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Estrutura e Poder Constituinte na CF/88

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Lais Skarlety
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SEJAM BEM-VINDOS À ULTIMA 2ª FASE DA OAB DA SUA VIDA

DISCIPLINA: DIREITO CONSTITUCIONAL

PROF. CLEITON COUTINHO


- Mestrando em Direito Público

Instagram: @[Link].33
INFORMAÇÕES PRELIMINARES

➢ Leitura da Constituição

➢ Treinamento escrito

➢ Abreviação: CPC/15; CPP/41; CRFB/88; inciso; alíneas; §; parágrafo


único; Lei nº.

➢Ordem das respostas

➢Fundamentação das respostas


Letra legível;
Menção a texto da CFRB/88, da lei, das súmulas e jurisprudências;
Não usar corretor líquido.

➢Tempo: média de 30 minutos em cada questão

➢Resposta em branco: Nunca

➢Rascunho: resumo de ideias, indicação de artigos, súmulas e


jurisprudências.
➢ Devo começar a minha pergunta respondendo SIM ou NÃO?
- Depende;
- Faça um breve resumo do enunciado da questão, evitando com isso a
simples transcrição do dispositivo legal ou da súmula.
ESTRUTURA DA CONSTITUIÇÃO

1 - Preâmbulo;
2 - Parte Dogmática;
3 - Parte Transitória.

1) Preâmbulo:
- Sem valor normativo;
- Fonte de interpretação;
- Traça diretrizes filosóficas, políticas, ideológicas;
- Não se trata de norma de reprodução obrigatória;
- Não é parâmetro de Controle de Constitucionalidade;
- Seus princípios não prevalecem em face de um conflito com a CF.
“Nós, representantes do povo brasileiro, reunidos em Assembleia
Nacional Constituinte (...), sob a proteção de Deus (...)”

- Estado Laico x Laicidade x Laicismo x Ateísmo (ADPF 54, Min. Celso


de Mello);
- Invocação de Deus não enfraquece a laicidade do Estado.

Art. 5.º, VI, estabelece que é inviolável a liberdade de consciência e de


crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e
garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias.
Art. 5.º, VII, é assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência
religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva;
Art. 19, I, determina, tendo em vista a inexistência de religião oficial, ser
vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios
estabelecer cultos religiosos ou igrejas, subvencioná-los, embaraçar-lhes o
funcionamento ou manter com eles ou seus representantes relações de
dependência ou aliança, ressalvada, na forma da lei, a colaboração de
interesse público;
Art. 210, § 1º, o ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá
disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino
fundamental.
2) Parte dogmática:
- Normas constitucionais originárias (Poder constituinte originário):
Presunção absoluta de constitucionalidade
Não podem ser declaradas inconstitucionais

- Normas constitucionais derivadas (Poder constituinte derivado):


Presunção relativa de constitucionalidade
Podem ser declaradas inconstitucionais.

Atenção: (ADI 815 / DF)


- Não há hierarquia entre normas constitucionais;
- Não há normas constitucionais originárias inconstitucionais.
3) Parte Transitória (ADCT):
- Normas de validade pré-determinada, transitória ou exaurida;
- Há uma nova numeração de artigos;
- Direito intertemporal;
- Auxilia na transição de uma ordem jurídica para outra;
- Tem força obrigatória, cogente;
- Constituída por Normas Constitucionais Originárias e Derivadas;
- Parte integrante da Constituição (mesmo grau de autoridade);
- Rege caso concreto;
- É parâmetro de controle de constitucionalidade.
PODER CONSTITUINTE

1. Conceito:

- Criar, alterar e complementar.

2. Titular:

- Povo (Art. 1º, Parágrafo Único da CRFB/88).

3. Espécies:
3.1. Originário (Genuíno, Inicial, Inaugural ou de 1º Grau);

3.2. Derivado (Secundário, Instituído, Constituído, Remanescente ou de 2º Grau).

4. Poder Constituinte Originário:

4.1. Conceito:

- Desconstitutivo-constitutivo.

4.2. Espécies:

a) Histórico ou Fundacional:
- É o verdadeiro PCO, aquele que estrutura pela primeira vez o Estado.

b) Revolucionário:

- São todos aqueles posteriores ao histórico, rompendo por completo com a


antiga ordem e instaurando uma nova ordem, um novo Estado.

4.3. Características:

a) Inicial: instaura uma nova ordem jurídica, rompendo, por completo, com a
ordem jurídica anterior;

b) Autônomo: visto que a estruturação da nova constituição será determinada,


autonomamente, por quem exerce o PCO;
c) Ilimitado Juridicamente: não tem de respeitar os limites postos pelo direito
anterior;

➢Teoria positivista (Brasil)

➢ Teoria não-positivista ou jusnaturalistas (existiriam limites do direito natural)

d) Incondicionado (Soberano): não tem que submeter-se a qualquer forma


prefixada de manifestação;

e) Poder de Fato ou Poder Político: caracterizado por uma energia ou força social,
tendo natureza pré-jurídica, assim a nova ordem jurídica começa com a sua
manifestação, e não antes dela;
f) Permanente: não se esgota com a edição da nova Constituição.

4.4. Formas de Expressão:

a) Outorga: caracteriza-se pela declaração unilateral do agente


revolucionário (Constituições de 1824, 1937 e 1967);

b) Assembleia Nacional Constituinte ou Convenção: nasce de deliberação


da representação popular (Constituições de 1891, 1934, 1946 e 1988).

5. Poder Constituinte Derivado:


5.1. Conceito:

- É o criado e instituído pelo PCO.

5.2. Características:

a) Jurídico: reverenciador dos ditames da norma superior, que lhe deu vida
e viabilizou a sua manifestação quando necessária, desde que seguissem
o processo de reforma;
b) Secundário: deriva do PCO;
c) Subordinado: deve respeitar os fundamentos estabelecidos, pelo Poder
Constituinte Originário, dispostos na Constituição;
d) Condicionado: pois, qualquer reforma, deve ser realizada
harmonicamente à Constituição Federal;
e) Limitado: deve obediência as normas de elaboração impostas, bem
como ao conteúdo da Constituição Federal que não pode sofrer alteração.

5.3. Espécies:

a) Revisor;
b) Reformador;
c) Decorrente.
5.4. Poder Constituinte Derivado Reformador (Art. 60, CF):

- Emendas Constitucionais (podem sofrer controle de constitucionalidade).

a) Limitação Circunstancial ou Excepcional (Art. 60, § 1º, CF):

- A Constituição não poderá ser emendada na vigência de intervenção


federal, de estado de defesa ou de estado de sítio.

b) Limitação Material (Art. 60, § 4º, CF):

- É vedada EC tendente a abolir (suprimir, reduzir e excluir) as cláusulas


pétreas.
- São cláusulas pétreas:

I - a forma federativa de Estado;


II - o voto direto, secreto, universal e periódico;
III - a separação dos Poderes;
IV - os direitos e garantias individuais (Art. 5º, CF e outros dispositivos –
ex: anterioridade tributária (Art. 150 da CRFB/88) e anterioridade da lei
processual eleitoral (Art. 16 da ARFB/88)).

c) Limitações Formais ou Procedimentais (Art. 60 I,II, III e §§ 2º, 3º e 5º,


CF):

- Iniciativa, Votação, Rejeição e Promulgação.


➢ Iniciativa:
- O rol é taxativo
- Legitimados
• 1/3, no mínimo, dos membros do Câmara dos Deputados ou Senado da
República (art.60, I da CF);
• Presidente da República (art.60, II da CF);
• Mais da metade das Assembleias Legislativas das Unidades da Federação,
desde que cada qual se manifeste através da maioria relativa de seus
membros (art. 60, III da CF).

➢ Votação (art. 60, §2º, CF):


- Casa iniciadora (CD), casa revisora (SF), em REGRA;
- Discussão e aprovação em dois turnos nas duas casas (Câmara dos
Deputados e Senado Federal);
- Quórum de 3/5;
- Pode ser aprovada com ou sem emendas parlamentares (alterações no
texto original).
- Não há sanção ou veto do Presidente!!!

➢ Promulgação (Art. 60, § 3º, CF):


- Pelas Mesas da CD e do SF, com o respectivo número de ordem.

➢ Rejeição (Art. 60, § 5º, CF):


- A matéria constante de proposta de emenda rejeitada ou havida por
prejudicada não pode ser objeto de nova proposta na mesma sessão
legislativa.
▪Sessão Legislativa (Art. 57, CF): 2 de fevereiro a 17 de julho e de 1º de
agosto a 22 de dezembro.

d) Limitações Implícitas:
Impossibilidade de supressão das limitações expressas;
Impossibilidade de se alterar o titular do PCO e do PCD Reformador;
A forma republicana de governo e o sistema presidencialista de governo.

5.5. Poder Constituinte Derivado Revisor (Art. 3º, ADCT):

- Emendas Constitucionais de Revisão;


- Revisões seriam realizadas após 5 anos;
- Sessão unicameral;
- Voto da maioria absoluta;
- Existência de limites materiais (cláusulas pétreas), temporal e
circunstanciais ou excepcionais;
- Impossibilidade de nova revisão (teoria da dupla revisão).

5.6. Poder Constituinte Derivado Decorrente (Arts. 25 e 32, CF):

a) Conceito:

- É o responsável por estruturar a Constituição dos Estados-Membros ou,


em momento seguinte, havendo necessidade de adequação e
reformulação, modificá-la.
b) Modalidades:
➢ Poder Constituinte Derivado Decorrente Inicial;

➢ Poder Constituinte Derivado Decorrente de Revisão Estadual.

Atenção: O Poder Constituinte Derivado Decorrente também é exercido


pelo DF, quando da elaboração da sua Lei Orgânica ou da sua
modificação, tendo em vista que a Lei Orgânica do DF, é uma verdadeira
Constituição Distrital.

Atenção: O Poder Constituinte Derivado Decorrente não é exercido pelos


Municípios e pelos Territórios Federais.
c) Princípio da Simetria (Limitações) – Arts. 25, 29 e 32 da CRFB/88:

➢ Normas de Reprodução Obrigatória:


- Princípios Constitucionais Sensíveis (Art. 34, VII, CF);
- Princípios Constitucionais Estabelecidos ou Organizatórios (Ex:
Repartição de competências, sistema tributário nacional, organização dos
poderes, direitos políticos, nacionalidade, direitos sociais, direitos e
garantias individuais, ordem econômica);
- Princípios Constitucionais Extensíveis (Integram a estrutura da
Federação Brasileira – Ex: Forma de investidura em cargos eletivos, o
processo legislativo, os orçamentos, os preceitos ligados a administração
pública).
6. Mutação Constitucional (Poder Constituinte Difuso ou Interpretação
Evolutiva):

- Não se confunde com Reforma Constitucional.


- Procedimento informal de alteração da constituição;
- Altera-se o conteúdo material da norma constitucional sem alterações
formais em seu texto;
- Elabora-se uma nova norma através da interpretação;
- Respeito ao conteúdo e ao texto da Constituição.
- Ocorre de modo informal e espontâneo, como um verdadeiro poder de
fato, e que decorre dos fatores sociais, políticos e econômicos,
encontrando-se em estado de latência.
- São alterações no significado e sentido interpretativo do texto
constitucional, sem que haja alteração no texto da Constituição.

7. Fenômenos de Direito Constitucional Intertemporal:

7.1. Desconstitucionalização:
- As normas da Constituição pretérita materialmente compatíveis podem
ser recebidas pelo novo ordenamento com status infraconstitucional;
- Brasil não adotou.

7.2. Teoria da Revogação Global:


- Com a entrada em vigor da nova constituição: há uma revogação
integral da Constituição pretérita.
- Por serem normas de mesma hierarquia e versarem igualmente sobre
matéria constitucional, aplica-se o princípio geral do direito no sentido de
que a lei nova revoga completamente a anterior.

7.3. Vacatio Constitutionis:


- Corresponde ao lapso temporal entre a publicação do ato de
promulgação e a data estabelecida para entrada em vigor de seus
dispositivos;
- Não foi adotada na CF 1988.
7.4. Recepção Constitucional:
- Aplica-se as normas infraconstitucionais elaboradas antes do advento
da nova Constituição, e desde que estejam em vigor.

a) Recepcionadas, desde que materialmente compatíveis com a


Constituição;
b) Não recepcionadas (revogadas), desde que sejam materialmente
incompatíveis com Constituição.

Atenção: A incompatibilidade formal superveniente, em regra, não impede


a recepção, mas faz com que o ato adquira uma nova roupagem, um novo
status, a exemplo do que ocorreu com o CTN, sua alteração só poderá ser
feita por lei complementar.
➢ Requisitos da Recepção:
• estar em vigor no momento do advento da nova Constituição;
• não ter sido declarada inconstitucional durante a sua vigência no
ordenamento anterior;
• ter compatibilidade formal e material perante a Constituição sob cuja
regência ela foi editada (no ordenamento anterior);
• ter compatibilidade somente material perante a nova Constituição, pouco
importando a compatibilidade formal.

Atenção: O STF não admite o fenômeno da inconstitucionalidade


superveniente de ato normativo produzido antes da Constituição e perante
novo paradigma.
Atenção: Repristinação não foi adotada na CRFB/88.

Exceção: Se a nova ordem jurídica expressamente assim se pronunciar.

Atenção: Posicionamento do STF “ Ementa: Agravo Regimental – Não tem


razão o agravante. A recepção de lei ordinária como complementar pela
Constituição posterior a ela só ocorre com relação aos seus dispositivos
em vigor quando da promulgação desta, não havendo que pretender-se a
ocorrência de efeito repristinatório, porque o nosso sistema jurídicos, salvo
disposição em contrário, não admite a repristinação (Art. 2º, § 3º, da
LINDB). Agravo a que se nega provimento” (AGRAG 235.800/RS, Rel. Min.
Moreira Alves, DJ de 25.06.1999, p. 16, Ement. v. 01956-13, p. 2660, 1ª
Turma – original sem grifos).

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