Valores SOCIETAIS ATUAIS = Felicidade
essencialmente materialista material
C. 15. 14 - SOCIEDADE GLOBALIZADA -
FELICIDADE MATERIAL

Não coação social relativamente à Participante não considera que a J.15.2 - Coação social –Não sabe se impõe a Felicidade 1 PART
Felicidade sociedade exija Felicidade J.15.3 - Coação social –Acha exagero dizer que a sociedade 3 CÓDIGOS
impõe a Felicidade
J.15.6 - Coação social –Não considera que a sociedade
exija Felicidade
Influência da sociedade maior em A coação social da Felicidade advém D.15.8 - Manipulação social depende da personalidade 1 PART
“personalidades vulneráveis” da personalidade do EU e do seu grau D.15.9 - Coação social depende de características de 3 CÓDIGOS
de inconsciência personalidade

102
D.15 10 - Há características da personalidade manipuláveis

103

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