NILTON SALOMÃO BANZE
PLANO DE ACÇÃO PARA A REDUÇÃO
DE POBREZA ABSOLUTA (PARPA)
Licenciatura em Direito
Beira
2025
NILTON SALOMÃO BANZE
PLANO DE ACÇÃO PARA A REDUÇÃO
DE POBREZA ABSOLUTA (PARPA)
Trabalho Final do Curso submetido ao Gabinete de
Coordenação para as Graduações do ISCIM,
requisitado como exigência obrigatória para a
obtenção do grau de licenciatura em DIREITO
Supervisor:
Beira
2025
Índice
1. Introdução...........................................................................................................................4
1.1. Objectivos........................................................................................................................4
1.1.1. Geral..............................................................................................................................4
1.1.2. Específicos....................................................................................................................4
2. Metodologias.......................................................................................................................5
2. Fundamentação Teórica......................................................................................................6
2.1. Definição de Pobreza Absoluta........................................................................................6
2.2. Métodos de Medição da Pobreza.....................................................................................6
2.2.1. Estudos Quantitativos..................................................................................................6
2.2.3. Estudos Qualitativos.....................................................................................................7
3. Panorama da Pobreza em Moçambique após a Independência...........................................7
4. Indicadores Sociais e Económicos Antes do PARPA.........................................................8
4.1 Educação...........................................................................................................................8
4.2 Saúde.................................................................................................................................8
4.3 Rendimento e Alimentação...............................................................................................9
4.4 Infra-estruturas..................................................................................................................9
5. Papel dos Parceiros Internacionais e da Agenda do Milénio..............................................9
6.1 Monitoria e Avaliação do PARPA..................................................................................10
6.2 Planeamento de Programas Sociais.................................................................................10
6.3 Indicadores de Desenvolvimento Humano.....................................................................11
7.2 Capacidade Institucional Limitada..................................................................................12
7.3 Dependência de Apoio Externo......................................................................................12
7.4 Barreiras Socioculturais e Educacionais.........................................................................13
7.5 Fragilidade da Infra-estrutura e Logística.......................................................................13
8. Conclusão..........................................................................................................................14
9. Referências bibliográficas.................................................................................................15
1. Introdução
A pobreza constitui um dos maiores desafios sociais, económicos e políticos de
Moçambique desde a independência nacional. Apesar de avanços significativos em termos
de estabilidade política e crescimento económico, a desigualdade social e a vulnerabilidade
das populações rurais e urbanas persistem como entraves ao desenvolvimento sustentável.
Neste contexto, o Governo de Moçambique concebeu e implementou o Plano de Acção
para a Redução da Pobreza Absoluta (PARPA), que constituiu um instrumento central de
política pública, orientado para melhorar as condições de vida das camadas mais
desfavorecidas da população. O PARPA, implementado em duas fases PARPA I (2001–
2005) e PARPA II (2006–2009), surge como parte de um esforço mais amplo de
alinhamento com a Estratégia de Redução da Pobreza internacionalmente preconizada, em
especial pelo Banco Mundial e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). A sua
formulação assentou no princípio de que o crescimento económico deve estar articulado
com políticas sociais que garantam o acesso à educação, saúde, emprego, infra-estruturas e
protecção social.
Este trabalho tem como objectivo geral analisar o Plano de Acção para a Redução da
Pobreza Absoluta em Moçambique, destacando seus objectivos, pilares estratégicos,
metodologias de implementação, impactos, desafios e contribuições para o
desenvolvimento nacional. O trabalho está estruturado em quatro capítulos: Capítulo I
contextualiza historicamente a pobreza em Moçambique; Capítulo II descreve o PARPA I e
II; Capítulo III analisa os resultados e impactos do plano; Capítulo IV aborda a
continuidade e desafios pós-PARPA, sendo concluído com reflexões e recomendações.
1.1. Objectivos
1.1.1. Geral
Analisar o Plano de Acção para a Redução da Pobreza Absoluta em Moçambique,
destacando seus objectivos, estratégias, implementação e impactos no desenvolvimento
nacional.
1.1.2. Específicos
a) Apresentar os pilares estratégicos, programas implementados e metodologias
utilizadas nas fases PARPA I e II;
b) Avaliar os resultados alcançados, melhorias em sectores essenciais e desafios
identificados;
c) Analisar a continuidade das políticas pós-PARPA e os desafios persistentes na
redução da pobreza;
d) Fornecer recomendações para políticas futuras de combate à pobreza, baseadas em
evidências e experiências do PARPA.
2. Metodologias
Para a elaboração deste trabalho, adoptou-se uma abordagem bibliográfica e documental,
permitindo analisar e compreender o Plano de Acção para a Redução da Pobreza Absoluta
(PARPA) em Moçambique. Foram consultadas fontes oficiais do Governo de Moçambique,
incluindo os documentos do PARPA I (2001–2005) e PARPA II (2006–2009), bem como
relatórios do Banco Mundial, FMI, PNUD e estudos académicos relevantes sobre pobreza e
desenvolvimento humano no país.
A metodologia incluiu a análise de documentos oficiais para identificar os pilares
estratégicos, programas implementados, metodologias utilizadas e indicadores de
desempenho do PARPA; a revisão bibliográfica para contextualizar a pobreza absoluta no
país, compreender os desafios históricos e socioeconómicos e avaliar os impactos das
políticas implementadas; e estudos comparativos para confrontar dados quantitativos e
qualitativos sobre pobreza, identificando avanços, limitações e desafios persistentes. Esta
abordagem permitiu construir um quadro teórico e empírico consistente, suportado em
evidências oficiais e literatura académica, garantindo rigor e fiabilidade na análise do tema.
2. Fundamentação Teórica
2.1. Definição de Pobreza Absoluta
A pobreza absoluta é definida como a impossibilidade, por incapacidade ou por falta de
oportunidade, de indivíduos, famílias e comunidades de terem acesso a condições mínimas,
segundo as normas básicas da sociedade (Governo de Moçambique, 2006, p. 8). Refere-se
especificamente à incapacidade de satisfazer necessidades básicas de sobrevivência,
incluindo alimentação adequada, habitação digna, acesso a água potável, cuidados de
saúde, vestuário e educação. Indivíduos que vivem abaixo desta linha encontram-se em
elevado risco de vulnerabilidade social e económica, sendo incapazes de manter um padrão
de vida minimamente aceitável (Banco Mundial, 2022).
Em Moçambique, a pobreza absoluta é predominante nas zonas rurais, onde a maior parte
da população depende da agricultura de subsistência e enfrenta limitações significativas de
acesso a serviços essenciais. Estas condições refletem desigualdades regionais históricas,
legadas por factores como a guerra civil (1977–1992), baixa infra-estrutura e concentração
de investimentos em centros urbanos, tornando urgente a implementação de políticas
públicas de combate à pobreza, como o PARPA.
2.2. Métodos de Medição da Pobreza
A medição da pobreza constitui um elemento central para o planeamento e avaliação de
políticas públicas, permitindo identificar níveis de privação e orientar intervenções
estratégicas. Em Moçambique, existem dois métodos principais de monitoria e avaliação da
pobreza: os estudos quantitativos e os estudos qualitativos.
2.2.1. Estudos Quantitativos
Os estudos quantitativos baseiam-se em grandes amostras representativas da população,
com o objectivo de fornecer dados objectivos sobre as condições de vida. Estes estudos
permitem medir, de forma sistemática, a incidência, intensidade e profundidade da pobreza.
Entre os exemplos mais relevantes destacam-se:
a) Inquérito aos Agregados Familiares (IAF) 2002–2003: Foram entrevistados 8.700
agregados familiares, recolhendo informação sobre rendimento, acesso a serviços
básicos, consumo alimentar e condições de habitação.
b) Inquérito Demográfico e de Saúde (IDS) 2003: Foram entrevistadas 11.500
mulheres com idades entre 15 e 45 anos, permitindo analisar indicadores de saúde
materno-infantil, nutrição e mortalidade.
2.2.3. Estudos Qualitativos
Apesar da relevância dos dados quantitativos, estes apresentam limitações ao captarem
percepções subjectivas sobre pobreza e privação. Os estudos qualitativos surgem para
complementar as informações, através de métodos participativos e entrevistas em
profundidade, que revelam experiências individuais e comunitárias de pobreza, causas
percebidas da privação e barreiras culturais e sociais ao acesso a serviços e oportunidades.
No entanto, os estudos qualitativos frequentemente envolvem amostras pequenas e não
representativas, dificultando a generalização dos resultados. A abordagem mais eficaz
combina ambos os métodos, permitindo obter dados objectivos e comparáveis, e
compreender percepções e contextos sociais locais. Embora a integração plena destes
métodos ainda não tenha sido alcançada, estudos realizados desde 2000 têm fornecido
informações valiosas para a formulação de políticas de redução da pobreza (Governo de
Moçambique, 2006).
3. Panorama da Pobreza em Moçambique após a Independência
Após a independência, em 1975, Moçambique enfrentou desafios estruturais significativos.
A guerra civil (1977–1992) devastou a economia, destruiu infra-estruturas e provocou
deslocamentos massivos da população, aumentando drasticamente os níveis de pobreza.
Antes da implementação do PARPA, cerca de 70% da população vivia em situação de
pobreza absoluta, com elevada concentração nas áreas rurais (INE, 2019).
A situação era marcada por:
a) Elevado analfabetismo e baixo acesso à educação;
b) Fraca cobertura de serviços de saúde;
c) Insuficiência de infra-estruturas básicas (estradas, energia, saneamento);
d) Dependência da agricultura de subsistência e baixa produtividade agrícola;
e) Desigualdades regionais acentuadas, com o norte e centro do país mais vulneráveis
do que o sul.
Estas condições justificaram a necessidade de um plano nacional estruturado, articulando
crescimento económico com políticas sociais, promovendo um desenvolvimento inclusivo e
sustentável.
4. Indicadores Sociais e Económicos Antes do PARPA
Antes da implementação do Plano de Acção para a Redução da Pobreza Absoluta
(PARPA), os indicadores sociais e económicos demonstravam a situação crítica da pobreza
em Moçambique, reflectindo fragilidades estruturais herdadas do período pós-
independência e da guerra civil (1977–1992).
4.1 Educação
A educação constituía um dos principais desafios do país. A taxa de alfabetização entre
adultos era inferior a 50%, com uma significativa desigualdade entre áreas urbanas e rurais.
Nas zonas rurais, a frequência escolar era ainda menor devido à escassez de escolas, falta
de professores qualificados e à necessidade de envolvimento das crianças em actividades
agrícolas de subsistência (INE, 2019). Este cenário limitava a formação de capital humano
e prejudicava o desenvolvimento económico a longo prazo.
4.2 Saúde
Os indicadores de saúde revelavam graves carências. As taxas de mortalidade infantil e
materna eram elevadas, reflectindo dificuldades de acesso a serviços de saúde adequados.
Além disso, doenças transmissíveis como malária, HIV-SIDA e cólera eram comuns,
agravando a vulnerabilidade social e económica da população (Banco Mundial, 2022). A
concentração de centros de saúde nas áreas urbanas e a distância em regiões rurais
dificultavam a prestação de cuidados essenciais, reforçando desigualdades regionais.
4.3 Rendimento e Alimentação
Grande parte da população rural vivia com menos de 1 dólar por dia, dependendo
exclusivamente da agricultura de subsistência. Esta situação resultava em insegurança
alimentar crónica, desnutrição e limitações na capacidade de gerar excedentes para
comercialização, restringindo o acesso a bens e serviços essenciais (Governo de
Moçambique, 2006).
4.4 Infra-estruturas
O acesso a infra-estruturas básicas era extremamente limitado. Apenas uma pequena
parcela da população possuía acesso a água potável e saneamento adequado. A rede
rodoviária insuficiente dificultava a circulação de pessoas e mercadorias, afectando o
desenvolvimento económico local e a integração regional (Banco Mundial, 2022). Estas
lacunas estruturais reforçavam desigualdades entre zonas urbanas e rurais, prejudicando a
implementação de políticas de redução da pobreza.
5. Papel dos Parceiros Internacionais e da Agenda do Milénio
A implementação do PARPA foi fortemente influenciada por organismos internacionais e
compromissos globais:
a) Banco Mundial e FMI: Apoiaram políticas de crescimento sustentável,
financiamento e monitoria do plano.
b) Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD): Forneceu suporte
técnico e metodológico para avaliação de indicadores sociais e económicos.
c) Agenda do Milénio: Os Objectivos de Desenvolvimento do Milénio inspiraram
metas do PARPA, nomeadamente educação universal, redução da mortalidade
infantil, promoção da igualdade de género e combate à pobreza extrema (PNUD,
2005).
6. Aplicações na Formulação de Políticas
6.1 Monitoria e Avaliação do PARPA
A monitoria e avaliação do Plano de Acção para a Redução da Pobreza Absoluta (PARPA)
constituem mecanismos centrais para acompanhar o progresso em diferentes sectores,
nomeadamente educação, saúde, rendimento familiar, consumo e infra-estruturas básicas.
Através de dados recolhidos por inquéritos familiares, como o Inquérito aos Agregados
Familiares (IAF) e o Inquérito Demográfico e de Saúde (IDS), é possível:
a) Identificar avanços e lacunas na implementação das políticas públicas;
b) Ajustar estratégias em tempo real, reforçando acções bem-sucedidas e corrigindo
desvios;
c) Promover uma gestão baseada em evidências, garantindo transparência e eficiência
na alocação de recursos;
d) Monitorar indicadores sociais e económicos de forma contínua, permitindo uma
avaliação periódica dos impactos do PARPA nas comunidades mais vulneráveis
(Governo de Moçambique, 2006).
6.2 Planeamento de Programas Sociais
O planeamento de programas sociais fundamentado em dados de pobreza permite uma
intervenção precisa, especialmente nas áreas mais carenciadas do país. A identificação de
regiões e grupos populacionais vulneráveis garante que os recursos e iniciativas cheguem a
quem mais necessita. Entre as principais aplicações destacam-se:
a) Programas de transferência monetária: Apoio directo a famílias em situação de
extrema pobreza, permitindo-lhes satisfazer necessidades básicas como
alimentação, vestuário e educação;
b) Microcrédito e apoio à agricultura de subsistência: Incentivo à produção agrícola
local e criação de oportunidades económicas nas zonas rurais, promovendo a auto-
suficiência e redução da vulnerabilidade;
c) Campanhas de educação e saúde comunitária: Implementação de programas de
alfabetização, prevenção de doenças transmissíveis, nutrição e sensibilização social,
adaptados às necessidades específicas de cada comunidade;
d) Desenvolvimento de infra-estruturas locais: Melhorias em estradas,
abastecimento de água, saneamento básico e electrificação, facilitando o acesso a
serviços essenciais e mercados.
Deste modo, a aplicação prática dos resultados da monitoria e avaliação da pobreza
fortalece a capacidade do governo de formular políticas sociais inclusivas, sustentáveis e
eficazes, contribuindo para a redução da pobreza absoluta e melhoria do bem-estar da
população (PNUD, 2005; Banco Mundial, 2022).
6.3 Indicadores de Desenvolvimento Humano
Segundo Sen (1999, p. 87), especialista em desenvolvimento humano, os indicadores de
desenvolvimento humano são essenciais para compreender as capacidades das pessoas,
permitindo que políticas públicas sejam desenhadas para expandir as oportunidades e
melhorar o bem-estar da população. Os indicadores provenientes dos estudos de pobreza
ajudam a definir métricas de desenvolvimento humano, essenciais para a implementação de
políticas integradas. Estes indicadores incluem:
a) Taxa de alfabetização e frequência escolar;
b) Expectativa de vida e saúde materno-infantil;
c) Acesso a serviços básicos como água potável, saneamento e energia;
d) Rendimento e segurança alimentar das famílias.
A conjugação de dados quantitativos e qualitativos fornece um quadro abrangente para
planeamento, implementação e avaliação de políticas, aumentando as chances de sucesso
na redução da pobreza absoluta.
7. Principais Desafios na Implementação do PARPA
7.1 Desigualdades Regionais
A pobreza absoluta em Moçambique apresenta um forte padrão geográfico. As zonas rurais,
particularmente no norte e centro do país, concentram os maiores índices de privação,
enquanto áreas urbanas como Maputo beneficiam de maior investimento em infra-
estruturas e serviços básicos. Esta desigualdade regional dificultou a aplicação uniforme
das políticas do PARPA, exigindo estratégias diferenciadas para atender às especificidades
locais (INE, 2019).
7.2 Capacidade Institucional Limitada
A implementação do PARPA revelou limitações significativas nas instituições públicas. A
escassez de pessoal qualificado, recursos financeiros insuficientes e estruturas
administrativas frágeis comprometeram a execução de programas sociais e o
acompanhamento contínuo dos indicadores de pobreza. A capacidade de planificação,
monitoria e avaliação era muitas vezes insuficiente para lidar com a complexidade das
intervenções multissectoriais exigidas pelo plano (Governo de Moçambique, 2006).
7.3 Dependência de Apoio Externo
Grande parte do financiamento e suporte técnico do PARPA provinha de parceiros
internacionais, incluindo o Banco Mundial, FMI e PNUD. Esta dependência de ajuda
externa criou vulnerabilidades, tornando a sustentabilidade das políticas condicionada à
continuidade do apoio internacional.
Segundo Hanlon e Smart (2008), a dependência excessiva de recursos externos pode gerar
efeitos perversos, como a priorização de programas alinhados às agendas dos doadores em
detrimento das necessidades locais mais urgentes, reduzindo a capacidade do governo de
definir políticas autonomamente. Além disso, a coordenação entre doadores nem sempre foi
eficiente, resultando em sobreposição de programas, lacunas na cobertura de intervenções e
duplicação de esforços em algumas regiões.
Chakravarty e Srinivasan (2010) reforçam que a dependência externa também aumenta a
vulnerabilidade das políticas sociais a mudanças no financiamento internacional, crises
económicas globais ou alterações nas prioridades dos doadores. Para garantir a
sustentabilidade do combate à pobreza, é essencial combinar apoio externo com
fortalecimento da capacidade institucional e financiamento doméstico.
7.4 Barreiras Socioculturais e Educacionais
A implementação de programas sociais também enfrentou desafios relacionados a
percepções culturais e educacionais. O baixo nível de literacia, a resistência a mudanças em
práticas tradicionais de saúde, agricultura e educação, e a falta de informação adequada
dificultaram a adesão de comunidades a certos programas. Estes factores exigiram
abordagens participativas e sensibilização contínua para garantir o sucesso das intervenções
(Sen, 1999).
7.5 Fragilidade da Infra-estrutura e Logística
A limitada infra-estrutura de transporte, comunicação e energia em várias regiões dificultou
a entrega de serviços essenciais, como escolas, centros de saúde e abastecimento de água.
Problemas logísticos impactaram directamente a eficácia de programas de transferência
monetária, microcrédito e outras iniciativas de apoio social, evidenciando a necessidade de
investimentos complementares em infra-estruturas.
Segundo o Banco Mundial (2012), Moçambique enfrenta desafios significativos no sector
de transportes, com uma infra-estrutura rodoviária precária que, embora tenha recebido
algumas melhorias, ainda carece de investimentos substanciais para atender às necessidades
do país. A escassez de estradas pavimentadas e a má qualidade das existentes dificultam o
acesso a serviços essenciais e aumentam os custos de transporte, afectando directamente a
eficácia de programas sociais.
Além disso, uma análise do estado de conservação das infra-estruturas rodoviárias no posto
administrativo de Sábiè revela que, apesar de algumas melhorias, muitas estradas
continuam em péssimas condições, especialmente durante a estação chuvosa. A falta de
manutenção e a insuficiência de recursos para a reabilitação das vias contribuem para a
persistência desses problemas, comprometendo o acesso das populações a serviços básicos
e limitando a eficácia das políticas públicas implementadas (Jethá, 2023).
8. Conclusão
O Plano de Acção para a Redução da Pobreza Absoluta (PARPA) constituiu um
instrumento central na política de combate à pobreza em Moçambique, articulando o
crescimento económico com políticas sociais destinadas a melhorar a qualidade de vida das
populações mais vulneráveis. A análise do presente trabalho evidenciou que o PARPA
promoveu avanços significativos em sectores essenciais, como educação, saúde, infra-
estruturas e protecção social, contribuindo para a redução da pobreza absoluta em muitas
regiões do país. Os dados recolhidos através de metodologias quantitativas e qualitativas
permitiram monitorizar o progresso, identificar lacunas e orientar intervenções estratégicas
mais eficazes.
Apesar destes progressos, persistem desafios consideráveis, nomeadamente a desigualdade
regional, fragilidade institucional, limitações infra-estruturais e dependência do apoio
externo. Estes obstáculos indicam que, para futuras políticas de redução da pobreza, é
essencial reforçar a capacidade institucional, diversificar fontes de financiamento, expandir
o acesso a serviços básicos e promover a inclusão social. A experiência do PARPA oferece
lições valiosas para a concepção de programas sustentáveis, orientados por evidências, que
garantam o desenvolvimento económico e social de forma equitativa e duradoura em
Moçambique.
9. Referências bibliográficas
1. Banco Mundial. (2012). Moçambique: Avaliação do Sector de Transportes.
Washington, DC: Banco Mundial.
2. Banco Mundial. (2022). Indicadores de Desenvolvimento Mundial. Washington, DC:
Banco Mundial.
3. Chakravarty, S., & Srinivasan, T. N. (2010). Ajuda Externa e Redução da Pobreza:
Teoria e Evidência. Nova Deli: Oxford University Press.
4. Governo de Moçambique. (2006). Plano de Acção para a Redução da Pobreza
Absoluta (PARPA I e II). Maputo: Ministério do Plano e Finanças.
5. Hanlon, J., & Smart, T. (2008). As Agências de Ajuda Fazem Diferença? Londres:
Zed Books.
6. Instituto Nacional de Estatística (INE). (2019). Inquérito aos Agregados Familiares e
Indicadores Sociais em Moçambique. Maputo: INE.
7. Jethá, A. (2023). Estado de Conservação das Infra-estruturas Rodoviárias no Posto
Administrativo de Sábiè. Beira: Universidade Licungo.
8. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). (2005). Relatório de
Desenvolvimento Humano em Moçambique. Maputo: PNUD.
9. Sen, A. (1999). O Desenvolvimento como Liberdade. Nova Iorque: Alfred A. Knopf.