1.
HIV-SIDA
1.1. Conceito
O HIV, ou Vírus da Imunodeficiência Humana, é um vírus que ataca o sistema
imunológico do corpo humano, comprometendo a capacidade do organismo de se
defender contra infecções e doenças.
De acordo com Ferreira e Costa, (2020), “o HIV é o agente causador da AIDS
(Síndrome da Imunodeficiência Adquirida). A AIDS é a fase mais avançada da infecção
por HIV, caracterizada pela ocorrência de doenças oportunistas e cânceres que surgem
devido ao sistema imunológico debilitado”.
1.2. Diferença entre HIV e SIDA
HIV (Vírus da imunodeficiência humana): é o vírus que ataca o sistema imunológico,
especificamente as células CD4. Pode permanecer no corpo por anos sem causar
sintomas graves. A infecção pelo HIV pode ser tratada com antirretrovirais para reduzir
a replicação do vírus.
AIDS (Síndrome da imunodeficiência adquirida): é a fase avançada da infecção pelo
HIV. O diagnóstico de AIDS ocorre quando o sistema imunológico está gravemente
comprometido (por exemplo, contagem baixa de CD4) ou quando surgem certas
infecções oportunistas ou cânceres definidos pela OMS.
Resumo: HIV é o vírus; AIDS é a condição que pode se desenvolver devido à infecção
pelo HIV quando não tratada ou mal controlada. Com tratamento adequado, muitas
pessoas com HIV nunca desenvolvem AIDS.
1.3. Modos de Transmissão do HIV
O HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana) e, consequentemente a AIDS (Síndrome
da Imunodeficiência Adquirida), são transmitidos através do sangue, sêmen, secreções
vaginais e leite materno (Pereira & Matos, 2019).
As principais formas de transmissão incluem: sexo vaginal, anal ou oral desprotegido
(sem preservativo), uso compartilhado de agulhas e seringas, transfusão de sangue
contaminado, e de mãe para filho durante a gravidez, parto ou amamentação.
1.3.1. Vias de Transmissão
Sexuais:
Ocorre durante o contacto sexual desprotegido (vaginal, anal ou oral) sem o uso
de preservativo, que é a forma mais comum de transmissão do vírus (Pereira &
Matos, 2019).
Sanguínea:
Compartilhamento de agulhas, seringas e outros equipamentos de injeção de
drogas.
Exposição acidental a sangue infetado, como em picadas de agulha num
ambiente de saúde.
Transfusão de sangue com o vírus HIV presente, embora seja um risco reduzido
com os rastreios atuais.
Uso de instrumentos que não foram esterilizados e que furam ou cortam a pele,
como agulhas de tatuagem ou aparelhos de manicure (Pereira & Matos, 2019).
Vertical (Mãe para Filho):
A transmissão pode ocorrer durante a gestação (transplacentária), durante o
parto, ou através do leite materno.
Fluidos Corporais que Transmitem o HIV
O vírus está presente e pode ser transmitido através dos seguintes fluidos
corporais:
Sangue, Sêmen, Fluidos pré-seminais, Fluidos vaginais, Fluidos retais, Leite
materno.
Como NÃO é Transmitido
É importante saber que o HIV não é transmitido através de:
Contacto casual, como abraços, beijos ou partilha de objetos.
Partilha de copos, talheres ou comida.
Picadas de mosquitos ou outros insetos.
Através do suor ou da urina (Pereira & Matos, 2019).
1.4. O HIV – SIDA em Moçambique
Em Moçambique, o HIV/SIDA continua a ser um problema de saúde pública
significativo. De acordo com dados do ONUSIDA, há actualmente mais de um milhão e
quinhentos mil pessoas infectadas pelo HIV no país, com aproximadamente 110.000
crianças de 0 a 14 anos vivendo com o vírus (ONUSIDA,2021)
De acordo com ONUSIDA (2021), “a infecção por HIV em Moçambique é
generalizada, mas está relativamente estável desde 2015, com uma prevalência de
13,2% entre adultos de 15 a 49 anos”. A região sul do país é a mais afectada,
destacando-se a província de Gaza, com uma taxa de prevalência de 24,4%. A
prevalência do HIV é mais elevada nas mulheres do que nos homens, tanto nas áreas
urbanas quanto nas rurais.
O programa de Prevenção da Transmissão Vertical (PTV) foi iniciado em 2002, com
uma expansão gradual ao longo dos anos. Em 2003, foram introduzidos os serviços de
tratamento anti-retroviral para adultos e crianças.
Em 2011, apenas 22% das crianças elegíveis estavam recebendo TARV pediátrico, mas
a partir de 2013, o Ministério da Saúde garantiu acesso universal a anti-retrovirais para
todas as crianças menores de 5 anos infectadas pelo HIV (ONUSIDA,2021).
Em 2011, Moçambique comprometeu-se a atingir metas internacionais para o acesso
universal ao TARV e a eliminação da transmissão vertical do HIV até 2015.
O Inquérito Nacional sobre o Impacto do HIV e SIDA em Moçambique foi realizado
entre Abril de 2021 e Fevereiro de 2022 para avaliar a resposta nacional ao HIV.
O estudo incluiu a testagem e aconselhamento, e forneceu dados sobre a prevalência,
incidência e supressão da carga viral entre adultos vivendo com HIV. A incidência
anual de HIV entre adultos foi de 0,43%, com uma prevalência geral de 12,5%, o que
equivale a cerca de 2.097.000 adultos vivendo com o vírus.
A prevalência é maior entre mulheres (15,0%) em comparação com homens (9,5%). A
supressão da carga viral foi de 64,1% entre adultos vivendo com HIV, variando de
67,1% em mulheres a 58,8% em homens. A prevalência de HIV variou por faixa etária e
sexo, com uma prevalência mais alta entre mulheres de 35 a 39 anos (26,6%) e a mais
baixa entre homens de 15 a 19 anos (1,6%).
Por província, a prevalência foi de 7,9% em Manica a 20,9% em Gaza. A supressão da
carga viral variou de 42,5% em Cabo Delgado a 80,3% em Gaza, (idem)
O Programa Conjunto das Nações Unidas para o HIV e SIDA (ONUSIDA) estabeleceu
metas 95-95-95 para 2025, que visam que 95% das pessoas vivendo com HIV
conheçam seu estado, 95% das pessoas diagnosticadas recebam TARV contínuo, e 95%
das pessoas em TARV alcancem a supressão da carga viral, (ONUSIDA, 2021).