ISSN: 2359-1048
Dezembro 2018
Compostagem: fatores que a influenciam e a importância do processo em pequena escala para gestão
de resíduos orgânicos nos centros urbanos
JULIANA GLICERIO DAZZI
INSTITUTO FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO - IFES
JACQUELINE ROGÉRIA BRINGHENTI
INSTITUTO FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO - IFES
ROBERTA ARLÊU TEIXEIRA
INSTITUTO FEDERAL DO ESPÍRITO SANTO
Compostagem: fatores que a influenciam e a importância do processo em pequena
escala para gestão de resíduos orgânicos nos centros urbanos
Palavras-chave: Compostagem; Resíduos Orgânicos; Compostagem Doméstica.
1. INTRODUÇÃO
A gestão de resíduos sólidos nos centros urbanos tornou-se uma preocupação em diversos
países devido ao rápido crescimento da população urbana e os altos custos associados ao seu
gerenciamento (NIGUSSIE et al., 2016).
Neste contexto têm-se os resíduos orgânicos, que por suas características e interfaces com
o ambiente e a saúde, além dos aspectos sociais, culturais e econômicos, demandam atenção
especial dos gestores responsáveis especialmente em países em desenvolvimento onde a
problemática dos resíduos sólidos urbanos ainda não foi equacionada. A interdependência do
meio ambiente, saúde e saneamento reforça a necessidade de integração entre os diversos
meios em prol da melhoria da qualidade de vida da população e preservação do meio
(MONTEIRO et al., 2001).
O relatório internacional lançado no ano de 2016 pelo Programa das Nações Unidas para o
Ambiente (PNUMA), o Global Waste Management Outlook estimou que em todo mundo são
produzidas 2 bilhões de toneladas de resíduos e que quase 50% da destes não são destinados
de maneira adequada (PNUMA, 2015).
No Brasil mais de 50% dos resíduos sólidos gerados em domicílios são orgânicos (IPEA,
2012). Tal perfil é típico para países com grande produção agrícola e desperdício de
alimentos, sendo a compostagem descentralizada uma opção cada vez mais considerada para
equacionar tais resíduos. Além de reduzir os volumes que seriam dispostos em aterros, reduz
demanda de transporte, impactos ao ambiente dentre outros sendo uma ferramenta de
educação ambiental (VICH et al., 2017).
Em nosso país, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) lei 12.305/10 destaca a
importância reaproveitamento dos resíduos. Dentre as formas, encontra-se a compostagem
(BRASIL, 2010). Alguns estados já implantam o sistema de compostagem. São Paulo possui
o programa Composta São Paulo, que incentiva o uso de composteiras em ambientes
domésticos (dois mil domicílios receberam composteiras e participam de oficinas educativas)
(COMPOSTA SÃO PAULO, 2017). Também possui uma central de reciclagem para
compostar resíduos de feiras livres (PREFEITURA DE SÃO PAULO, 2015). Já o estado de
Goiânia possui o programa Residência ResíduoZero, que é uma iniciativa de estímulo às
práticas de zero waste, por meio da reciclagem, destinação adequada de resíduos, coleta
seletiva, logística reversa, compostagem e disposição final em aterros, para somente os
rejeitos (RESÍDUOZERO, 2016).
A técnica de compostagem está inserida no termo cidades inteligente (smart cities),
surgido na década de 1990, que é um dispositivo estratégico para o planejamento e gestão
inteligentes de cidades. Nele, as cidades são sistemas interagindo entre si e utilizando os
recursos e serviços oferecidos de maneira mais racional e sustentável, melhorando a qualidade
de vida e reduzindo os impactos sobre o meio. Apesar de ser um conceito relativamente novo,
já se consolidou como assunto fundamental na discussão global sobre desenvolvimento
sustentável e movimenta o mercado global de soluções tecnológicas (LEMOS, 2013).
Observa-se um movimento global em busca de tecnologias de prevenção e redução de
resíduos e adaptação às mudanças climáticas. São conhecidas como tecnologias verdes
(Green Technologies ou Eco-friendly Technology) (SARRA, 2013). Tais iniciativas estão
alinhadas com os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), especialmente quanto às
metas 7 e 8 (respectivamente qualidade de vida e respeito ao meio ambiente e todo mundo
1
trabalhando pelo desenvolvimento) (ONU, 2000). Cabe destacar a importância da inovação
tecnológica para o alcance de tais metas.
Dentro do cenário de sustentabilidade atual, a compostagem é uma tecnologia simples a
ser considerada na gestão de resíduos sólidos nos centros urbanos, sendo considerada como
uma adequada ferramenta de educação ambiental. Destaca-se ainda como fator positivo a
produção de composto orgânico condicionador de solos rico em nutrientes que são
assimiláveis às plantas. Se utilizada em maior escala para adubação, contribui para a redução
do consumo de fertilizantes químicos (SILVA et al., 2013). Também contribui na valorização
e conscientização da geração de resíduos. Além disso, a compostagem está diretamente ligada
ao movimento de redução de geração dos resíduos, conhecido como waste prevention
(EUROPEAN COMISSION, 2016).
A compostagem em pequena escala é realizada geralmente em centros urbanos e no
próprio local de geração dos resíduos (OLIVEIRA et al., 2017). Existem diversos tipos de
composteiras no mercado, desde as automatizadas e de maior custo e os manuais com ou sem
o uso de minhocas ou algum acelerador de compostagem. Acredita-se que o custo,
simplicidade operacional, o tamanho compatível e a estética, incluindo a sua geometria, são
fatores determinantes na seleção de um equipamento para compostagem (JAYAPRAKASH et
al., 2018).
Apesar ser poder ser operada pelo próprio gerador, a compostagem demanda dedicação e
conhecimentos sobre o processo, para a efetiva satisfação do usuário e continuidade do seu
uso, bem como o seu sucesso (SILVA et al., 2013). Por isso, é de extrema importância de
conhecer quais são os fatores que contribuem e influenciam no processo, para que ao final da
compostagem, obtenha-se um composto orgânico de qualidade.
2. PROBLEMA DE PESQUISA E OBJETIVO
Esse trabalho é um artigo de revisão, onde foram buscados os principais fatores que
influenciam no processo de compostagem, bem como a sua importância para gestão de
resíduos sólidos, com o foco para compostagem em pequena escala, em centros urbanos. A
busca bibliográfica foi realizada por meio do Portal de Periódicos da CAPES (Coordenação
de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) e em seu banco de teses e dissertações e
também no Google Acadêmico.
3. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA E DISCUSSÃO
3.1 Compostagem de resíduos orgânicos
É um processo biológico de decomposição aeróbia controlada, por meio da ação de
microrganismos, resultando na estabilização da matéria orgânica (COTTA et al., 2015). Os
microrganismos utilizam a matéria orgânica como fonte de energia e nutrientes, promovendo
a mineralização e humificação dos resíduos (SILVA et al., 2013).
O termo composto orgânico pode ser aplicado ao produto compostado, estabilizado e
higienizado, benéfico à produção vegetal e solo (GUIDONI et al., 2013).
O composto resultante possui inúmeros benefícios: melhora o crescimento de vegetais,
exerce biocontrole em diferentes fitopatógenos do solo e altera positivamente a estrutura dos
solos, melhorando a retenção de água, a estruturação das partículas e a aeração (ONWOSI et
al., 2017).
A compostagem possui três etapas (CARVALHO, 2015). São elas:
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a) Fase mesofílica: início da decomposição da matéria orgânica, liberando calor e vapor
d’água, com formação de ácidos e toxinas de curta duração (CARVALHO, 2015). As
temperaturas podem atingir 40ºC e ter duração de 2 a 5 dias (OLIVEIRA et al., 2008).
b) Fase termofílica: de semicura ou bioestabilização, é a fase com degradação ativa, quando o
material atinge a temperatura máxima, superior à 40ºC e onde as reações bioquímicas são
mais intensas. A duração depende de fatores ambientais, natureza e quantidade dos resíduos,
população microbiana e balanço de nutrientes (CARVALHO, 2015).
c) Fase de maturação ou humificação: período de estabilização que produz um composto
maturado, estabilizado e humificado, livre de toxicidade (OLIVEIRA et al., 2008). Pode durar
entre 30 a 60 dias (CARVALHO, 2015). Representa a conversão da matéria orgânica recente
em húmus, composto estabilizado rico em materiais orgânicos (como ácidos fúlvicos, ácidos
húmicos e humina) e de alto peso molecular. A estabilização é essencial para que se possa ser
utilizá-lo de maneira segura, sem causar impactos ao meio. Se realizada de maneira correta, o
composto ao final apresentará coloração escura e odor similar ao de terra (SILVA et al.,
2013).
3.2 Fatores que influenciam na compostagem
São diversos os fatores que influenciam no processo de compostagem, na qualidade final
do composto e no tempo necessário à estabilização. A qualidade do composto e a duração
também dependerão dos tipos de resíduos que estarão sendo compostados e as suas
quantidades (DA SILVA, 2007).
3.2.1 pH
O valor do pH fornece informação sobre o estado de decomposição do composto. O pH
final é alcalino (COSTA, 2005).
Valores muito baixos ou altos podem inibir a atividade microbiana, impossibilitando ou
dificultando a decomposição (ANDREOLI et al., 2002).
Durante a compostagem, ácidos orgânicos de cadeia curta são gerados e, juntamente com
a liberação de amônia pelas atividades microbianas, podem contribuir para a variação de pH
durante o processo, entre 4,5 à 9,0. Valores mais baixos geralmente são devido à liberação de
compostos orgânicos voláteis e semivoláteis (DA SILVA, 2007).
3.2.2 Temperatura
A temperatura influencia tanto na natureza especifica da população microbiana como no
tempo de decomposição (KUMAR et al., 2009).
O valor médio de temperatura é de 55ºC. Os microrganismos que participam mais
ativamente do processo são os aeróbios e os facultativos, que predominam nas faixas de
temperatura de 20ºC a 45ºC (mesófilos) e de 45ºC a 65ºC (termófilos). Esses microrganismos
liberam energia na forma de calor, elevando a temperatura da compostagem. O controle
térmico é importante para se verificar em qual estágio o processo se encontra (DA SILVA,
2007). Também é um importante fator no que está ligado à eliminação de microrganismos
patogênicos (GAJALAKSHMI; ABBASI, 2008).
3.2.3. Aeração
No caso da compostagem em larga escala, a aeração é fundamental e tem como objetivo
suprir a demanda de oxigênio dos microrganismos e atuar no controle da temperatura e
3
odores. Pode ser realizada de forma natural, por meio de reviramento, ou mecânica, por
injeção de ar. O aporte de oxigênio melhora as condições do processo, evitando mau cheiro,
atração de vetores e ocasiona a oxidação mais rápida da matéria orgânica (MASSUKADO,
2008).
3.2.4. Microrganismos
Os principais grupos de microrganismos que participam da compostagem são bactérias e
fungos (BIDONE; POVINELLI, 1999).
As bactérias desempenham seu principal papel na fase termofílica, decompondo açúcares,
amidos, proteínas e outros compostos orgânicos de fácil degradação. Em relação aos fungos,
entre suas funções está a decomposição dos resíduos orgânicos resistentes (BIDONE;
POVINELLI, 1999).
3.2.5. Relação C/N
Os microrganismos necessitam da presença de macro e micro nutrientes para suas
atividades metabólicas. Dentre os nutrientes utilizados, C e N são de extrema importância. O
C é fonte de energia e unidade estrutural básica das moléculas orgânicas, promovendo o
crescimento microbiano. Já o N é essencial na síntese proteica (proteínas, ácidos nucleicos,
aminoácidos, enzimas e coenzimas) (BATISTA; BATISTA, 2007).
Quando presente em condições aeróbias, parte do C é liberada na forma de CO2 e o
restante é utilizado com o N durante o processo de crescimento microbiano. A deste gás é
mais intensa na fase termofílica da compostagem (BATISTA; BATISTA, 2007).
No decorrer do processo, o consumo de C pelos microrganismos é aproximadamente 15 a
30 vezes maior do que o de N (KIEHL, 2004). Tem o valor inicial de 30:1, decaindo ao longo
do tempo, podendo finalizar entre 10:1 a 15:1 (KUMAR et al., 2009).
A relação C/N depende da dosagem dos materiais adicionados nas composteiras.
Geralmente, resíduos palhosos, como vegetais secos, são fontes de C, enquanto excrementos e
legumes e frutas frescas, ricos em N. Materiais com alta relação C/N, a base de madeira,
conferem estrutura aos volumes de resíduos e são comumente utilizados. Relações C/N
inferiores a 30/1 possuem excesso de N. Assim é necessária a mistura de outros materiais,
ricos em C, para balancear o processo (INÁCIO; MILLER, 2009).
O acompanhamento da relação C/N durante a compostagem proporciona conhecer o
andamento do processo, informando quando o composto atingiu as fases ou se já está
estabilizado. A diminuição da relação ocorre ao longo do processo, pois as perdas de C são
superiores as de N (KIEHL, 2004). As relações C/N que podem ocorrer no processo são
(KIEHL, 2004):
a) Relação C/N abaixo de 10:1: pode haver perda de N por volatilização na forma de NH 3 e
formação de odor.
b) Relação C/N entre 25:1 a 30:1: considerada ideal para o processo da compostagem.
c) Relação C/N entre 30:1 a 50:1: permite uma decomposição mais acelerada.
d) Relação C/N acima de 50:1: deficiência de N, tempo de maturação mais prolongado.
A relação C/N influenciará na qualidade do composto. Se for muito alta, o processo
poderá não ocorrer. Por outro lado, se for muito baixa, haverá perda de N na forma de amônia,
dificultando o processo e resultando em odores e vetores (DA SILVA, 2007).
Quando o composto final é incorporado ao solo, relações C/N muito altas ou baixas
podem ocasionar problemas às culturas. Se for muito baixa, ocorrerá desprendimento de NH3
e danos à vegetação. Se for muito alta, haverá consumo de N do solo pelos microrganismos,
causando deficiência temporária às plantas (KIEHL, 2004).
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A relação C/N depende da dosagem dos materiais adicionados nas composteiras.
Geralmente, resíduos palhosos, como vegetais secos, são fontes de C, enquanto excrementos e
legumes e frutas frescas, ricos em N. Materiais com alta relação C/N, a base de madeira,
conferem estrutura aos volumes de resíduos e são comumente utilizados. Relações C/N
inferiores a 30/1 possuem excesso de N. Assim é necessária a mistura de outros materiais,
ricos em C, para balancear o processo (INÁCIO; MILLER, 2009).
O acompanhamento da relação C/N durante a compostagem proporciona conhecer o
andamento do processo, informando quando o composto atingiu as fases ou se já está
estabilizado. A diminuição da relação ocorre ao longo do processo, pois as perdas de C são
superiores as de N (KIEHL, 2004).
3.2.6. Condutividade elétrica
Esse parâmetro reflete na salinidade do composto, indicando a quantidade total de sais e
refletindo em sua qualidade para o uso como fertilizante. Durante a compostagem, as
concentrações salinas no meio aumentam devido à decomposição da matéria orgânica,
alterando a condutividade (ONWOSI, 2017).
Seu valor aumenta ao decorrer do tempo, devido à formação de sais minerais, como
amônio, íons e fosfatos. Já a volatilização da amônia e a precipitação de sais levam a sua
diminuição (ONWOSI, 2017).
3.2.7. Tamanho das partículas
O tamanho está ligado à superfície disponível para o ataque microbiológico, influenciando
no período de compostagem e eficiência (FEAM, 2002).
A granulometria é importante para manter a aeração e reduzir o tempo de oxidação,
interferindo diretamente na aeração. Partículas maiores promovem melhor aeração e
partículas muito finas podem dificultá-la (DA SILVA, 2007).
3.2.8. Umidade
A presença de água no meio é fundamental, pois os microrganismos a necessitam para
suas atividades metabólicas. A umidade do composto deve possibilitar o transporte de
nutrientes, sem alterar as trocas gasosas e condições aeróbias (VIEIRA, 2016).
Valores de umidade inferiores a 40% reduzem a velocidade de degradação, pois não é
suprida a quantidade de água necessária para as atividades microbianas. Valores superiores a
60% proporcionam o desenvolvimento de condições anaeróbias, formação de lixiviados e
odores e perda de nutrientes (REIS et al., 2004).
3.3 A importância da compostagem em pequena escala na gestão de resíduos sólidos
urbanos
A compostagem em pequena escala é aquela que utiliza quantidades reduzidas de
resíduos, realizada geralmente em ambientes domésticos ou com limitação de espaço
(OLIVEIRA et al., 2017).
É um processo interessante do ponto de vista ambiental, pois possibilita tratar os resíduos
orgânicos na própria origem, utilizando técnicas e equipamentos simples, operados pelo
próprio gerador (LEITE, 2011).
Devido aos baixos riscos ambientais, é adequada para o tratamento de pequenos volumes
de resíduos orgânicos. Também é uma ação preventiva na redução da geração e valorização
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de resíduos domésticos. Além disso, em termos de uso de energia e recursos hídricos, a
fabricação de uma composteira caseira e o seu monitoramento requerem poucos recursos,
sendo acessível a diversos tipos de usuários (GUIDONI et al., 2018).
A técnica é uma opção a ser considerada na gestão de resíduos sólidos. Além de reduzir os
volumes que seriam dispostos pela limpeza urbana, é uma operação de baixo custo, sem
necessidade de transporte ou muito espaço (OLIVEIRA et al., 2017). Também pode promover
a redução de emissão de metano e óxidos nitrosos, além da amônia, dependendo do modelo a
ser adotado (GUIDONI, 2018). Pode ser considerada como uma adequada ferramenta de
educação ambiental, pois fortalece a consciência ambiental e responsabilidade social da
população em relação aos resíduos (VICH, et al., 2017).
A compostagem em pequena escala é uma medida que grande parte da sociedade poderia
realizar para reduzir o desperdício na fonte e aliviar a pressão nos aterros sanitários e sistemas
de coleta, promovendo benefícios na gestão de resíduos orgânicos nos centros urbanos.
Entretanto, muitas vezes por falta de informação e incentivo, bem como pelo estilo de vida
nas cidades, a técnica é realizada em grande escala, fora de ambientes domésticos (CANNON,
1996).
Mesmo com a consciência dos benefícios da compostagem, a sua aplicação pode se tornar
difícil no cotidiano. Alguns fatores que impedem a aplicação são a falta de espaço para
abrigar o recipiente, preocupações com odores e atração de vetores e a exigência do tempo
para manipulá-la. Por isso, o conhecimento da técnica é fundamental para que exista o
sucesso no método. Incentivos para seu uso, bem como ações de educação ambiental, são
necessários para uma utilização satisfatória. Existem diversos tipos de composteiras de
pequena escala disponíveis no mercado para o uso em domicílios, instituições de ensino e
pequenas empresas (COSTA, 2014).
4. CONCLUSÕES
O reaproveitamento de resíduos é estratégia fundamental para solucionar um dos maiores
problemas ambientais da atualidade, a geração de resíduos e a sua correta destinação.
Em nosso país, muitas vezes os resíduos orgânicos são descartados de maneira
inadequada, ocasionando impactos em cursos d'águas, solos e atmosfera, além da proliferação
de vetores e doenças.
A técnica da compostagem em pequena escala, além de contribuir com a destinação e
reaproveitamentos adequados dos resíduos orgânicos e redução dos impactos ao meio
ambiente nos centros urbanos também pode ser considerada uma fonte de renda e medida de
educação ambiental. A produção de composto orgânico através da compostagem pode ser
economicamente viável, uma vez que o mesmo pode ser utilizado com condicionador de solos
na agricultura e paisagismo.
A compostagem de resíduos orgânicos em centros urbanos mostra-se uma técnica de
baixo custo e viável, se devidamente conduzida, podendo permanecer dentro de residências
sem gerar distúrbios. Para que se alcance o sucesso, há diversos fatores que influenciam e por
isso, é necessária medidas de educação ambiental, para que todos os envolvidos sintam-se
confortáveis com a prática e entendam a sua importância para o meio ambiente e gestão dos
resíduos orgânicos nas cidades.
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