O DESCONHECIDO
Existe um desconhecido a quem não dirijo a
palavra,
não sigo nas redes e nem menciono nos jantares de
família.
Um desconhecido que ninguém menciona diante de
mim,
porque, embora saibam dele, não o dizem quando
estou presente.
Ele e eu não nos conhecemos, mas quando fecho os
olhos e falo com Deus,
ainda peço pelos seus sonhos.
Ainda seguro minhas lágrimas quando alguém diz o
seu nome,
e escondo o desejo de saber da sua vida.
Guardo minha carteira com medo de que nossa
foto,
aquela que escondi por tanto tempo, venha à luz
e revele a todos o amor que nunca pude matar.
Mais uma noite me encontro escrevendo sobre
você,
lembrando suas palavras, mas sobretudo seus
olhos:
o brilho que tinham ao me olhar.
E me pergunto por que tudo precisou começar para
depois terminar.
Não encontro sentido no amor.
A teoria diz que ele é necessário e belo, ainda que
finito;
mas agora minha alma nunca estará completa,
porque você se foi.
Ao conhecer você, senti descobrir uma parte minha
que me faltava:
estar contigo foi tocar o universo em segundos,
foi viver nas nuvens e desejar esse para sempre.
Quanto mais cresço, mais complico minha vida.
Não sei decidir, menos ainda amar. Eu abandonaria
tudo por amor. A quem devo seguir? O que é
realmente correto?
De que serve dizer que sinto sua falta?
Já não quero voltar a amar , não sei se amo para
esquecer,
nem sei se sou capaz de suportar intimidade sem
lealdade,
sem segredos partilhados.
Não falo de corpos nem de peles, falo de sentir tua
presença
mesmo depois de meses. Conhecer nossos maiores
desejos
sem ao menos trocarmos um “feliz ano novo”.
Esse desconhecido um dia segurou minha mão e
disse que eu era seu sonho,
promessas que pareceram tão reais.
Como distinguir entre mentiras e amor verdadeiro?
Para onde vai todo esse amor que não pedi sentir?
Você chegou inesperadamente e mudou tudo.
Como seguir vivendo depois disso?
Esquecer o quanto amei? Ignorar que você ainda
existe, mas não ao meu lado?
Como espera que eu sofra isso mais de uma vez?
Minha alma não alcança para tanto.