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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA

CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE


CURSO DE FARMÁCIA

Maiza Carlin

MARCADORES TUMORAIS: C-erbB-2 e CEA

Santa Maria, RS, Brasil


2025
1. INTRODUÇÃO

O câncer é uma condição caracterizada pela proliferação desregulada de


células, e identificar seu estágio inicial é desafiador. Normalmente, o câncer está ligado
ao crescimento neoplásico, frequentemente chamado de tumor; no entanto, certos tipos,
como linfoma, leucemia e mieloma, não apresentam essa associação tumoral.
(Palakollu et al., 2024)
É comumente atribuído a mutações em múltiplos genes e processos como
metilação do DNA, modificações de histonas e silenciamento mediado por RNA
desempenham papéis cruciais na manutenção da transmissão consistente dos estados
de atividade gênica de uma geração de células para a próxima. Além disso, as células
cancerosas têm a capacidade de se espalhar para diferentes órgãos do corpo através
da corrente sanguínea, facilitando assim a disseminação da doença. (Palakollu et al.,
2024)

2. O QUE SÃO MARCADORES TUMORAIS?

Antigamente, o termo marcador tumoral se referia a qualquer substância de


caráter bioquímico, que pode ser produzido ou induzido pela célula neoplásica,
refletindo seu crescimento e atividade, bem como detectar sua presença, evolução e
possível resposta terapêutica, ou seja, considerava-se como "marcador" qualquer
substância capaz de ser detectada em soro periférico de determinado paciente que
possuía alguma neoplasia. Atualmente, sabe-se que componentes teciduais,
hormônios, ácidos nucléicos, poliaminas, antígenos, enzimas, proteínas e lipídios
específicos da membrana celular também podem ser utilizados como marcadores,
capazes de definir diferentes prognósticos e distintas condutas terapêuticas para cada
caso. (Fernandes; Matos, 2002)

3. C-erbB-2

3.1 TIPO DE TUMOR QUE MARCA E LOCALIZAÇÃO (TECIDO/ORGÃO)

O receptor 2 do fator de crescimento epidérmico humano (C-erbB-2) é um oncogene


com peso molecular de185Kd. Receptor tirosina quinase glicoproteico e uma proteína
transmembrana direcionável da família do receptor de fator de crescimento epidérmico
(EGFR), que desempenha um papel crucial na proliferação, sobrevivência e
diferenciação celular. (Cheng, 2024)
Sua sinalização aberrante do HER2 está implicada em vários tipos de câncer,
particularmente nos cânceres de mama e gástrico, onde a superexpressão ou
amplificação do HER2 se correlaciona com comportamento tumoral agressivo e
prognóstico ruim. (Cheng, 2024)
O gene C-erbB-2 também se encontra super expressado em outras neoplasias
humanas, como no adenocarcinoma de pulmão, onde o produto proteico do C-erbB-2 é
observado em 28% a 38% dos casos, e associado a piora de prognóstico. Sua
expressão no sangue periférico se correlaciona com a carga tumoral e encontrando-se
níveis mais altos nos tumores em estágio III e IV. Pode, porém, ser detectado antes
mesmo do diagnóstico clínico, estando elevado precocemente no processo de
carcinogênese. (Chamhum De Almeida et al., [S.d.])

3.2 QUAL O SIGNIFICADO CLÍNICO E PROGNÓSTICO


A superexpressão ou amplificação do HER2 se correlaciona com comportamento
tumoral agressivo e prognóstico ruim como maior taxa proliferativa e maior risco de
recorrência. (Cheng, 2024)

3.3 DIAGNÓSTICO E TÉCNICA UTILIZADA PARA DETECÇÃO.

O diagnóstico de câncer de mama HER2-positivo envolve diversas abordagens para


avaliar a expressão ou amplificação gênica de HER2 com precisão, como a imuno-
histoquímica, hibridização in situ fluorescente, consideradas o padrão-ouro para
detecção e hibridização in situ cromogênica, técnicas moleculares usadas para detectar
a amplificação do gene HER2 em células tumorais. Assim como a hibridização in situ
fluorescente (FISH), a hibridização in situ cromogênica (CISH) usa sondas de DNA que
têm como alvo a região do gene HER2, mas as sondas são marcadas com substâncias
cromogênicas. A hibridização in situ com prata (SISH) é uma variação da CISH que usa
coloração com prata para visualizar a amplificação do gene HER2. A SISH fornece sinais
claros e nítidos que podem ser facilmente interpretados por patologistas. (Cheng, 2024)
O sequenciamento de última geração é uma técnica molecular de alto rendimento
que pode detectar mutações e amplificação gênica de HER2 e fornecer um perfil
genômico abrangente de tumores, podendo ser usada em ambientes de pesquisa ou na
prática clínica para pacientes com câncer de mama avançados ou metastáticos para
orientar decisões terapêuticas direcionadas e na avaliação do prognóstico. (Cheng,
2024)

3.4 VALOR DE REFERÊNCIAS

Na imunohistoquímica, o resultado pode determinado como negativo, inconclusivo


ou positivo. Utiliza-se a escala com cruzes, que variam de 0 a 3, sendo os exames com
zero cruzes ou 1+ considerados negativos, os exames com 2+ são considerados
inconclusivos e encaminhados para outro exame complementar (FISH), que faz uma
reanálise da presença de Her-2 por outro método (imunofluorescência) e pode ser
positivo ou negativo. Já os exames 3+ são considerados positivos. (BRASIL, [s.d.]; Wolff
et al., 2018)

4. CEA

4.1 TIPO DE TUMOR QUE MARCA E LOCALIZAÇÃO (TECIDO/ORGÃO)

Antígeno carcinoembrionário (CEA) glicoproteína da superfície celular expressa


durante o desenvolvimento fetal, mas ausente em tecidos adultos normais. E geralmente
é utilizado para diagnóstico, prognóstico e monitoramento de tratamento de vários tipos
de tumores, incluindo câncer colorretal, e em alguns casos pode estar elevado em
câncer de pulmão, pâncreas, mama e fígado. (Izabella Abreu de Melo et al., 2020)

4.2 SIGNIFICADO CLÍNICO, DIAGNÓSTICO E PROGNÓSTICO

Falta especificidade e sensibilidade suficientes para que o teste sirva como base
independente para o diagnóstico de câncer. No entanto, o CEA sérico fornece
informações valiosas sobre a probabilidade de presença de câncer, seu estágio e a
presença de metástases, além de facilitar o monitoramento do curso da doença e seu
potencial de recorrência.(Niedzielska; Jastrzębski, 2025)
Devido as limitações dos níveis séricos de CEA em termos de sensibilidade,
recomenda-se que métodos diagnósticos adicionais (incluindo imagens) sejam
empregados em conjunto com a medição do CEA para garantir a adequação do
monitoramento do paciente. (Niedzielska; Jastrzębski, 2025)
Não é indicado para diagnóstico inicial, mas é amplamente aplicado no
monitoramento pós-cirúrgico (Barry; Keller, 2022), onde níveis persistentemente
elevados após cirurgia, sugerem doença residual ou metástases, sendo considerado um
marcador de prognóstico desfavorável (Harris et al., 2007).

4.3 TÉCNICA UTILIZADA PARA DETECÇÃO.

O método mais amplamente utilizado para medir os níveis de CEA é o ensaio


imunoenzimático monoclonal (EIA ou ELISA) automatizado de duas etapas, que
consiste em um anticorpo de captura, fixado a uma micropartícula. Um suporte sólido
captura essa micropartícula e quaisquer moléculas de CEA ligadas durante as etapas
de lavagem. Em comparação com a detecção colorimétrica tradicional, a fluorescência
aumenta a sensibilidade, especialmente ao lidar com baixas concentrações de CEA,
esse método é chamado de ensaio imunoenzimático de micropartícula. Além da
fluorescência, a quimioluminescência também é utilizada como método de detecção
eficaz para ensaios de CEA. (Kankanala; Mukkamalla, 2023)

4.4 VALOR DE REFERÊNCIA

Em adultos saudáveis e não fumantes, o CEA é considerado dentro dos limites


normais em um nível menor ou igual a 3,0 µg/L. Já em adultos fumantes, os níveis
podem apresentar CEA elevado, elevando os limites máximos normais para 5 µg/L.
Níveis séricos de CEA pré-tratamento superiores a 5 µg/L, mas inferiores a 10
µg/L, sugerem doença localizada, baixa probabilidade de recorrência e prognóstico
favorável. Um nível sérico acima de 10 µg/L indica maior probabilidade de recorrência e
pior prognóstico. (Kankanala; Mukkamalla, 2023)
Títulos séricos acima de 20 µg/L geralmente estão associados à doença
metastática em cânceres de mama e cólon. (Kankanala; Mukkamalla, 2023)

5. CONCLUSÃO

Os marcadores tumorais, como C-erbB-2 e CEA, são ferramentas valiosas na


prática clínica em oncologia e imunologia. Apesar de suas limitações quanto à
sensibilidade e especificidade, seu uso adequado auxilia na estratificação de risco,
definição de terapêutica alvo e monitoramento da evolução clínica.
Enquanto o C-erbB-2 representa um marcador molecular fundamental no câncer
de mama, associado a terapias específicas, o CEA se destaca como importante no
acompanhamento do câncer colorretal, sendo um parâmetro útil para avaliar resposta e
recidiva. Assim, a integração dos marcadores tumorais com outros métodos
diagnósticos constitui um pilar essencial na personalização do tratamento oncológico.
REFERÊNCIAS

Barry, A.; Keller, J. M. Tumor markers: Clinical utility and limitations. Clinical
Chemistry, v. 68, n. 1, p. 25-38, 2022.

Brasil, P. C. DE M. Como interpretar o resultado da


imunohistoquímica? Disponível em: <[Link]
interpretar-o-resultado-da-imunohistoquimica/>.

Chamhum De Almeida, J. R., de Lima Pedrosa, N., Leite, J. B., Ribeiro, T., Fleming, P.,
Henriques De Carvalho, V., de Assis, A., & Cardoso, A. (n.d.). Marcadores Tumorais:
Revisão de Literatura Tumor Markers: a Literature Review.

Cheng, X. (2024). A Comprehensive Review of HER2 in Cancer Biology and


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Fernandes, L. C., & Matos, D. (2002). Marcadores tumorais no câncer colorretal.


Revista Do Colégio Brasileiro de Cirurgiões, 29(2), 106–111.
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Harris, L. et al. American Society of Clinical Oncology 2007 update of


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Izabella Abreu de Melo, M., Rodrigues Correa, C., da Silva Cunha, P., Miranda de
Góes, A., Assis Gomes, D., & Silva Ribeiro de Andrade, A. (2020). DNA aptamers
selection for carcinoembryonic antigen (CEA). Bioorganic & Medicinal Chemistry
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Kankanala, V. L.; Mukkamalla, S. K. R. Carcinoembryonic Antigen. Disponível em:


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Molina, R., Barak, V., van Dalen, A., Duffy, M. J., Einarsson, R., Gion, M., Goike, H.,
Lamerz, R., Nap, M., S&ouml;l&eacute;tormos, G., & Stieber, P. (2005). Tumor
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Niedzielska, J., & Jastrzębski, T. (2025). Carcinoembryonic Antigen (CEA): Origin,


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Palakollu, V. N., Veera Manohara Reddy, Y., Shekh, M. I., Vattikuti, S. V. P., Shim, J., &
Karpoormath, R. (2024). Electrochemical immunosensing of tumor markers.
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Wolff, A. C., Hammond, M. E. H., Allison, K. H., Harvey, B. E., Mangu, P. B., Bartlett, J.
M. S., Bilous, M., Ellis, I. O., Fitzgibbons, P., Hanna, W., Jenkins, R. B., Press, M. F.,
Spears, P. A., Vance, G. H., Viale, G., McShane, L. M., & Dowsett, M. (2018). Human
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