ÉTICA MINISTERIAL
Ética como um ramo da Filosofia é algo abrangente e que se divide
em diversos tipos, os quais não consideraremos pois não são objetos de
nosso estudo. Particularmente existe a ética cristã que se baseia em
princípios bíblicos. “Ética cristã é o estudo sistemático e prático da vida
moral do homem determinada pelo seu valor e sua norma cristã como
revelado nas escrituras.” (Hans Ulrics), Ética dos dez mandamentos. De
acordo com a Enciclopédia Candeias v,2 “Ética é a conduta ideal do
indivíduo.” O propósito, portanto, desse pequeno trabalho é propor uma
reflexão da conduta ou relacionamento entre os membros do ministério,
pois o sucesso ministerial do obreiro depende em grande parte do seu
bom relacionamento, tanto com seus pares, bem como seus superiores e
cooperadores.
1. RELACIONANDO COM OS SUPERIORES.
A maior parte dos líderes cristãos ocupam posição de liderança
intermediária, tem cooperadores os quais lideram, seguem outros líderes
e todos eles seguem ao Senhor. Essa compreensão é fundamental para a
ética relacional.
1.1. E PRECISO RECONHECER A LIDERANÇA UNGIDA POR DEUS.
Não é a submissão cega, incondicional, irracional, a alguém que
usurpou uma posição e quer falar em nome de Deus, mas cuja vida e
conduta está em total dissonância com a palavra de Deus. Mas um
homem sobre quem repousa visivelmente a graça de Deus, cuja conduta
está em total consonância com a palavra de Deus e os frutos abundantes
na sua vida e obra demonstram a aprovação divina.
1.1. Nos tempos de Eli sacerdote do Senhor, devido a corrupção reinante,
Deus levantou um jovem por nome Samuel, que em pouco tempo teve
reconhecimento nacional. ”Todo o Israel desde Dã até Berseba
reconheceu que Samuel fora confirmado como profeta do Senhor 1 Sm
3.20.
1.2. Da mesma forma Davi, foi chamado pelos seus homens como
“Lâmpada de Israel”, 2 Sm 21.17, embora Davi já fosse idoso, não tinha
mais o mesmo vigor de sua juventude, mas por causa da unção de Deus na
sua vida ainda era a lâmpada de Israel.
1.3. Seja um jovem ou um homem idoso se repousar sobre ele a
inconfundível chamada de Deus, devemos ama-lo, protege-lo e sobretudo
segui-lo.
2.É PRECISO OBEDEDECER A LIDERNÇA UNGIDA POR DEUS.
2.1. A obediência é uma forma correta de reconhecer uma autoridade. Só
aqueles que se submetem a autoridade podem exercer autoridade. Quem
manda precisa saber obedecer. Somos aconselhados a obedecer nossos
líderes Hb 13.17.
2.2. É necessário reconhecer nossa esfera de ação. Moisés orientou seus
cooperadores para resolverem as coisas simples, mas as grandes deveriam
trazer a ele Ex 18.22, todos nós devemos conhecer nossos limites de
atuação e não ir além deles, para não trazer transtornos a obra de Deus.
2.3. Miriã, Nadabe e Abiú, foram julgados por não conhecerem seus
limites, parece que Deus não age assim tão severamente a ponto de
tornar alguém leproso ou mesmo matar, estamos na dispensação da
graça, porém, não podemos abusar da graça de Deus.
2.4. Um belíssimo exemplo para ser seguido é o de Paulo, mesmo sendo
um autêntico apóstolo chamado por Deus, detentor de muita autoridade,
ele não ia além da esfera concedida por Deus 2 Co 10.13-14.
3. É PRECISO CONFERIR HONRA AOS LÍDERES
Honrar é mais que obedecer, honrar é reconhecer a dignidade a
posição e o serviço que a pessoa presta na obra de Deus. O só pertencer
ao ministério já é uma honra Hb 5.4, e quando este é exercido com
seriedade a honra é maior ainda.
3.1. Paulo admoestou a igreja de Filipos para que viesse a honrar
Epafrodito Fp 2.29, pelo serviço que ele prestara tanto ao próprio
apóstolo bem como a igreja dos filipenses. Epafrodito honra a Paulo
servindo-o abnegadamente, e Paulo honra a Epafrodito exaltando suas
qualidades perante a igreja. Este é um modelo entre o líder e seus
cooperadores, que precisa ser seguido por todos que exercem posição de
liderança.
3.2. Em 1Tm 5.17, temos outra recomendação de Paulo a respeito de
honrar aqueles que presidem entre nós. Presidir tem a conotação de
governar, refere-se à superintendência geral, e que ao mesmo tempo se
esforçam no ministério da palavra.
3.3. A (NVI), traduz por “dupla honra”, pode significar que o autor tenha
em mente mais do que remuneração financeira, mas que o respeito e a
consideração também estão inclusos aqui.
Observações:
O Pr presidente bem como o vice devem ser recebidos com
deferência ao visitar as congregações do campo.
Quando o Pr presidente se fizer representar por alguém essa pessoa
deverá ser tratada com a mesma dignidade, pois nela está
representada a autoridade do presidente.
Em cultos de homenagem, aniversários de pastores, estando
presente o Pr presidente ele será o ultimo a falar.
O término do culto estará a cargo do Pr presidente ou o vice e
também caberá a eles impetrar a bênção apostólica.
Essas atitudes demonstram a nossa boa formação e o respeito que
temos com nossos líderes.
4.1. Relacionando Com o Antecessor.
O antecessor é o pastor que sai, entregando ao seu sucessor o
pastorado da igreja. Embora essa seja uma administração comum ao
nosso meio, mas mesmo assim vem gerando algumas agudas dificuldades.
É preciso graça de Deus, muita sensibilidade, aliado ao respeito mútuo a
fim de ter uma relação harmoniosa. Segue-se algumas atitudes, que
devem ser tomadas pelo antecessor.
4.2. O Antecessor.
Deve se conscientizar que o seu trabalho pastoral junto aquela
igreja terminou e que agora se encontra em outras mãos.
O pastor atual deve ter a liberdade de exercer o seu ministério sem
a interferência do seu antecessor e este deve contribuir para isto.
Nenhum pastor deve voltar com freqüência para conversar (fofocar)
com os irmãos ou ouvir comentários sobre o trabalho do seu
sucessor.
Se o pastor anterior for convidado para realizar casamentos,
aniversários, noivados, o que é natural acontecer, este deve
conversar com o pastor em exercício a respeito desses eventos.
Deverá evitar a transferência de membros da igreja que estava
pastoreando para a que irá pastorear, principalmente aqueles que
possuem um poder aquisitivo maior.
É preciso ser sábio a fim de não ser manipulado por membros da
igreja anterior a fim de humilhar o pastor atual.
4.3. O SUCESSOR.
Deve reconhecer que embora o trabalho pastoral do seu
antecessor findou as amizades que ele construiu continua. E
evidente que ele deseja cultiva-las. A relação pastoral acabou,
mas as amizades continuam.
Impedir os membros da igreja de convidar o pastor anterior para
visita-los ou de participar de um momento social e o mais grave
até de pregar na igreja é uma enorme incoerência ética, além de
demonstrar falta de confiança em si mesmo.
Deve honrar e respeitar seus antecessores sempre que possível
falando bem. Quem rebaixa o outro nunca se exalta si mesmo.
Ao chegar na nova igreja não fazer mudanças bruscas ou tomar
decisões que desfaçam aquilo que o outro construiu com muito
esforço, pode criar animosidade com os membros que amam
aquelas coisas e até torna inviável a permanência do pastor
naquela igreja.
O pastor deve ter cuidado com o membro da igreja que fala do
pastor anterior. Com o passar do tempo, quem critica, expressa
insatisfação e decepção com o pastor anterior provavelmente
agirá da mesma forma em relação ao novo pastor.
É recomendável convidar o ministro anterior para participar de
ocasiões especiais, principalmente ao concluir um projeto que
este começou. O pastor que nunca reconhece as contribuições
de seus colegas, revela egoísmo e insegurança.
É saudável informar seu antecessor sobre acontecimentos
relevantes da igreja. Falecimento de membros de família com os
quais o pastor tinha grande comunhão. Batismos de pessoas as
quais ele ajudou a evangelizar por muito tempo etc.
5. RELACIONANDO COM OS COOPERADOES.
Uma das maiores bênçãos que um líder pode alcançar é cercar-se de
cooperadores fiéis que o auxiliam na obra de Deus. Paulo orava pelos
filipenses dando graças a Deus por causa da cooperação deles no
evangelho Fp 1.3-5, e isto foi um dos maiores fatores para a vitória de seu
ministério.
5.1. É PRECISO SABER DELEGAR RESPONSABILIDADES.
A delegação de responsabilidades é uma das tarefas essenciais da
liderança espiritual ou mesmo secular. Delegar é a arte de partilhar parte
do seu trabalho a outra pessoa ou grupo, conferindo:
Responsabilidade. É a capacidade de sentir-se responsável pelo
trabalho que está fazendo, é assumir o ônus, na linguagem
comum, “vestir a camisa”.
Orientação: Ensinar como deve ser feito, não há como cobrar o
que não foi feito de acordo, se não foi ensinado. Jesus orientou
seus discípulos quando os enviou Mt 10.1-42.
Autoridade: È a liberdade de agir de decidir dentro da esfera de
ação que lhe foi confiado. Existem casos em que pode decidi
porque tem autoridade para isso Mt 16.19.
Prestação de contas. No sentido de tornar conhecido o que vem
fazendo. Seja no aspecto financeiro, administrativo, disciplinar.
Paulo e Barnabé vieram a Jerusalém a fim de relatar o que Deus
fizera por meio deles At 15.12.
5.2. É PRECISO RESPEITAR A AUTORIDADE DELEGADA.
Se o líder sente a necessidade de agir, alterar, fazer algo em um
determinado departamento, deverá primeiro conversar, discutir
com o responsável do referido departamento.
Ao agir dessa forma traz um reflexo altamente positivo para a
igreja, pois esta percebe a sintonia o respeito existente entre os
líderes e todos são valorizados.
5.3. PARTILHAR PUBLICAMENTE AS VITÓRIAS COM OS COOPERADORES.
Reconhecer de forma pública e sincera que a conquista só foi possível
devido a inestimável contribuição de sua equipe de trabalho. Reconheça
as habilidades das pessoas e expresse honesta apreciação.
Paulo é um grande exemplo nesta área, na maioria das cartas que
escreveu, reservou um espaço no final, para referir-se a seus
cooperadores, reconhecendo a importância deles na realização da
obra de Deus, em Rm 16, ele faz referência com elogios a quase
quarenta (40) cooperadores.
Eram tantos que não dava para citar o nome de todos eles, então
ele dizia: “ Meus cooperadores cujos nomes estão escritos no livro
da vida. ”