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Controle Interno e Sucesso das PMEs

importancia do controlo interno nas pmes

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Afonso Mubai
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INSTITUTO SUPERIOR DE GESTÃO E EMPREENDEDORISMO

Afonso João Mubai

IMPORTÂNCIA DO CONTROLO INTERNO como ferramenta de SUCESSO DAS


PMEs: ESTUDO DE CASO FARMÁCIA PREFERENCIAL.
Introdução

Em uma empresa, o controle interno é uma ferramenta de extrema importância, sabendo-se


que seu fracasso se dá pela falta de um controle interno principalmente nas pequenas e
medias empresas que tem a difícil missão de se desenvolver, crescer e permanecer no
mercado que está cada vez mais competitivo. O controle interno é também uma excelente
ferramenta que auxilia os gestores, e empresários a realizar uma análise da real situação da
empresa através de relatórios gerados que são utilizados para a tomada de decisão

Uma empresa, por mais pequena que seja, tem que executar um sistema de controlo interno
para uma melhor organização operacional. Contudo, quanto maior for a empresa, mais
rigoroso será o seu controlo interno e o inverso também sucede; numa empresa familiar o
sistema de controlo tende a ser elementar e muito débil. As empresas de grande dimensão
possuem um controlo mais eficiente, com maior rendimento e com poucos gastos,
conseguido através do cumprimento das exigências dos gestores das mesmas.

Contudo, a implementação de um controlo interno adequado, não significa necessariamente


que a empresa esteja livre de riscos. O controlo interno vai ajudar a traçar os objectivos e a
planear estratégias, pois, se uma empresa não correr riscos, não tem projeção para o futuro,
sendo que os riscos podem ser investimentos, e todos os investimentos por mais
rudimentares que sejam, acarretam riscos.

Sabe-se que o controle interno advém da necessidade de aperfeiçoamento dos


procedimentos utilizados pelas organizações, passando a ocupar lugar de destaque no
planeamento e execução das actividades operacionais. Assim, presente em maior ou menor
grau nas instituições, esse controle pode ser entendido como o conjunto de “instrumentos
destinado à vigilância, fiscalização e verificação de informações e dados que permite
prever, observar, dirigir ou governar os acontecimentos dentro da empresa, refletindo em
seu patrimônio” (FRANCO e MARRA, 2001, p.267).

O controle interno compreende o plano de organização e o conjunto coordenado dos


métodos e medidas, adotados pela empresa, para proteger seu patrimônio, verificar a
exatidão e o grau de confiança de seus dados contábilisticos, bem como promover a
eficiência operacional

Uma organização competitiva no mercado em que atua, precisa, mais do que se preparar em
relação às estratégias de vendas, aperfeiçoar suas operações e ter maior eficiência nos
processos. Assim, a empresa é capaz de reduzir custos e melhorar a qualidade das soluções
apresentadas.

Delimitação do temporal e espacial

O presente estudo centra-se na análise da importância do controlo interno para o sucesso e


sustentabilidade das Pequenas e Médias Empresas (PMEs), com especial enfoque na
Farmácia Preferencial, uma empresa do sector farmacêutico localizada na Cidade de
Maputo, Moçambique

Delimitação temporal

O estudo abrange o período de Janeiro de 2023 a Dezembro de 2024, permitindo observar e


avaliar, de forma consistente, as práticas de controlo interno implementadas durante dois
exercícios económicos completos. Este intervalo temporal foi seleccionado com o intuito de
compreender os efeitos das políticas de controlo interno no desempenho e sustentabilidade
da empresa num período recente e relevante para o contexto pós-pandemia.

Delimitação especial

A investigação concentra-se na Cidade de Maputo, capital do país e centro económico que


alberga diversas PMEs com realidades organizacionais variadas. Esta escolha deve-se à
representatividade da cidade no tecido empresarial nacional e à sua dinâmica comercial,
que oferece condições adequadas para a análise da eficácia dos sistemas de controlo interno
em ambientes empresariais competitivos.
Identificação do Problema e sua Justificação

A implementação e um funcionamento adequado de um sistema de controlo interno


é importante para a sobrevivência de qualquer empresa, independentemente da sua
dimensão, estrutura ou de setor de mercado

A ausência de controlo interno faz com que as pequenas e médias empresas não
consigam alcançar um bom desenvolvimento e corram o risco de entrar em falência.
Actualmente, o mercado é altamente competitivo, e as empresas têm de estar
constantemente actualizadas. Se não estiverem devidamente preparadas, dificilmente
conseguirão manter-se activas e sustentáveis no mercado.

A implementação de um sistema de controlo interno eficaz permite à organização


evitar actos erróneos que possam causar prejuízos, ao mesmo tempo que indica caminhos
mais seguros e eficientes para o desenvolvimento das suas actividades com
responsabilidade e segurança

As Pequenas e Médias Empresas, enfrentam varios desafios relacionados à gestão


eficiente, entre os quais se destaca a fragilidade no sistema de controlo interno. Muita das
vezes, essas empresas não apresentam instrumentos adequados para supervisionar, avaliar
e proteger os seus recursos, o que pode comprometer a sua sustentabilidade e crescimento

No caso específico da Farmácia Preferencial, observam-se fortes indícios de falhas


nos procedimentos de controlo interno, nomeadamente na gestão dos inventarios, meios
finaceiros, e separação de funções: Até que ponto a ausência de procedimentos eficazes de
controlo interno compromete a sustentabilidade da Farmácia Preferencial?

Justificativa

A escolha do tema foi motivada, especialmente por se tratar de um tema de extrema


importância e fundamental para o melhor desempenho das pequenas e médias empresas,
pois nenhuma empresa ou entidade, por mais peuquena que seja, deveria exercer as suas
actividades economicas sem ter implemetado um qualquer sistema de controlo interno.,

Neste sentido, o estudo deste tema é de grande relevância, especificamente em contextos


onde a competividade do e os ricos operacionais são elevados. Desenvolver esse tema
permite compreender melhor como as pequenas e médias empresas podem melhorar a sua
gestão, de forma a ganrantir a sua continuidade

A sustentabilidade das PMEs depende da sua capacidade de se adequarem a mudanças e


riscos. O controlo interno é uma ferramenta que permite monitorar e corrigir processos,
reforçando a resiliência do negócio, pois com base na definição do Silva (2005: 56), de que
um activo é um recurso controlado pela empresa como resultado de acontecimentos
passados e do qual se espera que fluam para a empresa beneficios económicos futuros.

Pode-se verificar que a ausência de controlo sobre determinados activos, especialmente nas
PMEs, pode implicar a perda dos benefícios económicos futuros que desses activos possam
advir. Os activos de uma organização representam recursos fundamentais para a geração de
riqueza e para a prossecução dos seus objectivos económicos e sociais. Quando não existe
um sistema de controlo interno eficaz, esses recursos ficam vulneráveis a desvios, má
gestão, desperdícios ou utilização indevida, comprometendo a capacidade da empresa de
gerar lucros e manter-se competitiva no mercado.

Neste sentido, estudar a importância do controlo interno nas PMEs torna-se relevante não
apenas do ponto de vista técnico-contabilístico, mas também estratégico. Ao implementar
mecanismos de controlo eficazes, a empresa fortalece a sua capacidade de gerir riscos,
optimizar recursos e garantir a sustentabilidade a longo prazo

OCDE-Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico

International Federation of Accountants (2013) (IFAC

International Organization of Supreme Audit Institutions (INTOSAI


Objectivo Geral

 Analisar de que forma a implementação de um sistema eficaz de controlo interno


pode contribuir para o sucesso operacional e a sustentabilidade da Farmácia
Preferencial, enquanto Pequena e Média Empresa (PME), tendo em conta os
princípios de gestão, controlo financeiro e mitigação de riscos.

Objectivos Específicos:

 Apresentar os benefícios resultantes da implementação de um sistema eficaz de


controlo interno PME´s;
 Apontar eventuais fragilidades ou lacunas nos processos de controlo interno da
Farmácia Preferencial;
 Propor melhorias nos procedimentos de controlo interno que possam reforçar a
sustentabilidade e competitividade da empresa no mercado.

Perguntas de Pesquisa:

1. Quais são os principais benefícios associados à implementação de um sistema eficaz


de controlo interno nas PME´s?
2. Quais são as principais fragilidades ou lacunas existentes nos processos de controlo
interno da Farmácia Preferencial?
3. Que melhorias podem ser implementadas nos procedimentos de controlo interno da
Farmácia Preferencial para reforçar sua sustentabilidade e competitividade no
mercado?
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Conceito e Definição de Controle

O controle interno é definido de várias maneiras, a forma pela qual o controle interno é
utilizado é que o diferencia. Segundo Chiavenato, (2003, p.635), controle interno é “a
função administrativa que consiste em medir o desempenho a fim de assegurar que os
objectivos organizacionais e os planos estabelecidos sejam realizados ”.

De acordo com Franco e Marra (2001, p.267), controles internos são:

(...) todos os instrumentos da organização destinados à vigilância,


fiscalização e verificação administrativa, que permitem prever, observar,
dirigir ou governar os acontecimentos que se verificam dentro da empresa e
que produzem reflexos em seu patrimônio e o funcionamento da empresa

Para Schmidt, Santos e Martins, (2014, p.34), a principal justificativa para que o controle
seja efectivo é a de que “não existe avaliação sem controle, ou seja, se não for possível
controlar, então não será possível avaliar”.

De uma forma geral, para aplicação do controle interno em uma organização se faz
necessário um manual de controle interno. Conforme Dias (2010, p.43) este “representa o
direcionador de todos os processos desenvolvidos pela empresa, logo, abrange a totalidade
de procedimentos e rotinas necessárias para a sua aplicação”. Os manuais devem ser de
fácil e rápida compreensão, para que qualquer pessoa ao ler o manual de controles internos,
entenda:

 A ordem de execução das atividades;


 Como são realizados os procedimentos;
 As informações registradas nos sistemas informatizados;
 As operações automatizadas;
 Os relatórios emitidos e seu destino e objetivo. (DIAS, 2010, p.45).

A elaboração dos manuais de controle interno de acordo com Dias (2010) é:

Um projecto que visa à modernização dos processos organizacionais na empresa, sua


padronização, conhecimentos e aplicação por todos os funcionários, para a certificação
quanto ao sucesso de sua implantação e a obtenção de todos os resultados previstos e
ansiados pela alta gestão da instituição, é necessário a elaboração de um planejamento que
detenha todos os pontos chaves e etapas previstas pela sua concreta realização (DIAS,
2010, p.60). Em relação a sua eficácia é preciso verificar se as normas estabelecidas foram
cumpridas de acordo com o estabelecido pelo controle interno, a implementação, alteração
ou qualquer outra modificação é de responsabilidade da gestão da empresa

“A eficiência do sistema de controle interno como um todo deve permitir detectar não
somente irregularidades de atos intencionais, como também erros de atos não intencionais”.
(ATTIE, 2011, p.204). As características de um controle interno eficiente são:

 Plano de organização que proporcione apropriada segregação de funções


entre execução operacional, custódia dos bens patrimoniais e sua
contabilização;
 Sistema de autorização e procedimentos de escrituração adequados, que
proporcionem controle eficiente sobre o activo, passivo, receitas, custos e
despesas;
 Observação de práticas salutares no cumprimento dos deveres e funções de
cada um dos departamentos da organização; e
 Pessoal com adequada qualificação técnica e profissional, para a execução
de suas atribuições. (ATTIE, 2011, p.193).

COSO define o controlo interno como um processo que é implementado por todas as
pessoas da organização e concebido para fornecer uma garantia razoável de que a entidade
alcançará quatro categorias de objectivos: (1) estratégia, (2) operações eficazes e eficientes,
(3) relatórios financeiros fiáveis e (4) o cumprimento das leis e regulamentos aplicáveis
(Schneider e Becker, 2011). Estas categorias estão representadas na face superior do Cubo
COSO (figa.1)
Figura 1 - Cubo COSO

Fonte: The 2017 COSO Framework & SOX Compliance

O modelo COSO é composto por oito componentes que se relacionam entre si: ambiente
interno, fixação de objetivos, identificação de eventos, avaliação de riscos, resposta a risco,
atividades de controlo, informação e comunicação, monitorização.

 Ambiente Interno (internal environment): fornece a base pela qual os riscos são
identificados e abordados pelo seu pessoal, inclusive a filosofia de gerenciamento
de riscos, o apetite de risco, a integridade e os valores éticos, além do ambiente em
que estes estão (McNally, 2013);

 Fixação de Objetivos (objective setting): os objetivos devem existir antes que a


administração possa identificar os eventos em potencial que poderão afetar a sua
realização. O gerenciamento de riscos corporativos assegura que a administração
disponha de um processo implementado para estabelecer os objetivos que propiciem
suporte e estejam alinhados com a missão de organização e sejam compatíveis com
o seu apetite a riscos (McNally, 2013);

 Identificação de eventos (event identification): os eventos internos e externos que


influenciam o cumprimento dos objetivos de uma organização devem ser
identificados e classificados entre riscos e oportunidades. Essas oportunidades são
canalizadas para os processos de estabelecimentos de estratégias da administração
ou de seus objetivos (McNally, 2013);

 Avaliação de Riscos (risk assessment): os riscos são analisados, considerando se a


sua probabilidade e o impacto como base para determinar o modo pelo qual deverão
ser administrados. Esses riscos são avaliados quanto à sua condição de inerentes e
residuais (McNally, 2013);

 Resposta a Risco (risk response): a administração escolhe as respostas aos riscos –


evitando, aceitando, reduzindo ou compartilhando – desenvolvendo uma série de
medidas para alinhar os riscos com a tolerância e com o apetite a risco (McNally,
2013);

 Atividades de controlo (control activities): políticas e procedimentos são


estabelecidos e implementados para assegurar que as respostas aos riscos sejam
executadas com eficácia (McNally, 2013);

 Informação e Comunicação (information and communication): as informações


relevantes são identificadas, colhidas e comunicadas de forma e no prazo que
permitam que cumpram as suas responsabilidades. A comunicação eficaz também
ocorre num sentido mais amplo, fluindo em todos os níveis de organização
(McNally, 2013);

 Monitorização (monitoring): a integridade da gestão de riscos corporativos é


monitorada e são feitas as modificações necessárias. O monitoramento é realizado
através de atividades gerenciais contínuas ou avaliações independentes ou de ambas
as formas (McNally, 2013).

Por fim, esta estrutura é adaptável à estrutura de qualquer organização, pois permite
considerar controlos internos de uma entidade, divisão, unidade operacional ou a nível
funcional (McNally, 2013). Estas características estão representadas na face lateral do cubo
COSO

Segundo a International Federation of Accountants (2013) (IFAC), ISA 315, o controlo


interno é o processo concebido, implementado e mantido pelos encarregados da
governação, gestores e outro pessoal para proporcionar segurança razoável acerca da
consecução dos objetivos de uma entidade com respeito à fiabilidade do relato financeiro,
eficácia e eficiência das operações e cumprimento das leis e regulamentos aplicáveis. O
termo “controlo” refere-se a qualquer aspeto de um ou mais dos componentes do controlo
interno. Por outro lado, segundo a International Organization of Supreme Audit Institutions
(INTOSAI, 2007), o controlo interno é um processo integrado e estruturado, levado a cabo
pela direção e pelos colaboradores da organização, para enfrentar os riscos e fornecer
razoável segurança de que os objetivos das empresas serão alcançados. Lakis e Giriunas
(2012) desenvolveram um estudo para analisar o aspeto teórico do conceito de controlo
interno, cujo principal objetivo seria compilar um esquema estrutural da sua conceção, o
qual poderia ser utilizado em diferentes áreas operacionais da empresa.

PME´s

As pequenas, médias e microempresas (PMEs) são fundamentais para o crescimento e


desenvolvimento econômico de qualquer nação. Entretanto, sustentar seu desempenho no
longo prazo continua sendo um desafio considerável (Bhorat et al., 2018). O termo PME
abrange um amplo espectro de definições. Diferentes organizações e países definem suas
próprias diretrizes para definir PMEs, muitas vezes com base no número de funcionários,
vendas ou activos. Storey (2008), declarou que não há consenso regional ou mesmo global
sobre a definição de PMEs, embora alguns critérios sejam comuns. O Banco Mundial
define PMEs como aquelas empresas com um máximo de 300 funcionários, US$ 15
milhões em receita anual e US$ 15 milhões em activos.

No contexto Moçambicano, uma PME é definida de acordo com os critérios do Ministério


do Comércio e Indústria de Moçambique, que tem em conta o número de trabalhadores
(entre 1 e 99) e o volume de negócios anual inferior a 29 milhões MZN (Kabanda &
Matsinhe, 2019). Embora não exista uma definição única e uniformemente aceitável, as
PMEs são conhecidas globalmente por serem eficazes na criação de emprego para os
jovens e no aumento do desenvolvimento econômico. A OCDE estimou que as pequenas e
médias empresas representam 90% das empresas e empregam 63% da força de trabalho no
mundo (Berisha & Pula, 2015).

Actualmente, a Gestão estratégica se tornou num instrumento de extrema relevância nas


organizações pois, garante a manutenção e sobrevivência em ambientes em extremas
mutações.

principais desafios que se colocam ao desenvolvimento das PME’s em Moçambique:

 Falta de cultura empresarial e de habilidades de gestão das empresas;


 Falta de mão-de-obra tecnicamente qualificada com altos índices de produtividade e
de capacidade de produzir/prestar serviços de alta qualidade;
 Limitada informação sobre pesquisas de mercados;
 Fraca capacidade de estabelecer ligações com parceiros e mercados;
 Má execução operacional dos negócios;
 Baixos níveis de inovação.

Importância do controle interno

A implantação de um sistema de controle interno, quando bem avaliado e bem estruturado pode
gerar maior credibilidade, fazendo com que as informações possam ser transmitidas de forma
segura, reduzir os riscos e prevenir as fraudes. Porém é preciso que se faça um acompanhamento
constante, apontando os erros e as falhas e propondo sugestões de melhorias nas actividades do
dia a dia das empresas. A importância do controle interno e sua continuidade pode ser analisado
“a partir do momento em que se verifica que é ele que pode garantir a continuidade do fluxo de
operações com as quais convivem as empresas”. (CREPALDI, 2011, p.385).

À medida que o fluxo de informações vai crescendo se torna necessário a constituição de um


controle interno mais efetivo, de forma que os objectivos da empresa possam ser atendidos, e as
informações contábilisticas possam ser transparentes com maior credibilidade possível. Diante
dessas afirmações, Almeida (2010, p. 5) completa que “com a grande expansão dos negócios,
percebeu-se a necessidade de dar maior importância as normas ou aos procedimentos internos,
devido ao fato do administrador, não poder supervisionar pessoalmente todas as actividades”.
O controlo interno representa um instrumento essencial para a boa governação das
organizações, revestindo-se de particular relevância no contexto das Pequenas e Médias
Empresas (PMEs). Estas entidades, frequentemente caracterizadas por estruturas
organizacionais menos complexas e recursos limitados, estão mais expostas a riscos
associados à má gestão financeira, ineficiências operacionais, erros administrativos e
incumprimento de obrigações legais e fiscais.

O controlo interno pode ser conceptualizado como um conjunto de políticas, procedimentos


e práticas instituídos pela gestão, com o propósito de assegurar a fiabilidade da informação,
a eficácia e eficiência das operações, bem como a conformidade com os normativos legais e
regulamentares em vigor. Para além disso, constitui um mecanismo promotor de
transparência, responsabilidade e boa prática organizacional, factores imprescindíveis para
a perenidade e desenvolvimento sustentável das empresas.

No caso das PMEs, a adopção de um sistema eficaz de controlo interno contribui


significativamente para o reforço da cultura organizacional orientada para o cumprimento
de objectivos, mitigação de riscos e fundamentação das decisões estratégicas. Permite, entre
outros aspectos, o controlo rigoroso dos stocks, a monitorização adequada dos fluxos de
caixa, a separação de funções críticas, a fiscalização do cumprimento das obrigações legais
e a salvaguarda dos activos da entidade.

Adicionalmente, a existência de um sistema de controlo interno robusto confere maior


credibilidade à empresa junto de instituições financeiras, fornecedores, investidores e
demais partes interessadas, o que poderá facilitar o acesso a financiamento e o
estabelecimento de parcerias estratégicas.

Em síntese, o controlo interno deve ser entendido não apenas como uma ferramenta de
controlo e prevenção, mas sobretudo como um instrumento de gestão estratégica, cujo
funcionamento contínuo e alinhado aos objectivos da organização se revela fundamental
para a prosperidade, competitividade e sustentabilidade das PMEs a longo prazo.

Controles Internos Nas Áreas Operacionais


A área financeira é um setor de grande importância dentro das organizações, no momento que a
empresa inicia suas atividades, à medida que as operações vão se desenvolvendo as informações
vão se tornando complexas, é preciso uma boa gestão empresarial para o desenvolvimento das
atividades, como por exemplo: Movimentação de saídas e entradas de caixa, controle dos
processos de compras e vendas a prazo, controle das despesas, custos e receitas, controle dos
ativos, segmentação do mercado, mudanças na estrutura organizacional. Essas operações vão
evoluindo aumentando os riscos para as organizações, dessa forma é preciso que a organização
tenha disponível um sistema de controle interno adequado, eficiente e eficaz, que sirva como
ferramenta de apoio para prevenir os erros e as fraudes na execução dos trabalhos (ATTIE, 2011).

Compras e Recebimentos de Materiais

Para obter-se um controle interno eficiente com relação aos procedimentos de compras, é
fundamental que estas estejam segregadas das funções de recepção de mercadorias,
contabilização e pagamento. Alguns dos aspectos a serem observados nesta área são os seguintes,
(LISBOA, 2009):

 Existência de cadastro de fornecedores, contendo indicações dos respectivos


produtos, desempenhos em fornecimentos anteriores e outras informações julgadas
convenientes;

 Um “Manual de Procedimentos de Compras” em que constam todos os


procedimentos básicos do departamento;

 Uma definição de quem pode autorizar compras, tendo em vista o valor e a natureza
das mesmas;

 Processamento de compras exclusivamente pelo departamento de compras e


mediante solicitação de outro departamento;

 Obtenção de um numero pré-fixado de cotações para cada material, escolhendo-se o


fornecedor que ofereça melhores condições, dentro de critérios pré-determinados
(preço, qualidade, condições de pagamento, etc.);
 Rodízio de empresas fornecedoras;

 Processamento de compras pré-numeradas tipograficamente, mantendo-se controle


seqüencial dos mesmos;

 Emissão dos “Pedidos de Compra” com cópia fornecendo-se vias ao órgão controlador
dos pagamentos (para conferência e aprovação da fatura), à unidade requisitante
(para informação de que sua solicitação foi providenciada), à área de recepção de
materiais (para conferências por ocasião do recebimento), etc.;

 Obtenção do “aceite” do fornecedor no pedido de compra, após o mesmo ter sido


devidamente autorizado;

 Controle de “Pedidos de Compra” pendentes, visando acionar os fornecedores no caso


de atrasos, bem como para o acompanhamento de entregas parciais;

 Conferências por ocasião do recebimento do material ao que se referem a preços,


especificações, quantidades, cálculos e somas da Nota Fiscal (Nota Fiscal x Pedido de
Compra x Material), etc.;

 Emissão de relatórios de recebimento de materiais, pré-numerados tipograficamente,


em numero adequado de vias (órgão financeiro, contabilidade, almoxarifado, etc.),
devidamente assinados pelo responsável pelo recebimento;
 Encaminhamento do material ao almoxarifado imediatamente após a emissão do
“Relatório de recebimento de materiais” ou da inspeção pelo controle de qualidade,
caso este esteja previsto;

 Fluxo de informações que assegurem a contabilização da obrigação, inclusão nos


registros fiscais, etc.

Vendas e Expedição de Mercadorias

É desejável nesta área, uma segregação entre as funções de venda, faturamento e expedição de

mercadorias.
Alguns aspectos de controle que devem ser observados são os seguintes, (LISBOA, 2009):

 Uma política definida para fixação do crédito por classe de clientes;

 Aprovação por um funcionário autorizado, do limite individual de crédito de cada


cliente, dentro da política comercial estabelecida;

 Aprovação dos pedidos de clientes pelo departamento de vendas e pelo setor de


crédito e cobrança;

 Emissão de “Pedidos de Venda” internos em números de vias definido pelo sistema


adotado, fornecendo-se vias ao almoxarifado (para separação do material), ao setor
de faturamento (para emissão da Nota Fiscal) etc.;

 Conferências independentes das notas fiscais emitidas quanto a preços, cálculos,


soma, etc.

 Conferências independentes do material a ser expedido;

 Anexação dos canhotos, comprovantes de entrega de mercadorias, ao bloco de notas


fiscais;

 Sistemática definida de conferência e aprovação de devoluções de clientes, bem como


de reincorporarão do material ao estoque;

 Fluxo de informações que assegure os lançamentos contábeis, correspondentes à


venda, inclusão nos registros fiscais, etc.

Contas a pagar

Na área de contas a pagar, devem estar segregadas as funções de aprovação, registro e


pagamento de obrigações. Alguns aspectos de controle interno a serem considerados são os
seguintes (LISBOA, 2009):
 Atribuição de numeração consecutiva às faturas e registros em controle específico;

 Controle de duplicatas ou outras obrigações por data de vencimento;

 Revisão dos documentos comprobatórios no que se refere a cálculos, somas, impostos


retidos ou a recolher;

 Critérios definidos para formação de um processo de pagamento, o qual deverá ser


revisado antes de seu encaminhamento para aprovação;

 Aprovação do processo de pagamento por funcionário autorizado;

 Controle numérico das Notas de Débito, decorrentes de ajustes ou devoluções, e


autorização das mesmas à vista de documentos comprobatórios, por elemento não
relacionado com o processamento das faturas, compras ou recepção de mercadorias;

 Confronto periódico entre o controle interno de contas a pagar e o razão geral, por
elemento independente do processamento das faturas;

 Conciliação de extratos de fornecedores por elemento independente e análise das


pendências.

Contas a Receber

É conveniente, uma segregação entre as funções de escrituração de contas a receber, controles de


duplicatas e recebimentos por caixa. Alguns aspectos que devem ser considerados nesta área são
os seguintes, (LISBOA, 2009):

 Existência de um controle de duplicatas quanto a sua localização física (em carteira,


em bancos, com cobradores, etc.);

 Controles das duplicatas em poder de cobradores por meio de borderôs;

 Prestação de contas diárias, se possível, por parte dos cobradores externos;


 Confronto periódico entre o controle interno de contas a receber e o razão geral, e
com a existência física de duplicatas;

 Controle numérico das Notas de Crédito e aprovação das mesmas por elemento
autorizado não relacionado com vendas ou recebimentos, à vista de documentos
comprobatórios que assegurem a procedência de sua emissão;

 Controle de adiantamentos recebidos de clientes, para entrega futura de mercadorias


em contas distintas das contas a receber;

 Preparação periódica de relação de contas a receber por vencimento, investigando-se


os valores em atraso, e encaminhando conta de justificativa de posição em aberto;

 Baixa de valores considerados incobráveis mediante aprovação por escrito da


diretoria.

Pagamentos

Alguns aspectos de controle interno que devem ser considerados nesta área são, (LISBOA, 2009):

 Existência de uma política definida de aproveitamento de descontos;

 Pagamentos por cheques nominais e cruzado é obrigatório a partir de 50.000,00


excetuando-se valores de pequeno montante que devem ser pagos em dinheiro, por
meio do fundo fixo e caixa;

 Controle da sequência numérica dos cheques emitidos, bem como dos cheques
cancelados, registrando-os devidamente nos registros contábilisticos da empresa;

 Emissão dos cheques somente após aprovação dos processos de pagamento por
funcionário autorizado;

 Envio dos cheques para assinatura, acompanhados dos processos de pagamentos;


 Assinatura dos cheques por dois funcionários autorizados independentes, examinando
e rubricando cada um deles os documentos comprobatórios, por ocasião da
assinatura;

 Proibição de pagamentos sem fornecimento de recibo ou quitação pelo favorecido;

 Emissão de resumo de pagamentos para conferência com os comprovantes e cheques


emitidos no dia, e posterior contabilização;

 Manutenção de conta bancária.

Recebimento

O sistema de controle interno para recebimento de numerários deve estabelecer procedimentos


que garantam que todos os valores recebidos sejam contabilizados. O numerário desviado antes
da contabilização é muito mais difícil de ser detectado do que aquele que é registrado e
posteriormente sonegado. Alguns aspectos de controle nesta área são, (LISBOA, 2009):

Política de recebimento através de bancos, sempre que possível;

 Prática de cruzar os cheques recebidos e colocar o carimbo de endosso restritivo;

 Depósitos intactos dos valores recebidos, não se utilizando valores recebidos para
efetuar pagamentos;
 Atendimento de clientes pelo setor de crédito e cobrança, o qual envia as duplicatas
ou recibos ao caixa com protocolo, com o objetivo de dar baixa no controle de
duplicatas em carteira e possibilitar posterior confronto, por elemento independente,
do total de baixas com o valor do depósito bancário do dia;

 Envio dos cheques recebidos pelo correio ao banco através de relação, possibilitando,
confronto com o valor do depósito bancário dos recebimentos do dia;

 Comparação do valor do depósito dos recebimentos do dia com o boletim de caixa;


 Envio da guia original do depósito bancário, devidamente autenticada pelo banco,
junto com a documentação ao contador, para conferência e contabilização;

 Contabilização dos cheques recebidos de outras praças.

Benefícios de um Bom Sistema de Controlo Interno

O CI deve existir nas organizações e estas devem preocupar-se com o seu desenvolvimento, uma
vez que os gestores querem realizar previsões de ganhos e perdas precisas e reduzir o risco de
acontecimentos desconhecidos. Se o CI não for preocupação as estimativas realizadas podem
originar desvios significativos nos orçamentos.

No que respeita à informação assimétrica, esta permite esconder determinadas ações ou


intenções, não obtendo os restantes colaboradores a informação real, podendo o CI mitigar esta
assimetria.

Um CI eficaz também pretende criar regras de decisão operacionais que permitem obter
benefícios ao nível do apoio à gestão, o que se poderá refletir num nível superior de desempenho
operacional das organizações.

Todas as empresas pretendem transmitir uma imagem de credibilidade e transparência no relato


financeiro (Mei Feng, Li, & McVay, 2009). A seguir, com base na literatura existente, destacam-se
as principais razões que evidenciam a relevância de um CI de qualidade nas PME´s:

Prevenção da Fraude Ocupacional

A fraude, pela evidência empírica atual, é uma ameaça real para as organizações. Neste sentido o
CI é fundamental, na medida em que é o único mecanismo dentro de uma organização capaz de
evitar/mitigar os efeitos de uma possível fraude, embora, muitas das vezes, não consiga impedir a
ocorrência de ações fraudulentas, pois estas têm origem em anomalias no sistema de controlo
criado pelos departamentos das empresas (Eniola, Akinselure,& Philip, 2016).

Graham & Bedard (2003) identificam como principais fatores geradores de fraude os seguintes:
posição competitiva, ou seja, posição face aos concorrentes; integridade e filosofia de gestão, bem
como a capacidade financeira da empresa; a pressão para atingir objetivos; e, por fim, a qualidade
do CI, que tem impacto sobre todos os tópicos anteriores.

As organizações mais propensas à ocorrência de fraude são as de maior dimensão, uma vez que
existe uma maior descentralização do poder e delegação de funções. É por isso necessário que o CI
seja capaz de efetuar um controlo eficiente para evitar a possibilidade de fraude, sendo que esta,
por norma, é detetada quando a empresa entra em crise financeira e necessita de um controlo
mais apertado de recursos (Holtfreter, 2005).

Assim a fraude resulta da apropriação indevida de ativos, corrupção e/ou declarações


fraudulentas.

Periodização Económica

A periodização económica, ou corte de operações, consiste em reconhecer em cada ano os


respetivos rendimentos e gastos, isto é, os gastos e rendimentos incorridos durante o período.

Se o CI não for o adequado poderá existir um aproveitamento, por parte dos gestores (sabendo
que não estão a ser controlados), para manipularem os resultados (em função dos seus objetivos),
diferindo ou antecipando rendimentos e gastos, consoante os resultados pretendidos (H.
Ashbaugh-Skaife et al., 2007); ([Link] et al., 2007).

Sendo assim o CI afeta a qualidade da periodização económica. As empresas com maior


complexidade e inseridas em determinado grupo de empresas tem acréscimos superiores e com
mais ruído, na perspetiva do investidor, devido aos preços de transferência entre essas empresas.
O conservadorismo contabilístico também deve ser incluído no CI na medida em que os ganhos
são reconhecidos de imediato, enquanto nas perdas existe uma forte crença de que essas serão
revertidas (H. Ashbaugh-Skaife et al., 2007); (J. Doyle et al., 2007).

Em suma, se não existir preocupação em construir um CI eficaz a periodização económica sujeita-


se a erros, intencionais ou não intencionais.

O Apoio às Previsões/Apoio à Gestão

O CI deve realizar uma análise à contabilidade da empresa de maneira a obter evidência de que os
procedimentos contabilísticos adotados estão a ser realmente seguidos para que os outputs
retirados pelos gestores, a partir do software de contabilidade, sejam fiáveis(Napitupulu et al.,
2016). Sem um registo contabilístico fiável, os gestores não podem tomar as melhores decisões e
podem originar erros nos orçamentos e nos relatórios financeiros (Abdullahi & Muturi,2016).

Neste sentido, a informação que um bom SCI pode proporcionar é a base para a tomada de
decisão por parte dos gestores, pelo que quanto mais eficaz for o CI, melhor serão as
decisões/previsões realizadas(Mei Feng et al., 2009).

A qualidade do CI é importante, pois os gestores necessitam de informação fiável para realizar


opções de negócio. O SCI contribui também para a viabilidade de médio e longo prazo da
organização, uma vez que permite tomar decisões melhoradas e não permite a assunção de riscos
excessivos (Garg, 2017).

Desta forma os gestores devem estar cientes da importância de um CI numa organização, pois são
estes que devem estabelecer, avaliar e monitorar o CI e são ao mesmo tempo estes que
conseguem obter uma visão imediata e detalhada, se o CI é efetivo e naquilo em que poderá ser
melhorado(Jokipii, 2009).

Gestão dos Inventários

Os inventários são uma componente crítica na estratégia de uma organização, na medida em que
tem impacto sobre os resultados da empresa.

O CI relativo aos inventários é importante para, assegurar que exista inventário disponível para
satisfazer a procura dos clientes, de forma a não existir rutura de stocks que poderá refletir-se em
vendas perdidas; para garantir as especificações do produto, através de políticas e procedimentos
de CI; e, para afiançar a obtenção de matéria-prima em tempo adequado para o nível de stock
desejado ao melhor preço(M. Feng, Li, McVay, & Skaife, 2015).

O nível de stocks da empresa também não deverá ser excessivo, uma vez que existem custos de
armazenamento, os produtos podem tornar-se obsoletos e uma rotação de inventário reduzida
origina recursos financeiros empatados.

Se o CI não for eficaz existe a possibilidade de o valor de inventário registado não corresponder ao
inventário físico. Ou seja, não serem detetados erros ou possíveis furtos de inventário (M. Feng et
al., 2015).
Associado a este facto, se não forem realizadas inventariações com regularidade, os erros não
detetados poderão originar erros nas estimativas de inventário necessário para satisfazer a
procura (J. Doyle et al.,2007).

Em resumo, um CI eficaz conduz a melhores decisões, pois ajuda a obter um nível de inventário
equilibrado, uma vez que ruturas de stocks ou excesso de stocks dificilmente implicará vantagens
para a organização.

Qualidade do Relatório Financeiro

O relatório financeiro é o cartão-de-visita de qualquer empresa para o exterior. É com base na


informação financeira disponível no relatório que as empresas têm acesso ao crédito bancário ou
que os investidores tomam as suas decisões de investimento nas empresas.

Por um lado, em termos de empréstimos obtidos o CI é importante uma vez que a sua qualidade
irá refletir-se na qualidade do relatório. Se o relatório financeiro merecer credibilidade por parte
dos credores, estes não serão tão exigentes para com a empresa e esta poderá ter acesso a crédito
a uma taxa de juro inferior e com cláusulas menos exigentes (Costello & Wittenberg-Moerman,
2011).

Por outro lado, um CI adequado permite reduzir a assimetria de informação o que origina um
relatório financeiro de qualidade superior. Existindo esta qualidade superior, os investidores
depositam uma maior confiança na informação divulgada pela empresa e exigem um prémio
inferior para investir na organização (Shi & Wang, 2012).

Redução do Risco

Um dos fatores que potencia o sucesso de uma organização é saber que os riscos existem e que
esta deverá procurar formas de o gerir. Essa gestão deverá ser realizada independentemente da
dimensão da empresa (Dubihlela & Nqala, 2017).

Neste sentido, o objetivo do CI não passa por evitar o risco, pois se o fizer desperdiça as
oportunidades de crescimento da empresa, pelo que deve ser realizada uma gestão equilibrada,
ou seja, medir as consequências de determinadas oportunidades ou ameaças em termos de risco.

Segundo Dubihlela & Nqala (2017) as empresas que apresentam melhores resultados são as que
conseguem, permanentemente, otimizar a gestão do risco.
Assim, o CI deverá reduzir todos os riscos, bem como os seus impactos, que sejam considerados
excessivos para o Dordevic, 2012; Napitupulu et al., 2016). nível de risco pretendido (Krstic & Por
fim o CI deve criar mecanismos que permitam o empenhamento de todos os colaboradores da
organização e a sua interligação, de forma a potenciar uma gestão do risco eficiente, isto é, de
acordo com o nível de risco que a empresa que está disposta a assumir.

Custos de Agência

Os custos de agência ocorrem quando existe uma separação entre o proprietário e a gestão,
agindo o gestor em nome daquele. Quando existem custos de agência, existe, por regra,
assimetria de informação sendo esta função positiva do preço das ações, ou seja, quanto maior for
a assimetria de informação maior o prémio exigido pelos acionistas (Garg, 2017).

Sendo assim, um CI eficiente, através de processos de monitoramento, permite reduzir os custos


de agência na medida que existe uma maior confiança na informação que é prestada e, por
consequência, permite reduzir a assimetria de informação (Abdullahi & Muturi, 2016; Garg, 2017).

Desempenho Organizacional

Todas as empresas que são criadas e que existem pretendem, de um modo geral, obter lucros e
criar valor. Acredita-se que quanto mais eficiente for o CI melhor será o nível de performance de
determinada empresa. Existe, portanto, evidência de que empresas com as mesmas características
e complexidade tenham desempenhos diferentes devido à qualidade do seu CI.

Portanto, o nível de performance será tão ou mais afetado, quanto maior a complexidade e
dimensão da empresa, pelo que é necessário que o SCI seja mais complexo e rigoroso nas grandes
empresas, de forma a ser capaz de dar resposta às situações diárias mais complexas.(Deng, Xiao, &
Zhou, 2016).

Assim, o desempenho operacional será algo abordado na parte empírica deste trabalho, em que
será medida a relação das componentes do CI, com base no COSO, e o resultado operacional das
organizações.

Importância do estudo

O estudo do controlo interno reveste-se de grande importância no âmbito da gestão e da


contabilidade, na medida em que permite compreender os mecanismos que asseguram a
eficiência operacional, a protecção dos activos, a fidedignidade dos relatórios financeiros e
o cumprimento das disposições legais e regulamentares.

Adicionalmente, a análise dos sistemas de controlo interno possibilita a identificação de


fragilidades que podem expor a organização a riscos, tais como fraudes, erros e perdas
financeiras, contribuindo, assim, para o reforço da boa governação e da transparência
organizacional.

Neste contexto, o domínio dos princípios e práticas de controlo interno assume-se como
essencial para os profissionais da contabilidade, da auditoria e da gestão, tendo em conta o
seu impacto directo na tomada de decisões fundamentadas e na sustentabilidade
institucional a longo prazo.

Estudos similares

Roberto Hamilton Vieira de Sousa, na sua disertação cujo o tema era Contributo Do Controlo
Interno Nas Organizações, apresentada na Universidade Eduardo Mondlane em 2008 cujo o
objectivo geral era avaliar em que medida um CI eficaz influencia ou determina a produção de
informação financeira de qualidade e o inverso concorre para geração de informação financeira
sem a qualidade requerida como seja a plenitude dos registos e a integridade dos valores.

Na sua disertação cita o CI como uma ferramenta decisória e fundamental para que as
organizações alcancem os objectivos traçados e atinjam com sucesso a razão da sua existência,
sendo que o estabelecimento dum Sistema de CI deva fazer parte das políticas de gestão das
organizações.

Segundo Attie (1986:200) citado por Roberto Hamilton (2008, p. 8). "A importância do Controlo
Interno fica patente a partir do momento em que se torna impossível conceber uma empresa que
não disponha de controlos que possam garantir a continuidade do fluxo de operações".

O Roberto Hamilton conclui que a adopção de um sistema de Controlo Interno, revela-se de


capital importância, ao permitir as organizações, com o auxilio dos auditores e colaboradores
atingir os objectivos pré definidos. Contudo, instituído e implementado o sistema, não se pode
esperar que os resultados surjam automaticamente, pois o normal funcionamento do CI carece de
acompanhamento e monitoria permanentes, o que exige comprometimento e vontade da
administração.

Sérgio Pedro Marrucule, na sua disertação cujo o tema era a importância do controlo interno na
gestão dos recursos financeiros, apresentada na Universidade Pedagógica Maputo em 2019 cujo o
objectivo geral era Analisar a importância do controlo interno na gestão dos recursos financeiros
da Casa Civil (2015 a 2017)

Segundo Migliavacca (2002:23) citado por Sérgio Pedro Marrucule (2019, p. 10). a importância
do controlo interno nas actividades das entidades baseia-se na função de salvaguardar
seus activos, o desempenho do negócio e resultado das suas operações, o que leva a
aumentar o valor da entidade.

“A importância do controlo interno reside no facto de constituir um instrumento que


proporciona subsídios para garantir uma boa gestão de recursos, permitindo o alcance
dos objectivos da entidade. O controlo interno dá ao administrador suporte e confiança na
gestão dos recursos. Este compreende controlo preventivo e directivo, que deve ser
operado com todo o rigor e independência, a fim de cumprir aos objectivos que se
propõe.”

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