0% acharam este documento útil (0 voto)
4 visualizações51 páginas

Estrutura do Sistema Financeiro Nacional

Enviado por

apakaxi
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd
0% acharam este documento útil (0 voto)
4 visualizações51 páginas

Estrutura do Sistema Financeiro Nacional

Enviado por

apakaxi
Direitos autorais
© All Rights Reserved
Levamos muito a sério os direitos de conteúdo. Se você suspeita que este conteúdo é seu, reivindique-o aqui.
Formatos disponíveis
Baixe no formato PDF, TXT ou leia on-line no Scribd

UP CURSOS 2025

BÁSICO EM CPA 10

UP CURSOS 2025
2

Sumário

1. INTRODUÇÃO AO SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL ..........................................3

2. INSTITUIÇÕES DO SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL .........................................5

3. SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL ............................................................................8

4. CONSELHO MONETÁRIO NACIONAL – CMN .........................................................16

5. BANCO CENTRAL DO BRASIL – BACEN..................................................................20

6. COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS – CVM....................................................25

7. BANCOS COMERCIAIS.................................................................................................29

8. BANCOS MÚLTIPLOS E BANCOS DE INVESTIMENTO .........................................30

9. BANCOS DE DESENVOLVIMENTO ...........................................................................32

10. CORRETORAS E DISTRIBUIDORAS ..........................................................................38

11. CLEARINGS E SISTEMAS ............................................................................................40

12. ANBIMA ..........................................................................................................................45

13. REFERÊNCIAS................................................................................................................50

UP CURSOS 2025
3

1. INTRODUÇÃO AO SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL

O Sistema Financeiro Nacional (SFN) é composto por instituições normativas e


reguladoras, como o Conselho Monetário Nacional (CMN), o Banco Central do Brasil
(BACEN, BCB ou BC) e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que desenvolvem
mecanismos (leis) a fim de sistematizar o funcionamento das demais instituições financeiras
públicas e privadas que servem como intermediárias de captação, distribuição e transferências
de recursos financeiros de toda a sociedade (ASSAF NETO, 2014).
Nesse capítulo você encontrará 14 aulas e o Resumo. O objetivo é familiarizar o
aluno com as funções doas agentes normativos, reguladores e executores do SFN, dentre eles
o CMN, o Conselho de Valores Mobiliários (CVM) o BACEN, bancos comerciais, bancos de
desenvolvimento, como o BNDES, bancos múltiplos, bancos de investimento, cooperativas e
sociedades de crédito e as clearings e sistemas.

Sistema Financeiro Nacional


O sistema financeiro serve para estruturar as relações econômicas que envolvem
dinheiro; desde, por exemplo, a compra de um automóvel por uma pessoa física até a
aquisição de uma máquina por uma empresa. De modo geral, é a transação de recursos entre
poupadores (indivíduos e empresas) e investidores através do mercado financeiro.
No Brasil, o Sistema Financeiro Nacional (SFN) é composto por instituições
normativas e reguladoras, como o Conselho Monetário Nacional (CMN), o Banco Central do
Brasil (BACEN, BCB ou BC) e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que desenvolvem
mecanismos (leis) a fim de sistematizar o funcionamento das demais instituições financeiras
públicas e privadas que servem como intermediárias de captação, distribuição e transferências
de recursos financeiros de toda a sociedade (ASSAF NETO, 2014). As decisões das
instituições normativas e reguladoras impactam a economia e, consequentemente, toda a
sociedade.
Além disso, o SFN possui o papel de harmonizar os interesses, de modo que
necessidades individuais não se sobreponham às demandas coletivas.
Figura – Composição e segmentos do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

UP CURSOS 2025
4

Fonte: Banco Central do Brasil.

A figura mostra as instituições organizadoras e o papel de cada uma delas, de modo a


demonstrar o sistema, suas divisões e hierarquias. A fim de compreender o funcionamento
desses órgãos, ao longo dos próximos subtemas, estudaremos essas instituições e seus papéis,
para, posteriormente, verificarmos a legislação em vigor.
O Sistema Financeiro Nacional representa um grupo de agentes executivos,
normativos e as instituições financeiras públicas e privadas que atuam na captação de recursos
e distribuição, assim como transferências de valores entre os agentes econômicos, com o
objetivo de garantir que a transmissão de recursos entre quem os tem de sobra (investidores
ou credores) seja equilibrada em relação a quem necessita destes – tomadores ou credores
(ASSAF NETO, 2014).

UP CURSOS 2025
5

2. INSTITUIÇÕES DO SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL

As instituições do SFN estabelecem as funções normativas, harmonizam os direitos e


deveres dos clientes, apresentando-lhes as soluções mais adequadas. Esse sistema é composto
por três tipos de instituições:
 Órgão normativos: determinam regras gerais para o bom funcionamento do SFN.
São eles: Conselho Monetário Nacional (CMN), Conselho Nacional de Seguros Privados
(CNSP) e Conselho Nacional de Previdência Complementar (CNPC).
 Entidades supervisoras: estão subordinadas aos órgãos normativos e atuam de
modo que os cidadãos e os integrantes do sistema financeiro sigam as regras definidas pelos
órgãos normativos. São elas: Banco Central do Brasil (BACEN), Comissão de Valores
Mobiliários (CVM), Superintendência de Seguros Privados (SUSEP) e Superintendência de
Previdência Complementar (Previc).
 Operadores: estão subordinados às entidades supervisoras e lidam com o público
sob o papel de intermediário financeiro. São eles: bancos e caixas econômicas, cooperativas
de crédito, instituições de pagamento, administradoras de consórcios, corretoras e
distribuidoras, demais instituições não bancárias, bolsa de valores, bolsa de mercadorias e
futuros, seguradoras e resseguradoras, entidades abertas de previdência, sociedades de
capitalização e entidades fechadas de previdência complementar (fundos de pensão).
Essas instituições existem para organizar as mais variadas possibilidades de transações
financeiras, que abrangem desde a aquisição de um empréstimo bancário, um seguro de vida
até a contratação de um plano de previdência ou um consórcio.
Ligados diretamente ao CMN estão o Banco Central do Brasil (BACEN), que é um
órgão executivo e fiscalizador responsável por colocar em prática a política monetária do
governo, e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que atua no controle e
desenvolvimento do mercado de valores mobiliários. As principais instituições financeiras
ligadas ao BACEN são os bancos comerciais e múltiplos e bancos de investimentos; já ao
CVM, são as bolsas de valores e as bolsas de mercadorias e futuros.
O Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) é responsável por determinar as
normas da política de seguros privados. Ligada a ele, a Superintendência de Seguros

UP CURSOS 2025
6

Privados (SUSEP) controla e fiscaliza os mercados de seguros, previdência privada aberta,


capitalização e resseguro.
O Conselho Nacional de Previdência Complementar (CNPC) é o órgão responsável
pela regulação das entidades fechadas de previdência complementar também conhecidas
como fundos de pensão. Está ligado à Superintendência Nacional de Previdência
Complementar (Previc), que fiscaliza e supervisiona as atividades das entidades fechadas de
previdência complementar.
Esclarecimento: A previdência complementar ou previdência privada é aquela cuja
escolha pela contratação é totalmente pertinente ao cliente, ou seja, facultativa, o que difere da
previdência social, que é obrigatória para os funcionários registrados em carteira e regidos
pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).
É importante ressaltar que todas as instituições financeiras do país pertencem ao
Sistema Financeiro Nacional (SFN), mas nem todas trabalham diretamente com transações
financeiras. Assim, o SFN também pode ser subdividido em: subsistema normativo e
subsistema operativo.
O subsistema normativo fiscaliza e regulamenta o sistema financeiro e as instituições
que o compõem, sendo responsável por garantir o seu correto funcionamento. Ele é composto
por instituições que estabelecem diretrizes de atuação das instituições que compõem o SFN.
A Figura a seguir auxilia na compreensão do modo como está estruturado o
subsistema normativo. Conforme é possível identificar, o subsistema normativo é composto
por três instituições principais: o Conselho Monetário Nacional (CMN), o Banco Central do
Brasil (BACEN) e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Ele também possui algumas
instituições que são classificadas como especiais, dadas as funções que exercem: o Banco do
Brasil (BB), o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Caixa
Econômica Federal (CEF).
Figura – O subsistema normativo.

UP CURSOS 2025
7

O subsistema operativo abrange todas as instituições que atuam na intermediação


financeira, bancárias ou não, e na realização da transferência de recursos entre fornecedores e
tomadores de recursos por meio de regras bem definidas.
A Figura a seguir explicita o modo como está estruturado o subsistema operativo.
Conforme é possível ver, o subsistema operativo é composto por instituições financeiras que
são formadas por pessoas jurídicas, privadas ou públicas que possuem como atividade
primordial a intermediação, coleta ou aplicação de recursos financeiros da instituição, ou de
moeda estrangeira ou nacional, assim como a tutela do valor de propriedade de terceiros.

Figura – O subsistema operativo.

O principal objetivo do Sistema Financeiro Nacional é facilitar a transferência de


recursos entre os agentes superavitários e os agentes deficitários. Isso é feito pelo que
chamamos de intermediação financeira, conforme ilustrada na Figura a seguir.

Figura – Intermediação financeira.

UP CURSOS 2025
8

O agente superavitário é aquele cuja renda excede suas despesas, isto é, ele tem
dinheiro para suprir todas as suas necessidades e ainda possui sobra de capital. Pode ser
entendido, por exemplo, como o investidor depositando ou aplicando seus recursos em uma
instituição financeira. Essa instituição financeira faz a intermediação entre o agente
superavitário e o agente deficitário, que pode ser um banco, por exemplo. Já o agente
deficitário é aquele cuja renda não cobre suas despesas; ou seja, suas necessidades não
permitem que sobre dinheiro. Por isso, torna-se necessário buscar recursos junto a uma
instituição financeira.

3. SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL

O quadro a seguir apresenta uma visão geral do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
Figura – Visão geral do Sistema Financeiro Nacional.

UP CURSOS 2025
9

Observações:
1 – Dependendo de suas atividades, corretoras e distribuidoras também são
fiscalizadas pela CVM.
2 – As instituições de pagamento não compõem o SFN, mas são reguladas e
fiscalizadas pelo BCB, conforme diretrizes estabelecidas pelo CMN.

Legenda:
 1° nível: instituições normativas
 2° nível: instituições supervisoras
 3°/4° níveis: demais instituições operadoras

As instituições financeiras possuem o papel de facilitar as transações monetárias a fim


de torná-las cada vez mais transparentes, independentemente do nível social ou conhecimento
do cliente sobre o tema, auxiliando-o a tomar decisões financeiras (GITMAN; MADURA,
2003). Essa transparência só é possível na medida em que suas normas consigam refletir os
interesses dos envolvidos, de modo a tornar o ambiente complexo do mercado financeiro

UP CURSOS 2025
10

sempre mais preciso e coerente. Nesse contexto, as instituições do sistema normativo


determinam as normas que devem ser obedecidas pelas instituições intermediárias e
operacionais.
As instituições normativas que existem no SFN brasileiro são: o CMN, o CNSP e o
CNPC, que serão abordados com mais detalhe a seguir.

Definição das instituições normativas

O CMN é o órgão do SFN com maior poder, responsável por determinar as regras para
as instituições financeiras, que estão todas submetidas a ele. O BACEN e a CVM também são
instituições normativas, com as funções, respectivamente, de fiscalizar as instituições
financeiras, como os bancos, e as operações realizadas, por exemplo, nas bolsas de valores.
É possível concluir, desse modo, que as resoluções normativas do CMN estão
interligadas aos bancos, bolsas de valores e outras instituições financeiras, de modo que a
função do CMN é criar as regras para essas instituições, cabendo a seus subordinados, o
BACEN e a CVM, fiscalizar a obediência a elas pelas instituições operacionais.
O Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP), por sua vez, determina as regras
para outro tipo de instituição, que são as seguradoras. A SUSEP, diretamente subordinada a
ele, fiscaliza as instituições que realizam seguros, como, por exemplo, resseguradoras,
entidades de previdência complementar aberta, sociedades de seguradoras e sociedades de
capitalização.
Já o Conselho Nacional de Previdência Complementar (CNPC) estabelece as normas
que devem ser obedecidas por fundos de pensão e planos de previdência complementar
fechados. Caberá à Previc fiscalizar se as normas estão sendo cumpridas pelas instituições que
fazem planos de previdência complementar fechada e fundos de pensão.

Papel das instituições normativas

Como já vimos, cada instituição normativa possui uma área de atuação. Vejamos cada
uma delas:
 CMN: formula a política de controle da moeda no SFN e incentiva (ou não)
mecanismos de incentivo ao consumo de bens e serviços, prática também conhecida como

UP CURSOS 2025
11

política de crédito ou financiamento. Sua principal atribuição é gerar um ambiente de


estabilidade monetária, permitindo o desenvolvimento econômico e social do país.

Figura – O Conselho Monetário Nacional (CMN).

Fonte: Decreto nº 1.307, de 09 de outubro de 1994.

 CNSP: acompanha a evolução do mercado segurador nacional, através não só do


estabelecimento de normas, mas também da observação da evolução dos indicadores de risco
e a ocorrência de incidentes cobertos pelos contratos de seguros, podendo assim permitir a
modernização e evolução deste serviço.
 CNPC: além de ser um órgão normativo, precisa também estar atento aos
movimentos e reflexos que a economia e a gestão dos planos de previdência complementar
podem causar no montante de recursos acumulados pelos clientes para assim modernizar a
legislação, garantindo os planos futuros de aposentadoria dos contratantes desses produtos.
Essas atribuições das instituições normativas contribuem de modo que cada uma delas
exerça seu papel e importância no SFN, como veremos mais detalhadamente a seguir.
Figura – Importância das instituições normativas.

UP CURSOS 2025
12

Fonte: Decreto nº 1.307, de 09 de outubro de 1994.

A importância das instituições normativas deve-se ao fato de elas regulamentarem o


funcionamento do SFN, modernizarem as leis e determinarem as garantias que devem ser
dadas às pessoas e empresas que operam nesse sistema. Para tanto, cada uma delas é
composta por diversos membros que deliberam sobre questões importantes do mercado.
O CMN é composto por autoridades do alto escalão do governo federal: o ministro da
Economia, como presidente, o presidente do Banco Central e o secretário especial de Fazenda
do Ministério da Economia. Eles se reúnem periodicamente para discutir e estabelecer
estratégias sobre assuntos referentes a perspectivas e ações necessárias para tratar de temas
específicos do SFN e deliberarem sobre assuntos relacionados às competências do CMN,
como controle de reservas cambiais e o nível de endividamento do país.
O CNSP é composto pelo Ministro da Economia, como presidente, pelo
superintendente da SUSEP e por representantes dos Ministérios da Justiça e da Previdência
Social*, do BACEN e da CVM, que discutem aspectos referentes à constituição, organização,
funcionamento e fiscalização dos contratos de seguro, previdência privada aberta,
capitalização e resseguro. Além disso, atuam para estabelecer as diretrizes gerais das
operações de resseguro, fixação dos limites legais e técnicos das respectivas operações e
disciplinar a corretagem de seguros e a profissão de corretor.
*Nota: O Ministério da Previdência e Assistência Social atualmente não possui
representação em razão de suas funções relacionadas à previdência terem sido absorvidas pelo
Ministério da Fazenda e, em 2019, passou a integrar a pasta do Ministério da Economia.
O CNPC é formado pelo Ministro da Previdência Social, como presidente, e por
representantes da Previc, da Secretaria de Políticas de Previdência Complementar (SPPC), da
Casa Civil da Presidência da República, do Ministério da Economia (que passou a abranger os
Ministérios da Fazenda e do Planejamento, Orçamento e Gestão), das entidades fechadas de
previdência complementar, dos patrocinadores e instituidores de planos de benefícios das
entidades fechadas de previdência complementar e dos participantes e assistidos de planos de
benefícios das referidas entidades.

UP CURSOS 2025
13

Todos esses órgãos são importantes para organizar a intermediação financeira da


sociedade, equilibrando interesses entre os diversos agentes. A seguir, conheceremos as
instituições subordinadas a eles.

Figura – Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) e Conselho Nacional de


Previdência Complementar (CNPC).

Fonte: Decreto nº 1.307, de 09 de outubro de 1994.

Os intermediários financeiros são classificados de acordo com a área de atuação,


considerando sua capacidade de oferta de crédito ou de indenizações e garantias (SZTAJN,
2011).
Os principais agentes intermediadores são os bancos comerciais, os bancos de
desenvolvimento e investimento, instituições que operam no mercado de câmbio, cooperativas
de crédito, seguradoras, fundos de previdência complementar, arrendamento mercantil,
agências de fomento, entre outros. Por estarem em contato direto com os clientes, são os
responsáveis por alocar os recursos dos poupadores (investidores) para os tomadores, que
passam a serem devedores.

Definição das instituições de intermediação/operacionais

As instituições financeiras estão divididas em grupos de acordo com sua forma de


atuação. Veremos agora as principais instituições intermediárias com base nas definições do
BACEN.

UP CURSOS 2025
14

Os bancos múltiplos são instituições privadas ou públicas que captam recursos e


repassam-nos às empresas, famílias e governos, e prestam serviços. Podem operar as
seguintes carteiras: comerciais, de investimento, de desenvolvimento, de crédito imobiliário,
de arrendamento mercantil, financiamento e investimentos.
Os bancos comerciais, que também podem ser privados ou públicos, oferecem
recursos para financiar, em curto e médio prazo, a indústria, o comércio, serviços e pessoas
físicas, e também podem captar depósitos à vista e a prazo.
Outro tipo de instituição são os bancos de investimento, instituições privadas
especializadas em operações de participação societária, financiamento de atividade produtiva
para suprimento de capital fixo e de giro e administração de recursos de terceiros. Já os
bancos de desenvolvimento são controlados pelos governos estaduais e têm o objetivo de
proporcionar recursos necessários para o Financiamento de programas e projetos que
promovam o desenvolvimento econômico e social dos estados.
As cooperativas de crédito são um tipo de instituição que pode surgir da associação
de funcionários de uma empresa, de profissionais de um segmento, de empresários ou da
admissão livre e espontânea de outros tipos de associados. Os lucros das operações de
empréstimos são repartidos entre os associados.
Seguros, previdência e capitalização são considerados parte do sistema financeiro
porque promovem a formação de poupança por parte dos agentes econômicos. Os recursos
captados por esses intermediadores são aplicados em investimentos específicos, pois muitas
vezes podem ser necessários para fazer frente a compromissos de seus clientes.
As bolsas de valores, mercadorias e futuros atuam na intermediação de recursos do
mercado de capitais (ações, opções, direitos, títulos, debêntures, notas promissórias) e
contratos de derivativos. As Sociedades Corretoras de Títulos e Valores Mobiliários
(SCTVMs) são instituições autorizadas a negociar valores mobiliários e derivativos no
mercado de negociações (pregão), e as sociedades distribuidoras de títulos e valores
mobiliários possuem basicamente a mesma função, mas não podem atuar diretamente no
mercado de negociações (pregão).

Papel das instituições operacionais

UP CURSOS 2025
15

O papel das instituições operacionais é, em seu sentido mais amplo, o de funcionar


como intermediadoras ou facilitadoras das atividades que ocorrem no SFN. Elas oferecem ou
vendem os serviços prestados pelo sistema financeiro, sendo assim, quando se deseja fazer
algum tipo de operação financeira, recorre-se a ela.

Sociedades Corretoras de Títulos e Valores Mobiliários (SCTVMs)

A resolução nº 1.655, de 26 de outubro de 1989, trata sobre a constituição, organização


e o funcionamento das Sociedades Corretoras de Títulos e Valores Mobiliários (SCTVMs).
A sociedade corretora tem por objetivo social:
 Operar em recinto ou em sistema mantido por bolsa de valores;
 Subscrever, isoladamente ou em consórcio com outras sociedades autorizadas,
emissões de títulos e valores mobiliários para revenda;
 Intermediar oferta pública e distribuição de títulos e valores mobiliários no
mercado;
 Comprar e vender títulos e valores mobiliários por conta própria e de terceiros,
observada regulamentação baixada pela Comissão de Valores Mobiliários e Banco Central do
Brasil nas suas respectivas áreas de competência;
 Encarregar-se da administração de carteiras e da custódia de títulos e valores
mobiliários;
 Incumbir-se da subscrição, da transferência e da autenticação de endossos, de
desdobramento de cautelas, de recebimento e pagamento de resgates, juros e outros proventos
de títulos e valores mobiliários;
 Exercer funções de agente fiduciário;
 Instituir, organizar e administrar fundos e clubes de investimento;
 Constituir sociedade de investimento – capital estrangeiro – e administrar a
respectiva carteira de títulos e valores mobiliários;
 Exercer as funções de agente emissor de certificados e manter serviços de ações
escriturais;
 Emitir certificados de depósito de ações;
 Intermediar operações de câmbio;
 Praticar operações no mercado de câmbio de taxas flutuantes;

UP CURSOS 2025
16

 Praticar operações de conta margem, conforme regulamentação da Comissão de


Valores Mobiliários;
 Realizar operações compromissadas;
 Praticar operações de compra e venda de metais preciosos, no mercado físico, por
conta própria e de terceiros, nos termos da regulamentação baixada pelo Banco Central do
Brasil;
 Operar em bolsas de mercadorias e de futuros por conta própria e de terceiros,
observada regulamentação baixada pela Comissão de Valores Mobiliários e Banco Central do
Brasil nas suas respectivas áreas de competência;
 Prestar serviços de intermediação e de assessoria ou assistência técnica, em
operações e atividades nos mercados financeiro e de capitais;
 Exercer outras atividades expressamente autorizadas, em conjunto, pelo Banco
Central do Brasil e pela Comissão de Valores Mobiliários.

4. CONSELHO MONETÁRIO NACIONAL – CMN

O Conselho Monetário Nacional (CMN), criado pela Lei nº 4.595, de 31 de


dezembro de 1964, pode ser considerado um órgão de caráter unicamente normativo. Ele
não realiza atividades executivas. Além disso, o CMN é responsável pelo controle do SFN;
assim, define as diretrizes, regulamentações e regulações que as entidades que compõem o
SFN devem seguir, sendo também responsável por disciplinar a atuação dessas entidades.

Órgão máximo do Sistema Financeiro Nacional:

São membros do Conselho Monetário Nacional (Lei n° 13.844, de 18 de junho de


2019):
 Ministro da Economia (presidente do conselho);
 Presidente do Banco Central do Brasil (BACEN); e
 Secretário especial de Fazenda do Ministério da Economia.

Outras competências do CMN:

UP CURSOS 2025
17

 Autorizar as emissões de papel-moeda;


 Estabelecer condições para que o Banco Central da República do Brasil emita
moeda-papel de curso forçado;
 Aprovar os orçamentos monetários, preparados pelo Banco Central da República
do Brasil;
 Determinar as características gerais das cédulas e das moedas;
 Fixar as diretrizes e normas da política cambial, inclusive quanto à compra e
venda de ouro e quaisquer operações em Direitos Especiais de Saque e em moeda estrangeira;
 Regular a constituição, funcionamento e fiscalização dos que exercerem
atividades subordinadas ao CMN, bem como a aplicação das penalidades previstas;
 Limitar, sempre que necessário, as taxas de juros, descontos nas comissões e
qualquer outra forma de remuneração de operações e serviços bancários ou financeiros,
inclusive os prestados pelo Banco Central da República do Brasil;
 Disciplinar as atividades das Bolsas de Valores e dos corretores de fundos
público;
 Determinar o percentual de recolhimento de compulsório;
 Regulamentar as operações de redesconto;
 Decidir sobre a estrutura técnica e administrativa do Banco Central da República
do Brasil e fixar seu quadro de pessoal, bem como estabelecer os vencimentos e vantagens de
seus funcionários, servidores e diretores, cabendo ao presidente deste apresentar as
respectivas propostas;
 Regular a constituição, o funcionamento e a fiscalização de todas as instituições
financeiras que operam no país; e
 Baixar normas que regulam as operações de câmbio, inclusive swaps, a fim de
fixar limites, taxas, prazos e outras condições.

O CMN realiza reuniões ordinárias, uma a cada mês, porém, o presidente do CMN
pode convocar reuniões extraordinárias quando for necessário.
O CMN divulga resoluções nas quais torna públicas suas deliberações, as quais são
aprovadas com a maioria dos votos. Nos casos de urgência e relevante interesse (fixe esses
dois termos, pois eles são importantes), o presidente do CMN pode deliberá-las sozinho.
Nesses casos, não é necessária a reunião dos três membros do CMN.

UP CURSOS 2025
18

Nesse caso, tem-se uma deliberação ad referendum, ou seja, na próxima reunião do


CMN, os demais membros devem ratificar a decisão tomada pelo presidente, a qual deixa de
ser válida se não for validada por todos.
Mas, afinal, quais são as funções do CMN? Veremos cada uma delas a seguir.
 Formular a política da moeda e do crédito: esta é a sua principal função. Isto é,
o CMN possui a incumbência de garantir a eficiência na troca de recursos entre os agentes
superavitários e deficitários e a estabilidade do SFN.
 Regular o valor interno da moeda: o CMN possui como função prevenir ou
corrigir os surtos inflacionários ou deflacionários de origem interna ou externa. Ele também é
responsável por agir em caso de depressões econômicas e outros desequilíbrios conjunturais.
Assim, cabe ao CMN tomar medidas que busquem adaptar o volume dos meios de
pagamento às necessidades da economia.
 Regular o valor externo da moeda e o equilíbrio no balanço de pagamento do
país, tendo em vista a melhor utilização dos recursos em moeda estrangeira: as diretrizes
editadas pelo CMN podem ser utilizadas para regular o valor da moeda brasileira em relação
ao valor observado das moedas estrangeiras. Assim, o CMN é responsável por determinar os
instrumentos utilizados para controlar as reservas internacionais e por definir o modo de
utilização desses instrumentos.
 Estabelecer as metas de inflação: conforme dito antes, o CMN possui, entre suas
funções, evitar surtos inflacionários e deflacionários, através da definição de metas de inflação
que devem ser perseguidas pelo Banco Central e os intervalos de tolerância. Isto é, o quanto a
inflação pode se desviar para cima ou para baixo dessa meta.
 Orientar a aplicação dos recursos das instituições financeiras públicas e
privadas: o CMN é responsável por definir quais instituições financeiras podem exercer
atividades em cada segmento dos mercados financeiros.
 Propiciar o aperfeiçoamento das instituições e dos instrumentos financeiros,
de modo a garantir a eficiência do sistema de pagamentos: o CMN é responsável por
garantir a eficiência do mercado financeiro. Assim, ele pode definir diretrizes para aumentá-
la.
 Zelar pela liquidez e solvência das instituições financeiras: trata-se de outra
função muito importante exercida pelo CMN. Ele é responsável por garantir a segurança do
SFN, sendo que, para isto, precisa fixar diretrizes que garantam a solvência e a liquidez das

UP CURSOS 2025
19

instituições financeiras.
 Coordenar a política monetária, creditícia, orçamentária, fiscal e da dívida
pública, interna e externa: cabe ao CMN editar diretrizes que evitem abusos na condução
dessas políticas, principalmente o endividamento público excessivo.
 Autorizar as emissões de papel-moeda: o CMN também é responsável por
definir as diretrizes sobre o modo como deve ocorrer a emissão de papel- moeda.

Esta última função do CMN leva-o a exercer funções adicionais, tais como:
1) Estabelecer condições seguidas pelo Banco Central para a emissão de moeda-
papel;
2) Aprovar os orçamentos monetários do Banco Central utilizados para estimar
as necessidades totais de moeda e crédito; e
3) Determinar as características das cédulas e moedas.
 Fixar as diretrizes e normas da política cambial: trata-se de outra função do
CMN; ao definir as diretrizes e normas da política cambial, ele normatiza as reservas
internacionais.
 Disciplinar o crédito em todas as suas modalidades e as operações creditícias
em todas as suas formas, inclusive aceites, avais e prestações de quaisquer garantias por
parte das instituições financeiras: cabe ao CMN disciplinar e regular o crédito, definindo as
condições que devem ser seguidas nessas operações.
 Regular a constituição, o funcionamento e a fiscalização dos que exercerem
atividades subordinadas ao SFN, bem como a aplicação das penalidades previstas: o
CMN é a entidade responsável por dizer quais instituições podem atuar, o modo como estas
devem atuar e quem será responsável por sua regulação.
 Limitar, se necessário, as taxas de juros, comissões e outros meios de
remuneração de operações e serviços bancários ou financeiros, incluindo os prestados
pelo Banco Central: o CMN pode limitar as taxas de juros e demais remunerações oriundas
de transações financeiras. Observe que ele não deve exercer essa função diariamente, mas
apenas em casos extraordinários e se houver necessidade.
 Disciplinar as atividades das Bolsas de Valores e dos corretores de fundos
públicos (atualmente chamados de sociedades corretoras de títulos e valores
mobiliários): também cabe ao CMN estabelecer as diretrizes que devem ser seguidas pelas

UP CURSOS 2025
20

Bolsas de Valores e corretores de fundos públicos.


 Expedir normas gerais de contabilidade e estatística observadas pelas
instituições financeiras: esta é outra função do CMN, em que é responsável por determinar
as normas de contabilidade e estatísticas seguidas pelas instituições financeiras, o que garante
a transparência e a segurança do SFN.

5. BANCO CENTRAL DO BRASIL – BACEN

O Banco Central do Brasil (BACEN) é a entidade supervisora do Sistema Financeiro


Nacional (SFN). Cabe destacar que ele deve obedecer às diretrizes estabelecidas pelo
Conselho Monetário Nacional (CMN), sendo responsável pela supervisão das entidades
financeiras, bancos de câmbio e outras instituições financeiras intermediárias.
Autarquia vinculada ao Ministério da Economia (anteriormente era vinculada ao
Ministério da Fazenda, que foi extinto em janeiro de 2019).
Diretoria colegiada composta por um presidente e oito diretores (nove membros),
todos nomeados pelo presidente da república e aprovados pelo Senado.
Principal órgão executivo do SFN.
Compete ao BACEN cumprir e fazer cumprir as disposições que lhe são atribuídas
pela legislação em vigor e as normas expedidas pelo CMN.
Principais atribuições do BACEN:
 autorizar o funcionamento e fiscalizar as instituições financeiras, punindo-as se
for o caso;
 emitir moeda-papel e moeda metálica;
 controlar o crédito e o fluxo de capitais estrangeiros; e
 executar a política monetária e cambial.
Outras atribuições:
 executar os serviços do meio circulante;
 determinar o recolhimento de até cem por cento do total dos depósitos à vista e
de até sessenta por cento de outros títulos contábeis das instituições financeiras;
 realizar operações de redesconto e empréstimos a instituições financeiras
bancárias;
 ser depositário das reservas oficiais de ouro e moeda estrangeira e de Direitos

UP CURSOS 2025
21

Especiais de Saque, realizando todas e quaisquer operações previstas no Convênio


Constitutivo do Fundo Monetário Internacional;
 formular e executar as políticas monetárias e cambiais, de acordo com as
diretrizes do Governo Federal;
 executar as diretrizes e normas do CMN;
 regular e administrar o Sistema Financeiro Nacional;
 administrar o Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) e o meio circulante;
 receber os recolhimentos compulsórios dos bancos.

O BACEN possui as funções apresentadas a seguir.


 Emitir a moeda: o Banco Central possui o monopólio da emissão de papel-
moeda e moeda metálica. Porém, essa emissão não é desregulada; quem estabelece os limite e
diretrizes para a emissão de moeda é o CMN.
 Executar os serviços de meio circulante: cabe ao BACEN retirar do mercado
moedas que apresentam defeitos ou que sejam muito velhas e substituí-las por moedas novas.

 Exercer o controle de crédito em todas as suas formas: o BACEN deve


controlar os volumes de crédito na economia.
 Receber os recolhimentos compulsórios e os depósitos voluntários à vista das
instituições financeiras: quando os bancos pegam dinheiro que se encontra parado nas
contas-correntes e emprestam-no para outros clientes, eles podem ocasionar inflação. Para
evitar que isso ocorra, o BACEN recolhe compulsoriamente parte dos depósitos à vista.
Assim, os bancos comerciais são obrigados a recolher parte dos depósitos à vista para o
Banco Central. O BACEN também recebe depósitos voluntários dos bancos comerciais.

 Efetuar, como instrumento de política monetária, operações de compra e


venda de títulos públicos federais: o BACEN pode comprar ou vender títulos públicos
emitidos pelo governo.

Banco dos bancos: o BACEN presta diversos serviços financeiros para os demais
bancos, principalmente serviços de redesconto (concessão de créditos para instituições
financeiras bancárias), de modo que o BACEN é o emprestador de última instância do SFN.

UP CURSOS 2025
22

Banco do governo: o BACEN é o banco do governo, nele ficam depositadas as


reservas internacionais do país, sejam reservas oficiais de ouro, moeda estrangeira ou
direitos especiais de saques. Ademais, é preciso enfatizar que as transações realizadas entre
o BACEN e o governo são limitadas, para evitar o financiamento dos gastos públicos com a
emissão de moeda. O BACEN não pode conceder empréstimos ao governo federal, apesar
de as reservas de caixa do governo permanecerem no BACEN.
Supervisão do Sistema Financeiro Nacional: conforme foi enfatizado anteriormente,
o CMN normatiza, mas não fiscaliza, o SFN. O BACEN, junto com outras instituições, é
responsável por supervisionar o SFN.
As instituições supervisionadas pelo BACEN são:
 instituições que captam depósitos à vista;
 instituições financeiras que não captam depósitos à vista;
 bancos de câmbio; e
 outras entidades financeiras que atuam como intermediárias de recursos.
Entre as atividades de supervisão realizadas pelo BACEN, é possível destacar:
 A fiscalização das instituições financeiras e a aplicação das penalidades
adequadas;
 Concessão de autorizações para as instituições financeiras:
→ atuarem no país;
→ instalarem ou transferirem suas sedes ou dependências, inclusive no exterior;
→ serem transformadas, fundidas, incorporadas ou encampadas;
→ realizarem operações de câmbio, crédito real e venda de títulos da dívida pública
federal, estadual ou municipal, debêntures, ações, letras hipotecárias e demais títulos de
crédito ou mobiliários;
→ prorrogarem os prazos concedidos para funcionamento;
→ alterarem seus estatutos;
→ alienarem ou transferirem o seu controle acionário; e
→ estabelecerem as condições para o exercício de cargos de direção nas Instituições
financeiras privadas.
 Evitar a entrada de outras instituições no SFN:
o controlar o fluxo de capitais estrangeiros, garantindo o funcionamento adequado do
sistema cambial, inclusive com a operação via ouro, moeda e operações de crédito no exterior;

UP CURSOS 2025
23

→ regular a execução dos serviços de compensação de cheques e outros papéis;


→ vigiar as empresas que atuam nos mercados financeiros e de capitais que possam
interferir nesses mercados e em relação às modalidades ou processos operacionais que
utilizam;
→ Determinar que as matrizes das instituições financeiras registrem as firmas que
operam com suas agências há mais de um ano; e
→ autorizar instituições financeiras estrangeiras a operar no Brasil.

O quadro a seguir resume as funções do BACEN:

Quadro – Funções do BACEN.

UP CURSOS 2025
24

Ao Conselho Monetário Nacional (CMN) compete regular a constituição, o


funcionamento e a fiscalização das instituições financeiras, cabendo ao BACEN a execução
dos serviços de compensação de cheques e outros papéis.
O SFN tem como órgão executivo central o BACEN, que estabelece normas a serem
observadas pelo CMN.
Em termos de política econômica, o Banco Central dispõe de alguns instrumentos. Ou
seja, o Banco Central possui a sua disposição basicamente três instrumentos para a
realização da política monetária: operações de mercado aberto, redesconto e depósitos
compulsórios. Os depósitos compulsórios consistem em um instrumento à disposição do
Banco Central para influenciar a quantidade de moeda na economia. Eles representam uma
parcela dos depósitos captados pelos bancos, os quais devem ser mantidos compulsoriamente
“esterilizados” no Banco Central.
A alíquota dos depósitos compulsórios é um dos determinantes do multiplicador
monetário, ou seja, da oferta de moeda em relação à base monetária. Por exemplo,
diminuições na alíquota farão com que os bancos possam emprestar maior parcela das suas
reservas e, assim, aumentar a quantidade total de moeda para uma dada quantidade de base
monetária. Esse instrumento de política monetária tem assumido outras funções, como, por
exemplo, funcionar como instrumento auxiliar para garantir a fluidez dos pagamentos no
Sistema de Pagamentos Brasileiro – SPB –, considerando que as instituições podem
movimentar livremente, ao longo do dia, os valores correspondentes à exigibilidade do
compulsório, devendo efetuar o recolhimento apenas no final do dia. Outra nova função é a
atuação dos depósitos como ferramenta macroprudencial, que contribui para a estabilidade do
sistema financeiro. Essa atuação tornou-se evidente ao longo da crise de 2008 quando o
instrumento foi utilizado para ajustar o nível geral e a distribuição da liquidez no sistema
financeiro.
Atualmente, no Brasil, existem as seguintes modalidades de depósitos compulsórios e
de encaixe obrigatório:
 depósito compulsório sobre recursos à vista;
 depósito compulsório sobre recursos de depósitos e de garantias realizadas;
 encaixe obrigatório sobre recursos de depósitos de poupança; e
 depósito compulsório sobre recursos a prazo.

UP CURSOS 2025
25

Há também outros dois tipos de depósitos compulsórios que atualmente estão com
alíquotas iguais a zero:
 depósito compulsório sobre a concessão de aval, fiança ou outras garantias em
operações de empréstimos/financiamentos entre pessoas físicas ou jurídicas não financeiras
(Circular nº 2.563, 1995); e
 depósito compulsório sobre operações ativas e passivas (Circular nº 2.511, de
1994).
Além disso, há outros tipos de recolhimentos obrigatórios realizados no Banco
Central. São eles:
 os depósitos decorrentes de insuficiência no direcionamento para operações de
financiamento imobiliário dos recursos captados em depósitos de poupança;
 insuficiência no direcionamento dos recursos captados em depósitos à vista para
operações de crédito destinado à população de baixa renda e a microempreendedores; e
 o decorrente da insuficiência no direcionamento para crédito rural.

6. COMISSÃO DE VALORES MOBILIÁRIOS – CVM

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) é uma autarquia voltada para o


desenvolvimento, disciplina e fiscalização do mercado de títulos e valores mobiliários. A
CVM não exerce julgamento de valor em relação a qualquer informação divulgada pelas
companhias. Entretanto, ela zela pela sua regularidade e confiabilidade e, para tanto,
normatiza e busca sua padronização. Assegurar a disponibilidade tempestiva das informações
sobre os negócios com valores mobiliários e sobre as companhias que os tenham emitido
constitui um ponto fundamental da normatização no mercado, a qual tem sido a base da
política de regulação da CVM.
De acordo com o artigo 5° da Lei n° 10.411, de 26 de fevereiro de 2002, é instituída a
CVM, entidade autárquica em regime especial, vinculada ao Ministério da Economia (até
janeiro de 2019 era vinculada ao Ministério da Fazenda, que foi extinto), ausência de
subordinação hierárquica, mandato fixo e estabilidade de seus dirigentes, e autonomia
financeira e orçamentária.

UP CURSOS 2025
26

A Comissão de Valores Mobiliários é administrada por um presidente e quatro


diretores, nomeados pelo presidente da República depois de aprovados pelo Senado Federal,
dentre pessoas de ilibada reputação e reconhecida competência em matéria de mercado de
capitais. O mandato é de cinco anos.
É o órgão normativo voltado para o desenvolvimento do mercado de títulos e valores
mobiliários.

Títulos e valores mobiliários são:


 ações;
 fundos de investimentos;
 debêntures;
 bônus de subscrição;
 derivativos; e
 etc.

Principais atribuições da CVM:


 Estimular a formação de poupança e sua aplicação em valores mobiliários;
 Assegurar o funcionamento eficiente e regular das bolsas de valores e instituições
auxiliares;
 Proteger os titulares de valores mobiliários contra emissões e atos fraudulentos
nos mercados primários e secundários de ações;
 Evitar ou coibir modalidades de fraude ou manipulação destinadas a criar
condições artificiais de demanda, oferta ou preço de valores mobiliários;
 Assegurar o acesso do público a informações sobre valores mobiliários
negociados e sobre as companhias;
 Assegurar a observância de práticas comerciais equitativas;
 Apurar, julgar e punir irregularidades cometidas no mercado; e
 Fiscalizar a emissão, o registro, a distribuição e a negociação de títulos emitidos
pelas empresas de capital aberto.
São disciplinadas e fiscalizadas pela CVM as seguintes atividades: (art. 1° da Lei n°
6.385, de 7 de dezembro de 1976, redação dada pela Lei n° 10.303, de 31 de outubro de
2001):

UP CURSOS 2025
27

I – a emissão e distribuição de valores mobiliários no mercado;


II – a negociação e intermediação no mercado de valores mobiliários;
III – a negociação e intermediação no mercado de derivativos;
IV – a organização, o funcionamento e as operações das bolsas de valores;
V – a organização, o funcionamento e as operações das Bolsas de Mercadorias e
Futuros;
VI – a administração de carteiras e a custódia de valores mobiliários;
VII – a auditoria das companhias abertas; e
VIII– os serviços de consultor e analista de valores mobiliários.
Objetivos da CVM:
 Fixar e implementar as diretrizes e normas do mercado de valores mobiliários;
 Fiscalizar a emissão, o registro, a distribuição e a negociação dos títulos emitidos
pelas sociedades anônimas de capital aberto;
 Estimular investimentos no mercado acionário; e
 Fortalecer o mercado de valores mobiliários.

A CVM é a entidade supervisora que disciplina o funcionamento das entidades


administradoras de mercados organizados de valores mobiliários e a negociação no mercado
de capitais. Além disso, possui o papel de disciplinar como e por quem é efetuada a custódia
de valores mobiliários. Quanto à possibilidade de suspensão de emissão, distribuição ou
negociação de ativos mobiliários, isso ocorre normalmente quando algum grande negócio está
em processo de ser fechado, envolvendo fusões ou aquisições de empresas. Cabe também à
CVM a supervisão do mercado de derivativos. A CVM é composta por um presidente e
quatro diretores, nomeados pelo presidente da República após serem aprovados em sabatina
pelo Senado Federal. O mandato dos dirigentes é de cinco anos, vedada a recondução e
devendo ser renovado, a cada um ano, 1/5 dos membros do colegiado.
Entre os operadores desse mercado, há as Bolsas de Mercadorias e Futuros, que são
associações privadas civis, cujo objetivo é efetuar o registro, a compensação e a liquidação,
física e financeira, das operações realizadas em pregão ou em sistema eletrônico. Para tanto,
devem desenvolver, organizar e operacionalizar um mercado de derivativos livre e
transparente, que proporcione aos agentes econômicos a oportunidade de efetuarem operações

UP CURSOS 2025
28

de hedging (proteção) ante flutuações de preço de commodities agropecuárias, índices, taxas


de juro, moedas e metais, bem como de todo e qualquer instrumento ou variável
macroeconômica cuja incerteza de preço no futuro possa influenciar negativamente suas
atividades. Possuem autonomia financeira, patrimonial e administrativa e são fiscalizadas pela
CVM.

Superintendência de Seguros Privados – SUSEP

A SUSEP é o órgão responsável pelo controle e fiscalização dos mercados de seguro,


previdência privada aberta, capitalização e resseguro. É uma autarquia federal vinculada
ao Ministério da Fazenda.
A SUSEP é uma entidade supervisora, devendo sempre respeitar as diretrizes do órgão
normativo CNSP (Conselho Nacional de Seguros Privados).
Principais atribuições da SUSEP:
 Controle e fiscalização dos mercados de seguro e previdência complementar
aberta;
 Fiscalizar a constituição, organização, funcionamento e operação das Sociedades
Seguradoras, de Capitalização, Entidades de Previdência Privada Aberta e Reseguradores;
 Zelar pela defesa dos interesses dos consumidores dos mercados supervisionados;
Outras atribuições da SUSEP:
 Proteger a captação de poupança popular que se efetua através das operações de
seguro, previdência privada aberta, de capitalização e resseguro;
 Promover o aperfeiçoamento das instituições e dos instrumentos operacionais a
eles vinculados, com vistas à maior eficiência do Sistema Nacional de Seguros Privados e do
Sistema Nacional de Capitalização;
 Promover a estabilidade dos mercados sob sua jurisdição, assegurando sua
expansão e o funcionamento das entidades que neles operem;
 Zelar pela liquidez e solvência das sociedades que integram o mercado;
 Disciplinar e acompanhar os investimentos daquelas entidades, em especial os
efetuados em bens garantidores de provisões técnicas;
 Cumprir e fazer cumprir as deliberações do CNSP e exercer as atividades que
por este forem delegadas;

UP CURSOS 2025
29

 Prover os serviços de Secretaria Executiva do CNSP.

7. BANCOS COMERCIAIS

Os bancos comerciais (BC) são sociedades anônimas que possuem como objetivo
promover o encontro entre os agentes superavitários e os agentes deficitários, além de realizar
operações financeiras de curto prazo. Como eles possuem depósito à vista, criam moeda.
Entre as atividades realizadas pelos BCs, destacam-se as concessões de empréstimos,
operações de crédito, pagamento de cheques, transferência de recursos e ordens de
pagamento, aluguel de cofres e custódia de valores, serviços de cobrança, pagamento de
tarifas públicas e impostos e operações com moedas.
A principal fonte de recursos dos BCs são os depósitos à vista, utilizados para
conceder crédito para consumidores e empresas.
Os bancos comerciais:
 são a base do sistema monetário;
 são intermediários financeiros que captam recursos de credores e os distribuem
através do crédito para devedores;
 têm como objetivo principal proporcionar suprimento de recursos necessários para
financiar, a curto e médio prazos, o comércio, a indústria, as empresas prestadoras de
serviços, as pessoas físicas e terceiros em geral;
 devem ser constituídos sob a forma de sociedade anônima e, em sua denominação
social, deve constar a expressão “banco”.
Produtos de captação de recursos:
 depósitos à vista: conta-corrente (atividade típica do banco comercial);
 depósitos a prazo: CDB, RDB;
 cobrança bancária;
 arrecadação de tarifas e tributos públicos;
 recursos externos; e
 recursos de instituições financeiras oficiais.
Produtos de aplicação de recursos:
 desconto de títulos;

UP CURSOS 2025
30

 abertura de crédito simples em conta-corrente: cheques especiais;


 operações de crédito rural, câmbio e comércio internacional; e
 empréstimos.

8. BANCOS MÚLTIPLOS E BANCOS DE INVESTIMENTO

Bancos múltiplos
Os bancos múltiplos são instituições financeiras (IF), privadas ou públicas, que
realizam as operações ativas, passivas e assessórias das diversas IF. Essas operações estão
sujeitas às mesmas normas legais e regulamentares aplicáveis às instituições singulares
correspondentes as suas carteiras.
De acordo com a Resolução CMN 2.099, de 1994, os bancos múltiplos são instituições
financeiras privadas ou públicas que realizam as operações ativas, passivas e acessórias das
diversas instituições financeiras por intermédio das seguintes carteiras:
 comercial;
 investimento e/ou de desenvolvimento;
 crédito imobiliário;
 arrendamento mercantil e de crédito (leasing); e
 financiamento e investimento (financeiras).
As instituições com carteira comercial podem captar depósitos à vista. As exigências
são apresentadas a seguir.
 Em sua denominação social, deve constar a expressão “banco”.
 Para configurar a existência do banco múltiplo, ele deve possuir pelo menos duas
das carteiras mencionadas, sendo uma delas comercial ou de investimentos.
 A carteira de desenvolvimento somente poderá ser operada por banco público.
Um banco múltiplo deve ser constituído por um CNPJ para cada carteira, podendo
publicar um único balanço.

Principais funções e atribuições de bancos múltiplos:


 operações de underwriting;
 negociação de títulos e valores imobiliários;
 administração de recursos de terceiros;

UP CURSOS 2025
31

 intermediação de câmbio;
 intermediação de derivativos; e
 operações estruturadas de empréstimos ou financiamento.

Bancos de investimento
São IF privadas especializadas em operações de participação societária de caráter
temporário, de financiamento da atividade produtiva para suprimento de capital fixo e de giro
e de administração de recursos de terceiros. Não possuem contas-correntes e captam recursos
via depósitos a prazo, repasses de recursos externos, internos e venda de cotas de fundos de
investimento por eles administrados. As principais operações ativas são financiamento de
capital de giro e capital fixo, subscrição ou aquisição de títulos e valores mobiliários,
depósitos interfinanceiros e repasses de empréstimos externos (Resolução CMN 2624, de
1999). São instituições criadas para conceder créditos de médio e longo prazo para as
empresas.
Devem ser constituídos sob a forma de sociedade anônima e adotar, obrigatoriamente,
em sua denominação social, a expressão “Banco de Investimento”.
As principais operações são:
 financiamento de capital de giro e capital fixo;
 subscrição ou aquisição de títulos e valores mobiliários;
 depósitos interfinanceiros e repasses de empréstimos externos;
 podem manter contas-correntes, contanto que estas não sejam remuneradas e não
movimentáveis por cheques;
 administração de fundos de investimentos; e
 captação recursos através de CDB/RDB ou venda de cotas de fundos.

Nas operações ativas, a instituição financeira assume a posição de credora. Ela


fornece os recursos. O cliente, devedor, paga os juros e o principal.
Exemplos:
 abertura de crédito, simples e em conta-corrente;
 desconto de títulos;
 concessão de empréstimo para capital de giro;
 concessão de crédito rural; e

UP CURSOS 2025
32

 etc.
Nas operações passivas, a instituição financeira assume obrigação com terceiros,
recebendo os seus recursos, aos quais lhes paga os juros e devolve o principal.
Exemplos:
 depósitos à vista e a prazo fixo (pessoas físicas e jurídicas);
 emissões de Certificados de Depósitos Bancários (CDBs); e
 etc.
Nas operações acessórias, o banco atende a particulares, empresas e/ou o governo,
oferecendo o seu conhecimento (know-how) através de serviços de tipo bancário. Nesse caso,
ele atua como um intermediador entre essas entidades (pessoas físicas ou jurídicas).
Exemplos:
 operações de câmbio;
 custódia de títulos e valores;
 operações compromissadas;
 administração de fundos de investimento; e
 etc.

9. BANCOS DE DESENVOLVIMENTO

Os bancos de desenvolvimento são instituições financeiras controladas pelos


governos estaduais e têm como objetivo precípuo proporcionar o suprimento oportuno e
adequado dos recursos necessários ao financiamento, a médio e a longo prazos, de programas
e projetos que visem a promover o desenvolvimento econômico e social do respectivo Estado.
As operações passivas são:
 depósitos a prazo;
 empréstimos externos;
 emissão ou endosso de cédulas hipotecárias; e
 emissão de cédulas pignoratícias de debêntures e de Títulos de Desenvolvimento
Econômico.
As operações ativas são: empréstimos e financiamentos, dirigidos prioritariamente ao
setor privado.

UP CURSOS 2025
33

Devem ser constituídos sob forma de sociedade anônima, com sede na capital do
Estado que detiver seu controle acionário, devendo adotar, obrigatória e privativamente, em
sua denominação social, a expressão “banco de desenvolvimento”, seguida do nome do
Estado em que tenha sede.
Bolsas e Mercado de Balcão Organizado
Bolsa de valores é o local onde se negociam títulos e valores mobiliários. Exemplo:
Ações, que é a menor parcela do capital de uma empresa.
“Em sua constituição original, as bolsas de valores não eram instituições financeiras,
mas associações civis sem fins lucrativos, constituídas pelas corretoras de valores para
fornecer a infraestrutura do mercado de ações” (FORTUNA E. Mercado Financeiro 20. Ed.,
2015, página 566).No entanto, a partir da resolução 2.690 de 28.01.00 e suas alterações
posteriores, que disciplinaram a nova constituição e funcionamento das bolsas de valores, as
quais poderiam deixar de serem entidades sem fins lucrativos e se transformarem em
sociedades anônimas de capital aberto, cujos sócios, além das corretoras, podem ser pessoas
físicas e jurídicas. (FORTUNA,2015).
Foi o que aconteceu no Brasil, com a bolsa de valores de são Paulo, que se juntou com
a BM&F (bolsa de mercadoria e futuros), abriu seu capital e vendeu as ações na própria bolsa,
onde diariamente são negociadas por milhares de acionistas no mercado secundário (compra e
venda das ações entre acionistas).
A bolsa de mercadorias e futuros era uma bolsa autônoma desde sua criação, porém,
como citamos, em 2008 juntou-se com a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo), formando
a partir daquele ano uma única bolsa de valores e futuros, a BM&F Bovespa. Após 2017, no
entanto, passou a ser chamada de B3.
Os contratos que são negociados no segmento BM&F podem ser: contratos futuros de
índices de ações, ouro, dólar, taxas de juros, produtos agrícolas, etc.
Exemplo: Um investidor adquire um contrato do índice do Ibovespa futuro, a um
determinado preço e para um determinado vencimento. Ele pode levar esse contrato até o
vencimento e realizar o lucro ou prejuízo, conforme o caso se estiver num patamar mais alto
ou mais baixo, ou poderá vendê-lo no mercado antes do vencimento, se lhe convier.

Principais Bolsas de Valores do Mundo

UP CURSOS 2025
34

A B3 é atualmente a única bolsa de valores em operação no Brasil. Embora


importante, pois o país tem representatividade econômica mundial, a nossa bolsa está longe de
figurar entre as principais do mundo.
Nesta lista de bolsas mais importantes estão a NYSE, situada na ilha de Manhattan em
Nova York, EUA, que é a maior do mundo, seguida pela NASDAQ, também de Nova York,
na qual são negociadas ações de empresas de alta tecnologia. Na sequência da lista estão as
bolsas de valores de Tóquio no Japão, a bolsa de Londres na Inglaterra, a Euronext situada em
Amsterdam na Holanda, a DAX de Frankfurt na Alemanha, as de Hong Kong de Hong Kong
e Xangai na China, e assim por diante.
A classificação da B3 está se alterando com alguma frequência porque geralmente é
baseada no valor de mercado das empresas, cotadas em dólar, que tenham papéis negociados
nas bolsas. Mas em termos mundiais normalmente fica abaixo da 10ª. posição.
Na B3 são negociados diversos tipos de produtos e contratos financeiros, a saber:
commodities (produtos agrícolas), taxas de juros, tesouro direto, títulos financeiros diversos,
ações, debêntures, direitos de subscrição, moedas, índices de ações, de taxas de juros, etc.
Dica: B3: No site oficial tem a relação de todos os produtos que são negociados na
Bolsa de Valores e Mercadorias de São Paulo. Vale a pena conferir e obter mais informações
importantes.

Bolsa de Valores do Brasil

No Brasil, ainda em 1845 regulamentou-se a atividade de corretor oficial de fundos


públicos que era uma função vitalícia. A B3 (Antiga BOVESPA – Bolsa de Valores de São
Paulo) foi fundada em 1890. “Em 1895 foi fundada a Bolsa Oficial de Títulos de São Paulo.
Mas foi somente a partir de 1964, com as leis da Reforma Bancária e do Mercado de Capitais,
que as Bolsas assumiram as funções que possuem atualmente” (LEMES JUNIOR,
Administração Financeira, ed. 1 (2002)., pág. 323).
Ao longo do tempo várias bolsas foram criadas, tais como, a bolsa de valores do Rio
de Janeiro, de Minas Gerais/Espirito Santo/Brasília, do Extremo Sul, de Santos,
Bahia/Sergipe, etc. (LEMES JUNIOR, 2002).

UP CURSOS 2025
35

No entanto, gradativamente, essas bolsas acabaram sendo absorvidas pela BOVESPA,


que é hoje a única bolsa de valores e mercadorias existente no Brasil, tendo se juntado
inclusive com a BM&F (bolsa de mercadoria e futuros), como já citamos anteriormente.
As bolsas de valores não só promovem a negociação de títulos, mas também a sua
liquidação financeira e a custódia de títulos e valores mobiliários e títulos da dívida pública do
tesouro nacional (através das corretoras, distribuidoras e clearings).
No início as bolsas operavam com o tradicional sistema chamado “pregão de viva
voz”, cujas imagens às vezes eram transmitidas nos programas de TVs, e chamavam a atenção
dos assistentes pela sua singularidade e ritual próprios (gritaria entre corretores que
compravam e vendiam).
Atualmente este sistema foi extinto, prevalecendo somente as negociações eletrônicas.
Contexto: BOVESPA: Em 1972 foi a primeira bolsa brasileira a implantar o pregão
automatizado com a divulgação on-line das informações e no exato momento em que
ocorriam (real time). Pregão é o nome que se dá ao expediente de negociação da bolsa de
valores. Exemplo: pregão do dia tal.
Embora autônoma a BM&F Bovespa opera sob a supervisão da CVM (Comissão de
Valores Mobiliários), que fiscaliza também os demais membros e as operações realizadas
(FORTUNA,2015). Em seguida veremos um pouco mais sobre o mercado da bolsa.
Mercado de bolsa é o mercado diário no qual são feitas as negociações dos títulos e
valores mobiliários. Exemplo: ações e debêntures.
A bolsa brasileira oferece, através das corretoras de valores, o sistema de home broker
e mobile broker (através dos quais os investidores podem realizar suas operações de casa pelo
notebook ou de um smartphone, através da internet). Os investidores institucionais (bancos,
fundos de pensão, etc.) acessam a bolsa através de seus sistemas automatizados.
O tempo de negociação de um pregão normal é de sete horas, acrescido de uma hora
para o chamado After Market, no qual as cotações das ações não podem oscilar mais do que
2% em relação ao valor de fechamento do pregão normal.
A negociação de títulos em bolsa é feita através das corretoras e distribuidoras de
valores, que são as intermediárias especializadas responsáveis pela execução das ordens de
compra e venda de seus clientes ou delas próprias.

UP CURSOS 2025
36

Essas entidades cobram corretagens pelas ordens executadas, havendo uma grande
concorrência entre as várias existentes. Exemplo de corretora de valores: XP Investimentos,
que é a maior corretora do Brasil no momento.
A liquidação financeira de uma ordem de compra ou venda de ações é de dois dias
úteis, ou seja, se um cliente vendeu uma ação ele recebe o dinheiro após dois dias úteis,
creditado diretamente em sua conta corrente na sua corretora. Da mesma forma, se o cliente
comprou ações, em dois dias úteis deverá provisionar o saldo na conta para ser debitado.
Diariamente nos é informado o índice de variação da bolsa de valores. É o índice
Ibovespa, o mais importante indicador, composto pela variação média das cotações
(quantidade média x preço do último negócio), de cerca de 60 a 65 ações das empresas mais
representativas negociadas, em relação ao fechamento do dia anterior.
Há também, negócios com ações e outros títulos (que são feitos diariamente entre
instituições financeiras). É o chamado mercado de balcão, que vamos ver em seguida.

BM&FBOVESPA

A BM & Bovespa foi constituída em 2008, e surgiu da união entre a Bolsa de


Mercadorias & Futuros (BM & F S.A.) e a Bovespa Holding S.A., as duas maiores da
América Latina. As operações e produtos negociados na Bovespa são composto de ações de
companhias abertas, notas promissórias, futuro de ações, opções sobre ações, warrants,
BDRs, RCSA, ETFs, CRI (Certificados Recebíveis Imobiliários), FIDC (Fundos de Direitos
Creditórios), FII (Fundo de Investimento Imobiliário).

B3
Originada pela fusão entre a BM&FBOVESPA e a Cetip, a B3 é a companhia de
infraestrutura de mercado financeiro. Antes da fusão ela era a bolsa de valores, as mercadorias
e os futuros do Brasil, realizando a intermediação dos títulos negociados no mercado de
capitais. Ela era responsável pela provisão de sistemas para a negociação de ações, derivativos
de ações, títulos de renda fixa, títulos públicos federais, derivativos financeiros, moedas à
vista e commodities agropecuárias.
A B3 opera um elenco completo de negócios com ações, derivativos, commodities,
balcão e operações estruturadas.

UP CURSOS 2025
37

As negociações se dão em pregão eletrônico e via internet, com facilidades de


homebroker (sistema oferecido por diversas companhias para conectar seus usuários ao
pregão eletrônico no mercado de capitais).
Figura – Tipo de Operação e Dia de Liquidação.

Deveres e Obrigações da B3:


 Manter equilíbrio entre seus interesses próprios e o interesse público a que deve
atender, como responsável pela preservação e auto-regulação dos mercados por ela
administrados;
 Cabe à entidade administradora aprovar regras de organização e funcionamento
dos mercados manutenção de elevados padrões éticos de negociação nos mercados por ela
administrados;
As Regras de Negociação da Bolsa devem:
 Evitar ou coibir modalidades de fraude ou manipulação destinadas a criar
condições artificiais de demanda, oferta ou preço dos valores mobiliários negociados em seus
ambientes;
 Assegurar igualdade de tratamento às pessoas autorizadas a operar em seus
ambientes;
 Evitar ou coibir práticas não equitativas em seus ambientes.
 Fixar as variações de preços e quantidades ofertadas, em seu ambiente de

UP CURSOS 2025
38

negociação que for caracterizado como centralizado e multilateral, que exige a adoção de
procedimentos especiais de negociação, bem como os procedimentos operacionais necessários
para quando tais variações forem alcançadas, respeitadas as condições mínimas que forem
estabelecidas pela CVM em regulamentação específica.
A B3 – Câmara de Ações tem por objeto compensar, liquidar e controlar o risco das
obrigações decorrentes de operações à vista e de liquidação futura com qualquer espécie de
valores mobiliários, títulos, direitos e ativos realizadas na Bolsa, em outras bolsas ou outros
mercados. É uma clearing house.
É negociado na B3: ações, derivativos (opções, futuro e termo), CRI, CRA,
debentures, letras financeiras, fundo imobiliário, fundo de participações, fundo de
direitos creditórios, ETF.

10. CORRETORAS E DISTRIBUIDORAS

As Corretoras de Títulos e Valores Mobiliários (CTVM) e as Distribuidoras de


Títulos e Valores Mobiliários (DTVM) atuam nos mercados financeiros e de capitais, assim
como no mercado cambial, intermediando a negociação de títulos e valores mobiliários entre
investidores e tomadores de recursos.
As corretoras e as distribuidoras devem ser constituídas sob a forma de sociedade
anônima ou por quotas de responsabilidade limitada. Elas possuem a função de proporcionar
maior liquidez e segurança ao mercado acionário.

As Corretoras de Títulos e Valores Mobiliários (CTVM) oferecem os serviços:

 plataformas de investimento pela internet (Home broker);


 consultoria financeira;
 clubes de investimentos;
 financiamento para compra de ações (conta margem);
 administração e custódia de títulos e valores mobiliários dos clientes;
 intermediação de operações de câmbio;
 administração de fundos e clubes de investimento;
 uma corretora pode atuar também por conta própria; e

UP CURSOS 2025
39

 na remuneração pelos serviços, essas instituições podem cobrar comissões e taxas.


A supervisão das corretoras de valores é responsabilidade do BACEN, e o exercício de
sua atividade depende da autorização da CVM. Estão sujeitas à fiscalização da Bolsa de
Valores, BACEN e CVM.
De acordo com a Lei 6.385/76, a competência da CVM em relação às CTVMs e
DTVMs está limitada às operações com valores mobiliários sujeitos ao regime da referida lei,
na qual incluem-se, por exemplo, ações, debêntures, e contratos derivativos, mas, por
exemplo, não são incluídos os títulos públicos, sendo que toda a atividade relativa a esses
ativos está sujeita à regulamentação e fiscalização do Banco Central do Brasil.
Os fundos de investimentos administrados por corretoras ou outros intermediários
financeiros são constituídos sob forma de condomínio e representam a reunião de recursos
para a aplicação em carteira diversificada de títulos e valores mobiliários, com o objetivo de
propiciar aos condôminos valorização de quotas a um custo global mais baixo. A
normatização, concessão de autorização, registro e a supervisão dos fundos de investimento
são de competência da CVM.

Sociedades Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários

Outro ente que se enquadra como operador no sistema são as Sociedades


Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários (DTVM). Elas são constituídas sob a
forma de S.A. ou por quotas de responsabilidade limitada, devendo constar na sua
denominação social a expressão “Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários”. São
supervisionadas pelo Banco Central do Brasil. Algumas de suas atividades:
 intermedeiam a oferta pública e distribuição de títulos e valores mobiliários no
mercado;
 administram e custodiam as carteiras de títulos e valores mobiliários;
 instituem, organizam e administram fundos e clubes de investimento;
 operam no mercado acionário, comprando, vendendo e distribuindo títulos e
valores mobiliários, inclusive ouro financeiro, por conta de terceiros;
 fazem a intermediação com as bolsas de valores e de mercadorias;
 efetuam lançamentos públicos de ações; e
 operam no mercado aberto e intermedeiam operações de câmbio.

UP CURSOS 2025
40

11. CLEARINGS E SISTEMAS

O processo de compra e venda de ativos por meio eletrônico, como é o caso da BM &
F BOVESPA, exige um sistema confiável de custódia (Custody), compensação (Clearing) e
entesouramento (Treasury). No Brasil a Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia
(CBLC) é responsável pela guarda, compensação e liquidação das operações que ocorrem na
BM & F Bovespa, seja no mercado à vista ou nos mercados de derivativos. Além disso, a
CBLC executa o controle de risco dos negociantes, evitando possíveis desequilíbrios no
mercado.
Os serviços prestados pela CBLC são:
 Custódia dos Títulos: guardar os valores prestados pelos participantes do
mercado. A administração das contas de custódia é realizada pelos agentes de custódia que na
maioria dos casos são corretoras ou bancos autorizados.
 Liquidação: alocação e liquidação das operações realizadas na BM_amp_F
Bovespa, permitindo que os intermediários da negociação (como as corretoras) possam
identificar os investidores finais. Assim como a custódia, é necessário um agente de
compensação, que também pode ser uma corretora ou banco, além de demais instituições
autorizadas ASSAF (2009).
 Controle de risco: provê cobertura a riscos, além de identificar e mensurar riscos.
 Empréstimo: a CBLC também pode agir como contraparte em negociações de
empréstimo de títulos em negociações.
Após entendida a importância da CBLC para o correto funcionamento a BM_amp_F
Bovespa, o próximo tópico demonstra um estudo de caso para apreciação de uma das
operações possíveis nesse mercado.

Desenho do novo Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB): conceitos


A função básica de um sistema de pagamentos é transferir recursos, bem como
processar e liquidar pagamentos para pessoas, empresas, governo, Banco Central e
instituições financeiras. Ou seja, praticamente todos os agentes atuantes em nossa economia.

UP CURSOS 2025
41

O cliente bancário utiliza-se do sistema de pagamentos toda vez que emite cheques,
faz compras com cartão de débito e de crédito ou ainda quando envia um DOC – Documento
de Crédito.
O Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) é o conjunto de procedimentos, regras,
instrumentos e operações integradas que, por meio eletrônico, dão suporte à movimentação
financeira entre os diversos agentes econômicos do mercado brasileiro, tanto em moeda local
quanto estrangeira, visando a maior proteção contra rombos ou quebra em cadeia de
instituições financeiras.
O SPB reúne as entidades, sistemas e procedimentos referentes ao processamento e à
liquidação de operações de transferência de fundos, transações com moeda estrangeira, ativos
financeiros e valores mobiliários. Ele congrega os procedimentos, regras, instrumentos e
operações que dão suporte à movimentação financeira em moeda local e estrangeira,
oferecendo maior proteção contra a falência em cadeia das instituições financeiras. Assim, a
sua finalidade é realizar a transferência de recursos entre as instituições financeiras.
De acordo com o Banco Central, integram o SPB, os serviços de compensação de
cheques, de compensação e liquidação de ordens eletrônicas de débito e de crédito, de
transferência de fundos e de outros ativos financeiros, de compensação e de liquidação de
operações com títulos e valores mobiliários, de compensação e de liquidação de operações
realizadas em bolsas de mercadorias e de futuros, entre outros. Isto é, ela congrega as
entidades responsáveis pela infraestrutura do mercado financeiro (BANCO CENTRAL.
Relatório de Vigilância do Sistema de Pagamentos Brasileiro, 2013.
Disponível em:
_lt_[Link]
mentos_brasileiro/RELATORIO_DE_VIGILANCIA_SPB2013.pdf_gt_.

O Sistema de Pagamentos Brasileiro é composto por:


 Banco Central;
 Instituições financeiras;
 Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC);
 Câmara de Registro, Compensação e Liquidação de Operações de Ativos BM&F;
 Câmara de Registro, Compensação e Liquidação de Operações de Câmbio

UP CURSOS 2025
42

BM&F;
 Câmara de Registro, Compensação e Liquidação de Operações de Derivativos
BM&F;
 B3 (antiga Cetip);
 Selic;
 Cielo (antiga Visanet) e Redecard;
 TecBan; e
 Câmara Interbancária de Pagamentos (CIP).

Clearings

Clearing House, também conhecida como câmara de compensação, identifica a parte


de uma bolsa de valores na qual as transações dos clientes são processadas e registradas. Ela é
responsável por assegurar que todas as transações sejam realizadas, eliminando o risco de
crédito. Uma Clearing é uma câmara, ou prestadora de serviços de compensação e liquidação
de ordens eletrônicas, de transferências de fundos e de outros ativos financeiros, e
principalmente de compensação e de liquidação de operações realizadas em bolsas de
mercadorias e de futuros e de compensação envolvendo operações com derivativos.

Principais clearing houses:


 SELIC: Títulos Públicos Federais;
 COMPE: Responde pela compensação de cheques e outros papéis;
 CIP – Câmara Interbancária de pagamentos;
 B3 – o que considera:
→ CETIP:
 Títulos Privados (Derivativos: Termo, Futuros, Swaps e Opções);
 Renda Fixa (CDB, RDB, LF e DI);
 Títulos Agrícolas (CPR, CRA e LCA);
 Títulos de crédito (CCB);
 Títulos Imobiliários (CCI, CRI e LCI);
 Valores Mobiliário (Debêntures e NC); e
 Cotas de Fundos.

UP CURSOS 2025
43

→ BM&FBOVESPA – Câmara de Ações – (antiga CBLC):


 Ações e outras operações realizadas nos mercados da BM&FBOVESPA; e
 Segmento Bovespa (à vista, derivativos, balcão organizado e renda fixa privada).
O mercado de balcão é um mercado no qual são negociados títulos de empresas,
principalmente entre instituições financeiras, ou seja, ações e outros títulos das empresas
sociedades anônimas que não estão listadas na bolsa de valores. Exemplo de títulos
negociados: Um CDB captado por um banco pode ser negociado no mercado de balcão para
outro banco interessado naquele título. Um CDB é negociável por endosso (quando o credor
assina no verso do documento autorizando sua transferência).

As ações negociadas são geralmente de empresas de menor porte ou que tenham


menor liquidez no mercado. Esse mercado pode ser o início para que uma empresa tenha
ações negociadas em bolsa. São realizados também operações com derivativos, como por
exemplo: operações a termo de moedas, onde compradores e vendedores fixam no ato o valor
em reais do preço futuro de outra moeda (normalmente o dólar).
O mercado de balcão se caracteriza por ainda ser mais simples e de menores custos
para as empresas e menores exigências por parte do órgão fiscalizador (CVM). Este mercado
é operado através da SOMA (Sociedade Operadora do Mercado de Ativos) cujo sistema
interliga e fecha eletronicamente todos os negócios feitos. A SOMA é uma Sociedade
Anônima de Capital Fechado controlada pela BM&F Bovespa. Atualmente a SOMA integra a
BM&F Bovespa.
O mercado de balcão não tem um lugar físico determinado para realizar as
negociações. São realizadas por telefone entre as Instituições Financeiras.
A B3 (antiga CETIP) é depositária principalmente de títulos de renda fixa privados,
títulos públicos estaduais e municipais. É uma clering house, com poucas exceções, os
títulos são emitidos escrituralmente (eletrônicos). As operações de compra e venda são
realizadas no mercado de balcão. Conforme o tipo de operação e o horário em que realizada, a
liquidação é em D ou D+1.

Mais sobre a CETIP e a B3


A Central de Custódia e Liquidação Financeira de Títulos Privados (CETIP) é uma
empresa de capital aberto sem fins lucrativos que possui como objetivo conferir transparência

UP CURSOS 2025
44

e eficiência da liquidação dos títulos privados. Ela atua como Clearing House, realizando a
liquidação e a custódia de títulos públicos e privados. Ela é responsável pelo registro, pela
custódia e liquidação das operações de renda fixa privada e títulos públicos estaduais e
municipais, sendo a maior câmara de compensação de títulos privados do Brasil. Em 2017 a
CETIP se fundiu com a BVM&BOVESPA, originando a única bolsa de valores do Brasil e
também responsável pela liquidação dos títulos.
Entre os títulos negociados na Cetip se destacam CDB:
 RDB;
 letras hipotecárias;
 debêntures;
 swaps;
 TED; e
 DOC.
Esse órgão também é responsável por registrar as operações diárias de empréstimos
entre instituições bancárias. Assim, a Cetip é o órgão responsável por garantir a segurança das
negociações de títulos privados de renda fixa, realizando o registro dos títulos negociados.
Entre as instituições que utilizam os serviços da Cetip se destacam Bancos Múltiplos:
 Bancos Comerciais;
 Bancos de Investimento;
 Fundos de Investimento;
 Financeiras;
 Corretoras de Valores Mobiliários;
 Operadoras de Consórcio;
 Distribuidoras de Valores Mobiliários;
 Leasing; e
 Crédito Imobiliário.

B3
Originada pela fusão entre a BM&FBOVESPA e a Cetip, a B3 é a companhia de
infraestrutura de mercado financeiro. Antes da fusão ela era a bolsa de valores, as mercadorias
e os futuros do Brasil, realizando a intermediação dos títulos negociados no mercado de
capitais. Ela era responsável pela provisão de sistemas para a negociação de ações, derivativos

UP CURSOS 2025
45

de ações, títulos de renda fixa, títulos públicos federais, derivativos financeiros, moedas à
vista e commodities agropecuárias.
Sistema Especial de Liquidação e Custódia (SELIC)

O Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic), do Banco Central do Brasil, é


um sistema informatizado que se destina à custódia de títulos escriturais de emissão do
Tesouro Nacional, bem como ao registro e à liquidação de operações com esses títulos.
As liquidações no âmbito do Selic ocorrem por meio do mecanismo de entrega contra
pagamento (Delivery Versus Payment — DVP), que opera no conceito de Liquidação Bruta
em Tempo Real (LBTR), sendo as operações liquidadas uma a uma por seus valores brutos
em tempo real.
Além do sistema de custódia de títulos e de registro e liquidação de operações,
integram o Selic os seguintes módulos complementares:
 Oferta Pública (Ofpub);
 Oferta a Dealers (Ofdealers);
 Lastro de Operações Compromissadas (Lastro); e
 Negociação Eletrônica de Títulos (Negociação).

12. ANBIMA
A Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais
(ANBIMA) é um agente regulador privado, que representa as instituições que atuam no
mercado financeiro e mercado de capitais brasileiro.

UP CURSOS 2025
46

Quadro – O papel da ANBIMA e atividades desenvolvidas.

A autorregulação e os mecanismos de supervisão e atividades autorreguladas. A


autorregulação é: “expressa na forma de códigos de melhores práticas, criados a partir de
propostas que nascem e são aperfeiçoadas nos comitês e subcomitês de representação. Assim,
representantes das instituições associadas, ou seja, do próprio mercado, discutem, formulam
e colocam em prática as regras que norteiam cada uma das atividades nas quais atuamos.
O cumprimento dessas regras é acompanhado permanentemente por meio de uma
série de ações da área de Supervisão de Mercados.
As atividades da autorregulação são apoiadas por dois tipos de organismos: os que
orientam a atuação da área de supervisão e analisam os relatórios elaborados pelas equipes
técnicas da Associação (comissões de acompanhamento) e aqueles que instauram e julgam
processos, além de emitir deliberações e orientações sobre as nossas normas (conselhos de
autorregulação).”
Fonte: [Link]

UP CURSOS 2025
47

A ANBIMA criou e supervisiona o Código de Regulação e Melhores Práticas,


atuando em conjunto com as instituições financeiras para regular as atividades exercidas das
entidades de mercado financeiro e de capitais do Brasil.
O Código ANBIMA de Regulação e Melhores Práticas é dividido em vários outros
“sub-códigos”.

Código ANBIMA de Regulação e Melhores Práticas para o Programa de Certificação


Continuada

Código de Regulação e Melhores Práticas para o Programa de Certificação Continuada

O objetivo do Código de Regulação e Melhores Práticas para o Programa de


Certificação Continuada é estabelecer princípios e regras que deverão ser observados pelas
Instituições Participantes, que atuam no mercado financeiro e de capitais, de maneira a
buscar a permanente elevação da capacitação técnica de seus profissionais, bem como a
observância de padrões de conduta no desempenho de suas respectivas atividades.
O Código se destina aos bancos múltiplos, bancos comerciais, bancos de investimento,
bancos de desenvolvimento, sociedades corretoras e distribuidoras de títulos e valores
mobiliários, administradores fiduciários e às pessoas jurídicas que desempenham as atividades
e Gestores de Recursos de Terceiros e Gestão de Patrimônio.
Padrões de conduta a serem seguidos pelos profissionais certificados: As
Instituições Participantes devem assegurar que seus profissionais:
 Possuam reputação ilibada;
 Exerçam suas atividades com boa fé, transparência, diligência e lealdade;
 Cumpram todas as suas obrigações, devendo empregar, no exercício de suas
atividades, o cuidado que toda pessoa prudente e diligente costuma dispensar à administração
de seus próprios negócios, respondendo por quaisquer infrações ou irregularidades que
venham a ser cometidas;
 Norteiem a prestação de suas atividades pelos princípios da liberdade de iniciativa
e da livre concorrência, evitando a adoção de práticas caracterizadoras de concorrência desleal
e/ou de condições não equitativas, respeitando os princípios de livre negociação;

UP CURSOS 2025
48

 Evitem quaisquer práticas que infrinjam ou estejam em conflito com as regras e


princípios contidos neste Código e na Regulação em vigor;
 Adotem condutas compatíveis com os princípios de idoneidade moral e
profissional;
 Vedem a intermediação de investimentos ilegais e não participem de qualquer
negócio que envolva fraude ou corrupção, manipulação ou distorção de preços, declarações
falsas ou lesão aos direitos de investidores;
 Sejam diligentes e não contribuam para a veiculação ou circulação de notícias ou
de informações inverídicas ou imprecisas sobre o mercado financeiro e de capitais; e
 Zelem para que não sejam dadas informações imprecisas a respeito das atividades
que é capaz de prestar, bem como com relação a suas qualificações, seus títulos acadêmicos e
experiência profissional.
De acordo com o código, as Instituições Participantes devem empenhar-se
permanentemente para o aperfeiçoamento de seus profissionais, capacitando-os e fornecendo
constante atualização sobre as certificações, quando aplicável, regras e normas aplicáveis
pertinentes às suas atividades.
As Instituições Participantes devem assegurar que seus profissionais, no exercício de
suas atividades, não tenham:
 Sido inabilitados para o exercício de cargo em instituições financeiras e demais
entidades autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil, pela Comissão de Valores
Mobiliários, pela Superintendência Nacional de Previdência Complementar ou pela
Superintendência de Seguros Privados;
 Sua autorização para o exercício da atividade suspensa, cassada ou cancelada;
e/ou
 Sofrido punição definitiva, nos últimos 5 (cinco) anos, em decorrência de sua
atuação como administrador ou membro de conselho fiscal de entidade sujeita ao controle e
fiscalização dos órgãos reguladores mencionados anteriormente.
As certificações ANBIMA devem ser atualizadas de acordo com os prazos a seguir:
 CPA-10, CPA-20 e CEA para Profissional Certificado: até 5 (cinco) anos,
contados da data de aprovação no exame, ou da conclusão do procedimento de atualização,
conforme o caso;
 CPA-10, CPA-20 e CEA para Profissional Aprovado: até 3 (três) anos, contados

UP CURSOS 2025
49

da data de aprovação no exame, ou da conclusão do procedimento de atualização, conforme o


caso; e
 CGA para Profissional Certificado: de modo geral, a cada 3 anos, mas devem ser
observadas particularidades de cada caso.
As certificações exigidas para o desempenho das Atividades Elegíveis são obrigatórias
para todos os profissionais que realizam a Gestão de Recursos de Terceiros, e/ou a Gestão de
Patrimônio, e, a Distribuição de Produtos de Investimento Recursos de Terceiros,
independentemente do cargo que ocupem na Instituição Participante.
A pessoa jurídica que desempenha a atividade de Gestão de Patrimônio deve assegurar
que 75% no mínimo, dos profissionais que atuam na Gestão de Patrimônio realizando contato
comercial com o investidor, a fim de assessorar suas decisões de investimento, sejam
certificados:
 pela CEA;
 pelo CFP®; ou
 pelo CFA

UP CURSOS 2025
50

13. REFERÊNCIAS

ASSAF NETO, Alexandre. Mercado financeiro. São Paulo: Atlas, 2014. Banco Central do
Brasil. Sistema Financeiro Nacional. Disponível
em:_lt_[Link] Acesso em: 13 de fev. de
2020.

BANCO CENTRAL DO BRASIL. Resolução CMN n° 2099, de 1994. Disponível em:


_lt_[Link] Acesso
em: 17 de fev. de 2020.
BANCO CENTRAL DO BRASIL. Resolução CMN n°2624, de 1999. Disponível em:
_lt_[Link]
Lists/Normativos/Attachments/45083/Res_2624_v1_O.pdf_gt_. Acesso em: 17 de fev. de
2020.
GITMAN, Lawrence Jeffrey; MADURA, Jeff. Administração financeira: uma
abordagem gerencial. Addison Wesley, 2003.
BRASIL. Decreto n° 1.307. Disponível em:
_lt_[Link] em: 14
de fev. de 2020.
BRASIL. Resolução n° 1.655. Disponível em:
_lt_[Link]
Lists/Normativos/Attachments/41828/Res_1655_v5_P.pdf_gt_. Acesso em: 14 de fev. de
2020.
SZTAJN, Rachel. Sistema financeiro: entre estabilidade e risco. Elsevier Brasil, 2013.

UP CURSOS 2025

Você também pode gostar